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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Formação de Quadros Superiores Moçambicanos em Portugal: Trajetórias, identidades e redes sociais]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article analyzes the individual and family trajectories of Mozambicans who have attended universities in Portugal. It seeks to understand the factors that have influenced their educational background and the impact that higher education in Portugal has had in terms of their identity formation. The paper also analyzes issues related to the cooperative social networks influencing their decision to pursue higher education in Portugal, their integration into Portuguese society, and their subsequent reintegration and professional careers in Mozambique. Finally, the article addresses the impact that higher education of Mozambicans in Portugal has had on the national development of Mozambique.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[  	    <p><b>Forma&ccedil;&atilde;o de Quadros Superiores 	Mo&ccedil;ambicanos em Portugal: Trajet&oacute;rias, identidades e redes sociais</b></p>  	    <p><b>Ana B&eacute;nard da Costa</b>*</p>  	    <p>*Instituto Universit&aacute;rio de Lisboa (ISCTE&#45;IUL), 	&nbsp;Centro de Estudos Africanos &#45; IUL, Portugal</p>  	    <p><a href="mailto:ana.benard.costa@iscte.pt">ana.benard.costa@iscte.pt</a></p> 	    <p>&nbsp;</p> 	    <p><b>Resumo</b></p>  	    <p>Neste artigo analisam&#45;se as trajet&oacute;rias individuais e familiares de quadros superiores mo&ccedil;ambicanos formados em Portugal, procurando compreender os fatores que influenciaram os seus percursos escolares e qual o impacto da experi&ecirc;ncia de forma&ccedil;&atilde;o em Portugal ao n&iacute;vel dos processos de estrutura&ccedil;&atilde;o identit&aacute;rios. Reflete&#45;se sobre as redes sociais e de coopera&ccedil;&atilde;o no dom&iacute;nio do ensino superior que influenciaram a ida, a integra&ccedil;&atilde;o em Portugal e posteriormente a reintegra&ccedil;&atilde;o e os percursos profissionais dos informantes em Mo&ccedil;ambique. Por &uacute;ltimo, a an&aacute;lise aborda quest&otilde;es relacionadas com o impacto da forma&ccedil;&atilde;o superior de mo&ccedil;ambicanos em Portugal no processo de desenvolvimento de Mo&ccedil;ambique.</p>  	    <p>Palavras&#45;chave: forma&ccedil;&atilde;o superior, Mo&ccedil;ambique, Portugal, identidades, redes sociais, desenvolvimento</p> 	    <p>&nbsp;</p> 	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Mozambicans in the Portuguese higher&#45;education system: Trajectories, identities and social networks</b></p> 	    <p><b>Abstract</b></p> 	    <p>This article analyzes the individual and family trajectories of Mozambicans who have attended universities in Portugal. It seeks to understand the factors that have influenced their educational background and the impact that higher education in Portugal has had in terms of their identity formation. The paper also analyzes issues related to the cooperative social networks influencing their decision to pursue higher education in Portugal, their integration into Portuguese society, and their subsequent reintegration and professional careers in Mozambique. Finally, the article addresses the impact that higher education of Mozambicans in Portugal has had on the national development of Mozambique.</p>  	    <p>Keywords: higher education, Mozambique, Portugal, identities, social networks, development</p>  	    <p>&nbsp;</p>  	    <p>A presente an&aacute;lise resulta de uma investiga&ccedil;&atilde;o realizada no &acirc;mbito do projeto interdisciplinar "Forma&ccedil;&atilde;o superior e desenvolvimento: Coopera&ccedil;&atilde;o portuguesa com os PALOP" (2010&#45;2012). Este projeto tem como principal objetivo identificar a import&acirc;ncia da forma&ccedil;&atilde;o avan&ccedil;ada na concretiza&ccedil;&atilde;o de projetos pessoais e, de uma forma mais abrangente, no pr&oacute;prio processo de desenvolvimento dos PALOP, assim como contribuir para uma an&aacute;lise cr&iacute;tica da coopera&ccedil;&atilde;o portuguesa neste campo de a&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fico.</p>  	    <p>O projeto foi desenhado com base em pesquisas anteriores (Costa, 2012, 2010, 2009a, 2009b, 2006&#45;07; Faria, 2012, 2011a, 2011b, 2010a, 2010b, 2009a, 2009b) e em que este incide.</p>  	    <p>Relativamente aos estudantes e quadros superiores mo&ccedil;ambicanos, as pesquisas anteriores e as realizadas no &acirc;mbito do projeto em curso e acima referido, permitiram a recolha de dados emp&iacute;ricos entre os anos de 2003 e 2011 e que foram obtidos em Portugal e em Mo&ccedil;ambique (Maputo e Nampula). Nestes dois pa&iacute;ses realizaram&#45;se trabalhos de campo com estudantes universit&aacute;rios e quadros superiores, muitos destes tendo frequentado universidades em Portugal.</p>  	    <p>O facto de a presente an&aacute;lise estar enquadrada por um projeto interdisciplinar implicou que se elaborasse um conjunto de instrumentos de pesquisa e de an&aacute;lise comuns, nomeadamente gui&otilde;es de entrevista e grelhas de an&aacute;lise que foram aplicados a informantes dos cinco pa&iacute;ses.</p>  	    <p>No presente artigo analisam&#45;se dados de tr&ecirc;s informantes relativos &agrave;s suas hist&oacute;rias de vida e de fam&iacute;lia que foram recolhidos em 2005, 2007 e 2010, o que permitiu ter uma perspetiva das suas trajet&oacute;rias atrav&eacute;s de diferentes relatos obtidos em anos e lugares diferentes (Portugal e Mo&ccedil;ambique). A par desses dados, este artigo baseia&#45;se num trabalho de campo efetuado em Maputo e Nampula, em dezembro de 2010, onde se realizaram entrevistas aprofundadas e hist&oacute;rias de vida e de fam&iacute;lia a mais 17 informantes<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>. Todos os informantes, escolhidos por conveni&ecirc;ncia ou atrav&eacute;s do sistema "bola de neve", realizaram a sua forma&ccedil;&atilde;o superior em Portugal entre os anos de 1990 e 2011.</p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Neste artigo procura&#45;se compreender quais os fatores que ao n&iacute;vel familiar e pol&iacute;tico influenciaram os percursos escolares destes informantes e a sua desloca&ccedil;&atilde;o para Portugal e qual o impacto desta estadia em termos dos processos de estrutura&ccedil;&atilde;o identit&aacute;rios e da constitui&ccedil;&atilde;o de redes sociais, acad&eacute;micas ou de coopera&ccedil;&atilde;o com implica&ccedil;&otilde;es futuras nos seus percursos profissionais. Por &uacute;ltimo, analisam&#45;se as opini&otilde;es relativas ao contributo que a forma&ccedil;&atilde;o adquirida em Portugal teve, ou tem, no processo de desenvolvimento de Mo&ccedil;ambique.</p>  	    <p>A escolha do in&iacute;cio dos anos 90 para a investiga&ccedil;&atilde;o do projeto referido justifica&#45;se pelo facto de os processos de liberaliza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e econ&oacute;mica j&aacute; se terem iniciado nessa d&eacute;cada nestes pa&iacute;ses africanos (alguns iniciaram este processo na d&eacute;cada anterior), que abandonavam ent&atilde;o os modelos de inspira&ccedil;&atilde;o socialista seguidos desde a independ&ecirc;ncia. Estas mudan&ccedil;as trouxeram fundamentais transforma&ccedil;&otilde;es, nomeadamente em termos dos destinos de forma&ccedil;&atilde;o dos quadros desses pa&iacute;ses (inicialmente dirigiam&#45;se sobretudo para os pa&iacute;ses do Bloco Socialista e depois da liberaliza&ccedil;&atilde;o passaram a ir para os pa&iacute;ses ocidentais) e da menor influ&ecirc;ncia que os governos nacionais passaram a exercer sobre as trajet&oacute;rias individuais e profissionais dos seus cidad&atilde;os. Simultaneamente, &eacute; a partir dessa d&eacute;cada que se iniciam as grandes transforma&ccedil;&otilde;es no mundo universit&aacute;rio. H&aacute; um reconhecimento geral e progressivo de que o conhecimento &eacute; essencial para o desenvolvimento social e econ&oacute;mico e este novo paradigma passa a dominar crescentemente as interven&ccedil;&otilde;es internacionais (Lopes, 2008).</p>  	    <p>A coopera&ccedil;&atilde;o ao n&iacute;vel do ensino superior que ainda no in&iacute;cio dos anos 90 consistia, sobretudo, em programas de bolsas que suportavam a desloca&ccedil;&atilde;o de acad&eacute;micos africanos para as universidades europeias e americanas, transforma&#45;se com a inclus&atilde;o progressiva e ainda em curso de outras vertentes, nomeadamente programas internacionais que ligam entre si universidades de diferentes pa&iacute;ses (EDULINK) e programas de interc&acirc;mbio de estudantes (Erasmus&#45;Mundo). Simultaneamente a coopera&ccedil;&atilde;o universit&aacute;ria baseia&#45;se cada vez mais em programas atuantes, num sistema de credita&ccedil;&atilde;o do trabalho acad&eacute;mico e de cursos comum, e na articula&ccedil;&atilde;o dos v&aacute;rios graus obtidos (Carvalho, 2011). Esses sistemas, nomeadamente o "Processo de Bolonha", est&atilde;o a ser implementados em alguns pa&iacute;ses africanos embora a ritmos diferentes e com alguns retrocessos<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>.</p>  	    <p><b>Trajet&oacute;rias familiares e percursos escolares</b></p>  	    <p>Como mencionado, esta an&aacute;lise baseia&#45;se essencialmente num trabalho de campo realizado em Maputo e Nampula em dezembro de 2010 no decorrer do qual foram entrevistados 20 informantes, sendo que tr&ecirc;s destes j&aacute; tinham sido objeto de estudo em anos anteriores.</p>  	    <p>Pertencendo a gera&ccedil;&otilde;es diferentes e com idades compreendidas entre os 21 e os 50 anos (cerca de metade com menos de 35 anos), estas oito mulheres e doze homens, maioritariamente professores universit&aacute;rios (11)<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>, experimentaram viv&ecirc;ncias diversas tanto ao n&iacute;vel das suas trajet&oacute;rias pessoais e familiares, como em termos de forma&ccedil;&atilde;o e ainda ao n&iacute;vel dos seus percursos profissionais.</p>  	    <p>Se alguns t&ecirc;m mem&oacute;rias do per&iacute;odo colonial, e da &eacute;poca socialista, outros, mais jovens, de todo esse passado s&oacute; sabem o que ouviram contar. Se uns nasceram em fam&iacute;lias letradas com pais e av&oacute;s que frequentaram a escola e at&eacute; o ensino superior, outros t&ecirc;m progenitores que nunca foram &agrave; escola ou que a frequentaram por poucos anos. Se alguns s&atilde;o citadinos, outros nasceram no meio rural, e se h&aacute; os que referem que nunca passaram priva&ccedil;&otilde;es h&aacute; tamb&eacute;m aqueles que recordam tempos dif&iacute;ceis.</p>  	    <p>Apesar de todas as diversidades, h&aacute; algumas ocorr&ecirc;ncias comuns em termos da educa&ccedil;&atilde;o formal e do acesso a uma forma&ccedil;&atilde;o superior que importa destacar.</p>  	    <p>Para al&eacute;m de partilharem o facto de terem pelo menos uma licenciatura e de durante alguns anos das suas vidas terem vivido em Portugal e a&iacute; adquirido parte ou a totalidade da forma&ccedil;&atilde;o superior que agora possuem, a maioria destes informantes (15) faz parte da primeira gera&ccedil;&atilde;o de licenciados da respetiva fam&iacute;lia. Dos cinco informantes que t&ecirc;m pelo menos um dos progenitores licenciados, tr&ecirc;s t&ecirc;m menos de 30 anos. Os dois informantes mais velhos que t&ecirc;m o pai licenciado, num dos casos este progenitor formou&#45;se j&aacute; em adulto e no outro adquiriu uma forma&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia no tempo colonial que posteriormente foi equiparada a curso superior: "Ele &eacute; m&eacute;dico, n&atilde;o chegou a fazer propriamente o ensino superior, aprendeu naquelas forma&ccedil;&otilde;es coloniais" (C.F., 30 anos).</p>  	    <p>Para al&eacute;m de se considerar que o facto de pertencerem ou n&atilde;o &agrave; primeira gera&ccedil;&atilde;o de licenciados da fam&iacute;lia &eacute; um elemento que permite estabelecer distin&ccedil;&otilde;es em termos de processos de mudan&ccedil;a social e cultural que ocorrem nas fam&iacute;lias dos informantes que aqui se analisam, surge importante agregar a este crit&eacute;rio um outro, relacionado com o facto de serem ou n&atilde;o descendentes de fam&iacute;lias de assimilados<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>.