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<publisher-name><![CDATA[Centro de Estudos e Intervenção em Educação e Formação (CeiEF)Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Mídia e intervenção psicossocial nas comunidades: em busca de novas possibilidades]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The objective of this article is to reflect concerning the possibilities of use of the media as instrument of a psychosocial intervention, come back toward the development of the critical sense and autonomy in the communities. It has been broken of the estimated one of that the media can be used in the favor of the social transformations. For in such a way, the concept of psychosocial suffering and the characteristics of the world visions liberal, totalitarian and social-communitarian. Being thus, the bad media is that one that alienates and paralyzes the citizens, when presenting the reality as something given and that, therefore, it cannot be transformed. However, it is proposal of this article to think the media in one another way, on the basis of the social-communitarian world vision, that allows to face it while factor of social release, making possible to the groups to be authors of its history and, therefore, to modify it. The construction of intervention through alternative media spaces is a good way to inside reach these objectives of the communities.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <P   ><B>M&iacute;dia e interven&ccedil;&atilde;o psicossocial nas comunidades: em    busca de novas possibilidades</b></P >     <P   > Maria Aparecida Craveiro Costa, Ana Paula T&aacute;vora da Silva &amp; Carina    Pessoa Santos<a href="#1">*</a><a name="top1"></a> </P >     <P   >            </P >            <P   align="justify" >O objetivo deste artigo &eacute; refletir acerca das possibilidades de utiliza&ccedil;&atilde;o    da m&iacute;dia como instrumento de uma interven&ccedil;&atilde;o psicossocial,    voltada para o desenvolvimento do senso cr&iacute;tico e autonomia nas comunidades.    Parte-se do pressuposto de que a m&iacute;dia pode ser utilizada a favor das    transforma&ccedil;&otilde;es sociais. Sendo assim, m&iacute;dia m&aacute; &eacute;    aquela que aliena e paralisa os sujeitos, ao apresentar a realidade como algo    dado e que, portanto, n&atilde;o pode ser transformado. &Eacute; proposta do    artigo pensar a m&iacute;dia de uma outra maneira, com base na cosmovis&atilde;o    social-comunit&aacute;ria, que permite encar&aacute;-la enquanto fator de liberta&ccedil;&atilde;o    social, possibilitando aos grupos serem autores de sua hist&oacute;ria e, portanto,    modific&aacute;-la. A constru&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os midi&aacute;ticos    alternativos &eacute; uma boa maneira para se alcan&ccedil;ar estes objetivos    dentro das comunidades.</P >     <P   align="left" ><B>Palavras-chave: </b>Interven&ccedil;&atilde;o psicossocial; m&iacute;dia;    comunidades; sofrimento psicossocial. </P >     <P   align="left" >&nbsp;</P >     <P   align="left" ><b>Mass media and psychosocial intervention in communities: searching new    possibilities</b></P >     <p>The objective of this article is to reflect concerning the possibilities of    use of the media as instrument of a psychosocial intervention, come back toward    the development of the critical sense and autonomy in the communities. It has    been broken of the estimated one of that the media can be used in the favor    of the social transformations. For in such a way, the concept of psychosocial    suffering and the characteristics of the world visions liberal, totalitarian    and social-communitarian. Being thus, the bad media is that one that alienates    and paralyzes the citizens, when presenting the reality as something given and    that, therefore, it cannot be transformed. However, it is proposal of this article    to think the media in one another way, on the basis of the social-communitarian    world vision, that allows to face it while factor of social release, making    possible to the groups to be authors of its history and, therefore, to modify    it. The construction of intervention through alternative media spaces is a good    way to inside reach these objectives of the communities.</p>     <p><b>Keywords</b>: psychosocial intervention; media; communities; psychosocial    suffering.</p>     <p></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p></p>     <P   align="justify" ><B>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></P >     <P   align="justify" >Este artigo tem por objetivo refletir acerca das possibilidades    de utiliza&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia como instrumento de uma interven&ccedil;&atilde;o    psicossocial, voltada para o desenvolvimento do senso cr&iacute;tico e autonomia    nas comunidades. Trata-se de uma revis&atilde;o bibliogr&aacute;fica, que buscou    articular conceitos da Psicologia Social, com experi&ecirc;ncias e opini&otilde;es    de diversos autores acerca do assunto. Para tanto, tomaremos como base alguns    princ&iacute;pios da perspetiva s&oacute;cio-hist&oacute;rica e a cosmovis&atilde;o    social-comunit&aacute;ria, tal como definida por Guareschi (2005).