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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Conhecimento especializado, apoios externos e reforma educativa na época do neoliberalismo: um enfoque no Banco Mundial e na questão das responsabilidades morais na reforma educacional no Terceiro Mundo]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,UCLA - University of California, Los Angeles Latin-American Center ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article discusses the implications of expert knowledge in the educational reforms of the Third World Countries. It focuses on the orientations adopted by the World Bank, which the author analyses critically and mercilessly. Torres analyses the possibilities of building a new pattern of cooperation and technical assistance which wouldn’t be subject to the rules of ideological positivism and of the instrumental rationality, due to the fact that the hegemony in international organizations of intergovernmental nature still persists.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Conhecimento especializado, apoios externos e reforma educativa na época do neoliberalismo: um enfoque  no Banco Mundial e na questão das responsabilidades morais na reforma educacional no Terceiro Mundo</b></p>      <p><b>Carlos Alberto Torres<sup><a href="#1">*</a><a name="top1"></a></sup></b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p>Este ensaio discute as implicações do conhecimento especializado nas reformas    educacionais de países do Terceiro Mundo. Centrando-se nas orientações adoptadas    pelo Banco Mundial, que submete a uma impiedosa análise crítica, o autor debruça-se    sobre as possibilidades de construir um outro quadro de cooperação e de assistência    técnica que não se sujeite às regras do positivismo ideológico e da racionalidade    instrumental, hegemónicas nas organizações internacionais de natureza intergovernamental.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>      <p><b>Expert knowledge, external support and educational reform in the neo-liberal    age: focus on World Bank and the issue of moral responsibilities in the Third    World educational reform</b></p>     <p>This article discusses the implications of expert knowledge in the educational    reforms of the Third World Countries. It focuses on the orientations adopted    by the World Bank, which the author analyses critically and mercilessly. Torres    analyses the possibilities of building a new pattern of cooperation and technical    assistance which wouldn’t be subject to the rules of ideological positivism    and of the instrumental rationality, due to the fact that the hegemony in international    organizations of intergovernmental nature still persists.</p>      <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Texto completo dispon&iacute;vel apenas em PDF.</p>     <p>Full text only available in PDF format.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Notas</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <!-- ref --><p><Sup>1</Sup> O conhecimento especializado refere-se a ambos,    um prot&oacute;tipo multidimensional tal como &eacute; descrito pelo autor da    teoria tri&aacute;rquica (<I>triarchic</I>) da intelig&ecirc;ncia, R. J. Sternberg,    na sua obra &ndash; e. g., a especialidade &eacute; espec&iacute;&#64257;ca    do dom&iacute;nio -, e uma organiza&ccedil;&atilde;o da aquisi&ccedil;&atilde;o    de conhecimento, a qual liga usualmente o conhecimento especializado a organiza&ccedil;&otilde;es    espec&iacute;&#64257;cas ou a institui&ccedil;&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o,    distribui&ccedil;&atilde;o e consumo de conhecimento. Ver o seguinte trabalho:    Sternberg, R. J. (1997). <I>Intelligence, Information Processing, and Analogical    Reasoning</I>. Hillsdale, NJ: Erlbaum. Sternberg, R. J. (1985). <I>Beyond I.Q</I>.    