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</front><body><![CDATA[ <p><b>Editorial</b></p>         <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>1. O Estado Novo desenvolveu, de forma sistem&aacute;tica, um processo de desprofissionaliza&ccedil;&atilde;o    da actividade docente, retomando um discurso e uma concep&ccedil;&atilde;o de    professor anterior &agrave; laiciza&ccedil;&atilde;o e estatiza&ccedil;&atilde;o    do sistema de ensino. A par de um apertado controlo da profiss&atilde;o docente    nos campos ideol&oacute;gico e pol&iacute;tico, mas tamb&eacute;m no plano privado    da moral e dos costumes, verifica-se durante os longos quarenta e oito anos    de ditadura um acentuar da concep&ccedil;&atilde;o mission&aacute;ria do professor.    No per&iacute;odo de implanta&ccedil;&atilde;o do Estado Novo, a proibi&ccedil;&atilde;o    de todas as formas associativas e sindicais dos professores do ensino p&uacute;blico,    o encerramento das escolas normais e a posterior diminui&ccedil;&atilde;o da    dura&ccedil;&atilde;o e dos n&iacute;veis de exig&ecirc;ncia de acesso, o recrutamento    massi&ccedil;o de regentes escolares para fazer face &agrave; expans&atilde;o    da escolariza&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria, ou a desqualifica&ccedil;&atilde;o    salarial dos professores comparativamente a outros trabalhadores da administra&ccedil;&atilde;o    p&uacute;blica, ficam como exemplos dessa pol&iacute;tica de desprofissionaliza&ccedil;&atilde;o    da actividade docente. No p&oacute;s-guerra, essa pol&iacute;tica manteve-se    e alargou-se aos n&iacute;veis de ensino p&oacute;s-prim&aacute;rio, ao permitir    que a natural expans&atilde;o do ensino secund&aacute;rio verificada nos anos    1950 e 1960 assentasse no que ent&atilde;o eram designados de professores eventuais    e provis&oacute;rios, um ex&eacute;rcito de m&atilde;o-de-obra barata, sem qualifica&ccedil;&otilde;es    pedag&oacute;gicas e com condi&ccedil;&otilde;es de trabalho e de sal&aacute;rio    indescrit&iacute;veis. No ano lectivo de 1972-1973, na v&eacute;spera da Revolu&ccedil;&atilde;o,    apenas 13% dos professores do ent&atilde;o ensino preparat&oacute;rio do ensino    secund&aacute;rio (5.&ordm; e 6.&ordm; anos) eram efectivos, ou seja, pertenciam    a um quadro de escola, enquanto que nos ensinos liceal e t&eacute;cnico-profissional    essa percentagem, ligeiramente superior, situava-se de qualquer modo nos 33,8%    e 17,8%, respectivamente. </p>           <p>A Revolu&ccedil;&atilde;o de Abril de 1974 significou um momento de ruptura, com profundas repercuss&otilde;es na situa&ccedil;&atilde;o profissional dos professores. </p>    <p>A primeira e imediata consequ&ecirc;ncia da Revolu&ccedil;&atilde;o foi a conquista de condi&ccedil;&otilde;es de liberdade que permitiram a livre organiza&ccedil;&atilde;o de associa&ccedil;&otilde;es sindicais de professores, o que, num contexto de grande participa&ccedil;&atilde;o e interven&ccedil;&atilde;o c&iacute;vica, conduziu a importantes e r&aacute;pidas melhorias no campo salarial e no estatuto profissional. Nunca, em t&atilde;o curto per&iacute;odo de tempo, se verificaram tantas e t&atilde;o profundas mudan&ccedil;as na condi&ccedil;&atilde;o docente em Portugal. </p>    <p>A segunda consequ&ecirc;ncia resultou da iniciativa tomada nos primeiros dias da Revolu&ccedil;&atilde;o por parte da maioria esmagadora dos professores (e tamb&eacute;m dos estudantes, no ensino superior) de afastar as antigas administra&ccedil;&otilde;es das escolas e liceus nomeadas pela ditadura, substituindo-as por comiss&otilde;es eleitas, num processo de inequ&iacute;voco recorte autogestion&aacute;rio. Apesar de todas as medidas