<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>1645-7250</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Revista Lusófona de Educação]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Rev. Lusófona de Educação]]></abbrev-journal-title>
<issn>1645-7250</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Centro de Estudos e Intervenção em Educação e Formação (CeiEF)Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S1645-72502010000100012</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA["Eu gosto de ser professor e gosto de crianças&#8221; - A escolha pro&#64257;ssional dos homens pela docência na escola primária]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[&#8220;I like to be teacher and I like children&#8221; - the professional choice of men by teaching in elementary school]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Rabelo]]></surname>
<given-names><![CDATA[Amanda Oliveira]]></given-names>
</name>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A">
<institution><![CDATA[,  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>00</month>
<year>2010</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>00</month>
<year>2010</year>
</pub-date>
<numero>15</numero>
<fpage>163</fpage>
<lpage>173</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1645-72502010000100012&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S1645-72502010000100012&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S1645-72502010000100012&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Este artigo faz parte de um estudo comparativo que dá conta de uma busca centrada na figura do professor do sexo masculino que trabalha no ensino público primário do Rio de Janeiro-Brasil e em Aveiro-Portugal. O que se pretende averiguar, fundamentalmente, são os motivos da escolha profissional destes professores que enveredam por uma área tipicamente associada com o feminino. Apontamos que a presença de professores do sexo masculino na docência deste segmento é uma forma de inserir as questões de gênero na educação, mostrando que existem outras vozes que ecoam nas escolas, ou seja, indivíduos capazes de exercer esta profissão independente do seu sexo. Demonstramos que, diferentemente do que divulgam algumas representações que circulam na sociedade, os homens também gostam de crianças e escolhem a profissão docente por gosto.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper is part of a comparative study a comparative study that performs a search focused on the &#64257;gure of the male teacher who works in the &#8220;primary&#8221; public education in Rio de Janeiro-Brazil and in Aveiro-Portugal. We intended, fundamentally, to investigate the reasons of the professional choice of teachers who are engaged in an area typically associated with women. We demonstrate that the presence of male teachers in the teaching of this segment is a way of putting the issues of gender in the education, showing that there are other voices that echo in the schools, or capable individuals of exercising this profession regardless of gender. We demonstrate that, unlike that disclose some representations that circulate in society, men like of children and choose the teaching profession by taste.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[professores do sexo masculino]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[gênero]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[escolha profissional]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Teachers men]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Gender]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[professional choice]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p><b>&quot;Eu gosto de ser professor e gosto de crian&ccedil;as&rdquo; - A escolha    pro&#64257;ssional dos homens pela doc&ecirc;ncia na escola prim&aacute;ria    </b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Amanda Oliveira Rabelo</b></p>     <p> Doutora em Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o pela Universidade de Aveiro.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Resumo</b></p>     <p>Este artigo faz parte de um estudo comparativo que d&aacute; conta de uma busca centrada na figura do professor do sexo masculino que trabalha no ensino p&uacute;blico prim&aacute;rio do Rio de Janeiro-Brasil e em Aveiro-Portugal. O que se pretende averiguar, fundamentalmente, s&atilde;o os motivos da escolha profissional destes professores que enveredam por uma &aacute;rea tipicamente associada com o feminino. Apontamos que a presen&ccedil;a de professores do sexo masculino na doc&ecirc;ncia deste segmento &eacute; uma forma de inserir as quest&otilde;es de g&ecirc;nero na educa&ccedil;&atilde;o, mostrando que existem outras vozes que ecoam nas escolas, ou seja, indiv&iacute;duos capazes de exercer esta profiss&atilde;o independente do seu sexo. Demonstramos que, diferentemente do que divulgam algumas representa&ccedil;&otilde;es que circulam na sociedade, os homens tamb&eacute;m gostam de crian&ccedil;as e escolhem a profiss&atilde;o docente por gosto. </p>     <p><b>Palavras-Chave</b>: professores do sexo masculino; g&ecirc;nero; escolha profissional.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>&ldquo;I like to be teacher and I like children&rdquo; - the professional    choice of men by teaching in elementary school</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Abstract</b></p>     <p>This paper is part of a comparative study a comparative study that performs a search focused on the &#64257;gure of the male teacher who works in the &ldquo;primary&rdquo; public education in Rio de Janeiro-Brazil and in Aveiro-Portugal. We intended, fundamentally, to investigate the reasons of the professional choice of teachers who are engaged in an area typically associated with women. We demonstrate that the presence of male teachers in the teaching of this segment is a way of putting the issues of gender in the education, showing that there are other voices that echo in the schools, or capable individuals of exercising this profession regardless of gender. We demonstrate that, unlike that disclose some representations that circulate in society, men like of children and choose the teaching profession by taste.</p>     <p><b>Keywords</b>: Teachers men; Gender; professional choice. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1. Introdu&ccedil;&atilde;o </b></p>     <p>A feminiza&ccedil;&atilde;o do magist&eacute;rio envolveu v&aacute;rias representa&ccedil;&otilde;es associadas aos &ldquo;atributos ditos femininos&rdquo; que eram necess&aacute;rios para a doc&ecirc;ncia no ensino prim&aacute;rio, assim como discursos que tentavam promover o afastamento dos homens do magist&eacute;rio. Estas representa&ccedil;&otilde;es, entre outros fatores, exercem/exerceram grande influ&ecirc;ncia na escolha profissional e, como Fonseca (2007) refere, apesar dos avan&ccedil;os, hoje os encaminhamentos profissionais continuam generizados. </p>     <p>Contudo, ainda que os pais (e outros respons&aacute;veis) ensinem os filhos a optar e operar em um sistema de regras e a perseguir um conjunto de objetivos, de acordo com as regras dos grupos a que pertencem, mantendo a coes&atilde;o deste; ressaltamos que a exist&ecirc;ncia de outras inten&ccedil;&otilde;es pode modificar as regras dos grupos/ sociais. Como Almeida (1998, p. 175) indica &ldquo;existe uma liberdade de escolha que concerne a todo ser humano e que o faz tra&ccedil;ar seu pr&oacute;prio caminho, que, muitas vezes, &eacute; diferente daquilo que dele se espera&rdquo;. Ou seja, existem homens que escolhem o magist&eacute;rio (assim como existem muitas mulheres que n&atilde;o optaram por profiss&otilde;es &ldquo;ditas femininas&rdquo;), mesmo com todas estas influ&ecirc;ncias sociais contr&aacute;rias a esta op&ccedil;&atilde;o. Qual o motivo que os levaria, ent&atilde;o, a esta escolha t&atilde;o at&iacute;pica? </p>     <p>Neste trabalho <Sup><a name="top2"></a><a href="#2">1</a></Sup> analisamos    a justificativa de escolha profissional dos professores do sexo masculino que    trabalham nas escolas p&uacute;blicas prim&aacute;rias <Sup><a name="top3"></a><a href="#3">2</a></Sup>    do Rio de Janeiro-Brasil (RJ-BR) e em Aveiro-Portugal (AV-PT), a partir de question&aacute;rios    que efetuamos com os mesmos <Sup><a name="top4"></a><a href="#4">3</a></Sup>.    Assinalamos que as representa&ccedil;&otilde;es associadas aos &ldquo;atributos    ditos femininos&rdquo;, assim como outros fatores (como baixo estatuto financeiro    e social), exercem/exerceram grande influ&ecirc;ncia na escolha profissional    dos professores inqueridos, que se enveredam por tal &aacute;rea t&atilde;o    feminizada, dado que a percentagem de professoras prim&aacute;rias &eacute;    alt&iacute;ssima e a de professores prim&aacute;rios muito baixa. </p>     <p>A metodologia que utilizamos para abarcar os nossos objetivos foi elaborada a nossa metodologia a partir de um conjunto dos processos. Ou seja, n&atilde;o separamos os enfoques de investiga&ccedil;&atilde;o quantitativos e qualitativos, ao contr&aacute;rio, de acordo com a proposta de Sampieri, Collado e Lucio (2006), preferimos um modelo multimodal e misto de investiga&ccedil;&atilde;o que converge tais enfoques aproveitando as suas vantagens. A abordagem qualitativa e narrativa serviu para obter uma maior profundidade dos dados, e o m&eacute;todo quantitativo possibilitou obter tamb&eacute;m dados mais gerais sobre a tem&aacute;tica. </p>     <p>Aproveitamos para explicar que este recorte espacial foi tomado e escolhido como ponto central de discuss&otilde;es e compara&ccedil;&otilde;es com o intuito de captar diferen&ccedil;as e semelhan&ccedil;as entre estes dois locais, nunca esquecendo da influ&ecirc;ncia da coloniza&ccedil;&atilde;o portuguesa sobre a cultura e a escola brasileira, mas tamb&eacute;m destacando as caracter&iacute;sticas locais como forma de perceber que caminhos diferentes podem ser tra&ccedil;ados e que estes dependem dos v&aacute;rios condicionantes a que se s&atilde;o submetidos. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Defendemos que para entender o magist&eacute;rio como uma profiss&atilde;o &eacute; preciso perceber que n&atilde;o &eacute; necess&aacute;rio somente &ldquo;o cuidado de crian&ccedil;as&rdquo; (associado aos atributos considerados &ldquo;maternais&rdquo;), mas muita dedica&ccedil;&atilde;o, comprometimento, compet&ecirc;ncia, profissionalismo e conhecimento. Como a escola, e o professor, influenciam em uma das primeiras socializa&ccedil;&otilde;es do indiv&iacute;duo, &eacute; preciso instigar uma revis&atilde;o dos estere&oacute;tipos e representa&ccedil;&otilde;es de g&ecirc;nero dos professores para que estes n&atilde;o sejam transmitidos e absorvidos pelos alunos. </p>     <p>Ao analisar os motivos da escolha profissional do homem pelo magist&eacute;rio    prim&aacute;rio encontramos algumas particularidades desta investiga&ccedil;&atilde;o,    pois ao inv&eacute;s de serem mais influenciados por aspectos &ldquo;extr&iacute;nsecos&rdquo;    &agrave; profiss&atilde;o (como falta de op&ccedil;&atilde;o, empregabilidade,    melhor op&ccedil;&atilde;o acess&iacute;vel, estabilidade, acesso mais r&aacute;pido    ao mercado de trabalho, entre outras), a maioria dos professores que inquerimos    e entrevistamos (tanto em AV-PT quanto no RJ-BR) tiveram uma maior motiva&ccedil;&atilde;o    por fatores &ldquo;intr&iacute;nsecos&rdquo; &agrave; profiss&atilde;o (como    gosto pela profiss&atilde;o, por ensinar, por querer mudar o mundo, por gostar    de crian&ccedil;as, entre outras)<Sup><a name="top5"></a><a href="#5">4</a></Sup>,    o que contraria algumas refer&ecirc;ncias acad&ecirc;micas sobre o assunto,    assim como as representa&ccedil;&otilde;es que circulam na sociedade de que    os homens n&atilde;o gostam e n&atilde;o t&ecirc;m aptid&atilde;o para lidar    com crian&ccedil;as. </p>     <p>As narrativas dos nossos entrevistados, assim como as quest&otilde;es abertas respondidas pelos nossos inquiridos, demonstraram que os homens gostam de lidar com crian&ccedil;as e que a maioria escolheu esta profiss&atilde;o por gosto e n&atilde;o porque esta foi a melhor op&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel. Mesmo assim eles levam em conta a viabilidade da profiss&atilde;o, o que demarca que os professores n&atilde;o est&atilde;o alheios &agrave;s vicissitudes da vida e que as motiva&ccedil;&otilde;es est&atilde;o interligadas, n&atilde;o sendo poss&iacute;vel separ&aacute;-las. </p>     <p>No entanto, alguns professores que optaram pela doc&ecirc;ncia por motivos extr&iacute;nsecos &agrave; mesma, depois passaram a gostar da profiss&atilde;o, o que tamb&eacute;m pode indicar que os professores romperam as suas pr&oacute;prias representa&ccedil;&otilde;es de que o homem n&atilde;o &eacute; capaz de ensinar a crian&ccedil;as, por