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<journal-title><![CDATA[Revista Lusófona de Educação]]></journal-title>
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<publisher-name><![CDATA[Centro de Estudos e Intervenção em Educação e Formação (CeiEF)Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A construção de indicadores de qualidade no campo da avaliação educacional: um enfoque epistemológico]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The article deals with the building of indicators within the ambit of the evaluation of education from a double perspective starting point: a) theoretical and methodological involved in the issue; b) of the limits and possibilities of building indicators within the ambit of education evaluation. The article also emphasizes the relationship between models of evaluation of education and the problems linked to its validity, as well as the social and political use of the results obtained from the evaluation. In its conclusion, the article presents and brings forth a series of strategies as references for the building of models of evaluation of educational programs and policies.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[A construção de indicadores de qualidade]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>A constru&ccedil;&atilde;o de indicadores de qualidade no campo da avalia&ccedil;&atilde;o    educacional: um enfoque epistemol&oacute;gico</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Rosilda Arruda Ferreira* e Robinson Moreira Ten&oacute;rio**</b>     <p><b>*</b>Faculdade de Educa&ccedil;&atilde;o     <p>** Universidade Federal da Bahia, <a href="mailto:rosildaarruda@gmail.com">rosildaarruda@gmail.com</a>      <p>&nbsp;     <p><b>Resumo</b>      <p>Este artigo trata do processo de constru&ccedil;&atilde;o de indicadores de qualidade no campo da avalia&ccedil;&atilde;o educacional e, mais especificamente, da avalia&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas e programas educacionais. O objetivo &eacute; promover uma discuss&atilde;o sobre duas quest&otilde;es articuladas: num primeiro momento, tratar os aspectos epistemol&oacute;gicos e te&oacute;rico-metodol&oacute;gicos envolvidos no processo de constru&ccedil;&atilde;o de indicadores nas ci&ecirc;ncias sociais; e, num segundo, refletir sobre os limites e possibilidades da constru&ccedil;&atilde;o de indicadores de qualidade no campo da avalia&ccedil;&atilde;o educacional com base nas abordagens te&oacute;ricas mais recentes sobre qualidade em educa&ccedil;&atilde;o e sobre avalia&ccedil;&atilde;o. Para proceder &agrave; discuss&atilde;o adotamos uma perspectiva epistemol&oacute;gica que busca focalizar a quest&atilde;o a partir da rela&ccedil;&atilde;o entre a defini&ccedil;&atilde;o de modelos de avalia&ccedil;&atilde;o  educacional e   os problemas de validez que permeia o processo de constru&ccedil;&atilde;o do conhecimento, os obst&aacute;culos envolvidos na rela&ccedil;&atilde;o que estabelece entre o pesquisador social (no caso espec&iacute;fico, o avaliador) e o conhecimento a ser produzido, bem como a quest&atilde;o do seu uso social e pol&iacute;tico que remete ao sentido atribu&iacute;do para o termo qualidade em educa&ccedil;&atilde;o. Na conclus&atilde;o o artigo apresenta uma proposi&ccedil;&atilde;o provis&oacute;ria de um conjunto de estrat&eacute;gias que podem ser considerados como norteadores para a constru&ccedil;&atilde;o de modelos de avalia&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas e programas educacionais e de indicadores de qualidade.     <p><b>Palavras-chave</b>: A constru&ccedil;&atilde;o de indicadores de qualidade; avalia&ccedil;&atilde;o educacional; avalia&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas e programas; epistemologia da avalia&ccedil;&atilde;o.     <p>&nbsp;     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Evaluation of education and the building of quality indicators: Theoretical    and methodological approaches.</b></p>     <p><b>Abstract</b></p>     <p>The article deals with the building of indicators within the ambit of the evaluation of education from a double perspective starting point: a) theoretical and methodological involved in the issue; b) of the limits and possibilities of building indicators within the ambit of education evaluation. The article also emphasizes the relationship between models of evaluation of education and the problems linked to its validity, as well as the social and political use of the results obtained from the evaluation. In its conclusion, the article presents and brings forth a series of strategies as references for the building of models of evaluation of educational programs and policies.</p>     <p><b>Keywords</b>: education policies;evaluation of education; indicators; quality.  </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. Introdu&ccedil;&atilde;o </b>     <p>A constru&ccedil;&atilde;o de indicadores se constitui em aspecto relevante dos debates sobre o processo de produ&ccedil;&atilde;o do conhecimento no &acirc;mbito das ci&ecirc;ncias sociais e suas &aacute;reas aplicadas, especialmente para o campo educacional. Representa um momento crucial dessa discuss&atilde;o na medida em que remete ao problema da validez e da rela&ccedil;&atilde;o entre a teoria e a realidade emp&iacute;rica. A sua escolha pressup&otilde;e a tomada de decis&atilde;o sobre os aspectos da realidade a serem investigados que deve possibilitar a realiza&ccedil;&atilde;o de representa&ccedil;&otilde;es cognitivas constru&iacute;das com base em refer&ecirc;ncias definidas no &acirc;mbito das diversas abordagens te&oacute;ricas vinculadas aos campos de estudos espec&iacute;ficos.</p>     <p>A relev&acirc;ncia dessa discuss&atilde;o se afirma, portanto, frente &agrave; necessidade de se tratar o problema da validade do conhecimento cient&iacute;fico, tema que tem movido amplos debates no campo das ci&ecirc;ncias humanas e sociais desde o seu surgimento no s&eacute;culo XIX, na medida em que trata do problema da rela&ccedil;&atilde;o entre a teoria e o processo de demonstra&ccedil;&atilde;o emp&iacute;rica. Essa tem&aacute;tica perpassa a discuss&atilde;o sobre a constru&ccedil;&atilde;o do conhecimento nos diversos campos de saberes e permeia o fazer cient&iacute;fico independente da abordagem te&oacute;rico-metodol&oacute;gica que se adote.</p>     <p>Construir indicadores na pesquisa cient&iacute;fica significa, pois, transformar conceitos e rela&ccedil;&otilde;es entre conceitos, que constituem as teorias com seus diferentes graus de generalidade e abstra&ccedil;&atilde;o, em categorias e proposi&ccedil;&otilde;es capazes de avan&ccedil;ar na dire&ccedil;&atilde;o da explicita&ccedil;&atilde;o das suas configura&ccedil;&otilde;es e aplica&ccedil;&otilde;es particulares. Esse processo revela a sua import&acirc;ncia e necessidade quando garante a demarca&ccedil;&atilde;o de evid&ecirc;ncias concretas que permitam a compreens&atilde;o ou explica&ccedil;&atilde;o dos fen&ocirc;menos que est&atilde;o sendo investigados.</p>     <p>No campo da avalia&ccedil;&atilde;o educacional a constru&ccedil;&atilde;o de indicadores de qualidade assume grande complexidade, por se tratar de um campo aplicado das ci&ecirc;ncias sociais que lida com a constru&ccedil;&atilde;o de modelos para valorar pol&iacute;ticas, programas, projetos e a&ccedil;&otilde;es educativas que al&eacute;m de expressarem concep&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas e abordagens determinadas, envolvem tamb&eacute;m aspectos vinculados aos interesses s&oacute;cio-pol&iacute;ticos de determinados grupos em confronto e suas representa&ccedil;&otilde;es sobre qualidade em educa&ccedil;&atilde;o. Nesse sentido, o cuidado epistemol&oacute;gico e metodol&oacute;gico, bem como o enfoque sociol&oacute;gico sobre as representa&ccedil;&otilde;es sociais acerca do que se est&aacute; avaliando s&atilde;o aspectos  fundamentais para a defini&ccedil;&atilde;o de indicadores e para o conhecimento sobre o  fen&ocirc;meno que est&aacute; sendo avaliado, no caso a qualidade da educa&ccedil;&atilde;o.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Nesse processo, torna-se relevante destacar o que entendemos por qualidade em educa&ccedil;&atilde;o: Do que estamos falando? Ser&aacute; que todos entendem qualidade na mesma perspectiva? Que imagens fazem de uma educa&ccedil;&atilde;o de qualidade? Obviamente que h&aacute; imagens bastante distintas em fun&ccedil;&atilde;o dos interesses e concep&ccedil;&otilde;es constru&iacute;das socialmente.  Nesse caso, &eacute; preciso considerar que a refer&ecirc;ncia de qualidade da educa&ccedil;&atilde;o a ser ofertada em determinadas conjunturas acha-se pro-fundamente relacionada com os diferentes modelos de avalia&ccedil;&atilde;o institu&iacute;dos pelas pol&iacute;ticas educacionais, na medida em que esses modelos tomam como refer&ecirc;ncia metas e objetivos a serem alcan&ccedil;ados previamente que s&atilde;o delineados no &acirc;mbito de projetos s&oacute;cio-pol&iacute;ticos e econ&ocirc;micos mais amplos.</p>     <p>Na avalia&ccedil;&atilde;o em larga escala, com  seus importantes impactos  para a gest&atilde;o dos sistemas educacionais, construir instrumentos e indicadores de qualidade &eacute; uma tarefa extremamente importante para lograr a sintonia entre os aspetos qualitativos e quantitativos que possam exprimir os aspectos objetivos da realidade, mas tamb&eacute;m apreender as representa&ccedil;&otilde;es, concep&ccedil;&otilde;es e interesses em jogo, favorecendo o delineamento de um processo de m&atilde;o dupla que objetiva, atrav&eacute;s dos seus resultados, favorecer a tomada de decis&otilde;es (gest&atilde;o) adequadas para a melhoria da qualidade da educa&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Um Indicador se revela, portanto, como um elemento, sinal ou aviso que revela ou denota caracter&iacute;sticas especiais ou qualidades, que aponta (como o <I>dedo indicador</I>) uma dire&ccedil;&atilde;o, mostrando a conveni&ecirc;ncia de, ou aconselhando a alguma a&ccedil;&atilde;o. De forma mais t&eacute;cnica, &eacute; um composto constru&iacute;do para medir uma dimens&atilde;o ou vari&aacute;vel (Babbie, 2001), como j&aacute; dissemos anteriormente. A sua defini&ccedil;&atilde;o envolve a sele&ccedil;&atilde;o de crit&eacute;rios relevantes e &uacute;teis para julgar, comparar e acompanhar a evolu&ccedil;&atilde;o dos benef&iacute;cios, efeitos adversos e custos dos servi&ccedil;os e produtos educacionais.  Os indicadores de qualidade, assim, s&atilde;o fundamentais para acompanhar as mudan&ccedil;as na dimens&atilde;o de realidade que se quer avaliar, permitindo:</p>     <blockquote>       <p>1. Consolidar informa&ccedil;&otilde;es relevantes, &uacute;teis e a apreens&atilde;o      imediata de aspectos da realidade;</p>       <p>2. Aprimorar a gest&atilde;o;</p>       <p>3. Desenvolver pol&iacute;ticas;</p>       <p>4. Trocar informa&ccedil;&otilde;es entre, institui&ccedil;&otilde;es regi&otilde;es,      munic&iacute;pios, etc.;</p>       <p>5. Apoiar a&ccedil;&otilde;es de car&aacute;ter gerencial e de monitoramento      que justificam a cria&ccedil;&atilde;o e utiliza&ccedil;&atilde;o de indicar      de qualidade em educa&ccedil;&atilde;o.</p> </blockquote>     <p>Neste artigo nos propomos a aprofundar a discuss&atilde;o sobre a tem&aacute;tica    da constru&ccedil;&atilde;o de indicadores no campo da avalia&ccedil;&atilde;o    educacional, mediante a considera&ccedil;&atilde;o de dois aspectos articuladas:    um primeiro que trata dos aspectos epistemol&oacute;gicos e te&oacute;rico-metodol&oacute;gicos    envolvidos no processo de constru&ccedil;&atilde;o de indicadores nas ci&ecirc;ncias    sociais; e um segundo que reflete sobre os limites e possibilidades da constru&ccedil;&atilde;o    de indicadores de qualidade em educa&ccedil;&atilde;o com base nas abordagens    te&oacute;ricas mais recentes sobre avalia&ccedil;&atilde;o e qualidade em educa&ccedil;&atilde;o.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>2. A constru&ccedil;&atilde;o de indicadores nas ci&ecirc;ncias sociais segundo um enfoque epistemol&oacute;gico e sociol&oacute;gico</b></p>     <p>As metodologias constru&iacute;das historicamente no campo das diversas ci&ecirc;ncias    sociais evidenciam, permanentemente, o problema da constru&ccedil;&atilde;o    de indicadores, processo que precisa ser compreendido &agrave; luz do debate    sobre as concep&ccedil;&otilde;es acerca da rela&ccedil;&atilde;o sujeito-objeto    que se configura no interior das diversas teorias e abordagens estruturadas    como programas<Sup><a name="top1" id="top1"></a><a href="#1">1</a></Sup> de    pesquisa.</p>     <p>Qualquer que seja a tem&aacute;tica da pesquisa emp&iacute;rica a ser realizada, refer&ecirc;ncia te&oacute;rica adotada ou t&eacute;cnicas de coleta de dados escolhidas para efetivar o estudo, a quest&atilde;o da constru&ccedil;&atilde;o de indicadores emp&iacute;ricos se imp&otilde;e como uma a&ccedil;&atilde;o a ser realizada.</p>     <p>Nessa dire&ccedil;&atilde;o, Lakatos (1975) afirma que &ldquo;sendo te&oacute;ricas todas as proposi&ccedil;&otilde;es da ci&ecirc;ncia uma proposi&ccedil;&atilde;o factual &eacute; apenas uma esp&eacute;cie particular de proposi&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica&rdquo;. O que se afirma, concordando com este autor, &eacute; que apesar das vari&aacute;veis e indicadores da pesquisa se caracterizarem como instrumentos voltados &agrave; observa&ccedil;&atilde;o  sistem&aacute;tica e controlada da realidade n&atilde;o podemos isentar-lhes da sua rela&ccedil;&atilde;o com as refer&ecirc;ncias conceituas que est&atilde;o na base de sua defini&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Portanto, apesar da fun&ccedil;&atilde;o principal de distinguir, registrar e comparar de forma sistem&aacute;tica os fen&ocirc;menos e processos sociais nos seus aspectos particulares, os indicadores n&atilde;o podem deixar de ser entendidos como instrumentos de categoriza&ccedil;&atilde;o que buscam favorecer a constru&ccedil;&atilde;o de representa&ccedil;&otilde;es cognitivas sobre o real, ou seja, subsidiar o processo de constru&ccedil;&atilde;o de conceitos e de rela&ccedil;&otilde;es entre conceitos.</p>     <p>Podemos dizer, portanto, que os indicadores s&atilde;o instrumentos de medida dos fen&ocirc;menos a que se referem. Mas ao que estamos nos referimos quando falamos de medidas nas ci&ecirc;ncias sociais?