legislativas tomadas posteriormente, o actual modelo de gest&atilde;o das escolas b&aacute;sicas e secund&aacute;rias em Portugal tem as suas ra&iacute;zes nesse processo &uacute;nico em que a iniciativa da periferia se antecipou a qualquer decis&atilde;o legislativa e imp&ocirc;s pr&aacute;ticas de participa&ccedil;&atilde;o e de representa&ccedil;&atilde;o democr&aacute;ticas singular&iacute;ssimas no contexto europeu. </p>    <p>A terceira consequ&ecirc;ncia decorreu da preval&ecirc;ncia de uma pol&iacute;tica educativa centrada no objectivo da democratiza&ccedil;&atilde;o do ensino, onde o princ&iacute;pio da igualdade de oportunidades, de acesso mas igualmente de sucesso, se tornou o elemento polarizador das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas. Num plano mais pr&oacute;ximo, sublinhe-se a cria&ccedil;&atilde;o do <I>ensino secund&aacute;rio unificado</I>, resultante da fus&atilde;o entre os correspondentes ciclos dos ensinos liceal e t&eacute;cnico-profissional, apresentado como uma forma de romper a dualidade entre uma via nobre, frequentada com o fito do ensino superior pelos jovens oriundos dos grupos sociais dominantes, e uma via destinada a uma inser&ccedil;&atilde;o precoce no mercado de trabalho, frequentada esmagadoramente por jovens oriundos dos meios populares. </p>    <p>A forma como, em 1974, foi conquistado o direito de cidadania e se iniciou o processo de profissionaliza&ccedil;&atilde;o da actividade docente marca ainda hoje, indelevelmente, a cultura profissional dos professores e a forma como estes se relacionam com a administra&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o e os parceiros educativos. As profundas altera&ccedil;&otilde;es que o Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o de Maria de Lurdes Rodrigues pretende(u) impor em &aacute;reas como o Estatuto da Carreira Docente e a Gest&atilde;o das Escolas B&aacute;sicas e Secund&aacute;rias visam, em &uacute;ltima inst&acirc;ncia, romper com essa tradi&ccedil;&atilde;o ancorada no processo democr&aacute;tico que se seguiu &agrave; Revolu&ccedil;&atilde;o de Abril. Tomando como justifica&ccedil;&atilde;o um discurso de racionaliza&ccedil;&atilde;o e defesa da efic&aacute;cia, as medidas aprovadas v&atilde;o todas elas no sentido do que o soci&oacute;logo ingl&ecirc;s Stephen Ball designa de <I>performatividade competitiva</I>, e que visam ampliar o individualismo nos professores e destruir solidariedades baseadas numa identidade profissional comum, onde a filia&ccedil;&atilde;o sindical e a participa&ccedil;&atilde;o associativa s&atilde;o elementos constituintes. </p>     <p>A resposta dada massivamente pelos professores neste in&iacute;cio de 2008    (em especial na imponente Marcha da Indigna&ccedil;&atilde;o de 8 de Mar&ccedil;o)    a estes prop&oacute;sitos ministeriais mostra que, apesar do<I> ar do tempo</I>    &ndash; este neoliberalismo que atinge todos os sectores sociais &ndash;, se    vislumbram condi&ccedil;&otilde;es para equacionar uma outra pol&iacute;tica    educativa, que n&atilde;o seja a mera adequa&ccedil;&atilde;o das agendas das    ag&ecirc;ncias transnacionais globalizadoras (em particular da OCDE) e de uma    Comiss&atilde;o Europeia demasiado seduzida pelas solu&ccedil;&otilde;es neoliberais,    mesmo quando elas come&ccedil;am a mostrar claros sinais de esgotamento. Era    bom que alguns sectores da esquerda institucional (e de governo) n&atilde;o    se esquecessem que a alternativa ao neoliberalismo passa, necessariamente, pelo    refor&ccedil;o dos movimentos sociais e a cria&ccedil;&atilde;o de um espa&ccedil;o    p&uacute;blico onde os cidad&atilde;os se possam conceber, a todo o momento,    &ldquo;como os autores do direito ao qual est&atilde;o submetidos enquanto destinat&aacute;rios&rdquo;    (J. Habermas, <I>Droit et d&eacute;mocratie, </I>Gallimard, Paris, 1997, p.    479). Esta constru&ccedil;&atilde;o de uma alternativa &eacute;, como nos lembra    I. Wallerstein, um exerc&iacute;cio a realizar, simultaneamente, nos campos    da ci&ecirc;ncia, da pol&iacute;tica e da moral. Aqui estamos, no nosso campo,    a dar esse contributo.