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<publisher-name><![CDATA[Centro de Estudos e Intervenção em Educação e Formação (CeiEF)Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Educação e transformação social hoje: alguns desafios político-pedagógicos]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Education and Social Transformation Today: Some Political-Pedagogical Challenges]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS)  ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The article discusses possibilities and limits of a transforming pedagogy today. The reflection begins with an attempt to identify some characteristics of present day education. There are pointed out two facts that may be of particular importance for an exercise of synthesis: the so called crisis of utopias and the reconfiguration of spaces and temporalities of teaching and learning. Among the challenges, which at the same time can be considered the horizon, there are identified the following ones: The necessity to listen to the many voices of dissent, among them the silenced ones; b) the effort to transform the educational spaces, the new ones as well as the older ones, in a humanizing ethos; c) to assume the plurality of times as an opportunity the enlarge the vision and to make room in our life world for the diversity of experience.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <P><B>Educa&ccedil;&atilde;o e transforma&ccedil;&atilde;o social hoje: alguns desafios  pol&iacute;tico-pedag&oacute;gicos</B></P>      <p>&nbsp;</p>      <P> Danilo R. Streck<a href="#0">*</a><a name="top0"></a> </P>      <p>&nbsp;</p>      <p>O artigo discute as possibilidades e os limites de uma pedagogia transformadora hoje. A reflex&atilde;o  inicia com uma tentativa de identificar algumas caracter&iacute;sticas da educa&ccedil;&atilde;o de nosso tempo.  S&atilde;o destacados dois fatos como poss&iacute;veis norteadores de um exerc&iacute;cio de s&iacute;ntese: a  chamada crise das utopias e a reconfigura&ccedil;&atilde;o dos tempos e dos lu</B>gares de ensinar e aprender,  colocando em xeque principalmente o papel cl&aacute;ssico da escola. Dentre os desafios, que ao mesmo tempo se  colocam como horizonte, s&atilde;o destacados: a) a necessidade de ouvir as muitas vozes de dissenso, entre elas  aquelas silenciadas; b) o empenho por transformar os espa&ccedil;os educativos, novos e antigos, em <I>ethos</I>  de humaniza&ccedil;&atilde;o; c) assumir a pluralidade de tempos como uma oportunidade de alargar a vis&atilde;o  e fazer espa&ccedil;o em nossos mundos de vida para a diversidade de experi&ecirc;ncias. </P>      <p><B>Palavras-chave</B> Transforma&ccedil;&atilde;o social; p&oacute;s-modernidade; utopia; dissenso. </P>      <p>&nbsp;</p>      <P><B>Education and Social Transformation Today: Some Political-Pedagogical Challenges</B></P>      <P>The article discusses possibilities and limits of a transforming pedagogy today. The reflection begins with an attempt to identify some characteristics of present day education. There are pointed out two facts that may be of particular importance for an exercise of synthesis: the so called crisis of utopias and the reconfiguration of spaces and temporalities of teaching and learning. Among the challenges, which at the same time can be considered the horizon, there are identified the following ones: The necessity to listen to the many voices of dissent, among them the silenced ones; b) the effort to transform the educational spaces, the new ones as well as the older ones,  in a humanizing ethos; c) to assume the plurality of times as an opportunity the enlarge the vision and to make room  in our life world for the diversity of experience.</P>      <P><B>Keywords:</B> Social transformation; post-modernity, utopia; dissent</P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p>Tenho certeza de que em toda a hist&oacute;ria sempre existem pequenos lugares    onde as coisas est&atilde;o come&ccedil;ando a se desenvolver, mas n&atilde;o    acho que possamos chegar a elas intelectualmente ou fazendo levantamentos, pesquisas    de opini&atilde;o ou outras coisas deste tipo. (Myles Horton)<Sup><a href="#1">1</a><a name="top1"></a></Sup>.</P>     <p align="right"> Pensar &eacute; servir. (Jos&eacute; Mart&iacute;).<Sup><a href="#2">2</a><a name="top2"></a></Sup></P>      <p><B>Sobre educa&ccedil;&atilde;o e transforma&ccedil;&atilde;o social</B></P>      <p>Antes de entrar em discuss&otilde;es sobre o papel da educa&ccedil;&atilde;o    no atual contexto social e pol&iacute;tico, conforme sugerido pelo tema, conv&eacute;m    colocar-nos algumas quest&otilde;es que ajudem a situar melhor a rela&ccedil;&atilde;o    entre educa&ccedil;&atilde;o e transforma&ccedil;&atilde;o social<Sup><a href="#3">3</a><a name="top3"></a></Sup>.    Haveria uma liga&ccedil;&atilde;o intr&iacute;nseca entre ambos os conceitos?    O que causa espanto ou dificuldade, hoje, nesta rela&ccedil;&atilde;o? </P>     <p>A id&eacute;ia de mudan&ccedil;a est&aacute; na raiz do conceito que usamos para referir-nos a uma pr&aacute;tica  social constitutiva no mundo ocidental e cada vez mais em todas as partes o globo terrestre. Tanto a etimologia de  educa&ccedil;&atilde;o quanto de pedagogia compreendem a id&eacute;ia de movimento: educa&ccedil;&atilde;o &ndash;  <I>ex ducere</I>: tirar, conduzir ou levar para fora; pedagogia &ndash; meninos (<I>pa&iacute;des</I>), conduzir  (<I>&aacute;go).