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</front><body><![CDATA[ <P> <B>Editorial </b></P>        <p>1. Pela primeira vez, a Revista Lus&oacute;fona de Educa&ccedil;&atilde;o    inclui na lista de plataformas onde est&aacute; indexada a refer&ecirc;ncia    &agrave; sua inclus&atilde;o na ISI Web of Knowledge, a mais importante plataforma    mundial de investiga&ccedil;&atilde;o. Para a&iacute; se chegar, enquanto revista    do Observat&oacute;rio de Pol&iacute;ticas de Educa&ccedil;&atilde;o e Contextos    Educativos, uma Unidade de Investiga&ccedil;&atilde;o & Desenvolvimento do n&oacute;vel    Instituto de Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade Lus&oacute;fona    de Humanidades e Tecnologias, h&aacute; todo um caminho que vem sendo paulatinamente    constru&iacute;do desde 1995-1996, e que importa recordar neste momento. </P>       <p>Desde essa data, foi-se constituindo uma equipa que levou &agrave; aprova&ccedil;&atilde;o, primeiro, da Licenciatura em Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o (Portaria n&ordm; 658/98, de 28 de Agosto), e, logo de seguida, do Mestrado em Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o, especializa&ccedil;&atilde;o em Educa&ccedil;&atilde;o, Desenvolvimento e Pol&iacute;ticas Educativas (Portaria n&ordm; 913/98, de 20 de Outubro). Sendo uma &aacute;rea cient&iacute;fica recente na academia portuguesa e, com cursos aut&oacute;nomos de Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o, apenas existente em algumas das universidades p&uacute;blicas de grande dimens&atilde;o e prest&iacute;gio (e.g., Universidades de Coimbra, Lisboa, Minho e Porto), esse empreendimento constituiu um desafio ao mesmo tempo ousado e estimulante, embora facilitado pela completa autonomia que nos foi dada pelos &oacute;rg&atilde;os da Universidade e pela integra&ccedil;&atilde;o no Departamento de Ci&ecirc;ncias Sociais e Humanas, um espa&ccedil;o onde a exig&ecirc;ncia e o rigor acad&eacute;micos, sem preocupa&ccedil;&otilde;es de lideran&ccedil;a e de reserva de espa&ccedil;o, andaram sempre a par. </P >    <p>A constitui&ccedil;&atilde;o da &aacute;rea de Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o, hoje autonomizada como Instituto de Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o, assentou no princ&iacute;pio b&aacute;sico de apenas convidar docentes que n&atilde;o acumulassem a doc&ecirc;ncia com o ensino superior p&uacute;blico, mas que, ao mesmo tempo, possu&iacute;ssem os mais elevados graus acad&eacute;micos (doutoramento e o mestrado). Simultaneamente, houve que criar um ambiente onde a investiga&ccedil;&atilde;o e a actividade cient&iacute;fica andassem a par com a doc&ecirc;ncia, pelo que se decidiu pela cria&ccedil;&atilde;o, em 1999, de um pequeno Centro de Estudos, ent&atilde;o designado de Observat&oacute;rio de Pol&iacute;ticas de Educa&ccedil;&atilde;o, integrado na Unidade de Ci&ecirc;ncias Sociais Aplicadas. Essa decis&atilde;o, considerada fundante de uma institui&ccedil;&atilde;o de ensino superior (tout court, sem qualquer outro adjectivo), conduziu &agrave; Unidade de Investiga&ccedil;&atilde;o & Desenvolvimento Observat&oacute;rio de Pol&iacute;ticas de Educa&ccedil;&atilde;o e Contextos Educativos (UI&D-OPECE), acreditada em 2003 como uma unidade de investiga&ccedil;&atilde;o aut&oacute;noma pela Funda&ccedil;&atilde;o para a Ci&ecirc;ncia e Tecnologia (FCT). </P >        <p>A afirma&ccedil;&atilde;o de uma Universidade passa pela possibilidade