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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Os Dhow do Zanzibar: A técnica de construção de uma antiga embarcação de origem árabe e o seu papel socioeconómico na actualidade]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The Zanzibar dhow: The persistence of an ancient boat of Arabic origin and its socio-economic role in the present]]></article-title>
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<fpage>149</fpage>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[We watched the dhow, this ancient boat still in use in Zanzibar. In the neighborhood of Nungwi and Stone Town shipyards on the beach are construction sites of the dhow, built entirely with manual old tools. A large fraction of the fishing activity in the archipelago is carried out with the dhow, also used in coastal shipping for freight and passenger transport. In the coastal communities of the archipelago connected with fishing, social organization and economic activities rely largely on the construction and use of these boats. Because of scarcity of exotic woods (mahogany, teak and mango) used in their construction, the traditional dhow seems doomed.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Zanzibar]]></kwd>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[técnica de construção]]></kwd>
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<kwd lng="en"><![CDATA[insular trade]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ 




    <p><b>Os </b><b><i>Dhow </i></b><b>do Zanzibar:
A técnica de construção de uma antiga embarcação de origem árabe e o seu papel
socioeconómico na actualidade </b></p>
    <p><b>The
Zanzibar dhow: The persistence of an ancient boat of Arabic origin and its
socio-economic role in the present</b></p>
    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>Fernando da Piedade Carvalho* </b></p>

    <p>*Instituto
Superior Técnico, Campus Tecnológico e Nuclear Universidade de Lisboa Estrada
Nacional 10, km 139,7 2695-066 Bobadela, Loures, Portugal,  <a href="mailto:carvalho@itn.pt">carvalho@itn.pt</a></p>

    <p>&nbsp;</p>
    <p><b>RESUMO</b></p>
    <p>Observámos em Zanzibar esta embarcação
  milenar, o <i>dhow</i>, ainda em uso. Nas localidades de Nungwi
    e Stone Town funcionam os estaleiros de construção destas embarcações nos quais
    se usam exclusivamente ferramentas manuais antigas. Grande parte da actividade
    piscatória do arquipélago é feita com os <i>dhow</i>, que efectuam também navegação de
      cabotagem para transporte de mercadorias e passageiros. Nas comunidades
      litorais ligadas à pesca, a organização social e as actividades económicas
      assentam em boa parte na construção e utilização destas embarcações. Em virtude
      da escassez das madeiras exóticas (mogno, teca e mangueira) usadas na sua
      construção, os <i>dhow</i> tradicionais parecem condenados a
desaparecer.</p>

    <p><b>Palavras-chave</b>: Zanzibar,
dhow, técnica de construção, barco, pesca artesanal, comércio insular</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
    <p><b>ABSTRACT</b></p>

    <p>We watched the dhow, this ancient boat still in use in Zanzibar. In the
neighborhood of Nungwi and Stone Town shipyards on the beach are construction
sites of the dhow, built entirely with manual old tools. A large fraction of
the fishing activity in the archipelago is carried out with the dhow, also used
in coastal shipping for freight and passenger transport. In the coastal
communities of the archipelago connected with fishing, social organization and
economic activities rely largely on the construction and use of these boats.
Because of scarcity of exotic woods (mahogany, teak and mango) used in their
construction, the traditional dhow seems doomed.</p>

    <p><b>Keywords</b>: Zanzibar,
dhow, technical construction, boat, artisanal fishery, insular trade</p>

    <p>&nbsp;</p>
    <p>A construção de embarcações tem raízes muito antigas na história
  da humanidade. Ao longo de milénios várias civilizações conceberam e
  construíram embarcações de tipos diversos, alguns bem-sucedidos e por isso
  duradouros, outros menos eficazes e por isso efémeros (Hattendorf, 2007). Os
  registos históricos do tipo de barcos usados pelos comerciantes árabes no
  Oceano Índico e referentes ao início da era cristã, nos séculos X a XII e, mais tarde, durante os séculos XV e XVI, mostram um tipo base de embarcação que
  sobreviveu até ao século XXI representado numa
  dúzia de variações. Trata-se do <i>dhow</i><a href="#_ftn1"
name="_ftnref1" title=""><sup>[1]</sup></a>, um barco de madeira que foi adaptado para
  o transporte de carga, de pessoas e para a pesca (<a href="#f1">Figura 1</a>). O <i>dhow</i> é uma embarcação à vela, simples ou
  múltipla, de reconhecida estabilidade, robustez e velocidade (Yajima, 1977;
Vosmer, 1977a; Ministry of Information, Sultanate of Oman, 2012)<a
style='mso-footnote-id:ftn2' href="#_ftn2" name="_ftnref2" title=""><sup>[2]</sup></a>. </p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><a name="f1"><img src="/img/revistas/cea/n27/n27a09i1.jpg" width="578" height="477"></a></p>

    
<p>&nbsp;</p>


    <p>A origem desta embarcação é incerta, havendo autores que atribuem
  influência da construção naval chinesa vários séculos A.C. (Yajima, 1977). As
  referências aos <i>dhow</i>
  na literatura ocidental são muito antigas e popularizaram-nos como as
  embarcações do comércio árabe no Oceano Índico. Quando as caravelas portuguesas
  da expedição de Vasco da Gama alcançaram as costas de Moçambique e Zanzibar, em
  1498, as embarcações que ali encontraram eram <i>dhow</i> (Velho, Köpke &amp; Paiva, 1838; Ikor,
  2011). Em Zanzibar os portugueses estabeleceram uma feitoria que perduraria
  cerca de 200 anos (Mattoso, 2010). Empurrados pelos barcos portugueses, os
  árabes retiraram da costa leste de África e restringiram-se à região do Golfo
  Pérsico. Séculos mais tarde voltariam a retomar presença assídua na costa
  africana e a estabelecer-se em 1698 na ilha de Zanzibar, onde criaram uma
  colónia significativamente rica e poderosa. Ali exerceram o comércio de
  escravos até 1873, nesse ano proibido pela administração alemã do então
  Território do Tanganica. O comércio de escravos com base em Zanzibar
  continuaria durante mais alguns anos, ainda que clandestinamente (Lloyd, 1949;
  Sheriff &amp; Ferguson, 1991). Zanzibar foi um território colonial de Omã até
  1858, ano em que o sultão de Mascate transferiu a sua residência para a ilha de
  Zanzibar e proclamou a independência. Em 1890, durante o reinado de Ali ibn
  Said, Zanzibar foi declarado um protectorado britânico. A colónia árabe em
  Zanzibar ali permaneceu, sobrevivendo às convulsões políticas maiores da região
  até 1963, ano em que os movimentos revolucionários e independentistas do
  continente africano se expandiram até à ilha e levaram à expulsão (sangrenta)
  dos omanitas. A independência da ilha foi proclamada nesse ano, pondo termo à
  administração britânica do território. Em 1964, o Zanzibar uniu-se ao Tanganica
  para constituírem a República Unida da Tanzânia (Triplett, 1971; Sheriff &amp;
Ferguson, 1991; Bakari, 2001). </p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os árabes omanitas saíram de Zanzibar, mas os <i>dhow</i> não desapareceram. Apesar dos recentes
esforços de modernização dos meios de navegação e de pesca, os <i>dhow</i> permanecem as embarcações mais populares
e, tal como em épocas passadas, são de longe as embarcações mais numerosas nas
águas de Zanzibar. Como entender isto? O que explica a sobrevivência milenar
deste tipo de embarcações e o seu sucesso ainda hoje? Que futuro poderá ter?</p>

