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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Os saberes e poderes da reforma de 1905]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In this paper, we intend to revisit the 1905 Reform focusing on the curriculum innovations and pedagogical measures that made it unique. As methodological focuses we assume the curriculum as social construction and we establish a link between the pedagogy of power and learning following Nietzsche and Foucault, considering that behind all learning and understanding what is at stake is a fight for power, being the political power intimately related with learning. We deal, at the beginning, with the new curriculum proposal of the above-mentioned document - drafted by the Director General of Public Instruction, Abel Andrade and undersigned by the Minister of the Reign, Eduardo José Coelho. We highlight, on one hand, the mechanisms that made physical education part of the students’ curriculum at grammar school, and on the other hand, the means that opened a new way to a new learning and to a new development of the human body. In a second moment, we highlight the importance of what we call the new mechanisms of regulation where we include the notebook, as an incentive to the pedagogical practice of filling and exhibiting the work done by the students and at the same time the cooperation between the grammar school and the family. At last, we assume that this Reform should be seen in articulation with the previous one by Jaime Moniz, and that both correspond to two fundamental pieces of the reform movement, which was the basis of the education of the future governmental elite.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <P><B>Os saberes e poderes da reforma de 1905</B></P>      <p>&nbsp;</p>      <P> Jos&eacute; Viegas Br&aacute;s e Maria Neves Gon&ccedil;alves<a href="#0">*</a><a name="top0"></a>  </P>      <p>&nbsp;</p>      <p>Neste artigo, revisitamos a reforma de 1905 ao n&iacute;vel das inova&ccedil;&otilde;es curriculares  e dos dispositivos pedag&oacute;gicos que a singularizaram. Como enfoques metodol&oacute;gicos, assumimos  o curr&iacute;culo enquanto constru&ccedil;&atilde;o social, e estabelecemos uma conex&atilde;o entre pedagogia  do poder e do saber, na linha de Nietzsche e de Foucault de que, por detr&aacute;s de todo o saber, o que est&aacute;  em jogo &eacute; uma luta de poder, estando o poder pol&iacute;tico intrinsecamente correlacionado com o saber.  Abordamos, num primeiro momento, a nova configura&ccedil;&atilde;o curricu</B>lar proposta por este diploma -  elaborado pelo director geral de Instru&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica, Abel Andrade, e promulgado pelo ministro  do Reino, Eduardo Jos&eacute; Coelho - e colocamos em evid&ecirc;ncia, por um lado, os mecanismos que fizeram  com que a educa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica integrasse definitivamente o curr&iacute;culo dos alunos do liceu e,  por outro, a forma como abriu caminho para um novo conhecimento e para uma nova constru&ccedil;&atilde;o do corpo.  Num segundo momento, relevamos a import&acirc;ncia do que designamos por <I>novos mecanismos de  regula&ccedil;&atilde;o</I> onde inclu&iacute;mos o caderno di&aacute;rio, o incentivo &agrave; pr&aacute;tica  pedag&oacute;gica de arquivar e expor os trabalhos dos alunos e a coopera&ccedil;&atilde;o entre o liceu e a  fam&iacute;lia. Por fim, conclu&iacute;mos que esta reforma deve ser vista em articula&ccedil;&atilde;o com a  reforma anterior de Jaime Moniz e que ambas acabam por corresponder a duas pe&ccedil;as fundamentais do movimento  reformista cuja aposta, em &uacute;ltima an&aacute;lise, era a forma&ccedil;&atilde;o da futura elite governante. </P>      <p><B>Palavras-chave:</B> Reforma; configura&ccedil;&atilde;o curricular; educa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica;  saber; poder</P>      <p>&nbsp;</p>      <P><B>Knowledge and Power of 1905 Portuguese Reform</B></P>      <P>In this paper, we intend to revisit the 1905 Reform focusing on the curriculum innovations and pedagogical measures that made it unique. As methodological focuses we assume the curriculum as social construction and we establish a link between the pedagogy of power and learning following Nietzsche and Foucault, considering that behind all learning and understanding what is at stake is a fight for power, being the political power intimately related with learning. We deal, at the beginning, with the new curriculum proposal of the above-mentioned document – drafted by the Director General of Public Instruction, Abel Andrade and undersigned by the Minister of the Reign, Eduardo José Coelho. We highlight, on one hand, the mechanisms that made physical education part of the students’ curriculum at grammar school, and on the other hand, the means that opened a new way to a new learning and to a new development of the human body. In a second moment, we highlight the importance of what we call the new mechanisms of regulation where we include the notebook, as an incentive to the pedagogical practice of filling and exhibiting the work done by the students and at the same time the cooperation between the grammar school and the family. At last, we assume that this Reform should be seen in articulation with the previous one by Jaime Moniz, and that both correspond to two fundamental pieces of the reform movement, which was the basis of the education of the future governmental elite.</P>     <P><B>Keywords:</B> reform; curriculum; physical education; knowledge; power.</P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p><B>Introdu&ccedil;&atilde;o</B></P>      <p>O atraso da sociedade portuguesa e a necessidade de se instaurar um sistema educativo liberal moderno,  foi tema de debate que se arrastou durante todo o s&eacute;culo XIX, tendo-se agudizado progressivamente a partir  da segunda metade do s&eacute;culo. Apesar dos esfor&ccedil;os realizados por alguns reformistas, o nosso  sistema educativo continuava a n&atilde;o corresponder aos desafios da modernidade. </P>     <p>A institucionaliza&ccedil;&atilde;o de um sistema de ensino moderno colocava-se como um imperativo para a  transforma&ccedil;&atilde;o social, pois o sentimento de decad&ecirc;ncia nacional estava a afogar o imagin&aacute;rio  e a ferir o nosso orgulho de ser portugu&ecirc;s. Este empreendimento que est&aacute; indissoluvelmente ligado  ao liberalismo, implicava a ideia de regenerar a sociedade, estabelecer uma nova ordem, tal como os pa&iacute;ses  de refer&ecirc;ncia j&aacute; o haviam feito. </P>     <p>&Eacute; interessante analisarmos as reformas como um novo arranjo cultural sa&iacute;do da disputa entre  as for&ccedil;as da mudan&ccedil;a e as da estagna&ccedil;&atilde;o. Cada novo equil&iacute;brio pretende  introduzir uma mudan&ccedil;a na regula&ccedil;&atilde;o social, um ponto de viragem nos saberes e nos poderes,  procurando-se com isso apetrechar e vincular cada um a uma nova organiza&ccedil;&atilde;o social. Da&iacute; que  seja imposs&iacute;vel pensar o curr&iacute;culo simplesmente atrav&eacute;s de conceitos t&eacute;cnicos (Silva,  s/d.:147). O que &eacute; considerado &uacute;til, as capacidades que s&atilde;o socialmente valorizadas n&atilde;o  podem ser lidas fora da hist&oacute;ria, fora dos interesses que determinam quais os conhecimentos que s&atilde;o  considerados v&aacute;lidos. Da&iacute;, Goodson (1995:67) nos dizer que um dos problemas relacionados com o  estudo do curr&iacute;culo &eacute; o facto de se tratar de um conceito multifacetado, constru&iacute;do, negociado  e renegociado em v&aacute;rios n&iacute;veis e campos. &Eacute; por isso importante desviarmo-nos do enfoque  meramente t&eacute;cnico e adoptarmos o conceito de curr&iacute;culo como constru&ccedil;&atilde;o social.</P>     <p>Com efeito, as reformas representam sempre um marco de mudan&ccedil;a, um ponto de satura&ccedil;&atilde;o que  culmina invariavelmente na substitui&ccedil;&atilde;o de paradigmas que v&atilde;o servir de refer&ecirc;ncia ao  processo de constru&ccedil;&atilde;o curricular. Com as reformas escolares pretende-se produzir no ensino as  altera&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias que o sistema econ&oacute;mico, cultural e pol&iacute;tico exigem.  E tudo isto &eacute; inst&aacute;vel porque o homem sempre sonhou com o progresso, sempre procurou introduzir  altera&ccedil;&otilde;es na forma de vida. Toda esta indetermina&ccedil;&atilde;o faz do processo de mudan&ccedil;a  curricular um campo problem&aacute;tico porque a concep&ccedil;&atilde;o de mudan&ccedil;a, o sentido a dar &agrave;  produ&ccedil;&atilde;o do melhoramento social &eacute; motivo de grandes conflitos. Por isso, a reforma &eacute; um  palco onde se cruzam m&uacute;ltiplos saberes e poderes, m&uacute;ltiplas vis&otilde;es de estar na vida.</P>     <p>Neste sentido, podemos dizer que falar em reformas escolares &eacute; falar em novas configura&ccedil;&otilde;es  de conhecimentos, do que deve ser aprendido e incorporado, do que deve ser desenvolvido e do que deve ser suprimido,  do que &eacute; apreciado e valorizado e do que &eacute; marginalizado e desprezado. Procurar o nexo da  altera&ccedil;&atilde;o de conhecimentos que s&atilde;o afectos ao poder, &eacute; ao mesmo tempo compreender como  cada um fica ligado a uma forma particular de (auto)governo. Por consequ&ecirc;ncia e seguindo por agora Rose (1998),  diremos que de cada reforma sai uma administra&ccedil;&atilde;o do eu. Neste sentido, a regula&ccedil;&atilde;o das  capacidades subjectivas n&atilde;o s&atilde;o quest&otilde;es privadas. Por isso, o curr&iacute;culo est&aacute;  profundamente implicado na produ&ccedil;&atilde;o social, na cria&ccedil;&atilde;o de sentido. Cada um vai organizar  as percep&ccedil;&otilde;es, vai fazer ver como o mundo deve ser sentido e vivido. Neste sentido Popkewitz utiliza o  termo epistemologia social para se referir &agrave; rela&ccedil;&atilde;o que existe entre o conhecimento de  escolariza&ccedil;&atilde;o e os aspectos do poder.</P>      <p><B>As novas rela&ccedil;&otilde;es de poder e a nova configura&ccedil;&atilde;o curricular </B></P>      <p>A reforma de 1905 resulta de um longo processo de transforma&ccedil;&atilde;o. Para se chegar &agrave;s  decis&otilde;es sobre as mudan&ccedil;as a introduzir foi preciso criar condi&ccedil;&otilde;es para vencer  as resist&ecirc;ncias hegem&oacute;nicas. Desde a reforma de 1894-95, designada de Jaime Moniz, que a  remodela&ccedil;&atilde;o do ensino secund&aacute;rio vinha sendo insistentemente reclamada pela opini&atilde;o  p&uacute;blica, por diversos professores, pedagogos e articulistas da imprensa de educa&ccedil;&atilde;o e ensino.  &Eacute; conhecida a onda de contesta&ccedil;&atilde;o que o diploma despoletou, porque, na verdade, correspondia  ao que Jorge do &Oacute; (2003:234) chamou de &ldquo;estrat&eacute;gia de rompimento&rdquo;. N&atilde;o &eacute;  nosso ensejo, nem cabe no horizonte deste artigo, explanar a diversidade de coment&aacute;rios e a pluralidade  de contendores acerca deste Decreto. N&atilde;o vamos insistir nestes pontos que, com enfoques espec&iacute;ficos,  se encontram bem estabelecidos pela investiga&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica (Ad&atilde;o, 1998; Barroso, 1995a,  1999; N&oacute;voa, 1987; &Oacute;, 2003; Proen&ccedil;a, 1993, 1997, 1999; Valente, 1973). </P>     <p>O nosso foco de an&aacute;lise centra-se mais precisamente nas consequ&ecirc;ncias    da onda de contesta&ccedil;&atilde;o &agrave; Reforma de Jaime Moniz. Foi preciso    esperar pelo dia 29 de Agosto de 1905 para, o ent&atilde;o ministro do Reino,    Eduardo Jos&eacute; Coelho, assinar o Decreto que iria imprimir uma nova configura&ccedil;&atilde;o    ao ensino liceal. A not&iacute;cia foi recebida com agrado, manifestando-se    num duplo sentimento. Por um lado, festeja-se a vit&oacute;ria sobre as for&ccedil;as    reaccion&aacute;rias que se opunham &agrave; mudan&ccedil;a e, por outro, celebra-se    finalmente o acto de justi&ccedil;a que tardava a ser feito. Tal &eacute; o    caso da Associa&ccedil;&atilde;o do Magist&eacute;rio Secund&aacute;rio Oficial<Sup><a href="#1">1</a><a name="top1"></a></Sup>,    criada em 1904, que exulta com esta medida: &ldquo;O Sr. Ministro do Reino soube    resistir a influ&ecirc;ncias reaccion&aacute;rias que se opunham tenazmente    e por todos os meios a quaisquer modifica&ccedil;&otilde;es na reforma de 94-95&rdquo;<Sup><a href="#2">2</a><a name="top2"></a></Sup>.    