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<journal-title><![CDATA[Revista Portuguesa de Ciências do Desporto]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Experiência estética do nadador. Um estudo a partir da perspectiva de atletas de natação de alto rendimento]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade do Porto Faculdade de Desporto CIFI2D - Centro de Investigação, Formação, Inovação e Intervenção em Desporto]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The current study fits in the field of the aesthetics of sport. This field aims to contribute to the understanding of aspects related to sensibility and emotions, always present and inseparable from sport, within a context of its continuous growth and development as a cultural phenomenon. The purpose of this paper was to describe the aesthetic experience the swimmer, aiming to contribute to a better understanding of the subject. Using a qualitative methodology, 10 high performance athletes (7 were part of the Portuguese Olympic team in Beijing, 2008) were interviewed following a semi-structured interview script. The contents of their narratives were then submitted to content analysis in order to reach an assemblage of categories that could explain the swimmers aesthetic experience. Those categories were: body, technique, feeling the water, victory versus defeat, and the surrounding environment.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Experiência  estética do nadador. Um estudo a partir da perspectiva de atletas de natação de  alto rendimento</B></P>     <p><b>&nbsp;</B></P>     <p><b>Rita Fernandes e </B><b>Teresa Lacerda</B></P>     <p>Centro de Investigação, Formação, Inovação e Intervenção em Desporto (CIFI<SUP>2</SUP>D),    Faculdade de Desporto, Universidade do Porto, Portugal</P>     <p><a name="top0"></a><a href="#0">CORRESPONDÊNCIA</a></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><b>RESUMO</B></P>     <p>O  presente estudo inscreve-se na estética do desporto, domínio que tem procurado  contribuir para o entendimento dos aspectos relacionados com a sensibilidade e  as emoções, sempre presentes e inseparáveis do desporto, num contexto de  permanente crescimento e desenvolvimento deste fenómeno que integra a dinâmica  cultural da contemporaneidade. O trabalho focalizou-se na caracterização da  experiência estética do nadador de alto rendimento, cumprindo o propósito  fundamental de produzir informação que se constituísse num contributo  significativo para a compreensão dessa experiência.</P>     <p>Fez-se  uso da metodologia qualitativa por meio da aplicação de uma entrevista  semi-estruturada a 10 nadadores de elite (7 pertencentes à equipa olímpica de  Portugal, Pequim 2008), tendo sido as narrativas discursivas submetidas a  análise de conteúdo, da qual resultou um quadro  categorial.</P>     <p>A  análise da informação recolhida permitiu mapear os elementos que intervêm de  modo significativo na experiência estética dos nadadores, designadamente: o  corpo, a técnica, o <i>sentir a água</I>, a  díade vitória-derrota e o contexto ambiental.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b><i>Palavras-chave</I></B>: natação, experiência estética, corpo, água</P>     <p><b>&nbsp;</B></P><b></B>     <p><b>Aesthetic experience of the swimmer. A study grounded in the perspective    of elite swimmers</B></P>     <p><b>ABSTRACT</b></P>     <p>The current study fits in the field of the aesthetics of sport. This field    aims to contribute to the understanding of aspects related to sensibility and    emotions, always present and inseparable from sport, within a context of its    continuous growth and development as a cultural phenomenon.</P>     <p>The purpose of this paper was to describe the aesthetic experience the swimmer,    aiming to contribute to a better understanding of the subject.</P>     <p>Using a qualitative methodology, 10 high performance athletes (7 were part    of the Portuguese Olympic team in Beijing, 2008) were interviewed following    a semi-structured interview script. The contents of their narratives were then    submitted to content analysis in order to reach an assemblage of categories    that could explain the swimmers aesthetic experience. Those categories were:    body, technique, feeling the water, victory versus defeat, and the surrounding    environment.</P>     <p><b>Key-words:</B> swimming, aesthetic experience, body, water</P>     <p>&nbsp;</P> <b></B>     <p><b>INTRODUÇÃO</B></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A estética do desporto vem-se afirmando como um domínio que contribui para    um melhor entendimento do fenómeno desportivo, exaltando o seu valor e realçando-o    como manifestação cultural<SUP>(<a name="top19"></a><a href="#19">19</a>)</SUP>.    Remete para o conhecimento do sensível, do emotivo, do que de mais profundo    existe no ser humano, aliando-se, ainda assim, à racionalidade.</P>     <p>Um contributo apreciável para o desenvolvimento desta temática tem surgido    por meio das aproximações ao domínio da arte (argumentando-se a favor e contra    a consideração do desporto neste âmbito), assim como por um certo esforço de    categorização dos desportos de acordo com a importância relativa da estética    na expressão da <i>performance</I><SUP>(<a name="top7"></a><a href="#7">7</a>,<a name="top8"></a>    <a href="#8">8</a>,<a name="top9"></a> <a href="#9">9</a>,<a name="top17"></a>    <a href="#17">17</a>,<a name="top21"></a> <a href="#21">21</a>,<a name="top25"></a>    <a href="#25">25</a>,<a name="top26"></a> <a href="#26">26</a>,<a name="top30"></a>    <a href="#30">30</a>)</SUP>. O presente trabalho funda-se no pressuposto enunciado    por diversos autores<SUP>(<a href="#9">9</a>, <a name="top10"></a><a href="#10">10</a>,    <a name="top11"></a><a href="#11">11</a>, <a href="#19">19</a>, <a href="#26">26</a>,    <a name="top29"></a><a href="#29">29</a>)</SUP> de que o desporto (e, consequentemente,    a pluralidade dos desportos), pode ser considerado como um objecto estético    que compreende qualidades estéticas latentes e que é passível de que acerca    dele se emitam juízos estéticos (juízos de gosto).