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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Tipologia de empreendedores em dinâmicas de reconversão de funções econômicas de cidades: Um estudo dos casos Tiradentes e Paraty]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The aim of this paper is to discuss the results of research that sought to investigate the role, attributes and ways of action of entrepreneurs in cities which undergo processes of conversion of economic functions, specifically the cases of Tiradentes and Paraty, two Brazilian cities. The framework review included research about the processes for the conversion of economic functions of cities, the notion of &#8220;entrepreneurial leadership&#8221;, especially types of entrepreneurs, ending up with studies of Bourdieu (2010). In terms of methodology, the research can be characterized as qualitative in nature, using the method of multiple case studies, with in-depth interviews, focus groups and document analysis. As a result, it was possible to observe the existence of different types of entrepreneurs in both cities, which are distinguished by their origins, management styles and the way they deal with the collective aspects, surpassing the assumption of homogeneity among entrepreneurs (Sarasvathy, 2004) and confirming the model typologies Sant'Anna et al. (2011). The analysis reveals the strengthening of the role of entrepreneurial leadership in developing cities.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="es"><p><![CDATA[El objetivo de este artículo es presentar los resultados de la investigación que pretendía investigar el papel, los atributos y los modos de acción de los emprendedores en las ciudades que se someten a la conversión de su expansión económica impulsada por la industria del turismo, los casos de las ciudades brasileñas de Tiradentes y Paraty. La revisión teórica de este estudio exploró el concepto de conversión de las funciones económicas de las ciudades, la noción de &#8220;liderazgo emprendedor&#8221; y sobre todo las tipologías de los emprendedores, para terminar com los estudios de Bourdieu (2010) en los conceptos de habitus, capital y campo. En cuanto a la metodología, la investigación puede ser caracterizada como de naturaleza cualitativa, utilizando el método de estudio de casos múltiples, con entrevistas en profundidad, análisis documental y observación directa. Como resultado se pudo observar la existência de diferentes tipos de emprendedores en ambas ciudades, que se distinguen por sus orígenes, estilos de gestión y cómo hacen frente a los aspectos colectivos, superando el supuesto de homogeneidad entre emprendedores (Sarasvathy, 2004) y corroborar tipología identificado por Sant&#8217;Anna et al. (2011). El análisis también revela el fortalecimiento del papel del liderazgo emprendedor en la dinámica de conversión investigada.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Reconversão de Funções Econômicas de Cidades]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p>     <b>Tipologia de empreendedores em din&#226;micas de reconvers&#227;o de fun&#231;&#245;es econ&#244;micas de cidades: </b><b>Um estudo dos casos Tiradentes e Paraty</b></p>     <p><b>Typology of entrepreneurs involved in dynamic conversion of economic functions of cities: A study of Tiradentes and Paraty cases. </b></p>     <p><b>Tipolog&#237;a de los emprendedores en las din&#225;micas de conversi&#243;n de las funciones econ&#243;micas en las ciudades: Un estudio de los casos Tiradentes y Paraty </b></p>     <p> <b></b><b>por F&#225;tima Oliveira*, Anderson </b>   <b>Sant&#8217;Anna** e Daniela Diniz***</b></p>     <p> *Doutorada em Educa&#231;&#227;o pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Prof.&#170; Titular da Funda&#231;&#227;o Get&#250;lio Vargas (FGV),   Brasil. <i>E-mail:</i> <a href="mailto:fbayma@fgv.br">fbayma@fgv.br</a></p>     <p> **Doutorado em Administra&#231;&#227;o pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Prof. da Funda&#231;&#227;o Dom Cabral (FDC) e da Pontif&#237;cia   Universidade Cat&#243;lica de Minas Gerais. Coordenador do N&#250;cleo de Desenvolvimento de Lideran&#231;a da FDC, Brasil. <i>E-mail:</i> <a href="mailto:anderson@fdc.org.br">anderson@fdc.org.br</a></p>     <p>***Mestre em Administra&#231;&#227;o pela Pontif&#237;cia Universidade Cat&#243;lica de Minas Gerais (PUC Minas). Pesquisadora do N&#250;cleo de Desenvolvimento de Lideran&#231;a da Funda&#231;&#227;o Dom Cabral. <i>E-mail:</i> <a href="mailto:danidiniz09@yahoo.com.br">danidiniz09@yahoo.com.br</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>O objetivo deste artigo &#233; apresentar resultados de pesquisas que buscaram investigar o papel, os atributos e as formas de atua&#231;&#227;o de     empreendedores em cidades que vivenciam processos de reconvers&#227;o de suas fun&#231;&#245;es econ&#244;micas orientados pela expans&#227;o da     ind&#250;stria do turismo, os casos das cidades brasileiras de Tiradentes e Paraty. A revis&#227;o te&#243;rica deste estudo explorou o conceito de     reconvers&#227;o de fun&#231;&#245;es econ&#244;micas de cidades, a no&#231;&#227;o de &#171;lideran&#231;a empreendedora&#187; e, sobretudo, tipologias de     empreendedores, encerrando-se com estudos de Bourdieu (2010) acerca dos constructos <i>habitus</i>, capital e campo. Em termos metodol&#243;gicos, a     pesquisa pode ser caracterizada como de natureza qualitativa, utilizando o m&#233;todo de estudo de casos m&#250;ltiplos, com a realiza&#231;&#227;o de     entrevistas em profundidade, an&#225;lise documental e observa&#231;&#227;o direta. Como resultado foi poss&#237;vel observar a exist&#234;ncia de     diferentes tipos de empreendedores em ambas as cidades, os quais se distinguem por suas origens, estilos gerenciais e modo como lidam com aspetos coletivos, superando a premissa de homogeneidade entre empreendedores (Sarasvathy, 2004) e corroborando tipologia identificada por Sant&#8217;Anna <i>et al</i>. (2011). As an&#225;lises revelam tamb&#233;m o fortalecimento do papel de lideran&#231;as empreendedoras na din&#226;mica de reconvers&#227;o     investigada.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>     <b>Palavras-chave: </b>     Reconvers&#227;o de Fun&#231;&#245;es Econ&#244;micas de Cidades, Tipologia de Empreendedores, Inter-Rela&#231;&#227;o entre Empreendedores</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>The aim of this paper is to discuss the results of research that sought to investigate the role, attributes and ways of action of entrepreneurs in cities     which undergo processes of conversion of economic functions, specifically the cases of Tiradentes and Paraty, two Brazilian cities. The framework review     included research about the processes for the conversion of economic functions of cities, the notion of &#8220;entrepreneurial leadership&#8221;,     especially types of entrepreneurs, ending up with studies of Bourdieu (2010). In terms of methodology, the research can be     characterized as qualitative in nature, using the method of multiple case studies, with in-depth interviews, focus groups and document analysis. As a     result, it was possible to observe the existence of different types of entrepreneurs in both cities, which are distinguished by their origins, management     styles and the way they deal with the collective aspects, surpassing the assumption of homogeneity among entrepreneurs (Sarasvathy, 2004) and confirming     the model typologies Sant'Anna <i>et al.</i> (2011). The analysis reveals the strengthening of the role of entrepreneurial leadership in developing cities.</p>     <p>     <b>K</b><b>ey words: </b>     Conversion of Economic Functions of Cities, Typology of Entrepreneurs, Inter-Relationship between Entrepreneurs</p>     <p>&nbsp; </p>     <p><b>RESUMEN</b></p>     <p>El objetivo de este art&#237;culo es presentar los resultados de la investigaci&#243;n que pretend&#237;a investigar el papel, los atributos y los modos de     acci&#243;n de los emprendedores en las ciudades que se someten a la conversi&#243;n de su expansi&#243;n econ&#243;mica impulsada por la industria del     turismo, los casos de las ciudades brasile&#241;as de Tiradentes y Paraty. La revisi&#243;n te&#243;rica de este estudio explor&#243; el concepto de     conversi&#243;n de las funciones econ&#243;micas de las ciudades, la noci&#243;n de &#8220;liderazgo emprendedor&#8221; y sobre todo las tipolog&#237;as de     los emprendedores, para terminar com los estudios de Bourdieu (2010) en los conceptos de habitus, capital y campo. En cuanto a la metodolog&#237;a, la     investigaci&#243;n puede ser caracterizada como de naturaleza cualitativa, utilizando el m&#233;todo de estudio de casos m&#250;ltiples, con entrevistas en     profundidad, an&#225;lisis documental y observaci&#243;n directa. Como resultado se pudo observar la exist&#234;ncia de diferentes tipos de emprendedores     en ambas ciudades, que se distinguen por sus or&#237;genes, estilos de gesti&#243;n y c&#243;mo hacen frente a los aspectos colectivos, superando el     supuesto de homogeneidad entre emprendedores (Sarasvathy, 2004) y corroborar tipolog&#237;a identificado por Sant&#8217;Anna et al. (2011). El an&#225;lisis tambi&#233;n revela el fortalecimiento del papel del liderazgo emprendedor en la din&#225;mica de conversi&#243;n investigada. </p>     <p>     <b>Palabras-clave: </b>     Conversi&#243;n de las Funciones Econ&#243;micas de las Ciudades, Tipolog&#237;a de los Emprendedores, Interrelaci&#243;n entre Emprendedores<b></b></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O aproveitamento do patrim&#244;nio hist&#243;rico, cultural e natural de uma cidade como estrat&#233;gia para o seu desenvolvimento constitui tema de     estudo relativamente recente (Harvey, 1996; Borja e Castells, 1997). A amplia&#231;&#227;o de tal interesse deve-se, em particular, a experi&#234;ncias de     cidades que, a partir da d&#233;cada de 1980, promoveram a&#231;&#245;es de valoriza&#231;&#227;o de seu patrim&#244;nio, com vista a torn&#225;-las     atrativas do ponto de vista de empresarial. Como consequ&#234;ncia, essas localidades t&#234;m experimentado transforma&#231;&#245;es em v&#225;rias     dimens&#245;es: espacial, social, econ&#244;mica, urbana e pol&#237;tica. Tais processos t&#234;m sido conceituados sob diferentes r&#243;tulos, incluindo     express&#245;es como regenera&#231;&#227;o, reestrutura&#231;&#227;o e <i>reconvers&#227;o de fun&#231;&#245;es econ&#244;micas</i>.