<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>1645-7250</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Revista Lusófona de Educação]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Rev. Lusófona de Educação]]></abbrev-journal-title>
<issn>1645-7250</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Centro de Estudos e Intervenção em Educação e Formação (CeiEF)Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S1645-72502009000100010</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Serão realmente especiais as necessidades educativas dos alunos e alunas: A intencionalidade do discurso.]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Will be specials the educational needs of students?: The intentional speech]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Saorin]]></surname>
<given-names><![CDATA[Jesús Molina]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Universidade de Múrcia Faculdade de Educação ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>00</month>
<year>2009</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>00</month>
<year>2009</year>
</pub-date>
<numero>13</numero>
<fpage>155</fpage>
<lpage>170</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1645-72502009000100010&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S1645-72502009000100010&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S1645-72502009000100010&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Através deste trabalho de investigação, oferecemos alguns contributos teóricos e práticos sobre a nossa consideração a respeito das necessidades educativas mal denominadas “especiais”, realizando uma contextualização sobre a situação educativa actual, centrando o atendimento na realidade educativa e oferecendo uma descrição dos diferentes aspectos que intervêm na denominada escola compreensiva.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In this essay, we will offer some brief details about the educational needs, specially badly so called “special”. After these considerations, we will go through the actual situation, focusing our work on the education reality. At this point we will describe the different aspects that take part in the comprehensive school.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Diversidade]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[educação especial]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[dificuldades de aprendizagem]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[diversity]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[special education]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[learning difficulties]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <P><B>Ser&atilde;o realmente especiais as necessidades educativas dos alunos  e alunas? A intencionalidade do discurso.</B></P>      <p>&nbsp;</p>      <P>Jes&uacute;s Molina Saorin<a href="#0">*</a><a name="top0"></a> </P>      <p>&nbsp;</p>      <p>Atrav&eacute;s deste trabalho de investiga&ccedil;&atilde;o, oferecemos alguns contributos  te&oacute;ricos e pr&aacute;ticos sobre a nossa considera&ccedil;&atilde;o a respeito das necessidades  educativas mal denominadas &ldquo;especiais&rdquo;, realizando uma contextualiza&ccedil;&atilde;o sobre  a situa&ccedil;&atilde;o educativa actual, centrando o atendimento na realidade educativa  e oferecendo  uma descri&ccedil;&atilde;o dos di</B>ferentes aspectos que interv&ecirc;m na denominada escola compreensiva.</P>      <p><B>Palavras-chave:</B> Diversidade; educa&ccedil;&atilde;o especial; dificuldades de aprendizagem.</P>      <p>&nbsp;</p>      <P><B>Will be specials the educational needs of students? The intentional speech</B></P>      <p>In this essay, we will offer some brief details about the educational needs, specially badly so called “special”. After these considerations, we will go through the actual situation, focusing our work on the education reality. At this point we will describe the different aspects that take part in the comprehensive school.</p>     <P><B>Keywords:</B> diversity; special education; learning difficulties.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p>Actualmente, falar de diversidade parece ser, para alguns educadores, uma quest&atilde;o conflitual sobretudo  se retrocedermos ao pensamento de uma &eacute;poca em que o discurso era o seguinte: &ldquo;... este aluno n&atilde;o  me deixa dar a aula...&rdquo;; n&atilde;o se descuidem porque, no dia vinte e quatro, v&atilde;o ter um exame e  t&ecirc;m que estudar muita mat&eacute;ria..&rdquo;; &ldquo;... para amanh&atilde; t&ecirc;m que saber o tema  quatro do livro... &ldquo;; &ldquo;... Eh!, por favor, trabalhem em sil&ecirc;ncio...&rdquo;; &ldquo;... este aluno  vai reprovar de novo, porque, com oito anos, ainda n&atilde;o aprendeu a somar&rdquo;; &ldquo;... vamos!, todos a  correr!, t&ecirc;m que dar cinco voltas &agrave; pista...&rdquo;. Conflitual, porque nos faz pensar que houve  uma &eacute;poca em que se classificavam os alunos atrav&eacute;s da sua distribui&ccedil;&atilde;o por salas de aula,  em que os bons eram separados dos chamados maus que, por sua vez, eram colocados numa sala diferente e, no pior dos casos,  iam para uma sala ou centro de educa&ccedil;&atilde;o especial. Lembramo-nos que, no passado, os alunos eram  examinados atrav&eacute;s de provas, de acordo com Aussubel, provocavam medo, inseguran&ccedil;a e stress infantil  (legado, afinal, da sociedade neo-modernista), e, por sua vez, modificavam as expectativas em rela&ccedil;&atilde;o  ao rendimento dos alunos que se viam obrigados a recorrer a  estrat&eacute;gias de c&oacute;pia perante uma  pseudo-realidade que n&atilde;o eram capazes de compreender. Dif&iacute;cil, ainda mais, porque se transferiu para  a escola, sem quaisquer altera&ccedil;&otilde;es, a estrutura de aprendizagem e forma&ccedil;&atilde;o mais  ajustadas aos adultos: salas de aula fechadas, mesas individuais e orientadas para o professor, espa&ccedil;os  divididos segundo o g&eacute;nero; uma estrutura comunicativa unidirecional que obriga o aluno a seguir a aula  (que &eacute; &uacute;nica e para todos), juntamente com uma metodologia de trabalho que refor&ccedil;a, no corpo  discente, o h&aacute;bito de trabalhar em sil&ecirc;ncio, de forma individual e sem debater o sentido do que  est&aacute; a ser trabalhado. Dif&iacute;cil, tamb&eacute;m, porque se espera que todos os alunos atinjam, na  mesma idade, o mesmo n&iacute;vel de aprendizagem, sem dar  aten&ccedil;&atilde;o ao que temos vindo a chamar   arquitectura cognitiva. Conhecer o processo de configura&ccedil;&atilde;o da arquitectura cognitiva &eacute; o  primeiro passo  para atingir o sucesso no desenho de uma proposta pedag&oacute;gica que, nutrida por uma  did&aacute;tica espec&iacute;fica, permita dar respostas &agrave;s necessidades do corpo discente, desenvolvendo  ao m&aacute;ximo as capacidades de qualquer aluno, dentro desse processo s&oacute;cio-educativo de  forma&ccedil;&atilde;o dos jovens cidad&atilde;os e cidad&atilde;s.</P>     <p>Talvez haja professores para quem, infelizmente, estes exemplos que destacamos lhes sejam familiares  por existirem na sua escola ou por fazerem ainda parte da sua experi&ecirc;ncia. Por isso mesmo, talvez  tenha chegado o momento de reflectirmos sobre as nossas pr&aacute;ticas, sobre a suposta evolu&ccedil;&atilde;o  do sistema educativo e, ainda, sobre as mudan&ccedil;as sociais que, no &uacute;ltimo s&eacute;culo, se  verificaram quer ao n&iacute;vel das tecnologias, dos contextos e dos recursos, quer, ainda, ao n&iacute;vel  da informa&ccedil;&atilde;o e dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o. Importa saber, por isso, se existe  alguma rela&ccedil;&atilde;o entre estas mudan&ccedil;as e o que foi a imutabilidade do sistema educativo  nos &uacute;ltimos cem anos. &Eacute; a partir deste ponto de vista que tentaremos concentrar-nos na nossa  experi&ecirc;ncia ao longo de v&aacute;rios anos, sobretudo no contacto com uma multiplicidade de escolas.