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<journal-title><![CDATA[Revista Portuguesa de Ciências do Desporto]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Futebol, cinema e masculinidade: uma análise de Asa Branca, um Sonho Brasileiro (1981) e Onda Nova (1983)]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Soccer, movies and masculinity: an analysis of Asa branca, um sonho brasileiro (1981) and Onda nova (1983)]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Amid the presence of soccer in the movies, we find traces of an epoch, representations of different dimensions of an historical period, some elements that offer us a glimpse into the spirit of an era. In view of those potentialities, this study aims to analyze two film productions from the 1980’s, Asa Branca, Um Sonho Brasileiro (Djalma Limongi Batista, 1981) and Onda Nova (Ícaro Martins and José Antônio Garcia, 1983), both of which, each in their own way, enable us to identify and discuss the changes in and paradoxes experienced by the Brazilian society of that time, especially as regards social gender relations. Subtly, in the case of Asa Branca, or openly and explicitly in Onda Nova, what we may gather is that owing to the social changes, new attitudes and behaviors are expected from men and new masculinities are built within the Brazilian society, reflecting advances and questioning the former gender order. In this context, the sport dialogue to these new symbolic buildings, something important to be discussed.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <P ><B >Futebol,      cinema e masculinidade: uma análise de <I  >Asa Branca, um Sonho Brasileiro</I> (1981)      e <I >Onda Nova</I> (1983)</B></P>       <P >&nbsp;</P>       <P ><B  >Victor Andrade      de Melo<SUP>1</SUP></B></P>       <P ><B  >Jorge Dorfman      Knijnik<SUP>2</SUP></B></P>       <P >&nbsp;</P>        <P ><SUP>1</SUP><i>Universidade Federal do Rio de Janeiro</i></P>        <P ><SUP>2</SUP><i>School of Education at University of Western Sydney (NSW), Austrália</i></P>       <P >&nbsp;</P>          <P ><a name="topc1"></a><a href="#c1"><b>Correspond&ecirc;ncia</b></a></P>     <P >&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P ><B >RESUMO</B></P>       <P >Ao redor da      presença do futebol no cinema podemos encontrar indícios de uma época, representações      sobre diferentes dimensões de um momento histórico, alguns elementos que nos      permitem lançar um olhar sobre o espírito de um tempo. Tendo em vista essas      potencialidades, esse estudo objetiva analisar duas produções cinematográficas      da década de 1980, <I >Asa Branca, Um Sonho      Brasileiro</I> (Djalma Limongi Batista, 1981) e <I  >Onda Nova </I>(Ícaro Martins e José Antônio      Garcia, 1983). Esses dois filmes, nos quais o futebol ocupa espaço de destaque,      permitem-nos identificar e discutir as mudanças e paradoxos vividos na sociedade      brasileira naquele momento, sobretudo no que tange às relações de gênero.      De modo sutil, no caso de Asa Branca, ou de modo aberto e explícito, em Onda      Nova, o que podemos depreender é que, em virtude do quadro de transição, novas      atitudes e condutas são esperadas dos homens, novas idéias de masculinidade      se constroem no seio da sociedade brasileira, refletindo os avanços e questionando      a ordem de gênero anterior. Nesse quadro, também o esporte dialoga com esse      conjunto de novas construções simbólicas, sendo, portanto, assunto que merece      nossa atenção.</P>       <P ><B ><I  >Palavras-chave</I></B>: cinema,      esporte, masculinidades, futebol<B  ><U></U></B></P>       <P >&nbsp;</P>   <B  >   </B>         <P ><B  >ABSTRACT</B></P>     <P ><B  >Soccer, movies and masculinity: an analysis of Asa branca, um sonho brasileiro    (1981) and Onda nova (1983)</B></P>     <P >Amid the presence    of soccer in the movies, we find traces of an epoch, representations of different    dimensions of an historical period, some elements that offer us a glimpse into    the spirit of an era. In view of those potentialities, this study aims to analyze    two film productions from the 1980’s, Asa Branca, Um Sonho Brasileiro (Djalma    Limongi Batista, 1981) and Onda Nova (Ícaro Martins and José Antônio Garcia,    1983), both of which, each in their own way, enable us to identify and discuss    the changes in and paradoxes experienced by the Brazilian society of that time,    especially as regards social gender relations. Subtly, in the case of Asa Branca,    or openly and explicitly in Onda Nova, what we may gather is that owing to the    social changes, new attitudes and behaviors are expected from men and new masculinities    are built within the Brazilian society, reflecting advances and questioning    the former gender order. In this context, the sport dialogue to these new symbolic    buildings, something important to be discussed.</P>        <P ><B ><i>Key-words</i></B><I  >: </I>cinema, sports, masculinity, soccer</P>        <P  ><I >&nbsp;</I></P>               <P ><B >INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</B></P>        ]]></body>