New York, Cambridge University Press, Sternberg, R. J. (1983). Criteria for    intellectual skills training. <I>Educational Researcher, 12</I>, 6-12. Sternberg,    R. J. (1997) Cognitive conceptions of expertise. In P. J. Feltovich, K. M. Ford,    &amp; R. R. Hoffman, <I>Expertise in context. Human and machine</I>. Menlo Park,    CA: AAAI Press/the MIT Press. (pp. 149-162); Paivi Tynjala (1999). Towards Expert    Knowledge? A Comparison Between a Constructivist and a Traditional Learning    Environment in the University. <I>International Journal of Educational Research,    </I>355-442.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000019&pid=S1645-7250200500010000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><Sup>2</Sup> Paivi Tynjala (1999), Towards Expert Knowledge?    A Comparison Between a Constructivist and a Traditional Learning Environment    in the University. <I>International Journal of Educational Research, 31,</I>    p.359.</p>     <p><Sup>3</Sup> Ver, por exemplo, de uma perspectiva construtivista,    o mesmo que parece salientar o ponto de vista de sectores chave do Partido Republicano    dos Estados Unidos, Doug Bandow e Ian V&aacute;squez (editores), <I>Perpectuating    Poverty. The World Bank, the IMF, and the Developing World.</I> Washington,    D. C., CATO Institute, 1994. Nas p&aacute;ginas de abertura deste livro, discute-se,    sob o sugestivo t&iacute;tulo &ldquo;O legado sombrio e a promessa falsa do    aux&iacute;lio multilateral&rdquo;, que &ldquo;institui&ccedil;&otilde;es de    cr&eacute;dito multilaterais &ndash; o Fundo Monet&aacute;rio Internacional    (FMI), o Banco Mundial e bancos de desenvolvimento regional &ndash; inundaram    o Terceiro Mundo com centenas de bili&otilde;es de d&oacute;lares de aux&iacute;lio.    Desde o in&iacute;cio dos anos 50, s&oacute; o Banco Mundial emprestou aos pa&iacute;ses    em desenvolvimento cerca de 300 bilh&otilde;es. Aquelas institui&ccedil;&otilde;es    tamb&eacute;m desempenharam um papel de relevo ao encorajarem os governos do    Ocidente a fornecer centenas de bili&otilde;es de d&oacute;lares para assist&ecirc;ncia    bilateral aos pa&iacute;ses em desenvolvimento. Contudo, depois de darem conselhos,    empr&eacute;stimos e subs&iacute;dios aos governos dos pa&iacute;ses mais pobres    do mundo, durante quatro d&eacute;cadas, essas organiza&ccedil;&otilde;es multilaterais    podem apontar poucos casos, ou mesmo alguns, cujos esfor&ccedil;os tenham levado    &agrave; melhoria dos n&iacute;veis e prosperidade da economia sustentada. Em    vez de desenvolvimento, o Terceiro Mundo experimentou a degrada&ccedil;&atilde;o    social, a estagna&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica, as crises de d&eacute;bito    e, em algumas regi&otilde;es, decl&iacute;nio na produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola    e nos sal&aacute;rios (p.1). Do outro lado do campo intelectual, podemos encontrar,    por exemplo, a recente e incisiva cr&iacute;tica de John Harris &agrave; no&ccedil;&atilde;o    abra&ccedil;ada pelo Banco Mundial, no seu constante discurso sobre o desenvolvimento,    ao defender que o capital social &eacute; o &ldquo;elo em falta&rdquo; no desenvolvimento.    Ver <I>Depolitising Development. The World Bank and Social Capital</I>. London,    Anthem Press-Winbledom Publishing Company, 2002. Harris defende que o recente    enfoque na ret&oacute;rica do Banco Mundial para promover o capital social,    como &ldquo;normas de reciprocidade generalizada e redes de comprometimento    c&iacute;vico d&atilde;o origem ao capital social, o qual, por seu lado, torna    a coopera&ccedil;&atilde;o entre as pessoas poss&iacute;vel e refor&ccedil;a    a reciprocidade e o compromisso c&iacute;vico&rdquo; (p. 25) o que acaba por    ser uma forma ardilosa de despolitizar a discuss&atilde;o sobre o desenvolvimento.    