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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A presença de sujeitos culturais negros no contexto do ensino superior e a a&#64257;rmação de suas identidades]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The presence of black cultural subjects in the context of higher education and the assertion of their identity]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper is a result of a research project related to the Graduate Studies Program in Education of the Dom Bosco Catholic University. The project, &#8220;The af&#64257;rmation of black identity through access to the university: The Negraeva project&#8221; is funded by the FUNDECT/MS. Its goal is to examine the production of black cultural identities through the curriculum that circulates in higher education. The author&#8217;s understanding of curriculum is inspired by the post-critical theories that see it as an arena of struggle and challenge, an arena that produces identities and differences in the territory of culture. It is an area of dispute where some identities are legitimized and others are not.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>A presen&ccedil;a de sujeitos culturais                   negros no contexto do ensino superior              e a a&#64257;rma&ccedil;&atilde;o de suas identidades </b>      <p>&nbsp;      <p><b>Jos&eacute; Lic&iacute;nio Backes</b>     <p> Universidade Cat&oacute;lica Dom Bosco, Campo Grande, Mato Grosso do Sul,    Brasil. <a href="mailto:backes@ucdb.br" target="_blank">backes@ucdb.br</a>      <p>&nbsp;     <p><b>Resumo</b>     <p>O texto &eacute; resultado da pesquisa docente vinculada ao Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o &ndash; Mestrado em Educa&ccedil;&atilde;o, da Universidade Cat&oacute;lica Dom Bosco, &ldquo;A afirma&ccedil;&atilde;o da identidade negra pelo acesso &agrave; universidade: o projeto Negraeva&rdquo;, financiada pela FUNDECT/MS e tem como objetivo problematizar a produ&ccedil;&atilde;o de identidades culturais negras por meio do curr&iacute;culo que circula no Ensino Superior. A compreens&atilde;o de curr&iacute;culo &eacute; inspirada nas teorias p&oacute;s-cr&iacute;ticas, sendo visto como campo de luta e contesta&ccedil;&atilde;o, campo que produz identidades e diferen&ccedil;as no territ&oacute;rio da cultura. &Eacute; um campo de disputa, onde algumas identidades s&atilde;o legitimadas, outras n&atilde;o.      <p><b>Palavras-Chave</b>: Cultura, identidade, curr&iacute;culo, negro.     <p>&nbsp;      <p><b>The presence of black cultural subjects in the context of higher education    and the assertion of their identity </b>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Abstract</b>     <p>This paper is a result of a research project related to the Graduate Studies Program in Education of the Dom Bosco Catholic University. The project, &ldquo;The af&#64257;rmation of black identity through access to the university: The Negraeva project&rdquo; is funded by the FUNDECT/MS. Its goal is to examine the production of black cultural identities through the curriculum that circulates in higher education. The author&rsquo;s understanding of curriculum is inspired by the post-critical theories that see it as an arena of struggle and challenge, an arena that produces identities and differences in the territory of culture. It is an area of dispute where some identities are legitimized and others are not.</p>     <p><b>Keywords</b>: Culture; identity; curriculum; blacks.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Iniciamos o texto, lembrando as palavras de Skliar (2004: 70), quando pontua que escrever &ldquo;[...] &eacute; uma forma de estarmos vivos neste mundo onde muitos outros, neste mesmo instante, n&atilde;o escrevem nem l&ecirc;em porque morrem de fome, morrem na guerra e morrem de desilus&atilde;o&rdquo;. E, n&oacute;s acrescentamos, morrem f&iacute;sica e simbolicamente, v&iacute;timas de discrimina&ccedil;&atilde;o e racismo.      <p>O texto &eacute; resultado da pesquisa vinculada ao Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o    &ndash; Mestrado em Educa&ccedil;&atilde;o, da Universidade Cat&oacute;lica    Dom Bosco, &ldquo;A afirma&ccedil;&atilde;o da identidade negra pelo acesso    &agrave; universidade: o projeto Negraeva&rdquo;, financiada pela FUNDECT/MS    e tem como objetivo problematizar a produ&ccedil;&atilde;o de identidades culturais    negras por meio do curr&iacute;culo que circula no Ensino Superior<Sup><a name="top2"></a><a href="#2">1</a></Sup>.      <p>O entendimento de curr&iacute;culo, presente no texto, pauta-se nas teorias p&oacute;scr&iacute;ticas, segundo as quais o curr&iacute;culo n&atilde;o &eacute; &ldquo;[...] um meio neutro de transmiss&atilde;o de conhecimentos ou informa&ccedil;&otilde;es&rdquo; (Silva, 1995: 202), mas um campo de luta e contesta&ccedil;&atilde;o que produz identidades e diferen&ccedil;as: &ldquo;as narrativas do curr&iacute;culo con-tam hist&oacute;rias que fixam no&ccedil;&otilde;es particulares sobre g&ecirc;nero, ra&ccedil;a, classe &ndash; no&ccedil;&otilde;es que acabam tamb&eacute;m nos fixando em posi&ccedil;&otilde;es muito particulares ao longo desses eixos&rdquo; (Silva, 1995: 195). Essas posi&ccedil;&otilde;es n&atilde;o s&atilde;o fixas, sempre &eacute; poss&iacute;vel encontrar formas de subvert&ecirc;-las, desvi&aacute;-las, contest&aacute;-las.      <p>Para articular as reflex&otilde;es, tomamos como ponto de partida tr&ecirc;s fragmentos extra&iacute;dos das entrevistas realizadas com alunos negros que ingressaram no Ensino Superior tendo como apoio fundamental o projeto Negraeva. As respostas dos sujeitos entrevistados, s&atilde;o, como lembra Silveira (2002), atravessadas pela subjetividade do pesquisador. O projeto Negraeva foi elaborado com o prop&oacute;sito de apoiar estudantes da comunidade S&atilde;o Benedito (mais conhecida como Comunidade Negraeva ou Comunidade Tia Eva), localizada na cidade de Campo Grande, MS, para que pudessem acessar e manter-se no Ensino Superior. O projeto Negraeva foi submetido &agrave; Funda&ccedil;&atilde;o Ford em 2002 e foi aprovado, tendo apoiado 17 estudantes, segundo a informa&ccedil;&atilde;o obtida com a coordena&ccedil;&atilde;o do projeto. O projeto foi elaborado pela pr&oacute;pria comunidade, tendo recebido ajuda de um professor (identificado com a luta do movimento negro) da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul. Estes sujeitos estudaram em diferentes universidades de Campo Grande (p&uacute;blica e privadas), e, para n&atilde;o serem identificados, n&atilde;o mencionaremos em qual universidade cada sujeito fez o curso e usaremos nomes fict&iacute;cios.      <p>O primeiro fragmento de entrevista nos ajuda a perceber a dificuldade ainda existente, para pensar um curr&iacute;culo que n&atilde;o seja pautado no mito da igualdade confundida com mesmidade (Skliar, 2003).A id&eacute;ia ainda corrente &eacute; que &ldquo;todos s&atilde;o iguais&rdquo;, as diferen&ccedil;as s&atilde;o apenas aparentes, pois, em &uacute;ltima inst&acirc;ncia, todas as identidades fazem parte da identidade humana. Lembramos que, embora a identidade humana seja reivindicada como postulado universal, trata-se de um saber/poder que tem &ldquo;[...] sexo, etnia e projeto pol&iacute;tico-filos&oacute;fico&rdquo; (Costa, 1999: 61), isto &eacute;, &eacute; fruto de um projeto &ldquo;[...] unit&aacute;rio, centrado, masculino, branco e europeu&rdquo; (Costa, 1999: 61). Como escreve Skliar (2003), a igualdade foi entendida como o retorno ao mesmo, (retorno ao colonizador) e, por isso, &eacute; costumeiramente apresentada como oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; diferen&ccedil;a. Entretanto, trata-se de uma armadilha, &ldquo;de um binarismo n&atilde;o-pertinente entre igualdade e diferen&ccedil;a, j&aacute; que igualdade deveria ser o resultado de uma rela&ccedil;&atilde;o de oposi&ccedil;&atilde;o com a desigualdade &ndash; e n&atilde;o com a diferen&ccedil;a &ndash; e diferen&ccedil;a com a mesmidade &ndash; n&atilde;o com a igualdade&rdquo; (Skliar, 2003: 108).      <p>Assim, apesar de muitas vezes a declara&ccedil;&atilde;o &ldquo;todos somos iguais&rdquo; ser feita com as melhores inten&ccedil;&otilde;es, ela pode ser tamb&eacute;m uma forma de manter rela&ccedil;&otilde;es de poder que historicamente t&ecirc;m posicionado os sujeitos negros em condi&ccedil;&otilde;es subalternas. Neste sentido, &eacute; significativa a fala da acad&ecirc;mica Ana, ao narrar o encontro com o Pr&oacute;-Reitor de uma das Institui&ccedil;&otilde;es de Ensino Superior onde estes sujeitos estudam ou estudaram:      ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p>Aqui a gente procurou na universidade, a gente tentou falar com o Reitor,      n&atilde;o conseguiu. Fomos atendidos pelo Pr&oacute;-Reitor, que agora n&atilde;o      recordo o nome. Mas ele disse que a universidade n&atilde;o tinha interesse      de fazer parte de um projeto como o Negraeva e que a situa&ccedil;&atilde;o      do negro era igual a do ind&iacute;gena e do japon&ecirc;s, que n&atilde;o      havia diferen&ccedil;a na hist&oacute;ria dessas tr&ecirc;s etnias. (Acad&ecirc;mica      Ana, grifos nossos). </p> </blockquote>     <p>O argumento utilizado pelo Pr&oacute;-Reitor &eacute; um dos argumentos mais utilizados quando se discute a diferen&ccedil;a, ou melhor, o argumento mais utilizado para n&atilde;o se problematizar a produ&ccedil;&atilde;o da diferen&ccedil;a. O argumento da igualdade confundida com mesmidade foi criado pela l&oacute;gica moderna e pautou a constru&ccedil;&atilde;o do curr&iacute;culo. Se n&atilde;o levarmos em conta o saber/poder presente neste argumento, somos capturados pela armadilha da igualdade/mesmidade. Apple (2000: 46) lembra que existe um discurso hegem&ocirc;nico que esconde as condi&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas em que cada grupo cultural participou da forma&ccedil;&atilde;o das sociedades, traduzido da seguinte forma:&ldquo;&lsquo;N&oacute;s&rsquo; somos uma na&ccedil;&atilde;o de imigrantes.