Num outro sentido, como por exemplo fez notar um articulista do di&aacute;rio    republicano <I>O S&eacute;culo</I>, que sabendo da publica&ccedil;&atilde;o    iminente do diploma, declarava a 25 de Agosto: &ldquo;A justi&ccedil;a fez-se    tarde, mas fez-se; h&aacute; pois, motivo de sobra para que todos olhem com    desvanecimento o decreto que acaba de se publicar. A reforma que vai executar-se    no pr&oacute;ximo ano lectivo &eacute; uma repara&ccedil;&atilde;o que desde    95 era devida &agrave; mocidade estudiosa, ao pa&iacute;s e ao professorado&rdquo;<Sup><a href="#3">3</a><a name="top3"></a></Sup>.  </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Contudo, a reforma de 1905, preparada meticulosamente por Abel Andrade<Sup><a href="#4">4</a><a name="top4"></a></Sup>,    ent&atilde;o director geral de Instru&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica, correspondia    aos anseios e expectativas da opini&atilde;o especializada. Abel Andrade consultou    a Associa&ccedil;&atilde;o do Magist&eacute;rio Secund&aacute;rio Oficial<Sup><a href="#5">5</a><a name="top5"></a></Sup>.    Atendeu aos &ldquo;numerosos op&uacute;sculos&rdquo;, aos diversos artigos publicados    na imprensa, &agrave;s opini&otilde;es dos reitores, aos relat&oacute;rios dos    presidentes dos j&uacute;ris de exame e &agrave; &ldquo;indica&ccedil;&atilde;o    dos resultados&rdquo; fornecidos pelas Estat&iacute;sticas do Ensino Secund&aacute;rio    (Andrade, 1905: 1-4). E teve em linha de conta o extenso relat&oacute;rio -    intitulado precisamente <I>O regime de instru&ccedil;&atilde;o secund&aacute;ria    e os seus </I><I>resultados,</I> dado &agrave; estampa em 1903 &ndash; do seu    colega da Universidade, Marnoco e Sousa<Sup><a href="#6">6</a><a name="top6"></a></Sup>.    Abel Andrade buscou o consenso. E de certo modo obteve-o. A <I>Educa&ccedil;&atilde;o    </I><I>Nacional </I>n&atilde;o deixou de lhe regatear elogios:</P>     <p><I> &ldquo;</I>O Doutor Abel Andrade desde logo se prop&ocirc;s a seguir um    caminho novo, mas n&atilde;o da novidade jactanciosa que reforma para fazer    estr&eacute;pito, porque nem isso se podia compadecer nunca com a inteireza    do seu car&aacute;cter e com a robustez da sua intelig&ecirc;ncia&rdquo;<Sup><a href="#7">7</a><a name="top7"></a></Sup>.</P>     <p>Mas olhemos mais de perto para a g&eacute;nese do Decreto de 29 de Agosto de    1905. Em Julho de 1902, foi ordenada uma investiga&ccedil;&atilde;o ao Liceu    Central de Lisboa, em virtude das queixas endere&ccedil;adas &agrave; Direc&ccedil;&atilde;o    Geral de Instru&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica, contra a forma como tinham    decorrido os exames e como haviam sido apurados alguns alunos internos. A Portaria    do dia 28, assinada por Hintze Ribeiro, explicitava a necessidade de &ldquo;apurar    se estes e outros factos cong&eacute;neres s&atilde;o consequ&ecirc;ncia da    actual organiza&ccedil;&atilde;o do ensino secund&aacute;rio em vigor e ponderar    as altera&ccedil;&otilde;es que convenha fazer-se em algumas das suas disposi&ccedil;&otilde;es&rdquo;<Sup><a href="#8">8</a><a name="top8"></a></Sup>.    Para proceder a essa investiga&ccedil;&atilde;o e fazer um relat&oacute;rio    sobre a reforma de instru&ccedil;&atilde;o secund&aacute;ria de 1894/95 e os    seus resultados, foi nomeado o lente da Universidade de Coimbra, Marnoco e Sousa.  </P>     <p>O relator colheu diversos depoimentos no Liceu Central de Lisboa e apenas dois professores, Alfredo Apell e  Barbosa Bettencourt, se manifestaram a favor da manuten&ccedil;&atilde;o do regime vigente de instru&ccedil;&atilde;o  secund&aacute;ria. Os docentes liceais advers&aacute;rios do diploma foram v&aacute;rios: Jo&atilde;o Jos&eacute;  Figueiredo, Desid&eacute;rio Pinto Soares de Miranda, Ventura Faria, Eug&eacute;nio Moniz, Jos&eacute; Bernardino  de Sousa Romano, Al&iacute;pio Albano Camelo e Agostinho Fortes. Este depoente afirmou que &ldquo;a reforma tem  produzido resultados negativos para a instru&ccedil;&atilde;o&rdquo;. E aquele sustentou: </P>     <p>&ldquo;&Eacute; urgente e necess&aacute;rio bani-la, pelo menos modific&aacute;-la    profundamente, procedendo desde j&aacute; a um estudo consciencioso sobre a    reforma que ultimamente se decretou em Fran&ccedil;a, estudo que certamente    h&aacute;-de ter como consequ&ecirc;ncia a condena&ccedil;&atilde;o, se n&atilde;o    absoluta, pelo menos em grande parte da reforma de 1894, que devia ter a mesma    sorte que j&aacute; teve a reforma do gin&aacute;sio alem&atilde;o que o legislador    copiou textualmente&rdquo;<Sup><a href="#9">9</a><a name="top9"></a></Sup> .</P>     <p>Face ao que averiguou, Marnoco e Sousa constatou que, apesar da reforma n&atilde;o se ter coroado do &ecirc;xito  esperado, os seus resultados n&atilde;o poderiam ser considerados &ldquo;desastrosos&rdquo;. E acrescentava o seu  testemunho pessoal: os estudantes apresentavam na Universidade &ldquo;uma manifesta vantagem sobre os outros  alunos&rdquo;. Contudo, parecer ter ficado convencido da urg&ecirc;ncia em reformar o diploma de 1894, conforme se  depreende da forma como termina o relat&oacute;rio: &ldquo;Oxal&aacute; que estas conclus&otilde;es conven&ccedil;am  Vossa Majestade da necessidade instante de modificar o regime da instru&ccedil;&atilde;o secund&aacute;ria de modo  a restabelecer a confian&ccedil;a que todo o povo livre deve depositar no seu ensino. Os homens passam e as  institui&ccedil;&otilde;es ficam...&rdquo; (Sousa, 1903: 49).</P>     <p>Ainda no ano de 1902, Abel Andrade expede, em Junho, uma circular a requerer    relat&oacute;rios aos presidentes de j&uacute;ris de exame dos liceus. E, no    m&ecirc;s seguinte, solicita-lhes reflex&otilde;es sobre a actual organiza&ccedil;&atilde;o    do ensino secund&aacute;rio e as propostas de altera&ccedil;&otilde;es dos dispositivos    do diploma em vigor<Sup><a href="#10">10</a><a name="top10"></a></Sup>. </P>     <p>Os relat&oacute;rios, na sua globalidade, revelam que h&aacute; um grande &iacute;ndice    de exclus&otilde;es, contudo, os alunos aprovados demonstram aprendizagens mais    significativas e melhores conhecimentos dos conte&uacute;dos program&aacute;ticos<Sup><a href="#11">11</a><a name="top11"></a></Sup>.</P>     <p>A par da recolha destes dispositivos emanados do poder central, continuam a    surgir, na imprensa, vozes a combater o regime de instru&ccedil;&atilde;o secund&aacute;ria    vigente. O professor liceal, Borges Grainha, ma&ccedil;on e republicano, sustentou,    no <I>Di&aacute;rio de Not&iacute;cias,</I> desde Outubro de 1904 a Maio de    1905, uma vigorosa campanha contra os princ&iacute;pios organizativos do diploma    de Jaime Moniz. A esta luz, publica uma s&eacute;rie de artigos<I>, </I>com    o intuito de modificar a organiza&ccedil;&atilde;o do ensino secund&aacute;rio,    vigente. O director do <I>Di&aacute;rio de Not&iacute;cias,</I> Alfredo da Cunha,    considerou-o mesmo um dos &ldquo;mais valentes, denodados e ilustres demolidores    da velha reforma&rdquo;<Sup><a href="#12">12</a><a name="top12"></a></Sup>.    Esses artigos viriam a ser compilados, pelo autor, no livro <I>A instru&ccedil;&atilde;o    secund&aacute;ria </I><I>de ambos os sexos no estrangeiro e em Portugal, </I>editado    em Outubro de 1905. No Pref&aacute;cio, Alfredo da Cunha revela que o ent&atilde;o    chefe do governo, Luciano de Castro, lhe dissera que lera todos esses artigos    &ldquo;com muito agrado, achando que continham mat&eacute;ria digna de aten&ccedil;&atilde;o    e alvitres que seria &uacute;til p&ocirc;r em pr&aacute;tica&rdquo; (Cunha,    1905: iv).</P>     <p>No in&iacute;cio de Outubro de 1904, por Portaria do dia 8 desse m&ecirc;s<Sup><a href="#13">13</a><a name="top13"></a></Sup>,    o Projecto de Reforma da Instru&ccedil;&atilde;o Secund&aacute;ria, elaborado    por Abel Andrade, &eacute; apresentado ao ministro do Reino, Hintze Ribeiro.    E submetido &agrave; aprecia&ccedil;&atilde;o do Conselho Superior de Instru&ccedil;&atilde;o    P&uacute;blica<Sup><a href="#14">14</a><a name="top14"></a></Sup>, dos reitores    dos liceus centrais e de uma comiss&atilde;o, composta por vinte e um professores    dos liceus<Sup><a href="#15">15</a><a name="top15"></a></Sup>, dirigida por    Jer&oacute;nimo Northway do Vale (presidente da Associa&ccedil;&atilde;o do    Magist&eacute;rio Secund&aacute;rio Oficial) e secretariada por Ant&oacute;nio    Carlos de Freitas e Silva, professor do Liceu de Lamego. Esta comiss&atilde;o    teve dez sess&otilde;es de trabalho, oito em Outubro de 1904 e duas em Novembro    do mesmo ano<Sup><a href="#16">16</a><a name="top16"></a></Sup>. E o seu Parecer    reafirma as linhas directrizes, as op&ccedil;&otilde;es metodol&oacute;gicas    e curriculares do projecto de Abel Andrade. E &ldquo;faz votos para que seja    convertido em lei com brevidade, j&aacute; que a urg&ecirc;ncia do assunto o    requer&rdquo;<Sup><a href="#17">17</a><a name="top17"></a></Sup>. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Por&eacute;m, passados dois meses, os reitores ainda n&atilde;o tinham apresentado    os respectivos pareceres. Em Janeiro de 1905, um articulista do <I>Boletim da    Associa&ccedil;&atilde;o do Magist&eacute;rio Secund&aacute;rio Oficial,</I>    num artigo significativamente intitulado, <I>Sil&ecirc;ncio reitoral,</I> lamentava    esse facto. E conclu&iacute;a o artigo, interrogando-se: &ldquo;Ser&aacute;    desleixo, incapacidade cr&iacute;tica ou animadvers&atilde;o contra o projecto?&rdquo;<Sup><a href="#18">18</a><a name="top18"></a></Sup>.</P>     <p>Ao Conselho Superior de Instru&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica foi pedido,    pela Portaria de 18 de Mar&ccedil;o de 1905, um parecer sobre o Projecto de    Reforma da Instru&ccedil;&atilde;o Secund&aacute;ria. S&oacute; passados quatro    meses, mais precisamente a 26 de Agosto de 1905, &eacute; que emite a sua opini&atilde;o,    frisando que, &ldquo;apesar de n&atilde;o estar em v&aacute;rios pontos em harmonia    com as ideias por vezes expendidas por esta corpora&ccedil;&atilde;o a respeito    dos assuntos de instru&ccedil;&atilde;o&rdquo; e dada a urg&ecirc;ncia da necessidade    de reformar os estudos secund&aacute;rios, &ldquo;corre a este Conselho o dever    de, neste sentido e, em tais condi&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o recusar o voto    favor&aacute;vel ao referido projecto&rdquo;<Sup><a href="#19">19</a><a name="top19"></a></Sup>.    Como se v&ecirc; neste enunciado discursivo, vislumbra-se, apesar da conten&ccedil;&atilde;o    verbal, uma certa diverg&ecirc;ncia da parte do Conselho relativamente ao projecto    em an&aacute;lise. Essa discord&acirc;ncia n&atilde;o nos surpreende. E porqu&ecirc;?    Desde 1903, que a imprensa vinha veiculando as desintelig&ecirc;ncias entre    os membros do Conselho Superior de Instru&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica e    o director geral, Abel Andrade. Ao peri&oacute;dico <I>O Jornal, </I>por exemplo,    chegam ecos desses desentendimentos. No dia 28 de Julho de 1903, estampa na    1&ordf; p&aacute;gina, um editorial intitulado <I>Rivalidades do Director Geral    e do Conselho Superior de Instru&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica. </I>O editorialista    chega a afirmar, num registo coloquial e disf&oacute;rico, que &ldquo;o director    geral [Abel Andrade] embirra com este [Conselho Superior de Instru&ccedil;&atilde;o    P&uacute;blica], chamando-lhe desdenhosamente &laquo;O Olimpo&raquo;...&rdquo;<Sup><a href="#20">20</a><a name="top20"></a></Sup>.</P>     <p>Em Julho de 1905, uma comiss&atilde;o de pais e tutores de alunos dos liceus, presidida pelo director  do <I>Di&aacute;rio de Not&iacute;cias,</I> apresenta ao rei e ao chefe do Governo, Luciano de Castro, uma  peti&ccedil;&atilde;o no sentido de modificar o actual regime de instru&ccedil;&atilde;o secund&aacute;ria  que vigorava desde 1895. </P>     <p>A <I>Representa&ccedil;&atilde;o,</I> publicada no <I>Di&aacute;rio de Not&iacute;cias </I>do dia 5 de Julho  de 1905, reitera &ldquo;os graves inconvenientes&rdquo; do referido diploma que, ap&oacute;s dez anos de vig&ecirc;ncia,  &eacute; globalmente condenado pelos professores e reitores, alunos e encarregados de educa&ccedil;&atilde;o.  