de atribuir    o mais elevado grau acad&eacute;mico:o doutoramento. Impossibilitada durante    alguns anos de ter o seu doutoramento autorizado, houve que recorrer a parcerias    que permitissem uma aprendizagem e um desenvolvimento do conhecimento inerente    &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o de um programa de doutoramento que respondesse    &agrave;s novas condi&ccedil;&otilde;es de procura e realiza&ccedil;&atilde;o    desse grau acad&eacute;mico. A op&ccedil;&atilde;o tomada foi a de estabelecer,    entre 2001 e 2005, uma parceria com a Universit&eacute; Lumi&egrave;re Lyon    2, uma das mais respeitadas universidades francesas no campo da educa&ccedil;&atilde;o    e forma&ccedil;&atilde;o. Em 2006, embora continuando a manter a coopera&ccedil;&atilde;o    cient&iacute;fica com Lyon 2, concretiz&aacute;mos um programa de doutoramento    em conv&eacute;nio com a Universidade Portucalense. Finalmente, pelo Despacho    n&ordm; 8288-AC/2007, do Ministro da Ci&ecirc;ncia, Tecnologia e Ensino Superior,    a Universidade Lus&oacute;fona viu reconhecido o seu programa de doutoramento    em Educa&ccedil;&atilde;o, provavelmente o primeiro a ser publicado em Di&aacute;rio    da Rep&uacute;blica no &acirc;mbito do chamado processo de Bolonha. Entretanto,    outros mestrados da &aacute;rea das Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o    foram autorizados (Educa&ccedil;&atilde;o Especial; Orienta&ccedil;&atilde;o    Educativa; Administra&ccedil;&atilde;o, Acompanhamento e Regula&ccedil;&atilde;o    da Educa&ccedil;&atilde;o; Bibliotecas Escolares e Literacias do S&eacute;culo    XXI; Forma&ccedil;&atilde;o Profissional; e Forma&ccedil;&atilde;o de Professores    em v&aacute;rias disciplinas e ciclos), ampliando e afirmando o Instituto de    Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o como uma unidade org&acirc;nica particularmente    voltada para os 2&ordm; e 3&ordm; ciclos universit&aacute;rios.</P >     <p>Tem sido este o ambiente acad&eacute;mico e intelectual onde, desde o 1&ordm;    semestre de 2003, se tem produzido a Revista Lus&oacute;fona de Educa&ccedil;&atilde;o.    Um ambiente que, embora com limitados recursos, se tem pautado por uma busca    de rigor e de servi&ccedil;o p&uacute;blico, valorizando o trabalho dos nossos    estudantes e permitindo &agrave; comunidade cient&iacute;fica dos pa&iacute;ses    de l&iacute;ngua portuguesa apresentar uma revista cient&iacute;fica que, em    apenas seis anos, se afirmou como uma das mais relevantes no campo das Ci&ecirc;ncias    da Educa&ccedil;&atilde;o. </P >     <P   >2. O n&uacute;mero que agora se apresenta foi elaborado no seio do Grupo de Investiga&ccedil;&atilde;o Mem&oacute;rias da Educa&ccedil;&atilde;o no Espa&ccedil;o Lus&oacute;fono, sob a militante e competente coordena&ccedil;&atilde;o de Jos&eacute; Br&aacute;s e Maria Neves Gon&ccedil;alves. Versando sobre Hist&oacute;ria da Educa&ccedil;&atilde;o, &eacute; o primeiro n&uacute;mero tem&aacute;tico desde a funda&ccedil;&atilde;o da Revista, em 2003. Seis anos depois, o objectivo editorial passa pela afirma&ccedil;&atilde;o da sua qualidade, pela divulga&ccedil;&atilde;o dos resultados da investiga&ccedil;&atilde;o realizada em diversas &aacute;reas tem&aacute;ticas e pela amplia&ccedil;&atilde;o dos horizontes de indexa&ccedil;&atilde;o da Revista a n&iacute;vel internacional. </P >       <P   >Rog&eacute;rio Fernandes, em <I>Ant&oacute;nio S&eacute;rgio: Notas Biogr&aacute;ficas</I>,      