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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Muros do Mediterrâneo: Notas sobre a construção de barreiras nas fronteiras de Ceuta e Melilla]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[There are many material cases that shape the frontiers between E.U. and Africa thatdeserve attention. I will consider some theoretical approaches to the fences that are beingbuilt in the territorial boundaries between Ceuta and Melilla&#8217;s enclaves, distancing theEuropean continent from the Moroccan territory, and thus, from Africa. This tendency toseparate nation-states with walls can be observed in every continent. Despite commercialliberalization and an increasing flow of political speeches that appeal to the freedom ofcirculation, developed countries are also engaged in this movement of barrier proliferationthat checks and controls the circulation of social agents. To better understand the conceptsunderlying these fences, I seek to insert them in the constellation of security apparatusthat shape our late modernity.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[  	    <p><b>Muros do Mediterr&acirc;neo: Notas sobre a constru&ccedil;&atilde;o de barreiras nas fronteiras de Ceuta e Melilla</b></p>  	    <p><b>Patrick Figueiredo</b>*</p>  	    <p>*Instituto de Ci&ecirc;ncias Sociais &#45; Universidade de Lisboa</p>  	    <p><a href="mailto:patrick.figueiredo@ics.ul.pt">patrick.figueiredo@ics.ul.pt</a></p> 	    <p>&nbsp;</p> 	    <p><b>Resumo</b></p>  	    <p>Muitos casos materiais que configuram as fronteiras entre a Uni&atilde;o Europeia e a &Aacute;frica merecem ser analisados. Apresentarei  	algumas considera&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas sobre as cercas queest&atilde;o sendo constru&iacute;das nos limites territoriais dos  	enclaves de Ceuta e Melilla, separandoo continente europeu do territ&oacute;rio marroquino, e consequentemente, africano. Barreiras que  	delimitam a separa&ccedil;&atilde;o entre Estados&#45;na&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m vindo a multiplicar&#45;se em todos oscontinentes. Apesar  	da crescente liberaliza&ccedil;&atilde;o do com&eacute;rcio e do incremento de discursospol&iacute;ticos que incentivam a liberdade de  	circula&ccedil;&atilde;o, os pa&iacute;ses desenvolvidos tamb&eacute;m participam neste movimento de prolifera&ccedil;&atilde;o de barreiras  	que filtram o movimento de actoressociais. Encaixo a constru&ccedil;&atilde;o de barreiras nestes enclaves na constela&ccedil;&atilde;o de  	aparelhos deseguran&ccedil;a que caracterizam a nossa modernidade tardia<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>.</p>  	    <p>Palavras&#45;chave: fronteiras, "muros", imigra&ccedil;&atilde;o, Europa, estigma</p> 	    <p>&nbsp;</p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Abstract</b></p>  	    <p>There are many material cases that shape the frontiers between E.U. and Africa thatdeserve attention. I will consider some theoretical  	approaches to the fences that are beingbuilt in the territorial boundaries between Ceuta and Melilla&rsquo;s enclaves, distancing theEuropean  	continent from the Moroccan territory, and thus, from Africa. This tendency toseparate nation&#45;states with walls can be observed in every  	continent. Despite commercialliberalization and an increasing flow of political speeches that appeal to the freedom ofcirculation, developed  	countries are also engaged in this movement of barrier proliferationthat checks and controls the circulation of social agents. To better  	understand the conceptsunderlying these fences, I seek to insert them in the constellation of security apparatusthat shape our late  	modernity.</p>  	    <p>Keywords: boundaries, "walls", immigration, Europe, stigma</p> 	    <p>&nbsp;</p> 	    <p>Entre Agosto e Outubro de 2005, cerca de meio milhar de migrantes subsarianos, que estavam acampados nas imedia&ccedil;&otilde;es dos enclaves espanh&oacute;is de Ceuta e Melilla, situados no norte do territ&oacute;rio marroquino, protagonizaram um intento massivo para escalar valas fronteiri&ccedil;as, e ultrapassar barreiras de alta seguran&ccedil;a para entrar em solo europeu<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>. Mais de quinze pessoas morreram baleadas ou ao ca&iacute;rem de alturas de at&eacute; seis metros. As autoridades espanholas e marroquinas responsabilizaram&#45;se umas &agrave;s outras pelos assassinatos. As pessoas que ca&iacute;ram do lado espanhol foram encaminhadas para os <i>Centros de Estancia Temporal deInmigrantes</i> (CETI) de Ceuta e Melilla, enquanto outras tiveram destinos variados de deten&ccedil;&atilde;o e expuls&atilde;o. Em Outubro do mesmo ano, uma equipa de t&eacute;cnicos da Comiss&atilde;o Europeia visitou os enclaves de Ceuta e Melilla com o objectivo de redigir um relat&oacute;rio sobre o controlo e a preven&ccedil;&atilde;o da imigra&ccedil;&atilde;o ilegal em direc&ccedil;&atilde;o ao continente europeu (European Commission, 2005). Neste relat&oacute;rio, os redactores afirmam na primeira p&aacute;gina que n&atilde;o tratariam dos "acontecimentos tr&aacute;gicos" de Ceuta e Melilla, nem interfeririam na gest&atilde;o da fronteira por parte dos Estados marroquino e espanhol.</p>  	    <p>Historicamente disputadas, as <i>Plazas de Soberan&iacute;a</i><sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a> vem passando por transforma&ccedil;&otilde;es significativas desde a entrada de Espanha na Comunidade Europeia (CEE), em 1986. A partir do momento em que se efectuou progressivamente a "europeiza&ccedil;&atilde;o" administrativa das fronteiras espanholas, o problema da gest&atilde;o de fluxos fronteiri&ccedil;os passou a ser n&atilde;o somente entre dois Estados&#45;na&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m entre dois continentes, o europeu e o africano. Por europeiza&ccedil;&atilde;o administrativa entende&#45;se a sobreposi&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m das pol&iacute;ticas localmente e nacionalmente aplicadas, de imposi&ccedil;&otilde;es vindas da organiza&ccedil;&atilde;o peculiar que &eacute; a Uni&atilde;o Europeia, em termos de seguran&ccedil;a e gest&atilde;o de fluxos migrat&oacute;rios no espa&ccedil;o Schengen.</p>  	    <p>Antes disto, os territ&oacute;rios de soberania espanhola j&aacute; representavam, de certa maneira, resqu&iacute;cios do antigo protectorado espanhol (1912&#45;1956) e das antigas conquistas ultramarinas, cuja expans&atilde;o come&ccedil;ou nesta mesma regi&atilde;o do Mediterr&acirc;neo. Ceuta fora anexada por Portugal em 1497, por&eacute;m em 1668, com um primeiro Tratado de Lisboa, a cidade passou a fazer parte do dom&iacute;nio da Coroa espanhola, assim como Melilla, que fora conquistada por Castela em 1497<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>.</p>  	    <p>Esta conquista obedeceu aos princ&iacute;pios de combate, cria&ccedil;&atilde;o de fronteira e de uma composi&ccedil;&atilde;o social de maioria crist&atilde;. Desde a ocupa&ccedil;&atilde;o da fortaleza em Melilla, at&eacute; ao come&ccedil;o do protectorado, instituiu&#45;se a no&ccedil;&atilde;o &eacute;pica de uma fronteira de vanguarda militar frente ao "infiel":</p>  	    <p>Desde o estabelecimento da fortifica&ccedil;&atilde;o espanhola em Melilla, antigo porto fen&iacute;cio, cartaginense, romano e &aacute;rabe, constitui&#45;se uma larga <i>rela&ccedil;&atilde;o de fronteira</i> entre os habitantes do enclave e as popula&ccedil;&otilde;es rifenhas que o rodeiam. Esta popula&ccedil;&atilde;o &eacute; conhecida desde fontes antigas como a confedera&ccedil;&atilde;o tribal de Qal&rsquo;aya (de fala rifenha, uma variante da l&iacute;ngua <i>tamazight</i>). Concretamente, o pequeno enclave se situa no n&uacute;cleo da tribo de Imazzujan; apesar disto, o mito fundador espanhol refere&#45;se &agrave; instala&ccedil;&atilde;o em 1497 das tropas do duque de Medina Sidonia, dirigidas por Pedro Estopi&ntilde;an, num espa&ccedil;o abandonado &#91;...&#93; (Dieste, 2010, p. 78).</p>  	    <p>Se estas conquistas n&atilde;o determinaram o in&iacute;cio da expans&atilde;o transatl&acirc;ntica, elas vieram pelo menos acrescentar aos paradigmas pol&iacute;ticos da era medieval uma nova componente: a fronteira<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a>.</p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A hist&oacute;ria contempor&acirc;nea destes dois territ&oacute;rios passou por uma reviravolta recente. Sob efeito da press&atilde;o migrat&oacute;ria e por causa do aumento consequente da migra&ccedil;&atilde;o irregular, o governo espanhol decidiu, em 1993, cercar as duas cidades com barreiras que, durante os anos noventa e dois mil, n&atilde;o pararam de ser refor&ccedil;adas e renovadas por novas tecnologias de controlo de fluxos, gra&ccedil;as ao financiamento da Uni&atilde;o Europeia (simultaneamente &agrave; forma&ccedil;&atilde;o da Frontex<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a>). Foi num contexto de coopera&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica crescente entre Marrocos e a Uni&atilde;o Europeia, desde os anos 1990<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a>, que come&ccedil;ou&#45;se a constru&ccedil;&atilde;o das cercas de Ceuta e Melilla. Enquanto as cercas deveriam servir para a conten&ccedil;&atilde;o regulada da circula&ccedil;&atilde;o de migrantes, os pactos de coopera&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica abririam espa&ccedil;os para poss&iacute;veis implanta&ccedil;&otilde;es industriais e comerciais espanholas e europeias (Ferrer&#45;Gallardo, 2008, p. 305). Em volta de Melilla, as barreiras, altas de tr&ecirc;s a seis metros, estendem&#45;se por um per&iacute;metro de dez quil&oacute;metros e meio. Em torno de Ceuta, acerca dupla atinge quase oito quil&oacute;metros, ao longo dos quais se disp&otilde;em mais de trezentos agentes de pol&iacute;cia e seiscentos oficiais da Guarda Civil espanhola. Tanto em Ceuta como em Melilla, as barreiras s&atilde;o complementadas por l&acirc;minas e arames farpados, com vista a dissuadir qualquer tentativa clandestina de passar por cima. Sem contar o aparato de seguran&ccedil;a multinacional que se desdobra na costa mediterr&acirc;nica, a vigil&acirc;ncia local &eacute; garantida por cento e seis c&acirc;maras de v&iacute;deo, e um sistema de escuta e de capta&ccedil;&atilde;o de movimentos por raios infra&#45;vermelhos (Saddiki, 2009). O fen&oacute;meno merece um tratamento sistem&aacute;tico para tentar compreender em que medida, enquanto processo hist&oacute;rico, a constru&ccedil;&atilde;o destas barreiras faz parte de um movimento global, e a que contradi&ccedil;&otilde;es sociais espec&iacute;ficas correspondem estas grades. Partindo de uma perspectiva global, &eacute; preciso considerar as v&aacute;rias dimens&otilde;es destas fronteiras cujos impactos ultrapassam as suas materialidades localmente circunscritas, delimitando simbolicamente uma separa&ccedil;&atilde;o mais vasta entre dois continentes, o europeu e o africano.</p> 	    <p>&nbsp;</p> 	    <p><img src="/img/revistas/cea/n22/n22a08i1.jpg"></p>  	    
