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<publisher-name><![CDATA[Centro de Estudos e Intervenção em Educação e Formação (CeiEF)Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[As explicações em estudo de caso: alguns dados da cidade de Aquarela]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Private Tutoring as a subject in a case study: some results from Aquarela City]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Although private tutoring is an activity still in the shadows, it is today an increasingly globalized phenomenon, whose economical-financial, political and pedagogical dimensions are still faraway from a thorough analysis and reflection. If students resorting to tutoring (family members, classmates, friends, and even teachers) has always constituted a reality present in the learning process, the exponential development that the private tutoring market has known in the last decades has given it very different contours, with the traditional “domestic tutor” being replaced by firms, economical groups and several types of franchising situations that are multiplied by thousands of centres that can be found across the world. In this text we aim to present some data gathered in the research that we have been conducting on this matter, namely the results of questionnaires filled out by 12th year students attending the secondary schools located in a Portuguese city, which we have named Aquarela City. We will also analyse the repercussions that the phenomenon introduces into the field of educational policies and its implications in students’ school results. If, in the sixties, Bourdieu and Passeron introduced us to the “heirs”, today, we have before us the “new heirs”, as these students, besides possessing the cultural capital discussed by these authors, have, simultaneously, access to more of the learning that is required by the school that they officially attend, through complementary private strategies that they use as a competitive edge in the competition with classmates that are less favoured by this double family inheritance.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <P><B>As explica&ccedil;&otilde;es em estudo de caso: alguns dados da cidade de <I>Aquarela</I></B></P>      <p>&nbsp;</p>      <P>Jorge Adelino Costa, Ant&oacute;nio Neto-Mendes & Alexandre Ventura<a href="#0">*</a><a name="top0"></a>  </P>      <p>&nbsp;</p>      <p>As <I>explica&ccedil;&otilde;es</I>, n&atilde;o obstante tratar-se de uma actividade <I>ainda na sombra</I>,  constituem hoje um fen&oacute;meno crescentemente globalizado, cujas dimens&otilde;es econ&oacute;mico-financeiras,  pol&iacute;ticas e pedag&oacute;gicas se encontram ainda longe de uma an&aacute;lise e reflex&atilde;o suficientemente  sustentadas. Se o recurso por parte dos alunos ao apoio particular (familiares, colegas, amigos, ou mesmo professores)  sempre constituiu uma realidade presente nos processos de aprendizagem, o desenvolvimento exponencial que o <I>mercado  das explica&ccedil;&otilde;es</I> atingiu nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas infligiu-lhe contornos bem diferentes,  com o &ldquo;explicador dom&eacute;stico&rdquo; tradicional a ceder lugar &agrave; empresa, ao grupo econ&oacute;mico  e &agrave;s variad&iacute;ssimas situa&ccedil;&otilde;es de <I>franchising</I> que se multiplicam por milhares  de centros espalhados por todo o mundo. Neste artigo, pretendemos apresentar alguns dados da investiga&ccedil;&atilde;o  que temos vindo a desenvolver sobre o assunto, nomeadamente os resultados de question&aacute;rios aplicados a  alunos do 12&ordm; ano das escolas do ensino secund&aacute;rio de uma cidade portuguesa, a <I>Cidade Aquarela</I>.  