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</front><body><![CDATA[  <HTML> <HEAD>  </HEAD>     <P    ><b>Editorial</b></P >     <P    >1. Realizou-se a 16 e 17 de Outubro de 2009 o I F&oacute;rum de Investiga&ccedil;&atilde;o    em Ci</B>&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o, organizado conjuntamente pelas    unidades de investiga&ccedil;&atilde;o de Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o    acreditadas no &acirc;mbito da FCT, tendo a UI&amp;D Observat&oacute;rio de    Pol&iacute;ticas de Educa&ccedil;&atilde;o e Contextos Educativos (atual Centro    de Estudos e Interven&ccedil;&atilde;o em Educa&ccedil;&atilde;o e Forma&ccedil;&atilde;o,    CeiEF), que edita a Revista Lus&oacute;fona de Educa&ccedil;&atilde;o, participado    ativamente na sua organiza&ccedil;&atilde;o e nos trabalhos a&iacute; apresentados.  </P >     <P   align="justify" >Foi uma boa iniciativa, nascida de uma leg&iacute;tima rea&ccedil;&atilde;o a um processo de avalia&ccedil;&atilde;o externa conduzido pela FCT que penalizou fortemente a investiga&ccedil;&atilde;o que se faz neste campo cient&iacute;fico. Como defendemos na ocasi&atilde;o, imp&otilde;e-se prosseguir, com regularidade, este tipo de F&oacute;rum, centrado na apresenta&ccedil;&atilde;o da investiga&ccedil;&atilde;o que se faz em cada uma das unidades e dar um impulso a formas de coordena&ccedil;&atilde;o, institucionalizando, por exemplo, um Conselho das Unidades de Investiga&ccedil;&atilde;o em Ci&ecirc;ncias (e Pol&iacute;ticas) da Educa&ccedil;&atilde;o que se assuma como interlocutor da Funda&ccedil;&atilde;o para a Ci&ecirc;ncia e a Tecnologia (FCT) e de outras ag&ecirc;ncias de financiamento e de regula&ccedil;&atilde;o da investiga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica.</P >    <P   align="justify" >Um dos temas que marcou os debates do F&oacute;rum foi a quest&atilde;o da <I>internaciona</I><I></I><I>liza&ccedil;&atilde;o</I> da investiga&ccedil;&atilde;o. Existe um largo consenso na comunidade cient&iacute;fica de que a <I>internacionaliza&ccedil;&atilde;o</I> constitui um dos principais elementos de avalia&ccedil;&atilde;o da investiga&ccedil;&atilde;o que se faz, em qualquer dom&iacute;nio cient&iacute;fico. Onde o consenso se quebra &eacute;, seguramente, no entendimento do que significa - internacionaliza&ccedil;&atilde;o. Na pr&aacute;tica dominante na FCT, a internacionaliza&ccedil;&atilde;o est&aacute; associada a dois aspectos: (i) publicar em revistas em l&iacute;ngua inglesa e (ii) direcionar as redes para os pa&iacute;ses do Norte, sobretudo do espa&ccedil;o anglo-americano.</P >     <P   align="justify" >Importa questionar esse entendimento de <I>internacionaliza&ccedil;&atilde;o</I><B>,    </B>lembrando que Portugal tem uma vantagem competitiva que, pelo menos no campo    das Ci&ecirc;ncias Sociais e Humanas, onde se incluem as Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o,    n&atilde;o pode desperdi&ccedil;ar: &eacute; um pa&iacute;s do Sul do Norte,    com um largo passado de mesti&ccedil;agem cultural, com uma l&iacute;ngua falada    em v&aacute;rios continentes por mais de 200 milh&otilde;es de pessoas, que    lhe permite uma proximidade e uma facilidade de di&aacute;logo tanto com o Norte    como com o Sul emergente<Sup><a href="#1">1</a></Sup><a name="top1"></a>. </P >     <P   align="justify" >Esta &eacute; uma dimens&atilde;o do processo de internacionaliza&ccedil;&atilde;o totalmente ausente do processo de avalia&ccedil;&atilde;o das UI&amp;D recentemente terminado. Veja-se, em primeiro lugar, a composi&ccedil;&atilde;o das equipas de avalia&ccedil;&atilde;o, onde os investigadores do Sul estiveram quase totalmente ausentes; em segundo lugar, os crit&eacute;rios (na generalidade, n&atilde;o expl&iacute;citos) utilizados; e, por &uacute;ltimo, alguns coment&aacute;rios de avaliadores que ignoram praticamente tudo o que est&aacute; para al&eacute;m do publicado em l&iacute;ngua inglesa.