<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>1645-7250</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Revista Lusófona de Educação]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Rev. Lusófona de Educação]]></abbrev-journal-title>
<issn>1645-7250</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Centro de Estudos e Intervenção em Educação e Formação (CeiEF)Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S1645-72502009000100008</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Avaliação e fracasso escolar: questões para debate sobre a democratização da escola]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[From Exclusion to Inclusion.: A Brief Historical Perspective]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Esteban]]></surname>
<given-names><![CDATA[Maria Teresa]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
<xref ref-type="aff" rid="A02"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Universidade Federal Fluminense Faculdade de Educação ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A02">
<institution><![CDATA[,Grupo Alfabetização dos Alunos e Alunas das Classes Populares (GRUPALFA)  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>00</month>
<year>2009</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>00</month>
<year>2009</year>
</pub-date>
<numero>13</numero>
<fpage>123</fpage>
<lpage>134</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1645-72502009000100008&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S1645-72502009000100008&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S1645-72502009000100008&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[O artigo discute as relações entre a consolidação de um sistema nacional de avaliação, baseado em exames estandardizados, e a produção de qualidade em uma escola pública marcada por tensões, conflitos, destituída de percepção e projeto únicos. Questiona a uniformização estimulada pelos padrões homogêneos de avaliação como procedimento capaz de reverter a produção do fracasso escolar. Os resultados da avaliação continuam expondo uma escola que fracassa e impõem a necessidade de se indagar o que é educação, quais são suas bases e finalidades, o que transmite e como transmite; exigem profunda reflexão sobre o que está historicamente negado e silenciado e que precisa ser recuperado e incorporado à dinâmica pedagógica.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The way from exclusion to inclusion of children and youngsters with special education needs is related to the economic, social and cultural traits of each epoch, which are determinant as to how one puts difference in perspective. Exclusion, segregation, integration and, nowadays, inclusion have their paths made up according to underlying concepts and practices - which, in the case of inclusion, in the sense of inclusive education, point out to teachers’ training in service as one of its main implementation tools.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Avaliação]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[classes populares]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[qualidade]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[inclusão/exclusão]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[exame]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[segregation]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[integration]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[inclusion]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[inclusive education]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[analysis of in service training needs]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <P><B>Avalia&ccedil;&atilde;o e fracasso escolar: quest&otilde;es para debate sobre a democratiza&ccedil;&atilde;o da escola</B></P>      <p>&nbsp;</p>      <P> Maria Teresa Esteban<a href="#0">*</a><a name="top0"></a> </P>      <p>&nbsp;</p>       <p>O artigo discute as rela&ccedil;&otilde;es entre a consolida&ccedil;&atilde;o de um sistema  nacional de avalia&ccedil;&atilde;o, baseado em exames estandardizados, e a produ&ccedil;&atilde;o de  qualidade em uma escola p&uacute;blica marcada por tens&otilde;es, conflitos, destitu&iacute;da de  percep&ccedil;&atilde;o e projeto &uacute;nicos. Questiona a uniformiza&ccedil;&atilde;o estimulada pelos  padr&otilde;es homog&ecirc;neos de avalia&ccedil;&atilde;o como procedimento capaz de reverter a  produ&ccedil;&atilde;o do fracasso escolar. Os resultados da avalia&ccedil;&atilde;o continuam expondo uma  escola que fracassa e imp&otilde;em a necessidade de se indagar o que &eacute; educa&ccedil;&atilde;o, quais  s&atilde;o suas bases e finalidades, o que transmite e como transmite; exigem profunda reflex&atilde;o sobre o  que est&aacute; historicamente negado e silenciado e que precisa ser recuperado e incorporado &agrave; din&acirc;mica  pedag&oacute;gica.</P>      <p><B>Palavras-chave:</B> Avalia&ccedil;&atilde;o; classes populares; qualidade; inclus&atilde;o/exclus&atilde;o; exame.</P>      <p>&nbsp;</p>      <p><B>From Exclusion to Inclusion. A Brief Historical Perspective</B></P>      <p>The way from exclusion to inclusion of children and youngsters with special education needs is related to the economic, social and cultural traits of each epoch, which are determinant as  to how one puts difference in perspective. Exclusion, segregation, integration and, nowadays, inclusion have their paths made up according to underlying concepts and practices – which, in the case of inclusion, in the sense of inclusive education, point out to teachers’  training in service as one of its main implementation tools.</P>     <p><B>Keywords:</B> segregation; integration; inclusion; inclusive education; analysis of in service training needs</P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p align="right">Acho que essa tarefa lhe dava algum estado. </P>     <p align="right">Estado de pessoas que se enfeitam a trapos.</P>      <p align="right">Catar coisas in&uacute;teis garante a soberania do Ser.</P>      <p align="right">Garante a soberania de Ser mais do que Ter. </P>     <p align="right">(Manoel de Barros)</P>      <p>A luta por uma escola p&uacute;blica de qualidade para todos tem sido longa    e constante, sendo crescente sua abertura aos grupos subalternizados<B><a href="#1">&sup1;</a><a name="top1"></a></B>.    