</p>     <p>Esta &eacute; uma quest&atilde;o pol&ecirc;mica e marcada por perspectivas    em confronto. Algumas abordagens que podem ser denominadas de compreensivistas,    afirmam que &agrave;s ci&ecirc;ncias sociais cabe apenas apreender os significados    atribu&iacute;dos pelos sujeitos aos fen&ocirc;menos que se pretende conhecer    e que n&atilde;o podem ser utilizadas m&eacute;todos quantific&aacute;veis.    Nesse caso, afirma-se que conhecer os fen&ocirc;menos sociais s&oacute; &eacute;    poss&iacute;vel mediante a sua descri&ccedil;&atilde;o<Sup><a name="top2" id="top2"></a><a href="#2">2</a></Sup>;    outras afirmam a possibilidade de um conhecimento objetivo sobre a realidade    social, sustentando essa afirma&ccedil;&atilde;o na argumenta&ccedil;&atilde;o    de que a realidade social pode ser apreendida a partir de regularidades observ&aacute;veis    que podem ser traduzidas em rela&ccedil;&otilde;es pass&iacute;veis de serem    medidas quantitativamente. Nesse caso, afirma-se que &eacute; poss&iacute;vel    conhecer os fen&ocirc;menos a partir da medida da regularidade de suas manifesta&ccedil;&otilde;es    emp&iacute;ricas<a name="top3" id="top3"></a><Sup><a href="#3">3</a> </Sup></p>     <p>Em uns como em outros casos, discute-se a possibilidade de compreens&atilde;o ou de explica&ccedil;&atilde;o da realidade social e da validade na escolha de m&eacute;todos que d&ecirc;em conta de estabelecer a rela&ccedil;&atilde;o entre as teorias de base e a defini&ccedil;&atilde;o de aspectos da realidade que possam efetivamente ser investigados, ou seja, a constru&ccedil;&atilde;o de indicadores.As quest&otilde;es que se afirmam s&atilde;o de diversas ordens: Como os fen&ocirc;menos se expressam? Que recortes do real deve ser feitos para conhecer os fen&ocirc;menos, sejam eles de objetivos ou subjetivos, ou seja, que tipos de indicadores podem ser definidos e como os mesmos podem medidos? A resposta a essas quest&otilde;es remete necessariamente ao debate sobre o uso da teoria ou dos programas de pesquisa (Lakatos, 1975) que indicam a concep&ccedil;&atilde;o sobre a realidade social, sobre as possibilidades de sua compreens&atilde;o ou explica&ccedil;&atilde;o, o que est&aacute; na base da tomada de decis&atilde;o sobre os indicadores e formas de medi-los,</p>     <p>S&oacute; nesse momento &eacute; que podemos retomar a discuss&atilde;o sobre    o problema da medida que sinalizamos anteriormente. Assim, precisamos perguntar:    &Eacute; poss&iacute;vel medir as evid&ecirc;ncias emp&iacute;ricas dos fen&ocirc;menos    sociais? Como essa medida &eacute; poss&iacute;vel? Que tipo de indicadores    pode ser medido? Que tipos de medidas podem ser utilizados? Como se caracterizam    os diferentes tipos de medidas?<a name="top4" id="top4"></a><Sup><a href="#4">4</a>    </Sup></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Existem diferentes tipos de medidas. No caso de indicadores como sexo, por exemplo, em que identificamos os seus valores por uma designa&ccedil;&atilde;o num&eacute;rica (Feminino-1; Masculino-2) n&atilde;o podemos proceder a nenhuma opera&ccedil;&atilde;o aritm&eacute;tica com base nos resultados encontrados. Nesse caso denominamos de escala nominal. No caso de indicadores, como por exemplo, segmentos de renda familiar, podem operar com uma escala de medida cujos valores podem ser hierarquizados (superior/m&eacute;dio/baixo) e utilizados para construir uma ordena&ccedil;&atilde;o ao longo de um <I>continuum</I>. No entanto, nesse tipo de escala que denominamos escala ordinal, tamb&eacute;m n&atilde;o podemos fazer nenhuma an&aacute;lise relacionada &agrave;s diferen&ccedil;as entre as posi&ccedil;&otilde;es relativas dos mesmos. Uma terceira possibilidade de medida refere-se &agrave;quelas que permitem estabelecer diferen&ccedil;as entre classes de equival&ecirc;ncia ou valores do indicador, o que corresponde &agrave; escala de intervalo, ou escalas de propor&ccedil;&atilde;o quando essa escala tiver um zero n&atilde;o-arbitr&aacute;rio ou absoluto.Assim, podemos afirmar que indicadores como rendimento familiar; desempenho escolar; &iacute;ndices de evas&atilde;o; &iacute;ndices de repet&ecirc;ncia; s&atilde;o indicadores que podem ser medidos a partir de escalas de intervalo ou de propor&ccedil;&atilde;o e podem ser trabalhados a partir de poss&iacute;veis rela&ccedil;&otilde;es quantific&aacute;veis. Aspectos como concep&ccedil;&otilde;es acerca da fun&ccedil;&atilde;o social da escola; prefer&ecirc;ncias pol&iacute;tico-partid&aacute;rias, entre outros, s&oacute; podem ser medidos segundo escalas nominais ou ordinais. Mas ser&aacute; que a impossibilidade de medi&ccedil;&atilde;o de um indicador em termos que possam estabelecer rela&ccedil;&otilde;es medidas estatisticamente, coloca em cheque a import&acirc;ncia de sua defini&ccedil;&atilde;o. O que podemos observar &eacute; que n&atilde;o, pois independente dos mesmos poderem ser medidos a partir de escala nominais, ordinais, de intervalos ou proporcionais a sua import&acirc;ncia como operadores dos conceitos que permitem delimitar aspectos da realidade para conhec&ecirc;-la n&atilde;o pode ser desprezada, o que ser&aacute; definido em fun&ccedil;&atilde;o das teorias de refer&ecirc;ncias.</p>     <p>Vale destacar, no entanto, a complexidade desse processo de operacionaliza&ccedil;&atilde;o dos conceitos que caracteriza a constru&ccedil;&atilde;o dos indicadores quando tomamos dimens&otilde;es muito amplas para compreender uma determinada realidade, como por exemplo, uma pol&iacute;tica, programa ou projeto educacional.</p>     <p>Se buscarmos compreender os interesses pol&iacute;ticos dos grupos relacionados aquele Programa espec&iacute;fico; ou se quisermos apreender os referenciais normativos culturais mais amplos que est&atilde;o relacionados ao objeto de uma pol&iacute;tica ou programa, como devemos proceder na defini&ccedil;&atilde;o de indicadores?  Com certeza, quanto mais amplas forem &agrave;s refer&ecirc;ncias te&oacute;ricas ou os conceitos utilizados, mais dif&iacute;cil ser&aacute; construir indicadores que se configurem como media&ccedil;&atilde;o entre a teoria e realidade emp&iacute;rica.</p>     <p>A complexidade se d&aacute;, tamb&eacute;m, em decorr&ecirc;ncia da multidimensionalidade do real social cujos recortes anal&iacute;ticos s&atilde;o sempre provis&oacute;rios, situados, restritivos, permitindo apenas uma vis&atilde;o parcial dos fen&ocirc;menos. O desafio remete, pois, a constru&ccedil;&atilde;o de indicadores que permitam, com base em refer&ecirc;ncias te&oacute;ricas consistentes, uma focaliza&ccedil;&atilde;o ao cerne da problem&aacute;tica que est&aacute; sendo discutida. O que queremos dizer &eacute; que, muitas vezes, ficamos perdidos num emaranhado de indicadores que nos distraem da quest&atilde;o central que se est&aacute; tratando. Mas como definir o que &eacute; o cerne da quest&atilde;o? Como defini-la para permitir que se construam indicadores confi&aacute;veis? Entendemos que a resposta a esta quest&atilde;o est&aacute; necessariamente nas refer&ecirc;ncias te&oacute;ricas que se adota. O que queremos dizer &eacute; que &eacute; sempre necess&aacute;rio promover uma discuss&atilde;o bem fundamentada e rigorosa dos conceitos a serem trabalhados; da formula&ccedil;&atilde;o de hip&oacute;teses prov&aacute;veis com base nas teorias ou em estudos j&aacute; realizados, ou ainda em observa&ccedil;&otilde;es sistem&aacute;ticas da realidade, etc.</p>     <p>Essa discuss&atilde;o remete ao debate sobre as concep&ccedil;&otilde;es que    se afirmam no interior das abordagens sobre os processos de constru&ccedil;&atilde;o    de conhecimento nas ci&ecirc;ncias sociais, marcado pelas cl&aacute;ssicas polariza&ccedil;&otilde;es    entre individual-coletivo, objetivo-subjetivo, agente-estrutura, entre outras,    situa&ccedil;&atilde;o que tem levado muitos autores na contemporaneidade a    buscar construir s&iacute;nteses que superem tais dicotomias, a partir do pressuposto    de que a realidade se constitui na conflu&ecirc;ncia de m&uacute;ltiplas interfer&ecirc;ncias    como partes constitutivas da mesma realidade. Alexander (1995, p.296) caracteriza    estas tentativas como um novo movimento, afirmando que o &ldquo;problema sistem&aacute;tico,    ou anal&iacute;tico predominante tem sido a reintegra&ccedil;&atilde;o do voluntarismo    subjetivo e da restri&ccedil;&atilde;o objetiva<I>&rdquo;.</I> E diz ainda,    que </p>     <blockquote>       <p>o esfor&ccedil;o de fechar a brecha entre o micro/macro &eacute; pois um      af&atilde; de relacionar a a&ccedil;&atilde;o individual e a intera&ccedil;&atilde;o      com a teoriza&ccedil;&atilde;o sobre a estrutura social (...) insist&ecirc;ncia      em ligar a a&ccedil;&atilde;o com a estrutura, a subjetividade com a objetividade,      marca um esfor&ccedil;o para superar os termos do debate anterior (Alexander,      1995: 297).</p> </blockquote>     <p>Apesar de ser fundamental a necessidade e a tentativa de constru&ccedil;&atilde;o de uma an&aacute;lise numa perspectiva multidimensional, partimos do pressuposto de que este processo n&atilde;o ser&aacute; poss&iacute;vel se n&atilde;o se constituir em fun&ccedil;&atilde;o da articula&ccedil;&atilde;o de campos de estudos com delimita&ccedil;&otilde;es claras e com produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento cientificamente sustent&aacute;veis, o que pressup&otilde;e, por sua vez, a considera&ccedil;&atilde;o de certos crit&eacute;rios postos no &acirc;mbito das disciplinas cient&iacute;ficas (apesar destes serem vari&aacute;veis no tempo e, portanto, relativos).</p>     <p>Neste quadro de refer&ecirc;ncia h&aacute; que se considerar outro elemento    que condiciona o processo de produ&ccedil;&atilde;o do conhecimento cient&iacute;fico    e, conseq&uuml;entemente, a constru&ccedil;&atilde;o de indicadores nas ci&ecirc;ncias    sociais, que est&aacute; relacionado aos aspectos da normatividade envolvidos    na sua produ&ccedil;&atilde;o, quest&atilde;o que tem rela&ccedil;&atilde;o    com a problem&aacute;tica dos uso social do conhecimento cient&iacute;fico.    N&atilde;o se pode negar, por exemplo, o envolvimento de soci&oacute;logos,    educadores, cientistas pol&iacute;ticos que ao participarem de projetos de governo    recorrem ao uso pragm&aacute;tico e ideol&oacute;gico do discurso cient&iacute;fico    como estrat&eacute;gia de legitima&ccedil;&atilde;o de projetos sociais e pol&iacute;ticos    determinados<a name="top5" id="top5"></a><Sup><a href="#5">5</a></Sup>. No campo    da avalia&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas e programas educacionais essa    complexidade &eacute; ainda mais evidente.</p>     <p>Quando pensamos, portanto, nos procedimentos te&oacute;ricos e metodol&oacute;gicos que temos que adotar ao intentar produzir conhecimento no campo das ci&ecirc;ncias sociais, temos necessariamente que considerar esses dois aspectos: os conceitos e teorias que embasam as discuss&otilde;es produzidas; e a sua operacionaliza&ccedil;&atilde;o que permite a focaliza&ccedil;&atilde;o de aspectos da realidade emp&iacute;rica, ou, em outras palavras, a constru&ccedil;&atilde;o de indicadores. Ambos os processos est&atilde;o condicionados por fatores de ordem interna ao pr&oacute;prio conhecimento relacionado ao problema de sua validez; e de ordem externa relacionados aos determinantes pol&iacute;ticos e institucionais que expressam interesses em jogo na cena acad&ecirc;mica.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em fun&ccedil;&atilde;o do que est&aacute; posto, cabe perguntar sobre as possibilidades e limites da produ&ccedil;&atilde;o de modelos de avalia&ccedil;&atilde;o educacional que possam se sustentar em  bases epistemol&oacute;gicas e metodol&oacute;gicas seguras, constru&iacute;das na media&ccedil;&atilde;o do debate entre as diversas abordagens cient&iacute;ficas do campo das ci&ecirc;ncias sociais?  E ainda, sobre a possibilidade de que este debate venha a oferecer refer&ecirc;ncias v&aacute;lidas para a constru&ccedil;&atilde;o de indicadores que possam efetivamente favorecer a constru&ccedil;&atilde;o de conhecimentos sobre a realidade emp&iacute;rica e contribuir para o redirecionamento das pol&iacute;ticas e programas educacionais.</p>     <p>Obviamente que esta resposta n&atilde;o pode desprezar os determinantes externos que est&atilde;o na base da constru&ccedil;&atilde;o dos indicadores cuja defini&ccedil;&atilde;o e adequa&ccedil;&atilde;o ao tipo de conhecimento que se quer construir n&atilde;o remete apenas a um problema de defini&ccedil;&atilde;o de t&eacute;cnicas de pesquisa.Assim, podemos dizer que esse processo envolve n&atilde;o apenas  decis&otilde;es epistemol&oacute;gicas e metodol&oacute;gicas, mas tamb&eacute;m decis&otilde;es pol&iacute;ticas.Afinal, cabe considerar, de princ&iacute;pio, os modelos de sociedade que estamos tomando como refer&ecirc;ncia para proceder &agrave; avalia&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas e programas educacionais.</p>     <p>A avalia&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas e programas educativos envolve, na verdade, uma avalia&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica da pol&iacute;tica, principalmente se considerarmos que n&atilde;o existe  conhecimento neutro. Todo conhecimento como nos diz Habermas (1982), &eacute; um conhecimento interessado. Assim, quais as possibilidades de produzir avalia&ccedil;&otilde;es de pol&iacute;ticas e programas educacionais que possam, efetivamente, contribuir para o conhecimento do processo de implementa&ccedil;&atilde;o de uma pol&iacute;tica e de seus resultados? Como garantir que os resultados alcan&ccedil;ados s&atilde;o resultados confi&aacute;veis poss&iacute;veis de serem utilizados para a corre&ccedil;&atilde;o dos percursos das pol&iacute;ticas, programas e projetos implementados como espera as avalia&ccedil;&otilde;es educacionais promovidas? No campo da avalia&ccedil;&atilde;o, parece que a inten&ccedil;&atilde;o do projeto da ci&ecirc;ncia moderna de conhecer, prever e intervir se afirma com grande &ecirc;nfase.