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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Desenvolvimento da assimetria manual]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The reduced tendency to be left-handed has been documented in several cultures, in different groups, with identified pathologies, and with age. The importance of manual dexterity brings additional interest to the problem of the development of asymmetric behavior, either in preference and proficiency. This paper will describe the development of hand preference and proficiency related to age and gender, as well as some aspects of pathological conditions. Evidence from several studies show that manual asymmetry is a characteristic that, although it is set during the first years of life, continues to develop with age. Gender, neurological status, and social characteristics are factors that seem to play a role in the development of hand preference and in the subsequent manual asymmetry. Hand preference and lateral dexterity stems from biological, social, and cultural factors, in a geographical context and in a particular time.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Desenvolvimento da assimetria manual</b></p>     <p>&nbsp;</P>     <p><b>Paula Cristina Rodrigues<SUP>1</SUP>, </B><b>Maria Olga Vasconcelos<SUP>1</SUP>    e </B><b>João Manuel Barreiros<SUP>2</SUP> </B></P>     <p><SUP>1</SUP>Faculdade de Desporto, Universidade do Porto, Portugal</P>     <p><SUP>2</SUP>Faculdade de Motricidade Humana, Universidade  Técnica de Lisboa, Portugal</P>     <p><a name="top0"></a><a href="#0">CORRESPONDÊNCIA</a></P>     <p>&nbsp;</P>     <p><b>RESUMO</B></P>     <p>A reduzida tendência para a sinistralidade têm sido documentadas em diversas    culturas, em diferentes grupos com patologias identificadas, e em diferentes    faixas etárias. Pela importância da funcionalidade manual torna-se pertinente    compreender o desenvolvimento do comportamento assimétrico, quer ao nível da    preferência quer da proficiência e funcionalidade. O presente ensaio consubstancia-se    na descrição do desenvolvimento da preferência e proficiência manual relacionadas    com a idade e com o género, e sua caracterização em condições patológicas. As    evidências provenientes de vários estudos mostram que a assimetria manual é    uma característica que, apesar de se estabelecer durante os primeiros anos de    vida, continua a desenvolver-se ao longo da idade. O género, o estado neurológico    do sujeito e o tipo de sociedade em que este está inserido são factores que    parecem ter efeito no desenvolvimento da preferência manual e na consequente    assimetria manual. Pode-se assim dizer que esta resulta de factores biológicos,    sociais e culturais característicos de um determinado espaço geográfico e num    período de tempo particular.</P>     <p><b><i>Palavras-chave</I></B>: preferência manual, proficiência manual, idade,    género, condições patológicas</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P>     <p><b>Manual asymmetry development</B></P>     <p><b>ABSTRACT</b></P>     <p>The reduced tendency to be left-handed has been documented in several cultures,    in different groups, with identified pathologies, and with age. The importance    of manual dexterity brings additional interest to the problem of the development    of asymmetric behavior, either in preference and proficiency. This paper will    describe the development of hand preference and proficiency related to age and    gender, as well as some aspects of pathological conditions. Evidence from several    studies show that manual asymmetry is a characteristic that, although it is    set during the first years of life, continues to develop with age. Gender, neurological    status, and social characteristics are factors that seem to play a role in the    development of hand preference and in the subsequent manual asymmetry. Hand    preference and lateral dexterity stems from biological, social, and cultural    factors, in a geographical context and in a particular time.</P>     <p><B><i>Key-words</i></B>: manual preference and proficiency, age, gender, pathological    conditions</P>     <p>&nbsp;</P>     <p><b>Considerações preliminares</b></p>     <p>A  escolha de uma mão em detrimento da outra é o reflexo mais evidente da  assimetria no comportamento motor humano. As mãos  expressam também diferentes funções na realização de tarefas manuais – uma mão  assegura funções de suporte ou estabilização e a outra assume papel mais  activo.</P>     <p>A tendência para a destralidade e, em contraposição, à reduzida tendência para    a sinistralidade, na maioria da população, têm sido vastamente estudadas e documentadas    em diversas culturas, em grupos com patologias identificadas e em diferentes    faixas etárias. Pela importância da funcionalidade manual torna-se pertinente    compreender o desenvolvimento do comportamento assimétrico, quer ao nível da    preferência quer da proficiência e funcionalidade. O objectivo do presente ensaio    consubstancia-se na descrição do desenvolvimento da preferência e proficiência    manual relacionadas com a idade e com o género, e sua caracterização em condições    patológicas.</P>     <p>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Assimetrias manuais: da concepção aos primeiros 3 anos de vida</b></p>     <p>A tendência para a preferência manual direita, típica da população adulta,    parece estar já presente no início da vida. Apesar da preferência manual não    ser uma característica óbvia de crianças pequenas, tornando-se mais evidente    com o início da escolaridade, podem observar-se algumas tendências de preferência    mesmo antes do nascimento. As assimetrias posturais espontâneas de fetos e bebés    recém-nascidos têm sido estudadas na perspectiva de explicação de tendências    posteriores de desenvolvimento. Os resultados mostram que entre as 10 e as 12    semanas de vida já é possível observar movimentos lateralizados dos membros    e cabeça e que a tendência para a direita é predominante<SUP>(<a name="top13"></a><a href="#13">13</a>)</SUP>.    