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</front><body><![CDATA[ <p><B>Editorial</B></P>      <p><I>Some people say that our economic problems are structural, with no quick cure available; but  I believe that the only important structural obstacles to world prosperity are the obsolete  doctrines that clutter the minds of men.</I></P>      <p align="right">- Paul Krugman (2009: 191)</P>      <p><B>1. </B>A globaliza&ccedil;&atilde;o neoliberal, hegem&oacute;nica desde os anos 1980, assentou na  <I>velha</I> ideia de que os governos, todos os governos, deviam deixar livre o caminho &agrave;s grandes e  eficientes empresas nos seus esfor&ccedil;os para competir no mercado mundial. Essa velha ideia, ciclicamente  na moda, conduziu, segundo Wallerstein (2008), a tr&ecirc;s ordens de implica&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas:  a primeira, &eacute; que (todos) os governos deviam permitir que as corpora&ccedil;&otilde;es tivessem toda a  liberdade para atravessar fronteiras com os seus bens e os seus capitais; a segunda, &eacute; que (todos) os  governos deviam renunciar a qualquer propriedade de meios de produ&ccedil;&atilde;o, privatizando as empresas  p&uacute;blicas e criando mercados em sectores onde n&atilde;o existissem (sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o,  &aacute;gua); a terceira, (todos) os governos deviam minimizar, se n&atilde;o mesmo eliminar, toda a esp&eacute;cie  de bem-estar social assente na redistribui&ccedil;&atilde;o de rendimentos, desmantelando o Estado Provid&ecirc;ncia. </P>     <p>Nesses anos de 1980, essas <I>velhas</I> ideias da globaliza&ccedil;&atilde;o neoliberal foram apresentadas como  contraponto &agrave;s tamb&eacute;m <I>velhas </I>ideias Keynesianas e socialistas, que prevaleciam em muitos  pa&iacute;ses em diferentes espa&ccedil;os do sistema mundial: que as economias deviam ser mistas, podendo o Estado  manter sob o seu controlo empresas e actividades consideradas estrat&eacute;gicas; que os governos deviam proteger  os seus cidad&atilde;os da depreda&ccedil;&atilde;o das grandes corpora&ccedil;&otilde;es estrangeiras, funcionando  em regime de monop&oacute;lio ou quase-monop&oacute;lio; que os governos deviam tentar equalizar as oportunidades de  uma vida digna, transferindo benef&iacute;cios para os menos favorecidos (especialmente em educa&ccedil;&atilde;o,  sa&uacute;de e seguran&ccedil;a social na velhice), o que requeria uma pol&iacute;tica de impostos fortemente  regressiva, penalizando os maiores rendimentos e os lucros das corpora&ccedil;&otilde;es empresariais (Wallerstein,  2008).</P>     <p>A ofensiva neoliberal verificou-se ap&oacute;s as crises econ&oacute;micas dos anos 1970, com problemas graves  na balan&ccedil;a de pagamentos de muitos pa&iacute;ses, especialmente do Sul e dos chamados pa&iacute;ses socialistas,  e a diminui&ccedil;&atilde;o acentuada dos lucros das grandes empresas no Norte. O consenso de Washington,  constru&iacute;do sob a direc&ccedil;&atilde;o e impulso dos governos de Reagan e Thatcher e a activa  participa&ccedil;&atilde;o das duas principais ag&ecirc;ncias financeiras intergovernamentais &ndash; Fundo  Monet&aacute;rio Internacional e Banco Mundial, representa o conjunto de receitas recomendadas (ou impostas) para  todos os pa&iacute;ses, independentemente do seu est&aacute;dio de desenvolvimento ou localiza&ccedil;&atilde;o no  sistema mundial. A crise financeira de 2008, antecedida de m&uacute;ltiplos sinais que apontavam j&aacute; para a  necessidade de um p&oacute;s-consenso de Washington, veio desocultar os resultados desastrosos para as  condi&ccedil;&otilde;es de vida dos mais desfavorecidos (pa&iacute;ses, regi&otilde;es, classes e grupos sociais  marginalizados) desse ciclo hegemonizado pelo neoliberalismo e a sua forma dominante de globaliza&ccedil;&atilde;o.