<p>Fortifica&ccedil;&atilde;o da fronteira em Ceuta (Fotografia do autor)</p> 	    <p>&nbsp;</p> 	    <p><b>Barreiras</b></p>  	    <p>O Mediterr&acirc;neo n&atilde;o &eacute; apenas uma divis&atilde;o pol&iacute;tica, demogr&aacute;fica e econ&oacute;mica, mas tamb&eacute;m uma fronteira moral e ideol&oacute;gica que pode ser percebida como sendo a barreira entre, de um lado, democracia e secularismo, e de outro, fanatismo religioso e regimes totalit&aacute;rios. Esta percep&ccedil;&atilde;o &eacute; culturalmente parcial, visto que a distin&ccedil;&atilde;o ou separa&ccedil;&atilde;o entre "n&oacute;s" liberais e "eles" fan&aacute;ticos opera&#45;se apenas de um dos lados de uma fronteira ideol&oacute;gica popularizada pela teoria do choque de civiliza&ccedil;&otilde;es (Roeder, 2003). Por outro lado, o Mediterr&acirc;neo tamb&eacute;m &eacute; mar que une socialmente, politicamente, culturalmente e economicamente uma s&eacute;rie de processos hist&oacute;ricos nas regi&otilde;es circundantes<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a>. As cercas de Ceuta e Melilla simbolizam uma separa&ccedil;&atilde;o. Por mais que n&atilde;o se limitem a esta &uacute;nica fun&ccedil;&atilde;o, as grades de Ceuta e Melilla visam controlar fluxos de actores n&atilde;o estatais, nomeadamente o contrabando de mercadorias, e a imigra&ccedil;&atilde;o irregular de pessoas que querem chegar a territ&oacute;rio europeu. Esta &eacute; a caracter&iacute;stica essencial de todas as barreiras que ultimamente se t&ecirc;m erguido em muitas outras fronteiras pelo mundo: a amea&ccedil;a, o movimento a ser contido, j&aacute; n&atilde;o &eacute; o de Estados estrangeiros, mas sobretudo o de pessoas que se movimentam por conta pr&oacute;pria. A permiss&atilde;o de certos tipos de circula&ccedil;&atilde;o em detrimento de outros &eacute; garantida pelos check points disseminados na fronteira.</p>  	    <p>A reconfigura&ccedil;&atilde;o funcional das fronteiras terrestres entre Espanha e Marrocos caracteriza&#45;se deste modo por uma permeabilidade selectiva. De um lado, a maior permeabilidade de fluxos de capitais, e de outro, um maior controlo de certo tipo de migra&ccedil;&atilde;o laboral, no contexto da implementa&ccedil;&atilde;o do <i>System of IntegratedExternal Surveillance</i> (SIVE), que vigia toda a costa do sul de Espanha, desde 2002, e as Ilhas Can&aacute;rias desde 2005. Estes equipamentos s&atilde;o capazes de denunciar qualquer movimento por sensores que detectam batimentos card&iacute;acos &agrave; dist&acirc;ncia. A implementa&ccedil;&atilde;o do sistema SIVE nas costas mediterr&acirc;nicas n&atilde;o implicou uma diminui&ccedil;&atilde;o da circula&ccedil;&atilde;o de <i>pateras</i><sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a>, mas pelo contr&aacute;rio, incentivou mudan&ccedil;as cont&iacute;nuas de traject&oacute;rias. Houve um aumento de rotas pelo Oceano Atl&acirc;ntico (MIGREUROP, 2004), principalmente em direc&ccedil;&atilde;o &agrave;s Ilhas Can&aacute;rias em 2006, que desde ent&atilde;o recrudesceu substancialmente at&eacute; este ano de 2011.</p>  	    <p>Nunca existiu uma linha pol&iacute;tica europeia &uacute;nica quanto ao regime de fronteiras, que &eacute; melhor descrito enquanto negocia&ccedil;&atilde;o comp&oacute;sita entre inst&acirc;ncias pol&iacute;ticas que operam em diferentes paradigmas, dando uma multiplicidade de percep&ccedil;&otilde;es (Berg &amp; Ehin, 2006, p. 54). Entre as caracter&iacute;sticas das fronteiras exteriores da Uni&atilde;o Europeia, podemos identificar modos de governo e graus de abertura. Nos "modos de governo", temos as seguintes institui&ccedil;&otilde;es correspondentes: a "Pol&iacute;tica Regional Europeia", o "Espa&ccedil;o Schengen", e a "Pol&iacute;tica de Vizinhan&ccedil;a Europeia"<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a>. Estas tr&ecirc;s institui&ccedil;&otilde;es se sobrep&otilde;em, revelando contradi&ccedil;&otilde;es internas na gest&atilde;o das fronteiras. A Pol&iacute;tica Regional Europeia representa o paradigma pol&iacute;tico mais antigo, com implica&ccedil;&otilde;es directas para o regime de fronteiras. Esta pol&iacute;tica tem origem no Tratado de Roma de 1957<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>, por&eacute;m s&oacute; seria posta em pr&aacute;tica a partir de 1975 para controlar disparidades econ&oacute;micas e regular os mercados dos pa&iacute;ses perif&eacute;ricos. A pol&iacute;tica regional tem implica&ccedil;&otilde;es nas fronteiras pois incentiva a promo&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento socioecon&oacute;mico em regi&otilde;es perif&eacute;ricas, atrav&eacute;s de iniciativas de contactos transfronteiri&ccedil;os. Nesta perspectiva da pol&iacute;tica regional, o regime de fronteiras emergente estaria alinhado com o objectivo estrat&eacute;gico de coopera&ccedil;&atilde;o transnacional para reduzir desigualdades e exclus&otilde;es. A pol&iacute;tica de "corte de fronteiras" seria assim substitu&iacute;da pela pol&iacute;tica de "costura de fronteiras", vendo a zona de fronteira como factor de integra&ccedil;&atilde;o. Um primeiro problema &eacute; o facto de que a pol&iacute;tica regional europeia para as fronteiras d&aacute; mais poder a actores regionais, fazendo com que aumentem os conflitos entre autoridades nacionais &#150; com as suas prioridades securit&aacute;rias &#150; e demandas locais para um regime de fronteiras mais aberto.</p>  	    <p>O acordo de Schengen, assinado em 1985, n&atilde;o era no in&iacute;cio integralmente europeu, pois exclu&iacute;a alguns pa&iacute;ses da Uni&atilde;o Europeia. Progressivamente, foi amplamente adquirido como princ&iacute;pio da pr&oacute;pria Uni&atilde;o. O acordo trouxe um segundo paradigma pol&iacute;tico com maiores implica&ccedil;&otilde;es para as fronteiras. Assim como a Pol&iacute;tica Regional, o acordo de Schengen tem o objectivo de fortalecer o mercado &uacute;nico europeu. Por&eacute;m, a &ecirc;nfase n&atilde;o &eacute; a coes&atilde;o, mas a seguran&ccedil;a. Para reduzir os riscos associados &agrave; livre circula&ccedil;&atilde;o de pessoas, a Uni&atilde;o Europeia aumentou o controlo nas fronteiras externas, harmonizou os vistos, as pol&iacute;ticas de asilo e migra&ccedil;&atilde;o, criou o Sistema de Informa&ccedil;&atilde;o de Schengen (SIS), e implementou uma coopera&ccedil;&atilde;o entre as pol&iacute;cias e autoridades jur&iacute;dicas nacionais (Berg &amp; Ehin, 2006, p. 59)<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a>. O incentivo para uma pol&iacute;tica europeia de imigra&ccedil;&atilde;o pressup&otilde;e fechar firmemente as portas dos fundos, enquanto as da frente ficam parcialmente abertas para a migra&ccedil;&atilde;o legal que possa ser de interesse para a Europa, levando em considera&ccedil;&atilde;o o grau de desenvolvimento do pa&iacute;s de origem do imigrante, assim como o seu grau de especializa&ccedil;&atilde;o laboral. H&aacute; portanto um movimento em direc&ccedil;&atilde;o a uma regula&ccedil;&atilde;o supranacional das fronteiras externas: a europeiza&ccedil;&atilde;o da legisla&ccedil;&atilde;o sobre fronteiras ficou evidente com a incorpora&ccedil;&atilde;o do tratado de Schengen enquanto <i>acquis communautaire</i> indispens&aacute;vel para os Estados membros, com a proposta fundamental de estabelecer um "corpo comum de fronteira europeia", que n&atilde;o seria mais controlado pelas autoridades nacionais. Esta ideia de corpo comum encontrou oposi&ccedil;&atilde;o por parte de v&aacute;rios pa&iacute;ses membros. No entanto, as origens intergovernamentais do tratado deixam claros os compromissos nacionais para a implementa&ccedil;&atilde;o desta rede de seguran&ccedil;a, e cada pa&iacute;s &eacute; respons&aacute;vel pela protec&ccedil;&atilde;o das suas fronteiras. Assim, a vigil&acirc;ncia nas fronteiras tem uma sobreposi&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas nacionais e supranacionais. Para garantir este factor comunit&aacute;rio, &eacute; pela Frontex que a Uni&atilde;o Europeia financia o treino e as opera&ccedil;&otilde;es de controlo migrat&oacute;rio nas fronteiras de cada novo Estado membro.</p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O terceiro paradigma &eacute; a Pol&iacute;tica de Vizinhan&ccedil;a implantada desde 2003 pela Comiss&atilde;o Europeia. Em contraste com Schengen, que pressup&otilde;e o refor&ccedil;o de fronteiras espacialmente delineadas, esta nova pol&iacute;tica que se vem adicionar &agrave;s duas anteriores v&ecirc; as fronteiras como sendo m&oacute;veis e fluidas. Ela oferece aos Estados vizinhos financiamentos em infra&#45;estruturas, pedindo em troca reformas tang&iacute;veis nas suas pol&iacute;ticas internas. Os "condicionalismos" s&atilde;o no&ccedil;&otilde;es centrais desta pol&iacute;tica de vizinhan&ccedil;a, onde a abertura e a suaviza&ccedil;&atilde;o das fronteiras seriam recompensas aos vizinhos que se mostrem tendencialmente cooperantes com a Uni&atilde;o Europeia: vizinhos bem comportados e politicamente docilizados ganham a recompensa de melhores oportunidades de mercado num ambiente pol&iacute;tico de estabilidade. H&aacute; portanto um alargamento dos limites legais da Uni&atilde;o, sem que isto implique uma abertura institucional significativa. A pol&iacute;tica de vizinhan&ccedil;a fornece uma margem de manobra maior para o alcance dos objectivos geopol&iacute;ticos da Uni&atilde;o Europeia, com esquemas de governabilidade externa. Por um lado, isto mostra um maior reconhecimento de uma interdepend&ecirc;ncia pol&iacute;tica entre vizinhos. Por outro, esta iniciativa parece ser conduzida por um sentimento de inseguran&ccedil;a: com o alargamento, h&aacute; novas zonas vizinhas que s&atilde;o consideradas como potencialmente perigosas, e a pol&iacute;tica de vizinhan&ccedil;a &eacute; um esfor&ccedil;o para controlar esta inseguran&ccedil;a directamente nos pa&iacute;ses que n&atilde;o s&atilde;o membros da Uni&atilde;o Europeia<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a>.