Al&eacute;m do mais, como conceito anal&iacute;tico, o capital social, a pedra    chave da estrat&eacute;gia do novo desenvolvimento adoptado pelo Banco Mundial,    est&aacute; vazia de qualquer conte&uacute;do signi&#64257;cativo. Evitando    assuntos de contexto e de poder, s&oacute; ajuda &agrave; descontextualiza&ccedil;&atilde;o    e despolitiza&ccedil;&atilde;o da quest&atilde;o: &ldquo;Mesmo os estudos cuidadosos    que tentam medir os efeitos do capital social s&atilde;o insatisfat&oacute;rios    porque o &lsquo;capital social&rsquo; permanece um artefacto estat&iacute;stico    e as perguntas sobre o que causa o qu&ecirc;, ou por que mecanismos de topo    ou por que processos sociais, permanecem sem resposta&rdquo;. (p. 97)</p>     <p><Sup>4</Sup> Dada a import&acirc;ncia do trabalho pioneiro de    James Coleman sobre o capital social, eu escolhi esta cita&ccedil;&atilde;o    para ilustrar algumas das premissas que est&atilde;o na base do trabalho te&oacute;rico    do Banco Mundial. Ver James Coleman, <I>Foundations of Social Theory</I>, Harvard    University Press, 1990, p. 27. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup>5</Sup> Neoliberalismo e Estado neoliberal s&atilde;o termos    usados para designar um novo tipo de Estado que emergem na Am&eacute;rica Latina    e em muitas outras &aacute;reas do mundo, nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas.    O primeiro exemplo de economia neoliberal na Am&eacute;rica Latina est&aacute;    normalmente associado &agrave;s pol&iacute;ticas implementadas no Chile, depois    de 1973. Em muitos aspectos, as pol&iacute;ticas neoliberais defendem o com&eacute;rcio    livre e pequenos sectores p&uacute;blicos e s&atilde;o contra a excessiva interven&ccedil;&atilde;o    do Estado e regula&ccedil;&otilde;es de mercado r&iacute;gidas. Lomnitz e Melnick,    entre outros estudiosos, defendem que hist&oacute;rica e &#64257;loso&#64257;camente    o neoliberalismo tem estado associado a programas de normaliza&ccedil;&atilde;o    estrutural. A normaliza&ccedil;&atilde;o estrutural, por seu turno, &eacute;    usualmente descrita como uma vasta variedade de pol&iacute;ticas recomendadas    pelo Banco Mundial, pelo Fundo Monet&aacute;rio Internacional e por organiza&ccedil;&otilde;es    &#64257;nanceiras. (Ver Larissa Lomnitz e Ana Melnick, <I>Chile&rsquo;s Middle    Class. A Struggle for Survival in the Face of Neoliberalism</I>, Boulder and    London: Lynne Rienner Publishers, 1991). Embora o Banco Mundial diferencie estabiliza&ccedil;&atilde;o,    normaliza&ccedil;&atilde;o estrutural e pol&iacute;ticas de normaliza&ccedil;&atilde;o,    reconhece que o uso geral destes termos &ldquo;&eacute; frequentemente impreciso    e inconsistente.&rdquo; Citado em Joel Samoff, &ldquo;More, Less, None? Human    Resource Development: Responses to Economic Constraint.&rdquo; (Palo Alto, Junho    1990, mimeografado, p. 21). Fernando Reimers, &ldquo;Educaci&oacute;n para todos    en Am&eacute;rica Latina en el Siglo XXI. Los desa&#64257;os de la estabilizaci&oacute;n,    el ajuste y los mandatos de Jomtien.&rdquo;(Comunica&ccedil;&atilde;o apresentada    na <I>workshop</I> sobre Pobreza, Adapta&ccedil;&atilde;o e Sobreviv&ecirc;ncia    Infantil, organizada pela UNESCO no Peru, de 3 a 6 de Dezembro 1990, p. 16).</p>     <p><Sup>6</Sup> H&aacute; v&aacute;rias premissas da minha an&aacute;lise    que necessitam de ser clari&#64257;cadas &agrave; partida. Primeiro, enquanto    eu foco a minha aten&ccedil;&atilde;o nas pr&aacute;ticas do conhecimento especializado    e nas pol&iacute;ticas de aux&iacute;lio externo do Banco Mundial, o objectivo    da minha an&aacute;lise &eacute; mais geral, ao examinar os perigos de aux&iacute;lio    externo e da per&iacute;cia das institui&ccedil;&otilde;es reguladoras do capitalismo.    Segundo, n&atilde;o tenho d&uacute;vida de que a l&oacute;gica do activismo    institucional de nenhum modo pode desculpar as ac&ccedil;&otilde;es individuais.    