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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Os sete pecados da governação global: Paulo Freire e a reinvenção das possibilidades de uma pedagogia democrática e emancipatória da educação]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The seven sins of global governance: Paulo Freire and the reinvention of the possibilities of a democratic pedagogy and emancipatory education]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In the sceneries of globalization and of the revitalization of the neoliberal creed, it is important to point out the main changes assumed by the state-owned model (desnationalization of the state, desestatization of the political regimes and internationalization of the national state) in the intersection with the emergence of mighty mechanisms of transnational regulation played the lead role by globalised agencies, as oecd and european union. in this paper, the author, from the critical perspectives and the world-wide modern system, analyses the emergence of the ways of government and of regulation of the educational field. In counterpoint to hegemonic logics of the global government, metaphorized in the seven sins - vanity, pride, envy, laziness, gluttony, meanness, wrath - the author mobilizes the principals contributions of epistemology and of pedagogic-ethical ideas of paulo freire, patents in the axial wealth of basic concepts bequeathed by the educator, such as: historicity, dialogicity, conscientization, emancipation, autonomy, freedom and hope. in this paper, the author thinks about the main contributions of the pedagogy of paulo freire for the recontextualization of traditional paradigms of thinking education and for the construction of emancipatory senses which enform the reinvention of the democratic contexts.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <P   ><B>Os sete pecados da governa&ccedil;&atilde;o global. Paulo Freire e a reinven&ccedil;&atilde;o    das possibilidades de uma pedagogia democr&aacute;tica e emancipat&oacute;ria    da educa&ccedil;&atilde;o </B></P >     <P   > Madalena Mendes<a href="#8">*</a><a name="top8" id="top8"></a></P >     <P   align="justify" >Nos cen&aacute;rios da globaliza&ccedil;&atilde;o e da revitaliza&ccedil;&atilde;o    do credo neoliberal, importa salientar as principais altera&ccedil;&otilde;es    assumidas pelo modelo estatal (desnacionaliza&ccedil;&atilde;o do Estado, desestatiza&ccedil;&atilde;o    dos regimes pol&iacute;ticos e internacionaliza&ccedil;&atilde;o do Estado Nacional)    na intersec&ccedil;&atilde;o com a emerg&ecirc;ncia de poderosos mecanismos    de regula&ccedil;&atilde;o transnacional protagonizados por ag&ecirc;ncias globalizadoras,    como a OCDE e a Uni&atilde;o Europeia. Neste artigo, a autora, a partir das    perspectivas cr&iacute;ticas e do sistema mundial moderno, analisa a emerg&ecirc;ncia    dos modos de governa&ccedil;&atilde;o e de regula&ccedil;&atilde;o do campo    educativo. Em contraponto &agrave;s l&oacute;gicas hegem&oacute;nicas da governa&ccedil;&atilde;o    global, metaforizadas nos sete pecados &ndash; vaidade, soberba, inveja, pregui&ccedil;a,    gula, avareza, ira &ndash; a autora mobiliza os principais contributos da epistemologia    e do ide&aacute;rio &eacute;tico-pedag&oacute;gico freiriano, patentes na riqueza    axial de conceitos fundamentais legados pelo educador, tais como: historicidade,    dialogicidade, conscientiza&ccedil;&atilde;o, emancipa&ccedil;&atilde;o, autonomia,    liberdade e esperan&ccedil;a. A autora reflecte, por &uacute;ltimo, sobre os    principais contributos da pedagogia freiriana para a recontextualiza&ccedil;&atilde;o    dos paradigmas tradicionais de pensar a educa&ccedil;&atilde;o e para a constru&ccedil;&atilde;o    de sentidos emancipat&oacute;rios que enformem a reinven&ccedil;&atilde;o dos    contextos democr&aacute;ticos.</P >     <P   align="left" ><B>Palavras-chave: </b>Pedagogia freiriana, Teoria Cr&iacute;tica, Educa&ccedil;&atilde;o,    Cidadania</P >     <P   align="left" >&nbsp;</P >     <P   align="left" ><b>The seven sins of global governance. Paulo Freire and the reinvention of the    possibilities of a democratic pedagogy and emancipatory education</b></P >     <P   align="left" >In the sceneries of globalization and of the revitalization of the neoliberal    creed, it is important to point out the main changes assumed by the state-owned    model (desnationalization of the state, desestatization of the political regimes    and internationalization of the national state) in the intersection with the    emergence of mighty mechanisms of transnational regulation played the lead role    by globalised agencies, as oecd and european union. in this paper, the author,    from the critical perspectives and the world-wide modern system, analyses the    emergence of the ways of government and of regulation of the educational field.    In counterpoint to hegemonic logics of the global government, metaphorized in    the seven sins &#8211; vanity, pride, envy, laziness, gluttony, meanness, wrath    &#8211; the author mobilizes the principals contributions of epistemology and    of pedagogic-ethical ideas of paulo freire, patents in the axial wealth of basic    concepts bequeathed by the educator, such as: historicity, dialogicity, conscientization,    emancipation, autonomy, freedom and hope. in this paper, the author thinks about    the main contributions of the pedagogy of paulo freire for the recontextualization    of traditional paradigms of thinking education and for the construction of emancipatory    senses which enform the reinvention of the democratic contexts.</P >     <p><b>Keywords</b>: pedagogy of paulo freire, critical theory, education, citizenship  </p>     <p>&nbsp;</p>     <P   align="right" >Ele tinha comprado um enorme mapa que representava o mar,</P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="right" >Sem o menor vest&iacute;gio de terra:</P >     <P   align="right" >E a tripula&ccedil;&atilde;o ficou muito satisfeita quando </P >     <P   align="right" >descobriu tratar-se </P >     <P   align="right" >De um mapa que todos podiam entender.</P >     <P   align="right" >&ldquo;Para que servem as linhas de Mercator </P >     <P   align="right" >do P&oacute;lo Norte e equador</P >     <P   align="right" >Dos tr&oacute;picos, zonas e meridianos?&rdquo;</P >     <P   align="right" >E ent&atilde;o exclamaria Bellman: e replicaria </P >     <P   align="right" >a tripula&ccedil;&atilde;o,</P >     <P   align="right" >&ldquo;S&atilde;o meros sinais convencionais!&rdquo;</P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="right" >&ldquo;Os outros mapas t&ecirc;m cada forma, </P >    <P   align="right" >com ilhas e cabos!</P >    <P   align="right" >Mas n&oacute;s devemos agradecer ao nosso bom </P >    <P   align="right" >capit&atilde;o&rdquo; (afirmaria a tripula&ccedil;&atilde;o), &ldquo;pois ele </P >    <P   align="right" >comprou-nos o melhor &ndash; </P >    <P   align="right" >Um perfeito e absoluto vazio&rdquo;.</P >    <P   align="right" ><I>		The Hunting of the Snark</I></P >    <P   align="right" >Lewis Carrol</P >    <P   align="justify" ><B>Introdu&ccedil;&atilde;o</B></P >           <P   align="justify" >A necessidade de reinven&ccedil;&atilde;o dos contextos democr&aacute;ticos e          de novos mapas emancipat&oacute;rios assume particular import&acirc;ncia          num tempo marcado por profundas mudan&ccedil;as ocorridas na tessitura          econ&oacute;mica, social e pol&iacute;tica das sociedades contempor&acirc;neas.          Este processo de desenvolvimento desigual, actuando, tanto em extensividade          como em intensividade (Giddens, 1998), tem sido teorizado, por alguns          autores, como globaliza&ccedil;&atilde;o. Outros autores, como Santos          (2003), encaram a globaliza&ccedil;&atilde;o como conjunto diferenciado          de rela&ccedil;&otilde;es sociais, pelo que, no rigoroso sentido do termo,          n&atilde;o h&aacute; globaliza&ccedil;&atilde;o, mas globaliza&ccedil;&otilde;es,          no plural, pois toda a condi&ccedil;&atilde;o global pressup&otilde;e          a localiza&ccedil;&atilde;o. </P >           ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >Neste artigo, invocamos a met&aacute;fora dos sete pecados, constru&iacute;dos na matriz bin&aacute;ria judaico-crist&atilde;, para explorar as vertentes pol&iacute;ticas e econ&oacute;micas da globaliza&ccedil;&atilde;o a partir da emerg&ecirc;ncia dos novos modos de governa&ccedil;&atilde;o e de regula&ccedil;&atilde;o transnacional do campo educativo. </P >    <P   align="justify" >Em contraponto &agrave;s l&oacute;gicas hegem&oacute;nicas da governa&ccedil;&atilde;o global, metaforizadas nos sete pecados &ndash; avareza, inveja, soberba, lux&uacute;ria, ira, gula e pregui&ccedil;a &ndash;, situamo-nos, assumidamente, no plano da heresia inconformista e cr&iacute;tica, para mediante a reinven&ccedil;&atilde;o da epistemologia e do legado &eacute;tico-freiriano, ultrapassarmos as teses que giram em torno do consenso, da inevitabilidade e da inexorabilidade da globaliza&ccedil;&atilde;o neoliberal.