</p>  	    <p>Para ilustrar aquilo que pode ser compreendido como graus de abertura ou uma permeabilidade controlada e/ou selectiva na fronteira, olhemos para um caso paralelo ao dos enclaves de Ceuta e Melilla, mas que representa, pelo contr&aacute;rio, uma extens&atilde;o do imp&eacute;rio brit&acirc;nico no Mediterr&acirc;neo: Gibraltar. A soberania contradit&oacute;ria de Gibraltar deriva do mesmo facto de se tratar de um enclave no meio de um pa&iacute;s estrangeiro. Nos discursos de mito nacional brit&acirc;nico, Gibraltar "tornou&#45;se met&aacute;fora de solidez e perman&ecirc;ncia" (Stanton, 1994, p. 174). Em algum sentido, Gibraltar representou para os brit&acirc;nicos o come&ccedil;o das suas miss&otilde;es imperiais, assim como teria sido a conquista de Ceuta para os pa&iacute;ses ib&eacute;ricos, e por extens&atilde;o, para a Europa. A identidade de Gibraltar ainda se debate com este aspecto British de ser, pela forma&ccedil;&atilde;o de uma popula&ccedil;&atilde;o de origem migrat&oacute;ria complexa, que n&atilde;o se declara ferozmente atra&iacute;da pela coroa inglesa. Entre muitas comunidades de trabalhadores, a marroquina &eacute; actualmente uma das mais activas. Se tivermos em conta o passado de Gibraltar, notamos as mesmas qualifica&ccedil;&otilde;es atribu&iacute;das aos espanh&oacute;is, que vindos das cidades andaluzas vizinhas, ofereciam grande parte da for&ccedil;a de trabalho vendida em Gibraltar nos finais do s&eacute;culo XIX:</p>  	    <p>O trabalho convicto &#91;de brit&acirc;nicos&#93; que tem sido usado em Gibraltar chegava ao seu fim em 1875 por raz&otilde;es econ&oacute;micas. Trabalhadores livres espanh&oacute;is eram duas vezes mais produtivos que os convictos e os sal&aacute;rios que eles recebiam somavam menos do que os custos para manter os convictos. Esta for&ccedil;a de trabalho adicional espanhola, assim como os transportadores de carv&atilde;o, vinham da cidade de La L&iacute;nea, do outro lado da fronteira &#91;...&#93; <i>La L&iacute;nea</i> era a classe trabalhadora do distrito rico de Gibraltar &#91;...&#93; os sal&aacute;rios que esses homens recebiam eram cerca de um quinto dos n&iacute;veis correspondentes na Bretanha, mas eram no entanto bons para o padr&atilde;o da regi&atilde;o, sendo tr&ecirc;s vezes maior do que a renda usual para o trabalho agr&iacute;cola na Andaluzia (Stanton, 1994, p. 180).</p>  	    <p>&Eacute; importante prestar aten&ccedil;&atilde;o a este paralelo estrutural: esta fun&ccedil;&atilde;o do trabalho de <i>La L&iacute;nea</i> para Gibraltar nos finais do s&eacute;culo XIX &eacute; a mesma do que a das cidades marroquinas vizinhas dos enclaves de Ceuta e Melilla actuais. Mais al&eacute;m, podemos identificar um paralelo id&ecirc;ntico que n&atilde;o envolve a venda da for&ccedil;a de trabalho, mas de mercadorias contrabandeadas:</p>  	    <p>No final do s&eacute;culo at&eacute; o governo brit&acirc;nico come&ccedil;ou a se preocupar com a escala do problema &#91;do contrabando&#93;. Em 1876, soube&#45;se que vinha de Gibraltar quatro vezes mais tabaco ilegalmente para Espanha do que aquele distribu&iacute;do pelo pr&oacute;prio governo espanhol. Dizia&#45;se na altura que a introdu&ccedil;&atilde;o de uma taxa no tabaco de Gibraltar seria um meio efectivo para combater o contrabando. Mas a ind&uacute;stria de tabaco gerava cerca de 1450 empregos em Gibraltar naquela altura, e qualquer medida directa contra os contrabandistas de tabaco arruinaria a pr&oacute;pria ind&uacute;stria local (Stanton, 1994, p. 183).</p>  	    <p>Consideremos portanto estes pontos comuns como recuos esclarecedores que podem nos ajudar a compreender as fun&ccedil;&otilde;es estruturais desempenhadas pelas cercas de Ceuta e Melilla no quotidiano dos trabalhadores locais, comerciantes, e para os aparelhos de Estado nacionais ou supranacionais.</p>  	    <p>Enquanto a pol&iacute;tica nacional espanhola refor&ccedil;a as barreiras europeias, ela n&atilde;o pode ignorar os apelos para uma abertura minimamente controlada para a interac&ccedil;&atilde;o das popula&ccedil;&otilde;es locais que circulam nos dois lados nacionais das fronteiras de Ceuta e Melilla. A Espanha negociou a implementa&ccedil;&atilde;o de um visto excepcional para o fluxo fronteiri&ccedil;o nestes dois enclaves, dando a oportunidade aos habitantes das cidades marroquinas de Tetu&aacute;n e Nador de obterem uma permiss&atilde;o de resid&ecirc;ncia de um ano nos enclaves espanh&oacute;is, sem lhes conceder visto autom&aacute;tico para entrar no continente europeu. Isto facilita o movimento di&aacute;rio de passagem na fronteira de v&aacute;rios trabalhadores que transportam mercadorias de um lado para o outro, e trazem a sua for&ccedil;a de trabalho para estas cidades espanholas. Esta abertura n&atilde;o declarada n&atilde;o &eacute; produto de um acordo bilateral entre Espanha e Marrocos, mas sim de uma negocia&ccedil;&atilde;o entre o Estado espanhol e as autoridades europeias que controlam as fronteiras continentais. Como uma consequ&ecirc;ncia deste "chap&eacute;u&#45;de&#45;chuva jur&iacute;dico" que &eacute; a circula&ccedil;&atilde;o entre Tetu&aacute;n e Ceuta e entre Nador e Melilla, h&aacute; uma grande migra&ccedil;&atilde;o interna em Marrocos, de pessoas que pretendem instalar&#45;se em Tetu&aacute;n para poderem ter a oportunidade deste "passe&#45;livre" (Ferrer&#45;Gallardo, 2008, p. 307). Os pre&ccedil;os de passaportes marroquinos com morada em Tetu&aacute;n ou Nador, no mercado negro, tamb&eacute;m aumentaram vertiginosamente.</p>  	    <p>Assim como na fronteira EUA&#45;M&eacute;xico, as fronteiras de Ceuta e Melilla t&ecirc;m o duplo objectivo de garantir os benef&iacute;cios da globaliza&ccedil;&atilde;o, e ao mesmo tempo de controlar os efeitos nefastos desta mesma globaliza&ccedil;&atilde;o, que seriam os fluxos transnacionais indesej&aacute;veis. N&atilde;o h&aacute;, nesta organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica de fronteiras, nenhuma incoer&ecirc;ncia ou contradi&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica de duplo objectivo: a garantia de uma estrutura capitalista e o controlo espacial de actores n&atilde;o estatais fazem parte de uma mesma l&oacute;gica, onde as rela&ccedil;&otilde;es de poder se encontram, de maneira inerente e em escala internacional, no espa&ccedil;o da contradi&ccedil;&atilde;o entre trabalho e capital. Enquanto territ&oacute;rios &uacute;nicos que providenciam fronteiras terrestres entre a Uni&atilde;o Europeia e a &Aacute;frica, os enclaves de Ceuta e Melilla tamb&eacute;m s&atilde;o &iacute;manes para candidatos &agrave; migra&ccedil;&atilde;o irregular vindos de todo o continente africano (&eacute; importante lembrar que a maior parte desta migra&ccedil;&atilde;o &eacute; oriunda de pa&iacute;ses subsarianos). Apesar da crescente militariza&ccedil;&atilde;o nestas fronteiras, as tentativas de passagem persistem e de in&uacute;meras maneiras. Al&eacute;m do assalto colectivo, h&aacute; estrat&eacute;gias como esconder&#45;se dentro de ve&iacute;culos que passam pelos postos fronteiri&ccedil;os, abrir buracos nas grades, e principalmente entrar a nado numa das ba&iacute;as, partindo de uma praia marroquina (MIGREUROP, 2009).</p>  	    <p>Mas a no&ccedil;&atilde;o de permeabilidade evidencia&#45;se tamb&eacute;m pela circula&ccedil;&atilde;o de bens. O estatuto de porto livre de Ceuta e Melilla, e uma localiza&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica, d&atilde;o vaz&atilde;o a uma "hipertrofia" do sector comercial. A economia informal garante uma circula&ccedil;&atilde;o mais abrangente de bens entre os enclaves e as cidades marroquinas mais pr&oacute;ximas. Em Ceuta, n&atilde;o h&aacute; regulamento estrito que regule a circula&ccedil;&atilde;o de bens entre os dois pa&iacute;ses. O facto de o Estado marroquino perceber a fronteira deste enclave como sendo ileg&iacute;tima n&atilde;o permitiu o estabelecimento de interac&ccedil;&otilde;es comerciais inteiramente "normalizadas". Tr&ecirc;s tipos de pr&aacute;ticas de contrabando existem portanto nestas fronteiras: um contrabando de tabaco, &aacute;lcool e electrodom&eacute;sticos passados esporadicamente por trabalhadores estrangeiros, estudantes, e principalmente espanh&oacute;is ou marroquinos que t&ecirc;m facilidades para entrar e sair dos enclaves; um "contrabando de subsist&ecirc;ncia", que consiste num atravessar il&iacute;cito de bens de consumo como chocolate, leite, perfumes ou baterias, por parte de marroquinos que habitam as cidades mais pr&oacute;ximas dos enclaves, e atravessam a fronteira v&aacute;rias vezes por dia; e por &uacute;ltimo, h&aacute; um contrabando de larga escala de equipamentos electr&oacute;nicos, feito por redes de profissionais (Hajjaji, 1986).</p>  	    <p>Se a implementa&ccedil;&atilde;o da zona de livre com&eacute;rcio n&atilde;o tem consequ&ecirc;ncias econ&oacute;micas que v&atilde;o muito al&eacute;m de impactos na pr&oacute;pria localidade, o interesse europeu pela conten&ccedil;&atilde;o da imigra&ccedil;&atilde;o irregular atinge grande parte dos pa&iacute;ses africanos. Nesta longa dura&ccedil;&atilde;o de fronteiras que tiveram ao longo do tempo v&aacute;rias fun&ccedil;&otilde;es diferentes, criou&#45;se, por pol&iacute;ticas econ&oacute;micas sucessivas, a distin&ccedil;&atilde;o entre dois mundos, que no entanto est&atilde;o cada vez mais interdependentes no n&iacute;vel da troca e dos contactos culturais. No seio desta interdepend&ecirc;ncia, por&eacute;m, persistem conflitos na ordem do discurso hist&oacute;rico que imp&otilde;em uma certa vis&atilde;o patrimonial mais agressiva nestas zonas de fronteira, para legitimar a presen&ccedil;a espanhola em cidades que t&ecirc;m suas soberanias contestadas<sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a>. &Eacute; por isso que a tens&atilde;o comercial e as trocas subsequentes se desdobram numa paisagem de conflito pol&iacute;tico entre "dois mundos" vizinhos.