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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Valores gerenciais, carreiras profissionais e inclusão social: O aprendizado de música clássica em comunidades carentes]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Fundação Getulio Vargas Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="es"><p><![CDATA[Basado en experiencias brasileñas, este artículo muestra cómo las personas en desventaja o excluidas socialmente pueden adquirir mayores posibilidades de éxito en las carreras profesionales de grandes organizaciones, por el aprendizaje de la música clásica. La investigación se centra en la percepción de éxito y de las transformaciones que den valor a los proyectos brasileños sobre la enseñanza de la música clásica para los jóvenes de comunidades desfavorecidas. El análisis se apoya en las percepciones sobre el éxito de los proyectos de música clásica dirigidos a personas socialmente desfavorecidas en su intención de facilitar el ascenso social y reducir la sensación de exclusión. Los resultados revelan transformaciones valorativas importantes. Añadir a los niños y jóvenes en desventaja social (1) una nueva perspectiva sobre el “yo”, realizando la autoconfianza y la autoestima; (2) una mayor disposición en obtener beneficios a largo plazo y la reducción de la ilusión con los beneficios de corto plazo; (3) una nueva motivación para el aprendizaje; (4) una nueva perspectiva sobre el concepto y la práctica de la disciplina; (5) un nuevo equilibrio entre los valores de la competencia y la cooperación.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article draws on experiences undertaken in Brazil to show how people, who are socially excluded or disadvantaged, can have a bigger chance of success in professional careers in large organizations if they have received training in classical music. The research focuses on the perception of success and the transformation of values in Brazilian projects that provide young people from poor communities with classical music tuition. The analysis focuses on the perceptions of success of classical music projects geared towards socially disadvantaged people with the aim of facilitating their upward social mobility and reducing their feeling of exclusion. The results reveal some significant value transformations. The socially disadvantaged children and youth acquire: (1) a new perspective of their self, with greater self-confidence and self-esteem; (2) a greater willingness to aim for long-term benefits and less delusion about short-term benefits; (3) a new motivation to learn; (4) a new perspective on the concept and practice of discipline; and (5) a new balance between the values of competition and cooperation.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Valores Gerenciais]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[  <font face="Verdana" size="2">      <p align="right"><b>ARTIGOS</b></p> </font>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana"><b>Valores gerenciais, carreiras profissionais e inclusão social: O aprendizado de música clássica em comunidades carentes</b></font></p> <font face="Verdana" size="2">     <p>&nbsp;</p> </font>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Valores de la gerencia, carreras profesionales   e inclusión social: El aprendizaje de la   música&nbsp;clásica en las comunidades desfavorecidas</b></font></p> <font face="Verdana" size="2">     <p>&nbsp;</p> </font>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Managerial values, careers and   social inclusion: Classical music training in poor communities</b></font></p> <font face="Verdana" size="2">     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Paulo   Roberto Motta<sup>1</sup>; Valentina Gomes Haensel Schmitt<sup>2</sup></b></p>     <p><sup>1 </sup>Doutorado em Administração   Pública, University of North Carolina, EUA. Presidente   da Academia Brasileira de Ciência da Administração. Consultor de empresas, de instituições   públicas e internacionais. Professor titular, Fundação   Getulio Vargas, Escola Brasileira de Administração   Pública e de Empresas –   EBAPE/FGV, Praia de Botafogo, 190, 4.º e   5.º, CEP 22250-900 Rio de Janeiro- RJ, Brasil. <i>E-mail:</i> <a href="mailto:bianor@fgv.br">paulo.motta@fgv.br</a>    <br>   <sup>2 </sup>Especialização,   Economia e Políticas Públicas, George Washington   University, Minerva Program, EUA. Doutorada em Administração, Fundação Getulio Vargas,   Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas – EBAPE/FGV, CEP 22250-900 Rio de Janeiro, Brasil. <i>E-mail:</i> <a href="mailto:valentinaschmitt@hotmail.com">valentinaschmitt@hotmail.com</a></p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>&nbsp;</b></p> </font> <hr noshade size="1"> <font face="Verdana" size="2">     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Baseado em   experiências no Brasil, este artigo   mostra como pessoas em desvantagem ou excluídas   socialmente podem adquirir maiores chances de sucesso em carreiras   profissionais em grandes organizações, pelo aprendizado de música clássica. A   pesquisa focaliza a percepção de êxito e as transformações valorativas nos   projetos brasileiros de ensino de música clássica para   jovens de comunidades carentes. A análise é amparada nas percepções sobre o êxito dos projetos de música clássica   direcionados a pessoas em desvantagem social em sua intenção de facilitar a   ascensão social e reduzir o sentimento de exclusão.   Os resultados revelam várias transformações valorativas importantes.   Adicionam-se às crianças e jovens em desvantagem social (1)<b> </b>uma nova perspectiva sobre o «eu»<i>,</i> valorizando a   autoconfiança e a autoestima; (2) maior disposição em obter benefícios de longo prazo e redução da ilusão com os   benefícios de curto prazo; (3) nova motivação para o aprendizado; (4) uma nova perspectiva   sobre o conceito e a prática da disciplina; (5) um novo equilíbrio entre os valores da competição e da cooperação.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b><b> </b>Valores Gerenciais; Carreiras; Inclusão Social; Projetos Sociais </p> </font> <hr noshade size="1"> <font face="Verdana" size="2">     <p><b>RESUMEN</b></p>     <p>Basado en experiencias brasileñas, este artículo muestra   cómo las personas en desventaja o excluidas socialmente pueden adquirir mayores   posibilidades de éxito en las carreras profesionales de grandes organizaciones,   por el aprendizaje de la música clásica. La   investigación se centra en la percepción de éxito y de las transformaciones que   den valor a los proyectos brasileños sobre la enseñanza de la música clásica   para los jóvenes de comunidades desfavorecidas. El análisis se apoya en las   percepciones sobre el éxito de los proyectos de   música clásica dirigidos a personas socialmente desfavorecidas en su intención   de facilitar el ascenso social y reducir la sensación de exclusión. Los   resultados revelan transformaciones valorativas importantes. Añadir a los niños y jóvenes en desventaja social (1) una nueva   perspectiva sobre el “yo”, realizando la autoconfianza y la autoestima; (2) una mayor   disposición en obtener beneficios a largo plazo y la reducción de la ilusión   con los beneficios de corto plazo; (3) una nueva   motivación para el aprendizaje; (4) una nueva perspectiva sobre el concepto y   la práctica de la disciplina; (5) un nuevo equilibrio entre los valores de la competencia y la cooperación.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palabras clave:</b>   Valores de la Gerencia; Carreras; Inclusión Social; Proyectos Sociales</p> </font> <hr noshade size="1"> <font face="Verdana" size="2">     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>This article draws on experiences undertaken   in Brazil to show how people, who are socially excluded or disadvantaged, can   have a bigger chance of success in professional careers in large organizations   if they have received training in classical music. The   research focuses on the perception of success and the transformation of values   in Brazilian projects that provide young people from poor communities with   classical music tuition. The analysis focuses on the perceptions of success of   classical music projects geared towards socially   disadvantaged people with the aim of facilitating their upward social mobility   and reducing their feeling of exclusion. The results reveal some significant   value transformations. The socially disadvantaged children and youth acquire: (1) a new perspective of their self, with greater   self-confidence and self-esteem; (2) a greater willingness to aim for long-term   benefits and less delusion about short-term benefits; (3) a new motivation to   learn; (4) a new perspective on the concept and   practice of discipline; and (5) a new balance between the values of competition and cooperation.</p>     <p><b>Key words:</b><b> </b>Managerial Values; Careers; Social Inclusion; Social Projects</p> </font> <hr noshade size="1">      <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">As organizações   de trabalho e produção – públicas ou privadas –, como os demais agrupamentos sociais, têm expectativas e   regras de como as pessoas se comportam e devem se comportar em seus ambientes.   