<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>1645-3794</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Cadernos de Estudos Africanos]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cadernos de Estudos Africanos]]></abbrev-journal-title>
<issn>1645-3794</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Centro de Estudos Internacionais do ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S1645-37942018000200012</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Angola in the African Peace and Security Architecture: The Strategic Role of the Angolan Armed Forces.]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Almeida]]></surname>
<given-names><![CDATA[Eugénio Costa]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A1"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="AA1">
<institution><![CDATA[,Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL) Centro de Estudos Internacionais (CEI-IUL) ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Lisboa ]]></addr-line>
<country>Portugal</country>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>12</month>
<year>2018</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>12</month>
<year>2018</year>
</pub-date>
<numero>36</numero>
<fpage>247</fpage>
<lpage>249</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1645-37942018000200012&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S1645-37942018000200012&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S1645-37942018000200012&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>RECENSÃO</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Luís Bernardino. <i>Angola in the African Peace and Security Architecture: The Strategic Role of the Angolan Armed Forces</i>. Lisboa: Mercado das Letras. 2017. 543 pp.</b></p>      <p><b>&nbsp;</b></p>      <p>No âmbito das Relações Internacionais, desde há muito que existe uma vasta literatura que aborda a guerra, as causas e as motivações que lhe estão inerentes, as forças armadas – criação, meios e as suas ações – e o impacto político, económico e social das mesmas.</p>      <p>Mas quando o <i>leitmotiv</i> é a existência – e o que a ela levou – das Forças Armadas de um país, como no caso que Luís Bernardino analisa, o das Forças Armadas de Angola (FAA), a obra exposta apresenta-se oportuna e importante.</p>      <p>Luís Manuel Brás Bernardino é um investigador académico que, a par da sua atividade profissional como militar do Exército Português – de que é oficial superior –, e por via disso, nos tem oferecido uma vasta obra sobre a temática da segurança militar e os esforços das Forças Armadas – e no caso do autor, de diversos países – na persecução e manutenção da paz, no contributo para o desenvolvimento económico e social dos seus países e na formação do carácter dos futuros dirigentes nacionais.</p>      <p>Foi baseado nestes princípios, e no evoluir da sua carreira militar, que Luís Bernardino após o seu doutoramento nos ofereceu, em 2013, a obra <i>A Posição de Angola na Arquitectura de Paz e Segurança Africana: Análise da Função Estratégica das Forças Armadas</i> (Coimbra: Almedina, 964 pp.), onde nos recorda a evolução histórica da formação das FAA, da sua profissionalização e do preponderante papel que, na opinião do Professor Ives Gandra da Silva Martins, as FAA vêm tendo na &ldquo;estabilização institucional à luz [do que o autor denomina de] trilogia do D (Defesa, Desenvolvimento e Diplomacia)&rdquo; (Bernardino, 2013, p. 11).</p>      <p>Tendo em conta o acolhimento que a inicial obra, baseada na sua tese de doutoramento, em português, obteve junto da comunidade angolana em geral, e castrense em particular, Luís Bernardino, em boa hora, dispôs trabalhar e produzir esta obra na língua de Shakespeare, e que ora se analisa. Esta iniciativa atende a carência de obras fora do âmbito da língua portuguesa sobre a temática castrense angolana e do seu relevante papel para a sustentabilidade da paz e desenvolvimento social e económico, quer no seio da comunidade angolana, em geral, e em particular no da África Central e Austral. </p>      <p>Ao longo da obra e das suas 543 páginas, oito capítulos e excelentes documentos e fotos inéditos, Bernardino oferece-nos, com muita clareza, uma importante contribuição para a historiografia militar angolana, evidenciando a evolução histórica das forças militarizadas angolanas. O autor apresenta desde o colonialismo até às lutas pelo nacionalismo angolano, com a presença de três movimentos nacionalistas onde, cada um deles, ostenta seu braço armado (pp. 45-47, 58-67), ao atual posicionamento estratégico e historiográfico de, como, porquanto e quando as FAA foram criadas (pp. 118-120), não esquecendo o relevante contributo de forças armadas estrangeiras para a sua efetiva criação, tendo por base os militares das FAPLA e os guerrilheiros das FALA (UNITA), face ao que foi prescrito nos Acordos de Bicesse de 31 de maio de 1991.