    <p>Em 2012, observei e acompanhei a construção e o uso dos <i>dhow</i> na região. Visitei em Nungwi o mais
importante estaleiro da actualidade de construção de <i>dhow</i> tradicionais em Zanzibar. Nungwi é uma
pequena povoação situada no litoral, na ponta norte da ilha de Zanzibar. Ali,
perto do mercado de peixe e à sombra dos coqueiros e de amendoeiras indianas,
constroem-se no areal cinco ou seis <i>dhow</i>
por ano. Exercem a actividade de construção naval uma vintena de homens,
organizados em equipas de três ou quatro, que se aplicam na construção dos
barcos. Visitei também o estaleiro de construção naval existente no litoral de
Stone Town, que se situa num manguezal na periferia e a nordeste da cidade.
Existem ainda estaleiros ocasionais, de menor dimensão, na costa leste de
Zanzibar. Em Stone Town visitei também o principal porto de pesca e o porto de
comércio, onde se reúne um grande número dos <i>dhow</i> em actividade na ilha. Reuni informação
junto de carpinteiros, pescadores e mercadores. O presente artigo regista essas
observações e procura interpretar as razões da sobrevivência e popularidade
desta embarcação de origem muito remota, bem como entender a sua importância
nas actividades socioeconómicas do arquipélago.</p>

    <p><b>Os <i>dhow</i> em Zanzibar ao longo dos séculos</b></p>

    <p>Os <i>dhow</i>
estão intimamente ligados à história do arquipélago de Zanzibar. O papel destas
embarcações nas migrações humanas para o arquipélago, nas ligações comerciais
com os povos do continente africano, da península arábica e do subcontinente
indiano, bem como nas actividades de pesca, é recordado nas peças expostas no
Museu Nacional do Zanzibar (<i>House of Wonders</i>) em Stone Town, a capital do Zanzibar. Ali, no átrio central do
histórico edifício, está exposta a reconstrução de um <i>mtepa</i>, o modelo tradicional de <i>dhow</i> usado em Zanzibar no passado, e já
desaparecido, assim como diversas miniaturas de outros modelos de <i>dhow</i>, ilustrando a sua importância no comércio
da monção (Campbell, 1995; Tripati &amp; Raut, 2006) (<a href="#f2">Figura 2</a>)<a
 href="#_ftn3" name="_ftnref3" title=""><sup>[3]</sup></a>.</p>
    <p>&nbsp;</p>
    <p><a name="f2"><img src="/img/revistas/cea/n27/n27a09i2.jpg" width="579" height="474"></a></p>
    
<p>&nbsp;</p>

    <p>O <i>dhow</i>
tradicional, <i>mtepa</i>, era construído com as duas extremidades
da embarcação em ponta, a vela era quadrada, e em lugar de pregos para fixar as
pranchas do casco estas eram costuradas com corda de fibra de coqueiro ou de
couro. Este tipo tradicional da embarcação usada no Zanzibar foi uma das variantes
dos <i>dhow</i> dos árabes do Golfo Pérsico. As últimas
embarcações de pranchas cosidas foram testemunhadas, ainda em uso, por
viajantes europeus no início do século XX. No entanto, os <i>dhow</i> com pranchas pregadas surgiram logo no
século XVI por influência provável da construção
naval europeia (portuguesa), embora alguns autores afirmem poder ter sido
influência chinesa (Vosmer, 1997a). A vela quadrada, ainda usada no <i>mtepa</i>, desde muito cedo cedera o lugar à vela
triangular, ou vela latina, noutros modelos de <i>dhow</i>. Esta vela triangular era já usada no
Mediterrâneo há pelo menos dois mil anos, e terá sido introduzida no Oceano
Índico pelas caravelas portuguesas, estimulando o desenvolvimento de novos
modelos de <i>dhow</i> (Campbell, 1995). A vela triangular dos <i>dhow</i>, embora semelhante à vela latina, nem
sempre é exactamente triangular, sendo cortada na extremidade anterior e
formando um trapézio, aliás com benefício para a eficácia da navegação à vela
(Campbell, 1995).</p>
    <p>Depois do longo êxito no comércio de peixe salgado, tâmaras e
  madeira de manguezal para combustível, a construção de <i>dhow</i> em Zanzibar floresceu durante os séculos XVIII e XIX com o lucrativo comércio de escravos
  exercido pelos árabes. Um tipo de <i>dhow</i>
  comum nessa época era a <i>baghlah</i> (a mula), que podia transportar 300 escravos negros, empilhados
  em três níveis da embarcação. No último quartel do século XIX, com o combate ao tráfico de escravos desenvolvido pelos ingleses
  e alemães no Índico, centenas de <i>dhow</i>,
  fossem ou não surpreendidos a transportar escravos, foram destruídos (Lloyd,
1949).</p>