Essas organizações carregam as formas sociais convencionais da sociedade,   inspiradas nos padrões de classe média e das elites sociais.   Adequar-se ou agir de acordo com as regras previamente estabelecidas, torna-se uma espécie de pré-requisito para a inserção de   novos membros nos agrupamentos sociais.</font></p> <font face="Verdana" size="2">    <p>Normalmente, as carreiras profissionais de grandes organizações tendem   a vislumbrar a inserção de jovens com características de elevada autoconfiança,   iniciativa, visão de futuro, espírito de equipe, capacidade de liderança e   possibilidade de compreender e agir no ambiente de   competitividade. Ademais, valorizam nas pessoas a boa formação e a crença no   próprio futuro e na possibilidade de sua experiência e aprendizado contínuos favorecerem seu progresso. Os requisitos de carreira são baseados nos valores e competências desenvolvidos no processo educacional e de socialização típicos das classes hegemônicas.</p>     <p>Carreiras gerenciais e profissionais têm requisitos de   habilidades e competências, bem como de condições sociais que definem melhor a   empregabilidade e favorecem o ingresso em grandes organizações de trabalho (Thiry-Cherques, 2006; Lemos, 2006), como também especificidades para ingresso nos   serviços públicos (Saravia, 2006). A importância da «âncora de carreira» como autoconceito do indivíduo com relação aos seus   talentos, habilidades e valores é amparada nas próprias experiências profissionais e de vida (Schein, 1978). Portanto, o patrimônio profissional bem como o   social têm influência nas possibilidades individuais de ingresso em carreiras gerenciais e profissionais.</p>     <p>No contexto atual, as grandes   organizações requerem, cada vez mais, pessoas com vivências e interações   culturais intensivas (Ng <i>et al.</i>, 2009). Ademais, pelo individualismo contemporâneo, os planos de   carreira, sobretudo nas grandes corporações, tendem a ser customizados. Cresce   a tendência de incentivar cada funcionário a construir seu próprio espaço de   progresso funcional pelo desenvolvimento de suas   habilidades e competências. Deixa-se transparecer o sucesso ou o fracasso na carreira como produto do esforço individual. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Nesse contexto,   jovens se veem pressionados para o seu próprio aperfeiçoamento como fator de   competitividade. Esses valores e práticas regem as   condições dos melhores empregos e de carreiras   profissionais e tendem a ser acentuados por hierarquia e disciplina, aumentando   as expectativas e as pressões de conformidade. Pessoas que não se enquadram   nesses requisitos são vistas como desviantes do modelo, e os riscos de admissão, adaptação e de progresso aumentam   significativamente. Muitas vezes a origem das diferenças está na classe social   e nas oportunidades oferecidas para os membros de diferentes estratos da sociedade.</p>     <p>Jovens de classe média frequentam um ambiente familiar e social mais seguro e que atribui maior   valor à educação, além de terem conhecimento sobre   oportunidades. Tornam-se mais confiantes sobre suas próprias possibilidades   de arriscar e competir. De outra parte, os desprivilegiados tendem a viver em condições limitadas de cultura e saberes; não se   beneficiam das fontes informais de acesso ao conhecimento e, assim, se tornam   menos motivados ao frequentar a escola. Esses jovens   sentem esses desafios modernos como algo além de suas possibilidades. Ultrapassar barreiras depende não só de um esforço   adicional, acima da média, como também de vencer preconceitos sociais e encontrar oportunidades para a transformação de vidas.</p>     <p>O confinamento   na pobreza gera alguma discrepância de valores e de esperanças com a realidade: o ajuste social dos jovens ocorre menos   pela tentativa de novas conquistas e mais pela moderação dos próprios sonhos.   Por terem uma estrutura valorativa discrepante dos valores dos grupos sociais   hegemônicos, esses jovens têm menos possibilidade de   cumprir as exigências e expectativas para ingresso nas carreiras profissionais   de grandes organizações. Encontram-se assim em desvantagem para competir por posições nas grandes organizações.</p>     <p>&nbsp;</p> </font>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>CONTEXTO, OBJETIVOS E MÉTODO DO ESTUDO</b></font></p> <font face="Verdana" size="2">     <p>O aprendizado   da música clássica nas comunidades carentes tem se espalhado em vários países,   e assim também no Brasil. Proclama-se a ascensão social de muitos jovens, antes   fadados a permanecer na pobreza e a verem limitadas as suas chances de   autodesenvolvimento e de progresso material. A   inspiração maior dessas propostas originou-se no <i>El Sistema</i>, criado na Venezuela em 1975, e cuja missão era levar a música clássica às comunidades   carentes e criar oportunidades aos jovens ainda confinados à pobreza. Mais de 500 000 jovens se beneficiaram diretamente desse projeto naquele país.</p>     <p>A música clássica parece uma resposta simples para preencher o vazio   da pobreza, mas não se sabe se seria uma ascensão social autêntica, capaz de   produzir valores materiais e simbólicos de um estágio   superior de dignidade humana. Há várias perguntas sobre o êxito e a finalidade   desses projetos e suas reais possibilidades de fornecer um novo caminho de ascensão social.</p>     <p>Parece relevante   explorar a ideia, pois nas nações africanas de língua   portuguesa, como no Brasil e possivelmente, em menor grau, em Portugal, verifica-se uma desigualdade   social que reduz as chances de pessoas socialmente desprivilegiadas no acesso a carreiras administrativas e gerenciais nos setores tanto privado como público.</p>     <p>A pesquisa   realizada focaliza a percepção de êxito e as transformações valorativas nos   projetos brasileiros de ensino de música clássica para jovens de comunidades carentes. A maioria dos programas admite na sua totalidade alunos   em desvantagem social. Alguns programas, mais   abertos, admitem jovens de baixa renda de um bairro mesclando-os a alunos   próximos da classe média. A quase totalidade é constituída de programas sem   vinculação com as escolas regulares e implementados como uma atividade extracurricular por organizações sociais independentes. Professores de música clássica transitam fortemente na classe média. </p>     <p>Neste artigo,   pretende-se mostrar como a frequência em organizações sociais de aprendizado de   música clássica pode ajudar os jovens em situação de   desvantagem social a adquirir novos valores e capacidade para melhor se   inserirem no mercado de trabalho e em carreiras profissionais de maior exigência.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O estudo usa a base de dados de um projeto maior denominado «Ascensão e inclusão social: Projetos de música clássica nas comunidades», sobre projetos e programas sociais voltados para o ensino de música clássica em comunidades carentes do Brasil. Os dados se referem ao entendimento sobre o êxito e as possibilidades de ascensão social e de transformação individual. </p>     <p>A coleta de dados ocorreu ao longo de 2014 e 2015, e contou com etapas qualitativa e quantitativa. Durante o   estágio qualitativo do estudo foram realizadas visitas a 16 projetos e programas sociais – situados nos Estados da Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo – quando foram entrevistados gestores, professores, pais e   responsáveis por alunos, pesquisadores e profissionais da área. Ao final, o   estudo contou com a colaboração de 60 entrevistados. As entrevistas foram realizadas seguindo   roteiro de coleta semiestruturado, envolvendo as seguintes categorias de   análise: processo de aprendizado, dimensões comunitárias, obstáculos ao êxito,   elos competitivos e cooperação, caracterização dos   alunos, percepção de êxito, desilusões e expectativas&nbsp;infundadas, valores gerenciais, caracterização do projeto.</p>     <p>O estágio quantitativo envolveu a coleta de dados por   intermédio de dois questionários diferentes, compostos por perguntas fechadas   – respondidos por representantes   de vinte e um projetos e programas sociais, situados no Distrito Federal e   Estados da Bahia, Goiás, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo. O primeiro visava identificar o perfil do   projeto, sendo respondido somente por gestores. O   segundo teve por objetivo compreender a «percepção de êxito» dos profissionais com contato com alunos como gestores, professores, supervisores, psicólogos e assistentes   sociais. Após mapeamento de programas existentes no país, foi realizado o envio   do material por meio eletrônico – ultrapassando uma centena de projetos abordados –, além dos questionários serem aplicados na versão impressa por ocasião das visitas, conforme   conveniência. Ao final, 13 gestores preencheram o material de caracterização do   projeto e 55 profissionais de projetos situados em diferentes unidades da Federação preencheram o material de «Percepção de êxito».  </p>     <p>As entrevistas tiveram seu conteúdo avaliado pelo método de   análise de conteúdo (Bardin, 2015), quando se buscou observar a predominância de   elementos existentes nas falas dos entrevistados, bem como a relação com o   objeto central da pesquisa. Os dados obtidos na   aplicação de questionários foram analisados por intermédio de estatística   descritiva, fazendo uso do <i>software</i> SPSS. Ao final, as informações foram compiladas, predominando o caráter qualitativo do relatório.</p>     <p>Nessa pesquisa,   adotou-se a perspectiva de êxito não somente dos   empreendedores, criadores dos projetos, mas, sobretudo, da percepção dos   professores que mantêm um contato mais longo e regular com os alunos, desde sua   entrada no aprendizado. Ao constatar um conjunto de valores adquiridos pelos alunos, conforme a percepção de professores e   dirigentes, analisam-se e se interpretam esses valores como capazes de melhor   habilitar o aluno a carreiras profissionais de maior exigência educacional.   Priorizaram-se os valores adquiridos como um meio de   transformação individual, para um melhor ajuste social na vida profissional em grandes organizações e não necessariamente em profissões relacionadas à música.</p>     <p>A transformação   individual significa uma possibilidade de ascensão social por ajustes a padrões prevalecentes na sociedade. Nos projetos de ensino   da música clássica, essa transformação se faz pela construção de um espaço   coletivo no qual os mais desfavorecidos podem mudar suas próprias vidas,   promovendo o crescimento pessoal para melhor acesso   às oportunidades já disponíveis. Por ser mais longa, difícil e exigir uma dedicação mais intensa, a trajetória educacional da música clássica oferece, gradativamente, novos valores e uma nova   visão sobre as possibilidades da vida. De fato, esses projetos de aprendizado retratam o ensino da música clássica mais como um caminho do que como um fim em si próprio. </p>     <p>Pelas   singularidades dos processos de socialização, as pessoas adquirem e gerem seus   valores e comportamentos segundo construções mentais desenvolvidas   a partir de suas próprias experiências. Parte-se da premissa de que a educação regular oferecida às   comunidades mais pobres tende a ser mais reprodutora das condições do país e menos transformadora de valores e de pouco impacto social nas comunidades. Como se argumentará, as atividades extracurriculares bem planejadas, como o ensino da música clássica, cumprem melhor o objetivo de transformação individual.</p>     <p>&nbsp;</p> </font>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>PREMISSAS SOBRE CONSEQUÊNCIAS DA DIFERENCIAÇÃO SOCIAL</b></font></p> <font face="Verdana" size="2">     <p>Desigualdades   referem-se normalmente às múltiplas e amplas   distinções entre seres humanos. Consideram-se, no entanto, injustas as   desigualdades capazes de limitar ou bloquear os caminhos, as oportunidades e as   possibilidades de vida de um grupo de pessoas. Essas diferenças podem causar   uma sucessão de rupturas das pessoas com a sociedade   em diferentes graus de natureza e intensidade (Therborn, 2006; Tilly, 2005) até um máximo de marginalização, como a exclusão   social (Costa, 1998) ou a desfiliação social (Castel, 1998). Portanto, no contexto de pobreza e de desprivilégio, podem definir-se as seguintes premissas sobre limitações ao acesso a carreiras profissionais:</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Premissa 1:</b> As preferências podem ser totalmente moldadas pelo próprio meio social e as pessoas ajustam suas expectativas e escolhas ao seu <i>status</i> e não às suas potencialidades e possibilidades.  </p>     <p>As barreiras   sociais limitam a consciência das pessoas sobre suas próprias possibilidades e,   por consequência, suas opções e preferências. Pessoas em situação de pobreza e   de marginalização social tendem a ver fatores de   ascensão social e econômica como algo fora de seu alcance ou controle (Roemer, 1998): pensam poder alcançar somente bens e valores   próximos ao próprio contexto. Graus elevados de marginalização bloqueiam o   acesso à informação, ao saber e ao conhecimento   técnico, restringindo expectativas e oportunidades (Tilly, 2005, 2006). Descobrem-se as capacidades das pessoas de   ser e fazer quando se lhes proporcionam novas chances: proposições para a   justiça social devem avançar além das próprias expectativas das pessoas.</p>     <p>Jovens em   condições diversas de pobreza e de desvantagem social têm dificuldade de   assimilar novos valores para um melhor ajuste social. Matrícula na escola não significa necessariamente uma forma de ascensão ou de preparação para as oportunidades da vida; pode ser apenas um compromisso social ou legal.</p>     <p><b>Premissa 2:</b>  Pessoas em situação   de desigualdade podem carregar sentimento de rejeição e o receio de não verem o reconhecimento de suas competências.</p>     <p>Pessoas em   situação de desigualdade tendem a ver o ambiente   externo ao seu meio como ameaçador, pois o reconhecimento de suas identidades   sociais pode ativar estereótipos negativos sobre elas. Essa percepção gera, além de estresse e desesperança, o sentimento de discriminação social, e possibilita até estigmas sociais de preconceitos, como a denominação de “inúteis para o mundo” (Castel, 1998).</p>     <p>O sentimento de   discriminação se manifesta quando as pessoas suspeitam ser desvalorizadas por   causa de sua identidade ligada ao meio de exclusão   social. Muitas vezes, inclusive em entrevista de emprego, relutam em informar   sobre sua origem social porque pensam aumentar a possibilidade de rejeição (Kaiser, 2006) – para alguns, o bairro ou a comunidade de origem pode ser   motivo para percepção de inferioridade, limitações ou   criminalização. Em meio a estereótipos negativos, as pessoas tornam-se mais   atentas e vigilantes a qualquer sinal que as deprecie ou as desvalorize perante o grupo (Steele <i>et al.</i>, 2002).</p>     <p>Quando sentem   haver, no ambiente externo ao seu meio, fatores que   ultrapassam as suas próprias capacidades de resposta e adaptação (Lazarus e Folkman, 1984), as pessoas tornam-se mais apreensivas sobre a   possibilidade de serem alvo de preconceitos e podem ter o seu próprio   desempenho prejudicado (Inzlicht e Good, 2006; Rydell <i>et al.</i>, 2010). Da ótica de uma pessoa marginalizada, a desvantagem   é um fator distintivo: envolve uma percepção de déficits perante outros e   limitação ao acesso às oportunidades. Se percebida na relação social, pode marcar a pessoa de forma contínua e crescente,   significando comparações sobre menores possibilidades ou mesmo direitos em relação a outros, e leva a um conjunto de práticas opressivas, com a diminuição da autoestima e da autoconfiança.</p>     <p>&nbsp;</p> </font>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>ANÁLISE DOS DADOS</b></font></p> <font face="Verdana" size="2">     <p>Avaliando os   resultados da pesquisa com relação a fatores de êxitos, todos os entrevistados   revelam transformações significativas nos alunos após o ingresso nos programas de ensino. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A partir das   respostas, foram identificadas cinco áreas mais claras de transformação   valorativa. Essas áreas foram: (1) aumento da autoestima, da autoconfiança e crença em si próprio; (2) crença na potencialidade de   longo prazo; (3) remoção das ilusões e nova motivação   para o aprendizado; (4) nova perspectiva sobre a disciplina; e (5) novas perspectivas sobre competitividade e cooperação.</p>     <p><b>Transformação 1: </b>Autoestima e autoconfiança</p>     <p><b>Natureza da transformação:</b> Adiciona-se às crianças e jovens em desvantagem social uma nova perspectiva sobre o eu, valorizando a autoconfiança e a autoestima.</p>     <p>Autoconfiança e autoestima são conceitos   distintos mas correlatos. Variações positivas em uma geram consequências   positivas na outra. Autoconfiança: significa uma   autoavaliação positiva das próprias habilidades e competências; e autoestima é simplesmente gostar de si próprio. </p>     <p>Os valores da autoestima e da autoconfiança para a gerência, popularizados a partir dos   estudos de Abraham Maslow (1954), passaram a ser ressaltados como um fator essencial para o progresso individual em ambientes de gestão (Rego e Cunha, 2011).</p>     <p>Pessoas com autoestima superior têm confiança nas próprias   possibilidades de progresso, se preparam e se dedicam melhor às suas carreiras   profissionais. Aceitam com mais tranquilidade os desafios impostos pelos   ambientes de trabalho contemporâneos. A autoestima e a autoconfiança afetam a construção da   identidade individual nas organizações. A abrangência da identidade depende da identificação, e, além de   limites internos, inclui também os externos, representando fenômenos   psicossociais relevantes para estruturar a ação e a identificação (Machado, 2003).</p>     <p>Pessoas   descrentes em si próprias e com baixa autoestima, normalmente, evitam atividades para as quais se sentem incapazes. Há uma   relação entre a percepção de incapacidade e o não envolvimento em tarefas   desafiadoras. Jovens com baixa autoestima tendem a fugir das pressões, mesmo as   mais habituais, e protegem-se dos sentimentos   negativos e do desconforto da pressão ativando mecanismos de defesa como fugir   e protelar tarefas, pelo medo de fracassar e de se sentir fora do meio. Como o   malogro pode agravar a visão de si mesmos, parece natural resguardar a pequena   parte da autoestima ainda existente na própria pessoa.