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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A Formação Inicial de Professores no Quadrodo Processo de Bolonha. Modelos e Desafios]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <P    ><b>A Forma&ccedil;&atilde;o Inicial de Professores no Quadrodo Processo    de Bolonha. Modelos e Desafios</b></P >     <P    ><b>Leonardo Rocha<Sup><a href="#1">*</a> <a name="top1"></a></Sup></b></P >     <P    >&nbsp;</P >     <P    >Nos dias de hoje, formar professores coloca desafios cada vez mais exigentes    a quem o idealiza,organiza e implementa.A progressiva complexidade do processo    de aprender e a correspondente dificuldade em ensinar s&atilde;o aspectos recorrentes    e determinantes do que se queira equacionar e realizar. Por outro lado, tamb&eacute;m    n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel perspectivar qualquer forma&ccedil;&atilde;o,    sem antes se equacionarem as condi&ccedil;&otilde;es em que a profiss&atilde;o    &eacute; exercida actualmente. </P >     <P    >Deste modo, mesmo com riscos, a aplica&ccedil;&atilde;o das determina&ccedil;&otilde;es    de Bolonha tem de ser encarada como mais numa oportunidade para ultrapassar    diverg&ecirc;ncias, corrigir erros e, sobretudo, dignificar a forma&ccedil;&atilde;o    que &eacute; oferecida aos candidatos a professor. </P >     <P    >O aumento de fun&ccedil;&otilde;es que actualmente s&atilde;o atribu&iacute;das    aos professores obriga a um redimensionamento da sua prepara&ccedil;&atilde;o    e a uma altera&ccedil;&atilde;o ao modo como dever&aacute; ocorrer a sua integra&ccedil;&atilde;o    profissional. Como outras, a actividade docente exige um processo de forma&ccedil;&atilde;o    alargado, ao longo da vida, que deve ser perspectivado nesta complementaridade,    desde o seu in&iacute;cio. &Eacute; neste contexto de etapa interm&eacute;dia    que a forma&ccedil;&atilde;o inicial deve ser vista e, naturalmente, que as    posi&ccedil;&otilde;es decorrentes do chamado &ldquo;Processo de Bolonha&rdquo;    devem estar olhadas. </P >     <P    >Em Portugal, a forma&ccedil;&atilde;o de professores tem-se caracterizado pela    diversidade de modelos e pr&aacute;ticas. <I>Grosso modo, </I>distinguem-se    dois. Um, que valoriza a aquisi&ccedil;&atilde;o de compet&ecirc;ncias pedag&oacute;gicas    para ensinar, outro, que aposta no dom&iacute;nio dos conhecimentos cient&iacute;ficos    que v&atilde;o ser ensinados. O primeiro, tem colocado na escola professores    com graves lacunas cient&iacute;ficas. O segundo, tem conferido estatuto profissional    a forma&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o preparam para o exerc&iacute;cio da    actividade docente. </P >     <P    >Lembremo-nos, ainda, que na actividade profissional dos professores n&atilde;o    existem mecanismos fi&aacute;veis de regula&ccedil;&atilde;o e controlo de entrada    e de continuidade. Contrariamente a outras, nela n&atilde;o existem instrumentos    que qualifiquem e regulem o exerc&iacute;cio profissional. Ou seja, n&atilde;o    se certificam diplomas, n&atilde;o existe uma indu&ccedil;&atilde;o profissional,    n&atilde;o existe um acompanhamento e uma avalia&ccedil;&atilde;o cred&iacute;vel    do desempenho. </P >     <P    >&ldquo;<I>Portugal &eacute;, dos pa&iacute;ses da OCDE, o que tem menos respons&aacute;veis    de escolas a declarar que monitorizam as aulas dos professores que nelas leccionam.    No nosso pa&iacute;s, apenas 5 por cento dos alunos da amostra frequentam estabelecimentos    de ensino em que tal acontece, enquanto que na OCDE, essa percentagem &eacute;    em m&eacute;dia de 61por cento</I><Sup><a href="#2">1</a> </Sup><I><a name="top2"></a>.    </I></P >     <P    ></B>&Eacute; na combina&ccedil;&atilde;o e de exerc&iacute;cio profissional,    que as determina&ccedil;&otilde;es aprovadas em Bolonha podem ter um papel importante    na obten&ccedil;&atilde;o de consensos. A abertura e a converg&ecirc;ncia com    os nossos parceiros europeus obrigam-nos a analisar os modelos que temos utilizado,    numa perspectiva de complementaridade e diversidade na obten&ccedil;&atilde;o    de diplomas e estatutos profissionais. A integra&ccedil;&atilde;o teoria/ pr&aacute;tica    que ocorre durante forma&ccedil;&atilde;o inicial de professores &eacute; uma    das quest&otilde;es que t&ecirc;m originado diverg&ecirc;ncias e discrimina&ccedil;&otilde;es    (ex. est&aacute;gios remunerados nas faculdades, <I>versus </I>a pr&aacute;tica    pedag&oacute;gica n&atilde;o remunerada nas escolas superiores de educa&ccedil;&atilde;o).    Conseguir internamente uniformidade pode ser um primeiro passo para nos aproximarmos    da competitividade, da mobilidade e da empregabilidade, apontadas como palavras-chave    na constru&ccedil;&atilde;o do Espa&ccedil;o Europeu do Ensino Superior. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P    >&Eacute;, tamb&eacute;m por isso, indispens&aacute;vel articular as institui&ccedil;&otilde;es    de ensino superior com as escolas b&aacute;sicas e secund&aacute;rias onde se    realiza a pr&aacute;tica pedag&oacute;gica dos candidatos a professor. Dar estatuto,    credibilidade e condi&ccedil;&otilde;es a estes estabelecimentos de ensino,    aproveitar o conhecimento e a experi&ecirc;ncia que transportam, pode ser um    aspecto importante para a revaloriza&ccedil;&atilde;o da escola e do que l&aacute;    se faz e ensina. S&oacute; assim ser&aacute; poss&iacute;vel preparar e instituir    modelos de acompanhamento de jovens professores com base em compet&ecirc;ncias    desej&aacute;veis e culturas de ensino responsabilizadoras. </P >     <P    >Os desafios que o Processo de Bolonha coloca ao ensino superior em geral e &agrave;    forma&ccedil;&atilde;o de professores em particular n&atilde;o s&atilde;o exclusivamente    dirigidos &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es que os formam. Como referimos    antes, &eacute; indispens&aacute;vel ter em conta as condi&ccedil;&otilde;es    de exerc&iacute;cio profissional onde a actividade docente se ir&aacute; realizar.    Existem, no nosso sistema de ensino, ru&iacute;dos que dificultam a forma&ccedil;&atilde;o    e a ac&ccedil;&atilde;o docente e, consequentemente, o modo como se ensina e    aprende nas escolas. S&atilde;o indispens&aacute;veis, entre outras, medidas    que regularizem o funcionamento do sistema: (i) estabilizando o corpo docente    nas escolas; (ii) adequando os n&iacute;veis de escolaridade ao modo como as    crian&ccedil;as aprendem; (iii) apetrechando as escolas com recursos adequados    e de qualidade; (iv) abolindo em definitivo escolas e professores em <I>part-time.    </I></P >     <P    >&Eacute; essencial que quem nos goverba n&atilde;o sacuda outra vez a &aacute;gua    do capote, e assuma, com convic&ccedil;&atilde;o, coragem e determina&ccedil;&atilde;o,    medidas que normalizem o funcionamento do sistema de ensino naqueles e noutros    aspectos. </P >     <P    >Uma delas ser&aacute;, seguramente, iniciar um processo de concilia&ccedil;&atilde;o-conjuga&ccedil;&atilde;o    dos dois sistemas existentes no ensino superior, universit&aacute;rio e polit&eacute;cnico,    que, inexplicavelmente, continuam a querer adaptar o esp&iacute;rito da declara&ccedil;&atilde;o    de Bolonha aos seus interesse e mais-valias. </P >     <P    >&nbsp;</P >     <P    ><b>Notas </b></P >     <P    ><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">*</a> </Sup>Professor da Escola Superior    de Educa&ccedil;&atilde;o, Instituto Polit&eacute;cnico de Lisboa. </P > <Sup><a name="2"></a><a href="#top2">1</a> </Sup>Resumo do <I>Relat&oacute;rio  PISA 2005 </I>&ndash; <a href="http://www.portugal.gov.pt/portal/pt" target="_blank">http://www.portugal.gov.pt/portal/pt</a>      <P    >&nbsp;</P >      ]]></body>
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