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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Análise de um projeto pedagógico em uma perspectiva semiótica e dialógica]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper intends to discuss the potentialities of a document analysis guide in a semiotic and dialogical approach. This methodology is being built and it is part of a broader study which the general target is to understand how an Alternative Graduation Program generates possibilities of personal and professional growth for those teachers who work in the basic educational program. In this paper we present a discussion about the proceeding of a documental analysis which intends to investigate the present meanings in a document and to identify the several social voices that go through it. In this approach the document is seen as a powerful semiotic mediator which actively participates in the building up of meanings that are going to direct the social practices and the human development processes. The proceeding of the document analysis is discussed taking a semiotic approach as base granted by the historic-cultural psychology and by the dialogical approach of the speech. Next we present the document analysis guide we built up and we end the discussion presenting an example of a semiotic and dialogical documental analysis based on the Pedagogical Project which is the object of our broader study. The proceedings adopted granted us a deeper understanding of the phenomenon in focus and contributed to deepen the discussion about the methodology of the document analysis as a strategy to the understanding of the human development processes.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Análise de documentos]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>An&aacute;lise de um projeto pedag&oacute;gico em uma perspectiva semi&oacute;tica    e dial&oacute;gica</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Alba Cristhiane Santana<sup>*</sup> &amp; Maria Cl&aacute;udia Santos Lopes de Oliveira<sup>*</sup></b>,  </p>     <p><sup>*</sup>Universidade Federal de G&oacute;ias, Brasil,</p>     <p> <a href="mailto:albapsico@hotmail.com">albapsico@hotmail.com</a>, </p>     <p><a href="mailto:mesloliveira@gmail.com">mesloliveira@gmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>RESUMO </p>     <p>O presente artigo objetiva discutir as potencialidades de um roteiro de an&aacute;lise    de documentos em uma perspectiva semi&oacute;tica e dial&oacute;gica. Trata-se    de uma metodologia em constru&ccedil;&atilde;o, que comp&otilde;e um estudo    maior que tem como objetivo geral compreender as possibilidades que um Programa    Alternativo de Licenciatura gera para o desenvolvimento pessoal e profissional    de professores em exerc&iacute;cio na educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica.    Neste artigo apresentaremos uma discuss&atilde;o sobre o procedimento de an&aacute;lise    documental, com a inten&ccedil;&atilde;o de investigar os significados presentes    em um documento e identificar as v&aacute;rias vozes sociais que o atravessam.    Em nossa perspectiva, o documento &eacute; percebido como um potente mediador    semi&oacute;tico que participa ativamente da constru&ccedil;&atilde;o de significados    que v&atilde;o nortear pr&aacute;ticas sociais e processos de desenvolvimento    humano. Discutimos o procedimento de an&aacute;lise documental tomando por base    uma perspectiva semi&oacute;tica, apoiada na psicologia hist&oacute;rico-cultural,    e uma perspectiva dial&oacute;gica da linguagem. Em seguida, apresentamos o    roteiro de an&aacute;lise de documentos que desenvolvemos e finalizamos a discuss&atilde;o    apresentando um exemplo de an&aacute;lise documental semi&oacute;tica e dial&oacute;gica,    com base no Projeto Pedag&oacute;gico que &eacute; objeto de nosso estudo maior.    Os procedimentos adotados propiciaram uma maior compreens&atilde;o do fen&ocirc;meno    em estudo e contribu&iacute;ram para aprofundar a discuss&atilde;o acerca da    metodologia de an&aacute;lise de documentos como estrat&eacute;gia para a compreens&atilde;o    dos processos de desenvolvimento humano.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> An&aacute;lise de documentos; perspectiva semi&oacute;tica    e dial&oacute;gica; projecto pedag&oacute;gico; forma&ccedil;&atilde;o de professores.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Analisys of a pedagogical project in a semiotic and dialogical aproach</b></p>     <p>ABSTRACT</p>     <p> This paper intends to discuss the potentialities of a document analysis guide    in a semiotic and dialogical approach. This methodology is being built and it    is part of a broader study which the general target is to understand how an    Alternative Graduation Program generates possibilities of personal and professional    growth for those teachers who work in the basic educational program. In this    paper we present a discussion about the proceeding of a documental analysis    which intends to investigate the present meanings in a document and to identify    the several social voices that go through it. In this approach the document    is seen as a powerful semiotic mediator which actively participates in the building    up of meanings that are going to direct the social practices and the human development    processes. The proceeding of the document analysis is discussed taking a semiotic    approach as base granted by the historic-cultural psychology and by the dialogical    approach of the speech. Next we present the document analysis guide we built    up and we end the discussion presenting an example of a semiotic and dialogical    documental analysis based on the Pedagogical Project which is the object of    our broader study. The proceedings adopted granted us a deeper understanding    of the phenomenon in focus and contributed to deepen the discussion about the    methodology of the document analysis as a strategy to the understanding of the    human development processes.</p>     <p> <b>Keywords</b>: Documents analysis; Semiotic and dialogica.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Este artigo pretende apresentar uma possibilidade metodol&oacute;gica para    a an&aacute;lise de documentos, o qual segue uma perspectiva semi&oacute;tica    e dial&oacute;gica, inspirada nos estudos de Bakthin (2006), Bakhtin e Voloshinov    (1929/2006), Bruner (1997) e Vygotsky (2000a, 2000b). Trata-se de uma metodologia    em constru&ccedil;&atilde;o, que teve como ponto de partida uma investiga&ccedil;&atilde;o    que busca compreender as v&aacute;rias vozes e posicionamentos que atravessam    o Projeto Pedag&oacute;gico de um Programa Alternativo de Licenciatura, visto    como um contexto privilegiado de desenvolvimento humano adulto.</p>     <p> A perspectiva que adotamos entende que o ser humano se constitui como parte   de contextos sociais e hist&oacute;ricos situados, caracterizados por sistemas semi&oacute;ticos   particulares. Estes, por sua vez, s&atilde;o constru&iacute;dos em meio a processos de intensa   produ&ccedil;&atilde;o e negocia&ccedil;&atilde;o de significados, nas rela&ccedil;&otilde;es dial&oacute;gicas entre os sujeitos,   contextos e mediadores culturais. Alguns desses significados s&atilde;o extremamente din&acirc;micos   e cambiantes. Outros podem se tornar mais est&aacute;veis, na linha do tempo, e   s&atilde;o registrados como parte de artefatos culturais que v&atilde;o, no futuro, atuar como   canalizadores das novas significa&ccedil;&otilde;es produzidas. Entendemos que os documentos   cumprem esse papel. Em nossa perspectiva, o documento &eacute; percebido como um   potente mediador semi&oacute;tico que participa ativamente da constru&ccedil;&atilde;o de significados que v&atilde;o nortear pr&aacute;ticas sociais e processos de desenvolvimento humano.</p>     <p> O Programa Alternativo de Licenciatura investigado envolve v&aacute;rios cursos, entre   os quais Letras, Hist&oacute;ria, Matem&aacute;tica, Educa&ccedil;&atilde;o F&iacute;sica, Ci&ecirc;ncias Biol&oacute;gicas e   Pedagogia, e atende a professores em exerc&iacute;cio na Educa&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica. Nosso estudo   principal focaliza o curso de Pedagogia e considera um conjunto de dimens&otilde;es que   contribuem para configurar o sentido de forma&ccedil;&atilde;o adotado no referido programa,   a saber: o projeto pedag&oacute;gico do curso; intera&ccedil;&otilde;es cotidianas formais e informais;   concep&ccedil;&otilde;es da coordena&ccedil;&atilde;o, dos docentes<sup>[<a href="#2">2</a>]<a name="top2"></a></sup> e dos professores-em-forma&ccedil;&atilde;o<sup>[<a href="#3">3</a>]<a name="top3"></a></sup>    sobre   o processo formativo e o desenvolvimento humano; e pr&aacute;ticas pedag&oacute;gicas dos   professores-em-forma&ccedil;&atilde;o em seus contextos de atua&ccedil;&atilde;o profissional.