Entretanto, a chegada massiva dos filhos(as) das classes populares &agrave;    escola n&atilde;o ocorre com ordem e tranq&uuml;ilidade, como talvez desej&aacute;ssemos. </P>     <p>A transforma&ccedil;&atilde;o ocorrida na escola p&otilde;e em tela de ju&iacute;zo seu pr&oacute;prio  sentido. Diante do quadro ca&oacute;tico, tratamos de buscar os modelos de que dispomos, mirando firmemente  a nossa id&eacute;ia consolidada de escola. Mais uma vez caos, desordem, ru&iacute;do; os melhores  esfor&ccedil;os parecem em v&atilde;o; os resultados da avalia&ccedil;&atilde;o colocam diante de nossos olhos  estudantes que n&atilde;o aprendem e professores(as) que n&atilde;o ensinam. Encontramo-nos com hist&oacute;rias  de fracasso e com o desejo n&atilde;o realizado de viver com &ecirc;xito as experi&ecirc;ncias escolares cotidianas,  em meio a fr&aacute;geis momentos em que o sucesso se evidencia.</P>     <p>Em um tempo em que muitas culturas se entrecruzam na escola, as propostas escolares n&atilde;o s&atilde;o  &oacute;bvias nem aceit&aacute;veis para todos. Emerge um dilema: explicitar &ldquo;os princ&iacute;pios fundadores  da escola&rdquo; (Meirieu, 2004) ou constituir novos princ&iacute;pios, consoantes aos diferentes contextos,  projetos e caracter&iacute;sticas que perpassam a vida escolar cotidiana. Este dilema se articula ao desafio  de configurar novos contornos para a escola como institui&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, de modo que se  possam proporcionar meios para que todos os estudantes se beneficiem efetivamente da escolariza&ccedil;&atilde;o.  N&atilde;o me parece poss&iacute;vel, nem desej&aacute;vel, abandonar completamente id&eacute;ias que sustentam  a defesa da escola para todos, com garantia de aceso aos conhecimentos, tampouco assumir a aproxima&ccedil;&atilde;o  entre conhecimento, ci&ecirc;ncia e verdade que gera uniformiza&ccedil;&atilde;o e empobrecimento dos conhecimentos  e conte&uacute;dos escolares. </P>     <p>Os debates se ampliam, s&atilde;o consideradas novas vari&aacute;veis e s&atilde;o formulados novos projetos,  dentre os quais se destaca a constru&ccedil;&atilde;o de processos de avalia&ccedil;&atilde;o externa da aprendizagem,  nos marcos de um sistema nacional de avalia&ccedil;&atilde;o educacional. Enquanto isso, estudantes das escolas  p&uacute;blicas oriundos das classes populares seguem sua hist&oacute;ria de pouco ou nenhum sucesso na escola e  suas fam&iacute;lias parecem conformadas a experimentar mais um fracasso. Esta &eacute; uma face do quadro,  n&atilde;o a &uacute;nica. Outras possibilidades s&atilde;o produzidas na medida em que estudantes voltam um dia  mais, um ano mais e suas fam&iacute;lias continuam tentando atender &agrave;s expectativas escolares.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O persistente fracasso faz persistir o desafio de configurar uma escola p&uacute;blica democr&aacute;tica,  favor&aacute;vel &agrave; amplia&ccedil;&atilde;o do conhecimento de todos. Uma escola em que a aprendizagem  valorizada n&atilde;o esteja vinculada &agrave; nega&ccedil;&atilde;o das m&uacute;ltiplas aprendizagens que  os estudantes fazem atrav&eacute;s de suas diferentes experi&ecirc;ncias e intera&ccedil;&otilde;es cotidianas.  Enfim, uma escola em que o reconhecimento do direito &agrave; diferen&ccedil;a n&atilde;o justifique a desigualdade,  o silenciamento, o abandono e a permanente produ&ccedil;&atilde;o da invisibilidade dos sujeitos, conhecimentos e  contextos que n&atilde;o cabem nas estreitas margens dos denominados sujeito e conhecimento escolar.</P>      <p><B>A captura da alteridade</B></P>      <p>A escola p&uacute;blica que se realiza a cada dia &eacute; uma escola marcada por tens&otilde;es,  conflitos, destitu&iacute;da de percep&ccedil;&atilde;o e projeto &uacute;nicos, o que leva ao questionamento  sobre a padroniza&ccedil;&atilde;o estimulada pela consolida&ccedil;&atilde;o de processos de avalia&ccedil;&atilde;o  da aprendizagem orientados por par&acirc;metros uniformes. A escola estruturada como parte do projeto da modernidade  n&atilde;o se tornou realidade e seus princ&iacute;pios fundadores &ndash; a verdade como lei, o rigor como  m&eacute;todo, a transmiss&atilde;o dos conhecimentos socialmente v&aacute;lidos e necess&aacute;rios como finalidade  &ndash; mostram-se insuficientes para enfrentar os desafios que a vida cotidiana contempor&acirc;nea imp&otilde;e.  Mais do que isso, tais princ&iacute;pios, ainda que evoquem a democracia, articulam-se na perspectiva excludente  que marca as rela&ccedil;&otilde;es coloniais, fortemente implicadas na produ&ccedil;&atilde;o do pensamento moderno.</P>     <p>Acompanhando a domina&ccedil;&atilde;o colonial construiu-se a concep&ccedil;&atilde;o de racionalidade, dentro  de um contexto cultural cujo princ&iacute;pio epistemol&oacute;gico &eacute; a separa&ccedil;&atilde;o entre o sujeito  que conhece e o objeto de conhecimento, com &ecirc;nfase no car&aacute;ter individual e retirando a dimens&atilde;o  intersubjetiva da produ&ccedil;&atilde;o do conhecimento. (Mignolo, 2003: 92/93)</P>     <p>As pr&aacute;ticas escolares cotidianas precisam ser indagadas dentro dos m&uacute;ltiplos contextos  que conformam a escola como uma institui&ccedil;&atilde;o cada vez mais universalizada e, portanto, simultaneamente  mais vinculada &agrave;s particularidades dos grupos historicamente subalternizados, negados em seu saber e que  t&ecirc;m seu pr&oacute;prio conhecimento desqualificado. </P>     <p>Um aspecto a se destacar &eacute; a presen&ccedil;a permanente de rela&ccedil;&otilde;es de for&ccedil;a  na defini&ccedil;&atilde;o de: conhecimentos socialmente v&aacute;lidos, objetos de conhecimento, conte&uacute;dos  escolares, processos de ensino e de aprendizagem, habilidades e compet&ecirc;ncias esperadas. Neste contexto cambiante,  os objetivos escolares, longe de serem express&atilde;o da verdade a que se deve buscar, como parte de um acordo social  e atrav&eacute;s de caminhos rigorosos e fi&aacute;veis, demarcam pautas arbitr&aacute;rias de ensino e aprendizagem  constitu&iacute;das como parte de lutas sociais, das quais a transmiss&atilde;o de conhecimentos e a  conforma&ccedil;&atilde;o dos modos de estrutura&ccedil;&atilde;o do pensamento s&atilde;o elementos fundamentais.  A pedagogia do exame (Barriga, s/d), centrada na reprodu&ccedil;&atilde;o de universais abstratos e formulada  cotidianamente atrav&eacute;s de objetivos fixos que expressam as aprendizagens projetadas, organiza a escola para  nomear e hierarquizar, insiste na permanente reprodu&ccedil;&atilde;o do <I>outro</I> como o mesmo (Bhabha: 1998) -  o padr&atilde;o que define a classifica&ccedil;&atilde;o -, apagando as singularidades, que n&atilde;o podem tornar-se  vis&iacute;veis no processo.  