</P>     <p>O neoliberalismo n&atilde;o se delimita &agrave; actividade econ&oacute;mica. Atinge todos os sectores da vida humana  e assumiu-se como uma tecnologia de governo. Na educa&ccedil;&atilde;o significou uma mudan&ccedil;a radical de prioridades  na agenda pol&iacute;tica: o ideal social-democrata da igualdade de oportunidades, que esteve na base da fort&iacute;ssima  expans&atilde;o educativa do p&oacute;s-segunda guerra, foi substitu&iacute;do por um vago conceito de <I>qualidade</I>,  ponto de partida da trilogia reformadora das &uacute;ltimas duas d&eacute;cadas &ndash; competitividade,  <I>accountability</I> e performatividade.   </P>     <p>As pol&iacute;ticas de educa&ccedil;&atilde;o, sobretudo depois dos anos 1990, foram inclu&iacute;das como uma  quest&atilde;o central da agenda da globaliza&ccedil;&atilde;o neoliberal: a considera&ccedil;&atilde;o do conhecimento  como uma <I>commodity</I> transacion&aacute;vel relegou para segundo plano os factores potenciais de  emancipa&ccedil;&atilde;o e de mobilidade social inerentes ao acto educativo e ao projecto de uma<I>  educa&ccedil;&atilde;o para todos</I>. Muito provavelmente, &agrave; agenda global hegem&oacute;nica no campo da  educa&ccedil;&atilde;o imposta a partir desse conceito de <I>qualidade </I>se deva contrapor uma outra assente na  palavra-chave da<I> coes&atilde;o social</I>, o que implicar&aacute; uma preocupa&ccedil;&atilde;o dominante com a  equidade, a inclus&atilde;o educativa e a celebra&ccedil;&atilde;o de boas pr&aacute;ticas. </P>     <p>Tal como nos anos 1970, estamos a viver momentos de <I>bifurca&ccedil;&atilde;o</I>, onde a interven&ccedil;&atilde;o  cidad&atilde;, nos seus diferentes espa&ccedil;os, da ci&ecirc;ncia &agrave; interven&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica,  se apresenta como particularmente determinante. Mas, tamb&eacute;m aqui, no espa&ccedil;o da educa&ccedil;&atilde;o, a  <I>fortuna &eacute; de quem a agarrar</I>.</P>     <p><B>2. </B>Como conclui o Nobel da Economia, Paul Krugman, o que precisamos, nos tempos actuais, &eacute; de ultrapassar  <I>doutrinas obsoletas</I> que pretenderam reduzir a educa&ccedil;&atilde;o a uma &uacute;nica dimens&atilde;o, a  econ&oacute;mica, ou seja, de um espa&ccedil;o difusor de um conhecimento entendido como <I>commodity </I> transacion&aacute;vel, retirando a esse conhecimento a sua mais importante dimens&atilde;o: a  <I>emancipa&ccedil;&atilde;o humana</I>. Da&iacute; a import&acirc;ncia da cr&iacute;tica e da alternativa, em todos  os planos, da ci&ecirc;ncia &agrave; interven&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica cidad&atilde;. O presente n&uacute;mero  da <I>Revista Lus&oacute;fona de Educa&ccedil;&atilde;o </I>insere-se neste prop&oacute;sito, no seu campo  espec&iacute;fico, o das ci&ecirc;ncias da educa&ccedil;&atilde;o. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O primeiro artigo, <I>Nem tudo o que conta em educa&ccedil;&atilde;o &eacute; mensur&aacute;vel ou compar&aacute;vel.  </I><I>Cr&iacute;tica &agrave; accountability baseada em testes estandardizados e rankings escolares</I>, de Almerindo J.  