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O objetivo deste artigo &eacute; discutir as potencialidades do roteiro de an&aacute;lise de   documentos em desenvolvimento na referida pesquisa, ao apresentarmos nosso   percurso metodol&oacute;gico, desde o momento de sele&ccedil;&atilde;o dos documentos at&eacute; as   an&aacute;lises propriamente ditas. Nossa perspectiva &eacute; que os procedimentos adotados   propiciaram uma maior compreens&atilde;o do fen&ocirc;meno em estudo e contribu&iacute;ram   para aprofundar a discuss&atilde;o acerca da metodologia de an&aacute;lise de documentos como estrat&eacute;gia para a compreens&atilde;o dos processos de desenvolvimento humano.</p>     <p> Apresentamos, inicialmente, considera&ccedil;&otilde;es sobre o procedimento    de an&aacute;lise de documentos tal como utilizado de modo corrente na pesquisa    social, a fim de contrapor essa orienta&ccedil;&atilde;o &agrave; fundamenta&ccedil;&atilde;o    te&oacute;rica que sustenta nossa proposta; em seguida, expomos o roteiro de    an&aacute;lise de documentos que desenvolvemos; finalizamos a discuss&atilde;o    apresentando um exemplo de an&aacute;lise documental semi&oacute;tica e dial&oacute;gica,    com base no Projeto Pedag&oacute;gico que &eacute; objeto de nosso estudo maior.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b> O procedimento de an&aacute;lise de documentos</b></p>     <p>A an&aacute;lise documental &eacute; um procedimento de pesquisa que propicia a identifica&ccedil;&atilde;o   dos conte&uacute;dos tem&aacute;ticos de um documento, uma vez que favorece o seu desmembramento em unidades de an&aacute;lise que contribuem para a compreens&atilde;o   dos significados que permeiam sua produ&ccedil;&atilde;o e interpreta&ccedil;&atilde;o. Diferentes &aacute;reas do   conhecimento trabalham com a an&aacute;lise de documentos, promovendo a organiza&ccedil;&atilde;o   de um arcabou&ccedil;o te&oacute;rico-metodol&oacute;gico variado, o qual contribui com conhecimentos   acerca dessa pr&aacute;tica investigativa e imprime um car&aacute;ter interdisciplinar   aos estudos.</p>     <p> Calado e Ferreira (2004) discutem que a an&aacute;lise de documentos constitui um   procedimento que pode compor o m&eacute;todo de pesquisa em duas situa&ccedil;&otilde;es: ao participar   de um conjunto de estrat&eacute;gias, que visam ampliar as possibilidades de constru&ccedil;&atilde;o   de informa&ccedil;&otilde;es acerca do objeto em estudo; e ao caracterizar o m&eacute;todo   principal, quando o estudo focaliza-se na an&aacute;lise de fontes documentais. Corsetti   (2006) complementa essa discuss&atilde;o, afirmando que pesquisas de cunho etnogr&aacute;fico   costumam fazer uma triangula&ccedil;&atilde;o da an&aacute;lise documental com a entrevista e   a observa&ccedil;&atilde;o, e as de car&aacute;ter historiogr&aacute;fico utilizam com frequ&ecirc;ncia tal procedimento   como m&eacute;todo central das pesquisas. Ludke e Andr&eacute; (1986) assinalam   que esta &eacute; ´´uma t&eacute;cnica importante na pesquisa qualitativa, seja complementando   informa&ccedil;&otilde;es obtidas por outras t&eacute;cnicas, seja desvelando aspectos novos de um   tema ou problema`` (p.38).</p>     <p> Em todas as situa&ccedil;&otilde;es, a an&aacute;lise documental configura-se como um procedimento   que fornece informa&ccedil;&otilde;es sobre o fen&ocirc;meno de forma contextualizada, por   meio de registros que apresentam hist&oacute;rias, normas, regras e descri&ccedil;&otilde;es de pr&aacute;ticas   sociais, conforme salienta May (2004). Tais registros se tornam fontes relevantes   para uma compreens&atilde;o dos fen&ocirc;menos em foco, de modo situado hist&oacute;rica e   geograficamente. Segundo Borrione e Chaves (2004), o documento escrito &eacute; uma   representa&ccedil;&atilde;o social de contextos s&oacute;cio-pol&iacute;ticos e hist&oacute;ricos, que abrange acordos,   tens&otilde;es e perturba&ccedil;&otilde;es sociais, podendo, assim, contribuir para a compreens&atilde;o   de quest&otilde;es e saberes, considerados pertinentes a determinados contextos   sociais e hist&oacute;ricos.</p>     <p> Nesse sentido, Spink (2003) afirma que trabalhar com documentos requer o   reconhecimento das regras segundo as quais os textos foram gerados, considerando   que ´´muitos elementos e vozes se entrela&ccedil;am de formas diferentes`` nessa   produ&ccedil;&atilde;o (p.131). Esse autor concebe os documentos em uma perspectiva dial&eacute;tica,   na qual representam aspectos da a&ccedil;&atilde;o social e, simultaneamente, s&atilde;o a pr&oacute;pria   a&ccedil;&atilde;o social. Swain (1999) contribui com essa concep&ccedil;&atilde;o ao argumentar que   a materializa&ccedil;&atilde;o do discurso em textos promove a&ccedil;&atilde;o ao atualizar, criar e fazer   circularem sentidos dentro de um contexto espec&iacute;fico de significa&ccedil;&otilde;es. Dessa maneira,   os documentos n&atilde;o apenas refletem a realidade, mas a constroem, quando   s&atilde;o interpretados e aplicados pelos sujeitos.</p>     <p> Hodder (2002) destaca que os documentos s&atilde;o importantes recursos em uma   pesquisa qualitativa, em estudos que visam explorar as m&uacute;ltiplas e conflitantes   vozes que constituem os contextos ideol&oacute;gicos. De acordo com o autor, um texto   escrito tem um importante papel de legitima&ccedil;&atilde;o do poder de determinados   grupos sociais, e seu estudo pode propiciar a compreens&atilde;o sobre os princ&iacute;pios e   normas que orientam as rela&ccedil;&otilde;es de troca, evidenciando os significados pol&iacute;ticos   envolvidos em sua produ&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Um dado texto escrito pode assumir significados diferentes em contextos diferentes.   Nesse sentido, conforme Hodder (2002), sua interpreta&ccedil;&atilde;o deve considerar   seus cen&aacute;rios hist&oacute;ricos e sociais e suas condi&ccedil;&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o e de   an&aacute;lise. Esse autor ainda afirma que os textos t&ecirc;m papel ativo nos contextos, e   instalam um cont&iacute;nuo estado de tens&atilde;o, no interior do qual, textos e contextos   s&atilde;o constru&iacute;dos e reconstru&iacute;dos mutuamente, por meio de a&ccedil;&otilde;es que interpretam   e produzem significados atrav&eacute;s do tempo hist&oacute;rico. Assim, os documentos s&atilde;o   percebidos como constru&ccedil;&otilde;es s&oacute;cio-hist&oacute;ricas que orientam e sustentam cren&ccedil;as, concep&ccedil;&otilde;es e pr&aacute;ticas sociais.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Pimentel (2001) e Corsetti (2006) assinalam que os procedimentos utilizados   na an&aacute;lise de documentos dependem das quest&otilde;es propostas pelo estudo, que   devem contribuir para a problematiza&ccedil;&atilde;o das informa&ccedil;&otilde;es contidas no material   escrito. Desse modo, o pesquisador, fundamentado na literatura pertinente ao   assunto, deve propor e checar quest&otilde;es e reformul&aacute;-las, caso necess&aacute;rio, em uma   a&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua de produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento. Spink (2003) considera que existe   uma variedade de maneiras de produzir sentido acerca de um documento, orientadas   pelos objetivos da pesquisa, pelos conhecimentos e cren&ccedil;as do pesquisador,   pelas caracter&iacute;sticas tanto do documento quanto de seu contexto de produ&ccedil;&atilde;o,   bem como pela interlocu&ccedil;&atilde;o com outras &aacute;reas de conhecimento.