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<journal-title><![CDATA[Revista Portuguesa de Ciências do Desporto]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[As mulheres e as práticas corporais em clubes da cidade de São Paulo do início do século XX]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The women and the corporal practices at Sao Paulo city clubs during the beginning of 20th century]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade de São Paulo Escola de Educação Física e Esporte Departamento de Pedagogia do Movimento do Corpo Humano]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The woman condition at 20’s was determined by a discourse that, based in the public life and dedication to a private life. At the same time the Feminist Movement fight to the rights of the women to citizenship and a social life outside. Among Physical Education, the discourses added a woman physically active. The athletics’, classic dance and basketball started to be consider health activities to women. The subjective of this paper is to discuss how it was the women participation at the corporal practices in clubs at 20’s of 20th Century in Sao Paulo.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <P> <B >As mulheres e as práticas corporais em clubes da cidade de São Paulo do    início do século XX</B></P>        <P>&nbsp; </P>     <P><B >Katia Rubio</B></P>       <P> <i>Departamento      de Pedagogia do Movimento do Corpo Humano, Escola de Educação Física e Esporte,      Universidade de São Paulo,&nbsp; Brasil</i></P>       <P>&nbsp;  </P>        <P><b><a name="topc1"></a><a href="#c1">Correspond&ecirc;ncia</a></b></P>     <P>&nbsp; </P>     <P><B >RESUMO</B></P>        <P> No Brasil a condição feminina na década de 1920 era determinada pela exclusão    da vida pública e dedicação a vida privada. Neste mesmo período o movimento    feminista lutou pelo direito das mulheres à cidadania, a uma existência legal    fora de casa. Na Educação Física os discursos apontam uma mulher fisicamente    ativa, dentro de propósitos eugenistas e higienistas. O atletismo, a dança clássica    e o basquetebol começaram a ser considerados atividades saudáveis para mulheres.    O objetivo deste trabalho é discutir como se deu a participação da mulher nas    práticas corporais em clubes na década de 1920 na cidade de São Paulo.</P>        <P> <B ><I  >Palavras-chave</I></B>: feminismo, práticas corporais, emancipação, esporte e    mulher</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>&nbsp;</P>     <P>&nbsp;</P>     <P><B >ABSTRACT</B></P>               <P> <B >The women and the corporal practices at Sao Paulo city clubs during the    beginning of 20<SUP>th</SUP> century</B></P>       <P> <B ></B>The woman condition at 20’s was determined by      a discourse that, based in the public life and dedication to a private life.      At the same time the Feminist Movement fight to the rights of the women to      citizenship and a social life outside. Among Physical Education, the discourses      added a woman physically active. The athletics’, classic dance and basketball      started to be consider health activities to women. The subjective of this      paper is to discuss how it was the women participation at the corporal practices      in clubs at 20’s of 20th Century in Sao Paulo.</P>        <P> <B ><i>Key-words</i></B>: feminism, corporal practices, emancipation, sport    and woman</P>     <P>&nbsp;</P>               <P>&nbsp; </P>     <P><B >INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</B></P>        <P> O século XX representa um marco para o movimento feminista por transformar    radicalmente discursos e práticas sobre a condição da mulher na sociedade. Em    função da cristalização de papéis sociais a mulher se viu desumanizada enquanto    sujeito histórico, protagonizando apenas o papel social de “mãe-esposa-dona    de casa”.</P>        ]]></body>
<body><![CDATA[<P> Essa condição ganhou amparo legal com o código civil de 1916, que subordinava    a mulher ao homem, legalizando uma dependência e subordinação que já eram defendidas    com argumentos biológicos. Dessa forma, restava à mulher desempenhar actividades    da esfera da vida privada, sendo atribuídas a ela as funções de casar, gerar    filhos para a pátria e plasmar o carácter dos cidadãos de amanhã<SUP>(<a name="top9"></a><a href="#9">9</a>)</SUP>.    E assim firmava-se a oposição entre as esferas pública e privada, definindo    os papéis sociais masculino e feminino, de acordo com as expectativas e imposições    sociais.</P>        <P> Nesse mesmo período o Movimento Feminista viveu um momento de intensa organização    e actuação, ainda que fragmentado e dependente de esforços individuais, ganhando    visibilidade em defesa dos direitos da mulher. Entre suas bandeiras de luta    estavam o direito ao voto, a educação e o acesso ao mercado de trabalho.