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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper focus on the relationships among education, professional qualification, work and public policies, as a current polemical issue. The first section is a review of international literature based on different perspectives and authors. The following section elaborates on the issue within the Brazilian context, considering research in education and social sciences. The final section comments on public policies for education and professional qualification implemented in Brazil from the 1950s until today. Currently the issue is understood as part of a public debate pressed by new international, global and local markets&#8217; demands, as well as by crisis, changes, social advances, and national policies, which were evident since the 1980s.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <P   ><B>Educa&ccedil;&atilde;o, qualifica&ccedil;&atilde;o, trabalho e pol&iacute;ticas    p&uacute;blicas: campos em disputas</B></P >     <P   > Em&iacute;lia Prestes<a href="#6">*</a><a name="top6"></a> &amp; Roberto V&eacute;ras<a href="#7">**</a><a name="top7"></a>  </P >     <P   >            </P >            <P   align="justify" >Este artigo trata das rela&ccedil;&otilde;es entre educa&ccedil;&atilde;o, qualifica&ccedil;&atilde;o    profissional, trabalho e pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, entendidas como um    assunto contempor&acirc;neo e pol&ecirc;mico. A sua primeira parte revisa o    assunto atrav&eacute;s de um levantamento da literatura internacional, contemplada    em diferentes abordagens e autores. A que segue, sistematiza o tema no cen&aacute;rio    da realidade brasileira, nas pesquisas e publica&ccedil;&otilde;es constantes    nas &aacute;reas da educa&ccedil;&atilde;o e das ci&ecirc;ncias sociais. A &uacute;ltima,    comenta as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de educa&ccedil;&atilde;o e qualifica&ccedil;&atilde;o    implementadas no Brasil a partir dos anos 50/1950, detendo-se no momento atual.    Entende-se o assunto, na contemporaneidade, como parte de um debate p&uacute;blico    tensionado pelas novas exig&ecirc;ncias internacionais e do mercado local e    globalizado e pelas crises, mudan&ccedil;as e conquistas sociais e pol&iacute;ticas    nacionais visibilizadas a partir da d&eacute;cada de 1980.</P >     <P   align="justify" ><B>Palavras-chave: </B>Educa&ccedil;&atilde;o; qualifica&ccedil;&atilde;o; trabalho;    pol&iacute;ticas p&uacute;blicas; Brasil </P >     <P   align="justify" >&nbsp;</P >     <P   align="justify" ><b>Education, qualification, work and public policies: A polemical field</b></P >     <P   align="justify" >This paper focus on the relationships among education, professional qualification,    work and public policies, as a current polemical issue. The first section is    a review of international literature based on different perspectives and authors.    The following section elaborates on the issue within the Brazilian context,    considering research in education and social sciences. The final section comments    on public policies for education and professional qualification implemented    in Brazil from the 1950s until today. Currently the issue is understood as part    of a public debate pressed by new international, global and local markets&#8217;    demands, as well as by crisis, changes, social advances, and national policies,    which were evident since the 1980s. </P >     <p><b>Keywords</b>: Education; qualification; work and public policy relations;    Brazil.</p>     <p>&nbsp;</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >                                                        </P >    <P   align="justify" ><B>Introdu&ccedil;&atilde;o </B></P >            <P   align="justify" >O tema das rela&ccedil;&otilde;es entre educa&ccedil;&atilde;o, qualifica&ccedil;&atilde;o    profissional e trabalho, tratados pela sociologia, a sociologia da educa&ccedil;&atilde;o,    a economia da educa&ccedil;&atilde;o, a sociologia e a economia do trabalho,    mas igualmente pela pedagogia, aparece na literatura acad&ecirc;mica e sindical    como objeto de importantes estudos e decis&otilde;es pol&iacute;ticas no decorrer    do s&eacute;culo XX<Sup><a href="#1">1</a><a name="top1"></a></Sup>. Entretanto,    foi apenas nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas daquele s&eacute;culo, no quadro    das mudan&ccedil;as em processo na ordem econ&ocirc;mica e social globalizada,    marcada por din&acirc;micas de crises da pol&iacute;tica social e do Estado    de bem-estar e do avan&ccedil;o da competitividade, que este assunto passou    a se constituir objeto de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas. A forma&ccedil;&atilde;o    do trabalhador, ocupando um lugar privilegiado nas agendas internacionais, impulsionou    os governos a organizarem ou fortalecerem suas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas    de educa&ccedil;&atilde;o e de qualifica&ccedil;&atilde;o profissional, propiciando    estudos e avalia&ccedil;&otilde;es sobre o assunto. O estado da arte internacional    e brasileiro, ora focalizam as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de qualifica&ccedil;&atilde;o    do trabalhador como oportunas e eficazes por potencializarem a melhoria das    condi&ccedil;&otilde;es de vida da popula&ccedil;&atilde;o trabalhadora, ora    criticam-nas, porque &ldquo;a sua efetividade n&atilde;o possui correspond&ecirc;ncia    com os recursos investidos&rdquo; (Schmidt, 2001, p. 9) e nem proporcionam aos    trabalhadores acesso ao emprego e nem direitos de cidadania. Estes diferentes    posicionamentos que referenciam a hist&oacute;ria e a interpreta&ccedil;&atilde;o    das rela&ccedil;&otilde;es entre educa&ccedil;&atilde;o, qualifica&ccedil;&atilde;o,    trabalho e pol&iacute;ticas p&uacute;blicas na &oacute;tica de diferentes te&oacute;ricos    e estudiosos do assunto caracterizam essas rela&ccedil;&otilde;es como <I>campos    em disputa</I> e<I> </I>organizam o desenvolvimento desse texto. </P >           <P   align="justify" >A sua primeira parte revisa o assunto atrav&eacute;s de um levantamento da literatura internacional, contemplada em diferentes abordagens e autores. A que segue,  sistematiza o tema no cen&aacute;rio da realidade brasileira, nas pesquisas e publica&ccedil;&otilde;es constantes  nas &aacute;reas da educa&ccedil;&atilde;o e das ci&ecirc;ncias sociais. A &uacute;ltima, comenta as pol&iacute;ticas  p&uacute;blicas de educa&ccedil;&atilde;o e qualifica&ccedil;&atilde;o implementadas no Brasil a partir dos anos 1950, detendo-se no momento atual. </P >     <P   align="justify" >Entende-se o assunto como parte de um debate p&uacute;blico tensionado pelas    novas exig&ecirc;ncias internacionais e do mercado local e globalizado, e tamb&eacute;m    pelas crises, mudan&ccedil;as e conquistas sociais e pol&iacute;ticas nacionais    da d&eacute;cada de 1980.</P >     <P   align="justify" >&nbsp;</P >     <P   align="justify" ><B>Trabalho, educa&ccedil;&atilde;o e qualifica&ccedil;&atilde;o: um enfoque  internacional </B></P >            <P   align="justify" >N&atilde;o obstante refer&ecirc;ncias seminais das rela&ccedil;&otilde;es entre    educa&ccedil;&atilde;o, qualifica&ccedil;&atilde;o e trabalho discutidas pelos    economistas e soci&oacute;logos cl&aacute;ssicos, e pela cr&iacute;tica marxista    que se seguiu no in&iacute;cio do s&eacute;culo XX, foi somente com o surgimento    da sociologia do trabalho, entre os anos 1940 e 1950, que tais quest&otilde;es    tornaram-se um objeto sistem&aacute;tico de estudos e de maior preocupa&ccedil;&atilde;o    pol&iacute;tica. O momento era de reestrutura&ccedil;&atilde;o da economia europ&eacute;ia    e de consolida&ccedil;&atilde;o, a partir dos EUA, dos m&eacute;todos tayloristas-fordistas    de organiza&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o. Pesquisadores como Georges    Friedmann, Pierre Naville, Michel Crozier e Alain Touraine, referenciados em    conceitos derivados do pensamento de Marx, de Weber e de Durkheim, voltaram-se    para temas abordando as novas tend&ecirc;ncias e o futuro das rela&ccedil;&otilde;es    de trabalho, os efeitos da t&eacute;cnica, da mecaniza&ccedil;&atilde;o e da    automa&ccedil;&atilde;o sobre o trabalho, o parcelamento das tarefas e a fragmenta&ccedil;&atilde;o    dos saberes, entre outros<Sup><a href="#2">2</a><a name="top2"></a></Sup>.