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<journal-title><![CDATA[Revista Lusófona de Educação]]></journal-title>
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<publisher-name><![CDATA[Centro de Estudos e Intervenção em Educação e Formação (CeiEF)Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[As situações de deficiência no processo de escolarização: quais os grandes desafios da Europa?]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The situations of disability in the schooling process: What major issues in Europe?]]></article-title>
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<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1645-72502009000200003&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S1645-72502009000200003&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S1645-72502009000200003&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Este texto inventaria os grandes desafios da escolarização dos alunos em situação de deficiência, em França e na Europa, nos domínios do direito, dos media, dos conceitos, das estruturas, dos meios de acompanhamento, dos percursos escolares, dos cursos universitários e da formação de professores. Em cada um dos campos, formula o problema e faz uma proposta de acção. O ponto comum de todas as propostas é apoiar-se na ideia de continuum de acção e de pensamento, em oposição à ruptura e fragmentação, para responder ao continuum de diversidade dos alunos ao qual a Escola, aqui e lá, tem hoje de responder.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper identifies the major issues, in France and Europe, on the education of students with disabilities in concerning law, media, concepts, structures, means of support, school curricula, university degree and teacher training. In each of these fields, the problem is formulated and the corresponding proposal for action is made. The common point in all proposals is based on the idea of a continuum of thought and action, as opposed to the breaking and fragmentation, in order to address the continuum of diversity of students to whom the school, here and there, now has to take a stand.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[  <HTML> <HEAD>  </HEAD>     <P   align="left" ><b>As situa&ccedil;&otilde;es de defici&ecirc;ncia no processo de escolariza&ccedil;&atilde;o:    quais os grandes desafios da Europa?</b></P >     <P align="left"   >Charles Gardou<a href="#1">*</a><a name="top1"></a> </P >     <P   >            </P >     <P   align="justify" >Este texto inventaria os grandes desafios da    escolariza&ccedil;&atilde;o dos alunos em    situa&ccedil;&atilde;o de defici&ecirc;ncia, em Fran&ccedil;a e na Europa, nos    dom&iacute;nios do direito, dos media, dos conceitos, das estruturas, dos meios    de acompanhamento, dos percursos escolares, dos cursos universit&aacute;rios    e da forma&ccedil;&atilde;o de professores. Em cada um dos campos, formula o    problema e faz uma proposta de ac&ccedil;&atilde;o. O ponto comum de todas as    propostas &eacute; apoiar-se na ideia de continuum de ac&ccedil;&atilde;o e    de pensamento, em oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; ruptura e fragmenta&ccedil;&atilde;o,    para responder ao continuum de diversidade dos alunos ao qual a Escola, aqui    e l&aacute;, tem hoje de responder.</P >     <P   align="left" ><B>Palavras-chave: </b>Necessidades educativas especiais; continuum; escola inclusiva;    forma&ccedil;&atilde;o de professores; situa&ccedil;&otilde;es de defici&ecirc;ncia.</P >     <P   align="left" >&nbsp;</P >     <P   align="left" ><b>The situations of disability in the schooling process: What major issues    in Europe?</b></P >     <P   align="left" >This paper identifies the major issues, in France and Europe, on the education    of students with disabilities in concerning law, media, concepts, structures,    means of support, school curricula, university degree and teacher training.    In each of these fields, the problem is formulated and the corresponding proposal    for action is made. The common point in all proposals is based on the idea of    a continuum of thought and action, as opposed to the breaking and fragmentation,    in order to address the continuum of diversity of students to whom the school,    here and there, now has to take a stand.</P >     <p><b>Keywords</b>: Special Educational Needs, Continuum, Inclusive    School, Teacher Training. Disability </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p></p>     <P   align="right" >&nbsp;</P >     <P   align="justify" >A divisa da Uni&atilde;o, <I>Invarietate concordia (&laquo;unidos na diversidade&raquo;)</I>,    escolhida pelos jovens europeus, est&aacute; no centro das interroga&ccedil;&otilde;es    que orientam o nosso prop&oacute;sito<Sup><a href="#2">1</a><a name="top2" id="top2"></a></Sup>.<Sup><I>    </I></Sup>Em mat&eacute;ria de escolariza&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as    em situa&ccedil;&atilde;o de defici&ecirc;ncia, qual &eacute; urdidura da tape&ccedil;aria    que comp&otilde;e os nossos vinte e sete pa&iacute;ses, trabalhados de dentro    ou de fora pela multiplicidade do mundo que os envolve?</P >     <P   align="justify" >Sob a diversidade das cores, qual &eacute; a parte que os une, qual &eacute;    a orienta&ccedil;&atilde;o comum? Que motivos originais cada um deles lhe imprime,    tendo em conta as suas ra&iacute;zes hist&oacute;ricas, a sua cultura, a sua    sensibilidade, os seus recursos<Sup><a href="#3">2</a></Sup><a name="top3"></a>?    Que propor em conjunto para tornar efectivos o direito de todos &agrave; escola    e, correlativamente, os princ&iacute;pios da n&atilde;o-discrimina&ccedil;&atilde;o    e da participa&ccedil;&atilde;o social que a Europa<Sup><a href="#4">3</a></Sup><a name="top4"></a>    consagrou?</P >     <P   align="justify" >Uma escola que foi constru&iacute;da com um fundo comum de princ&iacute;pios,    com uma &laquo;inquietude&raquo; fundamental: &eacute; obrigat&oacute;ria porque    &eacute; indispens&aacute;vel, deveria estar dispon&iacute;vel para todos porque    est&aacute; acess&iacute;vel a cada um. Cada um dos momentos da nossa reflex&atilde;o,    guiada pela ideia de <B><I>continuum</I></B>&eacute; acompanhada de uma proposta    concreta, aberta ao debate, tendo em conta a variabilidade dos pontos de vista    e do modo como s&atilde;o &laquo;agarrados&raquo;. N&atilde;o desejamos, com    efeito, nem esconder a realidade das situa&ccedil;&otilde;es muito diferentes,    nem cair num europe&iacute;smo m&iacute;ope, nem tampouco ocultar o princ&iacute;pio    da subsidiariedade<Sup><a href="#5">4</a><a name="top5"></a></Sup>.</P >     <P   align="justify" >&nbsp;</P >     <P   ><B>Desipotecar o direito &agrave; escola, instaurar um <I>continuum</I> no direito comum </B> </P >     <P   align="justify" >Qualquer que seja a diversidade das suas organiza&ccedil;&otilde;es sociais,    das suas vinte e tr&ecirc;s l&iacute;nguas oficiais e de tr&ecirc;s alfabetos<Sup><a href="#6">5</a><a name="top6"></a></Sup>,    os nossos pa&iacute;ses reconhecem, unanimemente, que a Escola &eacute; o patrim&oacute;nio    de todos, n&atilde;o a propriedade privada ou o privil&eacute;gio exclusivo    de alguns. Que nada justifica dela privar certas crian&ccedil;as, de os penalizar    por causa da sua defici&ecirc;ncia. Devem, pelo contr&aacute;rio, usufruir do    direito de viver e de ser escolarizadas com as crian&ccedil;as da sua idade,    beneficiando, para isso, de ajudas compensat&oacute;rias. Ora, se o acesso &agrave;s    aprendizagens encontra entraves pelas suas pr&oacute;prias dificuldades, &eacute;    igualmente, para uma parte importante, pela insufici&ecirc;ncia ou aus&ecirc;ncia    de respostas ajustadas &agrave;s suas necessidades. Muitas vezes, tamb&eacute;m,    por falta de acessibilidade tanto do meio f&iacute;sico como dos suportes n&atilde;o    materiais<Sup><a href="#7">6</a><a name="top7"></a></Sup>. Por uma ruptura do    <I>continuum</I> na cadeia de acesso &agrave; Escola e ao saber que esta tem    como miss&atilde;o de transmitir. Assinalemos contudo que n&atilde;o nos podemos    manter na escola de base. Ter um verdadeiro lugar nas sociedades reclama muito    mais, como lembra a OCDE, para al&eacute;m das aprendizagens fundamentais &eacute;    necess&aacute;rio exigir, para cada um, o n&iacute;vel mais elevado que possa    atingir. Uma tenta&ccedil;&atilde;o persiste: a de colocar estes alunos especiais    em lugares especiais sob a responsabilidade de especialistas. Tais coloca&ccedil;&otilde;es    ao lado do processo de escolariza&ccedil;&atilde;o, para a maior parte arbitr&aacute;rias,    n&atilde;o representam sen&atilde;o desigualdades de tratamento. Mais: formas    de maus-tratos, de viol&ecirc;ncias suscept&iacute;veis de gerar outras. Quando    a Escola penaliza os mais fr&aacute;geis, a viol&ecirc;ncia social cresce.