</P >     <P   align="justify" >Um dos aspetos mais importantes com o qual o psic&oacute;logo social precisa lidar, em seu trabalho com comunidades, &eacute; a presen&ccedil;a do sofrimento psicossocial, que paralisa o potencial criativo dos grupos, a partir do momento em que os faz aceitarem a realidade como algo dado e que, portanto, n&atilde;o &eacute; pass&iacute;vel de mudan&ccedil;as.</P >    <P   align="justify" >Ao intervir, este psic&oacute;logo, necessariamente, ir&aacute; se fundamentar numa cosmovis&atilde;o, ou vis&atilde;o de mundo, que permite compreender e atuar no sofrimento psicossocial de diferentes formas. A fun&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia, enquanto poderoso ve&iacute;culo de produ&ccedil;&atilde;o de subjetividade, tamb&eacute;m pode ser analisada atrav&eacute;s das diferentes cosmovis&otilde;es: liberal, totalit&aacute;ria e social-comunit&aacute;ria.</P >    <P   align="justify" >Este artigo encontra-se dividido em quatro partes: a interven&ccedil;&atilde;o psicossocial, que trata das caracter&iacute;sticas desde tipo de interven&ccedil;&atilde;o, a partir do conceito de sofrimento psicossocial e das diferentes cosmovis&otilde;es, apresentando o ideal de comunidade, enquanto local onde todos t&ecirc;m voz e vez; a m&iacute;dia m&aacute;, que trata da utiliza&ccedil;&atilde;o deste meio de comunica&ccedil;&atilde;o de forma alienante e reificadora; m&iacute;dia, senso cr&iacute;tico e liberta&ccedil;&atilde;o: espa&ccedil;os midi&aacute;ticos alternativos, que busca maneiras de pensar a m&iacute;dia enquanto ve&iacute;culo de comunica&ccedil;&atilde;o que permite a integra&ccedil;&atilde;o dos grupos e a transforma&ccedil;&atilde;o social; e considera&ccedil;&otilde;es finais.</P >    <P   align="justify" ><B>A interven&ccedil;&atilde;o psicossocial </b></P >     <P   align="justify" >De acordo com Sarriera, o termo interven&ccedil;&atilde;o deriva do latim <I>interventione</I>,    significando &ldquo;um procedimento jur&iacute;dico em que uma inst&acirc;ncia    governamental superior se intromete em outra inst&acirc;ncia e se apropria de    sua gest&atilde;o&rdquo;. (como citado por Souza, 2005, &sect; 6).</P >     <P   align="justify" >No entanto, as autoras defendem que a interven&ccedil;&atilde;o psicossocial deve se afastar ao m&aacute;ximo deste senso, referindo-se a uma pr&aacute;tica multidisciplinar, em que diversos profissionais assumem uma postura de constru&ccedil;&atilde;o conjunta e igualit&aacute;ria de saberes com os membros da comunidade, de forma que possam interferir nesta realidade, no sentido de ajudar a promover o bem-estar de seus moradores.</P >    <P   align="justify" >Dentre as quest&otilde;es marcantes na din&acirc;mica das comunidades, com as quais os interventores precisam lidar, est&aacute; a presen&ccedil;a do que Sawaia (1995, p. 50) denomina de sofrimento psicossocial: &ldquo;(...) a fixa&ccedil;&atilde;o do modo r&iacute;gido de estado f&iacute;sico e mental que diminui a pot&ecirc;ncia de agir em prol do bem comum, mesmo que motivado por necessidades do eu, gerando, por efeito perverso, a&ccedil;&otilde;es contra as necessidades coletivas e, consequentemente individuais&rdquo;. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >O sofrimento psicossocial &eacute; a chave para a acomoda&ccedil;&atilde;o, para o estrangulamento do coletivo, em prol do bem individual. Ele corr&oacute;i o sistema de resist&ecirc;ncia social, quebrando o nexo entre o agir, o pensar e o sentir. As condi&ccedil;&otilde;es favorecedoras de sua dissemina&ccedil;&atilde;o s&atilde;o a mis&eacute;ria, a heteronomia e o medo; deixando sequelas como a passividade, o alcoolismo e o fatalismo. &Eacute; a sensa&ccedil;&atilde;o de n&atilde;o perten&ccedil;a ao grupo, de passividade e impot&ecirc;ncia diante das injusti&ccedil;as sociais; o sentimento de solid&atilde;o coletiva, que diminui a auto-estima dos marginalizados pela sociedade. O indiv&iacute;duo n&atilde;o se sente protagonista de sua pr&oacute;pria hist&oacute;ria, aceitando tudo o que lhe &eacute; imposto, como se fosse natural.</P >    <P   align="justify" >Em nossa sociedade, a viv&ecirc;ncia di&aacute;ria da desigualdade social, a dor de ser tratado como inferior, incapaz e, muitas vezes, como perigoso, a experi&ecirc;ncia di&aacute;ria de ser ignorado pelas pessoas, de n&atilde;o receber um sorriso, nem mesmo um olhar; al&eacute;m da impossibilidade de desfrutar dos bens de consumo instigados pela m&iacute;dia, favorecem a viv&ecirc;ncia desse sofrimento.