Contudo, as ac&ccedil;&otilde;es individuais n&atilde;o podem ser totalmente    culpadas pelas suas premissas tendenciosas, e pior ainda, pelos resultados tendenciosos.    Terceiro, as institui&ccedil;&otilde;es reguladoras do capitalismo referem-se    &agrave; no&ccedil;&atilde;o avan&ccedil;ada pela escola reguladora do neo marxismo    franc&ecirc;s que identi&#64257;ca o fordismo como um modelo de desenvolvimento    monopolizador, recolocando o anterior modelo competitivo de desenvolvimento,    altera&ccedil;&otilde;es estas, muito bem descritas e analisadas por P. Baran    e P. Sweezy, no seu livro cl&aacute;ssico <I>Monopoly Capital</I>. New York:    Monthly Review Press, 1966. H&aacute; institui&ccedil;&otilde;es dom&eacute;sticas    de regula&ccedil;&atilde;o do capitalismo (a maior parte para regular os sal&aacute;rios)    e institui&ccedil;&otilde;es internacionais de regula&ccedil;&atilde;o do capitalismo    (a maioria para regular os sistemas monet&aacute;rios e as formas de pagamento,    regula&ccedil;&atilde;o de com&eacute;rcio internacional e tratados econ&oacute;micos    e militares) que facilitam o regime mundial de acumula&ccedil;&atilde;o e de    formas de regula&ccedil;&atilde;o. As institui&ccedil;&otilde;es &#64257;nanceiras    que resultaram do acordo de Bretton Woods, no &#64257;nal da Segunda Guerra    Mundial, s&atilde;o caracteristicamente institui&ccedil;&otilde;es reguladoras,    substituindo a moeda ouro por notas de cr&eacute;dito presas ao d&oacute;lar    americano, a moeda da economia mundial dominante. Para uma hist&oacute;ria e    teoria da economia sobre as mudan&ccedil;as nos modos de acumula&ccedil;&atilde;o    e de regula&ccedil;&atilde;o, desde o pr&eacute;-fordismo ao fordismo, ver D.    J. Frantzen, <I>Growth and Crisis in Post-War Capitalism</I>. Hants, England    and Vermont, USA, Darmouth Publishing Co, and Gower Publishing Co, 1990, especialmente    pp. 58 a 138. </p>     <p><Sup>7</Sup> Debates acerca da de&#64257;ni&ccedil;&atilde;o    de globaliza&ccedil;&atilde;o s&atilde;o ub&iacute;quos como o pr&oacute;prio    termo. Em defesa desta comunica&ccedil;&atilde;o, o termo globaliza&ccedil;&atilde;o    refere-se a &ldquo;uma vasta tend&ecirc;ncia dirigida ao aumento da inter-rela&ccedil;&atilde;o    num certo n&uacute;mero de dimens&otilde;es - incluindo a &#64257;nanceira,    a da produ&ccedil;&atilde;o e a dos mercados de trabalho, telecomunica&ccedil;&otilde;es,    informa&ccedil;&atilde;o e rede de transportes, sistemas de seguran&ccedil;a,    culturas e estilos de vida &ndash; que resultam em interdepend&ecirc;ncias imprevis&iacute;veis    entre ac&ccedil;&otilde;es e acontecimentos em distantes partes do globo.&rdquo;    Ciaran Cronin e Pablo de Greiff, Introduction: Normative Responses to Current    Challenges of Global Governance. In Ciaran Cronin e Pablo de Greiff, (editores)    <I>Global Justice and Transnational Politics. Essays on the Moral and Political    Challenges of Globalization</I>. Cambridge, Mass and London, England, The MIT    Press, 2002, p. 29, nota 1. Para uma discuss&atilde;o alargada acerca de globaliza&ccedil;&atilde;o    em educa&ccedil;&atilde;o, ver o meu trabalho com Nick Burbules (editores) <I>Education    and Globalizatioin: Critical Concepts</I>. New York, Routledge, 2000.</p>     <p><Sup>8</Sup> Ver os seguintes trabalhos: Carlos Alberto Torres,    Editorial. Comparative Education: Requiem for Liberalism? <I>Comparative Education    Review</I>, Novembro 2002; Carlos Alberto Torres e Raymod Morrow, <I>Teoria    Social e Educa&ccedil;&atilde;o</I> (Porto, Afrontamento, 1997); Carlos Alberto    Torres; La Educaci&oacute;n del Futuro y los Dilemas de Nuestra Hora, <I>Cuadernos    de Educaci&oacute;n</I>, Madrid, Setembro 2002, no prelo; Carlos Alberto Torres,    The State, Privatization and Educational Policy: A Critique of Neoliberalism    in Latin America and Some Ethical and Political Implications. <I>Comparative    Education</I>, <I>38 (4),</I> 2002.