Neste contexto, a comiss&atilde;o solicita o seguinte:</P>     <p>Que se promova cuidadosamente a organiza&ccedil;&atilde;o efectiva de instala&ccedil;&otilde;es para o  desenvolvimento da educa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica actualmente descurada.</P>     <p>Que se reduza e seja mais prof&iacute;cuo o trabalho dos alunos, actualmente excessivo.</P>     <p>Que se fa&ccedil;a completa revis&atilde;o dos programas, que s&atilde;o demasiadamente extensos.</P>     <p>Que se modifique o regime actual da adop&ccedil;&atilde;o de livros de ensino, condenando-se o livro &uacute;nico e seu exorbitante pre&ccedil;o.</P>     <p>Que se reduza consideravelmente o estudo da l&iacute;ngua latina.</P>     <p>Que tanto aos alunos que frequentam o curso geral como aos que sigam o complementar, seja permitido o estudo  simult&acirc;neo das l&iacute;nguas, inglesa e alem&atilde; sendo obrigat&oacute;rio o estudo da l&iacute;ngua inglesa.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Que se estabele&ccedil;a a bifurca&ccedil;&atilde;o dos cursos.</P>     <p>Que acabe o regime das disciplinas privilegiadas<I>.</I></P>     <p>Que seja suprimida a disposi&ccedil;&atilde;o regulamentar que permite excluir os alunos, no fim da  primeira &eacute;poca, quando n&atilde;o obtenham m&eacute;dia.</P>     <p>Que se consintam exames singulares de quaisquer disciplinas sem que haja necessidade de especificar o fim a  que se destinam, nem ter o aluno atingido determinada idade.</P>     <p>Que o aluno n&atilde;o seja exclu&iacute;do por n&atilde;o obter m&eacute;dia numa disciplina s&oacute;.</P>     <p>Que sejam inamov&iacute;veis, quanto poss&iacute;vel, os professores das classes, sobretudo, no mesmo ano lectivo.</P>     <p>Que se conceda maior liberdade ao ensino particular.</P>     <p>Que sejam imediatamente criados tr&ecirc;s liceus, pelo menos, em Lisboa, mas que sejam completos, e situados  em pontos distantes, de forma a servirem convenientemente a popula&ccedil;&atilde;o da capital.</P>     <p>Que se construam tr&ecirc;s edif&iacute;cios em Lisboa, dotando-os de mobili&aacute;rio, material did&aacute;ctico,  bibliotecas, gabinetes de f&iacute;sica, laborat&oacute;rios e museus.</P>     <p>Que o regime proposto nesta <I>Representa&ccedil;&atilde;o</I> possa aproveitar, tanto quanto poss&iacute;vel,  aos actuais alunos de instru&ccedil;&atilde;o secund&aacute;ria.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O conte&uacute;do desta <I>Representa&ccedil;&atilde;o</I> consubstancia os anseios da opini&atilde;o  especializada acerca do ensino secund&aacute;rio ao n&iacute;vel do desenho curricular (integra&ccedil;&atilde;o  da educa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica, redu&ccedil;&atilde;o da carga hor&aacute;ria do latim, possibilidade de  optar entre o estudo do ingl&ecirc;s ou do alem&atilde;o, redu&ccedil;&atilde;o dos conte&uacute;dos program&aacute;ticos),  ao n&iacute;vel dos exames (possibilidade de fazer exames singulares) e ao n&iacute;vel da organiza&ccedil;&atilde;o  estrutural (aboli&ccedil;&atilde;o do regime de livro &uacute;nico, apologia da liberdade de ensino e  constru&ccedil;&atilde;o de edif&iacute;cios pr&oacute;prios devidamente apetrechados). </P>     <p>A 5 de Agosto de 1905, surge uma outra <I>Representa&ccedil;&atilde;o</I>,    a dos pais de fam&iacute;lia, directores de col&eacute;gios e professores do    ensino particular do Porto<Sup><a href="#21">21</a><a name="top21"></a></Sup>    a propor medidas &ldquo;que salvem o ensino m&eacute;dio, absolutamente comprometido    pelo regime vigente&rdquo;, no sentido de &ldquo;aproximar a escola da vida,    de que t&atilde;o divorciada tem andado&rdquo; e &ldquo;combinar o ensino te&oacute;rico    da ci&ecirc;ncia com a aprendizagem da vida real&rdquo;<Sup><a href="#22">22</a><a name="top22"></a></Sup>.    Esta peti&ccedil;&atilde;o enfoca, naturalmente, as vantagens da liberdade de    ensino por estimular a concorr&ecirc;ncia com o ensino oficial e contribuir    para o desenvolvimento da instru&ccedil;&atilde;o. Da&iacute; o apelo: &ldquo;&Eacute;    indispens&aacute;vel quebrar as cadeias que manietam o ensino particular&rdquo;    para quem &ldquo;o ensino oficial constitui padr&atilde;o e guia em toda a parte    do mundo&rdquo;<Sup><a href="#23">23</a><a name="top23"></a></Sup>. </P>     <p>Segundo a <I>Educa&ccedil;&atilde;o Nacional,</I> o ministro do Reino, Eduardo    Jos&eacute; Coelho, que recebeu estas comiss&otilde;es manifestou a sua concord&acirc;ncia    com o conte&uacute;do das propostas e mostrou-se empenhado em &ldquo;n&atilde;o    sair do minist&eacute;rio sem ligar o seu nome &agrave; remodela&ccedil;&atilde;o    do ensino secund&aacute;rio&rdquo;<Sup><a href="#24">24</a><a name="top24"></a></Sup>.</P>     <p>Desejando que o Parlamento discuta e aprecie o Projecto de Reforma da Instru&ccedil;&atilde;o    Secund&aacute;ria, diversos artigos na imprensa reiteram as suas virtualidades,    insistindo no &ldquo;interesse vital para o ensino e nas justas e leg&iacute;timas    aspira&ccedil;&otilde;es de toda a classe do professorado&rdquo;<Sup><a href="#25">25</a><a name="top25"></a></Sup>.  </P>     <p>O deputado progressista Pereira Cardoso faz algumas considera&ccedil;&otilde;es    sobre este diploma, reconhecendo que ele corresponde ao apelo da imprensa, de    docentes e de pais que desejam educar e instruir os filhos. Felicita o ministro    do Reino por ter dado &ldquo;um passo agigantado para completar e aperfei&ccedil;oar    a nossa instru&ccedil;&atilde;o secund&aacute;ria&rdquo;<Sup><a href="#26">26</a><a name="top26"></a></Sup>.    E passa a enumerar as mais valias que, na sua &oacute;ptica, o documento cont&eacute;m:    a introdu&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica na matriz    curricular deste grau de ensino, a simplifica&ccedil;&atilde;o dos conte&uacute;dos    das mat&eacute;rias de ensino e a redu&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de    horas lectivas. Por&eacute;m, afigura-se-lhe grave a falta de obrigatoriedade    da l&iacute;ngua inglesa. Para refor&ccedil;ar esta tese, apresenta os seguintes    argumentos: nas col&oacute;nias, fala-se ingl&ecirc;s, as cartas geogr&aacute;ficas    acham-se repletas de nomes ingleses e nas nossas rela&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas    internacionais, o com&eacute;rcio ingl&ecirc;s ocupa um lugar proeminente. Refere-se    tamb&eacute;m a modelos educativos estrangeiros, como a &Aacute;ustria, Holanda,    B&eacute;lgica, Su&eacute;cia, Fran&ccedil;a e Alemanha, que incluem nos planos    de estudo o ensino obrigat&oacute;rio da l&iacute;ngua inglesa<Sup><a href="#27">27</a><a name="top27"></a></Sup>.  </P>     <p>Tamb&eacute;m os coment&aacute;rios coet&acirc;neos dos republicanos evidenciam    <I>grosso modo</I> concord&acirc;ncia com o documento legal em an&aacute;lise.    Um dos articulistas do <I>Di&aacute;rio de </I><I>Not&iacute;cias</I> do dia    2 de Setembro, presumivelmente o republicano Borges Grainha, escrevia: &ldquo;a    reforma de 1905 tem de ser cumprida em todas as suas disposi&ccedil;&otilde;es&rdquo;.    E a <I>Educa&ccedil;&atilde;o Nacional</I> elogiava os programas dos liceus:    &ldquo;Est&atilde;o realmente bem (&hellip;). Caiu muita farrapagem do arreglo    [<I>sic</I>] germ&acirc;nico e excresc&ecirc;ncias que caracterizavam o anterior&rdquo;<Sup><a href="#28">28</a><a name="top28"></a></Sup>.  </P>      <P><B>O culminar do processo de convers&atilde;o da Educa&ccedil;&atilde;o F&iacute;sica em saber verdadeiro </B></P>      <p>Uma quest&atilde;o que importa fazer &eacute; a conex&atilde;o entre as rela&ccedil;&otilde;es de poder  e a entrada dos exerc&iacute;cios g&iacute;mnicos no curr&iacute;culo. Quando nos referimos ao culminar do  processo de convers&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica em saber verdadeiro, queremos colocar em  evid&ecirc;ncia os mecanismos que fizeram com que a educa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica fosse definitivamente  aceite no curr&iacute;culo dos alunos do liceu e estabelecer o elo de liga&ccedil;&atilde;o com os procedimentos  que dela dependem.</P>     <p>Pela voz de J. J. Silva Amado, reitor do Liceu Central de Lisboa, na sess&atilde;o    solene de abertura dos cursos<Sup><a href="#29">29</a><a name="top29"></a></Sup>,    em 1 de Outubro de 1895, afirma-se que em certas reformas se tem tomado por    modelo a organiza&ccedil;&atilde;o da Fran&ccedil;a, mas que, desta vez, se    seguiu o modelo alem&atilde;o. Aproveitando esta ocasi&atilde;o, refere que    nos liceus portugueses n&atilde;o entrou o ensino da gin&aacute;stica como sucede    na Alemanha. Em sua opini&atilde;o, &ldquo;os exerc&iacute;cios gin&aacute;sticos    constituiriam uma excelente divers&atilde;o para os alunos, e contribuiriam    para se lhes robustecer o corpo, condi&ccedil;&atilde;o essencial para suportarem    sem inconveniente a fadiga intelectual que resulta do estudo esfor&ccedil;ado    de muitas disciplinas&rdquo; (Amado, 1895: 7). </P>     <p>Esta falha &eacute; tamb&eacute;m colocada em evid&ecirc;ncia por Ernesto Hintze Ribeiro no Pre&acirc;mbulo  do Decreto n.&ordm; 2 de 24 de Dezembro de 1901 - que aprova a nova organiza&ccedil;&atilde;o da Direc&ccedil;&atilde;o  Geral de Instru&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica, no Minist&eacute;rio do Reino - onde &eacute; referido que se  o Estado obriga as crian&ccedil;as a frequentar as escolas durante uma boa parte da sua infantil exist&ecirc;ncia, & eacute; razo&aacute;vel que seja tamb&eacute;m o respons&aacute;vel, em todo este tempo, pelo desenvolvimento gradual  das suas for&ccedil;as f&iacute;sicas e pela manuten&ccedil;&atilde;o da sua sa&uacute;de. Isto quer dizer que o Estado  n&atilde;o se pode eximir a esta quest&atilde;o, sendo mesmo desej&aacute;vel que tenha um papel interventor.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Isto &eacute; perfeitamente percept&iacute;vel quando de seguida se pergunta se realmente ter&aacute; sido assim,  se o Estado ter&aacute; inspirado a confian&ccedil;a dos pais que procuram as escolas como <I>santu&aacute;rio  educativo dos seus filhos</I> e com a m&aacute;xima garantia e salvaguarda da sa&uacute;de das crian&ccedil;as  durante o per&iacute;odo cr&iacute;tico do desenvolvimento, em que elas ficam entregues &agrave; sua responsabilidade.  A resposta dada a esta quest&atilde;o est&aacute; no aspecto doentio e no crescente atrofiamento da ra&ccedil;a que  se verifica na popula&ccedil;&atilde;o que frequenta as escolas p&uacute;blicas, tornando-se presa do flagelo que &eacute;  a tuberculose. </P>     <p>Passados alguns anos, Clemente Pinto, reitor do Liceu Central de Lisboa, clama a urg&ecirc;ncia de acudir  prontamente a este v&iacute;cio educativo, defendendo a import&acirc;ncia da educa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica  para se robustecer igualmente o corpo e o esp&iacute;rito das crian&ccedil;as, sem que existam os fatais  desequil&iacute;brios entre eles. Apesar de Clemente Pinto manifestar, na globalidade, uma opini&atilde;o  favor&aacute;vel em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; reforma de 1894, n&atilde;o lhe restam d&uacute;vidas em dizer que:</P>     <p>&Eacute; preciso acabar com a monstruosidade antropol&oacute;gica de criar    s&aacute;bios em corpos enfezados e combalidos por taras m&oacute;rbidas; torna-se    necess&aacute;rio formar homens fortes e gera&ccedil;&otilde;es resistentes,    que possam triunfar pela energia e actividade, seguindo assim na esteira das    na&ccedil;&otilde;es dominadoras, que previdentemente v&ecirc;em na conserva&ccedil;&atilde;o    do vigor da ra&ccedil;a a garantia da sua vida e da sua supremacia<Sup><a href="#30">30</a><a name="top30"></a></Sup>.</P>     <p>Na sua opini&atilde;o, deve diminuir-se o n&uacute;mero de horas de trabalho    di&aacute;rio e, ao mesmo tempo, abrir espa&ccedil;o para que, durante uma ou    duas horas por dia, os alunos possam fazer exerc&iacute;cio f&iacute;sico. Para    isso, os liceus devem ser instalados em edif&iacute;cios amplos, bem localizados,    com salas espa&ccedil;osas e bem iluminadas e arejadas, com gin&aacute;sios,    p&aacute;tios cobertos e cercas, onde se montassem aparelhos gin&aacute;sticos    e jogos de campo, elementos necess&aacute;rios para uma boa educa&ccedil;&atilde;o    f&iacute;sica. Clemente Pinto preconiza um regime de semi-internato, com trabalhos    escolares de manh&atilde; e de tarde, separados por um intervalo para lanche    e exerc&iacute;cios f&iacute;sicos, devendo estes estar a cargo de instrutores    especializados, para n&atilde;o se cair no erro de serem excessivos nem contraproducentes.    