</p>     <p>Nosso estudo compreende a metodologia como um processo c&iacute;clico, segundo    Branco e Rocha (1998) e Valsiner (2007), que envolve elementos que se constituem    mutuamente, abrangendo: o fen&ocirc;meno a ser estudado; as cren&ccedil;as e    concep&ccedil;&otilde;es sustentadas pelos pesquisadores; a rela&ccedil;&atilde;o    entre o m&eacute;todo e os dados que alimentam a constru&ccedil;&atilde;o da    informa&ccedil;&atilde;o e, permeando todo o processo, a experi&ecirc;ncia intuitiva    do pesquisador. Nessa dire&ccedil;&atilde;o, apresentaremos algumas considera&ccedil;&otilde;es    sobre os pressupostos epistemol&oacute;gicos que sustentaram a constru&ccedil;&atilde;o    de nosso roteiro de an&aacute;lise de documentos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b> Uma perspectiva semi&oacute;tica e dial&oacute;gica para an&aacute;lise de documentos</b></p>     <p>A proposta de an&aacute;lise de documentos que passamos a apresentar tem por   base dois eixos te&oacute;rico-epistemol&oacute;gicos, apoiados em uma perspectiva semi&oacute;tica,   de base hist&oacute;rico-cultural (Bruner, 1997; Valsiner, 2007; Vygotsky, 2000a, 2000b) e   em uma perspectiva dial&oacute;gica, que se origina das reflex&otilde;es do c&iacute;rculo de Bakhtin   (Bakhtin, 2006; Bakthin &amp; Voloshinov, 1929/2006). Nosso ponto de partida situa   os documentos como ´´um agregado de rela&ccedil;&otilde;es sociais`` (Vygotsky, 2000a, p.35)   cristalizadas e que resultam em um texto em que falam distintas vozes e posicionamentos.   Tais caracter&iacute;sticas expressam as tens&otilde;es em meio &agrave;s quais este texto   se produziu e as ideologias que orientam sua inser&ccedil;&atilde;o como mediador de pr&aacute;ticas em contextos socioculturais espec&iacute;ficos.</p>     <p> O primeiro eixo, hist&oacute;rico-cultural, percebe o desenvolvimento humano como   um processo de mudan&ccedil;as, que ocorre ao longo de toda a trajet&oacute;ria de vida das   pessoas (Valsiner, 2007). Segundo Vygotsky (2000b), tal processo &eacute; mediado pela   linguagem, concebida como uma importante ferramenta semi&oacute;tica no desenvolvimento dos sujeitos e dos contextos, ao propiciar a constitui&ccedil;&atilde;o dos sistemas se mi&oacute;ticos que comp&otilde;em a cultura e orientam os processos de significa&ccedil;&atilde;o. Bruner (1997) discute que a constitui&ccedil;&atilde;o dos sistemas semi&oacute;ticos e dos sujeitos &eacute; um processo que se configura em situa&ccedil;&otilde;es interativas, nas quais ocorrem produ&ccedil;&atilde;o e negocia&ccedil;&atilde;o de significados. Para esse autor, os significados se referem &agrave;s interpreta&ccedil;&otilde;es que os sujeitos em intera&ccedil;&atilde;o fazem constantemente, e por meio das quais produzem sua compreens&atilde;o acerca do mundo e de si pr&oacute;prios.</p>     <p> Valsiner (2007) destaca que a rela&ccedil;&atilde;o entre o sujeito e os sistemas    semi&oacute;ticos ocorre por meio de um movimento bidirecional, em que todos    os participantes atuam ativamente na negocia&ccedil;&atilde;o de significados.    Os significados constru&iacute;dos contra o quadro referencial da cultura diferenciam-se    dela e servem de mat&eacute;ria para a transforma&ccedil;&atilde;o cultural,    em constante<i> looping</i>. Esta din&acirc;mica de negocia&ccedil;&atilde;o    ocorre em rela&ccedil;&otilde;es dial&oacute;gicas que promovem mudan&ccedil;as    nos sujeitos e nos sistemas semi&oacute;ticos que comp&otilde;em os contextos.</p>     <p> O segundo eixo, uma perspectiva dial&oacute;gica da linguagem, considera o conceito   de dialogismo como fundamental para o entendimento dos processos comunicativos.   Nessa perspectiva, o dialogismo diz respeito ao princ&iacute;pio constitutivo da   linguagem, e &eacute; concebido como um processo essencialmente comunicacional e   relacional, desenvolvido por rela&ccedil;&otilde;es de di&aacute;logo estabelecidas entre as pessoas e   entre estas e os contextos. Bakhtin (2006) discute que as rela&ccedil;&otilde;es dial&oacute;gicas s&atilde;o   rela&ccedil;&otilde;es de sentido entre diferentes enunciados. Enquanto ato de produ&ccedil;&atilde;o do   discurso oral e do discurso escrito, o enunciado &eacute; a unidade real de comunica&ccedil;&atilde;o   e representa ´´um conjunto de sentidos`` (p.329).</p>     <p> Para Bakhtin (2006), as rela&ccedil;&otilde;es dial&oacute;gicas comportam sempre mais de uma   significa&ccedil;&atilde;o. Ele se utiliza do conceito de polifonia para explicar os contextos que   s&atilde;o constitu&iacute;dos pelas rela&ccedil;&otilde;es dial&oacute;gicas, ressaltando a coexist&ecirc;ncia de m&uacute;ltiplas   vozes em di&aacute;logo, oriundas de diferentes formas autorais do pr&oacute;prio sujeito que   enuncia, as quais configuram diferentes posicionamentos em rela&ccedil;&atilde;o a si mesmo   e ao outro. E ainda de vozes originadas do outro, as quais condensam variados   contextos espaciais e temporais. Lopes de Oliveira (2003) define que a voz &eacute; uma   atividade onde ´´... uma consci&ecirc;ncia falante se atualiza em enunciado, contra o pano   de fundo de outras mentes e do ambiente social, carregando as marcas relativas   dos diferentes grupos sociais, mais ou menos hierarquicamente estruturados, em   que ela se insere`` (p. 46).</p>     <p> Os dois eixos te&oacute;rico-epistemol&oacute;gicos se aproximam, sobretudo, pela centralidade   da linguagem em seus sistemas te&oacute;ricos, que &eacute; vista como uma ferramenta   que organiza e planeja a a&ccedil;&atilde;o humana. Para Bakthin e Voloshinov (1929/2006,   p.51), ´´a palavra se revela como o material semi&oacute;tico privilegiado do psiquismo``,   e para Vygotsky (2000b, p.190) ´´as palavras desempenham um papel central n&atilde;o   s&oacute; no desenvolvimento do pensamento, mas tamb&eacute;m na evolu&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica da   consci&ecirc;ncia como um todo``. Esses autores discutem que a linguagem desenvolvida   no curso das rela&ccedil;&otilde;es dial&oacute;gicas engendra a consci&ecirc;ncia humana e os contextos   s&oacute;cio-hist&oacute;ricos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> O aspecto da linguagem, e especificamente, do dialogismo a ser considerado   de modo mais pregnante na an&aacute;lise de documentos &eacute; a no&ccedil;&atilde;o de di&aacute;logo. Um   documento &eacute; a intera&ccedil;&atilde;o entre muitos textos da cultura, ressaltando-se que um texto ´´realiza confrontos dial&oacute;gicos entre enunciados, opini&otilde;es e pontos de vista``   (Bakthin, 2006, p. 331). Ent&atilde;o, os documentos s&atilde;o vistos como sistemas semi&oacute;ticos,   constitu&iacute;dos por diferentes vozes sociais que se entrecruzam e podem ser reconhecidas   no interior do texto.</p>     <p> Segundo Bakhtin e Voloshinov (1929/2006), ´´toda enuncia&ccedil;&atilde;o, mesmo na forma   imobilizada da escrita, &eacute; uma resposta a alguma coisa e &eacute; constru&iacute;da como tal``   (p. 98); e, como um elo, faz parte de uma cadeia que comp&otilde;e o processo comunicativo,   abrangendo informa&ccedil;&otilde;es anteriores que participaram de sua constru&ccedil;&atilde;o e   expectativas geradas pelo texto. Sendo assim, todo texto abrange uma resposta a   algo que j&aacute; foi dito, e uma antecipa&ccedil;&atilde;o a algo que pode ser dito, isto &eacute;, encontra-se   dialogicamente articulado a outros textos.</p>     <p> Bakthin (2006) postula que as rela&ccedil;&otilde;es dial&oacute;gicas podem materializar-se em   texto de duas formas: entre dois ou mais textos, de modo que um se relaciona   dialogicamente com outro j&aacute; existente; e, dentro de um mesmo texto, situa&ccedil;&atilde;o em   que duas ou mais vozes dialogam no seu interior (p. 309). Fiorin (2008) assinala   que os estudiosos de Bakhtin nomearam esses fen&ocirc;menos de intertextualidade,   quando se trata de dois textos; e intratextualidade, quando se refere a um mesmo   texto. Ele explica que as vozes podem ser demarcadas por fronteiras lingu&iacute;sticas   precisas, de forma expl&iacute;cita, por meio do recurso ao discurso direto e indireto,   cita&ccedil;&otilde;es, alus&atilde;o, etc.; e, de forma impl&iacute;cita, situa&ccedil;&atilde;o em que n&atilde;o existe uma demarca&ccedil;&atilde;o   n&iacute;tida entre as vozes, que s&oacute; podem ser reconhecidas no contexto da obra   por meio de um trabalho anal&iacute;tico ou interpretativo.  </p>     <p>Acreditamos que a an&aacute;lise de documentos norteada por uma perspectiva semi&oacute;tica   e dial&oacute;gica tem como objetivo investigar os significados que permeiam o   texto, propiciando uma compreens&atilde;o acerca das diferentes vozes nele presentes.   Tal compreens&atilde;o deve ainda considerar as for&ccedil;as pol&iacute;ticas e ideol&oacute;gicas que apoiaram   sua produ&ccedil;&atilde;o. Para tanto, &eacute; necess&aacute;rio entender as regras e as concep&ccedil;&otilde;es   que orientaram o contexto de produ&ccedil;&atilde;o do documento, incluindo demandas sociais,   cren&ccedil;as e valores sociais arraigados, aspectos econ&ocirc;micos e at&eacute; normativos,   oriundas da legisla&ccedil;&atilde;o relativa ao tema em estudo. N&atilde;o podemos perder de vista   o fato de que um documento carrega normas e concep&ccedil;&otilde;es que canalizam os   processos de produ&ccedil;&atilde;o e negocia&ccedil;&atilde;o de significados. De acordo com Vygotsky   (2000b), ´´o pensamento n&atilde;o &eacute; simplesmente expresso em palavras; &eacute; por meio   delas que ele passa a existir`` (p.157), destarte, um documento participa ativamente   na constru&ccedil;&atilde;o do pensamento e do desenvolvimento humano, assim como das pr&aacute;ticas sociais.