</P >     <P   align="justify" >Em Fran&ccedil;a, a lei &laquo;para a igualdade dos direitos e das oportunidades,    a participa&ccedil;&atilde;o e a cidadania das pessoas deficientes&raquo;, adoptada    em Fran&ccedil;a a 11 de Fevereiro de 2005, decreta o direito &agrave; escolariza&ccedil;&atilde;o    para as crian&ccedil;as em situa&ccedil;&atilde;o de defici&ecirc;ncia, reconhecendo    o seu estatuto de alunos. Ela atribui &agrave; Educa&ccedil;&atilde;o nacional    uma plena responsabilidade<Sup><a href="#8">7</a><a name="top8"></a></Sup> nesta    mat&eacute;ria. Assim, de acordo com as conven&ccedil;&otilde;es, cartas e tratados    europeus ou internacionais<Sup><a href="#9">8</a><a name="top9"></a></Sup>,    todos os Estados-membros s&atilde;o chamados a intensificar os seus investimentos    humanos, materiais e formativos<Sup><a href="#10">9</a></Sup><a name="top10"></a>,    a fim de <B>despenalizar</B> a defici&ecirc;ncia e de <B>desipotecar</B>, de    maneira definitiva, o direito &agrave; escola. Parece indispens&aacute;vel que    daqui para a frente este direito comum, um direito da inf&acirc;ncia, contemplado    com as disposi&ccedil;&otilde;es apropriadas, encontre a sua tradu&ccedil;&atilde;o    em termos legais em todas as reformas da educa&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o    mais seja tratado como um problema exclusivo de certos alunos at&iacute;picos.    A educa&ccedil;&atilde;o inclusiva &eacute; a escola menos os privil&eacute;gios    e as barreiras.</P >     <P   align="center" ><B>Proposta&nbsp;1.</B> </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="center" >Instaurar um <I>continuum</I> no direito comum</P >     <P   align="justify" >Sistematicamente ter em conta a dimens&atilde;o da defici&ecirc;ncia, contemplada    com medidas compensat&oacute;rias, em todas as leis e pol&iacute;ticas do direito    comum, em vez de textos legislativos espec&iacute;ficos.</P >     <P   align="justify" >&nbsp;</P >     <P   align="justify" ><B>Desincrustrar o olhar, instalar um <I>continuum</I> na paisagem da crian&ccedil;a </B></P >     <P   align="justify" >Nos nossos respectivos pa&iacute;ses, constatamos como o processo de escolariza&ccedil;&atilde;o    se ancora ainda, em diferentes n&iacute;veis, em representa&ccedil;&otilde;es    arcaicas; quanto se fere com olhares cheios de incrusta&ccedil;&otilde;es, de    dep&oacute;sitos ancestrais. Os a priori s&oacute;cio-culturais continuam a    engendrar a desclassifica&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as em situa&ccedil;&atilde;o    de defici&ecirc;ncia. Num clima de concorr&ecirc;ncia e de palmar&eacute;s,    imaginamo-los inconcili&aacute;veis com a escola normal. Incompat&iacute;veis.    Duvidando da sua &laquo;produtividade escolar&raquo;, interrogamo-nos sobre    os benef&iacute;cios da sua presen&ccedil;a para os professores, os colegas,    os outros pais. A quest&atilde;o est&aacute; distorcida: n&atilde;o se trata    de saber o que eles trazem para a comunidade escolar ou fazer deles instrumentos    de uma terapia colectiva. A reflex&atilde;o perde-se em considera&ccedil;&otilde;es    moralizantes. Muito simplesmente, eles exercem o seu direito de aprender entre    os seus pares, trazendo, como toda a crian&ccedil;a, a sua experi&ecirc;ncia    humana, irredut&iacute;vel a nenhuma outra. In&uacute;til exagerar, prometer    mais! &Eacute; o conjunto destas experi&ecirc;ncias humanas e a sua confronta&ccedil;&atilde;o    no seio da escola que cont&eacute;m um valor educativo <I>per si</I>. &Eacute;    necess&aacute;rio precis&aacute;-lo, ali&aacute;s nenhum estudo revela que os    outros alunos sofreriam algum traumatismo afectivo ligado &agrave; sua presen&ccedil;a    ou seriam prejudicados no plano cognitivo. E se esse fosse o caso, a separa&ccedil;&atilde;o    n&atilde;o seria mesmo assim leg&iacute;tima, n&atilde;o mais do que o &eacute;    entre as classes sociais.</P >     <P   align="justify" >A deprecia&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as mais vulner&aacute;veis, ligada    aos preconceitos recorrentes e compar&aacute;vel ao que toca as minorias culturais,    tem consequ&ecirc;ncias incalcul&aacute;veis no plano educativo e social. &Eacute;    atrav&eacute;s de uma ac&ccedil;&atilde;o em profundidade na cultura, mobilizando    o conjunto dos cidad&atilde;os dos nossos pa&iacute;ses que conseguiremos depurar,    <B>desincrustrar</B> o olhar sobre a defici&ecirc;ncia. A televis&atilde;o,    suporte quase universal, pode aqui jogar um papel eminente. Sabe-se como, desde    a mais tenra idade, ela modela as representa&ccedil;&otilde;es colectivas determinantes    para a vida escolar e a vida adulta. A escola n&atilde;o &eacute; mais uma ilha    no seio das nossas sociedades: n&atilde;o pode sozinha fazer e remediar tudo.    &Eacute; verdade para as situa&ccedil;&otilde;es de defici&ecirc;ncia assim    como para o reconhecimento das minorias culturais. </P >     <P   align="center" ><B>Proposta&nbsp;2.</B></P >     <P   align="center" >Instalar um <I>continuum</I> na paisagem da crian&ccedil;a</P >     <P   align="justify" >Instaura&ccedil;&atilde;o de uma cl&aacute;usula para crian&ccedil;as, nas conven&ccedil;&otilde;es    com as cadeias privadas [de televis&atilde;o] e nos cadernos de encargos das    cadeias p&uacute;blicas, obrigando a abrir espa&ccedil;o &agrave;s situa&ccedil;&otilde;es    de defici&ecirc;ncia nos desenhos animados e emiss&otilde;es infantis.</P >     <P   align="justify" ><B>Desmedicalizar a abordagem, estabelecer um <I>continuum</I> conceptual </B></P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >Pouco a pouco, os nossos pa&iacute;ses t&ecirc;m tomado consci&ecirc;ncia de    que a funcionalidade n&atilde;o &eacute; devida exclusivamente &agrave; defici&ecirc;ncia    ou &agrave; pessoa em si-mesma, mas ao modo como a escola e a sociedade a consideram    e &agrave;s respostas que lhe s&atilde;o dadas. A abordagem m&eacute;dica, que    a reduzia a uma dimens&atilde;o pessoal resultante de uma doen&ccedil;a ou de    um acidente da vida, completa-se tomando em considera&ccedil;&atilde;o o meio    f&iacute;sico e social em que se insere: os facilitadores atenuam as consequ&ecirc;ncias    ou, pelo contr&aacute;rio, os obst&aacute;culos aumentam-nas. &Eacute; esta    abordagem renovada, resultante da <I>Classifica&ccedil;&atilde;o internacional    do funcionamento, da defici&ecirc;ncia e da sa&uacute;de, </I>adoptada em 2001,    que inspira a express&atilde;o &laquo;<I>situa&ccedil;&atilde;o de defici&ecirc;ncia</I>&raquo;,    de bom grado utilizada em Fran&ccedil;a. P&otilde;e-se em causa o lugar desmesurado,    qui&ccedil;&aacute;, exclusivo, acordado &agrave; patologia. No mesmo esp&iacute;rito,    a Escola tem tend&ecirc;ncia a separar-se do modelo da crian&ccedil;a saud&aacute;vel<Sup><a href="#11">10</a><a name="top11"></a></Sup>.    O voc&aacute;bulo comum &laquo;escolariza&ccedil;&atilde;o&raquo; vem substituir    o de &laquo;integra&ccedil;&atilde;o&raquo;, que conota a incorpora&ccedil;&atilde;o    de um elemento ex&oacute;geno, focalizando-se na socializa&ccedil;&atilde;o    em detrimento dos saberes escolares. A terminologia estigmatizadora deixa assim    lugar a palavras e no&ccedil;&otilde;es que se unem e reconciliam no movimento    geral, sem alienar a pessoa &agrave;s suas falhas. Provavelmente teremos tamb&eacute;m    de abandonar, num tempo mais ou menos pr&oacute;ximo, o termo &laquo;defici&ecirc;ncia&raquo;    que talvez fa&ccedil;a parte destes conceitos embotados, qui&ccedil;&aacute;    esgotados, que continuam a viver, fomentando confus&otilde;es e legitimando    certas exclus&otilde;es. Os conceitos mais comuns, mais universais, contribuem    para atenuar as separa&ccedil;&otilde;es e n&atilde;o apagam as singularidades.    Para que uma hist&oacute;ria comum possa ser escrita, para que a teia se construa,    as palavras que tomem de &laquo;assalto a fronteira&raquo;, para retomar as    palavras de Franz Kafka<Sup><a href="#12">11</a><a name="top12"></a></Sup>,    ele mesmo muito vulner&aacute;vel, devem substituir-se &agrave;s palavras fechadas,    &agrave;s palavras vulnerantes, como se diz das armas.