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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Educação do aluno sobredotado no Brasil e em Portugal: uma análise comparativa]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This study compares the development of gifted education in Brazil and Portugal. For this purpose we describe the historical development, legislation and adopted terminology, programs and care services to the gifted, the training of professional and scientific production in Brazilian and Portuguese in this area. Analyses indicate a greater consistency of legislation and educational measures in Brazil aimed at gifted students, with even greater historical consistency and greater social recognition of this area. The development of the area in Brazil is based on three pillars: the governing boards of education, associations and institutions of higher education. In Portugal the contribution of the government for the development of this area is lacking. Given the linguistic and cultural proximity, and the significant academic exchange between the two countries, we suggest some initiatives for the next ten years towards the development of the education of gifted students. This intention is achieved by conducting cross-cultural studies and publications or by exchanging of students and professionals interested in the area.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Educa&ccedil;&atilde;o do aluno sobredotado no Brasil e em Portugal: uma    an&aacute;lise comparativa</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Denise de Souza Fleith</b><sup>*</sup>, <b>Leandro S. Almeida</b><sup>**</sup>,<b>Eunice    M. L. Soriano de Alencar</b><sup>***</sup>,<b>L&uacute;cia Miranda</b><sup>****</sup></p>     <p><sup>*</sup>Universidade de Bras&iacute;lia, <a href="mailto:fleith@unb.br">fleith@unb.br</a></p>     <p><sup>**</sup>Universidade do Minho, <a href="mailto:leandro@ie.uminho.pt">leandro@ie.uminho.pt</a>  </p>     <p><sup>***</sup>Universidade Cat&oacute;lica de Bras&iacute;lia </p>     <p><sup>****</sup>Instituto Superior de Educa&ccedil;&atilde;o e Trabalho, Porto</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>RESUMO </p>     <p>Este estudo compara o percurso da educa&ccedil;&atilde;o do sobredotado no    Brasil e em Portugal. Para isso descreve-se a traject&oacute;ria hist&oacute;rica,    a legisla&ccedil;&atilde;o e a terminologia adoptada, os programas e servi&ccedil;os    de atendimento ao sobredotado, a forma&ccedil;&atilde;o dos profissionais e    a produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica brasileira e portuguesa na &aacute;rea.    As an&aacute;lises efectuadas indicam uma maior consist&ecirc;ncia da legisla&ccedil;&atilde;o    e das medidas educativas no Brasil em aten&ccedil;&atilde;o aos alunos sobredotados,    havendo uma maior consist&ecirc;ncia hist&oacute;rica e um maior reconhecimento    social desta &aacute;rea. O desenvolvimento da &aacute;rea no Brasil assenta    em tr&ecirc;s pilares: estruturas governativas da educa&ccedil;&atilde;o, associa&ccedil;&otilde;es    e institui&ccedil;&otilde;es de ensino superior, sendo que em Portugal o contributo    por parte das entidades governativas ao desenvolvimento da &aacute;rea &eacute;    inexistente. Face &agrave; proximidade lingu&iacute;stica e cultural, e ao significativo    interc&acirc;mbio acad&eacute;mico entre os dois pa&iacute;ses, apontam-se algumas    iniciativas para os pr&oacute;ximos anos em prol do desenvolvimento da educa&ccedil;&atilde;o    do aluno sobredotado. Essa aposta passa pela realiza&ccedil;&atilde;o de estudos    e publica&ccedil;&otilde;es conjuntas ou pelo interc&acirc;mbio de estudantes    e profissionais interessados na &aacute;rea.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palavras-chave</b>: Sobredota&ccedil;&atilde;o; necessidades educativas;    desenvolvimento de talento; Brasil; Portugal.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Gifted student education in Brazil and Portugal: A comparative analysis</b></p>     <p> ABSTRACT</p>     <p>This study compares the development of gifted education in Brazil and Portugal.    For this purpose we describe the historical development, legislation and adopted    terminology, programs and care services to the gifted, the training of professional    and scientific production in Brazilian and Portuguese in this area. Analyses    indicate a greater consistency of legislation and educational measures in Brazil    aimed at gifted students, with even greater historical consistency and greater    social recognition of this area. The development of the area in Brazil is based    on three pillars: the governing boards of education, associations and institutions    of higher education. In Portugal the contribution of the government for the    development of this area is lacking. Given the linguistic and cultural proximity,    and the significant academic exchange between the two countries, we suggest    some initiatives for the next ten years towards the development of the education    of gifted students. This intention is achieved by conducting cross-cultural    studies and publications or by exchanging of students and professionals interested    in the area.</p>     <p> <b>Keywords</b>: Giftedness; educational needs; talent development; Brazil;    Portugal</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>  No cen&aacute;rio mundial actual de instabilidades, incertezas e conflitos de toda ordem,   os recursos humanos s&atilde;o, inquestionavelmente, o bem mais precioso que uma na&ccedil;&atilde;o pode ter em apoio ao seu desenvolvimento (Sternberg &amp; Davidson, 1986).</p>     <p> Neste sentido, &eacute; imperativo favorecer a identifica&ccedil;&atilde;o e o desenvolvimento de talentos   nas diferentes &aacute;reas da aprendizagem e da realiza&ccedil;&atilde;o humana. Infelizmente,   sobretudo em pa&iacute;ses menos desenvolvidos, &eacute; escasso o investimento na &aacute;rea da   sobredota&ccedil;&atilde;o e dos talentos. Umas vezes por falta de informa&ccedil;&atilde;o, outras vezes   por tabus institu&iacute;dos e preconceitos associados, o tema da sobredota&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute;   devidamente considerado na an&aacute;lise das diferen&ccedil;as individuais e das necessidades   educativas espec&iacute;ficas. Neste artigo, aproveitando a proximidade lingu&iacute;stica e o   interc&acirc;mbio acad&eacute;mico entre Brasil e Portugal na &aacute;rea, apresentamos uma s&iacute;ntese   evolutiva, seguida de uma an&aacute;lise comparativa, da educa&ccedil;&atilde;o do aluno sobredotado, ou com caracter&iacute;sticas de sobredota&ccedil;&atilde;o, nos dois pa&iacute;ses.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Para a realiza&ccedil;&atilde;o desta an&aacute;lise comparativa elencamos    previamente os seguintes t&oacute;picos: (i) hist&oacute;ria do tema; (ii) legisla&ccedil;&atilde;o    educativa centrada na sobredota&ccedil;&atilde;o; (iii) programas e servi&ccedil;os    de atendimento ao aluno sobredotado; (iv) forma&ccedil;&atilde;o de professores    e de outros profissionais na &aacute;rea; e (v) produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica    neste dom&iacute;nio. Por &uacute;ltimo, conclu&iacute;mos o artigo delineando,    para os dois pa&iacute;ses, uma agenda de ac&ccedil;&otilde;es futuras de forma    a impulsionar uma maior aten&ccedil;&atilde;o por parte da sociedade e do sistema    educativo ao fen&oacute;meno da sobredota&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Sobredota&ccedil;&atilde;o: Aspectos Hist&oacute;ricos</b></p>     <p>Segundo Delou (2007), o primeiro registo da necessidade ou import&acirc;ncia    do atendimento a alunos sobredotados no Brasil data do ano de 1929, quando a    Reforma do Ensino Prim&aacute;rio, Profissional e Normal do Estado do Rio de    Janeiro previu o atendimento educacional dos <i>supernormaes</i>. Neste mesmo    ano, chegou ao Brasil a educadora russa Helena Antipoff, vindo a realizar v&aacute;rias    pesquisas e publica&ccedil;&otilde;es sobre crian&ccedil;as sobredotadas, como    Primeiros casos de <i>supernormaes</i>, em 1938, <i>Campanha da Pestalozzi em    prol do bem</i> dotado, em 1942 e <i>A crian&ccedil;a bemdotada</i>, em 1946.    