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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Revolução e Utopia. Um programa de acção no campo educativo para uma sociedade a caminho do socialismo - Portugal 1975]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Revolu&ccedil;&atilde;o e Utopia. Um programa de ac&ccedil;&atilde;o no    campo educativo para uma sociedade a caminho do socialismo &ndash; Portugal    1975</b></p>     <p> Ant&oacute;nio Teodoro<Sup><a href="#3">*</a><a name="top3" id="top3"></a></Sup></p>            <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Quando, em 1977, preparava a edi&ccedil;&atilde;o de um livro sobre os programas    de educa&ccedil;&atilde;o dos seis Governos provis&oacute;rios, foi-me facultado    pelo Ant&oacute;nio Manuel Hespanha um documento que as conting&ecirc;ncias    da revolu&ccedil;&atilde;o n&atilde;o permitiram que tivesse sido divulgado    no seu tempo. Tratava-se nada mais nada menos do que o programa de ac&ccedil;&atilde;o    do Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o e Investiga&ccedil;&atilde;o    Cient&iacute;fica (MEIC) do IV Governo provis&oacute;rio, discutido e aprovado    em sucessivas reuni&otilde;es do Conselho de Directores-Gerais, entre Abril    e Maio de 1975. </p>            <p>&Agrave; &eacute;poca, onde as reuni&otilde;es se multiplicavam a um ritmo    estonteante, o centro nevr&aacute;lgico de decis&atilde;o colectiva do MEIC    situava-se no Conselho de Directores-Gerais, que, sob a direc&ccedil;&atilde;o    dos Secret&aacute;rios de Estado - e raramente do Ministro, major Jos&eacute;    Em&iacute;lio da Silva -, reunia com uma periodicidade quase semanal todos os    respons&aacute;veis pelas direc&ccedil;&otilde;es-gerais ou organismos equiparados    do Minist&eacute;rio. Foi o Conselho que discutiu e elaborou esse <I>programa    de ac&ccedil;&atilde;o</I>, no contexto das novas orienta&ccedil;&otilde;es    tra&ccedil;adas para todos os dom&iacute;nios da actividade governativa ap&oacute;s    o 11 de Mar&ccedil;o de 1975, onde o objectivo da constru&ccedil;&atilde;o de    uma sociedade socialista se colocara como o rumo da revolu&ccedil;&atilde;o    portuguesa<Sup><a href="#4">**</a><a name="top4" id="top4"></a></Sup>.</p>     <p>Na elabora&ccedil;&atilde;o e discuss&atilde;o desse programa de ac&ccedil;&atilde;o participaram, entre outros, Rui Gr&aacute;cio, Avel&atilde;s Nunes e Fonseca Almeida, respectivamente Secret&aacute;rios de Estado da Orienta&ccedil;&atilde;o Pedag&oacute;gica, do Ensino Superior e Investiga&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica e da Administra&ccedil;&atilde;o Escolar, bem como Rog&eacute;rio Fernandes, Raul Gomes, Ant&oacute;nio Hespanha - que fora o relator geral do documento, Ant&oacute;nio Brotas e Manuela Silva, respons&aacute;veis pelas Direc&ccedil;&otilde;es-Gerais dos Ensinos B&aacute;sico, Secund&aacute;rio e Superior, pelo Gabinete de Estudos e Planeamento e pelo Instituto de Tecnologia Educativa. O programa inclu&iacute;a tamb&eacute;m um cap&iacute;tulo sobre cultura f&iacute;sica e desporto escolar, cujo projecto fora elaborado por Alfredo Melo de Carvalho, ent&atilde;o Director-Geral dos Desportos, mas cujo texto n&atilde;o consegui ainda recuperar.</p>    <p>Raz&otilde;es de ordem editorial n&atilde;o me permitiram, em 1977, publicar esse documento, fundamental para uma compreens&atilde;o dos projectos e prop&oacute;sitos da revolu&ccedil;&atilde;o portuguesa no campo da educa&ccedil;&atilde;o nesse seu per&iacute;odo cr&iacute;tico entre o 11 de Mar&ccedil;o e o Ver&atilde;o quente de 1975. Depois de uma primeira divulga&ccedil;&atilde;o no Encontro Ib&eacute;rico de Hist&oacute;ria da Educa&ccedil;&atilde;o que debateu as transi&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas de Portugal e Espanha (Castelo Branco, 2005), (re)publica-se agora um texto marcante da hist&oacute;ria da educa&ccedil;&atilde;o em Portugal.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><b>Programa de ac&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o    e Investiga&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica (MEIC) do IV Governo Provis&oacute;rio    </b></p>     <p align="center">&nbsp;</p>     <p align="center">1. </p>     <p>As tarefas do ensino est&atilde;o entre as tarefas priorit&aacute;rias da revolu&ccedil;&atilde;o portuguesa. Neste sentido elas t&ecirc;m, por um lado, que ser decididamente assumidas por todas as for&ccedil;as progressistas e patri&oacute;ticas e, por outro lado, s&oacute; se justificam se se enquadrarem claramente na estrat&eacute;gia revolucion&aacute;ria estabelecida no programa do Movimento das For&ccedil;as Armadas, cujos objectivos principais s&atilde;o a instaura&ccedil;&atilde;o de uma sociedade socialista e o refor&ccedil;o da independ&ecirc;ncia nacional, atrav&eacute;s da mais ampla participa&ccedil;&atilde;o e organiza&ccedil;&atilde;o das massas populares.</p>    <p>De facto, a Escola n&atilde;o pode continuar isolada dos problemas concretos que se p&otilde;em &agrave; sociedade portuguesa, dedicada a um saber desenraizado das novas necessidades hist&oacute;ricas ou ocupada em debates ideol&oacute;gicos est&eacute;reis  e fechada aos filhos das classes mais desfavorecidas. Este &uacute;ltimo aspecto &eacute;, de resto, fundamental e &eacute; de supor que esteja na raiz dos restantes. &Eacute; uma verdade gritante que a Escola Portuguesa n&atilde;o tem pertencido e, portanto, n&atilde;o tem reflectido o povo portugu&ecirc;s. Logo, &eacute; uma op&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica priorit&aacute;ria abri-la realmente a todos os portugueses, independentemente do seu poder econ&oacute;mico ou da sua proveni&ecirc;ncia regional, estabelecendo uma pol&iacute;tica de discrimina&ccedil;&atilde;o positiva que favore&ccedil;a aqueles que, at&eacute; agora, n&atilde;o tenham tido iguais oportunidades de a frequentar &mdash; as classes trabalhadoras e as popula&ccedil;&otilde;es n&atilde;o urbanas.</p>     <p>Daqui deriva que o problema do ensino, como quest&atilde;o nacional, diz respeito    a todo o povo portugu&ecirc;s, isto &eacute;, tanto &agrave;queles que frequentam    a escola como &agrave;queles que a n&atilde;o frequentam ou que nunca a frequentaram.    Diremos mesmo que ele pertence mais a estes &uacute;ltimos do que aos primeiros,    pois s&atilde;o os n&atilde;o escolarizados os que mais legitimidade t&ecirc;m    para, em nome do seu sacrif&iacute;cio, fazer exig&ecirc;ncias no que respeita    &agrave; pol&iacute;tica da educa&ccedil;&atilde;o. Por isso mesmo &eacute;    que se torna indispens&aacute;vel tornar estas massas n&atilde;o escolarizadas    conscientes dos seus direitos cm rela&ccedil;&atilde;o &agrave; Escola e compromet&ecirc;-las    decisivamente na nova pol&iacute;tica educativa. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center">2. </p>     <p>S&atilde;o estes os v&aacute;rios sentidos do objectivo n&uacute;mero um da    pol&iacute;tica da educa&ccedil;&atilde;o &mdash; a democratiza&ccedil;&atilde;o    do ensino. Democratizar a escola &eacute;, portanto: (a) abri-la a todas as    camadas sociais e regionais, privilegiando, para j&aacute;, o acesso &agrave;    Escola das classes trabalhadoras e das popula&ccedil;&otilde;es rurais, (b)    p&ocirc;-la ao servi&ccedil;o dos reais interesses do povo portugu&ecirc;s na    sua marcha para o socialismo e para a completa independ&ecirc;ncia nacional    e, (c) fazer intervir decisivamente na elabora&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica    escolar todas as entidades interessadas no processo revolucion&aacute;rio e    n&atilde;o apenas a comunidade escolar &ldquo;corporativa&rdquo; de professores    e alunos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center">3. </p>     <p>Os dois primeiros aspectos da democratiza&ccedil;&atilde;o do ensino correspondem    a dois tipos fundamentais do servi&ccedil;o que a Escola pode prestar &agrave;s    grandes tarefas da constru&ccedil;&atilde;o do socialismo e da independ&ecirc;ncia    nacional.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center">3.l. </p>     <p>Ela deve, em primeiro lugar, <I>colaborar na democratiza&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria sociedade</I>, garantindo a todos iguais oportunidades de acesso ao saber e &agrave; cultura e deixando, portanto, de ser uma das fontes de legitima&ccedil;&atilde;o das desigualdades sociais e econ&oacute;micas. O saber, a compet&ecirc;ncia t&eacute;cnica e a cultura t&ecirc;m sido apenas uma forma de valorizac&atilde;o pessoal e um dos factores de promo&ccedil;&atilde;o ou prest&iacute;gio sociais. Ponto &eacute; que a Escola &mdash; lugar onde tais saber, compet&ecirc;ncia e cultura se adquirem &mdash; esteja aberta a todos e n&atilde;o discrimine, na admiss&atilde;o ou na valoriza&ccedil;&atilde;o das pessoas, a partir da sua origem social ou do poder econ&oacute;mico. A efectiva realiza&ccedil;&atilde;o de uma completa igualdade de oportunidade de acesso &agrave; Escola obrigar&aacute; mesmo &agrave; introdu&ccedil;&atilde;o de medidas compensat&oacute;rias, a todos os n&iacute;veis, das desvantagens originais das classes trabalhadoras na actual conjuntura s&oacute;cio-econ&oacute;mica.