</I> Causa-nos surpresa ouvir que h&aacute; culturas nas quais n&atilde;o existe termo equivalente  &agrave;quilo que denominamos de educa&ccedil;&atilde;o (Hameline, 1985). Talvez seja dif&iacute;cil saber se por  isso os povos s&atilde;o mais ou menos felizes, mas &eacute; um fato que coloca o desafio de <I>localizar</I> a  perspectiva euroc&ecirc;ntrica que naturalizamos como universal e &uacute;nica. </P>     <p>A educa&ccedil;&atilde;o, na sua compreens&atilde;o moderna, est&aacute; associada com a concep&ccedil;&atilde;o de  perfectibilidade do ser humano (Rousseau, 1995) e do processo hist&oacute;rico como devir, como passagem de um passado  para um futuro e, nos &uacute;ltimos s&eacute;culos, como progresso. A educa&ccedil;&atilde;o passou a ser vista como  fator chave para o avan&ccedil;o da ci&ecirc;ncia, para a elimina&ccedil;&atilde;o dos problemas sociais e para o  funcionamento das institui&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas. </P>     <p>Constatamos hoje que a pr&oacute;pria no&ccedil;&atilde;o de transforma&ccedil;&atilde;o social sofreu deslocamentos  sem&acirc;nticos. &Eacute; comum ver partidos e segmentos sociais identificados com pol&iacute;ticas conservadoras  assumirem a bandeira de mudan&ccedil;as, enquanto que setores historicamente progressistas s&atilde;o considerados  reacion&aacute;rios diante das n&atilde;o poucas vezes agressivas pol&iacute;ticas neoliberais que atropelam direitos  duramente conquistados ao longo de d&eacute;cadas de lutas, em especial pelos trabalhadores. Cabe, ent&atilde;o, a  tarefa de repensar o significado da transforma&ccedil;&atilde;o social &ndash; ou, como diz Marco Ra&uacute;l  Mej&iacute;a (1996) de reconstruir a transforma&ccedil;&atilde;o social e, por conseguinte, a pedagogia transformadora -  a partir dos par&acirc;metros sociais e culturais que orientam a atual sociedade. </P>     <p>A reflex&atilde;o neste artigo inicia com uma tentativa de identificar algumas caracter&iacute;sticas da  educa&ccedil;&atilde;o de nosso tempo. S&atilde;o destacados dois fatos como poss&iacute;veis norteadores de um  exerc&iacute;cio de s&iacute;ntese: a chamada crise das utopias e a reconfigura&ccedil;&atilde;o dos tempos e dos  lugares de ensinar e aprender, colocando em xeque principalmente o papel cl&aacute;ssico da escola. Dentre os  desafios, que ao mesmo tempo se colocam como horizonte, s&atilde;o destacados: a) a necessidade de ouvir as muitas  vozes de dissenso, entre elas aquelas silenciadas; b) o empenho por transformar os espa&ccedil;os educativos, novos  e antigos, em <I>ethos</I> de humaniza&ccedil;&atilde;o; c) assumir a pluralidade de tempos como uma oportunidade de  alargar a vis&atilde;o e fazer espa&ccedil;o em nossos mundos de vida para a diversidade de experi&ecirc;ncias. </P>      <p><B>A educa&ccedil;&atilde;o de nosso tempo</B></P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No ano de 1883, Jos&eacute; Mart&iacute; (Mart&iacute;, 2007, p. 81)<Sup><a href="#4">4</a><a name="top4"></a></Sup>    no contexto da argumenta&ccedil;&atilde;o a favor de escolas de eletricidade,    escrevia que &ldquo;&eacute; criminoso o div&oacute;rcio entre a educa&ccedil;&atilde;o    que se recebe em uma &eacute;poca e a &eacute;poca&rdquo;. Segundo ele, &ldquo;educar    &eacute; depositar em cada homem toda a obra humana que lhe antecedeu: &eacute;    fazer de cada homem o resumo do mundo vivente, at&eacute; o dia em que ele vive:    &eacute; p&ocirc;-lo em n&iacute;vel de seu tempo para que flutue sobre ele    e n&atilde;o deix&aacute;-lo debaixo de seu tempo, com o que n&atilde;o poder&aacute;    sair a flutuar; &eacute; preparar o homem para a vida&rdquo;. Tratava-se, para    Mart&iacute;, de garantir o acesso &agrave; educa&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica    a todas as crian&ccedil;as e jovens, em contraposi&ccedil;&atilde;o &agrave;    educa&ccedil;&atilde;o meramente livresca destinada apenas a uma classe privilegiada.</P>     <p>Um s&eacute;culo depois (1984), Paulo Freire, ao ser perguntado sobre o papel da televis&atilde;o, respondeu  com palavras muito semelhantes: &ldquo;Tenho a impress&atilde;o de que o melhor que posso dizer, no come&ccedil;o da  minha reflex&atilde;o em torno desse problema, &eacute;: uma das coisas mais lastim&aacute;veis para um ser humano  &eacute; ele n&atilde;o pertencer a seu tempo. &Eacute; se sentir, assim, um exilado de seu tempo&rdquo; ( p. 14).  O contexto, aqui, era o acesso aos meios de comunica&ccedil;&atilde;o modernos e sua influ&ecirc;ncia na pr&aacute;tica  pedag&oacute;gica. Logo adiante, no entanto, Freire ressalva que n&atilde;o se tratava de uma discuss&atilde;o de  car&aacute;ter tecnol&oacute;gico, mas pol&iacute;tico.</P>     <p>O tema proposto situa-se no &acirc;mbito do problema sobre o tempo em que vivemos.    Mais especificamente, coloca-nos diante do desafio de compreender a possibilidade    de uma educa&ccedil;&atilde;o emancipat&oacute;ria hoje. A pol&ecirc;mica sobre    a identifica&ccedil;&atilde;o de nosso tempo como p&oacute;s-modernidade (Connor,    1989)<Sup><a href="#5">5</a><a name="top5"></a></Sup> ou como modernidade posterior    ou segunda modernidade parece, em si mesma, pouco produtiva. De fato vivemos,    como em todos os tempos, a tens&atilde;o entre rupturas e continuidades, e sabemos    que em toda ruptura h&aacute; continuidades e em toda a continuidade h&aacute;    tamb&eacute;m rupturas. As diferentes vis&otilde;es e vers&otilde;es t&ecirc;m    a ver com o lugar onde nos posicionamos para mirar esta mesma realidade. Prefiro    ficar com a id&eacute;ia de Boaventura de Sousa Santos (1996, 2000) de que nos    encontramos em um per&iacute;odo de conflito e transi&ccedil;&atilde;o paradigm&aacute;tica.<Sup><a href="#6">6</a><a name="top6"></a></Sup></P>     <p>Nessa busca por situar-nos sobressai a sensa&ccedil;&atilde;o de que em nossa &eacute;poca convivem tempos diferentes.  