Ainda nos anos 30 do s&eacute;culo passado, autores como Leoni Kaseff, S&iacute;lvio    Rabello e Ulisses Pernambucano apontaram a necessidade de aten&ccedil;&atilde;o    ao sobredotado e a inadequa&ccedil;&atilde;o da escola regular no atendimento    &agrave;s suas necessidades especiais. Em 1945, Helena Antipoff deu in&iacute;cio    ao atendimento a alunos sobredotados no Instituto Pestalozzi do Brasil, no Rio    de Janeiro, incluindo actividades nos campos da literatura, teatro e m&uacute;sica.</p>     <p> Posteriormente, o Minist&eacute;rio de Educa&ccedil;&atilde;o e Cultura instituiu, em 1967, uma   comiss&atilde;o para estabelecer crit&eacute;rios de identifica&ccedil;&atilde;o e atendimento a estes alunos   que, ent&atilde;o, eram chamados de sobredotados. Em 1971, a Lei 5.692, fixando as directrizes   e bases para o ensino de 1&ordm; e 2&ordm; graus (Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o, 1971),   estipula, no artigo 9&ordm;, a necessidade de atendimento especial, n&atilde;o apenas aos alunos   com defici&ecirc;ncias f&iacute;sicas e mentais, mas tamb&eacute;m ao aluno sobredotado. No   mesmo ano, foi criado o Projecto Priorit&aacute;rio n.&ordm; 35, que estabeleceu a educa&ccedil;&atilde;o de sobredotados como &aacute;rea primeira da Educa&ccedil;&atilde;o Especial no Brasil, incluindo-a   no Plano Sectorial de Educa&ccedil;&atilde;o e Cultura, previsto para o per&iacute;odo de 1972 a 1974.   Foi tamb&eacute;m em 1971 que ocorreu o 1&ordm; Semin&aacute;rio Nacional sobre o Sobredotado, em Bras&iacute;lia, alertando para a necessidade de um diagn&oacute;stico precoce deste aluno, a organiza&ccedil;&atilde;o de programas especiais para tais alunos e a prepara&ccedil;&atilde;o de profissionais especializados para o seu atendimento. Nesse mesmo ano, veio ao Brasil uma equipe de especialistas norte-americanos que actuou como consultora no Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o e foi respons&aacute;vel pela introdu&ccedil;&atilde;o da defini&ccedil;&atilde;o de sobredotado, id&ecirc;ntica &agrave; apresentada no relat&oacute;rio Marland (1972) nos Estados Unidos, sugerindo seis &aacute;reas gerais de habilidades (capacidade intelectual, aptid&atilde;o acad&eacute;mica espec&iacute;fica, pensamento criador ou produtivo, capacidade de lideran&ccedil;a, talento especial para artes visuais, artes dram&aacute;ticas e m&uacute;sica, e capacidade psicomotora) (Alencar, 1986). Em 1973 foi fundado o Centro Nacional de Educa&ccedil;&atilde;o Especial (CENESP), que passou a dar um apoio maior &agrave;s iniciativas de educa&ccedil;&atilde;o de alunos sobredotados no Brasil e patrocinou v&aacute;rios semin&aacute;rios sobre o tema.</p>     <p>De acrescentar que, a partir de 1971, as organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais passaram   a desempenhar um papel importante no atendimento aos alunos sobredotados.   Em 1978, por exemplo, foi criada a Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira para Sobredotados   (ABSD) e v&aacute;rios programas surgiram em diferentes Estados ao longo dessa d&eacute;cada.   Um deles, em Minas Gerais, em 1972, quando Helena Antipoff deu in&iacute;cio a um programa   de atendimento ao aluno bem-dotado do meio rural e da periferia urbana;   outro, em S&atilde;o Paulo, denominado Projeto Objetivo de Incentivo ao Talento (POIT)   pelo Centro Educacional Objetivo; outro, em Bras&iacute;lia, por iniciativa da Secretaria   de Estado de Educa&ccedil;&atilde;o do Governo do Distrito Federal cobrindo a rede oficial de   ensino; outro, na Bahia, onde por iniciativa da Funda&ccedil;&atilde;o Jos&eacute; Carvalho se estabeleceu   um Col&eacute;gio T&eacute;cnico com atendimento a alunos sobredotados provenientes   de fam&iacute;lias de baixa renda; tamb&eacute;m em 1979 teve in&iacute;cio o Programa Especial de   Treinamento (PET) para estudantes universit&aacute;rios que se destacam por seu desempenho   acad&eacute;mico, motiva&ccedil;&atilde;o para estudo e habilidades intelectuais superiores   (Alencar, Fleith &amp; Arancibia, 2009). No in&iacute;cio dos anos 80, foi fundada a Associa&ccedil;&atilde;o   Ga&uacute;cha de Apoio &agrave;s Altas Habilidades/Sobredota&ccedil;&atilde;o (AGAaHSD).</p>     <p> Em 1995, a Secretaria de Educa&ccedil;&atilde;o Especial do Minist&eacute;rio    da Educa&ccedil;&atilde;o publicou novo documento apresentando as directrizes    para a educa&ccedil;&atilde;o do aluno sobredotado e talentoso. Nesse documento    foi proposto o termo &quot;altas habilidades&quot; que passou tamb&eacute;m    a ser utilizado para se referir ao aluno sobredotado (Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o,    1995). Para refor&ccedil;ar a necessidade de se implementar pol&iacute;ticas    educacionais na &aacute;rea ao n&iacute;vel dos v&aacute;rios Estados da Federa&ccedil;&atilde;o,    essa Secretaria organizou um Semin&aacute;rio em 1996 com a presen&ccedil;a    de representantes das Secretarias de Educa&ccedil;&atilde;o de 26 Estados Brasileiros.    Durante esse evento, foram apresentadas as directrizes para a implementa&ccedil;&atilde;o    de programas para os alunos sobredotados, bem como discutidos diferentes modelos    de atendimento e distintas quest&otilde;es relacionadas &agrave; sobredota&ccedil;&atilde;o/altas    habilidades. Foi tamb&eacute;m na d&eacute;cada de 90, que ocorreu, em Bras&iacute;lia,    o III Congresso Ibero-Americano sobre Sobredota&ccedil;&atilde;o, com a presen&ccedil;a    de v&aacute;rios convidados internacionais, ocasi&atilde;o em que foram divulgados    os programas para sobredotados em aplica&ccedil;&atilde;o nos diferentes Estados    do Pa&iacute;s. Nos &uacute;ltimos anos, novos avan&ccedil;os ocorreram na &aacute;rea.    Em 2003, foi fundado o Conselho Brasileiro para Sobredota&ccedil;&atilde;o (CONBRASD),    e em 2005 a Associa&ccedil;&atilde;o Paulista para Altas Habilidades/Sobredota&ccedil;&atilde;o    (APAHSD). In&uacute;meros textos, em especial livros, artigos de peri&oacute;dicos,    disserta&ccedil;&otilde;es e teses, vieram a p&uacute;blico e novos programas    de atendimento surgiram tanto para o aluno sobredotado como para a sua fam&iacute;lia,    por exemplo o promovido pela Assessoria Cultural e Educacional no Resgate a    Talentos Acad&ecirc;micos (ACERTA), institui&ccedil;&atilde;o sediada no Rio    de Janeiro, e o do Instituto para Otimiza&ccedil;&atilde;o da Aprendizagem (INODAP)    em Curitiba, Paran&aacute;. </p>     <p>Acresce, ainda, novas disposi&ccedil;&otilde;es legislativas recentes. Por exemplo, o Decreto   6.571 de Setembro de 2008 disp&otilde;e sobre o atendimento educacional especializado   (Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o, 2008). Tamb&eacute;m em 2005, por iniciativa do Minist&eacute;rio da   Educa&ccedil;&atilde;o, foram criados os N&uacute;cleos de Atividades de Altas Habilidades/Sobredota&ccedil;&atilde;o   (NAAHS) em 27 Estados Brasileiros (Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o, 2005), incluindo   vertentes de atendimento aos alunos, professores e fam&iacute;lia.  </p>     <p>Em Portugal, o estudo e a interven&ccedil;&atilde;o na &aacute;rea de sobredota&ccedil;&atilde;o    s&atilde;o bastante recentes. Na d&eacute;cada de 80 do s&eacute;culo passado    alguns acad&eacute;micos apoiam a Associa&ccedil;&atilde;o Portuguesa das Crian&ccedil;as    Sobredotadas (APCS, 1986) no arranque de alguns estudos e trabalhos na &aacute;rea.    O grande objectivo foi sensibilizar a sociedade, o governo, a escola e a fam&iacute;lia    para a exist&ecirc;ncia do fen&oacute;meno e para a possibilidade de alunos    com caracter&iacute;sticas de sobredota&ccedil;&atilde;o n&atilde;o receberem    o apoio espec&iacute;fico e necess&aacute;rio ao desenvolvimento das suas capacidades    e talentos. A realiza&ccedil;&atilde;o da 1&ordf; Confer&ecirc;ncia Portuguesa    de Crian&ccedil;as Sobredotadas no Porto, em Agosto de 1986, com especialistas    estrangeiros, foi a melhor forma de introduzir o tema e a sua relev&acirc;ncia    educativa. Aqui destacamos os representantes dos Estados Unidos ligados ao <i>World    Council for Gifted and Talented Children (WCGTC)</i> e v&aacute;rios acad&eacute;micos    do Brasil com que Portugal manteve fortes liga&ccedil;&otilde;es a partir de    ent&atilde;o. Esta Associa&ccedil;&atilde;o promoveu, de seguida, a 2&ordf;    Conferencia Nacional sobre Crian&ccedil;as Sobredotadas, optando pelo tema &quot;A    escolha do modelo de atendimento do sobredotado mais adequado para Portugal&quot;.    