Alguns aspectos e tendências verificados durante o período pré-natal têm sido    relacionados com características comportamentais pós-parto. Por exemplo, existe    alguma indicação de que os fetos que sugaram o seu polegar direito durante a    gestação, quando examinados entre o segundo e quarto dias após o seu nascimento,    viravam a cabeça para o lado direito<SUP>(<a name="top1"></a><a href="#1">1</a>)</SUP>.    A preferência para o lado direito na sucção do polegar às 15 semanas de gestação    também foi recentemente relacionada com a preferência manual direita aos 10-12    anos de idade<SUP>(<a name="top4"></a><a href="#4">4</a>)</SUP>. Porém, esta    preferência estável para a direita não foi sempre evidente. De Vries et al.<SUP>(<a name="top5"></a><a href="#5">5</a>)    </SUP>observaram os contactos da mão com a face efectuados por fetos com idade    gestacional entre 12 e 38 semanas relacionando-os com a posição preferencial    da cabeça após o nascimento. Contudo, não foi possível suportar a associação    entre contactos da mão e posição da cabeça na formação de uma sinergia ipsilateral    estável e preferencial. Por outro lado, a posição da cabeça durante o período    fetal e o virar da cabeça espontâneo logo após o nascimento foram relacionados    com actividades manuais (manipulação e preferência) na infância<SUP>(<a name="top6"></a><a href="#6">6</a>)</SUP>.</P>     <p>A observação de recém-nascidos demonstra, do mesmo modo, uma variedade de tendências    motoras laterais, nos contactos da mão com a face, na orientação da cabeça<SUP>(<a name="top7"></a><a href="#7">7</a>,<a name="top8"></a>    <a href="#8">8</a>)</SUP>, no reflexo de preensão <SUP>(<a name="top9"></a><a href="#9">9</a>,    <a name="top10"></a><a href="#10">10</a>)</SUP>, no reflexo do caminhar <SUP>(<a href="#8">8</a>,    <a name="top11"></a><a href="#11">11</a>)</SUP>, ou no reflexo tónico assimétrico    e contralateral do pescoço<SUP>(<a href="#11">11</a>)</SUP>. Porém, a maioria    dos estudos observa as tendências laterais após o nascimento ao nível do tronco    e membros superiores por serem um potencial indicativo da preferência manual    adoptada posteriormente. Os estudos que focam as assimetrias laterais no reflexo    do caminhar como indicativo da preferência lateral dos membros inferiores são    muito menos frequentes e não revelam tendências assimétricas. </P>     <p>À medida que vão crescendo, os bebés mostram preferência manual em acções como    apontar, agarrar e manipular objectos, traduzida pela frequência do uso de cada    mão. A idade dos 3 anos parece constituir um marco no uso preferencial por uma    das mãos, normalmente a direita<SUP>(<a name="top12"></a><a href="#12">12</a>)</SUP>.    Alguns factores podem influenciar estas flutuações, tais como as mudanças no    desenvolvimento da organização e controlo dos movimentos do braço e mão, controlo    postural, associação a comportamentos locomotores, ou a constrangimentos da    tarefa. Não obstante, à medida que a idade avança torna-se notória a preferência    consistente por um dos lados, com uma grande variabilidade no que diz respeito    ao processo de desenvolvimento da preferência manual durante o primeiro ano    de vida<SUP>(<a href="#13">13</a>, <a name="top16"></a><a href="#16">16</a>)</SUP>.    Esta variabilidade pode ser real ou apresentar alguma contaminação metodológica,    pela dificuldade de avaliação típica destas idades. Após os 12 meses, os autores    são unânimes em considerar uma certa estabilidade ao nível dos comportamentos    de preferência manual, sobretudo quando se trata da preferência sobre a mão    direita, como acontece em cerca de 90% dos casos. As mudanças no desenvolvimento    da preferência manual durante os primeiros anos de vida parecem estar associadas    a reorganizações sucessivas do sistema motor, que ocorrem à medida que a criança    aprende a sentar, gatinhar e andar, assim como às novas possibilidades de acção    sobre o envolvimento. Como tal, o desenvolvimento da preferência manual afigura-se    como altamente maleável e sensível a uma diversidade de novas experiências sensorio-motoras<SUP>(<a name="top17"></a><a href="#17">17</a>,    <a name="top18"></a><a href="#18">18</a>)</SUP>, pelo que os primeiros movimentos    assimétricos são muito flexíveis e sujeitos a uma oscilação e instabilidade    antes de se estabelecerem numa determinada direcção. A determinação destas tendências    é ainda insatisfatória, pela escassez de estudos longitudinais.</P>     <p>Existe alguma controvérsia sobre a idade de estabilização da preferência manual.    Alguns autores defendem a idade dos 3 anos<SUP>(<a name="top19"></a><a href="#19">19</a>)</SUP>,    outros dos 4 anos<SUP>(<a name="top20"></a><a href="#20">20</a>)</SUP> e outros    ainda sugerem que, apesar da preferência manual estar estabelecida por volta    dos 5 ou 6 anos, esta pode sofrer alterações até cerca dos 13 anos, fruto das    pressões sociais<SUP>(<a name="top21"></a><a href="#21">21</a>)</SUP>. A consistência    da preferência, difícil de medir com objectividade, parece aumentar com a idade,    ao mesmo tempo que se fixa uma preferência definida.