Em rela&ccedil;&atilde;o a Lisboa, faz um clamoroso apelo para que se leve a    cabo a constru&ccedil;&atilde;o do Liceu de Jesus. A despesa desta constru&ccedil;&atilde;o    n&atilde;o deve provocar hesita&ccedil;&otilde;es, pois daqui derivam grandes    benef&iacute;cios. Clemente Pinto defende a necessidade de se proceder a uma    revis&atilde;o curricular. E sustenta que, da mesma maneira que a gin&aacute;stica    dos membros desenvolve os m&uacute;sculos, a aquisi&ccedil;&atilde;o progressiva    e met&oacute;dica de conhecimentos, que tamb&eacute;m &eacute; uma gin&aacute;stica    cerebral, dar&aacute; ao c&eacute;rebro a desejada sa&uacute;de e &agrave; sua    fun&ccedil;&atilde;o perfeita normalidade. Mas &eacute; preciso ter presente    que o m&uacute;sculo se cansa e se esgota, se o exerc&iacute;cio for demasiado.    E quando este se repete com frequ&ecirc;ncia, &agrave; hipertrofia sucede a    atrofia, do que resulta, fisicamente, diminui&ccedil;&atilde;o de volume e,    fisiologicamente, defici&ecirc;ncia funcional. Acontece o mesmo com o c&eacute;rebro,    se receber demasiado est&iacute;mulo, cansa-se, esgota-se e atrofia-se<Sup><a href="#31">31</a><a name="top31"></a></Sup>.</P>     <p>Argumenta que a sua experi&ecirc;ncia serve para dizer que o n&uacute;mero de horas de trabalho (de 24 a 28,  mais ainda o tempo dedicado ao trabalho de casa) excede as capacidades dos alunos, o est&iacute;mulo &eacute; em  demasia e o c&eacute;rebro recusa-se a funcionar, em obedi&ecirc;ncia &agrave;s leis fisiol&oacute;gicas. Muitos  referem que os Alem&atilde;es utilizam ainda um n&uacute;mero de horas superior. Sobre esta quest&atilde;o Clemente  Pinto diz que as condi&ccedil;&otilde;es &eacute;tnicas e mesol&oacute;gicas do aluno alem&atilde;o lhe permitem ser  mais resistente.</P>     <p>Como acontece com qualquer &oacute;rg&atilde;o, para que este se mantenha em    perfeita sa&uacute;de n&atilde;o se deve pedir um funcionamento superior ao    que pode dar. O c&eacute;rebro n&atilde;o foge &agrave;s leis fisiol&oacute;gicas,    devendo-se usar rigorosa higiene<Sup><a href="#32">32</a><a name="top32"></a></Sup>.    No entanto, confessa que n&atilde;o observou casos de esgotamento ou <I>surm&eacute;nage</I>    que os mais cr&iacute;ticos &agrave; reforma apontam. Por&eacute;m, considera    que o regime em vigor descurou a educa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica, com grave    preju&iacute;zo da pr&oacute;pria educa&ccedil;&atilde;o intelectual. O velho    aforismo, <I>mens </I><I>sana in corpore sano, </I>merece ser rigorosamente    respeitado porque, de um lado, a maior exig&ecirc;ncia pedida ao c&eacute;rebro    devido &agrave; complexidade dos conhecimentos, de outro, a progressiva tend&ecirc;ncia    para o definhamento da ra&ccedil;a, lan&ccedil;am a amea&ccedil;a do exterm&iacute;nio    das novas gera&ccedil;&otilde;es.</P>     <p>No que diz respeito aos pareceres dos reitores, &eacute; de referir que nenhum    deles contesta a inclus&atilde;o da gin&aacute;stica no curr&iacute;culo. Verifica-se,    <I>grosso modo,</I> uma concord&acirc;ncia com as ideias e considera&ccedil;&otilde;es    expostas. Curiosamente, o reitor do Liceu de Braga diz mesmo que uma das coisas    que mais lhe agrada, e que pode vir a dar os melhores resultados, est&aacute;    no facto de se projectar o funcionamento dos liceus em edif&iacute;cios pr&oacute;prios    e a inclus&atilde;o da gin&aacute;stica<Sup><a href="#33">33</a><a name="top33"></a></Sup>.</P>     <p>Veja-se tamb&eacute;m que o relat&oacute;rio elaborado por Ferrugento Gon&ccedil;alves,    na qualidade de presidente de J&uacute;ri de Exames<Sup><a href="#34">34</a><a name="top34"></a></Sup>,    acaba tamb&eacute;m por fazer sobressair a necessidade da pr&aacute;tica dos    exerc&iacute;cios f&iacute;sicos. Em seu entender, os programas s&atilde;o demasiado    vastos e a carga hor&aacute;ria &eacute; excessiva. Quatro a cinco aulas por    dia reclamam do aluno um esfor&ccedil;o de aten&ccedil;&atilde;o dif&iacute;cil    de manter, e a mat&eacute;ria que &eacute; explic&aacute;vel diariamente nestas    horas representa um cabedal de conhecimentos muito grande. Mesmo dizendo que    n&atilde;o deseja ir al&eacute;m do que lhe foi imposto no desempenho da miss&atilde;o,    pronunciando-se apenas sobre o que julga estritamente derivar dos trabalhos    apreciados pelo j&uacute;ri a que teve a honra de presidir, acaba por sugerir    que muito se melhoraria o ensino, entre outras coisas, se os liceus fossem instalados    em edif&iacute;cios apropriados onde os alunos, nos intervalos das aulas, pudessem    realizar exerc&iacute;cios f&iacute;sicos, o que servia ao mesmo tempo de entretenimento    &uacute;til e disciplinador. Para ele, o &ecirc;xito do ensino secund&aacute;rio    passa tamb&eacute;m pela necessidade de satisfazer a pr&aacute;tica do exerc&iacute;cio    f&iacute;sico.</P>     <p>Refor&ccedil;ando esta ideia, o subinspector Bento da Costa<Sup><a href="#35">35</a><a name="top35"></a></Sup>    apresenta a tradu&ccedil;&atilde;o dum artigo de Alberto Masferrer, fazendo    real&ccedil;ar a verdade incontest&aacute;vel da necessidade de alternar os    trabalhos intelectuais com os manuais com vista ao desenvolvimento integral    e harmonioso das nossas faculdades. Neste artigo, &eacute; referido que a fisiologia,    a higiene e a pedagogia est&atilde;o em plena concord&acirc;ncia e considera-se    o trabalho manual indispens&aacute;vel para o bem-estar. Acontece que a ignor&acirc;ncia    tem querido relegar para a categoria de coisas vis o trabalho manual, valorizando    o trabalho intelectual. Mas, &eacute; preciso entender que a natureza reclama    sempre os seus direitos, e o aborrecimento, a doen&ccedil;a, a deforma&ccedil;&atilde;o    e a atrofia s&atilde;o sempre o castigo de quantos desdenham do trabalho f&iacute;sico<Sup>    <a href="#36">36</a><a name="top36"></a></Sup>.</P>     <p>Tamb&eacute;m Marnoco e Sousa, no extenso relat&oacute;rio<Sup><a href="#37">37</a><a name="top37"></a></Sup>    que elaborou - e ao qual j&aacute; fizemos refer&ecirc;ncia - refere que n&atilde;o    pode haver desenvolvimento intelectual e moral sem desenvolvimento f&iacute;sico.    Salienta que a preocupa&ccedil;&atilde;o exclusiva pelo desenvolvimento mental    &eacute; prejudicial &agrave; pr&oacute;pria intelig&ecirc;ncia, pois, na sua    perspectiva, n&atilde;o &eacute; compreens&iacute;vel que seres com um d&eacute;bil    equil&iacute;brio org&acirc;nico possam ser fortes pensadores. Citando Lagrange,    sublinha que as faculdades intelectuais n&atilde;o podem ser utilizadas em toda    a sua plenitude se n&atilde;o se dispuser de sa&uacute;de, considerando esta    incompat&iacute;vel com a aus&ecirc;ncia de exerc&iacute;cio f&iacute;sico.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O exerc&iacute;cio f&iacute;sico quando organizado metodicamente cont&eacute;m um alto valor educativo e moral,  d&aacute; vigor ao corpo e consci&ecirc;ncia ao indiv&iacute;duo de si mesmo e do seu valor, dando o h&aacute;bito  &agrave; precis&atilde;o e exactid&atilde;o em todas as suas ac&ccedil;&otilde;es e, ao mesmo tempo, d&aacute;-lhe  for&ccedil;a e coragem para enfrentar as dificuldades da vida. E seguindo Mosso, alta autoridade na mat&eacute;ria,  adianta que a fadiga &eacute; um rem&eacute;dio eficaz a muitos males e os jogos atl&eacute;ticos constituem  uma escola de disciplina. A organiza&ccedil;&atilde;o do ensino secund&aacute;rio sem exerc&iacute;cios f&iacute;sicos  concorre para a <I>surm&eacute;nage</I> intelectual, o que representa um ataque contra a sa&uacute;de.</P>     <p>De igual modo, o parecer da comiss&atilde;o<Sup> </Sup> sobre o projecto de Reforma da Instru&ccedil;&atilde;o  Secund&aacute;ria, organizado, como j&aacute; referimos, pelo director geral da Instru&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica,  Abel Andrade, entende que o aluno, ap&oacute;s excessivo trabalho escolar, n&atilde;o pode, sem um largo per&iacute;odo  de descanso intelectual e exerc&iacute;cio f&iacute;sico, dar seguimento &agrave; continuidade do trabalho. Neste  sentido, a comiss&atilde;o considera que a cria&ccedil;&atilde;o do ensino da gin&aacute;stica vem ainda tornar mais  completa esta disposi&ccedil;&atilde;o. Sustenta que os exerc&iacute;cios g&iacute;mnicos s&atilde;o indispens&aacute;veis  &agrave; educa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica dos alunos e que a exclusividade do trabalho intelectual levaria  ao esgotamento dos mesmos, da&iacute; propor a inclus&atilde;o da gin&aacute;stica em todas as classes. O ensino do  canto coral, para al&eacute;m de completar parte do ensino est&eacute;tico do curso liceal, vem constituir uma  preciosa gin&aacute;stica dos &oacute;rg&atilde;os da voz, do ouvido e da respira&ccedil;&atilde;o.</P>     <p>O pr&oacute;prio Abel Andrade emitiu o seu parecer em separado onde refere    concretamente que &ldquo;h&aacute;, principalmente, tr&ecirc;s pontos que me    despertam simpatia especial: o desenvolvimento do ensino das l&iacute;nguas    modernas, nomeadamente da l&iacute;ngua inglesa; o desenvolvimento e melhor    dota&ccedil;&atilde;o do ensino das ci&ecirc;ncias naturais; a introdu&ccedil;&atilde;o    da educa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica, at&eacute; agora posta de parte sem    motivo plaus&iacute;vel&rdquo;<Sup><a href="#38">38</a><a name="top38"></a></Sup>.    Dito isto pelo Director Geral, a juntar a todos os pareceres emitidos, podemos    concluir que est&atilde;o reunidas as condi&ccedil;&otilde;es para a inclus&atilde;o    da educa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica no curr&iacute;culo. Esta ideia deixou    de ser uma coisa bizarra para colher a simpatia de todos.</P>     <p>De tal modo assim &eacute;, que o pr&oacute;prio ministro do Reino, Jos&eacute;    Eduardo Coelho, explicita no Pre&acirc;mbulo do decreto de 29 de Agosto de 1905,    por ele promulgado: &ldquo;Os votos dos entendidos em mat&eacute;ria de instru&ccedil;&atilde;o    secund&aacute;ria, as constantes reclama&ccedil;&otilde;es dos pais e tutores    dos alunos dos nossos liceus, os ditames da justi&ccedil;a e os interesses nacionais    n&atilde;o podem continuar por mais tempo sem satisfa&ccedil;&atilde;o&rdquo;.    Isto significa o reconhecimento da justeza e da autoridade de todo o movimento    de contesta&ccedil;&atilde;o que se desencadeou em defesa da educa&ccedil;&atilde;o    f&iacute;sica e, ao mesmo tempo, uma declara&ccedil;&atilde;o de que n&atilde;o    &eacute; mais poss&iacute;vel travar o que se tornou inevit&aacute;vel &ndash;    a inclus&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica<Sup><a href="#39">39</a><a name="top39"></a></Sup>.</P>      <p>O c&eacute;lebre m&eacute;dico escolar, Costa Sacadura, em rela&ccedil;&atilde;o    a este decreto sustenta que a institucionaliza&ccedil;&atilde;o da gin&aacute;stica    no curr&iacute;culo vem satisfazer as &ldquo;justas reclama&ccedil;&otilde;es    daqueles que a julgavam indispens&aacute;vel &agrave; juventude que comp&otilde;e    a nossa popula&ccedil;&atilde;o escolar do ensino m&eacute;dio&rdquo;<Sup><a href="#40">40</a><a name="top40"></a></Sup>.    Esta medida, que releva de uma grande import&acirc;ncia, n&atilde;o podia deixar    de merecer os louvores que se devem tributar &agrave;s ideias generosas e simp&aacute;ticas.    E n&atilde;o podia deixar de ser assim, em virtude de ter sido at&eacute; ao    presente descurada a &ldquo;cultura f&iacute;sica da popula&ccedil;&atilde;o    liceal, n&atilde;o se coadunando um tal abandono dos poderes p&uacute;blicos    com a obriga&ccedil;&atilde;o que lhes assiste de satisfazer aos meios que a    educa&ccedil;&atilde;o dos governos exige em todas as suas partes&rdquo;<Sup><a href="#41">41</a><a name="top41"></a></Sup>.</P>     <p>Para Costa Sacadura, &eacute; urgente e inadi&aacute;vel implementar o ensino da educa&ccedil;&atilde;o  f&iacute;sica. At&eacute; hoje, apenas se tem cuidado da educa&ccedil;&atilde;o intelectual da mocidade,  esquecendo a educa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica. Esta medida torna-se indispens&aacute;vel, pois assiste-se  ao definhamento progressivo da popula&ccedil;&atilde;o e, para al&eacute;m disso, a educa&ccedil;&atilde;o  intelectual, f&iacute;sica e moral devem ser insepar&aacute;veis. O que se tem verificado no nosso ensino  &eacute; um desequil&iacute;brio e isso tem-se traduzido num elevado e assustador n&uacute;mero de doentes.  