</P >           <P   align="justify" >Foi tamb&eacute;m no decorrer dessas d&eacute;cadas, marcadas por fortes inova&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas e organizacionais do sistema produtivo, que surgiu o debate entre sindicatos, empres&aacute;rios, gestores p&uacute;blicos e estudiosos sobre a necessidade do trabalhador ser detentor de maior ou menor escolaridade ou de possuir qualifica&ccedil;&otilde;es para melhor atuar nos controles das m&aacute;quinas adotadas nas f&aacute;bricas e nas ind&uacute;strias em expans&atilde;o. Muitas das pesquisas realizadas por Friedmann, por exemplo, se voltaram para a medi&ccedil;&atilde;o do valor trabalho, incorporando a esse valor os custos da educa&ccedil;&atilde;o, pois o trabalho qualificado teria, necessariamente, um valor maior que o n&atilde;o-qualificado. Considere-se que, no p&oacute;s-guerra, sob a &eacute;gide do paradigma fordista, conformaram-se sistemas nacionais de rela&ccedil;&otilde;es de trabalho, sobretudo na Europa Ocidental e nos EUA, voltados a uma regula&ccedil;&atilde;o social da contrata&ccedil;&atilde;o e uso da for&ccedil;a de trabalho pelas empresas, institui&ccedil;&otilde;es civis e &oacute;rg&atilde;os do Estado, implicando em uma a&ccedil;&atilde;o mais direta dos sindicatos nas quest&otilde;es do trabalho e salariais. O debate estabelecido versava sobre o desenvolvimento da maquinaria e a necessidade de maior compet&ecirc;ncia do trabalhador para atender as demandas t&eacute;cnicas, ou seja, se a mecaniza&ccedil;&atilde;o exigiria - ou n&atilde;o -  a eleva&ccedil;&atilde;o da qualifica&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia dos trabalhadores.</P >    <P   align="justify" >Entre os anos de 1940 e 1960, disciplinas como a economia da educa&ccedil;&atilde;o e o planejamento educacional juntaram-se para elaborar e divulgar m&eacute;todos de an&aacute;lise das vantagens econ&ocirc;micas da educa&ccedil;&atilde;o e de seu planejamento: o m&eacute;todo da demanda social, o <I>man power approach </I>e a an&aacute;lise custo-benef&iacute;cio, apoiadas pelas pelas an&aacute;lises de Mark Blaug, Friedrich Edding, Theodore Schultz, John Vaisey, Harbinson e Meyers, autores que trataram a quest&atilde;o do trabalho e do sal&aacute;rio em conex&atilde;o com o n&iacute;vel educacional e a qualifica&ccedil;&atilde;o (Blaug, 1969; Vaisey, 1962; Schultz, 1962, Edding, 1963, Harbinson/Meyers, 1964, apud Paiva, 1989). Nos estudos desses autores, a educa&ccedil;&atilde;o e a qualifica&ccedil;&atilde;o, mesmo tratadas sob diferentes perspectivas ideol&oacute;gicas, s&atilde;o apontadas como elementos essenciais para  integrar os indiv&iacute;duos na produ&ccedil;&atilde;o do capital e na amplia&ccedil;&atilde;o da riqueza social de uma na&ccedil;&atilde;o, estando diretamente relacionada ao projeto de desenvolvimento vigente na &eacute;poca.  </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >Nas duas d&eacute;cadas que se seguiram &agrave; Segunda Grande Guerra, diante da acelera&ccedil;&atilde;o do capitalismo e dos novos processos produtivos e da afirma&ccedil;&atilde;o das organiza&ccedil;&atilde;o sindicais, o tema da rela&ccedil;&atilde;o entre educa&ccedil;&atilde;o, qualifica&ccedil;&atilde;o do trabalhador, desenvolvimento econ&ocirc;mico e mobilidade social, se fortalece como um assunto importante e necess&aacute;rio de ser tratado na esfera da academia, nas organiza&ccedil;&otilde;es privadas e nas propostas de pol&iacute;tica p&uacute;blicas. Foi em meio a diferentes debates e posicionamentos que os Estados nacionais europeus e latino-americanos, atrav&eacute;s de uma a&ccedil;&atilde;o reguladora, desempenharam um papel central nos acordos coletivos de trabalho, resultando &ldquo;na constru&ccedil;&atilde;o de uma estrutura de ocupa&ccedil;&otilde;es, que vinculava cada uma delas a um conjunto de fun&ccedil;&otilde;es e tarefas e a uma forma&ccedil;&atilde;o profissional (formal ou n&atilde;o) espec&iacute;fica&rdquo; (Dedecca, 1998, p. 272). Os Estados nacionais, em ampla parceria com os setores empregadores e os sindicatos, apoiaram a organiza&ccedil;&atilde;o de sistemas nacionais de forma&ccedil;&atilde;o profissional inicial - em associa&ccedil;&atilde;o com a forma&ccedil;&atilde;o escolar  e de forma&ccedil;&atilde;o profissional cont&iacute;nua - realizada no &acirc;mbito das empresas (Dedecca, 1998), com o intuito de  ampliar os lucros do capital e a renda dos trabalhadores. Na emerg&ecirc;ncia de uma nova organiza&ccedil;&atilde;o de trabalho, a educa&ccedil;&atilde;o e a qualifica&ccedil;&atilde;o profissional adquiriram um car&aacute;ter econ&ocirc;mico, mas, tamb&eacute;m, social, ao possibilitar ao trabalhador o pleno emprego. Com isso, a certifica&ccedil;&atilde;o formal passou a desempenhar importante fun&ccedil;&atilde;o na aloca&ccedil;&atilde;o e hierarquiza&ccedil;&atilde;o do trabalho nas empresas estatais e no mercado como um todo, fortalecendo a  rela&ccedil;&atilde;o entre trabalho, educa&ccedil;&atilde;o e  qualifica&ccedil;&atilde;o, tornando-se objeto de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas acordadas e  negociadas nas conven&ccedil;&otilde;es trabalhistas.  No final dos anos de 1960, a discuss&atilde;o sobre o papel da educa&ccedil;&atilde;o e da qualifica&ccedil;&atilde;o nos processos de trabalho ganha um destaque especial, tanto pelas conting&ecirc;ncias de um novo processo hist&oacute;rico marcado pelos movimentos e transforma&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas e sociais, como pelos novos rumos dos processos econ&ocirc;micos e de trabalho e o avan&ccedil;o da ci&ecirc;ncia e da tecnologia. Autores franceses como Poulantzas, Althusser e Bourdieu, focando suas an&aacute;lises sobre os processos educativos nos aparelhos ideol&oacute;gicos de Estado e na rela&ccedil;&atilde;o entre estruturas, classe social e conhecimentos (Bourdieu, 1970; Althusser, 1974; Poulantzas, 1974), impulsionam novas interpreta&ccedil;&otilde;es sobre o fen&ocirc;meno educacional e as posi&ccedil;&otilde;es te&oacute;rico-metodologicas dos processos investigativos sobre o tema.</P >    <P   align="justify" >Na d&eacute;cada de 1970, o  surgimento das novas bases tecnol&oacute;gicas provenientes da chamada &ldquo;terceira revolu&ccedil;&atilde;o industrial&rdquo;, propiciando condi&ccedil;&otilde;es para uma nova reestrutura&ccedil;&atilde;o produtiva,  reintroduz a discuss&atilde;o sociol&oacute;gica sobre as fun&ccedil;&otilde;es sociais da qualifica&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o e do trabalho e das suas implica&ccedil;&otilde;es na rela&ccedil;&atilde;o capital-trabalho. Autores como Harry Braverman e Claus Offe, sustentam a tese da progressiva desqualifica&ccedil;&atilde;o do trabalhador pelo aprofundamento da divis&atilde;o t&eacute;cnica e social do trabalho, diante de uma produ&ccedil;&atilde;o cada vez mais acelerada e de uma diminui&ccedil;&atilde;o dr&aacute;stica  da oferta de trabalho. Foi nesta conting&ecirc;ncia que Claus Offe, numa reflex&atilde;o tornada cl&aacute;ssica na literatura da sociologia contempor&acirc;nea, questionou a pertin&ecirc;ncia da categoria trabalho como uma categoria sociol&oacute;gica chave. Para ele era necess&aacute;rio uma nova teoria explicativa da sociedade, para al&eacute;m da teoria dos conflitos. Por seu lado,  Harry Braverman, nos anos de 1970, defendia n&atilde;o existir uma rela&ccedil;&atilde;o direta entre os processos educativos e as necessidades ocupacionais, n&atilde;o se justificando o aumento da oferta educacional nem a amplia&ccedil;&atilde;o da qualifica&ccedil;&atilde;o (Braverman, 1974). Entretanto,  previu o deslocamento do trabalho para o setor de servi&ccedil;o, a crescente absor&ccedil;&atilde;o da for&ccedil;a feminina, a &ldquo;converg&ecirc;ncia de escolaridade entre empregados e desempregados&rdquo; e a impossibilidade da educa&ccedil;&atilde;o dominar o processo de trabalho, &ldquo;a menos que a educa&ccedil;&atilde;o se fa&ccedil;a por toda a vida&rdquo; (Paiva, 1989, p. 8).  