<body><![CDATA[<P >Assim como em outros encontros entre cinema e esporte, essas duas grandes    artes do século XX, a presença do futebol nas grandes telas é eivada de representações    relacionadas ao contexto sócio-cultural, permitindo-nos identificar indícios    de uma época, lançar um olhar sobre o espírito de um tempo<SUP>(<a name="top1"></a><a href="#1">1</a>)</SUP>.</P>        <P >No Brasil, mais de 160 longas-metragens de alguma forma trazem referências    do futebol [<a name="topn1"></a><a href="#n1">1</a>] . Entre esses, dois filmes    chamam a atenção por pioneiramente abordarem questões ligadas à sexualidade    e ao género, trazendo esse esporte para um território no qual, até aquele momento,    não estivera presente de forma tão explícita: <I  >Asa Branca, um sonho brasileiro</I> (1981), de Djalma Limongi Batista, e <I >Onda    Nova</I> (1983), de José Antonio Garcia e Ícaro Martins.</P>       <P >Esse      artigo tem por objectivo discutir as representações de masculinidade, na sua      relação com o futebol, nesses dois filmes. Que ideias de género são trabalhadas      nessas produções? Por que tal temática é incorporada nessas películas? Como      podem nos ajudar a lançar um olhar sobre a sociedade brasileira em um momento      tão rico de sua história? Essas são questões que pretendemos responder no      decorrer desse artigo.</P>        <P >Para alcance do objectivo, dialogamos com as reflexões de Peter Burke<SUP>(<a name="top2"></a><a href="#2">2</a>)</SUP>    sobre a possibilidade de uma “história cultural da imagem” ou uma “antropologia    histórica da imagem” que “pretende reconstruir as regras ou convenções, conscientes    ou inconscientes, que regem a percepção e a interpretação de imagens numa determinada    cultura” (p.227). Ressaltamos, assim, que entendemos os filmes analisados como    fontes históricas propriamente ditas (ou “indícios”), e não como ilustrações.</P>        <P >Estudos como os de Knijnik e Vasconcelos<SUP>(<a name="top3"></a><a href="#3">3</a>)</SUP>    e de Goellner<SUP>(<a name="top4"></a><a href="#4">4</a>)</SUP>, entre outros,    já demonstraram que o futebol historicamente foi se estabelecendo como um território    pronunciadamente masculino, preponderando compreensões que o consideram demasiadamente    viril e inadequado à biologia das mulheres, um esporte que macularia a graça    e a beleza feminina. No mesmo sentido, a partir do contraponto, ao seu redor    reforça-se a construção de uma certa ideia de masculinidade. O futebol não só    reflecte certos conceitos correntes na sociedade, como também funciona como    uma ferramenta pedagógica, uma estratégia para propugnar e difundir certos modos    de se portar.</P>       <P   >Ainda que      essas ideias sigam fortes no Brasil, desde as últimas duas décadas do século      XX percebem-se algumas mudanças, algo que está ligado ao novo cenário sócio-cultural      e às subsequentes tensões que se estabeleceram no que se refere às questões      de género. Outros estudos já discutiram os impactos desse processo na relação      entre as mulheres e o futebol. Pensamos que a relevância desse estudo é se      debruçar sobre uma questão ainda menos discutida, os trânsitos da masculinidade      e seus impactos no esporte, tendo o cinema como fonte privilegiada de investigação.</P>       <P   >&nbsp;</P>        <P ><B >TRANSI&Ccedil;&Otilde;ES NAS MASCULINIDADES BRASILEIRAS NOS ANOS 1980</B></P>       <P >No Brasil,      o final dos anos 1970 e início dos anos 1980 é marcado pela efervescência      política e cultural, um momento que deixou marcas nos rumos do país em todas      as esferas, com reflexos inclusive na ordem de género. </P>        <P >Em 1979, a Lei da Anistia apontava o fim próximo da ditadura militar e possibilitava    a volta ao país de antigos líderes políticos. A despeito dos discursos que clamavam    por democracia, em termos de condutas e valores morais ainda preponderava o    que Connell<SUP>(<a name="top5"></a><a href="#5">5</a>)</SUP> denomina de <I  >masculinidade hegemônica</I>. Aliás, uma marcante contestação a esse modelo veio    de um ex-exilado: Fernando Gabeira fazia repercutir uma nova postura perante    a questão corporal; as imagens de suas tangas de crochê nas praias cariocas    perduram no imaginário e acabaram por ser um dos símbolos de uma nova possibilidade    de expressão masculina. </P>        ]]></body>
<body><![CDATA[<P >No campo da arte percebe-se o clima de mudanças. Surgem várias bandas de rock    que trazem novidades em termos de política de masculinidades. “Barão Vermelho”    e “Legião Urbana”, por exemplo, tinham líderes (os vocalistas e compositores    Cazuza e Renato Russo) que alardeavam condutas sexuais heterodoxas (diziam gostar    de “meninos e meninas”), apresentando ao país alternativas à heterossexualidade    compulsória que a ordem de género tradicional impunha<SUP>(<a name="top6"></a><a href="#6">6</a>)</SUP>.  </P>       <P >No esporte      brasileiro identificam-se impactos desse processo. O futebol, a paixão nacional,      estava em crise. Foram duas derrotas em Copas do Mundo (em 1974, na Alemanha,      e em 1978, na Argentina), às quais se seguiria outra tragédia épica: a incrível      derrota para a Itália na Copa de 1982 (Espanha).