Vejamos esta observa&ccedil;&atilde;o de Freire (1995), falando do Brasil:</P>     <p>Minha terra &eacute; a coexist&ecirc;ncia dram&aacute;tica de tempos d&iacute;spares, confundindo-se no  mesmo espa&ccedil;o geogr&aacute;fico &ndash; atraso, mis&eacute;ria, pobreza, fome, tradicionalismo,  consci&ecirc;ncia m&aacute;gica, autoritarismo, democracia, modernidade e p&oacute;s-modernidade. O professor  que na universidade discute a educa&ccedil;&atilde;o e a p&oacute;s-modernidade &eacute; o mesmo que convive com a  dura realidade de dezenas de milh&otilde;es de homens e de mulheres que morrem de fome (Freire, 1995, p.26). </P>     <p>Esta &eacute; a realidade com a qual estamos confrontados e que exige, a meu ver, uma pedagogia do encontro de  tempos (Streck, 2001), que respeite esta diversidade de temporalidades que existem lado a lado e que resistem a  enquadramentos. Paulo Freire &eacute; um pensador paradigm&aacute;tico para lidar com esta situa&ccedil;&atilde;o  porque, mantendo-se fiel aos princ&iacute;pios de uma educa&ccedil;&atilde;o libertadora, ele soube reinventar-se  nos tempos e nos espa&ccedil;os em que viveu. Ou seria por acaso que no fim da d&eacute;cada de 60, no per&iacute;odo  das ditaduras na Am&eacute;rica Latina, ele escrevesse a <I>Pedagogia do </I><I>oprimido</I>? Ou que no in&iacute;cio  da d&eacute;cada de 90 ele propusesse uma <I>Pedagogia da </I><I>Esperan&ccedil;a</I>? Que seu &uacute;ltimo livro  <I>Pedagogia da Autonomia</I> recolocasse a quest&atilde;o do sujeito a partir da pr&aacute;tica docente? </P>     <p><I>A crise das utopias pedag&oacute;gicas</I>: O s&eacute;culo XX foi f&eacute;rtil em grandes utopias  pedag&oacute;gicas, com vi&eacute;s ideol&oacute;gico e filos&oacute;fico distintos, muitas vezes abertamente c ontradit&oacute;rios. Um caso cl&aacute;ssico &eacute; o debate entre a pedagogia n&atilde;o-diretiva inspirada em  Carl Rogers (1969), e a educa&ccedil;&atilde;o <I>behaviorista, </I>de B.F. Skinner (1962,1972). Os dois partiam de  pontos de vista diametralmente distintos acerca do papel dos fatores internos e externos na aprendizagem e na  a&ccedil;&atilde;o humana, mas para ambos a proposta pedag&oacute;gica estava embutida numa vis&atilde;o ampla de  sociedade e de ser humano. No caso de Rogers, tratava-se do ideal de auto-realiza&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo  e da sociedade a partir de predisposi&ccedil;&otilde;es org&acirc;nicas. Para Skinner a utopia era a sociedade  racional e cientificamente planejada, onde as pr&oacute;prias no&ccedil;&otilde;es de dignidade e liberdade soariam  obsoletas. </P>     <p>Surgiram em muitos lugares pr&aacute;ticas pedag&oacute;gicas que se orientavam por princ&iacute;pios dissonantes,  fundados no sonho de um outro mundo. No Canad&aacute; surgiu um forte movimento de educa&ccedil;&atilde;o de adultos  liderado por James Coady (1939). Os c&iacute;rculos de estudo, vinculados &agrave; forma&ccedil;&atilde;o de cooperativas,  se espalharam rapidamente em boa parte do pa&iacute;s. Nos Estados Unidos, o Centro Highlander, criado por Myles Horton  (Freire e Horton, 2003), irradiou pr&aacute;ticas educativas e sociais que tiveram papel decisivo na luta pelos direitos  civis, especialmente o fim do racismo. A lista poderia ser continuada com nomes conhecidos como Summerhill (Inglaterra),  Barbiana (It&aacute;lia), entre dezenas de outros.</P>     <p>Ivan Illich, por seu turno, radicalizou a cr&iacute;tica &agrave; escola e defendeu uma sociedade sem escolas. A  utopia de Ivan Illich (1972) completa o c&iacute;rculo de s&eacute;culos de esfor&ccedil;o por universalizar a escola  como a institui&ccedil;&atilde;o respons&aacute;vel pela forma&ccedil;&atilde;o das novas gera&ccedil;&otilde;es.  Segundo Illich, esta mesma escola se tornou a maior respons&aacute;vel pelos problemas da sociedade.  A solu&ccedil;&atilde;o, portanto, n&atilde;o estaria em reform&aacute;-la, mas em aboli-la e buscar alternativas  pedag&oacute;gicas.</P>     <p>A Am&eacute;rica Latina n&atilde;o esteve fora deste movimento pedag&oacute;gico que tinha em comum a n&atilde;o  adapta&ccedil;&atilde;o ao mundo vivido e busca de alternativas a partir das pr&aacute;ticas educativas. Viu-se aqui,  na segunda metade do s&eacute;culo passado, a consolida&ccedil;&atilde;o de uma pr&aacute;tica educativa que tinha a  transforma&ccedil;&atilde;o da sociedade desigual como um de seus princ&iacute;pios b&aacute;sicos. Era uma pedagogia  do <I>Outro</I> (exclu&iacute;do, oprimido, marginalizado ou v&iacute;tima), cuja situa&ccedil;&atilde;o clamava  por mudan&ccedil;as radicais da sociedade.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Paulo Freire passou a representar uma refer&ecirc;ncia para os movimentos que se identificavam com uma proposta  educacional emancipat&oacute;ria, na Am&eacute;rica Latina e tamb&eacute;m em outros continentes. Para ele, a utopia  como <I>in&eacute;dito vi&aacute;vel</I> ou como <I>sonho poss&iacute;vel</I> tinha pelo menos tr&ecirc;s ingredientes:  primeiro, a compreens&atilde;o da hist&oacute;ria como possibilidade e n&atilde;o como determina&ccedil;&atilde;o;  segundo, a a&ccedil;&atilde;o humana como a&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica, portanto condicionada pelas  circunst&acirc;ncias concretas da vida; terceiro, a incompletude do ser humano como base para a sua permanente busca  pelo <I>ser mais</I>.</P>     <p>Experimenta-se hoje o pensamento ut&oacute;pico em doses muito mais reduzidas. A Escola da Ponte, criada  por Jos&eacute; Pacheco na Vila das Aves, em Portugal, com certeza &eacute; uma escola diferente, onde alunos e  professores fazem do ato de ensinar e aprender uma experi&ecirc;ncia prazerosa e relevante para as suas vidas.  A Universidade Popular Comunit&aacute;ria, de Cuiab&aacute;, envolve os <I>artisentis</I> (em vez de professores)  e <I>coartisentis</I> (em vez de alunos) em rela&ccedil;&otilde;es de ensinar-aprender bastante diferentes  daquelas de uma sala de aula comum (G&oacute;es e Passos, 2006). Semelhantes a estas h&aacute; in&uacute;meras  experi&ecirc;ncias ut&oacute;picas espalhadas pelo pa&iacute;s e pelo mundo, mas dificilmente alguma delas ousaria  colocar-se como paradigma geral. </P>     <p>Corre-se hoje o risco de o cotidiano, com suas necessidades imediatas, sufocar a busca de alternativas.  