Esta reuni&atilde;o decorreu tamb&eacute;m na cidade do Porto, em Mar&ccedil;o    de 1987, e contou com a presen&ccedil;a do Presidente do WCGTC, Harry Passow.    V&aacute;rias recomenda&ccedil;&otilde;es ao governo e ao sistema educativo    foram difundidas na comunica&ccedil;&atilde;o social tomando os programas de    interven&ccedil;&atilde;o em curso noutros pa&iacute;ses.</p>     <p> Na sequ&ecirc;ncia destas Conferencias, em Novembro de 1987, realiza-se o    primeiro curso sobre &quot; Educa&ccedil;&atilde;o de Sobredotados&quot;,    orientado por Doroty Sisk e Hilda Rosselli da Universidade da Florida do Sul,    promovido pela APCS e destinado a professores e outros profissionais vinculados    &agrave; Associa&ccedil;&atilde;o. A par das actas e outras publica&ccedil;&otilde;es    associadas &agrave;s duas confer&ecirc;ncias realizadas, a APCS edita uma brochura,    em formato de livro, intitulada &quot;Deixem-me passar: Orienta&ccedil;&otilde;es    para pais e professores de crian&ccedil;as sobredotadas&quot;, que teve    bastante difus&atilde;o na comunidade educativa.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> No final dessa d&eacute;cada foi criado, em Lisboa, o Centro Portugu&ecirc;s    para a Criatividade, Inova&ccedil;&atilde;o e Lideran&ccedil;a (CPCIL, 1989),    com actua&ccedil;&atilde;o significativa na forma&ccedil;&atilde;o de professores,    consultoria junto do Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o e apoio &agrave;s    fam&iacute;lias e escolas. Mais tarde, em Maio de 1995, surgiu a Associa&ccedil;&atilde;o    Portuguesa para o Estudo da Problem&aacute;tica da Intelig&ecirc;ncia, Criatividade    e Talento (APEPICTa), tendo por objectivo desenvolver o estudo e a realiza&ccedil;&atilde;o    de ac&ccedil;&otilde;es de sensibiliza&ccedil;&atilde;o, forma&ccedil;&atilde;o    e investiga&ccedil;&atilde;o dos problemas inerentes ao estudo do trin&oacute;mio    intelig&ecirc;ncia, talento e criatividade. Esta Associa&ccedil;&atilde;o com    liga&ccedil;&otilde;es ao Centro &quot;Huerta Del Rey&quot; em Espanha, teve    a seu cargo a organiza&ccedil;&atilde;o do II Congresso da Federa&ccedil;&atilde;o    Ibero-Americana do <i>Word Concil for Gifted and Talented Children</i>, na cidade    da Maia em Outubro de 1996, sobre a problem&aacute;tica s&oacute;cio-educativa    dos alunos sobredotados. Em 1998, foi criada a Associa&ccedil;&atilde;o Nacional    para o Estudo e Interven&ccedil;&atilde;o na Sobredota&ccedil;&atilde;o (ANEIS,    1998). V&aacute;rios semin&aacute;rios e col&oacute;quios, envolvendo principalmente    acad&eacute;micos portugueses, brasileiros e europeus, t&ecirc;m sido anualmente    organizados com o objectivo de discutir o conceito, a avalia&ccedil;&atilde;o    e o atendimento dos alunos sobredotados ou, ainda, para sensibilizar as fam&iacute;lias    e a forma&ccedil;&atilde;o de profissionais. Das v&aacute;rias iniciativas que    decorreram nos anos subsequentes &agrave; cria&ccedil;&atilde;o da ANEIS destaca-se    o <i>&quot;First European Council for High Ability Research Seminar&quot; do    European Council for High Ability</i> em parceria com a Universidade do Minho    em 2000, ou os seus congressos nacionais realizados anualmente em diferentes    regi&otilde;es do Pa&iacute;s. Esta associa&ccedil;&atilde;o desenvolve igualmente    o Programa de Enriquecimento em Dom&iacute;nios da Aptid&atilde;o, Interesse    e Socializa&ccedil;&atilde;o (PEDAIS), que se iniciou na cidade de Braga e se    estendeu a outras Delega&ccedil;&otilde;es noutras capitais de Distrito. A ANEIS    organiza um Campo de F&eacute;rias &quot; Estimulo ao Talento e &agrave; Cooperação..&quot;    (ETC...) para adolescentes talentosos de todo o Pa&iacute;s, com a dura&ccedil;&atilde;o    de uma semana nas f&eacute;rias de ver&atilde;o e cuja 1&ordf; edi&ccedil;&atilde;o    teve lugar em Julho de 2000. </p>     <p>Em termos da interven&ccedil;&atilde;o por parte do Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o    Portugu&ecirc;s, uma parceria com o CPCIL permitiu a realiza&ccedil;&atilde;o    de algumas actividades, nomeadamente: (i) a realiza&ccedil;&atilde;o em Lisboa    da &quot;Conferencia sobre Sobredota&ccedil;&atilde;o&quot; de &acirc;mbito    Europeu em 1987; (ii) a implementa&ccedil;&atilde;o do projecto de Apoio ao    Desenvolvimento Precoce (PADP) em escolas b&aacute;sicas da Grande Lisboa entre    1996 e 1998; (iii) ac&ccedil;&otilde;es de forma&ccedil;&atilde;o para professores    em todo o Pa&iacute;s; e (iv) edi&ccedil;&atilde;o em 1998 de uma brochura da    autoria de Jorge Senos e Teresa Diniz, com tiragem de 15.000 exemplares, intitulada    &quot; Crian&ccedil;as e Jovens Sobredotados: Interven&ccedil;&atilde;o Educativa&quot,    difundida pelas escolas p&uacute;blicas do Pa&iacute;s (Miranda &amp; Almeida,    2002). Em 1994, Portugal subscreve a Recomenda&ccedil;&atilde;o n.&ordm; 1248    do Conselho da Europa, relativa &agrave; educa&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as    sobredotadas e, mais recentemente, em 2006, a Unidade Portuguesa da Rede Eurydice    do Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o participa num estudo europeu    sobre &quot;medidas educativas espec&iacute;ficas para promover todas as formas    de sobredota&ccedil;&atilde;o nas escolas da Europa&quot; e que viria a ser    apresentada na reuni&atilde;o dos Ministros da Educa&ccedil;&atilde;o sobre    esta mat&eacute;ria aquando da presid&ecirc;ncia Austr&iacute;aca do Conselho    da Uni&atilde;o Europeia (GEPE, ME, 2008).</p>     <p> Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; traject&oacute;ria hist&oacute;rica da    sobredota&ccedil;&atilde;o, especialmente da educa&ccedil;&atilde;o do aluno    sobredotado nos dois pa&iacute;ses, nota-se que o interesse no Brasil data do    in&iacute;cio do s&eacute;culo XX ao passo que em Portugal ocorre, pelo menos,    meio s&eacute;culo depois. Observa-se, ainda, que o in&iacute;cio do desenvolvimento    da &aacute;rea no Brasil foi impulsionado, sobretudo, pelos organismos governamentais,    enquanto em Portugal o envolvimento do Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o    foi sempre muito t&iacute;mido. A maior projec&ccedil;&atilde;o do tema da sobredota&ccedil;&atilde;o    nas duas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, em Portugal, decorre da actua&ccedil;&atilde;o    das associa&ccedil;&otilde;es, nomeadamente as suas iniciativas de forma&ccedil;&atilde;o    e de apoio directo aos alunos sobredotados e suas fam&iacute;lias.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b> Sobredota&ccedil;&atilde;o: Legisla&ccedil;&atilde;o </b></p>     <p>De acordo com Delou (2007), as ideias e ac&ccedil;&otilde;es de Helena Antipoff    tiveram grande influ&ecirc;ncia na educa&ccedil;&atilde;o dos alunos sobredotados    no Brasil. A Lei de Directrizes e Bases da Educa&ccedil;&atilde;o publicada    em 1961 &quot;dedicou os artigos 8&ordm; e 9&ordm; &agrave; educa&ccedil;&atilde;o    dos ´excepcionais`, palavra cunhada por Helena Antipoff para se referir tanto    aos deficientes mentais como aos sobredotados e aos que tinham problemas de    conduta&quot; (p. 28). Dez anos mais tarde, foi promulgada a Lei 5.692/1971    que determinava, explicitamente, &quot;que os alunos sobredotados deveriam receber    tratamento especial, de acordo com as normas fixadas pelos competentes Conselhos    de Educa&ccedil;&atilde;o&quot; (p. 29). Ainda na d&eacute;cada de 70, foi adoptada    oficialmente no Brasil, a seguinte defini&ccedil;&atilde;o de sobredota&ccedil;&atilde;o:    &quot;S&atilde;o consideradas crian&ccedil;as sobredotadas e talentosas as que    apresentam not&aacute;vel desempenho e/ou elevada potencialidade em qualquer    dos seguintes aspectos, isolados ou combinados: capacidade intelectual superior,    aptid&atilde;o acad&eacute;mica espec&iacute;fica, pensamento criador ou produtivo,    capacidade de lideran&ccedil;a, talento especial para artes visuais, artes dram&aacute;ticas    e m&uacute;sica e capacidade psicomotora&quot; (p. 2). </p>     <p>Em 1994, esta defini&ccedil;&atilde;o foi ligeiramente modificada, incluindo-se    o termo<i> altas habilidades</i>, substituindo-se <i>crian&ccedil;as</i> por    <i>educandos</i> e retirando-se<i> talentosas</i>, conforme documento <i>A Pol&iacute;tica    Nacional de Educa&ccedil;&atilde;o Especial</i>. Esta defini&ccedil;&atilde;o,    transcrita a seguir, foi amplamente divulgada em publica&ccedil;&atilde;o da    Secretaria de Educa&ccedil;&atilde;o Especial <i>Subs&iacute;dios para Organiza&ccedil;&atilde;o    e Funcionamento de Servi&ccedil;os de Educa&ccedil;&atilde;o Especial-&Aacute;rea    de Altas Habilidades</i> (Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o, 1995):    &quot;Portadores de altas habilidades/sobredotados s&atilde;o os educandos que    apresentam not&aacute;vel desempenho e elevada potencialidade em qualquer dos    seguintes aspectos, isolados ou combinados: capacidade intelectual superior;    aptid&atilde;o acad&eacute;mica espec&iacute;fica; pensamento criativo ou produtivo;    capacidade de lideran&ccedil;a; talento especial para artes e capacidade psicomotora&quot;    (p. 17).