</p>     <p> Denzin e Lincoln (2006) assinalam que a complexidade envolvida em uma perspectiva    qualitativa e construtivo-interpretativa de pesquisa demanda o desenvolvimento    de um m&eacute;todo que responda &agrave;s quest&otilde;es propostas pelos objetivos    do estudo e pela fundamenta&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica e seja sens&iacute;vel    &agrave;s caracter&iacute;sticas do contexto, dos participantes e do pesquisador.    Branco e Rocha (1998) sublinham que o desafio posto ao pesquisador &eacute;    de usar sua criatividade e experi&ecirc;ncia intuitiva na elabora&ccedil;&atilde;o    de uma metodologia que seja flex&iacute;vel e adapt&aacute;vel a cada etapa    do processo investigativo, visando responder adequadamente &agrave;s quest&otilde;es    propostas pelos objetivos do estudo. Sendo nosso objetivo alcan&ccedil;ar uma    compreens&atilde;o semi&oacute;tica e dial&oacute;gica de documentos, apresentamos    na pr&oacute;xima se&ccedil;&atilde;o os passos e procedimentos para a an&aacute;lise    de documentos nessa perspectiva.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b> Um roteiro para uma an&aacute;lise semi&oacute;tica e dial&oacute;gica de documentos </b></p>     <p>Fundamentados nas discuss&otilde;es te&oacute;rico-metodol&oacute;gicas apresentadas anteriormente,   elaboramos um roteiro para an&aacute;lise semi&oacute;tica e dial&oacute;gica de documentos.   Em nosso processo investigativo, o objeto da an&aacute;lise foi o Projeto Pedag&oacute;gico de   um curso de Licenciatura, no entanto almejamos ter desenvolvido uma metodologia   com potencial de propiciar resultados f&eacute;rteis quando aplicada a documentos   de qualquer natureza.</p>     <p> Nossa proposta &eacute; trabalhar com unidades de significa&ccedil;&atilde;o que s&atilde;o concebidas,   a partir dos estudos de Vygotsky (2000b), como ´´um produto de an&aacute;lise que, ao   contr&aacute;rio dos elementos, conserva todas as propriedades b&aacute;sicas do todo, n&atilde;o   podendo ser dividido sem que as perca`` (p. 5). A compreens&atilde;o da complexidade da   trama de significados que constituem a linguagem, nesse caso, concretizada em um   documento escrito, implica a busca por unidades que, de forma simples e din&acirc;mica,   carregam significados que favorecem a compreens&atilde;o do todo.</p>     <p> Pretendemos trabalhar com unidades de significa&ccedil;&atilde;o que abarquem as diferentes   vozes presentes no documento, visando compreender o dialogismo que o   permeia, por meio da identifica&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es entre tais vozes e destas com os   contextos que produzem, atualizam e fazem circularem os significados.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> O roteiro para an&aacute;lise semi&oacute;tica e dial&oacute;gica de documentos que vimos sistematizando,   envolve procedimentos de constru&ccedil;&atilde;o e an&aacute;lise de informa&ccedil;&otilde;es, constitu&iacute;do   pelos seguintes passos: (a) sele&ccedil;&atilde;o dos documentos; (b) leituras iniciais do   texto; (c) elabora&ccedil;&atilde;o de eixos descritivos; (d) listagem de contextos e significados   relacionados ao documento; (e) elabora&ccedil;&atilde;o de quest&otilde;es de an&aacute;lise do documento;   (f) constru&ccedil;&atilde;o de eixos interpretativos; (g) realiza&ccedil;&atilde;o de microan&aacute;lise dos eixos   interpretativos; e, (h) produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento sobre o fen&ocirc;meno em estudo. A   seguir, discutiremos cada passo do roteiro.</p>     <p> A <i>sele&ccedil;&atilde;o dos documentos</i> a serem submetidos &agrave;    an&aacute;lise &eacute; um momento sens&iacute;vel no processo de investiga&ccedil;&atilde;o,    pois o tipo de material selecionado pode n&atilde;o contribuir para as quest&otilde;es    propostas pelo estudo e n&atilde;o apresentar relev&acirc;ncia para o fen&ocirc;meno    em foco. Dessa forma, &eacute; importante que o pesquisador esteja atento para    a escolha do material, que pode partir de uma an&aacute;lise inicial do contexto    da pesquisa e tamb&eacute;m da revis&atilde;o de literatura relativa ao assunto    em quest&atilde;o. A sele&ccedil;&atilde;o dos documentos deve priorizar os    objetivos do estudo e considerar as caracter&iacute;sticas do contexto de pesquisa    e dos materiais dispon&iacute;veis para an&aacute;lise.</p>     <p> Ap&oacute;s a sele&ccedil;&atilde;o dos documentos, realizam-se<i> leituras    iniciais</i> do material selecionado, visando construir ampla familiaridade    com o texto, tendo claro o fato de que s&atilde;o as perguntas relativas aos    objetivos do estudo que conferem sentido ao processo de an&aacute;lise dos documentos,    e elas orientam o foco de todo o procedimento. Bakhtin (2006) afirma que toda    compreens&atilde;o de um enunciado &eacute; ativamente responsiva, o leitor    sempre reage concordando ou discordando, completando, aplicando, negando, enfim,    o leitor sempre atribui sentido ao texto.</p>     <p>Durante as leituras iniciais orientadas para a familiariza&ccedil;&atilde;o    com o texto, s&atilde;o<i> organizados eixos descritivos</i> com a inten&ccedil;&atilde;o    de desmembrar o documento em unidades que favore&ccedil;am uma visualiza&ccedil;&atilde;o    geral das informa&ccedil;&otilde;es que o comp&otilde;em, ao destacar seus objetivos    e as partes espec&iacute;ficas que o constituem. A organiza&ccedil;&atilde;o    de tais eixos depende das especificidades e caracter&iacute;sticas do documento    a ser analisado, considerando a complexidade de sua estrutura e a forma de distribui&ccedil;&atilde;o    de suas informa&ccedil;&otilde;es. Os eixos descritivos possibilitam uma prepara&ccedil;&atilde;o    do material para o processo interpretativo, destacando trechos do documento    que se configuram em unidades de significa&ccedil;&atilde;o e que poder&atilde;o    contribuir com a produ&ccedil;&atilde;o do conhecimento.</p>     <p> Esses tr&ecirc;s primeiros passos do roteiro s&atilde;o relativamente gerais, comuns a diferentes   propostas te&oacute;rico-metodol&oacute;gicas, pois visam a uma aproxima&ccedil;&atilde;o inicial   com o documento. O avan&ccedil;o do processo de an&aacute;lise, que envolve os pr&oacute;ximos   passos, leva a uma particulariza&ccedil;&atilde;o dos procedimentos, contando com a sustenta&ccedil;&atilde;o   da perspectiva semi&oacute;tica e dial&oacute;gica, al&eacute;m da sensibilidade e do discernimento do pesquisador.</p>     <p> Assinalamos que o objetivo de identificar as vozes presentes nos textos implica   a necessidade de serem mobilizados conhecimentos acerca do documento selecionado,   relativos &agrave; sua produ&ccedil;&atilde;o e aos seus objetivos e conhecimentos sobre os   significados que circulam nos seus contextos de produ&ccedil;&atilde;o e execu&ccedil;&atilde;o, sejam eles   contextos sociais, culturais, econ&ocirc;micos, pol&iacute;ticos, hist&oacute;ricos, entre outros. S&atilde;o   conhecimentos que podem ser adquiridos por meio da revis&atilde;o de literatura e da   base te&oacute;rica do pesquisador sobre o fen&ocirc;meno em estudo. Fiorin (2006) destaca   que investigar a dialogia presente em textos envolve um conhecimento amplo   sobre a sociedade que cerca o texto e Brait (2005) trata da avalia&ccedil;&atilde;o social da   linguagem, relativa &agrave; an&aacute;lise da situa&ccedil;&atilde;o, que interfere diretamente na organiza&ccedil;&atilde;o do texto e deixa marcas no enunciado.</p>     <p> Propomos que tais conhecimentos sejam sistematizados e organizados por meio    da elabora&ccedil;&atilde;o de uma<i> listagem dos contextos</i> s&oacute;cio-institucionais,    culturais e hist&oacute;ricos envolvidos com a produ&ccedil;&atilde;o e a execu&ccedil;&atilde;o    do documento. Tal listagem deve ser elaborada a partir de uma sele&ccedil;&atilde;o    de contextos pertinentes; considerando as diferentes possibilidades existentes,    o pesquisador precisa investigar sobre a influ&ecirc;ncia que determinados espa&ccedil;os    t&ecirc;m sobre os documentos selecionados. Assim, &eacute; necess&aacute;rio    ter clareza em rela&ccedil;&atilde;o aos crit&eacute;rios de sele&ccedil;&atilde;o    de cada contexto, considerando a situa&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica e social    do documento e os objetivos da investiga&ccedil;&atilde;o.