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><B>2. </B>O n&uacute;mero que agora se apresenta &eacute; particularmente rico    na an&aacute;lise cr&iacute;tica e na cria&ccedil;&atilde;o de bases para a    constru&ccedil;&atilde;o de uma alternativa radicalmente democr&aacute;tica    no campo das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de educa&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>No primeiro artigo, <I>Construir a Europa atrav&eacute;s do Espa&ccedil;o Europeu de Educa&ccedil;&atilde;o</I>, o soci&oacute;logo brit&acirc;nico Roger Dale faz uma incisiva (e actualizada) an&aacute;lise da rela&ccedil;&atilde;o entre a constru&ccedil;&atilde;o de um espa&ccedil;o europeu de educa&ccedil;&atilde;o e a constru&ccedil;&atilde;o da &ldquo;Europa&rdquo; como entidade, defendendo que esse processo &eacute; particularmente importante pelos efeitos que produz nas pol&iacute;ticas educativas dos Estados membros. No seu desenvolvimento, o artigo sugere que &eacute; poss&iacute;vel identificar tr&ecirc;s fases na constru&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas educativas europeias: (i) o estabelecimento da &ldquo;qualidade&rdquo;, (ii) a afirma&ccedil;&atilde;o da &ldquo;soft governance&rdquo; (o M&eacute;todo Aberto de Coordena&ccedil;&atilde;o) e (iii) a agenda da Aprendizagem ao Longo da Vida, formatadas por mudan&ccedil;as nos contextos globais e nas respectivas interpreta&ccedil;&otilde;es a n&iacute;vel europeu. Um artigo de leitura obrigat&oacute;ria para a compreens&atilde;o dos processos em curso no espa&ccedil;o europeu, cada vez mais uma &ldquo;normative area, pioneering a system of transnational law&rdquo; (Therborn, 2002: 15).</p>    <p>O segundo artigo, <I>A Reestrutura&ccedil;&atilde;o do Modelo N&oacute;rdico de Educa&ccedil;&atilde;o</I>, de Ari Antikainen, discute o chamado modelo N&oacute;rdico ou o modelo de Estado-Provid&ecirc;ncia e a educa&ccedil;&atilde;o. Este artigo mostra como os processos de reestrutura&ccedil;&atilde;o est&atilde;o acontecendo a n&iacute;vel pol&iacute;tico e a n&iacute;vel institucional e, ainda, como &eacute; que as estruturas b&aacute;sicas do modelo e exemplo n&oacute;rdico, especialmente os princ&iacute;pios subjacentes &agrave;s <I>comprehensive schools</I> e &agrave;s escolas locais, est&atilde;o a ser abandonados. Antikainen real&ccedil;a que as mudan&ccedil;as na pol&iacute;tica e nas formas de organiza&ccedil;&atilde;o ocorrem de forma muito mais r&aacute;pida do que nos contextos s&oacute;cio-culturais, apontando exemplos de hist&oacute;rias de sucesso, como a reforma dinamarquesa do mercado laboral e o crescimento do <I>cluster</I> finland&ecirc;s do conhecimento intensivo em TIC, como os principais respons&aacute;veis por essa transforma&ccedil;&atilde;o. Por &uacute;ltimo, debate a possibilidade de uma estrat&eacute;gia de Estado-Provid&ecirc;ncia e de uma estrat&eacute;gia de Estado Competitivo poderem coexistir.