</p>     <p> No contexto da discuss&atilde;o mundial sobre inclus&atilde;o educacional,    foi publicada, em 1996, a Lei de Directrizes e Bases da Educa&ccedil;&atilde;o    Nacional 9.394 que, no seu artigo 4&ordm;, explicita que &eacute; dever do Estado    garantir atendimento educacional especializado gratuito aos educandos com necessidades    especiais, preferencialmente nas escolas regulares da rede p&uacute;blica de    ensino. Ademais, esta lei assegura a implementa&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;ticas    de acelera&ccedil;&atilde;o de estudos para o aluno sobredotado permitindo &quot;concluir    em menor tempo os cursos realizados no &acirc;mbito da Educa&ccedil;&atilde;o    B&aacute;sica e Superior&quot;. </p>     <p>Em 2001, a C&acirc;mara de Educa&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica do Conselho    Nacional de Educa&ccedil;&atilde;o homologou a Resolu&ccedil;&atilde;o n.&ordm;    2, que instituiu as Directrizes Nacionais da Educa&ccedil;&atilde;o Especial    para a Educa&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica e considerou alunos com altas habilidades/sobredota&ccedil;&atilde;o    aqueles que apresentam &quot;grande facilidade de aprendizagem que os leve a    dominar rapidamente conceitos, procedimentos e atitudes&quot; (p. 37). &quot;Tal    conceito traz a inova&ccedil;&atilde;o de tirar o foco do aluno, passando-o    para o processo de aprendizagem deste indiv&iacute;duo&quot; (Delou, 2007, p.    37). A Resolu&ccedil;&atilde;o n.&ordm; 02/2001, no seu artigo 8&ordm;, destaca    a necessidade das escolas preverem e proverem actividades que favore&ccedil;am    o aprofundamento e o enriquecimento curricular, mediante desafios suplementares    nas classes comuns, em sala de recursos ou em outros espa&ccedil;os definidos    pelos sistemas de ensino, inclusive para conclus&atilde;o, em menor tempo, da    s&eacute;rie ou etapa escolar. Esta resolu&ccedil;&atilde;o tratou, ainda, da    quest&atilde;o da forma&ccedil;&atilde;o de professores e sua capacita&ccedil;&atilde;o    para a educa&ccedil;&atilde;o especial. Recentemente, a Secretaria de Educa&ccedil;&atilde;o    Especial do Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o brasileiro reviu a defini&ccedil;&atilde;o    de sobredota&ccedil;&atilde;o ao elaborar a Pol&iacute;tica Nacional de Educa&ccedil;&atilde;o    Especial na Perspectiva da Educa&ccedil;&atilde;o Inclusiva, considerando que    os &quot;Alunos com altas habilidades/sobredota&ccedil;&atilde;o demonstram    potencial elevado em qualquer uma das seguintes &aacute;reas, isoladas ou combinadas:    intelectual, acad&eacute;mica, lideran&ccedil;a, psicomotricidade e artes, al&eacute;m    de apresentar grande criatividade, envolvimento na aprendizagem e realiza&ccedil;&atilde;o    de tarefas em &aacute;reas de seu interesse&quot; (Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o,    2008, p. 15).</p>     <p> Em Portugal &eacute; escassa a legisla&ccedil;&atilde;o na &aacute;rea do    atendimento aos alunos sobredotados. Para al&eacute;m de n&atilde;o se recorrer    a este termo na legisla&ccedil;&atilde;o dispon&iacute;vel, a aten&ccedil;&atilde;o    a estes alunos decorre quase exclusivamente da sensibilidade e iniciativa aut&oacute;noma    dos educadores, professores e t&eacute;cnicos. A Legisla&ccedil;&atilde;o Portuguesa    actual apenas contempla a acelera&ccedil;&atilde;o ou o salto de ano, e circunscrita    ao Ensino B&aacute;sico (os primeiros nove anos de escolaridade). Esta medida    educativa aparece designada por &quot;casos especiais de progress&atilde;o&quot;    (Despacho Normativo 1 de 2005 de 5 de Janeiro) e destina-se a &quot;alunos que    revelem capacidades excepcionais de aprendizagem, que apresentem um adequado    grau de maturidade e, o desenvolvimento das compet&ecirc;ncias previstas para    o ciclo que frequentam&quot;. A legisla&ccedil;&atilde;o prev&ecirc; ainda (Despacho    Normativo 50 de 2005 de 9 de Novembro) que se apliquem os &quot;planos de desenvolvimento&quot;    a alunos que manifestem capacidades excepcionais de aprendizagem, podendo esses    planos integrar as seguintes modalidades de apoio (a) pedagogia diferenciada    na sala de aula; (b) programas de tutoria para apoio a estrat&eacute;gias de    estudo e aconselhamento ao aluno; e, (c) actividades de enriquecimento curricular    em qualquer momento do ano lectivo ou in&iacute;cio de um novo ano escolar (Almeida    &amp; Oliveira, 2010; Miranda, Almeida, &amp; Almeida, 2010). De acrescentar    que a Lei de Bases do Sistema Educativo (Lei n.&ordm; 46/1986 com altera&ccedil;&otilde;es    introduzidas pela Lei 115/97, de 19 de Setembro, e pela Lei 49/2005, de 30 de    Agosto) previa a igualdade de oportunidades no acesso e sucesso escolar para    todos os alunos, o que era usado pelas associa&ccedil;&otilde;es para defenderem    uma aten&ccedil;&atilde;o educativa individualizada tamb&eacute;m para os alunos    sobredotados. O recente Decreto-Lei 3/2008 que enquadra a Educa&ccedil;&atilde;o    Especial circunscreve-a &quot;aos alunos com limita&ccedil;&otilde;es significativas    ao n&iacute;vel da actividade e participa&ccedil;&atilde;o num ou v&aacute;rios    dom&iacute;nios da sua vida, decorrentes de altera&ccedil;&otilde;es funcionais    e estruturais de car&aacute;cter permanente, resultando dificuldades continuadas    ao n&iacute;vel da comunica&ccedil;&atilde;o, da aprendizagem, do relacionamento    interpessoal e da participa&ccedil;&atilde;o social&quot; (Miranda, Almeida,    &amp; Almeida, 2010, p. 42). Finalmente, por despacho do Secret&aacute;rio de    Estado da Educa&ccedil;&atilde;o de 16 de Maio de 2008, os pedidos de ingresso    antecipado na escola passam a ser dirigidos ao Director do Agrupamento de Escolas    ou ao Director Regional. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Uma outra realidade legislativa em Portugal ocorre na Regi&atilde;o Aut&oacute;noma    da Madeira. Usando a sua autonomia, a legisla&ccedil;&atilde;o explicita os    apoios aos &quot;alunos sobredotados&quot;, tendo-se criado programas de forma&ccedil;&atilde;o    de professores e psic&oacute;logos na &aacute;rea da sobredota&ccedil;&atilde;o,    recorrendo a t&eacute;cnicos portugueses e estrangeiros. Ao longo de duas d&eacute;cadas    foram constitu&iacute;das equipas multidisciplinares servindo as escolas e as    fam&iacute;lias destes alunos, foram validados instrumentos nacionais e internacionais    para a sinaliza&ccedil;&atilde;o e o diagn&oacute;stico destes alunos, e foram    implementados e avaliados programas de interven&ccedil;&atilde;o. </p>     <p>No que diz respeito &agrave; legisla&ccedil;&atilde;o acerca da educa&ccedil;&atilde;o    do aluno sobredotado, ao se comparar o cen&aacute;rio brasileiro e o portugu&ecirc;s    (excluindo-se aqui a Regi&atilde;o Aut&oacute;noma da Madeira), observa-se que    no Brasil a preocupa&ccedil;&atilde;o em assegurar legalmente os direitos e    o atendimento &agrave;s necessidades destes alunos tem j&aacute; bastante tradi&ccedil;&atilde;o.    Sem paralelo com Portugal, existe no Brasil um bom n&uacute;mero de leis, resolu&ccedil;&otilde;es    e documentos governamentais orientando a escola no atendimento espec&iacute;fico    a estes alunos. Mesmo assim, o desconhecimento da legisla&ccedil;&atilde;o e    das pr&aacute;ticas educacionais apropriadas ao aluno sobredotado enfraquecem    o cumprimento efectivo das leis e resolu&ccedil;&otilde;es legislativas, como    veremos no ponto seguinte.