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</front><body><![CDATA[ <p><b>The OECD, Globalisation and Education Policy </b></p>     <p><b>Henry, M., Lingard, B., Rizvi, F., & Taylor, S. (2001)</b></p>      <p>Amesterdam: International Association of Universities Press, Pergamon e Elsevier    Science. 187 pp.</p>     <p>&nbsp;</p>      <p>A problemática da globalização e a sua influência na política educativa dos    Estados-nação tornou-se um tema fulcral nos debates políticos sobre educação    nos últimos anos. </p>     <p>O livro “The OECD, Globalisation and Education Policy” discute a influência que a OCDE exerce nas  políticas educativas e o seu impacto tanto a nível nacional como internacional no contexto da globalização. A obra pretende analisar em simultâneo três contextos da política educativa: a OCDE como uma organização  internacional com influência na educação, o contexto da globalização e o contexto das politicas educativas  nacionais, com especial destaque para a Austrália. </p>     <p>O estudo apresentado nesta obra focaliza-se na actual era de globalização intensificada e assenta numa  crítica ao neo-liberalismo dominante que estabelece como objectivo principal da política educativa da OECD  a produção de capital humano para o mercado global.</p>      <p>O livro defende a tese geral de que a OCDE adquiriu o estatuto de “internacional mediator of knowledge  and global policy actor” (p.84). A OCDE é entendida como uma agência globalizadora com um papel fundamental na corrente de pensamento sobre a educação à escala internacional e também como um actor com influência  crescente nas políticas educativas dos Estados-nação. </p>     <p>Trata-se de uma obra organizada por um grupo de investigadores australianos, que durante três anos  efectuaram uma investigação promovido pela Australien Research Council. </p>     <p>O livro está estruturado em duas partes e é constituído por oito capítulos. A primeira parte integra o  segundo, terceiro e quarto capítulos, nos quais os autores fazem o enquadramento teórico e expõem os  fundamentos do livro.A segunda parte,que engloba os capítulos cinco, seis e sete apresenta alguns estudos  de caso e aspectos mais específicos do sistema de ensino australiano. O primeiro capítulo expõe uma visão  geral da obra e as circunstâncias em que foi escrita. O oitavo capítulo discute perspectivas futuras das  políticas educativas no contexto da globalização. Exceptuando o primeiro e o sexto capítulos todos os  restantes apresentam uma secção final de conclusões. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os fundamentos teóricos da investigação desenvolvida são apresentados no primeiro    capítulo, assim como os problemas metodológicos encontrados e uma visão abreviada    da estrutura e funcionamento da OCDE. Neste capítulo os autores pretendem identificar    a natureza e o âmbito das relações entre as agências internacionais e o desenvolvimento    da política educativa ao nível do Estado-nação. Sustentam que o papel da OCDE    foi mais contingente do que directo, apesar de existir pouca investigação sobre    o modo como a Organização exerce a sua influência. Deste modo pretendem demonstrar    a existência de “mecanismos de persuasão” através do estudo da relação entre    a OCDE e a direcção da política educativa australiana, colocando a hipótese    de que a OCDE como uma agência globalizadora pode desempenhar um papel importante    neste processo. </p>     <p>Os aspectos teóricos da globalização e as suas implicações na política educativa    interna e externa do Estado-nação constituem o tema do segundo capítulo. Os    autores analisam a temática da globalização e as mudanças da política educativa.    