</P >     <P   align="justify" >Nesta perspectiva, e como o fizeram alguns deles h&aacute; mais de um quarto    de s&eacute;culo<Sup><a href="#13">12</a><a name="top13"></a></Sup>, os pa&iacute;ses    europeus tendem a optar pelo conceito de necessidades educativas espec&iacute;ficas    (<I>special educational needs</I>). Utiliz&aacute;-lo-emos exclusivamente no    seguimento da nossa exposi&ccedil;&atilde;o. Numa abordagem mais aberta, a prioridade    vai para as respostas a dar a todo o aluno que tenha dificuldades de aprendizagem,    tempor&aacute;rias ou permanentes, quaisquer que sejam as causas e a intensidade.    H&aacute; uma mudan&ccedil;a de paradigma&nbsp;: a abordagem interessa-se com    as consequ&ecirc;ncias educativas de uma dificuldade, n&atilde;o com a patologia    ou com a &laquo;anormalidade&raquo;, sem negar a realidade das defici&ecirc;ncias.    Reconhece-se para cada crian&ccedil;a o direito a uma avalia&ccedil;&atilde;o    e a um percurso personalizados, que requeiram meios adaptados para prevenir    eventuais efeitos perversos: situa&ccedil;&otilde;es conflituais com as fam&iacute;lias    e a escola, desvios de normaliza&ccedil;&atilde;o, desencorajamento dos professores,    competi&ccedil;&atilde;o exacerbada entre as escolas, etc.<Sup><a href="#14">13</a><a name="top14"></a></Sup>.</P >     <P   align="justify" >N&atilde;o nos enganemos! N&atilde;o se trata nem de banalizar, nem de amalgamar situa&ccedil;&otilde;es desiguais, mas de <B>desmedicalizar </B>a abordagem, para dar lugar ao que se espera da Escola: uma caminhada pedag&oacute;gica ousada, em interac&ccedil;&atilde;o com uma equipa de profissionais, incluindo os m&eacute;dicos, &agrave; volta dos alunos.</P >    <P   align="center" ><B>Proposta 3. </B></P >    <P   align="center" >Estabelecer um <I>continuum</I> conceptual</P >     <P   align="justify" >Generaliza&ccedil;&atilde;o do recurso ao vocabul&aacute;rio comum e ao conceito    pedag&oacute;gico &laquo;necessidades educativas espec&iacute;ficas&raquo;,    em coer&ecirc;ncia com o direito universal &agrave; escola e com a implementa&ccedil;&atilde;o    de pr&aacute;ticas pedag&oacute;gicas de acordo com a diversidade dos alunos.</P >     <P   align="justify" ><B>Desconstruir as fronteiras, realizar um <I>continuum</I> entre as estruturas </B></P >     <P   align="justify" >Segundo o capricho das regulamenta&ccedil;&otilde;es, estruturas, procedimentos    de avalia&ccedil;&atilde;o ou modos de financiamento, as defini&ccedil;&otilde;es    e as categorias das necessidades educativas espec&iacute;ficas variam segundo    os Estados-membros<Sup><a href="#15">14</a><a name="top15"></a></Sup>. Tudo    isto seria para recolocar nos grandes avan&ccedil;os hist&oacute;ricos da Europa    onde, apesar dos atrasos observados, certos pa&iacute;ses realizaram importantes    progressos. Alguns apenas definiram um ou dois tipos e acolhem a quase totalidade    dos alunos na escola regular, apoiando-se em numerosos servi&ccedil;os que lhe    est&atilde;o ligados (<I>one-track approach</I>). Neste caso, a presen&ccedil;a    e o papel dos estabelecimentos especializados est&atilde;o reduzidos ao acolhimento    das crian&ccedil;as afectadas de defici&ecirc;ncias muito severas. Outros, entre    os quais a Fran&ccedil;a, repartem os recursos e os dispositivos segundo dois    sistemas&nbsp;: um regular, o outro especializado (<I>multi-track approach</I>).    Sendo assim, as suas legisla&ccedil;&otilde;es actuais levam-nos a s&oacute;    considerar a via especializada<Sup><a href="#16">15</a><a name="top16"></a></Sup>    se a outra n&atilde;o for realmente desej&aacute;vel. Enfim, em outros pa&iacute;ses,    onde existem dois sistemas distintos, os alunos com necessidades educativas    espec&iacute;ficas s&atilde;o habitualmente acolhidos nas escolas ou classes    especiais com programas diferentes (<I>two-track approach</I>). Mas estes pa&iacute;ses    evoluem igualmente para mais interac&ccedil;&otilde;es entre os dois sistemas.  </P >     <P   align="justify" >Apesar destas diferen&ccedil;as, desenha-se uma orienta&ccedil;&atilde;o comum:    todos t&ecirc;m como objectivo <B>fazer interagir </B>os sistemas, permeabiliz&aacute;-los,    conjug&aacute;-los. Consequentemente, os estabelecimentos especializados transformam-se,    em ritmos e em graus vari&aacute;veis, em centros de apoio &agrave; Escola.    Alguns fizeram esta mudan&ccedil;a desde os anos oitenta (1980). Por seu lado,    a Fran&ccedil;a preocupa-se actualmente em desenvolver uma coopera&ccedil;&atilde;o    real entre a Educa&ccedil;&atilde;o nacional e o sector m&eacute;dico-social,    que interagem pouco, s&atilde;o concorrentes ou efectuam mesmo recuos estrat&eacute;gicos<Sup><a href="#17">16</a><a name="top17"></a></Sup>.    Contudo, face a este movimento de fundo que excede as fronteiras, o sector m&eacute;dico-social,    dum lado, sente-se amea&ccedil;ado em termos de posi&ccedil;&atilde;o e de emprego,    de reconhecimento dos seus contributos e compet&ecirc;ncias espec&iacute;ficas.    Por outro, a Escola, que tem por tradi&ccedil;&atilde;o orientar os alunos com    necessidades educativas espec&iacute;ficas, acha irrealista a perspectiva de    uma reestrutura&ccedil;&atilde;o, de uma redistribui&ccedil;&atilde;o de pap&eacute;is    e de uma mudan&ccedil;a profunda da ordem estabelecida. </P >     <P   align="justify" >Qual &eacute; a aposta &agrave; sa&iacute;da de um tempo em que presidiu a l&oacute;gica    da formalidade, da dualidade de sistemas? &Eacute; <B>desconstruir</B> os <I>ghetos</I>,    as fronteiras r&iacute;gidas, <B>abrir</B> os territ&oacute;rios que se pensa    &laquo;impartilh&aacute;veis&raquo; porque muit&iacute;ssimo espec&iacute;ficos.    &Eacute; associar-se, completar-se, permutar compet&ecirc;ncias. Suscitar um    processo de fluxo, de troca. Formar em conjunto, pelo menos &agrave; volta de    um tronco comum. P&ocirc;r lugares e temporalidades em interac&ccedil;&atilde;o    com outros lugares e temporalidades. Elaborar uma cultura mesti&ccedil;a, misturada,    em sentido literal, feita com uma parte de uma subcultura e com uma parte de    uma outra<Sup><a href="#18">17</a></Sup><a name="top18"></a>. N&atilde;o uma    cultura comum, que podia conduzir a uma uniformiza&ccedil;&atilde;o, mas uma    cultura em comum. Uma cultura de la&ccedil;os, de passagens de circula&ccedil;&atilde;o.    N&atilde;o educa&ccedil;&atilde;o, depois reeduca&ccedil;&atilde;o. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="center" ><B>Proposta 4. </B></P >     <P   align="center" >Realizar um <I>continuum</I> entre as estruturas</P >     <P   align="justify" >Realiza&ccedil;&atilde;o de uma rede estreita entre a Escola e os estabelecimentos    especializados, vocacionados para se tornarem progressivamente, sob a responsabilidade    do servi&ccedil;o p&uacute;blico de educa&ccedil;&atilde;o, em centros de recursos,    de conhecimentos, de <I>expertise</I> ou de apoio &agrave; Escola e &agrave;    colectividade.</P >     <P   >&nbsp;</P >     <P   ><B>Descategorizar as respostas, assegurar um continuum entre avalia&ccedil;&atilde;o    e percurso personalizado </B></P >     <P   align="justify" >	</P >     <P   align="justify" >Entre as preocupa&ccedil;&otilde;es dos nossos pa&iacute;ses figura a da considera&ccedil;&atilde;o    pela singularidade do aluno, das suas necessidades, aspira&ccedil;&otilde;es    e projectos: estar atento para n&atilde;o o <B>despersonalizar</B>. N&atilde;o    podemos chegar a uma compensa&ccedil;&atilde;o, isto &eacute;, a uma redu&ccedil;&atilde;o    da desigualdade das crian&ccedil;as face aos saberes escolares, sem <B>descategorizar</B>    as respostas pedag&oacute;gicas. O cen&aacute;rio &uacute;nico para tal n&iacute;vel    ou tal categoria tem de ser substitu&iacute;do por um painel de cen&aacute;rios    evolutivos e multiformes<Sup><a href="#19">18</a><a name="top19"></a></Sup>,    as estrat&eacute;gias adaptadas e os planos pedag&oacute;gicos inclinados substitu&iacute;rem-se    aos m&eacute;todos e programas estandardizados. Isto, tendo o cuidado de conservar    o n&iacute;vel de exig&ecirc;ncia requerido e n&atilde;o tirar o aluno da classe    de perten&ccedil;a. </P >     <P   align="justify" >Tr&ecirc;s quest&otilde;es, entre muitas outras, s&atilde;o aqui consideradas.    