</P>     <p>Apesar de  muitos estudos procurarem referenciar idades, com evidente efeito normativo, o  próprio conceito de estabilidade é pouco preciso, o que pode reflectir-se no  sentido das conclusões dos estudos.</P>     <p>Algumas investigações descrevem uma tendência para a direita mais elevada no    sexo masculino comparativamente ao sexo feminino no que diz respeito à rotação    da cabeça<SUP>(<a href="#7">7</a>, <a name="top22"></a><a href="#22">22</a>)</SUP>    e à força de preensão palmar<SUP>(<a name="top23"></a><a href="#23">23</a>)</SUP>,    enquanto outras apresentam resultados contrários <SUP>(<a name="top24"></a><a href="#24">24</a>,    <a name="top25"></a><a href="#25">25</a>)</SUP>. A tendência para uma preferência    manual direita parece ser mais precoce no sexo feminino do que no masculino    no que diz respeito ao comportamento de agarrar objectos<SUP>(<a name="top26"></a><a href="#26">26</a>)</SUP>    o que sugere um desenvolvimento da lateralização cerebral mais precoce nas meninas    do que nos meninos, hipotetizando a possibilidade deste resultado ser um precursor    da assimetria mais acentuada nas mulheres adultas comparativamente aos homens.</P>     <p>Uma porção significativa de bebés recém-nascidos demonstra reflexos e movimentos    espontâneos mais fortes e mais coordenados para o lado direito do corpo do que    para o lado esquerdo. Porém, uma preferência para a esquerda superior ao normal    tem sido observada consistentemente em prematuros <SUP>(<a name="top14"></a><a href="#14">14</a>,<a name="top27"></a>    <a href="#27">27-30</a>)</SUP>, em especial nos rapazes<SUP>(<a href="#27">27</a>,    <a name="top29"></a><a href="#29">29</a>)</SUP>. Outros factores relacionados    com o bebé ou com o momento do parto têm sido ligados a uma percentagem elevada    de preferência manual esquerda ou mista. Entre eles encontram-se, o baixo peso,    ordem elevada de fratria, dificuldades respiratórias, trabalho de parto prolongado,    tipo de parto (cesariana, uso de fórceps, apresentação pélvica), e incompatibilidade    Rh<SUP>(<a name="top31"></a><a href="#31">31</a>,<a name="top32"></a> <a href="#32">32</a>)</SUP>.    Para além disso, alguns factores relacionados com a mãe, como idade precoce    ou elevada da mãe no momento do nascimento do bebé, sintomas de depressão, ansiedade,    consumo de drogas, tabaco ou álcool por parte da mãe durante a gravidez, podem    influenciar a trajectória típica das assimetrias funcionais dos seus filhos,    traduzindo-se numa maior prevalência de preferência manual mista ou para a esquerda<SUP>(<a name="top33"></a><a href="#33">32-34</a>)</SUP>.    Estes resultados sugerem que as origens neuro-desenvolvimentais da preferência    manual podem estar parcialmente ligadas ao ambiente químico a que o feto está    exposto no útero, fomentado pelos vários factores de stress pré-natal mencionados    anteriormente.</P>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Assimetrias manuais: período pré-escolar e escolar</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os avanços no controle motor durante o período pré-escolar, os quais dependem    tanto da maturação cerebral e física como do refinamento das competências através    da experiência, permitem o estudo da preferência manual em acções como desenhar,    cortar com uma tesoura, apanhar um objecto do chão, ou lançar um objecto a um    alvo. Muitos estudos investigaram a preferência manual de crianças dos 3 aos    12 anos de idade na execução de várias acções como as descritas anteriormente<SUP>(e.g.    <a href="#19">19</a>, <a name="top35"></a><a href="#35">35</a>) </SUP>bem como,    a assimetria manual em vários testes de performance<SUP>(e.g. <a name="top36"></a><a href="#36">36</a>,    <a name="top37"></a><a href="#37">37</a>)</SUP>. Merece ser realçado que, apesar    das medidas de performance permitirem distinções precisas numa escala quantitativa,    elas não são, em parte, acessíveis a crianças até à idade pré-escolar nem a    crianças com perturbações do desenvolvimento ou limitações sensoriais, físicas    e cognitivas. Os resultados dos estudos apontam para uma tendência das populações    pré-escolar e escolar para uma preferência manual direita<SUP>(<a name="top38"></a><a href="#38">38</a>,    <a name="top39"></a><a href="#39">39</a>)</SUP>, com uma percentagem de sinistrómanos    semelhante à da população adulta (aproximadamente 10%). Porém, tal como na população    adulta, essa tendência parece variar com a cultura onde está inserida a criança.    Por exemplo, Fagard e Dahmen<SUP>(<a name="top40"></a><a href="#40">40</a>)</SUP>    verificaram que, entre os 5 e os 9 anos, 16.7% das crianças Francesas usam a    mão esquerda na escrita, por comparação com 3.3% das crianças Tunisinas, e o    estudo de Holder e Kateeba<SUP>(<a name="top41"></a><a href="#41">41</a>)</SUP>    registou, no Uganda, 4.8% de crianças sinistrómanas entre os 4 e os 19 anos.</P>     <p>Pode existir um forte efeito da cultura, tradições, tolerância e estereótipos    comportamentais na tendência biológica para uma preferência determinada. Viviani<SUP>(<a name="top42"></a><a href="#42">42</a>)</SUP>    verificou, em crianças italianas entre os 5 e os 11 anos, que as do meio rural    apresentavam percentagens significativamente inferiores de preferência manual    esquerda (6.2%) relativamente às do meio urbano (20.1%).</P>     <p>No que diz respeito ao desenvolvimento da preferência manual neste período,    os investigadores concordam que não é a direcção que muda com a idade<SUP>(<a name="top43"></a><a href="#43">43</a>,    <a name="top44"></a><a href="#44">44</a>)</SUP> mas sim a consistência (intensidade)    da preferência manual<SUP>(<a name="top45"></a><a href="#45">45</a>, <a name="top46"></a><a href="#46">46</a>)</SUP>.    