Examinam também a reconstituição do Estado-nação, a globalização da economia    e o consenso político pós-Keynesiano que originou novas estruturas do Estado    e formas de governo. Segundo os autores a desconstrução do Estado-nação deve-se,    por um lado, às pressões da política global e por outro ao conjunto das tendências    internas de cada Estado. Uma politica de educação pós-keynesiana defendida pela    OCDE determinou o enfraquecimento da divisão público/privado e a emergência    de politicas educativas agrupadas em redes, que se situam acima do Estado-nação    através de actividades de organizações internacionais como a OCDE contribuindo    para o aparecimento de novas comunidades de políticas globais. No entender dos    autores “the OECD certainly sees itself as a key player in a globalizing milieu    “ (p.36). </p>     <p>Assumindo que, nos últimos anos, a OCDE atribuiu uma grande importância aos problemas económicos e  sociais dos países membros incentivando-os a promover reformas politicas internas, os autores defendem que  a Organização tentou conduzir esses mesmos processos. </p>     <p>A finalizar o capítulo os autores sustentam que apesar do aparente consenso da política educativa da OCDE existe nos países membros alguma divergência em relação aos fins da educação </p>     <p>O terceiro capítulo estabelece a ligação entre a globalização, a execução das políticas educativas e o  papel da OCDE como organização internacional. Examina também as mudanças da agenda politica e a alteração  da sua esfera de influência </p>     <p>Os autores consideram a OCDE uma organização que é simultaneamente sujeito e objecto da economia global, limitada no seu discurso pelos parâmetros da sua missão de globalização e, deste modo, incapaz de enfrentar novas agendas. </p>     <p>A globalização económica reduziu o papel do Estado e na nova ordem mundial “the OECD is positioned  between new regional blocs and agencies, the supranational EU, between more permeable nation-states and  shifting constituencies” (p.59). Segundo os autores a importância do novo consenso político alterou  significativamente as finalidades da educação confundindo-as com objectivos económicos e, recentemente,  com objectivos sociais. </p>     <p>Por último, salientam que a OCDE como organização económica intergovernamental tem sido um actor e um  instrumento nas mudanças da agenda politica, nas relações com os seus membros e nas mudanças da esfera de  influência. </p>     <p>O quarto capítulo examina as tensões no trabalho educacional da OCDE, as mudanças da agenda económica e  social em função da pressão da globalização. Analisa igualmente as alterações no discurso da equidade, a  qualidade no ensino superior e o predomínio da lógica “performativa”. Por último, concluem o capítulo  referindo-se à inclusão e exclusão social como um novo quadro de referência para a educação. </p>     <p>Os autores sustentam que o interesse na inclusão/exclusão social emergiu após a evidência das  desigualdades sociais acentuadas pela globalização e consideram como uma questão central até que ponto é  que os novos propósitos económicos e sociais que surgiram na educação se ligam com os objectivos da agenda  da OCDE. Na sua opinião a agenda da coesão social tem sido marcada por uma evidente ambiguidade,  consequência em grande medida da reacção ao impulso essencial da reestruturação da economia global e de uma dinâmica de oposição conectada a agendas de objectivos sociais e a um novo discurso de capital social. Por último, interrogam-se sobre o custo da ambiguidade desta agenda no trabalho educacional da OCDE.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O capítulo cinco aborda as políticas associadas aos indicadores educativos. Os autores analisam o  desenvolvimento e a utilização por parte da OCDE de indicadores de educação como instrumentos de avaliação  dos sistemas educativos dos Estados-nação. A discussão sobre os indicadores engloba uma breve história da  sua criação, discute o problema da comparabilidade entre países, insere os indicadores no contexto de uma  racionalização global e ainda num imperativo de comparabilidade e num novo consenso sobre políticas  educativas. </p>     <p>O documento “Education at a glance” foi publicado pela primeira vez em 1992    para permitir comparar os sistemas educativos dos países membros. Neste capítulo    os autores procuram provar que os indicadores das políticas educativas da OCDE,    não só fornecem informações importantes para a comparação dos sistemas educativos,    conforme sustenta a OCDE, mas também contribuem para formatar as agendas políticas    e prioridades educativas dos Estados-nação. Enquadrando o papel dos indicadores    no processo de globalização os autores argumentam que estes contribuem essencialmente    para uma homogeneização cultural. Isto torna-se particularmente evidente nos    documentos “Analysis” em que são apontadas recomendações de acção para os países    membros a partir dos