Problematizaremos, ainda, esta quest&atilde;o atrav&eacute;s das repercuss&otilde;es que o fen&oacute;meno  introduz no quadro das pol&iacute;ticas educativas e suas implica&ccedil;&otilde;es nos resultados escolares dos  alunos. Se, nos anos sessenta, Bourdieu e Passeron nos apresentaram os &ldquo;herdeiros&rdquo;, hoje, estaremos  perante &ldquo;novos herdeiros&rdquo;, pois estes alunos, para al&eacute;m da deten&ccedil;&atilde;o do tal  <I>capital cultural</I> de que falavam os autores, usufruem, simultaneamente, de mais aprendizagens requeridas  pela escola que oficialmente frequentam, atrav&eacute;s de estrat&eacute;gias privadas complementares que fazem  valer como <I>vantagem </I><I>competitiva</I> na concorr&ecirc;ncia com os seus colegas menos favorecidos pela  dupla heran&ccedil;a familiar. </P>      <p><B>Palavras-chave:</B> Explica&ccedil;&otilde;es; mercado; escolas; sucesso; herdeiros</P>      <p>&nbsp;</p>      <P><B>Private Tutoring as a subject in a case study: some results from Aquarela City</B></P>      <P>Although private tutoring is an activity still in the shadows, it is today an increasingly globalized phenomenon, whose economical-financial, political and pedagogical dimensions are still faraway from a  thorough analysis and reflection. If students resorting to tutoring (family members, classmates, friends, and even teachers) has always constituted a reality present in the  learning process, the exponential development that the private tutoring market has known in the last decades has given it very different contours, with the traditional “domestic tutor”  being replaced by firms, economical groups and several types of franchising situations that are multiplied by thousands of centres that can be found across the world. In this text we aim to present some data gathered  in the research that we have been conducting on this matter, namely the results of questionnaires filled out  by 12th year students attending the secondary schools located in a Portuguese city, which we have named Aquarela City.  We will also analyse the repercussions that the phenomenon introduces into the field of educational policies  and its implications in students’ school results. If, in the sixties, Bourdieu and Passeron introduced us to  the “heirs”, today, we have before us the “new heirs”, as these students, besides possessing the cultural capital discussed by these authors, have, simultaneously, access to more of the learning that is required by the school that they officially attend,  through complementary private strategies that they use as a competitive edge in the competition with classmates  that are less favoured by this double family inheritance.</P>     <p><B>Keywords:</B> private tutoring; market; schools; success; heirs</P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p><B>Introdu&ccedil;&atilde;o</B></P>      <p>O recurso, por parte dos alunos, a terceiros no sentido de melhorar os resultados    escolares n&atilde;o constitui propriamente novidade: os familiares, os colegas,    os amigos, os vizinhos e mesmo os pr&oacute;prios professores sempre desempenharam    esta fun&ccedil;&atilde;o<Sup><a href="#1">1</a><a name="top1"></a></Sup>. Aquilo    que surge como novidade nos dias de hoje &eacute; o recurso sistem&aacute;tico,    massivo, incentivado e, de certa maneira, j&aacute; naturalizado a esta actividade,    pela via da oferta e da procura, e o desenvolvimento exponencial que este <I>mercado    das explica&ccedil;&otilde;es</I> atingiu nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas.    Ou seja, o &ldquo;explicador dom&eacute;stico&rdquo;, tradicional, cedeu lugar    &agrave; empresa, ao grupo econ&oacute;mico e &agrave;s variad&iacute;ssimas    situa&ccedil;&otilde;es de <I>franchising</I> que se multiplicam por milhares    de centros espalhados por todo o mundo e que questionam as pol&iacute;ticas    educativas e a escola formal.</P>     <p>Foram tamb&eacute;m estas as mudan&ccedil;as com que nos depar&aacute;mos em Portugal &ndash; acrescidas  do facto de se tratar de uma problem&aacute;tica esquecida da investiga&ccedil;&atilde;o da especialidade, bem  como das preocupa&ccedil;&otilde;es, pelo menos expl&iacute;citas, dos pol&iacute;ticos e dos actores escolares  em geral &ndash; que nos incentivaram a desenvolver investiga&ccedil;&atilde;o neste dom&iacute;nio. </P>     <p>Antes de mais, conv&eacute;m esclarecer que entendemos as <I>explica&ccedil;&otilde;es</I> &ldquo;como pr&aacute;ticas q ue correspondem a um servi&ccedil;o privado e remunerado, exercidas, geralmente, por professores fora da escola,  visando a melhoria do desempenho acad&eacute;mico, que se t&ecirc;m desenvolvido de uma forma extraordin&aacute;ria  desde a d&eacute;cada de 80 do s&eacute;culo XX em praticamente todo o Mundo&rdquo; (Costa, Mendes & Ventura, 2003: 56).