</p>     <p>Em complemento ao que acaba de se dizer, acrescentaremos que, neste per&iacute;odo    de transi&ccedil;&atilde;o em que as tarefas de recupera&ccedil;&atilde;o para    o saber e para a cultura s&atilde;o ingentes, a Escola n&atilde;o se deve preocupar    apenas com aqueles que nela est&atilde;o formalmente inscritos. Pelo contr&aacute;rio,    ela deve considerar como nela inscrito todo o povo portugu&ecirc;s, constituindo-se    em <I>centro de expans&atilde;o do saber e da cultura</I> e auxiliando na tarefa    de recupera&ccedil;&atilde;o de todo o potencial humano que o funcionamento    selectivo e elitista do anterior sistema escolar deixou que se perdesse. Nesta    fase de arranque da nova pol&iacute;tica de educa&ccedil;&atilde;o em que ainda    n&atilde;o ner&aacute; poss&iacute;vel escolarizar completamente toda a popula&ccedil;&atilde;o    portuguesa, recai sobre os que frequentam as nossas escolas (de todos os n&iacute;veis    de ensino mas, sobretudo, dos n&iacute;veis mais elevados) uma grande responsabilidade    que &eacute; a contrapartida da situa&ccedil;&atilde;o privilegiada em que se    encontram &mdash; a responsabilidade de repartirem pelos seus concidad&atilde;os    os conhecimentos que adquirem nas escolas. </p>     <p>&nbsp; </p>     <p align="center">3.2. </p>     <p>Um segundo tipo de servi&ccedil;o a prestar pela escola ao povo portugu&ecirc;s    consiste <I>na forma&ccedil;&atilde;o eficaz, adequada e econ&oacute;mica dos    quadros t&eacute;cnicos e culturais de diversos n&iacute;veis de que o pa&iacute;s    necessita para as tarefas de desenvolvimento social e econ&oacute;mico.</I>    Desde a escola prim&aacute;ria &agrave; universidade deve ficar claro para todos    &ndash; estudantes e professores ou investigadores &mdash; que a sua actividade    s&oacute; tem sentido enquanto desembocar na produ&ccedil;&atilde;o de conhecimentos    &uacute;teis &agrave; sociedade portuguesa. Isto afasta claramente dos objectivos    do sistema escolar portugu&ecirc;s a produ&ccedil;&atilde;o de um saber livresco    ou desadaptado &agrave; realidade nacional, a forma&ccedil;&atilde;o enciclop&eacute;dica    ou inadequada a perfis profissionais concretos, a investiga&ccedil;&atilde;o    cient&iacute;fica insuscept&iacute;vel de produzir resultados socialmente &uacute;teis.    Mas, al&eacute;m de afastar estes objectivos, isto exige um grande esfor&ccedil;o    de previs&atilde;o das necessidades sociais quanto ao potencial humano t&eacute;cnico    ou culturalmente habilitado, bem como uma l&uacute;cida planifica&ccedil;&atilde;o    dos fluxos de entrada e de sa&iacute;da do sistema escolar. Ou seja, precisamos    de saber, de antem&atilde;o, &ldquo;quais&rdquo; e &ldquo;quantos&rdquo; t&eacute;cnicos    precisamos em cada dom&iacute;nio (melhor ainda, &ldquo;quando&rdquo; e &ldquo;onde&rdquo;)    e de planificar &ldquo;como&rdquo; os vamos formar ou reciclar nas escolas.    Estes objectivos de forma&ccedil;&atilde;o dos quadros t&eacute;cnicos necess&aacute;rios    ao Pa&iacute;s insere-se, obviamente, num projecto pol&iacute;tico objectivamente    contr&aacute;rio ao anterior ao 25 de Abril, que privilegiava a forma&ccedil;&atilde;o    de elites tecnocr&aacute;ticas ao servi&ccedil;o do sistema econ&oacute;mico    e cultural do capitalismo portugu&ecirc;s.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center">3.3. </p>     <p>Dentro deste aspecto da colabora&ccedil;&atilde;o na constitui&ccedil;&atilde;o do potencial teenol&oacute;gico, cient&iacute;fico e cultural necess&aacute;rio ao Pa&iacute;s para se desenvolver e conquistar uma completa independ&ecirc;ncia nacional, deve ainda a escola <U>apoiar directamente as actividades sociais</U>.  </p>     <p>Isto &eacute; particularmente importante no dom&iacute;nio do ensino superior,    em que escolas se caracterizam por disporem de grande acumula&ccedil;&atilde;o    de recursos em pessoal altamente qualificado e em equipamentos cient&iacute;fico    e tecnol&oacute;gico avan&ccedil;ados. Neste sector &eacute; indispens&aacute;vel    que as universidades se comprometam claramente em programas concretos de apoio    t&eacute;cnico e cientifico &agrave;s diversas actividades sociais, pondo directamente    ao servi&ccedil;o do povo portugu&ecirc;s recursos que s&atilde;o seus e permitindo    que se dispense o recurso &agrave; importa&ccedil;&atilde;o de tecnologia estrangeira.    Mas tamb&eacute;m ao n&iacute;vel dos ensinos b&aacute;sico e secund&aacute;rio    actividades deste tipo devem ser encaradas, n&atilde;o s&oacute; pelos resultados    que da&iacute; podem ser directamente obtidos para o conjunto do povo portugu&ecirc;s,    mas tamb&eacute;m pelo valor pedag&oacute;gico &mdash; para estudantes e professores    &mdash; do tratalho socialmente &uacute;til. A escola deve ser um local de trabalho;    e, embora muito do seu trabalho vise objectivos mais long&iacute;nquos, deve    procurar criar-se, atrav&eacute;s deste trabalho mais concreto e visando objectivos    imediatos, uma consciencializa&ccedil;&atilde;o do sentido social das tarefas    escolares de estudantes e professores.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center">4. </p>     <p>&Eacute; esta clara defini&ccedil;&atilde;o dos objectivos da escola portuguesa que marca o ponto fundamental da ruptura com o projecto educativo anterior e que d&aacute; unidade e sentido &agrave;s medidas parcelares a tomar no dom&iacute;nio da educa&ccedil;&atilde;o durante os pr&oacute;ximos anos. A uma concep&ccedil;&atilde;o elitista e repressiva ou a um projecto tecnocr&aacute;tico e consumista n&oacute;s opomos uma concep&ccedil;&atilde;o revolucion&aacute;ria da escola integrada num projecto socialista e revolucion&aacute;rio para o pa&iacute;s. &Eacute; esta leitura global e orientada pelo objectivo final que tem que ser feita em rela&ccedil;&atilde;o ao projecto pol&iacute;tico que agora se apresenta. &Eacute; ela que nos permitir&aacute; encarar de forma nova medidas porventura j&aacute; antes anunciadas, mas que se inseriam numa estrat&eacute;gia totalmente diferente; &eacute; ela, por outro lado, que nos permitir&aacute; aceitar os sacrif&iacute;cios que vamos ter que exigir a estudantes e a professores, que nos permitir&aacute; justificar pol&iacute;ticamente os esfor&ccedil;os financeiros que teremos que pedir ao Pa&iacute;s, que nos dar&aacute;, finalmente, for&ccedil;a para abater as resist&ecirc;ncias dos reaccion&aacute;rios, dos imobilistas, dos oportunistas e de todos aqueles que sempre tiveram a Escola ao seu servi&ccedil;o, sem nunca terem pensado em a servir, servindo, de par, o povo portugu&ecirc;s.</p>     <p> Um projecto revolucion&aacute;rio n&atilde;o &eacute;, por&eacute;m, um projecto    de &ldquo;terra queimada&rdquo; nem um processo de espontaneismo. O &ecirc;xito    de uma revolu&ccedil;&atilde;o &mdash; e n&atilde;o s&oacute; no plano militar    &mdash; depende de um rigoroso invent&aacute;rio da situa&ccedil;&atilde;o,    de um avaro aproveitamento dos recursos e das for&ccedil;as j&aacute; existentes    e de um planeamento preciso das medidas conducentes &agrave; vit&oacute;ria.    Tudo isto tem que ser feito tamb&eacute;m na revolu&ccedil;&atilde;o do ensino    onde, dada a grandeza das quest&otilde;es, n&atilde;o se pode consentir em aventuras    que, para al&eacute;m de malbaratarem o dinheiro de todo um povo, podem sacrificar    inutilmente uma gera&ccedil;&atilde;o de estudantes. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center">5. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Um projecto revolucion&aacute;rio no dom&iacute;nio do ensino tem o seu tempo    de gesta&ccedil;&atilde;o e leva muito tempo a executar plenamente.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center">5.1. </p>     <p>A fase de gesta&ccedil;&atilde;o termina a sua primeira etapa com a publica&ccedil;&atilde;o    deste documento. Durante ela se procurou, em primeiro lugar, avan&ccedil;ar    na desmontagem do sistema escolar fascista; substituiu-se o sistema de gest&atilde;o    autocr&aacute;tico herdado do fascismo, por uma gest&atilde;o parit&aacute;ria    que, embora assegurando um grau de participa&ccedil;&atilde;o desconhecido em    qualquer pa&iacute;s do mundo, n&atilde;o pode ser considerada definitiva, nomeadamente    porque n&atilde;o assegura suficientemente a participa&ccedil;&atilde;o do conjunto    da popula&ccedil;&atilde;o trabalhadora na vida da Escola; afastaram-se professores    comprometidos com o fascismo ou incompetentes ainda que, neste dom&iacute;nio,    a indetermina&ccedil;&atilde;o e as hesita&ccedil;&otilde;es do processo pol&iacute;tico    tenham impedido uma actua&ccedil;&atilde;o mais decidida do Minist&eacute;rio    e levado a processos espont&acirc;neos de &ldquo;saneamento&rdquo; por vezes    demasiado expeditos e, logo, errados; modificaram-se profundamente os programas    escolares do ensino b&aacute;sico e secund&aacute;rio, expurgando-os da mundivid&ecirc;ncia    reaccion&aacute;ria e encaminhando-os num sentido progressista; permitiu-se    uma vasta reconvers&atilde;o da estrutura curricular do ensino superior, embora    os resultados obtidos devam ser considerados provis&oacute;rios e sujeitos &agrave;    inser&ccedil;&atilde;o num planeamento global do elenco dos cursos e dos <I>curricula</I>    &agrave; luz das necessidades nacionais priorit&aacute;rias.