Na aus&ecirc;ncia de utopias diz Marco Ra&uacute;l Mej&iacute;a (1996, p. 33), &ldquo;um pragmatismo do contratual  come&ccedil;a a resolver as ang&uacute;stias das necessidades imediatas em termos de quem pode prov&ecirc;-las,  mais que em fun&ccedil;&atilde;o de um sistema global que as avalize&rdquo;. Por outro lado, percebe-se uma nova  constela&ccedil;&atilde;o do pensamento ut&oacute;pico em forma de redes ou de f&oacute;runs. As &ldquo;centrais  &uacute;nicas&rdquo; deram lugar a espa&ccedil;os diferenciados que se interconectam de modo mais ou menos permanente  de acordo com necessidades, interesses e circunst&acirc;ncias. O melhor exemplo disso possivelmente seja o F&oacute;rum  Social Mundial, o qual n&atilde;o pretende ser um meta-organismo internacional, mas um espa&ccedil;o de encontro  para pessoas, grupos e entidades com um mesmo objetivo definido no slogan &ldquo;Um outro mundo &eacute;  poss&iacute;vel&rdquo; (Streck, 2004; Gadotti, 2007). </P>     <p><I>A reconfigura&ccedil;&atilde;o dos lugares e dos tempos do aprender-ensinar: </I>Os tempos e lugares da  pr&aacute;tica educativa s&atilde;o cria&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas e, neste momento de crise e  transi&ccedil;&atilde;o paradigm&aacute;tica, est&atilde;o envoltos em um sem n&uacute;mero de dificuldades que  se manifestam em sintomas como o mal-estar docente e a aparentemente incontrol&aacute;vel evas&atilde;o dos alunos.  Parece ser uma evid&ecirc;ncia de que nem professores nem alunos se sentem &agrave; vontade neste lugar criado para  que, segundo Comenius (1957), todos aprendessem tudo de todas as formas. H&aacute; em sua <I>Did&aacute;tica Magna</I>,  escrita entre 1627 e 1657, uma preocupa&ccedil;&atilde;o em definir os ent&atilde;o novos tempos e espa&ccedil;os  pedag&oacute;gicos tornados poss&iacute;veis com a impress&atilde;o de livros. O entusiasmo era tanto que Comenius  chega a comparar a pr&oacute;pria escola a uma tipografia, onde se poderia imprimir nas crian&ccedil;as todos os  conhecimentos dispon&iacute;veis. Esta mesma preocupa&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m est&aacute; presente na  <I>Ratio Studiorum </I>da Companhia de Jesus.</P>     <p>Hoje, sentem-se descompassos de v&aacute;rias ordens. Uma vez, &eacute; a dificuldade de a escola &ldquo;fazer&rdquo;  caber dentro de si todas as culturas de um lugar. Nesse sentido, Freire j&aacute; alertava para o fato de que a  evas&atilde;o &eacute; mais propriamente uma expuls&atilde;o das crian&ccedil;as, especialmente os meninos das classes  pobres. Em recente visita a um centro de atendimento de crian&ccedil;as e jovens da periferia de S&atilde;o Leopoldo (RS),  as educadoras relatavam como as crian&ccedil;as que participavam dos projetos resistiam &agrave; sua  reinser&ccedil;&atilde;o nas escolas. Precisam por isso ser inventadas bolsas e outros mecanismos para manter as  crian&ccedil;as num lugar supostamente bom de estar porque ali seriam aprendidas as coisas importantes para a vida. </P>     <p>Outro descompasso est&aacute; relacionado com o acesso &agrave;s novas tecnologias de informa&ccedil;&atilde;o e  comunica&ccedil;&atilde;o e o modo como estas afetam a rela&ccedil;&atilde;o com o conhecimento. Um per&iacute;odo  de quatro horas com um professor, numa sala de aula com quadro e alguns livros, no tempo em que se transcreviam para  o caderno informa&ccedil;&otilde;es sobre o nome de capitais e rios, tinha um sentido muito diferente de hoje, quando  estas mesmas informa&ccedil;&otilde;es podem ser acessadas de qualquer lugar onde haja um computador conectado &agrave;  rede. H&aacute; uma outra temporalidade, as fun&ccedil;&otilde;es do professor s&atilde;o diferentes e os alunos  t&ecirc;m muito mais consci&ecirc;ncia da diversidade de informa&ccedil;&otilde;es dispon&iacute;veis. </P>     <p>A escola convive com estas ambig&uuml;idades. Ela ainda se coloca como um lugar indispens&aacute;vel por legitimar  os saberes que d&atilde;o acesso ao mundo do trabalho. As classes populares sabem muito bem disso e, com todos os  problemas vividos no interior da escola, ela &eacute; uma reivindica&ccedil;&atilde;o permanente. Por exemplo, nas  delibera&ccedil;&otilde;es do Or&ccedil;amento Participativo a educa&ccedil;&atilde;o, quase sempre entendida como  escola, consta entre as primeiras prioridades definidas pelas comunidades. Por outro lado, h&aacute; uma diversidade  de &ldquo;ofertas&rdquo; educacionais que tornam a escola cada vez mais um entre outros lugares e tempos de aprendizagem.  Os pais sabem disso e quem pode compra servi&ccedil;os educacionais que garantam compet&ecirc;ncias necess&aacute;rias  para a inclus&atilde;o na sociedade em posi&ccedil;&otilde;es de vantagem, desde cursos de inform&aacute;tica e  l&iacute;nguas estrangeiras a cursos pr&eacute;-vestibulares. </P>     <p>No campo da pedagogia emancipat&oacute;ria, a educa&ccedil;&atilde;o popular foi entendida como  interven&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica em espa&ccedil;os e processos sociais t&atilde;o diferentes como  sindicatos, comunidades eclesiais e grupos &eacute;tnicos. H&aacute; um ac&uacute;mulo de experi&ecirc;ncias que  permitem repensar o conjunto dos lugares e tempos de ensinar e aprender, bem como cada um deles individualmente.  Existem in&uacute;meros exemplos de escolas cuja cara foi mudada porque decidiram ter a realidade da comunidade  como ponto de partida e como ponto de chegada de sua a&ccedil;&atilde;o educativa e nesse processo encontraram os  outros lugares e os outros tempos onde crian&ccedil;as e jovens aprendem e ensinam. Como ponto de partida no sentido  de buscar conhec&ecirc;-la e como ponto de chegada no sentido de contribuir para a sua transforma&ccedil;&atilde;o.</P>      <p><B>Alguns horizontes de desafios</B></P>      <p><I>1. Escutar as vozes do dissenso</I>: No ano de 1989<Sup><a href="#7">7</a><a name="top7"></a></Sup>    um economista designou de &ldquo;consenso de Washington&rdquo; aquelas que seriam    diretrizes para o desenvolvimento da Am&eacute;rica Latina na linha de pensamento    neoliberal. O nome n&atilde;o tem a ver com a decis&atilde;o formal de algum    &oacute;rg&atilde;o representativo e tamb&eacute;m n&atilde;o com uma orquestra&ccedil;&atilde;o    maquiav&eacute;lica de pol&iacute;ticos e economistas. O consenso indica simplesmente    uma suposta unanimidade quanto aos rumos da pol&iacute;tica, sem necessidade    de justificativas.<Sup><a href="#8">8</a><a name="top8"></a></Sup> Conforme    Boaventura de Sousa Santos (2000, p. 330), &agrave; medida que a canibaliza&ccedil;&atilde;o    da emancipa&ccedil;&atilde;o social pela regula&ccedil;&atilde;o social se converteu    no mega-senso comum do fim do s&eacute;culo XX, a regula&ccedil;&atilde;o social    n&atilde;o tem de ser efetiva para florescer: ela floresce simplesmente porque    a subjetividade &eacute; incapaz de conhecer e de desejar saber como conhecer    e desejar para al&eacute;m da regula&ccedil;&atilde;o.