n&atilde;o ter os &ldquo;dons maternos naturais&rdquo;. O problema maior est&aacute; nos professores que n&atilde;o passaram a gostar da profiss&atilde;o, pois, como afirma Paulo Freire (1997), para ser professor &eacute; preciso gostar do que faz, at&eacute; porque ressaltamos que o mal-estar docente pode levar &agrave; perda de qualidade na educa&ccedil;&atilde;o (conforme afirma Esteve, 1992). Por isso &eacute; importante que os professores escolham a profiss&atilde;o por quest&otilde;es intr&iacute;nsecas, o que &eacute; facilitado pela divulga&ccedil;&atilde;o e informa&ccedil;&atilde;o correta aos estudantes sobre a profiss&atilde;o e tamb&eacute;m pela revaloriza&ccedil;&atilde;o da mesma (como indicam as refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas sobre malestar docente). </p>     <p>Os dados quantitativos que coletamos permite inferir algumas observa&ccedil;&otilde;es    importantes para a compreens&atilde;o das motiva&ccedil;&otilde;es para a escolha    profissional destes professores. Inicialmente que os fatores intr&iacute;nsecos    foram os mais citados: <b>O gosto pela profiss&atilde;o</b></B> aparece com    maior freq&uuml;&ecirc;ncia nas respostas, ou seja, <b>a maioria destes professores    escolheu a profiss&atilde;o porque gosta da mesma </b></B>(78,3% dos portugueses    e 80,5% dos brasileiros). O segundo valor mais elevado (58,3% dos portugueses    e 57% dos brasileiros) encaminha para uma &ldquo;descoberta&rdquo;: <b>homem    tamb&eacute;m gosta de crian&ccedil;as</B></b> (e porque n&atilde;o?). Isto    significa que n&atilde;o s&oacute; as mulheres s&atilde;o motivadas pelo &ldquo;gostar    de crian&ccedil;as&rdquo; na sua escolha profissional, mas tamb&eacute;m os    homens. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2. A escolha por gosto pela profiss&atilde;o </b></p>     <p>Como j&aacute; referimos, a grande maioria dos professores inquiridos na nossa investiga&ccedil;&atilde;o marcaram que escolheram a doc&ecirc;ncia por gostar da profiss&atilde;o. Nas justificativas presentes nos question&aacute;rios este apre&ccedil;o relaciona-se com v&aacute;rios aspectos, como destacamos anteriormente e conforme explica Gon&ccedil;alves (2000, p. 303) que esta deve-se uma certa tradi&ccedil;&atilde;o s&oacute;cio-cultural e a um senso comum que se traduzem na express&atilde;o popular do &ldquo;ter nascido para&rdquo;, a que se junta, no caso da profiss&atilde;o docente, a id&eacute;ia de presta&ccedil;&atilde;o de um servi&ccedil;o &lsquo;pessoal&rsquo; e &lsquo;humanit&aacute;rio&rsquo;, que pressup&otilde;e entrega e sacrif&iacute;cio. </p>     <p>Entretanto, por vezes descreve-se somente o gosto pela profiss&atilde;o para    a escolha da profiss&atilde;o. Nestes casos, v&aacute;rias justificativas s&atilde;o    destacadas para tal op&ccedil;&atilde;o.A import&acirc;ncia da profiss&atilde;o    docente &eacute; um aspecto ressaltado em algumas respostas, o que demonstra    que a vis&atilde;o id&iacute;lica da sociedade e da institui&ccedil;&atilde;o    escolar que N&oacute;voa (1988) descreve como divulgadas principalmente a partir    do in&iacute;cio do s&eacute;culo XX, ainda fazem parte do discurso dos professores    e ainda levam muitas pessoas a escolher esta profiss&atilde;o. </p>     <p>Nos inqu&eacute;ritos o &ldquo;gosto pela profiss&atilde;o&rdquo; &eacute; relacionado muitas vezes com um &ldquo;gosto por estudar, por ensinar, formar, transmitir e partilhar conhecimentos&rdquo;, al&eacute;m disso o gosto por ensinar e pela profiss&atilde;o aparece nas respostas como sendo inerentes &agrave; profiss&atilde;o. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Catani, Bueno e Sousa (2000) consideram que o gosto pela escola/educa&ccedil;&atilde;o s&atilde;o cruciais para o desenvolvimento das rela&ccedil;&otilde;es positivas ou negativas que posteriormente os alunos passam a estabelecer com o conhecimento e com outros valores relacionados &agrave; atividade docente, o prazer/desprazer pela leitura e escrita, as curiosidades, entre outros. </p>     <p>Como analisa Alves (1997, p. 89), geralmente as pessoas que escolhem a profiss&atilde;o docente por gostar da profiss&atilde;o e considerarem que t&ecirc;m voca&ccedil;&atilde;o para esta s&atilde;o as que possuem uma performance acad&ecirc;mico-secund&aacute;ria mais forte do que as que se enveredam por outras carreiras, por isso &eacute; preciso analisar &ldquo;a raz&atilde;o das aspira&ccedil;&otilde;es pessoais de ingressar na profiss&atilde;o docente, ligadas tradicionalmente pelas teorias inatistas ou do dom, ao problema da motiva&ccedil;&atilde;o interior &ndash; voca&ccedil;&atilde;o para a doc&ecirc;ncia&rdquo;. Neste sentido, &eacute; importante o papel das institui&ccedil;&otilde;es de forma&ccedil;&atilde;o inicial no processo de concretizar a aspira&ccedil;&atilde;o do aluno, esfor&ccedil;ando-se no acompanhamento do aluno, em proporcionar experi&ecirc;ncias agrad&aacute;veis e favorecer a prepara&ccedil;&atilde;o profissional. </p>     <p>Este gosto pela profiss&atilde;o acima de todas as outras poss&iacute;veis motiva&ccedil;&otilde;es, &eacute; predominante entre os nossos inquiridos. Desta forma, o gostar &eacute; destacado n&atilde;o s&oacute; como motivador da escolha profissional, mas como necess&aacute;rio ao exerc&iacute;cio profissional docente (como tamb&eacute;m demonstra Gon&ccedil;alves, 2000). Um &ldquo;gosto&rdquo; que chega a ser considerado como inato ou desde a inf&acirc;ncia. </p>     <p>Tal inatismo apresenta-se muitas vezes no conceito &ldquo;voca&ccedil;&atilde;o&rdquo; expresso nas respostas dos professores. Cruz et al. (1988) apontam que a voca&ccedil;&atilde;o ou escolha inicial pela doc&ecirc;ncia &eacute; apontada pela maioria dos professores em Portugal, independente de religi&atilde;o, estatuto social, segmento de atua&ccedil;&atilde;o, o que faz questionar se estamos em presen&ccedil;a de uma multiplicidade de efeitos espec&iacute;ficos e distintos para tal motiva&ccedil;&atilde;o. </p>     <p>Em primeiro lugar, tudo indica que esta &ldquo;voca&ccedil;&atilde;o&rdquo; n&atilde;o seja necessariamente inata, pois como explica Gon&ccedil;alves (2000) o n&uacute;mero efetivo de voca&ccedil;&otilde;es &eacute; muito menor do que aquele que uma an&aacute;lise mais profunda da problem&aacute;tica vem a revelar, pois pode-se concluir que algumas das voca&ccedil;&otilde;es apontadas pelos professores (que s&atilde;o convictos de que