</P >    <P   align="justify" >Assim, a autora aponta para a import&acirc;ncia de um novo paradigma &eacute;tico-social, que incorpore ao seu objeto de estudo o sofrimento psicossocial. Uma interven&ccedil;&atilde;o pautada neste modelo permite que o sujeito se aproprie de sua hist&oacute;ria e de seu potencial para transformar a sociedade, ao inv&eacute;s de submeter-se ao que n&atilde;o lhe agrada: colocar o sofrimento psicossocial como objeto de estudo &eacute; introduzir, na reflex&atilde;o e a&ccedil;&atilde;o da Psicologia Social, um apelo &agrave; democracia e ao socialismo do ponto de vista &eacute;tico, sem cair em modelos moralizantes ou teorias fetichizadas (Sawaia, 1995, p. 52).</P >    <P   align="justify" >A fim de tra&ccedil;ar reflex&otilde;es acerca da import&acirc;ncia de que o psic&oacute;logo assuma um paradigma de interven&ccedil;&atilde;o focado na supera&ccedil;&atilde;o do sofrimento psicossocial, tomaremos como base as id&eacute;ias de Guareschi (2005) em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s cosmovis&otilde;es: formas de perceber o mundo, que s&atilde;o compostas por valores, uma vis&atilde;o de homem e uma conce&ccedil;&atilde;o de social. Assim, cada cosmovis&atilde;o gera comportamentos, modos diferentes de relacionar-se com o outro e, consequentemente, diferentes modos de intervir no sofrimento.</P >    <P   align="justify" >O liberalismo individualista &eacute; a mais presente e difundida cosmovis&atilde;o da contemporaneidade. Ele tem sua raiz no s&eacute;culo XVI, com as id&eacute;ias de Descartes, e retornou com o neoliberalismo, compreendendo o homem como indiv&iacute;duo que nada tem a ver com os outros. Esta perspetiva leva ao psicologismo, negando o social, que &eacute; resumido a uma soma de indiv&iacute;duos. Existe um incentivo &agrave; competitividade, que garantiria o progresso, atrav&eacute;s da exclus&atilde;o social.</P >    <P   align="justify" >Uma pr&aacute;tica psicol&oacute;gica que desconsidera o contexto s&oacute;cio-hist&oacute;rico de cada indiv&iacute;duo, buscando enquadr&aacute;-lo nos padr&otilde;es sociais, &eacute; caracter&iacute;stica dessa cosmovis&atilde;o. Qualquer mudan&ccedil;a, nesse caso, &eacute; abominada, posto que p&otilde;e fim ao equil&iacute;brio do sistema que, por si s&oacute;, caminharia para o progresso. O sofrimento &eacute; colocado em segundo plano, caracterizando um tipo de interven&ccedil;&atilde;o paliativa, que se det&eacute;m em doar alimentos, alfabetizar, ensinar regras sociais etc., sem se preocupar em conhecer a demanda e os saberes do grupo. O psic&oacute;logo, neste caso, leva o seu conhecimento t&eacute;cnico e tenta aplic&aacute;-lo naquela comunidade.</P >    <P   align="justify" >Bock (2001), citando sua tese de doutorado, cujo objetivo foi refletir sobre o significado atribu&iacute;do, pelos psic&oacute;logos, ao fen&ocirc;meno psicol&oacute;gico, constatou que a grande maioria das respostas dos profissionais ao question&aacute;rio que ela enviou, se situava na vis&atilde;o liberal. Este dado &eacute; bastante alarmante, posto que esta cosmovis&atilde;o est&aacute; na base do sofrimento psicossocial, refor&ccedil;ando a sensa&ccedil;&atilde;o de passividade, ao afirmar que a realidade &eacute; o que est&aacute; a&iacute; e que, portanto, n&atilde;o pode ser transformada.</P >    <P   align="justify" >Por outro lado, a cosmovis&atilde;o totalit&aacute;ria esmaga o individual, desconsiderando as singularidades e supervalorizando, ou at&eacute; reificando, o coletivo. Ela surgiu no s&eacute;culo XVIII como rea&ccedil;&atilde;o ao liberalismo, colocando-se como seu oposto. No entanto, as duas vis&otilde;es de mundo t&ecirc;m em comum o facto de serem reducionistas e de abominarem mudan&ccedil;as sociais. Assim, o sociologismo &eacute; caracter&iacute;stico desta cosmovis&atilde;o, que, ao contr&aacute;rio do psicologismo liberalista, desconsidera as diferen&ccedil;as individuais, enfatizando o grupo, as organiza&ccedil;&otilde;es e o Estado.</P >    <P   align="justify" >Uma sa&iacute;da interessante para as limita&ccedil;&otilde;es dessas duas vis&otilde;es seria assumir a cosmovis&atilde;o social-comunit&aacute;ria, que compreende o ser humano enquanto pessoa, ou seja, em rela&ccedil;&atilde;o com o outro. Dessa forma, n&atilde;o se enfatiza nem o psicol&oacute;gico nem o social, mas a intera&ccedil;&atilde;o de ambos. &Eacute; na rela&ccedil;&atilde;o com o outro e, portanto, no social, que o homem tece sua subjetividade, influenciando e sendo influenciado pelos modos de subjetiva&ccedil;&atilde;o de sua cultura.</P >    <P   align="justify" >Bock (2001) defende a necessidade de se assumir uma vis&atilde;o s&oacute;cio-hist&oacute;rica na Psicologia e demais ci&ecirc;ncias, j&aacute; que esta se baseia na concep&ccedil;&atilde;o de condi&ccedil;&atilde;o humana. A autora a apresenta como alternativa para supera&ccedil;&atilde;o da cosmovis&atilde;o liberal, a partir de uma postura que abandona a vis&atilde;o abstrata de fen&ocirc;meno psicol&oacute;gico, assumindo uma perspectiva que defende que ele &ldquo;n&atilde;o pertence &agrave; natureza humana, n&atilde;o &eacute; pr&eacute;-existente no homem e sim, reflete a condi&ccedil;&atilde;o social, econ&ocirc;mica e cultural em que vivem os homens&rdquo; (p.22). Os fen&ocirc;menos sociais passam a ser, portanto, encarados como hist&oacute;ricos, ou seja, algo que tem in&iacute;cio e fim, o que d&aacute; abertura para mudan&ccedil;as. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >Dessa forma, cabe ao psic&oacute;logo conhecer a realidade na qual est&aacute; intervindo, sua hist&oacute;ria e modos de subjetiva&ccedil;&atilde;o. Adequar &agrave;s normas n&atilde;o &eacute; o ideal, mas sim, desenvolver uma consci&ecirc;ncia cr&iacute;tica, que permita ao homem ser autor de sua hist&oacute;ria. A origem do sofrimento psicossocial se torna a base da interven&ccedil;&atilde;o, a partir do saber do grupo, que interage com o saber t&eacute;cnico do psic&oacute;logo. Como afirma Freire (1981, p.29): </P >    <P   align="justify" >Todo saber traz consigo sua pr&oacute;pria supera&ccedil;&atilde;o. Portanto, n&atilde;o h&aacute; saber nem ignor&acirc;ncia absoluta: h&aacute; somente uma relativiza&ccedil;&atilde;o do saber ou da ignor&acirc;ncia. Por isso, n&atilde;o podemos nos colocar na posi&ccedil;&atilde;o do ser superior que ensina um grupo de ignorantes, mas sim na posi&ccedil;&atilde;o humilde daquele que comunica um saber relativo a outros que possuem outro saber relativo. </P >    <P   align="justify" >Lan&ccedil;a-se, ent&atilde;o, o ideal de comunidade, local onde todos se conhecem pelo nome, tem voz e vez. Como afirma Guareschi (2001, p.74), &ldquo;o retorno &agrave; comunidade, ao tipo de vida onde h&aacute; participa&ccedil;&atilde;o de todos, seria uma maneira de resgatar o ser humano e a vida social&rdquo;. Na comunidade, pode-se lutar pela liberdade, autonomia e igualdade de direitos, fugindo-se do individualismo e particularismo &eacute;tico. Assim, pode-se dizer que, para que um indiv&iacute;duo se torne cidad&atilde;o, ele precisa desenvolver um sentimento de perten&ccedil;a &agrave; uma comunidade.</P >    <P   align="justify" >&Eacute; na comunidade que o psic&oacute;logo poder&aacute; intervir, pautado por um paradigma que relativize seu saber, visando o desenvolvimento da consci&ecirc;ncia social do grupo e a supera&ccedil;&atilde;o do sofrimento psicossocial. O psic&oacute;logo deve buscar estrat&eacute;gias coletivas, no sentido de aumentar a auto-estima da comunidade, propiciando um espa&ccedil;o p&uacute;blico de express&atilde;o. </P >    <P   align="justify" >Assim, Vidal (como citado por Brito &amp; Figueiredo, 1997, p. 4) afirma que o principal papel do psic&oacute;logo comunit&aacute;rio &eacute; o de mediador:</P >    <P   align="justify" >O psic&oacute;logo comunit&aacute;rio &eacute; aquele que pode entrar em uma comunidade e colocar-se em contato com as v&aacute;rias partes existentes nela, sem ter que julgar ou posicionar-se a favor de alguma. Podendo, com isso, ocupar uma posi&ccedil;&atilde;o neutra que o possibilite exercer um papel de facilitador da comunica&ccedil;&atilde;o entre essas partes.</P >    <P   align="justify" >Por fim, defendemos que &eacute; assumindo uma cosmovis&atilde;o s&oacute;cio-comunit&aacute;ria que o psic&oacute;logo poder&aacute; melhor intervir nas comunidades, resgatando sua raz&atilde;o de existir, atrav&eacute;s da supera&ccedil;&atilde;o do sofrimento psicossocial de seus membros. No entanto, a cosmovis&atilde;o liberal ainda &eacute; a mais presente na nossa sociedade, tendo como principal meio de comunica&ccedil;&atilde;o legitimador, a m&iacute;dia.</P >     <P   align="justify" >Passaremos, neste momento, a refletir sobre o potencial alienador da m&iacute;dia    e, posteriormente, buscaremos alternativas que permitam a utiliza&ccedil;&atilde;o    deste meio de comunica&ccedil;&atilde;o t&atilde;o poderoso, para uma interven&ccedil;&atilde;o    pautada na cosmovis&atilde;o comunit&aacute;ria.</P >     <P   align="justify" ><B>A m&iacute;dia m&aacute;... </b></P >     <P   align="justify" >Guareschi (2005), tratando da rela&ccedil;&atilde;o entre comunica&ccedil;&atilde;o    e Psicologia Social, destaca quatro pontos em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;    m&iacute;dia: a comunica&ccedil;&atilde;o constr&oacute;i a realidade, posto    que s&oacute; o que &eacute; falado pode ser pensado; al&eacute;m de dizer o    que existe e o que n&atilde;o existe (o que n&atilde;o &eacute; veiculado),    a m&iacute;dia d&aacute; uma dimens&atilde;o valorativa positiva &agrave;s informa&ccedil;&otilde;es    que transmite, formando opini&otilde;es; a m&iacute;dia prop&otilde;e o que    deve ser discutido pela sociedade, atrav&eacute;s da sele&ccedil;&atilde;o de    informa&ccedil;&otilde;es; e a televis&atilde;o est&aacute; dentro das casas,    de forma que &eacute; com ela que as pessoas passam grande parte do seu tempo,    recebendo informa&ccedil;&otilde;es prontas, que n&atilde;o permitem nem a cr&iacute;tica    nem a criatividade.