</P>       <p>Parece ser inegável que um dos elementos centrais do desporto é o corpo, que    se constitui igualmente numa categoria nuclear da estética do desporto. Bento<SUP>(<a name="top6"></a><a href="#6">6</a>)</SUP>    sinaliza que o desporto funciona como um campo de criação do homem, responsável    pela configuração de ossos, músculos e articulações, sem esquecer a consciência,    a vontade e a sensibilidade. O mesmo autor realça o desporto como uma forma    de regresso do homem ao seu corpo, com o desejo de intencionalizar a sua biografia,    escrever nele marcas e registo de aculturação e socialização. Na verdade, o    corpo desportivo promove uma personalidade e uma identidade entre a multiplicidade    de corpos. É hoje possível, com algum conhecimento, identificar o corpo de um    nadador, de um ginasta, de um halterofilista, porque cada um tem inscrito em    si as marcas específicas do grupo no qual se “forma”: “<i>O desporto é plural    para corresponder à diversidade dos corpos individuais</I>.”<SUP>(<a href="#6">6</a>,</SUP>    <SUP>p. 174)</SUP>. Numa direcção análoga Lacerda<SUP>(<a href="#19">19</a>)</SUP>    refere ser clara uma estreita ligação entre a plástica do corpo humano nos diferentes    movimentos desportivos e o morfótipo desse mesmo corpo, assim como Boxill<SUP>(<a href="#8">8</a>)</SUP>    evidencia que o morfótipo desempenha um papel fundamental na apreensão e especialização    técnica e, por consequência, na atracção estética.</P>       <p>No domínio científico, o primado da técnica é confirmado e apontado como determinante    do rendimento individual<SUP>(<a name="top12"></a><a href="#12">12</a>)</SUP>.    Também no contexto da estética a sua importância é basilar: Boxill<SUP>(<a href="#8">8</a>)</SUP>    refere-se à técnica como factor potenciador da estética e da formação de um    estilo individual, aprimorado pela vontade de vitória, sendo que Arnold<SUP>(<a name="top1"></a><a href="#1">1</a>)</SUP>    chama igualmente a atenção para a possibilidade que o domínio técnico encerra    de aumentar a excelência e expressão individuais. </P>     <p>Wright<SUP>(<a name="top31"></a><a href="#31">31</a>)</SUP> enfatiza as potencialidades    da técnica como catalizador de respostas emocionais no observador, testemunhando    a sua afinidade com a estética.</P>     <p>As respostas emocionais ao desporto são, em boa parte, resultado da manifestação    da técnica em <I>performances </I>que elevam o corpo ao lugar da concretização    e o situam no patamar último da competição, a vitória. Kupfer<SUP>(<a name="top18"></a><a href="#18">18</a>)</SUP>    destaca que a vitória resulta da interacção humana entre equipas e entre adversários,    sendo essa interacção propiciadora de atracção estética. Do mesmo modo, Platchias<SUP>(<a href="#26">26</a>)</SUP>    realça o prazer estético desencadeado pelo atingir o resultado desejado por    meio de uma exibição que se consubstancia num <I>padrão vitorioso</I> que desperta    emoções, vividas por todos e por cada um na sua forma mais elevada. O acesso    à dimensão estética do desporto não se confina ao observador ou ao atleta, mas    ambos podem aceder à experiência estética.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; </P>     <p>O presente estudo desenvolveu-se a partir da  consideração do ponto de vista do atleta relativamente ao desporto, tratando-se,  no caso vertente, do universo sensível e emocional do atleta de natação de alta  competição. A natação é uma modalidade que detém qualidades estéticas próprias,  que podem ser observadas e vividas pelo espectador, e às quais o nadador pode  igualmente aceder, sendo conduzido para uma experiência estética.  </P>     <p>A carreira desportiva de uma das autoras, aliada  ao forte interesse de ambas pelo estudo da estética do desporto, constituíram os  principais motivos para o desenvolvimento da investigação. Para a ex-atleta de  natação, a vivência do corpo, do seu <i>eu</I> desportivo, despertou-a para um  território sensorial e emocional, a princípio subconsciente e irreflectido, mas  a pouco e pouco cada vez mais presente e mais lúcido no seu percurso desportivo.  À medida que conhecia mais piscinas, mais parecia que se envolvia com a sua  estrutura, criando quase que laços afectivos com umas, rejeitando outras,  valorizando águas, pistas, blocos de partida e as sensações e sentimentos  experimentados. A preocupação com as linhas do corpo, com a definição dos  músculos, o nadar <i>sem ruído</I>, o toque  da água, o estar em unidade com ela, todos estes aspectos começaram a habitá-la  de forma cada vez mais nítida e recorrente, manifestando-se a <i>performance</I> como o apontamento final de  um longo, sofrido e prazeroso processo, vivido durante muitas horas, dias,  meses. Já não bastava apenas nadar, mas nadar  com estética, ter beleza a nadar, num belo corpo de nadadora, tirar gozo de  nadar em belas piscinas, as quais se encontram mais equipadas e decoradas em  campeonatos de alto nível. Nadar <i>comprido</I>, deslizar, estar em harmonia  com a água, como se ela integrasse um pouco a solidez do corpo da nadadora, que  se <i>liquefazia</I> (em certa medida) para  dela participar, começaram a ser aspectos integrantes do seu mundo da natação,  em paralelo com a importância crescente atribuída ao envolvimento ambiental em  que decorria a prova. Todos estes aspectos passaram