</p>     <p>Frente ao exposto anteriormente, buscamos refletir na seq&uuml;&ecirc;ncia sobre os ca-minhos metodol&oacute;gicos a serem considerados para que se possa produzir modelos de avalia&ccedil;&atilde;o sustentados epistemologicamente, o que significa dizer que a constru&ccedil;&atilde;o dos modelos de avalia&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas e programas precisam ser submetidos ao debate sobre dois n&iacute;veis que perpassam a sua constru&ccedil;&atilde;o: no n&iacute;vel formal, interno que se refere a l&oacute;gica da descoberta que exige o uso de determinados procedimentos do m&eacute;todo cient&iacute;fico e que determina um conjunto de regras a serem seguidas o que revela uma especificidade do processo de produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento e de seu espa&ccedil;o pr&oacute;prio de autonomia; no n&iacute;vel externo intersubjetivo que pressup&otilde;e reconhecer a condicionalidade espa&ccedil;o-temporal e os aspectos institucionais inerentes ao seu desenvolvimento.</p>     <p>Considerar exclusivamente um ou outro aspecto na tentativa de explicar ou compreender a realidade, ou desacreditar na possibilidade da ci&ecirc;ncia construir conhecimentos v&aacute;lidos, ou ainda na sua possibilidade da indica&ccedil;&atilde;o de poss&iacute;veis caminhos para a interven&ccedil;&atilde;o social &eacute; desacreditar/desprezar a mais fant&aacute;stica empreitada humana no processo de constru&ccedil;&atilde;o de seu ser no mundo: a inven&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia.</p>     <p>Pensar na possibilidade de um conhecimento v&aacute;lido que possa contribuir para a avalia&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas e programas educacionais, na pr&aacute;tica, significa afirmar  que no n&iacute;vel interno dos elementos conceituais envolvidos na proposi&ccedil;&atilde;o de modelos explicativos &eacute; preciso considerar os crit&eacute;rios de validez utilizados durante a sua produ&ccedil;&atilde;o e a constru&ccedil;&atilde;o de indicadores; as refer&ecirc;ncias te&oacute;rico-metodol&oacute;gicas que est&atilde;o em sua base para que seja garantida a coer&ecirc;ncia e a consist&ecirc;ncia do material produzido; os aspectos objetivos e subjetivos, quantitativos e qualitativos que precisam ser apreendidos no sentido de ampliar as possibilidades de apreens&atilde;o das m&uacute;ltiplas dimens&otilde;es do real, entre outros aspectos. No n&iacute;vel externo que envolve os condicionantes s&oacute;cio-pol&iacute;ticos e institucionais que se expressam no modelo constru&iacute;do &eacute; preciso considerar as ideologias pol&iacute;ticas e os projetos de sociedade que perpassam tanto a formula&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas e programas, quanto dos gestores e das institui&ccedil;&otilde;es que promovem a avalia&ccedil;&atilde;o; a finalidade da avalia&ccedil;&atilde;o e o lugar social dos avaliadores; as lutas pol&iacute;ticas cotidianas que demarcam as posi&ccedil;&otilde;es e os cen&aacute;rios que mediam o processo de implementa&ccedil;&atilde;o e os resultados das pol&iacute;ticas e programas a serem avaliados; as refer&ecirc;ncias culturais dos sujeitos envolvidos no processo de gest&atilde;o e de avalia&ccedil;&atilde;o, entre outros aspectos.</p>     <p>No conjunto desse debate, busca-se afirmar a possibilidade de articula&ccedil;&atilde;o dos elementos que constituem o campo da epistemologia das ci&ecirc;ncias sociais como uma das estrat&eacute;gias principais para fundamentar a constru&ccedil;&atilde;o de modelos de avalia&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas e programas educacionais, visando a sua validez e legitimidade. O que estamos propondo &eacute; ampliar o debate sobre o conhecimento produzido no campo da avalia&ccedil;&atilde;o educacional a partir de sua articula&ccedil;&atilde;o &agrave;s quest&otilde;es pr&oacute;prias da constru&ccedil;&atilde;o do conhecimento cient&iacute;fico nas ci&ecirc;ncias sociais, ou seja, avan&ccedil;ar na perspectiva da discuss&atilde;o delineada pelo campo da epistemologia da avalia&ccedil;&atilde;o educacional.</p>     <p>O debate conduzido at&eacute; aqui exige uma tomada de posi&ccedil;&atilde;o quanto ao sentido que atribu&iacute;mos ao esfor&ccedil;o para explicar e compreender as a&ccedil;&otilde;es humanas historicamente constitu&iacute;das que configuram a realidade social a partir de sua complexidade, dinamicidade e multidimensionalidade como condi&ccedil;&atilde;o fundamental para a produ&ccedil;&atilde;o de modelos de avalia&ccedil;&atilde;o educacional.</p>     <p>Frente ao exposto, e buscando definir a posi&ccedil;&atilde;o que tomaremos    no item seguinte quando trataremos das possibilidades de constru&ccedil;&atilde;o    de modelos de avalia&ccedil;&atilde;o educacional e do processo de defini&ccedil;&atilde;o    de indicadores, podemos sintetizar a concep&ccedil;&atilde;o afirmando que entendemos    a realidade como uma totalidade complexa em que os processos e fen&ocirc;menos    sociais est&atilde;o em permanente intera&ccedil;&atilde;o construtiva e que    as mesmas se apresentam a partir de regularidades objetivadas e carregadas de    sentido. Nessa perspectiva, entendemos que a realidade social &eacute; constitu&iacute;da    por regularidades que caracterizam as estruturas sociais e que apresentam uma    exist&ecirc;ncia com relativa perman&ecirc;ncia, e por processos de significa&ccedil;&atilde;o    atribu&iacute;dos pelos agentes sociais. O que buscamos aqui a superar a dicotomia    entre os caminhos das ci&ecirc;ncias sociais para explica&ccedil;&atilde;o do    real que, por um lado priorizam o agente, a hist&oacute;ria e, por outro, a    estrutura. O que significa dizer que toda realidade humana &eacute; social e    vivida coletivamente, logo em rela&ccedil;&otilde;es carregadas de inten&ccedil;&otilde;es,    valores etc., que por sua vez s&atilde;o situadas em espa&ccedil;os e tempos    historicamente determinadas. Afirma-se nesse debate, a necessidade de superar    a posi&ccedil;&atilde;o em que se dicotomiza a import&acirc;ncia da pesquisa    qualitativa e quantitativa e se prop&otilde;e um olhar em que o real seja percebido    em seus aspectos de perman&ecirc;ncia e transforma&ccedil;&atilde;o imbricados,    e o lugar do agente e da estrutura, enquanto mutuamente constitutivos.</p>     <p>Nesse sentido, compreendemos a realidade em seus aspectos din&acirc;micos, provis&oacute;rios e hist&oacute;ricos em que as a&ccedil;&otilde;es dos sujeitos t&ecirc;m especial significado; e em seus aspectos estruturais, mais ou menos permanentes, indicadores de regularidades poss&iacute;veis de serem apreendidas. Busca-se, assim, definir um olhar sobre o real que apreenda as subjetividades em a&ccedil;&atilde;o, mediante a atribui&ccedil;&atilde;o de valores e de significados das viv&ecirc;ncias, pr&aacute;ticas e inten&ccedil;&otilde;es dos sujeitos, o que pressup&otilde;e a necessidade de recorrer a t&eacute;cnicas de an&aacute;lise de cunho interpretativo; ao mesmo tempo em que compreenda a constru&ccedil;&atilde;o e materializa&ccedil;&atilde;o dessas subjetividades em fun&ccedil;&atilde;o das regularidades mais amplas e estruturais que consolidam uma determinada forma&ccedil;&atilde;o social, posi&ccedil;&atilde;o que buscaremos trazer para o campo da avalia&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas e programas sociais.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Sobre essa quest&atilde;o, Minayo (1999) nos diz que um objeto do campo social    possui como caracter&iacute;sticas principais, sua historicidade, referente    &agrave; dinamicidade conferida pelo espa&ccedil;o/tempo; sua consci&ecirc;ncia    hist&oacute;rica, determinada pelas a&ccedil;&otilde;es objetivadas pelas estruturas    sociais e pelo pr&oacute;prio cientista social inserido na rela&ccedil;&atilde;o;    seu car&aacute;ter ideol&oacute;gico, determinado pelas diferentes vis&otilde;es    de mundo; o resultado do trabalho e sua aplica&ccedil;&atilde;o e, por fim,    a dimens&atilde;o de significado, decorrente do conjunto de representa&ccedil;&otilde;es    que imprimem as situa&ccedil;&otilde;es e os objetos sociais com os quais se    depara cotidianamente.</p>     <p>Construir um modelo de avalia&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas educacionais segundo essa perspectiva n&atilde;o se constituir&aacute; em tarefa f&aacute;cil. Muito se tem discutido sobre esta quest&atilde;o e v&aacute;rias propostas s&atilde;o formuladas.Alguns autores defendem a import&acirc;ncia de uma avalia&ccedil;&atilde;o objetiva que considere os impactos de uma pol&iacute;tica e que resgate os indicadores que expressem as mudan&ccedil;as ocorridas. Outros priorizam os aspectos relacionados ao processo de implanta&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas e que envolve a luta dos diversos atores sociais envolvidos no cen&aacute;rio em quest&atilde;o. Frente ao exposto, entendemos que &eacute; necess&aacute;rio superar essa perspectiva epistemol&oacute;gica e buscar a avalia&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas considerando tanto os impactos quanto os processos pol&iacute;ticos envolvidos em sua implanta&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Neste artigo partimos do princ&iacute;pio de que a avalia&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas deve considerar tanto os aspectos objetivos quanto os subjetivos envolvidos no processo de sua implanta&ccedil;&atilde;o e implementa&ccedil;&atilde;o, principalmente quando estamos tentando avaliar pol&iacute;ticas educacionais ou diretamente relacionadas &agrave; educa&ccedil;&atilde;o que envolve a possibilidade de mudan&ccedil;a cultural e pressup&otilde;e a constru&ccedil;&atilde;o de indicadores objetivos e os significados que lhe s&atilde;o atribu&iacute;dos.</p>     <p>Assim, numa primeira aproxima&ccedil;&atilde;o dos caminhos metodol&oacute;gicos    para a constru&ccedil;&atilde;o de um modelo de avalia&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas    p&uacute;blicas e da constru&ccedil;&atilde;o de indicadores, partimos da necessidade    mais ampla de considerar tr&ecirc;s aspectos fundamentais: <b>a)</b></B> a pol&iacute;tica    p&uacute;blica como um instrumento de a&ccedil;&atilde;o do Estado, o que pressup&otilde;e    situar os par&acirc;metros anal&iacute;ticos sobre a concep&ccedil;&atilde;o    de Estado e de sua atua&ccedil;&atilde;o; <b>b)</b></B> as refer&ecirc;ncias    te&oacute;rico-conceituais e pol&iacute;tico-filos&oacute;ficas que est&atilde;o    na base da defini&ccedil;&atilde;o do objeto da pol&iacute;tica, o que significa    analisar os referenciais normativos culturais mais amplos que est&atilde;o relacionados    ao objeto da pol&iacute;tica, bem como o conjunto das reflex&otilde;es te&oacute;ricas    e cr&iacute;ticas sobre o mesmo e, por fim, <b>c)</b> </B>os processos de formula&ccedil;&atilde;o    e implementa&ccedil;&atilde;o desta pol&iacute;tica, tomando por base os elementos    postos na discuss&atilde;o anterior.</p>     <p>A seguir, procuraremos avan&ccedil;ar nessa discuss&atilde;o tratando mais    especificamente de elementos te&oacute;ricos sobre a avalia&ccedil;&atilde;o    educacional, buscando aplicar elementos do debate acima para pensar mais especificamente    no problema da constru&ccedil;&atilde;o de indicadores no campo da avalia&ccedil;&atilde;o    de pol&iacute;ticas e programas educacionais, ou seja, produzir reflex&otilde;es    sobre uma epistemologia da avalia&ccedil;&atilde;o educacional.</p>     <p>&nbsp;</p> <b>3. Avalia&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e programas educacionais:    alguns aspectos conceituais a partir de um enfoque  epistemol&oacute;gico e sociol&oacute;gico</b>     <p>As pesquisas voltadas para avalia&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas e programas sociais, historicamente, expandiram-se a partir da d&eacute;cada de 1960, sendo os Estados Unidos da Am&eacute;rica o principal pa&iacute;s a desenvolver trabalhos nesse sentido. Nesse pa&iacute;s, as bases dessas pesquisas emp&iacute;ricas se relacionavam aos dom&iacute;nios dos programas educativos e sociais. Essas pesquisas visavam entender o significado dos programas, sua varia&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s do tempo e a rela&ccedil;&atilde;o entre o planejamento e a implementa&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica.Atualmente, consolida-se a id&eacute;ia de que as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas devem ser permanentemente acompanhadas atrav&eacute;s do monitoramento constante dos seus resultados.</p>     <p>No Brasil, as pesquisas para avalia&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas ainda n&atilde;o se desenvolveram suficientemente. Ali&aacute;s, a preocupa&ccedil;&atilde;o com essa tem&aacute;tica surgiu na d&eacute;cada de 80 em fun&ccedil;&atilde;o das exig&ecirc;ncias para financiamento de programas. A preocupa&ccedil;&atilde;o principal dos modelos de avalia&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas nesse per&iacute;odo &eacute; estudar o processo de tomada de decis&otilde;es e os fatores que influenciam esse processo, sendo marcada pelo vi&eacute;s comportamental e neutralista. Neste caso, estuda-se a efic&aacute;cia das pol&iacute;ticas deixando relegada a avalia&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica dos princ&iacute;pios que as fundamentam, ou seja, o seu conte&uacute;do substantivo. Enfatizam-se o cumprimento de metas e os processos colaterais e deixa-se de lado a ess&ecirc;ncia da pol&iacute;tica.</p>     <p>&Eacute; preciso considerar na avalia&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas, no entanto, os princ&iacute;pios pol&iacute;ticos fundamentais que a sustentam relativos &agrave; concep&ccedil;&atilde;o do bem-estar humano, destacando os princ&iacute;pios de igualdade e de democracia, bem como a concep&ccedil;&atilde;o de cidadania. Todavia, a avalia&ccedil;&atilde;o n&atilde;o deve se restringir &agrave; mera an&aacute;lise conceitual de princ&iacute;pios, expl&iacute;citos ou impl&iacute;citos, a uma an&aacute;lise puramente pol&iacute;tica.