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<publisher-name><![CDATA[Centro de Estudos e Intervenção em Educação e Formação (CeiEF)Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias]]></publisher-name>
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</front><body><![CDATA[ <p><B>Editorial</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>1. Os professores vivem tempos dif&iacute;ceis. Ser professor tornou-se, ainda    mais acentuadamente nos tempos que correm, uma profiss&atilde;o de risco. Alguns    destes tempos dif&iacute;ceis decorrem de factores conjunturais. Outros, resultam    de processos estruturais, onde, ali&aacute;s, alguns dos sinais conjunturais    se inserem e justificam. </p>     <p>Os factores conjunturais decorrem, prioritariamente, de processos de racionaliza&ccedil;&atilde;o    encetados pelos Governos, que t&ecirc;m como centro o equil&iacute;brio das    contas p&uacute;blicas, e que tendem a eleger os professores e as suas associa&ccedil;&otilde;es    sindicais como os principais respons&aacute;veis pela fraca competitividade    dos sistemas educativos, medida por estudos comparativos internacionais divulgados    em m&uacute;ltiplos relat&oacute;rios apresentados por organiza&ccedil;&otilde;es    internacionais como a OCDE.</p>     <p> Estes processos inserem-se em processos mais longos e estruturais, que t&ecirc;m    como centro o que alguns soci&oacute;logos consideram uma &#8220;epidemia pol&iacute;tica&#8221;,    a reforma da educa&ccedil;&atilde;o (Ball, 2002). Impulsionadas por poderosos    agentes globalizadores, de que a OCDE constitui o mais significativo <i>think    tank</i> mundial, as reformas da educa&ccedil;&atilde;o tornaram-se uma obsess&atilde;o    dos governos nos mais distintos lugares do sistema mundial, em pa&iacute;ses    com hist&oacute;rias e problem&aacute;ticas muitas vezes bem diferentes, e com    situa&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas e sociais bem distintas. Tr&ecirc;s    palavras-chave dominam este discurso reformador: competitividade, <i>accountibility</i>    (presta&ccedil;&atilde;o de contas) e performatividade. A combina&ccedil;&atilde;o    e a &ecirc;nfase dada a cada uma destas palavras- chave pode variar com o contexto    nacional ou local. Mas o seu conjunto constitui uma tecnologia pol&iacute;tica    que oferece uma alternativa politicamente atraente &agrave; tradicional liga&ccedil;&atilde;o    da educa&ccedil;&atilde;o a um direito social e ao bem estar p&uacute;blico.  </p>     <p>O que se entende aqui por tecnologias pol&iacute;ticas de reforma? Conforme    Ball (2003), s&atilde;o desdobramentos calculados de t&eacute;cnicas e artefactos    que organizam as for&ccedil;as e capacidades humanas para funcionarem como redes    de poder. Ainda segundo Ball (2003), nos tempos que correm, para al&eacute;m    da performatividade, as tecnologias hegem&oacute;nicas assentam na ret&oacute;rica    do mercado e no managerialismo (novos modos de gest&atilde;o), substituindo    as velhas tecnologias em que assentou a identidade actual dos professores e    que foram dominantes at&eacute; aos anos 1980: o profissionalismo e a rela&ccedil;&atilde;o    com a Administra&ccedil;&atilde;o do Estado (burocracia, nos termos weberianos).  </p>     <p>Interessa ver como &eacute; que esta tecnologia, designada a partir do ingl&ecirc;s    <i>performativity</i>, est&aacute; a influir na (re)constru&ccedil;&atilde;o    das identidades docentes. Socorrendonos novamente do soci&oacute;logo brit&acirc;nico    Stephen Ball, este define performatividade &#8220;como uma tecnologia, uma cultura    e um modo de regula&ccedil;&atilde;o&#8221;, que emprega &#8220;julgamentos,    compara&ccedil;&otilde;es e exposi&ccedil;&otilde;es, como meios de controlo,    de resist&ecirc;ncia e de mudan&ccedil;a&#8221; (Ball, 2001, 2003). As performances    dos indiv&iacute;duos ou das organiza&ccedil;&otilde;es, acrescenta, servem    como medidas de produtividade, ou outputs, de demonstra&ccedil;&otilde;es de    &#8220;qualidade&#8221;, ou de &#8220;momentos&#8221; para promo&ccedil;&atilde;o    ou inspec&ccedil;&atilde;o. Citando Lyotard (1987), uma equa&ccedil;&atilde;o    entre riqueza, efici&ecirc;ncia e verdade &eacute; ent&atilde;o estabelecida.  </p>     <p>Neste contexto, o problema crucial situa-se ao n&iacute;vel de quem controla    o campo do julgamento. E aqui, o discurso hegem&oacute;nico associa performance    a <i>accountibility</i> (&#8220;presta&ccedil;&atilde;o de contas&#8221;) e    competitividade, apresentadas e medidas sobretudo pelos resultados escolares    dos alunos nos exames nacionais e, sobretudo, no acesso &agrave; universidade    e aos seus cursos socialmente mais prestigiados. </p>     <p>Estudos realizados em outros pa&iacute;ses, designadamente na Gr&atilde;-Bretanha,    t&ecirc;m assinalado que a instala&ccedil;&atilde;o desta nova cultura de uma    performatividade competitiva est&aacute; a ter &oacute;bvias consequ&ecirc;ncias    nos professores, incrementando o individualismo e destruindo solidariedades    baseadas numa identidade profissional comum e numa filia&ccedil;&atilde;o sindical.  </p>     <p>Novos contextos fazem emergir novas subjectividades &#8211; uma realidade para    a qual h&aacute; muito a Sociologia nos alertou. E estes novos contextos assentam    numa intensifica&ccedil;&atilde;o e num incremento de actividades que s&atilde;o    atribu&iacute;das aos professores. Mas a maior contradi&ccedil;&atilde;o &eacute;    que esse incremento de actividades n&atilde;o se situa ao n&iacute;vel do trabalho    concreto com os jovens estudantes, na busca de melhores estrat&eacute;gias de    aprendizagem, no trabalho colaborativo, mas antes em in&uacute;meros relat&oacute;rios    e justifica&ccedil;&otilde;es, em reuni&otilde;es, em vigil&acirc;ncia e correc&ccedil;&atilde;o    de exames e provas nacionais, em recolha de dados estat&iacute;sticos e resposta    a inqu&eacute;ritos de todos os tipos. O que se produz &eacute; um espect&aacute;culo,    com uma grande condescend&ecirc;ncia c&iacute;nica, em que se mostra o que se    sabe que as novas entidades reguladoras querem ver. Por outras palavras, fabrica-se    um v&eacute;u e uma m&aacute;scara sob a qual se continua a agir (e a sobreviver),    tendo, provavelmente como consequ&ecirc;ncia, como aponta Ball (2003, p. 153),    que &#8220;a autenticidade &eacute; substitu&iacute;da inteiramente pela plasticidade&#8221;.  </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este &eacute; o paradoxo da performatividade competitiva: os professores nunca    trabalharam tanto para ver t&atilde;o poucos resultados do seu trabalho. </p>     <p>Se entendermos por fabrica&ccedil;&atilde;o algo que &eacute; constru&iacute;do    para produzir pr&aacute;ticas de significa&ccedil;&atilde;o (Foucault, 1996),    estamos, inquestionavelmente, a assistir &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de    novos modos de ser professor. Embora a problem&aacute;tica dos professores n&atilde;o    esteja bem colocada na agenda pol&iacute;tica e medi&aacute;tica, pelo menos    em Portugal, imp&otilde;ese que seja colocada no topo da agenda da investiga&ccedil;&atilde;o    que se faz nas Universidades e Centros de Investiga&ccedil;&atilde;o. Esse ser&aacute;,    muito provavelmente, um dos melhores contributos que as Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o    podem dar &agrave; sociedade, estupefacta perante um discurso redutor e marcado,    que elege os professores (e a escola) como bodes expiat&oacute;rios de uma realidade    social bem mais complexa do que aquela que <i>opinion makers</i> e antigos respons&aacute;veis    pol&iacute;ticos pretendem apresentar. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>2. A Revista Lus&oacute;fona de Educa&ccedil;&atilde;o prossegue o prop&oacute;sito    manifestado desde o seu primeiro n&uacute;mero de se tornar um espa&ccedil;o    de di&aacute;logo cient&iacute;fico entre professores e investigadores origin&aacute;rios    de diferentes proced&ecirc;ncias lingu&iacute;sticas e culturais. Neste n&uacute;mero,    contamos com a participa&ccedil;&atilde;o de investigadores pertencentes a algumas    das mais prestigiadas institui&ccedil;&otilde;es de ensino superior do Brasil,    de Espanha, de Fran&ccedil;a e de Portugal. Como sempre escrevemos, a nossa    afirma&ccedil;&atilde;o como revista lus&oacute;fona, escrita em portugu&ecirc;s    e dando particular aten&ccedil;&atilde;o ao espa&ccedil;o dos pa&iacute;ses    de l&iacute;ngua portuguesa, n&atilde;o impede, antes exige, uma especial aten&ccedil;&atilde;o    a um di&aacute;logo cosmopolita, que retenha o melhor do que se faz e publica    nas universidades e centros de investiga&ccedil;&atilde;o de outros espa&ccedil;os    lingu&iacute;sticos. </p>     <p>O primeiro artigo, <i>Globaliza&ccedil;&atilde;o e identidades educativas</i>.    Rupturas e incertezas, de Jos&eacute; Augusto Pacheco e Nancy Pereira, questiona    o curr&iacute;culo escolar a partir de dois conceitos-chave: globaliza&ccedil;&atilde;o    e identidade. Como afirmam os autores, em tempos de globaliza&ccedil;&atilde;o,    a regula&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o &eacute; cada vez mais realizada    em contextos supranacionais, impondo-se, por um lado, um padr&atilde;o comum    de pensar a forma&ccedil;&atilde;o dos alunos e de organizar o curr&iacute;culo    e, por outro, pr&aacute;ticas curriculares homog&eacute;neas e orientadas pela    efici&ecirc;ncia dos resultados de aprendizagem. Tomando como base uma resenha    dos estudos realizados em Portugal sobre os projectos educativos de escolas    b&aacute;sicas, Jos&eacute; A. Pacheco e Nancy Pereira afirmam que o modo como    os professores reagem &agrave;s imposi&ccedil;&otilde;es normativas &eacute;    o da resist&ecirc;ncia passiva, assumindo-as como uma ritualiza&ccedil;&atilde;o    de procedimentos e uma ressignifica&ccedil;&atilde;o de novos termos e conceitos,    o que, parodoxalmente, conduz ao refor&ccedil;o do curr&iacute;culo nacional    e supranacional. Uma tal constata&ccedil;&atilde;o permite-lhes argumentar que    &#8220;a globaliza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o s&oacute; reduz o espa&ccedil;o    escolar de constru&ccedil;&atilde;o de identidades curriculares, bem como tende    para a legitima&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;ticas escolares uniformes, tornando    o curr&iacute;culo num facto, num epis&oacute;dio conducente &agrave; efici&ecirc;ncia    dos resultados de aprendizagem dos alunos, desvalorizando aspectos que s&atilde;o    fundamentais na sua forma&ccedil;&atilde;o global&#8221;. </p>     <p>No segundo artigo, <i>&Eacute;tica Ambiental e Educa&ccedil;&atilde;o nos novos    contextos da Ecologia Humana</i>, Marina Lencastre faz a apresenta&ccedil;&atilde;o    cr&iacute;tica de correntes que animam, nos dias de hoje, a ecologia enquanto    pensamento social e educativo. Assumindo que as quest&otilde;es que se levantam    actualmente no cruzamento entre educa&ccedil;&atilde;o e ambiente s&atilde;o    de ordem d&iacute;spar e muitas vezes contradit&oacute;rias, a autora defende    que no cora&ccedil;&atilde;o da discuss&atilde;o est&atilde;o concep&ccedil;&otilde;es    aparentemente renovadas sobre as rela&ccedil;&otilde;es entre a natureza e a    cultura. N&atilde;o se identificando com certos discursos parcelares, que designa    de naturocentrismo e de sociocentrismo, Marina Lencastre defende uma vis&atilde;o    integradora que permita uma compreens&atilde;o suficientemente esclarecida tanto    dos fen&oacute;menos ecol&oacute;gicos, como dos fen&oacute;menos educativos    pr&oacute;prios ao humano. O presente artigo percorre algumas destas quest&otilde;es,    mostrando como se interligam, sem se dispensarem, e como &eacute; da compreens&atilde;o    dessa interliga&ccedil;&atilde;o que crescem mais amplas possibilidades de conhecimento    e de educa&ccedil;&atilde;o em ambiente, &#8220;desipotecados ambos tanto da    ideia de um estado ideal da natureza, como de um ideal natural do ser (humano,    entre outros) ou de um ideal do saber&#8221;. </p>     <p>O terceiro artigo, <i>Quais os contributos da Antropologia para a compreens&atilde;o    das situa&ccedil;&otilde;es de defici&ecirc;ncia?