&lsquo;N&oacute;s&rsquo; somos todos imigrantes, desde a primeira na&ccedil;&atilde;o original (ind&iacute;gena), cujo povo atravessou o Estreito de Bering, at&eacute; os imigrantes mais recentes.&rdquo; (p. 46). Entretanto, como salienta Apple (2000: 47) referindo-se ao contexto dos EUA:&ldquo;Essa hist&oacute;ria, contudo, n&atilde;o trata das condi&ccedil;&otilde;es diferenciais que existiram. Alguns imigrantes vieram acorrentados, eram escravos e enfrentaram s&eacute;culos de repress&atilde;o e de segrega&ccedil;&atilde;o administrada pelo governo. E nisto h&aacute; um mundo de diferen&ccedil;a.&rdquo; Embora o autor esteja se referindo ao contexto estadunidense, o mesmo argumento circula tamb&eacute;m no contexto brasileiro.Tratase novamente da armadilha da igualdade/mesmidade.      <p>Esta armadilha pode ser vista como uma estrat&eacute;gia no sentido de &ldquo;incluir para excluir&rdquo;, conforme Veiga-Neto (2001). O Pr&oacute;-Reitor, para defender seus interesses (de n&atilde;o oferecer uma bolsa para os sujeitos negros), &ldquo;inclui&rdquo; todos na &ldquo;mesma situa&ccedil;&atilde;o&rdquo;, nas &ldquo;mesmas condi&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas&rdquo;, nas condi&ccedil;&otilde;es de &ldquo;igualdade&rdquo;.      <p>Como explica Veiga-Neto (2001: 113), a inclus&atilde;o pode ser entendida como    &ldquo;[...] o primeiro passo numa opera&ccedil;&atilde;o de ordenamento, pois    &eacute; preciso a aproxima&ccedil;&atilde;o com o outro para que se d&ecirc;    um primeiro (re)conhecimento, para que se estabele&ccedil;a algum saber, por    menor que seja, acerca desse outro&rdquo;. O Pr&oacute;-Reitor inclui o outro,    e &eacute; por meio dessa opera&ccedil;&atilde;o que se autoriza a dizer quem    s&atilde;o (s&atilde;o os &ldquo;mesmos&rdquo;) e, desta forma, pode dizer como    devem ser tratados &ndash; devem ser tratados como &ldquo;iguais&rdquo;. Assim,    o processo de exclus&atilde;o legitima-se com o argumento da inclus&atilde;o.    Ao incluir o outro, o sujeito captura-o segundo seus interesses. Ao dizer que    o negro &eacute; igual, &eacute; poss&iacute;vel abertamente, sem constrangimento,    defender que ele n&atilde;o deve ser tratado de forma diferente na universidade    (n&atilde;o deve receber bolsa). Mas, ao mesmo tempo em que ele &eacute; &ldquo;igual&rdquo;,    tornando-se intelig&iacute;vel, acess&iacute;vel e familiar, &eacute; mantido    a uma certa dist&acirc;ncia que permite que n&atilde;o seja incorporado no mesmo.    Como lembra a acad&ecirc;mica Ana, o Pr&oacute;-Reitor afirmou que &ldquo;a    universidade n&atilde;o tinha interesse de fazer parte de um projeto como o    Negraeva&rdquo;. Desnecess&aacute;rio dizer que imagem de universidade est&aacute;    presente e que interesses est&atilde;o em jogo ao afirmar que n&atilde;o h&aacute;    interesse em participar do Projeto Negraeva.      <p>Nosso segundo fragmento de entrevista nos ajuda a localizar o problema:      <blockquote>       <p>Eu j&aacute; havia entrado outras vezes na universidade, eu at&eacute; iniciei      um curso aqui na universidade, cursei um ano e pouquinho, e tive que parar      por falta de condi&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas para me manter no curso,      pagar minha mensalidade e as demais despesas que a gente tem.A&iacute; fiquei      um ou dois anos fora, tentei vestibular na federal, passei, comecei um outro      curso tamb&eacute;m, que era matem&aacute;tica, fiz dois anos, parei, a&iacute;      depois abriu Ci&ecirc;ncias Sociais, e resolvi fazer e foi o curso que consegui      concluir. (Acad&ecirc;mico Roque). </p> </blockquote>     <p>Essa &eacute; uma das realidades dos sujeitos negros no Ensino Superior: alguns at&eacute; chegam a entrar na universidade, mas n&atilde;o permanecem nela, numa primeira leitura, por quest&otilde;es econ&ocirc;micas. Mas seriam apenas quest&otilde;es econ&ocirc;micas? Ou podemos apontar outros atravessamentos ou at&eacute; mesmo outros fatores t&atilde;o ou mais decisivos que dificultam a entrada e perman&ecirc;ncia no Ensino Superior? Seria a quest&atilde;o econ&ocirc;mica a produtora dessa condi&ccedil;&atilde;o, ou podemos procurar a explica&ccedil;&atilde;o em outro lugar, talvez em outros lugares, de tal modo que o que aparece como sendo o produtor n&atilde;o passa de um efeito?      <p>Com os Estudos Culturais, aprendemos que n&atilde;o existem leis necess&aacute;rias (Hall, 2003). As explica&ccedil;&otilde;es das realidades e as verdades podem ser buscadas em diferentes lugares:&ldquo;A verdade ou as verdades s&atilde;o coisas deste mundo, constitu&iacute;das no seio de correla&ccedil;&otilde;es de for&ccedil;as e de jogos de poder.&rdquo; (Costa, 2000: 76). Neste sentido, queremos argumentar, apoiados no campo te&oacute;rico dos Estudos Culturais, que sustentam a centralidade da cultura (Hall, 1997), que vemos a quest&atilde;o econ&ocirc;mica como a face mais vis&iacute;vel e &oacute;bvia de uma quest&atilde;o produzida h&aacute; s&eacute;culos no Brasil, cuja disputa central n&atilde;o se deu/d&aacute; no campo econ&ocirc;mico, mas no campo da cultura: &ldquo;As lutas pelo poder adquirem cada vez mais um car&aacute;ter cultural e n&atilde;o podem ser reduzidas a sua dimens&atilde;o material.&rdquo; (Candau, 2006: 36).     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Portanto, a falta de recursos financeiros &eacute; um efeito, um produto de uma articula&ccedil;&atilde;o muito mais sutil e eficaz que se d&aacute; no territ&oacute;rio da cultura, invadindo os campos da educa&ccedil;&atilde;o e do curr&iacute;culo. Uma cultura produzida no campo do poder visto como &ldquo;[...] disseminado, circulante, capilar e tamb&eacute;m produtivo, e n&atilde;o apenas centralizado e repressivo&rdquo; (Costa, 1999: 41).      <p>O campo da cultura, visto como articulado inexoravelmente com rela&ccedil;&otilde;es de poder, produz as identidades e as diferen&ccedil;as, posicionando os sujeitos em diferentes lugares sociais, &ldquo;legitimando&rdquo; para uns o acesso &agrave; riqueza, aos privil&eacute;gios, ao Ensino Superior p&uacute;blico e gratuito e, para outros, a nega&ccedil;&atilde;o desse acesso. Para tanto, a cultura (entendam-se os sujeitos da cultura produzidos pela cultura, mas n&atilde;o um sujeito a priori, e sim um sujeito sempre j&aacute; fabricado pela cultura) vai produzindo determinadas marcas que ser&atilde;o utilizadas em contextos espec&iacute;ficos para posicionar os sujeitos na rede social.      <p>Particularmente, a marca produzida pela cultura (branca) que mais nos interessa discutir neste texto em conex&atilde;o com a educa&ccedil;&atilde;o e o seu curr&iacute;culo &eacute; a marca racial. Esta marca, como diferentes dados estat&iacute;sticos evidenciam, continua sendo utilizada para posicionar os sujeitos negros em lugares socialmente menos valorizados.      <p>Apoiados em Skliar (2003; 2004), podemos sustentar que o posicionamento dos sujeitos negros na sociedade brasileira est&aacute; relacionado &agrave; forma como a cultura ocidental aprendeu a lidar com a diferen&ccedil;a cultural, que, se facilmente reconhecida, &eacute; sempre associada equivocadamente &agrave; inferioridade, d&eacute;ficit, falta, porque orientada pela l&oacute;gica colonizadora. Nessa l&oacute;gica, os sujeitos das outras culturas s&atilde;o avaliados segundo uma forma fixa e &uacute;nica, sendo diminu&iacute;dos, penalizados, discriminados:      <blockquote>       <p>A opera&ccedil;&atilde;o da discrimina&ccedil;&atilde;o consiste, primeiro,      na diminui&ccedil;&atilde;o, na redu&ccedil;&atilde;o do outro &ndash; e tamb&eacute;m      a rela&ccedil;&atilde;o do outro com os &ldquo;seus&rdquo; outros &ndash;      e, em segundo lugar, em dotar todos esses outros, assim &ldquo;diminu&iacute;dos&rdquo;,      de uma &uacute;nica possibilidade de interpreta&ccedil;&atilde;o dos seus      valores e das suas normas. A uma minoria, a qualquer minoria, lhe &eacute;      dado para si pr&oacute;pria um referente id&ecirc;ntico de representa&ccedil;&otilde;es:      haveria assim uma &uacute;nica forma fixa permitida, poss&iacute;vel de se      pensar, de se olhar, de se perceber, de se julgar, de se nomear etc. o interior      desse grupo. (Skliar, 2004: 76). </p> </blockquote>     <p>Esta opera&ccedil;&atilde;o &eacute; constru&iacute;da no campo da cultura, e, por isso, a tomamos como central em nossa an&aacute;lise.Ao nos posicionarmos a favor da centralidade da cultura, n&atilde;o estamos diminuindo os efeitos negativos que a falta de acesso aos bens materiais produz nos sujeitos, estamos apenas procurando argumentar que, para que essa situa&ccedil;&atilde;o possa ser modificada, &eacute; preciso questionar a l&oacute;gica discursiva que a produz; apoiados em diferentes autores, podemos dizer que esta l&oacute;gica tamb&eacute;m se assenta no mito da democracia racial e no ideal de branqueamento, produzidos pela cultura hegem&ocirc;nica. Como muito bem argumenta Gomes (2007: 104), o mito da democracia racial funda-se na &ldquo;igualdade que apaga as diferen&ccedil;as&rdquo;. Segundo Munanga (1999), esse mito se baseia na mesti&ccedil;agem biol&oacute;gica e cultural entre as tr&ecirc;s ra&ccedil;as origin&aacute;rias, exaltando a id&eacute;ia de uma conviv&ecirc;ncia harm&ocirc;nica, seja em termos sociais