</p>     <p>     Ponto comum entre essas diferentes express&#245;es &#233;, no entanto, a tend&#234;ncia de planejamento estrat&#233;gico de cidades, associada a     no&#231;&#245;es como &#171;cidade-empresa&#187; (Borja e Castells, 1997), &#171;cidade empreendedora&#187; (Hall, 1996),     &#171;cidade-espet&#225;culo&#187; (S&#225;nchez, 2003), &#171;cidade-global&#187; (Sessen, 1999), dentre outras similares, que, conforme destaca Luchiari     (2005), acabaram por enfraquecer o planejamento regional como empreendimento do Estado, fortalecendo perspetivas mais aderentes e favor&#225;veis aos     empreendimentos empresariais.</p>     <p>     Entretanto, &#233; fundamental uma compreens&#227;o mais sist&#234;mica &#8211; e cr&#237;tica &#8211; dos efeitos dos processos de reconvers&#227;o em     vari&#225;veis que extrapolem as interven&#231;&#245;es f&#237;sicas nas cidades, enfatizando seus impactos sobre a intera&#231;&#227;o entre os atores     sociais e na altera&#231;&#227;o dos tipos de empreendimentos locais. Mesmo porque, conforme salienta Jacobs (2011, p. 488), as cidades devem ser     entendidas como &#171;organismos repletos de inter-rela&#231;&#245;es n&#227;o examinadas, mas obviamente intrincadas&#187;. Assim, os estudos devem     incluir considera&#231;&#245;es sobre os impactos das din&#226;micas de reconvers&#227;o na vida urbana, na viv&#234;ncia dos diversos protagonistas     an&#244;nimos e nas intera&#231;&#245;es sociais.</p>     <p>     Entre os agentes locais que podem influenciar o processo de reconvers&#227;o de uma cidade (empres&#225;rios, comunidade, poder p&#250;blico), constata-se     que as lideran&#231;as empreendedoras, no contexto das &#171;cidades-empresas&#187; tendem a desempenhar papel protag&#244;nico em tais din&#226;micas,     como j&#225; indicado por Harvey (1996). Portanto, o presente estudo deu &#234;nfase aos empreendedores locais (donos de pousadas, restaurantes, lojas) das     localidades alvo do estudo, sem desconsiderar, todavia, a perspetiva de outros atores envolvidos e ou submetidos a tais processos.</p>     <p>     Nesse contexto, o estudo que subsidiou a elabora&#231;&#227;o deste artigo teve como prop&#243;sito central investigar o papel, os atributos e as formas de     atua&#231;&#227;o de empreendedores locais em cidades que vivenciam processos de reconvers&#227;o de suas fun&#231;&#245;es econ&#244;micas, nos casos, em     espec&#237;fico, orientados pela expans&#227;o da ind&#250;stria do turismo. Como objetivos espec&#237;ficos, buscou-se: caracterizar o processo de     reconvers&#227;o de fun&#231;&#245;es econ&#244;micas das cidades-alvo, evidenciando-se poss&#237;veis contradi&#231;&#245;es; identificar, caracterizar e     comparar os tipos de empreendedores presentes nas cidades de Tiradentes e de Paraty; analisar de que forma tais empreendedores atuam e se inter-relacionam     nas din&#226;micas de reconvers&#227;o.</p>     <p>     Em termos te&#243;ricos, os levantamentos emp&#237;ricos de dados que subsidiaram os resultados deste artigo contemplaram a revis&#227;o de literatura     sobre o constructo <i>Reconvers&#227;o de Fun&#231;&#245;es Econ&#244;micas de Cidades</i> e sobre o <i>Empreendedorismo</i>. Por fim, foi incorporada     revis&#227;o das no&#231;&#245;es de <i>habitus</i>, campo e capital, conforme propostos por Bourdieu (1990, 2010), as quais foram utilizadas para a     an&#225;lise da intera&#231;&#227;o entre os empreendedores locais, nas cidades investigadas.</p>     <p>     Em termos metodol&#243;gicos, a pesquisa que subsidiou os resultados deste estudo pode ser caracterizada como um estudo de caso, de natureza qualitativa     (Eisenhardt, 1989; Yin, 2005), compreendendo entrevistas semiestruturadas e em profundidade, an&#225;lise documental e observa&#231;&#227;o direta com     representantes de diferentes campos (empreendedores, representantes de entidades da sociedade civil, lideran&#231;as governamentais, dentre outros), com     destaque para os empreendedores locais, conforme j&#225; evidenciado.</p>     <p>     Quanto &#224;s unidades de pesquisa, foram consideradas duas cidades hist&#243;ricas brasileiras &#8211; Tiradentes (Estado de Minas Gerais) e Paraty     (Estado do Rio de Janeiro), as quais representam, casos emblem&#225;ticos de din&#226;micas de reconvers&#227;o de fun&#231;&#245;es econ&#244;micas     impulsionadas pela mesma atividade econ&#244;mica: o turismo, permitindo a identifica&#231;&#227;o de tipos distintos de empreendedores, an&#225;lise     comparativa e valida&#231;&#227;o, em Paraty, e da tipologia de empreendedores identificada, em Tiradentes.</p>     <p>     No que tange &#224; sua relev&#226;ncia, a pesquisa justifica-se, em termos te&#243;ricos, ao ampliar os estudos sobre processos de reconvers&#227;o de     fun&#231;&#245;es econ&#244;micas de cidades, correlacionando-os &#224; literatura sobre &#171;Lideran&#231;a e Empreendedorismo&#187;. Al&#233;m disso,     este estudo pode contribuir para aprimorar a compreens&#227;o acerca das tipologias de empreendedores, tendo em vista que, somente mais recentemente, as     pesquisas sobre o tema t&#234;m chamado a aten&#231;&#227;o para as varia&#231;&#245;es existentes entre eles (Sarasvathy, 2004).</p>     <p>     Ainda em rela&#231;&#227;o aos avan&#231;os te&#243;ricos, n&#227;o se pode deixar de fazer men&#231;&#227;o &#224; inser&#231;&#227;o do arcabou&#231;o     te&#243;rico de Bourdieu (1990, 2010), o qual possibilitou uma compreens&#227;o mais ampla das inter-rela&#231;&#245;es e estrat&#233;gias utilizadas por     diferentes empreendedores nas comunidades alvo do estudo.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>     Em termos pr&#225;ticos, o estudo justificou-se ao contribuir com subs&#237;dios para o desenvolvimento de medidas direcionadas a processos de     reconvers&#227;o de fun&#231;&#245;es econ&#244;micas de cidades. Por fim, espera-se que seus resultados possam propiciar novos <i>insights</i> para a     formula&#231;&#227;o de pol&#237;ticas de fomento ao empreendedorismo, assim como a a&#231;&#245;es direcionadas &#224; (re-)qualifica&#231;&#227;o desses     importantes atores, reconhecendo suas especificidades: os pequenos empreendedores.</p>     <p>     <b>Referencial te&#243;rico</b></p> <ul>         <li>         <b>No&#231;&#227;o de reconvers&#227;o de fun&#231;&#245;es econ&#244;micas de cidades</b>    </li>     </ul>     <p>     Debates produzidos no meio acad&#234;mico t&#234;m alertado para a import&#226;ncia de se analisar cidades submetidas a processos de     requalifica&#231;&#227;o de fun&#231;&#245;es econ&#244;micas. Ao mesmo tempo t&#234;m estimulado reflex&#245;es sobre implica&#231;&#245;es dessas     transforma&#231;&#245;es sobre os atores sociais locais, bem como no potencial de desenvolvimento dessas localidades. Tal interesse pode ter-se dado pela     experi&#234;ncia de cidades em diferentes pa&#237;ses em processos de revaloriza&#231;&#227;o de seus patrim&#244;nios arquitet&#244;nicos, culturais e     humanos, com implica&#231;&#245;es nos indicadores socioecon&#244;micos locais. Tais processos assumem diferentes nomenclaturas na literatura, tais como     requalifica&#231;&#227;o, reestrutura&#231;&#227;o e reconvers&#227;o de fun&#231;&#245;es econ&#244;micas &#8211; express&#227;o adotada neste artigo     (Harvey, 1996; Borja e Castells, 1997).</p>     <p>     Um ponto comum entre essas diferentes express&#245;es &#233; o fato de se basearem em tend&#234;ncias contempor&#226;neas de &#171;planejamento     estrat&#233;gico&#187; de cidades, refletidas em no&#231;&#245;es como <i>cidade-espet&#225;culo</i> (S&#225;nchez, 2003) e <i>cidade-empresa</i> (Vainer,     2000), em que se pressup&#245;e a cidade como neg&#243;cio, buscando-se torn&#225;-la competitiva por meio de investimentos em marketing urbano,     promo&#231;&#227;o e infraestrutura local.</p>     <p>     Para diferentes autores, tais estrat&#233;gias acabam por enfraquecer o planejamento regional como empreendimento exclusivo do Estado, fortalecendo o papel     dos empreendimentos privados no desenvolvimento de cidades (Harvey, 1996; Borja e Castells, 1997; Bentley, 2005). Tal movimento evidencia-se, sob tal     perspetiva, na difus&#227;o de um discurso ideol&#243;gico que preconiza o papel &#171;modernizante&#187; das cidades, sinalizando competir a elas se     prepararem para as &#171;novas&#187; for&#231;as da economia global, servindo como suporte f&#237;sico aos fluxos econ&#244;micos e &#224;     atua&#231;&#227;o das empresas (Ferreira, 2007, p. 115).</p>     <p>     Orientados por tais tend&#234;ncias, autores como Sassen (1999), Borja e Castells (1997) se especializaram no estudo &#8211; e consultoria &#8211; dessa     &#171;nova modalidade de planejamento urbano&#187;, amplamente inspirada nas teorias de gest&#227;o empresarial, mais afins &#224;s demandas das cidades     que se pretendem competitivas.</p>     <p>     Como resposta &#224;s novas demandas, evidencia-se a necessidade de reflex&#245;es mais amplas e cr&#237;ticas quanto &#224;s implica&#231;&#245;es dos     processos de transforma&#231;&#227;o sobre diferentes dimens&#245;es: econ&#244;micas, sociais, pol&#237;ticas, institucionais, culturais e espaciais.     Neste sentido, prop&#245;e-se que as cidades sejam entendidas e investigadas como &#171;organismos repletos de inter-rela&#231;&#245;es n&#227;o     examinadas, mas obviamente intrincadas&#187; (Jacobs, 2011, p. 488), trazendo &#224; tona a import&#226;ncia de se escutar e aprender, n&#227;o apenas a     partir de modelos e consensos predefinidos, mas a partir do cotidiano, de consensos livres, estabelecidos a partir do envolvimento democr&#225;tico e     participativo dos atores afetados.