</P>        <P >Para além disso, uma nova experiência emergia no futebol nacional: a Democracia    Corintiana, liderada por um dos craques da seleção de 1982, Sócrates, em conjunto    com os jogadores Casagrande e Wladimir. Questionava-se, entre outras coisas,    o regime de “concentrações” anteriores às partidas oficiais [<a name="topn2"></a><a href="#n2">2</a>]    . Foi um movimento que deixou raízes na ordem de género, pois colocava em questão    a autoridade dos técnicos e dirigentes de controlarem os corpos dos atletas,    uma das práticas de política corporal mais bem estabelecida pela masculinidade    hegemónica. </P>       <P >É interessante      notar que, assim como na política e na arte, havia a convivência (e não poucas      vezes tensão) entre as distintas masculinidades esportivas. O goleiro Emerson      Leão, por exemplo, também titular do Corinthians, por conta própria se submetia      às concentrações, julgando-as necessárias para seu próprio descanso.</P>       <P >Outro fato      importante da década foi a revogação do Decreto lei n.3199 de 14 de Abril      de 1941, que proibia as mulheres de realizarem esportes considerados “incompatíveis      com a sua natureza”, entre os quais o futebol. A ordem de género no esporte      começava a sentir os ventos de mudança.</P>       <P >Nos anos 1980,      uma nova onda esportiva toma conta do país: o voleibol masculino arrebata      multidões, especialmente meninas que suspiram por jogadores que logo se tornam      ídolos. Milhares de jovens passam a encher as quadras, ruas e praias praticando      um esporte que até então era comummente rotulado como “coisa de bicha”. Esses      atletas também contribuíram para reconfigurar as ideias acerca da masculinidade,      demonstrando novos usos para o corpo e novos estilos de ser.</P>       <P >Percebe-se      ainda nessa época uma maior difusão do hábito da prática de actividades físicas.      Frequentar academias, fazer aeróbica ou musculação, praticar Tai-Chi-Chuan      ou yoga: novos costumes que começaram a se incorporar ao cotidiano da classe      média, desencadeando outras formas de relação com o corpo, predispondo ao      surgimento de novas identidades de género.</P>       <P >Como teriam      expressado esse quadro de transição <I >Asa      Branca – um sonho brasileiro</I> e<I >      Onda Nova</I>? O que poderiam nos dizer sobre as relações entre futebol e      masculinidade naquele contexto?</P>       <P >&nbsp;</P>        <P >&nbsp;<B  ><I >A</I>S<i>A BRANCA</i>: IND&Iacute;CIOS SUTIS</B></P>       ]]></body>
<body><![CDATA[<P >Antônio dos      Reis é um menino de uma família humilde do interior de São Paulo, Mariana      do Sul. A época: transição das décadas de 1950 e 1960, como podemos perceber      pela foto do presidente Juscelino Kubitschek      que ilustra a parede da paróquia que serve de cenário para a sequência      inicial. A sua mãe o veste de anjo para que participe de uma procissão (fantasia      que, segundo ela, depois será usada no carnaval). Daí surge o apelido que      o seguirá por toda a vida: Asa Branca</P>       <P >O futebol      faz parte daquela família. À mesa do café da manhã, o irmão reclama que Asa      Branca não estuda, não trabalha e ainda pega seu rádio, o impedindo de ouvir      as partidas. O pai, lendo o jornal, critica as mudanças na forma de jogar.      A irmã tenta opinar, mas é reprimida pelo pai: futebol não é para mulheres,      é coisa de homem!</P>       <P >Logo ficaremos      sabendo que Asa (como é comummente chamado) quer ser jogador de futebol. A      mãe se preocupa com seu futuro, ele lhe acalma e afirma que será o maior craque      do país. Sonha com o aparentemente improvável: sair da vida humilde, ser reconhecido,      ter um carro e garotas, ou melhor, a mais linda da cidade. Poca, seu amigo      de infância, é seu parceiro nesses devaneios, o sonho de muitos brasileiros.</P>        <P >É esse o quadro inicial de <I >Asa Branca: um sonho brasileiro</I> (1981),    primeiro longa-metragem de Djalma Limongi Batista, que já se aproximara do tema    em seu curta de estreia, <I  >Um clássico, dois em casa, nenhum jogo fora </I>(1968), onde o futebol é usado    como metáfora para representar os laços masculinos brasileiros [<a name="topn3"></a><a href="#n3">3</a>]    . É interessante ver esse esporte como tema de filmes desse cineasta, cuja obra    é muito variada e comummente considerada como livre, rebelde e transgressora;    alguns chegam a categoricamente afirmar que é um dos principais directores de    filmes <I >gays</I> do Brasil.</P>       <P >Na trama,      Asa Branca começa a treinar e se destacar em uma pequena equipe local, o Comercial,      logo sendo comprado pelo Sport Club, time de um rico empresário da região.      Desde o início terá que lidar com as artimanhas do futebol: o poder do dinheiro      que compra seu passe, que o confunde porque desejava ficar no seu clube de      origem, sob a bênção de um treinador que é quase um pai, também serve para      relevar suas indisciplinas: o “dono” do Sport não quer saber das reclamações      do técnico, afinal quer seu craque em campo (aliás, afirma ele, jogador polémico      chama público e gera renda). Foi dada a partida para a caminhada do herói.