&rdquo; Certas escolhas    se revelavam apenas como naturais dentro da conjuntura da economia capitalista    globalizada. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Na educa&ccedil;&atilde;o este consenso penetrou na forma de padr&otilde;es e medidas do desempenho educacional  que avaliam desde a capacidade das crian&ccedil;as nos primeiros anos de escola at&eacute; a produ&ccedil;&atilde;o  cient&iacute;fica. As reformas educacionais em todos os continentes tiveram alguns ingredientes comuns, que  simplesmente se impunham como &oacute;bvios para os gestores dos sistemas educacionais. A entrada do conceito  de gest&atilde;o no vocabul&aacute;rio educacional &eacute; um exemplo deste consenso. Dizem Poel e Poel (2007, p. 63):  &ldquo;A escola &eacute; reduzida a uma empresa, inclusive com a introdu&ccedil;&atilde;o de uma nova linguagem.  N&atilde;o h&aacute; mais diretores, mas agora s&atilde;o gestores que recebem cursos de lideran&ccedil;a  empresarial&rdquo;.</P>     <p>Em Paulo Freire encontramos a constante recusa em aceitar que as coisas s&atilde;o assim, como por acaso  ou por for&ccedil;a de um destino. A Hist&oacute;ria, para ele, &eacute; possibilidade e n&atilde;o  determina&ccedil;&atilde;o. &ldquo;O mundo n&atilde;o &eacute;. O mundo est&aacute; sendo&rdquo; (Freire, 1996, p. 85).  Da&iacute; que o estar no mundo implica necessariamente fazer op&ccedil;&otilde;es, tomar decis&otilde;es e  intervir na realidade. </P >    <p>Um dos desafios para a educa&ccedil;&atilde;o, hoje, significa ouvir as vozes do dissenso (Medeiros, 2007)  que se manifestam como resist&ecirc;ncia, como insurg&ecirc;ncia (Moretti, 2007) ou simplesmente como  estrat&eacute;gias de sobreviv&ecirc;ncia. S&atilde;o estrat&eacute;gias pedag&oacute;gicas geralmente clandestinas  (Streck, 2006) e que, dada a sua invisibiliza&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o fragmentadas e dificilmente encontram  espa&ccedil;o em n&iacute;vel de teoriza&ccedil;&atilde;o.</P>     <p>2. <I>Transformar o espa&ccedil;o educacional em um ethos humanizador</I>: No in&iacute;cio da <I>Pedagogia  do Oprimido</I> (1981, p. 30) Paulo Freire anunciava a humaniza&ccedil;&atilde;o como tarefa permanente que naquele  momento hist&oacute;rico assumia uma urg&ecirc;ncia inelud&iacute;vel. A humaniza&ccedil;&atilde;o, assim como seu  oposto, a desumaniza&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o tanto viabilidades ontol&oacute;gicas quanto realidades hist&oacute;ricas  fundadas na incompletude humana. &ldquo;Ambas, na raiz de sua inconclus&atilde;o, que os inscreve num permanente  movimento de busca. Humaniza&ccedil;&atilde;o e desumaniza&ccedil;&atilde;o, dentro da hist&oacute;ria, num  contexto real, concreto, objetivo, s&atilde;o possibilidades dos homens como seres inconclusos e consciente  de sua inconclus&atilde;o.&rdquo; No entanto, ele ressalta a seguir, s&oacute; a primeira corresponde &agrave;  voca&ccedil;&atilde;o do <I>ser mais</I>.</P>     <p>Seria dif&iacute;cil dizer se hoje esta tarefa &eacute; mais ou menos urgente do que nos anos 60 do s&eacute;culo  passado, mas n&atilde;o faltam dados de nossa realidade cotidiana e do mundo &agrave; volta para continuar colocando  a desumaniza&ccedil;&atilde;o como preocupa&ccedil;&atilde;o de nossa aten&ccedil;&atilde;o no campo pedag&oacute;gico.  Tamb&eacute;m a pergunta pelo que significa ser humano passa hoje por novas quest&otilde;es (Streck, 2006a).  Por exemplo, os avan&ccedil;os nas pesquisas na &aacute;rea da biologia e da inform&aacute;tica p&otilde;em em xeque  o que se considerava natureza humana. Sofisticados instrumentos e pr&oacute;teses funcionam como prolongamentos  do organismo e com ele se confundem. De igual modo, a consci&ecirc;ncia da diversidade cultural n&atilde;o mais  permite que se naturalizem determinadas atitudes e pr&aacute;ticas tidas como inscritas de alguma forma na natureza  humana. </P>     <p>Um desafio, ent&atilde;o, &eacute; recolocar a pergunta pelo que significa ser humano neste encontro de tempos,  pelo tamanho que concedemos ao ser humano. &Eacute; uma quest&atilde;o que sempre esteve na pauta da reflex&atilde;o  pedag&oacute;gica e que j&aacute; foi muito bem posta por Rousseau (1995, p.45): &ldquo;Que eu saiba, nenhum  fil&oacute;sofo at&eacute; agora foi suficientemente ousado para dizer: eis o termo aonde o homem pode chegar e  que n&atilde;o seria capaz de ultrapassar. Ignoramos o que nossa natureza nos permite ser; nenhum de n&oacute;s mediu  a dist&acirc;ncia que pode haver entre um homem e outro homem.&rdquo;</P>     <p> A pergunta acima n&atilde;o requer apenas uma resposta te&oacute;rica. Do desafio de ter presente esta pergunta  na pr&aacute;tica educativa decorre outro, qual seja, o de transformar cada espa&ccedil;o educativo num <I>ethos</I>  promotor de humaniza&ccedil;&atilde;o (Streck, 2006b), ou, se quisermos, do <I>ser mais</I> de que falava Freire.</P>     <p>A constru&ccedil;&atilde;o deste <I>ethos</I><Sup><a href="#9">9</a><a name="top9"></a></Sup><I>    (Adams,2007)</I> se assemelha &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de uma casa.    A constru&ccedil;&atilde;o da casa n&atilde;o come&ccedil;a com a compra de    tijolos ou a contrata&ccedil;&atilde;o de um pedreiro. Ela come&ccedil;a com    o ato de sonhar a casa que se deseja construir. Queremos um jardim? Haver&aacute;    um canto para os ch&aacute;s, os temperos e aquele p&eacute; de primavera que    lembra o anivers&aacute;rio da m&atilde;e porque florescia naquela &eacute;poca?    A cozinha ser&aacute; apenas funcional ou ela ser&aacute; tamb&eacute;m um lugar    de encontro, mesmo que n&atilde;o tenha mais o velho fog&atilde;o a lenha? Acredito    que grande parte de nossos problemas em educa&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m a ver    com o fato de que perdemos a capacidade de sonhar as nossas escolas, as nossas    universidades e as nossas cidades. O medo e a inseguran&ccedil;a, um dos pilares    para a manuten&ccedil;&atilde;o do imp&eacute;rio, se infiltraram em todos os    cantos e aos poucos v&atilde;o inibindo a pr&oacute;pria condi&ccedil;&atilde;o    de sonhar. </P>     <p>S&oacute; depois de sonhada a casa, entra o arquiteto com as f&oacute;rmulas, c&aacute;lculos, planilhas e desenhos.  