</p>     <p>A atividade extracurricular da música proporciona às   crianças e jovens o desenvolvimento de uma nova perspectiva de mudança de si   mesmos baseada em duas áreas: a capacitação individual e novas formas de   interação social. A capacitação individual refere-se   simplesmente à adição de novos conhecimentos, sobretudo na música. Os   professores têm consciência de que os alunos provenientes de comunidades pobres   podem ter experimentado na escola regular um sentimento de desvantagem perante colegas e um baixo autoconceito. Assim,   procuram adicionar às crianças e jovens em desvantagem social uma perspectiva   sobre a vida mais próxima do vivido no ambiente familiar de crianças mais   favorecidas, em que opções profissionais de progresso são constantemente ressaltadas.</p>     <p>Nas formas de   interação social, os alunos vivenciam uma variedade antes desconhecida, com o   contato com diferentes pessoas e realidades. Em alguns projetos, muitos alunos   têm a chance de viagens: ônibus, avião, para fora da   cidade ou mesmo do país. Apresentam-se para grandes públicos, recebem aplausos   e incentivos. Experimentam relações e comportamentos totalmente inusitados e   aprendem e praticam novas regras sociais. Quanto menos privilegiados,   mais os alunos se identificam e se tornam leais a pessoas e instituições que lhes ofereçam uma relação confiável. </p>     <p>Ao valorizar o diálogo e a interação construtiva, alguns   centros de aprendizagem avançam para o ambiente familiar e comunitário,   sobretudo os mais pobres e periféricos. Cria-se um   novo relacionamento com perspectivas e alternativas de vida. Ao serem alvo de   consideração de familiares, amigos, professores e demais membros da comunidade,   os alunos passam a ter uma nova visão de si, um sentido de valorização simbólica e um grande reforço de sua autoestima.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Transformação 2: </b>Crença na potencialidade de longo prazo</p>     <p><b>Natureza da   transformação: </b>Redução da ilusão com os benefícios de curto prazo e maior disposição para investir na própria capacitação e obter benefícios de longo prazo.</p>     <p>Desde a proclamação de Henri Fayol de   que gerenciar significa olhar para a frente (Fayol, 1990), centenas   de teorias especificaram o requisito da visão para se conduzir estrategicamente   uma organização. A crença nas   possibilidades de longo prazo como habilidade gerencial, por meio do   desenvolvimento de uma visão do futuro, foi impulsionada na gerência por   autores como Warren Bennis (1989) e Peter Senge (1992). A capacidade de mirar o   horizonte passou a ser considerada uma habilidade   individual a ser compartilhada internamente como forma de reduzir o hiato com a realidade e aumentar as possibilidades de novas conquistas. </p>     <p>As organizações   modernas promulgam cada vez mais a visão de futuro como uma forma de melhor integrar os indivíduos nos objetivos e nas próprias   tarefas de suas responsabilidades. Jovens educados em ambientes de classe média   convivem cotidianamente, em casa e na escola, com a ideia de construir uma   carreira e obter benefícios de longo prazo. Jovens   marginalizados socialmente têm dificuldades de visualizar a possibilidade de um   futuro mais promissor e podem ser mais propensos a se tornar desesperançados pela falta de ilusão ou de perspectiva.</p>     <p>Nos relatos dos   professores dos projetos estudados, aparece de forma   acentuada a transformação pelo conhecimento de alternativas de vida antes   desconhecidas ou impensadas. Os alunos chegam às unidades de ensino levados por   ilusões referentes aos benefícios imediatos ou à rápida inserção no mercado de   trabalho, inclusive como profissionais da música. A   interpretação sobre essas percepções está diretamente relacionada às condições   socioeconômicas dos alunos e às pressões de uma vida socialmente marginalizada.   A pobreza tende a produzir pressões imensas de sobrevivência.   As pessoas não dispõem de muitas escolhas. Mesmo frequentando a escola e o   aprendizado musical, muitos se sentem pressionados pelas dimensões sociais de seu contexto.</p>     <p>Em primeiro   lugar, há a pressão para ingresso imediato no mercado de trabalho, visando ajudar no sustento próprio e da família – dada a carência de recursos materiais e financeiros.   Muitos adolescentes sentem ser esse o seu dever e acabam por abandonar os estudos e priorizar oportunidades de caráter imediatista. </p>     <p>Em segundo   lugar vem a vontade de possuir bens materiais – assim como outros de sua faixa etária ou da imagem   predominante na mídia –, de grande disponibilidade, mas que sentem lhes serem   negados.  O acesso a alguns bens, que a   pobreza nega durante algum tempo, pode levar alunos a ver benefícios em se afastar da escola. </p>     <p>Em terceiro   lugar, está o longo tempo de aprendizado da música clássica. Por   prever uma trajetória extensa de estudo, há na música clássica uma perspectiva   oposta às forças do imediatismo. Para os mais pobres,   com pressões imediatas de sobrevivência, esse tempo pode parecer uma espera   demasiadamente longa. A educação, em qualquer nível, é vista menos como um   recurso para uma carreira profissional importante e mais como uma forma de   obter um primeiro e bom emprego. Não há, em   princípio, a ideia de adiar gratificações para se conquistar algo melhor no futuro. </p>     <p>Nos projetos de   aprendizado musical, essas pressões parecem se dissipar rapidamente. Jovens   passam a visualizar oportunidades de transformação de   suas vidas por meio de novas experiências de autovalorização e de integração   social em atividades de grupo. Os alunos passam a entender o mundo de uma forma   diferente e se tornam mais capazes de enfrentar realidades adversas e suas   devidas necessidades de mudanças. O acesso ao ensino   de música proporciona mudanças graduais, não facilmente percebidas no curto prazo, mas construtoras de otimismo em relação ao futuro.</p>     <p>Ao experimentar uma vivência diferente   daquela predominante em seu meio comunitário, os   alunos sentem a possibilidade de derrubar as barreiras sociais construídas pelo   contexto da marginalização.   Assim, conseguem ligar o   aprendizado a novas alternativas de vida: tornam-se pessoas mais ativas e dispostas a conquistas e menos receptoras passíveis da bondade alheia.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Transformação 3: </b>Nova motivação para o aprendizado </p>     <p><b>Natureza   da transformação: </b>há uma remoção de ilusões sobre dificuldades e uma nova motivação para o aprendizado. </p>     <p>O valor do   aperfeiçoamento contínuo das pessoas para a gerência foi popularizado por Peter   Drucker (1974) e ganhou notoriedade nos trabalhos de Peter Senge (1992). As   carreiras profissionais modernas se definem por conquistas graduais baseadas em   crescimento individual, por adição de novos conhecimentos, habilidades e competências.   O aprendizado e as competências dele oriundas geram resultados de múltiplas   orientações, quais sejam, o indivíduo, as organizações e a sociedade. As   competências agregam valor   econômico às organizações,   valor social ao indivíduo, além de desenvolvimento do senso de cidadania (Fleury e Fleury, 2001).</p>     <p>A aprendizagem   contínua é mais presente na cultura das empresas privadas e está   significativamente relacionada à percepção de oportunidades de crescimento e ao   desempenho (Cavazotte <i>et al.</i>, 2015). Por isso, nas esferas   sociais de menos conhecimento sobre oportunidades de desenvolvimento pessoal, o   aprendizado contínuo pode ser minimizado ou negligenciado. Coloca-se, de modo   geral, o ônus do progresso no indivíduo e normalmente   na sua própria motivação para o aprendizado. Nesse sentido, as pessoas devem carregar alguma ilusão sobre as consequências positivas do novo aprendizado. </p>     <p>No meio   educacional, parece clara a ideia do investimento em desenvolvimento pessoal   como forma de ampliar o espaço da empregabilidade e   as chances individuais para o acesso a melhores carreiras. Jovens de classe   média, incentivados pelo ambiente familiar, conseguem visualizar a carreira   além dos benefícios materiais e querem aprender mais antes do ingresso nela.   Adiam sua entrada no mercado de trabalho para   aprimorarem suas competências e se sentirem mais aptos aos desafios. Pessoas marginalizadas socialmente não só visualizam menos a carreira e mais o emprego imediato, como têm menos crenças sobre suas futuras possibilidades mesmo quando matriculadas numa escola regular.