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</front><body><![CDATA[ <p><b>Maria Rita Lino Garnel </b>(2004)<b>. </b>A Rep&uacute;blica de Sebasti&atilde;o    de Magalh&atilde;es Lima. Lisboa: Livros Horizonte, 174 pp. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Jos&eacute; V. Br&aacute;s* e Maria Neves Gon&ccedil;alves**</b></p>     <p>* <a href="mailto:zebras@netcabo.pt">zebras@netcabo.pt</a></p>     <p><b>**</b> <a href="mailto:maria.neves@netcabo.pt">maria.neves@netcabo.pt</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Este livro de Rita Garnel propicia-nos um olhar pelo percurso multiforme de Sebasti&atilde;o de Magalh&atilde;es Lima, que ocupou um lugar proeminente na cultura pol&iacute;tica e hist&oacute;rica do seu tempo. A defesa de um ideal republicano e a propaganda antidin&aacute;stica e anticlerical est&atilde;o patentes na sua produ&ccedil;&atilde;o escrita e jornal&iacute;stica, bem como na sua ac&ccedil;&atilde;o cultural e c&iacute;vica. </p>     <p>As principais armas de combate ideol&oacute;gico a que Magalh&atilde;es Lima recorreu foram - como salienta Fernando Catroga no Pref&aacute;cio - o livro, o jornalismo, a orat&oacute;ria e os contactos internacionais. </p>     <p>Numa escrita clara e mobilizadora, Rita Garnel, ao eleger como seu protagonista, Magalh&atilde;es Lima, e ao estudar o seu pensamento, procurou apreender as ideias e os ideais, os valores e as expectativas que hegemonizaram a cultura republicana nos dec&eacute;nios anteriores &agrave; queda da Monarquia. </p>     <p>Apesar da autora sublinhar que o seu objectivo n&atilde;o foi tra&ccedil;ar a biografia de Magalh&atilde;es Lima, no sentido tradicional da palavra, o leitor fica a conhecer os aspectos mais marcantes da sua vida e obra. Investigando e reflectindo sobre as m&uacute;ltiplas facetas da sua ac&ccedil;&atilde;o, Rita Garnel evidencia: (i) os anos da forma&ccedil;&atilde;o, nomeadamente em Coimbra, onde cursou Direito e contactou com diversas personalidades, j&aacute; ao tempo simpatizantes do republicanismo (Alves da Veiga, Feio Terenas, Trigueiros de Martel, Gomes Leal, entre outros); (ii) a actividade jornal&iacute;stica (<I>O S&eacute;culo</I>, <I>Vanguarda</I>, <I>A Folha do Povo</I>, <I>Com&eacute;rcio de Portugal);</I> (iii) o labor liter&aacute;rio (<I>O Mist&eacute;rio da Estrada da Beira</I>, folhetim publicado nas p&aacute;ginas de <I>O Tribuno Popular</I>, uma colect&acirc;nea de contos intitulada<I> Miniaturas Rom&acirc;nticas</I>, e o romance <I>A Senhora Viscondessa)</I>; (iv) a actua&ccedil;&atilde;o como propagandista (em confer&ecirc;ncias, com&iacute;cios, exposi&ccedil;&otilde;es, congressos e centen&aacute;rios); e (v) o papel que desenvolveu na Ma&ccedil;onaria mormente desde que foi eleito Gr&atilde;o-Mestre (cargo que desempenhou de 1907 at&eacute; 1928, data da sua morte). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Foi precisamente a pluralidade de desempenhos em prol dos direitos humanos, de um ideal de cidadania activa e da universalidade dos valores da liberdade, da justi&ccedil;a, da solidariedade e da toler&acirc;ncia, que lhe mereceram o ep&iacute;teto de <I>sacerdote laico: </I>&ldquo;ao longo de mais de cinquenta anos de vida p&uacute;blica dedicou-se sem descanso &agrave; propaganda dos seus ideais&rdquo; (p. 35), pois <I>derramar as luzes</I> e educar o povo eram, como assinala a autora, as preocupa&ccedil;&otilde;es dos novos <I>ap&oacute;stolos da rep&uacute;blica</I>, entre os quais se destaca Magalh&atilde;es Lima. </p>     <p>Este livro que reproduz, com pequenas altera&ccedil;&otilde;es, a disserta&ccedil;&atilde;o    de Mestrado defendida em 1998 na Faculdade de Letras