Kern e Schumann (1989) sustentaram a tese de que na f&aacute;brica automatizada restava pouco espa&ccedil;o para o trabalho n&atilde;o qualificado, apesar de se elevarem as possibilidades para trabalhadores nos setores de ponta, com melhores condi&ccedil;&otilde;es e maior seguran&ccedil;a nos postos de trabalho, significando a manuten&ccedil;&atilde;o e o restabelecimento do trabalho qualificado. Com as novas demandas da produ&ccedil;&atilde;o no cen&aacute;rio internacional, os investimentos dos Estados relativos &agrave; educa&ccedil;&atilde;o escolar ganharam realce e visibilidade. A teoria do capital humano, de ampla repercuss&atilde;o nos modelos de desenvolvimento da &eacute;poca e que teve nos economistas norte-americanos Theodore Schultz (1974) e Frederick H. Harbison (1974) seus principais expoentes, propiciou o surgimento de pol&iacute;ticas educacionais voltadas para a forma&ccedil;&atilde;o  profissional relacionadas &ldquo;&agrave;s demandas e necessidades dos setores mais organizados do capital e de suas necessidades t&eacute;cnico-organizativas&rdquo; (Manfredi, 2002, p.16). A  crise do Estado de Bem Estar Social e a amplia&ccedil;&atilde;o do desemprego, propiciam o surgimento de uma nova pobreza nas sociedades ocidentais e uma sucess&atilde;o de crises na estrutura econ&ocirc;mica com reflexos nas institui&ccedil;&otilde;es sociais. Mas, contraditoriamente, propiciam que os pa&iacute;ses europeus passem a anunciar pol&iacute;ticas de educa&ccedil;&atilde;o e de qualifica&ccedil;&atilde;o com &ecirc;nfase nos saberes necess&aacute;rios e adequados aos novos processos produtivos. O debate sobre a import&acirc;ncia da educa&ccedil;&atilde;o e da profissionaliza&ccedil;&atilde;o do ensino e a qualifica&ccedil;&atilde;o profissional como  condi&ccedil;&otilde;es para o ingresso e perman&ecirc;ncia no trabalho &ndash; e agora para a cidadania -  ressurgem nas pautas dos  estudos te&oacute;ricos  e enfoques emp&iacute;ricos dos diversos autores, influenciando o discurso acad&ecirc;mico e as propostas das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de educa&ccedil;&atilde;o e qualifica&ccedil;&atilde;o do trabalhador.</P >    <P   align="justify" >N&atilde;o foram muitos, neste per&iacute;odo, os autores voltados para o tema educa&ccedil;&atilde;o, qualifica&ccedil;&atilde;o, trabalho e pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, apesar de exitir uma  ampla constela&ccedil;&atilde;o dos que trataram o tema do trabalho e das crises econ&ocirc;micas na consolida&ccedil;&atilde;o de uma nova etapa do capitalismo (Castel, 1998; Beck, 1998, 2000; Gorz, 1998; Vakaloulis, 2001, apud. Ortega, Oca&ntilde;a &amp; Farelo, 2004). </P >    <P   align="justify" >Autores de proced&ecirc;ncia marxistas, como Antonio Gramsci e M&aacute;rio Alighiero Manacorda, continuaram a fornecer elementos de an&aacute;lise sobre os fins dos processos educativos para a forma&ccedil;&atilde;o integral do homem, para as transforma&ccedil;&otilde;es sociais e para a organiza&ccedil;&atilde;o dos processos democr&aacute;tico, sobretudos nos pa&iacute;ses latino-americanos.  As novas id&eacute;ias aportadas por Habermas, relacionando o novo  conceito de compet&ecirc;ncias com  o dom&iacute;nio do processo de trabalho e da comunica&ccedil;&atilde;o e com as rela&ccedil;&otilde;es humanas (Habermas, 1990), introduz a import&acirc;ncia dos consensos e da amplia&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o p&uacute;blico e gera diverg&ecirc;ncias. Sua tese,  segundo seus cr&iacute;ticos, transferindo  a centralidade do trabalho para a esfera da a&ccedil;&atilde;o comunicativa, &eacute; tida como inaplic&aacute;vel &agrave;s realidades sociais e &ldquo;tempos hist&oacute;ricos&rdquo; desiguais. </P >    <P   align="justify" >O surgimento da id&eacute;ia de compet&ecirc;ncia aliada &agrave; de qualifica&ccedil;&atilde;o, como signos de um novo momento do trabalho, propiciou debates e posi&ccedil;&otilde;es diferenciadas.  Na Fran&ccedil;a, pesquisas produzidas no Laborat&oacute;rio de Economia e Sociologia do Trabalho (LEST), por  M. Maurice, F. Sellier e J. J. Silvestre,  comparandos a Fran&ccedil;a, a Alemanha e o Jap&atilde;o, anunciaram que os conceitos de qualifica&ccedil;&atilde;o e de compet&ecirc;ncia n&atilde;o poderiam ser tomados de forma gen&eacute;rica, uma vez que as no&ccedil;&otilde;es e aplica&ccedil;&otilde;es dessas duas categorias articulavam-se com a &ldquo;rela&ccedil;&atilde;o educativa que define um modo de socializa&ccedil;&atilde;o, a rela&ccedil;&atilde;o organizacional que remete ao modo de divis&atilde;o do trabalho e a rela&ccedil;&atilde;o industrial que diz respeito ao modo de regula&ccedil;&atilde;o&rdquo; (Dubar, 1998, p. 92).</P >    <P   align="justify" >Nos Estados Unidos, os estudos de Martin  Carnoy, publicados pela Unesco, sinalizaram que as diferencia&ccedil;&otilde;es registradas nas esferas da comunica&ccedil;&atilde;o, escolariza&ccedil;&atilde;o e nos n&iacute;veis de desenvolvimento nas diferentes regi&otilde;es e pa&iacute;ses, e suas conseq&uuml;&ecirc;ncias nos processos econ&ocirc;micos globalizados, desencadearam nos setores educacionais e de forma&ccedil;&atilde;o tr&ecirc;s tipos de rea&ccedil;&atilde;o: 1)  as reformas fundadas na competitividade e focada na produtividade; 2) aquelas  fundadas nos imperativos financeiros, focadas na redu&ccedil;&atilde;o dos gastos p&uacute;blicos com a educa&ccedil;&atilde;o; e 3) e as reformas  fundadas na equidade, dirigidas a aumentar a igualdade das possibilidades econ&ocirc;micas e sociais (Carnoy, 2003, p. 55 e 65). Segundo Carnoy, diante das transforma&ccedil;&otilde;es produtivas e s&oacute;cio-econ&ocirc;micas, todos os pa&iacute;ses do mundo globalizado reviram suas propostas educativas e suas ofertas de qualifica&ccedil;&atilde;o profissional de acordo com o respectivo n&iacute;vel de desenvolvimento, de necessidade ou de press&atilde;o social, tendo como base a Declara&ccedil;&atilde;o Mundial sobre a Educa&ccedil;&atilde;o para Todos, formulada no ano de 1994.  Em seu conjunto, esse foi um momento culminante em que o novo modelo de gest&atilde;o, acompanhando as mudan&ccedil;as da organiza&ccedil;&atilde;o do trabalho e o decl&iacute;nio da sindicaliza&ccedil;&atilde;o e das negocia&ccedil;&otilde;es coletivas, passou a ser respaldado pela evolu&ccedil;&atilde;o dos sistemas educativos, embasados nas exig&ecirc;ncias das compet&ecirc;ncias profissionais e s&oacute;cio-comunicativas.</P >     <P   align="justify" >No final dos anos de 1990 e in&iacute;cio dos anos 2000, o desemprego estrutural    como fen&ocirc;meno contempor&acirc;neo, e sob a cobertura de situa&ccedil;&otilde;es    de crises e em um contexto de globaliza&ccedil;&atilde;o, propiciaram que a    quest&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o e da qualifica&ccedil;&atilde;o profissional    adquirissem uma nova din&acirc;mica que a faz, ao mesmo tempo e contraditoriamente,    um objeto de estudo e um assunto pol&iacute;tico, econ&ocirc;mico e educacional    e um campo de a&ccedil;&otilde;es &ldquo;hegem&ocirc;nicas&rdquo; e &ldquo;contra-hegem&ocirc;nicas&rdquo;,    um elemento das idiossincrasias locais e das generaliza&ccedil;&otilde;es globalizantes,    em diferentes setores da sociedade e sob diferentes disciplinas. Os estudos    de Ulrich Beck (1986) apontaram para os riscos de uma sociedade em fase de transi&ccedil;&atilde;o    e de mudan&ccedil;as, incluindo-se nela o trabalho e o emprego. As circunst&acirc;ncias    hist&oacute;ricas, marcadas por processo &ldquo;descont&iacute;nuo, inseguro    e incerto&rdquo; (Beck, 2001) e pela amplia&ccedil;&atilde;o da informalidade    do trabalho e de suas pr&aacute;ticas flex&iacute;veis, passaram a exigir do    trabalhador novas escolhas e adapta&ccedil;&otilde;es diferentes daquelas passadas.    Na complexidade desse momento, segundo os enfoques de autores como Beck, Giddens,    Lash (1996), Albrow (1997), Dubar (2000) e Paiva (2001), as pessoas devem estar    em condi&ccedil;&atilde;o de superar uma vida profissional sem garantia de futuro,    desenvolver seu sentido individual da vida sem a pr&eacute;-exist&ecirc;ncia    de meta-discursos e suportar uma complexidade de rela&ccedil;&otilde;es (Kreup;    Kraus &amp; Strauss, 2000, apud Paiva, 2001, 1998). Essas condi&ccedil;&otilde;es,    postas por esses autores e seus seguidores, anunciam que o debate est&aacute;    posto e os sentidos atribu&iacute;dos a no&ccedil;&otilde;es como trabalho,    educa&ccedil;&atilde;o, qualifica&ccedil;&atilde;o e pol&iacute;ticas p&uacute;blicas    continuam sendo francamente disputados. Novos aportes trazidos por autores como    Beck, Habermas, Giddens ou Senett, aliados as novas experi&ecirc;ncias de pol&iacute;ticas    p&uacute;blicas, t&ecirc;m sido testadas em todas as regi&otilde;es do mundo    e o Brasil n&atilde;o est&aacute; fora dessas influ&ecirc;ncias.