</P >    <P   align="justify" >A pr&aacute;tica da Revista Lus&oacute;fona de Educa&ccedil;&atilde;o (e do CeiEF que a edita) passa por uma estrat&eacute;gia de internacionaliza&ccedil;&atilde;o para a investiga&ccedil;&atilde;o em Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o que valoriza os diferentes espa&ccedil;os lingu&iacute;stico-culturais, e n&atilde;o apenas o anglo-americano. Pode-se afirmar que as Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o em Portugal devem, em grande medida, o seu nascimento ao Espa&ccedil;o da L&iacute;ngua Francesa. A constru&ccedil;&atilde;o do Espa&ccedil;o Iberoamericano e do Espa&ccedil;o Lus&oacute;fono, ou Luso-Afro-Brasileiro, devem constituir prioridades nas pol&iacute;ticas de investiga&ccedil;&atilde;o da &Aacute;rea das Ci&ecirc;ncias e Pol&iacute;ticas de Educa&ccedil;&atilde;o (&eacute; assim que a FCT designa a &aacute;rea), que devem ter express&atilde;o em todos os planos de atividade, incluindo o da avalia&ccedil;&atilde;o externa das UI&amp;D.</P >    <P   align="justify" ><B>2. </B>O sum&aacute;rio da Revista, que agora se apresenta, &eacute; disso exemplo: nos dez artigos publicados, um &eacute; proveniente do Canad&aacute;, outro de Fran&ccedil;a, tr&ecirc;s s&atilde;o de investigadores do Brasil, dois v&ecirc;m de Espanha e tr&ecirc;s de Portugal. </P >    <P   align="justify" >No primeiro artigo, <I>a aplica&ccedil;&atilde;o da etnografia cr&iacute;tica nas rela&ccedil;&otilde;es de pode</I>r, Diane G&eacute;rin-Lajoie demonstra, de forma cr&iacute;tica e problematizante, o modo como a abordagem etnogr&aacute;fica, sobretudo a etnografia cr&iacute;tica, permite um exame mais aprofundado das pr&aacute;ticas sociais existentes. O m&eacute;todo etnogr&aacute;fico, herdado da antropologia cultural, traz consigo as marcas que o destacaram como meio de abordar, a partir do interior, os fen&oacute;menos culturais, alheios ao mundo ocidental. O interacionismo simb&oacute;lico (Escola de Chicago) considerou que este tipo de abordagem permitiria uma compreens&atilde;o profunda dos fen&oacute;menos sociais, tais como a imigra&ccedil;&atilde;o, a delinqu&ecirc;ncia juvenil ou a prostitui&ccedil;&atilde;o. A partir de dois estudos etnogr&aacute;ficos sobre as minorias lingu&iacute;sticas no Canad&aacute;, dos franc&oacute;fonos que vivem fora do Quebeque e dos angl&oacute;fonos no Quebeque, a autora demonstra que a abordagem etnogr&aacute;fica permite, a partir de crit&eacute;rios metodol&oacute;gicos n&atilde;o-positivistas, uma compreens&atilde;o mais aprofundada de culturas e pr&aacute;ticas sociais minorit&aacute;rias tal como das diferentes rela&ccedil;&otilde;es de poder que as configuram.</P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >O segundo artigo, <I>as situa&ccedil;&otilde;es de defici&ecirc;ncia no processo de escolariza&ccedil;&atilde;o: quais </I><I>os grandes desafios na Europa?, </I>de autoria de Charles Gardou, incide sobre as situa&ccedil;&otilde;es que continuam a penalizar, pela discrimina&ccedil;&atilde;o, as crian&ccedil;as portadoras de defici&ecirc;ncia. O autor manifesta-se contra todos os discursos e pr&aacute;ticas moralizantes que acabam por negar a essas crian&ccedil;as o mais elementar direito, isto &eacute;, o direito de aprender entre os seus pares, e o de p&ocirc;r em comum, como toda a crian&ccedil;a, a sua experi&ecirc;ncia humana, irredut&iacute;vel a nenhuma outra. Cada momento de reflex&atilde;o do autor &eacute; guiado pela ideia de <B>continuum </B>&agrave; qual est&aacute; associada uma proposta concreta que n&atilde;o penalize os mais fr&aacute;geis, mas, pelo contr&aacute;rio, contribua para a diminui&ccedil;&atilde;o das m&uacute;ltiplas formas de viol&ecirc;ncia social a que t&ecirc;m estado submetidos os mais desfavorecidos.