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center">5.2. </p>     <p>Mas, para al&eacute;m de se levar a cabo esta s&eacute;rie de medidas urgentes de desfasciza&ccedil;&atilde;o do ensino, fez-se uma an&aacute;lise rigorosa da situa&ccedil;&atilde;o existente, procurando-se avaliar realisticamente as possibilidades de p&ocirc;r em pr&aacute;tica as medidas projectadas.</p>     <p>Na verdade, quer a concreta situa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica em que o    Pa&iacute;s se encontra, quer a situa&ccedil;&atilde;o presente do pr&oacute;prio    sistema escolar t&ecirc;m que ser tidas em conta para a elabora&ccedil;&atilde;o    de qualquer projecto pol&iacute;tico s&eacute;rio e condicionam, um e outro,    necessariamente, a execu&ccedil;&atilde;o desse projecto.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center">6. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No que diz respeito &agrave; conjuntura pol&iacute;tica, ao lado do factor    de avan&ccedil;o constitu&iacute;do pela vontade generalizada de mudar e pela    confian&ccedil;a das massas populares no processo revolucion&aacute;rio encabe&ccedil;ado    pelas for&ccedil;as progressistas civis e militares, existem caracter&iacute;sticas    suscept&iacute;veis de dificultar uma reforma radical do sistema de ensino.  </p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center">6.1. </p>     <p>Em primeiro lugar, o ensino, se bem que seja considerado um sector importante,    n&atilde;o &eacute; ainda sentido pela generalidade dos portugueses como um    sector priorit&aacute;rio; o que &eacute; normal numa soc&iacute;eclade que    foi contemporaneamente confrontada com problemas como a descoloniza&ccedil;&atilde;o,    a habita&ccedil;&atilde;o, a reforma agr&aacute;ria, o controlo do poder econ&oacute;mico.    Da&iacute; que se assista a um certo arrastar das situa&ccedil;&otilde;es e    que certas medidas de rotura dr&aacute;stica, j&aacute; tomadas noutros dom&iacute;nios,    n&atilde;o pudessem ainda ser encarados num sector da educa&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center">6.2. </p>     <p>Em segundo lugar, as escolas s&atilde;o ainda, pela pr&oacute;pria proveni&ecirc;ncia das pessoas que as frequentam &ndash; como estudantes ou professores -, o dom&iacute;nio de um grupo social privilegiado. Isto torna-as, por um lado, um foco de reac&ccedil;&atilde;o &agrave; mudan&ccedil;a, especialmente se a mudan&ccedil;a for no sentido de inverter a situa&ccedil;&atilde;o; por outro lado, esta mesma origem social privilegiada fez com que nelas se desconhe&ccedil;am geralmente os problemas reais do povo portugu&ecirc;s; e assim, os que de boa f&eacute; querem servir o interesse deste povo, mostram frequentemente desconhecer a realidade e adoptam uma estrat&eacute;gia pol&iacute;tica adequada a uma situa&ccedil;&atilde;o social que n&atilde;o &eacute; a existente nos campos e nas f&aacute;bricas deste pa&iacute;s, mas apenas nos livros ou na sua imagina&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>A pr&oacute;pria estrutura dos cursos e caracter&iacute;sticas do ensino reflecte    bastante os desejos de uma classe para quem a educa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o    visa o aprendizado de coisas &uacute;teis mas uma certa legitima&ccedil;&atilde;o    social de privil&eacute;gios sociais ou econ&oacute;micos e para a qual, portanto,    a &ldquo;passagem administrativa&rdquo; tem sentido como a avalia&ccedil;&atilde;o    s&eacute;ria do rendimento escolar.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center">6.3. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A terceira caracter&iacute;stica imobilista da conjuntura pol&iacute;tica &eacute;    a perman&ecirc;ncia na sociedade portuguesa em geral e nas escolas muito em    particular de uma atitude de esp&iacute;rito que faz equivaler o progressismo    &agrave; oposi&ccedil;&atilde;o ao poder constitu&iacute;do; esta atitude &eacute;    o resultado de dezenas de anos de luta contra a autocracia fascista, mas a falta    de um reexame de estrat&eacute;gia numa fase pol&iacute;tica totalmente diferente    origina reivindica&ccedil;&otilde;es de autonomia escolar inadmiss&iacute;veis    perante um poder democr&aacute;tico e progressista.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center">6.4. </p>     <p>Finalmente, e um pouco em consequ&ecirc;ncia de todos os tra&ccedil;os conjunturais    antes descritos, manifesta-se nas escolas &ndash; sobretudo nos ensinos secund&aacute;rio    e superior &ndash; um estado generalizado de anarquia que gera o cansa&ccedil;o    e a desmobiliza&ccedil;&atilde;o de estudantes e professores, para al&eacute;m    de comprometer toda a rentabilidade do trabalho escolar; poder-se-&aacute; mesmo    dizer que esta situa&ccedil;&atilde;o tem significativamente permitido a continua&ccedil;&atilde;o    do &oacute;cio e da irresponsabilidade caracter&iacute;sticas da escola fascista.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center">6.5. </p>     <p>A indecis&atilde;o descrita em primeiro lugar n&atilde;o tem fornecido ao Governo    a for&ccedil;a pol&iacute;tica para acabar com este estado de execu&ccedil;&atilde;o    do projecto pol&iacute;tico agora enunciado.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center">6.6. </p>     <p>De resto, &eacute; preciso ter consci&ecirc;ncia &ndash; e esta &eacute; outra nota de orienta&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica &ndash; de que o alarme existente, dentro e fora da escola, pela &ldquo;agudiza&ccedil;&atilde;o do problema do ensino&rdquo; tem um aspecto classista bem marcado: o problema do ensino n&atilde;o se agudizou sen&atilde;o para os que t&ecirc;m estado mais ligados &agrave; escola e que da escola colhiam vantagens e privil&eacute;gios, n&atilde;o para aqueles que dela t&ecirc;m estado sempre ausentes, por as suas portas nunca se lhes terem aberto; para estes &uacute;ltimos, a &ldquo;quest&atilde;o escolar&rdquo; &eacute; ainda uma quest&atilde;o &ldquo;dos outros&rdquo;. Do mesmo modo, quem se alarma com a real perturba&ccedil;&atilde;o do sistema escolar ocasionada pelas profundas mudan&ccedil;as experimentadas no pa&iacute;s e com as consequ&ecirc;ncias que da&iacute; adv&ecirc;m &agrave; prepara&ccedil;&atilde;o dos filhos, ainda que se tenha alarmado com a falsa paz escolar do sistema fascista, de certo n&atilde;o se alarmou no mesmo grau com o facto de haver centenas de milhar de portugueses que, se se perturbam, &eacute; com o facto de os seus filhos nunca terem podido ir &agrave; escola.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Assim, embora se esteja consciente de que existe um &ldquo;problema escolar&rdquo;,    ele &eacute; diferente daquele que sentem muitos estudantes, pais e educadores.    O problema escolar n&uacute;mero um &eacute; um eventual preju&iacute;zo advindo    aos actuais estudantes pelo mau funcionamento da escola; o problema escolar    n&uacute;mero um &eacute; o dos preju&iacute;zos advindos a gera&ccedil;&otilde;es    de portugueses das classes mais desfavorecidas pelo facto de, para eles, nunca    ter havido escola nenhuma, nem boa nem m&aacute;. &Eacute; nesta disson&acirc;ncia    quanto ao que &eacute; o &ldquo;problema escolar&rdquo; que v&atilde;o residir    as dificuldades de o resolver; &eacute; que a sua solu&ccedil;&atilde;o progressista    vai ter que desagradar necessariamente a muitos dos que est&atilde;o na escola    e que, no conjunto da sociedade portuguesa, representam grupos privilegiados.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center">7. </p>     <p>A an&aacute;lise da conjuntura n&atilde;o deve, por&eacute;m, limitar-se aos    aspectos pol&iacute;ticos, pois tamb&eacute;m nos aspectos institucionais, administrativos    e financeiros h&aacute; caracter&iacute;sticas que condicionam a natureza e    a efic&aacute;cia das medidas de curto prazo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center">7.1. </p>     <p>No ponto de vista institucional e administrativo ressalta, em primeiro lugar, o peso da m&aacute;quina burocr&aacute;tica e a lentid&atilde;o do seu funcionamento. Contribui para isto, desde logo, a exist&ecirc;ncia de uma forte tend&ecirc;ncia centralizadora que, longe de ser unicamente motivada por uma decis&atilde;o pol&iacute;tica nesse sentido, tem tamb&eacute;m origem na fragilidade e incapacidade dos &oacute;rg&atilde;os perif&eacute;ricos e, sobretudo, na inexist&ecirc;ncia de um plano pol&iacute;tico global que oriente a actua&ccedil;&atilde;o dos &oacute;rg&atilde;os descentralizados.</p>    <p>Por outro lado, h&aacute; que considerar a pr&oacute;pria dificuldade de os funcion&aacute;rios de todos os n&iacute;veis se adaptarem a um novo estilo pol&iacute;tico e a novos m&eacute;todos de trabalho, obst&aacute;culo a que acresce a pr&oacute;pria imprepara&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica das pessoas rec&eacute;m-chegadas, durante toda a sua vida marginalizadas dos centros de decis&atilde;o e isoladas dos aspectos concretos da pol&iacute;tica de ensino.