ou raciais. Desta forma, as desigualdades s&atilde;o dissimuladas pelas elites,      <blockquote>       <p>[...] impedindo os membros das comunidades n&atilde;o brancas de terem consci&ecirc;ncia      dos sutis mecanismos de exclus&atilde;o da qual s&atilde;o v&iacute;timas      na sociedade. Ou seja, encobre os conflitos raciais, possibilitando a todos      se reconhecerem como brasileiros e afastando das comunidades subalternas a      tomada de consci&ecirc;ncia de suas caracter&iacute;sticas culturais que teriam      contribu&iacute;do para a constru&ccedil;&atilde;o e express&atilde;o de uma      identidade pr&oacute;pria. Essas caracter&iacute;sticas s&atilde;o &ldquo;expropriadas&rdquo;      e &ldquo;convertidas&rdquo; em s&iacute;mbolos nacionais pelas elites dirigentes.      (Munanga, 1999: 80). </p> </blockquote>     <p>Procurar pensar a diferen&ccedil;a e o curr&iacute;culo fora do horizonte da mesmidade/ colonialidade, do mito da democracia racial, do ideal de branqueamento, &eacute; o grande desafio para n&oacute;s educadores. De modo semelhante aos autores citados neste texto, Silva (1996: 204) tamb&eacute;m observa que &ldquo;&eacute; crucial examinar as formas e os regimes de representa&ccedil;&atilde;o e de discurso pelos quais o &lsquo;outro&rsquo; foi e continua sendo social e historicamente constru&iacute;do como objeto de um olhar imperialista e colonial&rdquo;&agrave; .      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O que escrevemos at&eacute; agora serve para argumentar junto com Silva (2004) que discutir o curr&iacute;culo na perspectiva racial/&eacute;tnica n&atilde;o significa apenas discutir os fatores que levam os sujeitos de determinadas ra&ccedil;as/etnias (neste texto, os sujeitos negros) a n&atilde;o terem acesso &agrave; universidade ou discutir as dificuldades enfrentadas, mas apoiados nos Estudos Culturais, compreend&ecirc;-lo como &ldquo;racialmente enviesado&rdquo; (Silva, 2004: 99). O curr&iacute;culo foi/&eacute; constru&iacute;do em bases etnoc&ecirc;ntricas/colonialistas. Longe de ser um conjunto de disciplinas/conhecimentos desinteressados, o curr&iacute;culo &eacute; um campo que traz as marcas da cultura hegem&ocirc;nica (ocidental, branca, machista, crist&atilde;, euroc&ecirc;ntrica). O curr&iacute;culo &eacute; o resultado das rela&ccedil;&otilde;es sociais de poder, &eacute; um &ldquo;espa&ccedil;o conflituoso e ativo de produ&ccedil;&atilde;o cultural&rdquo; (Meyer, 1998: 376). Portanto, &eacute; um espa&ccedil;o de produ&ccedil;&atilde;o de identidades e diferen&ccedil;as culturais, raciais, de g&ecirc;nero, de cren&ccedil;a. Seguindo a autora, podemos afirmar que conceber o curr&iacute;culo como um produto da cultura enquanto campo de luta e contesta&ccedil;&atilde;o implica questionar os saberes/poderes que &ldquo;produzimos, selecionamos e implementamos de forma a reconhecer o sexismo, o racismo e a discrimina&ccedil;&atilde;o que eles n&atilde;o s&oacute; veiculam, mas constroem e ajudam a manter&rdquo; (Meyer, 1998: 378). Considerar a cultura como produtora de identidades, como campo de conflito, como pr&aacute;tica que normaliza pr&aacute;ticas, que &ldquo;naturaliza&rdquo; formas de ver e perceber o outro, que cria formas leg&iacute;timas e ileg&iacute;timas, implica reconhecer que o &ldquo;[...] o racismo n&atilde;o pode ser concebido como uma quest&atilde;o de preconceito individual. O racismo &eacute; parte de uma matriz mais ampla de estruturas institucionais e discursivas que n&atilde;o podem ser simplesmente reduzidas a atitudes individuais&rdquo; (Silva, 2004: 103).      <p>Portanto, o racismo n&atilde;o &eacute; uma simples quest&atilde;o psicol&oacute;gica, mas um mecanismo produzido no contexto da coloniza&ccedil;&atilde;o, como nos atestam, entre outros, Bhabha (2001), Hall (2003) e Skliar (2003). Hall (2003), mesmo fazendo ressalvas &agrave; leitura p&oacute;s-colonial do mundo, sobretudo pela n&atilde;o-articula&ccedil;&atilde;o entre p&oacute;s-colonialismo e capitalismo global, n&atilde;o deixa de reconhecer que a coloniza&ccedil;&atilde;o &ndash; e, portanto, sua compreens&atilde;o &ndash; teve e continua tendo efeitos para as culturas e as identidades. &ldquo;Nenhum local, seja &lsquo;l&aacute;&rsquo; ou &lsquo;aqui&rsquo;, em sua autonomia fantasiada ou in-diferen&ccedil;a, poderia se desenvolver sem levar em considera&ccedil;&atilde;o seus &lsquo;outros&rsquo; significativos e/ou abjetos&rdquo; (Hall, 2003: 116.). Da mesma forma, no&ccedil;&otilde;es de identidades culturais id&ecirc;nticas a si mesmas foram solapadas e for&ccedil;adas a se representarem no &ldquo;Outro&rdquo;, por um sistema de similaridades e diferen&ccedil;as, tornando-se jogos de diferencia&ccedil;&atilde;o por meio dos quais as identidades s&atilde;o constru&iacute;das, sem poder escapar aos significados oscilantes e deslizantes.      <p>Por&eacute;m, n&atilde;o devemos nos deixar levar pela generaliza&ccedil;&atilde;o simplista. &Eacute; preciso considerar os contextos espec&iacute;ficos em que o racismo &eacute; produzido e quais os interesses que est&atilde;o em jogo. Para Hall (2003), embora se possam facilmente reconhecer processos semelhantes de representa&ccedil;&atilde;o entre os grupos humanos, desconsiderar as especificidades hist&oacute;ricas sem levar em conta os contextos em que os grupos operam &eacute; um grande equ&iacute;voco.      <p>Portanto, tomar o espa&ccedil;o do Ensino Superior como espa&ccedil;o de constru&ccedil;&atilde;o de identidades raciais (e tamb&eacute;m como espa&ccedil;o de pr&aacute;ticas racistas) tem um sentido diferente do que discutir outros espa&ccedil;os educativos. Sobretudo porque o Ensino Superior tem sido ainda mais excludente em rela&ccedil;&atilde;o aos sujeitos negros do que a educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica: &ldquo;[...] ao contr&aacute;rio do que ocorre com o segmento branco, na hist&oacute;ria escolar do estudante negro a universidade n&atilde;o se apresenta, de imediato, como um projeto priorit&aacute;rio&rdquo; (Queiroz, 2004: 145).     <p>Num certo sentido, pode-se dizer tamb&eacute;m que no Ensino Superior circulam argumentos que posicionam os negros nas margens da sociedade e que carregam uma &ldquo;autoridade&rdquo; maior do que os significados que circulam em outros tempos/ espa&ccedil;os. &Eacute; ainda o Ensino Superior um espa&ccedil;o &ldquo;naturalizado&rdquo; para brancos que supostamente ocupam este espa&ccedil;o devido aos seus m&eacute;ritos, quando, na verdade, &eacute; apenas a materializa&ccedil;&atilde;o da nossa sociedade racista.Todo esse contexto produz um conjunto de efeitos sobre as identidades raciais. Mas devemos sempre lembrar que n&atilde;o s&atilde;o os efeitos da l&oacute;gica moderna e linear, mas s&atilde;o efeitos que carregam, al&eacute;m das marcas do poder que os produziu, tamb&eacute;m a ambival&ecirc;ncia inerente a todas as rela&ccedil;&otilde;es sociais. Os sujeitos n&atilde;o s&atilde;o receptores passivos. Os sujeitos sempre podem oferecer resist&ecirc;ncia, podem ignorar os apelos, aderir parcial ou totalmente aos posicionamentos impostos/propostos pela cultura hegem&ocirc;nica. A cultura hegem&ocirc;nica, por um lado, procura reafirmar a refer&ecirc;ncia da branquidade e, por outro lado, subalternizar os sujeitos negros ou mant&ecirc;-los no lugar de subalternos. Mas sempre h&aacute; outras possibilidades: possibilidades de subverter, transgredir, rebelar-se, revoltar-se, instituindo outras posi&ccedil;&otilde;es de sujeito. Essas outras possibilidades podem vir de diferentes vozes e lugares. Podem, por exemplo, vir de professores do Movimento Negro, como muitos sujeitos de nossa pesquisa narraram, referindo-se a posturas de professores notadamente militantes, que traziam uma abordagem diferente daquela tradicionalmente reservada aos grupos negros, questionando os racismos e formas estereotipadas de representar a identidade negra. Podem vir tamb&eacute;m dos pr&oacute;prios acad&ecirc;micos negros que, por viverem uma experi&ecirc;ncia de grupo e de comunidade proporcionada ou intensificada pelo projeto Negraeva, destacada por todos os sujeitos entrevistados, sentiam-se motivados a subverter e transgredir o curr&iacute;culo oficial. Neste sentido, destacamos o terceiro fragmento de entrevista, que nos ajuda a entender como o curr&iacute;culo, al&eacute;m de legitimar identidades, pode tamb&eacute;m, ainda que de forma n&atilde;o intencional e planejada, contribuir para produzir outras identidades:           <blockquote>       <p>Uma coisa que eu senti quando eu comecei a fazer o curso.Tinha eu e mais      duas negras no meu curso. Ent&atilde;o eu senti que no come&ccedil;o tinha      uma press&atilde;o assim, de ver o lado sexual. A&iacute; entrou um pouco      da discrimina&ccedil;&atilde;o, porque voc&ecirc; &eacute; mulher, voc&ecirc;      &eacute; negra. N&atilde;o sei se pelo fato de voc&ecirc; chamar a aten&ccedil;&atilde;o      ou n&atilde;o, muitas pessoas come&ccedil;aram a ficar em cima, muitos rapazes      da minha sala. Eu estava solteira na &eacute;poca.Tinha um filho, mas n&atilde;o      estava casada. A&iacute; depois eu casei, mas me afastei um pouco da turma.      