</P >    <P   align="justify" ><I>Educa&ccedil;&atilde;o, qualifica&ccedil;&atilde;o, trabalho e pol&iacute;ticas p&uacute;blicas: campos em disputa, </I>de Em&iacute;lia Prestes &amp; Roberto V&eacute;ras &eacute; o terceiro artigo. Tendo em considera&ccedil;&atilde;o os debates internacionais e as exig&ecirc;ncias do mercado globalizado, torna-se, cada vez mais pertinente, a reflex&atilde;o e discuss&atilde;o alargada sobre as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas incrementadas na &aacute;rea da educa&ccedil;&atilde;o. A partir de uma revis&atilde;o da literatura que contempla uma diversidade de refer&ecirc;ncias, os autores comentam as pol&iacute;ticas de educa&ccedil;&atilde;o e qualifica&ccedil;&atilde;o  implementadas no Brasil, desde os anos 1950, detendo-se, especificamente, no momento atual. As transforma&ccedil;&otilde;es ocorridas no mundo do trabalho e<B> </B>a substitui&ccedil;&atilde;o da regula&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica das rela&ccedil;&otilde;es de trabalho por uma regula&ccedil;&atilde;o privada exigem a redefini&ccedil;&atilde;o e revis&atilde;o das pol&iacute;ticas de educa&ccedil;&atilde;o e de qualifica&ccedil;&atilde;o do trabalhador de acordo com as recomenda&ccedil;&otilde;es da Organiza&ccedil;&atilde;o Internacional do Trabalho (OIT) que prop&otilde;e que os pa&iacute;ses membros criem um <I>marco nacional </I><I>de qualifica&ccedil;&atilde;o,</I> que contemple a aprendizagem permanente, de modo a orientar as pessoas nas suas op&ccedil;&otilde;es de forma&ccedil;&atilde;o e de trajet&oacute;ria profissional, ao mesmo tempo que possibilite &agrave;s empresas e &agrave;s ag&ecirc;ncias de emprego a concilia&ccedil;&atilde;o entre a procura e a oferta de compet&ecirc;ncias. Nesta perspectiva, afirmam os autores, a qualifica&ccedil;&atilde;o deve afirmar-se como um direito e como pol&iacute;tica p&uacute;blica. </P >    <P   align="justify" >No quarto artigo, metaforicamente denominado <I>Os sete pecados da governa&ccedil;&atilde;o </I><I>global. Paulo Freire e a reinven&ccedil;&atilde;o das possibilidades de uma pedagogia democr&aacute;tica e </I><I>emancipat&oacute;ria da educa&ccedil;&atilde;o</I>, Madalena Mendes faz uma an&aacute;lise da emerg&ecirc;ncia dos modos de governa&ccedil;&atilde;o e de regula&ccedil;&atilde;o do campo educativo, em contraponto &agrave;s l&oacute;gicas hegem&oacute;nicas de governa&ccedil;&atilde;o global, partindo de perspectivas cr&iacute;ticas e do sistema mundial moderno. A autora mobiliza diversas contribui&ccedil;&otilde;es epistemol&oacute;gicas, tal como os princ&iacute;pios fundamentais do ide&aacute;rio &eacute;tico-pedag&oacute;gico de Paulo Freire e reflete sobre os principais contributos da pedagogia freiriana para a recontextualiza&ccedil;&atilde;o dos paradigmas educativos tradicionais. Numa &eacute;poca de reconstru&ccedil;&otilde;es paradigm&aacute;ticas, o artigo de Madalena Mendes permite-nos invocar uma bela e significativa express&atilde;o de Mia Couto (2009) no sentido de destruir o preconceito de que &laquo;para sermos modernos &eacute; preciso imitar os outros&raquo; (p.45).