</P>       <P >Asa já dá      sinais de forte personalidade. Agride o técnico quando esse o repreende por      beber, fumar e andar com mulheres (ainda que, na verdade, essa seja uma acusação      exagerada àquela altura). Ele, que sofreu chacotas ao chegar ao Comercial,      agora é o líder, o astro, amado por todos, até mesmo por Cleise, “Miss Mariana      do Sul”, filha do presidente do Sport, moça bela que antes dizia odiar jogadores      de futebol. Ela também não resiste ao charme do galã de várzea. O fundo musical      é romântico. O cenário político nacional passa ao largo: o que interessa são      os conflitos internos.</P>       <P >Algumas situações      marcam uma nova virada na trajectória do personagem. Poca, seu companheiro      de sonhos, desiste da carreira para se casar. O Brasil acaba de ser derrotado      na Copa de 1966. Asa é comprado por uma equipe de grande porte de São Paulo,      o Bandeirantes. Em quatro anos, como se verá ao fim da película, o herói cumprirá      seu destino. Para tal, terá que aprender a ser homem. </P>       <P >Ao chegar      à metrópole, é instalado em um quarto colectivo de uma pensão, algo bastante      distinto de sua humilde, mas aconchegante casa de família. Não sabe se mover      pela cidade, e como “não é ninguém”, tampouco é ajudado nessa árdua missão      de percorrer os caminhos da selva de pedra. Foge quando é reconhecido pelos      repórteres que cobrem o cotidiano do clube, não sabe lidar com tantas novidades.</P>       <P >O cotidiano      do Bandeirantes não é menos cruel. O treinamento intenso lhe assusta. Tem      dificuldades de se relacionar com seus colegas. No primeiro jogo, amarga algo      que nunca conhecera até então: o banco de reservas. Quando tem a oportunidade      de entrar em campo, não consegue jogar em meio à tamanha competitividade,      perde a cabeça, gera uma confusão e ainda é atingido no rosto: deixa o campo      humilhado e sangrando. O técnico, que por crer que é um craque ainda o mantém      na equipe, é explícito: foi um desastre a estreia. O herói terá que se superar      e provar seu valor.</P>       <P >Diversos modelos      de masculinidade se apresentam perante o craque, que aos poucos vai reconfigurando      a sua identidade de género. A confusão se instaura em sua cabeça. Frágil,      se entrega às tentações: a noite e as mulheres levam o personagem à derrocada.      <I >Habitué</I> de <I  >boites</I> e tendo prostitutas como suas companheiras      constantes, passa a chegar atrasado ao clube, deixa de treinar por semanas.      Grandes sonhos oferecem riscos potencialmente maiores; há que se aprender      a resistir, a superar.</P>       ]]></body>
<body><![CDATA[<P >Perdido, Asa      delira e transita entre o desejo de voltar à sua cidade e jogar pelo Comercial,      junto com seu amigo Poca, e vestir a gloriosa camisa dourada da selecção brasileira,      tendo como companheiro um grande craque (participação especial de Garrincha,      cuja trajectória, aliás, pode ter em parte inspirado o cineasta). </P>       <P >O acaso vai      lhe apresentar a chance de superação. Com seus colegas de equipe vai disputar      uma “pelada” promocional no litoral, encantado pela oportunidade de pela primeira      vez ver o mar. Livre das amarras, joga muito bem, chamando a atenção de seus      companheiros, que nunca o viram se desempenhar daquela forma, e também de      Isaias (em bela e contida interpretação de Walmor Chagas), rico publicitário      que se encanta pelo “menino”. Até esse momento do filme a abordagem moral      é bastante conservadora. O ponto de virada do personagem é que vai ser surpreendente.</P>       <P >À noite, em      um baile de carnaval, vestido com a mesma fantasia de anjo de sua infância      (carnaval e religião, festa e disciplina vão sempre marcar sua trajectória),      o herói vai ao solo, bêbado, acabado. É recolhido por Isaias, que o leva para      casa e dele cuida. A possibilidade de uma relação homossexual é insinuada.      </P>       <P >Asa começará      a aprender um novo jeito de estar no mundo, de expressar a sua masculinidade.      Isaias, por meio de sua teia de relações, vai o ajudando a se ajustar a um      novo modo de vida que começa a se desenhar no futebol, e cujo corpo performático      o nosso herói passa a “vestir”. Ele não é mais o rapaz “destemperado”; entra      em cena o profissional decidido, competente, batalhador, que não cai em provocações,      sempre dizendo as coisas correctas em meio a sorrisos. </P>       <P >Se a história      de Asa carrega todos os conflitos, etapas e percursos clássicos do herói,      da transformação do rapaz em macho, é no mínimo provocativa a insinuação de      que é outro homem, em um relacionamento que extrapola a amizade, que directamente      interfere na reconfiguração de sua masculinidade. É Isaias que, com seus contactos,      vai conseguir nova oportunidade para que entre em uma partida como titular.      Mais seguro, joga bem, surpreende, é o destaque. Sob os olhares de seu protector,      desempenha-se bem com a imprensa, recupera sua confiança. Começa sua trajectória      de ascensão.</P>       <P >Mas ainda      há riscos no caminho. O herói não pode relaxar, deve estar atento aos perigos      que esse jogo impõe, às suas regras estritas, estreitas e elitistas. Quando      Asa é convidado para uma festa da elite paulistana, na casa do presidente      do clube, leva consigo seus colegas de jornada, atletas pobres (um deles é      negro) que sentem-se desambientados. </P>       <P >O presidente      se recusa a cumprimentar o jogador negro, só permitindo a entrada dos jogadores      após insistência de Asa Branca. Mesmo assim adverte: “Comportem-se rapazes,      vocês não estão em nenhum chiqueiro... Ou então, voltarão para a concentração!”