</P>        <P> Entendendo que as práticas corporais de movimento acompanham a dinâmica social,    este trabalho tem como objectivo investigar o processo de inclusão das mulheres    na cultura corporal de movimento na cidade de São Paulo durante a década de    1920. Esse recorte histórico justifica-se pela importância desse período para    o Movimento Feminista no Brasil, pela história da Educação Física brasileira    e para as conquistas das mulheres ao longo do século XX.</P>        <P> O referencial teórico utilizado para análise é da epistemologia feminista,    na qual as mulheres são percebidas como sujeitos sociais e políticos, e também    como sujeitos do conhecimento.</P>        <P> Segundo Louro<SUP>(<a name="top8"></a><a href="#8">8</a>)</SUP>, isso expõe    conexões e imbricações ocultas entre o público e o privado, permitindo que se    observem vínculos de poder antes desprezados.</P>        <P> Foram tomadas como fontes primárias relacionadas a participação das mulheres    em práticas corporais periódicos, fotos, jornais e documentos de época, consultados    nos centros pró-memória do Clube Esperia, do Esporte Clube Pinheiros e do Clube    Atlético Paulistano.</P>        <P> Os periódicos são uma importante fonte para a compreensão da contrariedade    dos discursos acerca da presença feminina em atividades físicas. Ora exaltavam    a performance das atletas dos clubes e divulgavam imagens das <I  >sportswomen</I> de outros países, ora reafirmavam os propósitos eugenistas e    higienistas da Educação Física feminina proposta por Fernando de Azevedo [<a name="topn1"></a><a href="#n1">1</a>]    .</P>        <P> As modalidades encontradas nos periódicos foram o ténis, o atletismo, a natação,    o basquetebol, a dança clássica e os jogos presentes em actividades sociais.    Para finalidade desse artigo abordaremos apenas o atletismo, a bola ao cesto    e os jogos presentes em actividades sociais.</P>     <P>&nbsp; </P>        <P> <B >A CONCILIA&Ccedil;&Atilde;O DAS NOVAS DEMANDAS &Agrave; VELHA ESTRUTURA    SOCIAL</B></P>        ]]></body>
<body><![CDATA[<P> O final do império, final da escravidão e início da republica representaram    um importante cenário para o Brasil do início do século XX. As perspectivas    de reestruturação das relações de trabalho em novas bases, a transição do sistema    económico agrário para o fabril, a ampliação e a complexificação dos espaços    urbanos, o aumento significativo da imigração, entre outros aspectos, sinalizavam    o advento de um novo tempo. Também eram formuladas e executadas novas estratégias    de disciplinarização e de representação dos corpos, que correspondiam as expectativas    e interesses dominantes e apontavam para uma nova ética do trabalho e novos    padrões de moralidade para os comportamentos afectivos, sexuais e sociais.</P>        <P> A ciência despontava como paradigma e a medicina social oferecia as justificativas    para a determinação de papéis e espaços sociais femininos e masculinos. Por    razões biológicas, eram asseguradas como características das mulheres a fragilidade,    o recato, o predomínio das faculdades afectivas sobre as intelectuais e a subordinação    da sexualidade a vocação maternal. A gestação e a maternidade eram as justificativas    para esses cuidados.</P>        <P> Essas características eram suficientes para justificar que se exigisse das    mulheres uma atitude de submissão, um comportamento que não maculasse sua honra.    Estavam impedidas do exercício da sexualidade antes de se casarem e, depois,    deviam restringi-la ao âmbito desse casamento com a finalidade de gerar filhos.    As mulheres, segundo Engel<SUP>(<a name="top4"></a><a href="#4">4</a>)</sup>,    dotadas de intenso erotismo e forte inteligência seriam despidas do sentimento    de maternidade, característica inata da mulher normal, e deveriam ser afastadas    do convívio social.</P>        <P> A imagem idealizada de mulher, possível para as elites urbanas, também foi    exigida das camadas populares, muito embora a condição económica não favorecesse    essa identificação. Isso porque a inserção das mulheres no mercado de trabalho    se deu em função da necessidade de suprir as demandas da industrialização e    também para auxiliar na complementação da renda familiar<SUP>(<a name="top13"></a><a href="#13">13</a>)</SUP>.    No início da industrialização brasileira era significativo o número de mulheres    e crianças nas fábricas, principalmente de fiação e tecelagem, representando    a maioria da força de trabalho, por ser abundante e barata<SUP>(<a name="top11"></a><a href="#11">11</a>)</SUP>.    Colaborou para essa situação as necessidades geradas pela Primeira Guerra Mundial,    como o afastamento dos homens da vida produtiva e a necessidade de produção    de suprimentos de todas as ordens. Após esse período, as mulheres foram progressivamente    expulsas das fábricas, na medida em que avançava a industrialização e a re-incorporação    da força de trabalho masculina.</P>        <P> A variação salarial, bem como a intimidação física, a desqualificação intelectual    e o assédio sexual, eram algumas das barreiras enfrentadas pelas mulheres para    participar do mundo do trabalho. Destaca-se, nesse contexto, a frequente associação    entre a mulher no trabalho e a questão da moralidade<SUP>(<a href="#11">11</a>)</SUP>.    “Nas denúncias dos operários militantes, dos médicos higienistas, dos juristas,    dos jornalistas, a fábrica é descrita como ‘antro da perdição’, ‘bordel’ ou    ‘lupanar’, enquanto a trabalhadora é vista como uma figura totalmente passiva    e “indefesa” (p. 585). Essa visão estava associada, directa ou indirectamente,    a intenção de direccionar a mulher à esfera da vida privada.</P>        <P> Diante das necessidades impostas pelo contexto histórico a sociedade passou    a divulgar a necessidade de uma nova esposa, mais moderna, mais consciente,    menos subjugada a tirania do marido, mas nem por isso menos dedicada ao lar    e a família</P>        <P> <I >“A maternidade ganha ares de profissão, baseada em habilidades altamente    qualificadas e especializadas e se toma o valor central das mulheres das famílias    de classe média e alta” </I><SUP>(<a name="top3"></a><a href="#3">3</a>,<I >    </I>p.66)</SUP><I ></I></P>        <P> Na segunda metade do século XIX e nas primeiras décadas do século XX, as lutas    e manifestações esparsas do movimento pelo direito das mulheres cederam lugar    a uma campanha mais orgânica pelos direitos políticos de votarem e de serem    votadas. O movimento sufragista espalhou-se pela Europa e pelos Estados Unidos,    construindo a primeira vaga de feminismo organizado no mundo<SUP>(<a name="top10"></a><a href="#10">10</a>)</SUP>    [<a name="topn2"></a><a href="#n2">2</a>] .</P>        <P> Os movimentos europeus e      norte-americanos exerceram uma grande influência sobre as mulheres latino-americanas.      No Brasil, a primeira fase do feminismo, que abrangeu o final do século XIX      e as três primeiras décadas do século XX, esteve intimamente associada a personalidades.      Mesmo quando apresentou algum grau de organização, essa derivava do esforço      pessoal de alguma mulher, que por sua excepcionalidade, na maioria das vezes      intelectual, rompia com os papéis para ela estabelecidos e se colocava no      mundo público em defesa dos direitos femininos.</P>        <P>&nbsp; </P>        ]]></body>
<body><![CDATA[<P> <b>AS PR&Aacute;TICAS CORPORAIS E O FEMININO</b></P>        <P> O comportamento no âmbito das práticas corporais não se encontra isolado da    dinâmica social, mas é reflexo das relações estabelecidas nesse espaço maior.    Portanto, a prática de actividades físicas na década de 1920 pode ser observada    como um microcosmo, dentro do macrocosmo que era a sociedade paulistana do final    da Primeira República.</P>        <P> Nesse período, a disseminação das práticas corporais — cada vez mais presentes    em clubes e escolas — estava intimamente ligada ao controle corporal, ou seja,    as preocupações higiénicas, eugênicas, médicas, morais e disciplinares. Dessa    forma, havia uma nítida distinção entre as práticas aconselhadas a mulheres    e homens, de forma que a preparação física reforçava as características corporais    e comportamentais que distinguiam a ambos.</P>        <P> <I >“Sob a cobertura do ‘natural’, uma disciplina dos corpos masculinos se    impõe: os rapazes parecem ser espontaneamente atraídos pela competição, pelo    treinamento físico e pelo desenvolvimento muscular, já que tudo isso só reforça    neles a virilidade e, por conseqüência, a ‘natureza’ máscula”</I> <SUP>(<a name="top12"></a><a href="#12">12</a>,    p. 37-38)</SUP>. </P>        <P> Assim, esperava-se que os jovens seguissem a actualidade esportiva, participassem    dos acontecimentos organizados nos estádios, torcessem por um time de futebol,    se preocupassem com sua forma f&iacute;sica e, sobretudo, praticassem esportes.</P>       <P> O discurso sobre a prática      de actividades físicas por mulheres — que afirmava a inaptidão da constituição      física feminina — sofreu transformações no início do século XX.</P>        <P> Visando a produção da “nova mulher”, que deveria acompanhar os desafios da    modernidade, deixava-se de valorizar a debilidade e a indolência feminina, assim    como o ócio e a preguiça passaram a conformar o mal da alma e deveriam ser substituídos    pela vitalidade do corpo e pela capacidade de resistir as intempéries da vida<SUP>(<a href="#4">4</a>)</SUP>.</P>        <P> Essa transformação do pensamento da época exigiu uma grande dedicação por    parte de alguns intelectuais que buscavam relacionar as benesses físicas e morais    da ginástica feminina com o engrandecimento geral da nação. Dentre eles, Fernando    de Azevedo teve um importante papel por sua longa trajetória científico-literária,    na qual destacam-se <I >Da Educação Physica</I> e <I  >Antinous: estudo de cultura atlhetica</I>, ambos publicados em 1920. Nessas obras    procurou construir uma doutrina pedagógica para a Educação Física brasileira    condizente com o prestigio social dos métodos ginásticos europeus, mais especificamente    com os pressupostos higienistas e eugenistas que os fundamentavam<SUP>(<a name="top5"></a><a href="#5">5</a>)</SUP>.