</P>     <p>Foi, ent&atilde;o, a partir de 2001 que, na Universidade de Aveiro, inici&aacute;mos    a investiga&ccedil;&atilde;o nesta &aacute;rea &ndash; muita da qual se encontra    dispon&iacute;vel no s&iacute;tio do nosso projecto<Sup><a href="#2">2</a><a name="top2"></a></Sup>    &ndash; constituindo objectivo central de estudo proceder &agrave; an&aacute;lise    do fen&oacute;meno das explica&ccedil;&otilde;es na <I>Cidade Aquarela</I>.    &Eacute; nesta cidade &ndash; <I>Aquarela</I> &eacute; nome fict&iacute;cio    de uma cidade do territ&oacute;rio continental portugu&ecirc;s com uma popula&ccedil;&atilde;o    a rondar os 100.000 habitantes &ndash; que procuramos, em jeito de <I>estudo    de caso</I>, avaliar a dimens&atilde;o do fen&oacute;meno das explica&ccedil;&otilde;es,    quer no que diz respeito &agrave; oferta (n&uacute;mero e tipo de explicadores    e de centros de explica&ccedil;&otilde;es), quer, principalmente, no que se    relaciona com os alunos que frequentam estes servi&ccedil;os privados.</P>      <p><B>Os Explicadores na <I>Cidade Aquarela</I></B></P>      <p>Do levantamento efectuado num dos estudos sobre a oferta de explica&ccedil;&otilde;es    na <I>Cidade Aquarela</I> (Silveirinha & Costa, 2007), constat&aacute;mos que,    em 2006, a cidade dispunha: i) em termos de <I>Explicadores p&uacute;blicos</I>,    de quinze (15) Centros de Explica&ccedil;&otilde;es e de cinco (5) Escolas de    L&iacute;nguas (quer num caso, quer noutro, trata-se de empresas que t&ecirc;m    ao seu servi&ccedil;o v&aacute;rios explicadores); ii) no que diz respeito aos    <I>Explicadores dom&eacute;sticos</I>, cento e trinta e dois (132) indiv&iacute;duos    exerciam esta actividade<Sup><a href="#3">3</a><a name="top3"></a></Sup>, conforme    se pode ver no Quadro 1.</P>      <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><B>Quadro 1.</B> Oferta de explica&ccedil;&otilde;es e n&iacute;veis    de ensino leccionados na <I>Cidade Aquarela</I></P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<div align="CENTER"><img src="/img/revistas/rle/n13/13a05q1.gif"> </div>    
<p>&nbsp;</p>     <p>Relativamente ao tipo de oferta apresentada pelos <I>explicadores p&uacute;blicos</I>, os dados mostram que,  dos quinze (15) centros de explica&ccedil;&otilde;es analisados, as explica&ccedil;&otilde;es ao ensino  secund&aacute;rio est&atilde;o presentes em 80% dos centros; segue-se com 66% o 3&ordm; ciclo do ensino b&aacute;sico;  60% dos centros oferecem explica&ccedil;&otilde;es para n&iacute;vel universit&aacute;rio; em percentagem igual,  encontram-se os centros que d&atilde;o explica&ccedil;&otilde;es ao 2.&ordm; ciclo do ensino b&aacute;sico; por  &uacute;ltimo, 33,3% dos centros trabalham com o 1.&ordm; ciclo do ensino b&aacute;sico. </P>     <p>Quanto aos <I>explicadores dom&eacute;sticos</I>, o levantamento efectuado aponta para um total de cento e trinta  e dois (132). Tal como nos centros de explica&ccedil;&otilde;es, a oferta &eacute; grande e abrange diferentes  &aacute;reas curriculares e n&iacute;veis de ensino. Metade dos explicadores, 50%, lecciona o n&iacute;vel  secund&aacute;rio; 3% lecciona o n&iacute;vel universit&aacute;rio; 9% o 3.&ordm; ciclo; 7,5% o 2.&ordm; ciclo, e  apenas 2,2% o 1.&ordm; ciclo. Em 28% dos dados recolhidos n&atilde;o nos foi poss&iacute;vel identificar os  n&iacute;veis de ensino leccionados.</P>     <p>Relativamente &agrave;s <I>disciplinas</I> sobre as quais incide esta actividade, no caso dos centros de  explica&ccedil;&otilde;es, estes proporcionam explica&ccedil;&otilde;es a todas as disciplinas do curr&iacute;culo  escolar. No que diz respeito aos 132 explicadores <I>dom&eacute;sticos identificados</I>, em 83,3% dos casos  (correspondendo a 110), conseguimos reconhecer as disciplinas que leccionam, constatando-se que a disciplina com  maior n&uacute;mero de explicadores &eacute; a Matem&aacute;tica (31,8%); em segundo lugar aparece a F&iacute;sica  e a Qu&iacute;mica, com 22,7%; e em terceiro lugar, o Ingl&ecirc;s, com 10%.