Por exemplo, Bryden, Roy e Spence<SUP>(<a href="#45">45</a>)</SUP> verificaram    que as crianças mais jovens (entre os 3 e 5 anos) eram menos consistentes do    que as mais velhas (a partir dos 7 anos) e do que os adultos. Também Greenwood    et al.<SUP>(<a name="top47"></a><a href="#47">47</a>)</SUP> observaram, em 5000    crianças Irlandesas dos 3 aos 18 anos, que as mais novas e os rapazes demonstraram    uma frequência e intensidade menos elevadas na tendência para a direita. Porém,    Ounsted et al.<SUP>(<a name="top48"></a><a href="#48">48</a>)</SUP>, num estudo    longitudinal em que avaliaram 199 crianças aos 2, aos 4 e aos 7½ anos, verificaram    que a preferência manual foi constante ao longo deste período. Das crianças    destrímanas aos 7½ anos, mais de 70% demonstraram a mesma preferência manual    manifestada aos 2 anos e 89% manteve a mesma preferência revelada aos 4 anos.    Para as crianças sinistrómanas, os valores foram idênticos aos das destrímanas,    ou seja 76% aos 2 anos e 86% aos 4 anos. No sentido de avaliar a consistência    da preferência manual, McManus et al.<SUP>(<a name="top49"></a><a href="#49">49</a>)</SUP>    verificaram, numa amostra de 314 crianças com idades de 3, 4, 5 e 7 anos, que    a direcção da preferência parece estar determinada aos 3 anos, e que a consistência    no uso da mão preferida aumentou ao longo do tempo, mais rapidamente nas crianças    sinistrómanas. Estas parecem demonstrar uma preferência manual mais fraca do    que as destrímanas aos 3 anos, mas de similar consistência aos 7 anos. Resultado    semelhante com crianças sinistrómanas foi observado por Bryden e Mayer<SUP>(<a name="top50"></a><a href="#50">50</a>)</SUP>.</P>     <p>O aumento da consistência na preferência manual direita com a idade não tem    ainda uma explicação clara. Presumivelmente poderá ser o resultado das interacções    sociais e da adaptação a um mundo “orientado à direita”, mas poderá ser admitida    uma regulação ao nível maturacional, que decorrerá mesmo na ausência de quaisquer    influências do meio. Recentemente Dubois et al.<SUP>(<a name="top51"></a><a href="#51">51</a>)</SUP>    observaram em bebés entre o primeiro e o quarto mês de vida marcadores estruturais    de assimetrias hemisféricas, ou seja, diferenças inter-hemisféricas na proporção    de neurónios no tracto cortico-espinal, sendo esta assimetria mais evidenciada    para o lado esquerdo. Apesar de este estudo não clarificar se estas assimetrias    estruturais são a causa ou consequência do desenvolvimento das assimetrias funcionais,    os autores sugerem que esta organização neural está relacionada com o desenvolvimento    posterior da lateralização funcional. Provavelmente será a interacção destes    e de outros factores alguns dos aspectos que actuam sinergeticamente no sentido    de intensificar o uso da mesma mão ao longo da vida.</P>     <p>O conhecimento sobre a assimetria manual, muito dependente das tarefas utilizadas,    não reúne consensos fáceis. Enquanto em alguns estudos<SUP>(e.g. <a name="top52"></a><a href="#52">52</a>,    <a name="top53"></a><a href="#53">53</a>)</SUP> não se observaram diferenças    estatisticamente significativas ao longo da idade, em outros <SUP>(e.g. <a href="#45">45</a>,    <a name="top54"></a><a href="#54">54</a>)</SUP> verificou-se uma maior assimetria    manual nos grupos mais jovens. Mas Bryden et al.<SUP>(<a name="top55"></a><a href="#55">55</a>)</SUP>,    por exemplo, verificaram, na tarefa motora <i>WatHand Cabinet Test</I>, que    os sinistrómanos apresentavam maior variação do que os destrímanos nas assimetrias    manuais ao longo da idade, e que as crianças mais jovens demonstravam um grau    de lateralização mais fraco do que as crianças mais velhas e do que os adultos.    Para além disso, tem sido observada uma assimetria funcional menos acentuada    nos sinistrómanos<SUP>(<a name="top56"></a><a href="#56">56</a>)</SUP>, facto    que tem sido explicado pelo não uso da sua mão dominante em muitas tarefas da    vida diária traduzido pela vivência num mundo destro.</P>     <p>Para além da idade, a lateralidade manual parece também estar de algum modo    associada ao sexo. Enquanto alguns autores não documentam diferenças significativas    entre raparigas e rapazes<SUP>(e.g. <a href="#19">19</a>, <a name="top57"></a><a href="#57">57</a>)</SUP>,    outros observam uma percentagem superior de sinistrómanos no sexo masculino<SUP>(e.g.    <a href="#41">41</a>, <a name="top58"></a><a href="#58">58</a>)</SUP>.</P>     <p>Em relação à consistência (intensidade) da preferência manual, existe uma incidência    superior de ambidestralidade no sexo masculino<SUP>(<a name="top59"></a><a href="#59">59</a>)</SUP>    enquanto o sexo feminino revela maior tendência para intensificar o uso da mão    preferida, no caso de esta ser a direita. De acordo com alguns autores<SUP>(e.g.    <a name="top60"></a><a href="#60">60</a>, <a name="top61"></a><a href="#61">61</a>)</SUP>,    a intensificação superior no sexo feminino, relativamente ao masculino, deve-se    à maior pressão cultural a que as mulheres estão sujeitas desde muito novas.    A confirmar este facto, Porac e Coren<SUP>(<a name="top62"></a><a href="#62">62</a>)</SUP>    observaram uma taxa superior de sucesso no sexo feminino relativamente à mudança    para uma preferência manual direita.</P>     <p>No que respeita à performance, alguns estudos reportam diferenças entre os    sexos no grau de assimetria manual, sendo o sexo feminino mais fortemente lateralizado    do que o masculino no desempenho de algumas tarefas motoras<SUP>(<a name="top63"></a><a href="#63">63</a>,<a name="top64"></a>    <a href="#64">64</a>)</SUP>. Pedersen et al.