    <p>Nos finais do século XIX, o comércio de marfim
e cravinho com a Índia, que até aí era feito pelos <i>dhow</i>, teve que enfrentar a pressão e até o
monopólio do transporte de cravinho pelos barcos a vapor, o que contribuiu para
fazer diminuir ainda mais o número daquelas embarcações tradicionais. Apesar
disso, o comércio árabe, não controlado pela administração colonial, demonstrou
grande vitalidade e sobreviveu durante anos em virtude da maior versatilidade
dos <i>dhow</i> e da facilidade de carregar as mercadorias
(sobretudo cravinho) em qualquer praia, lagoa ou esteiro das ilhas do
arquipélago, lugares esses não acessíveis aos vapores. Contudo, o golpe mais
forte que poderia contribuir para o desaparecimento dos <i>dhow</i> ocorreu, paradoxalmente, após a
independência, em 1964, com a modernização e investimento do Estado nos barcos
modernos, refugiando-se os&nbsp; <i>dhow </i>no pequeno comércio entre ilhas (Gilbert,
2004).</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No final do século XIX e início do século XX em Zanzibar ainda estavam em uso diversos tipos de <i>dhow</i>, incluindo o tradicional <i>mtepa</i>, e ainda o <i>muti</i>, o <i>buti</i>, o <i>mashua</i>, e o <i>mirsai</i>. Os portos da ilha eram também visitados
por outros tipos de <i>dhow</i>
provenientes do Golfo Pérsico, como o <i>boum</i>,
o <i>beden</i>, a <i>bhaglah</i>, o <i>sambuk</i> e o <i>kotia</i>. A análise dos registos fotográficos de
Zanzibar do período 1890-1910 permite confirmar o elevado número destas
embarcações ancoradas frente a Stone Town e no porto da cidade (Roger, 2005)<a
href="#_ftn4" name="_ftnref4" title=""><sup>[4]</sup></a>.</p>

    <p>A diversidade dos tipos de <i>dhow</i> resultou do seu uso ao longo de séculos
com a natural adaptação do modelo de base da embarcação às necessidades,
inovações e gostos de cada região na bacia do Oceano Índico. Acresce que as
técnicas de construção naval dos europeus em geral, e dos portugueses em
particular, influenciaram alguns destes modelos dos <i>dhow</i>, como o <i>sambouk</i>, que tem semelhanças com a caravela, e a <i>ghanjah</i>, provida de uma popa decorada e janelas
com semelhanças com o galeão (Nabataea.net, 2002; Ministry of Information,
Sultanate of Oman, 2012). Os vários modelos de <i>dhow</i> surgiram em locais e épocas diferentes e
foram, e são ainda, usados em regiões diferentes. Vários tipos de <i>dhow</i> como a <i>baghlah</i> e o <i>battil</i>, já não são construídos e estão
considerados extintos (Vosmer, 1997a, 1997b; Nabataea.net, 2002).</p>

    <p>A construção destas embarcações, totalmente feitas em madeira,
requer materiais e conhecimentos aplicados em várias fases, que vão desde a
escolha e abate das árvores que fornecerão a madeira até ao lançamento da
embarcação ao mar e à sua manutenção.</p>
    <p><b>As madeiras usadas na construção</b></p>

    <p>A construção de um <i>dhow</i>
tradicional requer o uso de três tipos de madeira: mogno, teca e mango. Todas
têm propriedades diferentes e a sua escolha resulta certamente dos ensaios e da
experiência adquirida ao longo de muitos séculos. A teca é usada na quilha, o
mango no cavername, e o mogno nas tábuas do casco e do chão no interior da
embarcação e nos assentos. </p>

    <p>A razão da escolha da teca e do mogno é simples: não são
corrompidas (perfuradas) pelo molusco <i>Teredo navalis</i>, durante séculos o terror dos construtores de barcos em madeira<a
style='mso-footnote-id:ftn5' href="#_ftn5" name="_ftnref5" title=""><sup>[5]</sup></a>. O
mango é uma madeira com flexibilidade e resistência adequadas para a estrutura
do cavername. Outras madeiras, por vezes usadas em substituição destas, por
exemplo pinheiro da Escandinávia importado, conforme observei na praia junto a
Stone Town, facilmente apodrecem ou abrem fendas que enfraquecem
consideravelmente a fiabilidade e a duração das embarcações. Nos anos 90 do
século passado, num esforço de protecção das madeiras exóticas e para tentar
prolongar a duração das embarcações de pesca, foram efectuadas várias
tentativas para persuadir os pescadores de Zanzibar a substituir os
tradicionais <i>dhow</i> por embarcações feitas em resina sintética
e fibra de vidro. Contudo, estas embarcações de fibra de vidro não resultaram e
os <i>dhow</i> tradicionais construídos em madeira
continuam a ser preferidos e a estar ao serviço<a style='mso-footnote-id:ftn6'
href="#_ftn6" name="_ftnref6" title=""><sup>[6]</sup></a>.</p>

    <p>O mogno (<i>Swietenia spp.</i>) não existe no Zanzibar e é hoje uma das árvores de madeira
exótica protegidas. Os construtores de <i>dhow</i> do Zanzibar importam os troncos de mogno
das florestas do Estado de Kerala, Índia, importação que se depara com
dificuldades crescentes e começa a limitar a construção destes barcos. A origem
do mogno para construção de <i>dhow</i>
não é uma novidade, pois há mais de dez séculos os árabes omanitas e iemenitas
faziam já construir as suas embarcações no litoral do sudoeste da Índia. Esta
região, então designada por Malabar, era a região de construção das embarcações
árabes porque na península arábica, embora houvesse abundância de coqueiros,
não havia madeira adequada para a construção naval nem carpinteiros experientes
(Campbell, 1995; Vosmer, 1997b).</p>
    <p>A teca (<i>Tectona grandis</i>) existiu com abundância em Zanzibar e ainda existem bosques de
  teca no interior da ilha, em duas áreas florestais protegidas. O crescimento
  das árvores de teca leva cerca de 17 anos mas uma árvore grande, apropriada
  para cortar uma quilha, poderá ter 30 anos. Para construir uma embarcação
  sólida é preciso escolher um tronco com uma ramificação que forme um ângulo
  aberto (obtuso) apropriado para fazer numa só peça a passagem da quilha à proa.
  Apesar de não levar muito tempo a crescer, o abate indiscriminado de árvores
  efectuado no passado levou ao quase desaparecimento das florestas de teca do
  território de Zanzibar. Hoje, além das reservas florestais que são propriedade
  do Estado, há de novo exemplares destas árvores plantados na beira de várias
  estradas, podendo a madeira de teca ser mais facilmente obtida para a
construção naval.</p>

    <p>A mangueira ou árvore do mango (<i>Mangifera indica</i>), por se tratar de um fruto muito
apreciado, é abundantemente plantada e está disponível na ilha. Uma mangueira
pode atingir 80 ou mesmo 100 anos, mas para ser usada para a construção naval
pode ser abatida aos 30-40 anos. A escolha das árvores para uso na construção
dos barcos tem de ser cuidadosa pois para o cavername são necessários troncos
sem nós, que seriam pontos fracos. Estes cuidados na selecção da madeira
aplicam-se à madeira de mangueira e, também, à teca e ao mogno. </p>