</p>     <p>Por fim, a pr&oacute;pria organiza&ccedil;&atilde;o administrativa e financeira    est&aacute; feita em moldes antiquados ou desadaptados em rela&ccedil;&atilde;o    &agrave;s necessidades da administra&ccedil;&atilde;o escolar, com a agravante    de que, muitas vezes, o rem&eacute;dio para este estado de coisas tem que ser    encontrado no &acirc;mbito de solu&ccedil;&otilde;es aplic&aacute;veis a toda    a administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center">7.2. </p>     <p>Para al&eacute;m desta primeira caracter&iacute;stica, nota-se, em segundo    lugar, um deficiente sistema de comunica&ccedil;&atilde;o m&uacute;tua entre    o Minist&eacute;rio e as Escolas, por um lado, e este conjunto e o p&uacute;blico,    por outro; os canais por onde a informa&ccedil;&atilde;o deveria circular est&atilde;o    entupidos ou s&atilde;o mal usados e isto leva a desencontros e mal entendidos    respons&aacute;veis por um clima de incompreens&otilde;es e de hostilidade realmente    existente. Este estado de coisas &eacute; agravado pela clivagem existente entre    o sector pedag&oacute;gico e o sector administrativo que faz com que quem cura    dos fins se alheia frequentemente do problema dos meios.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center">7.3. </p>     <p>Por outro lado, a grande sobrecarga de trabalho nos centros de decis&atilde;o,    proveniente das caracter&iacute;sticas citadas em primeiro lugar &ndash; e agravada    pelo h&aacute;bito generalizado de, por tudo e por nada, se recorrerem &aacute;s    &uacute;ltimas inst&acirc;ncias, queimando as etapas interm&eacute;dias - ,    acaba por os mergulhar numa multid&atilde;o de pequenos problemas e de os tornar    inoperacionais para as decis&otilde;es que verdadeiramente lhe competem. Deve    deixar-se mesmo bem claro que uma forma de boicotar o trabalho da administra&ccedil;&atilde;o,    por vezes conscientemente usada, tem sido a de recorrer permanentemente &agrave;s    inst&acirc;ncias superiores, &ldquo;exigindo&rdquo; entrevistas, promovendo    manifesta&ccedil;&otilde;es, marcando prazos da resola&ccedil;&atilde;o dos    problemas, etc.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center">7.4. </p>     <p>Encarando agora a conjuntura do ponto de vista financeiro e de recursos humanos    e materiais, a sua caracter&iacute;stica mais relevante &eacute; a impossibilidade    de aumentar vultuosamente as despesas da educa&ccedil;&atilde;o, pelo menos    enquanto n&atilde;o se racionalizar o que se tem e se n&atilde;o fizer um esfor&ccedil;o    decidido no sentido de economizar. As necessidades do pa&iacute;s s&atilde;o    muitas e n&atilde;o h&aacute; d&uacute;vida de que os cr&eacute;ditos concedidos    &agrave; educa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o podem deixar de estar inseridos numa    escala de prioridades.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center">7.5. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Mas, para al&eacute;m dos cr&eacute;ditos or&ccedil;amentais, h&aacute; outras necessidades que, de momento, n&atilde;o t&ecirc;m resposta capaz. Uma delas &eacute; a necessidade de docentes qualificados a qualquer dos n&iacute;veis.</p>    <p>A n&iacute;vel do ensino pr&eacute;-prim&aacute;rio, quase se pode dizer que, existindo apenas institui&ccedil;&otilde;es privadas, o potencial docente existente &eacute; quase nulo.</p>    <p>Se o ensino prim&aacute;rio goza de uma situa&ccedil;&atilde;o mais desafogada no que diz respeito &agrave; quantidade de docentes dispon&iacute;vel (embora subsista o problema de qualidade), j&aacute; os n&iacute;veis preparat&oacute;rio e secund&aacute;rio t&ecirc;m os problemas agud&iacute;ssimos, n&atilde;o s&oacute; pelo n&uacute;mero insuficiente de professores, como tamb&eacute;m pela sua deficiente forma&ccedil;&atilde;o (j&aacute; que cerca de 70% dos existentes n&atilde;o t&ecirc;m habilita&ccedil;&otilde;es completas ou adequadas).</p>     <p>No ensino superior, a situa&ccedil;&atilde;o &eacute; muito grave no dom&iacute;nio    das ci&ecirc;ncias sociais, das artes e das letras, onde se fez sentir duramente    o peso da repress&atilde;o fascista; j&aacute; no dom&iacute;nio das ci&ecirc;ncias    exactas e naturais, bem como no das tecnologias, o problema existente &eacute;    mais o do baixo rendimento do corpo docente, causado pela dispers&atilde;o profissional    e pelo absentismo; medidas de rigor neste dom&iacute;nio poder&atilde;o, portanto,    melhorar a situa&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center">7.6. </p>     <p>Finalmente, outro obst&aacute;culo n&atilde;o menos grave, em todos os n&iacute;veis de ensino, &eacute; a defici&ecirc;ncia de instala&ccedil;&otilde;es e a pr&oacute;pria incapacidade da ind&uacute;stria nacional de constru&ccedil;&atilde;o para responder, a curto prazo, &agrave;s exig&ecirc;ncias de expans&atilde;o da rede f&iacute;sica escolar. Ao n&iacute;vel do ensino superior isto agrava-se pela complexidade relativa dos edif&iacute;cios a construir, muitas vezes insuscept&iacute;veis de uma tipologia rigorosa, e pelo seu pre&ccedil;o elevado.</p>     <p>Tamb&eacute;m no dom&iacute;nio do equipamento escolar se manifestam [...]<Sup><a href="#1">1</a><a name="top1" id="top1"></a></Sup></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center">8.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><I>Democratiza&ccedil;&atilde;o da escola</I></p>     <p>Democratizar a Escola n&atilde;o consiste apenas no seu alargamento a todas as classes sociais, mesmo que sejam criadas as condi&ccedil;&otilde;es materiais para que todas a frequentam em igualdade de oportunidades.</p>    <p>A Escola foi um dos basti&otilde;es do aparelho de Estado capitalista, local privilegiado da veicula&ccedil;&atilde;o de ideologia burguesa e de acultura&ccedil;&atilde;o das classes exploradas por parte da classe dominante.</p>    <p>N&atilde;o se poder&aacute; portanto resumir a democratiza&ccedil;&atilde;o a proporcionar um mais amplo acesso &agrave;s camadas mais desfavorecidas, j&aacute; que esse acesso ir-se-ia processar em rela&ccedil;&atilde;o a uma Escola ainda ideologicamente dominada pelas estruturas t&iacute;picas do modo de produ&ccedil;&atilde;o capitalista.</p>    <p>Democratizar ter&aacute;, assim, que significar, prioritariamente, colocar a Escola ao servi&ccedil;o da estrutura&ccedil;&atilde;o da sociedade socialista, no contexto do actual processo revolucion&aacute;rio.</p>    <p>Tal s&oacute; ser&aacute; poss&iacute;vel, por&eacute;m, num fazamento correcto com o processo global do avan&ccedil;o revolucion&aacute;rio e, logo, as medidas que neste sentido possam ser tomadas por agora, ter&atilde;o que necessariamente perspectivar-se em termos tendenciais e englobando contradi&ccedil;&otilde;es inultrapass&aacute;veis desta fase de transi&ccedil;&atilde;o que o Pa&iacute;s vive actualmente.</p>    <p>Se n&atilde;o existem, objectivamente, neste momento, condi&ccedil;&otilde;es para a edifica&ccedil;&atilde;o de uma Escola realmente socialista no seio de uma sociedade que ainda n&atilde;o o &eacute;, existem, por&eacute;m, condi&ccedil;&otilde;es objectivas que possibilitam desde j&aacute; a gradual inser&ccedil;&atilde;o da Escola no processo evolutivo revolucion&aacute;rio que se vive em Portugal.</p>    <p>Dentro desta perspectiva s&atilde;o essenciais para a orienta&ccedil;&atilde;o revolucion&aacute;ria da Escola na via da constru&ccedil;&atilde;o do socialismo os seguintes pontos:</p>    <p>- A pr&aacute;tica social como condi&ccedil;&atilde;o fundamental para a correcta forma&ccedil;&atilde;o de consci&ecirc;ncia social do aluno.</p>    <p>- Uma educa&ccedil;&atilde;o que consciencialize o aluno de que o seu trabalho &eacute; socialmente &uacute;til e que se produz um valor social.</p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>- A forma&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as e do jovem directamente integrada na produ&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s da combina&ccedil;&atilde;o adequada ao estudo com o trabalho produtivo.</p>    <p>- A integra&ccedil;&atilde;o cada vez maior entre trabalho intelectual e trabalho manual. A educa&ccedil;&atilde;o realiza-se, antes de tudo, atrav&eacute;s do trabalho f&iacute;sico quando directamente ligado ao pensamento, &agrave; iniciativa pessoal e &agrave; integra&ccedil;&atilde;o na tarefa colectiva vivida em comum.</p>    <p>- A interliga&ccedil;&atilde;o entre os planos de desenvolvimento nacional e regional como uma das formas de consolidar a pedagogia socialista, a liga&ccedil;&atilde;o da Escola com as necessidades de desenvolvimento do Pa&iacute;s ser&aacute; o meio mais correcto de promover a sua profunda transforma&ccedil;&atilde;o.</p>    <p>- O desenvolvimento da consci&ecirc;ncia respons&aacute;vel da crian&ccedil;a e do jovem, numa verifica&ccedil;&atilde;o constante de que o pr&oacute;prio processo educativo &eacute; o resulatdo do sacrif&iacute;cio di&aacute;rio realizado pelas massas trabalhadoras para conquistarem os meios indispens&aacute;veis ao seu funcionamento.</p>    <p>&Eacute; dentro destas perspectivas que se deve inserir a real democratiza&ccedil;&atilde;o da Escola Portuguesa em ordem &agrave; constitui&ccedil;&atilde;o de uma verdadeira pedagogia socialista (V. cap. inova&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica).</p>    <p>Haja em vista, por&eacute;m, que se a democratiza&ccedil;&atilde;o do acesso &agrave; Escola &eacute; uma parte, apenas, do processo global da democratiza&ccedil;&atilde;o do ensino, n&atilde;o deixa de ser um dos objectivos priorit&aacute;rios na nova pol&iacute;tica de educa&ccedil;&atilde;o.