Este conhecimento t&eacute;cnico &eacute; t&atilde;o imprescind&iacute;vel para a constru&ccedil;&atilde;o da casa  quanto o &eacute; para a constru&ccedil;&atilde;o de um <I>ethos</I> para a educa&ccedil;&atilde;o. H&aacute; que  se conhecer o ch&atilde;o sobre o qual se faz a constru&ccedil;&atilde;o, ou seja, a realidade econ&ocirc;mica,  social e cultural na qual se realiza a pr&aacute;tica educativa. Precisa-se de um amplo conhecimento dos materiais,  isto &eacute;, dos recursos dispon&iacute;veis (pessoas, institui&ccedil;&otilde;es, laborat&oacute;rios, etc.)  na pr&oacute;pria realidade e em outros lugares para dar conta do que foi sonhado e projetado. Para Freire, o  sonho n&atilde;o &eacute; apenas sonho, mas &eacute; o <I>sonho poss&iacute;vel</I> ou o <I>in&eacute;dito  vi&aacute;vel</I> porque ele est&aacute; tencionado com o mundo de vida concreto das pessoas.</P>     <p>Depois de conclu&iacute;da a constru&ccedil;&atilde;o, &eacute; necess&aacute;rio que casa seja cuidada.  Ali&aacute;s, o cuidado &eacute; a condi&ccedil;&atilde;o que perpassa a constru&ccedil;&atilde;o desde o  in&iacute;cio e se prolonga no tempo. Cuidado, segundo Leonardo Boff (1999), como uma maneira de se estar no mundo.  Em termos freireanos, podemos traduzir esta condi&ccedil;&atilde;o como amorosidade, uma condi&ccedil;&atilde;o  que se expande para al&eacute;m da rela&ccedil;&atilde;o entre mulheres e homens: &ldquo;N&atilde;o creio na   amorosidade entre mulheres e homens, entre os seres humanos, se n&atilde;o nos tornamos capazes de amar o  mundo&rdquo; (Freire, 2000, p. 67). </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>3. <I>Assumir a conviv&ecirc;ncia de temporalidades:</I> A educa&ccedil;&atilde;o de nosso tempo &eacute;,  como dito antes, uma educa&ccedil;&atilde;o no encontro de tempos. Talvez sejamos tradicionais porque nossas  culturas t&ecirc;m ra&iacute;zes e porque gostamos de prociss&otilde;es religiosas e procuramos as benzedeiras  para curar nossas doen&ccedil;as. Somos modernos porque queremos usar o computador, o avi&atilde;o e outros  bens que a ci&ecirc;ncia e tecnologia moderna produziu. Somos p&oacute;s-modernos porque compartilhamos a  consci&ecirc;ncia dos limites desta mesma modernidade e seu ideal de progresso que aprofunda desigualdades e  coloca em risco a continua&ccedil;&atilde;o da vida ou porque temos condi&ccedil;&otilde;es de fabricar  identidades no <I>second life</I>. </P>     <p>Boaventura de Sousa Santos (2004, 2006) ) critica o car&aacute;ter reducionista    da racionalidade moderna e defende uma sociologia das aus&ecirc;ncias que permite    a multiplica&ccedil;&atilde;o e diversifica&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s    da ecologia dos saberes, dos tempos, das diferen&ccedil;as, das escalas e das    produ&ccedil;&otilde;es. Trata-se de reconhecer que existem diferentes formas    de compreender a rela&ccedil;&atilde;o entre o passado o presente e o futuro,    o modo de conceber o curto e o longo prazo, os ritmos de vida e a pr&oacute;pria    rela&ccedil;&atilde;o com o tempo.<Sup><a href="#10">10</a><a name="top10"></a></Sup>  </P>     <p>Paulo Freire (1992, p. 81) reconhece esta pluralidade ao afirmar que hoje devemos    ser progressistas de forma p&oacute;s-moderna.<Sup><a href="#11">11</a><a name="top11"></a></Sup>    Ou seja, dado que a realidade &eacute; din&acirc;mica, a interven&ccedil;&atilde;o    nela exige outras formas. &Eacute; neste mesmo sentido que Enrique Dussel (1993)    prop&otilde;e o conceito de transmodernidade. Nem modernos, porque somos o outro    lado da modernidade triunfante que promoveu o encobrimento do outro. Tamb&eacute;m    n&atilde;o p&oacute;s-modernos porque paradoxalmente esta modernidade desenvolveu    um princ&iacute;pio emancipat&oacute;rio que foi e continua sendo importante    para a nossa realidade. A transmodernidade &eacute; a possibilidade de pensar    al&eacute;m de uma e de outra.</P>      <p><B>Conclus&atilde;o: reconstruir a transforma&ccedil;&atilde;o social</B></P>      <p>Uma educa&ccedil;&atilde;o que queira, hoje, ser uma educa&ccedil;&atilde;o de seu tempo precisa  colocar-se de forma radical a pergunta pelo que significa a transforma&ccedil;&atilde;o social nesses  tempos de mudan&ccedil;as em tantos segmentos da vida humana. &Eacute; preciso entender que assim com a  realidade &eacute; din&acirc;mica e muda, tamb&eacute;m a id&eacute;ia que se faz da transforma&ccedil;&atilde;o  social sofre mudan&ccedil;as. </P>     <p> Isso significa redescobrir a leitura do mundo com uma tarefa primeira e fundamental. Uma das grandes  contribui&ccedil;&otilde;es de Paulo Freire foi n&atilde;o dissociar a leitura da palavra de seu contexto e para  isso inventou as palavras geradoras, os temas geradores, as codifica&ccedil;&otilde;es da realidade em imagens,  as fichas de descoberta, entre outros instrumentos que permitissem o tr&acirc;nsito entre as duas leituras. As  novas tecnologias de informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o, hoje, permitem novas  aproxima&ccedil;&otilde;es &agrave; realidade e permitem novas formas de codifica&ccedil;&atilde;o.  </P>     <p>A educa&ccedil;&atilde;o tem um papel fundamental no ensaio desta leitura. Um simples &ldquo;por qu&ecirc;?&rdquo;  pode fazer uma diferen&ccedil;a muito grande na vida de um educando. Por que as escolas s&atilde;o t&atilde;o diferentes  para os ricos e os pobres? Por que tantos meninos n&atilde;o ag&uuml;entam a sala de aula e buscam alternativas em  outros espa&ccedil;os. Onde a comunidade se movimenta para buscar alternativas?  </P>     <p>Imp&otilde;e-se hoje repensar a transforma&ccedil;&atilde;o no pr&oacute;prio movimento de transforma&ccedil;&atilde;o.  