</p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Esta distin&ccedil;&atilde;o baseada tanto na "heran&ccedil;a" de capital escolar (Bordieu &amp; Passeron, 1964) de n&iacute;vel superior, como na heran&ccedil;a de um estatuto social e cultural, ao qual est&aacute; associado igualmente o capital escolar<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a> (embora n&atilde;o de n&iacute;vel superior), permite isolar um grupo de 15 entrevistados &#150; descendentes de fam&iacute;lias de assimilados e/ou de progenitores com curso superior &#150; dos restantes que n&atilde;o descendem de fam&iacute;lias que foram assimiladas no tempo colonial, nem de progenitores com forma&ccedil;&atilde;o superior.</p>  	    <p>Considera&#45;se a distin&ccedil;&atilde;o baseada nestes crit&eacute;rios como particularmente elucidativa dos processos de mudan&ccedil;a social e cultural que ocorreram em Mo&ccedil;ambique nestas &uacute;ltimas d&eacute;cadas e do papel que a forma&ccedil;&atilde;o superior a&iacute; desempenhou e desempenha. A estes crit&eacute;rios, a an&aacute;lise agrega posteriormente um outro relacionado com as diferentes gera&ccedil;&otilde;es de perten&ccedil;a dos informantes pela import&acirc;ncia espec&iacute;fica que os diferentes contextos hist&oacute;ricos e pol&iacute;ticos adquirem em cada &eacute;poca e para cada faixa et&aacute;ria nos respetivos processos agenciais (Faria, 2012). Os outros crit&eacute;rios que poderiam ser utilizados, nomeadamente socioecon&oacute;micos ou relacionados com as zonas geogr&aacute;ficas de origem das fam&iacute;lias dos informantes (rurais ou urbanas) e que tamb&eacute;m se mencionam adiante neste texto, ou se incorporam nos crit&eacute;rios acima mencionados ou n&atilde;o s&atilde;o relevantes para a compreens&atilde;o dos fatores que estruturam estes percursos estudantis.</p>  	    <p>O relevo dado ao facto de os informantes descenderem de progenitores com cursos superiores e/ou de fam&iacute;lias assimiladas, deriva de estes fatores permitirem afirmar a sua perten&ccedil;a a uma certa elite<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a> mo&ccedil;ambicana. Os informantes que se encontram nestas situa&ccedil;&otilde;es ocupam (os pr&oacute;prios ou os pais) uma situa&ccedil;&atilde;o de destaque em termos econ&oacute;micos, sociais e profissionais, sendo a sua posi&ccedil;&atilde;o atual na sociedade mo&ccedil;ambicana, ou resultado de estrat&eacute;gias de ascens&atilde;o social delineadas h&aacute; v&aacute;rias gera&ccedil;&otilde;es ou fruto das oportunidades de ascens&atilde;o social e econ&oacute;mica geradas no p&oacute;s&#45;independ&ecirc;ncia.</p>  	    <p>O facto de terem um progenitor com curso superior constitui, indiscutivelmente, um elemento de distin&ccedil;&atilde;o social e cultural num pa&iacute;s onde a percentagem da popula&ccedil;&atilde;o com este grau acad&eacute;mico era e ainda &eacute; muito reduzida, apesar de ter aumentado significativamente nas &uacute;ltimas duas d&eacute;cadas (em 1990 apenas 0,27 por mil habitantes tinha um curso superior, passando para 0,96 em 2002 e 2,3 em 2007) (MESCT, 2003, p. 32; INE, 2007; Costa, 2012). Igualmente, os descendentes de fam&iacute;lias que eram assimiladas no tempo colonial fazem parte de uma &iacute;nfima minoria da popula&ccedil;&atilde;o mo&ccedil;ambicana &#150; as estimativas<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a> apontam para um total de cinco mil descendentes de assimilados no final da &eacute;poca colonial, numa popula&ccedil;&atilde;o que rondaria os 8.200.000 (Sheldon, 2002, cit. in Sumich, 2008, p. 324) &#150; que durante o per&iacute;odo colonial tinha um conjunto de privil&eacute;gios que a destacava da restante e largamente maiorit&aacute;ria popula&ccedil;&atilde;o "ind&iacute;gena", nomeadamente isen&ccedil;&atilde;o de trabalhos for&ccedil;ados, acesso facilitado &agrave; resid&ecirc;ncia urbana, &agrave; educa&ccedil;&atilde;o e ao emprego, e um conjunto de direitos civis<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a>.</p>  	    <p>Por outro lado, apesar de esse estatuto referir que era necess&aacute;rio ter mais de 18 anos para poder ser assimilado, os filhos de um assimilado eram considerados assimilados e como tal o estatuto era herdado. As conota&ccedil;&otilde;es deste estatuto perduraram muito para al&eacute;m da sua aboli&ccedil;&atilde;o e as fam&iacute;lias que um dia foram assimiladas continuaram assim a ser conhecidas e a autodesignarem&#45;se mesmo ap&oacute;s a aboli&ccedil;&atilde;o do estatuto, o que explica os motivos por que muitos dos informantes referiram o facto de o pai ter sido assimilado no tempo colonial mesmo quando se referem a &eacute;pocas posteriores &agrave; aboli&ccedil;&atilde;o deste estatuto.</p>  	    <p>Se muitos dos elementos deste grupo fizeram parte da FRELIMO durante a luta pela liberta&ccedil;&atilde;o, ascendendo ap&oacute;s a independ&ecirc;ncia a lugares de poder dentro da elite pol&iacute;tica que governou o pa&iacute;s, houve outros que por n&atilde;o terem aderido &agrave; luta anticolonial foram olhados com desconfian&ccedil;a e marginalizados ou mesmo perseguidos nesse per&iacute;odo (cf. Hall &amp; Young, 1997; Pitcher, 2002). Paralelamente, muitos dos ex&#45;assimilados perderam parte do seu poder econ&oacute;mico ap&oacute;s a independ&ecirc;ncia nacional. Nomeadamente devido ao facto de as profiss&otilde;es que exerciam &#150; enfermeiros, professores, ferrovi&aacute;rios e pequenos funcion&aacute;rios p&uacute;blicos &#150; terem perdido muito do prest&iacute;gio e valor econ&oacute;mico e social que auferiam no per&iacute;odo colonial, sobretudo ap&oacute;s a liberaliza&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica mas tamb&eacute;m no per&iacute;odo socialista. Nesta &eacute;poca aqueles que eram, como os pais de um informante, senhorios, perderam as casas devido &agrave;s nacionaliza&ccedil;&otilde;es do parque imobili&aacute;rio: "Foi um momento muito marcante... o processo de desapropria&ccedil;&atilde;o foi muito complicado &#91;...&#93; T&iacute;nhamos a casa na Mafalala alugada mas perdemo&#45;la nessa altura" (N.F., 48 anos).</p>  	    <p>Tal obriga a ter cuidado com generaliza&ccedil;&otilde;es excessivas acerca do lugar hier&aacute;rquico ocupado por este grupo nas diferentes fases que se seguem ao per&iacute;odo p&oacute;s&#45;independ&ecirc;ncia. No entanto, n&atilde;o impede que se constate que a descend&ecirc;ncia de fam&iacute;lias de assimilados constitui ainda um fator gerador de distin&ccedil;&atilde;o social indissoci&aacute;vel do facto de este grupo ter tido acesso a uma certa forma&ccedil;&atilde;o escolar durante o per&iacute;odo colonial e de tal ter tido repercuss&otilde;es em termos da estratifica&ccedil;&atilde;o social observ&aacute;vel ap&oacute;s a independ&ecirc;ncia, devido, entre outros fatores, ao &ecirc;xodo dos quadros superiores de origem portuguesa e &agrave; sua substitui&ccedil;&atilde;o por quadros nacionais de n&iacute;vel m&eacute;dio. Como refere Sumich (2008, p. 337), ap&oacute;s a independ&ecirc;ncia assiste&#45;se em Mo&ccedil;ambique, e especialmente em Maputo, a um enorme aumento da mobilidade social, pois "o &ecirc;xodo dos portugueses deixara vagos praticamente todos os cargos profissionais e administrativos do pa&iacute;s e, pela primeira vez, os mo&ccedil;ambicanos viam&#45;se promovidos &agrave;s posi&ccedil;&otilde;es anteriormente ocupadas pelos colonialistas".</p>  	    <p>A import&acirc;ncia que a fam&iacute;lia assimilada e letrada assume na educa&ccedil;&atilde;o formal dos seus descendentes &eacute; ainda comprovada pelo facto de a maioria dos informantes (12) que partilham esta situa&ccedil;&atilde;o referirem que n&atilde;o constitu&iacute;ram uma exce&ccedil;&atilde;o na sua gera&ccedil;&atilde;o pois muitos dos seus irm&atilde;os tamb&eacute;m conclu&iacute;ram cursos superiores. Os entrevistados nesta situa&ccedil;&atilde;o (das v&aacute;rias faixas et&aacute;rias) fizeram ainda quest&atilde;o de salientar que n&atilde;o foi a falta de oportunidades que impediu os irm&atilde;os de frequentar a universidade quando nem todos tinham ascendido a este n&iacute;vel de ensino.</p>  	    <p>Por todos estes motivos, os descendentes de fam&iacute;lias assimiladas, para al&eacute;m de expressarem algum orgulho por esse facto, mencionam a import&acirc;ncia dada pelos seus familiares mais velhos &agrave; educa&ccedil;&atilde;o escolar e assinalam a influ&ecirc;ncia marcante dos membros da fam&iacute;lia que possu&iacute;am uma forma&ccedil;&atilde;o escolar no seu percurso estudantil.</p>  	    <p>&#91;Quem mais o influenciou?&#93; O meu tio&#45;av&ocirc; que se chamava S.L., pertencia ao primeiro grupo de professores negros formados na Manhi&ccedil;a. Tinha uma cultura muito grande e juntava latim e grego com a quarta classe &#91;...&#93;, os meus av&oacute;s quer maternos e paternos tinham uma forma&ccedil;&atilde;o escolar (L. A., homem, 50 anos).</p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os restantes entrevistados, n&atilde;o descendentes de fam&iacute;lias de assimilados ou de pais com cursos superiores, relataram que o seu percurso escolar foi uma exce&ccedil;&atilde;o na fam&iacute;lia (foram os &uacute;nicos da sua gera&ccedil;&atilde;o na fam&iacute;lia que frequentaram a universidade) e que este se deveu em grande parte a apoios familiares que, entre outros fatores, envolveram entreajudas, trocas e retribui&ccedil;&otilde;es entre os diferentes parentes.</p>  	    <p>Na minha fam&iacute;lia n&atilde;o ligavam a isso &#91;aos estudos&#93; mas os meus irm&atilde;os n&atilde;o me impediam de fazer, achavam que era bom mas nunca me incentivaram &#91;...&#93; acho que o m&eacute;rito &eacute; meu. Mas os meus irm&atilde;os trabalhavam e eu estudava, sem isso n&atilde;o teria conseguido &#91;...&#93;. &Eacute; normal este tipo de ajuda. Eu devo ao meu irm&atilde;o mais velho, tenho uma d&iacute;vida de gratid&atilde;o com ele. Ele tem dois filhos e eu vou apoi&aacute;&#45;los, tenho de apoiar (B.C., homem, 34 anos, pai, motorista nos Caminhos de Ferro de Mo&ccedil;ambique).</p>  	    <p>A rela&ccedil;&atilde;o entre o grau de escolariza&ccedil;&atilde;o dos pais dos informantes, a descend&ecirc;ncia de fam&iacute;lias assimiladas e a situa&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica que estes tiveram na inf&acirc;ncia e na juventude tamb&eacute;m pode ser constatada nesta an&aacute;lise. Assim, todos os filhos de pais licenciados ou descendentes de fam&iacute;lias de assimilados afirmaram que n&atilde;o passaram dificuldades econ&oacute;micas na inf&acirc;ncia e juventude, quer fossem jovens no tempo colonial, no per&iacute;odo socialista p&oacute;s&#45;independ&ecirc;ncia ou posteriormente, como os discursos abaixo exemplificam:</p>  	    <p>N&oacute;s somos de uma classe m&eacute;dia alta, sempre tivemos um bom Natal, roupa nova para cada festa, tivemos dinheiro para ter explica&ccedil;&otilde;es. Os meus irm&atilde;os estudaram, os mais velhos t&ecirc;m ensino superior (A.S., mulher, 27 anos, pai controlador de tr&aacute;fego a&eacute;reo na LAM, av&ocirc; assimilado).</p>  	    <p>Eu nasci em Mo&ccedil;ambique de fam&iacute;lias que para a &eacute;poca eram privilegiadas, portanto eu n&atilde;o posso dizer que fui um menino que passou fome &#91;...&#93; Em Portugal tive a grave experi&ecirc;ncia de ser oper&aacute;rio nas f&eacute;rias, fui trabalhar na f&aacute;brica de massas. E aquilo permitiu&#45;me entrar em contacto com pessoas de condi&ccedil;&atilde;o social baixa e foi um ensinamento muito grande, aprendi o que significava "trabalho" (L.A., homem, 50 anos, pai assimilado e enfermeiro no tempo colonial).</p>  	    <p>Os restantes relatam fases dif&iacute;ceis onde sofreram priva&ccedil;&otilde;es: "Houve momentos muito dif&iacute;ceis em que t&iacute;nhamos uma refei&ccedil;&atilde;o por dia e n&atilde;o era das melhores" (M.P., homem, 35 anos, &uacute;nico licenciado entre dez irm&atilde;os, filho de pais que nunca frequentaram a escola).</p>  	    <p>Para al&eacute;m desses elementos que permitem distinguir estes dois grupos, ressaltam na an&aacute;lise dos percursos de vida do conjunto dos informantes algumas semelhan&ccedil;as que se passam a destacar.</p>  	    <p>A grande maioria dos entrevistados com uma &uacute;nica exce&ccedil;&atilde;o, e independentemente da idade, frequentou escolas p&uacute;blicas ao longo da sua forma&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica e secund&aacute;ria (a exce&ccedil;&atilde;o refere&#45;se a um entrevistado que frequentou nos dois &uacute;ltimos anos do ensino secund&aacute;rio uma das in&uacute;meras escolas privadas que surgiram ap&oacute;s o processo de liberaliza&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a>). Alguns dos informantes que frequentaram a escola p&uacute;blica referiram que essa frequ&ecirc;ncia n&atilde;o esteve relacionada com quest&otilde;es econ&oacute;micas mas com princ&iacute;pios educativos que o pai incutia e com os valores por ele defendidos.