a representar “cenas” do  quadro desportivo da atleta, da sua “pintura” da modalidade e do seu trânsito  permanente entre “artista” e “obra”. O corpo que nadava, que corporizava a <i>performance</I> era, simultaneamente, o  corpo que fruía e que vigiava a sua estética. </P>     <p>Foi-se compreendendo que a importância destes aspectos era partilhada por muitos    nadadores. Compreendeu-se ainda que, neste processo, a observação do outro exerce    também uma forte influência na vontade do atleta ser belo a nadar. Torna-se    quase impossível ser indiferente ao estilo de certos nadadores como, por exemplo,    o emblemático Michael Gross [<a name="topa1"></a><a href="#a1">1</a>], cuja    alcunha nos media era <i>o albatroz</I>, tanto pela amplitude (213 cm) e o <i>planar</I>    da sua braçada de mariposa, como pela <i>beleza</I> dessa amplitude. De igual    modo, é incontornável mencionar a delicadeza do estilo de Popov [<a name="topa2"></a><a href="#a2">2</a>]    e a facilidade do nado de Michael Phelps [<a name="topa3"></a><a href="#a3">3</a>].  </P>     <p>Deste modo se entende que um atleta é actor e  espectador: descobre no sentir e no observar o fascínio e a quase obsessão por  que a sua técnica seja estética, o gozo que deriva dessa facilidade e o prazer,  quase poético, que nasce da relação do corpo com a água e com o movimento. Estar  na água e mover-se nela é algo de profundamente vivido, como tão bem descreve  Christine Rodes: </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>“Pouco a  pouco intervalo mais as golfadas de ar, descomprimo, tranquila, tenho a  impressão feliz de ter o busto maior, de vaguear em pleno céu líquido. A água  está morna…a ausência de peso provoca euforia…Sentada em parte alguma e sobre  nada…Cada vez me sinto melhor no fundo da piscina. Já não me apetece sair, que  pena ter de respirar […] a carícia da água é divertida, superficial e  absorvente. A água liberta e cativa ao mesmo tempo porque nela tudo se move, mas  tudo se move com ela […] Assim, depende do seu próprio movimento. Pouco a pouco,  ausento-me. A embriaguez absorve-me, um tudo-nada mórbida. Algo me diz que devia  sair… A superfície, esse horizonte visível, cede ao rosto escondido das coisas.  O real é um espelho sem mácula. “</I></P>     <blockquote>       <p>(Christine Rodes, <i>Pour La Dance</I>, 1986 &nbsp;<i>In:</I> Folha de sala      do espectáculo de dança “<i>Waterproof</I>” de Daniel Larrieu) </p> </blockquote>     <p>As concepções de diversos autores acerca do conceito de experiência estética    em termos gerais<SUP>(<a name="top5"></a><a href="#5">5</a>, <a name="top24"></a><a href="#24">24</a>)</SUP>    e no contexto do desporto<SUP>(<a href="#8">8</a>, <a name="top14"></a><a href="#14">14</a>)</SUP>,    foram importantes para o estabelecimento do objectivo do estudo que consistiu    em caracterizar a experiência estética do nadador de alto rendimento. Entende-se    que a experiência estética do nadador se funda em sensações e emoções que decorrem    do uso do corpo que encarna o desporto, ou seja, o corpo que nada. </P>     <p>Habitando um <I>corpo centro</I><SUP>(<a name="top28"></a><a href="#28">28</a>)</SUP>,    um corpo que nasce da relação <i>eu-outro</I>, o atleta torna-se e molda-se    corpo para <i>si</I>, para o <i>outro</I>, para <i>a prática</I> e para o elemento    água. O atleta, por estar <i>dentro</I> da <i>performance</I><SUP>(<a href="#1">1</a>)</SUP>,    cria e renova permanentemente o desenho de realizaçõesexcelentes e únicas, e    formula juízos de gosto no que concerne à estética do seu movimento. Nesta criação,    experiencia a água e o leque de possibilidades associadas à imersão do seu corpo    nesse elemento, vive o espaço, a presença do público, as cores, os sons...,    cedendo lugar à experiência estética. </P>     <p><b>&nbsp;</B></P>     <p><b>METODOLOGIA</b></p>     <p>A explicitação do objecto de estudo foi efectuada tendo em conta um conjunto    de problemáticas teóricas de enquadramento, que serviram de suporte ao desenvolvimento    do trabalho empírico. A consideração desse quadro conceptual (a que se aludiu    de forma breve na <I>Introdução</I>), permitiu a operacionalização dos conceitos    emergentes da literatura que fundamentaram o trabalho de campo. Este foi orientado    e enformado para a procura de esclarecimento de dimensões relacionadas com o    universo sensível, emocional, comunicacional - estético - dos atletas. Deste    modo, fez-se uso do método qualitativo por meio da aplicação de uma entrevista    semi-estruturada, o que possibilitou a exploração de algumas vias passíveis    de orientarem futuras investigações. Esta metodologia permitiu não apenas descrever    a informação recolhida, mas também valorizar o significado atribuído pelos atletas    `aos diferentes aspectos inerentes à problemática em estudo e interpretar o    seu sentido. Como assinalam Quivy e Campenhoudt<SUP>(<a name="top27"></a><a href="#27">27</a>)</SUP>,    a vantagem associada a esta metodologia reside na possibilidade de recolher    testemunhos e interpretações dos interlocutores, respeitando os seus quadros    de referência, a sua linguagem e as categorias mentais. A análise da experiência    estética resultante da percepção do objecto experimentado, vivido e sentido,    nas dimensões subjacentes à prática desportiva da natação de alto rendimento,    implicava entrar em linha de conta com os significados atribuídos pelos actores    e a intensidade da sua dedicação e ligação à modalidade e seu universo envolvente.  </P>     <p>O grupo de estudo integrou 10 nadadores de alta  competição (5 homens e 5 mulheres), com percursos desportivos relevantes (entre  os quais 7 nadadores olímpicos, Pequim 2008) e idades compreendidas entre os 19  e os 29 anos.