Este depauperamento f&iacute;sico acaba por induzir o definhamento intelectual e moral. </P>     <p>Contudo, Costa Sacadura tamb&eacute;m n&atilde;o entende que a medida anunciada    seja de f&aacute;cil implementa&ccedil;&atilde;o<Sup><a href="#42">42</a><a name="top42"></a></Sup>.    Para isso &eacute; preciso pessoal competente e locais apropriados. E sobre    isto diz que os edif&iacute;cios dos nossos liceus s&atilde;o absolutamente    impr&oacute;prios aos fins a que se destinam. Eles n&atilde;o seguem as regras    da higiene nem os preceitos da pedagogia cient&iacute;fica.</P>     <p>Na sua perspectiva, o Estado, ao tornar obrigat&oacute;rio os exerc&iacute;cios f&iacute;sicos pelo recente  decreto, obriga-se igualmente a ele pr&oacute;prio a criar condi&ccedil;&otilde;es para que possa proporcionar  a todos os alunos o mesmo benef&iacute;cio. Se n&atilde;o for assim, o Estado n&atilde;o tem o direito de assumir  o papel de educador, usurpando esse direito &agrave; fam&iacute;lia. Outrora, era esta que ficava com o encargo  de fazer da educa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica dos seus filhos o que bem entendia. </P>     <p>Se o Estado fica com o encargo de pugnar pelo desenvolvimento das crian&ccedil;as, exigindo aos pais que  lhe entreguem os filhos, ent&atilde;o tamb&eacute;m se deve verificar a exig&ecirc;ncia de sinal contr&aacute;rio,  isto &eacute;, os pais devem exigir ao Estado que n&atilde;o atrofie o organismo de seus filhos, que <I>s&atilde;o  carne da sua carne, alma da sua alma. </I>Significa que deve acabar de vez o modelo debilitante cheio de miasmas,  que os vai apagando lentamente. E que urge, atrav&eacute;s da gin&aacute;stica, promover o revigoramento da mocidade  portuguesa.</P>      <p><B>A introdu&ccedil;&atilde;o de novos mecanismos de regula&ccedil;&atilde;o </B></P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>De facto, este diploma trazia inova&ccedil;&otilde;es n&atilde;o s&oacute;    a n&iacute;vel curricular como no dom&iacute;nio das metodologias de ensino-aprendizagem,    propondo uma maior interac&ccedil;&atilde;o entre o liceu e as fam&iacute;lias    de molde a potenciar o acompanhamento dos educandos pelos encarregados de educa&ccedil;&atilde;o.    A Circular n&ordm; 4 de 5 de Outubro de 1905, assinada por Abel Andrade, explicita,    num registo pedag&oacute;gico-did&aacute;ctico, estas estrat&eacute;gias educativas:    &ldquo;o aux&iacute;lio que as fam&iacute;lias devem prestar ao liceu na &aacute;rdua    tarefa de educar a mocidade&rdquo;, uma vez que &ldquo;as rela&ccedil;&otilde;es    entre o liceu e as fam&iacute;lias devem ser constantes&rdquo;<Sup><a href="#43">43</a><a name="top43"></a></Sup>.  </P>     <p>Esta circular introduz, pela primeira vez, nos nossos liceus, o caderno escolar. Que seria distribu&iacute;do  gratuitamente aos alunos e dispon&iacute;vel para consulta nos actos de exame de cada discente. O caderno escolar  destinava-se &agrave; anota&ccedil;&atilde;o circunstanciada e sucessiva das fases do percurso escolar do aluno,  desde o menor incidente de car&aacute;cter puramente disciplinar at&eacute; ao mapeamento detalhado das diversas  classifica&ccedil;&otilde;es obtidas nas diferentes disciplinas. Com efeito, Abel Andrade atribui a este  dispositivo pedag&oacute;gico uma import&acirc;ncia significativa, como ali&aacute;s, transparece nas seguintes  nota&ccedil;&otilde;es dadas aos professores: </P>     <p>Da pr&oacute;pria natureza do assunto e da influ&ecirc;ncia do caderno escolar    resulta a absoluta necessidade de as autoridades acad&eacute;micas n&atilde;o    lan&ccedil;arem no caderno escolar notas que n&atilde;o hajam ponderado maduramente    quer se trate do elogio, que s&oacute; &eacute; eficaz quando bem aplicado em    vista do modo de ser de cada aluno, quer se trate de censura, que tem de ser    aplicada com a m&aacute;xima prud&ecirc;ncia<Sup><a href="#44">44</a><a name="top44"></a></Sup>.  </P>     <p>Este instrumento pedag&oacute;gico foi bem acolhido pela classe docente, espalhada    por todo o pa&iacute;s. No dia 25 de Abril de 1906, a cidade de Bragan&ccedil;a    podia ler no jornal <I>O Nordeste,</I> um depoimento entusi&aacute;stico do    professor liceal Adri&atilde;o Amado: &ldquo;O regime de instru&ccedil;&atilde;o    secund&aacute;ria actual no sentido de aproximar as fam&iacute;lias do aluno    com os agentes de educa&ccedil;&atilde;o estabeleceu o uso do caderno escolar.    S&atilde;o incalcul&aacute;veis as vantagens que h&aacute; a esperar de t&atilde;o    salutar inova&ccedil;&atilde;o&rdquo;. E um professor do Liceu do Porto fez    quest&atilde;o de frisar: &ldquo;Eu quero lavrar aqui o meu voto de ades&atilde;o    a um tal melhoramento que vem suprir uma enorme lacuna de rela&ccedil;&otilde;es    entre os liceus e as fam&iacute;lias&rdquo;<Sup><a href="#45">45</a><a name="top45"></a></Sup>.  </P>     <p>A 5 de Outubro de 1905, Abel Andrade expede aos reitores dos liceus uma nova    circular para sublinhar as valias educativas decorrentes da pr&aacute;tica de    arquivar os exerc&iacute;cios escritos dos alunos, de implementar exposi&ccedil;&otilde;es    escolares e de convidar as fam&iacute;lias a irem visit&aacute;-las<Sup><a href="#46">46</a><a name="top46"></a></Sup>.    Atentemos com mais pormenor no conte&uacute;do dessa circular:</P>     <p>A pr&aacute;tica, seguida nas escolas, de arquivar todos os exerc&iacute;cios    escritos dos alunos &eacute;, a todos os respeitos, salutar: representa, a todo    o tempo, para o professor a prova da sua dedica&ccedil;&atilde;o pelo ensino    e da seriedade e firmeza dos seus julgamentos; &eacute; um excelente meio educativo,    porque habitua os alunos, desde a escola, &agrave; ideia de que o seu trabalho    n&atilde;o &eacute; perdido e, antes, pode ser examinado e apreciado por todos    os seus mestres, pela sua fam&iacute;lia e por todos os visitantes do liceu.    (...) N&atilde;o devem, todavia, os trabalhos escritos dos alunos ficar constantemente    ocultos no arquivo do liceu; logo que V. Ex.&ordf; possa reservar uma sala para    exposi&ccedil;&otilde;es permanentes destes trabalhos, dever&atilde;o figurar    nela todos os trabalhos feitos pelos alunos que frequentam o liceu<Sup><a href="#47">47</a><a name="top47"></a></Sup>.</P>     <p>Em face do exposto, poderemos afirmar que o Director Geral de Instru&ccedil;&atilde;o    P&uacute;blica, atrav&eacute;s da apresenta&ccedil;&atilde;o, em dispositivos    legais, de instrumentos, suportes e m&eacute;todos de trabalho pedag&oacute;gico,    mostra-se profundamente empenhado na melhoria das aprendizagens dos alunos.    &Eacute; sens&iacute;vel &agrave; import&acirc;ncia da rela&ccedil;&atilde;o    pedag&oacute;gica professor/aluno e das interac&ccedil;&otilde;es educativas    entre os pais e a escola. &ldquo;O trabalho individual teria assim um valor    cujo reconhecimento social incitaria os alunos a querer fazer sempre mais e    melhor&rdquo; (&Oacute;, 2003: 317). S&atilde;o, efectivamente, medidas de organiza&ccedil;&atilde;o    das aprendizagens que, ainda hoje, n&atilde;o deixam de ser actuais<Sup><a href="#48">48</a><a name="top48"></a></Sup>.</P>     <p>Acresce que esta reforma do ensino secund&aacute;rio atenuou o que Santa-Clara viria a designar de &ldquo;<I>duelo  de gigantes</I> entre as humanidades e as ci&ecirc;ncias&rdquo; (2002: 11) e satisfez muitas das instantes e reiteradas  reclama&ccedil;&otilde;es de muitos professores e, sobremaneira, da elite antimon&aacute;rquica, acerca dos estudos  secund&aacute;rios, a saber: (i) a liberdade ensino; (ii) a inclus&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica  no curr&iacute;culo; (iii) a supress&atilde;o do regime de livro &uacute;nico; (iv) o desenvolvimento das Ci&ecirc;ncias  F&iacute;sico-Naturais; (v) o refor&ccedil;o da componente cient&iacute;fica e utilit&aacute;ria da aprendizagem;  (vi) a cria&ccedil;&atilde;o de gabinetes de estudo experimental; (vii) a relev&acirc;ncia dada ao Desenho; (viii)  a equipara&ccedil;&atilde;o dos docentes de Desenho aos professores de outras disciplinas; (ix) a  constru&ccedil;&atilde;o de edif&iacute;cios escolares espec&iacute;ficos; e (x) e a aquisi&ccedil;&atilde;o de  material did&aacute;ctico e mobili&aacute;rio escolar. Esta reforma configura j&aacute; um espa&ccedil;o  espec&iacute;fico para a educa&ccedil;&atilde;o e d&aacute; import&acirc;ncia aos recursos educativos na linha  da concep&ccedil;&atilde;o de Vi&ntilde;ao Frago & Agust&iacute;n Escolano (1998) sobre o espa&ccedil;o-escola  como um elemento significativo do curr&iacute;culo e um <I>constructo</I> cultural que expressa e reflecte,  para al&eacute;m da sua materialidade, determinados discursos.</P>     <p>Como o Pre&acirc;mbulo do Decreto de 29 de Agosto de 1905 contempla todas as    op&ccedil;&otilde;es curriculares e metodol&oacute;gicas aduzidas, gerou-se,    entre a opini&atilde;o p&uacute;blica especializada, mesmo entre os pedagogos    republicanos, um alargado consenso acerca deste diploma<Sup><a href="#49">49</a><a name="top49"></a></Sup>.    Assim se compreende que esta reforma se mantivesse durante todo o per&iacute;odo    da 1&ordf; Rep&uacute;blica com poucas altera&ccedil;&otilde;es, &agrave; excep&ccedil;&atilde;o    das que foram introduzidas na estrutura curricular pelo Decreto n.&ordm; 4650,    de 14 de Julho de 1918, referendado por Alfredo de Magalh&atilde;es. </P>     <p>De resto, os republicanos Consiglieri Pedroso (director do Curso Superior de Letras) e Borges Grainha (professor  do ensino liceal) aceitaram integrar a comiss&atilde;o incumbida de examinar os livros destinados ao ensino  secund&aacute;rio no quinqu&eacute;nio 1907-1908 a 1911-1912. A comiss&atilde;o, presidida por Ant&oacute;nio  dos Santos Viegas, inclu&iacute;a, para al&eacute;m dos nomes j&aacute; citados, professores do liceu  (Ara&uacute;jo Lima), da Academia Polit&eacute;cnica do Porto (Jos&eacute; Pedro Teixeira), da Escola  Polit&eacute;cnica de Lisboa (Francisco Ferreira Roquete) e lentes da Universidade (Sobral Cid e Alves dos Santos).  A diversidade de forma&ccedil;&otilde;es acad&eacute;micas e de filia&ccedil;&atilde;o partid&aacute;ria revela,  a nosso ver, a procura, por parte de Abel Andrade, de consenso &agrave; volta desta reforma do ensino secund&aacute;rio.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Algum tempo mais tarde, Jo&atilde;o Franco suspendeu Abel Andrade do seu cargo,    em consequ&ecirc;ncia da sindic&acirc;ncia &agrave; Direc&ccedil;&atilde;o Geral    de Instru&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica. Pela Portaria de 18 de Junho de 1906,    &eacute; nomeada uma comiss&atilde;o para proceder a um inqu&eacute;rito sobre    o estado da administra&ccedil;&atilde;o dessa Direc&ccedil;&atilde;o Geral,    nomeadamente no que respeita aos ensinos prim&aacute;rio e secund&aacute;rio.    Diversas personalidades atribu&iacute;ram a sindic&acirc;ncia a uma vingan&ccedil;a    pol&iacute;tica, na medida em que Abel Andrade permaneceu fiel a Hintze Ribeiro    e n&atilde;o acompanhou Jo&atilde;o Franco, quando este fundou o Partido Regenerador-Liberal<Sup><a href="#50">50</a><a name="top50"></a></Sup>.  </P>     <p>Os deputados republicanos, cr&iacute;ticos desta actua&ccedil;&atilde;o de Jo&atilde;o Franco, solidarizaram-se  com Abel Andrade, como por exemplo, Jo&atilde;o de Meneses que manda para a Mesa a seguinte nota de  interpela&ccedil;&atilde;o:</P>     <p>Desejo interpelar o Sr. Ministro do Reino acerca dos factos ocorridos na Direc&ccedil;&atilde;o    Geral de Instru&ccedil;&atilde;o Publica, referidos pelo mesmo Exmo. Ministro    e pelo Sr. Deputado Abel Andrade, quando se discutiu o aviso pr&eacute;vio apresentado    por este<Sup><a href="#51">51</a><a name="top51"></a></Sup>. </P>     <p>A acreditar n&rsquo; <I>O Campe&atilde;o Escolar</I> toda a imprensa, abstraindo    os jornais que servem o franquismo, &ldquo;verbera acremente esta medida do    actual gabinete; e nos centros de palestra n&atilde;o raro se encontram correligion&aacute;rios    pol&iacute;ticos do Sr. Jo&atilde;o Franco que, sem rebu&ccedil;o, estigmatizam    o procedimento do seu chefe&rdquo;<Sup><a href="#52">52</a><a name="top52"></a></Sup>.    A <I>Revista Pedag&oacute;gica</I> sublinha o desagrado geral do professorado    quer do prim&aacute;rio quer do secund&aacute;rio causado pela suspens&atilde;o    de Abel de Andrade. E alude aos in&uacute;meros telegramas e cartas de diferentes    pontos do pa&iacute;s a testemunharem ao ex-director geral o seu pesar<Sup><a href="#53">53</a><a name="top53"></a></Sup>.    