</p>  	    <p>&nbsp;Sou da classe m&eacute;dia. O nosso pai &eacute; uma pessoa muito honesta, a nossa elite &eacute; muito corrupta, &#91;ele&#93; nunca roubou, n&atilde;o ostenta, ele &eacute; &#91;da classe&#93; m&eacute;dia alta. And&aacute;mos nas escolas p&uacute;blicas por op&ccedil;&atilde;o, pod&iacute;amos ir para as privadas mas o nosso pai s&oacute; queria que nos aplic&aacute;ssemos e dizia que nas privadas os professores eram id&ecirc;nticos (C.J., 35 anos, pai Diretor Provincial de Obras P&uacute;blicas, ex&#45;assimilado, com a 9&ordf; classe conclu&iacute;da no per&iacute;odo colonial, e um bacharelato em gest&atilde;o conclu&iacute;do em adulto).</p>  	    <p>Em termos das regi&otilde;es geogr&aacute;ficas onde estudaram, a maioria (14) frequentou o ensino b&aacute;sico e secund&aacute;rio em Maputo/Matola e os restantes em cidades provinciais (Inhambane, Tete, Beira, Nampula, Quelimane, Nacala). Por&eacute;m, enquanto os mais velhos (com mais de 40 anos) interromperam a sua forma&ccedil;&atilde;o ao n&iacute;vel do secund&aacute;rio ou num n&iacute;vel m&eacute;dio (deste grupo, os quatro mais velhos frequentaram todos a Escola de Forma&ccedil;&atilde;o de Professores) e s&oacute; posteriormente frequentaram o ensino superior, os mais novos prosseguiram sem grandes interrup&ccedil;&otilde;es o seu percurso escolar at&eacute; ao ensino superior e alguns para n&iacute;veis p&oacute;s&#45;graduados (mestrados).</p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Todos, &agrave; exce&ccedil;&atilde;o de um dos entrevistados, viveram com a fam&iacute;lia (nem sempre com os pais, &agrave; vezes com tios/as, av&oacute;s, irm&atilde;os mais velhos) durante a inf&acirc;ncia e juventude e at&eacute; completar o ensino secund&aacute;rio. O entrevistado que teve de sair de casa dos pais f&ecirc;&#45;lo por estes, na altura, residirem numa localidade onde j&aacute; n&atilde;o havia o n&iacute;vel de ensino que ia frequentar e posteriormente por decis&atilde;o governamental. O relato do percurso escolar deste entrevistado (com 50 anos) &eacute; elucidativo do modo como o Governo/FRELIMO condicionou de forma decisiva a forma&ccedil;&atilde;o de toda uma gera&ccedil;&atilde;o de mo&ccedil;ambicanos e, como tal, considerou&#45;se importante transcrev&ecirc;&#45;lo aqui:</p>  	    <p>O meu ensino foi todo na Zamb&eacute;zia, uma parte no Chinde, outra parte em Quelimane e outra parte na Maganja da Costa. Com o 8 de Mar&ccedil;o fui para Maputo, vivi dois anos no col&eacute;gio, um tempo fora da fam&iacute;lia. Estava no quinto ano em 1977 e vim para Maputo exatamente porque nessa altura houve uma decis&atilde;o do Governo e interromperam o sexto e s&eacute;timo anos. Enviaram as pessoas com mais forma&ccedil;&atilde;o para cursos, como por exemplo o de forma&ccedil;&atilde;o de professores. E vim para Maputo para a forma&ccedil;&atilde;o de professores de Portugu&ecirc;s. Estive um ano na faculdade, na preparat&oacute;ria e ao fim desse ano fui colocado no Niassa. Voltei em 1981 para a Faculdade de Educa&ccedil;&atilde;o para ser formado, para ensinar a s&eacute;tima, oitava e nona classes e a d&eacute;cima e d&eacute;cima primeira classes. Simultaneamente, a universidade estava preocupada com o seu pr&oacute;prio corpo docente e com o bacharelato. Na altura j&aacute; era monitor, e com o bacharelato comecei a pertencer ao quadro do corpo docente da universidade como assistente estagi&aacute;rio, e depois assistente (L.A.).</p>  	    <p>Ou seja, logo a seguir &agrave; independ&ecirc;ncia o destino deste jovem, &agrave; semelhan&ccedil;a de muitos outros da sua gera&ccedil;&atilde;o e que possu&iacute;am, como o pr&oacute;prio refere, "mais forma&ccedil;&atilde;o", foi tra&ccedil;ado pelo Governo sem qualquer influ&ecirc;ncia da sua vontade pessoal. Como refere outro entrevistado: "No ano em que terminei o proped&ecirc;utico n&atilde;o faz&iacute;amos escolhas, &eacute;ramos orientados em fun&ccedil;&atilde;o de uma orienta&ccedil;&atilde;o" (M.G., 48 anos).</p>  	    <p>Outro informante ao refletir sobre essa &eacute;poca e na forma como as decis&otilde;es governamentais condicionavam, &agrave;s vezes de forma irrevers&iacute;vel, a vida dos cidad&atilde;os, relata:</p>  	    <p>Em 1977 com a hist&oacute;ria do 8 de Mar&ccedil;o praticamente acabaram a d&eacute;cima e d&eacute;cima primeira classes. As pessoas com a nona classe tinham v&aacute;rias sa&iacute;das, ou iam fazer o proped&ecirc;utico, ou iam para curso de forma&ccedil;&atilde;o de professores, ou para institutos t&eacute;cnicos &#91;...&#93;. Outros foram levados para pa&iacute;ses do leste, tive amigos meus que foram para Cuba, que nunca mais os vi. E muitos de n&oacute;s fomos enviados para o proped&ecirc;utico que era a continua&ccedil;&atilde;o do 8 de Mar&ccedil;o, onde t&iacute;nhamos a sec&ccedil;&atilde;o de letras e de ci&ecirc;ncias. Eu fui para a sec&ccedil;&atilde;o de letras e uns anos depois fomos compulsivamente enviados para o curso de forma&ccedil;&atilde;o de professores, foi contra a nossa vontade e contra a vontade dos nossos pais mas diziam que era uma prioridade do pa&iacute;s. Havia ali crit&eacute;rios um pouco obscuros, diziam que os filhos de camponeses, oper&aacute;rios &eacute; que iam estudar para fora. E eu? Mas sou filho de qu&ecirc;?!</p>  	    <p>Ambos estes informantes (e outros da mesma gera&ccedil;&atilde;o) referiram o dia 8 de mar&ccedil;o de 1977 como uma data marcante nas suas vidas e no seu percurso estudantil, e importa aqui recordar que foi nesse dia que Samora Machel se reuniu na cidade de Maputo com estudantes, professores e respons&aacute;veis do setor da educa&ccedil;&atilde;o e anunciou a supress&atilde;o dos ent&atilde;o sexto e s&eacute;timo anos do liceu, devendo os alunos desses n&iacute;veis passar a frequentar cursos de forma&ccedil;&atilde;o de professores, cursos agr&aacute;rios, o ex&eacute;rcito ou o curso pr&eacute;&#45;universit&aacute;rio da Universidade (G&oacute;mez, 1999, p. 311). Samora Machel implementava uma medida tomada no III Congresso da FRELIMO (fevereiro de 1977) "onde se definiu a necessidade de forma&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida de quadros para todos os setores da vida social e econ&oacute;mica, como forma de assegurar a normaliza&ccedil;&atilde;o da vida em todo o pa&iacute;s" (Gebuza, 2004). Parte destes jovens foram enviados em regime de internato para um centro apelidado, exatamente, "8 de Mar&ccedil;o". Quer os jovens do Centro 8 de Mar&ccedil;o quer os restantes jovens desta gera&ccedil;&atilde;o e que tinham &agrave; volta de 20 anos ficaram conhecidos como os da <i>Gera&ccedil;&atilde;o 8 de Mar&ccedil;o</i> e foram afetados a v&aacute;rias tarefas consideradas priorit&aacute;rias para o desenvolvimento do pa&iacute;s de forma a contribuir para colmatar a falta de quadros provocada pelo &ecirc;xodo dos portugueses (Cf. Guebuza, 2004; Mosca, 2010; G&oacute;mez, 1999).</p>  	    <p>A influ&ecirc;ncia determinante do governo mo&ccedil;ambicano no destino estudantil dos cidad&atilde;os deste pa&iacute;s n&atilde;o &eacute; exclusivo &agrave; "gera&ccedil;&atilde;o 8 de Mar&ccedil;o", continua por toda a d&eacute;cada de 80, como o testemunha um outro entrevistado alguns anos mais novo:</p>  	    <p>Quando conclu&iacute; a d&eacute;cima primeira classe, na altura a minha paix&atilde;o era Economia, s&oacute; que o Governo decidiu que devia criar a escola de Jornalismo e foi assim. Eu era uma pessoa que gostava de escrever e ouvia r&aacute;dio. Saio de Gaza e venho para Maputo para estudar Jornalismo. Foi a primeira vez que vim para Maputo. Em 1987 eu tinha 19 anos &#91;...&#93; frequentava o internato &#91;...&#93;. Era um curso muito r&aacute;pido de um ano, seis meses de aulas e seis meses de pr&aacute;tica. Conheci l&aacute; pessoas que... e eu queria ser como eles (S.A., 43 anos).</p>  	    <p>Estas decis&otilde;es governamentais v&atilde;o condicionar todo o futuro profissional destes informantes. Estes primeiros cursos onde ingressaram por imposi&ccedil;&atilde;o governamental levam&#45;nos a obter forma&ccedil;&atilde;o superior nessas mesmas &aacute;reas e se alguns, por acontecimentos diversos, voltaram posteriormente a estar profissionalmente ligados &agrave;s suas &aacute;reas iniciais de prefer&ecirc;ncia, a maioria continuou o caminho que o governo de Mo&ccedil;ambique tra&ccedil;ou na sua juventude.</p>  	    <p><b>Estudar em Portugal</b></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para al&eacute;m dos aspetos acima referidos que aproximam ou distinguem as diferentes gera&ccedil;&otilde;es, um outro fator diferencia o grupo dos mais velhos do grupo dos mais novos. Este relaciona&#45;se com o facto de os primeiros terem, ap&oacute;s a conclus&atilde;o da licenciatura em Portugal, regressado a Mo&ccedil;ambique e s&oacute; posteriormente terem retornado a Portugal para realizar forma&ccedil;&otilde;es de n&iacute;vel mais avan&ccedil;ado. Esta era uma obrigatoriedade imposta pelo governo mo&ccedil;ambicano, que lhes tinha concedido a bolsa de estudo (ao abrigo dos acordos de coopera&ccedil;&atilde;o com Portugal):</p>  	    <p>Fui fazer o mestrado quatro anos depois, essa era a pr&aacute;tica. N&oacute;s depois da licenciatura t&iacute;nhamos que fazer quatro anos de trabalho e s&oacute; depois disso &eacute; que po&#45;d&iacute;amos continuar, e compreende&#45;se porque as pessoas eram poucas (G.M., homem, 48 anos).</p>  	    <p>Se alguns n&atilde;o cumpriram esta regra e ficaram em Portugal, fizeram&#45;no por sua "conta e risco", perdendo a bolsa. Para evitar problemas desenvolveram estrat&eacute;gias como aquela que nos relata este informante:</p>      <p>Fiquei oito anos em Portugal, eu teria feito a licenciatura em tr&ecirc;s anos mas percebi que podia fazer o mestrado mas tinha que ter autoriza&ccedil;&atilde;o do governo mo&ccedil;ambicano e tamb&eacute;m autoriza&ccedil;&atilde;o de Portugal para permanecer, e pensei "se eu volto a Mo&ccedil;ambique vou ficar oito anos &agrave; espera de uma oportunidade", ent&atilde;o decidi suspender algumas cadeiras para justificar a minha perman&ecirc;ncia em mais um ano e permanecer em Portugal e assim fiz a minha licenciatura em quatro anos &#91;...&#93;. Quem patrocinou a minha vida foi o professor M.C., do Departamento de L&iacute;nguas da Faculdade. Eu funcionava como bolseiro daquele departamento (L.A., homem, 50 anos).</p>  	    <p>Por outro lado, enquanto todos os mais velhos foram estudar com bolsas, alguns dos mais novos (6) foram por sua iniciativa, contando sobretudo com apoio de familiares e tendo apenas beneficiado em Portugal do facto de poderem ingressar nas universidades p&uacute;blicas ao abrigo do Regime Especial que permite aos nacionais dos PALOP entrarem diretamente nas faculdades p&uacute;blicas sem estarem sujeitos aos <i>numerus clausus.</i> A garantia de poderem frequentar a universidade &eacute; ali&aacute;s o motivo principal que levou alguns destes informantes mais novos (2) a irem para Portugal, pois, e de acordo com as suas informa&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o tinham conseguido lugar nas universidades p&uacute;blicas em Mo&ccedil;ambique.</p>  	    <p>Havia tr&ecirc;s possibilidades, ou ir para a Universidade Eduardo Mondlane ou para Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais e a terceira era ir para Portugal. Fiz o exame na UEM e reprovei, no Instituto de Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais tamb&eacute;m chumbei &#91;...&#93; ent&atilde;o fui para l&aacute; sem bolsa e meus pais ajudaram um pouco. O meu irm&atilde;o foi para l&aacute; com uma bolsa do IPAD e eu consegui entrar por Regime Especial no mesmo curso do meu irm&atilde;o que foi Gest&atilde;o e Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica (C.F., 30 anos).</p>  	    <p>Para al&eacute;m do apoio de familiares durante a sua estadia em Portugal &#150; e o facto de terem familiares residentes em Portugal foi outro dos motivos apontados para terem ido estudar para esse pa&iacute;s &#150; muitos destes estudantes trabalharam em empregos espor&aacute;dicos (restaurantes, <i>call centers</i>) durante esse seu per&iacute;odo de forma&ccedil;&atilde;o. Tal tamb&eacute;m aconteceu a alguns dos informantes mais velhos, que o fizeram como forma de completar o or&ccedil;amento que a bolsa proporcionava ou em per&iacute;odos em que se viram privados desta.