</P>      <p><B>As necessidades educativas ser&atilde;o especiais?</B></P>      <p>A diversidade &eacute;, no ser humano, uma qualidade que lhe outorga uma condi&ccedil;&atilde;o especial.  N&atilde;o obstante, quando tal qualidade &eacute; considerada socialmente como uma desigualdade ou como uma  categoria de valor, esta pode converter-se num elemento-chave para a segrega&ccedil;&atilde;o (Angelides,  Stylianou, e Gibas, 2006). Neste contexto, a diversidade &eacute; o efeito de uma combina&ccedil;&atilde;o  de factores econ&oacute;micos, sociais, &eacute;tnicos, religiosos, culturais, geogr&aacute;ficos, que incidem  directamente sobre as capacidades da pessoa. </P>     <p>Se centrarmos a nossa aten&ccedil;&atilde;o no atendimento ao n&iacute;vel educativo, comprovaremos que a  diferencia&ccedil;&atilde;o que os alunos v&atilde;o experimentando no sistema, atrav&eacute;s das diversas  etapas, implica, no plano pedag&oacute;gico, a articula&ccedil;&atilde;o dos procedimentos mais eficazes de  interven&ccedil;&atilde;o educativa, de acordo com essas circunst&acirc;ncias, motiva&ccedil;&otilde;es, interesses...  etc. A configura&ccedil;&atilde;o que o anterior sistema educativo oferecia, n&atilde;o s&oacute; introduzia  mudan&ccedil;as de tipo estrutural, mas tamb&eacute;m modifica&ccedil;&otilde;es que se encaminhavam no sentido  de conseguir uma melhoria substancial da qualidade da educa&ccedil;&atilde;o. Com esta mudan&ccedil;a, fazia-se  coincidir a idade de acesso ao mercado de trabalho com o fim da obrigatoriedade de perman&ecirc;ncia nos centros  escolares. </P>     <p>Esta resposta &agrave; diversidade, a que fazemos refer&ecirc;ncia, encontra-se na lei quando se alude ao  conceito de adaptabilidade do curr&iacute;culo. Atrav&eacute;s de tal conceito, atende-se &agrave;s caracter&iacute;sticas  individuais do corpo discente mediante o uso de diferentes medidas: agrupamentos flex&iacute;veis para os alunos,  estabelecimento de planos de trabalho aut&oacute;nomo, refor&ccedil;o educativo, Programas de Garantia Social,  organiza&ccedil;&atilde;o de sistemas de trabalho cooperativo, Programas de Diversifica&ccedil;&atilde;o  Curricular... etc. </P>     <p>Com a lei LOGSE, em Espanha,  introduz-se uma mudan&ccedil;a na terminologia relativa &agrave; tradicional  educa&ccedil;&atilde;o especial. A adop&ccedil;&atilde;o do conceito de <I>necessidade </I><I>educativa especial</I>  expressa essa mudan&ccedil;a de perspectiva, cujas consequ&ecirc;ncias e envolvimentos foram muito importantes,  tanto no terreno da teoria, como no da pr&aacute;tica educativa. &Eacute; um conceito que tem em  considera&ccedil;&atilde;o a mobiliza&ccedil;&atilde;o dos recursos materiais e humanos de que os alunos precisam,  deixando de se centrar naqueles que, tradicionalmente, eram objecto de uma educa&ccedil;&atilde;o especial  (altamente diferenciada e especializada), ampliando-se, agora, a qualquer aluno que, num determinado momento,  possa necessitar de qualquer tipo de apoio. N&atilde;o podemos esquecer que a LOGSE teve pouco mais de uma  d&eacute;cada de vida para demonstrar os seus pontos fortes e debilidades. Se bem que nos anos 1990 falar de  necessidades educativas especiais foi de todo necess&aacute;rio para sair da situa&ccedil;&atilde;o prec&aacute;ria  e desoladora em que se encontravam muitos alunos, n&atilde;o deixando de ser um remendo no sistema, e n&atilde;o  uma panaceia. Tratava-se de um remendo porque legitimava a exist&ecirc;ncia de categorias de especialidade dentro  da escola e, em suma, dentro da sociedade: os alunos especiais. </P>     <p>No entanto, gra&ccedil;as ao esfor&ccedil;o desses professores e professoras que trabalharam por e para esses  alunos nesse contexto educativo, e por respeito a seu labor profissional, hoje deveria ter maior sentido e significado  a ideia de uma escola onde coexiste a diversidade que, essencialmente, era o que se pretendia. Aceitar este facto  suporia para os professores/as e educadores de todos os n&iacute;veis de ensino (Educa&ccedil;&atilde;o Infantil,  Educa&ccedil;&atilde;o Prim&aacute;ria, Educa&ccedil;&atilde;o Secund&aacute;ria... Universidade) voltar o seu  olhar para outro ponto: n&atilde;o para os termos, mas para os conceitos; n&atilde;o para os produtos, mas para  os processos. </P>     <p>Chegados a este ponto, consideramos que &eacute; necess&aacute;rio falar de uma excep&ccedil;&atilde;o. O  conceito de necessidades educativas especiais (extra&iacute;do da LOGSE) tem para n&oacute;s uma orienta&ccedil;&atilde;o  errada, na medida em que o qualificativo <I>especial</I> faz uma legitima&ccedil;&atilde;o, como no passado, da  exist&ecirc;ncia de uma situa&ccedil;&atilde;o at&iacute;pica ou pouco frequente que, precisamente, &eacute;  aquela que pretendemos normalizar. H&aacute; mais de cem anos que todos os alunos que n&atilde;o atingiam, numa  determinada idade, um determinado n&iacute;vel de aprendizagem e que, ainda hoje, se sup&otilde;e que o devam  adquirir, eram classificados de acordo com uma escala de quociente intelectual, aplicando-lhes os termos de  imbecil, cretino, subnormal, idiota... etc., todos eles descendentes da psicologia cl&iacute;nica. Depois de trinta  anos de integra&ccedil;&atilde;o escolar, n&oacute;s, que vivemos e desenvolvemos o conceito de heterogeneidade do  corpo discente, pensar em diversidade sup&otilde;e assumir que, se todos somos normais, se todos os alunos t&ecirc;m  necessidades educativas diferentes (ainda que algumas possam ser comuns), por que dizemos ent&atilde;o que algumas  s&atilde;o especiais? </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este termo, como no passado, denota, unicamente, uma mudan&ccedil;a de linguagem, mas n&atilde;o de atitude  em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; diferen&ccedil;a; manifesta e legitima um facto atroz: os alunos que at&eacute;  ent&atilde;o eram considerados como subnormais, imbecis, cretinos, posteriormente passaram a ser considerados como  alunos com necessidades educativas especiais. Hoje em dia voltamos a mudar o cartaz, chegando inclusive a  denomin&aacute;-los alunos diversos ou alunos da diversidade, caindo, assim, numa nova f&oacute;rmula de eufemismos  terminol&oacute;gicos que, em definitivo, n&atilde;o fazem outra coisa sen&atilde;o mascarar a ess&ecirc;ncia que  na nossa perspectiva da diferen&ccedil;a, tem uma valora&ccedil;&atilde;o negativa (Farrell, Elliott e Ison, 2004),  motivo pelo qual somos incapazes de pensar nas diferen&ccedil;as como algo positivo, j&aacute; que isso nos impediria  de continuar a perpetuar uma metodologia da escola e da sala de aula, uma mesma maneira ancestral de ensinar, de  continuar a fazer o que infelizmente fazemos, na qual todos os alunos aprendem a um mesmo ritmo, os mesmos  conte&uacute;dos e num mesmo espa&ccedil;o e tempo. </P>     <p>Portanto, enquanto uma situa&ccedil;&atilde;o escolar for considerada como especial, estaremos a afastar-nos  do princ&iacute;pio &eacute;tico e tamb&eacute;m legislativo que sup&otilde;e essa normaliza&ccedil;&atilde;o que  pretendemos atingir. Isto &eacute;, se todo o aluno tem algumas necessidades, interesses, motiva&ccedil;&otilde;es  e ritmos de aprendizagem diferentes relativamente aos dos seus colegas e, por outra lado, o corpo docente tem  consci&ecirc;ncia dessa diversidade inerente ao g&eacute;nero humano  (personalidade, capacidades, atitudes,  aptid&otilde;es, horizontes), a partir de uma perspectiva que tem em vista a normaliza&ccedil;&atilde;o, &eacute;  de todo contraproducente  isolar uma determinada caracter&iacute;stica especial do corpo discente uma vez que,  ao faz&ecirc;-lo, estaremos a legitimar a exist&ecirc;ncia de um grupo considerado normal (do ponto de vista da  escola e da cultura hegem&oacute;nicas) e outro especial. Este &uacute;ltimo engloba todos os que se afastem dos  padr&otilde;es anteriores e para os quais seria, ent&atilde;o, necess&aacute;rio adoptar certas medidas de  reorienta&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica que conduzissem &agrave; sua aproxima&ccedil;&atilde;o relativamente  a esse grupo normal. Para que o leitor possa realizar uma r&aacute;pida auto-avalia&ccedil;&atilde;o de si mesmo,  bastaria responder a esta trilogia de perguntas: </P>     <p>- D&ecirc; um exemplo de alunos com necessidades educativas especiais.