</p>     <p><Sup>9</Sup> James Bovard, The World Bank and the Impoverishment    of Nations, in Doug Bandow e Ian Vasqu&eacute;z (editores), <I>Perpectuating    Poverty. The World Bank, the IMF, and the Developing World</I>, Washington,    DC, CATO Institute, 1994, p. 59.</p>     <p><Sup>10</Sup> Tanto para os conservadores como para os liberais,    o per&iacute;odo de Robert McNamara como presidente do banco (1968-1981) &eacute;    assunto de calorosa controv&eacute;rsia. T&oacute;picos cr&iacute;ticos s&atilde;o    a pol&iacute;tica de empr&eacute;stimos do Banco Mundial e, particularmente,    a capacidade do Banco Mundial para tratar a quest&atilde;o da pobreza no Terceiro    Mundo. Para uma cr&iacute;tica conservadora, ver por exemplo, James Bovard,    The World Bank and the Impoverishment of Nations, in Doug Bandow e Ian Vasqu&eacute;z    (editores), <I>Perpectuating Poverty. The World Bank, the IMF, and the Developing    World</I>, Washington, DC, CATO Institute, 1994, pp. 59-74. Para um c&iacute;tica    liberal e defesa do Banco Mundial, ver Robert L. Ayres, <I>Banking on the Poor.    The World Bank and World Poverty</I>. Cambridge, Mass, and London, England,    The MIT Press, 1983.</p>     <p><Sup>11</Sup> O Consenso de Washington &eacute; composto por    um grupo de institui&ccedil;&otilde;es &#64257;nanceiras tais como o Fundo Monet&aacute;rio    Internacional, o Banco Mundial, o Banco de Desenvolvimento Inter-Americano,    o Banco de Exporta&ccedil;&atilde;o-Importa&ccedil;&atilde;o, entre outras,    todas localizadas em Washington (algumas vezes dentro do mesmo quarteir&atilde;o,    como &eacute; o caso do Banco Mundial e do Banco de Desenvolvimento Inter-Americano),    e seguindo todas &ndash; com pequenas diverg&ecirc;ncias t&eacute;cnicas &ndash;    a mesma l&oacute;gica e as pol&iacute;ticas econ&oacute;micas neoliberais que    fazem parte do modelo de normaliza&ccedil;&atilde;o e estabiliza&ccedil;&atilde;o    estruturais. Ver Atilio Alberto Boron, <I>Estado, Capitalismo y Democracia en    Am&eacute;rica Latina</I>, Buenos Aires: Ediciones Amago Mundi, 1991; Luis Carlos    Bresser Pereira, La crisis de Am&eacute;rica Latin. Consenso de Washington o    crisis &#64257;scal?, <I>Pensamiento Iberoamericano,</I> <I>19,</I> 1991; Jos&eacute;    Maria Fanelli, Roberto Frenkel e Guillermo Rozenwurcel, <I>Growth and Structural    Reform in Latin America: Where we Stand</I>, Buenos Aires: documento CEDES 67,    1990.</p>     <p><Sup>12</Sup> Distinguem-se da escola radical, pragm&aacute;tica    e neo-estrutural da ECLA &ndash; Comiss&atilde;o Econ&oacute;mica para a Am&eacute;rica    Latina -, ou a normaliza&ccedil;&atilde;o com cara humana promovida pela UNICEF    e pela Sociedade para o Desenvolvimento Econ&oacute;mico Internacional condicionalidade    exigida pelo Banco Mundial, o Fundo Monet&aacute;rio Internacional e a maioria    das institui&ccedil;&otilde;es identi&#64257;cadas pelo Consenso de Washington.</p>     <p><Sup>13</Sup> Ian Culpitt, <U>Welfare </U><I>and Citizenship.    Beyond the Crisis of the Welfare State?</I> London, Newbury Park and New Delhi,    Sage Publications, 1992, p. 94.</p>     <p><Sup>14</Sup> Michael Moran e Maurice Wright, <I>The Market and    the State: Studies in Independence</I>, New York: St. Martin&rsquo;s Press,    1991.