</p>  	    <p>Assim, enquanto, com apenas uma exce&ccedil;&atilde;o, a gera&ccedil;&atilde;o mais velha foi encaminhada para a forma&ccedil;&atilde;o no exterior pelo governo mo&ccedil;ambicano &#150; independentemente de as redes acad&eacute;micas entre Portugal e Mo&ccedil;ambique terem tamb&eacute;m a&iacute; desempenhado um importante papel &#150; a gera&ccedil;&atilde;o mais nova j&aacute; o fez ou por sua iniciativa ou, nos casos em que essa forma&ccedil;&atilde;o se limitou &agrave; frequ&ecirc;ncia de mestrados, fizeram&#45;no com o apoio e por sugest&atilde;o de professores de licenciatura que os ajudaram no processo de obten&ccedil;&atilde;o de bolsa.</p>  	    <p>Para muitos destes informantes, a escolha de Portugal parece resultar de um conjunto de circunst&acirc;ncias que os ultrapassaram e n&atilde;o de decis&otilde;es individuais relacionadas com os seus interesses acad&eacute;micos. Foram estudar para Portugal porque para l&aacute; foram enviados pelo Governo:</p>  	    <p>Em 1986 fui estudar para Portugal porque a Faculdade de Letras estava encerrada. Portugal foi escolha do Minist&eacute;rio dos Neg&oacute;cios Estrangeiros pois existia um acordo de coopera&ccedil;&atilde;o na &aacute;rea das l&iacute;nguas e lingu&iacute;stica (M.I., 46 anos).</p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>ou porque foi para este pa&iacute;s que a bolsa lhes foi atribu&iacute;da: "Inicialmente era para irmos ao Brasil &#91;...&#93; e algo aconteceu com o Brasil e fomos para Portugal pela embaixada portuguesa em 1990" (A.S., 43 anos). Ou ainda, num caso mais recente, no &acirc;mbito de parcerias universit&aacute;rias: "Fiz o mestrado em Mo&ccedil;ambique em parceria com a Universidade Cl&aacute;ssica de Lisboa. Fiz o primeiro ano em Maputo e parti para Lisboa em 2008 para fazer a disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado"(A.M.I., 38 anos).</p>  	    <p>Como adiante veremos, se o impacto de parcerias entre IES de ambos os pa&iacute;ses &eacute; diminuto, quer ao n&iacute;vel das decis&otilde;es de partir, quer no termo da sua estadia em Portugal, as redes entre acad&eacute;micos de ambos os pa&iacute;ses constitu&iacute;ram, em paralelo com as redes familiares, um dos elementos facilitadores do seu acesso a bolsas de estudo e a forma&ccedil;&otilde;es superiores em Portugal.</p>  	    <p>Por&eacute;m, e independentemente do enquadramento de partida, a maioria dos informantes afirmaram que tiveram algumas dificuldades nos primeiros tempos de adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; vida em Portugal. S&atilde;o mencionados problemas de racismo, quest&otilde;es relacionadas com as diferentes maneiras de falar e escrever portugu&ecirc;s e &eacute; referido o pouco contacto com colegas portugueses:</p>  	    <p>Partiam do princ&iacute;pio de que o preto n&atilde;o fala portugu&ecirc;s, ao n&iacute;vel de colegas achei divertido, as pessoas que n&atilde;o conheciam "&Aacute;frica&#45;pretos" e perguntavam: "Mas tu falas portugu&ecirc;s e escreves?". Achei divertido um professor de l&iacute;ngua inglesa... ele pensou que eu fosse... chamou&#45;me e eu levantei&#45;me e vira&#45;se para a turma e diz "voc&ecirc;s n&atilde;o t&ecirc;m vergonha". Ele pensava que me estava a elogiar. Estes equ&iacute;vocos foram muito importantes porque para mim a quest&atilde;o n&atilde;o era racismo mas ignor&acirc;ncia (L.A., 50 anos).</p>  	    <p>N&atilde;o posso dizer que a integra&ccedil;&atilde;o foi f&aacute;cil, porque dizem que o portugu&ecirc;s &eacute; igual mas no fundo n&atilde;o &eacute; igual... a maneira de falar, escrever e os professores veem logo &#91;...&#93; os nossos apelidos &#91;...&#93;. Na verdade existe discrimina&ccedil;&atilde;o em Portugal, na escola as pessoas convivem mas saem da escola e a situa&ccedil;&atilde;o &eacute; outra, nunca ia para casa dela &#91;estudante portuguesa&#93;, encontr&aacute;vamo&#45;nos no caf&eacute;. &#91;...&#93; Os filhos podem aceitar &#91;...&#93; mas agora os pais, os av&oacute;s &eacute; muito complicado... Lembro&#45;me de uma situa&ccedil;&atilde;o caricata de um colega que foi para casa de um colega portugu&ecirc;s &#91;...&#93;, saiu e deixou a porta aberta, esqueceu&#45;se de algo e quando voltou a av&oacute; disse "eu n&atilde;o quero negros aqui". &#91;...&#93; Eles s&atilde;o muito frios e uma das coisas que n&atilde;o gosto &eacute; de serem muito frios. S&atilde;o muito fechados (S.S.A., 27 anos).</p>  	    <p>No entanto a maioria (11) referiu que muitas dessas dificuldades foram ultrapassadas e que "com o tempo" se sentiram integrados no meio social e acad&eacute;mico que frequentavam. Embora alguns mencionem que tiveram amigos portugueses (3), a maioria socializou com compatriotas, com estudantes oriundos dos outros PALOP e com estudantes <i>Erasmus</i>.</p>  	    <p>Se alguns referem o protagonismo que adquiriram junto dos estudantes do seu pa&iacute;s, ou mesmo, de uma forma geral, no meio acad&eacute;mico &#150; "Fui o primeiro africano a coordenar uma resid&ecirc;ncia universit&aacute;ria em Braga" (C.B.G., 37 anos) &#150;, outros mencionam a exist&ecirc;ncia de alguns conflitos entre os mo&ccedil;ambicanos de diferentes proveni&ecirc;ncias geogr&aacute;ficas, sociais e pol&iacute;ticas:</p>  	    <p>Assistia&#45;se l&aacute; a uma segrega&ccedil;&atilde;o entre pessoas do sul de Mo&ccedil;ambique e os que v&ecirc;m de outras prov&iacute;ncias. O regime de acesso &agrave;s universidades &eacute; tratado ao n&iacute;vel da embaixada e h&aacute; muitos estudantes da Beira para Portugal &#91;...&#93; e como sabe a cidade da Beira &eacute; governada por pessoas que n&atilde;o s&atilde;o da FRELIMO &#91;...&#93;. A maior parte deles nem sequer regressou e alguns conseguem conciliar a vertente acad&eacute;mica com a profissional e demoram mais tempo porque reprovam (C.F., 30 anos).</p>  	    <p><b>Identidades em reconstru&ccedil;&atilde;o</b></p>  	    <p>As clivagens que ocorrem em Portugal entre diferentes grupos de estudantes mo&ccedil;ambicanos em fun&ccedil;&atilde;o das suas proveni&ecirc;ncias sociais, partid&aacute;rias ou regionais (&eacute;tnicas) caminha em paralelo, como iguamente se verificou numa an&aacute;lise realizada com estudantes mo&ccedil;ambicanos em Portugal (Costa, 2010), com os processos de reconstru&ccedil;&atilde;o identit&aacute;rios por que passam estes estudantes.</p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Antes de avan&ccedil;ar na an&aacute;lise importa precisar que neste texto se abordam as quest&otilde;es identit&aacute;rias como sendo essencialmente processuais, "identifica&ccedil;&otilde;es em curso" nas palavras de Boaventura Sousa Santos (1994, p. 119), considerando que "toda a identidade, ou melhor, toda declara&ccedil;&atilde;o identit&aacute;ria, tanto individual quanto colectiva (mesmo se, para um colectivo, &eacute; mais dif&iacute;cil admiti&#45;lo), &eacute; ent&atilde;o m&uacute;ltipla, inacabada, inst&aacute;vel, sempre experimentada mais como uma busca que como um facto" e tem por isso um "car&aacute;cter profundamente constru&iacute;do, processual e situacional" (Agier, 2001, p. 7). Partindo desta perspetiva te&oacute;rica (Jenkins, 1996), e entendendo todas as "declara&ccedil;&otilde;es identit&aacute;rias", nas suas diferentes dimens&otilde;es e manifesta&ccedil;&otilde;es (individual, &eacute;tnica, regional, nacional, continental, lingu&iacute;stica ou pol&iacute;tica), como resultantes de processos simult&acirc;neos de identifica&ccedil;&atilde;o, oposi&ccedil;&atilde;o e articula&ccedil;&atilde;o entre o semelhante (o n&oacute;s) e o diferente (os outros) (Costa, 2007, pp. 32&#45;34), procura&#45;se, neste artigo, compreender as din&acirc;micas atrav&eacute;s das quais se estruturam as identidades culturais e sociais plurais dos estudantes<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a> que aqui se analisam.</p>  	    <p>Pensar as quest&otilde;es identit&aacute;rias de estudantes que vivem numa situa&ccedil;&atilde;o de transnacionalidade entendida esta "como um conjunto de m&uacute;ltiplos la&ccedil;os e intera&ccedil;&otilde;es que relacionam pessoas ou institui&ccedil;&otilde;es entre diferentes fronteiras e Estados&#45;Na&ccedil;&otilde;es" (Vertovec, 1999, pp. 447&#45;466), implica ter em conta que essa situa&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica constitui um fator estruturante da sua personalidade. Para muitos deles, esta viv&ecirc;ncia em Portugal foi tamb&eacute;m uma nova viv&ecirc;ncia de si pr&oacute;prios, na medida em que tomaram consci&ecirc;ncia daquilo que os distinguia dos muitos "outros" com os quais interagiram.</p>  	    <p>O confronto com outra cultura, a dist&acirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o ao pa&iacute;s de origem, a aprendizagem dos outros (dos v&aacute;rios "outros") com quem se relacionaram, tudo isso se, por um lado, contribuiu, por oposi&ccedil;&atilde;o, para refor&ccedil;ar as v&aacute;rias dimens&otilde;es em que a identidade destes estudantes se baseava antes da sua chegada a Portugal, por outro lado p&ocirc;s em causa muitos dos alicerces a partir dos quais essas identidades se constru&iacute;am. Este processo &eacute; simultaneamente lento e gradual, brusco e por choques. Essa transforma&ccedil;&atilde;o identit&aacute;ria n&atilde;o implicou um abandono total das refer&ecirc;ncias em que se alicer&ccedil;ava a sua identidade anterior e a sua substitui&ccedil;&atilde;o por novas refer&ecirc;ncias. Pelo contr&aacute;rio, implicou uma articula&ccedil;&atilde;o complexa em que v&aacute;rios tipos de combina&ccedil;&otilde;es foram poss&iacute;veis e em que o abandono de certas refer&ecirc;ncias coexistiu, paradoxalmente, com o refor&ccedil;o de outras. As novas refer&ecirc;ncias tanto foram articuladas com as anteriores num processo sincr&eacute;tico, como coexistiram em "universos" paralelos, mesmo sendo antag&oacute;nicas e contradit&oacute;rias entre si. Essa coexist&ecirc;ncia pode ainda ser, consoante os casos, harmoniosa ou fonte de graves conflitos a diferentes n&iacute;veis.</p>  	    <p>A vinda para Portugal n&atilde;o foi a ida para um qualquer pa&iacute;s estrangeiro. Foi a ida para um pa&iacute;s do qual Mo&ccedil;ambique foi col&oacute;nia. Grande parte destes estudantes j&aacute; nasceu num Mo&ccedil;ambique independente, mas as mem&oacute;rias e as rela&ccedil;&otilde;es perduram, e todos eles constru&iacute;ram uma imagem mais ou menos idealizada de Portugal (negativa ou/e positiva). Alguns tinham a&iacute; familiares, e conheciam "hist&oacute;rias" da rela&ccedil;&atilde;o de Mo&ccedil;ambique com Portugal.</p>  	    <p>Importa ainda lembrar, e j&aacute; aqui foi mencionado, que muitos destes informantes s&atilde;o descendentes de mo&ccedil;ambicanos que adquiriram o estatuto de "assimilados" durante a &eacute;poca colonial, com todas as implica&ccedil;&otilde;es (culturais, educacionais) que a posse deste estatuto tinha para aqueles que a ele ascendiam. Assim, muitos destes informantes foram educados em fam&iacute;lias com uma hist&oacute;ria de proximidade &agrave; cultura portuguesa. E como tamb&eacute;m j&aacute; foi referido, muitas destas fam&iacute;lias det&ecirc;m ainda hoje posi&ccedil;&otilde;es sociais de destaque na sociedade mo&ccedil;ambicana.</p>  	    <p>A chegada a Portugal &eacute; o encontro com um desconhecido extremamente familiar. Ou seja, trata&#45;se de algo que desconhecem mas sobre o qual formaram imagens, e com o qual partilham elementos de identidade extremamente importantes, nomeadamente a l&iacute;ngua portuguesa (apenas seis informantes n&atilde;o t&ecirc;m a l&iacute;ngua portuguesa como l&iacute;ngua materna).</p>  	    <p>Assim, o confronto destes estudantes com Portugal p&otilde;e em relevo as dimens&otilde;es identit&aacute;rias relacionadas com a nacionalidade mo&ccedil;ambicana, algo de extremamente complexo e que para alguns, eventualmente e pela primeira vez, se sobrep&otilde;e a outro n&iacute;veis identit&aacute;rios que os estruturavam no seu pa&iacute;s de origem (perten&ccedil;a &eacute;tnica, regional, lingu&iacute;stica, religiosa, cultural).</p>  	    <p>Se a dimens&atilde;o nacional da identidade destes estudantes &#150; o ser "mo&ccedil;ambicano" &#150; adquire em Portugal lugar preponderante no conjunto das diferentes dimens&otilde;es em que se baseia a constru&ccedil;&atilde;o da sua identidade social, isso n&atilde;o garante, s&oacute; por si, que o "ser&#45;se mo&ccedil;ambicano" seja algo de evidente para os pr&oacute;prios. Pelo contr&aacute;rio, a identidade nacional mo&ccedil;ambicana est&aacute; longe de ser um dado adquirido, existe como um processo cuja g&eacute;nese &eacute; relativamente recente e que est&aacute; ainda em constru&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>.