</P>        <P> Fernando de Azevedo pensava a Educação Física como uma acção científica, “<I  >inserida dentro de um plano nacional de educação, que desenvolveria ao máximo&nbsp;    a virilidade, as virtudes da raça e as aptidões hereditárias de cada individuo</I>.”<SUP>(<a name="top6"></a><a href="#6">6</a>,    p.161)</SUP>. Buscava-se a eliminação da fraqueza orgânica, que além de debilitar    cada sujeito por ela atingido, também debilitava a ideia de uma nação poderosa.</P>        <P> Ainda que fossem várias as restrições impostas e os cuidados a serem seguidos,    Fernando de Azevedo atribuía grande importância aos exercícios corporais femininos    para a formação das “obreiras da vida”. Essa concepção apontava a maternidade    como a mais nobre missão da mulher, pois dela dependia a regeneração da sociedade.    Ainda assim, a aceitação de mulheres em esportes e outras actividades físicas    vivia a dualidade entre as propostas eugenistas e higienistas, e certas características    comuns ao universo da cultura física — como o suor excessivo, o esforço físico,    as emoções fortes, as competições, a rivalidade consentida, os músculos delineados,    os perigos das lesões e a leveza das roupas — que, quando relacionados a mulher,    despertavam suspeitas por parecerem abrandar certos limites que contornavam    uma imagem ideal de ser feminina.</P>        ]]></body>
<body><![CDATA[<P> A definição desses limites baseava-se na compreensão naturalizada do que e    ser homem e do que e ser mulher, de acordo com as imposições e expectativas    sociais. Considerava-se, então, que <I >“a resistência dos braços, a solidez    do punho, que tem tanta importância para o homem, tem, para a mulher, importância    extraordinariamente menor do que o desenvolvimento da bacia. E impossível desconhecer    e não seria licito na educação por de lado a constituição ou o sexo e submeter    a juventude, como em Esparta, e agora na Escócia, aos mesmos exercícios; e se    importa ter o maior cuidado da organização delicada das meninas, (...) a educação    física da mulher deve ser, portanto, integral, higiênica e plástica, e, abrangendo    com os trabalhos manuais os jogos infantis, a ginástica educativa e os esportes,    cingir-se exclusivamente aos jogos e esportes menos violentos e de todo em todo    compatíveis com a delicadeza do organismo das mães, como sejam entre estes a    dança ao ar livre e a natação, a que deve preceder um curso regular de ginástica    inteligentemente administrada”</I><SUP>(<a name="top1"></a><a href="#1">1</a>,    p.82-33)</SUP>.</P>        <P> A dança era a única pratica corporal permitida as mulheres no século XIX,    sobretudo as danças litúrgicas, que conferiam a bailarina um caráter quase sagrado.    Porém, no início do século XX, de acordo com as idéias defendidas por Fernando    de Azevedo, ela foi concebida como “<I >um método de educação corporal feminina    baseado na assimilação de um código de movimentos tidos como belos, harmoniosos    e graciosos, que permitem às mocinhas a expressão — totalmente ‘espontânea’    — de sua ‘natureza’ feminina</I>”<SUP>(<a href="#12">12</a>, p.45)</SUP>.</P>       <P> Frequentemente realizada ao ar livre, visando o contacto com a natureza e    a valorização do seu aspecto higiénico, tratava-se do treinamento dos gestos    para assegurar que a espontaneidade não estragasse o efeito desejado, objectivando    o “controle absoluto sobre o corpo”.</P>        <P> A ginástica feminina, segunda prática apontada por Fernando de Azevedo como    adequada as mulheres, foi profundamente influenciada pela dança. Isso porque    era necessária à preparação física dos bailarinos, dos quais se exigia flexibilidade,    destreza, leveza nos saltos etc. A maior parte dos dirigentes de escolas de    bailado da Europa criou formas de trabalho físico que foram sistematizadas e    difundidas em outros países, originando a chamada ginástica feminina.</P>        <P> Sua característica monótona, repetitiva, contrária a espontaneidade e controladora    das “tendências corporais e psíquicas”, fez com que a ginástica estivesse fortemente    assimilada as práticas corporais femininas. Além disso, a ginástica era valorizada    por ser completamente despida de competitividade, agressividade, desejo de vitória,    desfavorecendo o desenvolvimento da ambição individual.</P>        <P> Uma outra prática destacada como fundamental a manutenção da saúde feminina    era a caminhada, ou seja, andar a pé ou correr pequenas distâncias, sobretudo    no campo. Valorizava-se essa prática pelo aspecto higiénico das saídas ao ar    livre e pelo desenvolvimento muscular pouco significativo, já que um simples    passeio era considerado suficiente.</P>        <P> A última prática apontada por Fernando de Azevedo é a natação, que se justificava    como adequada às mulheres por proporcionar a harmonia plástica do corpo e inspirar    a graça dos movimentos. Além disso, era ressaltada nesta prática a necessidade    de intuição de ritmo, relacionada ao sexto sentido feminino, e a inconstância    do meio líquido, que se assemelhava a alma da mulher e por isso as atraía mais    do que aos homens<SUP>(<a href="#12">12</a>)</SUP>.