</P>     <p>A informação recolhida através de uma entrevista semi-estruturada foi tratada    por meio da técnica de análise de conteúdo. Optou-se por uma análise categorial    temática para assim restituir o sentido do discurso dos entrevistados e tentar    chegar ao conteúdo implícito da comunicação. Esta análise assentou nos postulados    sugeridos por Bardin<SUP>(<a name="top3"></a><a href="#3">3</a>)</SUP> para    uma análise categorial, calculando e comparando frequências de certas características    previamente agrupadas em categorias significativas. Fez-se uso ainda da contribuição    da análise da avaliação para o registo dos diferentes juízos, bem como a sua    direcção (como foi o caso do <I>belo/feio</I>, <I>gosto/não gosto</I>).</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Neste sentido, as categorias foram definidas,  integradas e formatadas no guião da entrevista segundo agrupamentos temáticos  sugeridos pela literatura e de acordo com o objectivo da pesquisa. As respostas  dos entrevistados foram analisadas mediante o enquadramento nas categorias  pré-existentes, criando-se, igualmente, outras categorias que decorreram do  processo analítico. No primeiro grupo integraram-se as categorias <I>corpo</I>,  <I>técnica</I>, <I>vitória-derrota</I> e <I>contexto ambiental</I>; no segundo,  a categoria <I>sentir a água</I>.</P>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESULTADOS</B> </P>     <p>Os resultados do  estudo apresentam-se na presente secção. De forma a ilustrar e enriquecer a  análise citam-se, regularmente, excertos dos discursos que melhor permitem  conhecer a experiência estética dos nadadores, bem como a sua reflexividade  sobre esta temática.</P>     <p><b>Corpo do nadador</b></P>     <p>As experiências individuais de cada um <i>no</I> e <i>com</I> o seu corpo deram    a perceber a vivência de um corpo sensível, construído para a prática, através    da preocupação pela estética da forma: <i>“quanto mais fino, mais magro, forte    mas magro tu fores, melhor para a dinâmica da água” (E4)</I>. Trata-se de um    corpo que se apresenta num morfótipo ideal para a natação, que pretende ser    portador de visibilidade estética por referência a padrões desportivos e que,    simultaneamente, não recusa, mas antes parece ansiar, pela aproximação a estereótipos    sociais: <i>“somos sempre mais elegantes, um aspecto mais saudável, os músculos    mais definidos (…) as pernas são mais bonitas do que as pernas das outras pessoas”    (E8)</I>. Giddens<SUP>(<a name="top13"></a><a href="#13">13</a>)</SUP> explica    que os “(…) nossos corpos são profundamente afectados pelas nossas experiências    sociais, bem como pelas normas e valores dos grupos aos quais pertencemos.”    Assistiu-se a um desdobrar de <i>si</I> em múltiplas visões decorrentes da multiplicidade    das formas corporais destacadas (musculatura definida, magreza, ombros largos,    membros superiores compridos), cada uma proveniente do modo como cada atleta    vive, sente e comunica com o seu corpo, e resultante também do <i>projecto</I>    <SUP>(<a href="#28">28</a>)</SUP> que cada um tem com ele: <i>“O que eu mais    gosto é de ter um tónus muscular, de ter forma e costas largas. Eu acho que    até já cheguei a um ponto exagerado mas até acho bonito.” (E4)</I>, ou, numa    outra opinião: <i>“tenho uns braços compridos e penso que me são bastante úteis”    (E10).</I> </P>     <p>O corpo de nadador, na fala dos entrevistados, é  um corpo que pretende transmitir um poder triplo que se consubstancia na força:  i) que deriva do seu morfótipo; ii) com que domina o meio (água); iii) que  representa para o outro. Assim, uns abordaram a questão do modo seguinte: <i>“se estamos com alguma coisa fora do lugar,  isso influencia na posição, na flutuação (…) pode ser uma questão de estética  envolvida, pode ser feito fora de água, modelar o corpo fora de água para ele  funcionar melhor dentro de água” (E4); </I>outros reforçaram a vertente da  plástica do movimento na auto-percepção para o domínio do meio: <i>“eu na água sinto-me maior (…) sinto-me  grande a nadar (…) quando estou a nadar imagino o dobro daquilo que sou, porque  sinto-me a nadar muito comprido, porque sinto que a minha braçada é forte,  porque sinto que a minha ondulação é muito boa” (E9)”</I>; outros ainda sublinharam a efectivação  do seu poder sobre o adversário: <i>“dentro  de água quero é ganhar ao que está ao lado. E o que eu sinto é vontade de fazer  melhor do que ele, vontade de conseguir fazer melhor do que aquilo que faço”  (E5). </I></P>     <p>O poder transparece em gestos próprios de cada nadador, gestos singulares que    parecem garantir individualidade pela forma como se manifestam em <I>performances</I>    únicas e vitoriosas. O corpo estilizado pelas conveniências da prática<SUP>(<a href="#6">6</a>)</SUP>    é a representação de um atleta, é a sua marca identitária na competição e só    se torna possível pela forte consciência de si mesmo: <i>“eu tenho uma estrutura    um pouco pesada, então eu tenho que ter uma força a mais para carregar a minha    estrutura” (E4).</I> Na alta competição a consciência e a percepção de si são    fundamentais na sensibilidade do corpo para a adequação ao gesto. Obter um elevado    grau de sensações e percepções cinestésicas condiciona o desenvolvimento da    coordenação das actividades motoras e facilita a correcção técnica favorecendo    a percepção do gesto ideal<SUP>(<a name="top15"></a><a href="#15">15</a>)</SUP>    , conforme testemunharam os atletas: <i>“eu tenho que me sentir a nadar bem    e sinto as minhas provas (…) eu sabendo como é que hei-de fazer, consigo fazer    com que o meu corpo faça aquilo” (E1</I>).