</p>     <p>Em seu estudo, Beloni (2000) ao procurar discutir a quest&atilde;o de como tem se desenhado as Metodologias de avalia&ccedil;&atilde;o em pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, tomando como refer&ecirc;ncia uma  experi&ecirc;ncia no campo da educa&ccedil;&atilde;o profissional,reconhece  que se evidencia a predomin&acirc;ncia do uso de m&eacute;todos econ&ocirc;micos quantitativistas, em-bora exista uma tend&ecirc;ncia &agrave; procura de m&eacute;todos alternativos que buscam superar limites, partindo do pressuposto de que o quantitativo apenas se refere a alguns aspectos da realidade social complexa e, portanto, n&atilde;o se iguala a ela. A avalia&ccedil;&atilde;o, neste sentido, n&atilde;o serve como um instrumento apenas para julgar o programa, mas serve para oferecer elementos necess&aacute;rios para formula&ccedil;&atilde;o de novos programas. No que se refere &agrave; metodologia utilizada por esses estudos percebe-se graus de complexidade anal&iacute;tica distintas, por um lado, com a avalia&ccedil;&atilde;o da efetividade, efici&ecirc;ncia ou contextualiza&ccedil;&atilde;o dos programas e, por outro lado, a efic&aacute;cia funcional da pol&iacute;tica.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; avalia&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas na &aacute;rea educacional, podemos perceber que as mesmas n&atilde;o conseguem analisar os impactos das pol&iacute;ticas na escola, pois normalmente se restringem &agrave;s avalia&ccedil;&otilde;es feitas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; etapa de diagn&oacute;stico e das propostas educacionais, raramente versando sobre o alcance de seus resultados, existindo uma grande dist&acirc;ncia entre o diagn&oacute;stico da situa&ccedil;&atilde;o e a tomada de decis&atilde;o.</p>     <p>Nessa dire&ccedil;&atilde;o, podemos afirmar que, normalmente, os modelos de an&aacute;lise do processo de implementa&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas educacionais, priorizam alguns aspectos em detrimentos de outros. Assim, alguns estudos priorizam as rela&ccedil;&otilde;es entre a formula&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica e os formatos que os programas adquiram ao final do processo; outros, a dimens&atilde;o temporal que trata dos efeitos no tempo em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o em que se processam (resist&ecirc;ncias e ades&otilde;es por parte dos atores participantes) e as modifica&ccedil;&otilde;es das condi&ccedil;&otilde;es iniciais; e outros, ainda, avaliam as condi&ccedil;&otilde;es que propiciam ou entravam o alcance dos resultados previstos.</p>     <p>Essa discuss&atilde;o revela que no processo de avalia&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;tica e programas educacionais os diversos condicionantes que determinam a sua implanta&ccedil;&atilde;o e resultados precisam ser considerados.Assim, aspectos como o ambiente pol&iacute;tico no qual os programas se desenvolvem, as for&ccedil;as pol&iacute;ticas que se contrap&otilde;em ou fazem alian&ccedil;as para apoiar ou resistir ao programa, o ide&aacute;rio econ&ocirc;mico-financeiro que preside a determina&ccedil;&atilde;o sobre a aloca&ccedil;&atilde;o dos gastos p&uacute;blicos, as concep&ccedil;&otilde;es sobre a maior ou a menor necessidade de democratiza&ccedil;&atilde;o do Estado, a vis&atilde;o sobre os princ&iacute;pios de efici&ecirc;ncia, efetividade e efic&aacute;cia das a&ccedil;&otilde;es governamentais na &aacute;rea social, entre outros, precisam se integrar ao  modelo avaliativo a ser definido.</p>     <p>Outra quest&atilde;o relevante &eacute; a pretensa incompatibilidade entre avalia&ccedil;&otilde;es quantitativas e qualitativas. Historicamente, a administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica brasileira faz levantamentos quantitativos de informa&ccedil;&otilde;es de ordem econ&ocirc;mico-financeira que t&ecirc;m a finalidade de penalizar entidades com suas presta&ccedil;&otilde;es de contas com o governo federal. Por se tratar da administra&ccedil;&atilde;o de recursos p&uacute;blicos, &eacute; importante que se utilizem avalia&ccedil;&otilde;es quantitativas, sem d&uacute;vida, mas seria interessante que se introduzissem novos par&acirc;metros/indicadores relacionados &agrave; avalia&ccedil;&atilde;o qualitativa.</p>     <p>Nessa discuss&atilde;o torna-se importante considerar que o impacto de uma pol&iacute;tica &eacute; uma medida do desempenho da a&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica e que a causa para realiza&ccedil;&atilde;o de avalia&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas pode ser de ordem moral (&eacute;tica) ou instrumental. A primeira diz respeito aos princ&iacute;pios de justi&ccedil;a que norteiam a formula&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas e suas repercuss&otilde;es nas condi&ccedil;&otilde;es de vida da popula&ccedil;&atilde;o. Deve ser, portanto, uma avalia&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e de pol&iacute;tica, considerando princ&iacute;pios, produto e impacto. A segunda se relaciona com a implementa&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica ou programa, visando obter um fluxo cont&iacute;nuo de informa&ccedil;&otilde;es sobre seus resultados em termos de volume e qualidade &ndash; ou controle de impactos. O que nos leva a afirmar que n&atilde;o &eacute; suficiente aferir se o estado desejado ocorreu, mas &eacute; necess&aacute;rio considerar tamb&eacute;m se a nova situa&ccedil;&atilde;o est&aacute; sendo constru&iacute;da &agrave; luz de princ&iacute;pios de justi&ccedil;a sociais minimamente aceitos. Da&iacute; ser fundamental considerar os projetos sociais em confronto e suas vincula&ccedil;&otilde;es ao modo como a sociedade se estrutura, bem como as representa&ccedil;&otilde;es sociais dos atores envolvidos na formula&ccedil;&atilde;o, implementa&ccedil;&atilde;o e controle dos resultados das pol&iacute;ticas e programas.</p>     <p>A considera&ccedil;&atilde;o sobre esses aspectos nos leva a destacar o importante papel que as ci&ecirc;ncias sociais podem desempenhar na medida em que podem oferecer modelos anal&iacute;ticos a serem tomadas como refer&ecirc;ncia nas an&aacute;lises em quest&atilde;o, com destaque para a sociologia e a ci&ecirc;ncia pol&iacute;tica, refer&ecirc;ncias que podem oferecer importantes focaliza&ccedil;&otilde;es para a discuss&atilde;o e compreens&atilde;o das pol&iacute;ticas educacionais no Brasil, na contemporaneidade. Podemos chegar a essa conclus&atilde;o independentemente do sentido que dermos a avalia&ccedil;&atilde;o educacional: se no &acirc;mbito pedag&oacute;gico, interno &agrave; escola, uma vez que o desempenho dos alunos &eacute; medido mediante a defini&ccedil;&atilde;o de indicadores que revelam o que a coletividade espera dos seus membros; ou no aspecto mais amplo, da defini&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas e programas educativos ou da gest&atilde;o dos sistemas p&uacute;blicos e privados de ensino. Nesses casos, tamb&eacute;m se evidencia, ai de forma at&eacute; mais clara, a rela&ccedil;&atilde;o entre os projetos sociais dos grupos de poder e os modelos de educa&ccedil;&atilde;o estruturados.</p>     <p>Utilizando um recorte sociol&oacute;gico para analisar o lugar social da avalia&ccedil;&atilde;o educacional no Brasil, podemos perceber que tradicionalmente o debate sobre avalia&ccedil;&atilde;o esteve voltado para os aspectos do desempenho do aluno e a preocupa&ccedil;&atilde;o com a melhoria da aprendizagem; ou para a quest&atilde;o do contexto organizacional da escola. Apesar dessa preocupa&ccedil;&atilde;o evidente e de sua vincula&ccedil;&atilde;o a abordagens do campo da psicologia por se tratar de um problema sobre como os sujeitos aprendem, se tomarmos a mesma quest&atilde;o a partir de um enfoque sociol&oacute;gico poderemos perceber uma vincula&ccedil;&atilde;o estreita entre os diferentes modelos de avalia&ccedil;&atilde;o utilizados nas escolas ao longo deste s&eacute;culo e as estrat&eacute;gias de controle social e legitima&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, evidenciando as rela&ccedil;&otilde;es entre os aspectos micro e macro-sociais para a compreens&atilde;o do processo avaliativo que vai al&eacute;m do espa&ccedil;o encoberto pelo cotidiano escolar.</p>     <p>Al&eacute;m disso, &eacute; importante destacar que a pr&oacute;pria avalia&ccedil;&atilde;o    do desempenho dos alunos assumiu v&aacute;rias vertentes ao longo do tempo,    indo desde um modelo restritivo vinculado, especificamente, ao trabalho como    resposta ao processo de ensino e servindo para verifica&ccedil;&atilde;o das    aprendizagens, a um modelo ampliado em que o avalia&ccedil;&atilde;o do desempenho    escolar do aluno &eacute; tomada como indicador de qualidade da educa&ccedil;&atilde;o    p&uacute;blica. No Brasil, essa situa&ccedil;&atilde;o se evidencia especialmente    a partir de meados dos anos 1990 e com destaque para o n&iacute;vel da educa&ccedil;&atilde;o    superior, o que est&aacute; relacionado ao contexto do novo modelo social que    se consolida no cen&aacute;rio da globaliza&ccedil;&atilde;o de mercados caracterizando-se    como uma estrat&eacute;gia importante para definir o lugar das Institui&ccedil;&otilde;es    de Educa&ccedil;&atilde;o Superior em <I>rankings</I> de resultados que se revelam    em instrumentos eficazes para a defini&ccedil;&atilde;o de um mercado educacional.    A partir da&iacute; se espera que os &ldquo;consumidores&rdquo; da educa&ccedil;&atilde;o    superior possam fazer suas escolhas com seguran&ccedil;a<Sup><a name="top8"></a><a href="#8">6</a></Sup>.</p>     <p>Essa reflex&atilde;o nos leva a reafirmar a import&acirc;ncia de considerar    na constru&ccedil;&atilde;o de modelos de avalia&ccedil;&atilde;o a quest&atilde;o    relativa ao contexto das mudan&ccedil;as econ&ocirc;micas e pol&iacute;ticas    mais amplas em que se inserem as mudan&ccedil;as educativas. Nesse sentido,    o pr&oacute;prio movimento que surge no &acirc;mbito da gest&atilde;o de programas    e dos sistemas educativos em que a avalia&ccedil;&atilde;o aparece como condi&ccedil;&atilde;o    essencial para o alcance de um determinado par&acirc;metro de qualidade precisa    ser pensada a partir desses contextos.A quest&atilde;o que se coloca &eacute;    a seguinte: Em que cen&aacute;rios e qual a motiva&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica    e pol&iacute;tica que est&aacute; na base dessa nova demanda que surge com rela&ccedil;&atilde;o    ao papel da avalia&ccedil;&atilde;o educacional, agora n&atilde;o apenas voltada    para o interior das escolas, mas essencialmente para os sistemas e programas    educativos mais amplos?</p>     <p>Essa quest&atilde;o &eacute; de grande relev&acirc;ncia, pois n&atilde;o podemos esquecer que a avalia&ccedil;&atilde;o &eacute; ela pr&oacute;pria uma atividade pol&iacute;tica, como afirma Afonso (1998) ao dizer que isto pode ser constatado</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p>quando se estuda e pratica a investiga&ccedil;&atilde;o avaliativa, nomeadamente      pela an&aacute;lise sociol&oacute;gica de programas educacionais e de pol&iacute;ticas      p&uacute;blicas.Verificar a que interesses serve e como &eacute; que esses      interesses s&atilde;o representados ou respeitados implica aceitar que avalia&ccedil;&atilde;o      &eacute; &lsquo;uma atividade que &eacute; afetada por for&ccedil;as pol&iacute;ticas      e que tem efeitos pol&iacute;ticos&rsquo; (Afonso, 1998: 33)</p> </blockquote>     <p>Nessa &oacute;tica, podemos tentar responder a quest&atilde;o proposta quanto ao surgimento da &ecirc;nfase no processo avaliativo que surge nos anos 1990 no mundo e tamb&eacute;m no Brasil, bem como as perspectivas adotadas para proceder &agrave;s avalia&ccedil;&otilde;es de pol&iacute;ticas e programas educativos. Esse processo &eacute; decorr&ecirc;ncia de um crescente investimento na educa&ccedil;&atilde;o ocorrido durante toda a d&eacute;cada de 1960 e 1970 sem que os efeitos ou metas esperadas/anunciadas tivessem  sido alcan&ccedil;adas.</p>     <p>No &acirc;mbito internacional, a crise de legitimidade da educa&ccedil;&atilde;o em decorr&ecirc;ncia dos evidentes processos de exclus&atilde;o de amplas camadas sociais especialmente no que se refere a uma educa&ccedil;&atilde;o de qualidade no conjunto dos pa&iacute;ses em desenvolvimento e a crise de emprego, gerou certa descren&ccedil;a com rela&ccedil;&atilde;o aos efeitos sociais da escolariza&ccedil;&atilde;o e produziu um discurso que buscou transferir a responsabilidade do Estado pelos resultados da educa&ccedil;&atilde;o para outras inst&acirc;ncias da sociedade. Nesse cen&aacute;rio, a necessidade de fiscaliza&ccedil;&atilde;o dos investimentos feitos em educa&ccedil;&atilde;o, visando o controle de seus resultados e a justificativa perante a sociedade e os contribuintes revelou-se como uma urg&ecirc;ncia. Na verdade, buscou-se definir mecanismos de responsabiliza&ccedil;&atilde;o (<I>accountability</I>) para os problemas de inefici&ecirc;ncia dos sistemas educativos. Nesse cen&aacute;rio, se fortaleceu um discurso de que a origem dos problemas estaria relacionado a  falta de controle sobre o trabalho das escolas e, portanto, &agrave; necessidade de desenvolver mecanismos de  press&atilde;o social para garantir uma maior participa&ccedil;&atilde;o e responsabilidade da sociedade com os resultados da escolariza&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Na d&eacute;cada de oitenta esse movimento &eacute; acompanhado em diversos pa&iacute;ses pelo fortalecimento de posi&ccedil;&otilde;es e modelos de pol&iacute;ticas de cunho neoliberal e neoconservador o que gerou um novo impulso para os mecanismos de responsabiliza&ccedil;&atilde;o. Observa-se nesse caso, uma converg&ecirc;ncia de inten&ccedil;&otilde;es entre alguns modelos de presta&ccedil;&atilde;o de contas e os pressupostos que sustentavam as pol&iacute;ticas educacionais, especialmente aqueles que afirmavam o princ&iacute;pio do direito de escolha da educa&ccedil;&atilde;o por parte dos pais, enquanto consumidores, e a sua rela&ccedil;&atilde;o com a divulga&ccedil;&atilde;o dos resultados alcan&ccedil;ados pela escola, necess&aacute;rios para a fundamenta&ccedil;&atilde;o dessas mesmas escolhas. Resultados estes que deveriam ser constru&iacute;dos com base em procedimentos de avalia&ccedil;&atilde;o sustentados em indicadores de qualidade confi&aacute;veis.