</p>     <p> A an&aacute;lise dos contextos tem a inten&ccedil;&atilde;o de destacar as vozes que podem representar   cada espa&ccedil;o, considerando sua recorr&ecirc;ncia e a rela&ccedil;&atilde;o que mant&ecirc;m com   o documento. O objetivo final desse passo &eacute; buscar os significados atribu&iacute;dos por   cada voz ao fen&ocirc;meno em estudo, os quais podem ter orientado o processo de   produ&ccedil;&atilde;o do documento, ou, as interpreta&ccedil;&otilde;es das quais ele &eacute; alvo. Essa listagem   pode contribuir com a identifica&ccedil;&atilde;o dos significados que s&atilde;o comuns a todas as   vozes, os significados comuns a algumas vozes e os que s&atilde;o espec&iacute;ficos a cada voz.</p>     <p>A listagem dos contextos orienta um novo turno de leituras do material emp&iacute;rico,    focalizando, nesse momento, os eixos descritivos. Tal etapa contribui para a    <i>elabora&ccedil;&atilde;o de quest&otilde;es de an&aacute;lise</i> a serem    feitas ao documento, a fim de manterse um di&aacute;logo entre os objetivos    do estudo e o texto selecionado. A elabora&ccedil;&atilde;o de tais quest&otilde;es    tamb&eacute;m envolve a participa&ccedil;&atilde;o ativa do pesquisador, com    suas concep&ccedil;&otilde;es e cren&ccedil;as, pois, conforme Crawford e Valsiner    (2002), a constru&ccedil;&atilde;o e an&aacute;lise das informa&ccedil;&otilde;es    de pesquisa &eacute; um processo interativo que envolve os posicionamentos do    pesquisador frente ao fen&ocirc;meno estudado, abrangendo sua vis&atilde;o de    mundo e seus pressupostos te&oacute;rico-metodol&oacute;gicos. </p>     <p>Para responder &agrave;s quest&otilde;es de an&aacute;lise, s&atilde;o <i>constru&iacute;dos    eixos interpretativos</i> que objetivam a compreens&atilde;o acerca da cadeia    comunicativa formada em torno do documento analisado. A proposta &eacute; buscar    os elos da cadeia comunicativa, observando a correla&ccedil;&atilde;o entre    as v&aacute;rias vozes presentes no texto, a partir do conhecimento propiciado    pela listagem dos contextos e de in&uacute;meras leituras e releituras do documento.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Os eixos interpretativos s&atilde;o constru&iacute;dos por meio da organiza&ccedil;&atilde;o de indicadores<sup>[<a href="#4">4</a>]<a name="top4"></a></sup>,   que representam articula&ccedil;&otilde;es entre unidades de significa&ccedil;&atilde;o do texto, os   significados identificados nas vozes dos contextos, os objetivos da investiga&ccedil;&atilde;o,   os pressupostos te&oacute;ricos que sustentam o estudo e a voz da pesquisadora. Essa   estrat&eacute;gia envolve a associa&ccedil;&atilde;o e o agrupamento de trechos do documento que   se aproximam dos significados observados nos contextos listados e a identifica&ccedil;&atilde;o   das marca&ccedil;&otilde;es lingu&iacute;sticas das diferentes vozes, como: temas e conceitos   recorrentes, padr&otilde;es e contradi&ccedil;&otilde;es presentes, afirma&ccedil;&atilde;o e nega&ccedil;&atilde;o, repeti&ccedil;&atilde;o ou   reformula&ccedil;&atilde;o, cita&ccedil;&atilde;o e alus&atilde;o.</p>     <p> O &uacute;ltimo passo &eacute; a realiza&ccedil;&atilde;o da etapa que se    caracteriza como a<i> microan&aacute;lise dos eixos interpretativos</i>. Esta    etapa objetiva investigar os detalhes, as min&uacute;cias e as sutilezas que    constituem o texto, por meio do trabalho com unidades de significa&ccedil;&atilde;o    espec&iacute;ficas. O processo implica a sele&ccedil;&atilde;o de algumas unidades    de significa&ccedil;&atilde;o que comp&otilde;em os eixos interpretativos, considerando    as possibilidades que tais unidades carregam para representar o todo.</p>     <p> Nesse momento, os trechos do documento s&atilde;o recortados em unidades m&iacute;nimas,   buscando o significado das palavras, o que, segundo Vygotsky, &eacute; o componente   indispens&aacute;vel da palavra e, segundo Bakhtin e Voloshinov (1929/2006), uma arena   onde se debatem diferentes ideologias. O primeiro autor ressalta que, ´´dependendo   do contexto, uma palavra pode significar mais ou menos do que significaria   se considerada isoladamente: mais, porque adquire um novo conte&uacute;do; menos,   porque o contexto limita e restringe o seu significado`` (Vygotsky, 2000b, p. 181).   Seguindo essa perspectiva, visamos investigar o significado da palavra a partir dos   contextos que a cercam e considerando a influ&ecirc;ncia de sua a&ccedil;&atilde;o na produ&ccedil;&atilde;o de   cren&ccedil;as e concep&ccedil;&otilde;es.  </p>     <p>Dessa maneira, a inten&ccedil;&atilde;o da microan&aacute;lise &eacute; compreender as palavras inseridas   nos contextos dial&oacute;gicos, enfatizando o processo de produ&ccedil;&atilde;o e negocia&ccedil;&atilde;o de   significados, realizado por meio do di&aacute;logo estabelecido entre os contextos e o   documento. Com base na cren&ccedil;a da rela&ccedil;&atilde;o constitutiva entre os sistemas semi&oacute;ticos   e o processo de desenvolvimento humano, o entendimento dos processos de   significa&ccedil;&atilde;o que comp&otilde;e um documento propiciar&aacute; uma maior compreens&atilde;o sobre   as possibilidades que tal ferramenta semi&oacute;tica gera para as transforma&ccedil;&otilde;es sociais   e para o desenvolvimento dos sujeitos.</p>     <p>A t&iacute;tulo de exemplo, e a fim de tornar mais claros nossos argumentos,    apresentaremos as possibilidades de aplica&ccedil;&atilde;o do roteiro de an&aacute;lise    semi&oacute;tica e dial&oacute;gica, acima delineado &agrave; compreens&atilde;o    microanal&iacute;tica do Projeto Pedag&oacute;gico de um Programa Alternativo    de Licenciatura, o que faz parte do estudo maior realizado pela primeira autora.    O objetivo geral do estudo maior &eacute; compreender as possibilidades que    tal processo formativo proporciona para o desenvolvimento pessoal e profissional    de professores em exerc&iacute;cio na educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Aplicando a metodologia de an&aacute;lise semi&oacute;tica e dial&oacute;gica ao Projeto Pedag&oacute;gico de um Programa Alternativo de Licenciatura</b></p>     <p> Nosso objetivo &eacute; apresentar todo o percurso investigativo desenvolvido na   an&aacute;lise do Projeto Pedag&oacute;gico, desde a sele&ccedil;&atilde;o do documento at&eacute; as microan&aacute;lises,   favorecendo a exemplifica&ccedil;&atilde;o do roteiro utilizado. Ao longo da descri&ccedil;&atilde;o do percurso,   ser&atilde;o assinaladas as possibilidades que o roteiro ofereceu para a produ&ccedil;&atilde;o do conhecimento.</p>     <p> Ap&oacute;s uma an&aacute;lise inicial do contexto da pesquisa, escolhemos analisar o Projeto   Pedag&oacute;gico, considerando a sua import&acirc;ncia na organiza&ccedil;&atilde;o de um curso   superior, visto como o documento que define os princ&iacute;pios e as regras que conduzem   as pr&aacute;ticas pedag&oacute;gicas do processo formativo, de acordo com Veiga (2004).   Conforme informa&ccedil;&otilde;es obtidas nos contatos iniciais com o contexto de pesquisa,   identificamos que o Projeto foi produzido por um grupo de assessoria t&eacute;cnicoacad&ecirc;mica   e depois foi enviado para as diferentes unidades universit&aacute;rias que comp&otilde;em a Institui&ccedil;&atilde;o de Ensino Superior, foco do estudo.</p>     <p> Nosso objetivo foi identificar os significados que orientam o processo de forma&ccedil;&atilde;o   docente, proporcionando condi&ccedil;&otilde;es para reflex&otilde;es sobre as condi&ccedil;&otilde;es   que a proposta do curso cria para o desenvolvimento de sujeitos adultos que j&aacute;   possuem uma trajet&oacute;ria profissional na doc&ecirc;ncia. Assim, o Projeto Pedag&oacute;gico se   configurou como um mediador semi&oacute;tico de suma import&acirc;ncia na operacionaliza&ccedil;&atilde;o   do curso observado, pois, al&eacute;m de organizar todas as atividades desenvolvidas   pelos coordenadores de curso e docentes, ainda torna poss&iacute;vel a circula&ccedil;&atilde;o de   significados que orientam a (re)constru&ccedil;&atilde;o de concep&ccedil;&otilde;es acerca da doc&ecirc;ncia e da educa&ccedil;&atilde;o.