.      Mesmo com o alerta, os jogadores “não se comportam” e são expulsos. Nesse      momento, Asa está com Sylvia, a mulher do presidente. É salvo do flagrante      por Marta, que logo assumirá o papel de sua noiva.</P>       <P >É de novo      Isaias que entra como guardião. Organiza um almoço de aniversário com a presença      dos amigos leais (de hoje e do passado, Poca está presente) e da família.      Asa sente saudades, reflecte, pensa no seu caminho. O herói fraqueja, mas      resolve seguir em frente. A mãe agradece ao protector, ocasião em que sabemos      que Asa e Isaías estão morando juntos; o jogador e o publicitário trocam olhares      ternos e discretos.</P>       <P >Já próximo      do fim do filme, no Maracanã, o templo maior da religião futebol, Isaias comenta      com Asa que o porteiro foi um antigo grande jogador, relembrando-o que muitos      foram os heróis que acabaram por fracassar ao fim da jornada. O craque parece      tomar consciência de que precisa efectivamente assumir certos papéis se quiser      manter-se no auge da carreira futebolística.</P>       <P >Ao fim, com      as mesmas roupas de anjo, dessa vez sua fantasia em um desfile de escola de      samba (de novo carnaval e religião, festa e disciplina), Asa ascende definitivamente:      depois de consagrado por compor a equipe tricampeã da Copa do Mundo de 1970      (México), voa pela cidade apreciando sua trajectória vitoriosa e cheia de      dificuldades. Um novo homem surge, centrado, com emoções contidas, como deve      ser um “verdadeiro homem”, ao menos nesta engrenagem. </P>       ]]></body>
<body><![CDATA[<P >O Asa Branca,      que de início afronta a ordem de género, questionando técnicos autoritários,      querendo impor o seu jeito de ser e de jogar, finalmente se rende, se ajusta,      torna-se um conquistador, ainda que mantenha relativamente oculto seu grau      de relação com Isaias. Ainda que ocupe o topo da escala social, essa forma      de exercer a masculinidade está longe ser a única possível, de ter um “caráter      fixo”: pode ser contestada no quadro das relações entre os géneros. </P>       <P >Assim, o craque,      induzido por uma mescla de seus desejos e das necessidades que a situação      social lhe coloca, escolhe e é escolhido por um determinado repertório de      condutas masculinas. De qualquer forma, devemos reforçar, no filme essas escolhas      se dão por sua relação com outro homem, Isaias, uma suposição que, ainda que      sutil, reconfigura a ideia de masculinidade construída ao redor do jogador.</P>       <P  >&nbsp;</P>        <P ><i><b>ONDA NOVA</b></i><b>: IND&Iacute;CIOS EXPL&Iacute;CITOS</b></P>       <P ><I >Onda Nova</I> (1983) é      parte de um conjunto de experiências cinematográficas típicas dos anos 1980.      O filme, um misto de musical e comédia de costumes, tem forte relação com      os movimentos culturais da época, dialogando inclusive com a forma de fazer      cinema dos anos 1970: com o Cinema Marginal, com a Pornochanchada da Boca      do Lixo paulistana, com a experiência dos cineclubes, sempre à busca de uma      linguagem experimental.</P>        <P >É o segundo de uma trilogia [<a name="topn4"></a><a href="#n4">4</a>] dirigida    por José Antonio Garcia e Ícaro Martins. Marcam as três produções uma equipe    e um elenco em comum (onde se destaca Carla Camurati, praticamente uma musa,    um símbolo dessas obras), semelhanças de aspectos técnicos (um certo formato    anárquico e improvisado) e os temas tratados (as novas construções simbólicas    e os novos costumes da juventude, que, nos anos 1980, definitivamente se imporá    como importante referência cultural); a cidade de São Paulo é o pano de fundo.</P>     <P >José Antonio Garcia se aproximara do universo esportivo desde seu curta-metragem    de estreia, <I >Hoje tem Futebol</I> (1976), uma ficção sobre a preparação de    uma equipe, já buscando uma linguagem experimental e tematizando as “sexualidades    alternativas”. O filme contava no elenco com jogadores do Corinthians, (como    Zé Maria, Wladimir, Pita) e atores como os Dzi Croquetes Dario, Baiard e Paulette.    Em <I  >Olho Mágico do Amor</I>, aliás, os jogadores citados e Casagrande voltarão a    fazer uma participação especial [<a name="topn5"></a><a href="#n5">5</a>] .</P>       <P >Já Ícaro Martins      estreia com <I >Rock,</I> onde, claramente      criando uma contraposição com a na época tradicional forma brasileira de performance      desse estilo musical, apresenta um panorama dos novos grupos da década de      1970, alinhando-se a uma perspectiva contra-cultural. O futebol também ocupa      espaço privilegiado na película, notadamente quando se vê a banda Os Novos      Baianos disputando uma partida.</P>       <P >O início de      <I >Onda Nova</I> já informa algumas referências      básicas da película e prepara o espectador para o que virá. Os créditos são      apresentados em lençóis pintados pelas personagens, uma inovação, um alinhamento      com a cultura do grafite, além de uma forma de economizar recursos; o local      é o Parque do Ibirapuera; o motivo: um jogo em que homens vestidos de mulher      e mulheres vestidas de homem comemoram a criação da Gayvotas Futebol Clube,      uma equipe de futebol feminino patrocinada por um clube profissional.