de Coimbra, surge-nos cheio    de interesse, como se, mudando-se os tempos e as perspectivas, se mantivessem    por resolver os mesmos problemas. E quais foram as quest&otilde;es prementes    para Magalh&atilde;es Lima que Rita Garnel revisita? S&atilde;o tem&aacute;ticas    (algumas das quais permanecem actuais e em debate) como o feminismo, a ma&ccedil;onaria    feminina, o sufr&aacute;gio, a pedagogia c&iacute;vica, a laicidade, a moral    c&iacute;vica, o cremacionismo, o descentralismo, o municipalismo e a edifica&ccedil;&atilde;o    pac&iacute;fica de uma Europa democr&aacute;tica. </p>     <p>Ao seguir uma l&oacute;gica de pesquisa hist&oacute;rica, assente na busca de informa&ccedil;&atilde;o e interpreta&ccedil;&atilde;o dos dados recolhidos, a autora apresenta-nos um estudo coerente, bem fundamentado e de excelente qualidade e rigor cient&iacute;ficos. Este trabalho, norteado por uma sistem&aacute;tica preocupa&ccedil;&atilde;o em contextualizar e datar os factos &ndash; a cronologia permite, na expressiva f&oacute;rmula de Alain Mougniotte &ldquo;int&eacute;grer chaque fait dans la constellation &agrave; laquelle il appartient&rdquo; (1991, p. 10) - possibilita-nos apreender a representatividade de Magalh&atilde;es Lima no panorama pol&iacute;ticocultural do seu tempo, bem como a sua presen&ccedil;a constante e dinamizadora no seio do movimento antidin&aacute;stico o que o tornou &ldquo;uma das personalidades republicanas mais conhecidas fora de Portugal&rdquo; (p. 119). Magalh&atilde;es Lima foi um dos intelectuais que mais se empenhou na difus&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o popular, na luta por uma escola obrigat&oacute;ria, gratuita e laica e na forma&ccedil;&atilde;o moral e c&iacute;vica dos cidad&atilde;os. &Eacute;, pois, importante relembrar este vulto da Rep&uacute;blica. </p>     <p>A obra de Rita Garnel configura certamente outros &acirc;ngulos de abordagem que outras an&aacute;lises poder&atilde;o real&ccedil;ar, no entanto, tent&aacute;mos acentuar os aspectos a que fomos (somos) mais sens&iacute;veis. A presen&ccedil;a de Magalh&atilde;es Lima no republicanismo portugu&ecirc;s &eacute;, na nossa perspectiva, demasiado valiosa para que permanecesse no esquecimento. E este estudo, resultado de uma pesquisa rigorosa, interessa claramente a investigadores nos dom&iacute;nios do ide&aacute;rio republicano, do livre-pensamento, do anticlericalismo, da laicidade e do feminismo. </p>     <p>O livro de Rita Garnel p&otilde;e em evid&ecirc;ncia a import&acirc;ncia que a Rep&uacute;blica tinha para Sebasti&atilde;o de Magalh&atilde;es Lima. Para ele, o regime republicano significava o garante da justi&ccedil;a e da liberdade. Neste aspecto, destaca-se dos republicanos da altura porque a quest&atilde;o social assume a prioridade das prioridades. </p>     <p>A Rep&uacute;blica tinha para ele o des&iacute;gnio de uma aut&ecirc;ntica revolu&ccedil;&atilde;o. No seu entender, era necess&aacute;rio combater a degrada&ccedil;&atilde;o e alterar as condi&ccedil;&otilde;es de vida da popula&ccedil;&atilde;o. Seguindo o pensamento de Proudhon, considerava que isso tinha que passar inevitavelmente pela altera&ccedil;&atilde;o do sistema capitalista vigente, por estabelecer uma nova ordem econ&oacute;mica onde o homem assumisse a dignidade que lhe cabia. N&atilde;o para acabar com os propriet&aacute;rios, mas para tornar o homem propriet&aacute;rio, o que s&oacute; era realiz&aacute;vel, conciliando-se o interesse individual com o interesse colectivo. Julgava que a solu&ccedil;&atilde;o estava no estabelecimento de uma ordem social fraterna porque esta poderia equilibrar os diferentes interesses e amornar as