</p>     <p>&Eacute; nesse cen&aacute;rio que a avalia&ccedil;&atilde;o dos sistemas educativos passa a ser destacada como estrat&eacute;gia fundamental para a defini&ccedil;&atilde;o e o controle das pol&iacute;ticas educativas. Nessa &oacute;tica, podemos perceber uma vincula&ccedil;&atilde;o estreita entre as pol&iacute;ticas de avalia&ccedil;&atilde;o de desempenho dos alunos largamente adotada no Brasil desde os anos 1990 e sua associa&ccedil;&atilde;o &agrave; responsabiliza&ccedil;&atilde;o dos atores que fazem a escola pelos resultados escolares dos alunos.As nuances desse processo se configurar&atilde;o a partir dos interesses pol&iacute;ticos em jogo e da conjuntura pol&iacute;tica, sendo esses aspectos determinantes para o modelo de avalia&ccedil;&atilde;o educacional adotado. Este &eacute; um aspecto fundamental a ser considerado para podermos compreender as mudan&ccedil;as que v&atilde;o surgindo nos modelos de avalia&ccedil;&atilde;o e nos processos de constru&ccedil;&atilde;o de indicadores decorrentes dos projetos educativos configurados em cada per&iacute;odo hist&oacute;rico.</p>     <p>Assim, podemos compreender o motivo da &ecirc;nfase na retomada da constru&ccedil;&atilde;o de indicadores de avalia&ccedil;&atilde;o educacional sustentados em modelos positivistas o que ocorre na contram&atilde;o do que vinha sendo evidenciado no campo da teoria da avalia&ccedil;&atilde;o que trazia para o centro do debate abordagens anti-positivistas e pluralistas. A &ecirc;nfase em modelos positivistas enfatizava a constru&ccedil;&atilde;o de indicadores mensur&aacute;veis que se tornaram destaque no conjunto das pol&iacute;ticas neoliberais e neoconservadoras. O que se quer dizer &eacute; que, na pr&oacute;pria formula&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas estava inclu&iacute;do o processo de avalia&ccedil;&atilde;o com uma perspectiva desenhada previa-mente.</p>     <p>Esse &eacute; uma evid&ecirc;ncia de como as mudan&ccedil;as nas pol&iacute;ticas governamentais marcadas por projetos s&oacute;cio-pol&iacute;ticos determinados pode, em determinadas conjunturas, resultar em mudan&ccedil;as nas pr&aacute;ticas avaliativas. No caso da educa&ccedil;&atilde;o a preocupa&ccedil;&atilde;o com o produto, mais do que com o processo, se tornou uma evid&ecirc;ncia e revelou elementos que foram tomadas como refer&ecirc;ncia para a caracteriza&ccedil;&atilde;o do Estado que passou a ser denominado por estudiosos da quest&atilde;o como Estado avaliador.</p>     <p>No Brasil esse processo &eacute; marcado pelas novas caracter&iacute;sticas assumidas em fun&ccedil;&atilde;o da reconfigura&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica do Estado brasileiro decorr&ecirc;ncia do projeto de reforma, apregoada como essencial &agrave; moderniza&ccedil;&atilde;o e enxugamento das estruturas burocr&aacute;ticas e orientada principalmente pelo Banco Mundial, cuja inten&ccedil;&atilde;o &eacute; adequar o pa&iacute;s aos novos interesses do espa&ccedil;o internacional capitalista, reforma que tem gerado mudan&ccedil;as em v&aacute;rios setores da sociedade &agrave; medida que  tem levado o Estado a deixar de exercer, de modo direto, as fun&ccedil;&otilde;es da educa&ccedil;&atilde;o, sa&uacute;de e assist&ecirc;ncia social descentralizando-as para as esferas de poder local; de outro, nesse per&iacute;odo consolida-se a perspectiva dos setores educacionais organizados a partir do processo de redemocratiza&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s que v&ecirc;em na educa&ccedil;&atilde;o um instrumento fundamental para a constru&ccedil;&atilde;o da cidadania e na descentraliza&ccedil;&atilde;o do poder, autonomia e participa&ccedil;&atilde;o da sociedade civil os elementos fundamentais para a constru&ccedil;&atilde;o da democracia real.</p>     <p>No &acirc;mbito governamental, as iniciativas de implanta&ccedil;&atilde;o de reformas administrativas ganharam destaque no governo de Fernando Henrique Cardoso, quando come&ccedil;aram a ser tomadas medidas voltadas &agrave;s mudan&ccedil;as no padr&atilde;o das pol&iacute;ticas educativas e em que a avalia&ccedil;&atilde;o educacional, juntamente com a gest&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o, ganhou centralidade. Nesse momento, a quest&atilde;o da autonomia das unidades escolares e das administra&ccedil;&otilde;es locais, em articula&ccedil;&atilde;o com os processos de descentraliza&ccedil;&atilde;o das decis&otilde;es e da transfer&ecirc;ncia de responsabilidades entre as inst&acirc;ncias centrais e locais de poder passam a ser priorizadas em conson&acirc;ncia com um modelo de monitoramente e avalia&ccedil;&atilde;o que se consolida principalmente a partir dos anos 1990.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No Brasil, no que diz respeito &agrave; emerg&ecirc;ncia de novos processos de avalia&ccedil;&atilde;o notam-se naturalmente especificidades que devem ser relacionadas com o impacto (ou recep&ccedil;&atilde;o) que, entre n&oacute;s, tiveram transforma&ccedil;&otilde;es e debates que atravessaram os sistemas educativos em outros pa&iacute;ses, desde o in&iacute;cio dos anos oitenta per&iacute;odo que foi marcado por um conjunto de polariza&ccedil;&otilde;es, tais como: regula&ccedil;&atilde;o-(des)regula&ccedil;&atilde;o; escola p&uacute;blica-privatiza&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o e competitividade entre as escolas; preocupa&ccedil;&otilde;es sociais-preocupa&ccedil;&otilde;es com a produtividade; igualdade de oportunidade-excel&ecirc;ncia; necessidades educativas-compet&ecirc;ncias e seletividade.</p>     <p>Um fato que contribuiu significativamente para a difus&atilde;o dessas id&eacute;ias    foi a cria&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio da Administra&ccedil;&atilde;o    P&uacute;blica e Reforma do Estado (MARE), respons&aacute;vel pela elabora&ccedil;&atilde;o    do Plano Diretor da Reforma do Estado, que defendia, dentre outros princ&iacute;pios,    a descentraliza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, administrativa e a redu&ccedil;&atilde;o    de n&iacute;veis hier&aacute;rquicos nas institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas,    propondo a substitui&ccedil;&atilde;o da administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica    burocr&aacute;tica pela implanta&ccedil;&atilde;o da administra&ccedil;&atilde;o    gerencial. Esta pode ser entendida como a pr&aacute;tica onde o gestor ter&aacute;    ampla liberdade para administrar os recursos humanos, materiais e financeiros    colocados &agrave; sua disposi&ccedil;&atilde;o, desde que atinja os objetivos    qualitativos e quantitativos e alcance indicadores de desempenho definidos previamente    no &acirc;mbito de inst&acirc;ncias decis&oacute;rias exteriores (MARE, 1995)<Sup><a name="top7" id="top7"></a><a href="#7">7</a>    </Sup>.</p>     <p>As mudan&ccedil;as ocasionadas pela emerg&ecirc;ncia desse novo paradigma reformista ser&atilde;o fortemente influenciadas pela competi&ccedil;&atilde;o internacional, a globaliza&ccedil;&atilde;o financeira, as crises fiscais e o esgotamento do padr&atilde;o de financiamento do setor p&uacute;blico, contribuindo assim para a adapta&ccedil;&atilde;o do Estado Nacional ao novo quadro mundial, em que a competi&ccedil;&atilde;o deveria ser a base para a reorganiza&ccedil;&atilde;o da sociedade democr&aacute;tica superando as crises vividas no per&iacute;odo anterior.</p>     <p>Desse modo, como conseq&uuml;&ecirc;ncia do surgimento desse paradigma, ocorre    um re-ordenamento administrativo baseado na redu&ccedil;&atilde;o da capacidade    regulat&oacute;ria do Estado nos anos 1990, capacidade regulat&oacute;ria que    vem sendo retomada nos anos seguintes, especialmente durante os &uacute;ltimos    sete anos em que governo federal vem sendo assumido pelo Partido dos Trabalhadores,    tendo a frente o presidente Luiz In&aacute;cio Lula da Silva<Sup><a name="top8" id="top8"></a><a href="#8">8</a></Sup>.Assim,    observar-se uma mudan&ccedil;a de perspectiva em que as fun&ccedil;&otilde;es    produtivas na oferta de bens e servi&ccedil;os e em sua estrutura administrativa    que nos anos 1990 se sustentam nos princ&iacute;pios de descentraliza&ccedil;&atilde;o,    privatiza&ccedil;&atilde;o e principalmente a competitividade, um dos princ&iacute;pios    b&aacute;sicos defendidos pela pol&iacute;tica neoliberal<I>, </I>para um modelo    de forte regula&ccedil;&atilde;o estatal especialmente das pol&iacute;ticas    educacionais feitas com base, principalmente, em modelos de avalia&ccedil;&atilde;o    dos sistemas de ensino em todos os n&iacute;veis, desde a Educa&ccedil;&atilde;o    B&aacute;sica at&eacute; a Educa&ccedil;&atilde;o Superior<Sup><a name="top9" id="top9"></a><a href="#9">9</a>    </Sup></p>     <p>O modelo que est&aacute; na base dos sistemas criados se sustenta em fortes perspectivas de regula&ccedil;&atilde;o do sistema, distanciando-se de uma perspectiva emancipat&oacute;ria nos moldes em que discute Sousa Santos (1995; 2001). Assim, as medidas descentralizadoras expressas no processo de municipaliza&ccedil;&atilde;o do ensino preconizado pela Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988 e pela LDB 9394, de 1996, visam &agrave; obten&ccedil;&atilde;o de efic&aacute;cia e efici&ecirc;ncia nos servi&ccedil;os educativos, como tamb&eacute;m maior economia de recursos. Desse modo, esses objetivos ser&atilde;o atingidos atrav&eacute;s da delega&ccedil;&atilde;o de responsabili-dades para as escolas e da democratiza&ccedil;&atilde;o do ensino, fazendo com que haja maior participa&ccedil;&atilde;o, cobran&ccedil;a, fiscaliza&ccedil;&atilde;o e controle social das a&ccedil;&otilde;es governamentais por parte da popula&ccedil;&atilde;o, tendo na avalia&ccedil;&atilde;o educacional o instrumento mais eficaz de constru&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es a serem publicadas e utilizadas como par&acirc;metros para o controle social e a tomada de decis&otilde;es, como podemos perceber no texto a seguir.</p>     <blockquote>       <p>A efici&ecirc;ncia e efic&aacute;cia da gest&atilde;o exigem, portanto, uma      pol&iacute;tica espec&iacute;fica dirigida em termos das seguintes diretrizes:      forma&ccedil;&atilde;o de quadros t&eacute;cnicos qualificados e permanentes      no Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o e nas secretarias estaduais      e municipais e especialmente no que diz respeito aos sistemas de informa&ccedil;&atilde;o,      avalia&ccedil;&atilde;o e planejamento, a desburocratiza&ccedil;&atilde;o      e a descentraliza&ccedil;&atilde;o da gest&atilde;o, especialmente atrav&eacute;s      de uma maior autonomia das escolas, &agrave;s quais devem ser repassados,      automaticamente, os recursos necess&aacute;rios &agrave; manuten&ccedil;&atilde;o      do cotidiano escolar uma gest&atilde;o democr&aacute;tica e participativa      especialmente no n&iacute;vel das escolas, mas tamb&eacute;m atrav&eacute;s      dos conselhos Estaduais e Municipais, que assegure a fiscaliza&ccedil;&atilde;o      do uso e destina&ccedil;&atilde;o adequada dos recursos dispon&iacute;veis      (MEC,1998: 78)</p> </blockquote>     <p>O que podemos perceber  &eacute; que segundo a &oacute;tica proposta acima a solu&ccedil;&atilde;o para os problemas do fracasso da escola que apresenta altos &iacute;ndices de evas&atilde;o e repet&ecirc;ncia s&oacute; ser&aacute; poss&iacute;vel mediante a supera&ccedil;&atilde;o da inefici&ecirc;ncia e da crise de improdutividade que a tem marcado. Para isso o Estado deve investir na racionaliza&ccedil;&atilde;o administrativa do setor educacional em que a conten&ccedil;&atilde;o dos gastos e a otimiza&ccedil;&atilde;o dos recursos  passam a ser o principal alvo. Nesse sentido, prega-se a necessidade do estabelecimento de objetivos, prazos e metas previamente tra&ccedil;ados pelas es-colas e posteriormente avaliados segundo indicadores definidores dos padr&otilde;es de qualidade a serem alcan&ccedil;ados, revelando o projeto social em evid&ecirc;ncia.</p>     <p>N&atilde;o podemos deixar de considerar os riscos dessa metodologia no que se referem &agrave;s suas rela&ccedil;&otilde;es com as pr&aacute;ticas pedag&oacute;gicas, pois a sua ado&ccedil;&atilde;o sem um debate cr&iacute;tico pode legitimar pol&iacute;ticas discriminat&oacute;rias por meio de crit&eacute;rios determinados externamente, a partir da transfer&ecirc;ncia de teorias e modelos empresariais para o seio da escola, o que pode vir a se constituir em estrat&eacute;gia para eliminar a luta pol&iacute;tica e introduzir uma rela&ccedil;&atilde;o de controle e competitividade.</p>     <p>No interior deste debate, n&atilde;o podemos excluir as possibilidades de que    o apelo &agrave; participa&ccedil;&atilde;o popular no controle da execu&ccedil;&atilde;o    das pol&iacute;ticas favore&ccedil;a a supera&ccedil;&atilde;o da desarticula&ccedil;&atilde;o    social, j&aacute; que &eacute; possibilitado o surgimento de canais institucionais    para a constru&ccedil;&atilde;o de um padr&atilde;o de gest&atilde;o democr&aacute;tico    que auxilie na melhoria da qualidade do ensino. Nesse caso, consideramos de    fundamental import&acirc;ncia a participa&ccedil;&atilde;o da sociedade civil    no controle das a&ccedil;&otilde;es do Estado, especialmente no que se refere    ao espa&ccedil;os p&uacute;blicos institucionais em que se materializam a presta&ccedil;&atilde;o    dos servi&ccedil;os p&uacute;blicos, como &eacute; o caso da escola. Esta atua&ccedil;&atilde;o    dos atores sociais precisa ser pensada como estrat&eacute;gias de controle social    e de sobreviv&ecirc;ncia da popula&ccedil;&atilde;o organizada, face aos novos    padr&otilde;es de sociabilidade que o movimen-to de globaliza&ccedil;&atilde;o    vem impondo. Esta reflex&atilde;o nos remete para a import&acirc;ncia de se    refletir sobre os modelos de avalia&ccedil;&atilde;o implementados, visando    superar modelos pr&eacute;-estabelecidos com base em indicadores constru&iacute;dos    previamente e segundo padr&otilde;es de qualidade definidos segundo par&acirc;metros    exclusivamente externos, para a constru&ccedil;&atilde;o de modelos baseados    na negocia&ccedil;&atilde;o e no compromisso dos atores envolvido no processo,    o que revelaria, como consideram Ten&oacute;rio e Vieira (2009)<Sup><a name="top10"></a><a href="#10">10</a></Sup>    a inclus&atilde;o de uma nova dimens&atilde;o da avalia&ccedil;&atilde;o a ser    considerada como fundamental para a constru&ccedil;&atilde;o de modelos avaliativos    gerados coletivamente e poss&iacute;veis de contribuir para a melhoria efetiva    dos servi&ccedil;os p&uacute;blicos prestados a popula&ccedil;&atilde;o, posicionamento    te&oacute;rico que avan&ccedil;a na classifica&ccedil;&atilde;o proposta por    Guba e Licoln (1989).