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b> Sobredota&ccedil;&atilde;o: Programas e servi&ccedil;os de atendimento </b></p>     <p>A maioria dos programas brasileiros para alunos sobredotados reporta-se a   programas de enriquecimento curricular, implementados tendencialmente duas   vezes na semana em hor&aacute;rio suplementar &agrave;s aulas regulares. De maneira geral, no   processo de identifica&ccedil;&atilde;o dos alunos sobredotados usam-se v&aacute;rios recursos incluindo   notas escolares, resultados em testes psicom&eacute;tricos, indica&ccedil;&atilde;o de professores   e observa&ccedil;&atilde;o em sala de aula, por exemplo. Al&eacute;m das habilidades cognitivas,   avaliam-se tamb&eacute;m os n&iacute;veis de motiva&ccedil;&atilde;o e de criatividade.</p>     <p>&Eacute; importante destacar o esfor&ccedil;o do Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o na cria&ccedil;&atilde;o dos   N&uacute;cleos de Actividades de Altas Habilidades/Sobredota&ccedil;&atilde;o (NAAHS) em 2005,   estimulando o envolvimento dos Estados Brasileiros na educa&ccedil;&atilde;o do sobredotado.   Apenas a t&iacute;tulo ilustrativo, um dos programas mais antigos &eacute; oferecido pela Secretaria   de Estado de Educa&ccedil;&atilde;o do Distrito Federal, desde 1975, promovendo o   desenvolvimento social e ajuste escolar, abordagem de assuntos n&atilde;o contemplados   no curr&iacute;culo regular ou assuntos acad&eacute;micos avan&ccedil;ados e desafiadores, para al&eacute;m   de actividades nas &aacute;reas art&iacute;sticas. O Projeto de Orienta&ccedil;&atilde;o e Identifica&ccedil;&atilde;o de   Talentos (POIT) teve in&iacute;cio em 1972, em S&atilde;o Paulo, implantado pelo Col&eacute;gio Objetivo.   Cursos extracurriculares nas &aacute;reas de interesses e habilidades dos alunos,   ou sobre compet&ecirc;ncias de relacionamento interpessoal, s&atilde;o oferecidos aos participantes   do projecto (Alencar, Fleith, &amp; Arancibia, 2009). O Centro para o Desenvolvimento   do Potencial e do Talento (CEDET) fundado em 1993, em Minas Gerais,   com apoio da Secretaria Municipal de Educa&ccedil;&atilde;o de Lavras, oferece um programa   de enriquecimento para alunos mais capazes, tendo em vista o est&iacute;mulo &agrave;s suas habilidades   e o seu desenvolvimento emocional e pessoal. De mencionar o Instituto   Social Maria Telles (ISMART), criado em 1999, visando a prepara&ccedil;&atilde;o de uma nova   gera&ccedil;&atilde;o de l&iacute;deres, identificar e incentivar alunos sobredotados de comunidades   pobres provendo oportunidades educacionais que os levem a frequentar institui&ccedil;&otilde;es   de ensino superior de excel&ecirc;ncia e a desenvolver uma carreira profissional de sucesso (Alencar, Fleith, &amp; Arancibia, 2009). A Assessoria Cultural e Educacional de   Resgate a Talentos Acad&ecirc;micos (ACERTA) desenvolve um trabalho especializado   com crian&ccedil;as e jovens sobredotados, suas fam&iacute;lias, profissionais e institui&ccedil;&otilde;es de   ensino e cultura. Por outro lado, t&atilde;o importantes quanto os programas oferecidos   aos alunos s&atilde;o os servi&ccedil;os disponibilizados aos pais. Embora escassos, eles t&ecirc;m   sido oferecidos por algumas institui&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais e por universidades.   O Instituto para Otimiza&ccedil;&atilde;o da Aprendizagem, por exemplo, tem promovido encontros   de educa&ccedil;&atilde;o familiar sobre o desenvolvimento do sobredotado. Tamb&eacute;m   em 2002, a Universidade de Bras&iacute;lia criou o Servi&ccedil;o de Apoio Psicoeducacional a   Pais de Alunos Sobredotados, possibilitando compartilhar experi&ecirc;ncias e discutir   estrat&eacute;gias familiares favor&aacute;veis ao desenvolvimento do talento (Alencar, Fleith, &amp;   Arancibia, 2009).</p>     <p> Em Portugal, respondendo a solicita&ccedil;&otilde;es das fam&iacute;lias,    as associa&ccedil;&otilde;es existentes na &aacute;rea da sobredota&ccedil;&atilde;o    desenvolvem programas de atendimento a estes alunos. A Associa&ccedil;&atilde;o    Portuguesa de Crian&ccedil;as Sobredotadas (APCS) foi pioneira neste campo e    em 1987 desenvolve o seu primeiro programa de enriquecimento na Escola Superior    de Educa&ccedil;&atilde;o de Santa Maria no Porto, sob a coordena&ccedil;&atilde;o    da Doutora Zenita Guenther. Em 1995, em pareceria com a Escola Superior de Educa&ccedil;&atilde;o    de Paula Frassinetti, tamb&eacute;m no Porto, a APCS inicia o programa &quot;S&aacute;bados    Diferentes&quot; de enriquecimento para alunos sobredotados (Miranda &amp; Almeida,    2002; Serra, 2000). Os programas desenvolvidos pela Associa&ccedil;&atilde;o    Nacional para o Estudo e Interven&ccedil;&atilde;o na Sobredota&ccedil;&atilde;o    (ANEIS), nas capitais de v&aacute;rios distritos do Pa&iacute;s, atendem crian&ccedil;as    e adolescentes a solicita&ccedil;&atilde;o de fam&iacute;lias e escolas. Estes    programas de enriquecimento assumem forma diversa nos seus objectivos e actividades    de acordo com os utentes e os t&eacute;cnicos envolvidos, e geralmente t&ecirc;m    lugar aos s&aacute;bados. A ANEIS realiza tamb&eacute;m um programa de enriquecimento    nas f&eacute;rias de ver&atilde;o destinado a adolescentes o Programa &quot;ETC...&quot;    j&aacute; referido anteriormente (Oliveira &amp; Guimar&atilde;es, 2003; Palhares,    Oliveira &amp; Melo, 2000). Progressivamente, algumas escolas p&uacute;blicas    e privadas organizam clubes e ateliers reunindo os seus alunos mais capazes    em programas de enriquecimento curricular e extracurricular em fun&ccedil;&atilde;o    dos respectivos talentos (Miranda &amp; Almeida, 2005) </p>     <p>Para al&eacute;m dos programas de enriquecimento, importa lembrar outras formas   de apoio aos alunos sobredotados. As associa&ccedil;&otilde;es desenvolvem consultadoria &agrave;s   escolas e &agrave;s fam&iacute;lias, al&eacute;m da consulta psicol&oacute;gica e apoio educativo individualizado.   Ainda em Portugal, merece refer&ecirc;ncia um programa de atendimento aos alunos   sobredotados na Regi&atilde;o Aut&oacute;noma da Madeira. De in&iacute;cio, atrav&eacute;s de profissionais   especificamente recrutados pelo Governo Regional para o efeito, implementouse   o Programa Regional de Apoio aos Sobredotados (PRAS), estando hoje tais   recursos humanos integrados nas estruturas escolares de educa&ccedil;&atilde;o especial e coordenados   atrav&eacute;s da Divis&atilde;o de Investiga&ccedil;&atilde;o em Educa&ccedil;&atilde;o Especial, Reabilita&ccedil;&atilde;o   e Sobredota&ccedil;&atilde;o (DIEERS). Esta Divis&atilde;o inclui nos seus objectivos a forma&ccedil;&atilde;o de   profissionais, a realiza&ccedil;&atilde;o de estudos, a valida&ccedil;&atilde;o de instrumentos de avalia&ccedil;&atilde;o e   a implementa&ccedil;&atilde;o e avalia&ccedil;&atilde;o de programas de atendimento aos alunos sobredotados,   situa&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o tem qualquer paralelo com a realidade educativa no resto   do Pa&iacute;s.</p>     <p>Analisando a situa&ccedil;&atilde;o no Brasil e em Portugal ao n&iacute;vel    do atendimento aos alunos sobredotados, podemos afirmar que a generalidade dos    programas e servi&ccedil;os oferecidos aos alunos sobredotados e suas fam&iacute;lias    decorre do esfor&ccedil;o de institui&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais.    As associa&ccedil;&otilde;es na &aacute;rea t&ecirc;m suprido a falta de investimento    dos governos, situa&ccedil;&atilde;o esta que ocorre sobretudo em Portugal (excluindo    a Regi&atilde;o Aut&oacute;noma da Madeira). De novo, tamb&eacute;m ao n&iacute;vel    da interven&ccedil;&atilde;o, a traject&oacute;ria brasileira &eacute; mais    longa do que a portuguesa. Ao mesmo tempo, assiste-se no Brasil a uma maior    diversidade de programas de atendimento destes alunos, desde a educa&ccedil;&atilde;o    b&aacute;sica ao ensino superior, diferindo a situa&ccedil;&atilde;o entre os    v&aacute;rios Estados Brasileiros e reflectindo a extens&atilde;o e as caracter&iacute;sticas    regionais do Pa&iacute;s. Por &uacute;ltimo, as actividades de apoio integram-se,    basicamente, no que a literatura considera os &quot;programas de enriquecimento&quot;    ou na inclus&atilde;o do aluno em curr&iacute;culos mais avan&ccedil;ados atrav&eacute;s    da sua acelera&ccedil;&atilde;o escolar (entrada antecipada na escola ou salto    de classe no educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica), havendo ali&aacute;s v&aacute;rios    estudos recentes avaliando esta &uacute;ltima medida educativa (Oliveira, 2007;    Pacheco, 2008; Silva, 2008).