</p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>A "fortaleza europeia"</b></p> 	    <p>A "fortaleza europeia" &eacute; um termo de den&uacute;ncia pol&iacute;tica contra abusos policiais nas novas fronteiras europeias, que s&oacute; mais tarde seria aplicado nas ci&ecirc;ncias sociais como conceito. Sua validade epistemol&oacute;gica &eacute; no entanto discut&iacute;vel, por nunca ter sido totalmente aprovado e/ou benquisto em certos c&iacute;rculos acad&eacute;micos, que consideram que o termo n&atilde;o contempla os meios mais flex&iacute;veis de controlo migrat&oacute;rio, ou a pr&oacute;pria ag&ecirc;ncia dos migrantes irregulares. O uso do termo neste artigo tem por objectivo lan&ccedil;ar o debate sobre a sua validade cient&iacute;fica, e logo, a legitimidade do seu uso em espa&ccedil;os que n&atilde;o s&atilde;o inteiramente pol&iacute;ticos. Al&eacute;m das barreiras materiais, as fronteiras da "fortaleza europeia" s&atilde;o tamb&eacute;m invis&iacute;veis. Diluem&#45;se atrav&eacute;s da complexidade dos aparelhos burocr&aacute;ticos, dos sistemas de vigil&acirc;ncia, das reformas legislativas das identidades nacionais, na invisibilidade social do trabalhador "sem pap&eacute;is", na ilegaliza&ccedil;&atilde;o destes &uacute;ltimos, na racializa&ccedil;&atilde;o dos problemas sociais (Calavita, 2005), na tecnologia crescente dos modos de identifica&ccedil;&atilde;o biom&eacute;trica (Frois, 2008), e na estigmatiza&ccedil;&atilde;o activa, por parte de alguns sectores pol&iacute;ticos, de certas pessoas como fazendo parte de uma "horda de invasores" que vieram corromper um corpo social que, supostamente, teria sido puro ou alguma vez intocado. Para p&ocirc;r em perspectiva a constru&ccedil;&atilde;o das barreiras de Ceuta e Melilla com toda uma l&oacute;gica continental, e global, contextualizo alguns aspectos securit&aacute;rios da pol&iacute;tica de controlo de fluxos por parte de organiza&ccedil;&otilde;es estatais e supranacionais. A maior parte destes controlos s&atilde;o efectuados nos "n&oacute;s" cr&iacute;ticos de tr&acirc;nsitos internacionais, como os portos, as esta&ccedil;&otilde;es ferrovi&aacute;rias, rodovi&aacute;rias, e os aeroportos. Podemos relacionar esta situa&ccedil;&atilde;o com a disposi&ccedil;&atilde;o actual dos <i>Centros de Estancia Temporal de Inmigrantes</i><sup><a href="#15">15</a></sup><a name="top15"></a> de Ceuta e Melilla, onde desdobram&#45;se diversas actividades de interven&ccedil;&otilde;es militares e terap&ecirc;uticas, sempre no exerc&iacute;cio de confinamento de migrantes que, uma vez interceptados pelas autoridades espanholas, ficam &agrave; espera da obten&ccedil;&atilde;o de um estatuto de refugiado para n&atilde;o serem repatriados, vivendo num limbo jur&iacute;dico: eles est&atilde;o suspensos numa fase transit&oacute;ria de identidade (Mountz, Wright, Miyares and Bailey, 2002). Este n&atilde;o &eacute; um caso que se restringe aos enclaves de Ceuta e Melilla ou &agrave;s Ilhas Can&aacute;rias, mas que se encontra em diversos pontos de abrang&ecirc;ncia da chamada "fortaleza europeia":</p>  	    <p>&nbsp;</p>  	    <p><a href="/img/revistas/cea/n22/n22a08f1.jpg" target="_blank">Campos de refugiados e centros de deten&ccedil;&atilde;o de imigrantes irregulares espalhados na Europa e na zona do Mediterr&acirc;neo.</a></p> 	    
<p>&nbsp;</p> 	    <p>Existe uma tend&ecirc;ncia comum, na Europa do sul e que &eacute; particular, de pa&iacute;ses que ao se alinharem nas pol&iacute;ticas de integra&ccedil;&atilde;o europeia, passaram por uma mudan&ccedil;a estrutural em termos de gest&atilde;o de fluxos: esses pa&iacute;ses que eram origens de emigra&ccedil;&atilde;o, passaram rapidamente a ser acolhedores de imigrantes. Uma segunda constata&ccedil;&atilde;o &eacute; que essas mesmas na&ccedil;&otilde;es v&ecirc;em&#45;se a administrar um novo fluxo de migrantes oriundos de suas antigas col&oacute;nias: trata&#45;se da "presen&ccedil;a em antigas metr&oacute;poles imperiais de popula&ccedil;&otilde;es diasp&oacute;ricas das outras col&ocirc;nias e que, juntamente com seus filhos e os filhos de seus filhos, funcionam como inc&ocirc;modos &laquo;lembretes do imp&eacute;rio&raquo;" (Feldman&#45;Bianco, 2002, p. 386).</p>  	    <p>N&atilde;o se pode, contudo, confundir precedentes mais long&iacute;nquos de qualquer pol&iacute;tica de fronteira como estando directamente relacionada com o que podemos chamar de "fortaleza europeia". Esta refere&#45;se explicitamente ao fechamento das fronteiras exteriores do continente numa pol&iacute;tica de seguran&ccedil;a supranacional. Mais especificamente, duas caracter&iacute;sticas devem ser consideradas para a compreens&atilde;o da "fortaleza europeia", e da fun&ccedil;&atilde;o das barreiras de Ceuta e Melilla enquanto dispositivos materiais da sua fortifica&ccedil;&atilde;o. Primeiramente, desde a implanta&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o Schengen, que &eacute; completamente adquirido pelos Estados membros a partir de 1999, os casos mais recorrentes de mortes por tentativa de chegada clandestina no continente europeu concentram&#45;se sobretudo na regi&atilde;o do Mediterr&acirc;neo<sup><a href="#16">16</a></sup><a name="top16"></a>. Em segundo lugar, com a pol&iacute;tica de vizinhan&ccedil;a mais recente, as implica&ccedil;&otilde;es dos controlos de fluxos passaram geograficamente muito al&eacute;m das fronteiras imediatas do territ&oacute;rio europeu. Incapaz de controlar as suas fronteiras contra fluxos transnacionais indesej&aacute;veis, a Uni&atilde;o Europeia empreende a passagem da fun&ccedil;&atilde;o de controlo de fluxos para pa&iacute;ses terceiros, de onde a maioria dos imigrantes s&atilde;o oriundos: h&aacute; uma externaliza&ccedil;&atilde;o das fronteiras, que alcan&ccedil;a pa&iacute;ses subsarianos. Ao assinarem acordos para o "co&#45;desenvolvimento", esses pa&iacute;ses v&ecirc;em&#45;se for&ccedil;ados a controlar uma imigra&ccedil;&atilde;o que &eacute; tratada como ilegal antes mesmo de existir<sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a>. Nesta mesma l&oacute;gica, o "estatuto avan&ccedil;ado" oferecido ao Estado marroquino em 2008 faz parte de uma recompensa dada pelo empenho das suas for&ccedil;as policiais nacionais no combate contra a imigra&ccedil;&atilde;o ilegal<sup><a href="#18">18</a></sup><a name="top18"></a>. Se o primeiro&#45;ministro espanhol Jos&eacute; Luis Zapatero felicitou&#45;se em 2009 pela redu&ccedil;&atilde;o de mais da metade de chegadas de "ilegais" pelo mar em Espanha, isto n&atilde;o significa que haja menos mortes no deserto ou maus tratos dispensados por agentes de outros Estados. Com a remodela&ccedil;&atilde;o constante das rotas de fluxos, que se adaptam a cada nova medida de seguran&ccedil;a, &eacute; poss&iacute;vel perguntar&#45;nos em que medida os muros de Ceuta e Melilla n&atilde;o se tornam, no aspecto do controlo migrat&oacute;rio, cada vez mais obsoletos. Mudando as rotas, envolvendo pol&iacute;cias multinacionais, interven&ccedil;&otilde;es militares e "preventivas", a externaliza&ccedil;&atilde;o das fronteiras constitui uma fortifica&ccedil;&atilde;o europeia cujas barreiras s&atilde;o um elemento que se torna cada vez menos pr&aacute;tico e mais simb&oacute;lico. Uma outra din&acirc;mica &eacute; encontrada no entanto numa s&eacute;rie de campos de refugiados e de deten&ccedil;&atilde;o de imigrantes irregulares, lugares estes onde a distin&ccedil;&atilde;o entre ref&uacute;gio e deten&ccedil;&atilde;o apaga&#45;se nas pr&aacute;ticas de confinamentos, legais ou ilegais.</p>  	    <p><b>Fronteiras da soberania</b></p>  	    <p>Para compreender as implica&ccedil;&otilde;es da fronteira entre Marrocos e Espanha, n&atilde;o podemos ignorar as implica&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas da presen&ccedil;a colonial da Espanha em Marrocos (1912&#45;1956). Na primeira d&eacute;cada do s&eacute;culo XX, o sultanato entrou em crise devido a d&iacute;vidas externas e press&otilde;es estrangeiras. Muitos pa&iacute;ses europeus foram associados &agrave; partilha diplom&aacute;tica da trag&eacute;dia marroquina, mas foram os Estados de Fran&ccedil;a e Espanha que receberam partes de Marrocos sob formas de protectorados (Wesseling, 2009, p. 266). Neste per&iacute;odo, os territ&oacute;rios de Ceuta e Melilla separavam os territ&oacute;rios norte&#45;africanos sob soberania espanhola, do norte marroquino sob "protec&ccedil;&atilde;o" espanhola. Esta distin&ccedil;&atilde;o explica em parte por que estes enclaves permaneceram sob dom&iacute;nio espanhol depois do fim do protectorado franco&#45;espanhol de Marrocos, em 1956. Por&eacute;m, uma ambiguidade deriva do facto de as fronteiras terem sido "atenuadas" durante todo o per&iacute;odo do protectorado, quando de facto as duas cidades n&atilde;o se distinguiam do resto do territ&oacute;rio da "&Aacute;frica espanhola". Desde ent&atilde;o, Ceuta e Melilla s&atilde;o vistos pelo Estado marroquino como sendo parte integral do territ&oacute;rio marroquino, e que est&atilde;o por ser descolonizados.</p> 	    <p>Nos &uacute;ltimos dez anos, o Estado marroquino tem erguido a voz contra a presen&ccedil;a espanhola no territ&oacute;rio<sup><a href="#19">19</a></sup><a name="top19"></a>. Para Espanha, n&atilde;o se trata de uma ocupa&ccedil;&atilde;o, visto a ancestralidade da presen&ccedil;a castelhana desde os per&iacute;odos da Reconquista. Em Abril de 2010, uma tens&atilde;o diplom&aacute;tica ocorrera quando a aduana marroquina p&ocirc;s, num edif&iacute;cio oficial na fronteira com Melilla, um cartaz a classificar a cidade como sendo ocupada:</p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Redigido em &aacute;rabe e em castelhano, o cartaz adverte aos melillenses da necessidade de se renovar a licen&ccedil;a de importa&ccedil;&atilde;o dos seus ve&iacute;culos em Marrocos, sob pena de pagar uma multa. Mas a palavra "ocupada" para descrever a situa&ccedil;&atilde;o de Melilla provocou as iras do Governo da cidade e do Partido Popular<sup><a href="#20">20</a></sup><a name="top20"></a> (tradu&ccedil;&atilde;o do autor).</p>  	    <p>Em ambos os casos, parece haver pouco "di&aacute;logo" entre administradores estatais. H&aacute; por&eacute;m, atrav&eacute;s dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o social, discursos unilaterais em cada pa&iacute;s, acusando o vizinho de estar equivocado quanto ao estatuto geopol&iacute;tico das cidades. Estes discursos unilaterais ficam ainda mais patentes ao analisarmos duas vers&otilde;es jornal&iacute;sticas de um mesmo "facto", tamb&eacute;m recente: a visita dos reis de Espanha aos enclaves em Novembro de 2007. Os administradores de Ceuta e Melilla h&aacute; muito tempo pediam uma visita do rei de Espanha aos enclaves, para reafirmar a soberania nacional num acto simb&oacute;lico cujo protagonista &eacute; a coroa:</p>  	    <p>&#91;...