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Também o impacto da criação das FAA para a segurança interna de Angola – seja por via de intervenções em países vizinhos, quer no âmbito da SADC, quer em cooperação com forças militares do Zimbabué e da Namíbia, na República do Congo e na República Democrática do Congo, em defesa das fronteiras angolanas, nomeadamente em Cabinda (p. 176) – nos apresenta como as FAA se tornaram num fator-chave para a estratégia política e diplomática de Angola, tanto no concerto regional (pp. 177, 229-230, 281-297), como no apoio a outros países de língua portuguesa, no caso da Guiné-Bissau e na tentativa de modernização das suas Forças Armadas, em 2011, por via da Missão Militar Angolana na Guiné-Bissau (MISSANG) (p. 174).</p>      <p>A análise à crescente profissionalização das FAA, que Bernardino realça, as torna num dos parceiros mais importantes nos exercícios militares, por via da União Africana, através das <i>African Standby Brigade</i> (pp. 281-307), como no seio da CPLP (exercícios militares Felino, pp. 333-337) ou na parceria estratégica com a US AFRICOM (pp. 291, 293-297).</p>      <p>Com a extensa e adequada análise destes pontos, Luís Bernardino apresenta-nos como as FAA estão preparadas para fazer face aos propósitos que consubstanciam a estratégica afirmação de Angola para a paz regional fundamentadas numa Arquitetura de Paz e Segurança Africana (pp. 301-310), assente em cinco organizações sub-regionais, e subordinada aos princípios da Carta da União Africana.</p>      <p>Igualmente de realçar o vasto leque de anexos, alguns dos quais inéditos – até para a maioria dos membros das FAA – que Bernardino nos oferece no final da obra e que nos ajuda a compreender alguns factos que levaram tanto à criação das Forças Armadas de Angola e ao seu posicionamento pré e pós-2002, como ao fim da guerra civil angolana.</p>      <p>Tendo por base estes importantes anexos, dois factos se destacam para o novo posicionamento das FAA no pós-2002, dentro do conceito político-militar que Bernardino aborda ao longo da sua obra: primeiro, o falecimento do líder da UNITA, Dr. Jonas Malheiro Savimbi, em 22 de fevereiro de 2002 (p. 161), e depois com os Acordos de Luena – e que inclui o Memorando de Entendimento do Luena, assinado em 30 de março de 2002 –, em 4 de abril de 2002 (p. 161), entre os generais Armando da Cruz Neto e Abreu Muengo Ukwachitembo &ldquo;Kamorteiro&rdquo;, à época, respetivamente, Chefe de Estado-Maior das FAA e Chefe de Estado-Maior das FALA (UNITA).</p>      <p>Como destacou o Tenente-general das FAA Miguel Júnior na apresentação do livro, na data do 26º aniversário da assinatura dos Acordos de Bicesse, e citando Kofi Annan, antigo Secretário-geral das Nações Unidas, por quando das apreciações que fez, em 2016, sobre <i>Africa and Global Security Architecture</i> (<i>Kofi Annan Foundation</i><a style=&rsquo;mso-footnote-id: ftn1&rsquo; href="#_ftn1" name="_ftnref1" title=""><sup>[1]</sup></a>), a paz e a segurança no continente africano têm que desembocar em contributos à paz e à segurança mundiais. </p>      <p>É neste princípio que Luís Bernardino descreve, nesta sua obra, as FAA e o seu importante contributo para a observância das missões constitucionais e para a ajuda à garantia da paz e da segurança no continente africano, de modo que os perenes desafios de África e do seu papel na segurança global sejam reais e efetivos, tendo em conta o papel do continente no Conselho de Segurança das Nações Unidas, aliado ao contributo da União Africana e das organizações sub-regionais, para o aproveitamento de jovens futuros líderes, no estabelecimento de sistemas eleitorais credíveis e no reforço dos sistemas democráticos em que, no caso das FAA, estas estão integradas, valorizando o seu papel e o seu lugar no contexto da segurança nacional.</p>      <p>Perante esta análise, considero que a obra de Luís Bernardino vai trazer um relevante e forte contributo para os académicos – além das próprias Forças Armadas de Angola – nos seus estudos de e sobre Angola e sobre o contributo de ambos (Angola e FAA) para a segurança e paz africanas – regional e continental – bem como para o harmonização da estabilidade política e social nacional e internacional.</p>      <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Eugénio Costa Almeida</b></p>      <p>Centro de Estudos Internacionais (CEI-IUL), Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL), Lisboa, Portugal, <a href="mailto:eugenio.luis.almeida@iscte-iul.pt">eugenio.luis.almeida@iscte-iul.pt</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>      <p><b>Nota</b></p>      <p><a style=&rsquo;mso-footnote-id:ftn1&rsquo; href="#_ftnref1" name="_ftn1" title=""><sup>[1]</sup></a>    Kofi Annan Foundation (2016, April 16), <i>Africa and the Global Security Architecture </i>(<i>Tana High-Level Forum on Security in Africa</i>). Acedido em 18 julho de 2018, de <a href="http://www.kofiannanfoundation.org/speeches/africa-global-security-architecture/" target="_blank">http://www.kofiannanfoundation.org/speeches/africa-global-security-architecture/</a></p>        ]]></body>
</article>