<SUP>(<a href="#64">64</a>)</SUP>,    por exemplo, avaliaram 112 crianças com idades compreendidas entre os 7 e os    9 anos, utilizando duas tarefas do <I>Movement Assessement Battery for Children</I>    (atirar pequenas bolas e fazer um jogo de encaixe simples). O estudo pretendeu    avaliar as diferenças entre os sexos nas habilidades manuais. Os resultados    revelaram que, na tarefa das bolas, o sexo feminino mostrou ser mais assimétrico,    enquanto na tarefa de encaixe, não se verificaram diferenças entre os sexos.    Os autores sugeriram que as diferenças entre os sexos, a existirem, parecem    ser específicas de algumas tarefas, o que reforça o papel de eventuais condicionamentos    sociais na expressão de preferências laterais. A especificidade da tarefa no    que diz respeito à assimetria manual e sua relação com as diferenças entre os    sexos foram também corroboradas por outros autores<SUP>(<a name="top65"></a><a href="#65">65</a>,<a name="top66"></a>    <a href="#66">66</a>)</SUP>.</P>     <p>Algumas condições atípicas, como o autismo<SUP>(e.g.<a name="top67"></a> <a href="#67">67</a>)</SUP>,    a esquizofrenia<SUP>(e.g. <a name="top68"></a><a href="#68">68</a>)</SUP>, as    doenças do sistema imunitário<SUP>(e.g. <a name="top69"></a><a href="#69">69</a>)</SUP>    ou desordens desenvolvimentais<SUP>(e.g. <a name="top70"></a><a href="#70">70</a>,    <a name="top71"></a><a href="#71">71</a>)</SUP> têm sido associadas a padrões    atípicos de lateralização. O modelo patológico, sugerido por Satz et al.<SUP>(<a name="top72"></a><a href="#72">72</a>)</SUP>,    postula que a preferência manual esquerda é determinada tanto geneticamente,    resultando numa preferência manual esquerda natural, como patologicamente. Do    ponto de vista dos autores, o segundo caso é consequência de danos cerebrais    prematuros, tendo-se baseado, para esta sugestão, na observação de um elevado    número de sinistrómanos em sujeitos com danos cerebrais ou com suspeita da existência    desses danos. Porém, parece que é a ausência de uma tendência lateral ou uma    assimetria menos acentuada para a direita que caracteriza estas populações patológicas,    ao invés de uma percentagem mais elevada de sinistrómanos bem lateralizados<SUP>(e.g.    <a name="top73"></a><a href="#73">73</a>, <a name="top74"></a><a href="#74">74</a>)</SUP>.    Recentemente este assunto tem suscitado interesse, talvez pela exuberância de    estudos associados às desordens coordenativas na criança<SUP>(para uma revisão    exaustiva sobre este assunto ver <a name="top75"></a><a href="#75">75</a>)</SUP>.</P>     <p>&nbsp;</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Assimetrias manuais: adultos e idosos</b></p>     <p>As tendências manuais em adultos são, tal como em crianças em idade escolar,    analisadas em relação à preferência (a auto-definição, os questionários e as    tarefas motoras unilaterais) e à proficiência (testes de performance). No entanto,    Peters<SUP>(<a name="top76"></a><a href="#76">76</a>) </SUP>recomenda que, em    idades superiores a 40 anos, os sujeitos não devam ser inquiridos sobre a sua    preferência manual com base apenas na mão usada na escrita. Esta recomendação    baseia-se na pressão social a que possam ter estado sujeitos no caso de uma    preferência inicial pelo uso da mão esquerda, sendo vários os estudos que justificam    o cuidado desta advertência<SUP>(e.g. <a name="top77"></a><a href="#77">77</a>,    <a name="top78"></a><a href="#78">78</a>).</SUP> É importante referir que, apesar    da diminuição da pressão social sobre o uso da mão esquerda, assiste-se ainda    a alguma estigmatização quando esta é a preferida em detrimento da direita para    as várias tarefas da vida diária, entre as quais se destaca claramente a escrita<SUP>(<a href="#42">42</a>,    <a href="#47">47</a>)</SUP>.</P>     <p>Os estudos que analisam a preferência manual ao longo da vida demonstram que    a percentagem de sinistrómanos diminui com o avançar da idade, sendo drasticamente    sub-representada nos idosos<SUP>(<a name="top79"></a><a href="#79">79-82</a>)</SUP>.    Por exemplo, Bryden, Bulman-Fleming e MacDonald<SUP>(<a name="top80"></a><a href="#80">80</a>)    </SUP>descreveram, numa amostra de três gerações, uma percentagem de sinistrómanos    de 1.9% nos indivíduos com idade superior a 64 anos, de 8.6% com idades compreendidas    entre os 35 e os 54 anos, e de 19.8% com idades entre os 20 e os 29 anos. O    aumento da percentagem de sinistrómanos nas gerações mais jovens tem sido atribuído    a várias causas, entre as quais um relaxamento das atitudes sociais e uma maior    permissão face ao uso da mão esquerda como mão preferida<SUP>(<a name="top83"></a><a href="#83">83</a>,    <a name="top84"></a><a href="#84">84</a>)</SUP>. Também as hipóteses de acumulação    de pressões num mundo construído para destrímanos<SUP>(<a href="#60">60</a>)</SUP>,    ou uma expectativa de vida mais reduzida nos sinistrómanos, devido a uma incidência    mais elevada de morte não natural<SUP>(<a name="top85"></a><a href="#85">85</a>,<a name="top86"></a>    <a href="#86">86</a>)</SUP>, têm merecido alguma atenção.</P>     <p>Coren e Halpern<SUP>(<a href="#85">85</a>)</SUP> agregaram as várias explicações    para o declínio da preferência manual esquerda com a idade em duas grandes hipóteses:    a hipótese da eliminação e a hipótese da modificação. A primeira sugere que    os sinistrómanos encontram mais dificuldades ao nível físico por viverem num    mundo destro, estando, por conseguinte, mais sujeitos a sofrerem acidentes e,    para além disso, mais propensos a riscos relacionados com a saúde tendo, portanto,    um tempo de vida mais curto. A segunda hipótese, a da modificação, expressa    que as pressões para modificar os comportamentos da preferência manual diferem    entre gerações, sendo mais flexíveis actualmente. Ou seja, a hipótese da eliminação    remete para factores mais biológicos, enquanto a da modificação sugere factores    mais sociais e históricos.