</p>    <p>No terceiro artigo, <I>Mercado, </I>Performance, Accountability. <I>Duas d&eacute;cadas de ret&oacute;rica reaccion&aacute;ria na educa&ccedil;&atilde;o</I>, o investigador franc&ecirc;s Romuald Normand reconstitui o percurso que, a partir dos EUA e do Reino Unido, tem sido seguido nos &uacute;ltimos vinte anos de cr&iacute;tica &agrave; escola compreensiva e ao aparecimento do modelo da escola eficaz (<I>school effectiveness</I>). Depois de uma an&aacute;lise detalhada dos argumentos da direita conservadora americana, centrados na tese do decl&iacute;nio da escola p&uacute;blica e condensados no documento da Presid&ecirc;ncia de George W. Bush, <I>No Child Left Behind</I>, Romuald Normand suscita a reflex&atilde;o sobre o papel dos soci&oacute;logos da educa&ccedil;&atilde;o na compreens&atilde;o da interac&ccedil;&atilde;o dos v&aacute;rios agentes educativos a uma escala globalizada e das implica&ccedil;&otilde;es do <I>novo esp&iacute;rito </I>do capitalismo (Boltanski & Chiapello, 1999) nas pol&iacute;ticas educativas. Uma leitura obrigat&oacute;ria para todos quantos necessitam de fazer uma arqueologia dos conceitos da moda, adoptados pelo discurso pol&iacute;tico dominante sobre a educa&ccedil;&atilde;o, algumas vezes sem qualquer sentido cr&iacute;tico ou tomado como uma fatalidade a que n&atilde;o se pode resistir.</p>    <p>No quarto artigo, <I>Progress&atilde;o continuada: por que a revis&atilde;o dos ciclos?</I>, Maria L&uacute;cia Vasconcelos discute uma das quest&otilde;es centrais nas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas do ensino fundamental no Brasil (ensino b&aacute;sico em Portugal): a organiza&ccedil;&atilde;o por ciclos de aprendizagem (fases, na designa&ccedil;&atilde;o adoptada em Portugal). A autora, que, durante cerca de um ano ocupou o cargo de Secret&aacute;ria de Educa&ccedil;&atilde;o do Estado de S. Paulo, justifica a raz&atilde;o porque encurtou a dura&ccedil;&atilde;o dos ciclos de 4 para 2 anos. Sendo uma das medidas mais pol&eacute;micas na educa&ccedil;&atilde;o brasileira (e n&atilde;o s&oacute;!), o contributo vivido de Maria L&uacute;cia Vasconcelos &eacute; um bom contributo para um debate que tem e deve ser feito, pois, como afirma, &ldquo;a progress&atilde;o continuada, em que pese seus pontos positivos(...), n&atilde;o pode ser tomada como sin&ocirc;nimo de n&atilde;o avalia&ccedil;&atilde;o e, pior, de n&atilde;o aprendizagem&rdquo;.</p>    <p>O quinto artigo, <I>Conselhos Escolares: an&aacute;lise de sistema municipal de ensino no Brasil</I>, de Fl&aacute;via Werle e Al&eacute;nis de Andrade, discute o perfil dos representantes dos segmentos da comunidade escolar num munic&iacute;pio do sul do Brasil, analisando as implica&ccedil;&otilde;es decorrentes de sua diferencia&ccedil;&atilde;o para a din&acirc;mica de funcionamento dos Conselhos Escolares. Com base no trabalho emp&iacute;rico realizado, os autores registam que os indiv&iacute;duos que j&aacute; tiveram viv&ecirc;ncia em Sindicatos, Entidades Comunit&aacute;rias ou Partido Pol&iacute;tico respondem mais ativamente a espa&ccedil;os de participa&ccedil;&atilde;o dentro da escola. Sublinhando essa participa&ccedil;&atilde;o heterog&eacute;nea, Werle e Andrade concluem que os Conselhos Escolares s&atilde;o espa&ccedil;os de constru&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria, de aprendizagem, de elabora&ccedil;&atilde;o e de acompanhamento da proposta da escola p&uacute;blica. </p>    <p>O sexto artigo, <I>Do colo &agrave; constru&ccedil;&atilde;o da cidadania: por uma escola acolhedora</I>, de &Oacute;scar C. Sousa, apela aos educadores para adoptarem uma atitude terap&ecirc;utica expressa pelo acolhimento quando est&atilde;o face a crian&ccedil;as com comportamentos desviantes. O autor lembra que o desvio pode ser, eventualmente, manifesta&ccedil;&atilde;o de um desequil&iacute;brio de natureza afectivo-social que s&oacute; pode ser restabelecido por uma experi&ecirc;ncia positiva de seguran&ccedil;a, de confian&ccedil;a e de partilha de direitos e de deveres, para defender, em consequ&ecirc;ncia, &ldquo;uma escola com miss&atilde;o terap&ecirc;utica, capaz de reconstruir as identidades danificadas, porque uma escola cidad&atilde;os para cidad&atilde;os&rdquo;, uma escola que assegure &ldquo;um clima de estado de direito&rdquo; e garanta a todos um &ldquo;caloroso acolhimento&rdquo;.