</P >     <P   align="justify" >&nbsp;</P >     <P   align="justify" ><B> Trabalho e educa&ccedil;&atilde;o: abordagens em perspectiva brasileira </B></P >           <P   align="justify" >No Brasil, at&eacute; os anos de 1970, os estudos existentes sobre o a rela&ccedil;&atilde;o          entre educa&ccedil;&atilde;o, qualifica&ccedil;&atilde;o, trabalho e pol&iacute;ticas          p&uacute;blicas eram predominantemente centrados na perspectiva da economia,          da economia da educa&ccedil;&atilde;o e da forma&ccedil;&atilde;o profissional          e t&eacute;cnica. Foi somente nos anos de 1980 que a reflex&atilde;o sobre          esta rela&ccedil;&atilde;o encontrou no Grupo de Trabalho (GT) &ldquo;Trabalho          e Educa&ccedil;&atilde;o&rdquo;, da Associa&ccedil;&atilde;o Nacional          de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o e Pesquisa em Educa&ccedil;&atilde;o          (ANPED, um espa&ccedil;o privilegiado para o seu debate epistemol&oacute;gico          e as demonstra&ccedil;&otilde;es emp&iacute;ricas, respaldando-se, prioritariamente,          em uma postura te&oacute;rica marxista (cf. Ciavatta &amp; Train, 2003;          Bonfim, 2007). De acordo com Franco (1990), atrav&eacute;s da ado&ccedil;&atilde;o          do &ldquo;m&eacute;todo da economia pol&iacute;tica como diretriz para          a constru&ccedil;&atilde;o do conhecimento&rdquo;, as investiga&ccedil;&otilde;es          dos participantes do referido GT tentavam encontrar explica&ccedil;&otilde;es          e estrat&eacute;gias capazes de superar os limites herdados do enfoque          restrito &agrave; forma&ccedil;&atilde;o profissional para o desenvolvimento          econ&ocirc;mico, &agrave; teoria do capital humano, ao tecnicismo e &agrave;s          teorias reprodutivistas.</P >           ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >At&eacute; meados da d&eacute;cada de 1990, as discuss&otilde;es sobre o trabalho como princ&iacute;pio educativo e a politecnia, baseadas preponderantemente na matriz te&oacute;rica do materialismo hist&oacute;rico (Marx, Luk&aacute;cs e Gramsci), permearam o debate acad&ecirc;mico sobre a profissionaliza&ccedil;&atilde;o, a prepara&ccedil;&atilde;o para o trabalho e a educa&ccedil;&atilde;o do trabalhador, existindo raras interven&ccedil;&otilde;es enfatizando a forma&ccedil;&atilde;o do sujeito, com base nos te&oacute;ricos da Escola de Frankfurt, (Trein, 1996, <I>apud</I> Ciavatta &amp; Trein 2002).</P >    <P   align="justify" >No final daquela d&eacute;cada, os problemas postos pela mundializa&ccedil;&atilde;o do capital levaram o mencionado  GT a reorganizar sua linha anal&iacute;tica em torno de dois grandes eixos tem&aacute;ticos: <I>a reestrutura&ccedil;&atilde;o produtiva</I> e <I>a nova organiza&ccedil;&atilde;o do trabalho</I>. As an&aacute;lises buscavam compreender as conseq&uuml;&ecirc;ncias da nova ordem mundial para a forma&ccedil;&atilde;o profissional, as pol&iacute;ticas profissionais do ponto de vista do Estado e sua vincula&ccedil;&atilde;o com os organismos internacionais (Banco Mundial, Banco Interamericano de Desenvolvimento, Comiss&atilde;o Econ&ocirc;mica para a Am&eacute;rica Latina), baseando-se em Marx, Gramsci e David Harvey, e nos autores nacionais Frigotto,  Machado, Kuenzer,  Ferretti, Fidalgo e  Gentili.</P >    <P   align="justify" >No campo da rela&ccedil;&atilde;o trabalho e educa&ccedil;&atilde;o, o levantamento de Shiroma e Campos (1997) denominado: <I>Qualifica&ccedil;&atilde;o e reestrutura&ccedil;&atilde;o produtiva: Um balan&ccedil;o </I><I>das pesquisas em educa&ccedil;&atilde;o, localizado entre a d&eacute;cada de 1980 e in&iacute;cio da de 1990,  </I>destaca os temas mais constantes das pesquisas focadas na educa&ccedil;&atilde;o, qualifica&ccedil;&atilde;o e trabalho no pa&iacute;s. Assuntos como politecnia e polival&ecirc;ncia, inova&ccedil;&atilde;o nos sistemas de produ&ccedil;&atilde;o e demanda por qualifica&ccedil;&otilde;es, centralidade da educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica, qualifica&ccedil;&atilde;o e compet&ecirc;ncia e empregabilidade, despontaram como os de maior recorr&ecirc;ncia, apesar  de que estes, calcados no determinismo tecnol&oacute;gico e na tentativa de enquadrar a realidade emp&iacute;rica nos &ldquo;modelos&rdquo; prescritos na literatura, limitem-se a fornecer &ldquo;uma resposta &uacute;nica para uma realidade t&atilde;o heterog&ecirc;nea&rdquo; (Shiroma e Camp, 1997, <I>apud</I>., Bomfim, 2007, p. 4), como &eacute; a rela&ccedil;&atilde;o entre o trabalho, educa&ccedil;&atilde;o, qualifica&ccedil;&atilde;o e pol&iacute;ticas p&uacute;blicas. </P >    <P   align="justify" > 	Segundo Paiva (1989), no Brasil, at&eacute; o in&iacute;cio dos anos 1990, os estudos te&oacute;ricos enfocando a rela&ccedil;&atilde;o trabalho e qualifica&ccedil;&atilde;o e a produ&ccedil;&atilde;o de pesquisa emp&iacute;rica eram bastante escassos. A problem&aacute;tica te&oacute;rica sobre o assunto apenas era &ldquo;tocada aqui e acol&aacute;&rdquo; por pessoas como Paiva (1977), Salm (1980), Frigotto (1984) e Pereira (1979), mas as pesquisas emp&iacute;ricas de grande porte envolvendo diversos setores da produ&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o eram dispon&iacute;veis. O setor de servi&ccedil;o n&atilde;o se constitu&iacute;a preocupa&ccedil;&atilde;o dos pesquisadores, sendo por isso necess&aacute;rio tratar da condi&ccedil;&atilde;o brasileira a partir da compara&ccedil;&atilde;o com outro pa&iacute;s de estrutura similar ou &ldquo;de especular sobre nossas necessidades de qualifica&ccedil;&atilde;o &agrave; luz de pesquisas realizadas nos pa&iacute;ses centrais&rdquo;/(Paiva, 1989. p. 40).</P >    <P   align="justify" >Com o fen&ocirc;meno da globaliza&ccedil;&atilde;o, as transforma&ccedil;&otilde;es produtivas e a crise do trabalho, esse assunto adquiriu uma nova dimens&atilde;o. Como um assunto &ldquo;redescoberto&rdquo;, os trabalhos e reflex&otilde;es sobre o tema encontram-se, ainda, sendo analisados e resignificados, destacadamente, quando concebido na condi&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;tica &ldquo;ativa&rdquo; de emprego, &ldquo;direito&rdquo; ou &ldquo;pol&iacute;tica p&uacute;blica&rdquo;, originada nos movimentos sociais, particularmente no movimento sindical (Lima, 2007. p. 72). </P >    <P   align="justify" >As atuais transforma&ccedil;&otilde;es pelas quais v&ecirc;m passando o mundo do trabalho envolvendo discursos e pr&aacute;ticas &ndash; embora contradit&oacute;rios  -, configura-se um movimento que tem como base a substitui&ccedil;&atilde;o da regula&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica das rela&ccedil;&otilde;es de trabalho por uma regula&ccedil;&atilde;o privada. Esta regula&ccedil;&atilde;o, realizada nos espa&ccedil;os das empresas, se baseia na individualiza&ccedil;&atilde;o crescente da rela&ccedil;&atilde;o entre estas e os trabalhadores (Dedecca, 1998).    </P >    <P   align="justify" >No final dos anos de 1990, Ferretti avaliando os resultados das primeiras iniciativas de pol&iacute;tica de qualifica&ccedil;&atilde;o do trabalhador, observou que tanto o Estado como o empresariado ou a sociedade civil, tentaram, a partir da pol&iacute;tica de qualifica&ccedil;&atilde;o do trabalhador, &ldquo;oferecer respostas ao desemprego oferecendo cursos de forma&ccedil;&atilde;o&rdquo;/(Ferreti, 1999, p. 13). Entretanto, continua ele, essa forma&ccedil;&atilde;o n&atilde;o estava sendo  suficiente para contemplar as necessidades de trabalho de uma popula&ccedil;&atilde;o com pouco ou nenhuma escolariza&ccedil;&atilde;o. Tal opini&atilde;o foi compartilhada, entre outros, por Frigoto (2000; 2001), Tiriba (2001) e Franco (1998). Esses autores, adotando uma postura cr&iacute;tica, sustentaram a impropriedade da qualifica&ccedil;&atilde;o para assegurar a inser&ccedil;&atilde;o e a perman&ecirc;ncia do trabalhador no mercado, tanto pelas condi&ccedil;&otilde;es conjunturais e contextuais do pa&iacute;s, como pelo descompasso entre a gera&ccedil;&atilde;o e transmiss&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es produzidas nos treinamentos - restritos e localizados -, como em fun&ccedil;&atilde;o da rapidez das informa&ccedil;&otilde;es regidas pelas tecnologias avan&ccedil;adas e a &ldquo;nova base t&eacute;cnica do trabalho, do tipo eletr&ocirc;nico que prescinde de milh&otilde;es de bra&ccedil;os e c&eacute;rebros&rdquo; (Frigoto, 2001, p. 16).