</P>     <p>A hipótese da eliminação tem demonstrado resultados contraditórios. Enquanto    alguns estudos não a confirmam<SUP>(<a name="top87"></a><a href="#87">87</a>,<a name="top88"></a>    <a href="#88">88</a>)</SUP>, apresentando até resultados contrários, indicando    uma vantagem não significativa de sobrevivência mais elevada nos sinistrómanos<SUP>(e.g.    <a href="#87">87</a>)</SUP>, outros relatam uma frequência mais elevada nos    sinistrómanos de acidentes<SUP>(<a name="top89"></a><a href="#89">89</a>)</SUP>,    de ferimentos acidentais<SUP>(<a name="top90"></a><a href="#90">90</a>, <a name="top91"></a><a href="#91">91</a>)</SUP>,    de quedas<SUP>(<a name="top92"></a><a href="#92">92</a>, <a name="top93"></a><a href="#93">93</a>)</SUP>    e, mais recentemente, de doenças cardíacas<SUP>(<a name="top94"></a><a href="#94">94</a>)</SUP>,    aumentando a vulnerabilidade à morte acidental.</P>     <p>Por outro lado, investigações que utilizaram um critério de classificação da    preferência manual mais abrangente (não considerando apenas a classificação    dicotómica, em sinistrómanos e destrímanos mas um critério com base na consistência,    isto é, na intensidade da preferência, para além da direcção) observaram serem    os sinistrómanos não consistentes (menos lateralizados), relativamente aos outros    grupos, os mais propícios a um risco mais acentuado de morte prematura<SUP>(<a name="top95"></a><a href="#95">95</a>)</SUP>    e de acidentes<SUP>(<a href="#93">93</a>)</SUP>.</P>     <p>A hipótese da modificação sustenta que a maior ou menor pressão exercida pelas    sociedades e culturas sobre os sinistrómanos resulta numa modificação dos seus    comportamentos constrangendo-os a agir como destrímanos, facto confirmado por    alguns estudos<SUP>(<a href="#77">77</a>, <a name="top96"></a><a href="#96">96</a>)    </SUP>e contestado por outros<SUP>(<a name="top97"></a><a href="#97">97</a>)</SUP>.    Porém, esta hipótese não explica completamente a reduzida incidência de sinistrómanos    em indivíduos idosos, uma vez que as tentativas para mudar o uso da mão são    muito específicas a determinadas tarefas, tais como comer e escrever e, mesmo    quando efectivas, essas mudanças não tendem a produzir um efeito generalizado<SUP>(<a href="#61">61</a>,<a name="top98"></a>    <a href="#98">98</a>)</SUP>.</P>     <p>Dos diversos estudos apresentados conclui-se as  duas hipóteses não são mutuamente exclusivas. Contudo, o debate está longe de  terminar, permanecendo ainda por desvendar a verdadeira razão da reduzida  prevalência de sinistrómanos na população mais idosa.</P>     <p>A intensidade da preferência manual ao longo da idade também tem sido objecto    de investigação <SUP>(<a name="top99"></a><a href="#99">99</a>, <a name="top100"></a><a href="#100">100</a>).</SUP>    Teixeira<SUP>(<a href="#100">100</a>)</SUP>, por exemplo, analisou este aspecto    em destrímanos divididos em três grupos (20, 40 e 60 anos), tendo detectado    um efeito significativo através dos grupos de idade, nomeadamente no que respeita    à comparação entre o grupo com 60 anos e o grupo com 20 anos. De igual forma,    num trabalho não publicado, Rodrigues, Lamboglia, Cabral, Barreiros e Vasconcelos<SUP>(<a name="top101"></a><a href="#101">101</a>)</SUP>    analisaram a intensidade da preferência manual em 1977 destrímanos e sinistrómanos,    de ambos os sexos, distribuídos por cinco grupos de idade (6-11 anos, 12-18    anos, 19-33 anos e 56-95 anos). Os resultados demonstraram diferenças significativas    entre os grupos, porém, o efeito da idade não foi similar em sinistrómanos e    destrímanos. Nestes últimos, verificou-se que as crianças exibiram um grau de    preferência mais fraco do que os outros grupos de idade, sendo o grupo dos idosos    o mais fortemente lateralizado. Este padrão não foi evidente nos sinistrómanos,    onde apenas o grupo de adolescentes diferiu significativamente dos outros grupos,    demonstrando uma fraca lateralização. É de salientar, contudo, que apesar dos    outros grupos não diferirem entre si significativamente, os adultos demonstraram    uma lateralização mais acentuada, seguida das crianças e dos idosos. Os resultados    obtidos no grupo dos destrímanos parecem corroborar os efeitos da prática e    da experiência, relacionados com um ambiente que favorece o uso da mão direita.    Estes factores têm sido apontados como determinantes no aumento da intensidade    da preferência manual ao longo da idade. Esta justificação não se aplica, no    entanto, aos resultados observados nos grupos de sinistrómanos, os quais não    revelaram uma tendência clara com a idade.</P>     <p>No que respeita ao efeito da idade na proficiência manual, não há consenso    entre os estudos. Assim, enquanto algumas investigações reportam uma diminuição    da assimetria manual com o avançar da idade<SUP>(e.g. <a name="top102"></a><a href="#102">102</a>,    <a name="top103"></a><a href="#103">103</a>)</SUP>, outros mencionam que a assimetria    permanece inalterada com a idade<SUP>(e.g. <a href="#37">37</a>, <a name="top104"></a><a href="#104">104</a>)    </SUP>e, outros ainda, que a assimetria manual ao longo da idade depende do    tipo de tarefas usadas bem como da sua complexidade<SUP>(e.g. <a href="#100">100</a>,    <a name="top105"></a><a href="#105">105</a>)</SUP>. As alterações na assimetria    manual com a idade têm sido frequentemente apontadas como uma adaptação compensatória    às mudanças do processamento neural relacionadas com a idade. Duas hipóteses    têm sido propostas para explicar este aspecto: a hipótese diferencial da idade<SUP>(<a name="top106"></a><a href="#106">106</a>)</SUP>    e a hipótese da redução da assimetria hemisférica em idosos<SUP>(<a name="top107"></a><a href="#107">107</a>)</SUP>.    