</p>     <p>Nos   projetos sociais de música clássica, os professores relatam que os   recém-ingressados revelam algumas dificuldades no aprendizado. Possivelmente   por ofuscar valores da educação, a marginalização social   gera nos alunos falta de iniciativa, de motivação e de crença em si mesmos. No   início, alguns alunos vislumbram apenas segurança sociopsicológica: estar em um   ambiente diferente do de sua realidade familiar ou comunitária. No entanto, os   professores têm uma visão positiva sobre a capacidade   de aprendizado de seus alunos: conhecem suas deficiências básicas e as maneiras de motivá-los. </p>     <P>Ao   manifestar suas altas expectativas sobre a capacidade de aprendizado, os   professores favorecem a dedicação, o envolvimento e a motivação dos alunos. Há   maior interação com os colegas, como facilidade para a formação de equipes. Os alunos aceitam melhor os desafios e trabalham   para superá-los. Ao atingir um bom resultado, os alunos passam a ligar esforço   a desempenho e não mais o veem como uma dádiva dos mais privilegiados. Assim,   adquirem maior comprometimento com o projeto e crescem na sua autoestima.</P>     <p>Vale notar a   motivação extrínseca como positiva, e muitos alunos precisam dela: ambiente de   segurança e de encorajamento, com elogios, apoio, promoções e participações   diversas. A segurança aumenta quando os professores   valorizam o estudo e mostram o valor da aquisição de habilidades. Exemplos de   colegas mais adiantados levam os iniciantes a acreditar no próprio progresso. Desenvolve-se também a motivação intrínseca: o próprio caminho passa a ser visto como divertido, agradável e motivador. Para os alunos, estar ali no   aprendizado musical e no convívio com os colegas já é reconhecido como uma   conquista; assim, desenvolvem um gosto especial por esse saber e sua prática, vista como igualmente prazerosa. </p>     <p><b>Transformação 4:</b> Nova perspectiva sobre a disciplina</p>     <p><b>Natureza da transformação: </b>adquire-se uma nova perspectiva sobre o conceito e a prática da disciplina.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O valor da disciplina nos processos produtivos é antigo, e   predominava nos ensinamentos sobre gestão no Século XIX. A   ideia, no entanto, ganhou mais espaço na   gerência a partir das   propostas de Frederick Taylor (1911) e Henry Ford (1922),   como forma de garantir maior eficiência e eficácia na produção   e avançou também para   qualificar habilidade de gerência na decisão estratégica,   como a proposta de manter uma disciplina na trilha decisória para garantir o foco e o consenso sobre o resultado desejado<b> (</b>Eisenhardt, 2006).</p>     <p>Nas grandes organizações   modernas, a disciplina tende a ser vista tanto como uma prática de conformidade   para com as regras e os valores da organização, quanto como uma capacidade de autodomínio e autocontrole, capaz de facilitar a concentração de uma pessoa em uma   tarefa específica.  «Ser disciplinado» no ambiente da gestão se torna uma espécie de pré-requisito   para a inserção e a permanência de jovens em seus quadros de profissionais,   além de fator diferenciador entre aqueles que avançam   na estrutura hierárquica. Essa visão é mais disseminada na socialização dos   grupos sociais dominantes. Entretanto, o conceito de “disciplina” tem certas variações produzidas pela forma de   socialização das crianças. Grandes organizações   tendem a buscar consentimento dos funcionários por meio da racionalidade, da hierarquia e da disciplina (Etzioni, 1961, 1964).</p>     <p>Na área   educacional, os conceitos de disciplina e de indisciplina, bem como de suas   causas, são bastante variados. Vê-se a origem da   disciplina/indisciplina pelo ambiente familiar ou comunitário de origem, pelo   contexto escolar, pelos métodos didáticos, ou mesmo pelas atitudes e   comportamentos dos professores. As entrevistas sobre o tema revelam educadores   preocupados com as posturas dos alunos, por serem   eles o alvo da aprendizagem. Ademais, na fala de professores e líderes das   organizações de ensino, fica clara a dimensão da «disciplina» como a mais relevante, por ser considerada inclusive uma pré-condição para o aprendizado da música. Ser disciplinado é a primeira transformação individual almejada por esses programas. </p>     <p>A disciplina conduz naturalmente os   alunos à persistência e à vontade de vencer os obstáculos para alcançar seus   objetivos. Esses valores associados à disciplina –   persistência e coragem – são considerados primordiais para a liderança   moderna.  Persistência significa a   capacidade de manter a determinação em prol dos objetivos durante longos   períodos de tempo; e coragem é a força mental que favorece o enfrentamento dos perigos e da adversidade apesar do medo ou do risco (Rego e Cunha, 2011).</p>     <p>Instituir disciplina equivaleria a   instituir a capacidade do aluno em responder com atenção, interesse, dedicação e persistência às propostas de conteúdo e de métodos didáticos. Portanto, não se trata de uma   disciplina imposta por regras e normas, mas conquistada pelos alunos, sobretudo   no aprendizado – de longo prazo – de um instrumento. De fato, é uma conquista de autodisciplina que se   incorpora ao aluno e que se estende para as demais   esferas da vida. Porém, os professores e dirigentes sabem que os alunos provenientes de áreas sujeitas a marginalização social são menos   socializados por métodos de autocontrole e de autodomínio. Nos seus ambientes   de origem, são mais livres e espontâneos para agir – com patamares distintos de criatividade   e diferentes bagagens culturais. Portanto, não veem somente   os alunos como a causa do problema de disciplina – como nos relatos mais comuns entre docentes (Luck, 2001). </p>     <p>Na comparação   entre valores de classe sociais, os professores veem os alunos tanto de classe   média quanto de classe baixa como igualmente criativos,   mas, ao apontar diferenças, revelam ser os alunos oriundos de áreas menos   privilegiadas mais colaborativos, ainda que menos «disciplinados». Os claramente oriundos de classe média se mostram mais autocontrolados.</p>     <p>Há várias   explicações tradicionais sobre esse conceito de «disciplina». A socialização nas camadas mais baixas da sociedade é   feita de uma forma considerada mais natural. As crianças vivem em ambientes   menos condicionados por raciocínio lógico e pela interferência dos pais. São deixadas mais livres, inclusive na busca do lazer (Lareau, 2011). As diferenças culturais acarretam distintos   entendimentos entre o «certo» e o «errado» e, consequentemente, a relevância da disciplina ou o respeito a determinados padrões sociais.</p>     <p>Crianças em ambientes típicos de classe média passam por interferências   constantes dos pais, buscando disciplinar seus comportamentos. Ensinam-lhes o   certo e o errado por meio de raciocínios lógicos e explicações sobre formas de   se comportar. Horários, tarefas, gastos pessoais,   etiqueta básica são constantemente disciplinados pelos pais. Ensinamentos   oriundos das classes médias deixam clara a disciplina entendida como submissão   às regras e práticas sociais como um requisito básico para o êxito em carreiras profissionais e ambientes coletivos.</p>     <p><b>Transformação 5: </b>Competitividade e cooperação</p>     <p><b>Natureza da   transformação: </b>um novo equilíbrio entre os valores da competição e da cooperação.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A capacidade   empreendedora do gestor, baseada na iniciativa e no espírito competitivo, foi bastante divulgada a partir das pesquisas de Tom Peters e   Robert Waterman (1982). As propostas sobre a habilidade cooperativa e o   envolvimento dos funcionários nas decisões e definições das tarefas foram   popularizadas inicialmente por Mary Parker Follet (1924).   No entanto, vários autores aprofundaram essas ideias, merecendo destaque Rensis   Likert (1961), que via a habilidade cooperativa como um meio de   desenvolvimento de relações saudáveis e produtivas, como também Douglas   McGregor (1960), para quem as pessoas são capazes de iniciativa e cooperação, executando suas tarefas com eficiência e satisfação.</p>     <p>Os valores da iniciativa, do empreendedorismo, da   cooperação e da capacidade competitiva aparecem nas organizações modernas como essenciais para o progresso. O empreendedorismo é um   fenômeno associado às   classes média baixa e baixa, que é marcado   pelo fato de que quanto menor o estrato social de origem dos empreendedores, maiores as probabilidades   de mobilidade social vertical (Vale, 2014). No entanto, a motivação do empreendedor extrapola a lógica binária oportunidade/necessidade (Vale <i>et     al.</i>,   2014), sendo composta de outros fatores – como senso de limitações intrínsecas – que possivelmente favorecem as pessoas com mais conhecimento sobre mercado e emprego.</p>     <p>O comportamento colaborativo pode   representar potenciais fontes de vantagem competitiva, especialmente em   processos críticos, na busca de minimização de riscos ou no aproveitamento de   recursos (Castro <i>et al.</i>, 2015). As imagens, os si&#769;mbolos e as ideias guiam o comportamento humano, estabelecendo contratos coletivos   e orientac&#807;o&#771;es aos que ocupam o espac&#807;o social, além de revelar   a estrutura de poder das organizac&#807;ões e suas culturas (Schadeck <i>et al.