</P >    <P   align="justify" >Na outra m&atilde;o, para os defensores e organizadores dessa pol&iacute;tica, o papel da pol&iacute;tica de qualifica&ccedil;&atilde;o do trabalhador &eacute; o de possibilitar aos trabalhadores pobres (desempregados, jovens, idosos, mulheres e negros e que nunca tiveram oportunidade de serem qualificados ou requalificados) uma oportunidade de trabalho, seja para permanecer no trabalho, seja para construir novas formas de produ&ccedil;&atilde;o, diante de um mundo de trabalho em reconfigura&ccedil;&atilde;o e que exige escolaridade, qualifica&ccedil;&atilde;o, conhecimentos e informa&ccedil;&atilde;o (Castro, 2000; Mehedff, 1997; Leite, 1998; Schmidt, 2001).</P >     <P   align="justify" >Estas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, ora s&atilde;o vistas como oportunas    e eficazes por potencializarem a melhoria das condi&ccedil;&otilde;es de vida    e de trabalho ao trabalhador, ampliando os seus direitos de cidadania, ora criticadas,    &ldquo;no sentido de que a sua efetividade n&atilde;o possui correspond&ecirc;ncia    com os recursos investidos&rdquo; (Schmidt, 2001, p. 9), ou por n&atilde;o oferecerem    alternativas para o trabalho e nem efetivo acesso aos direitos de cidadania    para os segmentos em situa&ccedil;&atilde;o de risco. Ainda ssim, s&atilde;o    elas quem ganham, no quadro da precariza&ccedil;&atilde;o do trabalho, das exig&ecirc;ncias    internacionais e sindicais por mais educa&ccedil;&atilde;o e mais qualifica&ccedil;&atilde;o    das popula&ccedil;&otilde;es nacionais, novas dimens&otilde;es e assumem novos    conte&uacute;dos sociais e pol&iacute;ticos, impulsionando os governos brasileiros    a reverem suas pol&iacute;ticas de educa&ccedil;&atilde;o e de qualifica&ccedil;&atilde;o    do trabalhador.</P >     <P   align="justify" >&nbsp;</P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   ><B> A qualifica&ccedil;&atilde;o profissional como pol&iacute;tica p&uacute;blica: trajet&oacute;ria e tend&ecirc;ncias atuais </B></P >           <P   align="justify" >As pol&iacute;ticas de trabalho e emprego, baseadas fundamentalmente na forma&ccedil;&atilde;o          profissional, surgem no mundo como resposta ao desemprego, tendo como          principal fonte de inspira&ccedil;&atilde;o e de orienta&ccedil;&atilde;o          as Resolu&ccedil;&otilde;es e Recomenda&ccedil;&otilde;es da Organiza&ccedil;&atilde;o          Internacional do Trabalho (OIT) elaboradas no ano de 1939 e centradas          no problema da aprendizagem. Atrav&eacute;s da Recomenda&ccedil;&atilde;o          57, complementada pela Recomenda&ccedil;&atilde;o 60, a forma&ccedil;&atilde;o          profissional adquiriu um car&aacute;ter mais sist&ecirc;mico, sendo previsto          tr&ecirc;s tipos b&aacute;sicos de forma&ccedil;&atilde;o: a prepara&ccedil;&atilde;o          profissional, a ser introduzida no ensino obrigat&oacute;rio; o ensino          t&eacute;cnico e profissional, a ser desenvolvido por uma rede de escolas          t&eacute;cnicas e profissionalizantes, e, complementarmente, a forma&ccedil;&atilde;o          antes de entrar e durante o pr&oacute;prio emprego (nos dois primeiros          casos, principalmente destinadas aos jovens). Naquele contexto, as orienta&ccedil;&otilde;es          da OIT eram de que os pa&iacute;ses deveriam procurar articular as a&ccedil;&otilde;es          de qualifica&ccedil;&atilde;o entre as institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas          e privadas atuantes na &aacute;rea, com vistas a contemplar, de forma          articulada, os interesses dos trabalhadores, das empresas e da sociedade          em geral. A partir de 1945, o p&uacute;blico emerge com for&ccedil;a,          cobrando do Estado pol&iacute;ticas sociais de sa&uacute;de, prote&ccedil;&atilde;o          social e de educa&ccedil;&atilde;o e melhoria das condi&ccedil;&otilde;es          de vida. Reclamam por trabalho. </P >           <P   align="justify" > No ano de 1950, sob um contexto de reconstru&ccedil;&atilde;o social e econ&ocirc;mica e de mudan&ccedil;as tecnol&oacute;gicas, surge a Recomenda&ccedil;&atilde;o 88 da OIT, voltada, prioritariamente, para a forma&ccedil;&atilde;o dos adultos e os desempregados com baixa qualifica&ccedil;&atilde;o, excedentes ou   trabalhadores em busca de novas &aacute;reas profissionais. No ano de 1962, a Recomenda&ccedil;&atilde;o 117 retomou as orienta&ccedil;&otilde;es anteriores e introduziu a no&ccedil;&atilde;o de forma&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua, orientando os pa&iacute;ses em via de industrializa&ccedil;&atilde;o para a uniformiza&ccedil;&atilde;o dos n&iacute;veis de forma&ccedil;&atilde;o e de certifica&ccedil;&atilde;o,  permitindo a compara&ccedil;&atilde;o entre os v&aacute;rios pa&iacute;ses.</P >    <P   align="justify" >Ap&oacute;s os anos de 1970, quando a crise internacional come&ccedil;ou a ser visibilizada de forma mais n&iacute;tida, a qualifica&ccedil;&atilde;o do trabalhador tornou-se em v&aacute;rios pa&iacute;ses da Europa, como uma das poucas possibilidades para o trabalho e uma das prioridades educativas dos governos nacionais articulados de forma globalizada e cooperativa.  Nos pa&iacute;ses pobres como os da Am&eacute;rica Latina, as pol&iacute;ticas de qualifica&ccedil;&atilde;o do trabalhador criadas para harmonizar os interesses dos empregadores, por um lado, e dos trabalhadores, por outro, continuaram sendo insuficientes para atender as  demandas, fossem voltadas  para o desenvolvimento econ&ocirc;mico, para a inclus&atilde;o ou para a paz social. Suas a&ccedil;&otilde;es n&atilde;o permitiam romper com os macro problemas estruturais provocadores da pobreza e da desigualdade. Entre os anos de 1980 e de 1990, marcados por crises, desemprego e aumento das desigualdades sociais, as recomenda&ccedil;&otilde;es da Organiza&ccedil;&atilde;o para a Coopera&ccedil;&atilde;o de Desenvolvimento Econ&ocirc;mico (OCDE) e da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia foram no sentido de que os governos deveriam colocar em pr&aacute;tica pol&iacute;ticas de emprego, capazes de melhorem os resultados econ&ocirc;micos e introduzirem medidas ativas de inser&ccedil;&atilde;o e de incentivo ao trabalho. As pol&iacute;ticas de qualifica&ccedil;&atilde;o profissional surgem como capazes de potenciar as popula&ccedil;&otilde;es, uma forma&ccedil;&atilde;o capaz de lhes propiciar <I>empregabilidade. </I></P >    <P   align="justify" >Em 2004, foi aprovada na OIT a Recomenda&ccedil;&atilde;o 195, motivada por mudan&ccedil;as significativas nos processos produtivos, em termos t&eacute;cnicos, organizacionais, pol&iacute;ticos e culturais (na perspectiva do paradigma da <I>produ&ccedil;&atilde;o flex&iacute;vel</I>), com fortes impactos sobre a forma&ccedil;&atilde;o profissional<I>.</I> Essa organiza&ccedil;&atilde;o prop&ocirc;s que os pa&iacute;ses membros criassem um <I>marco nacional de qualifica&ccedil;&atilde;o,</I> que contemplasse a aprendizagem permanente, de modo a orientar as pessoas em suas op&ccedil;&otilde;es de forma&ccedil;&atilde;o e de trajet&oacute;ria profissional, ao mesmo tempo ajudando as empresas e as ag&ecirc;ncias de aloca&ccedil;&atilde;o a conciliarem a demanda com a oferta de <I>compet&ecirc;ncias</I>. (Pronko, 2005; Cinterfor, 2006; OIT, 2007).</P >    <P   align="justify" >No caso brasileiro, a ado&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas relacionando a quest&atilde;o do trabalho com a qualifica&ccedil;&atilde;o &eacute; algo recente e se encontra em um est&aacute;gio ainda elementar de formula&ccedil;&atilde;o e implementa&ccedil;&atilde;o. Basicamente, o primeiro programa governamental de forma&ccedil;&atilde;o profissional foi o Programa Intensivo de Prepara&ccedil;&atilde;o de M&atilde;o-de-Obra  (PIPMO), criado em 1963, submetido inicialmente ao MEC. O servi&ccedil;o de intermedia&ccedil;&atilde;o de m&atilde;o-de-obra s&oacute; come&ccedil;ou a ser implementado com a cria&ccedil;&atilde;o do Sistema Nacional de Emprego (SINE), em 1975, quando o Minist&eacute;rio do Trabalho incorporou tamb&eacute;m o PIPMO. Foi, entretanto, nos anos de 1990 que o governo brasileiro, sob a influ&ecirc;ncia de organismos multilaterais, como o Banco Mundial, o BID, a UNESCO e a OIT, entre outros, trouxe para si a responsabilidade de empreender um conjunto articulado e sistem&aacute;tico de iniciativas, visando colocar sob novas refer&ecirc;ncias a quest&atilde;o da <I>qualifica&ccedil;&atilde;o profissional</I>. O novo cen&aacute;rio, tendo uma rela&ccedil;&atilde;o direta com a constitui&ccedil;&atilde;o do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e com a cria&ccedil;&atilde;o do Conselho Deliberativo do FAT (CODEFAT), resultaram de um processo contradit&oacute;rio, marcado tanto por um claro esfor&ccedil;o de desresponsabiliza&ccedil;&atilde;o do Estado frente &agrave;s pol&iacute;ticas sociais, como por um diverso e difuso movimento por parte da sociedade civil organizada, visando ampliar a participa&ccedil;&atilde;o quanto &agrave; formula&ccedil;&atilde;o e gest&atilde;o das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas.</P >     <P   align="justify" >Na primeira metade dos anos de 1990, o governo federal brasileiro organizou dois    projetos inter-relacionados &agrave;s quest&otilde;es da educa&ccedil;&atilde;o,    qualifica&ccedil;&atilde;o e do trabalho: um vinculado ao Minist&eacute;rio    da Educa&ccedil;&atilde;o (MEC), por meio da Secretaria de Ensino T&eacute;cnico    e o outro do &acirc;mbito do Minist&eacute;rio do Trabalho e Emprego (MTE),    atrav&eacute;s da Secretaria de Forma&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento Profissional.    Na primeira situa&ccedil;&atilde;o, os encaminhamentos iniciais deram origem    &agrave; reforma do ensino m&eacute;dio e t&eacute;cnico, consubstanciado no    Projeto de Lei 1.603/96 e no Decreto 2.208/97. O projeto do MTE, por sua vez,    propiciou a elabora&ccedil;&atilde;o do documento <I>Quest&otilde;es </I><I>cr&iacute;ticas    da educa&ccedil;&atilde;o brasileira</I> (Brasil, MTb, 1995), que embasou a    estrutura&ccedil;&atilde;o do Plano Nacional de Educa&ccedil;&atilde;o Profissional    (PLANFOR)<Sup><a href="#3">3</a><a name="top3"></a></Sup>, voltado para propiciar    qualifica&ccedil;&atilde;o aos trabalhadores, sobretudo &agrave;queles portadores    de pouca escolaridade e considerados em situa&ccedil;&atilde;o de risco de trabalho    (Manfredi, 2002, p. 114-119).</P >     <P   align="justify" >O PLANFOR, financiado com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), constituiu-se na forma de uma rede de educa&ccedil;&atilde;o profissional em todo o pa&iacute;s, denominada de &ldquo;a nova institucionalidade da Educa&ccedil;&atilde;o Profissional no Brasil&rdquo; - um dos projetos priorit&aacute;rios do governo federal. Implementada de forma descentralizada atrav&eacute;s dos Planos Estaduais de Qualifica&ccedil;&atilde;o (PEQS), em &ldquo;parcerias&rdquo; com a sociedade civil, foi previsto um conjunto de a&ccedil;&otilde;es relacionadas com a qualifica&ccedil;&atilde;o e requalifica&ccedil;&atilde;o do trabalhador de modo que, at&eacute; no ano de l999, houvesse o atendimento de l5 milh&otilde;es de trabalhadores, cerca de 20% da Popula&ccedil;&atilde;o Economicamente Ativa. (PLANFOR, 1996, p. 24).</P >     <P   align="justify" >Os programas que compuseram o PLANFOR ao longo de sua vig&ecirc;ncia, entre 1995    e 2002, tanto no &acirc;mbito nacional como estadual, foram executados atrav&eacute;s    de parcerias com terceiros, incluindo o &ldquo;Sistema S&rdquo;, as centrais    sindicais e ONGs, entre outros. Segundo Pochmann (1999), apoiando-se em dados    do Minist&eacute;rio do Trabalho, enquanto as Escolas T&eacute;cnicas contaram    com 700 mil alunos, em 1996, o &ldquo;Sistema S&rdquo; atingiu 3 milh&otilde;es    e o PLANFOR, 1,1 milh&atilde;o<Sup><a href="#4">4</a><a name="top4"></a></Sup>.    Al&eacute;m do saber &ldquo;fazer&rdquo;, para o qual os trabalhadores eram    preparados no &acirc;mbito do paradigma <I>fordista</I> de qualifica&ccedil;&atilde;o,    a esse deveria ser acrescido o saber &ldquo;ser&rdquo; e o saber &ldquo;aprender&rdquo;<Sup><a href="#5">5</a><a name="top5"></a>.</Sup>.    Tais propostas de educa&ccedil;&atilde;o para o emprego e a renda, no entanto,    n&atilde;o garantiam a inser&ccedil;&atilde;o do trabalhador no mercado de trabalho,    como tornou claro o pr&oacute;prio promotor da pol&iacute;tica, o governo federal.    Recomendou-se aos Estados e aos munic&iacute;pios da Federa&ccedil;&atilde;o    planejarem estrat&eacute;gias para ampliar as suas oportunidades econ&ocirc;micas    - locais e regionais -, de forma a criar possibilidades de trabalho &agrave;s    respectivas PEA. Tamb&eacute;m foi proposto &agrave; sociedade civil, atrav&eacute;s    das suas organiza&ccedil;&otilde;es, movimentos e representa&ccedil;&otilde;es,    acompanhar o movimento do mercado para sugerir cursos e treinamentos coerentes    com as exig&ecirc;ncias da produ&ccedil;&atilde;o e capazes de atender, simultaneamente,    as necessidades do mercado e da popula&ccedil;&atilde;o trabalhadora. Caberia,    por fim, ao pr&oacute;prio trabalhador encontrar suas alternativas de trabalho    e de renda, ou seja, suas possibilidades de &ldquo;empregabilidade&rdquo;, agora    referenciadas pelas no&ccedil;&otilde;es de &ldquo;flexibiliza&ccedil;&atilde;o    do mercado de trabalho&rdquo;, qualifica&ccedil;&atilde;o e &ldquo;compet&ecirc;ncia&rdquo;.    Embasada nesses novos conceitos, introduzidos no contexto brasileiro, sob a    &eacute;gide das pol&iacute;ticas globalizadoras e neoliberais, a qualifica&ccedil;&atilde;o    profissional converteu-se em pol&iacute;tica p&uacute;blica. </P >     <P   align="justify" >No ano de 2003, com a emerg&ecirc;ncia do governo Lula, o PLANFOR foi substitu&iacute;do pelo Plano Nacional de Qualifica&ccedil;&atilde;o (PNQ), implementado no segundo semestre de 2003, atrav&eacute;s dos Planos Territoriais de Qualifica&ccedil;&atilde;o (Planteqs), dos Projetos Especiais de Qualifica&ccedil;&atilde;o (Proesqs) e dos Planos Setoriais de Qualifica&ccedil;&atilde;o  (Planseqs) (Codefat, 2006).</P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >Com a ado&ccedil;&atilde;o desse novo Plano, a discuss&atilde;o p&uacute;blica ganhou novos contornos. Partindo de um balan&ccedil;o cr&iacute;tico do per&iacute;odo anterior, o PNQ prop&ocirc;s mudan&ccedil;as nos planos pol&iacute;ticos institucional, conceitual, pedag&oacute;gico, &eacute;tico e operacional (MTE/SPPE/DEQ, 2003). Sobretudo, real&ccedil;ou a no&ccedil;&atilde;o de qualifica&ccedil;&atilde;o como constru&ccedil;&atilde;o social, questionou o discurso da &ldquo;empregabilidade&rdquo; e buscou centrar o entendimento da pol&iacute;tica p&uacute;blica de qualifica&ccedil;&atilde;o profissional na perspectiva dos <I>direitos sociais</I>, devendo, nesses termos, ser objeto de uma pol&iacute;tica nacionalmente articulada, controlada socialmente, sustentada publicamente e orientada para o desenvolvimento sustent&aacute;vel, a inclus&atilde;o social e a consolida&ccedil;&atilde;o da cidadania.</P >    <P   align="justify" >Enquanto pol&iacute;tica p&uacute;blica apoiada por requisitos da participa&ccedil;&atilde;o e controle sociais efetivos, a qualifica&ccedil;&atilde;o passou a ser vista como um fator integrante e integrador do Sistema P&uacute;blico de Emprego, Trabalho e Renda, articulada &agrave;s Pol&iacute;ticas P&uacute;blicas de Educa&ccedil;&atilde;o e de Desenvolvimento e gerenciada pelo Codefat e as Comiss&otilde;es Estaduais e Municipais de Emprego/Trabalho. </P >    <P   align="justify" >Neste novo contexto governamental, o MTE e o MEC passaram a protagonizar novas iniciativas no <I>campo da qualifica&ccedil;&atilde;o</I>, com destaque para a revoga&ccedil;&atilde;o em 2004, do Decreto 2.208/97, restabelecendo a possibilidade de integra&ccedil;&atilde;o do ensino m&eacute;dio e t&eacute;cnico, a institui&ccedil;&atilde;o de programas como Escola de F&aacute;brica (em 2005), Saberes da Terra (em 2005) e PROEJA (em 2005/06), visando afirmar uma pol&iacute;tica nacional de educa&ccedil;&atilde;o profissional e tecnol&oacute;gica.</P >    <P   align="justify" >N&atilde;o obstante o reconhecimento de avan&ccedil;os nessas a&ccedil;&otilde;es, como a expans&atilde;o da rede federal de educa&ccedil;&atilde;o profissional e o contraponto &agrave; separa&ccedil;&atilde;o entre a <I>educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica</I> e a forma&ccedil;&atilde;o profissional, algumas cr&iacute;ticas persistem. Frigotto, Ciavatta e Ramos (2005), por exemplo, consideram tais a&ccedil;&otilde;es ainda como de tipo &ldquo;focais&rdquo; e &ldquo;contingentes&rdquo;.