</i>, de Charles Gardou, prossegue    uma linha de abordagem fundamental para se entender a inclus&atilde;o educativa    (ver os artigos publicados nos nos 2 e 6). Neste artigo, o autor assume que    a Antropologia, enquanto &#8220;ci&ecirc;ncia social do observado&#8221;, na    defini&ccedil;&atilde;o de L&eacute;vi-Strauss, que ambiciona conjugar o uno    e o plural, e pensar a constante tens&atilde;o entre o ponto de vista do pr&oacute;prio    e do outro, pode dar um contributo central para a compreens&atilde;o das situa&ccedil;&otilde;es    de defici&ecirc;ncia. Para al&eacute;m das formas de estar e de agir no mundo,    aparentemente estranhas e estrangeiras, o outro &eacute; um homem como eu. A    sua alteridade n&atilde;o representa uma subst&acirc;ncia imut&aacute;vel, &eacute;    relativa e contingente, conclui Gardou. </p>     <p>O quarto artigo, <i>Da integra&ccedil;&atilde;o &agrave; inclus&atilde;o escolar:    cruzando perspectivas e conceitos</i>, de Isabel Sanches (e Ant&oacute;nio Teodoro)    prossegue uma abordagem que tem a inclus&atilde;o educativa como o grande des&iacute;gnio    de uma educa&ccedil;&atilde;o humanista. Neste artigo, procura-se precisar conceitos    e cruzar perspectivas provenientes de diferentes quadrantes, &#8220;para que    as palavras/express&otilde;es n&atilde;o sejam usadas aleatoriamente ou despidas    do significado que esteve na origem da sua utiliza&ccedil;&atilde;o educativa&#8221;,    como explicitam os autores. O ponto de partida para esse trabalho &eacute; resumido    na seguinte frase: Deixai-me viver e aprender, como sou e com todos os meus    amigos! Um ponto de partida que assume que a aprendizagem se faz &#8220;com    a ajuda do professor, mas tamb&eacute;m com o grupo e no grupo dos pares, no    contexto ao qual pertence cada um dos indiv&iacute;duos a educar, valorizando    saberes e experi&ecirc;ncias de todos, com o seu n&iacute;vel de funcionalidade,    numa perspectiva ecol&oacute;gica de desenvolvimento&#8221;. </p>     <p>No quinto artigo, <i>O dever de casa como pol&iacute;tica educacional e objeto    de pesquisa</i>, Maria Eulina Pessoa de Carvalho procede a uma an&aacute;lise    cr&iacute;tica de um tema dos mais debatidos junto da grande imprensa, mas quase    ausente da investiga&ccedil;&atilde;o educacional. Nesse artigo, a autora, tomando    como refer&ecirc;ncia as realidades educacionais brasileira e norte-americana,    examina aspectos impl&iacute;citos das intera&ccedil;&otilde;es entre escola    e fam&iacute;lia no atual contexto mundial de reforma educacional neoliberal,    que veicula a ret&oacute;rica de que escola p&uacute;blica boa come&ccedil;a    em casa. Defendendo que o dever de casa (trabalho para casa, TPC, na terminologia    utilizada em Portugal) &eacute; fundamentalmente uma quest&atilde;o pol&iacute;tica    com implica&ccedil;&otilde;es para um projeto de equidade educacional, Maria    Eulina de Carvalho sublinha as contradi&ccedil;&otilde;es, o car&aacute;ter    totalit&aacute;rio de regula&ccedil;&atilde;o da vida privada, os potenciais    conflitos e efeitos perversos da pol&iacute;tica de envolvimento dos pais na    escola p&uacute;blica, ao atribuir &agrave; fam&iacute;lia a responsabilidade    pela qualidade da aprendizagem e sucesso escolar dos estudantes, o que lhe permite    sugerir, a terminar, uma ampla agenda de pesquisa. </p>     <p>O sexto artigo, <i>Os manuais escolares, a constru&ccedil;&atilde;o de saberes    e a autonomia dos alunos. Ausculta&ccedil;&atilde;o a alunos e professores</i>,    de Esmeralda Maria Santo, constitui um contributo da linha de pesquisa sobre    manuais escolares existente no