</P>     <p><b>Técnica</b> </p>     <p>A capacidade de aprimorar um gesto é dada, para  além das possibilidades decorrentes do morfótipo ideal, pela especialização  técnica de cada um. A facilidade com que o corpo que realiza o movimento  expressa a técnica, representa uma mais-valia estética, traduzindo-se quer em  graciosidade e harmonia, quer numa melhor apropriação do corpo à água e a si  mesmo: <i>“é preciso uma técnica  extremamente refinada para se conseguir deslocar com agilidade” (E4)</I>, ou  ainda, como referiu outro entrevistado: <i>“se tivermos uma técnica muito apurada,  somos muito mais eficientes, o rendimento é muito superior” (E10)</I>. A eficiência técnica pode resultar em  prazer estético, como afirmou o mesmo nadador: <i>“ O que me dá prazer quando estou na água é  ser eficiente, com o mínimo de esforço possível fazer o melhor tempo possível”  (E10)</I>.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Enquanto  observadores de natação especializados, os nadadores acedem à experiência  estética também pela via da observação, sendo que a facilidade no desempenho  técnico continua a ser valorizada em termos estéticos: <i>“o que  fica bem são aquelas técnicas em que a pessoa nada comprido e parece que não  está a custar nada. É mesmo bonito de ver uma nadadora a nadar comprido”  (E6)</I>.</P>     <p>Facilidade, eficiência, deslize, leveza,  velocidade, amplitude, suavidade, flutuação e fluidez emergiram como os  <I>requisitos estético-técnicos</I> valorizados pelos nadadores, não só porque  são indutores de uma melhor adaptação ao meio, traduzindo-se em melhores  resultados, mas também porque suscitam prazer estético e promovem mais e  melhores sensações de nado, como explicou um dos entrevistados: <i>“fazer de maneira a conseguir ganhar  posições onde a pessoa sente que desliza mais (…) e sentir quando é que  realmente se está a andar” (E2)</I>. Deste modo, o nadador rende-se à  fruição do seu movimento: <i>“é aquela  sensação de leveza nas competições, de leveza e de estarmos a voar (entre  aspas)” (E7)</I>. O nadador dá lugar à procura destas sensações, à perfeição do  gesto e à melhor consciência de si, no sentido de garantir exibições vitoriosas  mas, ao mesmo tempo, belas, em que a harmonia do corpo com a água e a ausência  de <i>ruído</I> são uma preocupação  constante e permanente: <i>“haver alguma  suavidade naquilo que se faz, apesar de transmitir muita força, a força não quer  dizer que seja à bruta, pode ser forte mas de uma maneira suave, não estar a  lutar com a água, estar a deslocar-se nela” (E8)</I>. </P>     <p>A técnica potencia a estética<SUP>(<a href="#8">8</a>, <a href="#31">31</a>)</SUP>    e a formação de um estilo individual. Ao ser autor e agente da sua <i>performance</I><SUP>(<a href="#1">1</a>)</SUP>    , o atleta saboreia como recompensa a sensação e a emoção resultantes de um    gesto excelente: <i>“até nos treinos consegues dar muito mais a pensar na técnica    e isso ao início custa mas no final é mesmo gratificante, porque estás a nadar    bem, custa-te menos e nadas muito mais rápido” (E6).</I></P>     <p><b>Sentir a água</b></p>     <p>Na adaptação da técnica ao corpo imerso no meio aquático, desenvolve-se um    conceito comum: <I>sentir a água</I>. Este conceito remete para o universo sensível,    emocional e comunicativo do nadador na relação que constrói entre si e o elemento    água. Dessa relação de intimidade resulta um estado de fusão, que procura a    harmonia com o elemento líquido e proporciona um prazer extremo que se inscreve    no domínio estético. Com frequência, essa intimidade percebeu-se viva mas “mergulhada”    no domínio do subconsciente, sendo à medida que os atletas falavam sobre ela    que desenhavam e se tornavam conscientes desse envolvimento:<i> “Sentir a água    passar pelo nosso corpo, sentir a agarrar a água com as mãos, com o antebraço,    com tudo aquilo (…) para nós a água faz tão parte da nossa vida de nadador que    já nem pensamos” (E1)</I>. De facto, a experiência estética é muito recorrentemente    irreflectida, talvez por ser algo de co-natural ao homem. No entanto, a familiaridade    com a água, o <I>at homeness</I> (a que alude Cordner<SUP>(<a href="#6">6</a>)</SUP>    ) do corpo que nada, precipita para a experiência estética. Quando estamos submersos    sentimos o corpo ser tocado por inteiro, e a água, por si só, desperta para    a sensibilidade<SUP>(<a name="top2"></a><a href="#2">2</a>)</SUP>.</P>     <p>Por outro lado, nadar e estar na água desempenha um forte papel nas fantasias    inconscientes<SUP>(<a name="top4"></a><a href="#4">4</a>)</SUP>, sugerindo estados    emocionais agradáveis e harmoniosos e despertando os sentidos (resultado do    aumento da sensibilidade do nadador ao meio): <i>“eu gosto de me sentir com    a água (...) gosto de andar debaixo de água, gosto do barulho, da sensação de    estar completamente submersa (…) de sentir a água a passar-me no corpo todo”    (E9). </I>Da imersão na água resulta um ampliar da sensibilidade que promove    a fantasia e, em última instância, constitui a manifestação óbvia da simbiose    eu-meio, na adaptação de um corpo à água pela consciência dos seus movimentos:    <i>“Sentir a água é como se fosse uma camisola que nos envolve toda, é como    se estivéssemos dentro de um saco e depois tirassem o ar (…) o saco cola-se    à pele (…) é como se estivéssemos aconchegados por alguma coisa que é a água.”    (E10</I>). Esta forma de sentir é particularizada nos pormenores das descrições    dos atletas:<i> “sentem-se águas mais pesadas e menos pesadas (…) não sei porquê,    mas porque parece que quando puxamos, quando fazemos a braçada puxamos mais    água, logo parece que a água é mais pesada” (E8).