</P>     <p>De acordo com a an&aacute;lise que efectu&aacute;mos em trabalho anterior (Ventura, Neto-Mendes, Costa & Azevedo,  2006), tamb&eacute;m aqui nos deparamos com a oferta de explica&ccedil;&otilde;es quer como <I>actividade principal</I>,  caso dos explicadores que fazem parte dos centros de explica&ccedil;&otilde;es (os <I>p&uacute;blicos</I>), quer  como <I>actividade secund&aacute;ria</I>, a dos explicadores <I>dom&eacute;sticos</I>.</P>      <p><B>Os alunos que frequentam explica&ccedil;&otilde;es na<I> Cidade Aquarela</I></B></P>      <p>Uma outra vertente do estudo, que podemos considerar a principal, centra-se    na an&aacute;lise e tratamento de um inqu&eacute;rito por question&aacute;rio    que &eacute; aplicado, anualmente, desde 2002, a todos os alunos que se encontram    a terminar o 12&ordm; ano de escolaridade<Sup><a href="#4">4</a><a name="top4"></a></Sup>    nas quatro escolas secund&aacute;rias da <I>Cidade Aquarela</I>. O question&aacute;rio    referido &eacute; composto por 27 quest&otilde;es, na sua maioria de resposta    fechada e de escolha m&uacute;ltipla. Nele &eacute; pedido aos alunos para indicarem    elementos relativos &agrave; sua caracteriza&ccedil;&atilde;o pessoal, como    o g&eacute;nero e o agrupamento da estrutura curricular (&aacute;rea de especializa&ccedil;&atilde;o)    do ensino secund&aacute;rio que frequentam; elementos que se prendem com a caracteriza&ccedil;&atilde;o    da fam&iacute;lia, como o grau de instru&ccedil;&atilde;o dos pais e sua ocupa&ccedil;&atilde;o    profissional; elementos relacionados com a escola que frequentam, como a principal    raz&atilde;o que os levou a matricularem-se naquela escola e a sua opini&atilde;o    em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; turma em que est&atilde;o inseridos; aspectos    relacionados com o processo de ensino e aprendizagem, em que se colocam sobretudo    quest&otilde;es relativas &agrave; frequ&ecirc;ncia de explica&ccedil;&otilde;es;    e, por fim, elementos que dizem respeito &agrave;s inten&ccedil;&otilde;es de    prosseguimento de estudos no Ensino Superior.</P>     <p>Neste artigo, vamos socorrer-nos dos dados mais recentes que temos tratado: os respeitantes aos anos lectivos  de 2004/2005 e 2005/2006 (refira-se que, desde 2001/2002, tendo em conta uma m&eacute;dia anual de 500 question&aacute;rios  respondidos, j&aacute; recolhemos e trat&aacute;mos mais de 3000 question&aacute;rios). </P>     <p>Os Quadros 2 e 3 d&atilde;o-nos uma panor&acirc;mica global do fen&oacute;meno das explica&ccedil;&otilde;es na  <I>Cidade Aquarela</I> no que diz respeito especificamente aos alunos do 12&ordm; ano de escolaridade que, no final  dos anos lectivos de 2004/2005 e 2005/2006, frequentavam as quatro escolas secund&aacute;rias da localidade em  quest&atilde;o (como se depreender&aacute;, os nomes com se identificam as escolas s&atilde;o tamb&eacute;m  fict&iacute;cios). </P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p align="center"><B>Quadro 2:</B> Os alunos do 12&ordm; ano e as explica&ccedil;&otilde;es:    resultados das 4 escolas em 2004/2005</P>     <div align="CENTER"><img src="/img/revistas/rle/n13/13a05q2.gif"> </div>    
<p>&nbsp;</p>      <p align="center"><B>Quadro 3:</B> Os alunos do 12&ordm; ano e as explica&ccedil;&otilde;es:    resultados das 4 escolas em 2005/2006</P>      <div align="center"><img src="/img/revistas/rle/n13/13a05q3.gif"> </div>     