</p>    <p>A cria&ccedil;&atilde;o de possibilidade de acesso de todos aos diferentes graus do sistema educativo &eacute; todavia uma tarefa demorada, que envolve v&aacute;rias frentes de luta e que se tem de desenvolver em v&aacute;rias etapas. Nem todas as medidas visando este objectivo pertencem ao MEIC; algumas competir&atilde;o a outros departamentos estatais, j&aacute; que a cria&ccedil;&atilde;o de igualdade de oportunidades de acesso ao ensino envolve quest&otilde;es econ&oacute;micas de base, de sa&uacute;de, de alimenta&ccedil;&atilde;o, de habita&ccedil;&atilde;o, de transportes, etc.</p>    <p>No que diz respeito a medidas que possam ser tomadas pelo MEIC, a cria&ccedil;&atilde;o de uma real igualdade de oportunidade no dom&iacute;nio da educa&ccedil;&atilde;o exige, desde logo, a abertura de um n&uacute;mero de escolas suficiente para albergar o n&uacute;mero existente de estudantes, a sua adequada distribui&ccedil;&atilde;o pelo territ&oacute;rio nacional, uma rede adequada de transportes.</p>    <p>A organiza&ccedil;&atilde;o de campanhas de alfabetiza&ccedil;&atilde;o e educa&ccedil;&atilde;o de base, a cria&ccedil;&atilde;o de cursos especiais para crian&ccedil;as atrasadas ou sub-normais, a cria&ccedil;&atilde;o de condi&ccedil;&otilde;es de apoio aos alunos mais necessitados s&atilde;o outras medidas indispens&aacute;veis &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de condi&ccedil;&otilde;es igualit&aacute;rias perante a Escola.</p>    <p>Por outro lado, o sistema escolar deve estar organizado de modo a n&atilde;o influir vias &ldquo;privilegiadas&rdquo; e vias &ldquo;humildes&rdquo; de acesso &agrave; educa&ccedil;&atilde;o e &agrave; cultura pois, deste modo, se criariam dentro do pr&oacute;prio sistemas de ensino discrimina&ccedil;&otilde;es que jogariam inexoravelmente em desfavor dos estudantes das classes exploradas.</p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O estabelecimento da igualdade de oportunidades de acesso ao ensino b&aacute;sico e a generaliza&ccedil;&atilde;o completa deste n&iacute;vel de ensino a todos os Portugueses &eacute; o objectivo mais urgente, neste dom&iacute;nio, pois dele depende o estabelecimento dessa igualdade em rela&ccedil;&atilde;o a outros n&iacute;veis de ensino. &Eacute;, todavia, no ensino supeior que a discrimina&ccedil;&atilde;o social &eacute; mais gritante; por isso, a este n&iacute;vel, a cria&ccedil;&atilde;o de iguais condi&ccedil;&otilde;es de acesso imp&otilde;e a adop&ccedil;&atilde;o de uma estrat&eacute;gia compensat&oacute;ria que favore&ccedil;a os estudantes provenientes das classes trabalhadoras.</p>    <p>Finalmente, n&atilde;o poder&aacute; um pol&iacute;tico consequente de educa&ccedil;&atilde;o quedar-se passivo perante os n&iacute;veis et&aacute;rios anteriores &agrave; entrada da Escola. Uma larga ac&ccedil;&atilde;o dever&aacute; ser levada a cabo neste campo, ao n&iacute;vel do lan&ccedil;amento de um sistema de educa&ccedil;&atilde;o pr&eacute;-escolar, de actividades de anima&ccedil;&atilde;o socio-cultural e desportivas que impe&ccedil;am que a &ldquo;igualdade de oportunidades&rdquo; se torne express&atilde;o vazia de conte&uacute;do.</p>     <p>Para todo este processo de democratiza&ccedil;&atilde;o torna-se absolutamente    indispens&aacute;vel uma ampla participa&ccedil;&atilde;o das organiza&ccedil;&otilde;es    populares, sindicais, recreativas, etc., como forma de integrar a escola no    &acirc;mbito da comunidade, o que envolver&aacute; necessariamente uma cada    vez maior descentraliza&ccedil;&atilde;o dos &oacute;rg&atilde;os administrativos    a uma democratiza&ccedil;&atilde;o progressia do modo de funcionamento do MEIC.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center">9. </p>     <p align="center"><I>Inova&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica</I></p>     <p>A Escola Portuguesa &ndash; qualquer que seja o grau de ensino considerado &ndash; tem sido a escola da burguesia. Esta situa&ccedil;&atilde;o provocada pela origem de classe dos que a dirigem e, sobretudo nos graus superiores, tamb&eacute;m dos que a frequentam, &ndash; caracteriza-se n&atilde;o s&oacute; pelos quadros ideol&oacute;gicos nela veiculados, como tamb&eacute;m pelo tipo de &ldquo;capacidades&rdquo;, de &ldquo;saber&rdquo; e de &ldquo;cultura&rdquo; que nela s&atilde;o valorizados.</p>    <p>O conte&uacute;do pol&iacute;tico-ideol&oacute;gico reaccion&aacute;rio dos programas escolares do fascismo est&aacute; bem estudado e t&ecirc;m sido tomadas medidas decididas para, a todos os n&iacute;veis de ensino, se operar uma profunda altera&ccedil;&atilde;o neste dom&iacute;nio atrav&eacute;s do completo refazimento dos programas escolares num sentido progressista.</p>    <p>Todavia, a renova&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica tem que ir mais al&eacute;m e focar as estruturas profundas da ac&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica, onde a mundiviv&ecirc;ncia burguesa pode sobreviver a qualquer modifica&ccedil;&atilde;o dos conte&uacute;dos de ensino. Estas estruturas t&ecirc;m que ver, nomeadamente, com o modo como a pr&aacute;tica pedag&oacute;gica se relaciona com pr&aacute;ticas v&aacute;rias de outro n&iacute;vel e com a fun&ccedil;&atilde;o social da escola (n)uma sociedade global.</p>    <p>Neste dom&iacute;nio, a escola vivia, em Portugal, numa rigorosa separa&ccedil;&atilde;o com o mundo do trabalho manual, e cultivando, em consequ&ecirc;ncia, um estilo pedag&oacute;gico livresco, em que a valoriza&ccedil;&atilde;o da experi&ecirc;ncia era privilegiada em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; pr&oacute;pria experi&ecirc;ncia; tudo isto, al&eacute;m de traduzir a origem social dos que dominavam no ensino, tra&iacute;a a fun&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica da escola, que era a de marginalizar socialmente todos aqueles que, pelas condi&ccedil;&otilde;es em que viviam e pela sua pr&aacute;tica quotidiana, vivessem num meio econ&oacute;mico e s&oacute;cio-cultural diferente do veiculado pela escola.</p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Assim &ndash; a par de grandes esfor&ccedil;os tendentes a promover o acesso ao ensino de qualquer dos n&iacute;veis dos filhos das classes mais desfavorecidas (v. cap&iacute;tulo referente a democratiza&ccedil;&atilde;o do ensino), &ndash; dever&aacute; fomentar-se uma liga&ccedil;&atilde;o &iacute;ntima do ensino &agrave; pr&aacute;tica produtiva, pois &eacute; por aqui que passa qualquer modifica&ccedil;&atilde;o profunda da pr&aacute;tica pedag&oacute;gica.</p>    <p>Esta conseguir-se-&aacute;, nomeadamente, pela inclus&atilde;o nos programas de ensino de actividades produtivas concretas, realizadas em locais e circunst&atilde;ncias de trabalho id&ecirc;nticas aos vividos pelos trabalhadores, salvaguardada embora a sua adequa&ccedil;&atilde;o ao n&iacute;vel de ensino em que tais actividades se inserem, ao desenvolvimento f&iacute;sico e ps&iacute;quico dos estudantes e &agrave;s caracter&iacute;sticas do restante trabalho escolar.</p>    <p>Isto leva a que os programas, os m&eacute;todos e os conte&uacute;dos de ensino, bem como os m&eacute;todos de avaliar o rendimento escolar, tenham que ser profundamente alterados. Todavia, toda esta revolu&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica n&atilde;o pode ser abandonada ao espontane&iacute;smo ou ao empirismo; pelo contr&aacute;rio &ndash; e por que se trata de uma mudan&ccedil;a de import&acirc;ncia decisiva &ndash; ela tem que ser cuidadosamente conduzida por uma an&aacute;lise te&oacute;rica rigorosa no enquadramento doutrinal e rigorosa na defini&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es concretas da Escola em Portugal.</p>     <p>Por outro lado, quer os programas escolares quer os esquemas de avalia&ccedil;&atilde;o    do trabalho do estudante[...]<Sup><a href="#2">2</a><a name="top2"></a> </Sup></p>     <p>Mas pode ainda ser estudado por outras formas, desde a inclus&atilde;o de actividades de trabalho manual paralelas &agrave;s actividades de cariz mais intelectual at&eacute; &agrave; inser&ccedil;&atilde;o em zonas charneira da forma&ccedil;&atilde;o dos estudantes de per&iacute;odos de servi&ccedil;o c&iacute;vico, durante os quais o estudante possa viver os problemas da sociedade em que est&aacute; inserido, adquirir &ndash; atrav&eacute;s desta viv&ecirc;ncia &ndash; o enriquecimento ideol&oacute;gico necess&aacute;rio a qualquer quadro dessa sociedade socialista e, principalmente, contribuir com o seu trabalho para a solu&ccedil;&atilde;o de problemas nacionais.</p>    <p>Esta orienta&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica for&ccedil;ar&aacute; evidentemente a unifica&ccedil;&atilde;o do ensino secund&aacute;rio (de resto exigida por objectivos de outra ordem &ndash; v. cap&iacute;tulo referente &agrave; democratiza&ccedil;&atilde;o do ensino), num tronco comum onde as preocupa&ccedil;&otilde;es de forma&ccedil;&atilde;o profissional ser&atilde;o muito marcadas pelo menos na sua fase final.