</P>     <p>- Explique qual &eacute;, exactamente, essa necessidade que considera que &eacute; especial?</P>     <p>- Por que motivo essa necessidade &eacute; especial?</P>     <p>At&eacute; &agrave; data, as pessoas que t&ecirc;m reflectido sobre estas quest&otilde;es n&atilde;o  conseguiram dar-lhes uma resposta concludente ou irrefut&aacute;vel. Normalmente, legitimando o que diz a lei,  e sem questionar a &eacute;tica nela presente, costuma-se cair no erro de citar, como respostas &agrave; trilogia,  exemplos como os seguintes: um aluno com s&iacute;ndrome de Down; um aluno cego, um aluno surdo, um aluno &aacute;rabe.  Ao faz&ecirc;-lo, consciente ou inconscientemente, estamos a afirmar que o problema est&aacute; no aluno e que o  professor/a, a escola ou o m&eacute;todo s&atilde;o infal&iacute;veis. </P>     <p>Todavia, n&atilde;o nos ocorre pensar o que aconteceria se os professores/as soubessem linguagem gestual,  &aacute;rabe ou trabalhar com a m&aacute;quina Perkins. Inclusive, a partir deste discurso e considerando esses  alunos como especiais, volta-se a cair num segundo erro: considerar que alguma das necessidades que salientam  possa ser especial. Se, por acaso, tiv&eacute;ssemos um aluno que voasse, a necessidade de voar poderia ser considerada  especial, j&aacute; que, no mundo, n&atilde;o haveria outra crian&ccedil;a que fosse capaz de voar, ao mesmo tempo  que seria qualquer coisa de grandiosa, majestosa, invej&aacute;vel.</P>     <p>Neste sentido, a conota&ccedil;&atilde;o atribu&iacute;da a esta necessidade &eacute;, de todo, positiva.  A palavra especial, no exemplo anterior (cego, surdo...), est&aacute; carregada de desprezo, repulsa ou  rejei&ccedil;&atilde;o. No entanto, no mundo existem seis mil e quinhentos milh&otilde;es de pessoas com essas  discapacidades. De tal modo &eacute; assim, que existem organiza&ccedil;&otilde;es regionais, nacionais e  internacionais em defesa dos interesses destes grupos que, infelizmente, n&atilde;o est&atilde;o inclu&iacute;dos  na sociedade desde o in&iacute;cio da idade escolar tendo em vista a sua adequada inser&ccedil;&atilde;o e  desenvolvimento equilibrado. </P>      <p><B>Algumas considera&ccedil;&otilde;es sobre a situa&ccedil;&atilde;o educativa precedente</B></P>      <p>Ao que parece, a sociedade, no seu conjunto, n&atilde;o parece disposta ou preparada para aceitar o  facto que acabamos de expor, tal como um amplo sector de profissionais de ensino, a quem se lhes sup&otilde;e  terem grandes responsabilidades na transforma&ccedil;&atilde;o social, dado que transmitem uma s&eacute;rie de  valores carregados de ideologia. Reivindicou-se que os poderes p&uacute;blicos eliminassem essa diversidade de  modo a impedir que se voltasse a uma sociedade estratificada onde, como no futebol, h&aacute; cidad&atilde;os  de primeira, segunda e terceira divis&otilde;es. Possivelmente, os cidad&atilde;os de terceira t&ecirc;m que se  conformar em engrossar as listas de pedintes de emprego ou, no melhor dos casos, desenvolver as suas capacidades  profissionais em tarefas n&atilde;o qualificadas ou &agrave; margem da lei. Quem sabe se os cidad&atilde;os de  segunda n&atilde;o possam encontrar um trabalho ou servi&ccedil;o igual aos cidad&atilde;os de primeira, voltando,  assim, a uma &eacute;poca e a um sistema social e educativo em que os motores ainda n&atilde;o tinham sido inventados. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Se fazemos estas afirma&ccedil;&otilde;es &eacute;, precisamente, porque h&aacute; estudos realizados sobre aspectos,  tais como o rendimento e a auto-estima do corpo discente que &eacute; submetido a um ou outro sistema (Williams,  Johnson e Sukhodolsky, 2005). Do mesmo modo, o novo sistema educativo, cujos horizontes come&ccedil;am a abrir-se,   j&aacute; foi experimentado noutros pa&iacute;ses e contextos e os resultados est&atilde;o &agrave; vista: a   segrega&ccedil;&atilde;o pura e dura e o regresso ao passado (Young, 2005). Citando algum exemplo ilustrativo do   sucedido noutros pa&iacute;ses com esta nova lei, diremos que a popula&ccedil;&atilde;o imigrante alem&atilde;   n&atilde;o est&aacute; repartida ao longo de todos os itiner&aacute;rios educativos do sistema educativo   alem&atilde;o, mas concentra-se nos denominados &ldquo;itiner&aacute;rios-lixo&rdquo;. Em Fran&ccedil;a, os alunos   da escola prim&aacute;ria cujos pais t&ecirc;m estudos superiores, t&ecirc;m, &agrave; partida, cerca de 71% de   probabilidades de obter uma qualifica&ccedil;&atilde;o final de not&aacute;vel (8), enquanto tais probabilidades   descem para 35% quando nos referimos aos alunos cujos pais s&atilde;o oper&aacute;rios n&atilde;o qualificados. </P>       <p>Perante esta situa&ccedil;&atilde;o, mais de metade dos alunos que atingem o ensino secund&aacute;rio apresentam  uma diferen&ccedil;a de mais ou menos um ano escolar em rela&ccedil;&atilde;o ao grupo de refer&ecirc;ncia, e quase  um ter&ccedil;o repetiu um ano mais do que  uma vez. Ao finalizar a educa&ccedil;&atilde;o secund&aacute;ria, apenas  19% acedem aos estudos pr&eacute;-universit&aacute;rios, enquanto o resto se reparte entre os ensinos profissionais,  t&eacute;cnicos ou, inclusive, o completo abandono do sistema educativo. Esta situa&ccedil;&atilde;o p&otilde;e em  relevo o facto de que, a n&atilde;o haver solu&ccedil;&otilde;es, a distribui&ccedil;&atilde;o dos alunos ser&aacute;  feita em fun&ccedil;&atilde;o da classe social e n&atilde;o do rendimento escolar. </P>     <p>A escola que defendemos deve apostar em pol&iacute;ticas n&atilde;o segregacionistas de modo a que os alunos possam  permanecer no sistema educativo durante o maior tempo poss&iacute;vel; pelo contr&aacute;rio, aquela em que vivemos  serve-se da compaix&atilde;o como uma f&oacute;rmula pol&iacute;tica (Gimeno e P&eacute;rez, 1992). A perman&ecirc;ncia  no centro &eacute; um valor positivo, pois sup&otilde;e uma luta ideol&oacute;gica e social para evitar que os empregos  mais mal remunerados estejam reservados para as classes sociais mais desfavorecidas. A escola deve ser compreensiva,  sobretudo com aqueles alunos que acedem em desigualdade de condi&ccedil;&otilde;es, sejam eles de tipo social, cultural,  de motiva&ccedil;&atilde;o, de aquisi&ccedil;&atilde;o de compet&ecirc;ncias sociais... etc. Por este motivo, o  curr&iacute;culo compreensivo implica uma an&aacute;lise dos m&eacute;todos utilizados na escola, com objectivo de  n&atilde;o se  perpetuarem os inconvenientes de um acesso desigual.</P>     <p>Sem margem para d&uacute;vidas, encontramo-nos perante uma verdadeira contradi&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica.  