</p>     <p>     Sugere-se, nessa dire&#231;&#227;o, uma compreens&#227;o mais profunda da vida urbana, da viv&#234;ncia de seus diversos protagonistas an&#244;nimos, dos     v&#225;rios n&#237;veis de conectividade entre os vizinhos, da hist&#243;ria e da diversidade (Jacobs, 2011).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>     Tais premissas nortearam a realiza&#231;&#227;o deste estudo. Sob essa linha de racioc&#237;nio, a pr&#243;xima se&#231;&#227;o discute a lideran&#231;a e     o pressuposto de varia&#231;&#227;o entre empreendedores.</p> <ul>         <li>         <b>A lideran&#231;a no contexto do empreendedorismo</b>    </li>     </ul>     <p>     Estudos recentes sobre empreendedorismo registram preocupa&#231;&#245;es com impactos da atua&#231;&#227;o do empreendedor para al&#233;m das fronteiras     organizacionais, assim como o entendimento de como se organiza a din&#226;mica de for&#231;as que lhe confere poder (Yammarino <i>et al.,</i> 2001).</p>     <p>     Em geral, o pensamento sobre o empreendedorismo pode ser visualizado por meio de dois extremos. De um lado, a vis&#227;o dos empreendedores como elementos     quase m&#237;ticos, que, por suas compet&#234;ncias singulares, estariam aptos a aproveitar oportunidades que outros n&#227;o conseguiriam vislumbrar     (Collins e Moore, 1964; Hull <i>et al.</i>, 1980; Miner, 2000). De outro lado, h&#225; autores que defendem que for&#231;as externas criam oportunidades     para novos empreendimentos, os quais seriam idealizados ao acaso por pessoas e n&#227;o por virtudes particulares, cujo exemplo mais influente encontra-se     na vis&#227;o da &#171;Ecologia Populacional das Organiza&#231;&#245;es&#187; (Hannan e Freeman, 1984).</p>     <p>     Se os primeiros estudos sobre empreendedorismo distinguiam os empreendedores como um grupo especial, aos poucos se tornou aparente que mesmo os     empreendedores, como categoria, apresentam varia&#231;&#245;es entre si. Em decorr&#234;ncia, estudos mais contempor&#226;neos t&#234;m retomado sua     aten&#231;&#227;o para a varia&#231;&#227;o entre empreendedores e seus estilos de gest&#227;o (Filley e Aldag, 1978; Cooper <i>et al</i>., 1997;     Sarasvathy, 2004). Sarasvathy (2004) chega, inclusive, a defender que a perspetiva de homogeneidade pode prejudicar os esfor&#231;os para se compreender     melhor o fen&#244;meno.</p>     <p>     Entretanto, constatou-se que a literatura cl&#225;ssica sobre o tema n&#227;o possui diversidade de estudos que abordem categorias ou tipos de     empreendedores (Lafuent e Salas, 1989; Cooper <i>et al.</i>, 1997; Sant&#8217;Anna <i>et al</i>., 2011). A tipologia mais antiga - de fato uma dicotomia     &#8211; &#233; de Smith, desenvolvida na d&#233;cada de 1960, cuja influ&#234;ncia perdura at&#233; hoje.</p>     <p>     Smith (1967) identificou dois tipos de empreendedores: os artes&#227;os e os oportunistas. O primeiro caracteriza-se por ser filho de oper&#225;rios e ter     treinamento t&#233;cnico. Trata-se de profissional dedicado &#224; excel&#234;ncia na tarefa que desempenha, geralmente n&#227;o atribuindo &#234;nfase ao     crescimento do neg&#243;cio. J&#225; o oportunista normalmente tem curso superior em &#225;reas como a administra&#231;&#227;o &#8211; mas raramente em     &#225;reas t&#233;cnicas &#8211; e busca, intensamente, a expans&#227;o da empresa, assim como lucros crescentes.</p>     <p>     D&#233;cadas subsequentes trouxeram novas tipologias, mas parece ter persistido a tens&#227;o entre crescimento e lucro, de um lado, e foco em     excel&#234;ncia na produ&#231;&#227;o, de outro. Cooper <i>et al</i>. (1997), por exemplo, identificaram duas categorias de empreendedores (os artesanais e     os administrativos), as quais se diferenciam da tipologia proposta por Smith (1967), por&#233;m manteve-se a dicotomia entre foco na produ&#231;&#227;o ou     no crescimento (Cooper <i>et al</i>., 1997).</p>     <p>     Independentemente dos esfor&#231;os de se estabelecer novas tipologias de empreendedores, alguns estudiosos redescobriram o conceito de <i>bricolage</i>,     forjado pelo antrop&#243;logo franc&#234;s L&#233;vi-Strauss (1966). Compreendendo-se <i>bricolage</i>, em ess&#234;ncia, como a arte de dar um jeito ou     improvisar com o que se tem &#224; m&#227;o, empreendedores que praticam <i>bricolage</i> parecem criar algo do nada, com m&#233;todos informais e     criatividade para a solu&#231;&#227;o de problemas (Baker e Nelson, 2005).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>     Com o avan&#231;o dos estudos envolvendo novos conceitos e perspetivas, como a de <i>bricolage</i>, ficou ainda mais evidente a no&#231;&#227;o de que os     empreendedores apresentam varia&#231;&#245;es entre si e que essas diferen&#231;as t&#234;m importantes implica&#231;&#245;es conceituais e pr&#225;ticas.     Pesquisas sinalizaram tamb&#233;m que o contexto social, no qual os empreendedores se inserem exerce influ&#234;ncia em seus desempenhos, ao mesmo tempo em     que tais atores influenciam o ambiente no qual est&#227;o imersos (Davidson, 2004; Hindle, 2010).</p>     <p>     Pesquisa recente, que incorpora tais no&#231;&#245;es, foi levada a cabo por Sant&#8217;Anna <i>et al</i>. (2011). Os autores identificaram uma tipologia     de empreendedores a partir de pesquisa realizada junto &#224; pequena comunidade hist&#243;rica de Tiradentes (Brasil), com as categorias listadas no     <a href="#q1">quadro</a> seguinte.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><a name="q1"></a><img src="/img/revistas/rpbg/v12n2/12n2a05q1.jpg" width="535" height="264"></b></p>     
<p>&nbsp;    </p>     <p>De acordo com os autores, os Empreendedores Tradicionais possuem como principal capital a &#171;tradi&#231;&#227;o&#187;, por&#233;m podem-se distinguir,     pela forma como manifestam tal caracter&#237;stica, duas subcategorias: os Remanescentes e os Pioneiros. Enquanto os primeiros valorizam o &#171;nome de     fam&#237;lia, os bens de raiz&#187;, os Pioneiros d&#227;o mais &#234;nfase aos aspetos &#171;culturais, &#224; erudi&#231;&#227;o&#187;.</p>     <p>     Os Empreendedores Tradicionais Remanescentes s&#227;o, geralmente, pequenos comerciantes e empreendedores individuais nascidos na regi&#227;o, os quais     j&#225; possu&#237;am neg&#243;cios no local antes do <i>boom</i> econ&#244;mico propiciado &#224; cidade pelo florescimento da ind&#250;stria local do     turismo. Geralmente, possuem forte liga&#231;&#227;o com a cidade, ao mesmo tempo apresentam-se pouco representativos em termos econ&#244;micos. Al&#233;m     disso, o baixo n&#237;vel de escolaridade desse grupamento de empreendedores e o pequeno porte de seus neg&#243;cios dificultam uma concorr&#234;ncia mais     equilibrada com os demais tipos de empreendedores.</p>     <p>     J&#225; os Tradicionais Pioneiros s&#227;o precursores na cria&#231;&#227;o de empreendimentos direcionados a um p&#250;blico mais sofisticado que     &#171;aprecia os bens culturais&#187;. O principal capital desse grupo &#233; a sua bagagem cultural e a vincula&#231;&#227;o de seus neg&#243;cios a     projetos pessoais. Ao contr&#225;rio dos Remanescentes, os Empreendedores Pioneiros buscam se diferenciar pelo fato de terem nascido em grandes centros,     inclusive internacionais, ou, apesar de nascidos na cidade, terem vivenciado experi&#234;ncias em outros contextos s&#243;cio-econ&#244;micos e culturais.</p>     <p>     Os Empreendedores Modernos tamb&#233;m podem ser visualizados em duas categorias (os Profissionais e os Negociais), embora se assemelhem no que se refere     &#224; valoriza&#231;&#227;o da qualifica&#231;&#227;o formal e de valores que extrapolem o atributo &#171;tradi&#231;&#227;o&#187;.</p>     <p>     Os Empreendedores Modernos Profissionais s&#227;o, no geral, profissionais liberais ou ex-gestores de grandes empresas, que deixaram os grandes centros     para morar em pequenas cidades, em busca de melhor qualidade de vida. Como atributos deste grupo merecem destaque os discursos e posturas associados a     conceitos de responsabilidade social empresarial. Nessa dire&#231;&#227;o, tendem a demonstrar maior preocupa&#231;&#227;o com as quest&#245;es que afetam     toda a cidade. Por outro lado, os Empreendedores Negociais, embora tamb&#233;m valorizem a qualifica&#231;&#227;o formal, se diferenciam pela busca     priorit&#225;ria pelo lucro e, assim, tendem a preocupar-se mais com o desempenho de seus neg&#243;cios que com as quest&#245;es mais coletivas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Finalmente, os Empreendedores P&#243;s-Modernos se distinguem em dois grupos: os Vanguardistas e os Camale&#245;es. Os primeiros s&#227;o donos de    <i>ateliers</i> de arte, pintores e outros artistas, que se caracterizam por atributos como &#171;cria&#231;&#227;o&#187;, &#171;novo&#187;,     &#171;independ&#234;ncia&#187;, &#171;contesta&#231;&#227;o&#187;, &#171;desprendimento&#187; e por &#171;estilos de vida peculiares&#187;. J&#225; os     Empreendedores Camale&#245;es s&#227;o, geralmente, trabalhadores vindos dos grandes centros e cidad&#227;os da cidade que perceberam, no processo de     transforma&#231;&#227;o local, oportunidades de &#171;fazerem a vida&#187;. Com recursos financeiros mais escassos, constituem seus neg&#243;cios na base     da improvisa&#231;&#227;o. Boa parte deles est&#225; inserida na economia informal.</p>     <p>     Considerando-se que diferentes tipos de empreendedores se articulam no processo de requalifica&#231;&#227;o econ&#244;mica de cidades, foi incorporado     &#224; fundamenta&#231;&#227;o te&#243;rica constructos de Bourdieu (1990, 2009, 2010), conforme dispostos na se&#231;&#227;o seguinte.</p> <ul>         <li>         <b>Inter-rela&#231;&#227;o entre tipos de empreendedores: uma an&#225;lise com base na perspetiva de Bordieu</b>    </li>     </ul>     <p> Para compreender articula&#231;&#245;es entre diferentes atores sociais, sobretudo a tipologia de empreendedores identificada por Sant&#8217;Anna    <i>et al.