</P>       <P >Esse início      também antecipa a forte carga erótica que vai percorrer a película. As cenas      de sexo serão intensas. Como dito, há sim uma relação com as experiências      da pornochanchada, na época um enorme sucesso de público. Contudo, a despeito      do clima de comédia, do erotismo e mesmo de ter sido exibida no mesmo circuito      da Boca do Lixo, <I >Onda Nova</I> tematiza      mais profundamente (ainda que sem nenhuma pretensão de “tratado sociológico”,      antes é um panorama) os novos arranjos sexuais em uma sociedade em transição      e em rápida mudança. Virgindade, aborto, relações livres, adultério e traição,      homossexualidade masculina e feminina, <I  >ménage à trois</I>, esses são assuntos tratados      com crueza e sem grandes rodeios, como fatos cotidianos que não merecem ser      escondidos ou negados. </P>       ]]></body>
<body><![CDATA[<P >É relevante      destacar que o futebol foi o objecto escolhido para desencadear e dar suporte      aos conflitos da trama. Logo nas primeiras sequências vemos de forma explícita      a subversão dos sentidos mais usuais desse esporte. Os jogadores Wladimir      e Casagrande, vestidos de mulher, são submetidos a um interrogatório de duplo      sentido, quando não advertidos por algum comportamento masculino. </P>       <P >A frase-chave      é pronunciada em tom irónico pela personagem de Regina Casé: “eu adoro esportes      masculinizantes”. A dubiedade é marcante, as brincadeiras com palavras relacionam      os cotidianos de futebol e mulheres. A tabela mais importante, para essas,      segundo se afirma, não é mais a da menstruação, mas sim a do campeonato, como      sempre o foi para os homens.</P>       <P >No seu terreno      sagrado, os homens parecem subjugados. Casagrande, por exemplo, ainda voltará      à cena como simples objecto de uma mulher que o escolherá para perder a virgindade,      uma mudança de papéis bastante significativa: não é ele que tenta desvirginá-la,      é ela que o escolhe. Este aceno com novas condutas sexuais, presente por todo      o filme, mostra algo que até os dias de hoje choca a muitos: o feminismo trouxe      à baila uma gama de novos modos de encarar e viver a sexualidade, para homens      e mulheres. A mensagem é: os homens devem aprender a se comportar face essas      mudanças.</P>       <P >O filme, assim,      encara o esporte por seu revés, apostando no feminino como modo de contrapor      a masculinidade hegemónica e os padrões de comportamento rígidos, enfatizando      questões normalmente escondidas. Se o futebol é um espaço de festa, também      é de desejo; se assim o é, também é de liberação. </P>       <P >Foge-se tanto      da ideia de assepsia comummente relacionada à prática esportiva (a constante      referência ao uso de drogas é uma importante marca desse outro olhar) quanto      complexifica-se a construção identitária de género ao redor da prática. Um      exemplo da articulação dessas duas dimensões são as cenas no vestiário, eivadas      de sensualidade: nesses espaços, as jogadoras de futebol vivem e curtem seus      corpos, longe das vergonhas que cercam os homens nesses momentos de exposição,      sempre delicados no que toca à masculinidade e as suas regras rígidas no que      tange aos prazeres vinculados à corporeidade.</P>       <P >Roupas, músicas,      gírias e expressões lembram que o Brasil vivia mesmo uma nova onda (e as referências      à <I >New Wave</I> são claras), antecipando      um formato que será comum em muitos filmes da década, como <I >Bete      Balanço</I> (Lael Rodrigues, 1984), e <I >Rock      Estrela</I>, (do mesmo diretor, 1986); entre outros. As referências à época      vão desde citações dos filmes de Walther Hugo Khouri, passam pelo programa      do Chacrinha e chegam a Michael Jackson, a música de fundo em muitos momentos      da trama. </P>       <P >Por que o      futebol ficaria de fora dessa nova vaga? Não parece ser despretensioso o fato      de que os jogadores convidados (e certamente ter aceito tal participação pode      ser encarado como um sinal de ousadia e mesmo de enfrentamento de um meio      tradicionalmente conservador) estavam entre os articuladores da já citada      Democracia Corintiana. Além disso, é clara a relação com a experiência do      Radar, time carioca de futebol feminino que tentava consolidar a prática para      as mulheres, sempre enfrentando preconceitos e a opinião pública.</P>       <P >Esse cenário,      a articulação entre um novo contexto político, a distensão nos costumes e      as experiências inéditas no âmbito do futebol, na mesma medida em que o esporte      continuava maioritariamente como um espaço de enorme conservadorismo, pode      ajudar a entender o quão é provocativa a presença do velho esporte bretão      em um filme que, não sem razão, foi chamado de <I  >gay</I>. Além das cenas de relações homossexuais      (femininas e masculinas), há referências explícitas ao tema, como o nome da      equipe (a gaivota é um símbolo comummente relacionado à homossexualidade;      no caso do filme, o nome da equipe começa com a sílaba Gay), e o Ritz, onde      parte da trama se passa, um bar/restaurante que desde os anos 1980 era tido      como espaço GLS.