Por solidariedade com Abel Andrade, e como sinal de protesto contra a sua demiss&atilde;o,    Alves dos Santos, inspector prim&aacute;rio de Coimbra, solicitou a exonera&ccedil;&atilde;o    do cargo. </P>     <p>Ant&oacute;nio Figueirinhas, fundador e director da <I>Educa&ccedil;&atilde;o    Nacional,</I> registou palavras abonat&oacute;rias sobre o perfil intelectual    de Abel Andrade: &ldquo;a sua palavra tinha o encanto prestigioso dos verdadeiros    tribunos modernos, daqueles cujas frases nunca vestiam car&ecirc;ncias de ideias,    mas sim conhecimentos positivos, honestamente cient&iacute;ficos&rdquo;<Sup><a href="#54">54</a><a name="top54"></a></Sup>.    E, sobre a primeira reforma do ensino secund&aacute;rio do s&eacute;culo XX,    gravou para a posteridade o seguinte: &ldquo;&eacute; um trabalho que n&atilde;o    s&oacute; nobilita o governo mas honra em demasia o Sr. Director Geral de Instru&ccedil;&atilde;o    P&uacute;blica que especialmente nela colaborou&rdquo;<Sup> <a href="#55">55</a><a name="top55"></a></Sup>.  </P>      <p><B>Conclus&otilde;es</B></P>      <p>A reforma de 1905 surge como um novo saber e poder. A indiferen&ccedil;a (resist&ecirc;ncia e/ou incapacidade)  dos legisladores face aos protestos acabou por ceder. A onda de cr&iacute;ticas que se desenvolveu a partir de  variados quadrantes (Gera&ccedil;&atilde;o de 70, Sociedade das Ci&ecirc;ncias M&eacute;dicas, pedagogos,  pol&iacute;ticos&hellip;) veio acentuar a necessidade de mudan&ccedil;a. O estado de decad&ecirc;ncia a que tinha  chegado a sociedade e o pr&oacute;prio ensino, tornou necess&aacute;ria a introdu&ccedil;&atilde;o de  altera&ccedil;&otilde;es na forma&ccedil;&atilde;o da futura elite. Uma educa&ccedil;&atilde;o viciosa s&oacute;  poderia abastardar ainda mais a ra&ccedil;a portuguesa. Esta reforma vem, assim, responder positivamente &agrave;  necessidade de se valorizar um novo saber. Parafraseando Ramalho Ortig&atilde;o, diremos que a ra&ccedil;a  portuguesa perdeu as asas e os v&iacute;cios da educa&ccedil;&atilde;o contribu&iacute;ram para a decad&ecirc;ncia.  As crian&ccedil;as, sujeitas ao <I>surm&eacute;nage</I> intelectual, presas a uma cadeira durante largas horas  em atitudes viciosas e em instala&ccedil;&otilde;es insalubres, s&oacute; poderiam definhar. </P>     <p>O ataque que &eacute; feito &eacute; de tal maneira demolidor que o Estado fica sem campo de manobra para  fugir &agrave;s suas responsabilidades. A reforma de 1905 &eacute;, pois, um sinal da altera&ccedil;&atilde;o das  rela&ccedil;&otilde;es de for&ccedil;a. Com a reforma de Jos&eacute; Eduardo Coelho inicia-se uma nova etapa de  constru&ccedil;&atilde;o, obedecendo-se aos imperativos dos novos conhecimentos cient&iacute;ficos e pedag&oacute;gicos.  Devemos, no entanto, salientar que a reforma de Jos&eacute; Eduardo Coelho deve ser vista em articula&ccedil;&atilde;o  com a reforma anterior de Jaime Moniz. Elas acabam por corresponder a duas pe&ccedil;as fundamentais do pacote do  movimento reformista. Uma acaba por complementar a outra. O que a primeira n&atilde;o conseguiu fazer a outra veio  complement&aacute;-la. </P>     <p>Um dos aspectos mais marcantes que trouxe o diploma de 1905 foi, a par da aboli&ccedil;&atilde;o    do regime de livro &uacute;nico<Sup><a href="#56">56</a><a name="top56"></a></Sup>,    a medicaliza&ccedil;&atilde;o curricular. Apesar da reforma de Jaime Moniz j&aacute;    ter colocado em marcha medidas legislativas que respondiam &agrave;s preocupa&ccedil;&otilde;es    que se faziam sentir com a sa&uacute;de escolar, com a reforma de Jos&eacute;    Eduardo Coelho deu-se, efectivamente agora, n&atilde;o um mero ajustamento,    mas uma verdadeira revolu&ccedil;&atilde;o na pr&aacute;tica pedag&oacute;gica    com a introdu&ccedil;&atilde;o da Educa&ccedil;&atilde;o F&iacute;sica no curr&iacute;culo.    Esta inova&ccedil;&atilde;o curricular marca uma nova pr&aacute;tica de sa&uacute;de    e de educa&ccedil;&atilde;o, uma vit&oacute;ria sobre as ordens r&iacute;gidas    das velhas concep&ccedil;&otilde;es educativas. At&eacute; ent&atilde;o ningu&eacute;m    tinha ousado dar respostas a esta velha reivindica&ccedil;&atilde;o. Veja-se,    por exemplo, que Adolfo Coelho foi ac&eacute;rrimo defensor desta pr&aacute;tica    e mesmo tendo desempenhado um papel preponderante na reforma de Jaime Moniz,    n&atilde;o conseguiu coroar esta vit&oacute;ria. Apesar dos seus efeitos n&atilde;o    se poderem transcrever directamente do papel para a pr&aacute;tica, podemos    no entanto dizer que, com esta medida, surgiu um novo investimento sobre o corpo,    um novo poder de subjectiva&ccedil;&atilde;o.</P>     <p>Assim, a reforma de 1905 abriu caminho para um novo conhecimento e para uma nova constru&ccedil;&atilde;o do corpo.  O corpo fica sujeito a um novo jogo de for&ccedil;as. Por for&ccedil;as devemos entender a rela&ccedil;&atilde;o entre  o biol&oacute;gico, o social e o pol&iacute;tico. O corpo, no sentido nietzsheano, &eacute; constitu&iacute;do por  esta rela&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as. Um corpo s&oacute; &eacute; corpo porque &eacute; configurado por  for&ccedil;as que entram em rela&ccedil;&atilde;o. A reforma de 1905 coloca em jogo novas for&ccedil;as activas  (superiores ou dominantes) e for&ccedil;as reactivas (inferiores ou dominadas). Com esta reforma, o corpo &eacute;  constru&iacute;do a partir de for&ccedil;as de uma outra natureza, abrindo-se para fun&ccedil;&otilde;es outrora  negadas.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Num outro &acirc;ngulo de constru&ccedil;&atilde;o, a introdu&ccedil;&atilde;o de dispositivos pedag&oacute;gicos  como o caderno escolar representa uma mudan&ccedil;a fundamental nas pr&aacute;ticas educativas. A reforma de Jaime  Moniz j&aacute; havia introduzido o regime de classes, o que na altura correspondeu a uma aut&ecirc;ntica  revolu&ccedil;&atilde;o. Esta inova&ccedil;&atilde;o de inspira&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica alem&atilde;  veio permitir organizar e modernizar o nosso ca&oacute;tico ensino, possibilitando o trabalho cooperativo entre  os professores (da&iacute; a cria&ccedil;&atilde;o do director de classe para fazer a coordena&ccedil;&atilde;o  das disciplinas) por forma a resolverem os problemas pedag&oacute;gicos e adaptarem os conhecimentos das diferentes  disciplinas (dispostas em estrutura sequencial) em fun&ccedil;&atilde;o dos percursos de desenvolvimento dos alunos  de cada uma das turmas por ano de escolaridade. Com a introdu&ccedil;&atilde;o do caderno escolar na reforma de  1905 (al&eacute;m de, no curso complementar, admitir a separa&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas de ci&ecirc;ncias e letras)  deu-se um passo mais adiante na especifica&ccedil;&atilde;o do trabalho de coopera&ccedil;&atilde;o entre professores  e fam&iacute;lia. Entre o liceu e a fam&iacute;lia exige-se uma colabora&ccedil;&atilde;o mais minuciosa, um conjugar  de esfor&ccedil;os para potencializar a capacidade de regular o comportamento do aluno. O registo &eacute; feito  passo a passo, podendo-se construir minuciosamente o percurso do estudante. Com este tipo de registo torna-se  poss&iacute;vel identificar em todo o seu detalhe as capacidades e potencialidades dos alunos, e, ao mesmo tempo,  as suas limita&ccedil;&otilde;es e erros, o que permitia &laquo;cadastrar&raquo; cada um na sua individualidade,  saber as zonas de desvio que devem ser vigiadas e atacadas (disciplinadas) pelas autoridades escolares e familiares.  Isto possibilita uma nova economia relacional entre o liceu e a fam&iacute;lia, o que permite potencializar o  alcance dos objectivos educativos. &Eacute;, como refere Jorge d&rsquo;&Oacute; (2003: 311), &ldquo;uma pe&ccedil;a  que mostra a for&ccedil;a performativa de um suporte documental cujas fun&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas,  mais que identificar o estudante, permitiam &agrave;s autoridades escolares descobrir as suas verdadeiras capacidades  intelectuais e morais&rdquo;. </P>      <p><I>Os autores agradecem &agrave; Prof. Doutora &Aacute;urea Ad&atilde;o a sugest&atilde;o do tema  e a revis&atilde;o do texto. </I></P>      <p><B>Notas</B></P>      <p><Sup><a href="#top1">1</a><a name="1"></a> </Sup> Esta Associa&ccedil;&atilde;o,    presidida por Jer&oacute;nimo Northway do Vale, teve os Estatutos aprovados    em 9 de Julho de 1904. Neste ano, contava com 126 s&oacute;cios efectivos e    5 correspondentes (<I>Boletim da Associa&ccedil;&atilde;o do Magist&eacute;rio    Secund&aacute;rio Oficial,</I> Lisboa, fasc. I&ndash;III, Outubro-Dezembro de    1904: 72-79).</P>     <p><Sup><a href="#top2">2</a><a name="2"></a> </Sup> &ldquo;Reforma secund&aacute;ria&rdquo;,<I>    Boletim da Associa&ccedil;&atilde;o do Magist&eacute;rio Secund&aacute;rio Oficial,</I>    Lisboa, fasc. VII, ano I, Junho a Agosto de 1905: 211. </P>     <p><Sup><a href="#top3">3</a><a name="3"></a> </Sup> &ldquo;A reforma de instru&ccedil;&atilde;o    secund&aacute;ria&rdquo;, <I>O S&eacute;culo</I>, Lisboa, ano XXV, n.&ordm;    84986, 25 de Agosto de 1905. </P>     <p><Sup><a href="#top4">4</a><a name="4"></a></Sup> Abel Andrade (1866-1958) era    lente da Universidade de Coimbra, onde regia as cadeiras de Economia Pol&iacute;tica    e Direito Comercial. Foi deputado regenerador em diversas legislaturas. Nos    primeiros meses de 1901, substitui Jos&eacute; de Azevedo de Castelo Branco    na Direc&ccedil;&atilde;o Geral de Instru&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica. Ocupa    este cargo at&eacute; Agosto de 1906.</P>     <p><Sup><a href="#top5">5</a><a name="5"></a></Sup> &ldquo;Esta provid&ecirc;ncia    [publica&ccedil;&atilde;o da reforma de 1905] (&hellip;) representa uma assinalada    vit&oacute;ria para a Associa&ccedil;&atilde;o do Magist&eacute;rio Secund&aacute;rio    Oficial e para os professores dos liceus a quem satisfaz grande parte das suas    aspira&ccedil;&otilde;es&rdquo; (&ldquo;Reforma secund&aacute;ria&rdquo;,<I>    Boletim da Associa&ccedil;&atilde;o do Magist&eacute;rio Secund&aacute;rio Oficial,</I>    Lisboa, fasc. VII, ano I, Junho a Agosto de 1905: 211). </P>     <p><Sup><a href="#top6">6</a><a name="6"></a></Sup> Marnoco e Sousa (1869-1916)    foi professor da Faculdade de Direito de Coimbra, de que foi director, deputado    pelo Partido Regenerador, e ministro da Marinha, do &uacute;ltimo gabinete da    Monarquia, presidido por Teixeira de Sousa.</P>     <p><Sup><a href="#top7">7</a><a name="7"></a></Sup> <I>Educa&ccedil;&atilde;o    Nacional</I>, Porto, ano V, n.&ordm; 280, 2 de Fevereiro de 1902: 462.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a href="#top8">8</a><a name="8"></a></Sup> <I>Boletim da Direc&ccedil;&atilde;o    Geral de Instru&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica</I>, Lisboa, ano II, fasc. I-IV,    Janeiro- Abril 1903: 34.</P>     <p><Sup><a href="#top9">9</a><a name="9"></a></Sup> <I>Boletim da Direc&ccedil;&atilde;o    Geral de Instru&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica</I>, Lisboa, ano II, fasc. I-IV,    Janeiro- Abril 1903: 49.</P>     <p><Sup><a href="#top10">10</a><a name="10"></a></Sup> <I>Boletim da Direc&ccedil;&atilde;o    Geral de Instru&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica</I>, L isboa, ano II, fasc.    I-IV, Janeiro- Abril 1903: 51.</P>     <p><Sup><a href="#top11">11</a><a name="11"></a></Sup> <I>Boletim da Direc&ccedil;&atilde;o    Geral de Instru&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica</I>, Lisboa, ano II, fasc. I-IV,    Janeiro- Abril 1903: 51-60.</P>     <p><Sup><a href="#top12">12</a><a name="12"></a></Sup> Os artigos publicados no    <I>Di&aacute;rio de Not&iacute;cias</I> eram, segundo o director desse jornal,    &ldquo;fruto de estudos profundos, quer em livros de especialidade quer na longa    pr&aacute;tica do ensino liceal, quer nas viagens ao estrangeiro, com o fim    quase exclusivo de visitar os estabelecimentos de ensino, oficiais e particulares,    mais bem montados e dirigidos (Cunha, 1905: iii).</P>     <p><Sup><a href="#top13">13</a><a name="13"></a></Sup> <I>Di&aacute;rio do Governo</I>    n.&ordm; 229, 12 de Outubro de 1904: 3613-3614.