</P>        <P> Apesar do nascimento da natação feminina competitiva só ocorrer na década    seguinte, foram presenciadas na década de 1920 tímidas tentativas de aparições    públicas de nadadoras. </P>        <P> <I >“Em São Paulo, coube a um pequeno grupo de moças da colônia alemã romper    as maiores barreiras antepostas a mulher no desporto pelos costumes e preconceitos    locais, ao se apresentar em público para nadar, ainda que envoltas em prodigiosos    costumes de banho, abundantes em dobras e babados. As restrições encontradas    em casa por estas jovens eram menores, porque elas advinham de uma cultura tradicionalmente    adepta aos cuidados como físico e a apreciação dos encantos da natureza”</I>    <SUP>(<sup><a name="top7"></a><a href="#7">7</a></sup>, p17)</SUP>.</P>       <P>&nbsp; </P>        ]]></body>
<body><![CDATA[<P> <B >AS PR&Aacute;TICAS CORPORAIS DE MOVIMENTO EM CLUBES DE S&Atilde;O PAULO</B></P>        <P> Os periódicos da época apontam o atletismo como uma prática esportiva na década    de 1920. Os registos restringem-se a duas menções em edições da Revista Esperia    — nas quais há notas sobre o desenvolvimento do esporte no clube, publicadas    na coluna “Indiscrições” — e algumas fotos.</P>        <P> A primeira nota trata do grande interesse que os treinos femininos estavam    despertando nos frequentadores do clube, o que pode justificar-se pela modalidade    ser tradicionalmente uma prática masculina. “<I >Mas as moças que estão em treino    pouco se incomodam com os basbaques; visam apenas fortalecer seu physico, e    fazer brilhante figura, obtendo bons resultados</I>”<SUP>(<a name="top14"></a><a href="#14">14</a>)</SUP>.    Percebe-se o reconhecimento de que há um envolvimento efectivo dessas mulheres    com sua prática, condição essencial para que elas apresentassem um bom desempenho    e ampliassem suas possibilidades de actuação na modalidade.</P>        <P> Porém, de acordo com a segunda nota, nem todos os espaços apresentavam condições    favoráveis ao crescimento do atletismo feminino:</P>        <P> <I >A Federação de Athletismo, com esse negócio de competições femininas,    parece que esta “tapeando” o pessoal. Marcam a competição para um certo dia,    e dahi a pouco, ja noticiam a transferência. Depois, a data é alterada novamente.    E assim pouco a pouco vão desanimando as pequenas que estão treinando.</I><SUP>(<a name="top16"></a><a href="#16">16</a>)</SUP></P>        <P> O posicionamento da Federação reforça a ideia de que a discriminação de género    nos esportes se apresentava de forma cada vez mais velada. Isso porque não se    assumia uma posição contrária a presença feminina nas pistas, mas eram elaboradas    estratégias para desmobilização das atletas.</P>        <P> Embora os textos não se referissem especificamente as provas do atletismo,    por meio das fotos e possível identificar mulheres participando do salto em    altura, do arremesso de dardo e do arremesso de peso. Outro aspecto que se destaca    nas imagens é o uniforme, composto por uma camisa sem mangas e gola e um <I  >short</I>. Esse uniforme se destaca de outros tipos de roupa utilizadas nas demais    práticas corporais por ser extremamente apropriada a exercitação física.</P>        <P> Outra modalidade na qual as mulheres estavam presentes era o basquetebol,    praticado somente no Club Esperia e na Associação Athletica São Paulo. Assim    como a disseminação dessa prática, as menções a participação feminina em publicações    da época também eram poucas, restringindo-se a duas fotografias da equipe do    Esperia e uma reportagem sobre a partida realizada entre os dois clubes.</P>        <P> Os uniformes utilizados para a prática do basquetebol apresentam-se de formas&nbsp;    bastante distintas nas duas fotos da equipe feminina do Club Esperia. Em uma    delas as atletas estão vestidas com saias pelos tornozelos, camisas com mangas    compridas e punhos, as golas possuem laços e outros detalhes. Na outra foto,    publicada no periódico do clube em 1929, as saias estão na altura dos joelhos,    as camisas não possuem mangas e as golas não apresentam quaisquer ornamentos.    O desconhecimento da data da primeira foto — encontrada nos arquivos do clube    apenas com a especificação “década&nbsp; de 20” — não nos permite inferir sobre    uma possível conquista das atletas em relação aos trajes para a prática esportiva.</P>        <P> A reportagem publicada na Revista Esperia, em 1929<SUP>(<a name="top15"></a><a href="#15">15</a>)</SUP>,    trata sobre o “encontro de bola ao cesto entre turmas femininas”, que foi parte    do programa de uma Semana de Educação Physica. O texto dessa publicação destaca-se    dos demais escritos na época pela utilização de expressões pouco usuais na descrição    de jogos em que havia a participação de mulheres.</P>        ]]></body>