</P >    <P   align="justify" >O quinto artigo, de Leonor Lima Torres e Jos&eacute; A. Palhares, <I>Estilos de lideran&ccedil;a </I><I>e escola democr&aacute;tica</I>, parte de uma an&aacute;lise cr&iacute;tica dos Relat&oacute;rios de Avalia&ccedil;&atilde;o Externa das Escolas e elege como objetivo central a discuss&atilde;o dos significados atribu&iacute;dos a uma &ldquo;boa lideran&ccedil;a&rdquo;, a uma &ldquo;boa organiza&ccedil;&atilde;o e administra&ccedil;&atilde;o escolar&rdquo; e &agrave; sua eventual rela&ccedil;&atilde;o com os resultados escolares. A partir do estudo emp&iacute;rico realizado em diferentes escolas, pretendem compreender as tens&otilde;es que o referido processo avaliativo comporta no plano das configura&ccedil;&otilde;es e das pr&aacute;ticas organizacionais. Os autores colocam uma interroga&ccedil;&atilde;o: n&atilde;o constituir&aacute; este processo uma esp&eacute;cie de &ldquo;missionarismo gestion&aacute;rio&rdquo;, que subverte as l&oacute;gicas de decis&atilde;o aut&oacute;noma e democr&aacute;tica das escolas?</P >    <P   align="justify" >Maria Aparecida Craveiro Costa, Ana Paula T&aacute;vora da Silva e Carina Pessoa Santos, no sexto artigo, <I>Midia e interven&ccedil;&atilde;o psicossocial nas comunidades: em busca de </I><I>novas possibilidades</I>, refletem sobre as possibilidades de utiliza&ccedil;&atilde;o dos media como instrumentos de interven&ccedil;&atilde;o psicossocial, tendo em considera&ccedil;&atilde;o o desenvolvimento do esp&iacute;rito cr&iacute;tico e da autonomia nas e das comunidades. A partir de uma perspectiva s&oacute;cio-hist&oacute;rica e de algumas experi&ecirc;ncias realizadas em comunidades do Sul do Brasil, as autoras defendem a tese de que uma interven&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria interdisciplinar permite a cria&ccedil;&atilde;o de uma comunica&ccedil;&atilde;o alternativa, atrav&eacute;s da cria&ccedil;&atilde;o de jornais comunit&aacute;rios que, por sua vez, possibilitam uma diferen&ccedil;a de atitudes e de comportamentos em rela&ccedil;&atilde;o aos meios de comunica&ccedil;&atilde;o social. Indiscutivelmente, os meios de comunica&ccedil;&atilde;o medi&aacute;ticos exercem um poder e fasc&iacute;nio na vida das pessoas, prendendo a sua aten&ccedil;&atilde;o e norteando os seus comportamentos e opini&otilde;es. Este poder, muitas vezes alienante, acentua as desigualdades e a exclus&atilde;o social contribuindo para a sua legitima&ccedil;&atilde;o. As experi&ecirc;ncias realizadas mostram que &eacute; poss&iacute;vel transformar os meios de comunica&ccedil;&atilde;o em instrumentos de interven&ccedil;&atilde;o social pelo <FONT color="#211E1F">incentivo &agrave; participa&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria no planeamento de a&ccedil;&otilde;es, na defini&ccedil;&atilde;o e aplica&ccedil;&atilde;o de recursos comunit&aacute;rios e que, a partir destas estrat&eacute;gias, pode desenvolver-se, nas comunidades, a consci&ecirc;ncia da sua identida<FONT color="#211E1F">de s&oacute;cio-cultural, o esp&iacute;rito cr&iacute;tico e a autonomia.</P >    <P   align="justify" >Thais N&iacute;via de Lima e Fonseca, no s&eacute;timo artigo, apresenta um balan&ccedil;o e perspectivas da <I>Historiografia da educa&ccedil;&atilde;o na Am&eacute;rica Portuguesa.</I> Discute as caracter&iacute;sticas da produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica sobre esse per&iacute;odo, as abordagens predominantes e as respectivas matrizes explicativas. A autora conclui que a educa&ccedil;&atilde;o no per&iacute;odo colonial ocupa um lugar secund&aacute;rio na historiografia, a n&atilde;o ser a exist&ecirc;ncia de alguns estudos sobre a hist&oacute;ria dos livros e da leitura, mas que n&atilde;o consideram a educa&ccedil;&atilde;o como objeto central. A partir de alguns pressupostos te&oacute;rico-metodol&oacute;gicos utilizados noutros dom&iacute;nios da pesquisa hist&oacute;rica sobre o per&iacute;odo colonial, a autora discute algumas possibilidades de investiga&ccedil;&atilde;o a partir do encontro entre uma educa&ccedil;&atilde;o escolar do modelo europeu e as refer&ecirc;ncias culturais de outras origens em diversas partes da Am&eacute;rica portuguesa, o que implica a diversifica&ccedil;&atilde;o das fontes de pesquisa e, sobretudo, a possibilidade de acesso aos principais arquivos deposit&aacute;rios de fontes do per&iacute;odo colonial.