</P>     <p><Sup><a href="#top14">14</a><a name="14"></a> </Sup>O Conselho Superior de    Instru&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica era composto por Ant&oacute;nio Maria    de Amorim, In&aacute;cio Francisco Silveira da Mota, Jos&eacute; Maria Rodrigues,    Jos&eacute; de Sousa Monteiro, Jos&eacute; Curry da C&acirc;mara Cabral, Manuel    da Terra Pereira Viana e Abel Pereira de Andrade. </P>     <p><Sup><a href="#top15">15</a><a name="15"></a> </Sup>Os restantes elementos    da comiss&atilde;o eram os seguintes: Jo&atilde;o Rodrigues Ribeiro, do Liceu    de Santar&eacute;m, Francisco Adolfo Manso Preto, do Liceu de Coimbra, Ant&oacute;nio    Augusto Gon&ccedil;alves Braga, do Liceu de Bragan&ccedil;a, Eug&eacute;nio    Pacheco do Canto e Castro, do Liceu de Ponta Delgada, Joaquim Augusto Cambezes,    do Liceu do Porto, Jos&eacute; da Fonseca Moura, do Liceu de Braga, Eduardo    Ismael dos Santos Andreia, do Liceu de Vila Real, Ant&oacute;nio Augusto Pires    de Lima, do Liceu de Leiria, dois professores do Liceu de Viana do Castelo (Armando    de Azevedo Melo Freire de Vasconcelos e Ricardo Jaime Costa Malheiro), dois    professores do Liceu de Faro (J&uacute;lio Maria Baptista e Ant&oacute;nio Gon&ccedil;alves    Lopes) e sete professores dos liceus de Lisboa (Manuel Marques Ferreira Braga,    Ant&oacute;nio Joaquim de S&aacute; Oliveira, Alberto Ferreira Vidal, Rui Teles    Palhinha, Al&iacute;pio Albano Camelo, Ac&aacute;cio da Silva Pereira Guimar&atilde;es,    Augusto C&eacute;sar Claro da Rica) (<I>Di&aacute;rio do Governo</I> n.&ordm;    229, 12 de Outubro de 1904: 3613-3614).</P>     <p><Sup><a href="#top16">16</a><a name="16"></a></Sup> <I>Boletim da Associa&ccedil;&atilde;o    do Magist&eacute;rio Secund&aacute;rio Oficial,</I> Lisboa, ano IV, fasc. VII&ndash;XII,    Julho-Dezembro de 1905: 132-170.</P>     <p><Sup><a href="#top17">17</a><a name="17"></a></Sup> <I>Boletim da Associa&ccedil;&atilde;o    do Magist&eacute;rio Secund&aacute;rio Oficial,</I> Lisboa, ano I, fasc. I&ndash;III,    Outubro-Dezembro de 1904: 59.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a href="#top18">18</a><a name="18"></a></Sup> <I>Boletim da Associa&ccedil;&atilde;o    do Magist&eacute;rio Secund&aacute;rio Oficial,</I> Lisboa, ano I, fasc. IV,    Janeiro de 1905: 130.</P>     <p><Sup><a href="#top19">19</a><a name="19"></a></Sup> <I>Boletim da Associa&ccedil;&atilde;o    do Magist&eacute;rio Secund&aacute;rio Oficial,</I> Lisboa, ano IV, fasc. Julho-    Dezembro de 1905: 251-253.</P>     <p><Sup><a href="#top20">20</a><a name="20"></a></Sup> <I> O Jornal, </I>Porto,    ano II, n.&ordm; 445, 28 de Julho de 1903.</P>     <p><Sup><a href="#top21">21</a><a name="21"></a></Sup> <I>Boletim da Direc&ccedil;&atilde;o    Geral de Instru&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica</I>, Lisboa, ano IV, fasc. VII&ndash;XII,    Julho-Dezembro de 1905: 251-253.</P>     <p><Sup><a href="#top22">22</a><a name="22"></a></Sup> <I>Boletim da Direc&ccedil;&atilde;o    Geral de Instru&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica</I>, Lisboa, ano IV, fasc. VII&ndash;XII,    Julho-Dezembro de 1905: 251-253.</P>     <p><Sup><a href="#top23">23</a><a name="23"></a></Sup> <I>Boletim da Direc&ccedil;&atilde;o    Geral de Instru&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica</I>, Lisboa, ano IV, fasc. VII&ndash;XII,    Julho-Dezembro de 1905: 253.</P>     <p><Sup><a href="#top24">24</a><a name="24"></a></Sup> <I>Educa&ccedil;&atilde;o    Nacional</I>, Lisboa, ano IX, n.&ordm; 460, 9 de Julho de 1905: 405. <I>O S&eacute;culo</I>    publicou tamb&eacute;m o conte&uacute;do da <I>Representa&ccedil;&atilde;o</I>    no dia 5 de Julho de 1905.</P>     <p><Sup><a href="#top25">25</a><a name="25"></a></Sup> <I>Boletim da Associa&ccedil;&atilde;o    do Magist&eacute;rio Secund&aacute;rio Oficial</I>, Lisboa, fasc. IV, Janeiro    de 1905: 131.</P>     <p><Sup><a href="#top26">26</a><a name="26"></a></Sup> <I>Di&aacute;rio da C&acirc;mara    dos Senhores Deputados,</I> sess&atilde;o n.&ordm; 29, de 9 de Setembro de 1905:    4.</P>     <p><Sup><a href="#top27">27</a><a name="27"></a></Sup> <I>Di&aacute;rio da C&acirc;mara    dos Senhores Deputados,</I> sess&atilde;o n.&ordm; 29, de 9 de Setembro de 1905:    4-5.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a href="#top28">28</a><a name="28"></a></Sup> <I>Educa&ccedil;&atilde;o    Nacional, </I>Porto, ano X, n.&ordm; 478, 12 de Novembro de 1905: 60. Pelo Decreto    n.&ordm; 3, de 3 de Novembro de 1905, s&atilde;o publicados os Programas para    o ensino secund&aacute;rio, tendo em vista o disposto no art. 56&ordm; do Decreto    de 29 de Agosto de 1905, e depois de ouvido o Conselho Superior de Instru&ccedil;&atilde;o    P&uacute;blica (<I>Di&aacute;rio do Governo</I> n.&ordm; 250, de 4 de Novembro    de 1905: 3865-3873). </P>     <p><Sup><a href="#top29">29</a><a name="29"></a></Sup> O discurso proferido pelo    reitor do Liceu Central de Lisboa foi motivo de not&iacute;cia no jornal <I>Di&aacute;rio    de </I><I>Noticias</I>, de 5 de Outubro de 1895.</P>     <p><Sup><a href="#top30">30</a><a name="30"></a></Sup> Pinto, Clemente (1903).    &ldquo;Relat&oacute;rios do reitor do Liceu Central de Lisboa e de presidentes    de j&uacute;ris acerca do ensino e exames neste Liceu&rdquo;, <I>Boletim da    Direc&ccedil;&atilde;o Geral de Instru&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica</I>,    Lisboa, ano II, fasc. I-IV, Janeiro- Abril 1903: 34.</P>     <p><Sup><a href="#top31">31</a><a name="31"></a></Sup> <I>Boletim da Direc&ccedil;&atilde;o    Geral de Instru&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica</I>, Lisboa, ano II, fasc. I-IV,    Janeiro- Abril 1903: 34.</P>     <p><Sup><a href="#top32">32</a><a name="32"></a></Sup> &ldquo;A descoberta da    higiene foi de uma import&acirc;ncia vital para a altera&ccedil;&atilde;o dos    costumes e normas de etiqueta. O discurso higienista foi decisivo para que surgisse    o investimento na preserva&ccedil;&atilde;o dos organismos e na defesa da popula&ccedil;&atilde;o.    A higiene, ao constituir uma nova exig&ecirc;ncia e uma nova vigil&acirc;ncia,    pode ser vista tamb&eacute;m como uma disciplina. O saud&aacute;vel vem exigir    um controle e um novo modo cultural de ser e de estar. A higiene, ao ser incorporada    no processo de civiliza&ccedil;&atilde;o, simboliza tamb&eacute;m uma nova distin&ccedil;&atilde;o.    Com ela, novas sensibilidades s&atilde;o trabalhadas, conduzindo ao exerc&iacute;cio    de uma dupla vigil&acirc;ncia - sobre os outros e sobre si (autocontrolo), o    que reclama uma higiene p&uacute;blica e privada&rdquo; (Br&aacute;s, 2008:    161).</P>     <p><Sup><a href="#top33">33</a><a name="33"></a></Sup> Ver, entre outros, os relat&oacute;rios    dos presidentes de j&uacute;ris de exames do Liceu Central de Lisboa, Santos    Lucas, Artur Montenegro e Augustos Santos, do Liceu Central de Coimbra, Costa    Lobo, do Liceu Central do Porto, Lu&iacute;s In&aacute;cio Woodhouse, e do Liceu    Central de &Eacute;vora, Ferrugento Gon&ccedil;alves (<I>Boletim da Direc&ccedil;&atilde;o    </I><I>Geral de Instru&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica</I>, Lisboa, ano II,    fasc. I-IV, Janeiro- Abril 1903:. 51-60).</P>     <p><Sup><a href="#top34">34</a><a name="34"></a></Sup> Gon&ccedil;alves, Ferrugento    (1904). Relat&oacute;rio sobre os exames de sa&iacute;da (externos, 2.&ordf;    mesa, 5.&ordf; classe) do Liceu Central de Lisboa (<I>Boletim da Direc&ccedil;&atilde;o    Geral de Instru&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica</I>, Lisboa, ano III: 529-566).</P>     <p><Sup><a href="#top35">35</a><a name="35"></a></Sup> Costa, Bento (1904). &ldquo;Revista    de educaci&oacute;n&rdquo; (<I>Boletim da Direc&ccedil;&atilde;o Geral de Instru&ccedil;&atilde;o    P&uacute;blica</I>, Lisboa, ano III: 595-600).</P>     <p><Sup><a href="#top36">36</a><a name="36"></a></Sup> A Direc&ccedil;&atilde;o    Geral da Instru&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica poupa o sistema de classe que    a reforma de 1894 institui, porque considera que destruir este princ&iacute;pio    seria um aut&ecirc;ntico atentado, iria colocar Portugal na retaguarda de todas    as na&ccedil;&otilde;es cultas. Considera tamb&eacute;m que &eacute; de manter    em sete classes o ensino secund&aacute;rio (cada uma corresponde, respectivamente,    a um ano). Defende que nos pa&iacute;ses estrangeiros a dura&ccedil;&atilde;o    ainda &eacute; mais longa. O encurtamento da dura&ccedil;&atilde;o viria a agravar    a sobrecarga dos programas em cada um dos anos. Seria, por isso, um erro reduzir    o desenvolvimento da intelig&ecirc;ncia, devendo esta acompanhar o desenvolvimento    f&iacute;sico. A organiza&ccedil;&atilde;o do ensino proposta &eacute; a de    curso geral com dois graus e curso complementar com letras e ci&ecirc;ncias.    A ideia base &eacute; reduzir a carga hor&aacute;ria semanal. Assim, para as    1&ordf;, 2&ordf; e 3&ordf; classes s&atilde;o fixadas 23 horas de aulas semanais;    para os da 4&ordf; e 5&ordf;, 24 horas; 22 horas para os da 6&ordf; e 7&ordf;    classes. O estudo dom&eacute;stico exigido como trabalho complementar varia    entre as 9 horas semanais na 1&ordf; classe e as 20 nas 6&ordf; e 7&ordf; classes.    Se compararmos esta distribui&ccedil;&atilde;o do tempo com a que estava em    vigor, verifica-se uma redu&ccedil;&atilde;o significativa.</P>     <p><Sup><a href="#top37">37</a><a name="37"></a></Sup> Sousa, Marnoco e (1903).    &ldquo;O regime de instru&ccedil;&atilde;o secund&aacute;ria e os seus resultados&rdquo;,    <I>Boletim da Direc&ccedil;&atilde;o </I><I>Geral de Instru&ccedil;&atilde;o    P&uacute;blica, </I>Lisboa, ano II, n.&ordm;<I> </I>1-4: 1-50. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a href="#top38">38</a><a name="38"></a></Sup> Parecer em separado do    vogal do Conselho Superior de Instru&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica, Dr. Abel    Andrade, (<I>Boletim da </I><I>Direc&ccedil;&atilde;o Geral de Instru&ccedil;&atilde;o    P&uacute;blica, </I>Lisboa<I> </I>ano IV, Julho-Dezembro de 1904: 258-260).  </P>     <p><Sup><a href="#top39">39</a><a name="39"></a></Sup> Foi esta reforma, como    temos vindo a explicitar, que instituiu a Gin&aacute;stica na matriz curricular    do ensino secund&aacute;rio. Sobre a hist&oacute;ria da disciplina de Educa&ccedil;&atilde;o    F&iacute;sica desde o Antigo Regime at&eacute; &agrave; I Rep&uacute;blica,    consulte-se Br&aacute;s (2006). Mesmo relativamente ao pa&iacute;s vizinho,    est&aacute;vamos atrasados neste campo, onde a Educa&ccedil;&atilde;o F&iacute;sica    foi institu&iacute;da, obrigatoriamente, no plano de estudos do ensino secund&aacute;rio,    pela Lei de 9 de Maio de 1883. Para aprofundar esta tem&aacute;tica, veja-se    Pastor Pradillo (2002). </P>     <p><Sup><a href="#top40">40</a><a name="40"></a></Sup> Sacadura, Costa (1905).    &ldquo;Educa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica&rdquo;, <I>Boletim da Direc&ccedil;&atilde;o    Geral da Instru&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica, </I>Lisboa,<I> </I>ano IV,    Julho-Dezembro: 323-330.</P>     <p><Sup><a href="#top41">41</a><a name="41"></a></Sup> Sacadura, Costa (1905).    &ldquo;Educa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica&rdquo;, <I>Boletim da Direc&ccedil;&atilde;o    Geral da Instru&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica, </I>Lisboa,<I> </I>ano IV,    Julho-Dezembro: 323-330.</P>     <p><Sup><a href="#top42">42</a><a name="42"></a></Sup> Uma vez aprovada a integra&ccedil;&atilde;o    da educa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica no curr&iacute;culo, o foco de preocupa&ccedil;&atilde;o    passou a ser a sua implementa&ccedil;&atilde;o. Sobre este assunto, consulte-se    Br&aacute;s (2006: 470-490).</P>     <p><Sup><a href="#top43">43</a><a name="43"></a></Sup> <I>Di&aacute;rio do Governo</I>    n.&ordm; 250, de 4 de Novembro de 1905: 3875.</P>     <p><Sup><a href="#top44">44</a><a name="44"></a></Sup> <I>Di&aacute;rio do Governo</I>    n.&ordm; 250, de 4 de Novembro de 1905: 3875.</P>     <p><Sup><a href="#top45">45</a><a name="45"></a></Sup> &ldquo;Caderno escolar&rdquo;,    <I>Boletim da Associa&ccedil;&atilde;o do Magist&eacute;rio Secund&aacute;rio    Oficial</I>, Lisboa, ano III, fasc. XIII, Janeiro-Fevereiro, 1907: 427. </P>     <p><Sup><a href="#top46">46</a><a name="46"></a></Sup> <I>Di&aacute;rio do Governo</I>    n.&ordm; 250, de 4 de Novembro de 1905: 3874.