t&ecirc;m as mesmas) n&atilde;o s&atilde;o mais do que resultado de fatores ambientais, extr&iacute;nsecos &agrave; pessoa, e que a levam, com o passar do tempo, a reconsiderar a sua posi&ccedil;&atilde;o. O autor chega a esta conclus&atilde;o porque, no seu estudo longitudinal, algumas entrevistadas que se consideravam sem voca&ccedil;&atilde;o passaram a considerar-se com voca&ccedil;&atilde;o. Portanto, provavelmente estas se auto-motivaram no exerc&iacute;cio profissional, o que comprovam que a voca&ccedil;&atilde;o e a motiva&ccedil;&atilde;o profissional s&atilde;o &ldquo;processos fundamentalmente constru&iacute;dos e que se modificam ao longo da carreira&rdquo;. </p>     <p>Cabe destacar tamb&eacute;m, que a escolha profissional motivada pela voca&ccedil;&atilde;o e pelo amor j&aacute; foi duramente criticada. Schaffrath (2000, p. 15) resume tais cr&iacute;ticas a uma tentativa de desvelar o conceito de voca&ccedil;&atilde;o, admitindo que ele foi utilizado como mecanismo de legitima&ccedil;&atilde;o do preconceito contra o sexo feminino: &ldquo;Trabalhar como professora e se sujeitar a uma baixa remunera&ccedil;&atilde;o fazia parte do perfil vocacional das mulheres&rdquo;. Mas n&atilde;o s&oacute;, pois como afirma M&oacute;nica (1978, p. 211) este conceito tamb&eacute;m foi utilizado pelo Estado Novo como legitima&ccedil;&atilde;o da baixa qualifica&ccedil;&atilde;o dos professores: &ldquo;Ao professor prim&aacute;rio s&oacute; se devia exigir &ldquo;uma natural voca&ccedil;&atilde;o para o ensino.&rdquo; Apetrech&aacute;-lo com uma cultura geral era n&atilde;o apenas sup&eacute;rfluo como nocivo&rdquo;. </p>     <p>Bruschini e Amado (1988) entrela&ccedil;am as duas explica&ccedil;&otilde;es    ao mostrar que a m&iacute;stica do maternalismo extrapola o papel profissional    e dificulta o equacionamento dos problemas da profiss&atilde;o, pois o &ldquo;amor&rdquo;    pode esconder falta de compet&ecirc;ncia t&eacute;cnica e de luta por melhores    condi&ccedil;&otilde;es de trabalho (como tamb&eacute;m destaca Louro, 1989).    Entretanto, as autoras destacam que alguns estudos consideram que o envolvimento    afetivo talvez seja um dos principais fatores para resultados positivos dentro    das precariedades de suas condi&ccedil;&otilde;es de trabalho. Assim, as autoras    concluem ser necess&aacute;rio perceber que o magist&eacute;rio n&atilde;o &eacute;    uma voca&ccedil;&atilde;o ou um &ldquo;chamado&rdquo; feminino, pois esta &eacute;    uma profiss&atilde;o que exige s&oacute;lida forma&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica,    esfor&ccedil;o, dedica&ccedil;&atilde;o, compet&ecirc;ncia e esp&iacute;rito    de classe, que precisa, tamb&eacute;m, de boas condi&ccedil;&otilde;es de trabalho    e remunera&ccedil;&atilde;o compat&iacute;vel. Somente ent&atilde;o &eacute;    poss&iacute;vel enfrentar a rela&ccedil;&atilde;o com os alunos com afeto, mas    sem o disfarce do amor e pleiteando sal&aacute;rios mais justos, atrav&eacute;s    de sua participa&ccedil;&atilde;o em seu &oacute;rg&atilde;o de classe. </p>     <p>Manuel Sarmento (2000, pp. 214-220) tamb&eacute;m analisa o conceito neste sentido, para ele uma das representa&ccedil;&otilde;es  constru&iacute;das sobre os professores prim&aacute;rios que integram dominantemente o discurso pol&iacute;tico sobre os professores e as escolas, &eacute; a &ldquo;met&aacute;fora mission&aacute;ria&rdquo; (que aparece mais em Portugal durante o Estado Novo e no per&iacute;odo de normaliza&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica, mas n&atilde;o somente nestes per&iacute;odos). Esta representa&ccedil;&atilde;o centra a a&ccedil;&atilde;o educativa nas qualidades morais do desempenho do professor, nos valores individuais e na ordem moral.A profiss&atilde;o &eacute; considerada um servi&ccedil;o a que se adere por &ldquo;voca&ccedil;&atilde;o&rdquo;, cujos ganhos s&atilde;o de natureza espiritual, assim a &ldquo;gratifica&ccedil;&atilde;o moral do trabalho que realiza &eacute; considerada como o mais justo pr&ecirc;mio a que pode aspirar&rdquo;. Tal met&aacute;fora &eacute; geralmente acompanhada de modos de desqualifica&ccedil;&atilde;o profissional e de proletariza&ccedil;&atilde;o, como na diminui&ccedil;&atilde;o do sal&aacute;rio e na atribui&ccedil;&atilde;o de um estatuto id&ecirc;ntico ao dos assalariados menos qualificados. No entanto, tal desvaloriza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o significa que n&atilde;o haja discursivamente uma sobrevaloriza&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica do trabalho educativo, simplesmente se o professor &eacute; um mission&aacute;rio ou ap&oacute;stolo sua recompensa n&atilde;o &eacute; &ldquo;terrena&rdquo; (que poderia at&eacute; significar perdi&ccedil;&atilde;o), &eacute; no Reino dos C&eacute;us, ou seja, a valoriza&ccedil;&atilde;o social (simb&oacute;lica) da profiss&atilde;o &eacute; associada com a tutela moral redutora da autonomia e na amea&ccedil;a impl&iacute;cita. </p>     <p>Assim, Alves (1997, p. 91) pontua que &eacute; excessivo falar de &ldquo;voca&ccedil;&atilde;o docente&rdquo;, como se ouve freq&uuml;entemente (com o tom metaf&oacute;rico-religioso associado a este conceito), pois quando entra na profiss&atilde;o docente, n&atilde;o se entra em uma religi&atilde;o e pode-se continuar a levar uma vida absolutamente normal. Mas, em contrapartida, &eacute; necess&aacute;rio possuir uma f&eacute; suficiente, uma cren&ccedil;a no que se vai fazer. </p>     <p>Jesus (2002, pp. 33-34) destaca ser importante compreender que  o estere&oacute;tipo de se considerar que &eacute; o esp&iacute;rito de miss&atilde;o deve estar na base da escolha da profiss&atilde;o docente e n&atilde;o o sal&aacute;rio (at&eacute; porque a voca&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica foi por muito tempo associada a uma voca&ccedil;&atilde;o sacerdotal), pode ser um dos fatores (dentre outros) da baixa remunera&ccedil;&atilde;o da profiss&atilde;o, pois as profiss&otilde;es para os quais &eacute; considerado necess&aacute;rio ter um &ldquo;esp&iacute;rito de miss&atilde;o&rdquo; s&atilde;o normalmente mal remuneradas. No entanto tamb&eacute;m questiona se &ldquo;ser&aacute; imposs&iacute;vel conciliar o desempenho da profiss&atilde;o docente, de forma motivada e com esp&iacute;rito de miss&atilde;o, com o reconhecimento deste esfor&ccedil;o, nomeadamente atrav&eacute;s de uma remunera&ccedil;&atilde;o mais justa&rdquo;. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Martins (1991, pp. 86-87) faz outra cr&iacute;tica ao conceito de voca&ccedil;&atilde;o, o autor explica que a necessidade de resolver situa&ccedil;&otilde;es disfuncionais na educa&ccedil;&atilde;o e no mercado de trabalho &ldquo;t&ecirc;m levado a que a orienta&ccedil;&atilde;o se fa&ccedil;a no sentido de impor ao indiv&iacute;duo determinados caminhos de acordo com as necessidades da sociedade ou mais particularmente dos empregadores&rdquo;, em um  processo onde os estudantes adquirem um conhecimento de qual a sua situa&ccedil;&atilde;o real face ao sistema poss&iacute;vel das escolhas (e de emprego), ou seja, visa que o jovem se conhe&ccedil;a, que conhe&ccedil;a o sistema de possibilidades existentes (onde os cursos desprestigiantes s&atilde;o exaltados como f&aacute;ceis de conseguir emprego e a sua funcionalidade), os constrangimentos exteriores e que este aprenda a tomar decis&otilde;es. Neste processo, uma outra situa&ccedil;&atilde;o comum &eacute; a defini&ccedil;&atilde;o de &ldquo;voca&ccedil;&otilde;es individuais&rdquo; e lhes fazer corresponder uma determinada posi&ccedil;&atilde;o social. Ou seja, estes cursos a que se associa a necessidade de voca&ccedil;&atilde;o s&atilde;o os cursos de menor estatuto social, para tanto a &ldquo;voca&ccedil;&atilde;o&rdquo; aparece como um discurso para direcionar jovens aos cursos adequados &agrave; sua posi&ccedil;&atilde;o social, visando que existam profissionais para tais profiss&otilde;es. </p>     <p>Contudo, concordamos tamb&eacute;m com Almeida (1998, pp. 83-84) que defende    que a cr&iacute;tica em torno da voca&ccedil;&atilde;o e do amor precisa ser    repensada para n&atilde;o impor ao magist&eacute;rio o jogo da opress&atilde;o    e da discrimina&ccedil;&atilde;o sexual, para levar em considera&ccedil;&atilde;o    n&atilde;o mais o sujeito universal, assexuado, passivo e &uacute;nico, mas    &ldquo;redescobrir o detalhe, a nota dissonante, a pluralidade das estruturas    sociais e atores que nela transitam&rdquo;.Ao criticar e desqualificar a escolha    por voca&ccedil;&atilde;o, atribui-se ao docente pap&eacute;is de passividade    receptiva a motiva&ccedil;&otilde;es extr&iacute;nsecas e ignora-se a poss&iacute;vel    verdade que possa estar escondida no discurso afetivo, ignora-se a/o professor/a    como sujeito hist&oacute;rico regulador do seu destino, que efetua escolhas    determinadas pela concretude da sua exist&ecirc;ncia e pelos seus desejo pessoais.  </p>     <p>Enfim, &eacute; preciso ter amor e aptid&atilde;o pela doc&ecirc;ncia, mas    &eacute; indispens&aacute;vel que os professores sejam conscientes das constru&ccedil;&otilde;es    sociais sobre as representa&ccedil;&otilde;es de voca&ccedil;&atilde;o e amor    pela doc&ecirc;ncia: que elas n&atilde;o s&atilde;o inatas e podem ser constru&iacute;das;    da associa&ccedil;&atilde;o destas com a desvaloriza&ccedil;&atilde;o financeira    e acad&ecirc;mica da profiss&atilde;o; da integra&ccedil;&atilde;o desta com    a feminiza&ccedil;&atilde;o/afastamento dos homens desta profiss&atilde;o (baseada    na falta de aptid&atilde;o destes); na manuten&ccedil;&atilde;o das posi&ccedil;&otilde;es    sociais. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>3. Homem tamb&eacute;m gosta de crian&ccedil;as! Por que n&atilde;o? </b></p>     <p>O gosto por crian&ccedil;as &eacute; a raz&atilde;o de escolha profissional do homem pela doc&ecirc;ncia que aparece em segundo lugar nos inqu&eacute;ritos. Este dado nos permite verificar que esta n&atilde;o &eacute; uma das &uacute;ltimas motiva&ccedil;&otilde;es do homem para escolher a doc&ecirc;ncia, ao contr&aacute;rio, diferentemente do que divulgam algumas representa&ccedil;&otilde;es que circulam na sociedade, os homens tamb&eacute;m gostam de crian&ccedil;as e querem lidar com elas no seu exerc&iacute;cio profissional. </p>     <p>Geralmente associada com o gosto pela profiss&atilde;o ou com a possibilidade de transforma&ccedil;&atilde;o, as respostas dos nossos inquiridos mostram que muitos deles consideram o &ldquo;gostar de crian&ccedil;a&rdquo; como estritamente necess&aacute;rio para o exerc&iacute;cio da doc&ecirc;ncia. Mesmo, na maioria das vezes, relacionando este &ldquo;gostar&rdquo; com outros aspectos, ele n&atilde;o deixa de ser imprescind&iacute;vel e um dos principais fatores que motivam esta op&ccedil;&atilde;o profissional. Como dizia Paulo Freire (1997, p. 18) &ldquo;n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel ser professora sem amar os alunos &ndash; mesmo que amar, s&oacute;, n&atilde;o baste &ndash; e sem gostar do que se faz&rdquo;. </p>     <p>Os inquiridos destacam a sua facilidade para lidar e comunicar com crian&ccedil;as, a possibilidade de maior transforma&ccedil;&atilde;o social pela atua&ccedil;&atilde;o com crian&ccedil;as (que s&atilde;o o futuro da sociedade), e algumas caracter&iacute;sticas das crian&ccedil;as que s&atilde;o veneradas, como sinceridade, espontaneidade, energia, alegria, enriquecedoras (aprende-se com elas todos os dias), desafiadoras, abertas, motivadoras... No entanto, o gosto por crian&ccedil;as tamb&eacute;m &eacute; associado &agrave;s vicissitudes da vida e influ&ecirc;ncias de outras pessoas na sua opini&atilde;o. </p>     <p>H&aacute; muitas cr&iacute;ticas em torno dos discursos docentes quando se referem &agrave; dimens&atilde;o afetiva do trabalho do/a professor/a (principalmente da professora). Almeida (1998, pp. 206-207)  questiona &ldquo;Que qualidade &eacute; essa que se exige para a educa&ccedil;&atilde;o escolar, sem levar em considera&ccedil;&atilde;o que esta &eacute; desenvolvida por seres humanos, num processo interativo do qual n&atilde;o poderiam eximir-se os sentimentos, os afetos, as escolhas ditadas pelo desejo?&rdquo;. O discurso afetivo &eacute; acusado de desvalorizar o magist&eacute;rio, mas como j&aacute; demonstramos anteriormente, ele j&aacute; era desvalorizado antes destas representa&ccedil;&otilde;es circularem. </p>     <p>No entanto, destacamos que n&atilde;o basta gostar de crian&ccedil;a para estar apto a lecionar. Pontuamos que talvez esse olhar ing&ecirc;nuo fa&ccedil;a com que a profiss&atilde;o seja t&atilde;o desvalorizada, n&atilde;o s&oacute; aos olhos dos governantes, mas aos olhos dos pais e das m&atilde;es que deixam seus filhos na escola. Ao mesmo tempo, o gostar de crian&ccedil;a e da profiss&atilde;o &eacute; um aspecto importante da profiss&atilde;o docente, embora concluamos que &eacute; necess&aacute;rio muito mais do que isso para um profissional ser &ldquo;bom&rdquo; ou competente no que faz. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Almeida (1998, p. 83) constata, ainda, que ao investigar-se o universo docente normalmente destaca-se os questionamentos feitos acerca das escolhas &ldquo;com o objetivo de desvendar, nas respostas das professoras, o sentido e o significado de conceitos como voca&ccedil;&atilde;o e miss&atilde;o, que aparecem traduzidos tamb&eacute;m, grosso modo, pelo gostar de crian&ccedil;as ou achar importante ser professora&rdquo;. O racioc&iacute;nio desqualificativo passa a ser utilizado &ldquo;ignorando a poss&iacute;vel verdade que possa es-tar escondida no discurso afetivo da professora&rdquo;. Enfim, h&aacute; que se pensar se ao valorizar o afeto, o gosto por crian&ccedil;as, a vontade de ensinar, a solidariedade como atributos essenciais para o exerc&iacute;cio docente &ldquo;h&aacute; que se pensar que o discurso &eacute; real e n&atilde;o fict&iacute;cio, que este vem do seu intimismo como ser humano e ser feminino, e at&eacute; da pr&oacute;pria proje&ccedil;&atilde;o do amor materno&rdquo;. </p>     <p>Apesar deste discurso afetivo ser interligado socialmente ao feminino, principalmente quando se trata de gostar de crian&ccedil;as, acreditar que s&oacute; as mulheres t&ecirc;m um dom maternal e fazem escolhas motivadas por afeto ou por gostar de crian&ccedil;as &eacute; um erro. Como afirma Badinter (1996, p. 96), o amor materno &eacute; um mito, pois este n&atilde;o &eacute; inato na mulher e nem mesmo exclusivo dela: </p>     <blockquote>       <p>A verdade &eacute; completamente diferente. O amor maternal &eacute; infinitamente      complexo e imperfeito. Longe de ser um instinto, &eacute; condicionado por      tantos factores independentes da &ldquo;boa natureza&rdquo; ou da &ldquo;boa      vontade&rdquo; da m&atilde;e, que seria preciso um pequeno milagre para que      esse amor fosse tal como nos tem sido descrito. Depende n&atilde;o s&oacute;      da hist&oacute;ria pessoal de cada mulher [...], mas tamb&eacute;m de muitos      outros factores sociais, culturais, profissionais, etc. </p> </blockquote>     <p>Para a autora (1996, p. 97-98; 237),&ldquo;os homens exercem fun&ccedil;&otilde;es maternais t&atilde;o bem como as mulheres, quando as circunst&acirc;ncias o exigem. O pai &eacute; t&atilde;o sens&iacute;vel, afectuoso e competente quanto a m&atilde;e, sempre que mobiliza a sua feminidade&rdquo;. A autora ainda destaca que a &ldquo;maternagem&rdquo; aprende-se na pr&aacute;tica e que &eacute; preciso que a mulher, aliviada de um instinto m&iacute;tico, aceite partilh&aacute;-la, e que o homem deixe de recear a sua feminidade maternal. </p>     <p>Como Almeida afirma, os &ldquo;homens tamb&eacute;m s&atilde;o professores e cuidam da fam&iacute;lia, por&eacute;m, raramente s&atilde;o descritos nesses afazeres, como se tal fato devesse permanecer oculto&rdquo; (1998, p. 82). Percebemos que os homens que inquerimos exaltam nas suas explica&ccedil;&otilde;es a sua facilidade para lidar com os &ldquo;pequenos&rdquo;: a paci&ecirc;ncia, o amor, a possibilidade de ajud&aacute;-los a crescer e, tamb&eacute;m, de aprender com eles. </p>     <p>Carvalho (1998, p. 9) descreve que alguns dos seus entrevistados (professores prim&aacute;rios do sexo masculino) alegaram raz&otilde;es ideol&oacute;gicas ou religiosas para sua escolha pelo magist&eacute;rio junto a crian&ccedil;as e que eram envolvidos emocionalmente com as crian&ccedil;as, queriam ser uma esp&eacute;cie de &ldquo;paiz&atilde;o da crian&ccedil;ada&rdquo;. Ainda consideraram que o professor deve ter o &ldquo;seu lado maternal muito bem desenvolvido&rdquo;, para dar-se bem junto aos menores, &ldquo;pois a afetividade &eacute; muito importante&rdquo;. Mas esta afetividade, maternidade, gosto e o envolvimento com as crian&ccedil;as (caracter&iacute;sticas que remeteriam ao modelo de feminilidade hegem&ocirc;nico) eram justificadas como parte de suas op&ccedil;&otilde;es ideol&oacute;gicas e dessa forma integradas a sua pr&oacute;pria masculinidade. Eles se apropriavam e defendiam a id&eacute;ia de voca&ccedil;&atilde;o (t&atilde;o associada &agrave; feminiza&ccedil;&atilde;o do magist&eacute;rio), mas, ao mesmo tempo, eles a ressignificavam. Embora continuassem a considerar a rela&ccedil;&atilde;o com crian&ccedil;as como parte da feminilidade, aspectos dessa feminilidade parecem acess&iacute;veis aos homens, dessa forma quebrase &ldquo;de forma inovadora, a superposi&ccedil;&atilde;o que predomina no senso comum entre feminilidade e mulheres, masculinidade e homens e caracter&iacute;sticas femininas s&atilde;o atribu&iacute;das a homens sem que sua masculinidade seja posta em quest&atilde;o&rdquo;. </p>     <p>Como Galbraith (1992) tamb&eacute;m percebeu na sua investiga&ccedil;&atilde;o, que os homens em ocupa&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-tradicionais (enfermeiros e professores prim&aacute;rios), deram mais import&acirc;ncia ao relacionamento na sua carreira, o que evidencia que os homens podem expandir suas op&ccedil;&otilde;es de pap&eacute;is sexuais pela adi&ccedil;&atilde;o de dimens&otilde;es na sua vida que n&atilde;o s&atilde;o vistas como pap&eacute;is tradicionais masculinos em vez de abandonarem sua masculinidade. O autor mostra que se a mulher pode manter sua perspectiva feminina e ter benef&iacute;cios de uma carreira masculina, os homens tamb&eacute;m podem reter sua perspectiva masculina e adicionar dimens&otilde;es dos componentes tradicionalmente femininas &agrave; sua experi&ecirc;ncia ocupacional (como comunica&ccedil;&atilde;o e fatores de relacionamento). </p>     <p>As narrativas e a grande quantidade de respostas nos inqu&eacute;ritos por    question&aacute;rios que recolhemos possibilita analisar que as quest&otilde;es    de g&ecirc;nero t&ecirc;m-se modificado (pelo menos um pouco) na nossa sociedade,    pois os homens demonstram a sua sensibilidade, paci&ecirc;ncia sem medo de serem    estigmatizados. </p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>4. Considera&ccedil;&otilde;es sobre a escolha profissional dos professores </b></p>     <p>Como menciona Jesus (2002, pp. 62-63; 74-77), as motiva&ccedil;&otilde;es mudam: at&eacute; os anos de 1970 a disponibilidade permitida pelo trabalho docente era motivo de escolha da