</I></P>     <p><I>Sentir a água</I> parece provocar uma maior vivência de si,  aumentando o universo sensorial das respostas à adaptação da técnica, promovendo  mais emoções e permitindo experiências estéticas mais intensas. Vê-se aumentada  a possibilidade da qualidade do movimento, da vitória e da estética, como é  declarado por um dos nadadores:<i>”eu só  consigo nadar ao mais alto nível, ao meu nível, se me estiver a sentir bem  dentro de água. Tenho de entrar na água da piscina e ter essa vontade de me  sentir bem a nadar, de sentir a água, senti-la passar nas mãos, sentir…ter as  sensações todas, senti-la nos pés, sentir a velocidade da água a percorrer o  corpo…sentir isso” (E5). </I></P>     <p><b>Vitória-derrota</b></P>     <p>A vitória, ou o atingir o objectivo estabelecido, torna-se a finalidade última    de todas estas criações, sensações, emoções, transformações e adaptações. O    corpo sensível experimenta-se em <I>performances</I> que podem ser vitoriosas    ou não, consoante o objectivo a que cada nadador se tenha proposto, e desaguam    no prazer estético desencadeado pelo atingir o resultado esperado<SUP>(<a href="#26">26</a>)</SUP>.    Nesta dimensão, e de acordo com a informação contida nas entrevistas, a experiência    estética pode-se desenvolver: i) na experiência resultante das emoções e sensações    que decorrem da vitória do atleta; ii) na experiência vivida pelo nadador com    a resposta emocional que a sua prestação desencadeia nos outros; iii) na experiência    decorrente das emoções e sensações que lhe são proporcionadas pelas vitórias    dos outros, o que evidencia a importância da interacção humana, também ela propiciadora    de atracção estética<SUP>(<a href="#18">18</a>)</SUP>. Como mencionava um nadador:    <i>“o espectáculo da vitória, o festejar daqueles que ganham e o festejar, entre    aspas, daqueles que perdem…essas emoções para mim trazem muita estética, são    belas” (E9)</I>.</P>     <p>A vitória e a derrota estão, portanto,  implicadas na experiência estética, manifestando-se a fruição de cada uma delas  por um estado emocional que conflui para uma multiplicidade de opiniões e formas  de sentir e viver o momento. A propósito da vitória, foi referido por um  nadador: <i>“a sensação que mais me agrada  é, realmente, aquela sensação de vencer (…) a sensação de felicidade depois”  (E4),</I> ou, como evidenciou outro atleta: <i>“é uma sensação de prazer e de plenitude”  E(8)</I>.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A derrota<b> </B>apareceu para os entrevistados, como uma pretensa <i>ponte</I>    para o aprimorar das capacidades e gestos do corpo, induzindo à procura interminável    pela excelência e experimentando-se em estados emocionais de desilusão e frustração,    por oposição à festa e à alegria da vitória: <i>“quando nado mal…também relaxo…acabou    a prova má…relaxo já para o lado da tristeza” (E4)</I>. Numa outra perspectiva,    veiculada por outro nadador, a derrota pode traduzir-se num desafio renovado:    <i>“perceber o que correu mal (…) mas as derrotas são importantes quando conseguem    gerar uma frustração que nos faz querer fazer mais e melhor” (E8). </I>A derrota    foi ainda perspectivada como uma possibilidade de fruição estética, na medida    em que permite ao atleta rever-se como humano<i>: “as derrotas a mim ensinam-me    mais do que as vitórias” (E9)</I>. A capacidade de sobreviver às emoções derivadas    da derrota, pode ser lida como um <I>caracter</I> distintivo dos atletas, como    uma <i>encenação do eu</I><SUP>(<a href="#6">6</a>)</SUP> , conforme o discurso    de um nadador<i>: “admiro a personalidade e a maneira de ser do Popov… ele chegou    a ser conhecido como um homem ice ... ele não festejava demais as vitórias e    nas derrotas não ficava totalmente derrotado, parecia que aquilo até era uma    derrota para ele mas que estava a aprender” (E5).</I> A derrota pode, deste    modo, abrir espaço à superação, como realçou um outro atleta:<i> “Ainda continuo    a competir porque vivo constantemente com o sentimento, com a sensação, de que    consigo fazer melhor” (E10)</I>. Se a vitória constitui a expressão da excelência    no desporto, a derrota pode assumir-se como uma via na procura dessa excelência,    como um processo de aprendizagem que humaniza o resultado.</P>     <p><b>Contexto ambietal </B></P>     <p>Embora marginal à <I>performance</I> em si, o contexto ambiental em que decorre    o treino e a competição desportiva é passível de exercer influência na experiência    estética do nadador. Masterson<SUP>(<a href="#21">21</a>)</SUP> evidencia que    a luz, a cor, o som, concorrem para a intensificação da estética do espectáculo    desportivo.</P>     <p>O discurso dos entrevistados deu a perceber um conjunto de características    influenciadoras da experiência estética que surgiu associado ao lugar no qual    decorre a prática da natação, a piscina: dimensões, espaço, cores, luzes, público,    equipamentos técnicos e temperatura, foram alguns aspectos enunciados como intervindo    sensorial e emocionalmente no atleta, comunicando algo de significativo no que    se refere à relação corpo/lugar. Estes factores funcionam como experiência fenomenológica<SUP>(<a href="#2">2</a>)</SUP>,    já que provocam um impacto no jogo das percepções e emoções. Trata-se de uma    percepção captada na experimentação dos objectos, cheirando, tocando, sentindo<SUP>(<a href="#24">24</a>)</SUP>    , como referia um dos entrevistados: <i>“a água é uma coisa que eu gosto imenso    de ver, a água assim azulinha ou límpida (…) e quando estão luzes associadas    então é o que me fascina mais” (E8)</I>; um outro entrevistado mencionou: <I>“para    mim é a luz! Principalmente nas piscinas descobertas, eu gosto muito da luz    (…) transmite-me muita força e muito mais alegria” (E8).