</p>  	    <p>Mas o processo de transforma&ccedil;&atilde;o identit&aacute;rio por que passam os estudantes mo&ccedil;ambicanos em Portugal &eacute; ainda, obviamente, um processo simultaneamente individual e coletivo. Individual, porque cada um tem uma experi&ecirc;ncia &uacute;nica de si e das suas m&uacute;ltiplas identidades sociais. Cada um reconstr&oacute;i as v&aacute;rias dimens&otilde;es em que essa identidade social se estrutura, nomeadamente a dimens&atilde;o nacional, em fun&ccedil;&atilde;o da forma como interpreta e manipula os diferentes quadros de refer&ecirc;ncia que fazem parte da sua mem&oacute;ria e da sua hist&oacute;ria particular e coletiva. Coletiva, porque a maior parte dos estudantes mo&ccedil;ambicanos em Portugal interage entre si. Por isso, a experi&ecirc;ncia dos outros &#150; dos mais velhos e que j&aacute; estavam em Portugal h&aacute; mais anos, dos que vieram com ele na mesma altura &#150;, a forma como essa experi&ecirc;ncia interfere na experi&ecirc;ncia individual de cada um, fazem parte desse processo de transforma&ccedil;&atilde;o identit&aacute;rio. Simultaneamente, essa experi&ecirc;ncia coletiva de reconstru&ccedil;&atilde;o identit&aacute;ria faz&#45;se por identifica&ccedil;&otilde;es e oposi&ccedil;&otilde;es "internas" (na rela&ccedil;&atilde;o com os outros estudantes mo&ccedil;ambicanos) e "externas" (na rela&ccedil;&atilde;o com estudantes n&atilde;o mo&ccedil;ambicanos). Internamente, porque dentro do grupo de estudantes mo&ccedil;ambicanos h&aacute;, como j&aacute; foi mencionado, v&aacute;rios subgrupos. As diferentes identifica&ccedil;&otilde;es e oposi&ccedil;&otilde;es entre eles contribuem para refor&ccedil;ar certas dimens&otilde;es espec&iacute;ficas da identidade social de cada indiv&iacute;duo em detrimento de outras. Externamente, esse processo construiu&#45;se face aos outros grupos de estudantes n&atilde;o mo&ccedil;ambicanos com os quais interagiram e face aos quais se identificaram, ou se opuseram, consoante as circunst&acirc;ncias, consoante o tempo de estadia em Portugal, e consoante as suas posi&ccedil;&otilde;es relativas nos diferentes grupos de estudantes com os quais se identificavam<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a>.</p>  	    <p>Muitas das identifica&ccedil;&otilde;es e oposi&ccedil;&otilde;es que estruturam a identidade social destes informantes durante a sua estadia em Portugal relacionaram&#45;se com o facto de serem identificados e de se identificarem como africanos e negros e de serem v&iacute;timas de racismo ou de pr&aacute;ticas discriminat&oacute;rias nas suas viv&ecirc;ncias quotidianas. A condi&ccedil;&atilde;o de africano e negro cria em Portugal, de imediato, uma identidade "outra" (mesmo para aqueles que j&aacute; nasceram em Portugal e s&atilde;o descendentes de segundas e terceiras gera&ccedil;&otilde;es de imigrantes). O facto de estes estudantes partilharem com outros estudantes a cor da pele, associada a um conjunto significativo de pr&aacute;ticas culturais, mais ou menos estereotipadas, gera a cria&ccedil;&atilde;o de comunidades espec&iacute;ficas africanas no meio estudantil universit&aacute;rio.</p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Redes sociais e coopera&ccedil;&atilde;o ao n&iacute;vel do ensino superior</b></p>  	    <p>A cria&ccedil;&atilde;o de comunidades espec&iacute;ficas africanas no meio estudantil universit&aacute;rio explica a exist&ecirc;ncia em certas universidades de associa&ccedil;&otilde;es de estudantes africanos ou a organiza&ccedil;&atilde;o de eventos coletivos como a Semana Africana. Estas comunidades, cujas afinidades s&atilde;o atravessadas por estere&oacute;tipos refor&ccedil;ados pelo olhar portugu&ecirc;s em rela&ccedil;&atilde;o ao negro e a &Aacute;frica, congregam&#45;se em torno dos referentes identit&aacute;rios relativos &agrave; sua condi&ccedil;&atilde;o de africanos e por oposi&ccedil;&atilde;o aos outros estudantes portugueses e estrangeiros que frequentam universidades portuguesas.</p>  	    <p>O grau de organiza&ccedil;&atilde;o dos estudantes universit&aacute;rios africanos depende ainda do apoio institucional que as universidades e respetivas associa&ccedil;&otilde;es de estudantes disponibilizam para a constitui&ccedil;&atilde;o de n&uacute;cleos diferenciados. Assim, se h&aacute; universidades que n&atilde;o t&ecirc;m qualquer n&uacute;cleo de estudantes africanos, outras h&aacute; que t&ecirc;m apenas um n&uacute;cleo ou associa&ccedil;&atilde;o de estudantes africanos (por exemplo a Universidade Lus&oacute;fona) e outras ainda que em certos anos t&ecirc;m n&uacute;cleos por nacionalidade mas que noutros anos, por os estudantes que os dinamizaram terem entretanto sa&iacute;do, podem j&aacute; n&atilde;o ter nenhum. A hist&oacute;ria desses diferentes n&uacute;cleos ou associa&ccedil;&otilde;es &eacute; diferenciada, mas est&aacute; longe de ser coesa e existem conflitos, desconfian&ccedil;as e desaven&ccedil;as no meio universit&aacute;rio "africano", entre os estudantes origin&aacute;rios dos diferentes pa&iacute;ses, como existem conflitos entre aqueles que, origin&aacute;rios de um mesmo pa&iacute;s, se identificam de forma diferente com as suas ra&iacute;zes em fun&ccedil;&atilde;o do tempo de estadia em Portugal, de op&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas divergentes e das diferentes circunst&acirc;ncias das suas vidas.</p>  	    <p>Aqui em Portugal h&aacute; muitos grupos, h&aacute; o grupo da associa&ccedil;&atilde;o, muitos que os pais s&atilde;o ministros, ou eram, ou parecido. Eu n&atilde;o sou da associa&ccedil;&atilde;o embora tenha sido convidado para fazer parte da associa&ccedil;&atilde;o. Acho que n&atilde;o me traria vantagens, vou jogar futebol com eles, quando h&aacute; festas, tenho as minhas festas aqui em Lisboa tamb&eacute;m. Mas &agrave;s atividades da associa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o vou porque &eacute; constitu&iacute;da por esse grupo que se juntaram por causa desse tipo de la&ccedil;os. Bolseiros somos poucos. A distin&ccedil;&atilde;o entre grupos c&aacute;, tem sobretudo a ver com pol&iacute;tica, em Mo&ccedil;ambique para se estar bem tem de se ser &#91;...&#93; para se ser bom funcion&aacute;rio em Mo&ccedil;ambique &eacute; preciso ser da pol&iacute;tica e da FRELIMO, n&atilde;o da RENAMO. Aqui em Lisboa nota&#45;se os que est&atilde;o ligados &agrave; FRELIMO, aqueles que os pais s&atilde;o bem destacados na FRELIMO tamb&eacute;m s&atilde;o aqui &#91;...&#93;, se h&aacute; os da RENAMO eu n&atilde;o sei quem s&atilde;o. Mas &eacute; perigoso n&atilde;o ser da FRELIMO, s&oacute; o simples facto de ver as coisas com outros olhos... n&atilde;o ser da FRELIMO &eacute; ser da RENAMO, &eacute; complicado (B.C., 34 anos).</p>  	    <p>A exist&ecirc;ncia destes grupos demonstra a import&acirc;ncia das afinidades existentes dentro de cada grupo e o facto de estas serem pr&eacute;vias &agrave; vinda dos estudantes para Portugal e perdurarem ap&oacute;s o regresso a Mo&ccedil;ambique. Atrav&eacute;s dessas afinidades as redes sociais perpetuam&#45;se, consolidam&#45;se e reproduzem&#45;se, influenciando, como adiante se analisar&aacute;, a vida de todos os que a elas pertencem.</p>  	    <p>Para al&eacute;m da perten&ccedil;a a associa&ccedil;&otilde;es acad&eacute;micas (especificamente africanas ou organizadas por pa&iacute;ses), todos os entrevistados mencionaram a import&acirc;ncia de diverso tipo de redes sociais<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a> em termos do apoio e enquadramento, quer ao n&iacute;vel da decis&atilde;o de partir, quer em termos da sua integra&ccedil;&atilde;o em Portugal, quer posteriormente na sua reintegra&ccedil;&atilde;o em Mo&ccedil;ambique.</p>  	    <p>Em primeiro lugar destacam&#45;se as redes acad&eacute;micas e o papel de relevo que professores e colegas tiveram neste processo, quer em Mo&ccedil;ambique, quer em Portugal.</p>  	    <p>A ideia (de ir para Portugal) foi do professor I.A. Vi o an&uacute;ncio para a bolsa e candidatei&#45;me, fiquei &agrave; espera. Fui a Portugal de f&eacute;rias e l&aacute; soube que tinha ganho a bolsa mas s&oacute; tive a bolsa oito meses depois &#91;...&#93;. Trabalhava em caf&eacute;s, hot&eacute;is, dava para pagar o quarto, viver. Comecei o mestrado um m&ecirc;s depois &#91;...&#93;. Recebi a bolsa com retroativos. O professor I.A. apoiou para acelerarem a bolsa, ligou para l&aacute; e dois meses depois tive a bolsa (J.C., 35 anos).</p>  	    <p>Fui para o mestrado em Estudos Africanos porque pedi ao M.E. &#91;professor&#93; que me lesse a tese de licenciatura, no fim ele gostou e foi ele que perguntou se eu queria ir, disse que sim e vim. Foi ele que tratou de tudo (B.V., 34 anos).</p>  	    <p>Seguidamente &eacute; referida a import&acirc;ncia das redes familiares, e quatro dos entrevistados referem que foram estudar para Portugal porque tinham familiares que a&iacute; residiam. Por &uacute;ltimo, surge a men&ccedil;&atilde;o a redes empresariais. Estas redes s&atilde;o apenas mencionadas pela gera&ccedil;&atilde;o mais nova pelo facto de terem possibilitado a concess&atilde;o de bolsas de estudo para Portugal e, posteriormente, terem facilitado a inser&ccedil;&atilde;o profissional em Mo&ccedil;ambique. Por exemplo, tr&ecirc;s informantes realizaram no final da licenciatura est&aacute;gios em bancos portugueses que t&ecirc;m participa&ccedil;&atilde;o em bancos mo&ccedil;ambicanos e quando regressaram arranjaram trabalho nesses bancos. Uma das informantes foi estudar para Portugal ao abrigo de um acordo entre uma empresa mo&ccedil;ambicana e uma universidade privada portuguesa, em que a primeira financiava as viagens e a estadia e a &uacute;ltima garantia a isen&ccedil;&atilde;o de propinas:</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Soube pelo meu pai do lan&ccedil;amento de bolsas de estudo para Portugal para filhos de trabalhadores da empresa (Aeroportos de Mo&ccedil;ambique). A empresa tinha uma parceria com a Universidade Lus&oacute;fona e com alguns minist&eacute;rios, custeavam os bolseiros dando mesada para cobrir as despesas de estadia, pagavam as passagens a&eacute;reas e a universidade tratava das propinas. O concurso era limitado somente a duas vagas, concorremos duas pessoas, eu e uma colega da prov&iacute;ncia de Tete e fomos admitidas. Com as vagas a empresa pretendia preencher um vazio na &aacute;rea de Marketing, Publicidade e Rela&ccedil;&otilde;es P&uacute;blicas, e n&oacute;s ter&iacute;amos coloca&ccedil;&atilde;o ap&oacute;s o regresso (M.S., 21 anos).</p>  	    <p>Por outro lado, apesar de muitos mencionarem que fizeram amigos e contactos acad&eacute;micos e profissionais durante a sua estadia em Portugal, e de essa estadia ter sido em muitos casos bastante longa (entre um e dez anos, e a m&eacute;dia da dura&ccedil;&atilde;o das estadias foi de cinco anos e meio), ocorrendo numa altura decisiva do seu ciclo de vida em termos da cria&ccedil;&atilde;o de la&ccedil;os de amizade e de afinidades disciplinares e profissionais, a manuten&ccedil;&atilde;o dessas rela&ccedil;&otilde;es ap&oacute;s o seu regresso foi mais rara e poucos mencionam a sua import&acirc;ncia em termos de progress&atilde;o na carreira ou de inser&ccedil;&atilde;o em redes acad&eacute;micas ou empresariais internacionais.</p>  	    <p>Paralelamente, os contactos e conhecimentos mencionados e que se estabeleceram durante a sua perman&ecirc;ncia em Portugal n&atilde;o foram desenvolvidos maioritariamente com portugueses mas com colegas mo&ccedil;ambicanos e com outros colegas provenientes dos PALOP. H&aacute; exce&ccedil;&otilde;es, nomeadamente um dos ex&#45;estudantes casou&#45;se com uma portuguesa e refere o apoio de professores portugueses durante a sua perman&ecirc;ncia em Portugal; um outro real&ccedil;a que o contacto com os professores que conheceu no mestrado continuaram ap&oacute;s o seu regresso a Mo&ccedil;ambique. No entanto, nenhum dos entrevistados mencionou que, por sua iniciativa, por iniciativa das institui&ccedil;&otilde;es que frequentaram em Portugal ou daquelas que lhes deram a bolsa de estudo, se tivessem desenvolvido parcerias ou colabora&ccedil;&otilde;es entre as faculdades e os institutos superiores onde est&atilde;o inseridos atualmente como professores e diretores, e aqueles que frequentaram em Portugal.