<p>Verifica-se uma percentagem elevada de alunos que frequentam explica&ccedil;&otilde;es, j&aacute; que, &agrave;  excep&ccedil;&atilde;o da <I>Escola</I> <I>Amarela</I> em 2005/2006 (e mesmo esta a aproximar-se do valor apresentado  pelas restantes), em todas as outras s&atilde;o mais de 50% os alunos com explica&ccedil;&otilde;es a pelo menos uma  disciplina.</P>     <p>Estes dados permitem-nos inferir que as explica&ccedil;&otilde;es n&atilde;o constituem um fen&oacute;meno pontual  e de dimens&atilde;o reduzida, mas assumem um pendor bem significativo, designadamente no ano de escolaridade aqui em  an&aacute;lise, o 12&ordm;. Constata-se, ainda, que s&atilde;o as escolas em que as habilita&ccedil;&otilde;es dos pais  dos alunos s&atilde;o de n&iacute;vel mais elevado aquelas em que as explica&ccedil;&otilde;es atingem valores superiores,  o que nos remete para a quest&atilde;o dos &ldquo;herdeiros&rdquo; de que daremos conta no ponto seguinte.</P>     <p>No que diz respeito ao tempo gasto, &agrave; excep&ccedil;&atilde;o da <I>Escola Rosa</I> em 2004/2005 (que ultrapassa  esses valores), a maioria dos alunos dedicava entre uma e tr&ecirc;s horas por semana a explica&ccedil;&otilde;es.  &Eacute; de salientar, no entanto, a percentagem de alunos que frequentava entre quatro e dez horas de  explica&ccedil;&otilde;es por semana, taxa essa que regista valores sempre acima dos 30%. </P>     <p>Relativamente &agrave; despesa mensal com explica&ccedil;&otilde;es, os alunos indicam-nos que despendem entre  71&euro; e 210&euro; por semana, &agrave; excep&ccedil;&atilde;o da <I>Escola Amarela</I> em 2005/2006 (onde metade  dos alunos gastava at&eacute; 70&euro;). </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em rela&ccedil;&atilde;o ao impacto das explica&ccedil;&otilde;es nos resultados dos alunos, se excluirmos a  <I>Escola Amarela</I> em 2004/2005, em todas as outras mais de 80% dos alunos que frequentavam explica&ccedil;&otilde;es  afirmaram que estas lhes tinham permitido obter melhores classifica&ccedil;&otilde;es. </P>     <p>Se atentarmos &agrave; &uacute;ltima coluna dos quadros apresentados, notamos    que a maioria dos alunos inquiridos mostrava interesse por realizar estudos    ao n&iacute;vel do ensino superior. A <I>Escola Amarela,</I> contudo, continua    a manter valores distintos das anteriores<Sup><a href="#5">5</a><a name="top5"></a></Sup>.  </P>     <p>Um outro aspecto que interessa referir &eacute; o que se relaciona com as disciplinas mais procuradas pelos alunos.  Embora os dados n&atilde;o constem dos Quadros indicados, a Matem&aacute;tica &eacute; a disciplina mais procurada  pelos alunos a que se seguem a F&iacute;sica, a Qu&iacute;mica e a Geometria Descritiva (por exemplo, em 2005/2006,  a Matem&aacute;tica foi referida em primeiro lugar com as seguintes percentagens: 58% na <I>Escola Azul</I>, 81%  na <I>Escola Rosa</I>, 86% na <I>Escola Verde</I> e 72% na <I>Escola Amarela</I>).</P>      <p><B>Explica&ccedil;&otilde;es e &ldquo;novos herdeiros&rdquo; na <I>Cidade Aquarela</I></B></P>      <p>Em meados dos anos sessenta, Bourdieu e Passeron (1964) apresentaram-nos os &ldquo;herdeiros&rdquo;: os  alunos provenientes das classes mais favorecidas que j&aacute; chegavam &agrave; escola possuidores de uma  heran&ccedil;a cultural sintonizada com a cultura acad&eacute;mica escolar (nomeadamente em termos de linguagem  e de valores), ou seja, que dispunham, contrariamente aos alunos filhos das classes desfavorecidas, de um <I>capital  cultural</I> que lhes permitia adaptarem-se mais facilmente &agrave;s exig&ecirc;ncias escolares. Os dados que  temos recolhido no &acirc;mbito dos nossos estudos sobre as explica&ccedil;&otilde;es (o perfil dos alunos e das  fam&iacute;lias, a escolha das escolas, o tempo e os encargos financeiros despendidos em explica&ccedil;&otilde;es,  os resultados, as expectativas futuras, etc.) aproximam-se, tamb&eacute;m, globalmente, da tese dos autores franceses. </P>     <p>Contudo, procur&aacute;mos desenvolver uma an&aacute;lise mais pormenorizada, no sentido de saber se as  explica&ccedil;&otilde;es nos colocam perante &ldquo;novas heran&ccedil;as&rdquo;. Ou seja, se, para al&eacute;m da  deten&ccedil;&atilde;o do tal <I>capital cultural</I> de que falavam os autores (&ldquo;primeira heran&ccedil;a&rdquo;),  estes alunos usufru&iacute;am, como complemento das aprendizagens oferecidas pela escola regular, de &ldquo;mais  ensino&rdquo; atrav&eacute;s de estrat&eacute;gias privadas dirigidas para os servi&ccedil;os de explica&ccedil;&otilde;es  (&ldquo;segunda heran&ccedil;a&rdquo;). Para o efeito, relacion&aacute;mos a frequ&ecirc;ncia de explica&ccedil;&otilde;es  por parte dos alunos com as habilita&ccedil;&otilde;es acad&eacute;micas de n&iacute;vel superior dos pais.