<body><![CDATA[<P> <I >O jogo foi disputado com muito ardor, chegando mesmo algumas vezes a assumir    phases violentas, dando um trabalho insano ao juiz do encontro. Apesar disso,    boas jogadas foram registradas, e belos lances a cesta resultaram em pontos,    dos quaes a nossa turma fez a maior parte, assegurando-se deste modo a victoria    das medalhas oferecidas pela Comissão de Educa&ccedil;&atilde;o Physica.</I></P>        <P> O relato desse jogo demonstra o intenso envolvimento das atletas com a modalidade    e com a competição, o que, somado a rivalidade existente entre as duas equipes,    proporcionou um acirramento da partida. Isso contraria a concepção de Fernando    de Azevedo, que considerava adequadas às mulheres as actividades desprovidas    do sentimento de competitividade. Outro aspecto que merece destaque neste excerto    são os elogios tecidos à dimensão técnica e tática da partida, reconhecendo    o valor das jogadoras pelo seu desempenho na modalidade. Também cabe destacar    a premiação que congratulou as vencedoras com medalhas.</P>        <P> O texto da reportagem finaliza parabenizando as atletas pela atuação e fazendo    considerações acerca da participação feminina nos esportes:</P>        <P> <I >Seu exemplo é digno de merecer numerosas imitadoras, que um acanhamento    injustificável afasta das competições esportivas, quando seria de desejar que    o esporte feminino fosse desenvolvido paralelamente ao esporte masculino. As    pioneiras da educação physica feminina por isso mesmo merecem maiores elogios,    porquanto arrostam com os preconceitos, certas de agir bem.</I><SUP>(<a href="#15">15</a>)</SUP></P>        <P> É de grande excepcionalidade para a época um homem manifestar-se publicamente    para exaltar o desenvolvimento do esporte feminino com características similares    ao masculino. Isso porque poucos consideravam adequado o envolvimento de mulheres    em actividades físicas que proporcionassem um esforço intenso, contacto corporal    e rivalidade consentida. Vale ainda destacar que, pelo que foi analisado, não    se pode considerar injustificável o “acanhamento” de muitas mulheres, uma vez    que eram constantemente elaboradas novas formas de dificultar seu acesso às    actividades do mundo público.</P>       <P>Entre essas formas estava      a omissão, que pode ser exemplificada pela ausência de espaço que algumas      modalidades femininas tinham na mídia da época. Em decorrência disso, há poucos      registos da participação de mulheres em alguns esportes, dentre eles a esgrima,      a ginástica, o vôlei, pólo aquático e o remo.</P>        <P> Ainda havia eventos sociais promovidos pelos clubes nos quais as atividades    físicas eram tomadas como uma forma de socialização da elite paulistana. Dentre    eles, destacavam-se os <I >five o’clock teas</I> e as <I>garden parties</I>    do Club Athetico Paulistano, onde as pessoas se reuniam e jogavam tênis, croque,    diabolo, pingue-pongue, pelota e peteca. Esses encontros eram valorizados por    se acreditar que “os diferentes jogos entre famílias traziam benefícios para    a educação física das mocas” e ainda que “sem as mulheres, essas actividades    se tornariam embrutecedoras”<SUP>(<a name="top2"></a><a href="#2">2</a>, p.26)</SUP>.    Porém, essa atribuição da responsabilidade às mulheres pelo “desembrutecimento”    das actividades supõe a delicadeza como uma característica inata a sua condição    feminina.</P>        <P> <I >Gentis senhoritas e distintos rapazes, por sua vez, jogavam a peteca,    considerada por muitos como nacional e que tem a vantagem de cansar menos. (..)    Nas partidas de pingue-pongue, o sexo forte sempre foi derrotado.</I><SUP>(<a name="top17"></a><a href="#17">17</a>)</SUP></P>        <P> No excerto é abordada a adequabilidade da peteca à prática mista por sua reduzida    exigência física, o que evidencia a equivocada compreensão de que o corpo feminino    não deveria ser submetido a esforços intensos. Também é retomada a expressão    “sexo forte” para referir-se ao homem, em oposição a mulher como o “sexo fraco”,    conforme discutido anteriormente.</P>        <P> O Club Athletico Paulistano, segundo o relatório anual de 1927<SUP>(<a name="top18"></a><a href="#18">18</a>)</SUP>,    possuía uma piscina tida como ponto de reunião diário de inúmeras famílias de    associados. Porém, a utilização do espaço estava submetida a uma rígida divisão    de horários: “Os homens ficavam a ‘sós’ entre as sete e as oito horas de segunda    a sábado. As mulheres tinham a piscina a sua disposição as segundas, quartas    e sextas, entre as oito e dez horas, e as terças, quintas e sábados, entre as    dez e doze horas”<SUP>(<a href="#2">2</a>, p. 39)</SUP>. O funcionamento da    piscina em regime misto ocorria aos domingos e feriados, e das catorze as dezenove    horas nos outros dias. No entanto, os relatórios anuais, o periódico e os livros    sobre a historia do clube não apresentam qualquer justificativa para essa separação    entre os sexos.</P>        ]]></body>