Por um lado, com o corpo docente e os meios dispon&iacute;veis  temos de oferecer o mesmo servi&ccedil;o educativo a  todos os alunos. No entanto, nem os conte&uacute;dos nem os c&oacute;digos lingu&iacute;sticos utilizados no  curr&iacute;culo t&ecirc;m um significado un&iacute;voco para os membros da comunidade educativa. Oferecer uma  educa&ccedil;&atilde;o integral n&atilde;o parece ser uma tarefa f&aacute;cil, sobretudo, se o objectivo &eacute; a  prepara&ccedil;&atilde;o para a vida e para a continuidade no sistema educativo. N&atilde;o devemos esquecer que na  escola se vivem, com identidade pr&oacute;pria, diferen&ccedil;as sociais, alheias &agrave; escolaridade. </P>     <p>Quem sabe se o maior problema n&atilde;o radica na falta de consenso e representatividade social do curr&iacute;culo,  a partir do momento em que este foi definido por uma administra&ccedil;&atilde;o educativa que pratica um monop&oacute;lio  como se fosse o principal accionista da empresa. Consideramos que se todos somos accionistas do sistema educativo  (professores/as, administra&ccedil;&atilde;o, m&atilde;es e pais, alunos), do mesmo modo todos dever&iacute;amos  participar na constru&ccedil;&atilde;o desse curr&iacute;culo que queremos. </P>     <p>Como diz Skilbeck (1984), num debate social onde h&aacute; uma grande variedade de grupos implicados, &eacute;  imposs&iacute;vel adoptar uma solu&ccedil;&atilde;o n&atilde;o conflituosa e satisfat&oacute;ria, sempre que esta n&atilde;o  seja fruto da imposi&ccedil;&atilde;o e/ou exclusividade de qualquer uma das partes. Infelizmente, n&atilde;o &eacute;  isto o que est&aacute; acontecendo em muitos pa&iacute;ses. Consciente de que se trata de uma quest&atilde;o pol&eacute;mica,  n&atilde;o parece muito mal propor que, progressivamente, se v&aacute; aumentando a autonomia dos diferentes agentes sociais  e educativos para facilitar, n&atilde;o s&oacute; a fluidez do processo de di&aacute;logo curricular, mas tamb&eacute;m,  e mais importante, para que, de uma vez por todas, se incluam as vozes de quem, tradicionalmente, permaneceu silenciado  dos seus direitos. </P>     <p>O debate social &eacute; uma ferramenta muito poderosa para desmistificar os fantasmas do passado e do presente. Na  nova legisla&ccedil;&atilde;o educativa espanhola, n&atilde;o h&aacute; uma aposta s&eacute;ria no sentido de aumentar a  autonomia dos professores, pelo contr&aacute;rio, estabelece-se, cada vez mais, toda uma s&eacute;rie de mecanismos  punitivos (VanDerHeyden, Witt e Gilbertsn, 2007), cuja finalidade &eacute; controlar e impor o modo como se deve  operacionalizar o desenho curricular (como deve ser uma aula, como deve ser o PEC, como se deve avaliar). </P>     <p>Sem perder de vista este referente ideol&oacute;gico, consideramos que o resultado desta situa&ccedil;&atilde;o  fantasmag&oacute;rica ilustra outro debate social aberto: o processo de des-profissionaliza&ccedil;&atilde;o da  fun&ccedil;&atilde;o docente. N&atilde;o podemos esquecer que os professores do Ensino Secund&aacute;rio se debatem,  em numerosas ocasi&otilde;es, entre a ang&uacute;stia de um modelo profissional tecnicista, burocr&aacute;tico e o  sonho de uma profiss&atilde;o liberal. Na verdade, a perda de espa&ccedil;o e de poder por parte do corpo docente,  talvez resultado de converg&ecirc;ncia de m&uacute;ltiplos factores, como a intromiss&atilde;o de outras entidades na  actividade profissional, a altera&ccedil;&atilde;o de valores sociais, a nova situa&ccedil;&atilde;o laboral das  fam&iacute;lias, os esc&acirc;ndalos escolares propagados pela comunica&ccedil;&atilde;o social, a  desestrutura&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia nuclear, as caracter&iacute;sticas da pr&oacute;pria carreira  universit&aacute;ria, est&atilde;o a fazer com que os professores tenham cada vez mais dificuldade no exerc&iacute;cio  da sua profiss&atilde;o. </P>     <p>Este aspecto tornou-se mais vis&iacute;vel depois da entrada em vigor da referida lei, uma vez que os seus dois  grandes princ&iacute;pios &ndash; atendimento &agrave; diversidade e compreens&atilde;o &ndash; mostram aos professores  que aquilo que tinham estado a fazer durante anos e pelo qual lhes foi reconhecido o seu empenhamento social, n&atilde;o  s&oacute; devia mudar imediatamente como, tamb&eacute;m, se salientava que essa pr&aacute;tica tinha sido inadequada.  Este facto obrigou &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o de programas de forma&ccedil;&atilde;o de professores (Taylor, 2005)  que, se permitiram a constitui&ccedil;&atilde;o de novas ideias e intencionalidades que pudessem ser operacionalizadas,  na pr&aacute;tica encontraram, como obst&aacute;culo, a escassez de fundos que impediu que a mudan&ccedil;a se  realizasse, conduzindo, isso sim, a uma rejei&ccedil;&atilde;o da mudan&ccedil;a e a sensa&ccedil;&otilde;es de  desconforto e pessimismo.</P>      <p><B>O que foi feito do princ&iacute;pio de compreens&atilde;o educativa?</B></P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No ensino secund&aacute;rio obrigat&oacute;rio, a compreens&atilde;o implica a integra&ccedil;&atilde;o de  todos os alunos de idades compreendidas entre os doze e os dezasseis anos. Ao concluir esta etapa, obt&eacute;m-se  o primeiro t&iacute;tulo acad&eacute;mico espanhol: o Graduado em Educa&ccedil;&atilde;o Secund&aacute;ria  Obrigat&oacute;ria. Por este motivo, e a fim de evitar a desigualdade, impera o desejo social de que todos,  independentemente das suas caracter&iacute;sticas e condi&ccedil;&otilde;es, possam superar os objetivos propostos e,  desse modo, conseguir t&atilde;o precioso t&iacute;tulo. </P>     <p>Sem margem para d&uacute;vidas, conceber uma educa&ccedil;&atilde;o comum e da qual todos possam sair vitoriosos,  n&atilde;o &eacute; uma mudan&ccedil;a f&uacute;til. Esta convic&ccedil;&atilde;o contraria a pedagogia para elites  caracter&iacute;stica do ensino m&eacute;dio (Tirado, 1996), se bem que n&atilde;o exige uma mudan&ccedil;a ou  aposentadoria antecipada de todo o corpo docente do ensino secund&aacute;rio, mas requer, pelo menos, uma  mudan&ccedil;a de mentalidade no que diz respeito ao exerc&iacute;cio da profiss&atilde;o. Exige uma  convic&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica, apenas assumida quando o discurso da diversidade, mesclado de hipocrisia,  modismo ou imposi&ccedil;&atilde;o, se converter em estandarte de defesa das identidades e em estilo de vida de quem  o proclama.</P>     <p>Basta observar uma placa de an&uacute;ncios escolares para sentir um duplo desalento. Por um lado, estamos a  referir-nos ao facto, quase mercantilista, em que se converteu o processo de avalia&ccedil;&atilde;o. Tal como  acontece em alguns pa&iacute;ses anglo-sax&oacute;nicos, a qualifica&ccedil;&atilde;o tradicional foi reduzida a  uma listagem de nomes, n&uacute;meros e notas expostos ao p&uacute;blico atrav&eacute;s dos <I>rankings</I>. Por  outro lado, o verdadeiro mal-estar da nossa consci&ecirc;ncia surge perante a passividade social em rela&ccedil;&atilde;o  &agrave;s cont&iacute;nuas e elevadas percentagens de n&atilde;o superado, n&atilde;o apto, suspenso ou insuficiente  com que os alunos s&atilde;o avaliados, ano ap&oacute;s ano. Problema de uns ou incompet&ecirc;ncia de outros? Fica a  d&uacute;vida, pelo que ser&aacute; necess&aacute;rio analisar o corpo discente: o que se est&aacute; a passar com os  alunos?