Afonso, constitui uma densa e vigorosa an&aacute;lise cr&iacute;tica de um dos dogmas do pensamento neoliberal  (e neoconservador) contempor&acirc;neo: de que os testes estandartizados constituem o principal instrumento de  <I>accountability</I> (presta&ccedil;&atilde;o de contas) em educa&ccedil;&atilde;o. O autor conclui por um apelo  &agrave; comunidade acad&eacute;mica e cient&iacute;fica para que se envolva na constru&ccedil;&atilde;o de modelos  alternativos democr&aacute;ticos de presta&ccedil;&atilde;o de contas, que possam responder &agrave; complexidade do  acto educativo.</P>     <p>No segundo artigo, <I>O outro lado da implementa&ccedil;&atilde;o do LMD em Fran&ccedil;a: um novo quadro para  pensar as pol&iacute;ticas de educa&ccedil;&atilde;o e de forma&ccedil;&atilde;o</I>, Jean-Louis Derouet procede a uma  an&aacute;lise cr&iacute;tica da &ldquo;implementa&ccedil;&atilde;o suave&rdquo; da estrutura <I>License-</I> <I>Master-Doctorat </I>(LMD) no ensino superior em Fran&ccedil;a. O autor defende que, &agrave; <I>boleia</I> do  processo de Bolonha, em cuja origem ali&aacute;s esteve o Ministro franc&ecirc;s da Educa&ccedil;&atilde;o, Claude  All&egrave;gre, o que se verifica &eacute; uma mudan&ccedil;a do modo de forma&ccedil;&atilde;o das elites, fruto  da substitui&ccedil;&atilde;o de um quadro de refer&ecirc;ncia nacional por um internacional. &ldquo;N&atilde;o se  trata tanto da reprodu&ccedil;&atilde;o da cultura cl&aacute;ssica como de uma integra&ccedil;&atilde;o precoce em  redes internacionais&rdquo;, conclui em s&iacute;ntese Derouet.</P>     <p>Vasco Gra&ccedil;a, no terceiro artigo, <I>Sobre o financiamento da Educa&ccedil;&atilde;o: condicionantes globais  e realidades nacionais, </I>desconstr&oacute;i e desmistifica a ret&oacute;rica dos discursos pol&iacute;ticos dos grandes  investimentos no sector da educa&ccedil;&atilde;o, bem como os supostos fracos resultados dos alunos portugueses  apresentados pelo PISA. Efectivamente, desde meados do S&eacute;culo XIX at&eacute; ao final do S&eacute;culo XX,  per&iacute;odo decisivo na constru&ccedil;&atilde;o dos sistemas educativos europeus, Portugal &eacute; um dos  pa&iacute;ses europeus com o mais baixo &iacute;ndice de investimento na educa&ccedil;&atilde;o. Atrav&eacute;s de um  estudo rigoroso, fundamentado em estat&iacute;sticas nacionais e internacionais das despesas com a educa&ccedil;&atilde;o,  contraria a tese, persistentemente defendida, dos elevados investimentos de Portugal nesse sector. Relativamente aos  resultados dos alunos portugueses no PISA, e tendo em considera&ccedil;&atilde;o que Portugal &eacute; um dos  pa&iacute;ses onde a desigualdade &eacute; mais acentuada, apenas ultrapassada pela Turquia e pelo M&eacute;xico, o  autor afirma que &laquo;os dados do PISA parecem indicar que, dentro dos condicionalismos s&oacute;cio-culturais  existentes em Portugal, a escola portuguesa realiza uma ac&ccedil;&atilde;o merit&oacute;ria designadamente na sua  capacidade de valorizar a aprendizagem dos alunos, sobretudo quando estes t&ecirc;m um estatuto s&oacute;cio-econ&oacute;mico e cultural mais desfavor&aacute;vel.&raquo; No quadro de uma pol&iacute;tica neo-liberal e tendo em conta as  exig&ecirc;ncias internacionais no dom&iacute;nio das pol&iacute;ticas educativas e o sub-investimento hist&oacute;rico  de Portugal na educa&ccedil;&atilde;o, o autor defende que n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel corresponder &agrave;s  orienta&ccedil;&otilde;es e metas globalmente tra&ccedil;adas para o pa&iacute;s pela UE e OCDE sem proceder a um aumento  de investimento na educa&ccedil;&atilde;o.