Se n&atilde;o se pode prescindir de projetos, estes tamb&eacute;m n&atilde;o podem ser mais entendidos como verdades  derradeiras porque apoiadas em alguma autoridade pol&iacute;tica, intelectual ou outra. Nesse sentido, um dos  desafios da educa&ccedil;&atilde;o &eacute; inspirar o interesse pela busca. Entender a utopia como algo aberto,  din&acirc;mico, em constru&ccedil;&atilde;o. </P>     <p>A pedagogia, se deseja ser transformadora, precisa assumir-se como um saber que assume a sua dimens&atilde;o  projetiva (Peresson, 2006), ou seja, de n&atilde;o se satisfazer em descrever as pr&aacute;ticas educativas e apontar  as falhas para um melhor funcionamento. Uma pedagogia transformadora &eacute; uma pedagogia que combina a forte  inser&ccedil;&atilde;o na realidade com a capacidade de imaginar novos cen&aacute;rios. </P>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><B>Notas</B></P>      <p><Sup><a href="#top1">1</a><a name="1"></a></Sup> Em di&aacute;logo com Paulo    Freire, <I>O Caminho se faz caminhando</I>, p. 109.</P>     <p><Sup><a href="#top2">2</a><a name="2"></a></Sup> Originalmente publicado em    &ldquo;Nuestra Am&eacute;rica&rdquo;. <I>La Am&eacute;rica</I>, Nova York, novembro    de 1884.</P>     <p><Sup><a href="#top3">3</a><a name="3"></a></Sup> Este texto foi apresentado    no painel do Ato P&uacute;blico de XXXVII Congresso Internacional de F&eacute;    e Alegria, sob o tema geral <I>Educa&ccedil;&atilde;o e Transforma&ccedil;&atilde;o    Social,</I> coordenado por Luiz Fernando Klein e com a participa&ccedil;&atilde;o    de Fernando Haddad, Jorge Cela e Moacir Gadotti. (S&atilde;o Paulo, 3 de novembro    de 2007). O projeto do qual o artigo se origina conta com apoio do CNPq.</P>     <p><Sup><a href="#top4">4</a><a name="4"></a></Sup> Do artigo &ldquo;Escolas de    Eletricidade&rdquo;, publicado originalmente em <I>La Am&eacute;rica</I>, Nova    York, nov. de 1883.</P>     <p><Sup><a href="#top5">5</a><a name="5"></a></Sup> H&aacute; perspectives de    p&oacute;s-modernidade onde a pr&oacute;pria id&eacute;ia de transforma&ccedil;&atilde;o    social &eacute; praticamente inviabilizada. Isso acontece tanto no discurso    do fim das metanarrativas (Lyotard) quanto na compreens&atilde;o do mundo como    simulacro, onde os signos n&atilde;o teriam mais contato verific&aacute;vel    com as realidades que supostamente representam. (Baudrillard). (Connor, 1989).</P>     <p><Sup><a href="#top6">6</a><a name="6"></a> </Sup>&ldquo;Como todas as transi&ccedil;&otilde;es    s&atilde;o simultaneamente semicegas e semi-invis&iacute;veis, n&atilde;o &eacute;    poss&iacute;vel nomear adequadamente a presente situa&ccedil;&atilde;o. Por    esta raz&atilde;o lhe tem sido dado o nome de p&oacute;s-modernidade. Mas, &agrave;    falta de melhor &eacute; um nome aut&ecirc;ntico na sua inadequa&ccedil;&atilde;o.&rdquo;    (Santos, 1996, p. 77)</P>     <p><Sup><a href="#top7">7</a><a name="7"></a></Sup> O conceito <I>Consenso de    Washington</I> &eacute; atribu&iacute;do ao economista ingl&ecirc;s John Williamson    do Institute for International Economics, de Washington DC, que o utilizou num    artigo, em 1989, para resumir alguns pontos pareciam consensuais para promover    o desenvolvimento da Am&eacute;rica Latina. Dentre estes se destacam a disciplina    da pol&iacute;tica fiscal, o redirecionamento do gastos p&uacute;blicos para    servi&ccedil;os b&aacute;sicos, como educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica, sa&uacute;de    b&aacute;sica e investimentos em infraestrutura, a amplia&ccedil;&atilde;o da    base de taxa&ccedil;&atilde;o e a ado&ccedil;&atilde;o de taxas moderadas, taxas    de interc&acirc;mbio comercial competitivas, liberaliza&ccedil;&atilde;o do    com&eacute;rcio, privatiza&ccedil;&atilde;o de propriedade estatal, liberaliza&ccedil;&atilde;o    do com&eacute;rcio de restri&ccedil;&otilde;es para importa&ccedil;&atilde;o    e seguran&ccedil;a legal para direitos de propriedade.</P>     <p><Sup><a href="#top8">8</a><a name="8"></a></Sup> Conforme Boaventura de Sousa    Santos (2000, p. 330), &agrave; medida que a canibaliza&ccedil;&atilde;o da    emancipa&ccedil;&atilde;o social pela regula&ccedil;&atilde;o social se converteu    no mega-senso comum do fim do s&eacute;culo XX, a regula&ccedil;&atilde;o social    n&atilde;o tem de ser efetiva para florescer: ela floresce simplesmente porque    a subjetividade &eacute; incapaz de conhecer e de desejar saber como conhecer    e desejar para al&eacute;m da regula&ccedil;&atilde;o.&rdquo;</P>     <p><Sup><a href="#top9">9</a><a name="9"></a></Sup> Para a conceitua&ccedil;&atilde;o    de <I>ethos</I> veja T. Adams, <I>Educa&ccedil;&atilde;o e economia (popular)    solid&aacute;ria</I>.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a href="#top10">10</a><a name="10"></a></Sup> Veja-se tamb&eacute;m <I>A    gram&aacute;tica do tempo: Para uma nova cultura pol&iacute;tica</I> (Santos,    2006).</P>     <p><Sup><a href="#top11">11</a><a name="11"></a></Sup>&ldquo;Numa tal perspective,    indiscutivelmente progressista, muito mais p&oacute;s-moderna, como entendo    a p&oacute;s-modernidade, que moderna, e nada &lsquo;modernizante&rsquo;, ensinar    n&atilde;o &eacute; simples transmiss&atilde;o do conhecimento em torno do objeto    ou do conte&uacute;do&rdquo; (Freire, 1992, p. 81).</P>      <p>&nbsp;</p>      <p><B>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</B></P>      <p>Adams, T. (2007). <I>Educa&ccedil;&atilde;o e economia (popular) solid&aacute;ria: Media&ccedil;&otilde;es  pedag&oacute;gicas do trabalho associado na </I><I>Associa&ccedil;&atilde;o de Recicladores de Dois Irm&atilde;os,  1994-2006</I>. Tese do Doutorado, Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Educa&ccedil;&atilde;o da UNISINOS,  S&atilde;o Leopoldo.</P>      <p>Boff, L. (1999). <I>Saber cuidar: &eacute;tica do humano &ndash; compaix&atilde;o pela terra</I>. 2. ed.  Petr&oacute;polis: Vozes. </P>      <p>Coady, J. (1939). <I>Masters of Their Own Destiny</I>. New York; London: Harper & Row. </P>      <p>Com&eacute;nio, J. A. (1985). <I>D</I><I>id&aacute;ctica Magna, Tratado Universal de Ensinar Tudo a Todos</I>.  