</P>     <p>O extravagante da situa&ccedil;&atilde;o &eacute; que ainda existem grupos docentes que defendem, com unhas e dentes,  &agrave; margem de toda a legalidade, concep&ccedil;&otilde;es educativas selectivas, enraizadas noutro momento social  e hist&oacute;rico diferente daquele em que vivemos. Em s&iacute;ntese, e como afirma Barral (1998), a escola  compreensiva pretende oferecer uma cultura comum a que tenham acesso todos os cidad&atilde;os. O modelo de escola  compreensiva que propomos oferece um mesmo curr&iacute;culo b&aacute;sico, as mesmas experi&ecirc;ncias e oportunidades  educativas e de aprendizagem para todos dentro de uma mesma institui&ccedil;&atilde;o escolar, o que leva, como  consequ&ecirc;ncia, ao respeito pelas diferen&ccedil;as (Rodkin et al, 2006). </P>     <p>Estamos conscientes das dificuldades que teve, e continua a ter o corpo docente da Escola Secund&aacute;ria para o  desenvolvimento e adop&ccedil;&atilde;o das medidas necess&aacute;rias que cont&ecirc;m a resposta &agrave; diversidade  do corpo discente devido, sobretudo, &agrave; car&ecirc;ncia de tempos estabelecidos e remunerados para a an&aacute;lise,  reflex&atilde;o e coordena&ccedil;&atilde;o das actividades. Do mesmo modo, tais medidas requerem a cria&ccedil;&atilde;o  e experimenta&ccedil;&atilde;o de materiais curriculares em diferentes contextos e situa&ccedil;&otilde;es pr&aacute;ticas.  Isto &eacute;, h&aacute; institui&ccedil;&otilde;es onde se verificam boas pr&aacute;ticas resultantes de um trabalho  em grupo e colaborativo e que promove e facilita os processos de melhoria. A partir desta &oacute;ptica, n&atilde;o  devemos esquecer que desde que a reforma foi incrementada, a tarefa de elabora&ccedil;&atilde;o de curr&iacute;culos  tendo em conta a diversidade, longe de ser experienciada como uma possibilidade para melhorar a educa&ccedil;&atilde;o  foi, pelo contr&aacute;rio, interpretada por muitos professores como mais uma tarefa burocr&aacute;tica que tinham que  cumprir ou como um instrumento que, simplesmente, veio prolongar a normatividade das administra&ccedil;&otilde;es educativas  nas escolas. N&atilde;o faltam, tamb&eacute;m, aqueles profissionais que consideram uma utopia desej&aacute;vel a  inclus&atilde;o da diversidade, mas inating&iacute;vel nas condi&ccedil;&otilde;es actuais, nem aqueles que acreditam  que &eacute; uma panaceia para resolver todos os problemas educativos (Ant&uacute;nez et al,, 1992). </P>     <p>Neste sentido, estas dificuldades redesenhadas constituem, entre outras, o marco de refer&ecirc;ncia da nossa  actividade docente, ao mesmo tempo que nos ajuda a tomar consci&ecirc;ncia dos esfor&ccedil;os que teremos que assumir  para atingir este fim. Se exceptuarmos diversas experi&ecirc;ncias e realiza&ccedil;&otilde;es ainda isoladas ou em  desenvolvimento (Ferretti, MacArthur e Okolo, 2005; Friend e Pope, 2005; Grace, 2006), somos obrigados a pensar que o  lema pela autonomia e pela reconstru&ccedil;&atilde;o interna dos centros, o reconhecimento do protagonismo de um novo  professor mais cr&iacute;tico e reflexivo, bem como o fortalecimento das equipas docentes (consideradas como n&uacute;cleos  de colabora&ccedil;&atilde;o para o desenvolvimento educativo), tem algum significado no plano das  declara&ccedil;&otilde;es e, quem sabe, da ret&oacute;rica f&aacute;cil, mas n&atilde;o na plataforma das decis&otilde;es,  das pr&aacute;ticas organizativas, curriculares ou formativas, nem nos apoios que deveriam ser congruentes com as mesmas. </P>     <p>O ensino obrigat&oacute;rio, no seu desejo de oferecer uma educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica e comum a todos os  cidad&atilde;os, deve reflectir o car&aacute;ter multicultural da sociedade. Neste sentido, o curr&iacute;culo de cada  centro ter&aacute; que fazer uma recolha das culturas que estejam representadas no mesmo, prestando aten&ccedil;&atilde;o  aos valores impl&iacute;citos em cada uma delas. Este convencimento de mudan&ccedil;a requer que se ministre um ensino  diversificado,  aberto e flex&iacute;vel, n&atilde;o s&oacute; com o prop&oacute;sito de dar respostas adequadas &agrave;  situa&ccedil;&atilde;o pessoal e social dos estudantes, mas tamb&eacute;m de considerar as grandes diferen&ccedil;as  existentes entre os seus interesses, motiva&ccedil;&otilde;es, necessidades e inquietudes. </P>      <P><B>M&atilde;e, o que acontecer&aacute; quando tiver idade para entrar no ensino secund&aacute;rio  obrigat&oacute;rio?</B></P>      <p>V&aacute;rios autores (Atirado, 1996; Molina e Ill&aacute;n, 1999) apontaram algumas das dificuldades que  implica, para os alunos, a pr&oacute;pria estrutura e caracter&iacute;sticas da Educa&ccedil;&atilde;o  Secund&aacute;ria Obrigat&oacute;ria. O funcionamento e estrutura dos institutos de ensino secund&aacute;rio,  ligado &agrave; pr&aacute;tica educativa habitual de uma boa parte dos seus professores, criam novas necessidades  educativas nos alunos, as quais n&atilde;o existiam antes de sua chegada ao instituto. Por um lado, o agrupamento  de conte&uacute;dos em torno de grandes &aacute;reas, caracter&iacute;stica da Educa&ccedil;&atilde;o Prim&aacute;ria,  dissolve-se ao chegar ao ensino secund&aacute;rio, adoptando uma dimens&atilde;o disciplinar e especializada,  situa&ccedil;&atilde;o que dificulta o entendimento globalizado dos factos, a generaliza&ccedil;&atilde;o do  conhecimento e o significado das aprendizagens. Por outro lado, a estrutura organizativa de um instituto,  segmentada e compartimentada, sup&otilde;e um grande n&uacute;mero de professores/as diferentes que interagem  com muitos alunos. </P>     <p>Este facto, n&atilde;o s&oacute; comporta uma grande diversidade de metodologias, normas de actua&ccedil;&atilde;o,  crit&eacute;rios de avalia&ccedil;&atilde;o, como tamb&eacute;m uma grande quantidade de mat&eacute;rias e  hor&aacute;rios que dificultam a adop&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias did&aacute;cticas e pedag&oacute;gicas  adequadas, tanto para o processo de aprendizagem, como para as necessidades dos estudantes. Estamos convictos de  que estas condi&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o s&oacute; dificultam o processo de aprendizagem, como, tamb&eacute;m,  em muitas ocasi&otilde;es, s&atilde;o respons&aacute;veis por algumas necessidades educativas que os estudantes  n&atilde;o tinham antes da sua chegada &agrave; Educa&ccedil;&atilde;o Secund&aacute;ria Obrigat&oacute;ria. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Como j&aacute; sabemos, o desenvolvimento do pensamento formal, atrav&eacute;s do qual &eacute; poss&iacute;vel  integrar conhecimentos, organiz&aacute;-los, generaliz&aacute;-los e inclusive formular hip&oacute;teses, come&ccedil;a  a desenvolver-se, de modo gen&eacute;rico, coincidindo com a etapa da Educa&ccedil;&atilde;o Secund&aacute;ria  Obrigat&oacute;ria. Nesta etapa, os alunos est&atilde;o mais desenvolvidos para assumir uma maior autonomia e  amplitude de perspectivas. Neste sentido, uma proposta curricular integrada (como a que defendemos), vai favorecer,  n&atilde;o s&oacute; a consolida&ccedil;&atilde;o do pensamento concreto, mas tamb&eacute;m o desenvolvimento do  pensamento hipot&eacute;tico-dedutivo e proposicional.</P>     <p>Indubitavelmente, a chegada da integra&ccedil;&atilde;o escolar representou um duro golpe para a cultura  segregacionista instaurada no sistema educativo tradicional (Heung e Grossman, 2007). Este facto, permitiu que se  dessem alguns passos na direc&ccedil;&atilde;o de uma etapa mais democr&aacute;tica, na qual a presen&ccedil;a de  todos os alunos independentemente  da idade, sexo, tipo de corpo, cultura... etc., sup&ocirc;s, para os centros e  professores, a necessidade de levar a cabo mudan&ccedil;as organizativas, &agrave; escala macro, transformando  estruturas, curr&iacute;culos, materiais, metodologias, programas, etc. Passa a ser nesta mudan&ccedil;a  ideol&oacute;gica, onde se origina e assenta o conceito de diversidade; um termo dif&iacute;cil de circunscrever  e simplificar j&aacute; que est&aacute; carregado de ideologia (S&aacute;ez, 1997).