Nesse sentido, a avalia&ccedil;&atilde;o que vem se realizando n&atilde;o &eacute; mais  do que um conjunto de procedimentos de exame.</P>     <p>A escola que promete, e muitas vezes busca, socializar o conhecimento tamb&eacute;m se vincula aos processos  de produ&ccedil;&atilde;o de subalternidade dos conhecimentos e dos sujeitos &ndash; os <I>outros</I> nos quais  alteridade coincide com negatividade (Skliar, 2003). Esse projeto moderno de escola, que se pretende universal em  sua &ldquo;miss&atilde;o civilizadora&rdquo;, exatamente por sua amplitude n&atilde;o pode ser apartado dos processos  de produ&ccedil;&atilde;o de sociedades silenciadas, que n&atilde;o s&atilde;o escutadas na produ&ccedil;&atilde;o  do conhecimento, tampouco reconhecidas e valorizadas em sua diferen&ccedil;a. N&atilde;o se pode ignorar sua  participa&ccedil;&atilde;o nos atos cujo sentido &eacute; colonizar conhecimentos, como estrat&eacute;gia da  colonialidade do poder que ressalta e rasura a diferen&ccedil;a para negar a alteridade. Por suas pr&aacute;ticas  cotidianas, tampouco se pode desconsiderar a rela&ccedil;&atilde;o da escola com processos que tratam da  emancipa&ccedil;&atilde;o e da produ&ccedil;&atilde;o/socializa&ccedil;&atilde;o de conhecimentos necess&aacute;rios  aos grupos subalternizados em suas lutas por liberta&ccedil;&atilde;o. O projeto de escola guarda princ&iacute;pios  que n&atilde;o podem ser abandonados, embora devam ser re-significados: a igualdade de direitos, a solidariedade, a  participa&ccedil;&atilde;o e a liberdade.</P>     <p>O processo de avalia&ccedil;&atilde;o traz de modo bastante expl&iacute;cito a tens&atilde;o entre  silenciamento e apropria&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica, o que nos permite consider&aacute;-lo como  <I>entre-lugar</I> (Bhabha, 1998): espa&ccedil;o intersticial em que diferen&ccedil;as se encontram  produzindo processos ambivalentes que em sua fluidez redefinem as partes que o comp&otilde;em. No entanto, com  o fortalecimento do movimento de centraliza&ccedil;&atilde;o e uniformidade de par&acirc;metros, procedimentos e  processos norteadores da avalia&ccedil;&atilde;o da aprendizagem dos estudantes, o universo de conhecimentos,  culturas e de formas de express&atilde;o aceito e legitimado pela escola se reduz significativamente, potenciando  a reprodu&ccedil;&atilde;o ancorada no sil&ecirc;ncio da diferen&ccedil;a. Definir objetivos, compet&ecirc;ncias e  habilidades comuns, constitu&iacute;dos como portadores da verdade, e como signos de eq&uuml;idade, n&atilde;o &eacute;  um mecanismo socialmente aceito e pedagogicamente validado de negar o <I>outro</I>? Nega&ccedil;&atilde;o que nutre a  subalternidade de determinados grupos e sujeitos, com apoio dos conhecimentos cient&iacute;ficos? N&atilde;o &eacute;  um interessante caminho para lograr a verdade institu&iacute;da como tal ocultando as rela&ccedil;&otilde;es de  for&ccedil;a que a atravessam? </P>     <p>D&iacute;az Barriga apresenta uma invers&atilde;o operada atrav&eacute;s do exame: tornar problemas  metodol&oacute;gicos problemas de rendimento. Articula-se uma pedagogia em fun&ccedil;&atilde;o do credenciamento,  por ele denominada &ldquo;pedagogia do exame&rdquo;, que manifesta claramente a necessidade de precis&atilde;o dos  objetivos dentro de pautas de cientificidade: </P>     <p>La uniformidad con la que pretende valorar al hombre del siglo veinte responde a un proyecto social (un proyecto  de modernidad) que circunscribe y subordina todas las caracter&iacute;sticas que lo hacen sujeto a una dimensi&oacute;n  exclusivamente t&eacute;cnica, ahist&oacute;rica y productivista (eficientista). (D&iacute;az Barriga; s/d: 40)</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A suposta cientificidade do exame garante a veracidade de seus resultados, o que permite uma classifica&ccedil;&atilde;o  que torna justa a exclus&atilde;o entrela&ccedil;ada a todo o processo. Observa-se a formula&ccedil;&atilde;o de um  discurso que ofusca a exclus&atilde;o do diferente, inserido na escola, e passa a legitimar a exclus&atilde;o da  diferen&ccedil;a que constitui a sala de aula em decorr&ecirc;ncia da democratiza&ccedil;&atilde;o do acesso &agrave;  escola, sendo enclausurada em territ&oacute;rios simbolicamente desqualificados no cotidiano escolar. Com o incremento  da diferen&ccedil;a no cotidiano escolar e a manuten&ccedil;&atilde;o de desempenhos escolares em n&iacute;veis considerados  insuficientes, se fortalece o projeto de normalizar, atrav&eacute;s das pr&aacute;ticas pedag&oacute;gicas, a  crian&ccedil;a que se apresenta como o <I>outro</I> que nega o modelo vigente ao expor a diferen&ccedil;a  inaceit&aacute;vel pelo padr&atilde;o proposto. H&aacute; um<B> </B>processo de nega&ccedil;&atilde;o - de seus  saberes, de seus processos de aprendizagem, e at&eacute; mesmo da din&acirc;mica de ensino instaurada - atravessando  as orienta&ccedil;&otilde;es que simultaneamente estimulam o trabalho com os diferentes conhecimentos trazidos &agrave;  sala de aula, atrav&eacute;s de diferentes estrat&eacute;gias metodol&oacute;gicas, e as que tornam cada vez mais  uniformes os par&acirc;metros de avalia&ccedil;&atilde;o como resultado da maior centraliza&ccedil;&atilde;o dos  processos de aferi&ccedil;&atilde;o dos desempenhos estudantis.</P>     <p>O projeto de democratiza&ccedil;&atilde;o da escola, no entanto, n&atilde;o se constr&oacute;i com o &ecirc;xito  de todos. O resultado escolar dos estudantes, indiscutivelmente um fen&ocirc;meno complexo, constantemente &eacute;  apresentado como se referido especificamente a um efeito de a&ccedil;&otilde;es individuais, n&atilde;o sendo analisado  como fracasso de um projeto. A individualiza&ccedil;&atilde;o conduz a reflex&atilde;o de tal modo que ficam em segundo  plano constata&ccedil;&otilde;es que expressam a realiza&ccedil;&atilde;o do exame como um meio para dar legitimidade  a um projeto excludente e invisibilizar a desigualdade como uma de suas principais caracter&iacute;sticas. Embora as  condi&ccedil;&otilde;es de escolariza&ccedil;&atilde;o sejam insuficientes e perversamente desiguais, como se pode  verificar no trecho que se segue, os par&acirc;metros que conduzem a aferi&ccedil;&atilde;o dos desempenhos s&atilde;o  uniformes e resultam na qualifica&ccedil;&atilde;o/desqualifica&ccedil;&atilde;o dos sujeitos.