</P >    <P   align="justify" >De outra parte, visando estabelecer os marcos de uma nova pol&iacute;tica nacional de educa&ccedil;&atilde;o profissional e tecnol&oacute;gica, o MEC organizou em novembro de 2006 a 1&ordf; Confer&ecirc;ncia Nacional de Educa&ccedil;&atilde;o Profissional e Tecnol&oacute;gica, com a presen&ccedil;a de educadores, gestores, pesquisadores e lideran&ccedil;as sociais de todo o pa&iacute;s. A <I>qualifica&ccedil;&atilde;o profissional</I>, reportada, sobretudo, ao MTE, e a educa&ccedil;&atilde;o profissional (neste caso, particularmente a de n&iacute;vel m&eacute;dio e de gradua&ccedil;&atilde;o superior), reportada ao MEC, continuam, entretanto, em trajet&oacute;rias paralelas.</P >     <P   align="justify" >Quanto ao debate recente sobre <I>pol&iacute;ticas de qualifica&ccedil;&atilde;o</I>,    Lima (2007) identifica tr&ecirc;s principais concep&ccedil;&otilde;es: a primeira,    predominante entre 1990 e 1996, v&ecirc; a <I>qualifica&ccedil;&atilde;o</I>    como via de retorno ao emprego &ndash; diante de uma percep&ccedil;&atilde;o    do desemprego como uma situa&ccedil;&atilde;o conjuntural, vincula as a&ccedil;&otilde;es    de <I>qualifica&ccedil;&atilde;o/</I><I>requalifica&ccedil;&atilde;o</I> ao    benef&iacute;cio do seguro-desemprego; a segunda, hegem&ocirc;nica entre 1996    e 2002 e que teve no PLANFOR seu principal instrumento, real&ccedil;a a concep&ccedil;&atilde;o    de <I>qualifica&ccedil;&atilde;o</I> como uma pol&iacute;tica &ldquo;ativa&rdquo;    de emprego e toma como meta a qualifica&ccedil;&atilde;o de fatias expressivas    da PEA, como garantia da <I>empregabilidade</I> do trabalhador e da <I>competitividade</I>    da economia; e a terceira, que ganha evid&ecirc;ncia a partir de 2003, baseada    em uma concep&ccedil;&atilde;o de <I>qualifica&ccedil;&atilde;o como direito    e como pol&iacute;tica p&uacute;blica, </I>tendo no<I> </I>PNQ sua &acirc;ncora.    Entretanto, a capacidade do PNQ, a partir das diretrizes e procedimentos adotados,    de garantir uma reorienta&ccedil;&atilde;o efetiva da pol&iacute;tica p&uacute;blica    de qualifica&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s ainda se encontra em constru&ccedil;&atilde;o.</P >     <P   align="justify" >&nbsp;</P >     <P   align="justify" ><B>Notas </B></P >            <P   align="justify" ><Sup><a href="#top1">1</a></Sup><a name="1"></a> Este texto constitui parte de    pesquisa financiada pelo CNPq atrav&eacute;s de bolsa de produtividade.</P >            <P   align="justify" ><Sup><a href="#top2">2</a></Sup><a name="2"></a> Ver a respeito, por exemplo,    o estudo que se tornou refer&ecirc;ncia, a esse respeito, Friedmann &amp; Naville    (1973).</P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" ><Sup><a href="#top3">3</a></Sup><a name="3"></a> Que, em 1999, passou a denominar-se    Plano Nacional de Qualifica&ccedil;&atilde;o do Trabalhador, conservando a mesma    sigla; e, em 2003, com o novo governo, passou a denominar-se Plano Nacional    de Qualifica&ccedil;&atilde;o, sob a nova sigla PNQ.</P >     <P   align="justify" ><Sup><a href="#top4">4</a></Sup><a name="4"></a> &ldquo;O programa desde a sua    origem tinha o prop&oacute;sito de atender os trabalhadores desempregados, visando    elevar a escolaridade e cuja meta era articular, atrav&eacute;s da ampla rede    de forma&ccedil;&atilde;o profissional existente no Pa&iacute;s, 20% da Popula&ccedil;&atilde;o    Economicamente Ativa &ndash; PEA at&eacute; o ano 2000, meta esta que foi postergarda    para 2002, por meio da Resolu&ccedil;&atilde;o n. 194/98&rdquo; (Castioni, 2002:    213).</P >     <P   align="justify" ><Sup><a href="#top5">5</a></Sup><a name="5"></a> &ldquo;Delineia-se neste contexto    um novo perfil e um novo conceito de qualifica&ccedil;&atilde;o, que vai al&eacute;m    do simples dom&iacute;nio de habilidades manuais e/ou disposi&ccedil;&atilde;o    para cumprir ordens (...) O novo perfil valoriza tra&ccedil;os como participa&ccedil;&atilde;o,    iniciativa, racioc&iacute;nio, discernimento, informa&ccedil;&atilde;o. Buscam-se    pessoas com iniciativa, capacidade de decidir e agir em face de imprevistos    ou eventos aleat&oacute;rios &ndash; que s&atilde;o tanto mais freq&uuml;entes    quanto mais modernas, integradas e informatizadas as empresas&rdquo; (MTE/SPPE/DEQP,    2001: 54).</P >     <P   align="justify" >&nbsp;</P >     <P   align="justify" ><B>Refer&ecirc;ncias Bibliogr&aacute;ficas </B></P >           <P   align="justify" >Abramo, L. (1999). Desafios atuais da sociologia do trabalho na Am&eacute;rica          latina: Algumas hip&oacute;teses para a discuss&atilde;o. In E. de GARZA          (org.). <I>Los retos Te&oacute;ricos de Los Est&uacute;dios Del Trabajo          hacia el Siglo XXI</I>. Colecci&oacute;n Grupos de Trabajo de FLACSO:          Trabajo, sujetos y organizaciones Laborales. Buenos Aires: FLACSO. </P >           <P   align="justify" >Affonso, C. (2001). <I>A CUT conselheira: Tripartismo e Forma&ccedil;&atilde;o Profissional &ndash; Concep&ccedil;&otilde;es e Pr&aacute;ticas Sindicais nos </I><I>Anos 9</I>0. Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado. Rio de Janeiro: UFRJ.</P >    <P   align="justify" >Ara&uacute;jo, R. (2000). Compet&ecirc;ncia. In F. Fidalgo &amp; L. Machado (Ed.). <I>Dicion&aacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o Profissional.</I> Belo Horizonte: N&uacute;cleo de Estudos sobre Trabalho e Educa&ccedil;&atilde;o/UFMG.</P >    <P   align="justify" >Azeredo, B. (1998a). Pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de emprego no Brasil: limites e possibilidades. In M. A. Oliveira (org.). <I>Reforma do Estado e pol&iacute;ticas de emprego no Brasil</I>. Campinas: IE/Unicamp.</P >    <!-- ref --><P   align="justify" >Azeredo, B. (1998b). <I>Pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de emprego: a experi&ecirc;ncia brasileira</I>. S&atilde;o Paulo: ABET.</P >    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000072&pid=S1645-7250200900020000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><P   align="justify" >BRASIL. (2003a). <I>Orienta&ccedil;&atilde;o Estrat&eacute;gica e Programas: Plano Plurianual 2004/2007</I>. Bras&iacute;lia: Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica, </P >    <P   align="justify" >BRASIL. (2003b). <I>Plano Nacional de Qualifica&ccedil;&atilde;o &ndash; PNQ</I>, 2003-2007. Bras&iacute;lia: MTE/SPPE/DEQ, </P >    <P   align="justify" >Braverman, H. (1987). <I>Trabalho e capital monopolista</I>: <I>A degrada&ccedil;&atilde;o do trabalho no s&eacute;culo XX</I>. Rio de Janeiro: Guanabara.</P >    <P   align="justify" >Castel, R. (1998). <I>As Metamorfoses da quest&atilde;o social</I>: <I>Uma cr&ocirc;nica do sal&aacute;rio</I>. Petr&oacute;polis: Vozes.</P >    <P   align="justify" >Castioni, R. (2002). <I>Da qualifica&ccedil;&atilde;o &agrave; compet&ecirc;ncia: dos fundamentos aos usos &ndash; o Planfor como dissimulador de </I><I>novos &ldquo;conceitos&rdquo; em Educa&ccedil;&atilde;</I>o. Tese de Doutorado. Campinas: Unicamp/FE.</P >    <P   align="justify" >CINTERFOR. (2006).  La nueva Recomendaci&oacute;n 195 de OIT. Montevideo: Cinterfor/OIT, </P >     <P   align="justify" >CODEFAT. Resolu&ccedil;&otilde;es. <a href="http://www.mte.gov.br/codefat/default.asp" target="_blank">www.mte.goc.br</a>    (acesso em fevereiro de 2006).</P >     <P   align="justify" >CUNHA, L. A. ( 2001).  Os minist&eacute;rios da Educa&ccedil;&atilde;o e do Trabalho na educa&ccedil;&atilde;o profissional. In S. C. Yonnoulas (org.). <I>Atuais tend&ecirc;ncias na educa&ccedil;&atilde;o profissional</I>. Bras&iacute;lia: Paralelo 15. </P >    <P   align="justify" >Dain, S. &amp; Soares, L. T. (1998). Reforma do Estado e pol&iacute;ticas p&uacute;blicas: Rela&ccedil;&otilde;es intergovernamentais e descentraliza&ccedil;&atilde;o desde 1988. In M. A. Oliveira (org.). <I>Reforma do Estado e pol&iacute;ticas de emprego no Brasil</I>. Campinas: IE/Unicamp.</P >    <P   align="justify" >Dedecca, C. S. (1998). Emprego e qualifica&ccedil;&atilde;o no Brasil dos anos 90. In M. A. Oliveira (org.). <I>Reforma do </I><I>estado e pol&iacute;ticas de emprego no Brasil</I>. Campinas: IE/Unicamp.</P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >Dieese (2001). <I>A Situa&ccedil;&atilde;o do trabalho no Brasil</I>. S&atilde;o Paulo: Dieese.</P >    <P   align="justify" >Ferretti, C. J. (1999). Brasil: Educa&ccedil;&atilde;o e forma&ccedil;&atilde;o profissional nos anos recentes&rdquo;. <I>Forma&ccedil;&atilde;o Sindical em De</I><I></I><I>bate</I>, S&atilde;o Paulo: N&uacute;cleo Tem&aacute;tico Educa&ccedil;&atilde;o do Trabalhador/Escola S&atilde;o Paulo, n&ordm; 02.</P >    <P   align="justify" >Friedmann, G. &amp; Naville, P. (1973). <I>Tratado de sociologia do trabalho</I>. S&atilde;o Paulo: Cultrix.