</I> Um outro ainda    sublinhou: <I>“gosto de olhar para os blocos, gosto de olhar para as pistas    e se a piscina acaba lisa (caldeira finlandesa), rentinha, ou se tem paredes    a delimitar… aquela ideia de continuidade para mim… eu gosto… eu gosto mais.”    (E2).</I> Estas características parecem accionar diversos estados emocionais    e promover a criatividade ao nível do modo como o nadador vê a sua prestação,    enquadrada na relação que estabelece com o espaço, como é bem expresso no discurso    que se segue, formulado a propósito de uma piscina onde o entrevistado nadou:    <i>“Era exactamente um anfiteatro onde nós entramos, os artistas. Tinha bancada    a toda a volta, estava tudo negro e as luzes apontavam para o palco, o palco    era a piscina e isso é o essencial (…) e a primeira vez que eu entrei na água    senti que estava no palco e que estava a ensaiar (…) é o meu mundo aquilo, fico    no meu mundo ao máximo”(E9).</I> O espaço surge como potenciador das qualidades    estéticas <i>do</I> momento desportivo, projectando um conjunto de estímulos    que favorecem uma comunicação própria entre o atleta e o recinto desportivo,    intensificando a qualidade da experiência estética: <i>“eu gosto do sol directo    numa piscina, isso dá-me uma energia, sinto-me muito bem num ambiente assim”    (E4)</I> ou, como referiu outro nadador: <i>“gosto de sítios amplos, gosto de    espaço, gosto de ter a sensação de liberdade” (E8)</I> e ainda um outro, a propósito    de uma piscina olímpica: <i>“a de Atenas tinha umas bancadas, aquilo parecia    um estádio de futebol mas sem relva no meio…era a piscina! E isso dá uma força    enorme à piscina, gostei!” (E2)</I>. </P>     <p><b>&nbsp;</B></P>     <p><b>CONSIDERAÇÕES FINAIS</B></P>     <p>O corpo sensível do nadador <I>dissolve-se</I>  em si próprio, na água e nos demais elementos essenciais ao universo da natação,  numa procura permanente da excelência do gesto e do movimento, na apropriação de  um espaço que quer como seu. Esse corpo sente-se, vive-se e comunica-se  intensamente, acedendo à experiência estética pelo desporto. A natação contém em  si o potencial que desperta este conceito.</P>     <p>A experiência estética do atleta de natação  funda-se, primeiramente, no corpo do nadador, pela sua forma, poder e  consciência, que lhe permitem retirar sensações agradáveis ou desagradáveis da  actividade que desenvolve.</P>     <p>A vivência estética propaga-se pelo impacto da  técnica no corpo e no nado, desmembrando-se em facilidade, eficiência, deslize,  leveza, velocidade, amplitude, prazer, suavidade, flutuação,  fluidez.</P>     <p><I>Sentir a água</I> representa uma categoria estética quase  exclusiva da natação, originária na relação que se estabelece <i>com</I> e <i>no</I> elemento água. Neste desporto, corpo  e água fundem-se num só, tornando-se o ambiente líquido agente promotor de uma  <i>dupla personalidade</I>: a do indivíduo  que vive em meio terrestre e a do nadador que vive no meio  aquático.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A experiência estética decorre da emoção  implicada pelo atingir o melhor resultado, expresso pela vitória, e convive  também com a emoção da derrota, consubstanciando-se em estados emocionais  multiformes.</P>     <p>A relação corpo/lugar, materializada no contexto  ambiental em que ocorre o treino e a competição de natação, afigura-se como um  cenário importante à estruturação da experiência estética. Os elementos  constituintes do espaço (dimensões, luz, cores, sons), são incorporados pelo  nadador, que lhes atribui sentido e significado emocional.</P>     <p>O presente estudo constituiu uma primeira  aproximação à compreensão da experiência estética do nadador de alto rendimento.  As particularidades inerentes ao facto de se tratar de um desporto que se  desenvolve no meio líquido (<I>locus </I>original da vida humana, na sua  dimensão intra-utrina), constituem um desafio suplementar à estética do desporto  pelo que o caminho para futuras investigações está em aberto.&nbsp; </P>     <p>&nbsp;</P>     <p><B>REFERÊNCIAS </B></P>     <p><a href="#top1">1</a><a name="1"></a>.&nbsp;&nbsp; Arnold PJ (1985). Aesthetic    aspects of being in sport: The performer’s perspective in contrast to that of    the spectator. <i>Journal of the Philosophy of Sport</I>, 12 (1): 1-7</P>     <p><a href="#top2">2</a>.&nbsp;&nbsp; <a name="2"></a>Bachelard G (1989). <i>A    Água e os Sonhos</I>. São Paulo: Martins Fontes</P>     <p><a href="#top3">3</a>.&nbsp;&nbsp; <a name="3"></a>Bardin L (1994). <i>Análise    de Conteúdo</I>. Lisboa: Edições 70 </P>     <p><a href="#top4">4</a>.&nbsp;&nbsp; <a name="4"></a>Baker J (2005). Fears and    fantasies of swimming and being in water. <i>Psychodynamic Practice</I>, 11(3):    311-324</P>     <p><a href="#top5">5</a>.&nbsp;&nbsp; <a name="5"></a>Beardsley MC, Hospers J    (1997). <i>Estética</I>. Madrid: Ediciones Cátedra, S.A.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top6">6</a>.&nbsp;&nbsp; <a name="6"></a>Bento JO (2006). Corpo e    Desporto: Reflexões em torno desta relação. In:&nbsp; <i>Séc.&nbsp; XXI: A era    do corpo activo.</I> Campinas: Editora Papirus, 155-182</P>     <p><a href="#top7">7</a>.&nbsp;&nbsp; <a name="7"></a>Best D (1988). The aesthetic    in sport. In: W. J. M. K. V. Meier (ed.), <i>Philosophic inquiry in sport</I>.    Champaign, Illinois: Human kinetics Publishers, Inc., 477-493.</P>     <p><a href="#top8">8</a>.&nbsp;&nbsp; <a name="8"></a>Boxill JM (1985). Beauty,    sport and gender. In: W. J. M. K. V. Meier (ed.), <i>Philosophic inquiry in    sport</I>. Champaign, Illinois: Human kinetics Publishers, Inc., 509-518</P>     <p><a href="#top9">9</a>.&nbsp;&nbsp; <a name="9"></a>Cordner C (2003). The meaning    of graceful movement. <i>Journal of the Philosophy of Sport</I>, 30 (2): 132-143</P>     <p><a href="#top10">10</a>.