</P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >Coelho (2003) aproxima-se das id&eacute;ias de Guareschi, ao refletir sobre o que ele denomina de ind&uacute;stria cultural, referindo-se a uma cultura produzida em s&eacute;rie e voltada para o consumo, que tem como fun&ccedil;&atilde;o legitimar os princ&iacute;pios capitalistas. A m&iacute;dia &eacute; o principal ve&iacute;culo de dissemina&ccedil;&atilde;o desse tipo de cultura, contribuindo para a aliena&ccedil;&atilde;o das pessoas e reifica&ccedil;&atilde;o dos afetos. O autor traz, ent&atilde;o, reflex&otilde;es da semi&oacute;tica, no intuito de tentar compreender como os ve&iacute;culos da ind&uacute;stria cultural agem.</P >    <P   align="justify" >Segundo a semi&oacute;tica, todo processo de significa&ccedil;&atilde;o tem como fundo a opera&ccedil;&atilde;o do signo. Sendo signo tudo o que representa ou est&aacute; no lugar de alguma coisa, entende-se por processo de significa&ccedil;&atilde;o a rela&ccedil;&atilde;o signo-referente-interpretante. Existem tr&ecirc;s tipos de signo: &iacute;cone (ex: fotos, est&aacute;tuas), &iacute;ndice (ex: nuvem indicando chuva; catavento, indicando vento) e s&iacute;mbolo (palavras); e cada signo d&aacute; origem a um tipo de consci&ecirc;ncia. Tem-se, portanto, a consci&ecirc;ncia ic&ocirc;nica, que est&aacute; baseada nos &oacute;rg&atilde;os do sentido e nos sentimentos &ndash; &eacute; a consci&ecirc;ncia da contempla&ccedil;&atilde;o; a consci&ecirc;ncia indicial, que est&aacute; baseada na constata&ccedil;&atilde;o e na forma&ccedil;&atilde;o de ju&iacute;zos que levem a uma a&ccedil;&atilde;o; e a consci&ecirc;ncia simb&oacute;lica, baseada em argumentos l&oacute;gicos, que procura estabelecer leis e normas para compreender o porqu&ecirc; das coisas.</P >    <P   align="justify" >Assim, a ind&uacute;stria cultural tem como base de funcionamento a consci&ecirc;ncia indicial: ela procura mostrar o maior n&uacute;mero de informa&ccedil;&otilde;es, que n&atilde;o est&atilde;o ligadas entre si atrav&eacute;s de uma rela&ccedil;&atilde;o causa-efeito, mas transmitem ao espectador a sensa&ccedil;&atilde;o de conhecer profundamente o assunto abordado, criando uma consci&ecirc;ncia-mosaico: cheia de informa&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o podem se relacionar de forma l&oacute;gica &ndash; o que leva &agrave; aliena&ccedil;&atilde;o.</P >    <P   align="justify" >&Eacute; dessa maneira que a m&iacute;dia aliena, fragmentando a consci&ecirc;ncia das pessoas, ao mesmo tempo em que as enche de informa&ccedil;&otilde;es, cessando seu esp&iacute;rito de pesquisa. Pode-se perceber uma estreita rela&ccedil;&atilde;o entre esse processo e a cosmovis&atilde;o liberal, que est&aacute; baseada no individualismo e serializa&ccedil;&atilde;o da cultura. A m&iacute;dia tem-se tornado uma mediadora das rela&ccedil;&otilde;es interpessoais, determinando o que pode e deve ser discutido, de acordo com os interesses de uma pequena parcela da popula&ccedil;&atilde;o, que domina esses meios.</P >    <P   align="justify" >Spink (2006), atrav&eacute;s de uma pesquisa acerca do poder das imagens midi&aacute;ticas no processo de naturaliza&ccedil;&atilde;o das diferen&ccedil;as sociais, apresenta uma an&aacute;lise do jornal Folha de S&atilde;o Paulo, durante a semana de 8 a 14 de dezembro de 2003, trabalhando a associa&ccedil;&atilde;o entre imagens e conte&uacute;do a partir de uma perspectiva multimodal, que compreende as imagens enquanto formas discursivas. A autora afirma que a m&iacute;dia contribui para a naturaliza&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia, a partir do momento em que torna natural, transforma em dado, portanto em real, algo que &eacute; socialmente constru&iacute;do, produto de nossas pr&aacute;ticas cotidianas.</P >    <P   align="justify" >Dessa forma, os processos de naturaliza&ccedil;&atilde;o ocorrem atrav&eacute;s de meios diversos, sendo destacados pela autora (Spink, 2006, p.25-26) a conversacionaliza&ccedil;&atilde;o: que gera a banaliza&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria do senso comum &ndash; &ldquo;&eacute; assim porque &eacute; assim&rdquo;; a marquetiza&ccedil;&atilde;o: que atua pela constru&ccedil;&atilde;o do receptor como consumidor, transformando a m&iacute;dia em lazer e o lazer em m&iacute;dia; e os tropos de linguagem: que se referem ao uso de figuras de linguagem: como a met&aacute;fora, sin&eacute;doque e meton&iacute;mia.</P >    <P   align="justify" >Atualmente, podemos observar, tamb&eacute;m, a crescente utiliza&ccedil;&atilde;o da internet como meio de comunica&ccedil;&atilde;o, principalmente atrav&eacute;s dos sites de relacionamento. Esses meios criam uma falsa sensa&ccedil;&atilde;o de proximidade entre as pessoas, dificultando a utiliza&ccedil;&atilde;o de alternativas n&atilde;o verbais para transmitir informa&ccedil;&otilde;es. Nas comunidades, em que o acesso ao computador e &agrave; internet s&atilde;o limitados, tem-se, ainda, a produ&ccedil;&atilde;o da necessidade de consumo desses bens, gerando um sentimento de impot&ecirc;ncia, que est&aacute; estritamente relacionado ao sofrimento psicossocial.