</P>     <p>No quarto artigo, <I>As explica&ccedil;&otilde;es em estudo de caso: alguns dados da cidade de </I><I>Aquarela</I>,  de autoria de Jorge Adelino Costa, Ant&oacute;nio Neto Mendes e Alexandre Ventura, discute-se e problematiza-se, a partir  de um estudo emp&iacute;rico, a globaliza&ccedil;&atilde;o do fen&oacute;meno das <I>explica&ccedil;&otilde;es. </I>  Os autores defendem que este fen&oacute;meno se repercute nas pol&iacute;ticas educativas e tem in&uacute;meras  implica&ccedil;&otilde;es nos resultados escolares dos alunos. As investiga&ccedil;&otilde;es efectuadas revelam que  s&atilde;o os alunos que pertencem aos grupos sociais mais favorecidos que usufruem desta mais-valia na sua aprendizagem.  Estamos, assim, perante &ldquo;novos herdeiros&rdquo; que, para al&eacute;m da deten&ccedil;&atilde;o do capital cultural  que lhes permite adaptarem-se mais facilmente &agrave;s exig&ecirc;ncias escolares do que os alunos provenientes de grupos  sociais desfavorecidos, usufruem de mais aprendizagens, de outro capital cultural que funciona como vantagem competitiva  na concorr&ecirc;ncia com os seus colegas menos favorecidos.</P>     <p>O quinto artigo, <I>Educa&ccedil;&atilde;o e transforma&ccedil;&atilde;o social hoje: Alguns desafios  pol&iacute;tico-pedag&oacute;gicos</I>, de Danilo R. Streck,  tem como quadro de fundo a crise das utopias e a  reconfigura&ccedil;&atilde;o dos tempos e dos lugares de aprendizagem; discute as possibilidades e limites de uma  pedagogia transformadora. Partindo do princ&iacute;pio de que o conceito de transforma&ccedil;&atilde;o social sofreu  deslocamentos sem&acirc;nticos, o autor problematiza o papel tradicional da escola numa &eacute;poca de conflito e  transi&ccedil;&atilde;o paradigm&aacute;tica a partir de m&uacute;ltiplas refer&ecirc;ncias te&oacute;ricas do  &acirc;mbito das pedagogias emancipat&oacute;rias. Um dos desafios que se coloca &agrave; Educa&ccedil;&atilde;o em  tempos de mudan&ccedil;a, afirma o autor, &eacute; ouvir as vozes do dissenso que se manifestam como resist&ecirc;ncia,  como insurg&ecirc;ncia ou, simplesmente, como estrat&eacute;gias de sobreviv&ecirc;ncia. A Educa&ccedil;&atilde;o &eacute;  um lugar de encontro onde o sonho &eacute; ainda poss&iacute;vel.</P>     <p><I>Os saberes e poderes da Reforma de 1905</I>, de Jos&eacute; Br&aacute;s e Maria Neves Gon&ccedil;alves, constitui  o sexto artigo. A Reforma do ensino liceal de 1905 correspondia aos anseios e expectativas da opini&atilde;o especializada.  Dada a necessidade de altera&ccedil;&atilde;o do regime de instru&ccedil;&atilde;o secund&aacute;ria que vigorava desde  1895, n&atilde;o s&oacute; ao n&iacute;vel curricular como das metodologias, bem como da aboli&ccedil;&atilde;o do livro  &uacute;nico, os autores centram a sua an&aacute;lise nas m&uacute;ltiplas manifesta&ccedil;&otilde;es de apoio ao  Projecto de Decreto-Lei, nos novos mecanismos de regula&ccedil;&atilde;o introduzidos pela proposta de lei, nas novas  rela&ccedil;&otilde;es entre as fam&iacute;lias e os liceus atrav&eacute;s da introdu&ccedil;&atilde;o do caderno escolar,  no desenvolvimento do ensino das l&iacute;nguas modernas, sobretudo da inglesa, e das ci&ecirc;ncias naturais e na  introdu&ccedil;&atilde;o da Educa&ccedil;&atilde;o F&iacute;sica nos curr&iacute;culos. Os autores defendem a tese de que  a Reforma de 1905 surge como um novo saber e poder. Para al&eacute;m dos argumentos apoiados em in&uacute;meras manifesta&ccedil;&otilde;es de apoio vindas dos mais diversos quadrantes, o argumento mais forte a favor da reforma reside no estado de decad&ecirc;ncia a que tinham chegado a sociedade e o pr&oacute;prio ensino, vozes silenciosas que reclamaram a necessidade de se introduzirem altera&ccedil;&otilde;es na forma&ccedil;&atilde;o das futuras elites.