&nbsp;<a name="10"></a>&nbsp; Cunha e Silva P (1999).    <i>O Lugar do Corpo. Elementos para uma Cartografia Fractal</I>. Lisboa: Instituto    Piaget</P>     <p><a href="#top11">11</a>.&nbsp;<a name="11"></a>&nbsp; Davis P (1999). Boxill´s    stylish ambiguity. <i>Journal of the Philosophy of Sport</I>, 26 (1): 88-94  </P>     <p><a href="#top12">12</a>.&nbsp;<a name="12"></a>&nbsp; Fernandes R, Vilas-Boas    JP (2001). Partidas e viragens em natação: descrição e sequências metodológicas.    Comunicação apresentada no <i>II Seminário de Natação "Novos Horizontes"</I>.    Viseu</P>     <p><a href="#top13">13</a>.&nbsp;<a name="13"></a>&nbsp; Giddens A (2004). <i>Sociologia</I>    (4ª ed.). Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian</P>     <p><a href="#top14">14</a>.&nbsp;<a name="14"></a>&nbsp; Gumbrecht HU (2006).    <i>In Praise of Athletic Beauty</I>. Londres: The Belknap of Harvard University    Press</P>     <p><a href="#top15">15</a>.&nbsp;<a name="15"></a>&nbsp; Kaluga E, Rostkowska    E (2006). A Comparative analysis of changes in tactile sensitivity in men and    women practicing selected sports. <i>Human Movement</I>, 7(2): 153-161</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>16.&nbsp;&nbsp; Kant I (1998 [1790]). <i>Crítica    da Faculdade do Juízo</I>. Lousã: Imprensa Nacional-Casa da Moeda</P>     <p><a href="#top17">17</a>.&nbsp;<a name="17"></a>&nbsp; Kuntz P (1985). Aesthetics    applies to sports as well as to arts. In: D. L. Vanderwerken &amp; S. K. Wertz    (eds.), <i>Sport inside out</I>. Fort Worth: Texas Christian University Press,    455-475</P>     <p><a href="#top18">18</a>.&nbsp;<a name="18"></a>&nbsp; Kupfer J (1975). Purpose    and beauty in sport. <i>Journal of the Philosophy of Sport</I>, 2(1): 83-90</P>     <p><a href="#top19">19</a>.&nbsp;<a name="19"></a>&nbsp; Lacerda TO (2002). <i>Elementos    para a construção de uma Estética do Desporto</I>. Porto: Teresa Oliveira Lacerda.    Dissertação de Doutoramento apresentada à FCDEF-UP.</P>     <p>20.&nbsp;&nbsp; Machado I (2000). <i>Corpo e    espaço: Elementos para uma leitura do corpo performativo através das artes plásticas    no século XX</I>. Porto: Isabel Machado. Dissertação de Mestrado apresentada    à FCDEF-UP.</P>     <p><a href="#top21">21</a>.&nbsp;<a name="21"></a>&nbsp; Masterson D (1983). Sport,    theatre and art in performance. In: H. Lenk (ed.). <i>Topical problems of sport    philosophy</I>. Schorndorf: Verlag Karl Hofmann, 169-183.</P>     <!-- ref --><p>22.&nbsp;&nbsp; Melo VA (2005). A presença do    Esporte no Cinema: de Etienne-Jules a Leni Reifenstahl. <i>Movimento</I>, 11(2):    111-130&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=750915&pid=S1645-0523201000010000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>23.&nbsp;&nbsp; Merleau-Ponty M (2000). <i>O    Olho e o Espírito</I> (3ª ed.). Águeda-Lisboa: Vega</P>     <p><a href="#top24">24</a>.&nbsp;<a name="24"></a>&nbsp; Mitias MH (1986). Can    we Speak of "Aesthetic Experience?". In: M. H. Mitias (ed.). <i>Possibility    of the Aesthetic Experience</I>. Dordrecht: Martinus Nijhoff Publishers, 47-58</P>     <p><a name="25"></a><a href="#top25">25</a>.&nbsp;&nbsp; Parry J (1989). Sport,    art and the aesthetics. <i>Sport Science Review</I>, 12: 15-20</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top26">26</a>.&nbsp;<a name="26"></a>&nbsp; Platchias D (2003). Sport    is Art. <i>European Journal of Sport Science</I>, 3(4): 1-18</P>     <p><a href="#top27">27</a>.&nbsp;<a name="27"></a>&nbsp; Quivy R, Campenhoudt    L (1992). <i>Manual de investigação em Ciências Sociais</I> (1ª ed.). Lisboa:    Gradiva-Publicações, Lda</P>     <p><a href="#top28">28</a>.&nbsp;<a name="28"></a>&nbsp; Sartre JP (1993 [1943])    <i>O ser e o nada</I>. Lisboa: Círculo de Leitores </P>     <p><a href="#top29">29</a>.&nbsp;<a name="29"></a>&nbsp; Takács F (1989). Sport    Aesthetics and its categories. <i>Sport Science Review,</I> 12: 27-32 </P>     <p><a href="#top30">30</a>.&nbsp;<a name="30"></a>&nbsp; Witt (1989). The world    of sport - A world of aesthetic values. <i>Sport Science Review,</I> 12: 10-15</P>     <p><a href="#top31">31</a>.&nbsp;<a name="31"></a>&nbsp; Wrigth L (2003). Aesthetic    implicitness in sport and the role of aesthetic concepts. <i>Journal of the    Philosophy of Sport</I>, 30(1): 83-92</P>     <p>&nbsp;</P>     <p><b>NOTAS</b></P>     <p>[<a name="a1"></a><a href="#topa1">1</a>] Michael Gross. Ex-nadador Alemão.    Entre 1981 e 1991 foi campeão olímpico; campeão do mundo; campeão da Europa    e recordista mundial dos 100m e 200m mariposa e dos 200m crol. </P>         <p><a name="a2"></a>[<a href="#topa2">2</a>] Alexander Popov. Ex-nadador Russo.    Entre 1990 e 2004 foi campeão olímpico; campeão do mundo; campeão da Europa;    recordista mundial de 50 e 100m crol. </P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="a3"></a>[<a href="#topa3">3</a>] Michael Phelps. Nadador Norte-Americano.    Entre 2000 e 2008 foi campeão olímpico; campeão do mundo; recordista olímpico    e mundial em diversos estilos e distâncias; conquistou 8 medalhas de ouro num    único evento olímpico, Pequim (2008). </P>     <p>&nbsp;</P>     <p><b><a name="0"></a><a href="#top0">CORRESPONDÊNCIA</a></B></P>     <p><b>Teresa Lacerda</B></P>     <p>Faculdade de Desporto</P>     <p>Rua Dr. Plácido Costa, 91</P>     <p>4200-450 Porto</P>     <p>Portugal</P>     <p>E-mail: <a href="mailto:tlacerda@fade.up.pt">tlacerda@fade.up.pt</a></P>      ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[Melo]]></surname>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A presença do Esporte no Cinema: de Etienne-Jules a Leni Reifenstahl]]></article-title>
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