</P>     <p>No ensino fundamental, com 63% do alunado brasileiro, apesar da melhoria ocorrida nas condi&ccedil;&otilde;es de  infra-estrutura, 6% dos alunos ainda estudam em escolas sem abastecimento de energia el&eacute;trica; 4% sem esgoto  sanit&aacute;rio e 1% sem abastecimento de &aacute;gua.</P>     <p>Quanto &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es de oferta relacionadas com recursos pedag&oacute;gicos dispon&iacute;veis,  58% do alunado do ensino fundamental freq&uuml;enta escolas com biblioteca, 21% com laborat&oacute;rio de ci&ecirc;ncias,  22% com laborat&oacute;rio de inform&aacute;tica. A TV Escola, pol&iacute;tica governamental que disponibiliza um canal  de televis&atilde;o aos educadores e alunos, est&aacute; dispon&iacute;vel para 54% dos alunos do ensino fundamental.  (INEP, 2004:19)</P>     <p>Os resultados dos exames internacionais e nacionais, bem como dos que se realizam    no cotidiano escolar, exp&otilde;em o fracasso escolar brasileiro. Na &oacute;tica    que articula este artigo, esse resultado expressa a incapacidade social de produzir    uma escola favor&aacute;vel a uma parcela expressiva dos que a freq&uuml;entam,    o q ue se pode constatar com a concentra&ccedil;&atilde;o dos baixos desempenhos    nos grupos subalternizados. A consolida&ccedil;&atilde;o e refinamento do sistema    de exames n&atilde;o parecem ser acompanhados de uma efetiva transforma&ccedil;&atilde;o    na qualidade da escola<a href="#2">&sup2;</a><a name="top2"></a>, conforme atestam    os resultados apresentados pelo INEP<a href="#3">&sup3;</a><a name="top3"></a>    ao discutir os resultados verificados pelo SAEB<sup><a href="#4">4</a><a name="top4"></a></sup>:</P>     <p>Desde o in&iacute;cio da s&eacute;rie compar&aacute;vel, a m&eacute;dia de profici&ecirc;ncia no Brasil  est&aacute; abaixo do m&iacute;nimo satisfat&oacute;rio. Isso ocorreu em todos os ciclos de avalia&ccedil;&atilde;o (...)  revelando uma queda constante nas profici&ecirc;ncias m&eacute;dias. (INEP, 2006: 33)</P>     <p> Observa-se que o sistema ancorado no discurso de fomento &agrave; qualidade n&atilde;o s&oacute; n&atilde;o consegue  produzi-la como atesta o crescimento de resultados insatisfat&oacute;rios. Por&eacute;m, &eacute; preciso questionar o  que se pretende como &ecirc;xito no discurso hegem&ocirc;nico e tomar o discurso sobre o fracasso e os mecanismos  escolares e sociais de sua produ&ccedil;&atilde;o como objetos de estudo numa perspectiva contra-hegem&oacute;nica.  Urge dar visibilidade aos aspectos sutis, ocultos nos discursos e nas pr&aacute;ticas, configurados para transformar  as rela&ccedil;&otilde;es de poder em rela&ccedil;&otilde;es de saber, legitimando a nega&ccedil;&atilde;o, a  destrui&ccedil;&atilde;o, a submiss&atilde;o, a produ&ccedil;&atilde;o do <I>outro</I> como reprodu&ccedil;&atilde;o  do mesmo, ainda que com apar&ecirc;ncia diversa. </P>     <p>O insucesso evidente e persistente nos desafia a retomar os breves momentos em que o sucesso se anuncia para  radicalizarmos o processo de produ&ccedil;&atilde;o de uma escola de todos; demanda a indaga&ccedil;&atilde;o sobre  o que &eacute; educa&ccedil;&atilde;o, quais s&atilde;o suas bases e finalidades, o que transmite e como transmite;  exige profunda reflex&atilde;o sobre o que est&aacute; historicamente negado e silenciado e que precisa ser recuperado  e incorporado &agrave; din&acirc;mica pedag&oacute;gica; provoca indaga&ccedil;&otilde;es sobre a rela&ccedil;&atilde;o  centro/margem no cotidiano escolar e seus v&iacute;nculos com os modos de distribui&ccedil;&atilde;o e exerc&iacute;cio  (anti)democr&aacute;tico do poder. A manuten&ccedil;&atilde;o do fracasso escolar d&aacute; ind&iacute;cios do  entrela&ccedil;amento da constitui&ccedil;&atilde;o da escola e de suas pr&aacute;ticas com os processos que originam  e sustentam a colonialidade do poder, pois legitimar a subalterniza&ccedil;&atilde;o do conhecimento &eacute; uma de  suas condi&ccedil;&otilde;es. </P>     <p>Considerando a perspectiva apresentada pelas teorias p&oacute;s-coloniais<sup><a href="#5">5</a><a name="top5"></a></sup>,    os saberes eliminados pela din&acirc;mica hegem&ocirc;nica atuam silenciosamente    e na invisibilidade, constituem as margens dos processos, e nelas articulam    processos instaurados na escola a uma &ldquo;forma&ccedil;&atilde;o discursiva    emergente e forma de articula&ccedil;&atilde;o da racionalidade subalterna (...)    que pretende ultrapassar a subalternidade sendo um elemento para a constru&ccedil;&atilde;o    de formas subalternas de pensar&rdquo; (Mignolo, 2003:139-140). A hist&oacute;rica    experi&ecirc;ncia do fracasso escolar n&atilde;o se constitui como aus&ecirc;ncia    de conhecimentos, como o discurso dominante pretende fazer crer; embora negue    conhecimentos importantes para a luta pela liberdade, tamb&eacute;m permite    aprendizagens relevantes.</P>     <p>A compreens&atilde;o dos significados do resultado escolar como parte do processo    hist&oacute;rico em que se conforma a colonialidade do poder faz da exposi&ccedil;&atilde;o    recorrente do fracasso um dos modos de revela&ccedil;&atilde;o da diferen&ccedil;a    colonial e um dos an&uacute;ncios dos limites das teorias j&aacute; estruturadas    para responder a uma s&eacute;rie de demandas sociais na perspectiva da liberta&ccedil;&atilde;o.    O estudo do fracasso mostra-se fecundo para entender<sup><a href="#6">6</a><a name="top6"></a></sup>    como os processos postos &agrave; margem na escola, por serem destitu&iacute;dos    de valor, podem se articular ao movimento de produ&ccedil;&atilde;o de <I>formas    subalternas de pensar</I>, adquirindo novos sentidos e valores.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A luta das classes populares por escola, que n&atilde;o seja mera concess&atilde;o, ao longo da hist&oacute;ria  e a cada dia, nos desafia a compreender: que movimentos fazem para dialogar com a escola, para se adaptar a sua  din&acirc;mica e, at&eacute; mesmo, para negar as pr&aacute;ticas escolares; como estes movimentos se tornam  invis&iacute;veis, impercept&iacute;veis, incompreens&iacute;veis, inaceit&aacute;veis; como s&atilde;o traduzidos  em caos e impossibilidade; como o desejo de &ecirc;xito produz amargas experi&ecirc;ncias de fracasso. Manter o  compromisso com uma escola n&atilde;o s&oacute; para todos, mas de todos, nos desafia a abandonar os caminhos bem  conhecidos e enveredar por trilhas n&atilde;o percorridas, enfrentando o dilema: abrir a possibilidade de erros  previs&iacute;veis nos claros objetivos de ensino que antecipam como deve ser o correto ou gerar na escola a  possibilidade do novo, lugar de erros n&atilde;o experimentados e de acertos igualmente desconhecidos. Uma efetiva  democratiza&ccedil;&atilde;o da escola nos convida a tratar com cuidado das rela&ccedil;&otilde;es que o processo  de avalia&ccedil;&atilde;o externa vem mantendo com essas importantes quest&otilde;es. </P>      <p><B>Medir. Narrar. Modelar. Degradar</B>.