3. Ed. Lisboa: Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian. (Original utilizado para tradu&ccedil;&atilde;o publicado  em 1957) </P>      <p>Connor, S. (1989). <I>Cultura P&oacute;s-Moderna: Introdu&ccedil;&atilde;o &agrave;s Teorias do Contempor&acirc;neo</I>.  2. ed. (A.U.Sobral e M.S.Gon&ccedil;alves, Trad.).S&atilde;o Paulo: Loyola. (Original publicado em 1989)</P>      <p>Dussel, E. (1993). <I>1942: O encobrimento do outro (A origem do &ldquo;mito da Modernidade&rdquo;)</I>.  Petr&oacute;polis: Vozes. </P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Freire, P. & Guimar&atilde;es, S. (1984). <I>Sobre educa&ccedil;&atilde;o: Di&aacute;logos</I>: Volume II.  Rio de Janeiro: Paz e Terra.</P>      <p>Freire, P. (1981). <I>Pedagogia do oprimido</I>.  9. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra. </P>      <p>Freire, P. (1992). <I>Pedagogia da esperan&ccedil;a</I>. S&atilde;o Paulo: Paz e Terra, 1992.</P>      <p>Freire, P. (1995). <I>&Agrave; sombra desta mangueira</I>. S&atilde;o Paulo: Olho d&rsquo;&Aacute;gua, 1995.</P>      <p>Freire, P. (1996). <I>Pedagogia da autonomia: Saberes necess&aacute;rios &agrave; pr&aacute;tica educativa.</I>  S&atilde;o Paulo: Paz e Terra.</P>      <p>Freire, P. & Horton, M. (2003). <I>O caminho se faz caminhando: conversas sobre educa&ccedil;&atilde;o e  mudan&ccedil;a social.</I> Petr&oacute;polis: Vozes.</P>      <p>Gadotti, M. (2007). <I>Educar para um outro mundo poss&iacute;vel.</I> S&atilde;o Paulo: Publisher Brasil.</P>      <p>G&oacute;es, R. C. & Passos, L.A. (2006), Notas sobre tramas e artimanhas da UPC. In A. Torres, G. Semeraro  e L.A. Passos.(Org.) <I>Educa&ccedil;&atilde;o: Fronteira pol&iacute;tica</I> (pp. 203-216). Cuiab&aacute;: UFMT.</P>      <p>Hameline, D. (1985). P&eacute;dagogie. <I>Enciclopaedia Universalis</I>. Tomo 14: Paris. </P>      <p>Illich, I. (1972). <I>Descooling Society</I>. New York: Harper & Row.</P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Mart&iacute;, J. (2007). <I>Educa&ccedil;&atilde;o em Nossa Am&eacute;rica: Textos selecionados.</I>  Apresenta&ccedil;&atilde;o e organiza&ccedil;&atilde;o de D. Streck. Iju&iacute;: Uniju&iacute;.</P>      <p>Medeiros, L. B. (2007). O dissenso como &ldquo;portador&rdquo; de media&ccedil;&otilde;es pedag&oacute;gicas  no processo de participa&ccedil;&atilde;o de lideran&ccedil;as comunit&aacute;rias no or&ccedil;amento p&uacute;blico  de Teresina (PI<I>).</I> Em Universidade do Vale do Vale do Rio dos Sinos, UNISINOS (Org.), <I>Anais do V Congresso  Internacional de Educa&ccedil;&atilde;o </I>(pp. 1-15). Pelotas: Seiva.</P>      <p>Mej&iacute;a Jimenez., M. R. (s/d) <I>Reconstruyendo la transformaci&oacute;n social: Movimientos sociales y  educaci&oacute;n popular</I>. Bogot&aacute;: Magist&eacute;rio.</P>      <p>Mej&iacute;a Jimenez., M. R.,(2006). <I>Educacio(es) em la(s) globalizaci&oacute;n(es) I. Entre el pensamiento & uacute;nico y la nueva </I><I>cr&iacute;tica.</I> Bogot&aacute;: Ediciones Desde Abajo.</P>      <p>Moretti, C. Z. (2007). Sistema educativo rebelde aut&ocirc;nomo zapatista: entre o poder de Esatdo e as  pr&aacute;ticas pedag&oacute;gicas clandestinas. Em Universidade do Vale do Rio dos Sinos, UNISINOS (Org.),  <I>Anais do V Congresso </I><I>Internacional de Educa&ccedil;&atilde;o </I>(pp. 1-13). Pelotas: Seiva.</P>      <p>Mouterde, P. (2003), <I>Reinventando a utopia: Pr&aacute;ticas alternativas da esquerda latino-americana.</I>  Porto Alegre: Tomo Editorial. </P>      <p>Peresson Tonello, M. L (2006). Pedagogias e culturas. In C. Scarlatelli, D. Streck e J. I. Follmannn (Org.).  <I>Religi&atilde;o, </I><I>cultura e educa&ccedil;&atilde;o.</I> S&atilde;o Leopoldo: Unisinos.</P>      <p>Poel, C.J. van der & Poel, M. S. van der (2007). <I>Trajet&oacute;ria de uma milit&acirc;ncia educacional:  Do Sistema Freireano ao </I><I>Letramento S&oacute;cio-Hist&oacute;rico.</I> S&atilde;o Leopoldo: Oikos.</P>      <p>Rousseau, J.-J. (1995). <I>Em&iacute;lio ou Da Educa&ccedil;&atilde;o</I>. S&atilde;o Paulo: Martins Fontes.  (Original publicado em 1762)</P>      <p>Santos, B. S. (1996).  <I>Pela m&atilde;o de Alice: O social e o pol&iacute;tico na p&oacute;s-modernidade</I>.  2. ed. S&atilde;o Paulo: Cortez.</P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Santos, B. S. (2000). <I>A cr&iacute;tica da raz&atilde;o indolente: Contra o desperd&iacute;cio da  experi&ecirc;ncia</I>. S&atilde;o Paulo: Cortez.</P>      <p>Santos, B. S. (Org.)<I>. </I>(2004).<I>  Conhecimento Prudente para uma Vida Decente: &lsquo;Um Discurso  sobre as Ci&ecirc;ncias&rsquo;revisitado</I>. S&atilde;o Paulo: Cortez. </P>      <p>Santos, B. S. (2006). <I>A Gram&aacute;tica do tempo: para uma nova cultura pol&iacute;tica</I>.  S&atilde;o Paulo: Cortez.</P>      <p>Skinner, B.F. (1962). <I>Walden Two.</I> New York: MacMillan.</P>      <p>Skinner, B.F. (1972). <I>Beyond Freedom and Dignity</I>. New York; London: Bantam; Vintage.</P>      <p>Streck, D.R. (2001). <I>Pedagogia no encon</I><I>tro de tempos: Ensaios inspirados em Paulo Freire.</I>  Petr&oacute;polis: Vozes. </P>      <p>Streck, D.R. (2004). O F&oacute;rum Social Mundial e a agenda da educa&ccedil;&atilde;o popular.  <I>Revista Brasileira de Educa&ccedil;&atilde;o</I>, 26, 58-68.</P>      <!-- ref --><p>Streck, D.R.(2006). O <I>design</I> do mundo e o ser humano: sobre a educa&ccedil;&atilde;o e  as fronteiras do humano. <I>Educa&ccedil;&atilde;o & Linguagem</I>, 13, 217-232.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000110&pid=S1645-7250200900010000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Streck, D.R. (2006). O <I>ethos</I> de uma educa&ccedil;&atilde;o humanizadora. <I>Espa&ccedil;o  pedag&oacute;gico</I>, 1, 95-106.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000111&pid=S1645-7250200900010000600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a href="#top0">*</a><a name="0"></a></Sup> Universidade do Vale do Rio    dos Sinos UNISINOS, Brasil. </P>     <p><a href="mailto:dstreck@unisinos.br">dstreck@unisinos.br</a></P>      ]]></body><back>
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