</p>  	    <p>Assim, apesar de pertencerem a gera&ccedil;&otilde;es diferentes, os entrevistados abrangidos por este estudo real&ccedil;am o mesmo facto: a aus&ecirc;ncia de estruturas ou mecanismos de apoio que ajudem na consolida&ccedil;&atilde;o de redes acad&eacute;micas e profissionais entre os dois pa&iacute;ses, redes essas que, por sua iniciativa e isoladamente, os entrevistados n&atilde;o conseguem (por v&aacute;rios motivos) manter. Quando essas redes existem, elas efetivam&#45;se sobretudo ao n&iacute;vel das dire&ccedil;&otilde;es (das universidades, faculdades e empresas), como se mencionou acima para o caso dos bancos e da parceria entre uma empresa dos Aeroportos de Mo&ccedil;ambique e a Universidade Lus&oacute;fona. Ou ent&atilde;o mant&ecirc;m&#45;se ao n&iacute;vel dos contactos individuais, informais e espor&aacute;dicos, de onde podem, por vezes, surgir algumas oportunidades profissionais (por exemplo convites para participar em congressos) mas sem qualquer tipo de estrutura&ccedil;&atilde;o que possibilite a sua continuidade ou desenvolvimento.</p>  	    <p>Esta situa&ccedil;&atilde;o pode derivar, em parte, da amostra e n&atilde;o representar fielmente a realidade. Existem algumas parcerias inter&#45;universit&aacute;rias entre Portugal e Mo&ccedil;ambique (IPAD, 2010) que t&ecirc;m como base redes acad&eacute;micas e de amizade que remontam, algumas delas, ao per&iacute;odo colonial. Por&eacute;m tal facto n&atilde;o impede que se constate que, efetivamente, n&atilde;o existem iniciativas formais, estatais ou privadas que promovam, de uma forma global e sustentada, os contactos entre os mo&ccedil;ambicanos que estudaram em Portugal e as universidades que estes frequentaram ou a institui&ccedil;&atilde;o portuguesa que financiou a sua forma&ccedil;&atilde;o. &Eacute; prov&aacute;vel que esta situa&ccedil;&atilde;o se altere muito rapidamente, quer devido &agrave; expans&atilde;o das redes sociais virtuais, quer, sobretudo, pelas altera&ccedil;&otilde;es que o sistema universit&aacute;rio internacional tem vindo sofrer. E se a coopera&ccedil;&atilde;o ao n&iacute;vel do ensino superior entre Portugal e Mo&ccedil;ambique, ainda no in&iacute;cio dos anos 90, consistia, sobretudo, em programas de bolsas, existem hoje alguns protocolos de coopera&ccedil;&atilde;o inter&#45;universit&aacute;ria que envolvem forma&ccedil;&otilde;es conjuntas (por exemplo um dos entrevistados frequentou uma licenciatura e um mestrado em Direito em Mo&ccedil;ambique ao abrigo de uma destas parcerias, e por esse motivo foi defender a tese em Portugal) e programas internacionais que possibilitam a liga&ccedil;&atilde;o das universidades de diferentes pa&iacute;ses (EDULINK).</p>  	    <p><b>Impacto da forma&ccedil;&atilde;o superior de mo&ccedil;ambicanos em Portugal no processo de desenvolvimento de Mo&ccedil;ambique</b></p>  	    <p>N&atilde;o existe at&eacute; ao momento nenhum estudo aprofundado que permita compreender qual o impacto que a forma&ccedil;&atilde;o superior de mo&ccedil;ambicanos em Portugal teve ou tem no processo de desenvolvimento de Mo&ccedil;ambique. O presente projeto pretende fornecer algumas respostas para esta complexa quest&atilde;o mas a fase em que a an&aacute;lise se encontra ainda n&atilde;o permite apresentar quaisquer conclus&otilde;es. Simultaneamente, h&aacute; a consci&ecirc;ncia que esse impacto &eacute; dif&iacute;cil de aferir devido a in&uacute;meros fatores. Estes prendem&#45;se, nomeadamente, com os pr&oacute;prios significados do termo desenvolvimento (desenvolvimento econ&oacute;mico do pa&iacute;s ou desenvolvimento humano e social, desenvolvimento do sistema universit&aacute;rio, em termos quantitativos ou qualitativos?) e com a falta de dados dispon&iacute;veis que permitam enquadrar e comparar a forma&ccedil;&atilde;o superior que os mo&ccedil;ambicanos receberam em Portugal com as forma&ccedil;&otilde;es do mesmo n&iacute;vel obtidas em Mo&ccedil;ambique ou noutros pa&iacute;ses. Ou seja, a aus&ecirc;ncia desses dados n&atilde;o permite o isolamento da vari&aacute;vel "local de forma&ccedil;&atilde;o" relativamente &agrave; vari&aacute;vel "n&iacute;vel de forma&ccedil;&atilde;o", e como tal n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel extrair conclus&otilde;es. Por todos estes fatores apresentam&#45;se neste artigo apenas as opini&otilde;es que sobre esta mat&eacute;ria t&ecirc;m os v&aacute;rios entrevistados.</p>  	    <p>As respostas fornecidas &#150; explicitamente a quest&atilde;o foi colocada de forma aberta, com o objetivo de aferir os v&aacute;rios significados que os atores sociais atribuem &agrave; express&atilde;o "contribuir para o desenvolvimento de Mo&ccedil;ambique" &#150; variaram muito. Houve quem se limitasse a afirmar que a contribui&ccedil;&atilde;o para o desenvolvimento deveria vir sobretudo da institui&ccedil;&atilde;o onde atualmente trabalha, outro afirmou que a responsabilidade de promover o desenvolvimento era de todos os mo&ccedil;ambicanos, e um dos entrevistados expressou aquilo que em muitas outras conversas informais foi igualmente veiculado:</p>  	    <p>A minha forma&ccedil;&atilde;o em Portugal pode contribuir para o desenvolvimento do pa&iacute;s. Podemos mudar e contribuir para o desenvolvimento do pa&iacute;s, no entanto, a quest&atilde;o &eacute; se vamos mudar. Isso &eacute; outra coisa porque se coloca a vertente pol&iacute;tica &#91;...&#93;, existe ainda uma certa resist&ecirc;ncia por parte de quem est&aacute; no poder, n&atilde;o est&atilde;o abertos a novas ideias, ou seja em vez de se olhar quem se formou fora como uma mais&#45;valia &eacute; visto como amea&ccedil;a (C.F., 30 anos).</p>  	    <p>Por outro lado, h&aacute; tamb&eacute;m sentimentos de frustra&ccedil;&atilde;o relativos &agrave;s dificuldades que encontram em Mo&ccedil;ambique para implementar melhorias acad&eacute;micas e profissionais, e inevit&aacute;veis compara&ccedil;&otilde;es entre os recursos de que disp&otilde;em as universidades portuguesas e mo&ccedil;ambicanas:</p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Estou a chegar mas com muito trabalho e estamos aqui a introduzir o mestrado em Qu&iacute;mica e pediram&#45;me a mim para fazer o plano tem&aacute;tico. H&aacute; doutores em Qu&iacute;mica, s&oacute; que n&atilde;o h&aacute; equipamento. Eu desde que cheguei aqui s&oacute; tenho trabalho, tinha muitas ideias mas... aqui nesta universidade n&atilde;o tem nada a ver com Aveiro (M.P., 34 anos).</p>  	    <p>Por fim, muitos daqueles que det&ecirc;m responsabilidades acad&eacute;micas responderam a este t&oacute;pico falando, sobretudo, em termos cr&iacute;ticos da situa&ccedil;&atilde;o atual do desenvolvimento do ensino superior em Mo&ccedil;ambique.</p>  	    <p>Estou muito pessimista, a minha experi&ecirc;ncia diz&#45;me que desde 1986, que &eacute; o ano que comecei a ensinar, para c&aacute; houve uma degrada&ccedil;&atilde;o muito lenta da qualidade &#91;...&#93;. Por outro lado, a mim parece&#45;me que o pa&iacute;s est&aacute; formar quadros superiores que n&atilde;o precisa ou pelo menos que n&atilde;o pode absorver (L.A., 50 anos).</p>  	    <p>Se, como acima se referiu, tendo em conta apenas estas opini&otilde;es, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel extrair conclus&otilde;es sobre o impacto que a forma&ccedil;&atilde;o superior de mo&ccedil;ambicanos em Portugal teve ou tem no processo de desenvolvimento de Mo&ccedil;ambique, pode&#45;se, no entanto, concluir, para este estudo de caso, que essa forma&ccedil;&atilde;o teve um impacto em termos de progress&atilde;o na carreira e ascens&atilde;o social dos formandos pois, com a exce&ccedil;&atilde;o de uma jovem rec&eacute;m&#45;chegada de Portugal e que, de qualquer forma, tem "emprego garantido", todos conseguiram uma coloca&ccedil;&atilde;o nas suas &aacute;reas de forma&ccedil;&atilde;o e todos consideram que a posi&ccedil;&atilde;o que ocupam atualmente se deve ao facto de terem, recentemente, ou h&aacute; anos atr&aacute;s, estudado em Portugal.</p>  	    <p>&#91;A forma&ccedil;&atilde;o em Portugal&#93; trouxe mudan&ccedil;as consider&aacute;veis. Para conseguir emprego foi muito importante. Para o Centro de Estudos Africanos (UEM) tamb&eacute;m foi muito bom pois fiquei em primeiro lugar, tinha mestrado. Foi muito importante profissionalmente como pessoa tamb&eacute;m, estar fora obriga a conviver de outra forma que n&atilde;o &eacute; parecida com a de c&aacute; (B.C., 30 anos).</p>  	    <p>Eu n&atilde;o sei se teria sido igual &#91;se tivesse estudado noutro pa&iacute;s&#93;, eu n&atilde;o tive outra experi&ecirc;ncia de forma&ccedil;&atilde;o fora de Mo&ccedil;ambique que n&atilde;o tivesse sido Portugal, portanto tenho consci&ecirc;ncia daquele contributo. N&atilde;o tenho d&uacute;vidas de que a forma&ccedil;&atilde;o que eu recebi, a forma&ccedil;&atilde;o na universidade mas tamb&eacute;m aquilo que a vida em Portugal me permitiu ver, eu acho que contribuiu imenso para o que eu consegui fazer depois de regressar (L.A., 50 anos).</p>  	    <p>Mas em Portugal para al&eacute;m do diploma aprenderam, como nos refere um dos informantes:</p>  	    <p>A experi&ecirc;ncia de poder relativizar muitas coisas serviu para amadurecer &#150; dois anos fora sozinho &#150; e interagir com outras pessoas &#91;...&#93;. O aproveitamento foi muito bom e deu&#45;me autoconfian&ccedil;a, "tenho qualidade". Logo que voltei, fui logo abandonado pelo meu professor &#91;de quem era assistente antes de ter ido estudar para Portugal&#93; (J.E., 33 anos).</p>  	    <p>No entanto, importa frisar que em todos estes testemunhos n&atilde;o &eacute; tanto o pa&iacute;s de forma&ccedil;&atilde;o que surge valorizado mas sim o facto de terem obtido um grau universit&aacute;rio no estrangeiro. Isto apesar de todos mencionarem a import&acirc;ncia da frequ&ecirc;ncia das universidades em Portugal para a sua carreira profissional, e muitos referirem que se n&atilde;o tivessem tido essa forma&ccedil;&atilde;o n&atilde;o estariam a desempenhar as fun&ccedil;&otilde;es que presentemente exercem.</p>  	    <p><b>Reflex&otilde;es finais</b></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Apesar de este artigo se centrar na an&aacute;lise de um conjunto muito diversificado de atores sociais, em termos et&aacute;rios e geracionais, origens geogr&aacute;ficas, culturais e socioecon&oacute;micas, das trajet&oacute;rias familiares e educacionais, e da atual situa&ccedil;&atilde;o socioprofissional, foi poss&iacute;vel isolar um conjunto de aspetos partilhados pela maioria, que importa destacar.</p>  	    <p>Assim, h&aacute; que referir o facto de a maioria fazer parte da primeira gera&ccedil;&atilde;o de licenciados da fam&iacute;lia respetiva e de os apoios e incentivos familiares terem sido mencionados como muito significativos para a sua progress&atilde;o escolar. A an&aacute;lise do percurso estudantil e profissional dos entrevistados demonstra igualmente que se alguns ascenderam, por m&eacute;rito pr&oacute;prio (e com o suporte das fam&iacute;lias) ao n&uacute;cleo ainda muito restrito do mundo acad&eacute;mico e universit&aacute;rio<sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a> mo&ccedil;ambicano, outros, devido &agrave; posi&ccedil;&atilde;o social e econ&oacute;mica que a fam&iacute;lia j&aacute; detinha, foram "naturalmente", pela pr&oacute;pria fam&iacute;lia para a&iacute; encaminhados como &eacute; o caso de todos aqueles que descendem de fam&iacute;lias de assimilados ou de progenitores com cursos superiores. Por &uacute;ltimo, h&aacute; todos aqueles que foram encaminhados para esta forma&ccedil;&atilde;o superior impulsionados por decis&otilde;es do governo de Mo&ccedil;ambique.</p>  	    <p>Esta an&aacute;lise demonstra ainda a fragilidade das redes sociais, acad&eacute;micas e profissionais geradas no decurso da estadia em Portugal, sendo esta fragilidade explicada pela falta de estruturas de apoio institucionais portuguesas e mo&ccedil;ambicanas.</p>  	    <p>Por &uacute;ltimo, reflete&#45;se em torno do impacto que a forma&ccedil;&atilde;o superior de mo&ccedil;ambicanos em Portugal teve ou tem no processo de desenvolvimento de Mo&ccedil;ambique. Mencionando os motivos que dificultam a aferi&ccedil;&atilde;o de conclus&otilde;es sobre essa tem&aacute;tica, apresentam&#45;se diversas opini&otilde;es dos entrevistados. Salienta&#45;se que embora esse impacto seja dif&iacute;cil de aferir, &eacute; poss&iacute;vel, no entanto, concluir que, em termos individuais, de progress&atilde;o na carreira e de ascens&atilde;o social dos formandos, esse impacto foi muito importante e salientado pelos entrevistados.</p> 	    <p>&nbsp;</p> 	    <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>  	    <!-- ref --><p>Agier, M. (2001). Dist&uacute;rbios identit&aacute;rios em tempos de globaliza&ccedil;&atilde;o. <i>MANA</i>, 7 (2), 7&#45;33.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000129&pid=S1645-3794201200010000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	    <!