reconstitui a vida de um dos intelectuais portugueses mais brilhantes da primeira      metade do S&eacute;c. XX. A partir, sobretudo, de documentos epistologr&aacute;ficos,      estabelece a analogia entre a sua biografia, actividades profissionais, pol&iacute;ticas      e pedag&oacute;gicas. O autor afirma que &laquo;S&eacute;rgio n&atilde;o deixou      de manifestar o seu apego a uma pedagogia derivada dos fundamentos da escola      nova&raquo; e a sua pr&aacute;tica docente foi sempre orientada no sentido      de um ensino activo a partir de documentos rigorosamente seleccionados. S&eacute;rgio      foi, ainda, o promotor da constitui&ccedil;&atilde;o dos centros de recursos,      mais tarde museus pedag&oacute;gicos que vieram a constituir-se como n&uacute;cleos      de equipamento com o objectivo de renova&ccedil;&atilde;o dos m&eacute;todos      de ensino na perspectiva de um ensino activo. </P >       <p>No segundo artigo, <I>Gaulismo e capital humano. Um novo paradigma escolar</I>,Andr&eacute; Robert, exp&otilde;e a inova&ccedil;&atilde;o da Reforma do Sistema Educativo franc&ecirc;s na &eacute;poca do General De Gaulle tendo em conta que as reformas precedentes n&atilde;o tiveram um verdadeiro sucesso. Atrav&eacute;s da imposi&ccedil;&atilde;o de um novo paradigma educativo, centrado na massifica&ccedil;&atilde;o e selec&ccedil;&atilde;o e articulado com a teoria do capital humano, o autor defende que esta pol&iacute;tica teve sucesso no que diz respeito &agrave; democratiza&ccedil;&atilde;o do ensino na dimens&atilde;o do acesso, o mesmo n&atilde;o acontecendo em rela&ccedil;&atilde;o ao sucesso, isto &eacute;, na cria&ccedil;&atilde;o de oportunidades de acesso dos mais desfavorecidos aos graus mais prestigiantes. </P >    <p>O terceiro artigo, <I>Mem&oacute;ria para a frente, e&hellip; o resto &eacute; lotaria dos exames. A reforma do ensino liceal em 1947</I>, de autoria de &Aacute;urea Ad&atilde;o e Maria Jos&eacute; Rem&eacute;dios, tem como objecto de estudo a reforma do ensino liceal em 1947, em pleno Estado Novo. As autoras utilizaram como fontes priorit&aacute;rias de pesquisa os Arquivos do Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o e as Actas das sess&otilde;es da Assembleia Nacional. Com este estudo, pretendem p&ocirc;r em relevo o sentir dos deputados sobre o funcionamento dos liceus e o papel desempenhado pela imprensa da &eacute;poca na (in)forma&ccedil;&atilde;o da opini&atilde;o p&uacute;blica sobre o sentido e valor da referida reforma. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O quarto artigo, <I>A escola rural em Espanha na primeira fase do franquismo (19391951) </I>de Jos&eacute; Maria Hern&aacute;ndez D&iacute;az, centra-se no ensino prim&aacute;rio durante a primeira fase do franquismo. Sendo a Espanha interior profundamente cat&oacute;lica e conservadora, a aposta na escola rural constituiu um dos principais meios de ideologiza&ccedil;&atilde;o franquista. Atrav&eacute;s de persegui&ccedil;&otilde;es e depura&ccedil;&otilde;es ideol&oacute;gicas, o franquismo avan&ccedil;a com a implementa&ccedil;&atilde;o de um novo modelo escolar que seja capaz de &ldquo;construir na inf&acirc;ncia novos h&aacute;bitos de ordem, responsabilidade e compromisso com a p&aacute;tria&rdquo;. Num regime conservador e totalit&aacute;rio, a escola rural dessa Espanha interior, ent&atilde;o profunda, cat&oacute;lica, conservadora, rural, &eacute; a que deve ser considerada como a &ldquo;deposit&aacute;ria das