</P >    <p>No s&eacute;timo artigo,  <I>Avalia&ccedil;&atilde;o e fracasso escolar: quest&otilde;es para debate sobre a  democratiza&ccedil;&atilde;o da escola, </I>Maria Teresa Esteban discute as rela&ccedil;&otilde;es entre a  consolida&ccedil;&atilde;o de um sistema nacional de avalia&ccedil;&atilde;o, baseado em exames estandardizados, e uma  escola p&uacute;blica brasileira marcada por tens&otilde;es e conflitos. Os resultados dos exames nacionais e internacionais  revelam o fracasso da escola p&uacute;blica brasileira, resultados que expressam, simultaneamente, a incapacidade social  de produzir uma escola favor&aacute;vel a uma parcela substancial da popula&ccedil;&atilde;o que a frequenta. A autora  defende, em nome de uma verdadeira democratiza&ccedil;&atilde;o do sistema de ensino, uma profunda reflex&atilde;o sobre o  que &eacute; a educa&ccedil;&atilde;o, as suas bases e finalidades e sobre o que historicamente tem sido negado e  dever&aacute; ser incorporado nas din&acirc;micas pedag&oacute;gicas. Neste sentido, urge repensar a avalia&ccedil;&atilde;o  da aprendizagem tendo em considera&ccedil;&atilde;o as m&uacute;ltiplas ac&ccedil;&otilde;es quotidianas, procurando  captar, n&atilde;o os lugares fixos, mas os diferentes sentidos, conhecimentos, processos e culturas que se  entrela&ccedil;am nos encontros e desencontros que a escola promove.</P>     <p>O oitavo artigo, <I>Da exclus&atilde;o &agrave; inclus&atilde;o: concep&ccedil;&otilde;es e pr&aacute;ticas. Breve  perspectiva hist&oacute;rica</I>, de Maria Odete Emygdio Silva, &eacute; uma reflex&atilde;o sobre a necessidade  de forma&ccedil;&atilde;o de professores como factor fundamental para uma verdadeira educa&ccedil;&atilde;o inclusiva.  Depois de apresentar uma perspectiva hist&oacute;rica sobre as diversas formas de exclus&atilde;o e de  segrega&ccedil;&atilde;o, a autora centra a sua reflex&atilde;o no percurso que vai da integra&ccedil;&atilde;o &agrave;  inclus&atilde;o, sustentado num conjunto de decis&otilde;es e medidas tomadas no seio de organiza&ccedil;&otilde;es e  ag&ecirc;ncias internacionais, como as Na&ccedil;&otilde;es Unidas e a UNESCO. O movimento a favor da inclus&atilde;o foi  fortemente impulsionado pela Declara&ccedil;&atilde;o de Salamanca, de 1994, que defende a inclus&atilde;o de todas as  crian&ccedil;as com necessidades educativas especiais na escola regular, devendo esta ajustar-se a todas as crian&ccedil;as,  independentemente das suas diferen&ccedil;as. Fundamentando-se em diversos estudos emp&iacute;ricos, a autora conclui que  uma verdadeira educa&ccedil;&atilde;o inclusiva sup&otilde;e e implica uma forma&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua dos  professores, dado que os professores sem forma&ccedil;&atilde;o adequada se sentem profundamente inconfort&aacute;veis  e inseguros em lidar com as diferen&ccedil;as.