</i> (2011), tomou-se como refer&#234;ncia a obra de Bourdieu, principalmente as no&#231;&#245;es de <i>habitus</i>, campo e capital. Essa linha     de pesquisa pode, ademais, contribuir para um melhor entendimento sobre a maneira com que agentes disputam, se distinguem e estabelecem alian&#231;as para     a posse dos capitais distribu&#237;dos num espa&#231;o social.</p>     <p>     Uma das principais ideias de Bourdieu (1990, 1996, 2009, 2010) &#233; a de que atores sociais, dotados de <i>habitus</i> (atributos) similares ou distintos     se inter-relacionam no interior de um espa&#231;o social, onde se desenrolam conflitos e alian&#231;as em busca da posse de capitais valiosos. Tal     coloca&#231;&#227;o traz a tona tr&#234;s conceitos propostos pelo autor: <i>habitus</i>, campo e capital.</p>     <p>     Bourdieu (1990) define o <i>habitus</i> como um sistema de disposi&#231;&#245;es e princ&#237;pios dur&#225;veis que pode funcionar como &#171;estruturas     estruturantes&#187;, i.e., como esquemas geradores e organizadores de a&#231;&#245;es coletivas e individuais. Desse modo, o <i>habitus</i> &#233; um     sistema de disposi&#231;&#245;es que os indiv&#237;duos adquirem no processo de socializa&#231;&#227;o, ou seja, s&#227;o modos de agir, fazer, sentir e     pensar interiorizados pelos indiv&#237;duos como resultado das condi&#231;&#245;es de sua exist&#234;ncia. Contudo, n&#227;o &#233; uma     imposi&#231;&#227;o; na verdade, fornece ao agente uma orienta&#231;&#227;o de comportamento (Bourdieu, 1990, 1996; Bourdieu e Ortiz, 1994). Bourdieu     (2008) ainda trata o <i>habitus</i> como fator de distin&#231;&#227;o, produto da posi&#231;&#227;o e da trajet&#243;ria social dos indiv&#237;duos. Assim,     cada classe corresponde a um <i>habitus</i> diferente.</p>     <p>     O campo, por sua vez, &#233; um espa&#231;o din&#226;mico constitu&#237;do de posi&#231;&#245;es distintas ocupadas por atores sociais e determinadas pelo     volume de capital detido por eles. &#201; conceituado tamb&#233;m como ambiente onde se desenrolam lutas e alian&#231;as entre agentes em busca da     manuten&#231;&#227;o ou transforma&#231;&#227;o do estado vigente de for&#231;as (Bourdieu, 1990; Peci, 2003).</p>     <p>     Como a posse de capital tende a ser desigual, existem, no interior do campo, diversos grupos caracterizados por estilos de vida diferentes. Assim, o campo     vive em conflito, onde os grupos dominantes buscam manter seus privil&#233;gios e os demais tentam alterar a distribui&#231;&#227;o de capital vigente.     N&#227;o obstante, &#233; poss&#237;vel observar tamb&#233;m a forma&#231;&#227;o de alian&#231;as entre atores em busca de espa&#231;o e poder (Misoczky,     2003).</p>     <p>     Por fim, o capital &#233; a principal forma de poder e de distin&#231;&#227;o no interior de um campo, sendo, simultaneamente, instrumento e objeto de     disputa. Bourdieu (1990) pressup&#245;e a exist&#234;ncia de tr&#234;s tipos de capital (econ&#244;mico, cultural e simb&#243;lico) (Bonnewitz, 2005;     Bourdieu, 1990). O conceito de capital econ&#244;mico de Bourdieu &#233; similar &#224; defini&#231;&#227;o de Marx: recursos associados aos fatores de     produ&#231;&#227;o (terra) e aos ativos econ&#244;micos, como os bens materiais. O capital cultural, por sua vez, corresponde ao conjunto de conhecimentos     e qualifica&#231;&#245;es intelectuais transmitidas pela fam&#237;lia e pelas institui&#231;&#245;es escolares durante a vida do indiv&#237;duo. Por fim, o     capital simb&#243;lico est&#225; relacionado com a acumula&#231;&#227;o de prest&#237;gio e reconhecimento social pelo indiv&#237;duo ou grupo que     preservam sob seus dom&#237;nios os recursos considerados essenciais num determinado campo (Thiry-Cherques, 2006).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>     As diferen&#231;as existentes no interior de um campo, sobretudo em termos de capital, geram a divis&#227;o do espa&#231;o em &#171;classes sociais&#187;     ou &#171;posi&#231;&#245;es de classe&#187;, as quais est&#227;o associadas a uma cultura espec&#237;fica (ou a um <i>habitus</i>). Ao optarem por um     estilo de vida, os indiv&#237;duos acabam se auto classificando em rela&#231;&#227;o a uma classe social (Bourdieu, 1990), como bem evidencia a tipologia     obtida por Sant&#8217;Anna <i>et al.</i> (2011).</p>     <p>     <b>Metodologia de pesquisa</b></p>     <p>     Em termos metodol&#243;gicos, a investiga&#231;&#227;o que subsidiou os resultados apresentados neste artigo pode ser caracterizada como um estudo de     casos, de natureza qualitativa (Greenwood, 1973; Eisenhardt, 1989; Yin, 2005). Tal metodologia consiste na an&#225;lise exaustiva de um ou de poucos     objetos emp&#237;ricos, sejam eles situa&#231;&#245;es, pessoas, organiza&#231;&#245;es ou comunidades, circunst&#226;ncias em que se encontram e a     natureza dos fen&#244;menos que os comp&#245;em. &#201; indicado quando o fen&#244;meno em estudo &#233; complexo, contempor&#226;neo e insere-se num     contexto real, como &#233; o caso da presente pesquisa que investigou &#171;tipos de empreendedores em processos de reconvers&#227;o de fun&#231;&#245;es     econ&#244;micas de cidades&#187; (Greenwood, 1973; Eisenhardt, 1989).</p>     <p>     O estudo de casos, por sua vez, possibilita ao investigador identificar os fatores que estimulam a ocorr&#234;ncia de um evento, bem como compreender a     intera&#231;&#227;o que se estabelece entre tais vari&#225;veis. Assim, se torna poss&#237;vel visualizar o caso pesquisado como uma rede de     inter-rela&#231;&#245;es na complexidade em que ela se apresenta (Greenwood, 1973).</p>     <p>     A escolha dos casos em pesquisa qualitativa &#233; uma decis&#227;o importante, pois pode impactar a relev&#226;ncia dos resultados do estudo. Portanto,     essa escolha n&#227;o deve ser aleat&#243;ria, mas intencional, orientada para a riqueza com que o fen&#244;meno se apresenta (Eisenhardt, 1989; Yin,     2005). Com base nessas premissas, optou-se pela realiza&#231;&#227;o da pesquisa emp&#237;rica em duas cidades hist&#243;ricas brasileiras que vivenciaram     processos de reconvers&#227;o de fun&#231;&#227;o econ&#244;mica, Tiradentes (Estado de Minas Gerais) e Paraty (Estado do Rio de Janeiro). Al&#233;m de     representarem casos emblem&#225;ticos de din&#226;micas de reconvers&#227;o, ambos os processos foram impulsionados pela mesma atividade econ&#244;mica     &#8211; o Turismo &#8211;, fato que contribuiu para uma compara&#231;&#227;o efetiva entre tipos de empreendedores encontrados em cada localidade,     permitindo avan&#231;os nas pesquisas do campo (Yin, 2005).</p>     <p>     Quanto &#224; estrat&#233;gia de coleta de dados, o estudo iniciou-se pela an&#225;lise de documentos hist&#243;ricos com o objetivo de compreender os     contextos de Tiradentes e de Paraty. Em seguida, no caso Tiradentes, foram realizadas cinco visitas <i>in loco</i> a cidade, no ano de 2010 e 2011.     Al&#233;m de observa&#231;&#227;o direta, foram realizadas quarenta entrevistas semiestruturadas e em profundidade com empreendedores locais (donos de     pousadas, restaurantes, lojas), representantes do Poder P&#250;blico e indiv&#237;duos de associa&#231;&#245;es e da comunidade. Nesta mesma linha, foi     realizada a coleta de dados em Paraty. Foram conduzidas duas visitas a cidade em 2011 e realizadas 23 entrevistas com os sujeitos da pesquisa.</p>     <p>     Para a sele&#231;&#227;o dos entrevistados, tr&#234;s premissas foram consideradas: conhecimento da hist&#243;ria das cidades; envolvimento em     empreendimentos diversos que acompanharam tal din&#226;mica; possibilidades quanto a heterogeneidade de vis&#245;es acerca do processo em an&#225;lise. O     roteiro de entrevistas utilizado nos dois casos incluiu quest&#245;es sobre a trajet&#243;ria pessoal dos respondentes; suas vis&#245;es acerca do processo     de requalifica&#231;&#227;o da cidade; os principais agentes envolvidos, sobretudo os empreendedores; suas caracter&#237;sticas e formas de     atua&#231;&#227;o.</p>     <p>     Ressalta-se que a utiliza&#231;&#227;o combinada de v&#225;rias fontes de evid&#234;ncias &#8211; entrevistas, documentos e observa&#231;&#227;o &#8211;     possibilitou o confronto das informa&#231;&#245;es obtidas com base em cada fonte, conferindo maior confiabilidade aos resultados da pesquisa (Greenwood,     1973; Eisenhardt, 1989; Yin, 2005).</p>     <p>     Para o tratamento dos dados obtidos, utilizou-se o m&#233;todo de an&#225;lise de conte&#250;do. Essa metodologia consiste no uso de t&#233;cnicas de     sistematiza&#231;&#227;o, interpreta&#231;&#227;o e descri&#231;&#227;o do conte&#250;do das informa&#231;&#245;es, a fim de compreender melhor o discurso     e extrair os detalhes mais importantes. Com isso, foi poss&#237;vel examinar as v&#225;rias dimens&#245;es dos relatos dos entrevistados e construir     infer&#234;ncias com base neles (Godoy, 1995; Bauer e Gaskell, 2002).</p>     <p>     Complementarmente &#224; an&#225;lise manual dos relatos obtidos, empreendeu-se an&#225;lise por meio do <i>software</i> de tratamento qualitativo de dados     N-vivo 8.0, seguindo o processo de codifica&#231;&#227;o e categoriza&#231;&#227;o, conforme indicado por Flick (2009). Como resultado desse processo     emergiram categorias, as quais se constitu&#237;ram em importantes achados de pesquisa, especificamente, ao evidenciarem pares antit&#233;ticos, tais como     &#171;centro-hist&#243;rico&#187; <i>versus</i> &#171;periferia&#187; e &#171;nativos&#187; <i>versus</i> &#171;forasteiros&#187;.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>     Cabe salientar que a an&#225;lise dos dados foi procedida em duas fases: an&#225;lise intracaso, examinando, em separado, os dados e categorias obtidos em     cada cidade; an&#225;lise cruzada, por meio de an&#225;lise comparativa entre os casos, objetivo central deste artigo. Com resultante foi poss&#237;vel     capturar padr&#245;es, confirmando a relev&#226;ncia de certos elementos para a literatura, al&#233;m de identificar diferen&#231;as na forma como o     fen&#244;meno se apresenta em cada cidade (Yin, 2005).