</P >    <P   align="justify" >No oitavo artigo, <I>An&aacute;lise descritiva da afetividade nos professores em forma&ccedil;&atilde;o na </I><I>Faculdade de Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade de Granada,</I> Jos&eacute; Alvarez Rodriguez e Manuel Fern&aacute;ndez Cruz, discutem a import&acirc;ncia dos valores da afetividade na forma&ccedil;&atilde;o de professores. A partir da discuss&atilde;o te&oacute;rica do conceito de afetividade, abordado pela Psicologia, Psiquiatria e Filosofia, e de um estudo longitudinal realizado com 945 inquiridos, ao longo de tr&ecirc;s anos consecutivos, o trabalho realizado pelos autores centra-se no estudo da categoria de <FONT color="#211E1F">valores afectivos, mais especificamente, nos voc&aacute;bulos &ldquo;afectividade&rdquo;, &ldquo;amar&rdquo;, &ldquo;felicidade&rdquo;, &ldquo;sentimento&rdquo; e &ldquo;emo&ccedil;&atilde;o&rdquo;, identificando o n&uacute;mero de sujeitos que responderam a cada um dos valores que comp&otilde;em este grupo, m&iacute;nimo e m&aacute;ximo das pontua&ccedil;&otilde;es obtidas, a m&eacute;dia de cada valor, assim como o seu desvio t&iacute;pico. A aten&ccedil;&atilde;o aos valores afectivos, dentro da forma&ccedil;&atilde;o inicial dos professores, &eacute; necess&aacute;ria por estes serem determinantes do comportamento do ser humano; os sentimentos e as emo&ccedil;&otilde;es acabam por fazer parte dos elementos curriculares e, como tal, devem receber um tratamento espec&iacute;fico dentro do processo de ensino-aprendizagem. As conclus&otilde;es do estudo revelam que os valores afectivos s&atilde;o um elemento catalizador <FONT color="#211E1F">e intensifica<FONT color="#211E1F">dor dos interesses dos alunos por qualquer processo educativo de conhecimento. Os autores concluem o seu artigo salientando a necessidade de se conseguir o reconhecimento da import&acirc;ncia da forma&ccedil;&atilde;o afectiva, n&atilde;o s&oacute; no &acirc;mbito familiar, mas tamb&eacute;m no curricular, com vista a conseguir que se supere a prolifera&ccedil;&atilde;o do intelectual e se consolide a forma&ccedil;&atilde;o da afectividade com um sentido verdadeiramente human&iacute;stico. O estudo efetuado revela, ainda, que os futuros profissionais da Educa&ccedil;&atilde;o, em termos gerais, consideram que a felicidade, o amor, a afetividade, a emo&ccedil;&atilde;o e os sentimentos devem impregnar todos os processos relacionados com a aprendizagem e a forma&ccedil;&atilde;o daqueles que v&atilde;o educar no futuro.</P >    <P   align="justify" ><I>As tecnologias da informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o como recursos no ensino secund&aacute;rio: um </I><I>estudo de caso, </I>de Maria Carmen Ricoy e Maria Jo&atilde;o V. S. Couto constitui o nono artigo. Nele se discutem as condi&ccedil;&otilde;es de acesso dos alunos &agrave;s novas tecnologias como instrumentos mediadores da aprendizagem, sobretudo no dom&iacute;nio da matem&aacute;tica. O estudo apresentado resulta da aplica&ccedil;&atilde;o de um inqu&eacute;rito a alunos do 10&ordm; e 11&ordm; anos de uma Escola Secund&aacute;ria do Norte de Portugal. As autoras concluem que os alunos, de um modo geral, n&atilde;o est&atilde;o desmotivados para os assuntos escolares e que atribuem grande import&acirc;ncia &agrave; matem&aacute;tica na sua forma&ccedil;&atilde;o. As novas tecnologias de informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o representam elementos motivadores no processo de ensino aprendizagem. Todavia, referem as autoras, apesar do contexto digital proporcionar autonomia aos seus usu&aacute;rios, &eacute; necess&aacute;rio que a media&ccedil;&atilde;o parta do professor no sentido de gerir as intera&ccedil;&otilde;es.