De acordo com a primeira hipótese, com o avançar da idade assiste-se a um declínio    mais acentuado das funções do hemisfério direito relativamente ao hemisfério    esquerdo. A segunda hipótese propõe que o envelhecimento conduz a um padrão    simétrico bilateral das funções hemisféricas. Estas duas hipóteses foram testadas    por Hausmann, Gunturkun e Corballis<SUP>(<a name="top108"></a><a href="#108">108</a>)    </SUP>em tarefas que exigiam processamento específico de cada hemisfério. Os    resultados demonstraram que as mudanças nas assimetrias hemisféricas relativas    à idade são diferentes para tarefas com processamento específico do hemisfério    direito e do esquerdo, não suportando nenhuma das hipóteses. Por conseguinte,    a inconsistência dos resultados dos estudos atrás mencionados pode estar relacionada    com o tipo de tarefa.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No que diz respeito ao efeito do sexo na preferência manual em adultos e idosos,    os resultados, tal como nos outros momentos descritos, também se apresentam    inconclusivos. Enquanto alguns estudos documentam a ausência de diferenças significativas    entre sexos<SUP>(<a name="top109"></a><a href="#109">109</a>, <a name="top110"></a><a href="#110">110</a>),</SUP>    outros observaram uma percentagem de homens sinistrómanos superior à de mulheres<SUP>(<a name="top82"></a><a href="#82">82</a>,    <a name="top111"></a><a href="#111">111</a>)</SUP>. Um estudo recente de meta-análise    sobre esta questão, efectuado por Sommer et al.<SUP>(<a name="top112"></a><a href="#112">112</a>)</SUP>,    confirmou esta tendência. A explicação que admite mais consenso, nesta linha    de pesquisa que sugere uma maior percentagem de homens sinistrómanos relativamente    às mulheres sinistrómanas, é a de que os homens são, por um lado, menos sujeitos    às pressões culturais e, por outro, mais resistentes a essas pressões no sentido    da mudança para uma preferência manual direita<SUP>(<a href="#47">47</a>, <a name="top113"></a><a href="#113">113</a>)</SUP>.    Contudo, outras explicações têm sido apresentadas, nomeadamente as relacionadas    com a contribuição genética<SUP>(<a name="top114"></a><a href="#114">114</a>,    <a name="top115"></a><a href="#115">115</a>)</SUP>, as quais postulam que a    expressão do gene que contribui para a preferência manual para a direita é mais    acentuada no sexo feminino do que no sexo masculino. Esta relação parece ser    corroborada por estudos cujos resultados revelaram uma associação entre os cromossomas    sexuais e a preferência manual, ou seja, o gene associado com a preferência    manual parece estar localizado no cromossoma X<SUP>(<a name="top116"></a><a href="#116">116</a>,    <a name="top117"></a><a href="#117">117</a>)</SUP>. Como os genes recessivos    no cromossoma X são expressos mais frequentemente no sexo masculino do que no    sexo feminino, esta explicação pode considerar-se plausível no que diz respeito    à maior frequência de indivíduos do sexo masculino com preferência manual esquerda.  </P>     <p>Por fim, temos as interpretações relativas à contribuição hormonal<SUP>(<a name="top118"></a><a href="#118">118</a>)</SUP>,    sugerindo que os níveis de testosterona, mais elevados no sexo masculino comparativamente    ao feminino, contribuem para o desenvolvimento da lateralização cerebral, podendo    induzir um atraso no desenvolvimento do hemisfério esquerdo e, consequentemente,    resultar numa expressão manual direita menos pronunciada nos homens. Contudo,    embora alguns estudos efectuados sobre a relação entre a exposição no útero    a hormonas esteróides e a prevalência de uma preferência manual não destra pareçam    corroborar esta teoria<SUP>(<a name="top119"></a><a href="#119">119</a>, <a name="top120"></a><a href="#120">120</a>)</SUP>,    uma meta-análise realizada recentemente aponta para resultados contrários<SUP>(<a name="top121"></a><a href="#121">121</a>)</SUP>.</P>     <p>No que respeita às medidas de performance, têm sido documentadas por vários    autores diferenças significativas entre os sexos, com os homens menos lateralizados    do que as mulheres na assimetria motora funcional<SUP>(<a href="#37">37</a>,    <a name="top122"></a><a href="#122">122</a>)</SUP>. Contudo, há relatos de outros    estudos onde não se observaram diferenças significativas entre os sexos nesta    variável<SUP>(<a name="top123"></a><a href="#123">123-125</a>)</SUP>. Não obstante,    apesar das diferenças não se revelarem significativas em relação à assimetria    manual, Lissek et al.<SUP>(<a href="#123">123</a>)</SUP> observaram diferenças    na activação cerebral durante a realização da tarefa motora, sendo que o sexo    feminino demonstrou uma activação cortical mais bilateral do que o sexo masculino.    A natureza da tarefa bem como a organização cerebral distinta em ambos os sexos    têm sido apontadas como os principais factores que contribuem para esta discrepância    de resultados<SUP>(<a href="#112">112</a>, <a name="top124"></a><a href="#124">124</a>)</SUP>.