&#93; os presidentes das duas cidades aut&oacute;nomas manifestavam seu interesse pela visita dos monarcas em Ceuta e Melilla. Uma reclama&ccedil;&atilde;o e um convite foram realizados cada vez que tiveram a oportunidade. Inclusive deixaram&#45;no patente no encontro que tiveram com o Rei no pal&aacute;cio da Zarzuela, em Novembro de 2005, quando as avalanches de subsarianos sobre as duas cidades revelaram a entidade do problema migrat&oacute;rio &#91;...&#93;<sup><a href="#21">21</a></sup><a name="top21"></a> (tradu&ccedil;&atilde;o do autor).</p>  	    <p>Neste mesmo artigo, o jornal lembra que a visita prevista do rei espanhol aos enclaves poderia eventualmente provocar descontentamento na sociedade marroquina. Mas lembra tamb&eacute;m que era por este motivo que a viagem se tinha mantido at&eacute; ent&atilde;o secreta. E assegura, citando o porta&#45;voz da coroa, que esta visita n&atilde;o causaria problemas na "boa rela&ccedil;&atilde;o de Marrocos com Espanha". O tom n&atilde;o &eacute; o mesmo do lado de um jornal marroquino de grande circula&ccedil;&atilde;o:</p>  	    <p>Um "n&atilde;o" franco e maci&ccedil;o &agrave; visita controversa iniciada ontem a Sebta, pelo rei de Espanha Juan Carlos nos pres&iacute;dios marroquinos ocupados. Foi o que expressou, ontem, o Estado marroquino, governo, deputados, conselheiros e actores associativos inclusive. O tom foi dado, ontem, pelos eleitos do Parlamento, deputados e conselheiros, que, no &acirc;mbito de um "sit&#45;in" em frente &agrave; embaixada de Espanha em Rabat &#91;...&#93;, entregaram uma carta de protesto ao embaixador espanhol Luis Planas Puchades. "Enquanto parte do Estado marroquino, denunciamos esta visita provocadora do Rei de Espanha Juan Carlos &agrave;s cidades marroquinas ocupadas de Sebta e Melilla", podemos ler nesta carta. "Esta visita ofende os sentimentos marroquinos, e afecta gravemente as rela&ccedil;&otilde;es de boa vizinhan&ccedil;a entre as duas coroas", p&otilde;em em guarda os deputados, que reafirmaram na mesma ocasi&atilde;o a liga&ccedil;&atilde;o com todos os marroquinos das cidades ocupadas<sup><a href="#22">22</a></sup><a name="top22"></a> (tradu&ccedil;&atilde;o do autor).</p>  	    <p>Temos portanto duas vers&otilde;es, discordantes, que giram em torno do que podemos chamar de quest&atilde;o de soberania. Do lado marroquino, a oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; presen&ccedil;a espanhola nas cidades eleva o teor do problema de soberania, ao classific&aacute;&#45;la de "incongru&ecirc;ncia colonial", invocando o anacronismo de uma &Aacute;frica espanhola. Esta n&atilde;o &eacute; a primeira vez que ocorreu um incidente diplom&aacute;tico tornado p&uacute;blico a n&iacute;vel internacional, como no caso de Perejil em 2002. Como Melilla, Ceuta, e algumas ilhas em &aacute;guas marroquinas, Perejil (situada no estreito de Gibraltar, a 200 metros da costa marroquina) &eacute; outra possess&atilde;o espanhola que escapou da descoloniza&ccedil;&atilde;o. Assim como na crise das ilhas Falklands e Malvinas<sup><a href="#23">23</a></sup><a name="top23"></a>, mas em miniatura, o problema aconteceu quando tropas de elite espanholas desembarcaram na ilha desmilitarizada de Perejil e capturaram uma d&uacute;zia de soldados marroquinos que ali tinham estabelecido um posto de observa&ccedil;&atilde;o alguns dias antes (Hansen, 2004, p. 54). Com uma breve import&acirc;ncia medi&aacute;tica, o caso de Perejil teve pouca import&acirc;ncia diplom&aacute;tica. No entanto, &eacute; um caso significativo da persist&ecirc;ncia de desentendimentos cl&aacute;ssicos em torno de territ&oacute;rios de fronteira.</p>  	    <p>Analisando o debate jornal&iacute;stico de forma objectiva, &eacute; poss&iacute;vel anotar alguns pontos para a compreens&atilde;o da estrutura pol&iacute;tica na regi&atilde;o. Podemos notar, do Mediterr&acirc;neo at&eacute; ao Saara ocidental, uma sequ&ecirc;ncia em cadeia de problemas de jurisdi&ccedil;&atilde;o territorial. Do Saara ocidental, que j&aacute; foi dom&iacute;nio espanhol (Marks, 1976)<sup><a href="#24">24</a></sup><a name="top24"></a>, aos enclaves de Ceuta, Melilla e Gibraltar, h&aacute; uma s&eacute;rie de conflitos diplom&aacute;ticos que n&atilde;o s&atilde;o independentes uns dos outros. A hesita&ccedil;&atilde;o por parte do governo espanhol em mediar uma solu&ccedil;&atilde;o para o ex&iacute;lio da activista sarau&iacute; Aminatu Haidar em 2010 deveu&#45;se, por um lado, ao facto de Espanha possuir territ&oacute;rios contestados no espa&ccedil;o marroquino e, por outro, &agrave; depend&ecirc;ncia crescente, por parte de Espanha e da Uni&atilde;o Europeia, das ac&ccedil;&otilde;es das autoridades marroquinas para a conten&ccedil;&atilde;o dos fluxos migrat&oacute;rios no seu territ&oacute;rio<sup><a href="#25">25</a></sup><a name="top25"></a>. Daqui deriva a segunda grelha de an&aacute;lise dessas mat&eacute;rias medi&aacute;ticas, t&atilde;o diferentes em tratar de um mesmo acontecimento, que foi a visita do rei de Espanha a Ceuta e Melilla. Cada discurso nacional, espanhol e marroquino, aponta para problemas diferentes, como se n&atilde;o estivesse a tratar de uma mesma situa&ccedil;&atilde;o. Nos diversos textos temos como cen&aacute;rio um problema de soberania, leg&iacute;timo ou contestado.</p>  	    <p><b>Novos tipos de fronteira</b></p>  	    <p>A fun&ccedil;&atilde;o das cercas de Ceuta e Melilla &eacute; a de impedir qualquer circula&ccedil;&atilde;o irregular, ou seja, a de controlar o tr&aacute;fico em geral (de armas, de drogas e mercadorias contrabandeadas) e a entrada em certo territ&oacute;rio de pessoas indesejadas por conta da sua nacionalidade e consequentemente de uma suposta propens&atilde;o ao crime e &agrave; vadiagem. Face a este discurso, Wendy Brown (2009) contrap&otilde;e duas vertentes: uma primeira vertente &eacute; a de que as barreiras constru&iacute;das em diversas fronteiras, nesta mesma fun&ccedil;&atilde;o de impedir a circula&ccedil;&atilde;o de agentes indesej&aacute;veis, s&atilde;o ineficientes. Os poderes reguladores fazem com que as barreiras sirvam de filtro com maior ou menor abertura, consoante for a necessidade da economia flutuante, seja ela formal ou informal. Em segundo lugar, e mais importante, &eacute; que o aparecimento exponencial de barreiras no globo terrestre seria um sintoma de "desassocia&ccedil;&atilde;o" entre a "soberania" mais cl&aacute;ssica e o modelo pol&iacute;tico de Estado&#45;na&ccedil;&atilde;o. Neste sentido, segundo Wendy Brown, as barreiras simbolizam uma viragem hist&oacute;rica nas rela&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas, em que o modelo cultural hegem&oacute;nico, o Estado&#45;na&ccedil;&atilde;o, est&aacute; a transformar&#45;se: a soberania que antes lhe estava associada est&aacute; lentamente a deslocar&#45;se para se p&ocirc;r na sujei&ccedil;&atilde;o da economia pol&iacute;tica ou da religi&atilde;o. Estes fen&oacute;menos culturais e sociais n&atilde;o estatais posicionam&#45;se acima de qualquer norma jur&iacute;dica, pela qual t&ecirc;m desprezo. Encontramos v&aacute;rias barricadas, e passagens, que separam homens de neg&oacute;cios de grandes voos, viajantes ordin&aacute;rios, e aspirantes &agrave; entrada julgados suspeitos por causa da sua origem ou apar&ecirc;ncia. Esta "estratifica&ccedil;&atilde;o dos fluxos" de viajantes articula&#45;se numa abertura de geometria vari&aacute;vel das barreiras: enquanto uns t&ecirc;m o benef&iacute;cio de um alargamento de uma esp&eacute;cie de cidadania transnacional, para outros h&aacute;, pelo contr&aacute;rio, uma redu&ccedil;&atilde;o da sua condi&ccedil;&atilde;o de cidad&atilde;o pelo mesmo processo conjunto de liberaliza&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica e incremento da seguran&ccedil;a nacional (Sparke, 2006, p. 152).</p>  	    <p>Temos portanto tr&ecirc;s tipos de processo: abertura e bloqueio; universaliza&ccedil;&atilde;o acompanhada de exclus&atilde;o e estratifica&ccedil;&atilde;o; poder virtual em rede e barricadas f&iacute;sicas. N&atilde;o entra em quest&atilde;o, como vimos, a defesa da soberania de um Estado frente a uma poss&iacute;vel invas&atilde;o de um Estado&#45;na&ccedil;&atilde;o vizinho ou inimigo. Essas barreiras t&ecirc;m como alvo actores n&atilde;o estatais e transnacionais, como indiv&iacute;duos, grupos, organiza&ccedil;&otilde;es, movimentos e ind&uacute;strias. Como estes muros formam&#45;se muito depois das conven&ccedil;&otilde;es do tratado de Westphalia (Balibar, 2004), que foram precursoras da futura forma&ccedil;&atilde;o do Estado&#45;na&ccedil;&atilde;o enquanto modelo global, Wendy Brown classifica&#45;os de sinais de um mundo "p&oacute;s&#45;westphaliano". Devemos aqui considerar o prefixo "p&oacute;s", que significa uma situa&ccedil;&atilde;o de posterioridade dentro da qual as condi&ccedil;&otilde;es do passado continuam a configurar o presente. Numa ordem p&oacute;s&#45;westphaliana n&atilde;o s&atilde;o os Estados soberanos que se encontram exclu&iacute;dos pelas barreiras, mas sim os seus actores n&atilde;o estatais. Neste sentido, seria o enfraquecimento da soberania estatal, e mais precisamente a "disjun&ccedil;&atilde;o" entre a soberania e o Estado&#45;na&ccedil;&atilde;o, que for&ccedil;aria os Estados&#45;na&ccedil;&atilde;o a constru&iacute;rem estas barreiras (Brown, 2009, p. 17). Num mundo contempor&acirc;neo em que aparecem cada vez mais reivindica&ccedil;&otilde;es independentistas ou at&eacute; em que se assiste &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de novos Estados&#45;na&ccedil;&atilde;o (como por exemplo, o Kosovo), n&atilde;o podemos iludir&#45;nos e considerar que existe uma crise ou queda dos Estados&#45;na&ccedil;&atilde;o. O argumento central deste artigo &eacute; o de que a constru&ccedil;&atilde;o de uma s&eacute;rie de barreiras contradiz de forma pragm&aacute;tica a ideia de um decl&iacute;nio do modelo de Estado moderno.