</p>     <p>     <b>Apresenta&#231;&#227;o e an&#225;lise dos dados</b></p> <ul>         <li>         <b>Os casos estudados: processos de requalifica&#231;&#227;o de fun&#231;&#245;es econ&#244;micas de Tiradentes (MG) e de Paraty (RJ)</b>    </li>     </ul>     <p>     A an&#225;lise das trajet&#243;rias de Tiradentes e de Paraty, desde suas descobertas at&#233; os dias atuais, revelou similaridades entre seus processos     hist&#243;ricos. O descobrimento e r&#225;pido desenvolvimento de ambas est&#227;o diretamente vinculados &#224; extra&#231;&#227;o de ouro no per&#237;odo     colonial brasileiro, bem como a decad&#234;ncia desta atividade at&#233; ao esquecimento vivenciado por essas cidades, por longo tempo. Outros pontos     comuns s&#227;o o patrim&#244;nio arquitet&#244;nico preservado de Tiradentes e de Paraty e as suas voca&#231;&#245;es culturais, permitindo-lhes serem,     mais tarde, (re-)valorizadas pela arte e pela presen&#231;a de forte turismo cultural (Sant&#8217;Anna <i>et al.,</i> 2011; Oliveira<i> et al</i>., 2011).</p>     <p>     No caso de Tiradentes foi poss&#237;vel identificar quatro est&#225;gios de desenvolvimento. Um primeiro, caracterizado pela expans&#227;o e decl&#237;nio     da economia aur&#237;fera (at&#233; o S&#233;c. XX). Um segundo que vai da redescoberta da cidade pelo &#171;Movimento Modernista&#187; brasileiro, nos     anos 1920, at&#233; por volta da d&#233;cada de 1960. Um terceiro, marcado pela intensifica&#231;&#227;o do processo de revitaliza&#231;&#227;o     urban&#237;stica de seu centro hist&#243;rico, que se estende de meados dos anos 1960 at&#233; a d&#233;cada de 1990. E, finalmente, o est&#225;gio atual,     fundamentado no Turismo.</p>     <p>     Em linhas gerais, o primeiro est&#225;gio de Tiradentes pode ser caracterizado pela extra&#231;&#227;o exaustiva de metais preciosos pelos portugueses no     interior do Brasil, contribuindo para o desenvolvimento das regi&#245;es no entorno como suporte a tal atividade. A descoberta de quantidade crescente de     ouro, no final do S&#233;c. XVII, estimulou o aumento de pessoas que se encaminharam para Minas Gerais, contribuindo para a cria&#231;&#227;o de     in&#250;meras vilas, dentre elas, a Vila de S&#227;o Jos&#233; (1718), que em anos posteriores se transformaria em Tiradentes (Frota, 2005).</p>     <p>     Ap&#243;s extra&#231;&#227;o exaustiva do ouro, as regi&#245;es no entorno come&#231;am a sofrer com os impactos do esgotamento das minas. Com isso,     Tiradentes vivencia um processo de esvaziamento econ&#244;mico e populacional, ap&#243;s meados do S&#233;c. XIX. Paradoxalmente, tal abandono contribuiu     para a preserva&#231;&#227;o do seu patrim&#244;nio hist&#243;rico, chamando a aten&#231;&#227;o, na d&#233;cada de 1920, de artistas do Movimento     Modernista brasileiro, que viam no barroco e no patrim&#244;nio das cidades hist&#243;ricas elementos importantes para forjarem-se a arte (Frota, 2005).</p>     <p>     Incentivada por esse movimento, a cidade inicia um processo de revitaliza&#231;&#227;o de seu centro hist&#243;rico, que se intensifica na d&#233;cada de     1960, por meio da mobiliza&#231;&#227;o da comunidade por diversas lideran&#231;as individuais e governamentais. Al&#233;m da restaura&#231;&#227;o de seu     patrim&#244;nio, a moderniza&#231;&#227;o das estradas e ferrovia possibilitou uma melhor comunica&#231;&#227;o com outras cidades de Minas Gerais e acesso     &#224; regi&#227;o, impulsionando a atividade tur&#237;stica (Frota, 2005).</p>     <p>     A partir dessas iniciativas, o Turismo se configura como a principal fonte de renda de Tiradentes, sendo que a economia da cidade baseia-se, praticamente,     na atividade tur&#237;stica, seja na presta&#231;&#227;o de servi&#231;os de alimenta&#231;&#227;o e de hospedagem, seja na produ&#231;&#227;o e     com&#233;rcio de artigos artesanais. Atualmente, o setor de servi&#231;os corresponde a 63% do Produto Interno Bruto (PIB) da cidade, seguido do segmento     industrial, que representa 33%. Por fim, as atividades vinculadas &#224; Agropecu&#225;ria correspondem a apenas 4% do PIB interno. Em termos     demogr&#225;ficos, Tiradentes conta com 6961 habitantes, conforme dados do IBGE (2012).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>     Assim como Tiradentes, Paraty teve os primeiros anos de desenvolvimento associados &#224; atividade aur&#237;fera no interior do Brasil. N&#227;o obstante,     o processo hist&#243;rico de Paraty pode ser delimitado em tr&#234;s per&#237;odos principais: urbaniza&#231;&#227;o de Paraty &#8211; rota de acesso ao     ouro (da constitui&#231;&#227;o da cidade at&#233; o S&#233;c. XVIII); esquecimento de Paraty &#8211; abertura de novos caminhos para as Minas (S&#233;c.     XVIII at&#233; o S&#233;c. XX); e ressurgimento e in&#237;cio do ciclo do Turismo cultural (a partir do S&#233;c. XX) (Oliveira<i> et al</i>., 2011;     Hist&#243;ria, 2011).</p>     <p>     Por volta de 1500, &#233;poca em que o sistema de capitanias foi implantado no Brasil por Portugal, a regi&#227;o onde se localiza Paraty se constituiu no     principal ponto de entrada para os que buscavam o interior do Pa&#237;s &#224; procura de ouro. Assim, a cidade tornou-se importante entreposto comercial,     por meio do qual entrava e sa&#237;a grande parte das mercadorias do pa&#237;s. O desenvolvimento de Paraty deveu-se, portanto, &#224; sua     posi&#231;&#227;o estrat&#233;gica e a seu porto mar&#237;timo, que chegou a ser o segundo mais importante do Brasil (<i>Jornal de Paraty</i>, 2011).</p>     <p>     A atividade extrativa do ouro foi respons&#225;vel, por quase dois s&#233;culos, de desenvolvimento. Entretanto, em 1870, Paraty entra num per&#237;odo de     decl&#237;nio devido &#224; abertura de um caminho ferrovi&#225;rio entre Rio de Janeiro e S&#227;o Paulo, gerando redu&#231;&#227;o do movimento do porto     da cidade. Al&#233;m disso, a aboli&#231;&#227;o da escravatura, em 1888, gerou intenso &#234;xodo de m&#227;o-de-obra (<i>Jornal de Paraty</i>, 2011).     Esse per&#237;odo de esquecimento perdurou at&#233; a segunda metade do S&#233;c. XX, ficando Paraty acess&#237;vel somente por mar (Oliveira<i> et al</i>     ., 2011).</p>     <p>     Mais precisamente, Paraty veio a ser redescoberta em meados da d&#233;cada de 1970, com a abertura da Rodovia Rio-Santos (BR-101). Com isso, Paraty     tornou-se amplamente acess&#237;vel, impulsionando a voca&#231;&#227;o tur&#237;stica que a regi&#227;o j&#225; apresentava por seu conjunto     paisag&#237;stico/arquitet&#244;nico e suas belezas naturais. Inicia-se, assim, um novo ciclo em que a cidade passa a ser importante op&#231;&#227;o de     Turismo nacional e internacional. Desde essa &#233;poca, o Turismo &#233; uma das principais atividades econ&#244;micas de Paraty e mobiliza boa parte da     comunidade (Hist&#243;ria, 2011; <i>Jornal de Paraty</i>, 2011; Oliveira<i> et al</i>., 2011).</p>     <p>     Com popula&#231;&#227;o de 37 533 habitantes, Paraty concentra sua atividade econ&#244;mica no setor de servi&#231;os, o qual corresponde a 60% do PIB do     munic&#237;pio, seguido da Ind&#250;stria, com 37% e a Agropecu&#225;ria com apenas 3% (IBGE, 2012).</p> <ul>         <li>         <b>Tipologia de empreendedores em Tiradentes (MG) e Paraty (RJ)</b>    </li>     </ul>     <p>     A partir do conjunto dos dados emp&#237;ricos analisados, constatou-se que os processos de transforma&#231;&#227;o das duas cidades foram marcados por     contradi&#231;&#245;es e conflitos entre atores/institui&#231;&#245;es, os quais influenciaram a din&#226;mica de desenvolvimento local e, especificamente,     os tipos de empreendimentos que ali se instalaram (Sant&#8217;Anna <i>et al</i>., 2011; Bourdieu, 2009, 2010). Duas categorias emergentes do processo de     codifica&#231;&#227;o - as quais refletem tais contradi&#231;&#245;es &#8211; merecem destaque: &#171;centro hist&#243;rico <i>versus</i> periferia&#187; e     &#171;nativos <i>versus</i> forasteiros&#187;.</p>     <p>     Em rela&#231;&#227;o &#224; primeira, vale salientar que fen&#244;meno similar ocorreu em Tiradentes e em Paraty com o crescimento do Turismo: o     deslocamento da popula&#231;&#227;o nativa que morava em seus centros hist&#243;ricos para a periferia, estimulado pelas elevadas ofertas do mercado     imobili&#225;rio. Assim, os centros hist&#243;ricos de ambas as cidades passaram a se diferenciar dos outros bairros, concentrando a maior parte dos     estabelecimentos comerciais voltados para atender os turistas, sendo palco de disputas voltadas &#224; obten&#231;&#227;o de ganhos pol&#237;ticos e     financeiros. Nessa dire&#231;&#227;o, enquanto o ciclo do Turismo foi importante por trazer desenvolvimento para Tiradentes e Paraty, tamb&#233;m foi     perverso ao causar o deslocamento das popula&#231;&#245;es nativas de seus locais de origem.</p>     <p>     Com rela&#231;&#227;o aos conflitos entre &#171;nativos <i>versus</i> forasteiros&#187;, os mesmos foram observados de forma mais acentuada em Tiradentes.     Nessa cidade, as diferen&#231;as de h&#225;bitos e interesses entre os locais e os forasteiros &#8211; atra&#237;dos pela expans&#227;o das oportunidades     decorrentes da expans&#227;o da ind&#250;stria do Turismo &#8211; acabaram por provocar &#171;choques culturais&#187;, conforme evidenciam relatos, tais     como: &#171;N&#243;s temos dois opostos aqui, convivendo juntinhos. E com grandes rixas. Porque, o pessoal que veio de fora, os ETs, que somos n&#243;s,     n&#243;s trouxemos o m&#233;todo, a disciplina, a ci&#234;ncia, as boas inten&#231;&#245;es de fazer aquilo vingar de uma forma sustent&#225;vel. E,     a&#237;, entrou em choque com a filosofia local, que era ganhar dinheiro a qualquer custo&#187;<i> </i>(Relato, entrevista Tiradentes).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>     Tais evid&#234;ncias corroboram conce&#231;&#245;es de Bourdieu (1990, 2009, 2010), especificamente a no&#231;&#227;o de que os campos sociais (diferentes     grupamentos de uma comunidade, em outros termos) s&#227;o marcados por conflitos entre atores que buscam preservar sob seus dom&#237;nios capitais     relevantes.