</p>    <p>Por isso, constitui um objectivo priorit&aacute;rio a cria&ccedil;&atilde;o de centros de reflex&atilde;o te&oacute;rica sobre pedagogia que, ao mesmo tempo, possam dar apoio &agrave; forma&ccedil;&atilde;o de professores e &agrave; pr&oacute;pria actividade concreta das escolas. Esta estreita liga&ccedil;&atilde;o entre a reflex&atilde;o te&oacute;rica, a forma&ccedil;&atilde;o de docentes e, nomeadamente o apoio pedag&oacute;gico &agrave;s escolas &eacute;, de resto, uma forma adequada de manter a teoriza&ccedil;&atilde;o fortemente ligada &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es concretas da escola em Portugal.</p>    <p>Estes Centros poder&atilde;o ser institucionalizados como departamentos de ci&ecirc;ncias da educa&ccedil;&atilde;o integrados nas universidades ou como centros regionais de apoio pedag&oacute;gico, ligados &agrave;s Direc&ccedil;&otilde;es-Gerais pedag&oacute;gicas e possivelmente aos centros perif&eacute;ricos da Universidade Aberta.</p>    <p>Ser&aacute; a partir destes centros e, afinal a partir de um centro nacional de investiga&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica (o em tempos projectado Instituto Nacional de Pedagogia ou mesmo o GEP, se as suas fun&ccedil;&otilde;es pudessem ser redefinidas) que se apoiar&atilde;o e realizar&atilde;o as experi&ecirc;ncias de inova&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica.</p>    <p>A forma&ccedil;&atilde;o inicial ou recorrente de professores, nomeadamente para os ensinos b&aacute;sicos e secund&aacute;rio &eacute; &ndash; ligado ao que se diz &ndash; tarefa de primeira prioridade. N&atilde;o s&oacute; porque h&aacute; um d&eacute;ficit de quadros docentes, absoluto no ensino infantil, muito n&iacute;tido nos ensinos preparat&oacute;rio e secund&aacute;rio (que se agravar&aacute; com o aumento da escolaridade obrigat&oacute;ria), mas tamb&eacute;m por que a forma&ccedil;&atilde;o, quer cient&iacute;fica, quer pedag&oacute;gica, dos professores em exerc&iacute;cio &eacute; insuficiente.</p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Neste dom&iacute;nio o MEIC prop&otilde;e uma integra&ccedil;&atilde;o mais perfeita da forma&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica e da forma&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, da teoria e da pr&aacute;tica pedag&oacute;gica, que possibilitar&aacute;, que al&eacute;m de uma melhor prepara&ccedil;&atilde;o para as fun&ccedil;&otilde;es docentes, um eventual [encurtamento] dos cursos.</p>    <p>No dom&iacute;nio espec&iacute;fico da prepara&ccedil;&atilde;o dos professores do ensino infantil ter&aacute; possivelmente de se criar f&oacute;rmulas de emerg&ecirc;ncia e mais expeditas de forma&ccedil;&atilde;o de docentes; o mesmo valendo, naturalmente, para a forma&ccedil;&atilde;o de alfabetizadores de adultos e de animadores culturais. No dom&iacute;nio do ensino superior, a urgente necessidade de forma&ccedil;&atilde;o de <U>professores</U> (e n&atilde;o de investigadores subsidiariamente professores) obrigar&aacute;, por um lado, a fomentar cursos de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o visando a forma&ccedil;&atilde;o de docentes e, por outro, a destacar nestes cursos os aspectos propriamente pedag&oacute;gicos (o que obrigar&aacute;, evidentemente, a criar h&aacute;bitos de reflex&atilde;o pedag&oacute;gica orientados para o ensino superior).</p>     <p>Clato tem que tamb&eacute;m ficar que a Escola n&atilde;o vive voltada sobre    si mesma, mas que &ndash; numa sociedade socialista &ndash; tem uma indispens&aacute;vel    miss&atilde;o social a cumprir; a de dotar o pa&iacute;s com os quadros pol&iacute;ticos    e t&eacute;cnicos de que ele necessita (v. cap&iacute;tulo r/ escola e comunidade).    Isto, que &eacute; importante em qualquer pa&iacute;s, &eacute;-o ainda mais    no nosso a bra&ccedil;os com uma marcada depend&ecirc;ncia t&eacute;cnica e    cient&iacute;fica e sujeita a boicotes internacionais. Nestes termos, consentir    que a Escola n&atilde;o funcione em termos de n&atilde;o poder cumprir a sua    miss&atilde;o formadora ou funcione sem poder garantir a qualidade dos quadros    que forma &eacute; consentir na deser&ccedil;&atilde;o ou na trai&ccedil;&atilde;o    em rela&ccedil;&atilde;o a objectivos supremos da revolu&ccedil;&atilde;o portuguesa.    Deste modo, o Minist&eacute;rio n&atilde;o poder&aacute; permitir uma progressiva    degrada&ccedil;&atilde;o do rendimento efectivo do ensino, pois qualquer equ&iacute;voco    que, em sistema capitalista, possa haver sobre a fun&ccedil;&atilde;o da selec&ccedil;&atilde;o    escolar n&atilde;o tem raz&atilde;o de ser num sistema socialista.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center">10. </p>     <p align="center"><I>Integra&ccedil;&atilde;o esola-comunidade</I></p>     <p>O processo educativo deve visar a cria&ccedil;&atilde;o de um homem novo, estruturalmente democrata e socialista, disposto a integrar o seu projecto de vida num projecto global da comunidade, atrav&eacute;s da sua participa&ccedil;&atilde;o respons&aacute;vel e livre na constru&ccedil;&atilde;o da mesma comunidade e interven&ccedil;&atilde;o no processo hist&oacute;rico.</p>    <p>Para tanto h&aacute; que assegurar a presen&ccedil;a permanente no trabalho escolar da ideia de servi&ccedil;o &agrave; colectividade. A educa&ccedil;&atilde;o deve, portanto, assentar no reconhecimento para a crian&ccedil;a ou para o jovem, de que o seu trabalho &eacute; socialmente &uacute;til. Deste modo, a interliga&ccedil;&atilde;o entre os planos de desenvolvimento nacional ou regional e a actividade escolar, para al&eacute;m de servir as pr&oacute;prias tarefas do desenvolvimento, constitui umas das formas de consolidar a pedagogia socialista &ndash; a liga&ccedil;&atilde;o da escola com as necessidades de desenvolvimento do Pa&iacute;s ser&aacute;, assim, o meio mais correcto de promover a sua transforma&ccedil;&atilde;o.</p>    <p>Por outro lado, o compromisso da Escola com tarefas produtivas socialmente &uacute;teis representa um importante passo na luta contra a segrega&ccedil;&atilde;o entre o trabalho intelectual e o trabalho manual, segrega&ccedil;&atilde;o que est&aacute; na origem de toda uma s&eacute;rie de discrimina&ccedil;&otilde;es sociais e culturais incompat&iacute;veis com o nosso projecto social.</p>    <p>Por &uacute;ltimo, n&atilde;o pode a escola deixar de situar-se no processo de mudan&ccedil;a permanente que caracteriza as sociedades contempor&atilde;neas e que leva a considerar a escola n&atilde;o como local onde se transmite &agrave;s jovens gera&ccedil;&otilde;es um saber acabado mas um local privilegiado de forma&ccedil;&atilde;o dos indiv&iacute;duos para a mudan&ccedil;a ao longo de toda a sua vida e n&atilde;o somente na inf&acirc;ncia ou adolesc&ecirc;ncia. No momento que o Pa&iacute;s atravessa, tal tarefa &eacute; de imensa import&acirc;ncia, j&aacute; que a sociedade portuguesa entrou em processo de mudan&ccedil;a particularmente acelerado, j&aacute; que do passado recebemos a heran&ccedil;a de uma grande maioria  de popula&ccedil;&atilde;o adulta desprovida de forma&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica e profissional adequadas.</p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Todavia, e uma vez que os aspectos pedag&oacute;gicos da nova pol&iacute;tica de educa&ccedil;&atilde;o est&atilde;o tratados noutro cap&iacute;tulo, n&atilde;o se insistir&aacute; mais no alacance pedag&oacute;gico duma mais funda integra&ccedil;&atilde;o da ac&ccedil;&atilde;o educativa nas tarefas produtivas da colectividade. O que se dir&aacute; em seguida refere-se, antes, ao modo como a escola deve assumir o compromisso com essas tarefas.</p>    <p>Uma das censuras mais justamente feitas &agrave; Escola portuguesa &eacute; a de que esta se desinteressou do que se passava &agrave; sua volta e, concretamente, do destino da sociedade em que estava inserida. E, na verdade, a sua ac&ccedil;&atilde;o pouco tem tido que ver com o progresso social e econ&oacute;mico da sociedade portuguesa: tem visado, sobretudo, a promo&ccedil;&atilde;o individualista dos que a frequentam, n&atilde;o principalmente atrav&eacute;s do fornecimento de saberes socialmente &uacute;teis, mas antes atrav&eacute;s da atribui&ccedil;&atilde;o de t&iacute;tulos acad&eacute;micos formais que, na nossa sociedade estratificada, eram chaves seguras de prest&iacute;gio e de promo&ccedil;&atilde;o social, e meio reprodutor dos mecanismos sociais vigentes.</p>    <p>Numa situa&ccedil;&atilde;o revolucion&aacute;ria, em que cada um tem que construir, dia a dia e com actos concretos, o futuro do pa&iacute;s, a fun&ccedil;&atilde;o da escola tem que ser a de colaborar, ela tamb&eacute;m, duma forma concreta, nessa constru&ccedil;&atilde;o: (a) dando aos cidad&atilde;os a forma&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica e cultural de que eles necessitam para, nos sectores de actividade a que sejam chamados, desempenharem de forma competente e esclarecida as tarefas que lhe sejam exigidas e intervirem de forma progressista no processo hist&oacute;rico; (b) integrando os seus planos de actividades (pedag&oacute;gica, cient&iacute;fica e cultural) nos planos concretos de desenvolvimento do pa&iacute;s, constituindo-se em centros de produ&ccedil;&atilde;o ao servi&ccedil;o de necessidades colectivas; (c) contribuindo, explicitamente, com o seu trabalho te&oacute;rico, para a forma&ccedil;&atilde;o duma cultura revolucion&aacute;ria.