</P >    <P   align="justify" >Frigotto, G.; Ciavatta, M. &amp; Ramos, M. (2005). A pol&iacute;tica de educa&ccedil;&atilde;o profissional no Governo Lula: um percurso hist&oacute;rico controvertido. <I>Educa&ccedil;&atilde;o e Sociedade</I><B>.</B> 26, (92).</P >    <P   align="justify" >Frigotto, G. (2006). A rela&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o profissional e tecnol&oacute;gica com a universaliza&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica (Exposi&ccedil;&atilde;o realizada na 1&ordf; Confer&ecirc;ncia Nacional de Educa&ccedil;&atilde;o Profissional e Tecnol&oacute;gica). Bras&iacute;lia, (mimeo).</P >    <P   align="justify" >Gentili, P. (1999). O Conceito de &ldquo;Empregabilidade&rdquo;. In L. H. Lodi (Org.). <I>Avalia&ccedil;&atilde;o do PLANFOR: Uma pol&iacute;tica </I><I>p&uacute;blica de educa&ccedil;&atilde;o profissional em debate</I>, Cadernos Unitrabalho 2, S&atilde;o Paulo: Unitrabalho.</P >    <P   align="justify" >Harvey, D. (1992). <I>Condi&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-moderna</I>. S&atilde;o Paulo: Edi&ccedil;&otilde;es Loyola.</P >    <P   align="justify" >Lima, A. (2007). A qualifica&ccedil;&atilde;o no sistema p&uacute;blico de emprego: uma an&aacute;lise a partir das Resolu&ccedil;&otilde;es do Codefat. In R. V&eacute;ras de Oliveira, R. (org.).  <I>Novo momento para as comiss&otilde;es de emprego no Brasil? Sobre as </I><I>condi&ccedil;&otilde;es da participa&ccedil;&atilde;o e controle sociais no sistema p&uacute;blico de emprego em constru&ccedil;&atilde;o.</I> S&atilde;o Paulo: Unitrabalho/A+ Comunica&ccedil;&atilde;o. </P >    <P   align="justify" >Lipietz, A. (1991). <I>Aud&aacute;cia</I>: <I>uma alternativa para o s&eacute;culo 21</I>. S&atilde;o Paulo: Nobe.</P >    <P   align="justify" >Kern, H. &amp; SCHUMANN, M. (1989). <I>La Fin de la Division du Travail?</I>, Paris, Editions de la Maison des Sciences de l&rsquo;Homme.</P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >Manfredi, S.(2002). <I>Educa&ccedil;&atilde;o profissional no Brasil</I>. S&atilde;o Paulo: Cortez.</P >    <P   align="justify" >MTb/SEFOR (1995). <I>Educa&ccedil;&atilde;o profissional: um projeto para o desenvolvimento sustentado</I>. Bras&iacute;lia: MTE.</P >    <P   align="justify" >MTE/SPPE/DEQP (2001). Educa&ccedil;&atilde;o profissional no Brasil: Construindo uma nova institucionalidade&rdquo;. <I>Plano </I><I>Nacional de Qualifica&ccedil;&atilde;o do Trabalhador: </I>Guia do PLANFOR<I> 2001</I>. Bras&iacute;lia: MTE.</P >    <P   align="justify" >MTE/SPPE/DEQP (2003). <I>Plano Nacional de Qualifica&ccedil;&atilde;o</I>. Bras&iacute;lia: MTE.</P >    <P   align="justify" >Offe, C. (1989). Trabalho: A categoria-chave da sociologia? <I>Revista Brasileira de Ci&ecirc;ncias Sociais</I>, 10.</P >    <P   align="justify" >Paiva, V. &amp; Calheiros, V. ( 2001). Nova Era Capitalista e Percursos Identit&aacute;rios Alternativos.<I> Caderno CRH/ </I><I>UFBA</I>, EDUFBA.  34.</P >    <P   align="justify" >Pochmann, M. (1999). <I>O trabalho sob fogo cruzado: exclus&atilde;o, desemprego e precariza&ccedil;&atilde;o no final do s&eacute;culo</I>. S&atilde;o Paulo: Contexto.</P >    <P   align="justify" >Pochmann, M. (2001). <I>O emprego na globaliza&ccedil;&atilde;o: a nova divis&atilde;o internacional do trabalho e os caminhos que o </I><I>Brasil escolheu</I>. Campinas: Boitempo.</P >    <P   align="justify" >Pronko, M. (2005)<I> Recomendaci&oacute;n 195 de OIT: Cuestiones hist&oacute;ricas y actuales.</I> Montevideo: Cinterfor/OIT. </P >    <P   align="justify" >Minist&eacute;rio do Trabalho; Governo da Bahia, (1997). Anais do I Congresso Estadual de Qualifica&ccedil;&atilde;o Profissional: educa&ccedil;&atilde;o profissional, emprego e renda.. Salvador ( Bahia), novembro</P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >Manfredi, S. (2002). <I>Educa&ccedil;&atilde;o Profissional no Brasil</I>. S&atilde;o Paulo: Cortez, </P >     <P   align="justify" >MEC/SECAD/SETEC. (2005). Saberes da Terra: Programa Nacional de Educa&ccedil;&atilde;o    de Jovens e Adultos Integrada com Qualifica&ccedil;&atilde;o Social e Profissional    para Agricultores (as) Familiares. Bras&iacute;lia, (Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.lpp-uerj.net/olped/documentos/1370.pdf" target="_blank">http://www.lpp-uerj.net/olped/documentos/1370.pdf</a>    - acesso em maio de 2007).</P >     <P   align="justify" >MEC/SETEC. .(2006). Programa Nacional de Integra&ccedil;&atilde;o da Educa&ccedil;&atilde;o Profissional com Educa&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica na Modalidade de Educa&ccedil;&atilde;o de Jovens e Adultos &ndash; PROEJABras&iacute;lia: MEC/SETEC (Documento Base).</P >     <P   align="justify" >MEC/SETEC. Projeto Escola de F&aacute;brica. Bras&iacute;lia: Presid&ecirc;ncia    da Rep&uacute;blica (Dispon&iacute;vel em <a href="http://portal.mec.gov.br/setec/index.php?option=content&task=view&id=479&Itemid=602" target="_blank">http://portal.mec.gov.br/setec/index.php?option=content&amp;task=view&amp;id=479&amp;Itemid=602</a>    &ndash; acesso em maio de 2007).</P >     <P   align="justify" >Neise D. O Modelo das Compet&ecirc;ncias Profissionais no Mundo do Trabalho e    na Educa&ccedil;&atilde;o: Implica&ccedil;&otilde;es para <B>o </B>Curr&iacute;culo.    <a href="http://www.senac.br/BTS/273/boltec273b.htm" target="_blank">http://www.senac.br/BTS/273/boltec273b.htm</a></P >     <P   align="justify" >Ortega, A. <I>et al</I>. (2004).  <I>Paro, exclusi&oacute;n y pol&iacute;ticas de empleo: aspectos sociol&oacute;gicos</I>, Valencia: Tirant Lo Blanch, </P >    <P   align="justify" >Santos, B. de S. (2000). <I>A cr&iacute;tica da raz&atilde;o indolente: contra o desperd&iacute;cio da experi&ecirc;ncia</I>. Porto: Afrontamento.</P >    <P   align="justify" >Shwartz, Y. (1998). Os ingredientes da compet&ecirc;ncia: um exerc&iacute;cio necess&aacute;rio para uma quest&atilde;o insol&uacute;vel. <I>Educa&ccedil;&atilde;o e Sociedade</I>, 65.</P >    <P   align="justify" >Veras de Oliveira, R. (2005). <I>A Qualifica&ccedil;&atilde;o profissional como pol&iacute;tica p&uacute;blica</I>. Bras&iacute;lia: MTE/SPPE/DEQ (Cole&ccedil;&atilde;o Construindo Institucionalidades), v. 3.</P >    <P   align="justify" >V&eacute;ras de Oliveira, R. (2005).  <I>A Qualifica&ccedil;&atilde;o profissional como pol&iacute;tica p&uacute;blica. </I>Bras&iacute;lia: MTE/SPPE/DEQ (Cole&ccedil;&atilde;o Construindo Institucionalidades), v. 3.</P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >V&eacute;ras de Oliveira, R. (org.). (2007).  <I>Novo momento para as comiss&otilde;es de emprego no Brasil? Sobre as condi&ccedil;&otilde;es </I><I>da participa&ccedil;&atilde;o e controle sociais no sistema p&uacute;blico de emprego em constru&ccedil;&atilde;o.</I> S&atilde;o Paulo: Unitrabalho/A+ Comunica&ccedil;&atilde;o. </P >    <P   align="justify" >Saul, A. e Freitas, C. (orgs.). (2007)  <I>Pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de qualifica&ccedil;&atilde;o: desafios atuais</I>.S&atilde;o Paulo: Unitrabalho/A+ Comunica&ccedil;&atilde;o. </P >    <P   align="justify" >Zarifian, P. (1996). <I>A Gest&atilde;o da e pela Compet&ecirc;ncia. Semin&aacute;rio internacional educa&ccedil;&atilde;o profissional, trabalho e </I><I>compet&ecirc;ncias.</I> <I>Anais</I>. Rio de Janeiro: SENAI/DN-CIET.</P >     <p>&nbsp;</p>     <P   align="left" ><Sup><a href="#top6">*</a></Sup><a name="6"></a>Centro de Educa&ccedil;&atilde;o    e do Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o da Universidade Federal    da Para&iacute;ba. Pesquisadora do CNPq. Integrante da Rede de Pesquisa Cyted/RIAIPE.    <a href="mailto:prestesemilia@yahoo.com.br">prestesemilia@yahoo.com.br</a></P >     <P   align="left" ><Sup><a href="#top7">*</a></Sup><a href="#top7"><Sup>*</Sup></a><a name="7" id="7"></a>Universidade    Federal de Campina Grande. Coordenador do Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o    em Sociologia da UFCG. Integrante da Rede de Pesquisa Cyted/RIAIPE. <a href="mailto:rbveras@uol.com.br">rbveras@uol.com.br</a></P >     <P   align="right" >  </P >     ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[Azeredo]]></surname>
<given-names><![CDATA[B.]]></given-names>
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<source><![CDATA[Políticas públicas de emprego: a experiência brasileira]]></source>
<year>1998</year>
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