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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Ser Professor: Um Ofício em vias de Extinção. Reflexões sobre Práticas Educativas face, à Diversidade, no Limiar do Século XXI]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <P    ><b>Luiza Cortes&atilde;o, 2000 </b></P >     <P   ><b>Ser Professor: Um Of&iacute;cio em vias de Extin&ccedil;&atilde;o. Reflex&otilde;es    sobre Pr&aacute;ticas Educativas face, &agrave; Diversidade, no Limiar do S&eacute;culo    XXI </b></P >     <P   >Porto: Edi&ccedil;&otilde;es Afrontamento, 84 pp. (edi&ccedil;&atilde;o brasileira:    S&atilde;o Paulo, Cortez Editora) </P >     <P   >&nbsp;</P >     <P    >O presente trabalho de Luiza Cortes&atilde;o, desenvolvido a partir da li&ccedil;&atilde;o    destinada &agrave; presta&ccedil;&atilde;o de provas de agrega&ccedil;&atilde;o    na Faculdade de Psicologia e Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade    do Porto, pretende &ldquo;analisar o papel e o significado da actua&ccedil;&atilde;o    dos professores&rdquo;. Trata-se de &ldquo;analisar quest&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o    e reprodu&ccedil;&atilde;o do saber nos papeis desempenhados pelos professores    e pelos investigadores&rdquo;, face ao actual contexto socioecon&oacute;mico    e cultural. Nesse contexto, caracterizado pela complexidade, coexistem, a par    dos acelerados processos de globaliza&ccedil;&atilde;o, m&uacute;ltiplas diversidades    culturais que se afirmam a um ritmo crescente. Pretende-se pois, analisar os    pap&eacute;is e actua&ccedil;&otilde;es poss&iacute;veis dos professores face    a esta dicotomia globaliza&ccedil;&atilde;o/diversidade. No que se refere &agrave;    educa&ccedil;&atilde;o, este contexto tem conduzido a uma diversidade de &ldquo;apelos    desencontrados&rdquo;, vindos de diversos sectores da sociedade, levando necessariamente    a analisar e a interpretar o papel do professor, de modos muito diversos, de    acordo com os diversos quadros te&oacute;ricos, desde os que ministram uma &ldquo;educa&ccedil;&atilde;o    banc&aacute;ria&rdquo; (Paulo Freire), aos professores &ldquo;tradutores&rdquo;    (Bernstein), aos professores &ldquo;treinadores de atletas de alta competi&ccedil;&atilde;o&rdquo;    (Bourdieu), ou at&eacute; aqueles que prev&ecirc;em mesmo a &ldquo;morte do    professor&rdquo; (Lyotard). Esta &uacute;ltima quest&atilde;o merece um particular    enfoque da autora, uma vez que se torna de grande pertin&ecirc;ncia, face aos    actuais desafios da escola de hoje. </P >     <P    >Partindo do quadro te&oacute;rico de que a escola tem tamb&eacute;m uma responsabilidade    em situa&ccedil;&otilde;es de marginaliza&ccedil;&atilde;o e de exclus&atilde;o    social de minorias e que, por esse motivo, &eacute; cada vez menos poss&iacute;vel    permanecer &laquo;indiferente &agrave; diferen&ccedil;a&raquo;<Sup><a href="#1">1</a><a name="top1" id="top1"></a>    </Sup>(express&atilde;o utilizada por Boaventura de Sousa Santos), ou seja,    &eacute; necess&aacute;rio abandonar o &laquo;daltonismo cultural&raquo; em    que os professores s&atilde;o normalmente socializados e na base do qual desenvolvem,    frequentemente, as suas pr&aacute;ticas, a autora aponta para a necessidade    de questionar posi&ccedil;&otilde;es pseudoneutrais, adoptando, nesse sentido,    atitudes de vigil&acirc;ncia cr&iacute;tica face a processos educativos e a    trabalhos de investiga&ccedil;&atilde;o, assim como privilegiando uma investiga&ccedil;&atilde;o    que se relacione com a interven&ccedil;&atilde;o. A complexidade que caracteriza    as quest&otilde;es relativas &agrave; diversidade cultural no quadro da educa&ccedil;&atilde;o,    as mudan&ccedil;as constantes ligadas a diferentes enquadramentos hist&oacute;ricos    e ideol&oacute;gicos e os significados ocultos que, com frequ&ecirc;ncia, est&atilde;o    por detr&aacute;s das pr&aacute;ticas olhadas como &oacute;bvias e