</P>      <p>A l&oacute;gica do exame se consolida na escola e na sociedade, sendo associada &agrave; produ&ccedil;&atilde;o  da qualidade, esta cada vez mais vinculada &agrave; inser&ccedil;&atilde;o dos resultados em um &uacute;nico padr&atilde;o,  cuja aferi&ccedil;&atilde;o se realiza atrav&eacute;s de processo descontextualizado, constitu&iacute;do por pr&aacute;ticas  que encontram na separa&ccedil;&atilde;o entre sujeito que conhece e objeto de conhecimento seu princ&iacute;pio  epistemol&oacute;gico. A dimens&atilde;o individual da aprendizagem e da qualidade se fortalece, o que reduz, chegando  muitas vezes a negar, a dimens&atilde;o intersubjetiva da produ&ccedil;&atilde;o do conhecimento. </P>     <p>Nessa perspectiva, pode-se entender o estudante como simultaneamente o sujeito    da aprendizagem e o objeto da avalia&ccedil;&atilde;o. Sem embargo, considerando    a argumenta&ccedil;&atilde;o apresentada por Mani (1999) pode-se questionar    se o discurso incorpora o estudante como agente hist&oacute;rico ou apenas a    ele se refere como uma categoria universal abstrata. Tamb&eacute;m &eacute;    pertinente indagar se o discurso configurado a partir da avalia&ccedil;&atilde;o    &eacute; sobre esse mesmo estudante, se &eacute; ele o objeto do discurso. Os    estudantes s&atilde;o avaliados em rela&ccedil;&atilde;o a um conjunto de compet&ecirc;ncias<sup><a href="#8">8</a><a name="top8"></a></sup>    e a partir de seus desempenhos s&atilde;o inseridos em um dos n&iacute;veis    cujas caracter&iacute;sticas s&atilde;o predefinidas, produzindo narrativas    que ressaltam fragmentos descontextualizados que se articulam e permitem a enuncia&ccedil;&atilde;o    leg&iacute;tima sobre o outro.</P>     <p>Na an&aacute;lise das compet&ecirc;ncias e habilidades na leitura de textos, dos estudantes de 4&ordf; s&eacute;rie,  aferidas atrav&eacute;s do SAEB, s&atilde;o estabelecidos quatro n&iacute;veis: <B>muito cr&iacute;tico, cr&iacute;tico,  intermedi&aacute;rio</B> e <B>adequado</B> (INEP, 2005:52). Os dois primeiros n&iacute;veis concentram aproximadamente  55% dos estudantes e apenas 4,8% se enquadram no n&iacute;vel mais alto (INEP, 2006: 45), o que significa que quase  a totalidade dos estudantes brasileiros que cursaram quatro anos de escolaridade est&aacute; abaixo do n&iacute;vel  considerado adequado pelos indicadores utilizados no exame a que foram submetidos.</P>     <p>O distanciamento sujeito/objeto e a generaliza&ccedil;&atilde;o do discurso    permitem a formula&ccedil;&atilde;o de um contexto em que o estudante n&atilde;o    seja nem sujeito nem objeto da aprendizagem e da avalia&ccedil;&atilde;o, mas    um elemento marginal ao debate que permite uma enuncia&ccedil;&atilde;o do discurso    sobre a escola; em especial sobre uma escola que, na perspectiva hegem&ocirc;nica,    perde a qualidade ao receber sujeitos, conhecimentos e conflitos oriundos de    cotidianos marginais. Considerando que os n&iacute;veis <B>muito cr&iacute;tico</B>    e <B>cr&iacute;tico</B> s&atilde;o descritos pelas compet&ecirc;ncias e habilidades    que os estudantes n&atilde;o demonstram, eles s&atilde;o fundamentalmente narrado    pela nega&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o apresentados pelo que n&atilde;o s&atilde;o,    n&atilde;o fazem, n&atilde;o sabem, como sujeitos sem qualidades v&aacute;lidas    no contexto escolar. Uma escola sem qualidade e estudantes desqualificados se    complementam no processo de nega&ccedil;&atilde;o do acesso das classes populares,    constitu&iacute;das por sujeitos subalternos, aos conhecimentos. A nega&ccedil;&atilde;o    de uma presen&ccedil;a efetiva do estudante no discurso apresentado como a ele    referido se fortalece com a pergunta de Spivak: <I>O subalterno pode falar?</I>    (citada por Mignolo, 2003:<Sup><a href="#9">9</a><a name="top9"></a></Sup>).</P>     <p>O exame, como estrat&eacute;gia de ruptura da rela&ccedil;&atilde;o intersubjetiva na produ&ccedil;&atilde;o  individual e coletiva do conhecimento vai inserindo os estudantes num complexo processo de supervaloriza&ccedil;&atilde;o  do indiv&iacute;duo, desterritorializado, afastado das experi&ecirc;ncias, contextos e produtos locais, que est&aacute;  vinculado &agrave; din&acirc;mica imposta pelo modelo econ&ocirc;mico dominante, mantendo os processos de  subalterniza&ccedil;&atilde;o. Um processo em que o pr&oacute;prio conhecimento &eacute; desvitalizado na medida em  que conhecer se vincula a dominar para manipular e p&ocirc;r - recursos naturais e sujeitos - a servi&ccedil;o da  produ&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria &agrave; reprodu&ccedil;&atilde;o do modelo hegem&ocirc;nico. O exame se  realiza como dispositivo em que o aperfei&ccedil;oamento t&eacute;cnico apaga a necess&aacute;ria reflex&atilde;o  &eacute;tica.</P>     <p>A pr&aacute;tica da avalia&ccedil;&atilde;o da aprendizagem, consolidada sob a l&oacute;gica do exame, se  desenvolve atrav&eacute;s de instrumentos e procedimentos que pretendem medir o conhecimento produzindo  informa&ccedil;&otilde;es que permitem a classifica&ccedil;&atilde;o dos estudantes, quase que ausentes do processo.  Por seus v&iacute;nculos com a din&acirc;mica social de produ&ccedil;&atilde;o de hierarquias, que tamb&eacute;m  atrav&eacute;s das pr&aacute;ticas relacionadas &agrave; vida escolar promove a inclus&atilde;o de poucos e a  exclus&atilde;o &ndash; ou inclus&atilde;o degradada &ndash; de muitos, a avalia&ccedil;&atilde;o apresenta-se como  um processo que isola os sujeitos, dificulta o di&aacute;logo, reduz os espa&ccedil;os de solidariedade e  coopera&ccedil;&atilde;o e estimula a competi&ccedil;&atilde;o. Esses atributos, no entanto, embora sejam dominantes  no processo n&atilde;o eliminam as dimens&otilde;es reflexiva e dial&oacute;gica que tamb&eacute;m constituem  a avalia&ccedil;&atilde;o e devem ser fortalecidas.