</p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os fluxos transnacionais (de pessoas, mercadorias, capitais, bens, ideias), a viol&ecirc;ncia e as redes pol&iacute;ticas e religiosas minam a soberania, pois as suas caracter&iacute;sticas s&atilde;o as de atravessarem fronteiras, mas n&atilde;o s&oacute;. Uma vez atravessadas, essas for&ccedil;as tornam&#45;se pot&ecirc;ncias no interior do territ&oacute;rio novo: n&atilde;o h&aacute; desterritorializa&ccedil;&atilde;o sem uma reterritorializa&ccedil;&atilde;o posterior. A soberania do Estado&#45;na&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m &eacute; minada pelo neoliberalismo, que s&oacute; reconhece a soberania das decis&otilde;es tomadas pelas empresas, substituindo crit&eacute;rios jur&iacute;dicos e pol&iacute;ticos por mercantis, e reduzindo o soberano pol&iacute;tico ou governante &agrave; fun&ccedil;&atilde;o de gestor administrativo. Tamb&eacute;m o &eacute;, pelo aumento dos poderes de institui&ccedil;&otilde;es internacionais como o Fundo Monet&aacute;rio Internacional ou a Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de ou do Com&eacute;rcio. As barreiras espec&iacute;ficas de Ceuta e Melilla envolvem constela&ccedil;&otilde;es p&oacute;s&#45;nacionais, e separam as zonas ricas das zonas pobres do planeta: o direito e a pol&iacute;tica s&atilde;o incapazes por si s&oacute; de controlarem as m&uacute;ltiplas potencialidades liberadas pela globaliza&ccedil;&atilde;o.</p>  	    <p>A separa&ccedil;&atilde;o de centros e periferias por barreiras dentro de cada conglomerado urbano &eacute; tamb&eacute;m um problema exponencial tratado por uma nova antropologia social das <i>gated communities</i> (Low, 2003, p. 387). As separa&ccedil;&otilde;es por barreiras materiais destes espa&ccedil;os s&atilde;o uma tend&ecirc;ncia global (Van Houtum &amp; Pijpers, 2005), e o recurso ao controlo e &agrave; vigil&acirc;ncia tende a querer remediar uma situa&ccedil;&atilde;o de "ingovernabilidade" (Foucault, 1976, p. 124). Considerando o incremento do aparato de vigil&acirc;ncia das barreiras, h&aacute; o desmoronamento da distin&ccedil;&atilde;o entre controlo interno e controlo externo, entre pol&iacute;cia e ex&eacute;rcito, entre sujeito e p&aacute;tria, vigilantes volunt&aacute;rios e Estado, e confus&atilde;o entre criminosos internos e inimigos externos: a barreira tem esta dimens&atilde;o ir&oacute;nica de confundir a identidade local enquanto seu objectivo mais declarado seria o de maior delimita&ccedil;&atilde;o entre o "n&oacute;s" e o "eles", entre o que &eacute; de dentro e o que est&aacute; fora da na&ccedil;&atilde;o. Apesar da sua presen&ccedil;a f&iacute;sica massiva, as novas barreiras funcionam frequentemente na forma de espect&aacute;culo, projectando a imagem de um poder pol&iacute;tico soberano com a sua na&ccedil;&atilde;o assegurada por estas mesmas fronteiras. Esta encena&ccedil;&atilde;o deve&#45;se ao facto de a pr&oacute;pria na&ccedil;&atilde;o, cujo Estado erige a barreira na sua fronteira, depender em certa medida da manuten&ccedil;&atilde;o destes fluxos que a ultrapassam, como por exemplo a m&atilde;o&#45;de&#45;obra barata e o com&eacute;rcio informal.</p>  	    <p>Esta "desassocia&ccedil;&atilde;o" dos poderes soberanos em rela&ccedil;&atilde;o ao Estado&#45;na&ccedil;&atilde;o compromete n&atilde;o s&oacute; a seguran&ccedil;a dos sujeitos, mas tamb&eacute;m um imagin&aacute;rio de identidade individual e nacional que se apoia nas no&ccedil;&otilde;es de horizonte e limita&ccedil;&atilde;o de um espa&ccedil;o cultural. O espa&ccedil;o delimitado pelas fronteiras deve ser um espa&ccedil;o de jurisdi&ccedil;&atilde;o independente: em rela&ccedil;&atilde;o ao exterior, a soberania &eacute; poder de autodetermina&ccedil;&atilde;o, e em rela&ccedil;&atilde;o ao interior, um poder de decis&atilde;o derivado do contrato social. Contrariamente &agrave; ideia aristot&eacute;lica segundo a qual a vida pol&iacute;tica seria natural para o homem, e a <i>polis</i> a forma de vida "pr&oacute;pria da humanidade", para a teoria do contrato social o "pol&iacute;tico" nasceria de uma condi&ccedil;&atilde;o ontol&oacute;gica n&atilde;o pol&iacute;tica, por meios artificias. O contrato social constituiria o fim temporal e o limite espacial da soberania da natureza ou de Deus, e inauguraria uma forma humana no dom&iacute;nio pol&iacute;tico. Para realizar a sua autonomia, a soberania deve, no plano interno, sujeitar os poderes suscept&iacute;veis de rivalizar com ela, ou aniquil&aacute;&#45;los. A autonomia do pol&iacute;tico, expressa na soberania, implica uma pretens&atilde;o &agrave; domina&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica ou &agrave; conten&ccedil;&atilde;o de outros poderes, principalmente econ&oacute;micos ou religiosos (Elias, 1978).</p>  	    <p>A soberania pol&iacute;tica n&atilde;o &eacute; o equivalente do Estado. Ao contr&aacute;rio, &eacute; uma forma&ccedil;&atilde;o teol&oacute;gica ou "fic&ccedil;&atilde;o material", sempre uma "aspira&ccedil;&atilde;o", mesmo se for irrealiz&aacute;vel: "todos os conceitos geradores da teoria moderna de Estado s&atilde;o conceitos teol&oacute;gicos secularizados" (Schmitt, 2008, pp. 46&#45;48). Com um decl&iacute;nio da soberania pol&iacute;tica, h&aacute; uma "descontrac&ccedil;&atilde;o" de outras for&ccedil;as sociais que enfraquecem a soberania do Estado&#45;na&ccedil;&atilde;o, que para se defender assume e afirma o seu car&aacute;cter vigilante de maneira aberta e agressiva, como &eacute; o caso das barreiras nas fronteiras.</p>  	    <p>Uma dessas for&ccedil;as sociais, o capital, aparece como soberano global (Comaroff &amp; Comaroff, 2000): &eacute; fonte primordial da organiza&ccedil;&atilde;o social; &eacute; aut&oacute;nomo, pois n&atilde;o presta contas a ningu&eacute;m; adapta&#45;se a qualquer forma pol&iacute;tica ou cultural (Sahlins, 1999); desconhece fronteiras ou territ&oacute;rios. H&aacute; uma ascend&ecirc;ncia do capital como soberano universal, contra qualquer outra forma de poder. Por&eacute;m, a sua ac&ccedil;&atilde;o n&atilde;o toma uma forma "decisionista". O aspecto decisionista s&oacute; pode emanar de alguma pessoa ou organiza&ccedil;&atilde;o que encarna a soberania pol&iacute;tica. Neste contexto, os Estados encarnam esta fun&ccedil;&atilde;o administrativa da for&ccedil;a de conten&ccedil;&atilde;o, e de coer&ccedil;&atilde;o. Os Estados n&atilde;o est&atilde;o enfraquecidos, pelo contr&aacute;rio, reemergem enquanto forma p&oacute;s&#45;soberana de poder.</p>  	    <p>Por estes mesmos dispositivos, assistimos a uma "renacionaliza&ccedil;&atilde;o" da vida pol&iacute;tica. Entre todos os aspectos, n&atilde;o h&aacute; nada que incite mais o nacionalismo do que a imagem fantasmag&oacute;rica de "hordas" de imigrantes a violar as fronteiras nacionais. Se as popula&ccedil;&otilde;es exigem a constru&ccedil;&atilde;o de barreiras nas fronteiras, &eacute; porque t&ecirc;m medo: medo de perder a seguran&ccedil;a f&iacute;sica, material ou identit&aacute;ria. Um sujeito amea&ccedil;ado &eacute; um sujeito reactivo: a barreira encontra&#45;se nesta intersec&ccedil;&atilde;o entre o Estado e o sujeito.</p>  	    <p>&Eacute; neste contexto que, como resposta &agrave;s amea&ccedil;as dos fluxos indesej&aacute;veis, mas em demanda<sup><a href="#26">26</a></sup><a name="top26"></a>, as novas barreiras estatais, entre as quais as de Ceuta e Melilla, militarizam os conflitos contra os quais querem responder. No caso de Ceuta e Melilla, a constru&ccedil;&atilde;o das barreiras mostra como os "conflitos" de seguran&ccedil;a normalizados passam para as margens de um territ&oacute;rio soberano. H&aacute; uma esp&eacute;cie de reconfigura&ccedil;&atilde;o destas mesmas margens, como nos casos dos muros de Caxemira, nas terras avan&ccedil;adas da Cisjord&acirc;nia ou na apropria&ccedil;&atilde;o do Saara ocidental por Marrocos. Esta reconfigura&ccedil;&atilde;o territorial &eacute; tamb&eacute;m uma performance pol&iacute;tica, que consiste em teatralizar a solu&ccedil;&atilde;o de problemas mais complexos. Incompetente nos seus objectivos, faz com que os fluxos se adaptem em novas rotas, mais perigosas.</p>  	    <p><b>Conclus&atilde;o</b></p>  	    <p>As v&aacute;rias dimens&otilde;es das fronteiras de Ceuta e Melilla, ou seja, nacionais, continentais e culturais, n&atilde;o s&atilde;o fruto da constru&ccedil;&atilde;o recente das suas barreiras, mas t&ecirc;m uma longa hist&oacute;ria que se inicia com o per&iacute;odo da <i>reconquista</i> e da expans&atilde;o de poderes a partir da pen&iacute;nsula ib&eacute;rica. No entanto, a constru&ccedil;&atilde;o material de barreiras nestes enclaves participa do contexto de cria&ccedil;&atilde;o de uma Europa face ao continente africano. A uni&atilde;o pol&iacute;tica desta Europa se constr&oacute;i a conjugar atitudes de abertura e de fechamento das suas fronteiras que podem parecer contradit&oacute;rias. &Eacute; dentro desta din&acirc;mica entre encerramento e abertura que uma fortaleza burocr&aacute;tica e cultural foi rapidamente constru&iacute;da com o uso de discursos ancestrais, e m&eacute;todos modernos de vigil&acirc;ncia. Sobrep&otilde;em&#45;se, e direccionam&#45;se por outros caminhos, argumentos nacionalistas tanto em Espanha como em Marrocos sobre a disputa destes enclaves, e a gest&atilde;o burocr&aacute;tica de fronteiras supranacionais cuja tecnologia de vigil&acirc;ncia tem o respaldo de interesses europeus. Longe das metr&oacute;poles, os corpos s&atilde;o disciplinados, e conjuntos de pessoas s&atilde;o seleccionados atrav&eacute;s de uma rede montada por aparelhos de Estado com sobressaltos ideol&oacute;gicos conjunturais. Eis que as barreiras constru&iacute;das nas fronteiras de Ceuta e Melilla n&atilde;o constituem uma situa&ccedil;&atilde;o id&ecirc;ntica &agrave;s outras, mas numa pol&iacute;tica de coer&ccedil;&atilde;o dos movimentos por uma multiplicidade de m&eacute;todos podemos encontrar uma s&eacute;rie de semelhan&ccedil;as estruturais. A exist&ecirc;ncia dessas barreiras em Ceuta e Melilla n&atilde;o contradiz a economia pol&iacute;tica contempor&acirc;nea, no sentido em que n&atilde;o est&aacute; essencialmente contra uma certa l&oacute;gica de circula&ccedil;&atilde;o controlada, onde certos fluxos t&ecirc;m privil&eacute;gio de passagem e perman&ecirc;ncia por fronteiras, em detrimento de outros.</p>  	    <p>A afirma&ccedil;&atilde;o de que imperativos de seguran&ccedil;a incitam a fortifica&ccedil;&atilde;o, tamb&eacute;m &eacute; duvidosa. Hoje, a seguran&ccedil;a n&atilde;o exige a restri&ccedil;&atilde;o, mas pelo contr&aacute;rio, a circula&ccedil;&atilde;o: o alarme e a vigil&acirc;ncia s&atilde;o mais importantes do que muros blindados. Eis o sentido das "barreiras" de Ceuta e Melilla, que afinal s&atilde;o grades para se poder ver o que se passa do outro lado.</p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> 	    <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>  	    <!