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&Eacute; relevante considerar, ainda, que os modelos adotados precisam ser discutidos para que possamos formular propostas inovadoras e diferenciadas que superem a inten&ccedil;&atilde;o primordial de atender ao <I>ethos</I> competitivo que vem sendo adotado pelo Estado atrav&eacute;s da defini&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, na atualidade, e direcionar para a constru&ccedil;&atilde;o de um <I>ethos</I> colaborativo e solid&aacute;rio.</p>     <p>Essa posi&ccedil;&atilde;o se evidencia em fun&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m    da crise que se vislumbra na atualidade.A afirma&ccedil;&atilde;o de &ldquo;menos    Estado e mais mercado&rdquo; como era preconizado pelo modelo neoliberal nos    anos 1990 parece estar em cheque. A crise mundial que tem marcado as rela&ccedil;&otilde;es    econ&ocirc;micas durante os anos 2008 e 2009 fazem com que a discuss&atilde;o    sobre o papel do Estado e de seu lugar no processo de regula&ccedil;&atilde;o    dos mercados seja retomada.A l&oacute;gica do mercado que marcou os discursos    sobre a gest&atilde;o p&uacute;blica da educa&ccedil;&atilde;o trazendo para    o seu dom&iacute;nio modelos de gest&atilde;o privada cuja &ecirc;nfase &eacute;    posta nos resultados ou produtos dos sistemas educativos precisa ser rediscutida    e, nesse bojo, obviamente, os modelos de avalia&ccedil;&atilde;o educacional    e seu papel para o alcance de padr&otilde;es de qualidade educacional. Qual    &eacute; o papel da avalia&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas    no cen&aacute;rio atual? Como se dar&aacute; a regula&ccedil;&atilde;o estatal    nesse novo cen&aacute;rio? Como o Estado dever&aacute; se comportar no processo    de defini&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas e da sua avalia&ccedil;&atilde;o?    Que tipo de refer&ecirc;ncias de qualidade precisa ser considerado como refer&ecirc;ncia    para pensar os sistemas de ensino frente &agrave;s novas configura&ccedil;&otilde;es    sociais que se vislumbram os tempos atuais e nos cen&aacute;rios que viram p&oacute;s-crise?    Essas s&atilde;o quest&otilde;es que n&atilde;o podem ser desprezadas quando    pensamos no processo de avalia&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas e programas    educacionais.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>4. Qualidade em educa&ccedil;&atilde;o: aspectos relevantes do debate </b></p>     <p>O termo qualidade tem diferentes significados. Qualidade &eacute; um conceito poliss&ecirc;mico, fluido, abstrato.As defini&ccedil;&otilde;es podem ser complexas, e n&atilde;o s&atilde;o consensuais. O conceito de qualidade &eacute; fortemente dependente do contexto social e hist&oacute;rico em que &eacute; considerado.</p>     <p>Demo (1994) alerta para a falsa dicotomia entre  qualidade (intensidade) e quantidade (base extensa): a qualidade (intensidade) &eacute; sempre hist&oacute;rica, e representa a a&ccedil;&atilde;o humana no desafio de construir e participar; a quantidade &eacute; a ex-tens&atilde;o da qualidade. O referido autor assimila o conceito de qualidade &agrave; id&eacute;ia de oportunidade, afirmando que &ldquo;qualidade &eacute; ter e, sobretudo, ser oportunidade plenamente desdobrada, no contexto social&rdquo; (Demo, 1994: 15).</p>     <p>Assim, a &ldquo;qualidade total&rdquo; n&atilde;o pode se restringir, como na literatura e pr&aacute;tica empresarial, a a&ccedil;&otilde;es de planejamento e organiza&ccedil;&atilde;o; a qualidade sup&otilde;e a compet&ecirc;ncia humana, formal e pol&iacute;tica. Demo (1994), ent&atilde;o, distingue qualidade formal e qualidade pol&iacute;tica.</p>     <p>Qualidade formal &eacute; a habilidade para manejar t&eacute;cnicas e procedimentos. Qualidade pol&iacute;tica &eacute; a compet&ecirc;ncia de fazer hist&oacute;ria, da participa&ccedil;&atilde;o e do encontro de valores.  Qualidade formal (meios e t&eacute;cnicas) e qualidade pol&iacute;tica (fins e &eacute;tica) se relacionam de  forma indissoci&aacute;vel, nas atividades humanas. Desta forma, o autor refor&ccedil;a a import&acirc;ncia da qualidade da educa&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s do alcance de padr&otilde;es de desempenho.</p>     <p>O conceito de qualidade em educa&ccedil;&atilde;o &eacute; fortemente influenciado pelas teorias educacionais e pela respectiva forma com que as mudan&ccedil;as educacionais s&atilde;o programadas.  Em pa&iacute;ses em desenvolvimento, existem duas grandes tend&ecirc;ncias que focalizam o problema da qualidade em educa&ccedil;&atilde;o (Montala, 2000).</p>     <p>De um lado, uma tend&ecirc;ncia com foco nos macro aspectos da educa&ccedil;&atilde;o, que enfatiza avalia&ccedil;&otilde;es quantitativas em larga escala para os diferentes aspectos da qualidade em educa&ccedil;&atilde;o, e prefere solu&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas e medidas centradas no conceito de efici&ecirc;ncia. De outro lado, a segunda tend&ecirc;ncia, reconhecendo a fragilidade do Estado para a implanta&ccedil;&atilde;o de programas de qualidade em educa&ccedil;&atilde;o, destaca a intera&ccedil;&atilde;o entre escolas e comunidades locais, enfatizam avalia&ccedil;&otilde;es mais qualitativas e focaliza no micro n&iacute;vel escolar, afastando-se de estudos de larga escala, e propondo solu&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas e n&atilde;o homog&ecirc;neas, dando maior aten&ccedil;&atilde;o &agrave; complexidade, incertezas e unicidade dos par&acirc;metros escolares de qualidade.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Conceitualmente, a avalia&ccedil;&atilde;o da qualidade est&aacute; dividida entre uma abordagem de cunho culturalista da escola e da sala de aula e uma abordagem sist&ecirc;mica das pol&iacute;ticas e dos macros aspectos da educa&ccedil;&atilde;o.Ambas as perspectivas s&atilde;o limitadas - a sist&ecirc;mica por n&atilde;o considerar a influ&ecirc;ncia de diferentes culturas e contextos, e a culturalista por n&atilde;o avaliar especificamente o efeito a escola sobre a aprendizagem e o desempenho dos alunos.</p>     <p>Estas tend&ecirc;ncias est&atilde;o em aparente oposi&ccedil;&atilde;o, representando uma tens&atilde;o constante entre a perspectiva de uma educa&ccedil;&atilde;o para servir as demandas de uma sociedade e de uma economia globalizada, e a perspectiva de uma educa&ccedil;&atilde;o para servir os objetivos da cidadania; mas uma an&aacute;lise mais acurada nos mostra que se aproximam daquilo que Demo (1994) denomina qualidade formal e qualidade pol&iacute;tica. A qualidade em educa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; completamente explicada por nenhuma das duas tend&ecirc;ncias isoladamente.  H&aacute; uma crescente compreens&atilde;o da necessidade de se buscar informa&ccedil;&otilde;es quantitativas que auxiliem o planejamento e a defini&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas.Tamb&eacute;m h&aacute; uma crescente compreens&atilde;o da necessidade de conhecimento do cotidiano escolar, atrav&eacute;s de pesquisas qualitativas de avalia&ccedil;&atilde;o (estudos de caso, avalia&ccedil;&otilde;es institucionais, etc), com forte &ecirc;nfase na escola e na sala de aula.</p>     <p>H&aacute; que se considerar, no entanto, que o conceito de qualidade mudou significativamente ao longo do tempo at&eacute; chegar a concep&ccedil;&atilde;o mais ampliada apresentada anteriormente. Qualidade tem sido definida como valor (Feigenbaum, 1951), aus&ecirc;ncia de problemas (Crosby, 1979), adequa&ccedil;&atilde;o ao uso (Juran e Gryna, 1980), conformidade &agrave;s especifica&ccedil;&otilde;es (Gilmore, 1980), excel&ecirc;ncia (Peters e Waterman, 1982), atendimento &agrave;s expectativas dos interessados (Parasuraman  e outros, 1985), etc.</p>     <p>Cheng (2003) afirma que as grandes reformas educacionais no mundo, objetivando uma educa&ccedil;&atilde;o de qualidade,  t&ecirc;m se desenvolvido atrav&eacute;s de  grandes ondas que se sucedem no tempo, orientadas por diferentes teorias de qualidade em educa&ccedil;&atilde;o e de efic&aacute;cia escolar.</p>     <p>A primeira onda de reformas educacionais se iniciou nos anos 1970, e focou principalmente a busca da qualidade interna, com &ecirc;nfase na melhoria do desempenho de alunos e professores, atrav&eacute;s da melhoria dos m&eacute;todos e processos de ensinar e aprender. A segunda onda,  iniciada a partir dos anos 1990, enfatiza a satisfa&ccedil;&atilde;o dos interessados e a efici&ecirc;ncia. A recente terceira onda tem enfatizado a relev&acirc;ncia e a efic&aacute;cia futura da educa&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Do ponto de vista te&oacute;rico, Cheng e Tam (1977) identificam, a partir de uma ampla revis&atilde;o da literatura, sete modelos de qualidade em educa&ccedil;&atilde;o: o modelo de metas e especifica&ccedil;&otilde;es, o modelo de insumos, o modelo de processo, o modelo de satisfa&ccedil;&atilde;o dos interessados, o modelo de legitimidade, o modelo de aus&ecirc;ncia de problemas e o modelo de aprendizagem organizacional. O quadro sumariza estes modelos.</p>     <p>As diferentes concep&ccedil;&otilde;es de qualidade acima apresentadas est&atilde;o correlacionadas, constituindo uma fam&iacute;lia de significados, ou um significado por fam&iacute;lia de similaridades (cf.Wittgenstein, 1979). Apesar de nenhum desses modelos, isoladamente, apreender a qualidade educacional, no conjunto, a partir de diferentes perspectivas,  podem produzir um quadro &uacute;til para a  compreens&atilde;o de sua qualidade formal, favorecendo o desenvolvimento de estrat&eacute;gias gerenciais para promov&ecirc;-la.</p>     <p>A partir do exposto, podemos afirmar que qualidade educacional &eacute; um conceito fluido, poliss&ecirc;mico, complexo, cuja apreens&atilde;o, que se deseja objetiva, ser&aacute; sempre parcial, incompleta. N&atilde;o existe a qualidade absoluta, e uma defini&ccedil;&atilde;o de qualidade poder&aacute; ser objetiva, mas sempre parcial.  Os indicadores de qualidade em educa&ccedil;&atilde;o, associados a cada defini&ccedil;&atilde;o de qualidade, ser&atilde;o, portanto, de natureza distinta.</p>     <p>Tomada a decis&atilde;o de utilizar indicadores de qualidade em educa&ccedil;&atilde;o,    a dificuldade desloca-se para a escolha de um reduzido n&uacute;mero de indicadores    significativos, j&aacute; que o n&uacute;mero de vari&aacute;veis envolvidas    &eacute; sempre bastante elevado.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Quadro 1: Modelos de qualidade em educa&ccedil;&atilde;o</b></p> <table align="center" border=3 cellspacing=3 cellpadding=3> <tr> <td align="center" width="86"  valign="middle" height="54"><b>DIMENS&Otilde;ES MODELO </b></td> <td align="center" width="132"  valign="middle" height="54"><b>Concep&ccedil;&atilde;o de qualidade educacional</b></td> <td align="center" width="132"  valign="middle" height="54"><b>Pressupostos e  Condi&ccedil;&otilde;es de uso do modelo</b></td> <td align="center" width="130"  valign="middle" height="54"><b>Indicadores / &aacute;reas para avalia&ccedil;&atilde;o de qualidade </b></td> </tr> <tr> <td align="center" width="86"  valign="middle" height="91"><b>Metas</b></td> <td align="center" width="132"  valign="middle" height="91"  >Atingir metas organizacionais; conformidade a especi&#64257; ca&ccedil;&otilde;es dadas.</td> <td align="center" width="132"  valign="middle" height="91" >Metas claras, consensuais, com limites temporais e mensur&aacute;veis.</td> <td align="center" width="130"  valign="middle" height="91">Objetivos institucionais; padr&otilde;es e especi&#64257;ca&ccedil;&otilde;es listadas no planejamento. Ex.: desempenho acad&ecirc;mico; taxa de aprova&ccedil;&atilde;o, &#64258; uxo, etc.</td> </tr><tr><td align="center" width="86"  valign="middle" height="62"><b>Recursos</b></td> <td align="center" width="132"  valign="middle" height="62">Qualidade dos recursos utilizados pela institui&ccedil;&atilde;o.</td> <td align="center" width="132"  valign="middle" height="62">Recursos escassos. Clara rela&ccedil;&atilde;o entre recursos e resultados.</td> <td align="center" width="130"  valign="middle" height="62">Recursos procurados pela institui&ccedil;&atilde;o. Ex.:qualidade inicial dos estudantes; suporte &#64257; nanceiro, etc. </td> </tr> <tr> <td align="center" width="86"  valign="middle" height="77"><b>Processo</b></td> <td align="center" width="132"  valign="middle" height="77">Processos internos &#64258;uentes e isentos de problemas; experi&ecirc;ncias de aprendizagem frut&iacute;feras. </td> <td align="center" width="132"  valign="middle" height="77">Clara rela&ccedil;&atilde;o entre processos internos e resultados.</td> <td align="center" width="130"  valign="middle" height="77">Lideran&ccedil;a, participa&ccedil;&atilde;o, intera&ccedil;&atilde;o social, clima em sala-de-aula, atividades e experi&ecirc;ncias de aprendizagem.</td> </tr> <tr> <td align="center" width="86"  valign="middle" height="91"><b>Satisfa&ccedil;&atilde;o </b></td> <td align="center" width="132"  valign="middle" height="91">Rela&ccedil;&atilde;o entre expectativas e satisfa&ccedil;&atilde;o de todos os interessados (<I>stakeholders</I>). </td> <td align="center" width="132"  valign="middle" height="91">As demandas dos interessados s&atilde;o compat&iacute;veis e n&atilde;o podem ser ignoradas. </td> <td align="center" width="130"  valign="middle" height="91">Expectativas e satisfa&ccedil;&atilde;o das autoridades educacionais, diretores, administradores, professores, pais, estudantes, etc.</td> </tr> <tr> <td align="center" width="86"  valign="middle" height="77"><b>Legitimidade</b></td> <td align="center" width="132"  valign="middle" height="77">Alcance de posi&ccedil;&atilde;o de legitimidade e reputa&ccedil;&atilde;o da institui&ccedil;&atilde;o.</td> <td align="center" width="132"  valign="middle" height="77">Ambiente bastante competitivo e exigente.