profiss&atilde;o, atualmente j&aacute; n&atilde;o s&atilde;o, ao contr&aacute;rio:&ldquo;s&atilde;o sobretudo factores intr&iacute;nsecos &agrave; actividade docente que mais influenciam a escolha desta profiss&atilde;o, nomeadamente o gostar de ensinar e de contribuir para o desenvolvimento dos alunos&rdquo;.V&aacute;rios autores referem que a maioria dos professores escolhe esta profiss&atilde;o porque esperam obter satisfa&ccedil;&atilde;o a partir dos fatores intr&iacute;nsecos do trabalho; assim, a maior parte das medidas que s&atilde;o identificadas como podendo contribuir para a motiva&ccedil;&atilde;o dos professores s&atilde;o intr&iacute;nsecas &agrave; atividade docente. Mas a &ecirc;nfase nos incentivos intr&iacute;nsecos n&atilde;o significa que os extr&iacute;nsecos n&atilde;o contribuam para o empenhamento dos professores, n&atilde;o se pode analisar estes incentivos de forma descontextualizada ou despersonalizada. </p>     <p>Identificamos na nossa investiga&ccedil;&atilde;o uma preponder&acirc;ncia dos fatores intr&iacute;nsecos como motivadores da escolha da doc&ecirc;ncia prim&aacute;ria pelos homens, pois percebemos que apesar dos homens tamb&eacute;m optarem pela doc&ecirc;ncia por falta de oportunidade ou por ser a melhor op&ccedil;&atilde;o (em AV-PT 35% dos professores optam por estas quest&otilde;es e 51% do RJ-BR), a grande maioria (78,3% dos portugueses e 80,5% dos brasileiros) escolhe por gosto ou integram uma vontade de ser professor a estas quest&otilde;es econ&ocirc;mico-sociais-familiares. </p>     <p>Percebemos que n&atilde;o existem grandes diferen&ccedil;as de g&ecirc;nero na escolha pro-fissional dos homens e mulheres pelo magist&eacute;rio, o que confirma alguns estudos (como Carvalho, 1998) e contraria outros (como Abreu, 2002; Catani, Bueno, &amp; Sousa, 2000). </p>     <p>Portanto, n&atilde;o podemos deixar de destacar conforme explica Jesus (1997, p. 81) que um potencial professor que escolha a doc&ecirc;ncia &ldquo;por voca&ccedil;&atilde;o ou pelas tarefas profissionais caracter&iacute;sticas desta profiss&atilde;o apresenta uma maior motiva&ccedil;&atilde;o inicial para a profiss&atilde;o docente do que aquele que escolhe esta profiss&atilde;o por falta de outras alternativas profissionais&rdquo;, ou seja, para apresentar maior motiva&ccedil;&atilde;o para a profiss&atilde;o docente, &eacute; importante que o potencial professor ingresse no curso superior pretendido. </p>     <p>Assim, concordamos com Almeida (2002, p. 114; 360) quando ela afirma que: </p>     <blockquote>       <p>Se, por um lado, educar e ensinar &eacute; uma profiss&atilde;o, por outro,      n&atilde;o h&aacute; melhor meio de ensino e aprendizagem do que aquele que      &eacute; exercido de um ser humano para outro, e isso tamb&eacute;m &eacute;      um ato de amor. Gostar desse trabalho, acreditar na educa&ccedil;&atilde;o      e nela investir como indiv&iacute;duo, tamb&eacute;m configura-se como um      ato de paix&atilde;o, a paix&atilde;o pelo poss&iacute;vel, sentimento derivado      do sentido do ser e da exist&ecirc;ncia, que incorpora o desejo &agrave;s      possibilidades concretas da sua realiza&ccedil;&atilde;o.Talvez resida a&iacute;      a extrema ambig&uuml;idade do ato de ensinar e da presen&ccedil;a das mulheres      no magist&eacute;rio. </p> </blockquote>     <p>Contudo, dir&iacute;amos que a extrema ambig&uuml;idade do ato de ensinar e    da presen&ccedil;a dos &ldquo;homens e das mulheres&rdquo; no magist&eacute;rio    est&aacute; no gosto/amor pela profiss&atilde;o, na incorpora&ccedil;&atilde;o    deste desejo &agrave;s possibilidades da sua realiza&ccedil;&atilde;o; na associa&ccedil;&atilde;o    das vicissitudes da vida com a paix&atilde;o pela doc&ecirc;ncia; na luta apesar    do descaso e do baixo estatuto; no investimento do seu &ldquo;suor&rdquo;, das    suas &ldquo;l&aacute;grimas&rdquo;, mas tamb&eacute;m dos seus &ldquo;sorrisos&rdquo;    e &ldquo;encantos&rdquo; nesta profiss&atilde;o. </p>     <p>&nbsp; </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Notas </b></p>     <p><Sup><a name="2" id="2"></a><a href="#top2">1</a></Sup> Este trabalho faz parte    da tese de doutoramento: Rabelo,Amanda (2009). <I>A </I><I>&#64257;</I><I>gura    masculina na doc&ecirc;ncia do ensino prim&aacute;rio: Um &ldquo;corpo estranho&rdquo;    no quotidiano das escolas p&uacute;blicas &ldquo;prim&aacute;rias&rdquo; do    Rio de Janeiro-Brasil e Aveiro-Portugal. </I>Tese de Doutoramento em Ci&ecirc;ncias    da Educa&ccedil;&atilde;o, Universidade de Aveiro,Aveiro.. </p>     <p><Sup><a name="3" id="3"></a><a href="#top3">2</a></Sup> Utilizaremos neste    trabalho o termo &ldquo;ensino prim&aacute;rio&rdquo; de acordo com a Classi&#64257;    ca&ccedil;&atilde;o Internacional Tipo da Educa&ccedil;&atilde;o da UNESCO (CITE    1, 1997, citada por Eurydice, 2001) e como tentativa de usar um termo compreens&iacute;vel    no Brasil e em Portugal (pois este j&aacute; foi utilizado em ambos os pa&iacute;ses)    para designar o &ldquo;1.&ordm; ciclo do Ensino B&aacute;sico (1.&ordm; CEB)&rdquo;    de Portugal e a &ldquo;1.&ordf; fase do Ensino Fundamental&rdquo; do Brasil.  </p>     <p><Sup><a name="4" id="4"></a><a href="#top4">3</a> </Sup>Aplicamos question&aacute;rio    a uma amostra de 209 professores do ensino p&uacute;blico, 60 do Distrito de    Aveiro (Portugal) e 149 do Estado do Rio de Janeiro (Brasil). </p>     <p><Sup><a name="5" id="5"></a><a href="#top5">4</a></Sup> Utilizamos a express&atilde;o    &ldquo;fatores extr&iacute;nsecos e intr&iacute;nsecos&rdquo; para a escolha    pro&#64257;ssional de acordo com a obra de Jesus (2002).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias Bibliogr&aacute;&#64257;cas </b></p>     <p>Abreu, J. J.V. de (2002). <I>A inser&ccedil;&atilde;o do professor do sexo masculino no magist&eacute;rio prim&aacute;rio de Teresina (PI).</I> Artigo apresentado em II Congresso Brasileiro de Hist&oacute;ria da Educa&ccedil;&atilde;o: Hist&oacute;ria e Mem&oacute;ria da Educa&ccedil;&atilde;o Brasileira, Natal, Brasil. </p>     <p>Almeida, J. S. de (1998). <I>Mulher e educa&ccedil;&atilde;o: a paix&atilde;o pelo poss&iacute;vel</I>. S&atilde;o Paulo: UNESP.</p>     <p>Alves, F. C. (1997). <I>O encontro com a realidade docente: estudo explorat&oacute;rio (Auto)biogr&aacute;</I><I>&#64257;</I><I>co.</I> Tese de Doutoramento em Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o (n&atilde;o publicada), Universidade de Lisboa, Lisboa.