</P >     <P   align="justify" >Temos a pretens&atilde;o de que este estudo possa ajudar a perspectivar a re-constru&ccedil;&atilde;o    de pol&iacute;ticas emancipat&oacute;rias que busquem na conscientiza&ccedil;&atilde;o    cr&iacute;tica dos actores e na revitaliza&ccedil;&atilde;o dos mundos da vida    (Habermas, 1987) as suas moles de possibilidades e o seu <I>hubris </I>alternativo.</P >     <P   align="justify" >&nbsp;</P >     <P   align="justify" ><B>1. Os sete pecados da governa&ccedil;&atilde;o global</b></P >           <P   align="justify" >A globaliza&ccedil;&atilde;o hegem&oacute;nica deriva, segundo Santos (2001),          das ac&ccedil;&otilde;es de grupos e classes dominantes, cujo perfil pode          ser encontrado, predominantemente na revitaliza&ccedil;&atilde;o do credo          neo-liberal, na preval&ecirc;ncia do princ&iacute;pio de mercado sobre          o princ&iacute;pio de Estado, no protagonismo das multinacionais, na mobilidade          do capital, na sujei&ccedil;&atilde;o da protec&ccedil;&atilde;o social          &agrave; press&atilde;o da privatiza&ccedil;&atilde;o e na acentua&ccedil;&atilde;o          das desigualdades sociais e na incapacidade dos Estados proverem &agrave;          satisfa&ccedil;&atilde;o das necessidades colectivas.</P >           <P   align="justify" >Outro dos tra&ccedil;os, acentuado por este soci&oacute;logo, &eacute; a eros&atilde;o e revoga&ccedil;&atilde;o do Estado-na&ccedil;&atilde;o e a emerg&ecirc;ncia de poderosas formas de governo supraestatal, das institui&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas internacionais, das ag&ecirc;ncias financeiras multilaterais, dos blocos pol&iacute;tico-econ&oacute;micos supranacionais e dos <I>Think Tank</I> globais. Neste leque dominador est&atilde;o inclu&iacute;dos a Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do Com&eacute;rcio, o Banco Mundial, a UE, a OCDE. A amplitude e o poder transnacional destes organismos tem levado alguns autores, como Murphy (1994), a alvitrar a emerg&ecirc;ncia de um governo global, de tal modo o sistema capitalista estaria a tentar formar um Estado Global, de que a OMC seria a mais directa representante. A tend&ecirc;ncia para a des-estatiza&ccedil;&atilde;o dos regimes pol&iacute;ticos, patenteia-se, segundo Jessop (1995), na transi&ccedil;&atilde;o do conceito de governo (<I>government</I>) para o conceito de governa&ccedil;&atilde;o (<I>governance</I>). O modelo de regula&ccedil;&atilde;o social e econ&oacute;mica assente no papel central do Estado d&aacute; lugar a um outro assente em parcerias e formas de associa&ccedil;&atilde;o entre organiza&ccedil;&otilde;es governamentais, para-governamentais e n&atilde;o governamentais, em que o Estado assume, apenas, fun&ccedil;&otilde;es de governa&ccedil;&atilde;o entre os seus pares.</P >    <P   align="justify" >1.1. Avareza</P >     <P   align="justify" >O credo neoliberal, vers&atilde;o actualizada do liberalismo<Sup><a href="#1">1</a></Sup><a name="top1"></a>,    reinstitui a met&aacute;fora do mercado em novos moldes atrav&eacute;s da imposi&ccedil;&atilde;o    de l&oacute;gicas hegem&oacute;nicas de liberaliza&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es    comerciais e dos mercados que procuram submeter os liames da vida social, pol&iacute;tica    e cultural aos axiomas economicistas do gerencialismo, da efic&aacute;cia, da    efici&ecirc;ncia, da excel&ecirc;ncia e do <I>one best way</I> (Lima, 1994).    A sobreposi&ccedil;&atilde;o e preponder&acirc;ncia do poder dos mercados sobre    o poder dos Estados, com consequ&ecirc;ncias a n&iacute;vel da perda de autonomia    destes, levanta t&oacute;picos de debate em torno dos receios e d&uacute;vidas    quanto &agrave; salvaguarda dos destinos das democracias e da cidadania.</P >     <P   align="justify" >Na transancionaliza&ccedil;&atilde;o da regula&ccedil;&atilde;o estatal, as demandas monol&iacute;ticas do Consenso de Washington puseram fim ao modelo keynesiano de interven&ccedil;&atilde;o na vida social e econ&oacute;mica e restauraram o modelo neoliberal. Neste contexto, o Estado de competi&ccedil;&atilde;o ou <I>competiton State</I> (Cerny, 1990) emerge na sua plenitude, no contexto global, supranacional e local, reconfigurando as faces tradicionais dos sistemas educacionais.</P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >O pecado da avareza patenteia-se na redu&ccedil;&atilde;o do campo educativo &agrave; concep&ccedil;&atilde;o &uacute;nica e dominadora de pol&iacute;ticas orientadas para a competitividade econ&oacute;mica, com consequente abandono ou marginaliza&ccedil;&atilde;o dos prop&oacute;sitos sociais da educa&ccedil;&atilde;o (Ball, 2001). A propala&ccedil;&atilde;o de uma ret&oacute;rica discursiva em torno de conceitos como economia do conhecimento, sociedade da aprendizagem, economia baseada na aprendizem apresentam-se como poderosas formas de constru&ccedil;&atilde;o de uma nova tecnologia social e simbolizam o aumento, em crescendo, da coloniza&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas educativas pelos imperativos das pol&iacute;ticas econ&oacute;micas (<I>ibid</I>., 2001). </P >    <P   align="justify" >O predom&iacute;nio de discursos gerencialistas em educa&ccedil;&atilde;o traduzem &ldquo;uma nova ordem racional baseada no mercado, nos sectores privado e produtivo, na competitividade econ&oacute;mica e na gest&atilde;o centrada no cliente&rdquo; (Lima, 1996, p. 288), cooptando o lugar para o exerc&iacute;cio da cidadania e o papel da educa&ccedil;&atilde;o na constru&ccedil;&atilde;o da democracia e contribuindo, deste modo, para a legitima&ccedil;&atilde;o de novas formas de exclus&atilde;o social.</P >    <P   align="justify" >1.2. Inveja</P >     <P   align="justify" >Muitos pa&iacute;ses, principalmente os situados na periferia e semiperiferia    do sistema mundial<Sup><a href="#2">2</a><a name="top2"></a></Sup>, sentem uma    forte inveja e atrac&ccedil;&atilde;o pelas orienta&ccedil;&otilde;es e medidas    de pol&iacute;tica educativa adoptadas sobretudo pelos pa&iacute;ses centrais.    A tend&ecirc;ncia para a adop&ccedil;&atilde;o de solu&ccedil;&otilde;es transport&aacute;veis,    para aplica&ccedil;&atilde;o aos seus pr&oacute;prios sistemas educativos, recolhe    justifica&ccedil;&atilde;o na necessidade de introdu&ccedil;&atilde;o de solu&ccedil;&otilde;es    r&aacute;pidas e eficazes e na legitima&ccedil;&atilde;o das mudan&ccedil;as    propostas a n&iacute;vel interno, no campo educativo, muitas vezes para suprir    a insufici&ecirc;ncia ou o fracasso dos modelos nacionais. Este fen&oacute;meno,    que Ball (2001) designa por &ldquo;educational policy borrowing&rdquo; ou &ldquo;empr&eacute;stimo    de pol&iacute;ticas educativas&rdquo;, tem vindo a sofrer um aumento exponencial    sobretudo com a emerg&ecirc;ncia de poderosos mecanismos de regula&ccedil;&atilde;o    transnacional, liderados pelos pa&iacute;ses centrais, como o Fundo Monet&aacute;rio    Internacional, o Banco Mundial, a OCDE, a UE e a Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial    do Com&eacute;rcio. As ag&ecirc;ncias globalizadoras t&ecirc;m vindo a prescrever    um conjunto de orienta&ccedil;&otilde;es sobre o modo como os pa&iacute;ses    perif&eacute;ricos e semiperif&eacute;ricos devem ajustar e subordinar as suas    pol&iacute;ticas internas &agrave;s demandas do neoliberalismo (ex. programas    de ajustamento estrutural, na Am&eacute;rica Latina). A contamina&ccedil;&atilde;o    e empr&eacute;stimo das pol&iacute;ticas educativas, patente no recurso &agrave;s    li&ccedil;&otilde;es vindas de fora, legitimam a constru&ccedil;&atilde;o sem&acirc;ntica    de uma agenda globalmente estruturada em termos de modelos, recomenda&ccedil;&otilde;es    e de op&ccedil;&otilde;es a tomar pelas pol&iacute;ticas nacionais em torno    das l&oacute;gicas economicistas da privatiza&ccedil;&atilde;o e da desregula&ccedil;&atilde;o.    