indiscut&iacute;veis    pelo senso comum levam-na a adoptar essa constante &ldquo;atitude de vigil&acirc;ncia    cr&iacute;tica&rdquo;. </P >     <P    >Face &agrave; diversidade de p&uacute;blicos que frequentam a escola, considera-se    que os professores se devem questionar e reflectir sobre tr&ecirc;s quest&otilde;es    essenciais: o &ldquo;arbitr&aacute;rio cultural&rdquo; a que constantemente    recorrem tanto na imposi&ccedil;&atilde;o de normas, escolha de conte&uacute;dos    como nas formas de avalia&ccedil;&atilde;o; o &ldquo;etnocentrismo&rdquo;; e    a adop&ccedil;&atilde;o de modalidades de investiga&ccedil;&atilde;o-ac&ccedil;&atilde;o    nas suas pr&aacute;ticas quotidianas. </P >     <P    >O problema de partida da autora &eacute; o mal-estar crescente que actualmente    se vive na educa&ccedil;&atilde;o, nos v&aacute;rios n&iacute;veis do sistema,    muitas vezes empolado e sublinhado por alguns meios de comunica&ccedil;&atilde;o    social e por algumas entidades respons&aacute;veis pelas pol&iacute;ticas educativas.    Considerando que este mal-estar &eacute; apenas a ponta vis&iacute;vel de um    <I>iceberg </I>e no sentido de contribuir para uma compreens&atilde;o mais ampla    e profunda do problema, Luiza Cortes&atilde;o come&ccedil;a por fazer uma reflex&atilde;o    enquadrando-o nas condi&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas e socioecon&oacute;micas,    remetendo para o advento da escola de massas que acompanhou a moderniza&ccedil;&atilde;o    e que permitiu o acesso &agrave; escola a uma grande heterogeneidade de p&uacute;blicos.    Socializados e formados para atender a um p&uacute;blico homog&eacute;neo, os    professores v&ecirc;em-se agora cada vez mais confrontados com popula&ccedil;&otilde;es    escolares caracterizadas pela grande diversidade cultural, criando-se um fosso    crescente entre aquilo que os professores e institui&ccedil;&atilde;o escolar    oferecem e exigem, por um lado, e as caracter&iacute;sticas, interesses e saberes    dos alunos, por outro. Na verdade, estamos perante um modelo escolar que foi    criado e se desenvolveu para um p&uacute;blico ideal, homog&eacute;neo. Foi    nesse modelo que os professores se formaram e desenvolveram e, por isso, o reproduzem    nas suas pr&aacute;ticas quotidianas, pr&aacute;ticas essas que n&atilde;o respondem    &agrave;s necessidades sentidas pelos alunos, da&iacute; o mal-estar sentido    tanto por parte de alunos como por parte de professores. Neste contexto, a educa&ccedil;&atilde;o    apresenta-se como um campo conflitual, onde coexistem os referidos &ldquo;apelos    desencontrados&rdquo; que se situam, ora entre o modelo tradicional, selectivo,    apelando &agrave; homogeneiza&ccedil;&atilde;o e a uma escola meritocr&aacute;tica,    orientada por valores economicistas t&atilde;o defendida pelas correntes neoliberais,    ora entre um modelo de educa&ccedil;&atilde;o intermulticultural, apelando para    uma escola onde n&atilde;o se pode estar &laquo;indiferente &agrave; diferen&ccedil;a&raquo;,    uma escola que valorize a diferen&ccedil;a, uma escola democr&aacute;tica. </P >     <P    >Estamos perante dois modelos distintos de professor, que a autora designa, no    primeiro caso, por professor monocultural ou por professor dalt&oacute;nico    e, no segundo, por professor intermulticultural (n&atilde;o-dalt&oacute;nico),    a que correspondem dois modelos distintos de forma&ccedil;&atilde;o de professores,    que apresenta em quadros-s&iacute;nteses. Neles, conv&eacute;m destacar alguns    aspectos particularmente importantes. A forma&ccedil;&atilde;o do professor    monocultural tem por base um quadro te&oacute;rico que defende a neutralidade    do acto educativo, apontando para o professor &ldquo;tradutor&ldquo;, tendo    como prioridade a transmiss&atilde;o de uma cultura erudita e nacional, visando    contribuir para o aumento de compet&ecirc;ncias que permitam fazer face ao mercado    de trabalho. Estamos perante um professor que tem como papel reproduzir o sistema.    