</p>     <p>     Por outro lado, n&#227;o se observou, em Paraty, maiores &#171;preconceitos&#187; da popula&#231;&#227;o nativa em rela&#231;&#227;o &#224;queles que foram     morar na cidade. A comunidade local entende que as pessoas &#171;de fora&#187; podem trazer uma experi&#234;ncia para a cidade ou desenvolver algum     neg&#243;cio que pode torn&#225;-la mais atrativa: &#171;Desde que a pessoa venha a Paraty e comece a produzir, trabalhar e participar da cidade, &#233;     muito benvinda&#187; (Relato, entrevista Paraty).</p>     <p>     As contradi&#231;&#245;es expostas influenciam pap&#233;is assumidos pelos atores sociais envolvidos nas din&#226;micas em an&#225;lise em ambas as     localidades, em especial os empreendedores locais e o poder p&#250;blico, assim como o modo como se relacionam. Neste contexto, constatou-se que os     empreendedores se constitu&#237;ram em agentes centrais nas transforma&#231;&#245;es vivenciadas tanto por Tiradentes, quanto por Paraty, um achado     convergente com pesquisas de Harvey (1996) e de Borja e Castells (1997), que evidenciam o importante papel de agentes privados no desenvolvimento     contempor&#226;neo das cidades que se pretendem competitivas.</p>     <p>     Ademais, os dados emp&#237;ricos revelaram a presen&#231;a de diferentes tipos de empreendedores, classificados conforme suas origens, estilos de     gest&#227;o e a forma como lidam com as quest&#245;es coletivas (Bourdieu, 1990). Tais evid&#234;ncias corroboram, tamb&#233;m, pressupostos te&#243;ricos     que sinalizam que empreendedores variam entre si e que tais diferen&#231;as t&#234;m importantes implica&#231;&#245;es te&#243;ricas e pr&#225;ticas     (Cooper, <i>et al</i>., 1997; Saravasthy, 2004). Com isso, buscou-se compreender o perfil de tais atores, tomando-se como refer&#234;ncia a tipologia de     Sant&#8217;Anna <i>et al</i>., 2011.</p>     <p>     Em rela&#231;&#227;o &#224; categoria de Empreendedores Tradicionais (Remanescentes e Pioneiros) inicialmente identificada em Tiradentes, tamb&#233;m foi     poss&#237;vel observ&#225;-la em Paraty. O grupo de Empreendedores Remanescentes &#233;, de fato, formado por pequenos comerciantes nascidos nas cidades,     os quais possuem discursos centrados no &#171;nome da fam&#237;lia&#187;. Embora revelem forte liga&#231;&#227;o com as cidades, apresentam     atua&#231;&#227;o pouco expressiva em rela&#231;&#227;o ao crescimento de seus neg&#243;cios. Em fun&#231;&#227;o disso s&#227;o, n&#227;o raro, rotulados     como &#171;conservadores&#187;, como indiv&#237;duos &#171;sem ambi&#231;&#227;o&#187; e &#171;acomodados&#187;, conforme sinalizam os trechos que seguem.     &#171;Agora, as pessoas que s&#227;o daqui... o cara n&#227;o est&#225; nem a&#237;, voc&#234; passa na rua e v&#234; a pessoa sentada na rua batendo papo     (...). Por isso que eu acho que ainda precisa de avan&#231;o, tem que existir uma qualifica&#231;&#227;o em Tiradentes&#187; (Relato, entrevista     Tiradentes). &#171;Tem empreendedores que nasceram aqui e vivem isso. Para eles, se a gente falar de cultura, eles v&#227;o se assustar&#187; (Relato,     entrevista Paraty).</p>     <p>     Os dados emp&#237;ricos revelam tamb&#233;m a presen&#231;a de Empreendedores Tradicionais Pioneiros nas duas cidades investigadas. Em ambas, eles foram os primeiros a implementar neg&#243;cios direcionados ao Turismo cultural. Outro tra&#231;o distintivo desse grupo, nos dois casos, &#233; seu &#171;    <i>background</i> cultural&#187; e a estreita liga&#231;&#227;o de seus empreendimentos a &#171;projetos pessoais&#187;. &#171;Tiradentes n&#227;o &#233;     um lugar para se ganhar dinheiro. &#201; uma op&#231;&#227;o de vida mesmo. N&#227;o &#233; para ganhar dinheiro. Aqui &#233; muito bom, um lugar muito bom     para morar&#187; (Entrevista em Tiradentes). &#171;A cidade (Paraty) pareceu um pouso perfeito para criar filhos pequenos. Eu morava no Rio de Janeiro [RJ]     (...). O RJ &#233; uma cidade complicada para criar filhos, a gente queria um lugar menor. E Paraty sinalizava como um lugar tranquilo&#187; (Entrevista em     Paraty).</p>     <p>     Em rela&#231;&#227;o aos Empreendedores Modernos Profissionais, identificados inicialmente em Tiradentes, ressalta-se que os mesmos tamb&#233;m foram     observados em Paraty. S&#227;o, no geral, indiv&#237;duos n&#227;o nascidos na cidade, com s&#243;lida instru&#231;&#227;o formal e que utilizam     pr&#225;ticas gerenciais na gest&#227;o de seus neg&#243;cios. Muitos deixaram as capitais e foram morar em Tiradentes e Paraty em busca de melhor     qualidade de vida. Esse perfil de empreendedor traduz narrativas que expressam preocupa&#231;&#227;o com os aspetos coletivos da cidade e com efeitos     negativos do Turismo. &#171;Eu acho que Tiradentes tem um grande problema. Se o poder local n&#227;o acordar para essa quest&#227;o da sustentabilidade, a     gente corre o risco de entrar numa (...)&#187; (Entrevista em Tiradentes). &#171;N&#243;s viemos para fazer neg&#243;cio, ter qualidade de vida e valorizar     mais ainda aquilo que j&#225; existia na cidade&#187; (Entrevista em Paraty).</p>     <p>     No que tange ao Empreendedor Moderno Negocial n&#227;o h&#225;, entretanto, ind&#237;cios de sua presen&#231;a em Paraty. Por outro lado, fica evidente o     crescimento desse grupamento de empreendedores em Tiradentes, com a expans&#227;o da atividade tur&#237;stica. S&#227;o empreendedores que, comumente,     priorizam o retorno financeiro de seus neg&#243;cios e o individualismo, em detrimento de quest&#245;es mais coletivas. &#171;Tem uma pousada em Tiradentes     que hoje em dia &#233; a melhor pousada da cidade. E ela vende tudo. At&#233; os len&#231;&#243;is que voc&#234; dorme v&#234;m etiquetados. Ent&#227;o     &#233; um <i>showroom</i>&#187; (Entrevista em Tiradentes).</p>     <p>     Em Paraty, a maior parte dos entrevistados sugere n&#227;o predominarem neg&#243;cios com tal perfil na regi&#227;o; isto na medida em que grande parte dos     empreendedores locais tende a apresentar forte vincula&#231;&#227;o afetiva com a cidade. Al&#233;m disso, suas &#171;inten&#231;&#245;es&#187; ao se     instalarem parecem extrapolar a mera busca do resultado financeiro do neg&#243;cio como observado, por exemplo, nos grandes centros. Ademais, em     fun&#231;&#227;o de restri&#231;&#245;es dos &#243;rg&#227;os ambientais e pela caracter&#237;stica da cidade, que n&#227;o tem condi&#231;&#245;es     espaciais de se expandir geograficamente, n&#227;o h&#225; neg&#243;cios de grande porte em Paraty: &#171;N&#227;o acredito que h&#225; aquele perfil de     empreendedor que s&#243; vem com foco no lucro; sempre possui algum tipo de liga&#231;&#227;o com a cidade. Eu diria que transformar isso aqui numa     sanguessuga &#233; dif&#237;cil, porque as pousadas s&#227;o relativamente pequenas&#187; (Entrevista em Paraty). Desse modo, a presen&#231;a de     Empreendedores Modernos Negociais n&#227;o se evidenciou, de forma significativa, na cidade de Paraty.</p>     <p>     Finalmente, uma &#250;ltima categoria de empreendedores p&#244;de ser identificada tanto em Tiradentes, como em Paraty: os Empreendedores P&#243;s-Modernos     (Camale&#245;es e Vanguardistas). Os Empreendedores Camale&#245;es s&#227;o pequenos comerciantes que constitu&#237;ram seus neg&#243;cios na base da     imita&#231;&#227;o de modelos empregados por empres&#225;rios que se direcionam a segmentos mais &#171;sofisticados&#187; de mercado. &#201; comum que     esses empreendedores aproveitem a temporada de eventos de Tiradentes e Paraty e abram seus neg&#243;cios de forma tempor&#225;ria e informal. &#171;Teve um     Carnaval em que diversos moradores sa&#237;ram de suas casas e as alugaram: foi um caos, faltou &#225;gua, a cidade ficou lotada e de um p&#250;blico que,     infelizmente, ainda n&#227;o &#233; o que tem consci&#234;ncia do que constitui um patrim&#244;nio hist&#243;rico&#187; (Entrevista em Tiradentes).     &#171;Existem aqueles que improvisam. O neg&#243;cio tem come&#231;o e fim, j&#225; sabem quando come&#231;a e j&#225; sabem quando vai acabar. Isso tem     aos montes&#187; (Entrevista em Paraty).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>     Os Empreendedores Camale&#245;es raramente articulam-se e estimulam iniciativas visando aos interesses coletivos de Tiradentes e Paraty.</p>     <p>     Assim como verificado em Tiradentes, os Empreendedores Vanguardistas tamb&#233;m possuem presen&#231;a marcante em Paraty, uma vez que s&#227;o cidades com     forte voca&#231;&#227;o para um Turismo cultural. Portanto, &#233; comum de se ver in&#250;meros <i>ateliers</i> de arte e lojas com produtores culturais     nos centros hist&#243;ricos das localidades. Os dados revelam, tamb&#233;m, que os Vanguardistas encontraram, em Tiradentes e em Paraty, o local adequado     para divulgar suas artes. Nas duas localidades, constatou-se uma preocupa&#231;&#227;o dos Empreendedores Vanguardistas em rela&#231;&#227;o ao     &#171;Turismo de massa&#187; que tem frequentado as duas cidades nos &#250;ltimos anos.</p>     <p>     Analisando os tipos de empreendedores presentes em Tiradentes e em Paraty, constataram-se significativas similaridades entre os casos, &#224;     exce&#231;&#227;o da pequena evidencia&#231;&#227;o de Empreendedores Modernos Negociais em Paraty. Tal converg&#234;ncia refor&#231;a as tipologias     propostas por Sant&#8217;Anna <i>et al</i>. (2011), bem como sinaliza para a import&#226;ncia de se analisar as varia&#231;&#245;es entre empreendedores,     conforme propuseram os estudos de Filley e Aldag (1978), Cooper <i>et al</i>. (1997) e de Sarasvathy (2004).</p>     <p>     As similaridades encontradas podem ser explicadas pelas semelhan&#231;as dos processos de reconvers&#227;o de fun&#231;&#245;es econ&#244;micas vivenciados     por Tiradentes e Paraty. As duas cidades se desenvolveram nos prim&#243;rdios pela economia do ouro, ficaram abandonadas ap&#243;s este ciclo e se     recuperaram pela preserva&#231;&#227;o de seus patrim&#244;nios culturais, o que contribuiu para o desenvolvimento do Turismo, importante fonte de recursos     atual de tais localidades.