</P>     <p>Os dados com que nos depar&aacute;mos na nossa investiga&ccedil;&atilde;o e que transcrevemos no Quadro 4 parecem  confirmar esta hip&oacute;tese. Assim, se j&aacute; os Quadros anteriores (2 e 3) nos mostravam que a percentagem de  alunos com explica&ccedil;&otilde;es &eacute; claramente superior nas escolas em que as habilita&ccedil;&otilde;es dos  pais dos alunos inquiridos revelavam, em termos globais, um maior n&iacute;vel de habilita&ccedil;&otilde;es  acad&eacute;micas, a an&aacute;lise particularizada dos alunos que frequentam explica&ccedil;&otilde;es, presente  no Quadro 4, torna esta rela&ccedil;&atilde;o mais precisa e percentualmente ainda mais not&oacute;ria.</P>      <p>&nbsp;</p>      <p align="center"><B>Quadro 4: </B>Curso superior dos pais e frequ&ecirc;ncia    de explica&ccedil;&otilde;es: alunos do 12&ordm; ano &ndash; 2005/2006 </P>     <div align="CENTER"><img src="/img/revistas/rle/n13/13a05q4.gif"> </div>    
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<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p>Partindo dos resultados do nosso question&aacute;rio no ano lectivo de 2005/2006, e utilizando como vari&aacute;vel  a exist&ecirc;ncia de pelo menos um dos progenitores com curso superior (bacharelato, licenciatura, mestrado ou  doutoramento), verificamos (Quadro 4) que, na m&eacute;dia das quatro escolas, 76% dos pais com curso superior  t&ecirc;m os filhos a frequentar explica&ccedil;&otilde;es. No caso dos pais sem curso superior, embora o valor  seja digno de registo, essa pontua&ccedil;&atilde;o baixa para os 52%. Numa leitura semelhante de tipo inverso  (pela aus&ecirc;ncia desta actividade junto dos jovens inquiridos), verifica-se que apenas 24% dos pais com  curso superior n&atilde;o se socorrem desta oferta educativa para os seus filhos, contra 48% dos pais sem curso  superior.</P>     <p>Os dados apontam-nos, portanto, para a import&acirc;ncia que assume nesta mat&eacute;ria (como em outras,  ali&aacute;s) a vari&aacute;vel familiar, especificamente a origem s&oacute;cio-cultural das fam&iacute;lias dos  alunos, j&aacute; que dispomos de uma rela&ccedil;&atilde;o francamente positiva entre as habilita&ccedil;&otilde;es  acad&eacute;micas de n&iacute;vel superior dos pais e a frequ&ecirc;ncia de explica&ccedil;&otilde;es por parte dos  seus educandos. Tamb&eacute;m aqui poder&iacute;amos incluir as palavras de S&aacute; e Antunes, no sentido de  &ldquo;estarmos perante um acesso desigual a um bem fundamental &ndash; a educa&ccedil;&atilde;o &ndash; sobretudo  nas suas fileiras mais apetecidas; desigualdades que parecem penalizar os grupos que j&aacute; sofrem de outras  penaliza&ccedil;&otilde;es&rdquo; (2007: 154).</P>     <p>Por outras palavras, uma an&aacute;lise que eleja o princ&iacute;pio da equidade como elemento principal na  avalia&ccedil;&atilde;o do acesso dos alunos aos bens educativos n&atilde;o poder&aacute; esquecer esta &ldquo;nova  heran&ccedil;a&rdquo; de que desfrutam os grupos mais favorecidos quando, para al&eacute;m da cultura escolar que  herdaram do seu meio familiar, recebem tamb&eacute;m uma &ldquo;outra escola&rdquo;, outros professores, outros  processos e t&eacute;cnicas de ensino que refor&ccedil;am a sua posi&ccedil;&atilde;o na compara&ccedil;&atilde;o e  na competi&ccedil;&atilde;o com os seus colegas n&atilde;o favorecidos pela dupla heran&ccedil;a familiar.