</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b> Sobredota&ccedil;&atilde;o: Forma&ccedil;&atilde;o de professores e outros profissionais</b></p>     <p>No Brasil, praticamente n&atilde;o existem cursos de n&iacute;vel superior, tanto ao n&iacute;vel   de mestrado ou doutoramento, espec&iacute;ficos na &aacute;rea de sobredota&ccedil;&atilde;o. Pouqu&iacute;ssimas   institui&ccedil;&otilde;es oferecem cursos de especializa&ccedil;&atilde;o sobre a educa&ccedil;&atilde;o do aluno sobredotado.    Da mesma forma, em alguns poucos cursos de gradua&ccedil;&atilde;o de Psicologia e Pedagogia existem disciplinas optativas sobre Criatividade, Desenvolvimento do Talento e Sobredota&ccedil;&atilde;o, nem sempre de forma sistem&aacute;tica, situa&ccedil;&atilde;o que se repete   em alguns programas de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Os profissionais que actuam nos programas e servi&ccedil;os de atendimento ao sobredotado   e suas fam&iacute;lias s&atilde;o geralmente capacitados por meio de cursos, palestras,    oficinas e participa&ccedil;&atilde;o em congressos, muitas vezes atrav&eacute;s de parcerias   entre associa&ccedil;&otilde;es e universidades. O Conselho Brasileiro para Sobredota&ccedil;&atilde;o   (ConBraSD), por exemplo, organiza a cada dois anos um encontro nacional, incluindo   palestrantes de renome nacional e internacional<sup>[<a href="#1">1</a>]<a name="top1"></a></sup>. O Centro de Desenvolvimento   de Talentos (CEDET), em Minas Gerais, tamb&eacute;m tem promovido eventos   cient&iacute;ficos na &aacute;rea com bastante regularidade. Com a implanta&ccedil;&atilde;o dos N&uacute;cleos de   Actividades de Altas Habilidades/Sobredota&ccedil;&atilde;o (NAAH/S), nos &uacute;ltimos tr&ecirc;s anos,   o Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o ampliou o seu apoio &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o de semin&aacute;rios e cursos de capacita&ccedil;&atilde;o em v&aacute;rios Estados Brasileiros.</p>     <p> Em Portugal, a forma&ccedil;&atilde;o de educadores de inf&acirc;ncia, professores    e psic&oacute;logos, apenas para se mencionarem os profissionais mais directamente    relacionados com a tem&aacute;tica, n&atilde;o inclui uma forma&ccedil;&atilde;o    espec&iacute;fica na &aacute;rea da sobredota&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o existem,    tamb&eacute;m, cursos espec&iacute;ficos de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o    para a forma&ccedil;&atilde;o na &aacute;rea, sendo tamb&eacute;m escassos os    curr&iacute;culos de licenciaturas e de mestrados em educa&ccedil;&atilde;o    e psicologia que incluem m&oacute;dulos dedicadas &agrave; sobredota&ccedil;&atilde;o.    A forma&ccedil;&atilde;o dos profissionais na &aacute;rea da sobredota&ccedil;&atilde;o    est&aacute; claramente dependente das associa&ccedil;&otilde;es, mesmo que nas    Academias seja cada vez mais frequente a realiza&ccedil;&atilde;o de teses de    mestrado e de doutoramento na &aacute;rea da sobredota&ccedil;&atilde;o, excel&ecirc;ncia,    desenvolvimento de talentos e criatividade (Miranda &amp; Almeida,<i> in press</i>).</p>     <p>Em Portugal, o Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o mant&eacute;m uma posi&ccedil;&atilde;o de pouco comprometimento   na &aacute;rea, apesar de uns anos atr&aacute;s, na d&eacute;cada de 80, ter protocolado   com o CPCIL v&aacute;rias ac&ccedil;&otilde;es de forma&ccedil;&atilde;o de professores por todo o Pa&iacute;s, inclusive   a implementa&ccedil;&atilde;o do projecto de Apoio ao Desenvolvimento Precoce (PADP) em   escolas b&aacute;sicas da Grande Lisboa entre 1996 e 1998 (Miranda &amp; Almeida, 2002).   Exceptuando o que ocorre na Regi&atilde;o Aut&oacute;noma da Madeira, onde o Governo Regional   apoia a forma&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua de professores e psic&oacute;logos para a sinaliza&ccedil;&atilde;o e   atendimento dos alunos sobredotados, a forma&ccedil;&atilde;o nesta &aacute;rea &eacute; mais tolerada, que conscientemente promovida, pelas estruturas educativas portuguesas.</p>     <p> Quanto &agrave; forma&ccedil;&atilde;o dos profissionais na &aacute;rea de    sobredota&ccedil;&atilde;o, podemos concluir que os cen&aacute;rios brasileiro    e portugu&ecirc;s s&atilde;o similares. As institui&ccedil;&otilde;es de ensino    superior n&atilde;o oferecem cursos espec&iacute;ficos, menos ainda sistem&aacute;ticos,    na &aacute;rea. A capacita&ccedil;&atilde;o de professores e outros profissionais    decorre, em grande parte, por iniciativa das associa&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnico-cient&iacute;ficas,    geralmente atrav&eacute;s de semin&aacute;rios e congressos. A Academia e as    estruturas governamentais, sobretudo no Brasil, apoiam a realiza&ccedil;&atilde;o    desses eventos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Sobredota&ccedil;&atilde;o: Produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica</b></p>     <p>A produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica brasileira na &aacute;rea da sobredota&ccedil;&atilde;o &eacute; fruto especialmente   de disserta&ccedil;&otilde;es de mestrado e teses de doutorado. Tais estudos t&ecirc;m sido sobretudo   conduzidos em institui&ccedil;&otilde;es federais, como a Universidade Federal de Santa   Maria e a Universidade de Bras&iacute;lia, e em universidades cat&oacute;licas, tais como a Pontif&iacute;cia   Universidade Cat&oacute;lica de Campinas, do Rio de Janeiro, do Rio Grande do   Sul e a Universidade Cat&oacute;lica de Bras&iacute;lia. Por sua vez, diversos estudos e artigos   t&ecirc;m sido publicados em peri&oacute;dicos cient&iacute;ficos na &aacute;rea de Educa&ccedil;&atilde;o Especial ou da   Psicologia (n&atilde;o existe no Brasil uma revista espec&iacute;fica na &aacute;rea sobredota&ccedil;&atilde;o). Estas   publica&ccedil;&otilde;es intensificaram-se, no Brasil, a partir de 2000 quando o assunto da   sobredota&ccedil;&atilde;o passou a ser mais discutido na sociedade e a ter maior visibilidade.   Entre os temas mais investigados podemos apontar: (a) a percep&ccedil;&atilde;o de alunos, pais   e professores sobre sobredota&ccedil;&atilde;o; (b) a caracteriza&ccedil;&atilde;o e identifica&ccedil;&atilde;o do aluno   sobredotado; (c) o papel da fam&iacute;lia no desenvolvimento de talentos; e (d) a avalia&ccedil;&atilde;o   de programas para sobredotados.</p>     <p>Uma maior tradi&ccedil;&atilde;o existe no Brasil relativamente &agrave; edi&ccedil;&atilde;o    de livros sobre o tema, em particular nas d&eacute;cadas de 70 e 80, por exemplo    <i>Desenvolvimento Psicol&oacute;gico do Sobredotado</i> (Novaes, 1979) e<i>    Psicologia e Educa&ccedil;&atilde;o do Sobredotado</i> (Alencar, 1986). A partir    de 2000, v&aacute;rios outros livros foram editados, por exemplo <i>Educando    os mais capazes</i> (Freeman &amp; Guenter, 2000), <i>Desenvolver capacidades    e talentos - Um conceito de inclus&atilde;o</i> (Guenther, 2000), <i>Talento    e sobredota&ccedil;&atilde;o: Problema ou solu&ccedil;&atilde;o?</i> (Sabatella,    2005); <i>Educa&ccedil;&atilde;o e Altas Habilidades/Sobredota&ccedil;&atilde;o:    A Ousadia de Rever Conceitos e Pr&aacute;ticas</i> (Freitas, 2006); <i>Educa&ccedil;&atilde;o    de Sobredotados: Teoria e Pr&aacute;tica</i> (Gama, 2006); e <i>Desenvolvimento    de Talentos e Altas Habilidades-Orienta&ccedil;&atilde;o a Pais e Professores</i>    (Fleith &amp; Alencar, 2007).