</P>     <p>O sistema de exames tem sua uniformidade justificada pela busca de eq&uuml;idade na forma&ccedil;&atilde;o do  cidad&atilde;o - relacionado, de modo crescente, ao trabalhador tempor&aacute;rio e consumidor permanente &ndash;  para garantir uma competi&ccedil;&atilde;o justa no mercado de trabalho e a competitividade dos produtos. Apesar de  seus esfor&ccedil;os, n&atilde;o garante uma competi&ccedil;&atilde;o justa, tanto por ser a exclus&atilde;o social  que atravessa a competi&ccedil;&atilde;o necessariamente injusta, quanto por estar o processo entretecido a uma  complexa din&acirc;mica social que distribui, de modo profundamente desigual, a possibilidade de apropria&ccedil;&atilde;o  material e simb&oacute;lica dos processos de produ&ccedil;&atilde;o da vida, em suas diferentes dimens&otilde;es, e  dos seus produtos. A normaliza&ccedil;&atilde;o que se opera elimina m&uacute;ltiplas possibilidades de  organiza&ccedil;&atilde;o da vida, o que representa, segundo Boaventura Santos, um desperd&iacute;cio da  experi&ecirc;ncia humana.</P>     <p>A escola n&atilde;o pode promover a equidade que promete, no entanto, uma escolariza&ccedil;&atilde;o que propicie  a apropria&ccedil;&atilde;o de conhecimentos relevantes, numa perspectiva emancipat&oacute;ria, &eacute;  indispens&aacute;vel a um projeto de sociedade mais justo e igualit&aacute;rio. N&atilde;o sendo independente da  din&acirc;mica social, nem estando por ela imobilizado, o discurso que atravessa a pedagogia do exame legitima e  naturaliza a diferen&ccedil;a colonial, justificando a desigualdade nos diferentes &acirc;mbitos da vida. A  neutralidade anunciada como caracter&iacute;stica essencial do exame, por sua capacidade de isolar sujeito e objeto,  cria a possibilidade de produzir uma narrativa socialmente v&aacute;lida sobre o outro, o que desqualifica a alteridade.  Como resultado da desqualifica&ccedil;&atilde;o, cria-se uma demanda, muitas vezes da pr&oacute;pria escola, dos  pr&oacute;prios estudantes e seus familiares, por pr&aacute;ticas de normaliza&ccedil;&atilde;o, mesmo que apoiadas  em processos de subalterniza&ccedil;&atilde;o, como meio para se alcan&ccedil;ar reconhecimento no contexto escolar.  Assim, as pr&aacute;ticas pedag&oacute;gicas s&atilde;o elementos extremamente relevantes na configura&ccedil;&atilde;o  da din&acirc;mica social; relacionadas, portanto, a sua manuten&ccedil;&atilde;o e a sua transforma&ccedil;&atilde;o.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A naturaliza&ccedil;&atilde;o dos v&iacute;nculos entre avalia&ccedil;&atilde;o da aprendizagem (como exame),  competitividade e qualidade, orienta as pr&aacute;ticas escolares cotidianas para a realiza&ccedil;&atilde;o de  percursos j&aacute; conhecidos, j&aacute; que a reprodu&ccedil;&atilde;o parece favorecer bons desempenhos. A busca  de homogeneidade que orienta o processo faz com que os percursos se configurem predominantemente na l&oacute;gica da  subalterniza&ccedil;&atilde;o, em que se tolera a diversidade, mas n&atilde;o se aceita a diferen&ccedil;a.  As pr&aacute;ticas pedag&oacute;gicas oferecem aos estudantes, e porque n&atilde;o dizer tamb&eacute;m aos docentes,  possibilidades de adequa&ccedil;&atilde;o aos modelos v&aacute;lidos. Atuam no sentido de destituir os sujeitos de  suas culturas, valores, conhecimentos, modos de produ&ccedil;&atilde;o da realidade, de solu&ccedil;&atilde;o dos  problemas, de enfrentamento dos conflitos, de celebra&ccedil;&atilde;o da vida, de cria&ccedil;&atilde;o de novas e  diferentes possibilidades. As pr&aacute;ticas predominantes nos cotidianos escolares estudados e nas  orienta&ccedil;&otilde;es metodol&oacute;gicas freq&uuml;entemente apresentadas &agrave; escola se reduzem a buscar  levar os estudantes ao bom desempenho, garantido pela reprodu&ccedil;&atilde;o dos processos e produtos que conformam  o padr&atilde;o a ser alcan&ccedil;ado.</P>     <p>Tal din&acirc;mica, ao manter tantos em suas margens, gera condi&ccedil;&otilde;es prop&iacute;cias para se assumir  a perspectiva constitu&iacute;da pelas experi&ecirc;ncias de subalternidade e pensar e propor atua&ccedil;&otilde;es  comprometidas com a transforma&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es de subalternidade, a partir da fronteira,  aqui entendida como lugar de tr&acirc;nsito e transit&oacute;rio (Bhabha,1998). A avalia&ccedil;&atilde;o da  aprendizagem apresenta-se como um processo especialmente significativo por se produzir em muitas fronteiras: &eacute;  simultaneamente intra e extra-escolar e trata da incorpora&ccedil;&atilde;o escolar dos valores, produ&ccedil;&atilde;o  social. </P>     <p>Observa-se que a avalia&ccedil;&atilde;o da aprendizagem tem seu lugar de enuncia&ccedil;&atilde;o cada vez mais  deslocado do cotidiano escolar, mesmo quando a ele se refere, o que &eacute; especialmente relevante por ser o lugar  de enuncia&ccedil;&atilde;o que determina os crit&eacute;rios para a classifica&ccedil;&atilde;o e a  distribui&ccedil;&atilde;o deles decorrentes.  Do mesmo modo, o Brasil, como outros pa&iacute;ses &agrave; margem do  p&oacute;lo dominante de poder mundial, n&atilde;o vem se constituindo como lugar de teoriza&ccedil;&atilde;o e lugar  de enuncia&ccedil;&atilde;o sobre a din&acirc;mica pedag&oacute;gica, notadamente sobre os par&acirc;metros,  crit&eacute;rios e processos de avalia&ccedil;&atilde;o da aprendizagem de que se utiliza.</P>      <p><B>Por uma escola de todos</B></P>      <p>Os estudantes que cotidianamente incrementam os altos &iacute;ndices de fracasso escolar no contexto  brasileiro n&atilde;o exprimem, por interm&eacute;dio de seus processos ca&oacute;ticos, dos seus resultados  desviantes e dos percursos n&atilde;o aceitos, sua incapacidade de aprender ou o desconhecimento docente sobre  o ensino, como indicam algumas an&aacute;lises desses resultados. Expressam a insufici&ecirc;ncia dos modelos  estruturados de escola, conhecimento, ensino e aprendizagem para grupos sociais postos &agrave; margem nas  rela&ccedil;&otilde;es sociais centradas na colonialidade do poder. Insufici&ecirc;ncia que se articula aos  <I>loci</I> de teoriza&ccedil;&atilde;o e enuncia&ccedil;&atilde;o, bem como aos modos como o sujeito que  conhece &eacute; incorporado aos processos.