</P>      <p><B>Nota final</B></P>      <p>Os dados que temos vindo a recolher na <I>Cidade Aquarela</I> sobre as explica&ccedil;&otilde;es d&atilde;o-nos  conta de uma actividade em franco desenvolvimento neste contexto geogr&aacute;fico, &agrave; semelhan&ccedil;a da  globaliza&ccedil;&atilde;o que o fen&oacute;meno evidencia nos mais diversos cen&aacute;rios mundiais. </P>     <p>O reconhecimento desta realidade leva-nos a equacionar diversas problem&aacute;ticas como as que dizem respeito:  i) aos princ&iacute;pios da educa&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica e equitativa, j&aacute; que o desafio da  constru&ccedil;&atilde;o de uma escola de qualidade para todos parece estar ainda mais posto em causa; ii) ao  princ&iacute;pio da igualdade de oportunidades dos alunos no acesso aos bens educativos, em particular no que  se reporta aos seus resultados acad&eacute;micos (agravado no caso dos sistemas educativos que seleccionam os  estudantes atrav&eacute;s das classifica&ccedil;&otilde;es nos exames); iii) &agrave; pr&oacute;pria disparidade  regional da oferta de explica&ccedil;&otilde;es, se compararmos, por exemplo, a oferta presente nos meios urbanos  com a dos rurais; iv) ao impacto financeiro que o fen&oacute;meno acarreta para os or&ccedil;amentos das fam&iacute;lias (as fam&iacute;lias de baixos rendimentos n&atilde;o t&ecirc;m acesso a este mercado) e para a gest&atilde;o  di&aacute;ria do tempo dos alunos; v) &agrave;s quest&otilde;es pedag&oacute;gicas com que, perante a  situa&ccedil;&atilde;o, se debatem os professores na gest&atilde;o da sala de aula e dos processos de ensino e  aprendizagem; vi) aos processos de avalia&ccedil;&atilde;o das escolas e &agrave; constru&ccedil;&atilde;o e  publicita&ccedil;&atilde;o dos conhecidos <I>rankings</I>, sendo o fen&oacute;meno das explica&ccedil;&otilde;es  mais um dos elementos de enviesamento destes resultados; vii) ou mesmo, &agrave; pr&oacute;pria configura&ccedil;&atilde;o  da escola actual que, enquanto organiza&ccedil;&atilde;o (&ldquo;ainda&rdquo; com professores...) se poder&aacute;  traduzir em mera ag&ecirc;ncia de legitima&ccedil;&atilde;o e de certifica&ccedil;&atilde;o de conhecimentos obtidos  &ldquo;&agrave; sua margem&rdquo;. </P>     <p>As <I>explica&ccedil;&otilde;es</I> constituem, por todo este conjunto de raz&otilde;es, uma problem&aacute;tica  que n&atilde;o pode continuar na sombra da investiga&ccedil;&atilde;o educacional e das pol&iacute;ticas educativas.  Se com a nossa investiga&ccedil;&atilde;o, com o esfor&ccedil;o de desoculta&ccedil;&atilde;o que representa,  pudermos contribuir para uma maior consci&ecirc;ncia social e educativa deste fen&oacute;meno j&aacute; ter&aacute;  valido a pena.</P>      <p>&nbsp;</p>      <p><B>Notas</B></P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a href="#top1">1</a><a name="1"></a> </Sup>O presente artigo constitui    um produto do projecto de investiga&ccedil;&atilde;o intitulado: <I>Xplika &ndash;    O mercado das </I><I>explica&ccedil;&otilde;es, a efic&aacute;cia escolar e    o sucesso dos alunos</I>. Projecto financiado pela Funda&ccedil;&atilde;o para    a Ci&ecirc;ncia e Tecnologia e pelo Programa Operacional Ci&ecirc;ncia e Inova&ccedil;&atilde;o    2010. </P>      <p><Sup><a href="#top2">2</a><a name="2"></a> </Sup> Ver: <a href="http://www2.dce.ua.pt/xplika/default.asp" target="_blank">http://www2.dce.ua.pt/xplika/default.asp</a>.</P>      <p><Sup><a href="#top3">3</a><a name="3"></a> </Sup>Para efeitos de an&aacute;lise,    classific&aacute;mos os explicadores em dois grupos que apelid&aacute;mos <I>explicadores    dom&eacute;sticos</I> e <I>explicadores p&uacute;blicos</I>. No contexto do    presente trabalho, os <I>explicadores &lsquo;dom&eacute;sticos&rsquo;</I> constituem    o grupo que se caracteriza por ser formado exclusivamente por professores que,    simultaneamente, leccionam em escolas p&uacute;blicas e d&atilde;o explica&ccedil;&otilde;es    em casa. Com origem na express&atilde;o latina &lsquo;intra domesticos parietes&rsquo;    (isto &eacute;, dentro das paredes de casa), reportamo-nos &agrave;queles profissionais    cuja actividade principal &eacute; a de professor mas que, simultaneamente,    nas horas vagas, desempenham outra fun&ccedil;&atilde;o, a de explicadores.    