seio do Observat&oacute;rio de Pol&iacute;ticas    de Educa&ccedil;&atilde;o e de Contextos Educativos da Universidade Lus&oacute;fona,    coordenada pelo Professor Jos&eacute; B. Duarte. Tendo como base a sua disserta&ccedil;&atilde;o    de mestrado, a autora, assumindo o manual como uma ferramenta pedag&oacute;gica    ao servi&ccedil;o da constru&ccedil;&atilde;o de saberes pelos alunos, procede    a um estudo de caso instrumental de natureza qualitativa numa escola da periferia    de Lisboa, junto de alunos e professores, a partir da an&aacute;lise de dois    manuais do ensino secund&aacute;rio, um de Portugu&ecirc;s e outro de Ci&ecirc;ncias    da Terra e da Vida. O objectivo do artigo de Esmeralda Santo &eacute; o de contribuir    para uma melhor compreens&atilde;o dos mecanismos de constru&ccedil;&atilde;o    do saber do aprendente atrav&eacute;s do trabalho pedag&oacute;gico que este    desenvolve com o manual escolar e, sobretudo, que este trabalho possa ser perspectivado    como uma mais valia para a eleva&ccedil;&atilde;o da qualidade da escola e no    &acirc;mbito da forma&ccedil;&atilde;o de professores. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No s&eacute;timo artigo, <i>Conflito docente no Brasil e manifesta&ccedil;&otilde;es    sindicais: natureza e significados</i>, Dalila A. Oliveira e Savana G. Melo    discutem a natureza e o significado dos conflitos docentes ocorridos no Brasil    entre os anos de 1998 e 2003, a partir de suas manifesta&ccedil;&otilde;es acolhidas    ou preconizadas pelos sindicatos. Tomando como objecto de trabalho emp&iacute;rico    o Estado de Minas Gerais, as autoras quantificam e qualificam os conflitos,    identificam os protagonistas e as suas principais motiva&ccedil;&otilde;es.    A an&aacute;lise do desenvolvimento e desdobramentos dessas lutas, nem sempre    felizes para os trabalhadores, indicia que algo precisa ser repensado, pois    &#8220;podemos estar diante de um distanciamento das dire&ccedil;&otilde;es    sindicais dos locais de trabalho&#8221;, n&atilde;o no sentido do distanciamento    f&iacute;sico, &#8220;mas de seus discursos e protestos, expressos nas pautas    de reivindica&ccedil;&otilde;es, panfletos e boletins, demonstrando pouca sensibilidade    e conhecimento com a realidade atual das escolas&#8221;. </p>     <p>No oitavo artigo, <i>As Universidades Populares. Contexto e desenvolvimento    de programas de forma&ccedil;&atilde;o de pessoas adultas</i>, Agustin Requejo    Os&oacute;rio analisa os aspectos fundamentais da educa&ccedil;&atilde;o popular    a partir de uma sua caracter&iacute;stica b&aacute;sica: &#8220;as suas actividades    formativas s&atilde;o orientadas para a promo&ccedil;&atilde;o e o aprofundamento    da democracia partindo da realidade mais imediata, do grupal e do local, para    descobrir os princ&iacute;pios mais gerais e globais que configuram a din&acirc;mica    social com vista a actuar sobre ela&#8221;. Realizando um estudo especifico    na Galiza sobre uma das manifesta&ccedil;&otilde;es da educa&ccedil;&atilde;o    popular, as Universidade Populares, o autor salienta o amplo apre&ccedil;o que    o programa desperta nas pessoas idosas nele inscritas (82% prop&otilde;e as    notas m&aacute;ximas) e a grande estima que outorgam aos educadores (professores    e monitores), que em 89,3% das respostas recebem as notas mais altas (4 e 5    pontos da escala de valora&ccedil;&atilde;o proposta).</p>     <p> Na sec&ccedil;&atilde;o Di&aacute;logos, Manuel Tavares retorna &agrave;s    suas conversas com cientistas sociais, desta vez com Jos&eacute; Machado Pais.    