-- ref --><p>Balibar, E. (2004). <i>We, the people of Europe: Reflections on transnational citizenship</i>. Princeton University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000075&pid=S1645-3794201100020000800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	    <!-- ref --><p>Berg, E., &amp; Piret, E. (2006). What kind of border regime is in the making? Towards a differentiated and uneven border strategy. <i>Cooperation and Conflict</i>, <i>41</i> (1), 53&#45;71.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000077&pid=S1645-3794201100020000800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	    <p>Braudel, F. (1979). <i>La M&eacute;diterran&eacute;e et le monde m&eacute;diterran&eacute;en &agrave; l&rsquo;&eacute;poque de Philippe II</i>. Paris: Armand Collin.</p>  	    <!-- ref --><p>Brown, W. (2009). <i>Murs: Les murs de s&eacute;paration et le d&eacute;clin de la souverainet&eacute; &eacute;tatique</i>. Paris: Les Prairies Ordinaires.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000080&pid=S1645-3794201100020000800004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	    <!-- ref --><p>Calavita, K. (2005). <i>Immigrants at the margins: Law, race and exclusion in Southern Europe</i>. Cambridge University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000082&pid=S1645-3794201100020000800005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	    <!-- ref --><p>Comaroff, J., &amp; Comaroff, J. (2000) <i>Millennial capitalism and the culture of neoliberalism.</i> Duke University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000084&pid=S1645-3794201100020000800006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	    <p>Dieste, J. L. M. (2010). Melilla. Paradojas de la identidad en un espacio de frontera. In M. Ventura (Org.), <i>Fronteras y mestizajes, sistemas de clasificaci&oacute;n social en Europa, Am&eacute;rica y&Aacute;frica</i> (71&#45;84). Barcelona: Publicacions d&rsquo;Antropologia Social.</p>  	    <!-- ref --><p>Driessen, H. (1992). On the Spanish&#45;Moroccan frontier: A study in ritual, power and ethnicity. In B. Bender, J. Glendhill, &amp; B. Kapferer (Eds.), <i>Explorations in AnthropologySeries</i>. Oxford: Berg.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000087&pid=S1645-3794201100020000800008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	    <!-- ref --><p>Elias, N. (1978). <i>The civilizing process</i>. Oxford: Blackwell.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000089&pid=S1645-3794201100020000800009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	    <!-- ref --><p>European Commission. (2005). <i>Technical mission to Morocco, visit to Ceuta and Melilla, onillegal immigration, 7th October &#45; 11th October 2005</i>. Bruxelas: Author.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000091&pid=S1645-3794201100020000800010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Feldman&#45;Bianco, B. (2002). Entre a "fortaleza" da Europa e os la&ccedil;os afetivos da "irmandade" luso&#45;brasileira: Um drama familiar em um s&oacute; ato. In C. Bastos, M. Vale de Almeida, &amp; B. Feldman&#45;Bianco (Orgs.), <i>Tr&acirc;nsitos coloniais: Di&aacute;logos cr&iacute;ticos luso&#45;brasileiros</i> (pp. 385&#45;415). Lisboa: Imprensa de Ci&ecirc;ncias Sociais.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000093&pid=S1645-3794201100020000800011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	    <!-- ref --><p>Ferrer&#45;Gallardo, X. (2008). The Spanish&#45;Moroccan border complex: Processes of geopolitical, functional and symbolic rebordering. <i>Political Geography</i>, <i>27</i>, pp. 301&#45;321.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000095&pid=S1645-3794201100020000800012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	    <!-- ref --><p>Foucault, M (1976). <i>Histoire de la sexualit&eacute;:t. 1. La volont&eacute; de savoir</i>. Paris: Gallimard.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000097&pid=S1645-3794201100020000800013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	    <!-- ref --><p>Frois, C. (2008). <i>A sociedade vigilante: Ensaios sobre identifica&ccedil;&atilde;o, vigil&acirc;ncia e privacidade</i>. Lisboa: Imprensa de Ci&ecirc;ncias Sociais.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000099&pid=S1645-3794201100020000800014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	    <p>Hajjaji, T. (1986). <i>Le ph&eacute;nom&egrave;ne de la contrebande au Maroc</i>. Rabat: &Eacute;cole Nationale de l&rsquo;Administration Publique.</p>  	    <!-- ref --><p>Hansen, P. (2004). In the name of Europe. <i>Race and Class</i>, <i>45</i> (3), 49&#45;62.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000102&pid=S1645-3794201100020000800016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	    <!-- ref --><p>Low, S. M. (2003). The edge and the center: Gated communities and the discourse of urban fear. In S. M. Low, M. E. Setha, &amp; D. Lawrence&#45;Z&uacute;&ntilde;iga, <i>The anthropology of space andplace: Locating culture</i> (pp. 387&#45;407). Oxford: Blackwell Publishing.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000104&pid=S1645-3794201100020000800017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	    <!-- ref --><p>Marks, T. A. (1976). Spanish Sahara, background to conflict. <i>African Affairs</i>, <i>75</i> (298), 3&#45;13.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000106&pid=S1645-3794201100020000800018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	    <!-- ref --><p>MIGREUROP (2004). <i>SIVE: Blindage &eacute;lectronique des fronti&egrave;res espagnoles</i>. Acedido em 21 Junho, 2010, de <a href="http://www.migreurop.org/article626.html" target="_blank">http://www.migreurop.org/article626.html</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000108&pid=S1645-3794201100020000800019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>MIGREUROP (2009). <i>El libro negro de Ceuta y Melilla</i>. Acedido em 15 Junho, 2010, de <a href="http://www.migreurop.org/article1068.html?var_recherche=livre%20noir" target="_blank">http://www.migreurop.org/article1068.html?var_recherche=livre%20noir</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000109&pid=S1645-3794201100020000800020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	    <!-- ref --><p>Mountz, A., <i>et al.</i> (2002). Lives in limbo: Temporary protected status and immigrant identities. <i>Global Networks</i>, <i>2</i> (4), 335&#45;356.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000111&pid=S1645-3794201100020000800021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Roeder, P. G. (2003). Clash of civilizations and escalation of domestic ethnopolitical conflicts. <i>Comparative Political Studies</i>, <i>36</i> (5), 509&#45;540.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000113&pid=S1645-3794201100020000800022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	    <p>Saddiki, S. (2009). Espagne, l&rsquo;enjeu cach&eacute; des cl&ocirc;tures de Ceuta et Melilla. <i>Le Devoir</i>, 26 de Outubro. Acedido em 21 Junho, 2010, de <a href="http://www.passpack.biz/international/europe/273592/espagne-l-enjeu-cache-des-clotures-de-ceuta-et-melilla" target="_blank">http://www.passpack.biz/international/europe/273592/espagne&#45;l&#45;enjeu&#45;cache&#45;des&#45;clotures&#45;de&#45;ceuta&#45;et&#45;melilla</a>.</p>  	    <!-- ref --><p>Sahlins, M. (1999). What is anthropological enlightenment? Some lessons of the twentieth century. <i>Annual Review of Anthropology</i>, 28, i&#45;xxiii.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000116&pid=S1645-3794201100020000800024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	    <!-- ref --><p>Schmitt, C. (2008). <i>Political theology</i>. Cambridge: Polity Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000118&pid=S1645-3794201100020000800025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	    <!-- ref --><p>Sparke, M. (2006). A neoliberal nexus: Economic security and the biopolitics of citizenship of the border. <i>Political Geography</i>, <i>25</i> (2), 151&#45;180.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000120&pid=S1645-3794201100020000800026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	    <!-- ref --><p>Stanton, G. (1994). The play of identity: Gibraltar and its migrants. In J. Goddard, R. Llobera, &amp; C. Shore, <i>The anthropology of Europe: Identities and boundaries in conflict</i> (pp. 173&#45;190). Oxford: Berg Publishers.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000122&pid=S1645-3794201100020000800027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	    <!-- ref --><p>Van Hotum, H., &amp; Pijpers, R. (2005). Towards a gated community. Acedido em 15 Setembro, 2011, de <i>Eurozine</i>: <a href="http://www.eurozine.com/articles/2005-01-12-houtumpijpers-en.html" target="_blank">http://www.eurozine.com/articles/2005&#45;01&#45;12&#45;houtumpijpers&#45;en.html</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000124&pid=S1645-3794201100020000800028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Wesseling, H. (2009). <i>Les empires coloniaux europ&eacute;ens (1815&#45;1919)</i>. Paris: Gallimard.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000125&pid=S1645-3794201100020000800029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p> 	    <p>&nbsp;</p> 	    <p><i>Recebido 4 de Abril de 2011; Aceite para publica&ccedil;&atilde;o 28 de Outubro de 2011</i></p> 	    <p>&nbsp;</p> 	    <p><b>Notas</b></p> 	    <p><sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></sup> Este artigo baseia&#45;se na minha tese de mestrado em antropologia social e cultural: Figueiredo, P. (2010). <i>Parauma antropologia da fronteira: Muros, redes e passagens em Ceuta e Melilla</i>. Tese de mestrado n&atilde;o publicada, Instituto de Ci&ecirc;ncias Sociais, Universidade de Lisboa, Lisboa, Portugal.</p> 	    <p><sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></sup> <i>BBC News Africa</i>, 29 de Setembro de 2005. Em <a href="http://nes.bbc.co.uk/2/hi/africa/4292840.stm" target="_blank">http://nes.bbc.co.uk/2/hi/africa/4292840.stm</a>.</p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></sup> Assim s&atilde;o chamados os numerosos territ&oacute;rios ao norte do continente africano que possu&iacute;a a coroa espanhola desde a reconquista, em 1492. Muitos foram perdidos, como Ouran, e a pr&oacute;pria cidade de Ceuta foi temporariamente portuguesa (1415&#45;1480). Hoje, as <i>plazas de soberania</i> dividem&#45;se entre <i>plazas menores</i>, que s&atilde;o as ilhas Chafarinas, a ilha de Perejil, o Pe&ntilde;&oacute;n de Alhucemas e o Pe&ntilde;&oacute;n de V&eacute;lez de la Gomera, e <i>plazas mayores</i>, que s&atilde;o as cidades aut&oacute;nomas de Ceuta e Melilla. Todos esses territ&oacute;rios est&atilde;o situados ora na costa do norte de Marrocos, ora no mar Mediterr&acirc;neo.