<body><![CDATA[<P> As festas ao ar livre do Club Esperia, segundo as fotografias publicadas no    periódico do clube sob o titulo “Alguns aspectos da ultima festa do Club Esperia”<SUP>(<a href="#15">15</a>)</SUP>    também contavam com actividades físicas, nas quais homens e mulheres participavam    em provas separadas. As modalidades femininas fotografadas foram a corrida de    cem metros para senhorinhas, o carrinho de mão e a corrida em sacos. Já os homens    competiam no remo, corrida de três e cinco mil metros, corrida de revezamento,    corrida em sacos e a prova surpresa.</P>       <P> Apesar do material referente      a prática de actividades físicas por mulheres ser escasso, é evidente a ausência      de um consenso sobre a aceitação feminina. Nas reportagens da época é possível      perceber diferentes reacções a esse respeito: uns exaltavam, outros criticavam,      havia os que silenciavam — por desmerecerem ou pela insegurança do porvir.      Isso reflectia a instabilidade social gerada pelo avanço das mulheres em diversas      áreas — nas artes, na política, no mercado de trabalho, na educação etc.</P>       <P>&nbsp;  </P>        <P> <B >CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES FINAIS</B></P>       <P> É importante ressaltar que      os espaços e formas de exercitação física constituem um microcosmo da sociedade,      e o que se verifica no campo das práticas corporais é uma intenção de conter      o avanço das conquistas femininas. Há registos de que desde o século XIX algumas      mulheres buscavam romper a resistência masculina exercitando-se em lugares      públicos, ainda que se constituíssem em manifestações isoladas. A imagem que      se veiculava delas correspondia aos valores de uma sociedade falocêntrica      nomeando-as como prostitutas, loucas ou criminosas. Ainda assim, no início      do século&nbsp; XX há uma intensificação      da prática de actividades físicas por mulheres.</P>        <P> Uma solução encontrada para a manutenção do controle sobre o corpo feminino,    inspirado no ideal nazista que se espalhava pela Europa de constituição de uma    raça&nbsp; pura, foi limitar as possibilidades de práticas corporais, atribuindo    a elas objectivos explicitamente higienistas e eugenistas. Dessa forma, as mulheres    não faziam actividades físicas pelo seu direito a prática, pelo exercício de    sua cidadania, mas para a construção&nbsp; de uma nação mais forte, com a qual    elas contribuíam tendo filhos saudáveis, ou seja, exercendo aquilo que os homens    consideravam sua principal função, a maternidade.</P>        <P> Ao tentar descrever uma versão à historia “oficial”, reconstituindo a trajectória&nbsp;    das mulheres na condição de protagonistas de suas acções, mostra que até meados    dos século XX as mulheres tinham direito a uma vida pública restrita. Isso significava    a impossibilidade de acesso a uma vida profissional, aos cargos políticos, a    cultura e a educação, como também o desfrute de uma vida social publica. Além    de serem consideradas incapazes de governar a si mesmas e aos outros, devendo,    portanto, submeter-se a autoridade masculina em casa e fora dela, eram também    excluídas&nbsp; do direito ao corpo e ao prazer sexual, sob pena de serem olhadas    como anormalidades ou monstruosidades. Desse modo, “a grande conquista feminina    e feminista do chamado ‘século das mulheres’, o XX, foi o direito a existência    (grifo da autora), sem o que é impossível começar, se queremos um mundo fundado    na justiça social, no respeito e na liberdade”<SUP>(<a href="#11">11</a>, p.34)</SUP>.</P>        <P> É possível afirmar que as experiências advindas da década de 1920 no que se    refere tanto as práticas femininas recomendadas, quanto as que eram consideradas    inadequadas, foram fundamentais para a ampliação das possibilidades de práticas    corporais entre as mulheres brasileiras.</P>        <P>&nbsp; </P>       <P>  </P>        ]]></body>
<body><![CDATA[<P> <B >REFER&Ecirc;NCIAS</B></P>        <P> <a name="1"></a><a href="#top1">1</a>. Azevedo F (1960). Da Educa&ccedil;&atilde;o    F&iacute;sica — O que ela e, o que tem sido e o que deveria ser. Seguido de    Antinous — <I >Estudo da cultura atlética e A evolução do esporte no Brasil.    Obras Completas de Fernando de Azevedo</I>. São Paulo: Melhoramentos, 33 edição.</P>     <P> <a name="2"></a><a href="#top2">2</a>. Brandão EL (2000). <I >Club Athletico    Paulistano - Corpo e alma de um clube centenário 1900-2000</I>. São Paulo, Editora    DBA.</P>     <!-- ref --><P> <a name="3"></a><a href="#top3">3</a>. Bruschini C (1990). <I >Mulher, Casa    e Família</I>. São Paulo: Vértice, Editora Revista dos Tribunais.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=748401&pid=S1645-0523200900030000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><P> <a name="4"></a><a href="#top4">4</a>. Engel M. (1997) Psiquiatria e Feminilidade.    In: Priore MD <I  >Historia das Mulheres no Brasil</I>. São Paulo: Contexto.