    <p>Após a escolha e abate das árvores, os troncos são serrados em
pranchas ou toros. Existem várias serrações em Zanzibar, localizadas na berma
das estradas principais. As serras usadas são de fita metálica. Um tronco de
mogno fornece muitas pranchas, suficientes para construir vários <i>dhow</i>. O núcleo de um tronco de teca, se as
fibras de madeira e a ramificação tiverem o ângulo apropriado, poderá fornecer
a quilha, a qual requer uma viga sólida com uma secção de 20x20 cm ou mais.
Pranchas para o casco, toro para a quilha e tábuas para o chão da embarcação
são transportadas em camioneta para as zonas de construção naval, situadas na
orla marítima, onde são cuidadosamente apoiadas para secar ao ar sem empenar. </p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>A técnica de construção do <i>dhow</i> na actualidade</b></p>

    <p>Os <i>dhow</i>
mais antigos construídos em Omã e Mascate tinham as duas extremidades em bico,
e foram a origem do <i>mtepa</i>
tradicional de Zanzibar. Por influência europeia, e talvez para poder aumentar
a capacidade de transporte de carga e a estabilidade, foi adoptada a popa
quadrada, possivelmente desde o século XVI. Hoje em dia, a
totalidade dos <i>dhow</i>
em uso em Zanzibar tem popa quadrada. Também na actualidade, na construção dos <i>dhow</i> geralmente monta-se o cavername fixado à
quilha e, só depois, são pregadas as pranchas do casco (<a href="#f3">Figura 3</a> e <a href="#f4">Figura 4</a>).
Contudo, no passado, o método usado era o oposto, ou seja, armava-se o casco
feito de pranchas cosidas com corda e depois colocavam-se as traves de reforço
no interior (Vosmer, 1997a, 1997b)<a href="#_ftn7"
name="_ftnref7" title=""><sup>[7]</sup></a>.</p>

    <p>&nbsp;</p>
    <p><a name="f3"><img src="/img/revistas/cea/n27/n27a09i3.jpg" width="579" height="462"></a></p>
    
<p>&nbsp;</p>
    <p><a name="f4"><img src="/img/revistas/cea/n27/n27a09i4.jpg" width="578" height="467"></a></p>
    
<p>&nbsp;</p>

    <p>A construção da embarcação, como hoje se faz em Zanzibar, começa
pelo talhar da quilha num tronco de teca que, se possível, tenha um ramo
prolongando-o em ângulo obtuso para daí fazer a proa, a qual é reforçada com
mogno. De seguida, as traves curvas do cavername, e que darão a forma ao casco
da embarcação, são talhadas com a enxó para encaixe e ligação à quilha. O
cavername radial é consolidado com travessas longitudinais e a simetria dos
costados é controlada em relação ao eixo longitudinal principal da embarcação.
As duas primeiras pranchas do casco, colocadas em ligação com a quilha, são
determinantes para o rigoroso assentamento e forma do casco.</p>

    <p>Em Nungwi, usa-se estender um fio da trave da proa ao meio da
trave da popa, para materializar o eixo longitudinal da embarcação e que,
assim, serve para centrar a construção e apoiar a medição das distâncias e dos
ângulos. Para a medição dos ângulos usa-se um inclinómetro de madeira (um
quadrante de círculo
  com marcações dos ângulos) provido com um fio-de-prumo (<a href="#f5">Figura 5</a>). O acervo de
  ferramentas em uso na construção dos <i>dhow</i>
  é antigo e inclui além do inclinómetro de fio-de-prumo, a verruma movida com
  arco para fazer as furações destinadas às cavilhas, e a enxó com cabo longo,
  tal como um cabo de machado, para desbaste da madeira (<a href="#f6">Figura 6</a> e <a href="#f7">Figura 7</a>).
  Não há instrumentos eléctricos no estaleiro da praia, nem tão-pouco berbequins
manuais ou puas de arco.</p>
    <p>&nbsp;</p>
    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="f5"><img src="/img/revistas/cea/n27/n27a09i5.jpg" width="578" height="463"></a></p>
    
<p>&nbsp;</p>
    <p><a name="f6"><img src="/img/revistas/cea/n27/n27a09i6.jpg" width="576" height="467"></a></p>
    
<p>&nbsp;</p>
    <p><a name="f7"><img src="/img/revistas/cea/n27/n27a09i7.jpg" width="577" height="464"></a></p>
    
<p>&nbsp;</p>

    <p>As traves do cavername e as pranchas do casco são unidas e
  pregadas com cavilhas de ferro que podem ter 10 a 25 cm de comprimento. Estas
  cavilhas, feitas a partir de parafusos de ferro recuperados da sucata, são
  manufacturadas em pequenas ferrarias equipadas com uma forja e operadas por
  três homens (<a href="#f8">Figura 8</a>). Um dos homens opera o fole (geralmente de êmbolos
  alternados) que insufla ar para avivar a combustão do carvão de madeira, e
  levar o ferro ao rubro. Os outros dois homens lidam com o aquecimento dos
  parafusos, retirando-os da forja com a ajuda de um alicate ou de uma turquês e
  segurando-os sobre uma bigorna, em posição para serem martelados. A bigorna é
  sempre improvisada a partir de uma peça de ferro e colocada ao nível do solo,
  sem montagem num cepo. Os dois homens que martelam o ferro fazem-no com
  cadência rápida e alternadamente até lhe dar a forma de uma cavilha prismática
  e pontiaguda. Normalmente, o parafuso de ferro inicial é então dividido em dois
  pedaços que darão origem a duas cavilhas. A cavilha prismática é de novo levada
  ao rubro, desta vez na extremidade mais larga, para ser dali feita a cabeça.
  Para isso a cavilha ao rubro é enfiada num furo de uma chapa de ferro, mas com
  diâmetro demasiado pequeno para permitir a sua passagem, permitindo martelá-la
  no topo. A extremidade mais larga da cavilha fica, desta forma, gradualmente
  achatada e forma uma cabeça. Estas cavilhas de ferro não são imersas de seguida
  em água fria, não sendo pois forjadas, e mantêm-se como ferro macio. Esta
  característica é importante, pois o ferro macio permite que se dobre sem
  partir. Isso é precisamente o que é feito, sendo a ponta da cavilha, após
  atravessar as peças de madeira a unir, dobrada para conferir travamento ao
conjunto.</p>
    <p>&nbsp;</p>
    <p><a name="f8"><img src="/img/revistas/cea/n27/n27a09i8.jpg" width="577" height="462"></a></p>
    