Este processo de internacionaliza&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas educativas    n&atilde;o leva em considera&ccedil;&atilde;o a especificidade e singularidade    dos contextos sociais, hist&oacute;ricos, econ&oacute;micos e pol&iacute;ticos    dos pa&iacute;ses perif&eacute;ricos e semiperif&eacute;rios, impondo reformas,    inova&ccedil;&otilde;es e estruturas, muitas vezes, com car&aacute;cter avulso    e moisacal.</P >     <P   align="justify" >1.3. Soberba</P >    <P   align="justify" >A internacionaliza&ccedil;&atilde;o ou globaliza&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas educativas tem sido advogada por alguns autores como um processo de homogeneiza&ccedil;&atilde;o, padroniza&ccedil;&atilde;o ou uniformiza&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas e pr&aacute;ticas educativas (Schriewer, 1997). Outros, por seu lado, defendem que as mudan&ccedil;as ocorridas traduzem uma Agenda Globalmente Estruturada para a Educa&ccedil;&atilde;o constru&iacute;da na conflu&ecirc;ncia entre a economia capitalista e os enquadramentos interpretativos nacionais, pelo que os processos de globaliza&ccedil;&atilde;o s&atilde;o desenvolvidos quer a n&iacute;vel nacional, quer supranacionalmente (Dale, 1994). </P >    <P   align="justify" >Neste cen&aacute;rio da &ldquo;globaliza&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas educativas&rdquo; (Seixas, 2001), as organiza&ccedil;&otilde;es internacionais t&ecirc;m vindo a assumir um papel crescente na constru&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas educacionais atrav&eacute;s da liga&ccedil;&atilde;o privilegiada entre o <I>global economic </I><I>field</I> e o <I>global educational policy field</I> (Lingard, 2005).</P >    <P   align="justify" >Afastando-se das formas tradicionais de interven&ccedil;&atilde;o, as organiza&ccedil;&otilde;es interna-cionais exercem o seu papel de <I>policy global actors</I> atrav&eacute;s do desenvolvimento dos grandes projectos estat&iacute;sticos internacionais centrados na constru&ccedil;&atilde;o e recolha de indicadores estat&iacute;sticos (Ex: OCDE &ndash; Education at a Glance e o PISA). Os indicadores constituem uma forma de express&atilde;o da globaliza&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas educativas norteadas pelos imperativos do gerencialismo e da competitividade. Conforme Mendes e Galego (2009) salientam, &ldquo;a gest&atilde;o, a medida e a compara&ccedil;&atilde;o da <I>performance</I> e desempenho dos indiv&iacute;duos, dos sistemas e dos Estados no seio de uma economia global de mercado transformou-se na componente central da governa&ccedil;&atilde;o em educa&ccedil;&atilde;o&rdquo; (p.32).</P >    <P   align="justify" >A &ecirc;nfase nos indicadores de <I>performance </I>e nos mecanismos da <I>accountability</I> serve a constru&ccedil;&atilde;o instrumentalizada de pol&iacute;ticas educacionais balizadas pelos n&uacute;meros (e.g., Ozga &amp; Lingard, 2006; Henry, Rizvi, &amp; Taylor, 2001; N&oacute;voa &amp; Yariv-Marshal, 2003) e legitima o &ldquo;abandono ou marginaliza&ccedil;&atilde;o dos prop&oacute;sitos sociais da educa&ccedil;&atilde;o&rdquo; (Ball, 2001, p. 99).</P >    <P   align="justify" >Nos cen&aacute;rios da globaliza&ccedil;&atilde;o, as pol&iacute;ticas educativas passam a desempenhar um papel cada vez mais instrumental na moderniza&ccedil;&atilde;o das economias e na resposta aos imperativos da competitividade. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >Os novos consensos, soberbamente ostentados em novas formas de engenharia social e de tecnologia pol&iacute;tica e a &ecirc;nfase na pol&iacute;tica dos n&uacute;meros, mascaram o item democr&aacute;tico da participa&ccedil;&atilde;o e anunciam &ldquo;o fim dos debates sobre os princ&iacute;pios das pol&iacute;ticas educativas&rdquo; (<I>ibid.,</I> p. 100).</P >    <P   align="justify" >Nos contextos da globaliza&ccedil;&atilde;o hegem&oacute;nica e da transnacionaliza&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas educativas, Ball (2001) levanta a quest&atilde;o de estarmos na era-p&oacute;s pol&iacute;tica distanciada da arena de conflitos e ideologias que marcaram o panorama pol&iacute;tico do s&eacute;culo XX. A argumenta&ccedil;&atilde;o em favor do&rdquo;fim da pol&iacute;tica&rdquo; recolhe fundamento na forma como o pr&oacute;prio sistema de representa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e o modelo de exerc&iacute;cio democr&aacute;tico do poder s&atilde;o, hoje, olhados, com cepticismo aduzindo-se como causas, <I>e.g</I>., a dist&acirc;ncia entre governantes e governados, a apatia c&iacute;vica, a participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica anor&eacute;tica, a pol&iacute;tica-espect&aacute;culo, falando-se, mesmo, em d&eacute;fice democr&aacute;tico e na necessidade imperante de democratizar a democracia (Lima, 1996) ou de promover a sua reinven&ccedil;&atilde;o (Santos, 1998). </P >    <P   align="justify" >A tenta&ccedil;&atilde;o da vaidade, a pol&iacute;tica espect&aacute;culo e a mediatiza&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica criam espa&ccedil;os artificiais de debate, com regras predeterminadas limitadoras da participa&ccedil;&atilde;o, num di&aacute;logo fechado, redundante e repetitivo entre <I>opinion-makers</I> e entre pol&iacute;ticos-comentadores. O debate &ldquo;fulanizado&rdquo; ao passar pelo plano de prest&iacute;gio medi&aacute;tico &ldquo;refor&ccedil;a e enquista o sujeito como o mais competente, o que realmente merece estar no palco do mundo&rdquo; (Gil, 2001, p.28).</P >    <P   align="justify" >Na g&eacute;nese da modernidade, o conte&uacute;do da esfera p&uacute;blica foi inicialmente identificado na correla&ccedil;&atilde;o com o Estado e entendido como <I>res publica</I>, opini&atilde;o p&uacute;blica, arena e palco das lutas e tens&otilde;es pol&iacute;ticas levadas a cabo por movimentos e classes sociais. Nos contextos da globaliza&ccedil;&atilde;o, &ldquo;o espa&ccedil;o p&uacute;blico, essencial &agrave; democracia foi roubado pelo sistema medi&aacute;tico transcendente&rdquo; (<I>ibid.,</I> 2001, p.32), esvaziado e naturalizado.</P >    <P   align="justify" >1.4. Lux&uacute;ria</P >    <P   align="justify" >Neste cen&aacute;rio plasmado por uma nova gram&aacute;tica da escola, as faces da regula&ccedil;&atilde;o saem refor&ccedil;adas neste multimodo desenvolvimento das energias emancipat&oacute;rias em energias regulat&oacute;rias (Mendes, 2004). As pol&iacute;ticas educativas apresentam um car&aacute;cter paradoxal, h&iacute;brido e dilem&aacute;tico. &Agrave; eros&atilde;o da protec&ccedil;&atilde;o estatal aliam-se processos h&iacute;bridos de combina&ccedil;&atilde;o entre a regula&ccedil;&atilde;o estatal e a auto-regula&ccedil;&atilde;o das institui&ccedil;&otilde;es. Por um lado, a regula&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s da des-regula&ccedil;&atilde;o, em vez de se traduzir na presen&ccedil;a de menos Estado, invoca o refor&ccedil;o do bra&ccedil;o do Pr&iacute;ncipe (Magalh&atilde;es, 1998). Santos (2001) advoga que &ldquo;o encolhimento do Estado&rdquo; por meio da desregula&ccedil;&atilde;o, das privatiza&ccedil;&otilde;es e da redu&ccedil;&atilde;o do sector p&uacute;blico, n&atilde;o corresponde a menos Estado. Pelo contr&aacute;rio, a des-regula&ccedil;&atilde;o corresponde a processos de re-regula&ccedil;&atilde;o e de recentraliza&ccedil;&atilde;o. Tal como enfatiza, &ldquo;o Estado tem de intervir para deixar de intervir, tamb&eacute;m s&oacute; um Estado forte pode produzir com efic&aacute;cia a sua fraqueza&rdquo; (<I>ibid.