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Bruschini, C., &amp; Amado,T. (1988). Estudos sobre mulher e educa&ccedil;&atilde;o. <I>Cadernos de Pesquisa, 64</I>, 4-13.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000083&pid=S1645-7250201000010001200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Carvalho, M. P. de (1998). Vozes masculinas numa pro&#64257;ss&atilde;o feminina.    <I>Revista Estudos Feministas, 6</I>(2), 406-422. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000084&pid=S1645-7250201000010001200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Catani, D. B., Bueno, B. O., &amp; Sousa, C. P. de (2000). Os homens e o magist&eacute;rio:    as vozes masculinas nas narrativas de forma&ccedil;&atilde;o. In D. B. Catani,    B. O. Bueno &amp; C. P. Sousa (Eds.), <I>A vida e o of&iacute;cio dos professores</I>.    S&atilde;o Paulo: Escrituras. </p>     <!-- ref --><p>Cruz, M. B. da, Dias, Alberto R., Sanches, Jo&atilde;o F., Ruivo, Joaquim B.,    Pereira, Jos&eacute; C. S., &amp; Tavares, Jos&eacute; J. C. (1988).A situa&ccedil;&atilde;o    do professor em Portugal. <I>An&aacute;lise Social, XXIV</I>(103-104), 1187-1293.  &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000086&pid=S1645-7250201000010001200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Esteve, J. M. (1992). <I>O mal-estar docente</I>. Lisboa: Escher.</p>     <p>Eurydice (2001). <I>Gloss&aacute;rio europeu da educa&ccedil;&atilde;o</I> (Vol. 3). Brussels: Eurydice.</p>     <!-- ref --><p>Fonseca, L. (2007). Contornos da escolariza&ccedil;&atilde;o das raparigas em Portugal: Olhar s&oacute;cio-hist&oacute;rico para ressigni&#64257;car as mudan&ccedil;as educacionais e uma nova agenda de g&ecirc;nero em educa&ccedil;&atilde;o. <I>Revista ex aequo</I>(15), 69-87. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000089&pid=S1645-7250201000010001200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Freire, P. (1997). <I>Professora sim, tia n&atilde;o: cartas a quem ousa ensinar</I>.    S&atilde;o Paulo: Olho d&aacute;gua. </p>     <p>Galbraith, M. (1992). Understanding career choices of men in elementary education.    <I>Journal of Educational Research, 85</I>(4), 246-253.</p>     <p>Gon&ccedil;alves, J. A. M. (2000). <I>Ser professora do 1&ordm;. ciclo: uma carreira em an&aacute;lise. </I>Tese de Doutoramento em Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o (n&atilde;o publicada), Universidade de Lisboa, Lisboa.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Jesus, S. N. de (2002). <I>Motiva&ccedil;&atilde;o e forma&ccedil;&atilde;o de Professores</I>. Coimbra: Quarteto Editora.</p>     <!-- ref --><p>Louro, G. L. (1989). Magist&eacute;rio de 1&ordm; grau: um trabalho de mulher. <I>Educa&ccedil;&atilde;o e Realidade, 14</I>(2), 31-39.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000094&pid=S1645-7250201000010001200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>Martins, A. M. (1991). <I>Ensino t&eacute;cnico e pro</I><I>&#64257;</I><I>ssional em Portugal: uma op&ccedil;&atilde;o ou uma alternativa &agrave; via de ensino? </I>Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado em Sociologia (n&atilde;o publicada), Universidade T&eacute;cnica de Lisboa, Lisboa.</p>     <p>M&oacute;nica, M. F. (1978). <I>Educa&ccedil;&atilde;o e sociedade no Portugal de Salazar</I>. Lisboa: Editora Presen&ccedil;a/Gabinete de Investiga&ccedil;&otilde;es Sociais. N&oacute;voa, A. (1988). <I>Um tempo de ser professor</I>. Lisboa: [s.n.].</p>     <p>Sarmento, M. J. (2000). <I>L&oacute;gicas de ac&ccedil;&atilde;o nas escolas</I>. Lisboa: Instituto de Inova&ccedil;&atilde;o Educacional/Minist&eacute;rio de Educa&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Schaffrath, M. dos A. S. (2000). <I>Pro</I><I>&#64257;</I><I>ssionaliza&ccedil;&atilde;o    do magist&eacute;rio feminino: uma hist&oacute;ria de emancipa&ccedil;&atilde;o    e preconceitos. </I>Artigo apresentado em 23&ordf; Reuni&atilde;o Anual da Anped.</p>      ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Bruschini]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Amado]]></surname>
<given-names><![CDATA[T.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Estudos sobre mulher e educação]]></article-title>
<source><![CDATA[Cadernos de Pesquisa]]></source>
<year>1988</year>
<volume>64</volume>
<page-range>4-13</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Carvalho]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. P. de]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Vozes masculinas numa pro&#64257;ssão feminina.]]></article-title>
<source><![CDATA[Revista Estudos Feministas]]></source>
<year>1998</year>
<volume>6</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Cruz]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. B. da]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Dias]]></surname>
<given-names><![CDATA[Alberto R.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Sanches]]></surname>
<given-names><![CDATA[João F.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Ruivo]]></surname>
<given-names><![CDATA[Joaquim B.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Pereira]]></surname>
<given-names><![CDATA[José C. S.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Tavares]]></surname>
<given-names><![CDATA[José J. C.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A situação do professor em Portugal]]></article-title>
<source><![CDATA[Análise Social]]></source>
<year>1988</year>
<volume>XXIV</volume>
<numero>103-104</numero>
<issue>103-104</issue>
<page-range>1187-1293</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Fonseca]]></surname>
<given-names><![CDATA[L.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Contornos da escolarização das raparigas em Portugal: Olhar sócio-histórico para ressigni&#64257;car as mudanças educacionais e uma nova agenda de gênero em educação]]></article-title>
<source><![CDATA[Revista ex aequo]]></source>
<year>2007</year>
<volume>15</volume>
<page-range>69-87</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Louro]]></surname>
<given-names><![CDATA[G. L.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Magistério de 1º grau: um trabalho de mulher]]></article-title>
<source><![CDATA[Educação e Realidade]]></source>
<year>1989</year>
<volume>14</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>31-39</page-range></nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