<p>&nbsp;</p>
    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na aplicação da cavilha para união das pranchas do casco ao
  cavername, ao redor da cavilha é enrolado um pedaço de algodão grosseiro para
  calafetar o buraco na madeira e assim tornar estanque o furo. Este mesmo
  algodão é aplicado na calafetagem das fendas entre as pranchas do costado. Em
  Dar es Salaam, na praia perto do Mercado do Peixe, acompanhei a calafetagem de
  um <i>dhow</i> antigo e observei que o algodão é embebido
  num óleo espesso e resinoso (um substituto do pez-louro). Este algodão,
  grosseiro, fibroso e esbranquiçado, é obtido do fruto da árvore-do-algodão (<i>Ceiba pentandra</i>)<a
href="#_ftn8" name="_ftnref8" title=""><sup>[8]</sup></a>. Tem a reputação de ser mais
  resistente e duradouro que outras fibras vegetais empregues na calafetagem, mas
  a sua escolha possivelmente deve-se à abundância no local, pois em Zanzibar são
comuns as árvores-do-algodão.</p>
    <p>Completada a montagem e fixação do casco, as diferenças de
  alinhamento das pranchas são aplanadas com a enxó para se obter um casco liso.
  Seguem-se os acabamentos da popa e da proa. A popa é talhada em mogno e o leme
  em teca. Concluída a ligação e consolidação destas partes, o chão e os assentos
  da embarcação são feitos com as tábuas menores do mogno e fixados por encaixe e
  com cavilhas de ferro. Na proa é fixada uma barra horizontal que serve para
  amarrar a corda da âncora com enrolamento “em oito”. O acabamento do <i>dhow</i> é então feito com pintura de tinta de
  óleo. O casco e a quilha, em mogno e teca, devido às toxinas naturais das
  madeiras não permitem a fixação de animais marinhos incrustantes e perfurantes,
ou seja não precisam de tratamento “<i>anti-fouling</i>” tal como é necessário efectuar nas embarcações modernas.</p>
    <p>Finalmente é colocado o mastro. Para este fim geralmente usa-se um
  poste de madeira de manguezal (<i>Rhizophora spp.</i>)<a href="#_ftn9" name="_ftnref9"
title=""><sup>[9]</sup></a>. A
  vela em pano-cru é de forma trapezoidal, com a base menor para a frente junto à
  proa. A vela é armada com base num pau de través içado obliquamente no mastro.
  Enfunada pelo vento, a vela adquire uma posição semelhante à da vela latina
(triangular), com a qual se pode confundir. </p>

    <p><b>O uso dos <i>dhow</i> em Zanzibar na actualidade</b></p>

    <p>Com a destruição dos <i>dhow</i>
em finais do século XIX para combater o tráfico de escravos e
impor o monopólio dos barcos a vapor no comércio de cravinho, poderia supor-se
que os <i>dhow</i> teriam sido substituídos por embarcações
de outro tipo. No entanto, na actualidade, em Zanzibar e também na costa
oriental de África os <i>dhow</i>
continuam a ser usados em várias actividades económicas, incluindo o transporte
de carga, o transporte de passageiros e a pesca. </p>

    <p>De acordo com um censo de embarcações efectuado na região de
Nungwi, cerca do ano 2000, existiam ali 671 embarcações artesanais de pesca,
todas utilizando vela latina, das quais 35% eram <i>ngalawa</i> (canoas escavadas em tronco de árvore,
comprimento 3-5 m), 59% eram <i>dhow</i>
(comprimento 5-10 m) e 6% eram <i>mashua</i>
(um tipo de <i>dhow</i> com 8-12 m de comprimento, construído com
pranchas como os <i>dhow</i>
mas mais longo e menos redondo, e geralmente com motor). Estes números, ainda
que variáveis nas ilhas do arquipélago, atestam a importância que os <i>dhow</i> mantêm no sector da pesca artesanal
(Richmond <i>et al</i>., 2003).</p>
    <p>As embarcações de carga tendem a ser as maiores, levam a bordo
  carga e tripulação, podendo a carga ser, por exemplo, madeira, carvão, ou
  caixas com produtos de mercearia (<a href="#f9">Figura 9</a>). No mar são operados por uma
  tripulação de três a cinco homens. Durante o transporte no mar a carga, que
  pode atingir as 25 a 50 toneladas, é geralmente coberta com um encerado. Vi
  estes barcos &#8211; que nos modelos maiores, já desaparecidos, eram chamados <i>baghlah</i>, em árabe, e podiam transportar 500
  toneladas &#8211; carregados com mercadoria, velejar ao largo da Ilha de
  Moçambique e da Baia de Pemba, adornados pelos ventos de Sudeste e resistindo
bem ao mar.</p>

    <p>&nbsp;</p>

    <p><a name="f9"><img src="/img/revistas/cea/n27/n27a09i9.jpg" width="579" height="468"></a></p>
    
<p>&nbsp;</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os <i>dhow</i>
de passageiros ainda se usam em Zanzibar para transporte de pessoas entre as
numerosas ilhas e ilhotas existentes em redor das ilhas principais, isto é,
Zanzibar (Unguja), Pemba e Mafia. As dimensões destes <i>dhow</i> podem atingir 9-10 m de comprimento e
transportar 30 a 50 pessoas. Com o turismo surgiu um pequeno nicho de mercado
para estes <i>dhow</i> e para os <i>mashua</i> motorizados, que se adaptaram para as
actividades de passeios turísticos, apoio à pesca desportiva e ao mergulho nas
ilhotas e recifes de coral. No transporte de passageiros entre Zanzibar e o
continente os <i>dhow</i> cederam o lugar aos modernos barcos de
grande tamanho e a motor (<i>ferry-boats</i>). O canal de Zanzibar tem uma largura de 40 km, e a ligação de
Stone Town a Dar es Salaam por “<i>ferry</i>”
leva apenas cerca de duas horas. No entanto, ainda há alguns <i>dhow</i> que efectuam transporte de mercadorias
entre Stone Town, em Zanzibar, e Dar es Salaam e Bagamoyo no continente.</p>

    <p>Os <i>dhow</i>
usados na pesca têm dimensões geralmente inferiores aos de carga e de
passageiros (<a href="#f10">Figura 10</a>). Em Zanzibar a maioria dos <i>dhow</i> de pesca usa um motor fora de borda e a
vela vai amarrada ao longo do pau da vela colocado ao comprimento da embarcação
durante as manobras de entrada e saída do porto. Contudo no mar, navegam à
vela. Os barcos de pesca dedicam-se à faina da sardinha e do atum com redes de
cerco e redes de emalhar, e operam com 15 a 20 pescadores a bordo. Em Zanzibar
a maioria dos <i>dhow</i> está dedicada à pesca costeira, exercida
normalmente durante a noite e retornando as embarcações ao porto pela manhã
para descarga do peixe. O principal porto de pesca da ilha é Stone Town e ali,
junto ao Mercado do Peixe onde diariamente funcionam a lota e o mercado, estão
baseados mais de uma centena de <i>dhow</i>.
</p>