Titulada <i>Os Rostos da Solid&atilde;o</i>, esta conversa com um dos mais interessantes    e criativos soci&oacute;logos portugueses constitui um momento de leitura obrigat&oacute;ria    para todos quantos desejam compreender as pr&aacute;ticas sociais quotidianas,    em particular dos jovens. A partir de alguns dos seus &uacute;ltimos trabalhos    cient&iacute;ficos, Machado Pais desvenda-nos a riqueza do seu m&eacute;todo:    &#8220;este duplo olhar &#8211; intrometido e comprometido &#8211; &eacute;    tanto mais objectivo quanto mais tocado por uma subjectividade c&uacute;mplice    do observador. A reflexividade, nos processos de observa&ccedil;&atilde;o, produz    um efeito de sensibiliza&ccedil;&atilde;o que permite estabelecer rupturas com    as imagens estereotipadas e cristalizadas do que se v&ecirc; sem olhar, do que    normalmente se concebe com preconceito ou se olha de lado. O olhar cient&iacute;fico    &eacute; tanto mais cred&iacute;vel quanto mais cr&iacute;tico em rela&ccedil;&atilde;o    a essas representa&ccedil;&otilde;es estereotipadas&#8221;. </p>     <p>Em Documentos inclui-se um texto premonit&oacute;rio de Calvet de Magalh&atilde;es,    publicado em Fevereiro de 1974, sobre o Direito &agrave; Educa&ccedil;&atilde;o.    Antecipando a apresenta&ccedil;&atilde;o no pr&oacute;ximo n&uacute;mero da    Revista Lus&oacute;fona de Educa&ccedil;&atilde;o de um CDr com originais das    normas e regulamentos da Escola Preparat&oacute;ria Francisco de Arruda, em    Lisboa, que comemora o seu 50&ordm; anivers&aacute;rio, este documento pretende    ser um testemunho do pensamento pedag&oacute;gico desse homem de ac&ccedil;&atilde;o    que foi Calvet de Magalh&atilde;es que, em condi&ccedil;&otilde;es muito dif&iacute;ceis,    construiu um projecto educativo marcante na hist&oacute;ria da educa&ccedil;&atilde;o    em Portugal no p&oacute;s-segunda guerra mundial. </p>     <p>Em Recens&atilde;o Cr&iacute;tica, Jos&eacute; B. Duarte apresenta o livro    L&iacute;ngua Portuguesa e Coopera&ccedil;&atilde;o para o Desenvolvimento,    organizado por Helena Mira Mateus e Lu&iacute;sa Teot&oacute;nio Pereira, que    se centra na problem&aacute;tica da diversidade lingu&iacute;stica nos Palop    e em Timor e da coopera&ccedil;&atilde;o de Portugal com esses pa&iacute;ses.    Por seu turno, Teresa Moura apresenta aos leitores da Revista <i>The OECD, Globalisation    and Education Policy</i>, um dos mais importantes livros sobre um dos agentes    globalizadores mais poderosos no campo das pol&iacute;ticas de educa&ccedil;&atilde;o,    que tem como autores um grupo de investigadores australianos que, durante dois    anos, procederam a uma an&aacute;lise cr&iacute;tica dos principais documentos    produzidos no seio da OCDE. </p>     <p>Por &uacute;ltimo, duas das habituais sec&ccedil;&otilde;es da Revista. Em    Noticias apresentam-se breves refer&ecirc;ncias &agrave;s participa&ccedil;&otilde;es    de investigadores da UID Observat&oacute;rio de Pol&iacute;ticas de Educa&ccedil;&atilde;o    e de Contextos Educativos em semin&aacute;rios e congressos internacionais,    bem como a rela&ccedil;&atilde;o dos projectos de interven&ccedil;&atilde;o    desenvolvidos em 2004/2005 no Curso de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o e    Forma&ccedil;&atilde;o Especializada de Educa&ccedil;&atilde;o Especial. Em    Disserta&ccedil;&otilde;es apresentam-se os resumos das disserta&ccedil;&otilde;es    defendidas entre Janeiro e Julho de 2006 no &acirc;mbito do Mestrado em Ci&ecirc;ncias    da Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade Lus&oacute;fona. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Lisboa, Novembro 2006 </i></p>     <p><b>Ant&oacute;nio Teodoro</b></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p> <b>Refer&ecirc;ncias Bibliogr&aacute;ficas</b> </p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Ball, S. R. (2002). Reformar escolas/reformar professores e os terrores da    performatividade. <i>Revista Portuguesa de Educa&ccedil;&atilde;o</i>, 15(2),    3-23. </p>     <p>Ball, S. R. (2003). The Teacher&#8217;s Soul and the Terrors of Performativity.<i>    Journal of Education Policy</i>, 18(2), 215- 228. </p>     <p>Foucault, M. (1996, 13a ed.). <i>Vigiar e Punir</i>. Petr&oacute;polis: Editora    Vozes. </p>      ]]></body>
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