</i>, 2015). Assim, variações sociais externas, como a maior ou   menor inserção social, podem afetar a capacidade de influência nas estruturas de poder organizacional. </p>     <p>A aprendizagem   da música clássica produz mudanças significativas na percepção do valor da   cooperação e da competição. Por exemplo, atividades extraescolares tendem a valorizar menos o foco competitivo e mais o   ambiente cooperativo (McNeal, 1995). Ademais, essas   atividades, além de um relacionamento mais saudável com os colegas, instituem   um novo e melhor relacionamento entre jovens e adultos, o que ajuda no desenvolvimento de habilidades sociais, essenciais em   equipes (Hansen <i>et     al.</i>, 2003; Fredricks e Eccles, 2005; 2006; 2008; Rose-Krasnor, 2009; Shernoff, 2010).</p>     <p>O ambiente educacional fora da escola regular é propício à   construção de relações mais sólidas entre os alunos e   com os adultos envolvidos no processo educacional (Mahoney, 2000). A relação de jovens com os adultos adquire uma   confiança e um apoio normalmente não experimentados no ambiente mais   competitivo do sistema escolar (Scales <i>et al.</i>, 2000), ou até mesmo relações   diferentes daquelas experimentadas nos ambientes familiares e das comunidades de origem.</p>     <p>Nos projetos sociais de música clássica, o valor da cooperação é mais nítido entre os alunos   mais pobres, mas o de competição não é percebido como fator distintivo. No   entanto, a necessidade de sobrevivência faz inserir no meio da pobreza o empreendedorismo e a   competição. Muitas vezes, pessoas em condições menos   privilegiadas empreendem mais como uma forma de contornar a falta de   oportunidades e de condições de seguir carreiras mais tradicionais, ou por   falta de laços com as elites locais (Vale, 2014). O empreendedorismo desponta como uma forma de acesso ao mercado de trabalho.</p>     <p>Em todo o processo de aprendizado musical, o valor e a prática da   cooperação são ressaltados, por meio de atividades grupais e de ajuda mútua.   Por ser um trabalho orquestral, a construção de   equipes é uma prática natural e essencial. O aluno percebe, desde o início, sua   dependência de outros não só para o seu aprendizado como para o próprio êxito.   Constata também que outros dependem dele para igual finalidade. O ambiente de cooperação é naturalmente reforçado.</p>     <p>Ao desenvolver   o aprendizado de trabalho em equipes, os alunos aperfeiçoam seus elementos de   cooperação, solidariedade e coletividade. De um lado, a prática musical   internaliza constantemente esses valores pela necessidade de melhorias do conjunto e para um resultado final mais   aprimorado. Por outro lado, a internalização desses valores produz impactos   coletivos mesmo estando distante do ambiente de aprendizado. Novos conhecimentos,   valores, senso estético e hábitos são irradiados para   o cotidiano do aluno, como na família, escola, bairro ou religião. O trabalho   em grupo e o senso de pertencimento a um coletivo geram a identidade e uma   preocupação com o conjunto. A prática de música orquestral é essencialmente   coletiva, mas a profissionalização e suas   expectativas aguçam valores do individualismo e da competição. Assim são   desenvolvidos valores de competição e colaboração, aliados ao senso da importância do desenvolvimento individual junto ao coletivo.</p>     <p>Exibições   em outras cidades e países marcam uma diferença   substancialmente diversa de seus contextos sociais de origem. Tomam consciência   de um ambiente de profissionalização em que a competição está presente: sabem   que na retaguarda há outros jovens músicos igualmente capazes para ocupar esses lugares. Com a exibição pública, tornam-se   protagonistas de um espaço antes impensável a partir de suas práticas   cotidianas tradicionais e mesmo fora da atividade extracurricular da música.   Trata-se de um aprendizado adicional para a vida. Mas a prática da solidariedade interna e o sentido de pertencimento mantêm uma postura de maior segurança social. </p>     <p>O   individualismo exigido em algumas funções organizacionais modernas não fica   prejudicado, e os egressos desses programas são igualmente capazes de   exercê-las. Conforme demonstrado há muito, o sistema de aprendizado coletivo   não destrói habilidades para o exercício de funções individuais (Bettelheim, 1969). A transformação de valores e da visão de mundo   leva os alunos a uma compreensão significativamente ampliada sobre as possibilidades da vida. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> </font>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>CONSIDERAÇÕES FINAIS</b></font></p> <font face="Verdana" size="2">     <p>Ao descrever os   alunos antes do ingresso nos programas, os membros de projetos sociais de   música clássica em comunidades carentes deixam entrever o retrato de uma   tristeza disfarçada e envergonhada pela falta de   qualidade e variedade na vida. Há uma ambiguidade da perspectiva de vida por   falta de uma visão ou propósito mais claro. Os jovens parecem incapazes de   perceber oportunidades futuras de novas carreiras e conquistas. Diante de uma vida de poucas esperanças, carregam a crença tradicional   de que apenas um novo paternalismo ou bondade alheia poderia levá-los a um   patamar social mais elevado – o apoio de alguém respeitado ou com poder é visto como um   diferencial para a colocação no mundo do trabalho. Almejam, no máximo, uma   variação no seu <i>status</i> social baseada nas poucas oportunidades sobre o que imaginam possível para si.</p>     <p>A desigualdade   social gera também desconfiança no sistema de seleção   baseada no mérito. Jovens marginalizados socialmente têm a tendência de ver   outros de estratos sociais superiores como tendo seus lugares relativamente   garantidos – especialmente em função das redes de contatos pessoais e familiares – e, portanto, favorecidos nos processos seletivos, seja de   grandes empresas ou de serviços públicos. Muitos creem haver nesses processos   seletivos dimensões de discriminação social não visíveis e fora de seu   controle, mas sentidas e presumidas pelos   discriminados – como bairro de origem, escola frequentada, raça, entre   outras. Por isso, muitos rejeitam de antemão proposições sobre a   meritocracia, pois presumem serem os resultados influenciados mais pela origem social e menos pelo desempenho.</p>     <p>Para muitos   jovens, pessoas que ascendem de baixo só ocupariam esses espaços se   demonstrassem habilidades acima da média: necessitam de um esforço adicional   para provarem competência – superior à indicação de seus concorrentes mais   privilegiados<b>.</b> Independentemente da verdade, essa crença ajuda a proteger   a autoestima por associar ao preconceito do outro o comentário ou nota   desabonadora. Conscientes de certa discriminação pela desvantagem social,   muitos descobrem nas atividades extraescolares de música clássica as atenções que esperavam encontrar na escola. Surge   nos jovens o desejo maior de se superar não só em habilidades, mas também em   confiança social. A superação não é fácil, pois tendem a ver o ambiente externo   como potencialmente agressivo e depreciativo em relação a suas identidades sociais – muitos são os desafios para a conformidade. </p>     <p>O projeto   musical faz brotar sonhos e reativa a possibilidade individual de transformar a   própria vida. A realidade, mais do que uma barreira intransponível, passa a ser vista como um desafio a ser vencido. Para os   membros de projetos e programas sociais, essa é uma mudança fundamental. Ao   ingressar no programa, os alunos se manifestam ansiosos e desejosos de dedicar sua energia e suas vontades ao aprendizado musical. </p>     <p>A música é uma   nova forma de comunicação, e por intermédio dela os alunos exprimem suas   esperanças. Segundo relatos, as promessas de êxito em geral se concretizam.   Dentre elas destacam a possibilidade de os egressos do programa alcançarem   níveis de competência e competitividade antes   garantidos somente para crianças mais privilegiadas e uma vida mais integrada em suas dimensões escolares, familiares e comunitárias. </p>     <p>Em geral, os projetos têm o propósito de proporcionar, direta ou   indiretamente, ascensão social aos seus alunos. Reconhecem desde o início a   necessidade de um tratamento diferente a jovens socialmente marginalizados. Por   isso, deve-se ressaltar a atenção especial embutida   nos métodos sociais e didáticos. Conforme enfatizam os entrevistados, é   impossível ensinar música clássica sem levar em conta as diferenças individuais dos alunos. Há uma atenção clara às dificuldades de cada pessoa.</p>     <p>O êxito dos   projetos não é centrado somente no aprendizado, mas   na transformação de valores que permitem ao aluno um progresso educacional   capaz de ampliar seus sonhos para um maior número de profissões. Embora o   desempenho – o fazer – seja valorizado, o ambiente do ser está inserido nesse contexto. Os alunos ingressam pelo que são e não pelo que   fazem ou poderiam vir a fazer. Normalmente, experimentam a igualdade no ingresso. </p>     <p>Ao favorecer o   desenvolvimento individual e dar chances igualitárias, os projetos de música   clássica oferecem a um grupo de pessoas novos conhecimentos e habilidades, concedendo-lhes, assim, um novo poder. Não se imagina   mágica pela música, mas qualquer atenção ao progresso individual já representa um passo adiante e significativo no acesso social e profissional.