-- ref --><p>Bourdieu, P., &amp; Passeron, J.&#45;C. (1964). <i>Les h&eacute;ritiers. Les &eacute;tudiants et la culture</i>. Paris: Les &Eacute;ditions de Minuit.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000131&pid=S1645-3794201200010000600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Castro, A. (1980). <i>O sistema colonial portugu&ecirc;s em &Aacute;frica</i>. Lisboa: Editorial Caminho.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000133&pid=S1645-3794201200010000600003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	    <!-- ref --><p>Carvalho, C. (2011). O Centro de Estudos Africanos e a coopera&ccedil;&atilde;o em Educa&ccedil;&atilde;o. In Costa, A. B., &amp; Barreto, A. (Org.), <i>Actas do Congresso Internacional Portugal e os PALOP: Coopera&ccedil;&atilde;o na &aacute;rea da Educa&ccedil;&atilde;o</i> (pp. 41&#45;48). Lisboa: Instituto Universit&aacute;rio de Lisboa (ISCTE&#45;IUL), Centro de Estudos Africanos, Escola Superior de Educa&ccedil;&atilde;o e Ci&ecirc;ncias Sociais &#45; Instituto Polit&eacute;cnico de Leiria.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000135&pid=S1645-3794201200010000600004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	    <!-- ref --><p>Costa, A. B. (2012). O impacto das institui&ccedil;&otilde;es de ensino superior nos processos de desenvolvimento local de Mo&ccedil;ambique: O caso de Nampula. In Faur&eacute;, Y., &amp; Rodrigues, C. (Org.), <i>Descentraliza&ccedil;&atilde;o e din&acirc;micas do desenvolvimento local em Angola e Mo&ccedil;ambique.</i> Lisboa: Almedina.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000137&pid=S1645-3794201200010000600005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	    <!-- ref --><p>Costa, A. B. (2010). Estudantes mo&ccedil;ambicanos em Lisboa: Din&acirc;micas identit&aacute;rias e processos de mudan&ccedil;a social e cultural. In Havik, P. J., Saraiva, C., &amp; Tavin, J. A. (Org.), <i>Caminhos cruzados em Hist&oacute;ria e Antropologia. Ensaios de homenagem a Jill Dias</i> (pp. 265&#45;280). Lisboa: Imprensa de Ci&ecirc;ncias Sociais.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000139&pid=S1645-3794201200010000600006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	    <!-- ref --><p>Costa, A. B. (2009a). Educa&ccedil;&atilde;o escolar e estrat&eacute;gias familiares na periferia de Maputo. <i>Cadernos de Pesquisa,</i> 136, janeiro&#45;abril, pp. 13&#45;40.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000141&pid=S1645-3794201200010000600007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Costa, A. B. (2009b). Emigra&ccedil;&atilde;o de quadros, forma&ccedil;&atilde;o superior e desenvolvimento: O caso de Mo&ccedil;ambique. <i>Pro&#45;Posi&ccedil;&otilde;es</i>, <i>20</i> (1) (58), pp. 127&#45;145.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000143&pid=S1645-3794201200010000600008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	    <!-- ref --><p>Costa, A. B. (2008). Din&acirc;micas de mudan&ccedil;a social em fam&iacute;lias mo&ccedil;ambicanas. In Feliciano, J. F., &amp; Statter, G. (Org.), <i>Empres&aacute;rios e empreendorismo em &Aacute;frica: Experi&ecirc;ncias, reflex&otilde;es e perspectivas</i> (pp. 90&#45;134). Lisboa: Centro de Estudos Africanos (CEA), ISCTE.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000145&pid=S1645-3794201200010000600009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	    <!-- ref --><p>Costa, A. B. (2007). <i>O pre&ccedil;o da sombra. Sobreviv&ecirc;ncia e reprodu&ccedil;&atilde;o social entre fam&iacute;lias de Maputo</i>. Lisboa: Livros Horizonte.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000147&pid=S1645-3794201200010000600010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	    <!-- ref --><p>Costa, A. B. (2007). Os quadros superiores, os empres&aacute;rios e as suas fam&iacute;lias: An&aacute;lise de processos de mudan&ccedil;a social e cultural em Mo&ccedil;ambique. <i>Cadernos de Estudos Africanos</i>, 11/12, dezembro 2006/junho 2007, pp. 237&#45;254.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000149&pid=S1645-3794201200010000600011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	    <!-- ref --><p>Behrends, A., &amp; Lentz, C. (2004). <i>Hard work, achievement and luck: Biographical narratives of a Ghanaian elite</i>. Comunica&ccedil;&atilde;o apresentada na African Studies Association Annual Meeting, New Orleans, novembro de 2004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000151&pid=S1645-3794201200010000600012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Faria, M. L. (2009). Coopera&ccedil;&atilde;o no &acirc;mbito do ensino superior: Ser estudante angolano em universidades portuguesas. <i>Pro&#45;Posi&ccedil;&otilde;es</i> &#91;online&#93;, <i>20</i> (1), 45&#45;63. ISSN 0103&#45;7307. <a href="http://dx.doi.org/10.1590/S0103&#45;73072009000100004" target="_blank">http://dx.doi.org/10.1590/S0103&#45;73072009000100004</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000153&pid=S1645-3794201200010000600013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	    <!-- ref --><p>Faria, M. L. (2010a). Estudantes angolanos em Portugal: Estrat&eacute;gias pol&iacute;ticas e traject&oacute;rias pessoais. In Havik, P. J., Saraiva, C., &amp; Tavim, J. A. (Org.), <i>Caminhos cruzados em Hist&oacute;ria e Antropologia. Ensaios de homenagem a Jill Dias</i> (pp. 281&#45;289). Lisboa: Imprensa de Ci&ecirc;ncias Sociais&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000155&pid=S1645-3794201200010000600014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Faria, M. L. (2010b). O papel da fam&iacute;lia e da perten&ccedil;a a redes sociais na constru&ccedil;&atilde;o de traject&oacute;rias educativas e sociais de n&iacute;vel superior: Estudantes angolanos em Portugal. <i>Actas do 7&ordm; Congresso Ib&eacute;rico de Estudos Africanos (CIEA7).</i> Lisboa, 9&#45;11 setembro 2010. In <a href="http://hdl.handle.net/10071/2382" target="_blank">http://hdl.handle.net/10071/2382</a>, consultado em 17 de fevereiro de 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000156&pid=S1645-3794201200010000600015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	    <!-- ref --><p>Faria, M. L. (2011a). Coopera&ccedil;&atilde;o, ensino superior e forma&ccedil;&atilde;o de quadros: Projectos, pol&iacute;ticas e perspectivas futuras, uma reflex&atilde;o em torno das comunica&ccedil;&otilde;es apresentadas. In Costa, A. B,. &amp; Barreto, A. (Org.), <i>Actas do Congresso Internacional Portugal e os PALOP: Coopera&ccedil;&atilde;o na &aacute;rea da Educa&ccedil;&atilde;o</i> (pp. 219&#45;224)<i>.</i> Lisboa: Instituto Universit&aacute;rio de Lisboa (ISCTE&#45;IUL), Centro de Estudos Africanos, Escola Superior de Educa&ccedil;&atilde;o e Ci&ecirc;ncias Sociais &#45; Instituto Polit&eacute;cnico de Leiria.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000158&pid=S1645-3794201200010000600016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	    <!-- ref --><p>Faria, M. L. (2011b). <i>Redes sociais: Problematiza&ccedil;&atilde;o do conceito e sua relev&acirc;ncia para a investiga&ccedil;&atilde;o em curso</i>. Comunica&ccedil;&atilde;o apresentada no Semin&aacute;rio Te&oacute;rico do Projeto de Investiga&ccedil;&atilde;o "Forma&ccedil;&atilde;o superior e desenvolvimento: Coopera&ccedil;&atilde;o Portuguesa com os PALOP", Centro de Estudos Africanos &#45; ISCTE&#45;IUL, 17 de mar&ccedil;o de 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000160&pid=S1645-3794201200010000600017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	    <!-- ref --><p>Faria, M. L. (2012b). Educa&ccedil;&atilde;o avan&ccedil;ada e desenvolvimento. A coopera&ccedil;&atilde;o portuguesa com os PALOP &#150; O caso de Angola. Relat&oacute;rio do Projeto "Forma&ccedil;&atilde;o superior e desenvolvimento: Coopera&ccedil;&atilde;o portuguesa com os PALOP (2010&#45;2012)". Lisboa, Instituto Universit&aacute;rio de Lisboa (ISCTE&#45;IUL), Centro de Estudos Africanos&#45;IUL.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000162&pid=S1645-3794201200010000600018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	    <!-- ref --><p>Guebuza, A. (2004). "A gera&ccedil;&atilde;o de 8 de Mar&ccedil;o. Antes e depois". In <a href="http://macua.blogs.com/moambique_para_todos/2009/03/a-gera%C3%A7%C3%A3o-de-8-de-mar%C3%A7o.html" target="_blank">http://macua.blogs.com/moambique_para_todos/2009/03/a-gera%C3%A7%C3%A3o-de-8-de-mar%C3%A7o.html</a>, consultado em 15 de junho de 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000164&pid=S1645-3794201200010000600019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	    <!-- ref --><p>G&oacute;mez, M. B. (1999). <i>Educa&ccedil;&atilde;o mo&ccedil;ambicana: Hist&oacute;ria de um processo: 1962&#45;1984</i>. Maputo: Livraria Universit&aacute;ria, Universidade Eduardo Mondlane.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000166&pid=S1645-3794201200010000600020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	    <!-- ref --><p>Hall, M., &amp; Young, T. (1997). <i>Confronting Leviathan: Mozambique since independence</i>. Londres: Hust and Company.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000168&pid=S1645-3794201200010000600021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	    <!-- ref --><p>INE (2007). In <a href="http://www.ine.gov.mz/" target="_blank">http://www.ine.gov.mz/</a>, consultado em 10 de maio de 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000170&pid=S1645-3794201200010000600022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	    <!-- ref --><p>IPAD (2010). "Evaluation of the Indicative Cooperation Programme Portugal&#45;Mozambique (2007&#45;2010)", in <a href="http://www.ipad.mne.gov.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=160&Itemid=191" target="_blank">http://www.ipad.mne.gov.pt/index.php?option=com_content&amp;task=view&amp;id=160&amp;Itemid=191</a>, consultado em 27de mar&ccedil;o de 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000172&pid=S1645-3794201200010000600023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	    <!-- ref --><p>Jenkins, R. (1996). <i>Social identity</i>. Londres &amp; Nova Iorque: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000174&pid=S1645-3794201200010000600024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	    <!-- ref --><p>Lopes, Carlos (2008). Os quatro desafios para a coopera&ccedil;&atilde;o acad&eacute;mica. In Tolentino, A. C., <i>et al.</i> (Org.), <i>&Aacute;frica&#45;Europa: Coopera&ccedil;&atilde;o acad&eacute;mica</i> (pp. 59&#45;70). Lisboa, Funda&ccedil;&atilde;o Friedrich Ebert.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000176&pid=S1645-3794201200010000600025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	    <!-- ref --><p>Macamo, E. (1998). A influ&ecirc;ncia da religi&atilde;o na forma&ccedil;&atilde;o de identidades sociais. In Serra, C. (Dir.), <i>Identidade, mo&ccedil;ambicanidade e mo&ccedil;ambicaniza&ccedil;&atilde;o</i> (pp. 35&#45;70). Maputo: Livraria Universit&aacute;ria, Universidade Eduardo Mondlane.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000178&pid=S1645-3794201200010000600026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	    <!-- ref --><p>MESCT &#150; Minist&eacute;rio do Ensino Superior, Ci&ecirc;ncia e Tecnologia (2003). <i>Indicadores de ci&ecirc;ncia e tecnologia em Mo&ccedil;ambique, 2002&#45;2003</i>, Portal do Governo de Mo&ccedil;ambique, setembro de 2008. In <a href="http://www.portaldogoverno.gov.mz/Informacao/ciencia_e_tecnologia/indcadores_c_t_moc.pdf" target="_blank">http://www.portaldogoverno.gov.mz/Informacao/ciencia_e_tecnologia/indcadores_c_t_moc.pdf</a>, consultado em 21 de setembro de 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000180&pid=S1645-3794201200010000600027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	    <!-- ref --><p>Mondlane, E. (1969). <i>The struggle for Mozambique</i>. Londres: Penguin Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000182&pid=S1645-3794201200010000600028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	    <!-- ref --><p>Mosca, J. (2010). "Gera&ccedil;&atilde;o da Independ&ecirc;ncia". In SAVANA, 12.03.2010, <a href="http://comunidademocambicana.blogspot.com/2010/05/geracao-da-independencia.html" target="_blank">http://comunidademocambicana.blogspot.com/2010/05/geracao&#45;da&#45;independencia.html</a>, consultado em 14 de junho de 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000184&pid=S1645-3794201200010000600029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	    <!