A primeira diz respeito &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o do tempo escolar,    com poss&iacute;veis desvios e demasiada divis&atilde;o, e de redu&ccedil;&atilde;o    excessiva da presen&ccedil;a em sala de aula; p&ocirc;r em causa refer&ecirc;ncias    habituais de um curso escolar; a variabilidade dos ritmos de aprendizagem: a    maior lentid&atilde;o de uma crian&ccedil;a afectada de defici&ecirc;ncia mental,    a irregularidade de uma outra que sofre de autismo. A segunda quest&atilde;o    tem a ver com os meios e apoios para a transmiss&atilde;o dos saberes, cujo    conjunto precisa de se alargar, sem cessar: manuais escolares em braille; teclados    de computador, perif&eacute;ricos e programas adaptados<Sup><a href="#20">19</a><a name="top20"></a></Sup>;    ensino &agrave; dist&acirc;ncia, com eventual apoio pedag&oacute;gico no domic&iacute;lio,    etc. </P >     <P   align="justify" >Enfim, num n&uacute;mero crescente de pa&iacute;ses, interroga-se a avalia&ccedil;&atilde;o    de um aluno com necessidades educativas espec&iacute;ficas desde o jardim de    inf&acirc;ncia at&eacute; &agrave; entrada na forma&ccedil;&atilde;o profissional    ou no ensino superior. Tanto num como no outro, &eacute; vis&iacute;vel uma    falta enorme de saberes, de t&eacute;cnicas de trabalho, de metodologias: n&atilde;o    sabendo como conduzir a avalia&ccedil;&atilde;o, ou muito simplesmente avaliar,    principalmente nos casos que apresentam uma certa gravidade, declaram-se os    alunos n&atilde;o avali&aacute;veis, tanto a n&iacute;vel de diagn&oacute;stico    como a n&iacute;vel formativo ou sumativo. N&atilde;o se despende o tempo necess&aacute;rio    para ver as suas possibilidades. N&atilde;o pode, assim, haver pedagogia personalizada    sem uma avalia&ccedil;&atilde;o personalizada e constantemente actualizada.    Esta &eacute; indissoci&aacute;vel da coer&ecirc;ncia e da continuidade de um    percurso sempre revisto e reajustado, de acordo com as necessidades, suscept&iacute;vel    de aumentar com o tempo ou ao contr&aacute;rio reduzir-se. A marca de uma escola    inclusiva &eacute; a consci&ecirc;ncia que os professores t&ecirc;m da sua impossibilidade    de prever, de maneira fi&aacute;vel, o futuro de uma crian&ccedil;a (Como saber    precisamente o que acontecer&aacute;?); a recusa do determinismo e do fatalismo    (O que &eacute; permitido esperar?); a rejei&ccedil;&atilde;o de uma pseudo-omnipot&ecirc;ncia    do mestre que avalia e recusa faz&ecirc;-lo, ele mesmo ou os seus m&eacute;todos,    em nome da liberdade pedag&oacute;gica (Sou capaz de aceitar os limites do meu    pr&oacute;prio saber?). Uma escola inclusiva evita excessos de testes (como    no caso da hiperactividade), praticados com louv&aacute;veis inten&ccedil;&otilde;es    que podem acompanhar as novas nomenclaturas, o que denuncia severamente Mary    Warnock<Sup><a href="#21">20</a><a name="top21"></a></Sup>. </P >     <P   align="justify" >Por outro lado, a polariza&ccedil;&atilde;o sobre as inaptid&otilde;es de um aluno, directamente deduzidas de um diagn&oacute;stico m&eacute;dico, &eacute; descabida de sentido em pedagogia: destr&oacute;i o desejo de se p&ocirc;r em movimento, de se projectar; reduz a nada. Sempre as mesmas for&ccedil;as em ac&ccedil;&atilde;o: reduz-se a crian&ccedil;a a alguns elementos negativos. Um pouco como se numa aguarela s&oacute; v&iacute;ssemos as sombras; como se se isolassem, para as observar &agrave; parte, as pe&ccedil;as menos claras de um puzzle. </P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >&Eacute; por uma avalia&ccedil;&atilde;o atenta &agrave;s compet&ecirc;ncias    mesmo t&eacute;nues da crian&ccedil;a, &agrave;s suas emerg&ecirc;ncias, isto    &eacute; ao que, ainda aqu&eacute;m das compet&ecirc;ncias, est&aacute; embrion&aacute;rio,    que se evitar&aacute; o fen&oacute;meno do descr&eacute;dito quase end&eacute;mico,    de que s&atilde;o v&iacute;timas os que s&atilde;o considerados como sub-alunos    e que se conseguir&aacute; <B>desencarcerar</B> o seu futuro escolar. Como o    preconiza o relat&oacute;rio 2005-06 do <I>Comit&eacute; Educa&ccedil;&atilde;o    e Compet&ecirc;ncias</I><I> </I>da C&acirc;mara dos Comuns em Inglaterra<Sup><a href="#22">21</a><a name="top22"></a></Sup>,    onde o desmantelamento das institui&ccedil;&otilde;es ou escolas especializadas,    separadas est&aacute; em curso, trata-se de estabelecer um compromisso para    favorecer a excel&ecirc;ncia para todos os alunos.</P >     <P   align="center" ><B>Proposta 5.</B> </P >     <P   align="center" >Assegurar um continuum entre avalia&ccedil;&atilde;o e percurso personalizado.</P >     <P   align="justify" >Implementar, numa perspectiva de personaliza&ccedil;&atilde;o dos percursos,    um programa de forma&ccedil;&atilde;o, num primeiro tempo para formadores, para    avalia&ccedil;&atilde;o das necessidades educativas espec&iacute;ficas.</P >     <P   align="justify" >&nbsp;</P >     <P   align="justify" ><B>Distinguir as fun&ccedil;&otilde;es, garantir um continuum entre ensino e    acompanhamento</b></P >     <P   align="justify" >Cada um dos nossos pa&iacute;ses experimenta-o, se o sucesso de um percurso de    escolariza&ccedil;&atilde;o &eacute; fun&ccedil;&atilde;o das compet&ecirc;ncias    do professor, depende tamb&eacute;m de outros intervenientes educativos. Entretanto,    &eacute; necess&aacute;rio <B>distinguir</B> claramente a sua fun&ccedil;&atilde;o,    ambiguidades e desvios actuais. Por um lado, complementarmente ao professor    da classe, um professor especializado ou de apoio, profissional do ensino, pode    assegurar ac&ccedil;&otilde;es pedag&oacute;gicas, educativas ou reeducativas.    Por outro lado, como em Fran&ccedil;a, auxiliares da vida escolar, individuais    ou colectivos, asseguram, atrav&eacute;s de um acompanhamento, uma continuidade    entre a vida quotidiana, transportes e Escola, sem possuir necessariamente qualifica&ccedil;&atilde;o    pedag&oacute;gica. Assim, a presen&ccedil;a destes acompanhantes n&atilde;o    poderia de maneira nenhuma exonerar o professor da sua responsabilidade para    com os alunos. Eis um ponto primordial: no contexto de diversifica&ccedil;&atilde;o    dos percursos, &eacute; necess&aacute;rio contar, no seio da classe, com um    conjunto de apoios e adapta&ccedil;&otilde;es pedag&oacute;gicas. A qualidade    das respostas preconizadas &eacute; proporcional, pode dizer-se, ao sentimento    de responsabilidade. N&atilde;o somente uma responsabilidade moral, mas uma    responsabilidade profissional, n&atilde;o optativa, com uma obriga&ccedil;&atilde;o    de meios que sup&otilde;em &laquo;gestos pedag&oacute;gicos&raquo; observ&aacute;veis,    mensur&aacute;veis. O mundo m&eacute;dico n&atilde;o o aceitou&nbsp;? Vislumbra-se    que possam come&ccedil;ar a surgir alguns perigos: fazer da presen&ccedil;a    de um auxiliar da vida escolar um pr&eacute;-requisito sistem&aacute;tico para    a escolariza&ccedil;&atilde;o dos alunos com necessidades educativas espec&iacute;ficas;    delegar-lhe a inteira rsponsabilidade pedag&oacute;gica da crian&ccedil;a (processo    de sobrevaloriza&ccedil;&atilde;o); ao contr&aacute;rio, minorar o seu lugar    e o seu papel (processo de desvaloriza&ccedil;&atilde;o); fazer uma justaposi&ccedil;&atilde;o    de tarefas sem concerta&ccedil;&atilde;o, na clivagem das duas fun&ccedil;&otilde;es.</P >     <P   align="justify" >Ora, a verdadeira fun&ccedil;&atilde;o de um auxiliar consiste, em concerta&ccedil;&atilde;o com o professor, favorecer a autonomiza&ccedil;&atilde;o do aluno. Com este fim, compete-lhe contribuir para a acessibilidade das situa&ccedil;&otilde;es de aprendizagem, optimizando as suas condi&ccedil;&otilde;es materiais, t&eacute;cnicas e humanas: ajuda na escrita, acompanhamento fora dos tempos da classe, realiza&ccedil;&atilde;o de gestos t&eacute;cnicos que n&atilde;o exijam conhecimentos m&eacute;dicos ou param&eacute;dicos espec&iacute;ficos, etc.</P >     <P   align="justify" > Em Fran&ccedil;a, com vinte anos de exist&ecirc;ncia, no decurso dos quais o    n&uacute;mero de auxiliares n&atilde;o cessou de crescer<Sup><a href="#23">22</a><a name="top23"></a></Sup>,    esta fun&ccedil;&atilde;o merece ser expurgada da sua ambiguidade e precariedade.    Ser profissionalizada, estendendo-se para al&eacute;m do dom&iacute;nio escolar    e peri-escolar, para outra esferas da vida do aluno<Sup><a href="#24">23</a><a name="top24"></a></Sup>.  </P >     <P   align="center" ><B>Proposta 6. </B></P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="center" >Garantir um continuum entre professor e acompanhante</P >     <P   align="justify" >Estabelecimento de modelos e cria&ccedil;&atilde;o, no seio da profiss&atilde;o,    do acompanhamento da pessoa, um emprego evolutivo de &laquo;acompanhamento da    vida escolar, profissional e social&raquo;, apoiando-se em experi&ecirc;ncias    de pa&iacute;ses europeus e da experi&ecirc;ncia francesa.