</td> <td align="center" width="130"  valign="middle" height="77">Imagem p&uacute;blica, reputa&ccedil;&atilde;o, status na comunidade, rela&ccedil;&otilde;es publicas, marketing, responsabilidade (<I>accountability</I>). </td> </tr> <tr> <td align="center" width="86"  valign="middle" height="103"><b>Aus&ecirc;ncia de problemas </b></td> <td    align="center" width="132"  valign="middle" height="103">Aus&ecirc;ncia de problemas e di&#64257;culdades na institui&ccedil;&atilde;o </td> <td align="center" width="132"  valign="middle" height="103">N&atilde;o h&aacute; consenso sobre os crit&eacute;rios de qualidade, mas s&atilde;o necess&aacute;rias estrat&eacute;gias para melhoria.</td> <td align="center" width="130"  valign="middle" height="103">Aus&ecirc;ncia de con&#64258;itos disfun&ccedil;&otilde;es, di&#64257;culdades, defeitos, fraquezas, preocupa&ccedil;&otilde;es, etc. </td> </tr> <tr> <td align="center" width="86"  valign="middle" height="93"><b>Aprendizagem organizacional</b></td> <td align="center" width="132"  valign="middle" height="93">Adapta&ccedil;&atilde;o a mudan&ccedil;as ambientais e barreiras internas; melhoria cont&iacute;nua </td> <td align="center" width="132"  valign="middle" height="93">Institui&ccedil;&otilde;es novas ou em mudan&ccedil;a. Mudan&ccedil;as ambientais importantes </td> <td align="center" width="130"  valign="middle" height="93">Planejamento de desenvolvimento, desenvolvimento de pessoal, monitoramento de processos internos, mudan&ccedil;as constantes </td > </tr></table>     <p>Fonte: adaptado pelos autores de Cheng e Tam (1977)</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Desta forma, a qualidade em educa&ccedil;&atilde;o &eacute; um conceito multidimensional, exigindo um conjunto finito de indicadores para melhor ser apreendida.A constru&ccedil;&atilde;o de indicadores requer a identifica&ccedil;&atilde;o das dimens&otilde;es mais fundamentais de qualidade em educa&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m da cria&ccedil;&atilde;o de formas apropriadas de medi&ccedil;&atilde;o, momento em que os aspectos a serem avaliados devem considerar: uma perspectiva sist&ecirc;mica, como na qualidade formal e na gest&atilde;o educacional; uma perspectiva focalizada no cotidiano em que os interesses em jogo efetivamente se expressa; e o os diferentes modelos gerenciais de qualidade em educa&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Em s&iacute;ntese, podemos definir qualidade educacional como o car&aacute;ter de diversos elementos associados &agrave;s seguintes dimens&otilde;es de qualidade:</p>         <blockquote>       <p>1. Efic&aacute;cia &ndash; atingir as metas estabelecidas;</p>       <p>2. Efici&ecirc;ncia &ndash; otimizar o uso dos recursos;</p>       <p>3. Efetividade &ndash; considerar os resultados sociais do servi&ccedil;o;</p>       <p>4. Eq&uuml;idade - minimizar o impacto das origens sociais no desempenho;</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>5. Satisfa&ccedil;&atilde;o &ndash; relacionar expectativas e satisfa&ccedil;&atilde;o      dos segmentos interessados.</p> </blockquote>     <p>A seguir, nas considera&ccedil;&otilde;es finais aprofundamos essa discuss&atilde;o    tentando apresentar algumas contribui&ccedil;&otilde;es provis&oacute;rias para    o processo de defini&ccedil;&atilde;o de indicadores de qualidade em educa&ccedil;&atilde;o    e para a elabora&ccedil;&atilde;o de modelos de avalia&ccedil;&atilde;o educacional.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Considera&ccedil;&otilde;es finais </b> </p>     <p>Podemos considerar de princ&iacute;pio que avaliar &eacute; uma a&ccedil;&atilde;o    rotineira e espont&acirc;nea realizada por qualquer indiv&iacute;duo sobre os    processos sociais vividos cotidianamente, constituindo-se em um meio utilizado    permanentemente para questionar, compreender e orientar as a&ccedil;&otilde;es    de indiv&iacute;duos ou grupos, buscando aperfei&ccedil;o&aacute;las. Assim,    podemos afirmar que qualquer forma de avalia&ccedil;&atilde;o envolve julgamento,    tratando-se, portanto, da atribui&ccedil;&atilde;o, aprova&ccedil;&atilde;o    ou reprova&ccedil;&atilde;o, a partir de certos par&acirc;metros constru&iacute;dos    com base nas viv&ecirc;ncias sociais. Estamos nos referindo ao que podemos chamar    de avalia&ccedil;&atilde;o informal. Se pensarmos, no entanto, num processo    de avalia&ccedil;&atilde;o formal, cujo objetivo expl&iacute;cito precisa ser    definido previamente, o seu significado n&atilde;o &eacute; muito diferente.Tamb&eacute;m,    neste caso, precisaremos atribuir valor, fazer julgamentos, acompanhar e verificar    os rumos dos processos que est&atilde;o sendo avaliados, com o objetivo de aperfei&ccedil;oar    as a&ccedil;&otilde;es. No caso espec&iacute;fico da avalia&ccedil;&atilde;o    de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e programas educacionais, que envolve a    an&aacute;lise de processos sociais complexos e multidimensionais, a diferen&ccedil;a    &eacute; que se trata de reflex&atilde;o sistem&aacute;tica que necessita partir    de refer&ecirc;ncias te&oacute;ricas e metodol&oacute;gicas constru&iacute;das    por determinadas &aacute;reas de conhecimento ao longo do seu desenvolvimento.</p>     <p>Nesse cen&aacute;rio emerge uma quest&atilde;o importante que evidencia a complexidade de pensar a avalia&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas e programas educacionais e a constru&ccedil;&atilde;o de indicadores de qualidade em educa&ccedil;&atilde;o a partir das refer&ecirc;ncias postas pelo campo das ci&ecirc;ncias sociais no processo de constru&ccedil;&atilde;o do conhecimento sobre a realidade social e que foram tratadas no item anterior.Trata-se de questionar como pensar a avalia&ccedil;&atilde;o enquanto momento que envolve a atribui&ccedil;&atilde;o de valor com base em par&acirc;metros pr&eacute;vios; a formula&ccedil;&atilde;o de  julgamentos, o  acompanhamento e verificar dos rumos dos processos para poder redirecion&aacute;-los no sentido de seu aperfei&ccedil;oamento? Como situar essa a&ccedil;&atilde;o para identificar a qualidade da educa&ccedil;&atilde;o ofertada frente ao discurso que se afirmou sobre as ci&ecirc;ncias sociais durante longo tempo que colocava como exig&ecirc;ncia a separa&ccedil;&atilde;o entre ju&iacute;zo de fato e ju&iacute;zo de valor? &Eacute; poss&iacute;vel promover essa separa&ccedil;&atilde;o no &acirc;mbito das ci&ecirc;ncias sociais e da constru&ccedil;&atilde;o de indicadores de qualidade educacional? Ser&aacute; que estamos atribuindo um novo sentido &agrave; express&atilde;o atribuir valor para o significado do termo avalia&ccedil;&atilde;o?</p>     <p>Sabemos que dificilmente poderemos escapar dessa discuss&atilde;o a partir de afirma&ccedil;&otilde;es fechadas ou simplificadas que procurem, por exemplo, mudar o sentido a ser atribu&iacute;do ao termo avalia&ccedil;&atilde;o, como por exemplo, afirmar que avaliar n&atilde;o se trata de atribuir valor ou julgar. Entendemos que &eacute; neste embate que se centra a quest&atilde;o central a ser trabalhada por uma epistemologia da avalia&ccedil;&atilde;o educacional. Nesse sentido &eacute; preciso enfrentar essa quest&atilde;o e buscar encontrar caminhos explicativos para a discuss&atilde;o acerca de que tipo de julgamento se est&aacute; falando; sobre o que estamos querendo dizer com a express&atilde;o atribuir valor.</p>     <p>Para avan&ccedil;ar nessa discuss&atilde;o vamos tentar situar o debate sobre a quest&atilde;o a partir de dois momentos espec&iacute;ficos: um primeiro em que tratamos da quest&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o entre ju&iacute;zo de fato e ju&iacute;zo de valor e das possibilidades que se vislumbram no momento atual no conjunto do debate no campo da epistemologia das ci&ecirc;ncias sociais; e num segundo momento, vamos discutir por que o campo de estudo da avalia&ccedil;&atilde;o educacional se torna exemplar para o debate sobre essa quest&atilde;o, na medida em que envolve em sua pr&oacute;pria defini&ccedil;&atilde;o, por um lado, uma dimens&atilde;o que se articula ao campo da produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica e do rigor te&oacute;rico e metodol&oacute;gico como crit&eacute;rios de validez e, por outro, uma vincula&ccedil;&atilde;o direta aos interesses em jogo na cena s&oacute;cio-cultural e pol&iacute;tica em que os atores sociais est&atilde;o imersos.</p>     <p>No que se refere ao primeiro aspecto esse &eacute; um debate que permeia o conjunto das diversas abordagens no campo das ci&ecirc;ncias sociais e que j&aacute; foi amplamente discutido inicialmente. No segundo, que trata mais diretamente do problema da constru&ccedil;&atilde;o de indicadores de qualidade no campo da avalia&ccedil;&atilde;o educacional, &eacute; importante destacar alguns aspectos que, apesar de n&atilde;o terem a pretens&atilde;o de resolver a quest&atilde;o, pretendem se constituir como elementos direcionadores da discuss&atilde;o. Nesse sentido, podemos afirmar que: a) &eacute; necess&aacute;rio  trabalhar com as duas dimens&otilde;es envolvidas no conceito de avalia&ccedil;&atilde;o educacional como aspectos articulados uma vez que n&atilde;o podemos tratar da constru&ccedil;&atilde;o de conhecimento cient&iacute;fico desvinculando-os de sua refer&ecirc;ncias contextuais; b) no processo de constru&ccedil;&atilde;o de modelos de avalia&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas e programas educacionais torna-se necess&aacute;rio definir com clareza, por um lado,  as refer&ecirc;ncias te&oacute;rico-metodol&oacute;gicas tanto do pr&oacute;prio campo da avalia&ccedil;&atilde;o quanto do campo de conhecimento do objeto que est&aacute; sendo avaliado se insere, no caso a qualidade da educa&ccedil;&atilde;o, e por outro, os cen&aacute;rios s&oacute;cio-culturais e pol&iacute;ticos em que se inserem os sujeitos sociais envolvidos nas pol&iacute;ticas e programas, ou seja, gestores e usu&aacute;rios; c) a demarca&ccedil;&atilde;o dos interesses em jogo na cena pol&iacute;tica em que se configuram determinadas pol&iacute;ticas e programas educacionais que se afirma como aspecto fundamental a ser tratado no &acirc;mbito dos processos avaliativos e dos modelos de educa&ccedil;&atilde;o de qualidade.</p>     <p>A seguir apresentamos uma proposi&ccedil;&atilde;o provis&oacute;ria com um    conjunto de estrat&eacute;gias que podem ser considerados como norteadores para    a defini&ccedil;&atilde;o de indicadores de qualidade e para a constru&ccedil;&atilde;o    de modelos de avalia&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas e programas educacionais,    partindo do debate realizado at&eacute; aqui:</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>1. O primeiro momento para a constru&ccedil;&atilde;o de indicadores de qualidade    da educa&ccedil;&atilde;o ofertada e para a defini&ccedil;&atilde;o de um modelo    de avalia&ccedil;&atilde;o deve ocorrer na dire&ccedil;&atilde;o da discuss&atilde;o    epistemol&oacute;gica sobre as op&ccedil;&otilde;es te&oacute;rico-metodol&oacute;gicas    a serem adotadas, bem como nos crit&eacute;rios de validez a serem considerados    com rela&ccedil;&atilde;o aos conhecimentos que se pretendem construir com a    execu&ccedil;&atilde;o do modelo e o seu uso social. Nesse momento do debate    devem ser delineados os conceitos centrais que ser&atilde;o utilizados, bem    como os mecanismos para operacionaliza&ccedil;&atilde;o dos conceitos o que    sinaliza para a constru&ccedil;&atilde;o dos indicadores.Torna-se fundamental    nesse momento tomar posi&ccedil;&atilde;o quanto ao sentido atribu&iacute;do    ao pr&oacute;prio termo avalia&ccedil;&atilde;o, ao termo qualidade e ao modelo    de avalia&ccedil;&atilde;o que ser&aacute; adotado<Sup><a name="top11"></a><a href="#11">11</a></Sup>.    Nesse sentido, podemos estabelecer diferentes classifica&ccedil;&otilde;es para    a an&aacute;lise dos processos avaliativos que tomam por base diferentes perspectivas,    como por exemplo, aquela apresentada por Lawton (1980) que, considerando a dimens&atilde;o    pol&iacute;ticoideol&oacute;gica, classifica os processos de avalia&ccedil;&atilde;o    como avalia&ccedil;&atilde;o burocr&aacute;tica, avalia&ccedil;&atilde;o autocr&aacute;tica    e avalia&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica.Ainda nessa dire&ccedil;&atilde;o,    &eacute; preciso considerar se ser&atilde;o adotados modelos participativos    que envolvem a negocia&ccedil;&atilde;o de todos os passos da avalia&ccedil;&atilde;o    com os atores envolvidos, bem como o compromisso dos atores com a busca das    informa&ccedil;&otilde;es, com os resultados da avalia&ccedil;&atilde;o e com    o uso social dos mesmos em fun&ccedil;&atilde;o de projetos sociais claramente    delineados no debate coletivo; ou se ser&atilde;o promovidos modelos parcialmente    participativos em que os atores ser&atilde;o informados sobre os processos que    est&atilde;o sendo desenvolvidos, mas sem que seja exercido o poder de decis&atilde;o    coletiva quanto &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de indicadores e dos resultados    da avalia&ccedil;&atilde;o; ou ainda modelos n&atilde;o participativos, feitos    com base em solicita&ccedil;&otilde;es externas que definem os objetivos e metas    a serem alcan&ccedil;ados previamente independentes dos interesses dos atores    envolvidos na pol&iacute;tica ou programa educacional, entre outras possibilidades.</p>     <p>2. O segundo momento deve representar o aprofundamento dos aspectos conceituais    envolvidos na avalia&ccedil;&atilde;o, destacando-se aqueles relativos aos conceitos    de Estado, pol&iacute;tica p&uacute;blica e pol&iacute;tica educacional que    iremos adotar. No contexto atual da defini&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas    educacionais, afirmamos a necessidade de analisar a configura&ccedil;&atilde;o    das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas como um instrumento de a&ccedil;&atilde;o    do Estado e, no interior dessa discuss&atilde;o, trabalhar com quest&otilde;es    relativas ao processo de descentraliza&ccedil;&atilde;o e &agrave; configura&ccedil;&atilde;o    do poder local. Esses s&atilde;o aspectos importantes para que possamos compreender    os cen&aacute;rios s&oacute;cio-pol&iacute;ticos em que se insere a pol&iacute;tica    ou programa que ser&aacute; avaliado e, portanto, o modelo de avalia&ccedil;&atilde;o    a ser constru&iacute;do.