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No contexto portugu&ecirc;s, a maior parte da produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica    na &aacute;rea da sobredota&ccedil;&atilde;o decorre de projectos de investiga&ccedil;&atilde;o    e de teses de mestrado e de dou toramento realizadas nas Universidades e Institutos    Superiores Polit&eacute;cnicos. No que diz respeito &agrave;s teses de doutoramento,    podemos classificar os assuntos versados em tr&ecirc;s grandes &aacute;reas:    Uma primeira relacionada com a caracteriza&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o    sobredotada; uma segunda &aacute;rea relacionada com a avalia&ccedil;&atilde;o    do impacto das respostas educativas; e, por &uacute;ltimo, outra &aacute;rea    direccionada para a avalia&ccedil;&atilde;o das caracter&iacute;sticas de sobredota&ccedil;&atilde;o    destes alunos. Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s disserta&ccedil;&otilde;es    de mestrado, e de acordo com um estudo recente (Miranda &amp; Almeida,<i> in    press</i>), podemos referir duas dezenas de teses de mestrados na &aacute;rea    da sobredota&ccedil;&atilde;o nesta&uacute;ltima d&eacute;cada. Relativamente    &agrave;s tem&aacute;ticas presentes estas s&atilde;o bastante diversas, por    exemplo sinaliza&ccedil;&atilde;o/identifica&ccedil;&atilde;o, avalia&ccedil;&atilde;o    e caracteriza&ccedil;&atilde;o, desenvolvimento social do sobredotado, estrat&eacute;gias    educativas familiares, e impacto de programas e medidas educativas espec&iacute;ficas    junto destes alunos. Um maior n&uacute;mero destas teses foi apresentado nas    Universidades do Minho, Coimbra e Porto, sendo de 1998 a primeira tese de doutoramento    em Portugal dedicada &agrave;s crian&ccedil;as sobredotadas (Pereira, 1998).    Para al&eacute;m de teses acad&eacute;micas de mestrado e de doutoramento, v&aacute;rios    estudos foram conduzidos e na generalidade os seus artigos aparecem publicados    na revista Sobredota&ccedil;&atilde;o (propriedade editorial da ANEIS desde    2000). Estes estudos repartem-se tamb&eacute;m por tem&aacute;ticas bastante    heterog&eacute;neas, por exemplo: (i) o conceito; (ii) percep&ccedil;&atilde;o    e atitudes do professor, dos pais e dos alunos sobredotados; (iii) a constru&ccedil;&atilde;o    e valida&ccedil;&atilde;o de instrumentos e de modelos de identifica&ccedil;&atilde;o    e avalia&ccedil;&atilde;o; (iv) as caracter&iacute;sticas cognitivas e de aprendizagem    dos alunos sobredotados; ou, (v) a an&aacute;lise de talentos e excel&ecirc;ncia    em dom&iacute;nios espec&iacute;ficos.</p>     <p> Inegavelmente, tanto no Brasil quanto em Portugal, a pesquisa e a publica&ccedil;&atilde;o    na &aacute;rea de sobredota&ccedil;&atilde;o confina-se ao meio acad&eacute;mico,    sendo que em Portugal a ANEIS tem tamb&eacute;m um papel relevante ao assumir    a edi&ccedil;&atilde;o de uma revista espec&iacute;fica na &aacute;rea desde    2000. As percep&ccedil;&otilde;es de professores, pais e alunos, a caracteriza&ccedil;&atilde;o    e avalia&ccedil;&atilde;o destes alunos, os programas de apoio e a sua avalia&ccedil;&atilde;o    s&atilde;o os temas dominantes da investiga&ccedil;&atilde;o em curso. No contexto    brasileiro, ao contr&aacute;rio do portugu&ecirc;s, observa-se um maior interesse    na investiga&ccedil;&atilde;o do papel da fam&iacute;lia no desenvolvimento    do talento, havendo em Portugal maior investimento na valida&ccedil;&atilde;o    de instrumentos para a identifica&ccedil;&atilde;o e avalia&ccedil;&atilde;o    dos alunos com caracter&iacute;sticas de sobredotado. Por &uacute;ltimo, &eacute;    maior a tradi&ccedil;&atilde;o do Brasil na publica&ccedil;&atilde;o de livros,    havendo em Portugal maior tend&ecirc;ncia para a publica&ccedil;&atilde;o de    artigos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b> Agenda para a pr&oacute;xima d&eacute;cada: Aproximando os dois pa&iacute;ses </b></p>     <p>A compara&ccedil;&atilde;o da traject&oacute;ria da legisla&ccedil;&atilde;o, pesquisa e interven&ccedil;&atilde;o no Brasil e   em Portugal na &aacute;rea da sobredota&ccedil;&atilde;o aponta diferen&ccedil;as entre os dois Pa&iacute;ses. Por   exemplo, a par de uma maior consist&ecirc;ncia hist&oacute;rica da &aacute;rea no Brasil, tamb&eacute;m a   legisla&ccedil;&atilde;o neste Pa&iacute;s &eacute; um factor determinante da legitimidade e do investimento   p&uacute;blico na sobredota&ccedil;&atilde;o. Em Portugal, exceptuando a realidade educativa na Regi&atilde;o   Aut&oacute;noma da Madeira, o tema da sobredota&ccedil;&atilde;o &eacute; mais tolerado que investido   por parte das autoridades governativas.</p>     <p>Como nenhum fen&oacute;meno em educa&ccedil;&atilde;o se encontra cabalmente estudado e nenhum   problema solucionado em definitivo, podemos aceitar que Brasil e Portugal   podem trilhar um caminho comum na &aacute;rea da sobredota&ccedil;&atilde;o, aproveitando a proximidade   lingu&iacute;stica e cultural, assim como o significativo interc&acirc;mbio acad&eacute;mico.   Face aos desafios e &agrave;s &aacute;reas de potencial desenvolvimento, faz sentido propormos   uma agenda comum de ac&ccedil;&otilde;es para os pr&oacute;ximos anos: Realiza&ccedil;&atilde;o de estudos   transculturais sobre sobredota&ccedil;&atilde;o; Realiza&ccedil;&atilde;o de estudos interdisciplinares sobre   sobredota&ccedil;&atilde;o de forma a ampliar a compreens&atilde;o transdisciplinar deste fen&oacute;meno,   para al&eacute;m do olhar da Psicologia e Educa&ccedil;&atilde;o; Revis&atilde;o e discuss&atilde;o dos termos   utilizados para designar o fen&oacute;meno da sobredota&ccedil;&atilde;o; Edi&ccedil;&atilde;o conjunta de manuais   por pesquisadores e educadores brasileiros e portugueses; Publica&ccedil;&atilde;o de uma revista   luso-brasileira sobre sobredota&ccedil;&atilde;o; Organiza&ccedil;&atilde;o de eventos cient&iacute;ficos lusobrasileiros   na &aacute;rea de educa&ccedil;&atilde;o do sobredotado e desenvolvimento de talentos;   Interc&acirc;mbio de alunos brasileiros e portugueses de gradua&ccedil;&atilde;o e p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o; Visitas   e miss&otilde;es t&eacute;cnico-cient&iacute;ficas entre os dois pa&iacute;ses envolvendo pesquisadores   e educadores que actuam na &aacute;rea de sobredota&ccedil;&atilde;o; Busca de parceiros do meio   industrial, comercial e pol&iacute;tico, no Brasil e em Portugal, que auxiliem na implementa&ccedil;&atilde;o   e/ou manuten&ccedil;&atilde;o de projectos na &aacute;rea de sobredota&ccedil;&atilde;o; Estabelecimento de   conv&eacute;nios entre institui&ccedil;&otilde;es brasileiras e portuguesas que ofere&ccedil;am servi&ccedil;os de   atendimento aos sobredotados e suas fam&iacute;lias; Amplia&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o entre   profissionais do Brasil e Portugal que actuam em programas e servi&ccedil;os de atendimento   ao sobredotado com uso de recursos da tecnologia digital; Planeamento e   implementa&ccedil;&atilde;o de cursos de especializa&ccedil;&atilde;o na &aacute;rea de sobredota&ccedil;&atilde;o que incluam   professores dos dois pa&iacute;ses; Sensibiliza&ccedil;&atilde;o dos legisladores acerca da import&acirc;ncia   e necessidade de elabora&ccedil;&atilde;o de leis que garantam oportunidades educacionais   compat&iacute;veis com o potencial dos sobredotados; Divulga&ccedil;&atilde;o nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o   social de programas e servi&ccedil;os de atendimento ao aluno sobredotado que   tenham obtido sucesso; e, Amplia&ccedil;&atilde;o da oferta de servi&ccedil;os de forma&ccedil;&atilde;o e apoio &agrave; fam&iacute;lia do sobredotado.</p>     <p> Concluindo, num mundo caracterizado pela globaliza&ccedil;&atilde;o, r&aacute;pidas    transforma&ccedil;&otilde;es, alta competitividade e renova&ccedil;&atilde;o    cont&iacute;nua de ideias, produtos e tecnologia, &eacute; essencial investir    no talento e no potencial criativo. Conforme explica Ziegler (2009), &quot;na&ccedil;&otilde;es    que t&ecirc;m <i>expertise</i> para ajudar os seus talentos a desenvolverem    seu pleno potencial garantem n&atilde;o somente prosperidade, mas tamb&eacute;m    progresso social, cultural, cient&iacute;fico e econ&oacute;mico&quot; (p. 1511).    Brasil e Portugal podem juntar esfor&ccedil;os para a promo&ccedil;&atilde;o    desta &aacute;rea do conhecimento, estimulando um sentimento de compromisso    colectivo na cria&ccedil;&atilde;o das melhores condi&ccedil;&otilde;es para    o desenvolvimento das potencialidades singulares, talentos e altas habilidades    dos seus cidad&atilde;os.