-- ref --><p>Ngoenha, S. E. (1998). Identidade mo&ccedil;ambicana: J&aacute; e ainda n&atilde;o. In Serra, C. (Dir.), <i>Identidade, mo&ccedil;ambicanidade e mo&ccedil;ambicaniza&ccedil;&atilde;o</i> (pp.17&#45;34). Maputo: Livraria Universit&aacute;ria, Universidade Eduardo Mondlane.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000186&pid=S1645-3794201200010000600030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	    <!-- ref --><p>O'Laughlin, B. (2000). Class and the customary: The ambiguous legacy of indigenato in Mozambique. <i>African Affairs</i>, 99, pp. 5&#45;42.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000188&pid=S1645-3794201200010000600031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	    <!-- ref --><p>O Pa&iacute;s (2010), 8 de mar&ccedil;o de 2010.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000190&pid=S1645-3794201200010000600032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	    <!-- ref --><p>Penvenne, J. (1989). "'We are all Portuguese!" Challenging the political economy of assimilation: Louren&ccedil;o Marques, 1870&#45;1933. In Vail, L. (Ed.), <i>The creation of tribalism in Southern Africa</i> (pp. 255&#45;288). Berkeley &amp; Los Angeles: University of California Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000192&pid=S1645-3794201200010000600033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	    <!-- ref --><p>Pina Cabral, J. (2000). A difus&atilde;o do limiar: Margens, hegemonias e contradi&ccedil;&otilde;es. <i>An&aacute;lise Social</i>, <i>XXXIV</i> (153), 865&#45;892.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000194&pid=S1645-3794201200010000600034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	    <!-- ref --><p>Pitcher, A. (2002). <i>Transforming Mozambique: The politics of privatisation, 1975&#45;2000</i>. Nova Iorque: Cambridge University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000196&pid=S1645-3794201200010000600035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	    <!-- ref --><p>Santana, E. P. (2011). <i>Mo&ccedil;ambicanidades disputadas. Os ciclos de festas da independ&ecirc;ncia de Mo&ccedil;ambique e da comunidade mo&ccedil;ambicana em Lisboa</i>. Lisboa: Fim de S&eacute;culo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000198&pid=S1645-3794201200010000600036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	    <!-- ref --><p>Santos, B. S. (1994). <i>Pela m&atilde;o de Alice: O social e o pol&iacute;tico na p&oacute;s&#45;modernidade</i>. Porto: Afron&#45;tamento.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000200&pid=S1645-3794201200010000600037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	    <!-- ref --><p>Serra, C. (Dir.) (1998). <i>Identidade, mo&ccedil;ambicanidade e mo&ccedil;ambicaniza&ccedil;&atilde;o</i>. Maputo: Livraria Universit&aacute;ria, Universidade Eduardo Mondlane.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000202&pid=S1645-3794201200010000600038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	    <!-- ref --><p>Sheldon, K. (2002). <i>Pounders of grain: A history of women, work and politics in Mozambique</i>. Portsmouth NH: Heinemann.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000204&pid=S1645-3794201200010000600039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	    <!-- ref --><p>Sumich, J. (2008). Construir uma na&ccedil;&atilde;o: Ideologias de modernidade da elite mo&ccedil;ambicana. <i>An&aacute;lise Social, XLIII</i> (2), 319&#45;345.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000206&pid=S1645-3794201200010000600040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	    <!-- ref --><p>Turner, V. (1969). <i>The ritual process: Structure and anti&#45;structure</i>. Harmonds&#45;worth: Penguin Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000208&pid=S1645-3794201200010000600041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	    <!-- ref --><p>Turner, V., &amp; Bruner, E. M. (Org.) (1986). <i>The anthropology of experience</i>. Urbana: University of Illinois Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000210&pid=S1645-3794201200010000600042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	    <!-- ref --><p>Vertovec, S. (1999). Conceiving and researching transnationalism. <i>Ethnic and Racial Studies</i>, <i>28</i> (2), pp. 447&#45;462.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000212&pid=S1645-3794201200010000600043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	    <!-- ref --><p>Zamparoni, V.&nbsp; D. (2000). Frugalidade, moralidade e respeito: A pol&iacute;tica do assimilacionismo em Mo&ccedil;ambique, c. 1890&#45;1930. In <i>X Congresso Internacional da Associa&ccedil;&atilde;o Latino&#45;Americana de Estudos Afro&#45;asi&aacute;ticos</i>, Rio de Janeiro, 2000. In <a href="http://bibliotecavirtual.clacso.org.ar/ar/libros/aladaa/valde.rtf" target="_blank">http://bibliotecavirtual.clacso.org.ar/ar/libros/aladaa/valde.rtf</a>, consultado em 31 de fevereiro de 2012.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000214&pid=S1645-3794201200010000600044&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	    <!-- ref --><p>Zamparoni, V. D. (2006). A pol&iacute;tica do assimilacionismo em Mo&ccedil;ambique, c. 1890&#45;1930. In Delgado, I. G., Albergaria, E., Ribeiro, G., &amp; Bruno, R. (Org.), <i>Vozes (al&eacute;m) da &Aacute;frica: T&oacute;picos sobre identidade negra, literatura e hist&oacute;ria africanas</i> (pp. 145&#45;176). Juiz de Fora: UFJF.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000216&pid=S1645-3794201200010000600045&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>  	    <p>&nbsp;</p> 	    <p><i>Recebido 22 de outubro de 2011; Aceite para publica&ccedil;&atilde;o 22 de mar&ccedil;o de 2012</i></p> 	    <p>&nbsp;</p> 	    <p><b>Notas</b></p> 	    <p><sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></sup>&nbsp;&nbsp; O n&uacute;mero de informantes sobre os quais se baseia a presente an&aacute;lise est&aacute; relacionado com op&ccedil;&otilde;es definidas pela equipa do projeto interdisciplinar que a enquadra. Este projeto teve em considera&ccedil;&atilde;o o n&uacute;mero total de estudantes de cada um dos PALOP que frequentavam as universidades portuguesas no ano letivo de 2008&#45;09 (ano letivo sobre o qual foi poss&iacute;vel obter a informa&ccedil;&atilde;o mais recente). Face a esse n&uacute;mero e ao tempo dispon&iacute;vel para a realiza&ccedil;&atilde;o do trabalho de campo em cada um dos pa&iacute;ses definiu&#45;se um n&uacute;mero m&iacute;nimo de entrevistas a realizar quer em Portugal, quer nos cinco PALOP. Para Mo&ccedil;ambique ficou estipulado que seriam entrevistados, nesse pa&iacute;s, 22 informantes, mas perderam&#45;se os registos de duas entrevistas. Assim analisam&#45;se neste texto 20 entrevistas. Em Portugal entrevistaram&#45;se 42 estudantes universit&aacute;rios mo&ccedil;ambicanos e a an&aacute;lise dessas entrevistas est&aacute; em fase de conclus&atilde;o.</p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></sup>&nbsp;&nbsp; A partir de 2012 as faculdades da Universidade Eduardo Mondlane em Mo&ccedil;ambique v&atilde;o voltar a ter cursos de licenciatura com a dura&ccedil;&atilde;o m&iacute;nima de quatro anos. Esta decis&atilde;o vem p&ocirc;r as reformas curriculares iniciadas nesse pa&iacute;s em 2008 no &acirc;mbito do chamado Processo de Bolonha (O Pa&iacute;s Online, 17 de outubro de 2011, in <a href="http://www.opais.co.mz/index.php/sociedade/45-sociedade/17237-direccao-da-uem-reprovou-curriculo-que-aprovou-ha-3-anos.html" target="_blank">http://www.opais.co.mz/index.php/sociedade/45&#45;sociedade/17237&#45;direccao&#45;da&#45;uem&#45;reprovou&#45;curriculo&#45;que&#45;aprovou&#45;ha&#45;3&#45;anos.html</a>, consultado em 10 de dezembro de 2011).</p>  	    <p><sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></sup>&nbsp;&nbsp; Para al&eacute;m dos onze professores universit&aacute;rios, foram entrevistados tr&ecirc;s empregados banc&aacute;rios, dois advogados, um jornalista/consultor, dois funcion&aacute;rios p&uacute;blicos superiores e uma desempregada (jovem rec&eacute;m&#45;licenciada).</p>  	    <p><sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></sup>&nbsp;&nbsp; De acordo com este estatuto que foi abolido em 1960, o "assimilado" era todo o africano que tivesse mais de 18 anos, falasse corretamente a l&iacute;ngua portuguesa, exercesse uma profiss&atilde;o da qual tirasse o rendimento necess&aacute;rio &agrave; subsist&ecirc;ncia pr&oacute;pria e das pessoas da sua fam&iacute;lia a seu cargo ou possu&iacute;sse bens suficientes para o mesmo fim, tivesse um bom comportamento e tivesse adquirido a educa&ccedil;&atilde;o e os costumes necess&aacute;rios &agrave; aplica&ccedil;&atilde;o integral do direito p&uacute;blico e privado dos cidad&atilde;os portugueses. Os restantes africanos eram considerados "ind&iacute;genas" e n&atilde;o cidad&atilde;os de pleno direito (cf. Castro, 1980, p. 413).</p>  	    <p><sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></sup>&nbsp;&nbsp; Todos aqueles que descendem de fam&iacute;lias de assimilados (5 informantes) s&atilde;o filhos de pai alfabetizado, alguns destes com a instru&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria e outros com cursos m&eacute;dios.</p>  	    <p><sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></sup>&nbsp;&nbsp; O significado que aqui se atribui ao termo "elites" &eacute; lato e consideramos, na esteira de Carola Lentz e Andrea Behrends (2004, p. 4), que pertencem a elites os indiv&iacute;duos que ocupam posi&ccedil;&otilde;es de lideran&ccedil;a em v&aacute;rias esferas (pol&iacute;ticas, econ&oacute;micas, culturais ou intelectuais) nas quais participam regular e decisivamente nos processos de decis&atilde;o.</p>  	    <p><sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></sup>&nbsp;&nbsp; "A estimativa talvez peque por defeito, j&aacute; que inclui apenas as fam&iacute;lias mais importantes da classe dos assimilados" (Sumich, 2008, p. 324).</p>  	    <p><sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></sup>&nbsp;&nbsp; Os assimilados estavam sob a al&ccedil;ada da lei civil, ao contr&aacute;rio dos ind&iacute;genas, que estavam sujeitos &agrave; lei "consuetudin&aacute;ria". Sobre este assunto ver Mondlane, 1969; O'Laughlin, 2000; Penvenne, 1989; Sumich, 2008;&nbsp; Zamparoni, 2000 e 2006).</p>  	    <p><sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></sup>&nbsp;&nbsp; Algumas destas escolas privadas, destinadas &agrave; elite formada por filhos de expatriados e por filhos das fam&iacute;lias mo&ccedil;ambicanas privilegiadas, como sejam a Escola Internacional e a Escola Portuguesa, surgiram ainda no per&iacute;odo socialista.</p>  	    <p><sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></sup>&nbsp; Entendendo, na sequ&ecirc;ncia das conce&ccedil;&otilde;es processualistas de Victor Turner (cf. Turner, 1969; Turner &amp; Bruner, 1986) e da sua defini&ccedil;&atilde;o da experi&ecirc;ncia como um fen&oacute;meno social e culturalmente formulado, que os agentes sociais s&atilde;o o "produto complexo da inter&#45;rela&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios contextos sociais e culturais" (Pina Cabral, 2000, p. 872).</p>  	    <p><sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></sup>&nbsp; V&aacute;rios autores mo&ccedil;ambicanos de debru&ccedil;aram sobre quest&otilde;es relacionadas com a identidade mo&ccedil;ambicana. Ver, por exemplo: Ngoenha, 1998; Macamo, 1998; Serra, 1998; Santana, 2011.</p>  	    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></sup>&nbsp; Para uma discuss&atilde;o mais abrangente sobre os processos de recria&ccedil;&atilde;o identit&aacute;rios nas comunidades mo&ccedil;ambicanas residentes em Portugal e sobre a sua relev&acirc;ncia para a constru&ccedil;&atilde;o da identidade mo&ccedil;ambicana, ver Santana (2011).</p>  	    <p><sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></sup>&nbsp; Para uma discuss&atilde;o sobre este conceito, ver: Costa, 2009b, 2010a, e Faria, 2011b.</p>  	    <p><sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></sup>&nbsp; Em 2010 apenas 1,9% da popula&ccedil;&atilde;o mo&ccedil;ambicana (20 milh&otilde;es de habitantes) frequentava o ensino superior, cerca de 75 mil estudantes, enquanto a m&eacute;dia africana era de 5,5%. (<i>O Pa&iacute;s</i>, 8 mar&ccedil;o de 2010, p. 9).</p>       ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[Agier]]></surname>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Distúrbios identitários em tempos de globalização]]></article-title>
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<year>2001</year>
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