</p>    <p>A preocupa&ccedil;&atilde;o de proporcionar um saber &uacute;til, adeuado &agrave; forma&ccedil;&atilde;o de cidad&atilde;os aptos a desempenhar fun&ccedil;&otilde;es socialmente &uacute;teis, deve ser o objectivo predominante do sistema de ensino dos n&iacute;veis secund&aacute;rio e superior.</p>    <p>No ensino secund&aacute;rio, a voca&ccedil;&atilde;o profissional que at&eacute; agora era exclusiva de um dos seus ramos (o ensino t&eacute;cnico profissional) deve dominar todo o ciclo terminal integrado. Com este ciclo terminal de voca&ccedil;&atilde;o profissional se dar&aacute; ao ensino secund&aacute;rio o sentido pr&aacute;tico-profissional que at&eacute; agora, em geral, n&atilde;o tinha e se promover&aacute; a forma&ccedil;&atilde;o dos t&eacute;cnicos m&eacute;dios de que o pa&iacute;s urgentemente carece. Por outro lado, possibilita-se a integra&ccedil;&atilde;o mais precoce dos jovens no processo produtivo.</p>    <p>No dom&iacute;nio do ensino superior o sentido profissionalizante obrigar&aacute;, nomeadamente, &agrave; revis&atilde;o do elenco da estrutura dos curr&iacute;culos e dos m&eacute;todos pedag&oacute;gicos, de modo a que estes assegurem n&atilde;o um saber acad&eacute;mico socialmente descomprometido mas uma forma&ccedil;&atilde;o adequada, econ&oacute;mica e eficaz dos quadros pol&iacute;ticos e t&eacute;cnicos necess&aacute;rios ao pa&iacute;s, objecto que deve constituir uma das finalidades prim&aacute;rias do sistema de ensino de n&iacute;vel superior. Neste particular, &eacute; de real&ccedil;ar a necessidade de promover ciclos curtos de ensino superior atrav&eacute;s dos quais se possam formar, de modo suficiente e mais econ&oacute;mico, uma larga s&eacute;rie dos quadros de que o pa&iacute;s necessita; ter&aacute; aqui um papel fundamental o ensino &agrave; dist&acirc;ncia que permitir&aacute; a forma&ccedil;&atilde;o inicial ou recorrente de pessoas j&aacute; comprometidas no trabalho produtivo, e a sua valoriza&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnico-profissional.</p>    <p>Mas, para al&eacute;m do seu papel no dom&iacute;nio do ensino formal, as escolas devem colaborar decididamente na constitui&ccedil;&atilde;o de um eficaz sistema de ensino n&atilde;o formal, j&aacute; que elas disp&otilde;em &ndash; especialmente as de n&iacute;vel superior &ndash; de um grande potencial em meios humanos tecnicamente qualificados. Assim, deve ser um objecto fundamental da nova pol&iacute;tica educativa lan&ccedil;ar uma vasta campanha de ensino profissional n&atilde;o formal, nomeadamente pela cria&ccedil;&atilde;o de centros de forma&ccedil;&atilde;o profissional e interven&ccedil;&atilde;o cultural nos locais de trabalho, com o apoio das escolas e em liga&ccedil;&atilde;o com os centros de forma&ccedil;&atilde;o profissional do Minist&eacute;rio do Trabalho e de outros organismos estaduais, programa que exigiria, eventualmente, um regime especial de trabalho para os trabalhadores estudantes. Estas tarefas de educa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o formal de instru&ccedil;&atilde;o profissional &ndash; a que acrescentamos a alafabetiza&ccedil;&atilde;o e educa&ccedil;&atilde;o de base, bem como todas as outras iniciativas no dom&iacute;nio da reciclagem e da extens&atilde;o escolar &ndash; devem ser, nas circunst&acirc;ncias presentes, um objectivo priorit&aacute;rio, dado, por um lado, a urg&ecirc;ncia da forma&ccedil;&atilde;o de um potencial tecnol&oacute;gico que nos permitia construir o socialismo e a independ&ecirc;ncia nacional e, por outro, a justi&ccedil;a que representa a recupera&ccedil;&atilde;o e valoriza&ccedil;&atilde;o social dos cidad&atilde;os sacrificados pelo funcionamento elitista do sistema escolar fascista.</p>    <p>Pondere-se, todavia, que a actual imagem social e a pr&oacute;pria pr&aacute;tica pedag&oacute;gica da escola podem ser um obst&aacute;culo importante &agrave; sua colabora&ccedil;&atilde;o no ensino n&atilde;o formal. Na verdade, o ensino formal tem, em Portugal, uma imagem p&uacute;blica que o d&aacute; como algo de livresco e abstracto, desligado dos problemas concretos da profiss&atilde;o e da sociedade; por outro lado, a pr&oacute;pria pr&aacute;tica pedag&oacute;gica tradicional tem andado t&atilde;o fastada das situa&ccedil;&otilde;es sociais e profissionais concretas que &eacute; de temer que se n&atilde;o saiba adequar a uma nova e mais din&acirc;mica inser&ccedil;&atilde;o social.</p>    <p>H&aacute; que criar condi&ccedil;&otilde;es para uma converg&ecirc;ncia de esfor&ccedil;os das v&aacute;rias inst&acirc;ncias que t&ecirc;m desenvolvido ac&ccedil;&otilde;es mais ou menos dispersas nestes dom&iacute;nios e bem assim que conjugar as ac&ccedil;&otilde;es a desenvolver com as potencialidades dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o de massas, nomeadamente a r&aacute;dio e a TV, definindo prioridades quanto &agrave; natureza dos processos educativos e aos sectores populacionais a que se dirige.</p>    <p>No que diz respeito &agrave; colabora&ccedil;&atilde;o directa da escola na resolu&ccedil;&atilde;o das tarefas do desenvolvimento nacional &eacute; necess&aacute;rio, desde logo, que os problemas concretos da colectividade nacional ou regional constituam os temas de arranque dos programas pedag&oacute;gicos e que da ac&ccedil;&atilde;o educativa fa&ccedil;am parte integrante programas de servi&ccedil;o &agrave; comunidade.</p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Mas, para al&eacute;m disso, a pr&oacute;pria actividade de investiga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica deve ser profundamente remodelada, assinando-lhe objectivos perfeitamente coincidentes com os objectivos de desenvolvimento do pa&iacute;s. Para isso, o IAC ser&aacute; extinto e criado o Instituto Nacional de Investiga&ccedil;&atilde;o para o Desenvolvimento (INID), cuja tarefa ser&aacute; a de coordenar as actividades de investiga&ccedil;&atilde;o e perspectiv&aacute;-las em fun&ccedil;&atilde;o de planos concretos de desenvolvimento para o pa&iacute;s, procurando deste modo abater as barreiras entre a investiga&ccedil;&atilde;o fundamental e e investiga&ccedil;&atilde;o aplicada.</p>    <p>Finalmente, &eacute; preciso comprometer as escolas no pr&oacute;prio processo produtivo. Muitos dos nossos estabelecimentos de ensino disp&otilde;em de meios humanos e de equipamento que lhes permite colaborar, produzindo ou dirigindo a produ&ccedil;&atilde;o, na constru&ccedil;&atilde;o do socialismo. O lan&ccedil;amento de programas e de produ&ccedil;&atilde;o de bens ou servi&ccedil;os &ndash; nas quais participam equipas de professores e alunos &ndash; est&aacute; particularmente facilitado em certos ramos do ensino superior &ndash; engenharia, agronomia, arquitectura, economia, etc. A institucionaliza&ccedil;&atilde;o de &ldquo;Projectos de Produ&ccedil;&atilde;o&rdquo;, dando tamb&eacute;m origem a financiamento espec&iacute;fico, permitir&aacute; o apoio do Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o Cultura (eventualmente de outros departamentos estaduais ou entidades p&uacute;blicas) &agrave;s actividades produtivas das escolas. Numa fase imediata, parece poss&iacute;vel p&ocirc;r as escolas a colaborar na produ&ccedil;&atilde;o de infraestruturas educativas (realizando projectos de instala&ccedil;&otilde;es escolares e na fiscaliza&ccedil;&atilde;o das respectivas obras, produzindo material did&aacute;ctico de precis&atilde;o. Projectando mobili&aacute;rio escolar, etc.). Para isto se criar&aacute; imediatamente um grupo de trabalho interdepartamental encarregado de inventariar os projectos de produ&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio de Educa&ccedil;&atilde;o e Cultura que possam ser entregues &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o das escolas.</p>    <p>Este objectivo de comprometer as escolas na batalha da produ&ccedil;&atilde;o &eacute; de realiza&ccedil;&atilde;o mais evidente no que diz respeito &agrave;s escolas de tecnologia (engenharia, agronomia, farm&aacute;cia, ci&ecirc;ncia, arquitectura, design), mas ele &eacute; extens&iacute;vel a outras escolas que poder&atilde;o produzir servi&ccedil;os no dom&iacute;nio da sua especialidade &ndash; campanhas sanit&aacute;rias, campanhas de alfabetiza&ccedil;&atilde;o, inventaria&ccedil;&atilde;o de arquivos, campanhas de educa&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica, etc.</p>    <p>O lan&ccedil;amento de actividades deste tipo permitir&aacute;, de resto, dar uma outra dimens&atilde;o ao servi&ccedil;o c&iacute;vico estudantil, pois aumenta a sua capacidade de realiza&ccedil;&atilde;o, e integr&aacute;-lo mais profundamente na actividade da escola. Ter-se-&aacute; ent&atilde;o posto em marcha um verdadeiro &ldquo;servi&ccedil;o c&iacute;vico escolar&rdquo;.</p>    <p>Ainda dentro deste objectivo geral, o potencial humano e material das escolas deve considerar-se ao servi&ccedil;o da comunidade, de modo a tornar normal a utiliza&ccedil;&atilde;o das instala&ccedil;&otilde;es e equipamentos escolares para actividades de extens&atilde;o escolar (cursos intensivos de f&eacute;rias, cursos nocturnos, apoio de programas de ensino &agrave; dist&atilde;ncia), de anima&ccedil;&atilde;o socio-cultural ou de apoio cient&iacute;fico ou tecnol&oacute;gico &agrave; colectividade, bem como para actividades comunit&aacute;rias de car&aacute;cter n&atilde;o escolar.