</P>       <P >De um lado,      o uso do futebol como eixo permite estabelecer interessantes contrapontos      aos papéis sexuais estabelecidos pela norma hegemónica. Na película não há      machos ou fêmeas clássicas; tampouco gays e lésbicas seguem o modelo do senso      comum. Alguns estereótipos são desmontados. Por exemplo, se há jogadoras de      futebol lésbicas, os directores do filme não trabalham em momento nenhum isso      como uma decorrência do esporte: há orientações sexuais distintas em uma mesma      equipe. </P>       <P >De outro lado,      alguns estereótipos são explícitos: o Gayvotas é treinado por um homem, Jorge,      que usa na preparação as mesmas estratégias que usualmente são aplicadas com      times masculinos. Se elas subverteram a lógica ao ingressar no território      sagrado do masculino, é o homem que continua, pelo menos dentro das quatro      linhas, no comando. Até porque, outra cena de flagrante estereótipo, no meio      das partidas algumas jogadoras se desinteressam, conversam ou dançam balé,      como se não soubessem mesmo de que se trata aquele jogo. Em outro momento,      o dirigente do clube que as patrocina reclama dos seus comportamentos inadequados.      Jorge, irritado com essas ocorrências e com o fraco desempenho da equipe,      supostamente fruto de descompromisso ou dos muitos problemas “da natureza      feminina”, afirma categoricamente: “Futebol é coisa para macho”.</P>       ]]></body>
<body><![CDATA[<P >Essas mulheres      que tentam jogar futebol enfrentam mesmo vários conflitos. É interessante      a sequência em que Lili, a goleira do Gayvotas, se desentende com sua mãe      (de forma hilária interpretada por Patrício Bisso), pois essa não quer que      ela pratique o esporte. Agressiva, Lili lembra que seu pai faz tricô; a mãe      defende seu marido afirmando que se trata de uma prática terapêutica, sem      relação com a sua sexualidade. As tensões são assim multifacetadas e só mesmo      Zazá, mãe de Zita, e o pai de Batata, ex-jogador de futebol, apoiam declaradamente      o time, o que não diminui a pressão social sobre elas.</P>       <P ><I >Onda Nova</I> não é um      documentário. É uma ficção que, inserida em um tempo histórico, notadamente      nesse caso por tratar-se de um filme de costumes, permite perceber algo do      seu momento, a partir da óptica e do olhar específico de seus directores.      Novos modelos de masculinidade estavam em construção, dialogando mesmo com      uma nova postura e presença pública feminina e com os primórdios de uma maior      visibilidade das lutas dos homossexuais pelo respeito às diferentes orientações      sexuais. </P>       <P >Como vimos,      o futebol, ainda que resistente, não ficaria totalmente inerte a esse conjunto      de mudanças, no filme e na “vida real”, com as experiências do Corinthians      e do Radar. Essas tensões são captadas não só em <I  >Onda Nova</I>, como também em <I  >Asa Branca: um Sonho Brasileiro</I>, ainda      que com enfoques distintos.</P>       <P >&nbsp;</P>        <P ><B >CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES FINAIS</B></P>       <P >Futebol e      cinema: artes e técnicas do século XIX que invadem os séculos XX e o actual,      não somente registando as mudanças sociais, mas também sendo parte delas,      mesmo provocando-as. O cinema contribuiu para a reconfiguração da vida social,      lançando propostas, difundindo imagens e ideias, provocando e gerando inquietações.      Essas certamente são sentidas no meio esportivo, que aparentemente se quer      inquebrantável, mas que se revela repleto de contradições e brechas nas quais      se pode questionar a sua suposta neutralidade.</P>       <P >Essas dimensões      são nitidamente identificadas nos filmes analisados. De um lado, um rapaz      que sai do interior, impulsionado unicamente pela sua paixão e talento pela      bola, é forçado a conhecer outras possibilidades de ser homem, em um mundo      brutal, de aparências, sem espaço para os derrotados – o mundo da masculinidade      hegemónica do futebol. Asa se entrega a esse mundo sem esquecer completamente      o que possui de precioso, seus sentimentos mais puros e singelos, sua origem.      Não pode vivenciá-los plenamente, tem que abafá-los, mas eles persistem, mostrando      as brechas desta ordem que aparentemente é maciça. A própria presença da homossexualidade      masculina, no filme apresentada de forma sutil, quase subliminar, mostra que      as fissuras na vão além do que se poderia suportar anos antes: novos modelos      de homem já estão em construção, enquanto antigos padrões começam a ruir.</P>       <P >Por outro      lado, o que havia de sutileza e de insinuações em <I  >Asa Branca</I>, se escancara em <I  >Onda Nova</I>. As mulheres invadem o terreno      de poder simbólico dos homens: os campos de futebol. O que eles irão fazer      com isso? Como lidar com esta invasão? Quais respostas são possíveis perante      essa “indesejável” presença feminina em um espaço que sempre esteve sob o      absoluto controle masculino, no qual elas sempre foram proibidas de pisar?