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Selecionamos dois documentos para an&aacute;lise, a saber: uma vers&atilde;o A do Projeto,   apresentada de forma detalhada; e uma vers&atilde;o B, apresentada de forma mais resumida   e espec&iacute;fica para a unidade universit&aacute;ria que foi objeto da investiga&ccedil;&atilde;o. As duas   vers&otilde;es se estruturam em partes que abrangem: (a) Justificativa; (b) Operacionaliza&ccedil;&atilde;o   (institui&ccedil;&otilde;es gestoras; vagas; corpo docente; avalia&ccedil;&atilde;o do curso; frequ&ecirc;ncia; rendimento   escolar e transfer&ecirc;ncia do professor-em-forma&ccedil;&atilde;o e calend&aacute;rio escolar); (c)   Curr&iacute;culos dos cursos (diretrizes b&aacute;sicas; perfil profissional; objetivos; depend&ecirc;ncias   e reprova&ccedil;&otilde;es; calend&aacute;rio anual; matriz curricular e ement&aacute;rio).</p>     <p>As leituras iniciais levaram &agrave; elabora&ccedil;&atilde;o dos eixos descritivos, nos quais agrupamos   informa&ccedil;&otilde;es relacionadas &agrave;s concep&ccedil;&otilde;es sobre forma&ccedil;&atilde;o de professores,  &agrave;s propostas pedag&oacute;gicas e aos procedimentos que visavam operacionaliz&aacute;-las.   Observamos que as concep&ccedil;&otilde;es a respeito do desenvolvimento humano adulto apareciam no texto de forma estreitamente vinculada &agrave;s concep&ccedil;&otilde;es sobre forma&ccedil;&atilde;o docente e desenvolvimento profissional.</p>     <p> Elaboramos tr&ecirc;s eixos descritivos, que foram organizados em quadros contendo:   (a) informa&ccedil;&otilde;es sobre o Projeto; (b) trechos do documento que foram considerados como unidades de significa&ccedil;&atilde;o com caracter&iacute;sticas que representavam todo o texto. Os eixos descritivos elaborados foram:</p>     <p>1. <i>Informa&ccedil;&otilde;es que caracterizam o Projeto Pedag&oacute;gico</i>. Nesse eixo, evidenciamos   informa&ccedil;&otilde;es sobre: o car&aacute;ter das institui&ccedil;&otilde;es gestoras do Programa Alternativo de   Licenciatura; as particularidades dos professores-em-forma&ccedil;&atilde;o; o espa&ccedil;o f&iacute;sico a   ser oferecido; as caracter&iacute;sticas do tempo pedag&oacute;gico; os procedimentos de avalia&ccedil;&atilde;o   e promo&ccedil;&atilde;o dos professores-em-forma&ccedil;&atilde;o.  </p>     <p>2. <i>Informa&ccedil;&otilde;es sobre a Matriz Curricular</i>. Aqui, focalizamos informa&ccedil;&otilde;es sobre:   a distribui&ccedil;&atilde;o da carga hor&aacute;ria entre as disciplinas; as propostas alternativas de   disciplinas e de pr&aacute;ticas pedag&oacute;gicas; o ement&aacute;rio e suas refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas.  </p>     <p>3. <i>Objetivos do Projeto para atender &agrave; Legisla&ccedil;&atilde;o Educacional. </i>O objetivo desse   eixo foi listar os itens do Projeto que atendiam &agrave;s determina&ccedil;&otilde;es e orienta&ccedil;&otilde;es   da legisla&ccedil;&atilde;o. Os itens listados foram: a exig&ecirc;ncia de forma&ccedil;&atilde;o de n&iacute;vel superior   para os professores (artigos 62 e 87 da Lei de Diretrizes e Bases da Educa&ccedil;&atilde;o   Nacional n&deg; 9.394 - LDB/1996); a orienta&ccedil;&atilde;o de associa&ccedil;&atilde;o entre teoria e pr&aacute;tica   e aproveitamento da forma&ccedil;&atilde;o e experi&ecirc;ncias anteriores dos discentes (artigo 61   da LDB/1996); o desenvolvimento de compet&ecirc;ncias e de um perfil de professor   cr&iacute;tico-reflexivo (artigos 3&ordm; e 5&ordm; das Diretrizes Curriculares Nacionais para Forma&ccedil;&atilde;o   de Professores da Educa&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica); a defini&ccedil;&atilde;o do sistema de promo&ccedil;&atilde;o   dos discentes (artigo 47 da LDB/1996).</p>     <p> A organiza&ccedil;&atilde;o dos eixos descritivos favoreceu a identifica&ccedil;&atilde;o de quest&otilde;es gerais   e espec&iacute;ficas a respeito da proposta pedag&oacute;gica e a observa&ccedil;&atilde;o de contradi&ccedil;&otilde;es   e consensos em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s concep&ccedil;&otilde;es sobre forma&ccedil;&atilde;o docente e desenvolvimento   humano. Essa estrat&eacute;gia propiciou a sele&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es que tinham   rela&ccedil;&atilde;o com os objetivos do estudo, ajudando-nos a focar nossa an&aacute;lise. N&atilde;o descartamos,   por&eacute;m, o documento para trabalhar somente com os eixos descritivos,   pois, ao longo do processo investigativo, outras quest&otilde;es poderiam emergir.  </p>     <p>Na listagem dos contextos envolvidos com o documento, usamos como crit&eacute;rio   a participa&ccedil;&atilde;o do contexto tanto na produ&ccedil;&atilde;o como na execu&ccedil;&atilde;o do Projeto,   fundamentando-nos em conhecimentos oriundos da revis&atilde;o de literatura e dos   contatos iniciais com o contexto de pesquisa. Inicialmente, procuramos as vozes   que se destacavam em cada contexto e que poderiam caracteriz&aacute;-lo; em seguida,   buscamos os significados atribu&iacute;dos por cada voz &agrave; forma&ccedil;&atilde;o de professores e que   estavam relacionados com os objetivos de nosso estudo e com os eixos descritivos   elaborados. Os contextos selecionados foram:  </p>     <p>a) o <i>Contexto Normativo</i>, no qual se destacava a <i>voz da lei</i> que    normatiza e regula as pr&aacute;ticas sociais e pedag&oacute;gicas, envolvendo    a LDB/1996, as Diretrizes Curriculares para a Forma&ccedil;&atilde;o de Professores    da Educa&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica, Resolu&ccedil;&atilde;o CNE/ CP n&deg;    1, de 18 de fevereiro de 2002, e as Diretrizes Curriculares para o curso de    Pedagogia, Resolu&ccedil;&atilde;o CNE/CP n&deg; 1, de 15 de maio de 2006. A    escolha dessa legisla&ccedil;&atilde;o deu-se por ser citada literalmente no    Projeto Pedag&oacute;gico investigado, al&eacute;m de considerar sua import&acirc;ncia    na atualidade, por serem essas orienta&ccedil;&otilde;es legais, refer&ecirc;ncias    nacionais para a organiza&ccedil;&atilde;o de cursos de licenciatura no pa&iacute;s.</p>     <p> b) o <i>Contexto Te&oacute;rico-Acad&ecirc;mico</i>, cuja voz discute, prop&otilde;e e denuncia quest&otilde;es   sobre a forma&ccedil;&atilde;o docente, abrangeu os autores que foram identificados nas refer&ecirc;ncias   bibliogr&aacute;ficas de diferentes disciplinas da matriz curricular apresentada no   Projeto Pedag&oacute;gico, assim como as teorias e pesquisas educacionais que circulam   nessa &aacute;rea de conhecimento, identificadas na revis&atilde;o de literatura.  </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>c) o <i>Contexto Institucional</i>, que apresentou uma voz que define regras para serem   seguidas com rigor, envolvendo os documentos que regem a Institui&ccedil;&atilde;o de   Ensino Superior (IES) que foi objeto de investiga&ccedil;&atilde;o. Tais documentos foram: o   Estatuto da IES; o Projeto de Desenvolvimento Institucional (PDI) e o Manual do   aluno, selecionados por serem representativos das propostas da IES para a forma&ccedil;&atilde;o   docente.</p>     <p> Nos tr&ecirc;s contextos listados, observamos significados recorrentes que evidenciam   a necessidade de reformula&ccedil;&atilde;o do processo de forma&ccedil;&atilde;o docente no pa&iacute;s.   Identificamos propostas repetidas sobre a necessidade de articular teoria e pr&aacute;tica,   por meio da aproxima&ccedil;&atilde;o entre os conte&uacute;dos curriculares e os contextos da   educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica. Al&eacute;m disso, todas as vozes defendem o desenvolvimento de compet&ecirc;ncias   e de um profissional cr&iacute;tico-reflexivo, que atenda &agrave;s variadas demandas   do cen&aacute;rio contempor&acirc;neo.</p>     <p> Os contextos normativo e institucional ainda apresentam preocupa&ccedil;&otilde;es com o   controle de frequ&ecirc;ncia dos discentes, evidenciando uma concep&ccedil;&atilde;o que privilegia   os momentos presenciais nas aulas realizadas ao longo do processo formativo. &Eacute;   importante destacar que o contexto normativo orienta que a forma&ccedil;&atilde;o docente   deve priorizar o n&iacute;vel superior, propiciando condi&ccedil;&otilde;es para atender aos profissionais   em exerc&iacute;cio e desenvolvendo projetos pedag&oacute;gicos inovadores. A investiga&ccedil;&atilde;o   dos contextos envolvidos com o Projeto proporcionou conhecimentos sobre   as condi&ccedil;&otilde;es e as regras que orientaram sua produ&ccedil;&atilde;o, revelando um cen&aacute;rio   caracterizado por cobran&ccedil;as de qualidade aos processos de forma&ccedil;&atilde;o docente e   por defini&ccedil;&otilde;es de padr&otilde;es de a&ccedil;&atilde;o.