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Nota</b></p>     <p><a href="#top1">1</a><a name="1"></a></sup> Cf. <a href="http://www.conbrasd.com.br" target="_blank">www.conbrasd.com.br</a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <p> Alencar, E. M. L. S. (1986).<i> Psicologia e educa&ccedil;&atilde;o do sobredotado</i>.    S&atilde;o Paulo: EPU.</p>     <p> Alencar, E. M. L. S., Fleith, D. S., &amp; Arancibia, V. (2009). Gifted education    and research on giftedness in South America. In L. Shavinina (Ed.),<i> International    handbook of giftedness</i> (pp. 1491-1506). New York: Springer.</p>     <!-- ref --><p>Almeida, L. &amp; Oliveira, E. (2010). Los alumnos con caracter&iacute;sticas    de sobredotaci&oacute;n: la situaci&oacute;n actual en Portugal, REIFOP, 13    (1). A partir de web: <a href="http://www.aufop.com" target="_blank">http://www.aufop.com</a>    - Agosto de 2010.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000077&pid=S1645-7250201000020000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p> Almeida, L. S., Pereira, M. A., Miranda, L., &amp; Oliveira, E. P. (2003).    A investiga&ccedil;&atilde;o na &aacute;rea da sobredota&ccedil;&atilde;o em    Portugal: Projectos e resultados. <i>Sobredota&ccedil;&atilde;o</i>, 4, 7-27.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000078&pid=S1645-7250201000020000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p> Delou, C. M. C. (2007). Educa&ccedil;&atilde;o de alunos com altas habilidades/sobredota&ccedil;&atilde;o:    Legisla&ccedil;&atilde;o e pol&iacute;ticas educacionais para a inclus&atilde;o.    In D. S. Fleith (Ed.), <i>A constru&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;ticas educacionais    para alunos com altashabilidades/sobredota&ccedil;&atilde;o. Orienta&ccedil;&atilde;o    a professores</i> (pp. 25-39). Bras&iacute;lia: MEC/SEESP.</p>     <p> Fleith, D. S., &amp; Alencar, E. M. L. S. (Eds.). (2007). <i>Desenvolvimento    de talentos e altas habilidades. Orienta&ccedil;&atilde;o a pais e professores</i>.    Porto Alegre: Artmed.</p>     <p> Freeman, J., &amp; Guenther, Z. C. (2000).<i> Educando os mais capazes</i>.    S&atilde;o Paulo: EPU.</p>     <p> Freitas, S. N. (Ed.). (2006). <i>Educa&ccedil;&atilde;o e altas habilidades/sobredota&ccedil;&atilde;o:    A ousadia de rever conceitos e pr&aacute;ticas</i>. Santa Maria: Universidade    Federal de Santa Maria.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Gama, M. C. S. (2006). <i>Educa&ccedil;&atilde;o de sobredotados: Teoria e    pr&aacute;tica</i>. S&atilde;o Paulo: EPU. Gabinete de Estat&iacute;stica e    Planeamento - Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o (2008). A Educa&ccedil;&atilde;o    dos Sobredotados na Europa. Lisboa: GEPE- ME.</p>     <p> Guenther, Z. C. (2000). <i>Desenvolver capacidades e talentos: Um conceito    de inclus&atilde;o</i>. Petr&oacute;polis: Vozes.Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o    (1971). Lei 5692. Bras&iacute;lia: </p>     <p>Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o (1971).<i> Lei 5692</i>. Bras&iacute;lia:    Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o e Cultura.</p>     <p>Minist&eacute;rio de Educa&ccedil;&atilde;o e Cultura. Minist&eacute;rio da    Educa&ccedil;&atilde;o (1995). <i>Diretrizes gerais para o atendimento aos alunos    portadores de altas habilidades/sobredota&ccedil;&atilde;o e talentos</i>. Bras&iacute;lia:    MEC/SEESP. </p>     <p>Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o (2005). <i>N&uacute;cleos de atividades    de altas habilidades/sobredota&ccedil;&atilde;o</i>. Bras&iacute;lia: MEC/SEESP.</p>     <!-- ref --><p> Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o (2008). Pol&iacute;tica Nacional    de Educa&ccedil;&atilde;o Especial na perspectiva da educa&ccedil;&atilde;o    inclusiva.<i> Inclus&atilde;o-Revista de Educa&ccedil;&atilde;o Especial</i>,    4, 7-17.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000088&pid=S1645-7250201000020000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p> Marland, S. (1972). <i>Education of the gifted and talented: Report to the    Congress of the United States by the U.S. Comissioner of Education and background    papers submitted to the U.S. Office of Education</i>. Washington, DC: U.S. Government    Printing Office.</p>     <!-- ref --><p> Miranda, L, &amp; Almeida, L. S. (2002). Sobredota&ccedil;&atilde;o em Portugal:    Contributos das associa&ccedil;&otilde;es portuguesas para a divulga&ccedil;&atilde;o    do tema. <i>Sobredota&ccedil;&atilde;o</i>, 2, 43-54.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000090&pid=S1645-7250201000020000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p> Miranda, L. &amp; Almeida, L. S. (2005). &quot;Odisseia&quot;: Um programa    de enriquecimento escolar para alunos do 2&ordm; ciclo do ensino b&aacute;sico.    <i>Sobredota&ccedil;&atilde;o</i>, 6, 221-236.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000091&pid=S1645-7250201000020000700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p> Miranda, L., Almeida, L., &amp; Almeida, A. (2010). O aluno sobredotado na    escola portuguesa: Que apoios educativos?.<i> Sonhar</i>, 1, 67-82.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000092&pid=S1645-7250201000020000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p> Miranda, L., &amp; Almeida, L. S. (in press). A investiga&ccedil;&atilde;o    em Portugal em torno da sobredota&ccedil;&atilde;o e da excel&ecirc;ncia: An&aacute;lise    a partir das teses de mestrado e doutoramento. <i>Sobredota&ccedil;&atilde;o</i>.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000093&pid=S1645-7250201000020000700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p> Novaes, M. H. (1979). <i>Desenvolvimento psicol&oacute;gico do sobredotado</i>.    S&atilde;o Paulo: Atlas.</p>     <p> Oliveira, E. P. (2007). <i>Alunos sobredotados: A acelera&ccedil;&atilde;o    escolar como resposta educativa</i>. Tese de doutoramento. Braga: Universidade    do Minho.</p>     <!-- ref --><p> Oliveira, E. P. ,&amp; Guimar&atilde;es, C. (2003). Campo de F&eacute;rias    &quot;Est&iacute;mulo ao talento e &agrave; coopera&ccedil;&atilde;o...&quot;:    Um programa de enriquecimento com alunos sobredotados e talentosos. <i>Sobredota&ccedil;&atilde;o</i>,    4, 123-135.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000096&pid=S1645-7250201000020000700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p> Pacheco, N. S. (2008). <i>O follow-up das crian&ccedil;as alvo de medidas    de acelera&ccedil;&atilde;o escolar entre os anos de 2001- 2007</i>. Tese de    mestrado. Coimbra: Universidade de Coimbra.</p>     <!-- ref --><p> Palhares, C., Oliveira, E., &amp; Melo, A.S. (2000). ANEIS: Programas de enriquecimento.<i>    Sobredota&ccedil;&atilde;o 1</i>, 191-202.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000098&pid=S1645-7250201000020000700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p> Pereira, M. A. (1998). <i>Crian&ccedil;as sobredotadas: Estudos de caracteriza&ccedil;&atilde;o</i>.    Tese de doutoramento. Coimbra: Universidade de Coimbra.</p>     <p> Sabatella, M. L. P. (2005). <i>Talento e sobredota&ccedil;&atilde;o: Problema    ou solu&ccedil;&atilde;o?</i> Curitiba: Editora IBPEX.</p>     <p> Serra, H. (2000). &quot;Projecto s&aacute;bados diferentes&quot;: Um programa    de apoio ao desenvolvimento pessoal e social de crian&ccedil;as sobredotadas.    In L. S. Almeida, E. Oliveira, &amp; A. S. Melo (Eds.), <i>Alunos sobredotados:    Contributo para a sua identifica&ccedil;&atilde;o e apoio</i>. Braga: ANEIS:</p>     <p> Silva, M. G. (2008). <i>A entrada antecipada no 1&ordm; ciclo do ensino b&aacute;sico:    Efeitos a m&eacute;dio e a longo prazo no ajustamento socioafectio dos alunos</i>.    Tese de mestrado. Coimbra: Universidade de Coimbra.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Sternberg, R. J., &amp; Davidson, J. E. (Eds.) (1986). <i>Conceptions of giftedness.</i>    New York: Cambridge University Press.</p>     <p> Ziegler, A. (2009). Research on giftedness in the 21st century. In L. Shavinina    (Ed.),<i> International handbook of giftedness</i> (pp. 1509-1524). New York:    Springer.</p>      ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[Almeida]]></surname>
<given-names><![CDATA[L.]]></given-names>
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