</P>     <p>Essa perspectiva precisa ser incorporada tamb&eacute;m &agrave; produ&ccedil;&atilde;o cotidiana das pr&aacute;ticas  escolares. Indica movimentos que permitem o encontro das diferen&ccedil;as como tens&atilde;o, resist&ecirc;ncia,  trag&eacute;dia e reinven&ccedil;&atilde;o. Ajuda-nos a olhar a contrapelo os processos e resultados tradicionalmente  apreendidos como fracasso, para neles buscar e potencializar os ind&iacute;cios de sucesso cotidianamente  desperdi&ccedil;ado por uma l&oacute;gica que se nega a ver qualidade para al&eacute;m dos estreitos limites do  desenvolvimento de compet&ecirc;ncias e da competitividade. Evidenciando as insufici&ecirc;ncias de uma  pr&aacute;tica de avalia&ccedil;&atilde;o da aprendizagem que rasura os sujeitos, as culturas, os conhecimentos e  os processos de aprender e de produzir a vida, oferece argumentos e reflex&otilde;es que fortalecem o movimento  no sentido de tornar a avalia&ccedil;&atilde;o da aprendizagem processo de reflex&atilde;o coletiva sobre a  din&acirc;mica aprendizagem-ensino; reflex&atilde;o conduzida e assumida pelos pr&oacute;prios sujeitos que vivem e  produzem cotidianamente a escola. </P>     <p>A insufici&ecirc;ncia dos processos de avalia&ccedil;&atilde;o da aprendizagem institu&iacute;dos para contribuir  com uma efetiva melhoria da a&ccedil;&atilde;o escolar nos convida a buscar processos mais democr&aacute;ticos, capazes  de inibir o <I>poder-sobre</I>, caracter&iacute;stico do exame, para potencializar o <I>poder-fazer</I>, an&uacute;ncio  de pr&aacute;ticas pedag&oacute;gicas articuladas aos processos sociais de emancipa&ccedil;&atilde;o. Movimento que sem  abrir m&atilde;o da intera&ccedil;&atilde;o com diferentes interlocutores estimule os participantes do processo  aprendizagem-ensino a exercerem sua autonomia. Uma avalia&ccedil;&atilde;o em que os sujeitos tenham voz e visibilidade,  abandonando a avalia&ccedil;&atilde;o em que se fala <I>sobre</I> os sujeitos a partir de seus desempenhos e constituindo  um processo em que os sujeitos que vivem a experi&ecirc;ncia do processo aprendizagem-ensino <I>falam</I> sobre si  mesmos como participantes de processos coletivos, considerando como um dos elementos relevantes o seu desempenho,  dentro de determinados contextos.</P>     <p>Nesse sentido, a avalia&ccedil;&atilde;o da aprendizagem precisa ter seu centro deslocado da homogeneidade,  garantida pelos objetivos uniformes e necess&aacute;ria &agrave; classifica&ccedil;&atilde;o que permite a  sele&ccedil;&atilde;o e a exclus&atilde;o. Tamb&eacute;m precisa ter sua discuss&atilde;o direcionada pelas  m&uacute;ltiplas a&ccedil;&otilde;es cotidianas, buscando captar os diferentes sentidos, conhecimentos, processos  e culturas que se entrela&ccedil;am nos encontros que a escola promove a cada dia; procurando n&atilde;o os lugares  fixos onde encaixar os estudantes a partir de seus desempenhos, mas os <I>entre-lugares</I> (Bhabha, 1998)  &ndash; fluidos, contradit&oacute;rios, deslizantes, mutantes, h&iacute;bridos, fronteiri&ccedil;os, diferentes &ndash;  em que se encontram, favor&aacute;veis &agrave; aprendizagem como ato dial&oacute;gico que confronta e desestrutura  permanentemente o saber e o n&atilde;o saber (Esteban, 2006). </P>     <p>A avalia&ccedil;&atilde;o da aprendizagem, assim pensada, se realiza como parte de um amplo processo social de  <I>inclus&atilde;o solid&aacute;ria</I> (Dussel, 2006), que tem no di&aacute;logo entre os diferentes e as  diferen&ccedil;as um de seus aspectos mais importantes. Deixa de ter sentido a defini&ccedil;&atilde;o <I>a priori</I>  de pontos de chegadas comuns e de percursos semelhantes para todos, fazendo do inesperado, do impensado, do caos, do  erro, tanto quanto do acerto e do previsto, objetos de estudo, oportunidades de reflex&atilde;o e confronto e convites  a novas aprendizagens. </P>     <p>Esta perspectiva coloca em discuss&atilde;o os par&acirc;metros que v&ecirc;m nomeando como fracasso os resultados  que os estudantes das classes populares brasileiras v&ecirc;m obtendo na escola. Pois o erro, longe de ser  express&atilde;o de n&atilde;o aprendizagem e de incapacidade, &eacute; express&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o  entre o que j&aacute; foi aprendido e as aprendizagens que ainda se fazem necess&aacute;rias. Portanto, indicador  das potencialidades e limites do processo institu&iacute;do e desafio &agrave; continuidade do processo  aprendizagem-ensino, tomando como significativo o <I>sujeito conhecedor</I>, seu lugar social de enuncia&ccedil;&atilde;o,  de modo que cada um v&aacute; saindo da invisibilidade e trazendo sua voz para a composi&ccedil;&atilde;o dos processos  escolares.</P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Muitos s&atilde;o os desafios colocados para a escola quando a ela acedem os &ldquo;condenados da terra&rdquo;,  em uma express&atilde;o de Fanon e de Freire. N&atilde;o sei se sabemos exatamente quais desafios s&atilde;o. Ou se  o que se prop&otilde;e como desafios s&atilde;o efetivamente os que temos que enfrentar. Ou ainda, quais s&atilde;o  os desafios existentes, fundamentais, aos quais n&atilde;o conseguimos reconhecer por estarem imersos no sil&ecirc;ncio  ou na obscuridade, para onde foram enviados no processo de coloniza&ccedil;&atilde;o ainda n&atilde;o superado. A  avalia&ccedil;&atilde;o baseada no di&aacute;logo pode ser um dos elementos para uma melhor compreens&atilde;o dos  percursos a trilhar.</P>      <p>&nbsp;</p>      <p><B>Notas</B></P>      <p><Sup><a href="#top1">1</a><a name="1"></a> </Sup>O presente trabalho foi realizado    com apoio do CNPq, entidade do Governo Brasileiro voltada ao desenvolvimento    Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico.</P>      <p><Sup><a href="#top2">2</a><a name="2"></a> </Sup>Ainda que &ldquo;qualidade    da escola&rdquo; seja uma express&atilde;o que pode adquirir diferentes significados    nas proposi&ccedil;&otilde;es e pr&aacute;ticas concretas, o discurso oficial    est&aacute; atravessado pela constante afirma&ccedil;&atilde;o da falta de qualidade    no presente, desconhecendo as qualidades existentes e apresentando a qualidade    como uma abstrac&ccedil;&atilde;o a ser alcan&ccedil;ada.</P>      <p><Sup><a href="#top3">3</a><a name="3"></a> </Sup>Inep/MEC &ndash; Instituto    Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais An&iacute;sio Teixeira &ndash;    &ldquo;&eacute; uma autarquia federal vinculada ao Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o    (MEC), cuja miss&atilde;o &eacute; promover estudos, pesquisas e avalia&ccedil;&otilde;es    sobre o Sistema Educacional Brasileiro com o objetivo de subsidiar a formula&ccedil;&atilde;o    e implementa&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas para a &aacute;rea    educacional a partir de par&acirc;metros de qualidade e eq&uuml;idade, bem como    produzir informa&ccedil;&otilde;es claras e confi&aacute;veis aos gestores,    pesquisadores, educadores e p&uacute;blico em geral.