</P >    <P   align="justify" >Outro aspecto interessante, discutido por Champagne (1998), &eacute; a influ&ecirc;ncia que a m&iacute;dia vem exercendo na pol&iacute;tica. Devido a seu poder de formar opini&otilde;es, este ve&iacute;culo tem chamado a aten&ccedil;&atilde;o dos cientistas pol&iacute;ticos e dos pr&oacute;prios candidatos. O autor denomina este movimento de midiatiza&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica, a partir do momento em que as sondagens de opini&atilde;o sobre os candidatos podem ser alteradas atrav&eacute;s de uma boa exibi&ccedil;&atilde;o na televis&atilde;o ou r&aacute;dio. Assim, os jornalistas e produtores de emiss&otilde;es pol&iacute;ticas buscam formas de agradar a maior parte da popula&ccedil;&atilde;o, sendo avaliados, n&atilde;o o potencial pol&iacute;tico e cr&iacute;tico dos candidatos, mas a sua capacidade de &ldquo;sedu&ccedil;&atilde;o midi&aacute;tica&rdquo;. A luta tem deixado de ser pol&iacute;tica, entrando no &acirc;mbito da competi&ccedil;&atilde;o entre ag&ecirc;ncias de publicidade. Nas palavras do autor:</P >    <P   align="justify" >A televis&atilde;o coloca os l&iacute;deres pol&iacute;ticos em uma nova situa&ccedil;&atilde;o; com efeito, a l&oacute;gica da m&iacute;dia de dimens&atilde;o nacional e a busca de audi&ecirc;ncia m&aacute;xima levou-os a se apresentarem diante de p&uacute;blicos muito heterog&ecirc;neos, sendo que uma grande parte dessa popula&ccedil;&atilde;o, pouco interessada pela pol&iacute;tica, limita-se a assistir &agrave;s suas &lsquo;exibi&ccedil;&otilde;es&rsquo; no que t&ecirc;m precisamente de menos &lsquo;pol&iacute;tico&rsquo; (no sentido tradicional) e somente ir&aacute; julga-los, quando lhes &eacute; feita tal demanda, em fun&ccedil;&atilde;o de crit&eacute;rios rigorosamente n&atilde;o pol&iacute;ticos. (Champanhe, 1998, p. 142)</P >    <P   align="justify" >A m&iacute;dia tem exercido grande influ&ecirc;ncia, at&eacute; mesmo, nos movimentos de manifesta&ccedil;&atilde;o popular, que t&ecirc;m como base a den&uacute;ncia e a transforma&ccedil;&atilde;o social. De acordo com Champanhe (1998), ela tem contribu&iacute;do para a forma&ccedil;&atilde;o de grupos que apenas t&ecirc;m uma exist&ecirc;ncia midi&aacute;tica. Assim, as manifesta&ccedil;&otilde;es tendem a ser programadas pelos seus organizadores e patrocinadas pela m&iacute;dia, servindo mais aos dominadores do que aos dominados. &Eacute; preciso saber &ldquo;se vender&rdquo;, apresentar id&eacute;ias que chamem a aten&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico, podendo ser facilmente consumidas. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >Dentro das comunidades, movimentos sociais v&ecirc;m perdendo sua raz&atilde;o de existir, a partir do momento em que se enquadram nos preceitos necess&aacute;rios para serem veiculados e patrocinados pela m&iacute;dia. A l&oacute;gica capitalista tem sido aplicada neste modelo, criando movimentos &ldquo;rivais&rdquo;, que precisam competir por um &ldquo;momento de fama&rdquo;. Assim, o pr&oacute;prio ideal de comunidade fica perdido. No entanto, seria poss&iacute;vel pensar a influ&ecirc;ncia da m&iacute;dia nas comunidades de uma outra maneira?</P >    <P   align="justify" ><B>M&iacute;dia, senso cr&iacute;tico e liberta&ccedil;&atilde;o: espa&ccedil;os midi&aacute;ticos alternativos </b></P >     <P   align="justify" >Coelho (2003) trata da import&acirc;ncia de se colocar os ve&iacute;culos da    ind&uacute;stria cultural para trabalhar em favor da massa, preparando-a para    que possa entrar em contato com os fen&ocirc;menos da m&iacute;dia e saber extrair    deles o que t&ecirc;m de melhor, sem se deixar coisificar pelo sistema. A solu&ccedil;&atilde;o    apresentada pelo autor &eacute; a de por em pr&aacute;tica uma a&ccedil;&atilde;o    pol&iacute;tica e/ou cultural, que permita aos indiv&iacute;duos desenvolverem    sua personalidade e constituir um coletivo que n&atilde;o os esmague em uma    massa.</P >     <P   align="justify" >Dessa forma, as pessoas poderiam participar do debate sobre a produ&ccedil;&atilde;o dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o de massa, para evitar que se chegue a uma &ldquo;sociedade sem oposi&ccedil;&atilde;o&rdquo;, na qual toda a reflex&atilde;o cr&iacute;tica estaria paralisada. Passar&iacute;amos, portanto, da produ&ccedil;&atilde;o de uma consci&ecirc;ncia indicial, com informa&ccedil;&otilde;es r&aacute;pidas e descontextualizadas, para a produ&ccedil;&atilde;o de uma consci&ecirc;ncia simb&oacute;lica, cr&iacute;tica e criativa.</P >    <P   align="justify" >O papel do psic&oacute;logo &eacute; fundamental neste processo, a partir do momento em que ele pode contribuir, atrav&eacute;s de um diagn&oacute;stico da realidade da comunidade - reconhecendo as facilidades e as dificuldades a serem enfrentadas - para um trabalho que deve ter como base a demanda desta. &Eacute; preciso compreender as necessidades do grupo, como tamb&eacute;m, buscar l&aacute; dentro as possibilidades de intervir. O desafio &eacute; fazer com que a comunidade se aproprie dos recursos ali existentes, tornando os seus membros mais conscientes e participativos. Uma dessas possibilidades pode ser a m&iacute;dia alternativa.