</P>     <p>Na população adulta também se tem estudado a relação da preferência manual    esquerda ou mista com patologias. Existem estudos associando a preferência manual    esquerda a condições físicas e mentais, tais como, apneia do sono<SUP>(<a name="top126"></a><a href="#126">126</a>)</SUP>,    asma<SUP>(<a name="top127"></a><a href="#127">127</a>)</SUP>, doença de Alzheimer<SUP>(<a name="top128"></a><a href="#128">128</a>)</SUP>,    síndrome de Williams-Beuren<SUP>(<a name="top129"></a><a href="#129">129</a>)</SUP>,    psicose<SUP>(<a name="top130"></a><a href="#130">130</a>)</SUP>, esquizofrenia<SUP>(<a name="top131"></a><a href="#131">131</a>)</SUP>.    Os danos no hemisfério esquerdo relacionados com as patologias são apontados    pelos autores como possível causa da frequência mais elevada de sinistrómanos    nestes grupos.</P>     <p><b>&nbsp;</B></P>     <p><b>Conclusão</b></p>     <p>As evidências provenientes de vários estudos  mostram que as assimetrias laterais variam ao longo do desenvolvimento, com um  faseamento algo previsível, mas com algumas incoerências ainda por explicar. O  sexo, o estado neurológico do sujeito e o tipo de sociedade em que este está  inserido são factores que parecem interferir no desenvolvimento da preferência  manual e na consequente assimetria manual. Pode-se assim dizer que a  assimetria  resulta de factores biológicos, sociais e culturais característicos de um  determinado espaço geográfico e de uma contextualização histórica e cultural.  Para além disso, deve referir-se que existe grande variabilidade de metodologias  e procedimentos (no que respeita ao número e tipo de instrumentos aplicados para  a classificação da preferência manual, ao próprio critério de classificação dos  grupos de preferência manual e ao  tipo de testes de avaliação da proficiência manual que permitem ajuizar a  consequente assimetria funcional). Existem ainda as diferenças amostrais entre  estudos, nomeadamente ao nível sócio-cultural, como foi referido. Todas estas  questões dificultam a comparação dos resultados. Consequentemente, a posição  teórica de cada autor e a sua predilecção por um método ou por outro, resultam  numa diversidade de nuances sobre a conclusão mais geral mas inquestionável de  que a preferência manual, a proficiência manual e a consequente assimetria  manual variam e sofrem oscilações ao longo do desenvolvimento do  sujeito.</P>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Referências</b> </p>     <p><a href="#top1">1</a>.<a name="1"></a>&nbsp;&nbsp; Hepper PG, Shahidullah S,    White R (1991). Handedness in the human fetus. <i>Neuropsychologia,</I> 29(11):    1107-11</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>2. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ververs IA, de Vries JI, van Geijn HP, Hopkins B    (1994). Prenatal head position from 12-38 weeks. II. The effects of fetal orientation    and placental localization. <i>Early Hum Dev,</I> 39(2): 93-100</P>     <p>3. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;McCartney G, Hepper P (1999). Development of lateralized    behaviour in the human fetus from 12 to 27 weeks' gestation. <i>Dev Med Child    Neurol,</I> 41(2): 83-6</P>     <p><a href="#top4">4</a>. &nbsp;&nbsp;&nbsp;<a name="4"></a>&nbsp;Hepper PG, Wells    DL, Lynch C (2005). Prenatal thumb sucking is related to postnatal handedness.    <i>Neuropsychologia,</I> 43(3): 313-5</P>     <p><a href="#top5">5</a>. &nbsp;&nbsp;&nbsp;<a name="5"></a>&nbsp;de Vries JI,    Wimmers RH, Ververs IA, Hopkins B, Savelsbergh GJ, van Geijn HP (2001). Fetal    handedness and head position preference: a developmental study. <i>Dev Psychobiol,</I>    39(3): 171-8</P>     <p><a href="#top6">6</a>. &nbsp;&nbsp;&nbsp;<a name="6"></a>&nbsp;Tachibana H,    Iwasa S (2001). [Relationships among the position in the fetal period, head-turning    during three days after birth, and hand activity in infancy]. <i>Shinrigaku    Kenkyu,</I> 72(3): 177-85</P>     <!-- ref --><p><a href="#top7">7</a>. &nbsp;&nbsp;&nbsp;<a name="7"></a>&nbsp;Beuter CR, Pedroso    FS, Mazetto RC, Santos CT, Rossi AG (2007). Association between dynamic asymmetry    of the newborn's head and intrauterine factors. <i>Arq Neuropsiquiatr,</I> 65(2A):    218-21&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=751606&pid=S1645-0523201000010001200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><a href="#top8">8</a>. &nbsp;&nbsp;&nbsp;<a name="8"></a>&nbsp;Domellof E,    Hopkins B, Ronnqvist L (2005). Upper and lower body functional asymmetries in    the newborn: do they have the same lateral biases? <i>Dev Psychobiol,</I> 46(2):    133-40</P>     <p><a href="#top9">9</a>. &nbsp;&nbsp;&nbsp;<a name="9"></a>&nbsp;Tan U, Tan M    (1999). Incidences of asymmetries for the palmar grasp reflex in neonates and    hand preference in adults. <i>Neuroreport,</I> 10(16): 3253-6</P>     <p><a href="#top10">10</a>.&nbsp;&nbsp;<a name="10"></a>&nbsp; Thompson AM, Smart    JL (1993). A prospective study of the development of laterality: neonatal laterality    in relation to perinatal factors and maternal behavior. <i>Cortex,</I> 29(4):    649-59</P>     <p><a href="#top11">11</a>.&nbsp;&nbsp;<a name="11"></a>&nbsp; McCormick CM, Maurer    DM (1988). Unimanual hand preferences in 6-month-olds: consistency and relation    to familial-handedness. <i>Infant Behav Dev,</I> 11(1): 21-29</P>     ]]></body>
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<body><![CDATA[<p>&nbsp;</P>     <p><b><a name="0"></a><a href="#top0">CORRESPONDÊNCIA</a></B></P>     <p><b>Paula Cristina Rodrigues</B></P>     <p>Rua Dr. José Marinho, nº 267, 4460-752 Custóias, Matosinhos</P>     <p>Portugal; </P>     <p>Telefone: +351 22 9545300; +351 91 8808119</P>     <p>E-mail: <a href="mailto:packn2@gmail.com">packn2@gmail.com</a> </P>      ]]></body><back>
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