</I>, 2001, p.48). </P >    <P   align="justify" >Incapaz de solu&ccedil;&otilde;es estruturais e articuladas, o Estado devolve &agrave; sociedade as responsabilidades pela recomposi&ccedil;&atilde;o da quest&atilde;o social, ao mesmo tempo que assume e ensaia novas formas de controlo (remoto) e de regula&ccedil;&atilde;o estatal. </P >    <P   align="justify" >Ball (2001) considera que o processo de tecnologias de pol&iacute;tica se constr&oacute;i na implementa&ccedil;&atilde;o de t&eacute;cnicas e artefactos com vista &agrave; reorganiza&ccedil;&atilde;o do capital humano em redes funcionais de poderes compostas por &ldquo;formas arquitecturais, rela&ccedil;&otilde;es de hierarquia, procedimentos de motiva&ccedil;&atilde;o e mecanismos de reforma&ccedil;&atilde;o ou terapia&rdquo; (p. 106-107). Neste processo identifica 3 dimens&otilde;es: forma de mercado, gest&atilde;o e performatividade. O novo quadro de pol&iacute;ticas assente na sobreviv&ecirc;ncia do mercado educativo, balizado, agora, pelo pragmatismo, pelo auto-interesse, pelo individualismo competitivo e pela responsabiliza&ccedil;&atilde;o individual, destr&oacute;i as redes de sociabilidade, a reflexividade e o di&aacute;logo entre os actores, apanhados em redes de infidelidade organizacional. Por seu lado, a gest&atilde;o tem constitu&iacute;do um mecanismo-chave na introdu&ccedil;&atilde;o de mecanismos empresariais competitivos no seio do campo educativo. Em nome da cultura empresarial da efic&aacute;cia, da excel&ecirc;ncia e da qualidade, o gestor emerge como o her&oacute;i salvador, cujo papel &eacute; o de normalizar e instrumentalizar as pessoas, vistas na perspectiva de recursos humanos, pe&ccedil;as facilmente substitu&iacute;veis da nova reengenharia social. Nos cen&aacute;rios da flexibilidade, s&atilde;o institu&iacute;dos mecanismos de controle e de vigil&acirc;ncia &ndash; o sistema tem vigilantes para vigiar os vigilantes - , como por exemplo, os sistemas de avalia&ccedil;&atilde;o e desempenho, orientados pela determina&ccedil;&atilde;o de objectivos, por indicadores de desempenho e pela compara&ccedil;&atilde;o de resultados. Numa estrutura de avalia&ccedil;&atilde;o-vigil&acirc;ncia, a performatividade, qual equa&ccedil;&atilde;o entre riqueza, efici&ecirc;ncia e verdade (Lyotard, 1989) traduz-se num fluxo de performatividades ref&eacute;ns das exig&ecirc;ncias que mudam continuamente, e da responsabiliza&ccedil;&atilde;o dos indiv&iacute;duos atrav&eacute;s dos indicadores informadores do posicionamento do indiv&iacute;duo nos sistemas organizacionais.</P >    <P   align="justify" >Num contexto em que imperam as cifras, os n&uacute;meros, os indicadores, as compara&ccedil;&otilde;es e as competi&ccedil;&otilde;es, o jogo de sedu&ccedil;&atilde;o e manipula&ccedil;&atilde;o da lux&uacute;ria veicula o epistem&iacute;cidio dos corpos sociais e das sociabilidades comunit&aacute;rias.</P >    <P   align="justify" >1.5. Ira</P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >A heur&iacute;stica do medo (Jonas, 1992) decorrente de amea&ccedil;as colectivas, paira sobre a humanidade. O recrudescimento de fen&oacute;menos como a viol&ecirc;ncia, o racismo, a xenofobia e a guerra amea&ccedil;am a coes&atilde;o social e reinstalam, deste modo, as faces vis&iacute;veis da incompletude, do inacabamento e da inconclus&atilde;o das promessas emancipat&oacute;rias da modernidade. &Eacute; aqui que o pecado da ira<B> </B>se acoita na vontade e na for&ccedil;a dos poderosos e no exterm&iacute;nio dos mais fracos e oprimidos.</P >    <P   align="justify" >1.6. Gula</P >    <P   align="justify" >A veicula&ccedil;&atilde;o da globaliza&ccedil;&atilde;o como fen&oacute;meno linear, monol&iacute;tico e inequ&iacute;voco &eacute; hoje prevalecente, tanto no discurso cient&iacute;fico, como no discurso pol&iacute;tico (Santos, 2001). Este soci&oacute;logo faz o levantamento das seguintes fal&aacute;cias que impregnam o car&aacute;cter apol&iacute;tico da globaliza&ccedil;&atilde;o:</P >    <P   align="justify" >a) determinismo &ndash; a globaliza&ccedil;&atilde;o como processo espont&acirc;neo, inelut&aacute;vel e irrevers&iacute;vel com um <I>ethos</I>, uma for&ccedil;a e uma din&acirc;micas pr&oacute;prias impositora, incontest&aacute;vel e imbat&iacute;vel do desenvolvimento do capitalismo;</P >    <P   align="justify" >b) desaparecimento do sul &ndash; esta fal&aacute;cia tende a naturalizar as rela&ccedil;&otilde;es Norte/Sul, a destitu&iacute;-las de conflito e a esvaziar de sentido a distin&ccedil;&atilde;o entre Norte e Sul, e entre norte, periferia e semiperiferia do sistema mundial, no contexto da economia global distinta da economia mundo.</P >     <P   align="justify" >A invisibilidade do sul e da periferia conduz ao desperd&iacute;cio das vozes    locais, das culturas locais e das vozes oprimidas<Sup><a href="#3">3</a><a name="top3"></a></Sup>.    O pecado da gula destr&oacute;i equil&iacute;brios, comunitarismos e identidades    insubstitu&iacute;veis.</P >     <P   align="justify" >1.7. Pregui&ccedil;a</P >     <P   align="justify" >Num contexto de desestrutura&ccedil;&atilde;o das estruturas econ&oacute;micas,    sociais, pol&iacute;ticas e epistemol&oacute;gicas (Rom&atilde;o, 2000), em    que se assiste &agrave; fragmenta&ccedil;&atilde;o das grandes metanarrativas    da modernidade e ao esgotamento de modelos polarizados de inteligibilidade e    legibilidade do mundo, escutamos repetidamente discursos apologistas do individualismo,    do fatalismo e do fim da Hist&oacute;ria<Sup><a href="#4">4</a><a name="top4"></a></Sup>&rdquo;.    Um sentimento de desesperan&ccedil;a, escatol&oacute;gico, apocal&iacute;ptico    e anti-hist&oacute;rico (<I>ibid., </I>2000) perpassa a Aldeia Global e informa    e reproduz a raz&atilde;o indolente de Leibniz (Santos, 2000) e a anestesia    hist&oacute;rica de Freire (2003).</P >     <P   align="justify" >A refer&ecirc;ncia ao &iacute;dolo hindu &ldquo;senhor do mundo&rdquo;<Sup><a href="#5">5</a></Sup><a name="top5"></a>    simboliza os riscos incontrol&aacute;veis da globaliza&ccedil;&atilde;o ante    a raz&atilde;o expectante e indolente de Leibniz. Segundo Santos (2000), a &ldquo;raz&atilde;o    indolente&rdquo; ou &ldquo;raz&atilde;o pregui&ccedil;osa&rdquo;, apontada por    Leibniz, assim o &eacute;, porque desistiu de pensar ante a necessidade e o    fatalismo: &ldquo;se o futuro &eacute; necess&aacute;rio e o que tiver de acontecer    acontece independentemente do que fizermos, &eacute; prefer&iacute;vel n&atilde;o    fazer nada, n&atilde;o cuidar de nada e gozar apenas o prazer do momento&rdquo;    (p. 40). E &eacute; neste contexto que Couto (2005) adverte para os perigos    do pecado da pregui&ccedil;a: </P >     <P   align="justify" >uma subtil e silenciosa pregui&ccedil;a pode levar a abandonar a reflex&atilde;o    sobre o nosso pr&oacute;prio objecto de trabalho. Aos poucos cedemos ao convite    de n&atilde;o mais colocarmos em causa quem somos, o que sabemos, o que fazemos.    As &uacute;ltimas d&eacute;cadas tenderam a tecnicizar as ci&ecirc;ncias (&hellip;).    De novo, insistem connosco que em que as solu&ccedil;&otilde;es vir&atilde;o    de sofisticadas tecnologias e de que pouco vale questionarmos os desafios pol&iacute;ticos    e sociais do nosso tempo. A ideia de que n&atilde;o vale a pena uma outra utopia    conduz &agrave; acomoda&ccedil;&atilde;o e ao conformismo intelectual. (p. 120-121)</P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >&nbsp;</P >     <P   align="justify" ><B>2. A reiven&ccedil;&atilde;o do legado freiriano </b></P >           <P   align="justify" >Em contraponto &agrave;s l&oacute;gicas hegem&oacute;nicas da governa&ccedil;&atilde;o          global, metaforizadas nos sete pecados &ndash; avareza, inveja, soberba,          lux&uacute;ria, ira, gula e pregui&ccedil;a &ndash; gostar&iacute;amos          de mobilizar os principais contributos da epistemologia e do ide&aacute;rio          &eacute;tico-pedag&oacute;gico freiriano, patentes na riqueza axial de          conceitos fundamentais legados pelo educador, tais como: politicidade          e historicidade, dialogicidade, conscientiza&ccedil;&atilde;o, emancipa&ccedil;&atilde;o,          autonomia, liberdade e esperan&ccedil;a. Chamamos &agrave; cola&ccedil;&atilde;o          os principais contributos da pedagogia freiriana para a recontextualiza&ccedil;&atilde;o          dos paradigmas tradicionais de pensar a educa&ccedil;&atilde;o e as pol&iacute;ticas          educativas e para a constru&ccedil;&atilde;o de sentidos emancipat&oacute;rios          que enformem a reinven&ccedil;&atilde;o dos contextos democr&aacute;ticos.