</P>     <p>Todavia, &eacute; essa carga ideol&oacute;gica que lhe confere a raz&atilde;o de ser e de existir. A  materializa&ccedil;&atilde;o deste princ&iacute;pio ideol&oacute;gico, &eacute; levada a cabo no sistema educativo  em consequ&ecirc;ncia de um esfor&ccedil;o, sistem&aacute;tico e governamental, realizado para melhorar o sistema  educativo (McLaughlin, 1975).  Perante a nossa at&oacute;nita observa&ccedil;&atilde;o, estas propostas foram  confrontadas com o novo sistema educativo emergente, ancorado no modelo cient&iacute;fico-homogeneizante, carente  de base social e que despersonaliza o corpo discente, ao pretender a sua estandardiza&ccedil;&atilde;o (Saez, 1997),  gerando contradi&ccedil;&otilde;es importantes entre o equil&iacute;brio do curr&iacute;culo, que respeita a  diversidade, e um modelo social mercantil-eficientista que procura a efici&ecirc;ncia dos trabalhadores. A julgar por  esta &uacute;ltima teoria filos&oacute;fica, s&oacute; poder&atilde;o triunfar na sociedade aqueles que melhor se  adaptem e respondam &agrave;s exig&ecirc;ncias do sistema. Invertendo a ordem, receamos que aqueles grupos que  h&aacute; anos foram afastados do sistema educativo e exclu&iacute;dos socialmente, voltar&atilde;o agora, com a  nova lei, a ser exclu&iacute;dos (de uma forma legal), ainda que dentro do sistema, pondo em causa o que, apesar de  tudo, se conseguiu com a extinta LOGSE. </P>     <p>Neste sentido, o que parecia ser a grande mat&eacute;ria pendente do sistema educativo, com a lei que,  subsequentemente, se obteve, conduziu, afinal, a uma qualifica&ccedil;&atilde;o de insuficiente. O respeito pela  diversidade exige que se reclame uma escola aberta, flex&iacute;vel, cr&iacute;tica e plural, tal como foi  proposta por Giroux (1990). A forma&ccedil;&atilde;o de professores constitui-se como uma quest&atilde;o central;  apesar dos esfor&ccedil;os realizados, &eacute; necess&aacute;rio que se insista na forma&ccedil;&atilde;o  cient&iacute;fica e did&aacute;ctica, ligada a uma reforma no processo de acesso &agrave; profiss&atilde;o docente  (curso de adapta&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica, crit&eacute;rios de acesso, em oposi&ccedil;&atilde;o &agrave;  ideia de que a carreira docente &eacute; um emprego para toda a vida).</P>     <p>Na situa&ccedil;&atilde;o educativa actual, o tratamento do atendimento &agrave; diversidade passa,  necessariamente, pela considera&ccedil;&atilde;o das dificuldades de ensino (dos professores/as) e de aprendizagem,  e n&atilde;o s&oacute; pelas dificuldades de aprendizagem do corpo discente. N&atilde;o posso dizer que as  dificuldades de aprendizagem surjam, exclusivamente, em consequ&ecirc;ncia das caracter&iacute;sticas educativas  dos alunos mas tamb&eacute;m pela aus&ecirc;ncia de ajustamento entre estas e as condi&ccedil;&otilde;es que s&atilde;o  oferecidas pela escola e pelos professores. Consequentemente, qualquer resposta pedag&oacute;gica que se ofere&ccedil;a  dever&aacute; basear-se, n&atilde;o s&oacute; nas caracter&iacute;sticas educativas dos alunos mas tamb&eacute;m - e  o que &eacute; mais importante-, na qualidade de um servi&ccedil;o educativo personalizado e compreensivo.</P>     <p>Como resultado da an&aacute;lise dos indicadores educativos, os professores poder&atilde;o conservar o seu  status quo, legitimando, assim, o da sociedade, ou, pelo contr&aacute;rio, poder&atilde;o adoptar uma postura  cr&iacute;tica, orientada para a emancipa&ccedil;&atilde;o, tal  como defendem Freire (1975) e Giroux (1990).  Sobre esta mesma id&eacute;ia, Jim&eacute;nez e Vil&agrave; (1999) asseguram que sem o esfor&ccedil;o cr&iacute;tico  dos professores &ndash; e restantes agentes educativos - para superar os valores de uma sociedade competitiva e  desigual, &eacute; impens&aacute;vel a mudan&ccedil;a para uma educa&ccedil;&atilde;o na diversidade, se, de facto,  considerarmos que essa educa&ccedil;&atilde;o &eacute; absolutamente necess&aacute;ria. </P>     <p>Educar na diversidade sup&otilde;e transgredir o limite da cultura oficial &ndash;  tradicionalmente elitista -,  para reconstruir a escola a partir das diferentes culturas dos alunos, de modo a que sejam tidas em conta aquelas  que, historicamente, foram afastadas do meio escolar, aquelas cujas vozes foram intencionalmente silenciadas.  Neste sentido, defendo uma perspectiva ideol&oacute;gica que, de maneira expl&iacute;cita, aposte numa escola  p&uacute;blica, numa escola para todos, atrav&eacute;s de um Projeto Educativo cimentado na filosofia da  normaliza&ccedil;&atilde;o (S&aacute;nchez, 1994). Portanto, &eacute; poss&iacute;vel afirmar que o discurso da  diversidade &eacute; um discurso preferencialmente &eacute;tico, na medida em que, ou nos situamos ao servi&ccedil;o  de uma educa&ccedil;&atilde;o de qualidade para todos - sem exclus&atilde;o -, ou nos pomos ao servi&ccedil;o do  sistema hegem&oacute;nico de poder. O significado global desta op&ccedil;&atilde;o est&aacute; estreitamente vinculado  ao universo das atitudes e dos valores, fazendo parte do meio social e pol&iacute;tico em que nos situamos, e  atrav&eacute;s do qual configuramos um sistema de cren&ccedil;as que guiam as nossas ac&ccedil;&otilde;es e  comportamentos (Apple, 1986).</P>     <p>Tradicionalmente, a diversidade educativa, longe de ser considerada como uma caracter&iacute;stica  pr&oacute;pria e singular da vida quotidiana, foi percebida como uma problem&aacute;tica que complica o  processo de ensino-aprendizagem. No entanto, mais do que um dilema t&eacute;cnico, converte-se num dilema  &eacute;tico (Gimeno, 1993) e axiol&oacute;gico (Jim&eacute;nez e Vil&agrave;, 1999), na medida em que obriga  a adoptar uma postura pol&iacute;tica e social perante os reptos que as diferen&ccedil;as humanas ocasionam ao  sistema educativo. </P>     <p>Nesta perspectiva, considero que a diversidade &eacute; uma caracter&iacute;stica intr&iacute;nseca da  condi&ccedil;&atilde;o humana, um valor positivo e enriquecedor das rela&ccedil;&otilde;es sociais entre as pessoas.  Trata-se de um novo modo de entender o facto educativo, contr&aacute;rio ao modelo dual de ensino, e no qual se  advoga a inclus&atilde;o daqueles alunos que, por uma ou outra raz&atilde;o, foram, no passado, segregados e afastados  dos centros educativos (Ratcliffe, 2006). A vantagem principal desta revolu&ccedil;&atilde;o copernicana apoia-se na  considera&ccedil;&atilde;o positiva da diferen&ccedil;a e na configura&ccedil;&atilde;o de um meio cultural aberto,  flex&iacute;vel e transdisciplinar, no qual se aceitem e respeitem as diferen&ccedil;as individuais e se persiga  a elimina&ccedil;&atilde;o das desigualdades. </P>     <p>Esta nova perspectiva p&ocirc;s em relevo n&atilde;o tanto a necessidade de individualizar a instru&ccedil;&atilde;o  (Eisner, 1987), mas tamb&eacute;m a obriga&ccedil;&atilde;o de personalizar o processo de ensino aprendizagem. Tal  como numa sapataria n&atilde;o existe cal&ccedil;ado de um s&oacute; n&uacute;mero (que corresponderia &agrave;  m&eacute;dia aritm&eacute;tica da popula&ccedil;&atilde;o), nem num restaurante servem, apenas, uma refei&ccedil;&atilde;o,  mas, tanto na sapataria como no restaurante encontramos sapatos e menus de diferentes medidas, texturas, ingredientes,  sabores, cores, de acordo com os diferentes gostos, para que possam ajustar-se &agrave;s necessidades de todos e de  cada um, do mesmo modo consideramos que uma escola democr&aacute;tica, que pretenda dar resposta a todos os alunos que  foram obrigados a estar no seu seio, deve garantir aquilo que denomino por <I>ensino &agrave; carta</I>, que corresponde  a uma oferta educativa aberta, flex&iacute;vel e capaz de se adaptar &agrave;s caracter&iacute;sticas individuais  dos alunos, dando resposta &agrave;s suas necessidades e interesses, e contra a tend&ecirc;ncia homogeneizadora dos  &uacute;ltimos anos, que trata de nos impor <I>perfumes unissex</I> e prendas de talha &uacute;nica. </P>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Por este motivo, os programas e m&eacute;todos de ensino escolar dever&atilde;o ter em conta, na actualidade,  tais interesses, caracter&iacute;sticas e necessidades, antes de empreender itiner&aacute;rios e decis&otilde;es  educativas de ordem pol&iacute;tica. Na actualidade, &eacute; complicado negar a todos os alunos a possibilidade de  aprender. O repto pretende determinar, cientificamente, que devem aprender, onde, quando, como, com que crit&eacute;rios  e atrav&eacute;s de que vias &eacute; poss&iacute;vel atingir esse objectivo. Esta aproxima&ccedil;&atilde;o ao  processo de aprendizagem est&aacute; inspirada na escola construtivista de Vigotsky.