</p>    <p>No s&eacute;timo artigo, <I>Estudos de caso em Educa&ccedil;&atilde;o. Investiga&ccedil;&atilde;o em profundidade com recursos reduzidos e outro modo de generaliza&ccedil;&atilde;o</I>, Jos&eacute; B. Duarte retoma uma problem&aacute;tica que lhe &eacute; muito cara, defendendo o estudo de caso como alternativa a estudos mais exigentes em recursos humanos e materiais, que pode ser seguida por (jovens) investigadores com parcos recursos e, muitas vezes, trabalhando s&oacute;zinhos. Apoiando-se em Robert Stake e Robert Yin, o autor procura delinear os procedimentos a seguir na adop&ccedil;&atilde;o do estudo de caso em problemas educacionais, e inclui, em complemento, as ideias-chave de alguns estudos de caso tal como s&atilde;o inventariados por Yin. Trata-se de um excelente contributo metodol&oacute;gico, sobretudo para os nossos jovens investigadores em processo de forma&ccedil;&atilde;o, nomeadamente a n&iacute;vel de mestrado. </p>    <p>No oitavo artigo, <I>As &ldquo;intermit&ecirc;ncias da Morte&rdquo;: debate acerca do direito &agrave; literatura lus&oacute;fona no processo de alfabetiza&ccedil;&atilde;o de jovens e adultos</I>, Nilce da Silva discute o direito &agrave; literatura lus&oacute;fona, tomando Saramago como exemplo, na forma&ccedil;&atilde;o de professores e na alfabetiza&ccedil;&atilde;o de jovens e adultos por meio de pesquisa-forma&ccedil;&atilde;o na cidade de S&atilde;o Paulo. Fruto de uma concep&ccedil;&atilde;o de universidade assente em tr&ecirc;s pilares b&aacute;sicos &ndash;  &ldquo;o pesquisar, o ensinar e a possibilidade de devolver &agrave; sociedade o conhecimento produzido nesta inst&acirc;ncia social&rdquo; &ndash;, a autora rebela-se contra o uso constante e inadequado de material infantil nos cursos com jovens e adultos, afirmando a terminar o seu artigo: &ldquo;ensinar com Saramago &eacute; uma forma de valoriza&ccedil;&atilde;o dos nossos alunos, pois ao inv&eacute;s de lerem textos infantis, escritos para crian&ccedil;as entre seis e dez anos, estaremos alfabetizando com um texto de um autor not&oacute;rio, valorizando a qualidade da l&iacute;ngua portuguesa, com tem&aacute;tica apropriada, ou seja, que reflete o mundo subjetivo dos adultos, e estaremos dizendo: voc&ecirc;s s&atilde;o capazes de ler e compreender um Pr&ecirc;mio Nobel&rdquo;.</p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O nono artigo, <I>Vidas reconhecidas: o projecto de Educa&ccedil;&atilde;o e Forma&ccedil;&atilde;o de Adultos na C&acirc;mara Municipal de Lisboa, </I>de Alexandra An&iacute;bal, Helder Tou&ccedil;as, Lu&iacute;sa Dornellas, Paula Morgadinho, Mafalda Seoane e Vanessa Ver&iacute;ssimo, descreve o modo como, no munic&iacute;pio de Lisboa, se concretizou o Processo de Reconhecimento, Valida&ccedil;&atilde;o e Certifica&ccedil;&atilde;o de Compet&ecirc;ncias, processo em que s&atilde;o valorizadas as compet&ecirc;ncias adquiridas pelos adultos atrav&eacute;s da sua experi&ecirc;ncia de vida e de trabalho, permitindo-lhes obter uma certifica&ccedil;&atilde;o equivalente aos diplomas escolares oficiais. Sublinhando que as implica&ccedil;&otilde;es se manifestam sobretudo a n&iacute;vel individual, com a eleva&ccedil;&atilde;o da auto-estima e o conhecimento de si pr&oacute;prios, os autores defendem que o Projecto constitui uma &ldquo;janela de oportunidade&rdquo; para adultos h&aacute; muito afastados do sistema de ensino formal.