</P >     <P   align="justify" ><B>N&atilde;o fragmentar o itiner&aacute;rio do aluno, construir um <I>continuum </I>entre as suas etapas </B></P >     <P   align="justify" >Para prevenir os obst&aacute;culos e as rupturas, medimos por outro lado a necessidade    de <B>n&atilde;o fragmentar </B>as etapas e os dom&iacute;nios do itiner&aacute;rio    do aluno: vida familiar<Sup><a href="#25">24</a><a name="top25"></a></Sup>,    estruturas da primeira inf&acirc;ncia, escolaridade, forma&ccedil;&atilde;o    profissional, emprego, vida cultural, desportos e tempos livres, etc. Todavia,    mesmo no decurso do percurso escolar, a cadeia &eacute; quebrada. Os estudos    europeus mostram que o 1.&ordm; ciclo do ensino b&aacute;sico &eacute; em geral    bastante inclusivo, mas o que acontece depois&nbsp;? O 2&ordm; e 3&ordm; ciclos    do ensino b&aacute;sico e o ensino secund&aacute;rio<Sup><a href="#26">25</a></Sup><a name="top26"></a>    e a Universidade est&atilde;o globalmente marcados por uma cultura disciplinar    em detrimento de uma abertura &agrave;s necessidades educativas espec&iacute;ficas<Sup><a href="#27">26</a><a name="top27"></a></Sup>.</P >     <P   align="justify" >Nestes cursos, a organiza&ccedil;&atilde;o, a falta de meios necess&aacute;rios,    o fraccionamento disciplinar, os programas inapropriados para grupos heterog&eacute;neos,    a preponder&acirc;ncia de resultados, a descontinuidade da turma constituem    entraves e acentuam a separa&ccedil;&atilde;o entre os alunos com necessidades    educativas espec&iacute;ficas e os outros, aumentando o efeito de exclus&atilde;o<Sup><a href="#28">27</a><a name="top28"></a></Sup>.  </P >     <P   align="justify" >Para al&eacute;m do ensino secund&aacute;rio, coloca-se em toda a Europa o problema    do acesso ao ensino superior em termos de edif&iacute;cios<Sup><a href="#29">28</a><a name="top29"></a></Sup>,    servi&ccedil;os de acolhimento, acompanhamento e ajudas pedag&oacute;gicas e    t&eacute;cnicas, suportes aos exames e concursos, mobilidade no espa&ccedil;o    europeu. Um estudo realizado em 2003 pela OCDE<Sup><a href="#30">29</a></Sup><a name="top30"></a>    evidencia, entre outros obst&aacute;culos, a aus&ecirc;ncia de parcerias ou    de coopera&ccedil;&atilde;o entre os estabelecimentos do ensino superior e os    outros sectores da educa&ccedil;&atilde;o e, mesmo, uma falsa aproxima&ccedil;&atilde;o    aos estudantes com necessidades educativas espec&iacute;ficas. Presume-se que    s&atilde;o incapazes de seguir um ensino superior. Globalmente, e apesar do    quadro de ac&ccedil;&atilde;o j&aacute; estabelecido desde a Confer&ecirc;ncia    mundial de Salamanca<Sup><a href="#31">30</a><a name="top31"></a></Sup>, a fase    p&oacute;s-escolar revela-se insuficientemente preparada. Na aus&ecirc;ncia    de continuidade, aparenta uma ruptura para a popula&ccedil;&atilde;o que justifica    um acompanhamento elaborado. </P >     <P   align="justify" >Os entraves &agrave; socializa&ccedil;&atilde;o e &agrave; forma&ccedil;&atilde;o induzem naturalmente fen&oacute;menos de sub-qualifica&ccedil;&atilde;o e de inacessibilidade ao emprego. Assim, em Fran&ccedil;a, 83% das pessoas reconhecidas em situa&ccedil;&atilde;o de defici&ecirc;ncia t&ecirc;m um n&iacute;vel inferior ou igual a um certificado de estudos profissionais. N&atilde;o empreg&aacute;veis, pode dizer-se. Em consequ&ecirc;ncia, t&ecirc;m uma taxa de desemprego de 19%, quase tr&ecirc;s vezes superior &agrave; m&eacute;dia nacional. Um ter&ccedil;o deles vive no limiar da pobreza. A participa&ccedil;&atilde;o na vida da cidade, em todos os seus aspectos, decorre directamente da primeira educa&ccedil;&atilde;o, do percurso escolar e universit&aacute;rio, da forma&ccedil;&atilde;o. &Eacute; a chave para uma sociedade inclusiva.</P >    <P   align="center" ><B>Proposta&nbsp; 7.</B> </P >    <P   align="center" >Construir um <I>continuum</I> entre as etapas do itiner&aacute;rio do aluno</P >     <P   align="justify" >Obriga&ccedil;&atilde;o para toda a Escola e Universidade de integrar no seu    projecto de estabelecimento um programa de ajudas e de acompanhamento aos alunos    com necessidades espec&iacute;ficas.</P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" ><B>Desinsularizar a quest&atilde;o, elaborar um <I>continuum</I> entre a forma&ccedil;&atilde;o,    a investiga&ccedil;&atilde;o e o exerc&iacute;cio da profiss&atilde;o </B></P >     <P   align="justify" >Para al&eacute;m das disparidades de dura&ccedil;&atilde;o, de conte&uacute;dos    e de modalidades, emerge uma outra preocupa&ccedil;&atilde;o comum aos nossos    vinte e sete pa&iacute;ses: a da forma&ccedil;&atilde;o do pessoal do ensino,    do acompanhamento, de direc&ccedil;&atilde;o e de inspec&ccedil;&atilde;o de    todas as &aacute;reas e especialidades. Em alguns casos, exceptuando os &laquo;especializados&raquo;<Sup><a href="#32">31</a></Sup><a name="top32"></a>,    s&atilde;o objecto de uma incumb&ecirc;ncia paradoxal: pedem-lhes para contribuir    activamente para a escolariza&ccedil;&atilde;o dos alunos com necessidades educativas    espec&iacute;ficas, sem terem recebido uma forma&ccedil;&atilde;o concebida    e realizada para esse fim. Limitam-se a maior parte das vezes a sensibiliz&aacute;-los    ou a transmitir-lhes saberes generalistas, espartilhados, muitas vezes n&atilde;o    utiliz&aacute;veis, porque desligados dos saberes da pr&aacute;tica e do que    o exerc&iacute;cio da profiss&atilde;o exige no quotidiano. Imagina-se ainda    que a dimens&atilde;o pessoal, as qualidades humanas, as convic&ccedil;&otilde;es    ou a experi&ecirc;ncia s&atilde;o suficientes, negligenciando a dimens&atilde;o    funcional. Uma n&atilde;o poder&aacute; excluir a outra: h&aacute;, a&iacute;    tamb&eacute;m, necessidade de um <I>continuum</I>.</P >     <P   align="justify" >Esta imprepara&ccedil;&atilde;o provoca ao mesmo tempo medos irracionais, dificuldades de adapta&ccedil;&atilde;o did&aacute;ctica e pedag&oacute;gica, sentimentos de incompet&ecirc;ncia e fen&oacute;menos de enfraquecimento face aos obst&aacute;culos, entre os quais o n&uacute;mero de alunos muito elevado ou a falta de dispositivos de apoio, de materiais adaptados e de horas dedicadas ao acompanhamento. P&otilde;e em perigo o sucesso da escolariza&ccedil;&atilde;o, compromete a aplica&ccedil;&atilde;o das leis e trava a evolu&ccedil;&atilde;o da Escola. </P >     <P   align="justify" >Ningu&eacute;m deveria estar &agrave; frente de um estabelecimento sem ter forma&ccedil;&atilde;o    nesta &aacute;rea. Quem pode ignorar o efeito do l&iacute;der na implica&ccedil;&atilde;o    de uma equipa e na direc&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica? Falta de uma forma&ccedil;&atilde;o    sistematizada, de uma implica&ccedil;&atilde;o de todos, que n&atilde;o v&ecirc;    o risco que certos estabelecimentos, sob o impulso de um respons&aacute;vel    formado, competente e implicado, servem de recept&aacute;culos? Da mesma maneira,    ningu&eacute;m deveria assegurar a responsabilidade de uma classe, chamado naturalmente    a escolarizar alunos com necessidades educativas espec&iacute;ficas, sem estar    formado para isso. Fazer face &agrave; diversidade dos perfis escolares, por    vezes muito at&iacute;picos, isso aprende-se. N&atilde;o &eacute; nem uma ac&ccedil;&atilde;o    de excep&ccedil;&atilde;o nem uma obra de benefic&ecirc;ncia. Exige compet&ecirc;ncias    profissionais espec&iacute;ficas<Sup><a href="#33">32</a></Sup><a name="top33"></a>    para que cada um chegue ao seu melhor n&iacute;vel e para cooperar, em fun&ccedil;&atilde;o    de um aluno, com os pais, os diversos profissionais, os estabelecimentos e servi&ccedil;os    sociais e m&eacute;dicos&hellip;</P >     <P   align="justify" >A este respeito, reinterroga-se em certos pa&iacute;ses, ainda raros<Sup><a href="#34">33</a><a name="top34"></a></Sup>,    o lugar a dar aos saberes disciplinares no processo de forma&ccedil;&atilde;o    inicial e esfor&ccedil;am por integrar, de maneira transversal, a problem&aacute;tica    das necessidades educativas espec&iacute;ficas no conjunto das quest&otilde;es    pedag&oacute;gicas tratadas no decurso da forma&ccedil;&atilde;o, como a avalia&ccedil;&atilde;o,    a did&aacute;ctica, o processo de aprendizagem e as estrat&eacute;gias alternativas,    a gest&atilde;o de conflitos, as rela&ccedil;&otilde;es com as fam&iacute;lias,    a orienta&ccedil;&atilde;o&hellip;</P >     <P   align="justify" >Por outro lado, a falta geral de instrumentos conceptuais para an&aacute;lise das situa&ccedil;&otilde;es do terreno e os estudos de caso sublinham, por um lado, a necessidade da forma&ccedil;&atilde;o beneficiar do apoio da investiga&ccedil;&atilde;o nas ci&ecirc;ncias humanas e da sociedade que, em Fran&ccedil;a, n&atilde;o est&aacute; &agrave; altura do desafio, cada um reconhece-o. Por outro lado, evidencia car&ecirc;ncias no invent&aacute;rio, no estabelecimento de modelos e na permuta das dilig&ecirc;ncias, das experi&ecirc;ncias e dos instrumentos inovadores. Sem esta circula&ccedil;&atilde;o, perde-se energia, renovam-se erros. </P >     <P   align="justify" >A forma&ccedil;&atilde;o, inicial e cont&iacute;nua, dos profissionais &eacute;    certamente o factor mais decisivo no processo de escolariza&ccedil;&atilde;o    das crian&ccedil;as com necessidades educativas espec&iacute;ficas: ela constitui    o pr&eacute;-requisito, a pedra angular, o instrumento de coer&ecirc;ncia<Sup><a href="#35">34</a><a name="top35"></a></Sup>.    &Eacute; pela forma&ccedil;&atilde;o que se conseguir&aacute; <B>desguetizar</B>,    <B>desinsularizar </B>esta quest&atilde;o, para a situar onde deve estar: no    ordin&aacute;rio exerc&iacute;cio das profiss&otilde;es da educa&ccedil;&atilde;o,    em plena transforma&ccedil;&atilde;o. Mas isto &eacute; v&aacute;lido para o    conjunto das profiss&otilde;es, que se destacam no quadro estabelecido, urbanismo    e transportes, servi&ccedil;o social, justi&ccedil;a, turismo e tempos livres,    empresariado. Para agir sobre a cultura dos nossos pa&iacute;ses e fazer acontecer    sociedades inclusivas, n&atilde;o existe obra mais importante do que transmitir    saberes e compet&ecirc;ncias. Sem ser a panaceia, a forma&ccedil;&atilde;o cataliza,    modifica em profundidade as culturas profissionais, de futuro afectadas pela    diversidade das necessidades. D&aacute; um <I>&eacute;lan</I> inovador.</P >     <P   align="center" ><B>Proposta&nbsp;8. </B></P >     <P   align="center" >Elaborar um continuum entre forma&ccedil;&atilde;o, investiga&ccedil;&atilde;o    e exerc&iacute;cio profissional.</P >     <P   align="justify" >Estabelecimento do princ&iacute;pio da forma&ccedil;&atilde;o inicial sobre as    necessidades educativas espec&iacute;ficas e cria&ccedil;&atilde;o de comiss&otilde;es    de peritos, &aacute; escala nacional e europeia, encarregados de conceber as    matrizes formativas correspondentes, incluindo um tronco comum nas profiss&otilde;es    da educa&ccedil;&atilde;o.</P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" ><B>Concluindo</b></P >     <P   align="justify" >Qual &eacute;, em resumo, o desafio para os nossos pa&iacute;ses europeus? Nos    contextos selectivos, criar espa&ccedil;o para a diversidade na Escola, ali&aacute;s    como por toda a parte. Promover continuadamente a igualdade de oportunidades,    sem ceder &agrave; exig&ecirc;ncia da qualidade. Declinar concretamente o direito    &agrave; escolariza&ccedil;&atilde;o para os menos dotados, sem travar a eleva&ccedil;&atilde;o    do n&iacute;vel global do saber. Criar um <I>continuum</I> em vez de uma realidade    de fragmentos dispersos; fazer da Escola uma comunidade e n&atilde;o favorecer    o isolamento nos sistemas estranhos uns aos outros.</P >     <P   align="justify" >N&atilde;o falemos mais de &laquo;coloca&ccedil;&atilde;o&raquo;. N&atilde;o consideremos mais as crian&ccedil;as mais fr&aacute;geis como estranhos para integrar. A sua priva&ccedil;&atilde;o do direito de aprender com os outros injuria a pr&oacute;pria ideia de educa&ccedil;&atilde;o, a dignidade. Aprender e viver, &eacute; a mesma coisa: autorizemo-las a viver t&atilde;o plenamente quanto poss&iacute;vel. Desprezemos os obst&aacute;culos e as resist&ecirc;ncias. Juntos, revolucionamos os nossos modos de pensamento e de ac&ccedil;&atilde;o. </P >     <P   align="justify" >E, como exortava o fil&oacute;sofo Alain, &laquo;n&atilde;o temamos abalar os    sistemas&hellip;Toda a ideia se torna falsa no momento em que estamos satisfeitos<Sup><a href="#36">35</a><a name="top36"></a></Sup>&raquo;.    Como ele o desejava para a filosofia, devolvamos &agrave; educa&ccedil;&atilde;o    o seu valor &eacute;tico: &eacute; o sentido da minha &uacute;ltima proposta.    Com efeito, apesar das precau&ccedil;&otilde;es francesas face &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o    das ordens profissionais, talvez seja tempo, a exemplo do Canad&aacute;, de    pensar numa organiza&ccedil;&atilde;o que implique mais fortemente o compromisso    da institui&ccedil;&atilde;o e dos seus membros.</P >     <P   align="center" ><B>Proposta 9.</B></P >     <P   align="center" >Para devolver &agrave; educa&ccedil;&atilde;o o seu valor &eacute;tico, conceber    uma organiza&ccedil;&atilde;o que envolva o compromisso da institui&ccedil;&atilde;o    e dos seus membros</P >     <P   align="justify" >Cria&ccedil;&atilde;o de uma Ordem das profiss&otilde;es da educa&ccedil;&atilde;o    que se encarregue do respeito pelas exig&ecirc;ncias profissionais e deontol&oacute;gicas<Sup><a href="#37">36</a><a name="top37"></a></Sup>,    traduzidas por um princ&iacute;pio &eacute;tico, que, &agrave; semelhan&ccedil;a    do de Hip&oacute;crates, comprometeria todo o profissional no &acirc;mbito das    necessidades educativas espec&iacute;ficas.</P >     <P   align="justify" ><B>Notas</B></P >     <P   align="justify" ><Sup><a href="#top2">1</a><a name="2"></a> </Sup>O presente artigo corresponde    &agrave; vers&atilde;o escrita da confer&ecirc;ncia proferida pelo autor no    Col&oacute;quio Internacional Diversidade, Equidade e Inclus&atilde;o. Construindo    um outro paradigma de Escola, realizado na Universidade Lus&oacute;fona de Humanidades    e Tecnologias, em Lisboa, a 6 de Junho de 2009.</P >     <P   align="justify" ><Sup><a href="#top3">2</a><a name="3" id="3"></a> </Sup>Para certos pa&iacute;ses    que acabaram de entrar na Uni&atilde;o europeia, esta quest&atilde;o reveste    muitas vezes uma acuidade muito particular.</P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" ><Sup><a href="#top4">3</a><a name="4"></a> </Sup>Em grego Eur&ocirc;p&ecirc;,    &laquo;com grandes olhos&raquo;, de eurus &laquo;grande&raquo; e &ocirc;ps &laquo;vista;    rosto&raquo; ou do fen&iacute;cio ereb &laquo;noite; ocidente&raquo;. Europa    era a filha de Ag&eacute;nor, rei lend&aacute;rio da Fen&iacute;cia. Para os    antigos gregos, a Europa era a regi&atilde;o obscura onde o sol se p&otilde;e.</P >     <P   align="justify" ><Sup><a href="#top5">4</a><a name="5"></a> </Sup>O princ&iacute;pio da subsidiariedade    limita os poderes da Comunidade europeia, considerados como subsidi&aacute;    rios (literalmente), que &laquo;v&ecirc;m em apoio&raquo; (em segundo lugar),    em rela&ccedil;&atilde;o aos dos Estados-membros e das regi&otilde;es.</P >     <P   align="justify" ><Sup><a href="#top6">5</a><a name="6"></a> </Sup>Utiliza-se principalmente o    alfabeto latino, mas o alfabeto grego imp&otilde;e-se na Gr&eacute;cia e o alfabeto    cir&iacute;lico na Bulg&aacute;ria. Os documentos oficiais s&atilde;o traduzidos    em alem&atilde;o, ingl&ecirc;s, b&uacute;lgaro, dinamarqu&ecirc;s, espanhol,    est&oacute;nio, finland&ecirc;s, franc&ecirc;s, grego, h&uacute;ngaro, italiano,    let&atilde;o, lituano, malt&ecirc;s, neerland&ecirc;s, polaco, romeno, eslovaco,    eslov&eacute;nio, sueco e checo. A partir de um de Janeiro de 2007, o irland&ecirc;s    &eacute; tamb&eacute;m l&iacute;ngua oficial.Estados-membros da UE: Alemanha,    &Aacute;ustria, B&eacute;lgica, Bulg&aacute;ria, Chipre, Dinamarca, Espanha,    Est&oacute;nia, Finl&acirc;ndia, Fran&ccedil;a, Gr&eacute;cia, Hungria, Irlanda,    It&aacute;lia, Let&oacute;nia, Litu&acirc;nia, Luxemburgo, Malta, Pa&iacute;ses-Baixos,    Pol&oacute;nia, Portugal, Rom&eacute;nia, Reino-Unido, Eslov&aacute;quia, Eslov&eacute;nia,    Su&eacute;cia, Rep&uacute;blica Checa.Pa&iacute;ses candidatos: Antiga Rep&uacute;blica    Jugoslava da Maced&oacute;nia, Cro&aacute;cia, Turquia. Outros pa&iacute;ses    europeus: Alb&acirc;nia, Andorra, Arm&eacute;nia, Azerbeij&atilde;o, Bielo-R&uacute;ssia,    B&oacute;snia e Herzegovina, Ge&oacute;rgia, Isl&acirc;ndia, Listenstaine, Mold&aacute;via,    M&oacute;naco, Montenegro, Noruega, R&uacute;ssia, S&atilde;o Marino, S&eacute;rvia,    Sui&ccedil;a, Ucr&acirc;nia, Vaticano.</P >     <P   align="justify" ><Sup><a href="#top7">6</a><a name="7"></a> </Sup>A acessibilidade &eacute; multidimensional    : rampas de acesso, pictogramas de sinaliza&ccedil;&atilde;o, adapta&ccedil;&atilde;o    de ve&iacute;culos de transporte p&uacute;blico, novas tecnologias (importantes    factores de acessibilidade escolar) e outros instrumentos de participa&ccedil;&atilde;o    social (informa&ccedil;&atilde;o, comunica&ccedil;&atilde;o, servi&ccedil;os    on-line); adapta&ccedil;&otilde;es pedag&oacute;gicas das medidas colectivas    ou individuais, acompanhamentos, livros, material, m&eacute;todos e suportes    apropriados, ajudas humanas e t&eacute;cnicas especializadas (secretariado,    &aacute;udio-descri&ccedil;&atilde;o, int&eacute;rprete em l&iacute;ngua de    sinais, etc.). Falamos de acesso para todos, de design para todos e de melhor-ser    para cada um; de concep&ccedil;&atilde;o universal (universal design).