ess&ecirc;ncias nacionais, face a toda a intromiss&atilde;o estrangeira contaminada por fragilidades e por ideias liberais&rdquo;. </P >       <p>Joaquim Pintassilgo aborda, no quinto artigo, <I>O associativismo docente do      ensino liceal portugu&ecirc;s durante o per&iacute;odo republicano e a sua      imprensa. As representa&ccedil;&otilde;es dos professores sobre a profiss&atilde;o      e a constru&ccedil;&atilde;o de identidades</I>. A finalidade deste estudo      &eacute; discutir o papel do associativismo docente e da sua imprensa no que      diz respeito &agrave; produ&ccedil;&atilde;o de representa&ccedil;&otilde;es      sobre a profiss&atilde;o docente e respectiva identidade profissional. As      quest&otilde;es de partida prendem-se com as dimens&otilde;es axiol&oacute;gicas,      deontol&oacute;gicas, associativas e reivindicativas. Efectivamente, a no&ccedil;&atilde;o      de profiss&atilde;o docente &eacute; tomada aqui, n&atilde;o na sua dimens&atilde;o      abstracta, mas como uma constru&ccedil;&atilde;o social e hist&oacute;rica      &ldquo;atrav&eacute;s da qual foram sendo incorporadas, em momentos e com      intensidades diferentes, diversas componentes&rdquo;, tais como o exerc&iacute;cio      de compet&ecirc;ncias a partir de um corpo s&oacute;lido de conhecimentos,      um percurso de forma&ccedil;&atilde;o conducente a uma certifica&ccedil;&atilde;o      e a cren&ccedil;a na elevada fun&ccedil;&atilde;o social da profiss&atilde;o      docente. </P >       <p>O sexto artigo, <I>Mulheres professoras nos Institutos de Ensino Secund&aacute;rio. Acesso e caracter&iacute;sticas em Espanha</I>, de autoria de Consuelo Flecha, d&aacute; conta do processo de feminiza&ccedil;&atilde;o que afectou o professorado oficial do ensino secund&aacute;rio em Espanha, desde a origem da incorpora&ccedil;&atilde;o das mulheres na doc&ecirc;ncia do bacharelato atribu&iacute;do pelos Institutos na segunda d&eacute;cada do s&eacute;culo XX, at&eacute; &agrave; generaliza&ccedil;&atilde;o da sua presen&ccedil;a a partir da Lei Geral de Educa&ccedil;&atilde;o de 1970. Por se enquadrar na tem&aacute;tica dos estudos sobre mulheres e, qui&ccedil;&aacute;, no &acirc;mbito das epistemologias alternativas, adquire uma relev&acirc;ncia especial na Revista Lus&oacute;fona de Educa&ccedil;&atilde;o. Apesar de todos os obst&aacute;culos -quer no que diz respeito &agrave; legisla&ccedil;&atilde;o e aos discursos adversos ao desempenho de fun&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas por parte das mulheres, durante as primeiras d&eacute;cadas do franquismo, quer de circunst&acirc;ncias econ&oacute;micas e culturais desse mesmo per&iacute;odo -a presen&ccedil;a feminina foi-se afirmando num &acirc;mbito de transmiss&atilde;o de conhecimentos rodeado de prest&iacute;gio social e profissional. Ao longo da Hist&oacute;ria, as pr&aacute;ticas educativas protagonizadas pelas mulheres, pela sua realidade e simbolismo, contribu&iacute;ram para a transforma&ccedil;&atilde;o da consci&ecirc;ncia social em rela&ccedil;&atilde;o aos direitos inalien&aacute;veis das mulheres de entrada num mercado profissional qualificado. </P >    <p><I>A higiene e o governo das almas: o despertar de uma nova rela&ccedil;&atilde;o</I>, da autoria de Jos&eacute; Br&aacute;s, constitui o s&eacute;timo artigo. Trabalhando as quest&otilde;es da sa&uacute;de, da corporeidade e da educa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica, a partir de um novo paradigma