</p>    <p>O &uacute;ltimo aspecto da integra&ccedil;&atilde;o da Escola-Comunidade &eacute; o da integra&ccedil;&atilde;o da ac&ccedil;&atilde;o educativa da escola na forma&ccedil;&atilde;o de uma cultura progressita.</p>    <p>Merecem, neste dom&iacute;nio, realce os programas de integra&ccedil;&atilde;o dos estudantes nos problemas nacionais por que passa a constru&ccedil;&atilde;o do socialismo. Entre eles se destaca o &ldquo;servi&ccedil;o c&iacute;vico estudantil&rdquo;, cuja organiza&ccedil;&atilde;o deve ser fortemente refor&ccedil;ada, de modo a poder transform&aacute;-lo num poderoso meio de consciencializa&ccedil;&atilde;o das massas estudantis. </p>     <p>Mas todas as outras formas de tornar efectiva a presen&ccedil;a da comunidade    na actividade pedag&oacute;gica da escola devem ser incentivadas, como processo    de ligar profundamente a cultura &ldquo;da escola&rdquo; &agrave; cultura &ldquo;da    vida&rdquo;.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center">11. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><I>Regionaliza&ccedil;&atilde;o do ensino</I></p>     <p>As medidas a tomar na regionaliza&ccedil;&atilde;o do ensino poder&atilde;o ser enquadradas em duas perspectivas diferentes, embora complementares. A primeira diz respeito &agrave; incid&ecirc;ncia regional da estrutura e dos conte&uacute;dos dos v&aacute;rios graus de ensino e &agrave; sua integra&ccedil;&atilde;o com os condicionalismos locais. Isto &eacute;, diversificar o ensino consoante as necessidades das comunidades onde este se encontra implantado, procurando dar respostas adequadas &agrave; diversidade dos problemas.</p>    <p>A segunda perspectiva refere-se ao modo como essa mesma adequa&ccedil;&atilde;o pode ser suscitada e comandada pelas pr&oacute;prias regi&otilde;es. Como fomentar a participa&ccedil;&atilde;o crescente das comunidades na discuss&atilde;o e consequente tomada de decis&otilde;es sobre a administra&ccedil;&atilde;o do ensino e a sua integra&ccedil;&atilde;o com os costumes, aspira&ccedil;&otilde;es e necessidades regionais.</p>    <p>Na conjuga&ccedil;&atilde;o harm&oacute;nica destas duas perspectivas residir&aacute;, em grande parte, a promo&ccedil;&atilde;o e responsabiliza&ccedil;&atilde;o culturais das popula&ccedil;&otilde;es, que gradualmente ser&atilde;o chamadas a desempenhar um papel cada vez mais importante na defini&ccedil;&atilde;o do seu futuro e no dos seus filhos.</p>    <p>N&atilde;o se devem perder de vista os riscos que uma regionaliza&ccedil;&atilde;o com o sentido de crescente autonomiza&ccedil;&atilde;o, a n&atilde;o ser gradual e acompanhada de esclarecimento cultural e pol&iacute;tico, poder&aacute; trazer para a marcha revolucion&aacute;ria em curso.</p>    <p>No entanto, a manuten&ccedil;&atilde;o exclusiva de um governo central omnipotente e absorvente, revolucion&aacute;rio embora, faz correr tamb&eacute;m o grave risco de continuarem a n&atilde;o ser tomadas na devida conta os interesses diferenciados das regi&otilde;es tradicionalmente negligenciadas, j&aacute; habituadas a n&atilde;o fazer ouvir a sua voz ou porque a t&ecirc;m fraca, devido &agrave; emigra&ccedil;&atilde;o, ou porque outras vozes mais pr&oacute;ximas dos centros de decis&atilde;o se fazem ouvir mais alto.</p>    <p>Quanto &agrave; incid&ecirc;ncia regional do conte&uacute;do e finalidades do ensino, as medidas consideradas como mais importante a curto e m&eacute;dio prazo s&atilde;o:</p>    <p>a) Cria&ccedil;&atilde;o de centros regionais de apoio pedag&oacute;gico (C.R.A.P,) aos estabelecimentos de ensino b&aacute;sico e secund&aacute;rio duma regi&atilde;o, em estreita liga&ccedil;&atilde;o com os centros universit&aacute;rios regionais de forma&ccedil;&atilde;o de professores; estes centros regionais de apoio pedag&oacute;gico servir&atilde;o como unidades de orienta&ccedil;&atilde;o e servi&ccedil;o e ao mesmo tempo como n&uacute;cleos de ensino e investiga&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica aplicados. Pensa-se que este ser&aacute; um meio poderoso de permitir que os problemas regionais do ensino sejam estudados e resolvidos por &oacute;rg&atilde;os adequados e inseridos no contexto local. </p>    <p>b) Continua&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica de regionaliza&ccedil;&atilde;o do ensino superior, integrada nos planos de ordenamento do territ&oacute;rio, com o fomento de centros universit&aacute;rios ligados aos problemas e interesses das comunidades onde se inserem, aos quais procurar&atilde;o dar resposta, n&atilde;o s&oacute; por meio de cursos regulares mas tamb&eacute;m atrav&eacute;s de cursos livres, de extens&atilde;o universit&aacute;ria, semin&aacute;rios, etc. </p>    <p>c) Lan&ccedil;amento de um programa nacional de ensino superior a dist&acirc;ncia (Universidade Aberta), acompanhado da cria&ccedil;&atilde;o de centros regionais, visando a promo&ccedil;&atilde;o cultural e profissional das popula&ccedil;&otilde;es, nomeadamente, numa primeira fase, o aperfei&ccedil;oamento dos professores dos ensinos b&aacute;sico e secund&aacute;rio, sem necessidade do abandono dos seus postos de trabalho. </p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>d) Transforma&ccedil;&atilde;o do ciclo final do ensino secund&aacute;rio numa via de estudos vocacionais de prepara&ccedil;&atilde;o para a vida activa, que dar&aacute; acesso tanto aos estudos superiores como constituir&aacute; uma pr&eacute;-profissionaliza&ccedil;&atilde;o para o mundo do trabalho. Essa via profissionalizante compreender&aacute; um aprendizado quanto poss&iacute;vel adaptado &agrave; inser&ccedil;&atilde;o regional da escola e poder&aacute; constituir uma base importante para a forma&ccedil;&atilde;o de quadros t&eacute;cnicos m&eacute;dios. </p>    <p>No que respeita &agrave; participa&ccedil;&atilde;o das regi&otilde;es e suas comunidades no tra&ccedil;ado e execu&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica do ensino pensa-se que ela deva ser parte de um processo mais geral, que englobe tamb&eacute;m os sectores da produ&ccedil;&atilde;o e do trabalho, da sa&uacute;de e da cultura em geral. </p>    <p>Os avan&ccedil;os neste campo ter&atilde;o de ser graduais e cautelosos, evitando a via dos organigramas e das estruturas no papel, com poucos apoios concretos. Ao contr&aacute;rio, dever&atilde;o criar-se, antes, infraestruturas sociais tais como casas ou centros de conv&iacute;vio e discuss&atilde;o, de cultura, de desporto, de apoio pedag&oacute;gico, aproveitando o que j&aacute; existe e racionalizando, ampliando, consolidando. A&iacute; se dever&aacute; fomentar o debate dos problemas comunit&aacute;rios e a acultura&ccedil;&atilde;o das massas deserdadas culturalmente. Ao desejo de participa&ccedil;&atilde;o crescente dever&aacute; seguir-se a crescente autonomiza&ccedil;&atilde;o e responsabiliza&ccedil;&atilde;o de &oacute;rg&atilde;os regionais de decis&atilde;o. </p>    <p>Aqueles centros dever&atilde;o ser formados com a integra&ccedil;&atilde;o, nomeadamente, das instala&ccedil;&otilde;es existentes na rede do Fundo de Apoio aos Organismos Juvenis, da Direc&ccedil;&atilde;o-Geral dos Desportos, do Instituto de Ac&ccedil;&atilde;o Social Escolar, das Direc&ccedil;&otilde;es-Gerais pedag&oacute;gicas e administrativas e do Instituto de Tecnologia Educativa; e de estruturas a criar para os Centros Regionais de Apoio Pedag&oacute;gico e os Centros Regionais da Universidade Aberta.</p>     <p>Espera-se que esta via leve ao termo dos atrasos culturais mais gritantes,    ao fim da coloniza&ccedil;&atilde;o do interior pelo litoral, dos campos pelas    cidades, &agrave; participa&ccedil;&atilde;o plena das regi&otilde;es e das    comunidades no seu pr&oacute;prio progress.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Notas</b></p>            <p><a name="1" id="1"></a><a href="#top1">1</a> No original faltam as linhas com    que termina este ponto.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="2" id="2"></a><a href="#top2">2</a> No original, ileg&iacute;vel a    continua&ccedil;&atilde;o da frase.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><Sup><a name="3" id="3"></a><a href="#top3">*</a></Sup> Coordenador cient&iacute;fico    da UID Observat&oacute;rio de Pol&iacute;ticas de Educa&ccedil;&atilde;o e de    Contextos Educativos, Universidade Lus&oacute;fona de Humanidades e Tecnologias,    Lisboa.</p>     <p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">**</a></Sup> Para um debate sobre este    per&iacute;odo ver outros meus trabalhos anteriores: Teodoro, A. (1999). Os    programas de educa&ccedil;&atilde;o nos Governos provis&oacute;rios: de uma    inten&ccedil;&atilde;o de continuidade com a reforma Veiga Sim&atilde;o &agrave;    elabora&ccedil;&atilde;o de um programa para uma sociedade a caminho do socialismo.    <I>Educa&ccedil;&atilde;o, Sociedade & Culturas, 11, </I>29-66; Teodoro, A.    (2001). <I>A Constru&ccedil;&atilde;o Pol&iacute;tica da Educa&ccedil;&atilde;o.    Estado, mudan&ccedil;a social e pol&iacute;ticas educativas no Portugal contempor&acirc;neo.    </I>Porto: Edi&ccedil;&otilde;es Afrontamento.</p>      ]]></body>
</article>