N&atilde;o ignorando a diferen&ccedil;a, olha-a como um obst&aacute;culo    ao desenvolvimento da pr&aacute;tica educativa. </P >     <P    >Contrariamente, o professor intermulticultural &eacute; um actor interveniente    e um criador no processo educativo e social, privilegiando uma atitude reflexiva    e cr&iacute;tica, face &agrave; sua actua&ccedil;&atilde;o e &agrave;s orienta&ccedil;&otilde;es    educativas vigentes. Assim, a forma&ccedil;&atilde;o deste tipo de professor    estrutura-se numa escola que se responsabiliza tamb&eacute;m pelos problemas    educativos, olhando a diferen&ccedil;a como um recurso a explorar. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P    >Pondo em confronto estes dois tipos ideais de professor, a autora faz uma abordagem    de como pode o professor sobreviver no actual contexto, socorrendo-se de um    quadro de an&aacute;lise, instrumento atrav&eacute;s do qual se prop&otilde;e    analisar formas de ac&ccedil;&atilde;o do professor na sua pr&aacute;tica educativa.    O que prop&otilde;e nesse quadro &eacute; analisar o &laquo;qu&ecirc;&raquo;,    o &laquo;como&raquo; (recorrendo &agrave; terminologia de Bernstein) e o &laquo;onde&raquo;,    a que correspondem, respectivamente, o tipo de conhecimento e o modo como tem    acesso a esse tipo de conhecimento (que regista no eixo da reprodu&ccedil;&atilde;o/produ&ccedil;&atilde;o),    as diferentes estrat&eacute;gias utilizadas (registadas no eixo da domestica&ccedil;&atilde;o/emancipa&ccedil;&atilde;o)    e o contexto e n&iacute;vel de ensino onde o professor est&aacute; a trabalhar.    Dentro de cada um destes itens considera diferentes possibilidades que, cruzando-se    entre si, permitem identificar nove situa&ccedil;&otilde;es poss&iacute;veis    de actua&ccedil;&atilde;o (umas mais ligadas ao ensino b&aacute;sico e secund&aacute;rio,    outras ao ensino superior), que v&atilde;o desde situa&ccedil;&otilde;es que    remetem para o professor monocultural que actua no &acirc;mbito de uma escola    reprodutora, recorrendo predominantemente a uma pedagogia transmissiva pela    utiliza&ccedil;&atilde;o de pedagogias vis&iacute;veis, at&eacute; &agrave;s    situa&ccedil;&otilde;es em que se tenta atender &agrave;s diferen&ccedil;as,    recorrendo predominantemente a pedagogias invis&iacute;veis, com preocupa&ccedil;&otilde;es    mais emancipat&oacute;rias, adequadas aos p&uacute;blicos com quem trabalha,    procurando responder, de forma diferenciada a problemas de diversa natureza    que v&atilde;o surgindo, privilegiando a investiga&ccedil;&atilde;o-ac&ccedil;&atilde;o,    possibilitando que os alunos possam construir o seu pr&oacute;prio saber, que    participem no seu desenvolvimento global e fortale&ccedil;am a sua cidadania.    Privilegiando-se estas &uacute;ltimas propostas como formas de trabalho a seguir,    talvez se possa contribuir para diluir o referido mal-estar educativo, dificultando-se,    simultaneamente, que aconte&ccedil;a a morte do professor, pois a sua presen&ccedil;a    torna-se imprescind&iacute;vel no processo educativo. &Eacute; certo que Luiza    Cortes&atilde;o considera ser ainda uma proposta muito ousada, com um &ldquo;forte    sabor a utopia&rdquo;, mas, mesmo assim, uma resposta poss&iacute;vel e pertinente    face ao actual contexto. </P >     <P align="right"   ><b>Filomena Lopes </b></P >     <P   ><b>Notas </b></P >     <P   ><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a> </Sup>Luiza Cortes&atilde;o salienta    e precisa, quase no &#64257;nal do livro, que essa diferen&ccedil;a n&atilde;o    se con&#64257;na a quest&otilde;es de natureza &eacute;tnica, apresentando-se,    cada vez mais, como um conceito mais alargado, que se encontra ligado a diversidades    sociais v&aacute;rias, que podem ser econ&oacute;micas, socioculturais, religiosas,    de g&eacute;nero, ocupacionais. </P >     <P    >&nbsp;</P >      ]]></body>
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