</P >     <P   align="justify" ><Sup><a href="#top8">7</a><a name="8"></a> </Sup>Em Fran&ccedil;a, segundo o    Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o nacional, 172 000 crian&ccedil;as    em situa&ccedil;&atilde;o de defici&ecirc;ncia s&atilde;o escolariz&aacute;veis    em meio normal no in&iacute;cio de 2008, contra 150 000 em 2006 e 89 000 em    2002.</P >     <P   align="justify" ><Sup><a href="#top9">8</a><a name="9"></a> </Sup>Em 1994, sob a &eacute;gide    da UNESCO, a declara&ccedil;&atilde;o de Salamanca afirmou o direito &agrave;    escolariza&ccedil;&atilde;o de todas as crian&ccedil;as &laquo;quaisquer que    sejam as suas caracter&iacute;sticas particulares de ordem f&iacute;sica, intelectual,    social, afectiva, lingu&iacute;stica ou outra&raquo;. A n&iacute;vel europeu,    a declara&ccedil;&atilde;o do Luxemburgo de 1996 &laquo;coloca a pessoa no centro    de todo o projecto educativo reconhecendo as potencialidades de cada um e as    suas necessidades espec&iacute;ficas&raquo;. A Conven&ccedil;&atilde;o internacional    das Na&ccedil;&otilde;es Unidas relativa aos direitos das pessoas deficientes,    foi adoptada pela ONU em Dezembro de 2006 e assinada em Mar&ccedil;o de 2007.</P >     <!-- ref --><P   align="justify" ><Sup><a href="#top10">9</a><a name="10"></a> </Sup>Cf: Meijer, J.W. ; Soriano,    V. &amp; Watkins, A. (2003). Les besoins &eacute;ducatifs particuliers en Europe,    Ag&ecirc;ncia europeia para o desenvolvimento da educa&ccedil;&atilde;o das    pessoas com necessidades particulares, com a contribui&ccedil;&atilde;o da Eurydice,    rede de informa&ccedil;&atilde;o sobre educa&ccedil;&atilde;o na Europa.</P >     &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000099&pid=S1645-7250200900020000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><P   align="justify" ><Sup><a href="#top11">10</a></Sup><a name="11"></a> Jean-Jacques Rousseau afirmava    : &laquo;o que se encarrega de uma crian&ccedil;a doente e fr&aacute;gil muda    a sua fun&ccedil;&atilde;o de governador para a de cuidador (&hellip;). Nunca    me encarregarei de uma crian&ccedil;a doentia e caqu&eacute;tica, nem que ela    viva oitenta anos. N&atilde;o quero nada de um aluno sempre in&uacute;til a    ele mesmo e aos outros que se ocupa unicamente a manter-se vivo e cujo corpo    impede a educa&ccedil;&atilde;o da alma. Um corpo d&eacute;bil enfraquece a    alma. (Emile ou de l&rsquo;&eacute;ducation, Paris, Garnier-Flammarion, 1966    -1&egrave;re &eacute;d.1762).</P >     <P   align="justify" ><Sup></Sup><sup><a href="#top12">11</a></sup><a name="12"></a> Kafka, Franz (1954).    Journal. Paris: Grasset.</P >     <P   align="justify" ><Sup><a href="#top13">12</a></Sup><a name="13"></a> Cf/European Agency for development    in Special Needs Education, Ag&ecirc;ncia europeia para o desenvolvimento da    educa&ccedil;&atilde;o das pessoas consideradas com necessidades espec&iacute;ficas,    sustentada e financiada pelos Minist&eacute;rios da educa&ccedil;&atilde;o dos    Estados membros da Uni&atilde;o europeia, a Isl&acirc;ndia, a Noruega e a Sui&ccedil;a,    assim como pela Comiss&atilde;o e Parlamento europeus.</P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" ><Sup><a href="#top14">13</a></Sup><a name="14"></a> Estes riscos foram analisados    em v&aacute;rios pa&iacute;ses. Ver, por exemplo, Armstrong, Felicity (2003).    &ldquo;Le concept de special educational needs dans le contexte de la culture    scolaire et sociale britannique &raquo;, La nouvelle revue de l&rsquo;AIS, n&deg;    22, 2003, pp.9-17 e &laquo; L&rsquo;int&eacute;gration, l&rsquo;inclusion et    les besoins &eacute;ducatifs particuliers : l&rsquo;exp&eacute;rience du Royaume    Uni &raquo;, n&deg; 27, 2004, pp.225-228 .</P >     <P   align="justify" ><Sup><a href="#top15">14</a><a name="15"></a></Sup> Se, em certos pa&iacute;ses,    existem mas de dez tipos de necessidades educativas espec&iacute;ficas, a maior    parte definiu entre seis e dez. Consequentemente, um pa&iacute;s pode identificar    menos de 1% de alunos com necessidades educativas espec&iacute;ficas e um outro    reconhecer 10%. A coloca&ccedil;&atilde;o nas escolas varia entre 1 e 6% (Fonte    : Meijer, J.W. ; Soriano, Victoria ; Watkins, Amanda. 2003. Les besoins &eacute;ducatifs    particuliers en Europe, Agencia europeia para o desenvolvimento da educa&ccedil;&atilde;o    das pessoas consideradas com necessidades espec&iacute;ficas, com a contribui&ccedil;&atilde;o    da Eurydice, a rede de informa&ccedil;&atilde;o sobre a educa&ccedil;&atilde;o    na Europa, p.10).</P >     <P   align="justify" ><Sup><a href="#top16">15</a><a name="16"></a> </Sup>Os estabelecimentos m&eacute;dico-sociais    em Fran&ccedil;a : os institutos m&eacute;dico-educativos (IME) acolhem as crian&ccedil;as    e os adolescentes atingidos de defici&ecirc;ncia mental; os institutos terap&ecirc;uticos,    educativos e pedag&oacute;gicos (ITEP) recebem os jovens que sofrem de perturba&ccedil;&otilde;es    da conduta e do comportamento; os estabelecimentos para multideficientes dirigem-se    &agrave;s crian&ccedil;as e aos adolescentes que apresentam defici&ecirc;ncias    complexas, ao mesmo tempo mentais e sensoriais e/ou motores; os institutos de    educa&ccedil;&atilde;o sensorial (defici&ecirc;ncias auditivas e visuais); os    estabelecimentos para crian&ccedil;as e adolescentes que apresentam uma defici&ecirc;ncia    motora s&atilde;o muitas vezes chamados IEM (institutos de educa&ccedil;&atilde;o    motora). </P >     <P   align="justify" ><Sup><a href="#top17">16</a></Sup><a name="17"></a> Cf D&eacute;cret n&deg;2009-378/    2009, de 2 Abril, relativo &agrave; escolariza&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as,    dos adolescentes e dos jovens adultos deficientes e &agrave; coopera&ccedil;&atilde;o    entre os estabelecimentos escolares e os estabelecimentos e servi&ccedil;os    m&eacute;dico-sociais (Journal Officiel de la R&eacute;publique Fran&ccedil;aise    de 4 Abril 2009, p.5960, texto n&deg;15).</P >     <P   align="justify" ><Sup><a href="#top18">17</a></Sup><a name="18"></a> Os professores r&eacute;f&eacute;rents,    previstos pela lei francesa de 2005, actualmente 1 180, cujo papel ainda n&atilde;o    est&aacute; definido, encontram-se em situa&ccedil;&atilde;o de desempenhar    o papel de interface entre os dois sectores.</P >     <P   align="justify" ><Sup><a href="#top19">18</a><a name="19"></a></Sup> Complementarmente &agrave;s    escolariza&ccedil;&otilde;es individuais, existem em Fran&ccedil;a, no 1&ordm;    ciclo do ensino b&aacute;sico, escolariza&ccedil;&otilde;es colectivas em classes    de integra&ccedil;&atilde;o escolar (12 alunos com o mesmo tipo de necessidades    educativas); no 2&ordm; e 3&ordm; ciclos do ensino b&aacute;sico e ensino secund&aacute;rio,    dispositivos abertos chamados unidades pedag&oacute;gicas de integra&ccedil;&atilde;o    (10 alunos com necessidades similares). Nestas situa&ccedil;&otilde;es de escolariza&ccedil;&atilde;o    colectiva, estes alunos podem ser seguidos por um servi&ccedil;o de educa&ccedil;&atilde;o    especial e de cuidados no domic&iacute;lio (SESSAD), constitu&iacute;do por    uma equipa pluridisciplinar que d&aacute; apoio especializado &agrave;s crian&ccedil;as    e adolescentes que se mant&eacute;m no seu meio natural de vida e de educa&ccedil;&atilde;o;    SAFEP (Servi&ccedil;o de Acompanhamento Familiar e de Educa&ccedil;&atilde;o    Precoce) para os deficientes sensoriais depois dos 3 anos; SSEFIS (Servi&ccedil;o    de Apoio &agrave; Educa&ccedil;&atilde;o Familiar e &agrave; Integra&ccedil;&atilde;o    Escolar) para os deficientes auditivos depois dos 3 anos; SAAAIS (Servi&ccedil;os    de Ajuda &agrave; Aquisi&ccedil;&atilde;o de Autonomia e Integra&ccedil;&atilde;o    escolar) para os deficientes visuais; SSAD (Servi&ccedil;os de Cuidados e de    Ajuda no Domic&iacute;lio) para as crian&ccedil;as multideficientes. Nas situa&ccedil;&otilde;es    de escolariza&ccedil;&atilde;o individual, o apoio do SESSAD apresenta formas    variadas segundo as necessidades da crian&ccedil;a: actos m&eacute;dicos especializados,    reeduca&ccedil;&otilde;es em diversos dom&iacute;nios (fisioterapia, ortofonia,    psicomotricidade, terapia ocupacional, etc), interven&ccedil;&atilde;o de um    educador especializado, interven&ccedil;&atilde;o de um professor especializado    que vai regularmente ao estabelecimento (e eventualmente ao domic&iacute;lio    da crian&ccedil;a) para sess&otilde;es de apoio espec&iacute;fico &agrave;s    aprendizagens.