</p>         <p><sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></sup> Sobreponho um foco maior no enclave de Ceuta pois foi onde fiz as observa&ccedil;&otilde;es que guiaram a minha reflex&atilde;o. Para uma etnografia concisa sobre o enclave de Melilla, cf. Driessen (1992).</p>         <p><sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></sup> O paradigma do conceito de fronteira na historiografia ocidental foi lan&ccedil;ado por Frederick Jackson Turner que, em <i>The significance of the frontier</i> (1893), escreveu sobre a expans&atilde;o do Oeste nos Estados Unidos da Am&eacute;rica. Turner definiu a fronteira como uma "natureza selvagem" a ser conquistada. Logo em 1897, Frederick Ratzel inauguraria a recupera&ccedil;&atilde;o desta ideia numa perspectiva de darwinismo social para justificar a expans&atilde;o colonial. Foi sob o seu paradigma que o norte de &Aacute;frica apareceu no debate nacional espanhol como sendo uma alternativa "lebensraum" (espa&ccedil;o habit&aacute;vel). Cf. Ferrer&#45;Gallardo (2008).</p>         <p><sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></sup> Fundada em 26 de Outubro de 2004 e sediada em Vars&oacute;via, a Frontex (do franc&ecirc;s "<i>fronti&egrave;res ext&eacute;rieures</i>") &eacute; a agencia da Comunidade Europeia para a seguran&ccedil;a nas fronteiras externas, coordenando as guardas de fronteira nacionais. Ainda em constru&ccedil;&atilde;o, a ag&ecirc;ncia conta com a colabora&ccedil;&atilde;o de aparatos policiais e militares oriundos de pa&iacute;ses europeus. Quando a Frontex se estabeleceu, as fortifica&ccedil;&otilde;es de Ceuta e Melilla estavam praticamente terminadas. Cf. <a href="http://www.frontex.europa.eu/" target="_blank">http://www.frontex.europa.eu/</a></p>         <p><sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></sup> Em 1995 foi assinada a Declara&ccedil;&atilde;o de Barcelona, onde parceiros euro&#45;mediterr&acirc;nicos concordaram em estabelecer uma &Aacute;rea de Livre Mercado Euro&#45;Mediterr&acirc;nico, que seria estabelecida por volta do ano 2010.</p>         <p><sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></sup> Numa perspectiva de longa hist&oacute;ria, estes processos foram abordados por Braudel (1979).</p>         <p><sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></sup> Oficialmente, designa na l&iacute;ngua castelhana todo o tipo de embarca&ccedil;&atilde;o pequena. O termo tem sido, por&eacute;m, popularizado na imprensa internacional como maneira de referir&#45;se aos barcos usados por migrantes irregulares que pretendem, muitas vezes sem sucesso, atingir as costas europeias.</p>         <p><sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></sup> N&atilde;o terei aqui espa&ccedil;o para passar detalhadamente todos os tratados e acordos (como o tratado de Amesterd&atilde;o ou os acordos de Tampere). Escolhi tr&ecirc;s modos gerais de gest&atilde;o europeia das fronteiras externas para esta abordagem espec&iacute;fica, tendo em vista trazer material suficiente para debater as quest&otilde;es levantadas mais abaixo sobre a "fortaleza europeia". Quanto a acordos bilaterais entre o Estado espanhol e pa&iacute;ses africanos, ver o Plano &Aacute;frica (2009&#45;2012) recentemente reelaborado, e cuja primeira implanta&ccedil;&atilde;o fora em 2005, em <a href="http://www.maec.es/es/Home/Documents/PLANAFRICA09_12PT.pdf" target="_blank">http://www.maec.es/es/Home/Documents/PLANAFRICA09_12PT.pdf</a></p>         <p><sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></sup> Este tratado implementou o mercado comum da Comunidade Econ&oacute;mica Europeia, e a Comunidade Europeia de Energia At&oacute;mica.</p>         <p><sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></sup> Existem processos vinculados que n&atilde;o fazem parte do acordo de Schengen propriamente dito: se por um lado existem regulamenta&ccedil;&otilde;es europeias que s&atilde;o directamente aplicadas, por outro, as directivas s&atilde;o mais ou menos incorporadas de acordo com cada legisla&ccedil;&atilde;o nacional.</p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></sup> Como veremos mais abaixo, esta pol&iacute;tica de vizinhan&ccedil;a faz parte de um processo de "externaliza&ccedil;&atilde;o" das fronteiras europeias. Cf. <a href="http://www.europaforum.public.lu/fr/actualites/2009/11/conf-claire-rodier/index.html" target="_blank">http://www.europaforum.public.lu/fr/actualites/2009/11/conf&#45;claire&#45;rodier/index.html</a></p>         <p><sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></sup> Na cidade de Ceuta, por exemplo, &eacute; poss&iacute;vel verificar a presen&ccedil;a massiva de est&aacute;tuas e s&iacute;mbolos que comemoram o levantamento nacionalista, como homenagem ao militarismo franquista.</p>         <p><sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></sup> Actualmente os CETI est&atilde;o superlotados, e algumas tendas da Cruz Vermelha operam no local para garantir uma infra&#45;estrutura m&iacute;nima para os migrantes acolhidos. Cf. ABC, 14 de Outubro de 2011, "El CETI de Melilla mantiene una alta ocupaci&oacute;n con 850 inmigrantes". Em <a href="http://www.abc.es/agencias/noticia.asp?noticia=961310" target="_blank">http://www.abc.es/agencias/noticia.asp?noticia=961310</a></p>         <p><sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></sup> H&aacute; outras regi&otilde;es com estat&iacute;sticas de mortes crescentes por afogamento que n&atilde;o o Mediterr&acirc;neo, como por exemplo nos rios que correm no leste europeu. Cf. <i>Forschungsgesellschaft Flucht und Migration</i> em <a href="http://www.ffm-berlin.de/" target="_blank">http://www.ffm&#45;berlin.de/</a></p>         <p><sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></sup> O pacto de "parceria global com os pa&iacute;ses de origem e de tr&acirc;nsito", em nome da "sinergia entre migra&ccedil;&otilde;es e desenvolvimento" foi assinado por todos os pa&iacute;ses membros da C. E. em Setembro de 2008, sob a presid&ecirc;ncia francesa da Uni&atilde;o Europeia. Ver <i>Le Monde Diplomatique</i>, Junho de 2010, "Comment l&rsquo;Union Europ&eacute;enne enferme ses voisins".</p>         <p><sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></sup> A cimeira de chefes de Estado em Sevilha em 2002 declarou a luta contra a imigra&ccedil;&atilde;o ilegal como sendo prioridade da Uni&atilde;o nas suas negocia&ccedil;&otilde;es com os pa&iacute;ses vizinhos. Ver <a href="http://www.publico.pt/Mundo/cimeira-europeia-de-sevilha-vai-tomar-medidas-para-combater-imigracao-ilegal_148490" target="_blank">http://www.publico.pt/Mundo/cimeira&#45;europeia&#45;de&#45;sevilha&#45;vai&#45;tomar&#45;medidas&#45;para&#45;combater&#45;imigracao&#45;ilegal_148490</a>. Sobre estatuto avan&ccedil;ado U. E. &#150; Marrocos, ver <a href="http://www.elmundo.es/elmundo/2009/03/17/union_europea/1237314709.html" target="_blank">http://www.elmundo.es/elmundo/2009/03/17/union_europea/1237314709.html</a></p>         <p><sup><a name="19"></a><a href="#top19">19</a></sup> <i>El Pa&iacute;s</i>, 17 de Maio de 2010, "Marruecos pide a Espa&ntilde;a negociar el fin de la &lsquo;ocupaci&oacute;n&rsquo; de Ceuta e Melilla". Em <a href="http://www.elpais.com/articulo/espana/Marruecos/pide/Espana/negociar/fin/ocupacion/Ceuta/Melilla/elpepu esp/20100517elpepunac_27/Tes" target="_blank">http://www.elpais.com/articulo/espana/Marruecos/pide/Espana/negociar/fin/ocupacion/Ceuta/Melilla/elpepu esp/20100517elpepunac_27/Tes</a></p>         <p><sup><a name="20"></a><a href="#top20">20</a></sup> <i>El Pa&iacute;s</i>, 22 de Abril de 2010, "Protesta de Espa&ntilde;a a Rabat por decir que Melilla est&aacute; &laquo;ocupada&raquo;". Em <a href="http://www.elpais.com/articulo/espana/Protesta/Espana/Rabat/decir/Melilla/ocupada/elpepiesp/20100422elpepinac_16/Tes" target="_blank">http://www.elpais.com/articulo/espana/Protesta/Espana/Rabat/decir/Melilla/ocupada/elpepiesp/20100422elpepinac_16/Tes</a></p>         <p><sup><a name="21"></a><a href="#top21">21</a></sup> <i>El Mundo</i>, 1 de Novembro de 2007, "Los Reyes ir&aacute;n el lunes por primera vez a Ceuta y Melilla". Em <a href="http://www.elmundo.es/papel/2007/11/01/espana/2249388.html" target="_blank">http://www.elmundo.es/papel/2007/11/01/espana/2249388.html</a></p>         <p><sup><a name="22"></a><a href="#top22">22</a></sup> <i>Aujourd&rsquo;hui Maroc</i>, 6 de Novembro de 2010, "La provocation coloniale de Juan Carlos &agrave; Sebta et &agrave; Melilla suscite une vive col&egrave;re et une large indignation chez les Marocains". Em <a href="http://www.maghress.com/fr/aujourdhui/57790" target="_blank">http://www.maghress.com/fr/aujourdhui/57790</a></p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="23"></a><a href="#top23">23</a></sup> A guerra das Malvinas op&ocirc;s os ex&eacute;rcitos da Argentina e do Reino Unido em 1982, pela disputa de soberania destes arquip&eacute;lagos que s&atilde;o dom&iacute;nios brit&acirc;nicos desde 1833.</p>         <p><sup><a name="24"></a><a href="#top24">24</a></sup> Esta antiga col&oacute;nia espanhola foi anexada por Marrocos em 1975.</p>         <p><sup><a name="25"></a><a href="#top25">25</a></sup> Ver "i", 31 de Maio de 2010, "Cimeira de Granada inaugurou novo cap&iacute;tulo nas rela&ccedil;&otilde;es entre marroquinos e europeus". Em <a href="http://www.ionline.pt/conteudo/62307-cimeira-granada-inaugurou-novo-capitulo-nas-relacoes-marroquinos-e-europeus" target="_blank">http://www.ionline.pt/conteudo/62307&#45;cimeira&#45;granada&#45;inaugurou&#45;novo&#45;capitulo&#45;nas&#45;relacoes&#45;marroquinos&#45;e&#45;europeus</a></p>         <p><sup><a name="26"></a><a href="#top26">26</a></sup> Por exemplo, no caso ir&oacute;nico da <i>Golden State Fence Company</i>, que construiu parte significativa do muro na fronteira entre a Carolina do Sul e o M&eacute;xico, e foi acusada tr&ecirc;s vezes, num per&iacute;odo de dez anos, de ter empregado centenas de oper&aacute;rios sem documentos. Em <a href="http://www.npr.org/templates/story/story.php?storyId=6626823" target="_blank">http://www.npr.org/templates/story/story.php?storyId=6626823</a></p>      ]]></body><back>
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