    <p>&nbsp;</p>
    <p><a name="f10"><img src="/img/revistas/cea/n27/n27a09i10.jpg" width="577" height="456"></a></p>
    
<p>&nbsp;</p>

    <p>Visitando o porto e percorrendo o litoral de Zanzibar é notório
que os <i>dhow</i> em uso hoje são muito menos diversificados
que no início do século passado. Alguns modelos, como a <i>baghlah</i> e o <i>mtepa</i>, extinguiram-se por terem perdido a sua
função, mas houve também uma considerável uniformização na construção. Os <i>dhow</i> actuais, tal como os do passado remoto,
continuam a ser construídos com madeira de teca, mogno e mangueira, e de acordo
com técnicas antigas, mas na actualidade o modelo construído é basicamente o
mesmo, variando pouco. </p>

    <p>O conhecimento das técnicas de construção dos <i>dhow</i> tem sido preservado através de uma
cooperativa de artesãos da construção naval formada em Nungwi, que se tornou
assim o estaleiro principal de construção de <i>dhow</i> tradicionais em Zanzibar. Estas
embarcações geralmente requerem manutenção ao fim dos pri-meiros quatro anos.
Esta, se for feita a tempo e de forma cuidadosa (substituir pranchas
apodrecidas, cavilhas enferrujadas, calafetar, etc.), permite prolongar a vida
do barco, que pode alcançar cerca de 50 anos. A construção de um <i>dhow</i>, sem incluir o motor, custa hoje cerca de
5000 USD no estaleiro de Nungwi. </p>

    <p><b>O lugar dos <i>dhow</i> na estrutura socioeconómica de Zanzibar</b></p>

    <p>Zanzibar tem uma população de cerca de 1,27
milhão de habitantes. As principais actividades económicas do arquipélago são a
agricultura, a pesca e um sector de turismo iniciado nos últimos 15-20 anos e
em crescimento. Mais de 250 000 pessoas no arquipélago têm actividade directa
ou indirectamente ligada ao mar (National Bureau of Statistics, 2011a, 2011b).</p>

    <p>Até à independência e formação da República Unida da Tanzânia, a
circulação de pessoas e comércio entre o continente e as ilhas era muito
reduzida. A introdução de <i>ferry-boats</i> permitindo a ligação rápida entre o continente e o arquipélago
veio dinamizar as actividades económicas. Com um crescimento médio do PIB de 6% a 7% ao ano durante a última década, o rendimento médio
anual <i>per capita</i> em 2010 foi de 561 USD (duplicou numa década) e a qualidade de vida, incluindo a
alimentação da população, sofreu consideráveis melhorias. A alimentação atingiu
2300 kcal/dia/pessoa em 2011, mas para as populações do litoral a principal
fonte de proteínas era, e continua a ser, o produto da pesca (Richmond <i>et al</i>., 2003; National Bureau of Statistics,
2011b).</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>As estatísticas relacionadas com o mar e a pesca são muito
deficientes, mas têm sido feitos relatórios de projectos de desenvolvimento das
Nações Unidas (Banco Mundial, PNUD, UNEP, FAO) e de programas bilaterais (Alemanha,
Holan-da, Japão). Com os números disponíveis, na década de 80 descarregavam-se
nos portos da Tanzânia 32 000 toneladas de pescado por ano, das quais 12 500 t,
um pouco mais de 1/3 do total nacional, foram descarregadas nos portos do
arquipélago de Zanzibar, na quase totalidade provenientes da pesca artesanal e
de capturas em zonas de pesca muito próximas do litoral. Em Zanzibar as
capturas no início da década de 80 foram devidas ao esforço de pesca de cerca 1360
embarcações artesanais, envolvendo 4520 pescadores (Brownell, 1982). As
embarcações modernas de pesca industrial eram apenas três e produziram 316
toneladas de pescado no mesmo período. Em 2010, o pescado descarregado nos
portos de Zanzibar subiu para 25 600 t, ou seja, duplicou em 30 anos. O aumento
das capturas deve-se ao aumento de capturas de espécies pelágicas de mar
aberto, tais como atum, espadarte e tubarões.</p>

    <p>O abastecimento da população de Zanzibar em pescado é feito
exclusivamente pela pesca artesanal baseada nas ilhas. A República da Tanzânia
não importa pescado e as exportações são pequenas, contribuindo apenas para 2%
do PIB (National Bureau of Statistics, 2011a). A
pesca artesanal em Zanzibar envolve a actividade de quatro tipos de embarcações,
sendo a maioria delas canoas (<i>ngalawa</i> e <i>mtumbi</i>)
e, minoritariamente, embarcações maiores (<i>dhow</i> e <i>mashua</i>) que operam redes de cerco e aparelhos de
anzol geralmente lançados no mar aberto, do lado de fora dos recifes de coral.</p>

    <p>O esforço de pesca artesanal baseado nas <i>ngalawa</i> depende de águas calmas e por isso
tradicionalmente sempre incidiu na pesca em águas interiores de fundos baixos
(&lt;10 m), até ao bordo exterior dos recifes de coral. A pesca em mar aberto
exige o uso de embarcações maiores, e cresceu um pouco nos últimos 30 anos.</p>

    <p>As águas interiores abrigadas e os recifes de coral estão hoje
sobre explorados, e não fornecem mais do que peixes pequenos, imaturos, e
escassos, procurados para auto-subsistência da população mas insuficientes para
acompanhar o aumento de procura pela crescente população local e pelo turismo.
Para satisfazer esta procura é preciso pescar espécies pelágicas e de maior
tamanho, como o atum, o lírio e a garoupa, abundantes em mar aberto e mais
profundo (Richmond <i>et al.</i>,
2003). Esta pesca requer outros meios como, por exemplo, o reforço de
embarcações maiores como os <i>dhow</i>
e <i>mashua</i>. Contudo, a construção destes barcos,
ainda que artesanais, exige um investimento que a maioria da população não
consegue fazer.</p>