indicadores educativos. Contudo, considerando que a globalização    é simultaneamente um processo homogeneizador e diferenciador, os autores admitem    que permanece em aberto a questão de saber até que ponto a força homogeneizadora    do projecto dos indicadores pode ser compensada pelas prioridades locais. Em    todo o caso reconhecem que o projecto dos indicadores se enquadra num consenso    epistemológico que prevalece actualmente entre as elites burocráticas e políticas    de um novo paradigma de política baseada em números. </p>     <p>A aprendizagem ao longo da vida é o tema do capítulo seis. Inicia-se com uma breve resenha acerca da  política da OCDE sobre a educação recorrente, aborda o caso das políticas adoptadas na Austrália, políticas  convergentes para a educação ao longo da vida e implicações para a adopção de políticas educativas a nível  nacional. </p>     <p>Os autores utilizam o caso australiano sobre a aprendizagem ao longo da vida como exemplo para discutir  as possibilidades de articulação entre as tendências homogeneizadoras associadas à globalização e as  possibilidades de adopção de políticas educativas adaptadas às condições nacionais. Segundo os autores,  apesar do modus operandi da OCDE manter implícito que cada Estado-nação dispõe de um espaço estratégico para  fazer política autónoma, é descurada a importância homogeneizadora que o discurso dominante exerce, como por  exemplo, no que diz respeito ao senso comum acerca da relação directa entre os investimentos em educação e o  desenvolvimento económico. </p>     <p>O capítulo sete faz uma breve cronologia do interesse da OCDE no ensino superior, aborda diferentes  aspectos da redefinição da educação terciária, nomeadamente os temas das políticas subjacentes e o papel da OCDE como actor dessas políticas. Por último analisa a internacionalização da educação terciária. </p>     <p>Neste capítulo o ensino superior é utilizado como exemplo para analisar algumas    formas de influência da OCDE sobre os processos de execução da política educativa    ao nível dos Estados-nação. Para este efeito os autores analisam o papel da    OCDE na promoção da internacionalização do ensino superior e, mais especificamente,    o documento Revisão Temática “Redefining Tertiary Education”, de 1998. De acordo    com os autores a influência da OCDE reflecte uma determinada perspectiva de    globalização, não sujeita a qualquer análise crítica, que se alicerça num discurso    neo-liberal e em teorias de gestão de corporações. </p>     <p>O último capítulo debruça-se sobre as perspectivas futuras da intervenção da OCDE nas políticas  educativas nacionais num mundo em mudança. Entre os assuntos abordados encontram-se referências: aos dilemas  que se colocam à OCDE, subdivididos nas contradições neo-liberais, na lógica vazia da “performatividade” e  na armadilha “think-tank” liberal; as políticas de globalização, coms referências à globalização e  exclusão/coesão social, globalização e “accountability” política; e as políticas educativas para um mundo em  mudança, abarcando temas de “governance” e finalidades da educação. </p>     <p>São diversos os pontos de interesse apresentados neste capítulo. Salientam-se,    entre outros, a cultura da “performatividade” aplicada à educação e o risco    de, perante a incapacidade de definir objectivos relevantes para os sistemas    educativos, acabar por transformar indicadores de educação de meios de avaliação    em fins em si mesmos. Outro exemplo decorre da discussão da globalização económica    como processo de exacerbação das desigualdades sociais em contraponto aos processos    de globalização cultural e política, cujos efeitos, de acordo com os autores,    se apresentam com resultados mais ambíguos. Também é analisada a tendência actual    de evolução para um sistema dual de educação terciária, em conjugação com o    aparecimento de novas formas de desigualdade social associadas às chamadas economias    baseadas no conhecimento. </p>     <p>Em conclusão, encontramo-nos perante uma obra densa e complexa de inegável    interesse teórico para quem pretenda aprofundar a temática das políticas educativas    no contexto da globalização. </p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="right"><b>Teresa Moura </b></p>       ]]></body>
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