</P >           <P   align="justify" >2.1. Politicidade e historicidade</P >    <P   align="justify" >Paulo Freire defende a natureza pol&iacute;tica do acto educativo, pois n&atilde;o existe educa&ccedil;&atilde;o neutra, no sentido em que esta n&atilde;o pode ser destitu&iacute;da do seu peso pol&iacute;tico-ideol&oacute;gico como forma de interven&ccedil;&atilde;o no mundo. Tal como enfatiza &ldquo;do ponto de vista cr&iacute;tico, &eacute; t&atilde;o imposs&iacute;vel negar a natureza pol&iacute;tica do processo educativo quanto negar o car&aacute;cter educativo do acto pol&iacute;tico&rdquo;. (Freire, 1997a, p. 23)</P >    <P   align="justify" >Paulo Freire real&ccedil;a a politicidade do acto educacional e o papel da educa&ccedil;&atilde;o libertadora fundada na constru&ccedil;&atilde;o colectiva do conhecimento e no seu potencial transformador e libertador, por meio da conscientiza&ccedil;&atilde;o, entendida esta, como o processo cont&iacute;nuo, por meio do qual o sujeito supera a consci&ecirc;ncia ing&eacute;nua e caminha para a consci&ecirc;ncia cr&iacute;tica. A leitura do mundo implica ler o texto e o contexto de modo a apreender e a desconstruir os mecanismos sociais, hist&oacute;ricos, econ&oacute;micos e pol&iacute;ticos. Paulo Freire defende uma pr&aacute;tica educacional fundada na dial&eacute;ctica ac&ccedil;&atilde;o-reflex&atilde;o-ac&ccedil;&atilde;o transformadora, em que o educando se deve assumir como sujeito da Hist&oacute;ria.</P >    <P   align="justify" >Opondo-se a todos os determinismos mecanicistas, a todas as racionalidades instrumentais e a todos os fatalismos, Paulo Freire defende que o ser humano &eacute; um ser hist&oacute;rico forjado num projecto de vida pessoal e colectivo, n&atilde;o predeterminado, mas portador da linguagem das possibilidades e do ser mais.</P >    <P   align="justify" >Gosto de ser gente, porque nada est&aacute; dado como certo, inequ&iacute;voco, irrevog&aacute;vel (&hellip;). Gosto de ser homem, gosto de ser gente, porque a minha passagem pelo mundo n&atilde;o &eacute; predeterminada, preestabelecida. (&hellip;) Gosto de ser gente porque a Hist&oacute;ria em que me fa&ccedil;o com os outros e de cuja feitura tomo parte &eacute; um tempo de possibilidade e n&atilde;o de determinismo. Da&iacute; que insista tanto na problematiza&ccedil;&atilde;o do futuro e recuse a sua inexorabilidade (&hellip;). (Freire, 2004, p.52-53)</P >    <P   align="justify" >A concep&ccedil;&atilde;o freiriana de historicidade como possibilidade ressalta a import&acirc;ncia do entendimento do tempo hist&oacute;rico como tempo de problematiza&ccedil;&atilde;o aliado &agrave; interven&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica e ao comprometimento hist&oacute;rico com a transforma&ccedil;&atilde;o do mundo:</P >     <P   align="justify" >Quando eu penso em hist&oacute;ria, penso em possibilidade, pois a hist&oacute;ria    &eacute; o espa&ccedil;o e o tempo de possibilidade. (&hellip;) Fazendo hist&oacute;ria    escolhemos e realizamos possibilidades. E fazendo hist&oacute;ria come&ccedil;amos    por ser feitos pela hist&oacute;ria. (Freire, 1989<Sup><a href="#6">6</a><a name="top6"></a></Sup>)</P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >O enfoque de Paulo Freire na historicidade, categoria recuperada na Pedagogia da Autonomia, tem subjacente a ideia de que somos seres inacabados, incompletos e inconclusos, ontologicamente conscientes do inacabamento, da incompletude e da inconclus&atilde;o, alicer&ccedil;ados num permanente movimento de busca e de ser mais.</P >    <P   align="justify" >Rom&atilde;o (2002) defende que Freire visualiza a historicidade humana por meio da categoria da transitividade, pois &eacute; na dialoga&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica do ser humano com o(s) contexto(s) que emerge a sua voca&ccedil;&atilde;o ontol&oacute;gica de ser hist&oacute;rico.</P >    <P   align="justify" >2.2. Dialogicidade</P >    <P   align="justify" >Para Paulo Freire, a dialogicidade &eacute; um instrumento fundante da humanidade e o <I>leitmotiv</I> de um projecto cr&iacute;tico-problematizador. Como exig&ecirc;ncia existencial, o di&aacute;logo &eacute; o encontro comunicativo, criativo e ontol&oacute;gico &ldquo;em que se solidariza o reflectir e o agir de sujeitos (pronunciamento) endere&ccedil;ados ao mundo a ser transformado e humanizado&rdquo; (Streck, Redin &amp; Zitoski, 2008).</P >     <P   align="justify" >Freire (1999a) defende &ldquo;uma pedagogia cr&iacute;tico-dial&oacute;gica (&hellip;)    a apreens&atilde;o cr&iacute;tica do conhecimento significativo atrav&eacute;s    da rela&ccedil;&atilde;o dial&oacute;gica (&hellip;) onde se prop&otilde;e a    constru&ccedil;&atilde;o do conhecimento colectivo, articulando o saber popular    e o saber cr&iacute;tico, cient&iacute;fico, mediados pelas experi&ecirc;ncias    no mundo&rdquo; (p.83).</P >     <P   align="justify" >O di&aacute;logo implica uma <I>praxis</I> social mediante o compromisso entre dizer o mundo e pronunciar o mundo, no entrosamento dial&eacute;ctico entre ac&ccedil;&atilde;o-reflex&atilde;o-ac&ccedil;&atilde;o transformadora.</P >    <P   align="justify" >2.3. Conscientiza&ccedil;&atilde;o</P >    <P   align="justify" >Segundo Freire (1999b, 2004), a conscientiza&ccedil;&atilde;o envolve o processo de apropria&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica da realidade em que o indiv&iacute;duo se insere, enquanto sujeito e protagonista do devir hist&oacute;rico. Situada para al&eacute;m da mera tomada de consci&ecirc;ncia, a conscientiza&ccedil;&atilde;o tem como finalidade, quer a emancipa&ccedil;&atilde;o pessoal, quer a transforma&ccedil;&atilde;o social e pol&iacute;tica. Este processo pressup&otilde;e a passagem da consci&ecirc;ncia transitiva-ing&eacute;nua (acr&iacute;tica, submissa e n&atilde;o problematizadora) &agrave; consci&ecirc;ncia transitiva-cr&iacute;tica (problematizadora e habilitadora da <I>re-escrita do mundo</I>). A consci&ecirc;ncia cr&iacute;tica busca, segundo Rom&atilde;o (2002) li&ccedil;&otilde;es de abismo, ou seja, a profundidade de an&aacute;lise. N&atilde;o se satisfazendo com a superf&iacute;cie flutuante dos factos, busca a causalidade dos fen&oacute;menos e dos processos e os seus pressupostos de legitima&ccedil;&atilde;o: &ldquo;ao gregarismo do comportamento das massas, prop&otilde;e a den&uacute;ncia da coopta&ccedil;&atilde;o e o di&aacute;logo sem preconceitos, para a constru&ccedil;&atilde;o colectiva, comungada, das verdades relacionais ou hist&oacute;ricas&rdquo; (p.42).</P >    <P   align="justify" >A consci&ecirc;ncia cr&iacute;tica pressup&otilde;e a assun&ccedil;&atilde;o da responsabilidade hist&oacute;rica do sujeito na interven&ccedil;&atilde;o e transforma&ccedil;&atilde;o do mundo mediante o vislumbrar de alternativas hist&oacute;ricas constru&iacute;das colectivamente. A conscientiza&ccedil;&atilde;o requer o desenvolvimento da criticidade, da resist&ecirc;ncia cr&iacute;tica, da curiosidade epistemol&oacute;gica e da criatividade contra os fatalismos e os discursos naturalizados pela ideologia gerencialista neoliberal.</P >    <P   align="justify" >2.4. Emancipa&ccedil;&atilde;o</P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >Paulo Freire encarna uma postura emancipat&oacute;ria e contra-hegem&oacute;nica, assente no permanente questionamento cr&iacute;tico, na dialogicidade, na linguagem das possibilidades. A sua teoria da educa&ccedil;&atilde;o reconhece a incompletude, o inacabamento e a inconclus&atilde;o dos seres humanos e demonstra a forma esperan&ccedil;osa do caminhar para a concretiza&ccedil;&atilde;o da sua voca&ccedil;&atilde;o ontol&oacute;gica de &ldquo;ser mais&rdquo;. A uma pedagogia da inclus&atilde;o defensora de valores emancipat&oacute;rios, Paulo Freire acrescenta uma pedagogia da resist&ecirc;ncia, com a preocupa&ccedil;&atilde;o central de toda a sua obra em devolver aos grupos e povos dominados e exclu&iacute;dos a possibilidade de se expressarem e de reconstru&iacute;rem, a partir dessa participa&ccedil;&atilde;o, novos sentidos hist&oacute;ricos, ancorados na liberdade, na justi&ccedil;a e na igualdade.</P >    <P   align="justify" >O pensamento freiriano assume um car&aacute;cter indagativo, dial&oacute;gico e humanista cr&iacute;tico opondo-se radicalmente a todas as concep&ccedil;&otilde;es dogm&aacute;ticas e colonizantes (Lima, 1999). O processo emancipat&oacute;rio freiriano implica o compromisso e o engajamento pol&iacute;tico com a transforma&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es existenciais de vida dos oprimidos e est&aacute; radicado na luta emancipat&oacute;ria e libertadora da humanidade. Para a instaura&ccedil;&atilde;o de rela&ccedil;&otilde;es de liberdade e igualdade, Freire (1999b) afirma &ldquo;a grande tarefa human&iacute;stica e hist&oacute;rica dos oprimidos &ndash; libertar-se a si e aos opressores&rdquo; (p.30).