</p>     <p>     <b> </b><b>Considera&#231;&#245;es finais</b></p>     <p>     As pesquisas conduzidas em Tiradentes e em Paraty sobre o processo de reconvers&#227;o de fun&#231;&#245;es econ&#244;micas de cidades e a tipologia de     empreendedores atuantes nas localidades propiciaram evid&#234;ncias significativas sobre os fen&#244;menos analisados.</p>     <p>     A converg&#234;ncia encontrada entre os estudos de Tiradentes e Paraty refor&#231;a o modelo de tipologias proposto por Sant&#8217;Ana <i>et al</i>.     (2011). Nessa perspetiva foi confirmada a exist&#234;ncia de diferentes grupos de empreendedores em ambas as cidades, os quais se distinguem por suas     origens e estilos gerenciais e pelo modo como lidam com os aspetos da coletividade, resultados convergentes com pesquisas de Filley e Aldag (1978) e     Sarasvathy (2004). Tais pesquisadores superam a premissa de homogeneidade entre empreendedores, defendendo a no&#231;&#227;o que tais atores variam entre     si e que tais diferen&#231;as t&#234;m impactos sobre o desempenho de seus neg&#243;cios.</p>     <p>     Ademais, as din&#226;micas de desenvolvimento de Tiradentes e de Paraty indicaram que as cidades t&#234;m experimentado fen&#244;meno semelhante ao da     &#171;cidade empreendedora&#187;<i>, </i>conforme discutido por diferentes autores e sob diferentes perspetivas (Borja e Castells, 1997; Vainer, 2000). Tal     conce&#231;&#227;o envolve a compreens&#227;o de que a cidade tem-se constitu&#237;do cada vez mais como um &#171;neg&#243;cio&#187;, submetida &#224;     l&#243;gica da competitividade de mercado, o que implica a busca cont&#237;nua por investimentos que visam torn&#225;-la atrativa, bem como em impactos     sobre diferentes dimens&#245;es: econ&#244;mica, social, espacial, pol&#237;tica, cultural, os quais merecem ser melhor compreendidas em sua complexidade e     extens&#227;o.</p>     <p>     Sob a preval&#234;ncia dessa l&#243;gica evidencia-se, por exemplo, o fortalecimento do papel dos empreendimentos privados no desenvolvimento local e o     enfraquecimento do poder p&#250;blico (Harvey; 1992). De fato, os dados obtidos em Tiradentes e em Paraty revelam que, atualmente, as lideran&#231;as     empresariais assumem papel central nas transforma&#231;&#245;es vivenciadas pelas localidades, comparativamente aos atores pol&#237;ticos.</p>     <p>     Constatou-se, igualmente, uma s&#233;rie de desequil&#237;brios nas cidades investigadas expressa por meio de pares antit&#233;ticos (&#171;centro     hist&#243;rico <i>versus</i> periferia&#187; e &#171;nativos <i>versus</i> forasteiros&#187;), o que, segundo Ferreira (2007), &#233; comum em cidades que     experimentaram crescimento populacional e econ&#244;mico de forma abrupta, como &#233; o caso de Tiradentes e Paraty. Retomando estudos de Bourdieu (1989,     2009, 2010), ressalta-se ainda que tais contradi&#231;&#245;es s&#227;o reflexos das pr&#243;prias intera&#231;&#245;es e conflitos estabelecidos entre os     distintos tipos de empreendedores e desses com outros atores sociais.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>     Outra importante considera&#231;&#227;o derivada deste estudo &#233; que os diferentes tipos de empreendedores n&#227;o atuam em um v&#225;cuo social. Ou     seja, o contexto no qual os empreendedores se inserem impacta o seu desempenho, ao mesmo tempo que os pr&#243;prios empreendedores influenciam o ambiente     no qual est&#227;o imersos, resultados convergentes com pesquisas de Davidson (2004) e de Hindle (2010). Entende-se que a literatura sobre empreendedorismo     n&#227;o est&#225; atenta &#224; din&#226;mica de coexist&#234;ncia e tens&#227;o entre tipos de empreendedores, al&#233;m de n&#227;o explorar     adequadamente a influ&#234;ncia do contexto na intera&#231;&#227;o entre tais empreendedores.</p>     <p>     Quanto &#224;s contribui&#231;&#245;es da pesquisa ressalta-se que a mesma revelou-se significativa ao ampliar os estudos sobre processos de     reconvers&#227;o de fun&#231;&#245;es econ&#244;micas de cidades, correlacionando-os &#224; literatura sobre &#171;Lideran&#231;a e Empreendedorismo&#187;.     Al&#233;m disso, este estudo p&#244;de contribuir para refor&#231;ar o modelo de tipologias proposto por Sant&#8217;Ana <i>et al</i>. (2011). Os resultados     deixam claro que os empreendedores possuem varia&#231;&#245;es entre si e convivem em constante inter-rela&#231;&#227;o, conflito e alian&#231;as no seio     dos processos de transforma&#231;&#245;es das cidades. S&#227;o achados relevantes, visto que a literatura cl&#225;ssica sobre empreendedorismo ainda     n&#227;o est&#225; atenta &#224; din&#226;mica de coexist&#234;ncia e tens&#227;o entre tipos de empreendedores distintos.</p>     <p>     Ainda em rela&#231;&#227;o aos avan&#231;os te&#243;ricos, n&#227;o se pode deixar de citar a inser&#231;&#227;o do arcabou&#231;o te&#243;rico de Bourdieu     (1990, 2010), o qual possibilitou uma melhor compreens&#227;o da inter-rela&#231;&#227;o e das estrat&#233;gias utilizadas por diferentes atores sociais em     uma determinada comunidade.</p>     <p>     Em termos pr&#225;ticos, o estudo justificou-se ao contribuir com subs&#237;dios para o desenvolvimento de medidas direcionadas a processos de     reconvers&#227;o de fun&#231;&#245;es econ&#244;micas de cidades. Por fim, os resultados desta pesquisa geraram <i>insights</i> importantes para a     formula&#231;&#227;o de pol&#237;ticas de fomento ao empreendedorismo, assim como a&#231;&#245;es direcionadas a qualifica&#231;&#227;o desses atores,     reconhecendo suas especificidades.</p>     <p>     Oportunamente, sugere-se que o estudo realizado em Tiradentes e em Paraty seja replicado em outras cidades, sobretudo &#224;quelas que vivenciaram     processos de transforma&#231;&#245;es distintos das localidades investigadas. Assim, ser&#225; poss&#237;vel refor&#231;ar ou mesmo confrontar as     tipologias de empreendedores propostas por Sant&#8217;Anna <i>et al</i>. (2011).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>     <b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></p>     <!-- ref --><p>BAKER, T. e NELSON, R. (2005), &#171;Creating something from nothing: resource construction through entrepreneurial bricolage&#187;. <i>Administrative Science Quarterly</i>, vol. 50, pp. 329-366.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000130&pid=S1645-4464201300020000500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>     BAUER, M. W. e GASKELL, G. (2002), <b>Pesquisa Qualitativa com T</b><b>exto, Imagem e Som: Um Manual Pr&#225;tico</b>. 2.&#170; ed., Vozes,     Petr&#243;polis.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000132&pid=S1645-4464201300020000500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p> BENTLEY, G. (2005), &#171;Fitting the piece in the Jigsaw puzzle? The governance of local economic development policy and regeneration in Birmingham&#187;.    <i>Local Economy</i>, vol. 20, n.&#186; 2, maio, pp. 238-243.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000134&pid=S1645-4464201300020000500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>     BONNEWITZ, P. (2005), <b>Primeiras Li&#231;&#245;es sobre a Sociologia de Pierre. Bourdieu</b>. Vozes, Petr&#243;polis.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000136&pid=S1645-4464201300020000500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>     BOURDIEU, P. (1990), <b>Coisas Ditas</b><i>.</i> Brasiliense, S&#227;o Paulo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000138&pid=S1645-4464201300020000500005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>     BOURDIEU, P. e ORTIZ, R. (1994), <b>Pierre Bourdieu: S</b><b>ociolog</b><b>ia</b>. 2.&#170; ed., &#193;tica, S&#227;o Paulo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000140&pid=S1645-4464201300020000500006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>     BOURDIEU, P. (1996), <b>Raz&#245;es Pr&#225;ticas: Sobre a Teoria da A&#231;&#227;o</b>. Papirus, Campinas.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000142&pid=S1645-4464201300020000500007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>     BOURDIEU, P. (2009), <b>O Senso Pr&#225;tico</b>. Vozes, Petr&#243;polis.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000144&pid=S1645-4464201300020000500008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>     BOURDIEU, P. (2010), <b>O Poder Simb&#243;lico</b><i>.</i> Bertrand Brasil, Rio de Janeiro.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000146&pid=S1645-4464201300020000500009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>     BORJA, J. e<b> </b><b>CASTELLS</b>, M. (1997),<b> La Ciudad Multicultural</b><i>. </i>La Factoria, n.&#186; 2. [s.l].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000148&pid=S1645-4464201300020000500010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>     COLLINS, O. e MOORE, D. (1964), <b>The Enterprising Man</b>. Michigan State University Press, East Lansing, MI.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000150&pid=S1645-4464201300020000500011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>     COOPER, A.; RAMACHANDRAN, M. e SCHOORMAN, D. (1997), &#171;Time allocation patterns of craftsmen and administrative entrepreneurs: implications for     financial performance&#187;. <i>Entrepreneurship: Theory &amp; Practice</i>, vol. 22, n.&#186; 2, pp. 123-136.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000152&pid=S1645-4464201300020000500012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>     DAVIDSSON, P. (2004), <b>Researching Entrepreneurship</b>. Springer, Nova Iorque.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000154&pid=S1645-4464201300020000500013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>     EISENHARDT, K. M. (1989), &#171;Building theories from case study research. Standford University&#187;. <i>Academy of Management Review,</i><b> </b>     Standford, n.&#186; 4, vol. 14.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000156&pid=S1645-4464201300020000500014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p> FERREIRA, J. S. W. 