</P>     <p><Sup><a href="#top47">47</a><a name="47"></a></Sup> <I>Di&aacute;rio do Governo</I>    n.&ordm; 250, de 4 de Novembro de 1905: 3874.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a href="#top48">48</a><a name="48"></a></Sup> Sobre a import&acirc;ncia    de organizar as aprendizagens e arquivar os trabalhos dos alunos, hoje designados    por <I>portfolios</I>, ver, entre outros, Coelho (2000) e Esparteiro (2003).    Sobre a participa&ccedil;&atilde;o respons&aacute;vel dos pais na escola e sobre    o sentido de promover uma l&oacute;gica partenarial, consulte-se Barroso (1995b)    e <Sup>Marques </Sup><Sup>(1992, 1996). </Sup></P>     <p><Sup><a href="#top49">49</a><a name="49"></a></Sup> Outros princ&iacute;pios    do diploma de 29 de Agosto de 1905 que geraram consenso foram a diminui&ccedil;&atilde;o    da carga hor&aacute;ria dos alunos, a redu&ccedil;&atilde;o de n&uacute;mero    de professores por cada classe e a exclus&atilde;o da hip&oacute;tese do cargo    de reitor ser exercido por n&atilde;o docentes.</P>     <p><Sup><a href="#top50">50</a><a name="50"></a></Sup> <I>O Campe&atilde;o Escolar</I>,    Porto, ano III, n.&ordm; 129, 31 de Agosto de 1906. </P>     <p><Sup><a href="#top51">51</a><a name="51"></a></Sup> <I>Di&aacute;rio da C&acirc;mara    dos Senhores Deputados</I>, sess&atilde;o n.&ordm; 21, de 30 de Outubro de 1906:    4.</P>     <p><Sup><a href="#top52">52</a><a name="52"></a></Sup> <I>O Campe&atilde;o Escolar</I>,    Porto, ano III, n.&ordm; 129, 31 de Agosto de 1906:1. J&aacute; em 10 de Agosto    de 1906, este mesmo jornal noticiava: &ldquo;Em face da conclus&atilde;o do    relat&oacute;rio da comiss&atilde;o de inqu&eacute;rito &agrave; Direc&ccedil;&atilde;o    Geral de Instru&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica, foi imposta a pena de suspens&atilde;o    ao sr. conselheiro Abel Andrade, por delibera&ccedil;&atilde;o un&acirc;nime    do conselho de ministros. Em virtude desta suspens&atilde;o fica substituindo    o sr. Abel Andrade na Direc&ccedil;&atilde;o Geral o sr. Jos&eacute; Cabral    Teixeira Coelho, chefe da 4&ordf; reparti&ccedil;&atilde;o. (...) Pessoas de    elevada import&acirc;ncia continuam a atribuir a sindic&acirc;ncia a uma vingan&ccedil;a    pol&iacute;tica, pois que muito antes da subida do sr. Franco ao poder j&aacute;    os seus amigos davam como certa a demiss&atilde;o do sr. Abel Andrade&rdquo;    ( <I>O Campe&atilde;o Escolar</I>, Porto, ano III, n.&ordm; 126, 10 de Agosto    de 1906: 2).</P>     <p><Sup><a href="#top53">53</a><a name="53"></a></Sup> <I>Revista Pedag&oacute;gica</I>,    Lisboa, ano III, n.&ordm; 126, 10 de Agosto de 1906. </P>     <p><Sup><a href="#top54">54</a><a name="54"></a></Sup> &ldquo; Abel Andrade&rdquo;,    <I>Educa&ccedil;&atilde;o Nacional,</I> Porto, ano VI, n.&ordm; 280, 2 de Fevereiro    de 1902: 461.</P>     <p><Sup><a href="#top55">55</a><a name="55"></a></Sup> <I>Educa&ccedil;&atilde;o    Nacional, </I>Porto, ano X, n.&ordm; 478, 12 de Novembro de 1905: 60. </P>     <p><Sup><a href="#top56">56</a><a name="56"></a></Sup> Consulte-se a prop&oacute;sito    do regime de livro &uacute;nico Ad&atilde;o & Gon&ccedil;alves (2003).</P>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><B>Refer&ecirc;ncias Bibliogr&aacute;ficas</B></P>      <p>Ad&atilde;o, &Aacute;. (1998). O Gr&eacute;mio do Professorado Livre Portugu&ecirc;s: Uma oposi&ccedil;&atilde;o  &agrave; &laquo;Reforma de Jaime Moniz&raquo;. In <I>Ensaio em homenagem a Joaquim Ferreira Gomes </I>(pp.103-111).  Coimbra: Faculdade de Psicologia e de Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade de Coimbra.  </P>      <p>Ad&atilde;o, &Aacute;. & Gon&ccedil;alves, M. N. (2003). A uniformiza&ccedil;&atilde;o do ensino prim&aacute;rio  elementar. Uma necessidade do Portugal oitocentista. <I>In </I>Sousa,<I> &Oacute;</I>. C. de & Ricardo, M. M. C. (org.).  <I>Uma escola com sentido: o curr&iacute;culo em </I><I>an&aacute;lise e debate. Contextos, quest&otilde;es e  perspectivas </I>(pp. 177-189). Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es Universit&aacute;rias Lus&oacute;fonas.</P>      <p>Amado, J. J. da S. (1895). <I>Discurso de abertura solene das aulas</I>. Lisboa: Imprensa Nacional.</P>      <p>Andrade, A. (1905). Projecto de reforma da instru&ccedil;&atilde;o secund&aacute;ria: elaborado pela  Direc&ccedil;&atilde;o Geral de Instru&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica e apresentado ao Ministro do Reino em 8  de Outubro de 1904. <I>Boletim da Direc&ccedil;&atilde;o Geral de </I><I>Instru&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica</I>  (4), 7-8, 11-14.</P>      <p>Barroso, J. (1995a). <I>Os liceus: organiza&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica e administrativa (1836-1960</I>)  (2 vols). Lisboa: Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian/Junta Nacional de Investiga&ccedil;&atilde;o  Cient&iacute;fica e Tecnol&oacute;gica.</P>      <p>Barroso, J. (1995b). <I>Para o desenvolvimento de uma cultura de participa&ccedil;&atilde;o na escola</I>.  Lisboa: Instituto de Inova&ccedil;&atilde;o Educacional.</P>      <p>Barroso, J. (1999). A influ&ecirc;ncia do regime de classes na organiza&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica e  na administra&ccedil;&atilde;o do liceu. <I>In</I> Fernandes, R. & Magalh&atilde;es, J. (orgs.) <I>Para a  hist&oacute;ria do ensino liceal em Portugal, Actas dos col&oacute;quios do I </I><I>centen&aacute;rio da  Reforma de Jaime Moniz (1894-1895) </I>(pp.17-38). Braga: Universidade do Minho. </P>      <p>Br&aacute;s, J. G. V. (2006). <I>A fabrica&ccedil;&atilde;o curricular da Educa&ccedil;&atilde;o F&iacute;sica.  Hist&oacute;ria de uma Disciplina desde o Antigo Regime </I><I>at&eacute; &agrave; I Rep&uacute;blica. </I> Disserta&ccedil;&atilde;o de Doutoramento em Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o. Lisboa: Faculdade de Psicologia  e de Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade de Lisboa. </P>      <!-- ref --><p>Br&aacute;s, J. G. V. (2008). A higiene e o governo das almas: o despertar de uma nova rela&ccedil;&atilde;o, <I>Revista Lus&oacute;fona de Educa&ccedil;&atilde;o</I>, 12.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000172&pid=S1645-7250200900010000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Campos, A. de (1910). <I>Educa&ccedil;&atilde;o e Ensino</I>. Lisboa: Livraria Aillaud. </P>      <p>Coelho, A. C. C. G. (2000). <I>Organiza&ccedil;&atilde;o das aprendizagens, portfolio enquanto caminho para  a metacogni&ccedil;&atilde;o</I>. Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado. Lisboa: Universidade Nova de Lisboa/Faculdade  de Ci&ecirc;ncias Sociais e Humanas.</P>      <p>Cunha, A. da (1905). Pref&aacute;cio ao livro <I>A instru&ccedil;&atilde;o secund&aacute;ria de ambos os  sexos no estrangeiro e em Portugal</I>. Lisboa: Tipografia Universal. </P>      <p>Esparteiro, M. J. C. L. (2003). <I>O valor formativo do portfolio como instrumento de avalia&ccedil;&atilde;o  da pr&aacute;tica reflexiva. </I>Disserta&ccedil;&atilde;o de Doutoramento. Lisboa: Universidade Cat&oacute;lica  Portuguesa.</P>      <p>Goodson, I. (1995). <I>Currr&iacute;culo: teoria e hist&oacute;ria</I>. Petr&oacute;polis: Editora Vozes.</P>      <p>Marques, M. (1992). <I>A decis&atilde;o pol&iacute;tica em educa&ccedil;&atilde;o. O partenariado  s&oacute;cio-educativo como modelo decisional</I>. Porto: Afrontamento. </P>      <p>Marques, M. (1996). <I>O partenariado na escola</I>. Lisboa: Instituto de Inova&ccedil;&atilde;o Educacional.</P>      <p>N&oacute;voa, A. (1987). <I>Le temps des professeurs.</I> Lisboa: Instituto Nacional de Investiga&ccedil;&atilde;o  Cient&iacute;fica.</P>      <p>N&oacute;voa, A., Barroso, J. & &Oacute;, J. (2003). &ldquo;O todo poderoso imp&eacute;rio do meio&rdquo;:  <I>In </I> N&oacute;voa, A. & Santa-Clara, A. T. (coord.) (2003). <I>&ldquo;Liceus de Portugal&rdquo;. Hist&oacute;rias,  Arquivos, Mem&oacute;rias </I>(pp. 17-73). Porto: Edi&ccedil;&otilde;es Asa.</P>      <p>&Oacute;, J. R. d&rsquo; (2003). <I>O governo de si mesmo. Modernidade pedag&oacute;gica e encena&ccedil;&otilde;es  disciplinares do aluno liceal </I><I>(&uacute;ltimo quartel do s&eacute;culo XIX- meados do s&eacute;culo XX)</I>.  Lisboa: Educa. </P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ortig&atilde;o, R. (1992). O estado da educa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica. <I>In</I> <I>As Farpas.</I> Vol.VIII  (pp.135-159). Lisboa: Cl&aacute;ssica Editora. </P>      <p>Pastor Pradillo, J. (2002). Aproximaci&oacute;n hist&oacute;rica a la evoluci&oacute;n de la Educaci&oacute;n  F&iacute;sica en Espa&ntilde;a (1888-1990). <I>Historia de la Educaci&oacute;n,</I> (21), 199-214.</P>      <p>Popkewitz, T. (1997). <I>Reforma educacional. Uma pol&iacute;tica sociol&oacute;gica. Poder e conhecimento  em educa&ccedil;&atilde;o</I>. Porto Alegre: Editora Artes M&eacute;dica Sul.</P>      <p>Proen&ccedil;a, C. (1993). <I>A reforma de Jaime Moniz. Antecedentes e destino hist&oacute;rico. </I> Disserta&ccedil;&atilde;o de Doutoramento em Hist&oacute;ria Cultural e das Mentalidades (s&eacute;cs. XIX &ndash;XX).  Lisboa: Faculdade de Ci&ecirc;ncias Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (2 vols).</P>      <p>Proen&ccedil;a, C. (1997).<I> A reforma de Jaime Moniz</I>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es Colibri.</P>      <p>Proen&ccedil;a, C. (1999). O significado hist&oacute;rico-educativo da reforma de Jaime Moniz. <I>In</I>  Fernandes, R., & Magalh&atilde;es, J. (orgs.). <I>Para a hist&oacute;ria do ensino liceal em Portugal. </I> Actas dos Col&oacute;quios do I Centen&aacute;rio da Reforma de Jaime Moniz, 1894-1895 (pp. 39-50). Braga:  Universidade do Minho.</P>      <p>Rose, N. (1998). Governando a alma: a forma&ccedil;&atilde;o do eu privado. <I>In</I> Silva, T. T. (org.)  <I>Liberdades reguladas: a pedagogia construtivista e outras formas de governo do eu </I>(pp. 30-45).  Petr&oacute;polis: Editora Vozes.</P>      <p>Santa-Clara, A. R. (2002). <I>Os caminhos da constru&ccedil;&atilde;o da escola. Sobre a  implanta&ccedil;&atilde;o do Liceu de Lisboa (1836-</I><I>1860).</I> Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado.  Lisboa: Faculdade de Psicologia e de Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade de Lisboa.</P>      <p>Santos, M. P. dos (1986). <I>Monarquia constitucional. Organiza&ccedil;&atilde;o e rela&ccedil;&otilde;es do  poder governamental com a C&acirc;mara dos Deputados (1834-1910). </I>Lisboa: Assembleia da Rep&uacute;blica.</P>      <p>Silva, T. T. (s/d). <I>Documentos de identidade. Uma introdu&ccedil;&atilde;o &agrave;s teorias do curr&iacute;culo.</I>  Belo Horizonte: Aut&ecirc;ntica.</P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Sousa, M. e (1903). &ldquo;O regime de instru&ccedil;&atilde;o secund&aacute;ria e os seus resultados&rdquo;<I>,  Boletim da Direc&ccedil;&atilde;o Geral de </I><I>Instru&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica, </I>(2) 1-50. </P>      <p>Valente, V. P. (1973). <I>O estado liberal e o ensino: os liceus portugueses (1834-1930).</I> Lisboa: Gabinete  de Investiga&ccedil;&otilde;es Sociais do Instituto Superior de Economia.</P>      <p>Vi&ntilde;ao Frago & Agust&iacute;n Escolano (1998). <I>Curr&iacute;culo, espa&ccedil;o e subjectividade.  A arquitectura como programa. </I>S&atilde;o Paulo: DP & A Editora.</P>      <p>&nbsp;</p>      <p><Sup><a href="#top0">*</a><a name="0"></a> </Sup>Professores da Universidade    Lus&oacute;fona de Humanidades e Tecnologias e membros da UID - Observat&oacute;rio    de Pol&iacute;ticas de Educa&ccedil;&atilde;o e de Contextos Educativos</P>     <p><a href="mailto:zevibras@gmail.com">zevibras@gmail.com</a></P>     <p><a href="mailto:maria.neves@netcabo.pt">maria.neves@netcabo.pt</a></P>      ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[Brás]]></surname>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A higiene e o governo das almas: o despertar de uma nova relação]]></article-title>
<source><![CDATA[Revista Lusófona de Educação]]></source>
<year>2008</year>
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<surname><![CDATA[Sousa]]></surname>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[“O regime de instrução secundária e os seus resultados”]]></article-title>
<source><![CDATA[Boletim da Direcção Geral de Instrução Pública]]></source>
<year>1903</year>
<volume>2</volume>
<page-range>1-50</page-range></nlm-citation>
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