</P >    <P   align="justify" >2.5. Autonomia</P >    <P   align="justify" >Freire, na esteira de uma cidadania democr&aacute;tica, defende concep&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas e participativas das organiza&ccedil;&otilde;es, as quais devem ser plasmadas pela autonomia, pelo auto-governo constituindo-se, deste modo, como arenas do debate, da participa&ccedil;&atilde;o e da interven&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica.</P >     <P   align="justify" >Conforme Lima (1999) enfatiza, a prop&oacute;sito do legado freiriano, &ldquo;a    sua li&ccedil;&atilde;o maior e talvez aquela em que revela as suas concep&ccedil;&otilde;es    cr&iacute;ticas e radicais da democracia e de liberdade, ao insistir na descentraliza&ccedil;&atilde;o,    na autonomia da escola e na participa&ccedil;&atilde;o (&hellip;) num contexto    global em que agendas (&hellip;) t&ecirc;m sido apropriadas por pol&iacute;ticas    neoliberais e privatistas na educa&ccedil;&atilde;o&rdquo; (p.72).</P >     <P   align="justify" >A defesa de uma educa&ccedil;&atilde;o libertadora e emancipat&oacute;ria imp&otilde;e experi&ecirc;ncias de participa&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica e democr&aacute;tica, baseadas numa racionalidade comunicacional, dial&oacute;gica e auton&oacute;mica.</P >     <P   align="justify" >Ningu&eacute;m &eacute; aut&oacute;nomo para depois decidir. A autonomia vai-se    constituindo na experi&ecirc;ncia de v&aacute;rias, in&uacute;meras decis&otilde;es,    que v&atilde;o sendo tomadas (&hellip;). A autonomia, enquanto amadurecimento    do ser para si, &eacute; processo, &eacute; vir a ser. N&atilde;o ocorre em    data marcada. &Eacute; neste sentido que a pedagogia da autonomia tem de estar    centrada em experi&ecirc;ncias estimuladoras da decis&atilde;o e da responsabilidade,    vale dizer, em experi&ecirc;ncias respeitosas da liberdade. (Freire, 2004, p.107-108)</P >     <P   align="justify" >	</P >    <P   align="justify" >2.6. Esperan&ccedil;a</P >    <P   align="justify" >Para Paulo Freire, a utopia, enquanto compromisso hist&oacute;rico, entronca na dialecticidade dos actos de denunciar as estruturas desumanizantes e anunciar as estruturas humanizantes. A utopia &eacute; indissoci&aacute;vel da esperan&ccedil;a e ambas est&atilde;o ancoradas na apreens&atilde;o cr&iacute;tica da realidade e no engajamento e transforma&ccedil;&atilde;o da realidade. Utopia e esperan&ccedil;a s&atilde;o imperativos existenciais e hist&oacute;ricos habilitadores da ac&ccedil;&atilde;o humana e da possibilidade de mudar o mundo.</P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >O discurso da impossibilidade de mudar o mundo &eacute; o discurso de quem, por diferentes raz&otilde;es aceitou a acomoda&ccedil;&atilde;o, inclusive por lucrar com ela. A acomoda&ccedil;&atilde;o &eacute; a desist&ecirc;ncia da luta pela mudan&ccedil;a. Falta a quem se acomoda, ou em quem se acomoda e fraqueja, a capacidade de resistir.&rdquo; (Freire, 2000, p. 40-41)</P >    <P   align="justify" >	</P >    <P   align="justify" >Paulo Freire concebe a pr&aacute;tica democr&aacute;tica e cr&iacute;tica, num processo din&acirc;mico de articula&ccedil;&atilde;o da leitura do mundo e da leitura da palavra. A leitura cr&iacute;tica do mundo pressup&otilde;e o acto de anunciar a situa&ccedil;&atilde;o desumanizante e o an&uacute;ncio da sua supera&ccedil;&atilde;o: &ldquo;gostaria de sublinhar (&hellip;) que o exerc&iacute;cio constante da &ldquo;leitura do mundo&rdquo; demandando necessariamente a compreens&atilde;o cr&iacute;tica da realidade, envolve, de um lado, a sua den&uacute;ncia, de outro, o an&uacute;ncio do que ainda n&atilde;o existe&rdquo; (<I>ibid</I>., 2000, p.40).</P >     <P   align="justify" >Se a realidade n&atilde;o &eacute;, mas <I>est&aacute; sendo</I>, a utopia liga-se    indissociavelmente &agrave; linguagem das possibilidades que atravessa a Hist&oacute;ria,    enquanto constructo colectivo portador do dinamismo propulsor da ac&ccedil;&atilde;o    transformadora. </P >     <P   align="justify" >&nbsp;</P >     <P   align="justify" ><B>3. Em jeito (in)conclusivo </b></P >           <P   align="justify" >A obra de Paulo Freire, considerado ao lado de John Dewey um dos maiores pedagogos          do s&eacute;culo XX, &eacute; fundamental para compreender a imprescindibilidade          do di&aacute;logo entre pol&iacute;tica e educa&ccedil;&atilde;o, enquanto          campos privilegiados da produ&ccedil;&atilde;o do conhecimento, atravessados          por historicidades, conflitualidades, constrangimentos, interesses, poderes          e orienta&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas e ideol&oacute;gicas. </P >           <P   align="justify" >A proposta de Paulo Freire &eacute; defensora de uma pedagogia democr&aacute;tica, da educa&ccedil;&atilde;o para e pela democracia atrav&eacute;s de pr&aacute;ticas dial&oacute;gicas, anti-autorit&aacute;rias e valorizadoras da participa&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica. Freire critica os fen&oacute;menos de invas&atilde;o cultural, o dirigismo, o messianismo, a propaganda e o slogan caracter&iacute;sticos dos dom&iacute;nios da domestica&ccedil;&atilde;o: &ldquo;ningu&eacute;m vive plenamente a democracia nem tampouco a ajuda acrescer, primeiro, se &eacute; interditado no seu direito de falar, de ter voz, de fazer o seu discurso cr&iacute;tico.&rdquo; (Freire, 1997b, p. 88)</P >    <P   align="justify" >A proposta de Paulo Freire assenta numa profunda transforma&ccedil;&atilde;o paradigm&aacute;tica de ler continuadamente e criticamente o mundo, de pensar a educa&ccedil;&atilde;o e de resignificar as pr&aacute;ticas educativas. A uma educa&ccedil;&atilde;o reprodutora em que o educando &eacute; visto como recept&aacute;culo e recebedor acr&iacute;tico &ndash; &ldquo;concep&ccedil;&atilde;o banc&aacute;ria&rdquo; &ndash; Freire contrap&otilde;e a concep&ccedil;&atilde;o problematizadora/libertadora da educa&ccedil;&atilde;o, em que realidade e sujeito, teoria e pr&aacute;tica s&atilde;o elementos interconstituintes, solid&aacute;rios e em m&uacute;tua constru&ccedil;&atilde;o. A concep&ccedil;&atilde;o do sujeito que aprende e de que ningu&eacute;m &eacute; t&aacute;bua rasa, que emerge das propostas de Freire, significa que a educa&ccedil;&atilde;o s&oacute; pode ser pensada e vivenciada a partir das condi&ccedil;&otilde;es existenciais do sujeito: econ&oacute;micas, s&oacute;cio-culturais, pol&iacute;ticas e ideol&oacute;gicas.</P >    <P   align="justify" >O pensamento freiriano tem subjacente uma concep&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas entendidas como processos de constru&ccedil;&atilde;o e reconstru&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es de poder filiados nas din&acirc;micas hist&oacute;rico-sociais e econ&oacute;micas. Na linha de Freire, a arena educacional n&atilde;o &eacute; politicamente neutra nem tecnicamente objectiva, pelo que as liga&ccedil;&otilde;es subtis entre educa&ccedil;&atilde;o e poder t&ecirc;m que ser entendidas num quadro alargado de discuss&atilde;o da natureza pol&iacute;tica do Estado e das m&uacute;ltiplas rela&ccedil;&otilde;es entre Estado, sociedade e educa&ccedil;&atilde;o, no sentido de desconstruir os mecanismos de poder, os seus pressupostos de legitima&ccedil;&atilde;o e os fundamentos das suas assimetrias.</P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >As pol&iacute;ticas educacionais precisam ser entendidas criticamente como espa&ccedil;os agregadores do m&uacute;ltiplo e do inst&aacute;vel, como produto de influ&ecirc;ncias e interdepend&ecirc;ncias que resultam do entrosamento comp&oacute;sito entre l&oacute;gicas e poderes globais, distantes e locais.</P >    <P   align="justify" >A for&ccedil;a do legado freiriano reside na possibilidade de conceber processos civilizat&oacute;rios outros, propulsores do <I>ser mais</I>, que nos permitem ler a politicidade das pol&iacute;ticas educacionais e das pr&aacute;ticas pedag&oacute;gicas plasmadas, nos contextos da globaliza&ccedil;&atilde;o, por fen&oacute;menos crescentes de desideologiza&ccedil;&atilde;o e de despolitiza&ccedil;&atilde;o. A constru&ccedil;&atilde;o da , para e pela cidadania democr&aacute;tica demanda cidad&atilde;os cr&iacute;ticos, capazes de reflectir e questionar os pressupostos naturalizados e de intervirem na reinven&ccedil;&atilde;o de um outro mundo poss&iacute;vel.