</p>     <p> Ap&oacute;s a elabora&ccedil;&atilde;o dos eixos descritivos e a an&aacute;lise dos contextos, e a fim de   atender aos objetivos do estudo, constru&iacute;mos duas quest&otilde;es a serem feitas ao   Projeto, a saber: (a) Como o Projeto responde &agrave;s demandas dos contextos em   rela&ccedil;&atilde;o &agrave; reformula&ccedil;&atilde;o nas propostas de forma&ccedil;&atilde;o docente? (b) Como o Projeto   se prop&otilde;e a contribuir com o desenvolvimento dos professores-em-forma&ccedil;&atilde;o?   Para responder a tais quest&otilde;es, voltamos o foco para o di&aacute;logo estabelecido entre   o documento e os contextos, buscando as marca&ccedil;&otilde;es que sinalizassem a intertextualidade   e a intratextualidade, destacando as situa&ccedil;&otilde;es de afirma&ccedil;&atilde;o, nega&ccedil;&atilde;o,   contradi&ccedil;&atilde;o, reformula&ccedil;&atilde;o, etc.</p>     <p> Nesse momento, constru&iacute;mos dois eixos interpretativos, com base na organiza&ccedil;&atilde;o   de indicadores que deram sentido ao di&aacute;logo entre as vozes do Projeto e   dos contextos. Primeiro eixo: o novo e o tradicional tecendo a trama de significados   que constitui uma proposta de forma&ccedil;&atilde;o docente, composto pelos indicadores:   (a) a experi&ecirc;ncia profissional dos professores-em-forma&ccedil;&atilde;o como um componente   curricular; (b) a articula&ccedil;&atilde;o entre teoria e pr&aacute;tica; (c) as caracter&iacute;sticas   do tempo pedag&oacute;gico. Segundo eixo: uma proposta de forma&ccedil;&atilde;o docente que pretende desenvolver contextos s&oacute;cio-econ&ocirc;micos e professores cr&iacute;ticos-reflexivos   e competentes, constitu&iacute;do pelos seguintes indicadores: (a) transforma&ccedil;&atilde;o social e   melhoria na qualidade de vida das regi&otilde;es do interior do Estado; (b) o desenvolvimento   de compet&ecirc;ncias; (c) o desenvolvimento de um professor cr&iacute;tico-reflexivo. </p>     <p>O pr&oacute;ximo passo foi a realiza&ccedil;&atilde;o de uma microan&aacute;lise dos eixos interpretativos.   Neste trabalho, considerando o espa&ccedil;o dispon&iacute;vel, exemplificaremos a etapa   de microan&aacute;lise expondo a discuss&atilde;o realizada a partir de um dos indicadores do   primeiro eixo.</p>     <p> Observamos, a partir do primeiro eixo, que o Projeto Pedag&oacute;gico responde ao   contexto normativo de forma afirmativa, aceitando as proposi&ccedil;&otilde;es legais como   determina&ccedil;&otilde;es, sem qualquer avan&ccedil;o, inven&ccedil;&atilde;o ou cria&ccedil;&atilde;o que ultrapasse o texto   da lei. Essa exagerada coer&ecirc;ncia com a legisla&ccedil;&atilde;o &eacute; sustentada pela alus&atilde;o &agrave; lei,   conforme podemos observar nos trechos a seguir:</p>     <p> Trecho 1 - ´´... caracterizando-se na modalidade de curso de gradua&ccedil;&atilde;o    em atendimento ao disposto na Lei de Diretrizes e Bases da Educa&ccedil;&atilde;o    Nacional n&deg; 9.394 de 20 de dezembro de 1996 que em seu artigo n&deg; 62    estabelece que a forma&ccedil;&atilde;o de professores de Educa&ccedil;&atilde;o    B&aacute;sica far-se-&aacute; em n&iacute;vel superior e o artigo n&deg; 87    &sect; 4&deg; estabelece que at&eacute; o fim da D&eacute;cada da Educa&ccedil;&atilde;o,    iniciada ap&oacute;s a publica&ccedil;&atilde;o da referida lei, ano de 1997,    somente ser&aacute; admitidos professores habilitados em n&iacute;vel superior    ou formados em servi&ccedil;o`` (Doc.A<sup>[<a href="#5">5</a>]<a name="top5"></a></sup>,    p.8) </p>     <p>Trecho 2 - ´´a atua&ccedil;&atilde;o do acad&ecirc;mico no local onde trabalha poder&aacute; ser   computada como parte de suas atividades discentes, conforme o art. 61 da   nova LDBEN`` (Doc.A, p.40);  </p>     <p>Trecho 3 - ´´O cerne da proposta curricular &eacute; a forma&ccedil;&atilde;o do profissional   da Educa&ccedil;&atilde;o, sob uma concep&ccedil;&atilde;o te&oacute;rico-pr&aacute;tica que o permita atuar na   doc&ecirc;ncia...`` (Doc.B, p.11)</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Nos trechos 1 e 2 observamos a rela&ccedil;&atilde;o intertextual entre o Projeto e a Lei,   por meio de marca&ccedil;&otilde;es n&iacute;tidas no texto, como cita&ccedil;&atilde;o e alus&atilde;o. E o trecho 3 mostra   a rela&ccedil;&atilde;o intratextual entre a voz do Projeto, que assume como cerne de sua   proposta curricular uma concep&ccedil;&atilde;o te&oacute;rico-pr&aacute;tica, e a voz da LDB/1996, que define   em seu artigo 61a associa&ccedil;&atilde;o entre teoria e pr&aacute;tica como um dos fundamentos   da forma&ccedil;&atilde;o de professores. Tais rela&ccedil;&otilde;es evidenciam o tipo de responsividade   do Projeto perante a lei, cuja proposta &eacute; a reformula&ccedil;&atilde;o da forma&ccedil;&atilde;o docente. &Eacute;   necess&aacute;rio investigar, por&eacute;m, quais os procedimentos que o Projeto cria para o   efetivo desenvolvimento de tal proposta.  </p>     <p>Analisando os procedimentos que o Projeto apresenta para operacionalizar sua   proposta, observamos que n&atilde;o s&atilde;o oferecidas descri&ccedil;&otilde;es suficientes para orientar   os profissionais do curso (coordenadores e docentes). A t&iacute;tulo de exemplo,   citamos a disciplina Pr&aacute;tica Pedag&oacute;gica, criada para atender &agrave;s id&eacute;ias apresentadas   nos trechos 2 e 3 do Projeto, citados anteriormente. A descri&ccedil;&atilde;o dessa disciplina&eacute; apresentada no trecho a seguir:</p>     <p> Trecho 4 - ´´consiste no momento de reflex&atilde;o sobre e na Pr&aacute;tica Educativo-   Pedag&oacute;gica, onde o professor-aluno, sob orienta&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua do professor formador e da participa&ccedil;&atilde;o coletiva (socializa&ccedil;&atilde;o de saberes diversos),   realizar&aacute; estudos e an&aacute;lises cr&iacute;tico-reflexivas relativas &agrave; (. . . ) sua pr&aacute;tica   pedag&oacute;gica`` (Doc.A, p.44).</p>     <p>  Percebemos que essa descri&ccedil;&atilde;o, que deveria orientar professores acerca de um   procedimento formativo particular, n&atilde;o esclarece de forma suficiente como deve ser   o seu desenvolvimento. Por essa raz&atilde;o, questionamos sobre as estrat&eacute;gias que ser&atilde;o   usadas para a ´´orienta&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua``, em uma disciplina que tem uma carga hor&aacute;ria   de 50 h/a anuais: as orienta&ccedil;&otilde;es ser&atilde;o coletivas? O professor-em-forma&ccedil;&atilde;o ser&aacute;   acompanhado pelo ´´professor-formador`` nas escolas onde atua? E de que modo   este orientar&aacute; os planejamentos de aula do professor-em-forma&ccedil;&atilde;o? A falta de amplos   esclarecimentos acerca dos procedimentos pode comprometer o desenvolvimento   do Projeto.</p>     <p> Nessa dire&ccedil;&atilde;o, analisamos por meio da identifica&ccedil;&atilde;o    de rela&ccedil;&otilde;es intertextual e intratextual entre as vozes do contexto    normativo e do Projeto, que &eacute; privilegiada a voz da lei que regula, e    o fato de seu texto n&atilde;o ser esclarecedor vislumbra que seus autores n&atilde;o    se comprometeram com as pr&aacute;ticas concretas de operacionaliza&ccedil;&atilde;o    de suas propostas. Essa situa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o garante que o Projeto    Pedag&oacute;gico possa mediar a realiza&ccedil;&atilde;o de um processo formativo    que possibilite condi&ccedil;&otilde;es para a promo&ccedil;&atilde;o de desenvolvimento    profissional de sujeitos adultos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b> Considera&ccedil;&otilde;es Finais </b></p>     <p>&Eacute; necess&aacute;rio pontuar que nosso objetivo foi demonstrar uma possibilidade de   roteiro de an&aacute;lise de documentos, e para ilustrar nossa proposta apresentamos uma   breve amostra do procedimento em desenvolvimento com o Projeto Pedag&oacute;gico de   um Programa Alternativo de Licenciatura. Enfatizamos que ultrapassa os limites desse   trabalho proceder a uma an&aacute;lise mais detalhada do referido Projeto Pedag&oacute;gico. &Eacute;   suficiente destacar que essa pr&aacute;tica investigativa favoreceu o entendimento sobre os   significados ali produzidos, em especial, os significados relativos &agrave; forma&ccedil;&atilde;o docente,   que contribuem com desenvolvimento profissional dos professores-em-forma&ccedil;&atilde;o.   Por essa raz&atilde;o, pensamos que &eacute; necess&aacute;rio atentar para a dire&ccedil;&atilde;o que apontam,   pois podem contribuir ou n&atilde;o com a promo&ccedil;&atilde;o de desenvolvimento humano e com   melhorias nas pr&aacute;ticas pedag&oacute;gicas.