</P >     <P   align="justify" ><Sup><a href="#top20">19</a><a name="20"></a> </Sup>Os vouchers, termo ingl&ecirc;s    ligado ao dom&iacute;nio das viagens, adoptados aqui, descritos abaixo, correspondem    a uma reserva de meios suplementares para os equipamentos adaptados. Esta modalidade,    digna de interesse, n&atilde;o est&aacute; despida de riscos de sobre-individualiza&ccedil;&atilde;o    dos meios (a notar que na linguagem do turismo, o voucher &eacute; uma &laquo;ordem    de pagamento que serve de reserva ou de troca&raquo; designando um t&iacute;tulo    que permite obter, por exemplo, servi&ccedil;os nos hot&eacute;is, etc).</P >     <P   align="justify" ><Sup><a href="#top21">20</a></Sup><a name="21"></a> Warnock, Mary (2005). Special    educational needs: a new look, n&deg; 11 de uma s&eacute;rie de debates pol&iacute;ticos    publicados por Philosophy of Education Society of Great Britain.</P >     <P   align="justify" ><Sup><a href="#top22">21</a><a name="22"></a></Sup> The Schools White Paper :    Higher Standards, Better School For All, Relat&oacute;rios da Education and    Skills Committee, sess&atilde;o 2005-06, Londres, House of Commons, 27 Janeiro    2006.</P >     <P   align="justify" ><Sup><a href="#top23">22</a></Sup><a name="23"></a> Em Junho de 2007, eram 17    900 AVS (auxiliares da vida escolar).</P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" ><Sup><a href="#top24">23</a><a name="24"></a></Sup> Um pedido destes emana ao    mesmo tempo da Federa&ccedil;&atilde;o nacional das associa&ccedil;&otilde;es    ao servi&ccedil;o dos alunos que apresentam uma situa&ccedil;&atilde;o de defici&ecirc;ncia    (FNASEPH) e da Uni&atilde;o Nacional para o Futuro da Inclus&atilde;o Escolar,    Social e Educativa (UNA&Iuml;SSE).</P >     <P   align="justify" ><Sup><a href="#top25">24</a><a name="25"></a></Sup> A este respeito pensamos    nos centros de ajuda m&eacute;dico-social precoce (CAMSP), instalados em Fran&ccedil;a    em centros hospitalares ou em outros centros que acolhem jovens, que foram concebidos    ao mesmo tempo para facilitar a despistagem, o diagn&oacute;stico, a reeduca&ccedil;&atilde;o    das crian&ccedil;as mais velhas, com menos de seis anos, e para ajudar as fam&iacute;lias,    conselhos pr&aacute;ticos e interven&ccedil;&atilde;o de pessoal especializado    no domic&iacute;lio.</P >     <P   align="justify" ><Sup><a href="#top26">25</a><a name="26"></a></Sup> A nomenclatura usada em Fran&ccedil;a    &eacute; diferente da usada em Portugal. Optou-se por fazer o paralelismo, considerando    os anos escolares (nota de tradu&ccedil;&atilde;o).</P >     <P   align="justify" ><Sup><a href="#top27">26</a><a name="27"></a></Sup> Cf Meijer, J.W., Soriano,    V.&amp; Watkins, A. (2006). Education des personnes pr&eacute;sentant des besoins    particuliers en Europe. Prise en compte des besoins dans l&rsquo;enseignement    secondaire, Volume 2, Ag&ecirc;ncia europeia para o desenvolvimento da educa&ccedil;&atilde;o    das pessoas consideradas com necessidades educativas espec&iacute;ficas.</P >     <P   align="justify" ><Sup><a href="#top28">27</a><a name="28"></a></Sup> Em Fran&ccedil;a, em 2006,    para 10 alunos em situa&ccedil;&atilde;o de defici&ecirc;ncia no primeiro grau,    contavam-se 4 no segundo grau e menos de 1 no ensino superior. Sendo assim o    n&uacute;mero dos que s&atilde;o acolhidos no liceu -2.&ordm; e 3.&ordm; ciclos    do ensino b&aacute;sico- ( geral, tecnol&oacute;gico ou profissional) passou    de 8 086 a 9 139 entre os anos escolares 2006 e 2007, o que se traduz num aumento    de 13%.</P >     <P   align="justify" ><Sup><a href="#top29">28</a><a name="29"></a></Sup> A lei prev&ecirc; em Fran&ccedil;a    a acessibilidade f&iacute;sica dos campus e dos edif&iacute;cios universit&aacute;rios    em 2011.</P >     <P   align="justify" ><Sup><a href="#top30">29</a><a name="30"></a></Sup> Ebersold, S. &amp; Evans,    P. (2003). Les &eacute;tudiants handicap&eacute;s dans l&rsquo;enseignement    sup&eacute;rieur, Paris: Organisation de Coop&eacute;ration et de D&eacute;veloppement    Economique, 192 p.</P >     <P   align="justify" ><Sup><a href="#top31">30</a></Sup><a name="31"></a> Confer&ecirc;ncia mundial    sobre a educa&ccedil;&atilde;o e as necessidades educativas especiais : acesso    e qualidade. Salamanca, Espanha, 7-10 Junho 1994. O quadro de ac&ccedil;&atilde;o    estabelecido pedia &agrave; escola para facilitar a entrada de jovens com necessidades    educativas espec&iacute;ficas na vida activa e de lhes dar o saber-fazer que    exige a vida quotidiana, familiarizando-os com as compet&ecirc;ncias de comunica&ccedil;&atilde;o    necess&aacute;rias ao adulto em sociedade. </P >     <P   align="justify" ><Sup><a href="#top32">31</a></Sup><a name="32"></a> O CAPA-SH &eacute; um certificado    de aptid&atilde;o profissional para as ajudas especializadas, o ensino adaptado    e a escolariza&ccedil;&atilde;o dos alunos em situa&ccedil;&atilde;o de defici&ecirc;ncia,    atrav&eacute;s do qual um professor adquire uma qualifica&ccedil;&atilde;o reconhecida    numa das sete op&ccedil;&otilde;es que comporta este certificado. O 2CA-SH corresponde    a um certificado complementar para a adapta&ccedil;&atilde;o escolar e escolariza&ccedil;&atilde;o    dos alunos em situa&ccedil;&atilde;o de defici&ecirc;ncia permitindo aos professores    do 2&ordm; grau adquirir, atrav&eacute;s de uma forma&ccedil;&atilde;o de 150    horas, as compet&ecirc;ncias necess&aacute;rias ao exerc&iacute;cio da sua actividade    em situa&ccedil;&otilde;es diversas ligadas &agrave;s diferentes modalidades    de escolariza&ccedil;&atilde;o dos alunos deficientes (5 op&ccedil;&otilde;es    diferentes).</P >     <P   align="justify" ><Sup><a href="#top33">32</a></Sup><a name="33" id="33"></a> Segundo a defini&ccedil;&atilde;o    do Alto Conselho da Educa&ccedil;&atilde;o para a forma&ccedil;&atilde;o de    professores &laquo;uma compet&ecirc;ncia &eacute; sempre uma combina&ccedil;&atilde;o    de conhecimentos, de capacidades para p&ocirc;r em pr&aacute;tica esses conhecimentos,    e de atitudes, isto &eacute;, de disposi&ccedil;&otilde;es de esp&iacute;rito    necess&aacute;rias a este p&ocirc;r em pr&aacute;tica&raquo;</P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" ><Sup><a href="#top34">33</a></Sup><a name="34"></a> Os Pa&iacute;ses Baixos,    a Noruega, a Inglaterra ou o Pa&iacute;s de Gales. </P >     <P   align="justify" ><Sup><a href="#top35">34</a><a name="35"></a></Sup> &Eacute; o que &eacute; destacado    nos estudos realizados pela Ag&ecirc;ncia europeia para o desenvolvimento da    educa&ccedil;&atilde;o das pessoas consideradas com necessidades educativas    espec&iacute;ficas.</P >     <P   align="justify" ><Sup><a href="#top36">35</a></Sup><a name="36" id="36"></a> Alain, E. (1904).    Les marchands de sommeil, Discurso de distribui&ccedil;&atilde;o de pr&eacute;mios    no liceu Condorcet, em Paris, em Julho 1904.</P >     <P   align="justify" ><Sup><a href="#top37">36</a></Sup><a name="37"></a> No Canad&aacute;, o Conselho    da Ordem dos Professores delibera, renova, modifica, suspende, anula, demite    e restabelece os certificados de compet&ecirc;ncia profissional e de aprova&ccedil;&atilde;o.    Fixa e faz observar as normas profissionais e deontol&oacute;gicas; instrui    as queixas feitas contra os membros da Ordem e ocupa-se de quest&otilde;es relativas    &agrave;s medidas disciplinares e &agrave;s aptid&otilde;es para exercer a profiss&atilde;o.  </P >     <P   align="justify" >&nbsp;</P >     <P   align="left" ><Sup><a href="#top1">*</a></Sup><a name="1"></a>Professor na Universidade Lumi&egrave;re    Lyon 2. Membro do Observatoire National sur la Formation, la Recherche et l&rsquo;Innovation    sur le Handicap (ONFRIH). <a href="mailto:charles.gardou@univ-lyon2.fr">charles.gardou@univ-lyon2.fr</a></P >     <P   align="left" >Tradu&ccedil;&atilde;o do original em franc&ecirc;s de Isabel Sanches</P >     <P   align="justify" >&nbsp; </P >     </body> </HTML>      ]]></body><back>
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<source><![CDATA[Les besoins éducatifs particuliers en Europe]]></source>
<year>2003</year>
<publisher-name><![CDATA[Agência europeia para o desenvolvimento da educação das pessoas com necessidades particulares]]></publisher-name>
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