</P >    <P   align="justify" >(&hellip;) &Eacute; uma constru&ccedil;&atilde;o que, jamais terminada, demanda briga por ela. Demanda engajamento, clareza pol&iacute;tica, coer&ecirc;ncia, decis&atilde;o. Por isso mesmo &eacute; que uma educa&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica n&atilde;o se pode realizar &agrave; parte de uma educa&ccedil;&atilde;o da cidadania e para ela. (Freire, 1997b, p. 119)</P >    <P   align="justify" >&Eacute; no exerc&iacute;cio democr&aacute;tico da democracia, da participa&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica e da cidadania activa e expansiva que &eacute; poss&iacute;vel recuperar e reinventar as narrativas da emancipa&ccedil;&atilde;o, da liberdade e da autonomia e conceber novos processos civilizat&oacute;rios que, nas s&aacute;bias palavras de Paulo Freire, tornem &ldquo;o mundo mais redondo, menos arestoso e mais humano e em que se prepare a materializa&ccedil;&atilde;o da grande Utopia: Unidade na Diversidade&rdquo; (Freire, 1993, p. 36).</P >    <P   align="justify" >Neste processo de reinven&ccedil;&atilde;o da democracia sem fim, Santos (1998) prop&otilde;e a passagem:</P >    <P   align="justify" >a) de um <I>conhecimento-como-regula&ccedil;&atilde;o</I> para um <I>conhecimento-como-emanci</I><I></I><I>pa&ccedil;&atilde;o</I>;</P >     <P   align="justify" >b) da ac&ccedil;&atilde;o conformista &agrave; <I>ac&ccedil;&atilde;o-com-clinamen</I><Sup><I><a href="#7">7</a><a name="top7"></a></I></Sup>;</P >     <P   align="justify" >c) de um contrato exclusivo a um contrato inclusivo e reconstrutor dos <I>espa&ccedil;os-</I>tempo local, nacional e transnacional da delibera&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica.</P >    <P   align="justify" >A abertura a uma pol&iacute;tica cosmopolita, ao di&aacute;logo intercultural, &agrave; hermen&ecirc;utica democr&aacute;tica, diat&oacute;pica e dial&oacute;gica e &agrave; mobiliza&ccedil;&atilde;o e reconstru&ccedil;&atilde;o das subjectividades individuais e colectivas constituem condi&ccedil;&otilde;es indispens&aacute;veis &agrave; constru&ccedil;&atilde;o da democracia expansiva e participativa. Neste sentido, o paradigma da democratiza&ccedil;&atilde;o global das rela&ccedil;&otilde;es sociais deve anquilosar-se na constru&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas educativas, perfiladas como espa&ccedil;os de possibilidades de ac&ccedil;&atilde;o e de negocia&ccedil;&atilde;o, agregadoras do inst&aacute;vel e do m&uacute;ltiplo e constru&iacute;das e reconstru&iacute;das no limbo da experimenta&ccedil;&atilde;o social e da emerg&ecirc;ncia de sociabilidades alternativas alterativas.</P >     <P   align="justify" >&nbsp;</P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" ><B>Notas</b></P >     <P   align="justify" > <Sup><a href="#top1">1</a><a name="1"></a></Sup> O liberalismo constitui, segundo    Rom&atilde;o (2000), uma express&atilde;o da vis&atilde;o do mundo burguesa.<I>    </I>Muito pr&oacute;ximo do paradigma positivista, o seu desenvolvimento oscilou    entre o racionalismo e o empirismo. No que respeita ao neoliberalismo, o mesmo    autor reflecte sobre a afilia&ccedil;&atilde;o do termo neo: &ldquo;adjectivar    qualquer termo denotativo de determinada corrente com o prefixo &ldquo;neo&rdquo;,    seja ela filos&oacute;fica, pol&iacute;tica, econ&oacute;mica ou sociol&oacute;gica,    sup&otilde;e a exist&ecirc;ncia de um <I>denotata</I> antigo, ultrapassado ou    evolu&iacute;do por/ para uma nova realidade, que deve ser tratada por um novo    aparato conceptual&rdquo; (p.139).</P >     <P   align="justify" ><Sup><a href="#top2">2</a></Sup><a name="2"></a> Wallerstein (1990, 1994) &eacute;    um dos representantes das teses sociol&oacute;gicas mais influentes que consideram    o mundo como um &uacute;nico sistema, constitu&iacute;do por Estados centrais    (forte estrutura governamental, desenvolvidos e ricos), Estados perif&eacute;ricos    (fraca estrutura governamental, culturas dominadas) e Estados semiperif&eacute;ricos    (pa&iacute;ses com estruturas governativas relativamente fortes e economias,    de alguma forma, dependentes dos Estados centrais).</P >     <P   align="justify" ><Sup><a href="#top3">3</a></Sup><a name="3"></a> Couto (2005) sublinha que&ldquo;deix&aacute;mos    de escutar as vozes que s&atilde;o diferentes, os sil&ecirc;ncios que s&atilde;o    diversos. (&hellip;) Fic&aacute;mos surdos pelo excesso de palavras, fic&aacute;mos    autistas pelo excesso de informa&ccedil;&atilde;o&rdquo; (p. 123).</P >     <P   align="justify" ><Sup><a href="#top4">4</a><a name="4"></a></Sup> Ver Fukuyama, F. (1992). O<I>    fim da hist&oacute;ria</I>. Lisboa: Gradiva. Nesta obra, o autor sublinha o    facto de ter sido atingido o fim da hist&oacute;ria pela inexist&ecirc;ncia    de alternativas ao capitalismo e &agrave; democracia liberal.</P >     <P   align="justify" ><Sup><a href="#top5">5</a></Sup><a name="5"></a> A globaliza&ccedil;&atilde;o,    qual carro de <I>jagren&aacute;</I> respeita, na compara&ccedil;&atilde;o metaf&oacute;rica    de Giddens (1998), a um mito religioso hindu. a divindade <I>jaggannath</I>    (&ldquo;senhor do mundo&rdquo;) era transportada anualmente num carro que, numa    velocidade avassaladora, esmagava tudo e todos &agrave; sua passagem.</P >     <P   align="justify" ><Sup><a href="#top6">6</a><a name="6"></a></Sup> Pref&aacute;cio: Making history:    &ldquo;education in the future&rdquo;, in Ant&oacute;nia Darder, <I>reinventing    freire</I>. <I>A pedagogy of </I><I>love</I> (Boulder, Oxford, Uk, Westview    Press, 2002), p.x. Este pref&aacute;cio &eacute; o discurso de Freire proferido    na Claremont Graduate University, em 12 de Maio de 1989, por ocasi&atilde;o    do seu doutoramento <I>honoris causa</I> por esta universidade.</P >     <P   align="justify" ><Sup><a href="#top7">7</a></Sup><a name="7"></a> Santos (1998) apropria-se do    conceito de <I>clinamen</I> de Epicuro e Lucr&eacute;cio, entendido como uma    esp&eacute;cie de declina&ccedil;&atilde;o ou desvio da traject&oacute;ria a    que estariam sujeitas as combina&ccedil;&otilde;es dos &aacute;tomos. a caracter&iacute;stica    da obliquidade introduzia, assim, um factor de indetermina&ccedil;&atilde;o    e aleatoriedade e, simultaneamente, de criatividade e movimento expont&acirc;neo.    o <I>conhecimento-</I>como-<I>emancipa&ccedil;&atilde;o</I> &eacute; um conhecimento    que implica o desenvolvimento de <I>ac&ccedil;&otilde;es-com-clinamen</I>.</P >     <P   align="justify" >Este artigo foi apresentado sobre a forma de paper no VI Encontro Internacional    do F&oacute;rum Paulo Freire, subordinado &agrave; tem&aacute;tica &ldquo;Globaliza&ccedil;&atilde;o,    Educa&ccedil;&atilde;o e Movimentos Sociais: 40 anos da Pedagogia do Oprimido&rdquo;,    organizado pelo Instituto Paulo Freire do Brasil e pela Pontif&iacute;cia Universidade    Cat&oacute;lica, em S. Paulo, no Brasil, realizado nesta institui&ccedil;&atilde;o,    entre 16 e 20 de Setembro de 2008.</P >     <P   align="justify" >&nbsp;</P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" ><B>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas </b></P >           <P   align="justify" >Ball, S. J. (2001). Directrizes Pol&iacute;ticas Globais e Rela&ccedil;&otilde;es          Pol&iacute;ticas Locais em Educa&ccedil;&atilde;o, <I>Curr&iacute;culo          sem Frontei</I><I></I><I>ras</I>, v.1,          n.2, 99-116.</P >           <P   align="justify" >Bobbio, N. (1988). <I>O futuro da democracia</I>. Lisboa: Publica&ccedil;&otilde;es Dom Quixote.</P >    <P   align="justify" >Carroll, L. (1985). A ca&ccedil;a ao snark (trad.). Porto: Afrontamento.</P >    <P   align="justify" >Cerny, P. G. (1990). <I>The Changing of Architecture of Politics: Structure, Agency and the future of the State.</I> London e Newbury Park, California: Sage Publications.</P >    <P   align="justify" >Couto, M. (2005). <I>Pensatempos. </I><I>Textos de Opini&atilde;o</I>. Lisboa: Editorial Caminho.</P >    <P   align="justify" >Dale, R. (1994). <I>Globaliza&ccedil;&atilde;o e Educa&ccedil;&atilde;o: Demonstrando a exist&ecirc;ncia de uma &ldquo;cultura educacional comum&rdquo; ou </I><I>localizando uma &ldquo;agenda globalmente estruturada para a educa&ccedil;&atilde;o? </I>Porto: Edi&ccedil;&otilde;es Afrontamento.</P >    <P   align="justify" >Freire, P. (1993). Pol&iacute;tica e Educa&ccedil;&atilde;o. S&atilde;o Paulo: Cortez Editora.</P >    <P   align="justify" >Freire, P. (1997a). <I>A import&acirc;ncia do acto de ler, em tr&ecirc;s artigos que se completam</I>. S. Paulo: Cortez Editora.