antropol&oacute;gico, tomando Foucault como uma das principais refer&ecirc;ncias te&oacute;ricas, o autor reflecte sobre os processos de mudan&ccedil;a que conduziram &agrave; reconstru&ccedil;&atilde;o dos quadros mentais, psicol&oacute;gicos e comportamentais. Nesta perspectiva, os novos discursos produzidos sobre as pr&aacute;ticas de higiene configuraram pensamentos e regularam a vida afectivo-emocional. Em nome da higiene, afirma o autor, &ldquo;iniciou-se a guerra contra a degrada&ccedil;&atilde;o biol&oacute;gica, contra as influ&ecirc;ncias nocivas ao desenvolvimento da sociedade saud&aacute;vel&rdquo;. O que est&aacute; em causa &eacute; a constru&ccedil;&atilde;o de uma nova <I>gram&aacute;tica do governo das almas</I>. </P >     <p>Maria Jo&atilde;o Mogarro faz, no oitavo artigo, uma reflex&atilde;o sobre as    <I>Comemora&ccedil;&otilde;es, rituais e quotidianos na forma&ccedil;&atilde;o    de professores (1959-1989)</I>.A an&aacute;lise dos discursos produzidos sobre    a vida escolar pela Escola do Magist&eacute;rio Prim&aacute;rio de Portalegre,    entre 1959 e 1989, tal como dos respectivos actores educativos, permite inferir    o tipo de valores, normas e regras que, durante esse per&iacute;odo, enquadraram    os processos de forma&ccedil;&atilde;o e a actividade profissional. Estabelecendo    o confronto entre dois per&iacute;odos configurados por regimes pol&iacute;ticos    diferentes, a autora conclui, a partir de uma an&aacute;lise de uma multiplicidade    e variedade de documentos que, apesar de as ideias dominantes em cada um dos    per&iacute;odos terem tido uma presen&ccedil;a inquestion&aacute;vel e condicionante,    foi naquele espa&ccedil;o e temporalidade que se encontraram os actores educativos,    que se desenvolveram m&uacute;ltiplas actividades e onde ganharam sentido os    percursos de forma&ccedil;&atilde;o dos alunos e a actividade profissional dos    docentes. </P >       <p>No nono artigo, Anabela Mimoso, num interessante e original estudo sobre a import&acirc;ncia      dos prov&eacute;rbios para a Hist&oacute;ria da Educa&ccedil;&atilde;o, <I>Prov&eacute;rbios:      uma fonte para a Hist&oacute;ria da Educa&ccedil;&atilde;o</I>, defende que      as express&otilde;es lingu&iacute;sticas proverbiais continuam a seduzir o      leitor pelo seu simbolismo e pelo sentido que encerram. A dimens&atilde;o      est&eacute;tica dos prov&eacute;rbios est&aacute; no uso metaf&oacute;rico      da linguagem, no duplo sentido que ostentam e na sua dimens&atilde;o humor&iacute;stica.      Ao abordarem aspectos fundamentais da vida, s&atilde;o express&otilde;es de      transmiss&atilde;o de conhecimento do senso comum e veiculadoras de valores.      Nesta perspectiva, atrav&eacute;s de uma hermen&ecirc;utica das express&otilde;es      de duplo sentido, a autora procura responder a algumas quest&otilde;es que      enuncia: qual a import&acirc;ncia conferida pelos prov&eacute;rbios &agrave;      Educa&ccedil;&atilde;o e aos educadores e que tipo de saberes s&atilde;o mais      valorizados pelos prov&eacute;rbios? </P >       <p>Em <I>Di&aacute;logos</I>, Maria do Ros&aacute;rio Batalha conversa com M&aacute;rio Soares, um dos pol&iacute;ticos mais marcantes na sociedade portuguesa nos &uacute;ltimos trinta anos. Um testemunho do filho sobre o seu pr&oacute;prio pai, Jo&atilde;o Soares, pedagogo republicano, fundador do Col&eacute;gio Moderno, combatente antifascista e, seguramente, uma figura de uma integridade moral incomensur&aacute;vel, marcante