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(1978), &#171;Characteristics and measurement of an organizational typology&#187;. <i>Academy of Management Journal</i>, vol. 21(4),     pp. 578-591.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000160&pid=S1645-4464201300020000500016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>     FLICK, U. (2009), <b>Introdu&#231;&#227;o &#224; Pesquisa Qualitativa</b>.<b> </b>Editora<b> </b>Artmed, Porto Alegre.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000162&pid=S1645-4464201300020000500017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>     FROTA, L. C. (2005), <b>Tiradentes: Retrato de uma Cidade = Tiradentes: Portrait of a Town</b>.<b> </b>2.&#170; ed., Bem-Te-Vi, Rio de Janeiro.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000164&pid=S1645-4464201300020000500018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p> GIOIA, D. A. e THOMAS, J. B. (1996), &#171;Identity, image and issue interpretation: sense making during strategic change in academia&#187;.    <i>Administrative Science Quarterly</i>, vol. 41, pp. 370-403.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000166&pid=S1645-4464201300020000500019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>     GODOY, A. S. (1995), &#171;Introdu&#231;&#227;o a pesquisa qualitativa e suas possibilidades&#187;. <i>Revista de Administra&#231;&#227;o de Empresas</i>,     vol. 35, n.&#186; 2, mar./abr., pp. 57-63.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000168&pid=S1645-4464201300020000500020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p> GREENWOOD, E. (1973), &#171;M&#233;todos principales de investigaci&#243;n social emp&#237;rica&#187;<i>.</i> <i>In</i>    <b>Metodolog&#237;a de la Investigaci&#243;n Social</b>, cap. 6, pp. 106-126, Buenos Aires.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000170&pid=S1645-4464201300020000500021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>     HANNAN, M. e FREEMAN, J. (1984), &#171;Structural inertia and organizational change&#187;. <i>American Sociological Review</i>, vol. 49(2), pp. 149-164.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000172&pid=S1645-4464201300020000500022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>     HARVEY, D. (1996), <b>Condi&#231;&#227;o P&#243;s-Moderna</b>. 6.&#170; ed., Edi&#231;&#245;es Loyola, S&#227;o Paulo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000174&pid=S1645-4464201300020000500023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>     HISTORIA (2011),<b> </b>Paraty: cidade hist&#243;rica, monumento nacional<i>.</i> Dispon&#237;vel em <a href="http://www.paraty.com.br/entrepos.htm" target="_blank">http://www.paraty.com.br/entrepos.htm</a>. Acesso em     junho.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000176&pid=S1645-4464201300020000500024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>     INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTAT&#205;STICA (IBGE) (2012), Cidades. Dispon&#237;vel em <a href="http://www.ibge.gov.br/cidadesat/topwindow.htm?1" target="_blank">http://www.ibge.gov.br/cidadesat/topwindow.htm?1</a>. Acesso em     outubro.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000178&pid=S1645-4464201300020000500025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>     JACOBS, J. (2011), <b>Morte e Vida de Grandes Cidades</b>. WMF Martins Fontes, S&#227;o Paulo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000180&pid=S1645-4464201300020000500026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>     Jornal de Paraty (2011),<i> </i><i>Hist&#243;ria da Cidade de Paraty.</i><b> </b>Dispon&#237;vel em     <a href="http://www.jornaldeparaty.com.br/component/content/article/45-paraty/50-historia-da-cidade-de-paraty.html" target="_blank">http://www.jornaldeparaty.com.br/component/content/article/45-paraty/50-historia-da-cidade-de-paraty.html</a>. Acesso em junho.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000182&pid=S1645-4464201300020000500027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p> HINDLE, K. (2010), &#171;How community context affects entrepreneurial process: a diagnostic framework&#187;.    <i>Entrepreneurship and Regional Development</i>, vol. 22(7), pp. 599-647.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000184&pid=S1645-4464201300020000500028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>     HULL, D.; BOSLEY, J. e UDELL, G. (1980), &#171;Renewing the hunt for the heffalump: identifying potential entrepreneurs by personality     characteristics&#187;. <i>Journal of Small Business Management</i>, vol. 18(1), pp. 11-18.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000186&pid=S1645-4464201300020000500029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>     LAFUENTE, A. e SALAS, V. (1989), &#171;Types of entrepreneurs and firms: the case of new Spanish firms&#187;. <i>Strategic Management Journal</i>, 10, pp.     17-30.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000188&pid=S1645-4464201300020000500030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>     LEVI -STRAUSS, C. (1966), <b>The Savage Mind</b>. The University of Chicago Press, Chicago.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000190&pid=S1645-4464201300020000500031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>     MINER, J. (2000), &#171;Testing a psychological typology of entrepreneurship using business founders&#187;. <i>Journal of Applied Behavioral Science</i>,     vol. 36(1), pp. 43-69.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000192&pid=S1645-4464201300020000500032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>     Misoczky, M. C. A. (2003), &#171;Implica&#231;&#245;es do uso das formula&#231;&#245;es sobre campo de poder e a&#231;&#227;o de Bourdieu nos estudos     organizacionais&#187;. <i>Revista de Administra&#231;&#227;o Contempor&#226;nea,</i> Edi&#231;&#227;o Especial, pp. 09-30.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000194&pid=S1645-4464201300020000500033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>     OLIVEIRA, F. B.; SANTANNA, A. de S.; NETO, A. M. de C.; DINIZ, D. M.; MONTEIRO, J. E. D. (2011), &#171;Inter-rela&#231;&#227;o e capitais mobilizados por diferentes tipos de empreendedores no processo de reconvers&#227;o de fun&#231;&#245;es econ&#244;micas de cidades: um estudo de caso em Paraty (RJ)&#187;.    <i>Revista Acad&#234;mica Observat&#243;rio de Inova&#231;&#227;o do Turismo</i>, FGV, vol. VI, n.&#186; 4, dezembro.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000196&pid=S1645-4464201300020000500034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p> PECI, A. (2003), &#171;Estrutura e a&#231;&#227;o nas organiza&#231;&#245;es: algumas perspetivas sociol&#243;gicas&#187;.<b> </b>    <i>Revista de Administra&#231;&#227;o de Empresas</i>,<b> </b>vol. 43, n.&#176; 1,<b> </b>mar&#231;o.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000198&pid=S1645-4464201300020000500035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>     S&#193;NCHEZ, F. (2003),<i> </i><b>A Reinven&#231;&#227;o das Cidades: Para um Mercado Mundial</b>. Editora Argos, Chapec&#243;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000200&pid=S1645-4464201300020000500036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->.</p>     <!-- ref --><p> SANT&#8217;ANNA, A. de S.; NELSON, R. E. e OLIVEIRA, F. B. (2011), &#171;Empreendedorismo e o desenvolvimento do turismo na cidade de Tiradentes&#187;.    <i>Revista Acad&#234;mica Observat&#243;rio de Inova&#231;&#227;o do Turismo</i>, FGV, vol. VI, n.&#186; 1.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000202&pid=S1645-4464201300020000500037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p> SARASVATHY, S. (2004), &#171;The questions we ask and the questions we care about: reformulating some problems in entrepreneurship research&#187;.    <i>Journal of Business Venturing</i>, vol. 19, pp. 707-717.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000204&pid=S1645-4464201300020000500038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>     SASSEN, S. (1999), &#171;As cidades na economia global&#187;. <i>Cadernos de Urbanismo</i>, ano 1, n.&#186; 1, Secretaria Municipal de Urbanismo, Rio de     Janeiro.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000206&pid=S1645-4464201300020000500039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>     SMITH, A. (1967), <b>The Entrepreneur and His Firm: The Relationship Between Type of Man and Type of Company</b><i>.</i> Michigan State University, East     Lansing, MI.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000208&pid=S1645-4464201300020000500040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>     Thiry-Cherques, H. R. (2006), &#171;Pierre Bourdieu: a teoria na pr&#225;tica&#187;. <i>Revista de Administra&#231;&#227;o P&#250;blica</i>, Rio de     Janeiro, vol. 40(1), jan./fev., pp. 27-55.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000210&pid=S1645-4464201300020000500041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref -->&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000211&pid=S1645-4464201300020000500042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>     YAMMARINO, F. J.; DANSEREAU, F. e KENNEDY, C. J. (2001), &#171;A multiple-level multidimensional approach to leadership: viewing leadership through an     elephant&#8217;s eye&#187;. <i>Organizational Dynamics</i>, vol. 29, n.&#186; 3, pp. 143-163.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000212&pid=S1645-4464201300020000500043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>     YIN, R. K. (2005), <b>Estudo de Caso: P</b><b>lanejamento e M&#233;todos</b>. 3.&#170; ed., Bookman, Porto Alegre.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000214&pid=S1645-4464201300020000500044&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><b></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Recebido em fevereiro de 2012 e aceite em junho de 2013.</p>      ]]></body><back>
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