</P >    <P   align="justify" >Freire, P. (1997b). <I>Professora Sim, Tia N&atilde;o. Cartas a quem ousa ensinar</I>. S&atilde;o Paulo: Olho d&rsquo; &Aacute;gua.</P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >Freire, P. (1999a). <I>A Educa&ccedil;&atilde;o na cidade</I>. S. Paulo: Cortez Editora.</P >    <P   align="justify" >Freire, P. (1999b). <I>Pedagogia do Oprimido.</I> Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra.</P >    <P   align="justify" >Freire, P. (2000). <I>Pedagogia da Indigna&ccedil;&atilde;o: cartas pedag&oacute;gicas e outros escritos.</I> S. Paulo: UNESP.</P >    <P   align="justify" >Freire, P. (2003) <I>Pedagogia da Esperan&ccedil;a</I>.<I> Um reencontro com a pedagogia do oprimido</I>. S. Paulo: Editora Paz e Terra.</P >    <P   align="justify" >Freire, P. (2004). <I>Pedagogia da Autonomia. Saberes necess&aacute;rios &agrave; pr&aacute;tica educativa.</I> S. Paulo: Editora Paz e Terra.</P >    <P   align="justify" >Fukuyama, F. (1992). <I>O fim da Hist&oacute;ria</I>. Lisboa: Gradiva.</P >    <P   align="justify" >Giddens, A. (1998). <I>As Consequ&ecirc;ncias da Modernidade</I>. Oeiras: Celta Editora.</P >    <P   align="justify" >Gil, J. (2001). <I>Portugal, Hoje. O medo de existir</I>. Lisboa: Rel&oacute;gio d&rsquo; &Aacute;gua.</P >    <P   align="justify" >Habermas, J. (1987). <I>Th&eacute;orie de l&rsquo;agir communicationnel.</I> Paris: Fayard.</P >    <P   align="justify" >Henry, M.; Lingard, B:, Rizvi, F. &amp; Taylor, S. (2001). <I>The OECD, Globalisation and Educational Policy</I>. Amsterdam: International Association of Universities Press, Pergamon e Elsvier Science.</P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >Jessop, B. (1995).The future of the National State: Erosion or Reorganisation? General reflections on the west European Case. Comunica&ccedil;&atilde;o apresentada na 2.&ordf; Confer&ecirc;ncia da Revista <I>Theory, Culture and Society</I>. Berlin, 10-14 August.</P >    <P   align="justify" >Jonas, H. (1992). <I>Le principe responsabilit&eacute;. Une &eacute;thique pour la civilisation technologique</I>. Paris: Cerf.</P >    <!-- ref --><P   align="justify" >Lima, L. (1994). Moderniza&ccedil;&atilde;o, racionaliza&ccedil;&atilde;o e optimiza&ccedil;&atilde;o. Perspectivas neo-taylorianas na organiza&ccedil;&atilde;o e administra&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o. <I>Cadernos de Ci&ecirc;ncias Sociais</I>, 14, 119-139.</P >    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000155&pid=S1645-7250200900020000500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><P   align="justify" >Lima, L. (1996). Educa&ccedil;&atilde;o de adultos e constru&ccedil;&atilde;o da cidadania democr&aacute;tica: Para uma cr&iacute;tica do gerencialismo e da educa&ccedil;&atilde;o contabil. <I>Inova&ccedil;&atilde;o</I>, 9, 283-297.</P >    <P   align="justify" >Lima, L. (1999). <I>Organiza&ccedil;&atilde;o Escolar e Democracia Radical</I>. S. Paulo: Cortez Editora.</P >    <P   align="justify" >Lingard, B. (2005). Globalising Policy Sociology in Education: working with Bourdieu, <I>Journal of Education </I><I>Policy</I>, 20 (6), 759-777.</P >    <P   align="justify" >Lyotard, J. (1989). <I>A condi&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-moderna</I>. Lisboa: Gradiva.</P >    <P   align="justify" >Magalh&atilde;es, A. (1998b). A transforma&ccedil;&atilde;o do modo de regula&ccedil;&atilde;o estatal e os sistemas de ensino: a autonomia como instrumento. Comunica&ccedil;&atilde;o apresentada no Col&oacute;quio Autonomia: (Des)responsabiliza&ccedil;&atilde;o do Estado? F&oacute;rum Educa&ccedil;&atilde;o, em 30 de Outubro de 1998, Porto.</P >    <P   align="justify" >Mendes, M. (2004). <I>As Faces de Janus. As Pol&iacute;ticas Educativas em mat&eacute;ria de Cidadania nos anos 90 em Portugal</I>. Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado (n&atilde;o publicada). Lisboa: Universidade Lus&oacute;fona de Humanidades e Tecnologias. </P >    <P   align="justify" >Mendes, Madalena &amp; Carla Galego<B> </B>(2009). La regulaci&oacute;n transnacional de las pol&iacute;ticas educativas. El papel de los indicadores de comparaci&oacute;n internacional en la construcci&oacute;n de una agenda global de educaci&oacute;n. In A. Teodoro e A. Montan&eacute; (Coord.).<B><I> </I></B><I>Espejo Y Reflejo: Pol&iacute;ticas Curriculares Y Evaluaciones Internaciones </I>(pp.15-36). Val&ecirc;ncia: Editora Germ&acirc;nia.</P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >Murphy, C. (1994).<I> International Organisation and Industrial Change</I>. Oxford: Polity Press.</P >    <P   align="justify" >N&oacute;voa, A. &amp; Yariv-Marshall, T. (2003). Comparative research in education: a mode of governance or a historical journey?<I>, Comparative Education</I>, 39 (4), 423-438.</P >    <P   align="justify" >Ozga, J. &amp; Lingard, B. (2006). Globalisation, education policy and politics. In B. Lingard &amp; J. Ozga (Eds). <I>The </I><I>Routeledge Falmer Reader in Education Policy and Politics </I>(65-82). London: Routeledge Falmer.</P >    <P   align="justify" >Rom&atilde;o, J. E. (2000). <I>Dial&eacute;ctica da diferen&ccedil;a: O Projecto da Escola Cidad&atilde; frente ao Projecto Pedag&oacute;gico Neoliberal</I>. S&atilde;o Paulo: Cortez Editora.</P >    <P   align="justify" >Rom&atilde;o, J. E. (2002). <I>Pedagogia Dial&oacute;gica</I>. S. Paulo: Cortez Editora.</P >    <P   align="justify" >Santos, B. S. (1998). <I>Reinventar a Democracia</I>. Lisboa: Gradiva / Funda&ccedil;&atilde;o M&aacute;rio Soares.</P >    <P   align="justify" >Santos, B. S. (2000). <I>A cr&iacute;tica da raz&atilde;o indolente. Contra o desperd&iacute;cio da experi&ecirc;ncia. </I>Porto: Edi&ccedil;&otilde;es Afrontamento.</P >    <P   align="justify" >Santos, B. S. (2001). <I>Globaliza&ccedil;&atilde;o Fatalidade ou Utopia?</I> Porto: Edi&ccedil;&otilde;es Afrontamento.</P >    <P   align="justify" >Santos, B. S. (Org.) (2003). <I>Conhecimento Prudente para uma Vida Decente, Um &ldquo;Discurso sobre as Ci&ecirc;ncias&rdquo; </I><I>revisitado</I>. Porto: Edi&ccedil;&otilde;es Afrontamento.</P >    <P   align="justify" >Schriewer, J. (1997). L&rsquo;&eacute;ducation compar&eacute;e: mise en perspective historique d&rsquo;un champ de recherche.<B> </B><I>R&eacute;vue </I><I>Fran&ccedil;aise de P&eacute;dagogie</I>, 121, 9-27.</P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >Seixas, A. M. (2001). Pol&iacute;ticas educativas para o ensino superior: a globaliza&ccedil;&atilde;o neoliberal e a emerg&ecirc;ncia de novas formas de regula&ccedil;&atilde;o estatal. In: Stoer, S. R.; Cortes&atilde;o, L.; Correia, J. A. (Orgs.). <I>Transnacionaliza&ccedil;&atilde;o da </I><I>educa&ccedil;&atilde;o: da crise da educa&ccedil;&atilde;o &agrave; &ldquo;educa&ccedil;&atilde;o&rdquo; da crise</I> (209-238). Porto: Afrontamento.</P >    <P   align="justify" >Strek, D. R., Redin, E., Zitkoski, J. J. (2008) (Orgs). <I>Dicion&aacute;rio Paulo Freire.</I> Belo Horizonte: Aut&ecirc;ntica Editora.</P >    <P   align="justify" >Wallerstein, I. (1990). <I>O Sistema Mundial Moderno</I>. <I>Vol. I &ndash; A agricultura capitalista e as origens da economia-</I><I>mundo europeia no s&eacute;culo XVI</I>. Porto: Edi&ccedil;&otilde;es Afrontamento (ed. or. 1974).</P >    <P   align="justify" >Wallerstein, I. (1994).<I>O Sistema Mundial Moderno</I>. <I>Vol. II &ndash; O Mercantilismo e a consolida&ccedil;&atilde;o da economia-mundo-</I><I>europeia,</I> <I>1600-1750</I>. Porto: Edi&ccedil;&otilde;es Afrontamento (ed. or. 1980).</P >     <P   align="right" >&nbsp;</P >            <P   align="left" ><a href="#top8">*</a><a name="8" id="8"></a> Doutoranda em Educa&ccedil;&atilde;o    e Investigadora do Centro de Estudos e Interven&ccedil;&atilde;o em Educa&ccedil;&atilde;o    e Forma&ccedil;&atilde;o (CeiEF). Co-fundadora e membro integrante dos Corpos    Sociais do Instituto Paulo Freire de Portugal <a href="mailto:madalena.mendes@netcabo.pt">madalena.mendes@netcabo.pt</a></P >     <P   align="left" >&nbsp;</P >      ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[Lima]]></surname>
<given-names><![CDATA[L.]]></given-names>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Modernização, racionalização e optimização: Perspectivas neo-taylorianas na organização e administração da educação]]></article-title>
<source><![CDATA[Cadernos de Ciências Sociais]]></source>
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<page-range>119-139</page-range></nlm-citation>
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