</P>     <p>No entanto, o novo sistema educativo espanhol resgata um modelo deficit&aacute;rio que estabelece a origem dos  problemas nos pr&oacute;prios alunos, motivo pelo qual s&atilde;o considerados, expl&iacute;cita ou implicitamente,  deficientes, espec&iacute;ficos, inadaptados, problem&aacute;ticos, especiais, com necessidades educativas especiais.  Por esta raz&atilde;o, os esfor&ccedil;os centram-se em dar respostas individualizadas aos alunos que mais problemas  suscitam a um sistema fechado, em lugar de argumentar com as vantagens que comportaria, para toda a comunidade educativa, a adop&ccedil;&atilde;o de um modelo compreensivo atrav&eacute;s do qual seria poss&iacute;vel crescer numa escola  para todos, nessa escola da felicidade que desejamos, na qual todos os alunos, atrav&eacute;s de diferentes actividades,  possam desenvolver ao m&aacute;ximo as suas capacidades e, ao faz&ecirc;-lo, possam desfrutar o prazer e a  emo&ccedil;&atilde;o pelo conhecimento. Definitivamente, uma escola em que todos os alunos sejam tratados em igualdade e  a partir de um curr&iacute;culo comum e democr&aacute;tico. O empenho na constru&ccedil;&atilde;o desta escola, tal como  o desejo de fazer essa mudan&ccedil;a, &eacute; a base na qual  assenta o nosso trabalho di&aacute;rio. </P>     <p>Neste sentido, &eacute; necess&aacute;rio dirigir os esfor&ccedil;os para os verdadeiros actores da dita mudan&ccedil;a:  os professores. Se a educa&ccedil;&atilde;o est&aacute; ao servi&ccedil;o da ordem pol&iacute;tica, e se, ao mesmo tempo,  deve constituir-se numa perspectiva cr&iacute;tica, n&atilde;o poderemos conformar-nos apenas com propostas. &Eacute;  necess&aacute;rio que eles sejam considerados como art&iacute;fices da mudan&ccedil;a, como aut&ecirc;nticos libertadores  da ordem ideol&oacute;gica estabelecida; isto &eacute;, como profissionais cr&iacute;ticos cujo labor se projecte para  al&eacute;m do horizonte tecnicista e burocr&aacute;tico. </P>     <p>Muitas s&atilde;o as sombras e numerosos os fantasmas que envolvem a nova lei educativa em cuja base se estabelece  o princ&iacute;pio mais importante do processo educativo. Desconhec&ecirc;-la &eacute; um indicativo importante para a  implanta&ccedil;&atilde;o da nova reforma. Conhec&ecirc;-la implica, necessariamente, entrarmos num processo de  atribui&ccedil;&atilde;o de significados - com frequ&ecirc;ncia - conotativos; um processo que cont&eacute;m em si  valores contr&aacute;rios &agrave; express&atilde;o denotativa deste princ&iacute;pio e, portanto, desenvolvidos  &agrave; margem da lei. Por outro lado, e em defesa destes livres-pensamentos, teremos de exigir que se ponham em  ac&ccedil;&atilde;o mecanismos que permitam comprovar como todos e cada um dos princ&iacute;pios e valores que  prop&otilde;e a lei, n&atilde;o s&oacute; s&atilde;o do conhecimento dos professores como tamb&eacute;m saber como  acederam ao seu conhecimento. </P>     <p>Isto &eacute;, se durante a &uacute;ltima d&eacute;cada se sucederam numerosas investiga&ccedil;&otilde;es que  d&atilde;o conta de uma opini&atilde;o maiorit&aacute;ria a favor da LOGSE, entendida como uma proposta politicamente  correcta, que responde &agrave; diversidade e promove processos de constru&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica,  n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel que resgatemos da nova lei os problemas hist&oacute;ricos do s&eacute;culo  passado em mat&eacute;ria docente. E cremos que n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel, pois, sendo correctas tais  investiga&ccedil;&otilde;es, estranho e confuso &eacute; comprovar a outra cara do diabo, como diz o professor  Nicola Cuomo. Estranho, contradit&oacute;rio e confuso porque a nova lei prop&otilde;e grandes interroga&ccedil;&otilde;es  ainda sem solu&ccedil;&atilde;o, como, por exemplo: porque &eacute; que num mesmo centro existe diversidade de  crit&eacute;rios de pensamento em mat&eacute;ria educativa? Porque &eacute; que n&atilde;o se gastam as energias  a p&ocirc;r em pr&aacute;tica e com seriedade as mudan&ccedil;as pol&iacute;ticas e ideol&oacute;gicas que a nova  lei prop&otilde;e? Como &eacute; poss&iacute;vel que, no presente, a escola desenvolva o seu trabalho ancorada nos  princ&iacute;pios metodol&oacute;gicos do passado? Por que motivo a mudan&ccedil;a surge sempre do exterior? De um  modo ret&oacute;rico, defende-se um curr&iacute;culo aberto e flex&iacute;vel mas, na pr&aacute;tica, procede-se  como se o curr&iacute;culo fosse fragmentado, assente numa programa&ccedil;&atilde;o inerte? Sobre quem recai a  responsabilidade de garantir que o princ&iacute;pio de atendimento &agrave; diversidade &eacute; respeitado por todos  os professores? Por que &eacute; que &eacute; mais importante que um aluno saiba limitar, derivar e integrar, em  detrimento do conhecimento do seu corpo, da sua honestidade, equil&iacute;brio e honradez? Por que &eacute; que um aluno  com sucesso acad&eacute;mico evolui independentemente da sua atitude e seu comportamento n&atilde;o serem  democr&aacute;ticos ou cr&iacute;ticos? Por que motivo todos os alunos t&ecirc;m de aprender os mesmos conte&uacute;dos e,  o que &eacute; pior, ao mesmo tempo? E os agrupamentos escolares, por que motivo continuam sequestrados pelo  crit&eacute;rios da idade cronol&oacute;gica? Afirmamos defender a diversidade de ritmos de aprendizagem e, ao mesmo  tempo, por que &eacute; que actuamos como uma esp&eacute;cie de terroristas da linguagem, examinando os alunos de um  modo uniforme, num mesmo dia, numa mesma sala, com o mesmo exame e com os mesmos crit&eacute;rios? Porqu&ecirc;?  Porqu&ecirc;?