</p>     <p> Acreditamos que o roteiro elaborado para uma an&aacute;lise semi&oacute;tica e dial&oacute;gica de   um documento contribuiu com a compreens&atilde;o acerca do Projeto Pedag&oacute;gico investigado,   possibilitando conhecimentos sobre: as rela&ccedil;&otilde;es dial&oacute;gicas estabelecidas com   os seus contextos de produ&ccedil;&atilde;o; as vozes presentes no texto e que regulam o seu   formato e os compromissos que o documento assume (ou deixa de assumir) com   o processo de forma&ccedil;&atilde;o docente. Ressaltamos que, ao socializar o presente roteiro,   visamos contribuir com a discuss&atilde;o sobre a relev&acirc;ncia do procedimento de an&aacute;lise   de documento, em uma pesquisa que tem por foco o processo de desenvolvimento   humano, uma vez que a ampla compreens&atilde;o desse processo implica o entendimento   de seu contexto semi&oacute;tico e dial&oacute;gico. Por outro lado, ao cristalizar concep&ccedil;&otilde;es e   valores sobre o desenvolvimento profissional, a compreens&atilde;o do documento oferece   pontos de contato com as pr&aacute;ticas de forma&ccedil;&atilde;o, vistas como significados em a&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Notas</b></p>     <p><sup>1<a></a></sup> Trabalho de pesquisa financiado pela CAPES.</p>     <p><sup><a href="#top2">2</a><a name="2"></a></sup> Os docentes do Programa Alternativo de Licenciatura, considerados, no Projeto Pedag&oacute;gico dos cursos, professores-formadores, receber&atilde;o, neste texto, a nomenclatura de docentes.</p>     <p><sup><a href="#top3">3</a><a name="3"></a></sup> Os discentes do curso, doravante, ser&atilde;o denominados professores-em-forma&ccedil;&atilde;o, considerando sua condi&ccedil;&atilde;o de profissionais em exerc&iacute;cio e em forma&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica concomitantemente.</p>     <p><sup><a href="#top4">4</a><a name="4"></a></sup> Gonz&aacute;lez Rey (1997) define indicadores como articula&ccedil;&otilde;es de diferentes express&otilde;es do fen&ocirc;meno estudado que adquirem sentido no processo interpretativo-construtivo desenvolvido pelo pesquisador.</p>     <p><sup><a href="#top5">5</a><a name="5"></a></sup> As duas vers&otilde;es do Projeto que foram analisadas ser&atilde;o identificadas como Doc.A e Doc.B, cujas especificidades foram descritas anteriormente.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <p> Bakhtin, M. (2006). <i>A est&eacute;tica da cria&ccedil;&atilde;o verbal</i>.    4&ordf; ed. Trad. P.Bezerra. S&atilde;o Paulo: Martins Fontes.</p>     <p> Bakhtin, M.M. &amp; Voloshinov, V.N. (2006).<i> Marxismo e filosofia da linguagem:    problemas fundamentais do m&eacute;todo sociol&oacute;gico na ci&ecirc;ncia    da linguagem</i>. 12&ordf; ed. Trad. M. Lahud e Y. F. Vieira. S&atilde;o Paulo:    Editora Hucitec. (Originalmente publicado em 1929).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p> Borrione, R., &amp; Chaves, A.M. (2004). An&aacute;lise documental e contexto    de desenvolvimento: estatutos de uma institui&ccedil;&atilde;o de prote&ccedil;&atilde;o    &agrave; inf&acirc;ncia de Salvador, Bahia.<i> Revista Estudos de Psicologia</i>,    21 (2), 17-27.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000113&pid=S1645-7250201000020000900001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p> Brait, B. (2005). Bakhtin e a natureza constitutivamente dial&oacute;gica    da linguagem. In B. Brait (Org.), <i>Bakhtin, dialogismo e constru&ccedil;&atilde;o    de sentido</i> (pp.91-103). 2&ordf; ed. Campinas, SP: Ed. da Unicamp.</p>     <!-- ref --><p> Branco, A. U., &amp; Rocha, R. F. (1998). A quest&atilde;o da metodologia    na investiga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica do desenvolvimento humano. <i>Psicologia:    Teoria e Pesquisa</i>, 14 (7), 251-258.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000115&pid=S1645-7250201000020000900002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p> Bruner, J. (1997).<i> Atos de significa&ccedil;&atilde;o</i>. Porto Alegre:    Artes M&eacute;dicas.</p>     <!-- ref --><p> Crawford, V.M., &amp; Valsiner, J. (2002). Phenomenon, methodology and interpretation    in the study of meaning: American women constructing themselves as mothers and    career workers. <i>Psychology and Developing Societies</i>, 14 (1), 91-129.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000117&pid=S1645-7250201000020000900003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p> Calado, S.S., &amp; Ferreira, S.C.R. (2004). <i>An&aacute;lise de documentos:    m&eacute;todo de recolha e an&aacute;lise de dados</i>. Disciplina Metodologia    da Investiga&ccedil;&atilde;o I &ndash; Mestrado em Educa&ccedil;&atilde;o/Universidade    de Lisboa. Retirado em 23/05/2009, de <a href="http://www.educ.fc.ul.pt/docentes" target="_blank">www.educ.fc.ul.pt/docentes</a></p>     <!-- ref --><p> Corsetti, B. (2006). A an&aacute;lise documental no contexto da metodologia    qualitativa: uma abordagem a partir da experi&ecirc;ncia de pesquisa no programa    de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em educa&ccedil;&atilde;o da Unisinos.<i>    Unirevista</i>, 1 (1), 32-46.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000119&pid=S1645-7250201000020000900004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p> Denzin, N. K., &amp; Lincoln, Y. S. (2006). Introdu&ccedil;&atilde;o: a disciplina    e a pr&aacute;tica da pesquisa qualitativa. In N. K. Denzin &amp; Y. S. Lincoln    (Org.), <i>O planejamento da pesquisa qualitativa</i> &ndash; Teorias e abordagens    (pp.15-41). Porto Alegre: Artmed.</p>     <p> Fiorin, J. L. (2006). Interdiscursividade e intertextualidade. In B.Brait    (Org.), <i>Bakhtin: outros conceitos-chave</i> (pp. 161-193). S&atilde;o Paulo:    Contexto.</p>     <p> Fiorin, J. L. (2008). <i>Introdu&ccedil;&atilde;o ao pensamento de Bakhtin</i>.    S&atilde;o Paulo: &Aacute;tica.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Gonz&aacute;lez Rey, F. (1997).<i> Epistemologia cualitativa y subjetividad</i>.    S&atilde;o Paulo: EDUC.</p>     <p> Hodder, I. (2002). The interpretation of documents and material culture. In    N.K Denzin &amp; Y.S. Lincoln,<i> Collecting and interpreting qualitative Materials</i>    (pp. 110-129). London: Sage Publications.</p>     <!-- ref --><p> Lopes de Oliveira, M.C.S. (2003). Subjetividade e conhecimento: do sujeito    da representa&ccedil;&atilde;o ao sujeito dial&oacute;gico.<i> Revista do Departamento    de Psicologia da UFF</i>, 15 (1), 33-52.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000125&pid=S1645-7250201000020000900005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p> Ludke, M., &amp; Andr&eacute;, M.E.D.A. (1986). <i>Pesquisa em educa&ccedil;&atilde;o:    abordagens qualitativas</i>. S&atilde;o Paulo: EPU.</p>     <p> May, T. (2004). <i>Pesquisa social: quest&otilde;es, m&eacute;todos e processos</i>.    3&ordf; ed. Porto Alegre: Artmed.</p>     <!-- ref --><p> Pimentel, A. (2001). O m&eacute;todo da an&aacute;lise documental: seu uso    numa pesquisa historiogr&aacute;fica.<i> Cadernos de Pesquisa</i>, 114, 179-195.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000128&pid=S1645-7250201000020000900006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p> Spink, P. (2003). An&aacute;lise de documentos de dom&iacute;nio p&uacute;blico.    In M.J.P. Spink (Org.), <i>Pr&aacute;ticas discursivas e produ&ccedil;&atilde;o    de sentidos no cotidiano: aproxima&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas e metodol&oacute;gicas</i>    (pp.123-151). 3&ordf;ed. S&atilde;o Paulo: Cortez.</p>     <p> Swain, T.N. (1994). Voc&ecirc; disse imagin&aacute;rio? In T.N.Swain (Org.),<i>    Hist&oacute;ria no plural</i> (pp. 43-67). Bras&iacute;lia: Editora Universidade    de Bras&iacute;lia.</p>     <p> Valsiner, J. (2007). <i>Culture in minds and societies: Foundations of cultural    psychology</i>. New Delhi: Sage.</p>     <p> Veiga, I.P.A. (2004). <i>Educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica: Projeto pol&iacute;tico-pedag&oacute;gico;    Educa&ccedil;&atilde;o Superior: Projeto pol&iacute;tico-pedag&oacute;gico</i>.    Campinas: Papirus.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p> Vygotsky, L.S. (2000a). Manuscrito de 1929.<i> Educa&ccedil;&atilde;o &amp;    Sociedade</i>, 21 (71), 21-44.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000133&pid=S1645-7250201000020000900007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p> Vygotsky, L.S. (2000b). <i>Pensamento e linguagem</i>. Trad. J.L.Camargo.    2&ordf; ed. S&atilde;o Paulo: Martins Fontes.</p>      ]]></body><back>
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