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Neste artigo,   procurou-se mostrar a mudança de valores como possível no preparo dos jovens em   ambientes de socialização fora da escola regular, exemplificado pela eficácia   da transformação individual, a partir do aprendizado de música clássica. De um lado, chama a   atenção das autoridades públicas para possibilidades de uma atividade   extracurricular na promoção da inclusão social; por outro, alerta profissionais   da gestão de pessoas para a diversidade de expectativas sobre trabalho e   emprego entre grupos sociais e, assim, impele-os a não reproduzirem,   inadvertidamente, condições sociais de desigualdade nas práticas de admissão e progresso funcionais.</p>     <p>Não se espera que caiba às organizações   de produção a resolução de problemas e da desigualdade social, mas elas não devem ser vistas unilateralmente como vítimas dessa desigualdade e desatentas ao problema. </p>     <p>A transformação individual, antes da   admissão, deixa o jovem mais perto do êxito em sua nova carreira. Após o   ingresso em uma organização de trabalho, as pessoas são   levadas a se enquadrar em uma nova cultura. No entanto, as organizações se   estruturam mais para ações voltadas para a eficiência e resultados e menos para   a socialização por valores (Gustafsson, 2003). Os processos internos de socialização podem ajudar a compensar jovens competentes e não totalmente inseridos nos valores das carreiras gerenciais modernas. </p>     <p>Após a derrubada   dos muros da exclusão das oportunidades, outras diferenças surgirão e serão   notadas, porém serão percebidas de forma distinta por aqueles mais bem preparados ou dotados de patamares superiores   de autoconfiança. Desenvolvidas ao longo do tempo, essas diferenças não   representarão desvantagens sociais, mas irão determinar o tipo de oportunidades   a serem aproveitadas. São diferenças consideradas   justas (Tilly, 2005; 2006), tais como as recompensas advindas do melhor desempenho,   aprendizagem, dedicação e capacidade de ação. Com um melhor preparo para a vida   social e profissional, os jovens têm uma maior consciência social e   possibilidade de se ajustar aos padrões da moderna   organização do trabalho, além de estarem capacitados a promover mudanças significativas nas relações pessoais, comunitárias e no ambiente da gestão.</p>     <p>&nbsp;</p> </font>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Referências bibliográficas</b></font></p> <font face="Verdana" size="2">     <!-- ref --><p>BENNIS, W. (1989), <b>On Becoming a Leader</b>. Perseus, Cambridge, MA.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=825422&pid=S1645-4464201600020000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>BETTELHEIM, B. (1969), <b>The Children of the Dream</b>. Macmillan, New York.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=825424&pid=S1645-4464201600020000200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>CASTEL, R. (1988), <b>As Metamorfoses da Questão Social</b>. Vozes, Petrópolis, RJ.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=825426&pid=S1645-4464201600020000200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CASTEL,   R. (2005), <b>A Insegurança Social – O</b> <b>Que É Ser Protegido?</b> Vozes, Petrópolis, RJ.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=825428&pid=S1645-4464201600020000200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CASTRO,   M.R.; BRONZO, M. e RESENDE, P.T.V. (2015), «Relacionamentos colaborativos e desempenho competitivo de empresas brasileiras». <i>RAE</i>, v. 55, n.º 3, maio-jun, pp. 314-328.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=825430&pid=S1645-4464201600020000200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CAVAZOTTE,   F.S.C.N.; MORENO JR., V.A.M. Jr. e   TURANO, L.M. (2015), «Cultura de aprendizagem contínua,   atitudes e desempenho no trabalho: uma comparação entre empresas do setor   público e privado». <i>Revista Administração Pública</i>, 49(6), nov./dez, pp. 1555-1578.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=825432&pid=S1645-4464201600020000200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>COSTA, A.B. (1998), <b>Exclusões Sociais</b>. Gradiva, Lisboa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=825434&pid=S1645-4464201600020000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>COSTA,   A.F.  (2012), <b>Desigualdades Sociais Contemporâneas</b>. Editora Mundos Sociais, Lisboa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=825436&pid=S1645-4464201600020000200008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>DRUCKER, P. (1974), <b>Management:   Tasks, Responsibilities and Practices</b>. Harper &amp; Row, New York.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=825438&pid=S1645-4464201600020000200009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>EISENHARDT, K. (2006), «Estratégia como tomada de decisão estratégica». <i>In</i> H. Mintzberg, J. Quinn, S. Goshal e J. Lampel, <b>O Processo da Estratégia</b><i>.</i> Bookman, Porto Alegre.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=825440&pid=S1645-4464201600020000200010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>ETZIONI, A. (1961), <b>A Comparative Analysis of Complex Organizations</b>. Free Press, Glencoe, Ill.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=825442&pid=S1645-4464201600020000200011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ETZIONI, A. (1964), <b>A Modern Organization</b>. Prentice-Hall, Englewood Cliffs,&nbsp;NJ.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=825444&pid=S1645-4464201600020000200012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>FAYOL, H. (1990), <b>Administração Industrial e Geral</b>. 10.ª ed. Atlas, São Paulo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=825446&pid=S1645-4464201600020000200013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>FLEURY,   M.T.L. e FLEURY, A. (2001), «Construindo o conceito de competência». <i>RAC</i>, Edição Especial, pp. 183-196.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=825448&pid=S1645-4464201600020000200014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>FOLLET, M.P. (1924), <b>Creative Experience</b>. Longmans, Green &amp; Co., New York.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=825450&pid=S1645-4464201600020000200015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>FORD, H. (1922), <b>My Life and Work</b>. Doubleday Garden City, New York.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=825452&pid=S1645-4464201600020000200016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>FREDRICKS, J.A. e ECCLES, J.S. (2006), «Extracurricular involvement   and adolescent adjustment: impact of duration, number of activities, and breadth of participation». <i>Applied Developmental Science</i>, vol. 10, pp. 132-146.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=825454&pid=S1645-4464201600020000200017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>FREDRICKS, J.A. e ECCLES,   J.S. (2005), «Developmental benefits of   extracurricular involvement: do peer characteristics mediate the link between activities and youth outcomes?». <i>Journal of Youth and Adolescence</i>, vol. 34, pp. 507-520.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=825456&pid=S1645-4464201600020000200018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>FREDRICKS, J.A. e ECCLES,   J.S. (2008), «Participation in   extracurricular activities in the middle school years: are there developmental benefits for African American and European American youth?». <i>Journal of Youth and Adolescence</i>, vol. 37, pp. 1029-1043.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=825458&pid=S1645-4464201600020000200019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>HANSEN, D.; LARSON, R. e DWORKIN, J.B. (2003), «Adolescents’ accounts of growth experiences   in youth activities». <i>Journal of Youth and Adolescence</i>, vol. 32, 71, pp. 17-26.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=825460&pid=S1645-4464201600020000200020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>KAISER, C. (2006), «Dominant ideology threat and the interpersonal consequences of attributions   to discrimination». <i>In</i> C.   Van Laar e S. Lewin (Orgs.), <b>Stigma and Group Inequality: Social Psychological Approaches</b>. Lawrence Erlbaum, Mahwah, NJ.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=825462&pid=S1645-4464201600020000200021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>LAREAU, A. (2011), <b>Unequal Childhoods: Class, Race, and Family Life</b>. University of California Press, Berkeley.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=825464&pid=S1645-4464201600020000200022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>LEMOS,   A.H.C. (2006), «Empregabilidade e individualização da conquista do emprego». <i>In</i> M. Balassiano, I.S. Costa (Orgs.), <b>Gestão de Carreiras: Dilemas e Perspectivas</b>. Atlas, São Paulo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=825466&pid=S1645-4464201600020000200023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>LIKERT, R. (1961), <b>New Patterns of Management</b>. Garland, New York.