</p>    <p>A sec&ccedil;&atilde;o <I>Di&aacute;logos</I> inclui uma interessante entrevista com o matem&aacute;tico Ubiratan D&rsquo;Ambr&oacute;sio, Professor Em&eacute;rito da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e, actualmente, Professor da Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica (PUC) de S. Paulo. Na entrevista conduzida por Nuno Vieira, D&rsquo;Ambr&oacute;sio lembra que h&aacute; muitos modos de &ldquo;comparar, classificar, quantificar, medir, organizar e de inferir&rdquo;, constru&iacute;dos nos contextos culturais e de trabalho pelos seres humanos.  A Etnomatem&aacute;tica, movimento de que foi fundador no Brasil, busca associar essa diversidade de contextos culturais, onde est&atilde;o o idioma, a m&uacute;sica, a culin&aacute;ria, os costumes, &agrave; Did&aacute;ctica da Matem&aacute;tica. Uma entrevista a ler e debater por todos aqueles que procuram encontrar estrat&eacute;gias que combatam o insucesso e o desinteresse dos jovens pela Matem&aacute;tica e que defendem a cria&ccedil;&atilde;o das bases de uma Educa&ccedil;&atilde;o Multicultural.</p>    <p>Na habitual sec&ccedil;&atilde;o <I>Recens&atilde;o</I>, incluem-se duas leituras cr&iacute;ticas de obras muito diferentes.  Na primeira, Adriana Tenreiro apresenta (e descobre) o livro de Immanuel Kant, <I>Observations sur le sentiment du beau et du sublime</I>, originalmente publicado em 1764. Na segunda, Maria Jo&atilde;o Couto apresenta ao p&uacute;blico leitor de Portugu&ecirc;s o livro de metodologia recentemente publicado na Alemanha, <I>Generalization in Qualitative Psychology </I>(Verlag, 2007). Ambas as recens&otilde;es t&ecirc;m uma caracter&iacute;stica comum que a RLE tem incentivado desde primeiro n&uacute;mero: s&atilde;o apresentadas por estudantes de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o (mestrado e doutoramento); neste caso, a primeira, &eacute; da Universidade Lus&oacute;fona e, a segunda, da Universidade de Vigo.</p>    <p>O n&uacute;mero termina com tr&ecirc;s das suas habituais sec&ccedil;&otilde;es. Em <I>S&iacute;tios Digitais</I>, Vasco B. Gra&ccedil;a apresenta, desta vez, os blogs mais populares (em Portugal) no &acirc;mbito da Educa&ccedil;&atilde;o. Em <I>Not&iacute;cias</I> d&aacute;-se uma pequena ideia da multifacetada actividade cient&iacute;fica da UI&D Observat&oacute;rio de Pol&iacute;ticas de Educa&ccedil;&atilde;o e Contextos Educativos, o centro de investiga&ccedil;&atilde;o onde nasce a Revista. Por &uacute;ltimo, os resumos das Disserta&ccedil;&otilde;es de Mestrado em Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o realizadas em 2007 na Universidade Lus&oacute;fona.</p>     <p>Fazer (e afirmar) uma revista cient&iacute;fica s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel    com muitas cumplicidades, a come&ccedil;ar pela confian&ccedil;a dos autores    que submetem os seus artigos para publica&ccedil;&atilde;o. Aos nossos leitores    habituais deixamos um desafio nesta teia de cumplicidades: d&ecirc;em-nos a    conhecer a sua leitura cr&iacute;tica do n&uacute;mero que agora se torna p&uacute;blico.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><I>Aroeira, Abril de 2008</I></p>     <p><b> Ant&oacute;nio Teodoro</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>           <p>Boltanski, L. & Chiapello, E. (1999). <I>Le nouvel esprit du capitalisme</I>.          Paris : Gallimard.</p>           <p>Therborn, G. (2002). Foreward. Space and Learning. In A. N&oacute;voa & M. Lawn (Eds.). <I>Fabricating Europe. The Formation of an Education Space </I>(pp. 15-17)<I>. </I>Dordrecht: Kluwer Academic.</p>     ]]></body>
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