</P>       <P >O filme responde      da forma mais irónica possível a tais questões, travestindo craques de futebol      de mulheres, em uma inversão de papéis que, directamente, mostra que os homens      terão que mudar; a masculinidade hegemónica estaria com seus dias contados,      chegou uma “nova era”, na qual as relações entre os sexos poderão ser mais      igualitárias. A sexualidade livre é uma das facetas desses novos tempos: as      condutas corporais no Brasil, tanto no que se refere às práticas esportivas      quanto às sexuais, estão passando por uma intensa mudança, influenciadas pelas      grandes alterações nas relações sociais de género vivenciadas na sociedade      brasileira. </P>       <P >Esse processo      não atinge só às mulheres; os homens reconfiguram suas performances, sua estrutura      de sentimentos, suas condutas, seu modo de se relacionar socialmente, entre      si, com as mulheres, com o trabalho, com o corpo, com o esporte, enfim, com      a vida e o mundo: novas ideias de masculinidade estão surgindo no horizonte      da sociedade brasileira. </P>       ]]></body>
<body><![CDATA[<P >O modelo hegemónico      de masculinidade – o homem brutamonte, violento, insensível às necessidades      do outro – vai dando espaço a um novo tipo, com um perfil de empresário dos      tempos modernos, sensível, mesmo que competente e decidido. De outro lado,      as mulheres avançam com posturas e condutas anteriormente reservadas aos homens      – supostamente “se masculinizam”, e mesmo questionadas, seguem adiante em      seu caminho.</P>       <P >Tanto <I  >Asa Branca</I> quanto <I  >Onda Nova</I> captam algo desses trânsitos.      Por sua sensibilidade merecem ser vistos e analisados pelas lentes de género,      como testemunhas vivas da nova ordem que vai se instalando na vida nacional,      e que, por maiores resistências que ainda encontre em diversos campos sociais      – no futebol em especial – veio para ficar. </P>       <P >&nbsp;</P>        <P ><B >REFER&Ecirc;NCIAS</B></P>        <P ><a name="1"></a><a href="#top1">1</a>. Melo VA (2006). <I >Cinema e esporte:    diálogos</I>. Rio de Janeiro: Aeroplano/Faperj.</P>     <!-- ref --><P  > <a name="2"></a><a href="#top2">2</a>. Burke P (2004). <I >Testemunha ocular:    história e imagem</I>. Bauru: Edusc.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=748283&pid=S1645-0523200900030000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><P  > <a name="3"></a><a href="#top3">3</a>. Knijnik JD, Vasconcelos EG (2005). Les    femmes en crampons à coeur ouvert au Brésil. In: Terret T (org). <I>Sport et    genre: v1 – La conquête d´une citadelle masculine</I>. Paris: L´ Harmattan,    295-308.</P>     <P  > <a name="4"></a><a href="#top4">4</a>. Goellner SV (2005). Mulheres e futebol    no Brasil: entre sombras e visibilidades. <I  >Rev.Bras.Educ.Fís.Esp.</I>, 19(2): 143-51. </P>     <P  > <a name="5"></a><a href="#top5">5</a>. Conell RW (2005). <I >Masculinities</I>.    Crows Nest, Australia: Allen &amp; Unwin.</P>     <P  > <a name="6"></a><a href="#top6">6</a>. Louro GL (2000). Por que estudar gênero    na era dos <I  >cyborgs</I>? In: Fonseca TMG, Francisco DJ (orgs.), <I>Formas de ser e habitar    a contemporaneidade</I>. Porto Alegre: Ed. UFRGS, 121-136.</P>        ]]></body>
<body><![CDATA[<P  > <a name="7"></a><a href="#top7">7</a>. Sócrates, Gozzi R (2002). <I >Democracia    corinthiana: a utopia em jogo</I>. São Paulo: Boitempo.</P>       <P >&nbsp;</P>               <p>                 <P > [<a name="n1"></a><a href="#topn1">1</a>] Dados de junho de 2008. A lista    completa pode ser encontrada em: <a href="http://www.anima.eefd.ufrj.br/esportearte" target="_blank">http://www.anima.eefd.ufrj.br/esportearte</a></P>     <P > [<a name="n2"></a><a href="#topn2">2</a>] Para mais informações, ver estudo    de Sócrates e Gizzo<SUP>(<a name="top7"></a><a href="#7">7</a>)</SUP>.</P>     <P > [<a name="n3"></a><a href="#topn3">3</a>] O jogo em si, na verdade, só é    ouvido como pano de fundo, enquadrando uma relação homossexual que ocorre ocasionalmente    e desperta nos dois personagens reflexões sobre sua situação em um país sob    censura e controle.</P>                 <P > [<a name="n4"></a><a href="#topn4">4</a>] Os outros dois são <I >O Olho Mágico    do Amor</I> (1981) e <I >Estrela Nua</I> (1984).</P>                 <P > [<a name="n5"></a><a href="#topn5">5</a>] A temática também estará presente    em outro de seus curtas experimentais, <I  >Tem Bola na Escola</I> (ou <I  >Bola na Escola</I>), de 1979.</P>     <P >&nbsp;</P>     <P ><B  ><a name="c1"></a><a href="#topc1">CORRESPONDÊNCIA</a></B></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P ><B  >Victor Andrade de Melo</B></P>     <P >Praia de Botafogo, 472/810 – Botafogo, Rio de Janeiro</P>     <P >RJ – Brasil; CEP: 22250-040</P>     <P >E-mail: <a href="mailto:victor.a.melo@uol.com.br">victor.a.melo@uol.com.br</a></P>       <P >&nbsp;</P>          ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[Burke]]></surname>
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<source><![CDATA[Testemunha ocular: história e imagem]]></source>
<year>2004</year>
<publisher-name><![CDATA[Bauru: Edusc]]></publisher-name>
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