    <p>Nas aldeias do litoral não há tradição de cooperação entre
pescadores. Cada tripulação vem ao mercado vender o peixe da captura do dia. A
tripulação de cada barco é internamente coesa e a mobilidade de pessoal entre
embarcações quase inexistente. A razão reside na falta de capital do armador da
embarcação para prover todos os meios de pesca necessários, necessitando que os
pescadores invistam as suas economias para o trabalho da equipa. Cada pescador,
na medida das suas possibilidades, faz economias para comprar partes de rede pois
assim melhora o seu quinhão dos ganhos da pesca, mas, por outro lado, fica
também fidelizado à embarcação.</p>

    <p>Nos últimos anos formaram-se cooperativas, como por exemplo em
Nungwi, para encomendar a construção de novos <i>dhow</i> e para comercializar o pescado e assim
obter maior ganho com a venda. Contudo, os barcos e os pescadores na maioria
das aldeias do litoral não dispõem de frigoríficos e congeladores, nem a bordo
nem em terra, e, para evitar que o pescado se estrague têm que o vender
rapidamente, sendo afinal o preço largamente fixado pelos intermediários. Nas
ilhas mais afastadas, como Mafia e os ilhéus ao seu redor, grande parte das
capturas é adquirida por intermediários que enviam o pescado para as cidades de
Dar es Salaam e Stone Town, refrigerado em frigoríficos que lhes pertencem<a
style='mso-footnote-id:ftn10' href="#_ftn10" name="_ftnref10" title=""><sup>[10]</sup></a>.</p>

    <p>O aumento das capturas de pescado necessário para responder à
procura crescente do turismo, e a melhoria das condições sociais da população
com actividades ligadas ao mar dependem, pois, de investimento nos meios de
pesca (embarcações, redes, frigoríficos, etc.) e também da alteração dos
procedimentos de pesca, passando-se a pescar mais em mar aberto onde há mais
recursos, e menos nos recifes de coral onde os recursos estão depauperados.
Isto implica construir menos canoas (<i>ngalawa</i>) e investir mais na construção de barcos maiores (<i>dhow</i> e <i>mashua</i>). </p>

    <p>Uma vez mais, como várias vezes aconteceu no passado, a melhoria
das condições de vida no arquipélago parece, pois, estar ligada aos <i>dhow</i>.</p>
    <p><b>Epílogo</b></p>

    <p>Uma das razões da longevidade das embarcações árabes no Oceano
Índico reside no contínuo aperfeiçoar do modelo de base. Ao longo dos séculos,
a substituição da tamiça por pregos de ferro, a substituição da vela quadrada
pela vela latina, a alteração da vela latina para maior aproveitamento do
vento, a adopção da popa quadrada para aumento de carga e de estabilidade,
foram substituições que favoreceram o modelo de base. Muitas variantes do <i>dhow</i> foram construídas ao longo dos séculos,
algumas resultando da óbvia incorporação de características copiadas de outras
embarcações, como a caravela e o galeão, para satisfazer gostos ou
necessidades. Esta versatilidade de um modelo de base permitindo o aparecimento
de muitos modelos de <i>dhow</i>,
no final, certamente contribuiu para o aperfeiçoamento e sobrevivência de
alguns que chegaram ao tempo presente.</p>

    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na actualidade em Zanzibar os <i>dhow</i> são construídos na praia com o uso de
ferramentas e conhecimentos muito antigos e, tal como há séculos, são
construídos com madeiras de mogno, teca e mango. As tentativas recentes de
substituir as madeiras exóticas importadas por fibra de vidro e resina
sintética falharam, e os <i>dhow</i>
de construção tradicional são ainda a maioria das embarcações de pesca e de
ligação entre as ilhas do arquipélago. Outras madeiras, igualmente importadas
como o pinheiro da Escandinávia, têm sido usadas na construção de <i>dhow</i>, sobretudo no estaleiro junto a Stone
Town. Contudo, os resultados têm sido catastróficos e as embarcações feitas com
estas madeiras de substituição por vezes não chegaram mesmo a durar seis meses.
</p>

    <p>Hoje, parece ser incerto o futuro desta embarcação milenar. Se por
um lado as técnicas e instrumentos usados na construção dos <i>dhow</i> podem rapidamente ser modernizados
(desenvolvimento tecnológico), por outro lado, as madeiras exóticas
tradicionais que asseguraram a robustez e o sucesso dos <i>dhow</i> escasseiam (esgotamento das
matérias-primas). </p>

    <p>Em Nungwi, podem pois estar a ser construídos os últimos <i>dhow</i> tradicionais de Zanzibar. Contudo, o
sucesso destas embarcações e o seu lugar actual na economia do arquipélago, bem
evidenciado nas actividades de pesca artesanal e de comércio entre as ilhas,
pressionam a invenção de novas fórmulas que permitam renovar estas embarcações
milenares. Algumas receitas falharam mas nem todas as possibilidades estarão
esgotadas como, por exemplo, a plantação intensiva das espécies de árvores
necessárias. Avaliando a importância que os <i>dhow</i> têm ainda hoje na economia do arquipélago,
parece pouco provável que estas embarcações saiam completamente de cena no
futuro próximo e poderão, possivelmente, sobreviver à modernização e às
transformações resultantes do desenvolvimento.</p>
    <p>&nbsp;</p>

    <p><b>Referências</b></p>

    <!-- ref --><p>Bakari, M. A.
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Institute of Global and Area Studies.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000098&pid=S1645-3794201400010000900001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>Brownell, W. N.
(1982). <i>Regional project for the development and management of fisheries in the
Southwest Indian Ocean, SWIOP/WP/3-Tanzania baseline study. Document RAF/79/065/WP/03/82.</i>
Roma: Food and Agriculture Organization.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000100&pid=S1645-3794201400010000900002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>Campbell, I. C.
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    <!-- ref --><p>Gilbert, E. (2004).
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    <!-- ref --><p>Hattendorf, J. B.
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FMSP R8249</i>.
Dar es Salaam, Tanzania: Samaki Consultants.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000122&pid=S1645-3794201400010000900013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>Roger, T. (2005).
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12 de Novembro de 2012).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000124&pid=S1645-3794201400010000900014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>Sheriff, A., &amp;
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Londres: James Currey.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000126&pid=S1645-3794201400010000900015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

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(1971). Zanzibar: The politics of revolutionary inequality. <i>The Journal of Modern African Studies</i>, <i>9</i> (4), 612-617.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000130&pid=S1645-3794201400010000900017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>Velho, A., Köpke,
D., &amp; Paiva, A. da Costa Castello de (1838). <i>Roteiro da viagem
que em descobrimento da India pelo Cabo da Boa Esperança fez dom Vasco da Gama
em 1447: Segundo um manuscripto coetaneo existente na Bibliotheca publica
portuense</i>.
Porto: Typographia Commercial Portuense.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000132&pid=S1645-3794201400010000900018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