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup>15</Sup> Certamente interessante, George Soros, reconhecido    como &#64257;nanceiro brilhante, &eacute; altamente critico em rela&ccedil;&atilde;o    ao que ele considera o &ldquo;fundamentalismo de mercado&rdquo; num sistema    capitalista global. Ele defende que &ldquo;... a vis&atilde;o prevalecente baseada    na teoria econ&oacute;mica &eacute; que os mercados &#64257;nanceiros t&ecirc;m    tend&ecirc;ncia para o equil&iacute;brio. Eu considero que esta &eacute; uma    vis&atilde;o falsa dos mercados &#64257;nanceiros... isto n&atilde;o &eacute;    verdade porque os mercados &#64257;nanceiros basicamente n&atilde;o levam em    conta o futuro. Contudo, o futuro que eles n&atilde;o consideram n&atilde;o    &eacute; algo independente do seu pr&oacute;prio mecanismo&rdquo;. Ver George    Soros <I>et al</I>, Against Market Fundamentalism: &ldquo;The Capital Threat&rdquo;    Reconsidered, in L&aacute;szlo Zsolnai e Wojciech W. Gasparski, editores, <I>Ethics    and the Future of Capitalism</I>. New Brunswick and London, Transaction Publishers,    2002, pp. 24-25, 26.</p>     <p><Sup>16</Sup> Ravi Ramamurti, Privatization and the Latin American    Debt Problem, in Robert Grosse (Ed.), <I>Private Sector Solutions to the Latin    American Debt Problem</I>. New Brunswick and London: Transaction Publisher,    North-South Center and the University of Miami, 1991, p. 153.</p>     <p><Sup>17</Sup> <I>Idem</I>, p. 168.</p>     <p><Sup>18</Sup> <I>Idem</I>, p. 169.</p>     <p><Sup>19</Sup> Daniel Morales-G&oacute;mez e Carlos Alberto Torres,    Education for all: Prospects and Implications for Latin America in the 1990s,    in Carlos Alberto Torres (editor), <I>Education and Social Change in Latin America</I>.    Melbourne, James Nicholas Publisher, 1994.</p>     <p><Sup>20</Sup> Jos&eacute; Luis Coraggio, Human Capital: the World    Bank&rsquo;s Approach to Education in Latin America, in J. Cavanagh, D. Wysham    e M. Arruda (editores), <I>Beyond Bretton Woods: Alternatives to the Global    Economic Order</I>, London: Institute for Policy-Studies and Transnational Institute    e Pluto Press, 1994, p. 168.</p>     <p><Sup>21</Sup> Ver Carlos Alberto Torres, A Critical Review of    Education for All (EFA). Background Documents, <I>Perspectives on Education    for All</I>, Ottawa, IDRC-MR295e, Abril 1991, pp. 1-20; Daniel Morales-G&oacute;mez    e Carlos Alberto Torres, Education for All: Prospects and Implications for Latin    America in the 1990s, in Carlos Alberto Torres (editor), <I>Education and the    Social Change in Latin America</I>. Melbourne, James Nicholas Publisher, 1994.    Uma an&aacute;lise semelhante pode encontrar-se em Fernando Reimers, Education    for All in Latin America in the XXI Century and the Challenges of External Indebtedness,    in Carlos Alberto Torres (editor), <I>Education and the Social Change in Latin    America</I>. Melbourne, James Nicholas Publisher, 1994.</p>     <p><Sup>22</Sup> Michael Bujazan, Sharon E. Hare, Thomas J. La Belle    and Lisa, International Agency Assistance to Education in Latin America and    the Caribbean. 1970-1984: Technical and Political Decision-Making, <I>Comparative    Education</I>, <I>23, (3),</I> 1987, pp. 161-170.</p>     <p><Sup>23</Sup> O Banco Mundial foi o principal participante na    confer&ecirc;ncia sobre Educa&ccedil;&atilde;o para todos realizada em Mar&ccedil;o    de 1990 em Jomtien, Tail&acirc;ndia, e co-subsidiada pala UNICEF, UNESCO e PNUD.</p>     <p><Sup>24</Sup> Bruce Fuller, <I>Raising School Quality in Developing    Countries: What Investments Boost Learning</I>, Washington, D. C.: The World    Bank, 1986, p. 21.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup>25</Sup> Joel Samoff, From Lighting a Torch on Kilimanjaro    to Surviving in a Shantytown: Education and Finantial Crisis in Tanzania, estudo    de caso apresentado &agrave; UNESCO, Organiza&ccedil;&atilde;o Internacional    do Trabalho, Comiss&atilde;o para a Austeridade, Normaliza&ccedil;&atilde;o    e Recursos Humanos, 1992.