lutas sociais. Por isso, a instru&ccedil;&atilde;o e a associa&ccedil;&atilde;o levaria &agrave; combina&ccedil;&atilde;o e emancipa&ccedil;&atilde;o do povo. Ao contr&aacute;rio do socialismo autorit&aacute;rio, ele acreditava que o <I>selfgovernmen</I>t era um ideal a perseguir, pelo que os poderes do Estado deviam ser limitados pelas for&ccedil;as colectivas organizadas em associa&ccedil;&otilde;es. O Estado era assim concebido como resultante das associa&ccedil;&otilde;es cooperativas (consumo, cr&eacute;dito, produ&ccedil;&atilde;o e trabalho) organizadas em Federa&ccedil;&otilde;es. </p>     <p>Rita Garnel mostra tamb&eacute;m como Sebasti&atilde;o de Magalh&atilde;es Lima leva a sua luta a uma dimens&atilde;o cultural onde se situam as elites republicanas desde o anticlericalismo liberal ao livre pensamento e ao laicismo.A moderniza&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s passa por uma nova vis&atilde;o do mundo, assente na raz&atilde;o e na ci&ecirc;ncia. Ele faz parte dos intelectuais que pretendem operar a mudan&ccedil;a da religi&atilde;o pela ci&ecirc;ncia, da f&eacute; pela raz&atilde;o. Agora quer-se acreditar que a salva&ccedil;&atilde;o faz-se na hist&oacute;ria. </p>     <p>Face a este processo de mudan&ccedil;a, percebe-se porque o ensino ocupa uma posi&ccedil;&atilde;o chave. A quest&atilde;o est&aacute; obviamente no facto de ser por aqui que se faz a aprendizagem sociopol&iacute;tica que se pretende implementar. Do professor exige-se que seja um novo <I>ap&oacute;stolo</I>, que fale em nome da nova religi&atilde;o &ndash; a ci&ecirc;ncia. Com ele o pol&iacute;tico e o c&iacute;vico predominam sobre o religioso concretizando-se na separa&ccedil;&atilde;o das Igrejas e do Estado. </p>     <p>&Agrave; imagem de um bom positivista, Magalh&atilde;es Lima considerava que o papel das religi&otilde;es j&aacute; tinha cumprido a sua miss&atilde;o como primeira forma de pensamento humano que antecedia &agrave; ci&ecirc;ncia. Por outro lado, na esteira de Ferdinand Buisson, pensa que o livre pensamento n&atilde;o devia ser visto como uma doutrina mas como um m&eacute;todo a ser aplicado na luta pela emancipa&ccedil;&atilde;o das consci&ecirc;ncias. Isto exigia por sua vez a emancipa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e econ&oacute;mica. Por tudo isto se percebe a grande import&acirc;ncia que foi conferida &agrave; batalha escolar.</p>     <p>O livro em an&aacute;lise &eacute; tanto mais significativo quanto se avizinha    a comemora&ccedil;&atilde;o do centen&aacute;rio da Rep&uacute;blica e, por    isso, um tempo prop&iacute;cio para evocar a cultura e utopias republicanas    e rememorar doutrinadores e educadores antidin&aacute;sticos, esses <I>ap&oacute;stolos    </I>que, no dizer do pr&oacute;prio Magalh&atilde;es Lima, &ldquo;trabalham    no remanso do gabinete, pelejam na imprensa, discutem na tribuna e evangelizam    na c&aacute;tedra professoral&rdquo; (<I>Com&eacute;rcio de Portugal,</I> Lisboa,    ano I, n&ordm; 4, 29-6-1879). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;&#64257;cas </b></p>     <p>Catroga, F. (1991). <I>O republicanismo em Portugal &ndash; da forma&ccedil;&atilde;o ao 5 de Outubro.</I> Lisboa: Editorial Not&iacute;cias. </p>     <p>Homem, A.C. (1990). <I>A propaganda republicana (1870-1910)</I>. Coimbra: Coimbra Editora. </p>     <p>Lima, M. (1879).&ldquo;Interesses sociais&rdquo;, <I>Com&eacute;rcio de Portugal,</I> Lisboa, ano I, n&ordm; 4, 29-6-1879. </p>     <p>Mougniotte, A. (1991). <I>Les d&eacute;buts de l&rsquo;instruction civique en France.</I> Lyon: Presses Universitaires.</p>      ]]></body><back>
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