S&oacute; que a&iacute; eu senti uma discrimina&ccedil;&atilde;o, por voc&ecirc;      ser negra, mulher os homens olham voc&ecirc; diferente, eles come&ccedil;am      a achar que voc&ecirc; &eacute; muito f&aacute;cil, que voc&ecirc; est&aacute;      dispon&iacute;vel, que pode falar o que quiser. A&iacute; eu tive uma postura      radical, eu quero respeito, eu sou uma mulher casada. Mas n&atilde;o que antes      eu tivesse alguma coisa. [...] A mulher, a sexualidade, isso &eacute; uma      coisa que ainda pega. Se voc&ecirc; n&atilde;o souber se impor, n&atilde;o      mostrar que voc&ecirc; &eacute; inteligente, mostrar que voc&ecirc; n&atilde;o      &eacute; brincadeira, que voc&ecirc; n&atilde;o est&aacute; ali servindo de      objeto sexual, voc&ecirc; tem que saber se impor. (Acad&ecirc;mica Lia). </p> </blockquote>     <p>Este fragmento nos remete a Hall (2003), quando destaca que as formas de discrimina&ccedil;&atilde;o    n&atilde;o s&atilde;o as mesmas, dependem dos contextos, e, muitas vezes, articulam-se    e combinam-se diferentes formas (no caso, ra&ccedil;a, g&ecirc;nero, idade),    posicionando os sujeitos. Para Hall (1997), na constru&ccedil;&atilde;o das    identidades e no posicionamento dos sujeitos h&aacute; uma articula&ccedil;&atilde;o    entre diferentes dimens&otilde;es de tal forma que cada uma &eacute; constitutiva    das outras, e vice-versa. Elas s&atilde;o, ao mesmo tempo, limites e possibilidade    tanto para si quanto para as demais. Uma n&atilde;o funciona ou n&atilde;o tem    efeitos reais sem as outras. Lembramos novamente que os efeitos aqui referidos    n&atilde;o s&atilde;o os da l&oacute;gica moderna, segundo a qual &ldquo;se,    logo&rdquo;, mas s&atilde;o efeitos que ocorrem de forma ambivalente e imprevis&iacute;vel.    As dimens&otilde;es &ldquo;[...] se constituem mutuamente &ndash; o que &eacute;    outra maneira de dizer que se articulam um ao outro&rdquo; (Hall, 1997:. 34).Assim,    o racismo narrado pela acad&ecirc;mica Lia &eacute; fruto de uma articula&ccedil;&atilde;o    de diferentes elementos. Ela &eacute; negra (elemento racial). Isso se articula    ao fato de ser mulher, m&atilde;e solteira (elemento de g&ecirc;nero, e Santos    [1997] nos lembra que o estere&oacute;tipo da mulher negra &eacute; que ela    &eacute; hipersexualizada), com a quest&atilde;o da idade (ela &eacute; jovem)    e situa-se num contexto espec&iacute;fico (sala de aula, num curso marcadamente    masculino). Com isso, n&atilde;o estamos descentrando a quest&atilde;o racial,    apenas mostrando que a pr&aacute;tica racista emerge em contextos espec&iacute;ficos,    com efeitos diferentes, dependendo das caracter&iacute;sticas dos sujeitos e    do seu entorno. Segundo Hall (2003: 327), facilmente somos      <blockquote>       <p>[...] persuadidos a aceitar a opini&atilde;o enganosa de que, por ser em      toda a parte considerado uma pr&aacute;tica profundamente anti-humana e anti-social,      o racismo &eacute; igual em todas as situa&ccedil;&otilde;es &ndash; seja      em suas formas, suas rela&ccedil;&otilde;es com as outras estruturas e processos      ou em seus efeitos. </p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&Eacute; preciso considerar as formas espec&iacute;ficas de racismo, pois, se o considerarmos como &ldquo;igual em todas as situa&ccedil;&otilde;es&rdquo;, somos facilmente levados a acreditar que, de alguma forma, todos s&atilde;o v&iacute;timas de processos discriminat&oacute;rios e, neste caso, eles passam a ser vistos como pr&aacute;ticas &ldquo;naturais&rdquo;. Queremos destacar ainda que a fala da acad&ecirc;mica Lia demonstra que ela foi subvertendo a l&oacute;gica do curr&iacute;culo, resistindo &agrave; posi&ccedil;&atilde;o de sujeito que o curr&iacute;culo lhe reservava. Neste sentido, queremos registrar que tanto ela como os demais sujeitos entrevistados tiveram essa postura e, segundo eles, encontraram no apoio do grupo do projeto, da fam&iacute;lia e da comunidade Negraeva a for&ccedil;a para transgredirem a l&oacute;gica imposta pelos curr&iacute;culos oficiais.           <p>Ao finalizarmos este texto, queremos reiterar que o curr&iacute;culo, como    &ldquo;arena de significados&rdquo;, apesar de continuar centrado na vis&atilde;o    hegem&ocirc;nica, est&aacute; sendo ressignificado pela presen&ccedil;a de sujeitos    diferentes, que, ao ocuparem politicamente estes tempos/espa&ccedil;os, v&atilde;o    forjando outras identidades. Neste processo, como nos lembram os autores citados    neste trabalho, as identidades s&atilde;o ressignificadas, tanto as negras quanto    as n&atilde;o-negras.A presen&ccedil;a dos sujeitos negros na universidade,    subvertendo e transgredindo o curr&iacute;culo, contribui para compreendermos    que a &ldquo;[...] &eacute;poca de &lsquo;assimilar&rsquo; as minorias em no&ccedil;&otilde;es    hol&iacute;sticas e org&acirc;nicas de valor cultural j&aacute; passou&rdquo;    (Bhabha, 2001: 245) e que faz sentido alimentar a &ldquo;[...] cren&ccedil;a    de que n&atilde;o devemos simplesmente mudar as narrativas de nossas hist&oacute;rias,    mas transformar nossa no&ccedil;&atilde;o do que significa viver, do que significa    ser, em outros tempos e espa&ccedil;os diferentes, tanto humanos como hist&oacute;ricos&rdquo;    (idem: 352).      <p>&nbsp;      <p><b>Notas      </b>               <p><Sup><a name="2" id="2"></a><a href="#top2">1</a> </Sup>Vers&atilde;o revisada    do texto apresentado oralmente no XIV ENDIPE, Porto Alegre - Brasil, 2008.      <p>&nbsp;      <p><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;&#64257;cas  </b>     <p>Apple, M.W. (2000). <I>Pol&iacute;tica cultural e educa&ccedil;&atilde;o</I>. S&atilde;o Paulo: Cortez</B>.    <p>Bhabha, H. (2001). <I>O local da cultura</I>. Belo Horizonte: UFMG.      <p>Candau,V. M. (2006). O/a educador/a como agente cultural. In:A. R. C. Lopes; E. F. de Macedo &amp; M. P. C.Alves        (Orgs.). <I>Cultura e pol&iacute;tica de curr&iacute;culo</I> (pp. 35-52). Araraquara: Junqueira e Marin.      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Costa, M.V. (1999). Curr&iacute;culo e pol&iacute;tica cultural. In: M.V. Costa (Org.). <I>O curr&iacute;culo nos limiares do contempor&acirc;neo</I> (pp. 37-68). Rio de Janeiro: DP&amp;A.     <p>Costa, M.V. (2000). M&iacute;dia, magist&eacute;rio e pol&iacute;tica cultural. In: M. Costa (Org.). <I>Estudos Culturais em educa&ccedil;&atilde;o: m&iacute;dia, arquitetura, brinquedo, biologia, literatura, cinema</I>... (pp. 37-92) Porto Alegre: UFRGS.       <p>Gomes, N. L. (2007). Diversidade &eacute;tnico-racial e educa&ccedil;&atilde;o no contexto brasileiro: algumas re&#64258;ex&otilde;es. In: N. L. Gomes (Org.). <I>Um olhar al&eacute;m das fronteiras: educa&ccedil;&atilde;o e rela&ccedil;&otilde;es raciais</I> (pp. 97-109). Belo Horizonte: Aut&ecirc;ntica.      <p>Hall, S. (2003). <I>Da di&aacute;spora: identidades e media&ccedil;&otilde;es culturais</I>. Belo Horizonte: UFMG.      <!-- ref --><p>Hall, S. (1997).A centralidade da cultura: notas sobre as revolu&ccedil;&otilde;es culturais do nosso tempo. <I>Revista Educa&ccedil;&atilde;o e Realidade</I>, 22 (2), 15-46.       &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000067&pid=S1645-7250201000010001000001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Meyer, D. E. E. (1998).Alguns s&atilde;o mais iguais que os outros: etnia, ra&ccedil;a e na&ccedil;&atilde;o em a&ccedil;&atilde;o no curr&iacute;culo escolar. In L. H. da Silva (Org.). <I>A escola cidad&atilde; no contexto da globaliza&ccedil;&atilde;o</I> (pp. 369-380). Petr&oacute;polis:Vozes.      <p>Munanga, K. (1999). <I>Rediscutindo a mesti&ccedil;agem no Brasil: identidade nacional versus identidade negra</I>. Petr&oacute;polis: Vozes.      <p>Queiroz, D. M. (2004). O negro, seu acesso ao ensino superior e as a&ccedil;&otilde;es a&#64257;rmativas no Brasil. In J. Bernardino &amp; D. Galdino (Orgs.). <I>Levando ra&ccedil;a a s&eacute;rio: a&ccedil;&atilde;o a</I><I>&#64257;</I><I>rmativa e universidade</I> (pp. 71-84). Rio de Janeiro: DP&amp;A.      <p>Santos. L. H. S (1997).&ldquo;Um preto mais clarinho...&rdquo; ou dos discursos que se dobram nos corpos produzindo o que somos. <I>Educa&ccedil;&atilde;o e Realidade</I>, 22 (2), 8-115. Silva,T.T. (1995). Curr&iacute;culo e identidade social: territ&oacute;rios contestados. In T.T da Silva (Org.). <I>Alien&iacute;genas na </I><I>sala de aula: uma introdu&ccedil;&atilde;o aos estudos culturais em educa&ccedil;&atilde;o</I> (pp. 190-207). Petr&oacute;polis:Vozes.      <p>Silva, T. T. (2004). <I>Documentos de identidade: uma introdu&ccedil;&atilde;o &agrave;s teorias do curr&iacute;culo</I>. Belo Horizonte:Aut&ecirc;ntica.      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Silva, T. T. (1996).<I> Identidades terminais: as transforma&ccedil;&otilde;es na pol&iacute;tica da pedagogia e na pedagogia da pol&iacute;tica</I>. Petr&oacute;polis: Vozes.      <p>Silveira, R. M. H. (2002). A entrevista na pesquisa em educa&ccedil;&atilde;o: uma arena de signi&#64257;cados. In M. V. Costa (Org.). <I>Caminhos investigativos II: outros modos de pensar e fazer pesquisa em educa&ccedil;&atilde;o</I> (pp. 119-142). Rio de Janeiro: DP&amp;A.      <p>Skliar, C. (2004).A materialidade da morte e o eufemismo da toler&acirc;ncia: duas faces, dentre as milh&otilde;es de faces, desse monstro (humano) chamado racismo. In S. Gallo &amp; R. M. Souza (Orgs.). <I>Educa&ccedil;&atilde;o do preconceito: </I><I>ensaios sobre poder e resist&ecirc;ncia</I> (pp. 69-90). Campinas:Al&iacute;nea.      <p>Skliar, C. (2003). <I>Pedagogia (improv&aacute;vel) da diferen&ccedil;a: e se o outro n&atilde;o estivesse a&iacute;?</I> Rio de Janeiro: DP&amp;A.      <p>Veiga-Neto, A. (2001). Incluir para excluir. In J. Larrosa &amp; C. Skliar    (Orgs.). <I>Habitantes de Babel: pol&iacute;ticas e </I> <I>poi&eacute;ticas    da diferen&ccedil;a</I> (pp. 105-118). Belo Horizonte:Aut&ecirc;ntica.</p>      ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[Hall]]></surname>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A centralidade da cultura: notas sobre as revoluções culturais do nosso tempo]]></article-title>
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