&rdquo; (<a href="http://www.inep.gov.br/institucional/" target="_blank">http://www.inep.gov.br/institucional</a>)</P>      <p><Sup><a href="#top4">4</a><a name="4"></a> </Sup>Sistema de Avalia&ccedil;&atilde;o    da Educa&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica: &ldquo;fornece informa&ccedil;&otilde;es    a respeito da realidade educacional brasileira e, especificamente, por regi&otilde;es,    redes de ensino p&uacute;blica e privada nas unidades da federa&ccedil;&atilde;o,    coletadas por meio de exame bienal de profici&ecirc;ncia, em Matem&aacute;tica    e em L&iacute;ngua Portuguesa, aplicado, por amostragem, em alunos de 4&ordf;    e 8&ordf; s&eacute;ries do ensino fundamental e da 3&ordf; s&eacute;rie do ensino    m&eacute;dio&rdquo;. (<a href="http://www.inep.gov.br/institucional/" target="_blank">http://www.inep.gov.br/institucional</a>)</P>      <p><Sup><a href="#top5">5</a><a name="5"></a> </Sup>&ldquo;O termo &ldquo;p&oacute;s-colonial&rdquo;    seria mais preciso, portanto, se articulado como &ldquo;teoria p&oacute;s-teoria    Primeiro/Terceiro Mundos&rdquo;, ou &ldquo;p&oacute;s-cr&iacute;tica anticolonial&rdquo;,    como um movimento para al&eacute;m de um mapeamento das rela&ccedil;&otilde;es    de poder entre &ldquo;colonizador/colonizado&rdquo; e &ldquo;centro/periferia&rdquo;    relativamente binar&iacute;stico, fixo e est&aacute;vel. Tais rearticula&ccedil;&otilde;es    sugerem um discurso mais nuan&ccedil;ado, que permite movimento, mobilidade,    fluidez. Aqui, o prefixo &ldquo;p&oacute;s&rdquo; faria sentido menos como &ldquo;depois&rdquo;    que como seguindo, indo al&eacute;m e comentando um certo movimento intelectual    &ndash; a cr&iacute;tica anticolonial terceiro-mundista &ndash; ao inv&eacute;s    de para al&eacute;m de um certo ponto na hist&oacute;ria &ndash; o colonialismo;    pois aqui &ldquo;neocolonialismo&rdquo; seria uma forma menos passiva de tratar    a situa&ccedil;&atilde;o dos pa&iacute;ses neocolonizados, e uma modalidade    de engajamento politicamente mais ativa.&rdquo;(Shohat citado por Mignolo, 2003)</P>      <p><Sup><a href="#top6">6</a><a name="6"></a> </Sup>Entender aqui &eacute; usado    na perspectiva apresentada por Bakhtin, em que n&atilde;o se vincula a reconhecimento    da identidade, mas &agrave; compreens&atilde;o de sua novidade.</P>      <p><Sup>7 </Sup>O artigo discute a presen&ccedil;a    dos sujeitos subalternos no discurso da modernidade a partir da condi&ccedil;&atilde;o    da mulher no discurso moderno sobre as mulheres na &Iacute;ndia colonial.</P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a href="#top8">8</a><a name="8"></a> </Sup>Neste artigo trato das compet&ecirc;ncias    e habilidades de leitura verificadas nos exames nacionais em alunos de 4&ordf;    s&eacute;rie.</P>      <p><Sup><a href="#top9">9</a><a name="9"></a> </Sup>Fa&ccedil;o uma aproxima&ccedil;&atilde;o    inicial a esta interpreta&ccedil;&atilde;o do processo, que por me parecer bastante    fecunda dever&aacute; ser trabalhada com maior profundidade em outro momento.</P>      <p><Sup>10</Sup> Como visto anteriormente,    pode ser que esse discurso n&atilde;o fale sobre o outro, por&eacute;m, ainda    assim o utiliza para justificar o exerc&iacute;cio da colonialidade do poder.</P>      <p>&nbsp;</p>      <p><B>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</B></P>      <p>Bakhtin, M. (1989). <I>Marxismo e filosofia da linguagem.</I> S&atilde;o Paulo: Hucitec.</P>      <p>Bhabha, H. (1998). <I>O local da Cultura. </I>Belo Horizonte: UFMG.</P>      <p>Diaz Barriga, A. (s/d). Una pol&eacute;mica en relaci&oacute;n al examen. In A. Diaz Barriga (org.)   <I>Curr&iacute;culo y evaluaci&oacute;n </I><I>escolar</I>. Buenos Aires: Aique.</P>      <p>Dussel, E. (2006). <I>&Eacute;tica de la liberaci&oacute;n &ndash; en la edad de la globalizaci&oacute;n y  de la exclusi&oacute;n</I>. Madrid: Trotta.</P>      <p>Esteban, M.T. (2006). Sala de Aula &ndash; dos lugares fixos aos entre-lugares fluidos.  <I>Revista Portuguesa de Educa&ccedil;&atilde;o</I>. 19(2). 7-20.</P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>INEP/MEC (2006) <I>Relat&oacute;rio Nacional SAEB 2003</I>. Bras&iacute;lia.</P>      <p>INEP/MEC (2005) <I>Avalia&ccedil;&atilde;o da Educa&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica: em busca da qualidade  e eq&uuml;idade no Brasil</I>. Bras&iacute;lia.</P>      <p>INEP/MEC<B> </B>(2004) <I>O desafio de uma educa&ccedil;&atilde;o de qualidade para todos: educa&ccedil;&atilde;o  no Brasil &ndash; 1990-2000</I>. Bras&iacute;lia.</P>      <p>Mani, L. (1999) Tradiciones en discordia: debate sobre la <I>Sati</I> en la India Colonial. In S. Dube (org.)  <I>Pasados </I><I>Poscoloniales</I> (pp. 210-248). M&eacute;xico: El Colegio de M&eacute;xico.</P>      <p>Meirieu, Ph. (2004) <I>En la escuela hoy</I>. Barcelona: Octaedro.</P>      <p>Mignolo, W. (2003) <I>Hist&oacute;rias locais/Projetos globais. </I>Belo Horizonte: UFMG. </P>      <p>Santos, B.S. (2000) <I>Cr&iacute;tica da raz&atilde;o indolente. Contra o desperd&iacute;cio da  experi&ecirc;ncia.</I> S&atilde;o Paulo: Cortez.</P>      <p>Skliar, C. (2003) <I>Pedagogia (Improv&aacute;vel) da Diferen&ccedil;a. E se o outro n&atilde;o estivesse  a&iacute;?</I> Rio de Janeiro: DP&A.</P>      <p>&nbsp;</p>      <p><Sup><a href="#top0">*</a><a name="0"></a></Sup> Professora da Faculdade de    Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade Federal Fluminense. Pesquisadora do Grupo    Alfabetiza&ccedil;&atilde;o dos Alunos e Alunas das Classes Populares (GRUPALFA).  </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="mailto:metesteban@uol.com.br">metesteban@uol.com.br</a></P>       ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Esteban]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.T.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Sala de Aula: dos lugares fixos aos entre-lugares fluidos.]]></article-title>
<source><![CDATA[Revista Portuguesa de Educação]]></source>
<year>2006</year>
<volume>19</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>7-20</page-range></nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