</p>     <p><Sup>26</Sup> J&aacute; ouvi v&aacute;rias vezes funcion&aacute;rios    de organiza&ccedil;&otilde;es internacionais tentarem fugir &agrave;s cr&iacute;ticas    &agrave;s suas ac&ccedil;&otilde;es e aos seus altos sal&aacute;rios, dizendo    que se eles n&atilde;o receberem algu&eacute;m receber&aacute;. Sem qualquer    esp&eacute;cie de cinismo, deixem-me recordar Hegel quando a&#64257;rmou que    tudo o que &eacute; real &eacute; racional.</p>     <p><Sup>27</Sup> David Plank, &ldquo;Three Reports from the World    Bank&rdquo;, Pittsburgh, PA, manuscrito, 1991.</p>     <p><Sup>28</Sup> Ver, por exemplo, Joel Samoff, &ldquo;Chaos and    Uncertainty in Development&rdquo;, comunica&ccedil;&atilde;o preparada para    a XV Congresso Mundial da Associa&ccedil;&atilde;o Internacional de Ci&ecirc;ncia    Pol&iacute;tica, Buenos Aires, Argentina, Julho 21-25, 1991; &ldquo;Triumphalism,    Tarzan and Other In&#64258;uences: Teaching About Africa in the 1990s&rdquo;,    Palo Alto, manuscrito, 1993. H&aacute; muitos exemplos de cr&iacute;ticas ao    modelo positivista de planeamento educacional. Ver Rolland Paulston, &ldquo;Mapping    Paradigms and Theories in Comparative Education&rdquo;, comunica&ccedil;&atilde;o    apresentada na Reuni&atilde;o Anual da Sociedade de Educa&ccedil;&atilde;o Comparada    e Internacional, Annapolis, MD, Mar&ccedil;o 1992; Hans N. Weiler, Why Reforms    Fail: The Politics of Education in France and the Federal Republic of Germany,    <I>Journal of Curriculum Studies</I>, <I>21</I>, 1989, pp. 291-305. Para uma    an&aacute;lise p&oacute;s-modernista com refer&ecirc;ncias educacionais, ver    Henry Giroux e Peter McLaren, &ldquo;America 2000 and the Politics of Erasure:    Democracy and Cultural Difference Under Siege&rdquo;, <I>International Journal    of Educational Reform, 1 (2),</I> 1992, 99-100. </p>     <p><Sup>29</Sup> Nancy C. M. Hartsock, The Feminst Standpoint: Developing    the Grounds for a Speci&#64257;cally Feminst Historical Materialism. In Sandra    Harding (ed.),<I> Feminism and Methodology</I>, Bloomington, Indiana: University    of Indiana Press, 1987, p. 162.</p>     <p><Sup>30</Sup> Para uma descri&ccedil;&atilde;o e an&aacute;lise    da experi&ecirc;ncia pol&iacute;tica geral, ver Carlos Alberto Torres, Paulo    Freire as Secretary of Education in the Municipality of S&atilde;o Paulo, <I>Comparative    Education Review, 38 (2),</I> Maio 1994, pp. 181-214. Ver tamb&eacute;m Carlos    Alberto Torres, Pilar O&rsquo;Cadiz e Pia Linquist Wong, <I>Educa&ccedil;&atilde;o    e Democracia. Paulo Freire e a Reforma Educacional</I>, Lisboa, Edi&ccedil;&otilde;es    Universit&aacute;rias Lus&oacute;fonas, 2002.</p>     <p><Sup>31</Sup> Joseph Rouse, <I>Knowledge and Power. Toward a    Political Philosophy of Science</I>. Ithaca and London, Cornell University Press,    1987, p. 244.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a name="1"></a><a href="#top1">*</a></sup>Director do Centro Latino-Americano    da Universidade da Califórnia, em Los Angeles (UCLA). Director do Instituto    Paulo Freire e Presidente do Research Committee de Sociologia da Educação da    Associação Internacional de Sociologia.</p>      <p><b>Correspondência</b></p>      <p>University of California, Los Angeles (UCLA) - Latin-American Center</p>      <p>405 Hilgard Avenue, Los Angeles, USA </p>      <p><a href="mailto:catnovoa@aol.com">catnovoa@aol.com</a></p>      <p>O presente artigo corresponde, no essencial, à conferência realizada pelo autor no Encontro Alargando as fronteiras da democracia: duas décadas de reforma educativa e de políticas de inclusão, realizado em  Bellagio, Itália, de 3 a 9 de Dezembro de 2002. A tradução do original em inglês é de Maria Manuel Calvet  Ricardo e a revisão científica de António Teodoro.</p>       ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[Sternberg]]></surname>
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<source><![CDATA[Intelligence, Information Processing, and Analogical Reasoning]]></source>
<year>1997</year>
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