Os <I>explicadores &lsquo;p&uacute;blicos&rsquo;</I> constituem o grupo daqueles    que se dedicam &agrave; actividade de explicador, mas enquadrados formalmente    pelos <I>centros de explica&ccedil;&otilde;es</I>; estamos, neste caso, em presen&ccedil;a    daqueles profissionais que (fora do espa&ccedil;o dom&eacute;stico e manifestamente    presentes na &ldquo;pra&ccedil;a p&uacute;blica&rdquo;) d&atilde;o explica&ccedil;&otilde;es    em centros de explica&ccedil;&otilde;es (Silveirinha e Costa, 2007).</P>     <p><Sup><a href="#top4">4</a><a name="4"></a> </Sup>A op&ccedil;&atilde;o pelo    12&ordm; ano de escolaridade justifica-se, n&atilde;o s&oacute; pelo facto de    se tratar do ano terminal do ensino secund&aacute;rio, mas tamb&eacute;m pela    exist&ecirc;ncia dos exames nacionais a realizar no final do ano, dos quais    depende o acesso ao ensino superior. Na altura em que inici&aacute;mos o estudo    (2002) os exames de acesso ao ensino superior apenas tinham lugar no 12&ordm;    ano.</P>     <p><Sup><a href="#top5">5</a><a name="5"></a> </Sup>Embora n&atilde;o estejamos    aqui a realizar uma an&aacute;lise &ldquo;mais fina&rdquo;, ao n&iacute;vel    de cada escola em particular, alguns dos valores menos expressivos patenteados    em alguns itens pela <I>Escola Amarela</I> dever&atilde;o ser analisados, n&atilde;o    s&oacute; pelo facto de os pais destes alunos serem detentores de habilita&ccedil;&otilde;es    acad&eacute;micas menos elevadas, mas tamb&eacute;m porque se trata de uma escola    com uma percentagem importante dos alunos do 12&ordm; ano matriculados em cursos    profissionalizantes. </P>      <p>&nbsp;</p>      <p><B>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</B></P>      <p>Bourdieu, P. & Passeron, J. (1964). <I>Les H&eacute;ritiers: Les &eacute;tudiants et la culture.</I>  Paris: Ed. de Minuit.</P>      <p>Costa, J., Ventura, A. & Neto-Mendes, A. (2003). As explica&ccedil;&otilde;es no 12&ordm; ano &ndash;  contributos para o conhecimento de uma actividade na sombra. <I>Revista Portuguesa de Investiga&ccedil;&atilde;o  Educacional</I>, 2/2003, 55-68.</P>      <p>Neto-Mendes, A., Costa, J., Ventura, A. & Azevedo, S. (2007). La industria de las clases particulares: de la  actividad liberal a la franquicia de las multinacionales. Actas do Congresso Pedagog&iacute;a 2007 &ndash; Encuentro  por la unidad de los educadores. Havana, 29 de Janeiro a 2 de Fevereiro de 2007 [publica&ccedil;&atilde;o em CD-ROM).</P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>S&aacute;, V. & Antunes, F. (2007). P&uacute;blicos e (des)vantagens em educa&ccedil;&atilde;o: escolas e  fam&iacute;lias em interac&ccedil;&atilde;o. <I>Revista </I><I>Portuguesa de Educa&ccedil;&atilde;o</I>, 20(1),  129-161.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000073&pid=S1645-7250200900010000500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Silveirinha, T. & Costa, J. (2007). As explica&ccedil;&otilde;es na perspectiva da oferta: alguns dados  de um estudo de caso. <I>IV Congresso Luso-Brasileiro de Pol&iacute;tica e Administra&ccedil;&atilde;o da  Educa&ccedil;&atilde;o</I> e <I>III Congresso Nacional do F&oacute;rum </I><I>Portugu&ecirc;s de  Administra&ccedil;&atilde;o Educacional</I>. Lisboa, Faculdade de Psicologia e de Ci&ecirc;ncias da  Educa&ccedil;&atilde;o [aguarda publica&ccedil;&atilde;o nas Actas].</P>      <p>Ventura, A., Neto-Mendes, A., Costa, J. & Azevedo, S. (2006). El fen&oacute;meno    del apoyo al aprendizaje fuera de la escuela visto a trav&eacute;s de un an&aacute;lisis    comparado. <I>Profesorado. Revista de curr&iacute;culum y formaci&oacute;n del    profesora</I><I></I><I>do</I>, 10(2). Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.ugr.es/%7Erecfpro/rev102ART2port.pdf" target="_blank">http://www.ugr.es/~recfpro/rev102ART2port.pdf</a>.    Retirado em 3/10/2007.</P>      <p>&nbsp;</p>      <p><Sup><a href="#top0">*</a><a name="0"></a></Sup>Departamento de Ci&ecirc;ncias    da Educa&ccedil;&atilde;o, Universidade de Aveiro.</P>     <p><a href="mailto:jcosta@dce.ua.pt">jcosta@dce.ua.pt</a></a></P>       ]]></body><back>
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