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=825468&pid=S1645-4464201600020000200024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>LUCK,   H. (2001), <b>A Escola Participativa: O Trabalho do Gestor Escolar</b>.&nbsp; DP &amp; A, Rio de Janeiro.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=825470&pid=S1645-4464201600020000200025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MACHADO,   H.V.  (2003), «A identidade e o contexto organizacional: perspectivas de análise». <i>RAC</i>, Edição Especial, pp. 51-73.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=825472&pid=S1645-4464201600020000200026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MAHONEY, J. (2000), «School extracurricular   activity participation as a moderator in the development of antisocial patterns». <i>Child Development</i>, v. 71, no. 2, March/April, pp. 502-516.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=825474&pid=S1645-4464201600020000200027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>MAHONEY, J. e CAIRNS, R. (1997), «Do extracurricular activities protect against early school dropout?». <i>Developmental Psychology</i>, vol. 33, no. 2, pp. 241-253.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=825476&pid=S1645-4464201600020000200028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MAHONEY, J.; HARRIS, A.L. e ECCLES, J.S. (2000), «Organized activity   participation, positive youth development, and the over-scheduling   hypothesis». <i>Social Policy Report</i>, vol. 20, no. 4, pp. 1-31.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=825478&pid=S1645-4464201600020000200029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>MAHONEY, J.; LARSON, R.D.W. e ECCLES, J.S. (2005) (Orgs.), <b>Organized Activities as Contexts   of Development: Extracurricular Activities, After-School and Community Programs</b>. Lawrence Erlbaum, Mahwah, NJ.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=825480&pid=S1645-4464201600020000200030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>MASLOW, A. (1954), <b>Motivation and Personality</b>. Harper and Row, New York.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=825482&pid=S1645-4464201600020000200031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>McGREGOR, D. (1960), <b>The   Human Side of Enterprise</b>. McGraw-Hill, New York.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=825484&pid=S1645-4464201600020000200032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>McNEAL,   R. (1995), «Extracurricular   activities and high school dropouts». <i>Sociology of Education</i>, v.   68, no. 1, January, pp. 62-81.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=825486&pid=S1645-4464201600020000200033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>NG, K.; DYNE, L. e ANG, S. (2009), «From experience to experiential learning: cultural   intelligence as a learning capability for global   leader development». <i>Academy of Management Learning &amp; Education</i>, v. 8, no. 4, pp. 511-526.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=825488&pid=S1645-4464201600020000200034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>PETERS, T. e WATERMAN, R. (1982), <b>In Search of   Excellence: Lessons   from America's Best-Run Companies</b>. New York, Harper Collins.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=825490&pid=S1645-4464201600020000200035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>REGO, A. e CUNHA, M. (2011), <b>Liderança: A Virtude Está no Meio</b>. Actual Editora, Lisboa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=825492&pid=S1645-4464201600020000200036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>ROEMER,   J.E. (1998),   <b>Equality of Opportunity</b>. Harvard University Press, Cambridge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=825494&pid=S1645-4464201600020000200037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>ROSE-KRASNOR,   L. (2009), «Future   directions in youth engagement and social development». <i>Social Development</i>,   vol. 18, pp. 497-509.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=825496&pid=S1645-4464201600020000200038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>RYDELL,   R.J.; RYDELL, M.T. e   BOUCHER K.L.   (2010), «The   effect of negative performance stereotypes on learning». <i>Journal of Personality     and Social Psychology</i>, v.   99, no. 6, pp. 883-896.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=825498&pid=S1645-4464201600020000200039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SARAVIA,   E. (2006), «O sistema carreira no setor público: descrição, análise   comparativa e perspectivas». <i>In</i> M. Balassiano e I.S. Costa (Orgs.), <b>Gestãode Carreiras: Dilemas e Perspectivas</b>. Atlas, São Paulo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=825500&pid=S1645-4464201600020000200040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SCALES,   P.C.;   BENSON, P.L.;   LEFFERT, N. e   BLYTH, D.A. (2000), «Contribution of developmental assets to the prediction of thriving among   adolescents». <i>Applied Developmental     Science</i>, vol. 4, pp. 27-46.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=825502&pid=S1645-4464201600020000200041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SCHADECK,   M.; GRZYBOVSKI, D.; BELTRAME, B. e MOZATTO, A.R. (2016), «Cultura   organizacional e os sete pecados capitais: uma   proposta para compreender os sistemas simbólicos». <i>Cadernos EBAPE.BR</i>, v. 14, n.º 1, artigo 8, jan./mar.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=825504&pid=S1645-4464201600020000200042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>SCHEIN, E.   (1978), <b>Career Dynamics: Matching Individual and Organizational Needs</b>. Addison-Wesley, Workingham.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=825506&pid=S1645-4464201600020000200043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SENGE,   P.N. (1992),   <b>The Fifth Discipline: The Art and Practice of the Learning Organization</b>. Century Business, USA.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=825508&pid=S1645-4464201600020000200044&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>SHERNOFF,   D.J. (2010),   «Engagement in after-school programs as a predictor of   social competence and academic performance». <i>American Journal of Community Psychology</i>,   vol. 45, pp. 325-337.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=825510&pid=S1645-4464201600020000200045&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>STEELE,   C.M.; SPENCER, S.J. e   ARONSON, J. (2002), «Contending   with group image: the psychology of stereotype and social identity threat». <i>Advances in Experimental Social Psychology</i>, vol. 34. pp. 379-440.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=825512&pid=S1645-4464201600020000200046&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>TAYLOR,   F. (1911), <b>The Principles     of Scientific Management</b>. Harper &amp; Brothers, New York.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=825514&pid=S1645-4464201600020000200047&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>THERBORN,   G. (2006) (Org.), <b>Inequalities of The World. New Theoretical Frameworks</b>. Multiple empirical approaches. Verso, London.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=825516&pid=S1645-4464201600020000200048&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>THIRY-CHERQUES,   H.R. (2006),   «Individualismo e carreira: o duplo constrangimento». <i>In</i> M. Balassiano e I.S. Costa (Orgs.), <b>Gestão de Carreiras: Dilemas e Perspectivas</b>. Atlas, São Paulo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=825518&pid=S1645-4464201600020000200049&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>TILLY, C. (2006), <b>Identities, Boundaries, and Social Ties</b>. Paradigm Publishers, Boulder, Co.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=825520&pid=S1645-4464201600020000200050&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>VALE,   G.M.V. (2014), «Empreendedorismo,   marginalidade e estratificação social». <i>Revista de Administração de Empresas</i>, vol. 54, n.º 3, pp. 310-321.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=825522&pid=S1645-4464201600020000200051&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>VALE,   G.M.V.; CORRÊA, V.S. e REIS, R.F. (2014), «Motivações para o empreendedorismo: necessidade versus oportunidade?». <i>RAC</i>, vol. 18, n.º 3, art. 4, maio/jun., pp. 311-327.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=825524&pid=S1645-4464201600020000200052&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Recebido em maio de 2016 e aceite em julho de 2016.    <br>   Recibido en mayo de 2016 y aceptado en julio de 2016.    <br> Received in May 2016 and accepted in July 2016.</p> </font>      ]]></body><back>
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<year>1989</year>
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