</P >    <P   align="justify" >O d&eacute;cimo e &uacute;ltimo artigo, <I>O acolhimento familiar numa perspectiva ecol&oacute;gico-</I><I>social, </I>de Paulo Delgado, desvela as potencialidades do modelo ecol&oacute;gico-social de Bronfenbrenner para uma melhor compreens&atilde;o do desenvolvimento humano, sobretudo no que diz respeito ao acolhimento familiar. As transi&ccedil;&otilde;es que ocorrem na vida da crian&ccedil;a acolhida, despojada da fam&iacute;lia origin&aacute;ria pela separa&ccedil;&atilde;o dos pais e desenraizamento do seu contexto, implicam uma orienta&ccedil;&atilde;o e interven&ccedil;&atilde;o de modo a prevenir os riscos e a promover a integra&ccedil;&atilde;o e o desenvolvimento das crian&ccedil;as. O modelo ecol&oacute;gico-social de Bronfenbrenner pode ser utilizado na an&aacute;lise de situa&ccedil;&otilde;es de maus tratos que vitimam uma crian&ccedil;a e, a partir dele, construir um plano de interven&ccedil;&atilde;o que abarque a complexidade, refutando as respostas simples e imediatas.</P >    <P   align="justify" >A sec&ccedil;&atilde;o <I>Recens&atilde;o</I> &eacute; constitu&iacute;da por uma recens&atilde;o cr&iacute;tica<FONT color="#000000">, de Anabela Mota Fran&ccedil;a, pretende apresentar aos leitores a obra de Steve Stoer e A. Magalh&atilde;es (2005), <I>A diferen&ccedil;a somos n&oacute;s - a gest&atilde;o da mudan&ccedil;a social e as pol&iacute;ticas educativas </I><I>e sociais.</I></P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >Como habitualmente, apresentam-se, na sec&ccedil;&atilde;o <I>S&iacute;tios Digitais</I>, os percursos inform&aacute;ticos que podem contribuir para viagens proveitosas no &acirc;mbito da investiga&ccedil;&atilde;o e atualiza&ccedil;&atilde;o cient&iacute;ficas. Na sec&ccedil;&atilde;o <I>Not&iacute;cias</I> d&aacute;-se conta de parte da actividade cient&iacute;fica da UID-OPECE, agora Centro de Estudos e Interven&ccedil;&atilde;o em Educa&ccedil;&atilde;o e Forma&ccedil;&atilde;o (CeiEF). Obedecendo a uma das linhas da pol&iacute;tica editorial da Revista Lus&oacute;fona de Educa&ccedil;&atilde;o publicam-se os resumos e <I>abstracts</I> da &uacute;ltima tese de doutoramento e de algumas das disserta&ccedil;&otilde;es de mestrado defendidas nas &aacute;reas da educa&ccedil;&atilde;o e educa&ccedil;&atilde;o especial, dom&iacute;nio cognitivo e motor. Finalmente, os leitores ter&atilde;o acesso aos <I>abstracts</I> dos artigos publicados nesta edi&ccedil;&atilde;o, sec&ccedil;&atilde;o fundamental para a visibilidade da Revista a n&iacute;vel internacional.</P >     <P align="right"    ><B>Ant&oacute;nio Teodoro &amp; Manuel Tavares</B></P >     <P align="right"    >Lisboa, Novembro de 2009</P >     <P   align="justify" ><B>Nota</b></P >     <P   align="justify" ><Sup><a href="#top1">1</a></Sup><a name="1"></a> Utiliza-se esta met&aacute;fora    para distinguir as regi&otilde;es onde se produz poder (e conhecimento). Por    Norte entende-se o espa&ccedil;o dos pa&iacute;ses centrais, hegem&oacute;nicos    no sistema-mundo capitalista. Por Sul, os pa&iacute;ses e regi&otilde;es subalternos,    onde o sofrimento e a depend&ecirc;ncia prevalecem.</P >     <P   align="justify" >&nbsp;</P >     <P   align="justify" ><B>Refer&ecirc;ncia</b></P >     <P   align="justify" >Couto, M. (2009) <I>E se Obama fosse africano? Interinven&ccedil;&otilde;es</I>.    Lisboa: Editorial Caminho.</P >     <P   align="justify" >&nbsp;</P >     </body> </HTML>     ]]></body>
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