</P>     <P> <a name="5"></a><a href="#top5">5</a>. Goellner SV (2003). <I >Bela, maternal    e feminina: imagens da mulher na Revista Educação Physica</I>. Ijui: Editora    Unijui.</P>     <P> <a name="6"></a><a href="#top6">6</a>. Goellner SV (2004). O Espetáculo do    Corpo: Mulheres e Exercitação Física no Inicio do Século XX. In: Carvalho MJS    &amp; Rocha CMF (Orgs.), <I  >Produzindo Gênero</I>. Porto Alegre: Sulina.</P>     <P> <a name="7"></a><a href="#top7">7</a>. Lenk M (1982). <I >Braçadas e Abraços</I>.    Rio de Janeiro: Grupo Atlantica-Boa Vista.</P>     <P> <a name="8"></a><a href="#top8">8</a>. Louro GL (1997). <I >Gênero, sexualidade    e educação</I>. Petrópolis: Vozes.</P>     <P> <a name="9"></a><a href="#top9">9</a>. Maluf M Mott ML. (1998) Recônditos    do mundo feminino. In: Sevcenko N (Org.) <I  >História da vida privada no Brasil. República: da Belle Epoque a Era do Radio</I>.    São Paulo: Companhia das Letras.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P> <a name="10"></a><a href="#top10">10</a>. Pinto CRJ (2003). <I >Uma historia    do feminismo no Brasil</I>. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo</P>     <P> <a name="11"></a><a href="#top11">11</a>. Rago M (1997). Trabalho Feminino    e Sexualidade. In: Priore MD, <I  >História das Mulheres no Brasil</I>. São Paulo: Contexto.</P>     <P> <a name="12"></a><a href="#top12">12</a>. Schpun MR (1999). <I >Beleza em    Jogo: Cultura física e comportamento em São Paulo nos anos 20</I>. São Paulo:    Boitempo.</P>     <P> <a name="13"></a><a href="#top13">13</a>. Soihet R (1997). Mulheres pobres    e violência no Brasil urbano. In: Priore MD, &nbsp;<I  >História das Mulheres no Brasil</I>. São Paulo: Contexto.</P>     <P> <a name="14"></a><a href="#top14">14</a>. <I >Revista Esperia</I>, ano 1,    no 2, outubro/1928.</P>     <P> <a name="15"></a><a href="#top15">15</a>. <I >Revista Esperia</I>, ano 1,    n° 10/11, julho - agosto/1929.</P>     <P> <a name="16"></a><a href="#top16">16</a>. <I >Revista Esperia</I>, ano ifi,    n°28, fevereiro/1931.</P>     <P> <a name="17"></a><a href="#top17">17</a>. <I >Revista Mensal do Club Athletico    Paulistano</I>, ano 1, n°4, dezembro/1927.</P>     <P> <a name="18"></a><a href="#top18">18</a>. <I >Revista Mensal do Club Athletico    Paulistano</I>, ano II, no 4, abril/1928.</P>       <P>&nbsp; </P>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p >               <P> [<a name="n1" id="n1"></a><a href="#topn1">1</a>] Fernando de Azevedo é considerado    o grande pensador do início da Educação Física brasileira. Afirmava a Educação    Física como uma acção científica, “inserida dentro de um plano nacional de educação,    que desenvolveria ao máximo a virilidade, as virtudes da raça e as aptidões    hereditárias de cada indivíduo. Uma educação física que, pautada por um estatuto    científico e ao mesmo tempo moral, estivesse articulada à medicina e às normas    jurídicas em favor de uma nova ordenação dos corpos, constituindo, assim, uma    consistente retórica corporal na qual estruturava sua proposta de ‘corpo-nação’    ” (Goellner, 2004, p. 161).</P>                 <P> [<a name="n2" id="n2"></a><a href="#topn2">2</a>] Observa-se a <I >Seneca    Falls Convention</I>, realizada em 1848, como um dos marcos do movimento sufragista    nos EUA, que produziu a Declaração de Seneca Falls, conhecida como Declaration    of Sentiments reivindicando a ampliação dos princípios da declaração de independência    americana para as mulheres. Em 1869 foi fundada a National Woman Suffrage Association    e a American Woman Suffrage Association por participantes da Seneca Falls Convention,    ambas as associações organizaram movimentos de luta pelos direitos das mulheres    de grande vulto no século XIX. A existência das distintas associações, porém    com objetivos comuns, demonstra como o feminismo desde suas origens apresenta    essa grande diversidade observada até os dias atuais. Grosso modo essas associações    se diferenciavam pelas formas de ação que deveriam ser empreendidas na luta    pelos direitos das mulheres. Em 1890 as duas associações se amalgamaram, sobrepondo    as diferenças para fortalecer o movimento, formando a National American Woman    Suffrage Association. </P>     <P>&nbsp;</P>         <P> </P>          <P></P>     <P><B ><a name="c1"></a><a href="#topc1">CORRESPONDÊNCIA</a></B></P>     <P><B >Katia Rubio</B></P>     <P>  Av.        Prof. Mello Moraes, 65</P>         <P>  Butantã</P>          ]]></body>
<body><![CDATA[<P> 05508-900 - S&atilde;o Paulo, SP – Brasil</P>          <P> E-mail: <a href="mailto:katrubio@usp.br">katrubio@usp.br</a></P>         <P> </P>          ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[Bruschini]]></surname>
<given-names><![CDATA[C]]></given-names>
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<source><![CDATA[Mulher, Casa e Família]]></source>
<year>1990</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Vértice, Editora Revista dos Tribunais]]></publisher-name>
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