</P>     <p>No nono artigo, <I>Ser&atilde;o realmente especiais as necessidades educativas dos alunos e alunas? A intencionalidade  do discurso, </I>Jes&uacute;s Molina Saor&iacute;n discute o conceito de necessidade educativa especial aplicado, apenas,  a uma parte dos alunos que frequentam o ensino regular. Defende, afinal, que todos os alunos, porque s&atilde;o diferentes,  t&ecirc;m necessidades educativas especiais e que o conceito, aplicado apenas a alguns alunos, aqueles que s&atilde;o  portadores de algum tipo de defici&ecirc;ncia, &eacute; um conceito excluente.</P>     <p>A direc&ccedil;&atilde;o da Revista Lus&oacute;fona de Educa&ccedil;&atilde;o decidiu cumprir o acordo ortogr&aacute;fico  a partir do pr&oacute;ximo n&uacute;mero. Neste sentido, Maria Manuel Calvet Ricardo apresenta na sec&ccedil;&atilde;o  <I>Documentos</I> uma perspectiva hist&oacute;rica sobre as altera&ccedil;&otilde;es que se foram produzindo no  l&eacute;xico portugu&ecirc;s e das novidades do actual acordo ortogr&aacute;fico. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na Sec&ccedil;&atilde;o <I>Recens&otilde;es</I>, Manuel Tavares faz uma recens&atilde;o cr&iacute;tica de  <I>Epistemologias </I><I>do Sul, </I>&uacute;ltima obra organizada por Boaventura de Sousa Santos e Maria Paula Menezes.  Ao longo da modernidade assistiu-se a uma esp&eacute;cie de epistemic&iacute;dio, ou seja, &agrave; destrui&ccedil;&atilde;o  de algumas formas de saber locais, &agrave; inferioriza&ccedil;&atilde;o de outros, desperdi&ccedil;ando-se, em nome dos  des&iacute;gnios do colonialismo, a riqueza de perspectivas presente na diversidade cultural e nas multifacetadas  vis&otilde;es do mundo por elas protagonizadas. Trata-se, pois, de propor, a partir da diversidade do mundo, um  pluralismo epistemol&oacute;gico que reconhe&ccedil;a a exist&ecirc;ncia de m&uacute;ltiplas vis&otilde;es que contribuam  para o alargamento dos horizontes da mundaneidade, de experi&ecirc;ncias e pr&aacute;ticas sociais e pol&iacute;ticas  alternativas.</P>     <p>Na continuidade do compromisso de apresentar aos leitores da Revista Lus&oacute;fona de Educa&ccedil;&atilde;o diversas  propostas de percursos de investiga&ccedil;&atilde;o <I>on line</I>, Vasco Gra&ccedil;a, em <I>S&iacute;tios Digitais, </I> descobre prof&iacute;cuos caminhos para o aprofundamento da pesquisa cient&iacute;fica na &aacute;rea da  Educa&ccedil;&atilde;o.</P>     <p>Em <I>Not&iacute;cias</I> d&aacute;-se conta de alguma da actividade cient&iacute;fica desenvolvida no &acirc;mbito  da UID-Observat&oacute;rio de Pol&iacute;ticas de Educa&ccedil;&atilde;o e dos Contextos Educativos.</P>     <p>Por &uacute;ltimo, na sec&ccedil;&atilde;o <I>Disserta&ccedil;&otilde;es</I>, para al&eacute;m dos resumos das  disserta&ccedil;&otilde;es defendidas nos mestrados de Educa&ccedil;&atilde;o e Educa&ccedil;&atilde;o Especial  &ndash; dom&iacute;nio cognitivo e motor -, apresenta-se o resumo da primeira tese de doutoramento defendida na  Universidade Lus&oacute;fona.</P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="right"><B>Ant&oacute;nio Teodoro & Manuel Tavares</B></P>      <p>Lisboa, Maio de 2009</P>      <p>&nbsp;</p>      <p><B>Refer&ecirc;ncias</B></P>     <p>Krugman, P. (2009). <I>The Return of Depression on Economic and the Crisis of 2008. </I> New York: Norton.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Wallerstein, I. (2008). 2008: The Demise of Neoliberal Globalization. Commentary    No. 226, Feb.1, 2008. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.binghamton.edu/fbc/226en.htm" target="_blank">http://www.binghamton.edu/fbc/226en.htm</a>,    em 17.11.2008.</P>       ]]></body>
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