</P >    <P   align="justify" >Neumann (como citado por Brito e Figueiredo, 1997) afirma que a comunica&ccedil;&atilde;o alternativa caracteriza-se por ser um projeto de participa&ccedil;&atilde;o popular, que permite a re-constitui&ccedil;&atilde;o do elo de liga&ccedil;&atilde;o entre as pessoas de um mesmo grupo, com a inten&ccedil;&atilde;o de transformar o contexto social. A grande diferen&ccedil;a entre este tipo de comunica&ccedil;&atilde;o e o tipo formal &eacute; que o segundo &eacute; feito <I>para</I> a comunidade, enquanto o primeiro &eacute; feito <I>com</I> a comunidade, propiciando engajamento social e autonomia. </P >    <P   align="justify" >Com base nesta perspectiva, Brito &amp; Figueiredo (1997) relatam uma experi&ecirc;ncia que vem sendo vivida numa comunidade carente de Porto Alegre (RS). Nesta experi&ecirc;ncia, que tem como objetivo incentivar a participa&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria no planejamento das a&ccedil;&otilde;es, definindo e aplicando recursos da comunidade, optou-se pela comunica&ccedil;&atilde;o alternativa, atrav&eacute;s da cria&ccedil;&atilde;o do jornal <I>O grito da comunidade</I>, que era escrito pelos pr&oacute;prios moradores, com a finalidade de desenvolver nos mesmos autonomia, senso cr&iacute;tico e identidade social.</P >    <P   align="justify" >Segundo os autores, este trabalho est&aacute; sendo bastante proveitoso. Conseguiu-se, depois de <I>O grito da comunidade</I>, uma maior participa&ccedil;&atilde;o dos moradores nas reuni&otilde;es para estabelecimento de prioridades da comunidade, como tamb&eacute;m, abriu-se espa&ccedil;o para que novas discuss&otilde;es surgissem. Al&eacute;m do jornal, foi criado um grupo de adolescentes infratores, com o objetivo de prepara&ccedil;&atilde;o para o trabalho; a participa&ccedil;&atilde;o nas reuni&otilde;es do F&oacute;rum da Comunidade aumentou; organizou-se uma cooperativa de moradores e a participa&ccedil;&atilde;o nas reuni&otilde;es do Conselho Local de Sa&uacute;de tornou-se mais significativa.</P >    <P   align="justify" >Dessa forma, a m&iacute;dia alternativa pode ser pensada como possibilidade de inclus&atilde;o social, a partir do momento em que promove a democratiza&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o, permitindo que a comunidade expresse seus interesses, medos, ansiedades, etc. Os meios de comunica&ccedil;&atilde;o midi&aacute;ticos exercem, indiscutivelmente, um poder na vida das pessoas, prendendo sua aten&ccedil;&atilde;o e norteando seus comportamentos e opini&otilde;es. Portanto, deve-se pensar a possibilidade de utiliz&aacute;-los para a educa&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento cr&iacute;tico da comunidade, permitindo um resgate de identidades.</P >    <P   align="justify" >Outra experi&ecirc;ncia interessante foi apresentada por Oliveira et al. (n.d), atrav&eacute;s da cria&ccedil;&atilde;o do jornal comunit&aacute;rio Folha Martin Pilger, do qual participaram os jovens da comunidade da vila Martin Pilger, em Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul. O objetivo das autoras foi buscar novas alternativas metodol&oacute;gicas de interven&ccedil;&atilde;o, de forma que, neste trabalho, foi poss&iacute;vel ensinar aos jovens da comunidade - atrav&eacute;s de oficinas de texto, de diagrama&ccedil;&atilde;o e da proposta de um Di&aacute;rio de Campo - t&eacute;cnicas de Jornalismo.</P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >Relatam as autoras que a cria&ccedil;&atilde;o do jornal foi produtiva, a partir do momento em que possibilitou uma via de acesso &agrave;s necessidades da comunidade. Dessa forma, foi poss&iacute;vel estender o trabalho, que, inicialmente, abrangia crian&ccedil;as e adolescentes, para a fam&iacute;lia desses jovens. A <I>Folha Martin Pilger</I> permitiu uma troca de experi&ecirc;ncias entre os membros da comunidade, valorizando todos os tipos de saber.</P >    <P   align="justify" >Pode-se pensar, portanto, na m&iacute;dia como alternativa de supera&ccedil;&atilde;o do sofrimento psicossocial, tornando-a uma aliada do trabalho nas comunidades. Para tanto, &eacute; preciso valorizar o contexto, saberes, experi&ecirc;ncias, necessidades e particularidades de cada local de interven&ccedil;&atilde;o, o que s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel atrav&eacute;s de uma cosmovis&atilde;o que permita compreender o homem enquanto autor de sua hist&oacute;ria. A m&iacute;dia passaria de um instrumento de domina&ccedil;&atilde;o, para uma possibilidade de express&atilde;o e cr&iacute;tica da realidade, permitindo o resgate da dignidade e cidadania.</P >    <P   align="justify" ><B>Considera&ccedil;&otilde;es finais </b></P >     <P   align="justify" >Pode-se dizer que influ&ecirc;ncia da m&iacute;dia nas comunidades &eacute; marcante,    ocorrendo, na maioria das vezes, de forma alienante e paralisadora das a&ccedil;&otilde;es    de transforma&ccedil;&atilde;o. No entanto, este poderoso ve&iacute;culo de    comunica&ccedil;&atilde;o, devido a seu poder de prender a aten&ccedil;&atilde;o    e fazer parte da vida das pessoas, n&atilde;o pode, com base nestes aspetos    negativos, ser descartado enquanto instrumento de interven&ccedil;&atilde;o    social.