na constru&ccedil;&atilde;o da personalidade de M&aacute;rio Soares. </P >    <p>Na sec&ccedil;&atilde;o <I>Recens&atilde;o</I>, Jos&eacute; Br&aacute;s e Maria Neves fazem uma an&aacute;lise detalhada das obras <I>Globaliza&ccedil;&atilde;o e Educa&ccedil;&atilde;o. Pol&iacute;ticas educacionais e novos modos de governa&ccedil;&atilde;o</I>, de Ant&oacute;nio Teodoro (2003) e <I>Forma&ccedil;&atilde;o Inicial de Professores de Educa&ccedil;&atilde;o F&iacute;sica. Testemunho e compromisso</I>, de Jorge Proen&ccedil;a (2008). A primeira &eacute; uma obra de leitura obrigat&oacute;ria para entender os processos de regula&ccedil;&atilde;o transnacional nas pol&iacute;ticas educativas contempor&acirc;neas; a segunda, de publica&ccedil;&atilde;o recente, &eacute; uma obra fundamental para a forma&ccedil;&atilde;o em Educa&ccedil;&atilde;o F&iacute;sica e Desporto e, particularmente, no que diz respeito &agrave; supervis&atilde;o pedag&oacute;gica e &agrave; necessidade de forma&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua dos docentes. </P >    <p>Maria Clara Lino faz uma an&aacute;lise detalhada da obra <I>A Escrita da Hist&oacute;ria</I>, de Jos&eacute; Mattoso (1988). Sendo uma publica&ccedil;&atilde;o com vinte anos, mant&eacute;m a sua actualidade dado que o autor reconhece as contradi&ccedil;&otilde;es do comportamento humano, averiguando, por detr&aacute;s delas, as harmonias resultantes da simbiose de elementos dispersos e contradit&oacute;rios como a pr&oacute;pria exist&ecirc;ncia do Homem. O fasc&iacute;nio pelos encontros e desencontros, converg&ecirc;ncias e diverg&ecirc;ncias conduzem o autor &agrave; descoberta de uma poss&iacute;vel concilia&ccedil;&atilde;o entre a percep&ccedil;&atilde;o do inexprim&iacute;vel e a constru&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica do texto historiogr&aacute;fico. </P >    <p>A sec&ccedil;&atilde;o <I>S&iacute;tios Digitais </I>disponibiliza um conjunto de s&iacute;tios que, grosso modo, cont&ecirc;m informa&ccedil;&otilde;es sobre Congressos, centros de pesquisa, museus e arquivos, e tamb&eacute;m um conjunto de liga&ccedil;&otilde;es (links) para outras p&aacute;ginas da Internet relacionadas com as tem&aacute;ticas em an&aacute;lise. </P >       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na sec&ccedil;&atilde;o <I>Not&iacute;cias </I>d&aacute;-se conta de algumas      confer&ecirc;ncias realizadas a n&iacute;vel nacional e internacional com      a participa&ccedil;&atilde;o de investigadores da Unidade de Investiga&ccedil;&atilde;o      do Instituto de Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o e divulgam-se algumas      das actividades realizadas no &acirc;mbito do grupo de investiga&ccedil;&atilde;o      Mem&oacute;rias da Educa&ccedil;&atilde;o no Espa&ccedil;o Lus&oacute;fono.    </P >       <p>No cumprimento de um dos aspectos da pol&iacute;tica editorial da Revista Lus&oacute;fona      de Educa&ccedil;&atilde;o, divulgam-se alguns dos resumos de teses de mestrado      defendidas no ano de 2007, na Universidade Lus&oacute;fona, nas &aacute;reas      das Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o e de Supervis&atilde;o Pedag&oacute;gica      em Educa&ccedil;&atilde;o F&iacute;sica e Desporto. </P >       <p>&nbsp;</P >       <p>Lisboa, Novembro de 2008 </P >       <P   align="right"><B>Ant&oacute;nio Teodoro & Manuel Tavares</b> </P>       <P   align="right"></P>      ]]></body>
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