    <!-- ref --><p>Villiers, A.
(2006). <i>Sons of Sinbad: An account of sailing with the Arabs in their dhows, in
the Red Sea, around the coasts of Arabia, and to Zanzibar and Tanganyika; pearling
in the Persian Gulf; and the life of the shipmasters, the mariners, and
merchants of Kuwait.</i> Londres: Arabian Publishing (Obra
original publicada em 1940).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000134&pid=S1645-3794201400010000900019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

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Novembro de 2012).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000136&pid=S1645-3794201400010000900020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

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Archeology, 26</i> (3), 217-235.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000138&pid=S1645-3794201400010000900021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>

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    <p>&nbsp;</p>
    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Recebido 23 de novembro de 2012; Aceite 6 de maio de 2013</i></p>
    <p>&nbsp;</p>
    <p><b>Notas</b></p>


    <p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1"
title=""><sup>[1]</sup></a>&nbsp;&nbsp; A designação desta
embarcação foi popularizada com a ortografia inglesa <i>dhow</i>, derivada da palavra <i>dau</i> ou <i>daw</i> (barco) em suaíli.</p>
    <p><a href="#_ftnref2" name="_ftn2"
title=""><sup>[2]</sup></a>&nbsp;&nbsp; Alan Villiers,
  navegador e jornalista australiano conhecido dos portugueses pelo documentário
  e livro <i>A Campanha do Argus</i> acerca da pesca do bacalhau na Terra Nova, viajou no Oceano Índico a
  bordo destas embarcações e descreveu o seu comportamento no mar (Villiers,
1940).</p>


    <p><a  href="#_ftnref3" name="_ftn3"
title=""><sup>[3]</sup></a>&nbsp;&nbsp; Comércio da monção,
assim chamado porque os <i>dhow</i>
desciam da Índia para Zanzibar, carregados com têxteis, velejando com os ventos
da monção de Nordeste e regressavam de Zanzibar para a Índia, carregando
cravinho e marfim, com a monção de Sudeste. Os ventos das monções em todo o
Oceano Índico mudam de direcção com periodicidade regular e previsível.
Escolhendo-se a estação do ano apropriada, os navios podem navegar a favor do
vento em ambos os sentidos. Na costa leste de África os ventos da monção sopram
do Sudeste entre Junho e Setembro (<i>kusi</i>) e do Nordeste, entre Outubro e Fevereiro (<i>kaskazi</i>). A direcção e a sazonalidade destes ventos foram um factor importante
para o sucesso da navegação dos portugueses no Índico e para o regular
funcionamento da carreira marítima das Índias assim como para a actividade dos
comerciantes árabes no Oceano Índico (Richmond, Villiers &amp; Mkenda, 2003).</p>


    <p><a href="#_ftnref4" name="_ftn4"
title=""><sup>[4]</sup></a>&nbsp;&nbsp; O Web site reúne as
galerias de fotografias da época feitas pelos maiores fotógrafos do Zanzibar.</p>



    <p><a href="#_ftnref5" name="_ftn5"
title=""><sup>[5]</sup></a>&nbsp;&nbsp; <i>Teredo
navalis</i> é um molusco bivalve marinho, que perfura e se
aloja na madeira, enfraquecendo a celulose com as enzimas que segrega. É uma
praga para as estruturas de madeira e foi responsável pelo enfraquecimento dos
cascos de navios e muitos naufrágios (Invencível Armada, por exemplo) e de
diques na Holanda construídos com madeira de pinho ou de carvalho. O
revestimento do casco dos navios com cobre foi uma solução inventada no século XIX contra o <i>Teredo</i>.</p>



    <p><a style='mso-footnote-id:ftn6' href="#_ftnref6" name="_ftn6"
title=""><sup>[6]</sup></a>&nbsp;&nbsp; Os barcos em fibra de
vidro estão afundados e são visíveis dentro do porto de pesca de Stone Town.
Segundo comunicação dos locais, foram construídos no âmbito de um projecto
apoiado pelo Banco Mundial e pela FAO (<i>Food
and Agriculture Organization</i>).</p>



    <p><a href="#_ftnref7" name="_ftn7"
title=""><sup>[7]</sup></a>&nbsp;&nbsp; Possivelmente as
primeiros anotações de europeus sobre <i>dhow</i> com pranchas cosidas com corda foram as dos cronistas da expedição de
Vasco da Gama à Índia, em 1497-1498. Veja-se a nota de Álvaro Velho no diário
da Viagem de Vasco da Gama para a Índia, acerca da Ilha de Moçambique: “As
náoos desta terra sam grandes e sem cubertas e nam tem pregadura e andam
apertadas com tamiça e jso mesmo os barcos, e os marinheiros dellas tem agulhas
Genojscas per que se rregem e quadrantes e cartas de marear”. (<i>Tamiça</i>, cordel de palmeira ou de esparto que serve para coser).</p>


    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref8" name="_ftn8"
title=""><sup>[8]</sup></a>&nbsp;&nbsp; A árvore-do-algodão (<i>kapokier</i> ou <i>fromager</i>,
em francês; sumaúma no Brasil) é hoje uma espécie pan-tropical. As cápsulas dos
frutos contêm uma quantidade apreciável de algodão, o <i>kapok</i>, que já foi utilizado para enchimento de colchões e almofadas.</p>



    <p><a href="#_ftnref9" name="_ftn9"
title=""><sup>[9]</sup></a>&nbsp;&nbsp; Os manguezais ou
mangais (<i>mangrove</i>,
em inglês; <i>manglar</i>,
em espanhol) são ecossistemas litorais abundantes nas zonas costeiras e
estuários tropicais, constituídos por árvores cujas raízes estão adaptadas à
água salgada. As espécies mais comuns dessas árvores são <i>Rhizophora
spp.</i> e&nbsp; <i>Avicennia
spp.</i>, cuja madeira é usada para combustível e
construção em várias regiões, incluindo a costa leste de África.</p>



    <p><a href="#_ftnref10" name="_ftn10"
title=""><sup>[10]</sup></a>&nbsp; Na ilha de Mafia e ilhéus
circundantes, mais pobres que Zanzibar e Pemba, das 340 embarcações de pesca
artesanal a maioria, 78%, eram canoas escavadas em tronco de árvore (<i>ngalawa</i>), sendo minoritárias as embarcações maiores (<i>dhow</i> 9%, <i>mashua</i>
13%) (Richmond <i>et al.</i>,
2003).</p>


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