</P>     <p>Muitas e importantes s&atilde;o as quest&otilde;es &agrave;s quais seria necess&aacute;rio dar resposta. Algumas  centradas na pessoa, outras, no percurso acad&eacute;mico. Esta, centrada no saber e no ter e a primeira, preocupada  com o ser e com as emo&ccedil;&otilde;es. Talvez estas quest&otilde;es encerrem uma ideologia do passado, conservadora  de um <I>satus</I> oferecido pela homogeneidade da escola e legitimado por uma universidade med&iacute;ocre. Sem qualquer  tipo de d&uacute;vida, uma vez que falamos como professor, &eacute; muito simples programar unidades did&aacute;cticas  e sess&otilde;es orientadas para um grupo modelo, estabelecendo univocidade nos crit&eacute;rios, na metodologia, na  organiza&ccedil;&atilde;o, a partir da pretensa objectividade cient&iacute;fica do acto educativo, a partir da qual se  defende que todos os alunos que terminam a Educa&ccedil;&atilde;o Secund&aacute;ria Obrigat&oacute;ria t&ecirc;m que  saber extrair consequ&ecirc;ncias, que existem conhecimentos que obrigatoriamente o aluno deve aprender durante o seu percurso no ensino secund&aacute;rio. </P>     <p>Todavia, a abordagem numa escola democr&aacute;tica remete-nos, for&ccedil;osamente, para a tomada de consci&ecirc;ncia  de que o processo did&aacute;ctico &eacute; um processo dial&eacute;ctico e que, como tal, n&atilde;o pode ser considerado  como algo objectivo, mensur&aacute;vel e circunscrito. Pelo contr&aacute;rio, pretende ser um processo entr&oacute;pico,  tal como a natureza humana, despojado de esterilidade e carregado de valores. O verdadeiro problema estar&aacute;,  n&atilde;o s&oacute; no conhecimento, mas no uso que dele se possa fazer. Talvez seja dif&iacute;cil dar o salto,  talvez at&eacute; seja um atrevimento, uma insol&ecirc;ncia da nossa juventude perante um saber instalado e perante  aqueles que se amparam num conhecimento est&aacute;tico, inerte sem terem a ousadia de pensar que se em dois mil anos  n&oacute;s, seres humanos, troc&aacute;mos as cavernas pelos apartamentos, a flecha pela p&oacute;lvora, o fumo pelo  <I>e-mail</I>, n&atilde;o poderemos continuar a utilizar o mesmo sistema, a mesma escola, numa sociedade que &eacute;  diferente. Se os tempos mudaram, &eacute; necess&aacute;rio que, for&ccedil;osamente, a escola mude. Se n&atilde;o  tivermos a ousadia de empreender as mudan&ccedil;as, permaneceremos nesse conflito insol&uacute;vel entre o passado e  o futuro.</P>      <p>&nbsp;</p>      <p><B>Refer&ecirc;ncias Bibliogr&aacute;ficas</B></P>      <!-- ref --><p>Angelides, P.;  Stylianou, T. y Gibas, P. (2006). Preparing teachers for inclusive education in Cyprus.  <I>Teaching and Teacher Education</I>,&nbsp; 22 (4), 513-522.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000072&pid=S1645-7250200900010001000001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Apple, M. (1986). <I>Ideolog&iacute;a y curriculum. </I>Madrid: Akal.</P>      <p>Barral, S. (1998). Apoyo al proceso de ense&ntilde;anza y aprendizaje: atenci&oacute;n a la diversidad.  <I>Comunidad Educativa, </I>248, 30-34.</P>      <p>Eisner, E.W. (1987). <I>Procesos cognitivos y curriculum. Una base para decidir lo que hay que  ense&ntilde;ar</I>. Barcelona: Mart&iacute;nez Roca.</P>      <p>Farrell, B; Elliott, I. y Ison, E. (2004). Partnership with parents and disabled children. HIA of  the All-Inclusive Wraparound Project for children with a disability. <I>Environmental Impact Assessment  Review</I>,&nbsp;<I>24 (2)</I>, 245-254.</P>      <p>Ferretti, R.P.; MacArthur, C.D.; y Okolo, C.M. (2005). Misconceptions about History: Reflections on  Teaching for Historical Understanding in an Inclusive Fifth-grade Classroom. <I>Advances in Learning and Behavioral  Disabilities</I>,&nbsp;<I> 18</I>,&nbsp; 261-299.</P>      <p>Freire, P. (1970). <I>Pedagog&iacute;a del oprimido. </I>Madrid: SigloXXI.</P>      <p>Friend, M. y Pope, K. (2005). Creating Schools in which all students can succeed. <I>Kappa Delta Pi Record,  41 (2), 56-61.</I></P>      <p>Gimeno, J. (1993). El desarrollo curricular y la diversidad. En Mu&ntilde;oz, E. y Ru&eacute;, J. (Coords),  <I>Educaci&oacute; en la diversitat i escola democr&aacute;tica</I>, 29-51. Bellaterra: ICE Universitat  Aut&ograve;noma de Baracelona.</P>      <p>Gimeno, J. y P&eacute;rez, A.I. (1992).<I> Comprender y transformar la ense&ntilde;anza.</I> Madrid: Morata.</P>      <p>Giroux, H.A. (1990).<I> Los profesores como intelectuales. Hacia una pedagog&iacute;a cr&iacute;tica del  aprendizaje</I>. Barcelona: Paid&oacute;s.</P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Grace, A.P. (2006). Writing the queer self: Using autobiography to mediate inclusive teacher education in Canada.  <I>Teaching and Teacher Education</I>,&nbsp;<I> 22 ( 7)</I>,&nbsp;<I> </I>826-834.</P>      <p>Heung, V.; y Grossman, D. (2007). Inclusive Education as a Strategy for Achieving Education for All:  Perspectives from Three Asian Societies. <I>International Perspectives on Education and Society</I>,&nbsp;<I>  8</I>,&nbsp;<I> </I>155-180.</P>      <p>Jim&eacute;nez, F. y Vil&agrave;, M. (1999).<I> De Educaci&oacute;n Especial a Educaci&oacute;n en la  Diversidad.</I> M&aacute;laga: Aljibe.</P>      <p>McLaughlin, M. (1975<I>). Evaluation and  Reform</I>. Cambridge: Max Ballinger. </P>      <p>Molina, J. e Ill&aacute;n, N. (1999). La figura del profesorado de apoyo en el proceso de atenci&oacute;n  a la diversidad en la E.S.O. En S&aacute;nchez, A. (Coord.) (1999). <I>Los desaf&iacute;os de la Educaci&oacute;n  Especial en el umbral del siglo </I>XXI (pp. 575-584). Almer&iacute;a: Universidad de Almer&iacute;a.</P>      <p>Ratcliffe, P. (2006). Higher Education, &ldquo;Race&rdquo; and the Inclusive Society. <I>Advances in Education  in Diverse </I><I>Communities: Research, Policy and Praxis</I>,&nbsp;<I> 5</I>,&nbsp;<I> </I>131-148.</P>      <p>Rodkin, P. et al (2006). Who do students with mild disabilities nominate as cool in inclusive general  education classrooms?. <I>Journal of School Psychology</I>,&nbsp;<I> 44 (1)</I>, 67-84.</P>      <p>S&aacute;ez, J. (1997). Aproximaci&oacute;n a la diversidad: algunas consideraciones te&oacute;ricas. In I.  Romeu, N. & A. Garc&iacute;a Mart&iacute;nez (1997). <I>La diversidad y la diferencia en la educaci&oacute;n  secundaria obligatoria: Retos educativos para el </I><I>siglo XXI. </I>Archidona (M&aacute;laga): Aljibe.</P>      <p>S&aacute;nchez, T. (1994).<I> La construcci&oacute;n del aprendizaje en el aula. Aplicaci&oacute;n del enfoque  globalizador a la ense&ntilde;anza.</I>. Buenos Aires: Magisterio del R&iacute;o de la Plata.</P>      <p>Skilbeck, M (1984).<I> School-based curriculum development. </I>London: Harper and Row.</P>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Taylor, M. (2005). The development of the special educational needs coordinator role in a higher education setting.  <I>Support for Learning, 20 (1), </I>22-27.</P>      <p>Tirado, V. (1996). La atenci&oacute;n a la diversidad en la Educaci&oacute;n Secundaria Obligatoria. <I>Signos.  Teor&iacute;a y pr&aacute;ctica de la educaci&oacute;n,</I>18, 24-31.</P>      <p>VanDerHeyden, M.; Witt, J.C. y Gilbertsn, D. (2007). A multi-year evaluation of the effects of a Response  to Intervention (RTI) model on identification of children for special education. <I>Journal of School  Psychology,&nbsp; 45 (2), </I>225-256.</P>      <p>Williams, S.K.; Johnson, C. y Sukhodolsky, D. G. (2005). The role of the school psychologist in the  inclusive education of school-age children with autism spectrum disorders. <I>Journal of School Psychology</I>, &nbsp; 43 (2), 117-136.</P>      <p>Young, C. (2005). Establishing and Maintaining Collaborative Relationships Between Regular and Special Education  Teachers in Middle School Social Studies Inclusive Classrooms. <I>Advances in Learning and Behavioral Disabilities</I>, &nbsp;Vol. 18,&nbsp;153-198.</P>      <p>&nbsp;</p>      <p><Sup><a href="#top0">*</a><a name="0"></a></Sup> Faculdade de Educa&ccedil;&atilde;o    da Universidade de M&uacute;rcia. </P>     <p><a href="mailto:jesusmol@um.es">jesusmol@um.es</a></P>      <p>Revis&atilde;o cient&iacute;fica de Manuel Tavares</P>       ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Angelides]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Stylianou]]></surname>
<given-names><![CDATA[T.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Gibas]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Preparing teachers for inclusive education in Cyprus.]]></article-title>
<source><![CDATA[Teaching and Teacher Education]]></source>
<year>2006</year>
<volume>22</volume>
<numero>4</numero>
<issue>4</issue>
<page-range>513-522</page-range></nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