</P >     <P   align="justify" >Assim, n&atilde;o se deve ignorar ou evitar a m&iacute;dia, mas sim, pens&aacute;-la dentro de uma perspectiva que permita compreend&ecirc;-la como fator de liberta&ccedil;&atilde;o social: a m&iacute;dia precisa ser constitu&iacute;da com a comunidade e n&atilde;o para a comunidade. &Eacute; a realidade dos grupos, e n&atilde;o fragmentos de conte&uacute;dos desconexos, que precisam ser abordados neste ve&iacute;culo.</P >     <P   align="justify" >Acreditamos que a cosmovis&atilde;o social-comunit&aacute;ria abre possibilidades    para pensar a m&iacute;dia desta maneira e que ela deve ser levada em considera&ccedil;&atilde;o    no momento de intervir, destacando a interven&ccedil;&atilde;o psicossocial    enquanto a&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica que pode gerar transforma&ccedil;&atilde;o    ou estagna&ccedil;&atilde;o. O sofrimento psicossocial, se pensado dentro desta    perspectiva, &eacute; algo a ser superado, atrav&eacute;s da transforma&ccedil;&atilde;o    da consci&ecirc;ncia dos grupos, fugindo-se de todo tipo de naturaliza&ccedil;&atilde;o.</P >     <P   align="justify" >&nbsp;</P >     <P   align="justify" ><B>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas </b></P >     <!-- ref --><P   align="justify" >Bock, A. M. B. (2001). A psicologia s&oacute;cio-hist&oacute;rica: uma perspectiva    cr&iacute;tica em psicologia. In<I> </I>Bock, A.M.B; Gon&ccedil;alves, M.G.M    &amp; Furtado, O. (2001). <I>Psicologia s&oacute;cio-hist&oacute;rica: uma perspectiva    cr&iacute;tica em psicologia</I>. S&atilde;o Paulo: Cortez.</P >     &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000071&pid=S1645-7250200900020000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><P   align="justify" >Brito, R.C. &amp; Figueiredo, A. L. de (1997). Desenvolvimento comunit&aacute;rio:    uma experi&ecirc;ncia de parceria. <I>Psicologia: Reflex&atilde;o e cr&iacute;tica,</I>    10 (1). Consultado em 02 de novembro, 2006 em <a href="http://www.scielo.br/scielo.php?sscript=sci_arttext%C0%03d=s010279721997000100013" target="_blank">http://www.scielo.br/scielo.php?sscript=sci_arttext&amp;pid=s010279721997000100013</a></P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="justify" >Champagne, P. (1998) <I>Formar opini&atilde;o: o novo jogo pol&iacute;tico.</I> (G. J. de F. Teixeira, Trad.) Rio de Janeiro: Vozes.</P >    <P   align="justify" >Coelho, T. (2003) <I>O que &eacute; ind&uacute;stria cultural.</I><B> </B> S&atilde;o Paulo: Brasiliense. </P >    <P   align="justify" >Freire, P. (1981). <I>Educa&ccedil;&atilde;o e mudan&ccedil;a.</I> (M. Gadotti; L. L. Martin, Trad. 40 edi&ccedil;&atilde;o). Rio de Janeiro: Paz e Terra.</P >    <P   align="justify" >Guareschi, P. (2005) <I>Psicologia social cr&iacute;tica: como pr&aacute;tica de liberta&ccedil;&atilde;o </I>(2&ordf; ed.)<I>.</I> Porto Alegre: EDIPUCRS. </P >    <P   align="justify" >Guareschi, P. (2001).Compromisso social na Psicologia. In<I> </I>A. M. P Caniato &amp; E. A. Tomanik (2001). <I>Compromis</I><I></I><I>so social da psicologia</I><B>. </B>Porto Alegre: ABRAPSOSUL.</P >     <P   align="justify" >Oliveira et al. Construindo a hist&oacute;ria da folha Martin Pilger: a m&iacute;dia    alternativa como projeto de inclus&atilde;o social. <I>Centro Universit&aacute;rio    Feevale</I>. Consultado em 18 de novembro 2007 em <a href="http://www.Redealcar.jornalismo.ufsc.br/cd3/alternativa/Cristinacardozodeoliveira_julianagradeflor.doc" target="_blank">http://www.Redealcar.jornalismo.ufsc.br/cd3/alternativa/Cristinacardozodeoliveira_julianagradeflor.doc</a></P >     <P   align="justify" >Sawaia, B. (1995). Psicologia social: aspectos epistemol&oacute;gicos e &eacute;ticos. In B.<I> </I>Sawaia &amp; S. T. M. Lane (1995). <I>Novas veredas da psicologia social.</I> S&atilde;o Paulo: Brasiliense.</P >     <P   align="justify" >Souza, L.G.S. (2005). Os trabalhadores sociais e a interven&ccedil;&atilde;o    psicossocial. Consultado em 10 de agosto 2007 em <a href="http://www.coopemult.com.br" target="_blank">http://www.coopemult.com.br</a></P >     <P   align="justify" >Spink, M. J. (2006). O poder das imagens na naturaliza&ccedil;&atilde;o das desigualdades: os crimes no cotidiano da m&iacute;dia jornal&iacute;stica. In M. J. Spink &amp; P. Spink (2006). <I>Pr&aacute;ticas cotidianas e a naturaliza&ccedil;&atilde;o da desigualdade: uma semana </I><I>de not&iacute;cias nos jornais</I>. S&atilde;o Paulo: Cortez</P >     <P   align="right" >&nbsp;</P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   align="left" ><a href="#top1">*</a><a name="1"></a>Universidade Cat&oacute;lica de Pernambuco    (UNICAP), Brasil. <a href="mailto:cidacraveiro@uol.com.br">cidacraveiro@uol.com.br</a>  </P >     <P   align="left" >&nbsp; </P >      ]]></body><back>
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