</p>     <p>3. No terceiro momento, &eacute; necess&aacute;rio aprofundar o conhecimento    acerca da pol&iacute;tica ou programa espec&iacute;fico sobre o qual ser&aacute;    elaborado o modelo de avalia&ccedil;&atilde;o educacional, o que pressup&otilde;e    considerar dois aspectos principais: a) dados relativos ao objeto da pol&iacute;tica    ou programa, ou seja, o cen&aacute;rio educacional do munic&iacute;pio, gest&atilde;o,    ou do objeto foco da avalia&ccedil;&atilde;o; b) as perspectivas te&oacute;rico-conceituais    e pol&iacute;tico-filos&oacute;ficas que est&atilde;o na base da defini&ccedil;&atilde;o    do objeto da pol&iacute;tica. Nesse sentido, &eacute; preciso desvelar os referenciais    normativos culturais mais amplos que est&atilde;o relacionados ao objeto da    pol&iacute;tica em foco. Para a realiza&ccedil;&atilde;o deste momento da pesquisa    s&atilde;o fundamentais a utiliza&ccedil;&atilde;o de diversos tipos de procedimentos    para coleta de dados, destacando-se entre eles: levantamento de dados secund&aacute;rios    de indicadores estat&iacute;sticos; pesquisa bibliogr&aacute;fica para apreender    o estado do conhecimento sobre o objeto que est&aacute; sendo avaliado; pesquisa    documental em que ser&atilde;o levantados e analisados os principais documentos    produzidos sobre a pol&iacute;tica ou programa avaliado, visando apreender as    perspectivas te&oacute;rico-conceituais e pol&iacute;tico-filos&oacute;ficos    que fundamentam a op&ccedil;&atilde;o pela realiza&ccedil;&atilde;o do programa.</p>     <p>4. Por fim, construir indicadores de qualidade para proceder &agrave; an&aacute;lise    dos processos de implementa&ccedil;&atilde;o e dos resultados da pol&iacute;tica    ou programa, o que significa avaliar tanto o processo de implementa&ccedil;&atilde;o    quanto os seus impactos no &acirc;mbito dos poder local, bem como a possibilidade    de sua (re)significa&ccedil;&atilde;o a partir de sua rela&ccedil;&atilde;o    com as defini&ccedil;&otilde;es postas no &acirc;mbito de outras esferas de    governo. Para tanto, podemos tomar duas ordens de fatores: as condi&ccedil;&otilde;es    objetivas concretas que caracterizam o ambiente em que est&aacute; sendo realizada    a pol&iacute;tica o programa com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; situa&ccedil;&atilde;o    socioecon&ocirc;mica e pol&iacute;tica local, regional e nacional; os aspectos    subjetivos, relacionados &agrave;s concep&ccedil;&otilde;es dos sujeitos direta    ou indiretamente relacionados &agrave; pol&iacute;tica o programa. Quanto a    este &uacute;ltimo conjunto de vari&aacute;veis, entendemos que as representa&ccedil;&otilde;es    sociais sobre os programas espec&iacute;ficos configuram-se em elementos de    grande import&acirc;ncia para a compreens&atilde;o das iniciativas concretas    para a materializa&ccedil;&atilde;o do programa no cotidiano das escolas.</p>     <p>A necessidade de considerar os elementos acima se vincula a permanente exig&ecirc;ncia de tomada de posi&ccedil;&atilde;o que est&atilde;o presentes nos processos avaliativos e que &eacute; vivenciado tanto pelas institui&ccedil;&otilde;es que assumem o compromisso para realizar os processos avaliativos, quanto pelos avaliadores enquanto produtores de conhecimento sobre uma dada realidade que se pretende mudar ou transformar e enquanto atores pol&iacute;ticos comprometidos com o processo avaliativo e com seus resultados, que segundo Ten&oacute;rio e Vieira (2010) revelam a sua sustentabilidade.</p>     <p>Este n&atilde;o &eacute; um desafio novo. Muitos autores, desde os cl&aacute;ssicos,    como Marx, Weber, Mannheim, at&eacute; os contempor&acirc;neos, como Bourdieu,    Habermas, Lowy, tantos outros pesquisadores buscaram enfrentar essa quest&atilde;o,    analisando a rela&ccedil;&atilde;o entre o trabalho do cientista social e as    suas vincula&ccedil;&otilde;es institucionais, especial-mente, as institui&ccedil;&otilde;es    pol&iacute;ticas. Como promover o distanciamento necess&aacute;rio &agrave;    constru&ccedil;&atilde;o de um conhecimento reconhecidamente v&aacute;lido sobre    o social? Como tratar o uso pol&iacute;tico desse conhecimento e ao mesmo tempo    garantir os crit&eacute;rios de validez e legitimidade pela comunidade cient&iacute;fica?    Em ess&ecirc;ncia, tratar da constru&ccedil;&atilde;o de modelos de avalia&ccedil;&atilde;o    educacional &eacute; discutir as vincula&ccedil;&otilde;es e media&ccedil;&otilde;es    entre a ci&ecirc;ncia e a pol&iacute;tica e os projetos sociais em confronto.    Eis a quest&atilde;o que nos instiga a continuar trabalhando nessa dire&ccedil;&atilde;o    e a construir novas reflex&otilde;es no campo da epistemologia e da sociologia    da avalia&ccedil;&atilde;o educacional e da constru&ccedil;&atilde;o de indicadores    de qualidade em educa&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>      <p><b>Notas</b></p>     <p><Sup><a name="1" id="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> Utilizamos o termo    programa recorrendo ao conceito adotado por Lakatos y Musgrave (1975).</p>     <p><Sup><a name="2" id="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> Dentre os enfoques    sociol&oacute;gicos que podem ser considerados compreensivistas, destacamos:    a sociologia weberiana, o interacionismo simb&oacute;lico, a fenomenologia,    a herm&ecirc;utica, etnometodologia, entre outros.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="3" id="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> Dentre os enfoques    sociol&oacute;gicos que podem ser considerados como defensores dessa concep&ccedil;&atilde;o    podemos encontrar um grande conjunto de abordagens de base positivista, tais    como: funcionalismo, estrutural-funcionalismo, o positivismo l&oacute;gico,    entre outras.</p>     <p><Sup><a name="4" id="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> Um indicador ou vari&aacute;vel    &eacute; um conceito que permite, em rela&ccedil;&atilde;o a um objeto de conhecimento    teoricamente relevante, operar no mesmo uma parti&ccedil;&atilde;o em classes    de equival&ecirc;ncia mais ou menos extensas. Chama-se valor ao predicado ou    caracter&iacute;stica atribu&iacute;do a quaisquer elementos das classes de    equival&ecirc;ncia do conjunto considerado (masculino/feminino) s&atilde;o os    valores da vari&aacute;vel (sexo); oper&aacute;rio/industrial/ agricultor/empregado    de escrit&oacute;rio/... alguns poss&iacute;veis valores da vari&aacute;vel    (pro&#64257;ss&atilde;o, etc.). Diremos ent&atilde;o que, dado uma vari&aacute;vel    qualquer, medida ser&aacute; a aplica&ccedil;&atilde;o (no sentido matem&aacute;tico    do termo) do conjunto dos valores que ela pode assumir num conjunto de n&uacute;meros    (aqueles atrav&eacute;s dos quais precisamente se exprimem a medida). (Almeida    &amp; Pinto 1999)</p>     <p><Sup><a name="5" id="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> Sobre essa quest&atilde;o    ver o estudo de Ferreira &amp; Sampaio (1988.</p>     <p> <Sup><a name="6" id="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> Sobre essa discuss&atilde;o    ver Sguissardi (1997), Silva Jr. e Sguissardi, (1999); Sobrinho &amp; Oliveira    (2007), entre outros.</p>     <p> <Sup><a name="7" id="7"></a><a href="#top7">7</a> </Sup>Sobre o modelo gerencial    de gest&atilde;o p&uacute;blica ver Bresser Pereira (1996). </p>     <p><a name="8" id="8"></a><a href="#top8"><Sup>8</Sup></a><Sup> </Sup>Sobre essa    quest&atilde;o ver estudo produzido por Oliveira,A. P. (2007).</p>     <p><Sup><Sup><a name="9" id="9"></a><a href="#top9">9</a> </Sup></Sup>Os sistemas    de Avalia&ccedil;&atilde;o incluem o SAEB (Sistema de Avalia&ccedil;&atilde;o    da Educa&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica composto por Provinha Brasil, Prova    Brasil, ENEM); SINAES (Sistema Nacional de Avalia&ccedil;&atilde;o da Educa&ccedil;&atilde;o    Superior composto por ENADE &ndash; Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes;ACG    &ndash; Avalia&ccedil;&atilde;o de Cursos de Gradua&ccedil;&atilde;o e Auto-Avalia&ccedil;&atilde;o    Institucional)</p>     <p><Sup><a name="10" id="10"></a><a href="#top10">10</a> </Sup>Para aprofundar    a discuss&atilde;o sobre uma quinta dimens&atilde;o da avalia&ccedil;&atilde;o,    ver o texto de Ten&oacute;rio, R. e Vieira, M. Lacunas conceituais na doutrina    das quatro gera&ccedil;&otilde;es: elementos para uma teoria da avalia&ccedil;&atilde;o,    2009.21</p>     <p><Sup><a name="11" id="11"></a><a href="#top11">11</a> </Sup>Para aprofundar    discuss&otilde;es sobre as dimens&otilde;es da avalia&ccedil;&atilde;o, ver    Guba e Licoln (1989); Ten&oacute;rio e Vieira (2009)</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Refer&ecirc;ncias Bibliogr&aacute;&#64257;cas </b></p>     <p>Afonso, A. J. (1998). <I>Pol&iacute;ticas Educativas e Avalia&ccedil;&atilde;o Educacional. Para uma an&aacute;lise sociol&oacute;gica da reforma educativa em Portugal</I>. (1985-1995) Braga: Universidade do Minho.</p>       <p>Alexander, J. (1982).<I> Las Teorias  Sociologicas desde la Segunda Guerra Mundial: an&aacute;lisis multidimensional.</I> Barcelona: Editorial Gedisa.</p>       <p>Almeida, J. F. &amp; Pinto,  J. M. (1986)  Da Teoria a Investiga&ccedil;&atilde;o Emp&iacute;rica.  In A. Santos Silva &amp; J. Madureira Pinto (Orgs.). <I>Metodologia das Ci&ecirc;ncias Sociais</I>. Porto:Afrontamento.</p>       <p>Babbie, Earl (2001). <I>M&eacute;todos de pesquisa survey</I>. Belo Horizonte: Editora da UFMG.</p>       <p>Belloni, I. (org.) (2000). <I>Metodologia de avalia&ccedil;&atilde;o em pol&iacute;ticas p&uacute;blicas: uma experi&ecirc;ncia em educa&ccedil;&atilde;o pro</I><I>&#64257;</I><I>ssional. </I>S&atilde;o Paulo: Cortez.</p>       <p>Cheng,Yin Cheong e Tam,Wai Ming (1977) Multi-models of quality in education. <I>Quality Assurance in Education</I>. <I>5, (1)</I>, 22-31.</p>     <p>Cheng,Yin Cheong (2003). Quality  assurance in education: internal, interface, and future. <I>Quality Assurance in Education</I>. <I>11, (4)</I>, 202-213.</p>     <!-- ref --><p>Costa, M. da (1994). Crise do Estado e crise da educa&ccedil;&atilde;o: in&#64258;u&ecirc;ncia neoliberal e reforma educacional. <I>Educa&ccedil;&atilde;o e Sociedade. 49 (15)</I>, 501-523.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000171&pid=S1645-7250201000010000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Crosby, P. B (1979). <I>Quality is free: the art of making quality certain</I>. New York: New American Library.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Demo, Pedro (1994). <I>Educa&ccedil;&atilde;o e qualidade</I>. Campinas &amp; S&atilde;o Paulo: Papirus.</p>     <p>Feigenbaum, A.V (1951). <I>Quality control: Principles, practice and administration</I>. New York: McGraw-Hill.</p>     <p>Gilmore, H. L (1974). Product conformance cost. <I>Quality Progress</I>. <I>7 (5)</I>, 16-19.</p>     <p>Guba, E. G. &amp; Lincoln,Y. S. (1989). <I>Fourth Generation Evaluation</I>. London: Sage Publications.</p>     <p>Ferreira, R. &amp; Sampaio, M. C. H (1995). <I>Democratiza&ccedil;&atilde;o, cidadania e transforma&ccedil;&atilde;o. Discurso e gest&atilde;o governamental na Nova Rep&uacute;blica.</I> Recife &amp; Jo&atilde;o Pessoa: UFPE &amp; UFPB.</p>     <p>Habermas, J. (1982). <I>Conhecimento e interesse</I>. Rio de Janeiro: Zahar Editores.</p>     <p>Juran, J.M &amp; Gryna Jr., F.M. (1988) M. <I>Quality control handbook</I>. New York: McGraw-Hill.</p>     <p>Lakatos, I. &amp; Musgrave,A. (1975). <I>La Critica y el Desarrolo del Conocimiento.</I>  Barcelona:   Ediciones Grijalbo.</p>     <p>MARE (1995). <I>Plano diretor da reforma do Estado.</I> Bras&iacute;lia.</p>     <p>MEC (1998). <I>Plano Nacional de Educa&ccedil;&atilde;o. Proposta do executivo ao Congresso Nacional</I>. Bras&iacute;lia.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Minayo, M. C. S. (Org) (1999) <I>Pesquisa Social:Teoria, m&eacute;todo e criatividade</I>. 5&ordf;ed. Petr&oacute;polis-RJ:Vozes.</p>     <p>Motala, S. (2001)  Quality and indicators of quality in South African education: a critical appraisal. <I>International Journal of Educational Development</I>. <I>21, (1)</I>, 61-78.</p>     <p>Oliveira,A. P. de (2007). <I>A rela&ccedil;&atilde;o p&uacute;blico-privado no contexto da educa&ccedil;&atilde;o superior. </I>Tese de Doutorado (n&atilde;o publicada). Recife: UFPE.</p>     <p>Parasuraman <I>et al.</I> (1985). A conceptual model of service quality and its implications for future research. <I>Journal of Marketing</I>. <I>4 (4)</I>, pp 41-50.</p>     <p>Peters,T. J. &amp; Waterman, R. H<I>. </I>(1982).<I> In search of excellence</I>. New York: Harper &amp; Row.</p>     <p>Santos, B. S. (1995). <I>A transi&ccedil;&atilde;o paradigm&aacute;tica: da regula&ccedil;&atilde;o &agrave; emancipa&ccedil;&atilde;o</I>. O&#64257;cina do CES n&ordm; 25. Coimbra, Centro de Estudos Sociais.</p>     <p>Santos, B. S. (Org.). (2001) <I>Globaliza&ccedil;&atilde;o: fatalidade ou Utopia.</I> Porto:Afrontamento.</p>     <p>Sguissardi,V. (1997). Para avaliar propostas de avalia&ccedil;&atilde;o do ensino superior. In V. Sguissardi (org.).<I> Avalia&ccedil;&atilde;o universit&aacute;ria em quest&atilde;o: reformas do estado e da educa&ccedil;&atilde;o superior</I>. Campinas, SP:Autores Associados.</p>     <p>Sobrinho, J. D. (2007). <I>Avalia&ccedil;&atilde;o: instrumento de gest&atilde;o universit&aacute;ria.</I> Vila Velha, Es: Hoper.</p>     <p>Sobrinho, J. D. &amp; Ristoff, D. I. (orgs.). (2003). <I>Avalia&ccedil;&atilde;o e compromisso p&uacute;blico &ndash; a educa&ccedil;&atilde;o superior em debate</I>. Florian&oacute;polis: Insular.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ten&oacute;rio, R.M. &amp; Vieira, M. (2010). Lacunas conceituais na doutrina das quatro gera&ccedil;&otilde;es: elementos para uma teoria da avalia&ccedil;&atilde;o. In R. M.Ten&oacute;rio &amp; U. M. Lopes. <I>Avalia&ccedil;&atilde;o e Gest&atilde;o:Teoria e Pr&aacute;tica</I>. Salvador: EDUFBA.</p>     <p>Wittgenstein, L. (1979). <I>Investiga&ccedil;&otilde;es Filos&oacute;</I><I>&#64257;</I><I>cas</I>.  2&ordf; ed. S&atilde;o Paulo:Abril Cultural.</p>      ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[Costa]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. da]]></given-names>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Crise do Estado e crise da educação: in&#64258;uência neoliberal e reforma educacional]]></article-title>
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