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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Manual escolar: companheiro do jovem na aquisição de competências e na curiosidade pelo saber]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article starts with a confrontation between the recent curriculum guidelines on developing skills in problematic situations and the analysis of this problem by various authors. It follows that what is at stake for the current school and therefore also to the manuals, is to develop activities where students can do more than confine themselves to receive information about events, i.e., they are called to act and build their knowledge, at a more demanding point, the discovery or creativity. In short, the mobilization of prior knowledge, the confrontation with new applications of this knowledge and its reconstruction arises as a result of the challenge of problematic situations. It is recalled after the project of a team on analysis of textbooks in which it is realized that, in the textbooks examined, despite the goals set out on an approach to skills development, the proposed activities to students are limited in general to propositions of repetition of information contained in the preceding pages, to formulate relations between two previously described phenomena or concepts presented (in less simple cases) or to suggest experiments whose outcome is easily induced. In the end, the article exemplifies some activities with challenging issues of curiosity.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Manual escolar: companheiro do jovem na aquisi&ccedil;&atilde;o de compet&ecirc;ncias    e na curiosidade pelo saber </b>     <p>&nbsp;      <p> <b>Jos&eacute; B. Duarte</b>     <p> Universidade Lus&oacute;fona de Humanidades e Tecnologias.      <p>Investigador do Centro de Estudos e Interven&ccedil;&atilde;o em Educa&ccedil;&atilde;o    e Forma&ccedil;&atilde;o (CeIEF)     <p> <a href="mailto:j.b.duarte@netcabo.pt">j.b.duarte@netcabo.pt</a>      <p>&nbsp;     <p>RESUMO     <p>Parte-se de um confronto entre as orienta&ccedil;&otilde;es curriculares recentes    sobre desenvolvimento de compet&ecirc;ncias e a an&aacute;lise dessa problem&aacute;tica    por diferentes autores. Conclui-se que o que est&aacute; em causa para a actual    escola e, por conseguinte, tamb&eacute;m para os manuais, &eacute; o desenvolvimento    de atividades onde os alunos possam fazer mais do que limitar-se a receber informa&ccedil;&atilde;o    sobre factos, isto &eacute;, que sejam chamados a agir e a construir o seu conhecimento,    a um n&iacute;vel mais exigente, o da descoberta ou criatividade. Em suma, a    mobiliza&ccedil;&atilde;o dos conhecimentos pr&eacute;vios, o confronto desses    conhecimentos com novas solicita&ccedil;&otilde;es e a sua reconstru&ccedil;&atilde;o    surgem como resultado do desafio lan&ccedil;ado por situa&ccedil;&otilde;es    problem&aacute;ticas. Evocam-se depois trabalhos de um projeto sobre an&aacute;lise    de manuais em que se constata que, nos manuais analisados, apesar dos prop&oacute;sitos    enunciados de uma abordagem por desenvolvimento de compet&ecirc;ncias, as atividades    propostas aos estudantes se limitam, em geral, a propor uma repeti&ccedil;&atilde;o    da informa&ccedil;&atilde;o contida nas p&aacute;ginas anteriores, a formular    rela&ccedil;&otilde;es entre dois fen&oacute;menos j&aacute; descritos ou conceitos    apresentados (nos casos menos simples) ou a sugerir experi&ecirc;ncias cujo    resultado &eacute; facilmente induzido. Na parte final, o artigo exemplifica    com atividades problem&aacute;ticas desafiadoras da curiosidade. Compet&ecirc;ncia    &eacute; a faculdade de mobilizar um conjunto de recursos cognitivos (saberes,    capacidades, informa&ccedil;&otilde;es) para solucionar com pertin&ecirc;ncia    e efic&aacute;cia uma s&eacute;rie de situa&ccedil;&otilde;es.      <p><b>Palavras-Chave</b>: curiosidade epist&eacute;mica; situa&ccedil;&otilde;es    problem&aacute;ticas; desenvolvimento de compet&ecirc;ncias; motiva&ccedil;&otilde;es    para aprendizagem.      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;     <p><b>Textbook: a fellow of the youngster in getting skills and curiosity for    learning </b>     <p>ABSTRACT      <p> This article starts with a confrontation between the recent curriculum guidelines    on developing skills in problematic situations and the analysis of this problem    by various authors. It follows that what is at stake for the current school    and therefore also to the manuals, is to develop activities where students can    do more than confine themselves to receive information about events, i.e., they    are called to act and build their knowledge, at a more demanding point, the    discovery or creativity. In short, the mobilization of prior knowledge, the    confrontation with new applications of this knowledge and its reconstruction    arises as a result of the challenge of problematic situations. It is recalled    after the project of a team on analysis of textbooks in which it is realized    that, in the textbooks examined, despite the goals set out on an approach to    skills development, the proposed activities to students are limited in general    to propositions of repetition of information contained in the preceding pages,    to formulate relations between two previously described phenomena or concepts    presented (in less simple cases) or to suggest experiments whose outcome is    easily induced. In the end, the article exemplifies some activities with challenging    issues of curiosity.      <p><b>Keywords</b>: epistemic curiosity; problematic situations; development of    skills; motivations for learning.      <p>&nbsp;     <p>&nbsp;      <blockquote>       <p>Compet&ecirc;ncia &eacute; a faculdade de mobilizar um conjunto de recursos      cognitivos (saberes, capacidades, informa&ccedil;&otilde;es) para solucionar      com pertin&ecirc;ncia e efic&aacute;cia uma s&eacute;rie de situa&ccedil;&otilde;es      Perrenoud (2000, p.19) </p>       <p> (Os jovens) procuram livros que, por um lado, v&atilde;o ao essencial e      que, por outro, ponham os saberes numa perspetiva geral e os interpelem de      modo a fornecerem um sentido de que sentem necessidade Giordan (1998, p.240)    </p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;     <p><b>Uma controv&eacute;rsia ou os desafios dos novos curr&iacute;culos portugueses</b>      <p> A investiga&ccedil;&atilde;o atual mostra algum desencanto com a escola e at&eacute; indisciplina   por parte dos alunos, fen&oacute;menos que alguns autores associam a um ensino verbalista   e desmotivador (Amado &amp; Freire, 2002; Duarte, 2005; Souto-Gonz&aacute;lez, 1998).   Pode a escola organizar atividades que despertem o interesse e a participa&ccedil;&atilde;o dos   jovens? Os manuais, que s&atilde;o reposit&oacute;rio das pr&aacute;ticas (Astolfi, 1995) mas tamb&eacute;m   instrumento orientador da ac&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica (Hummel, 1987), podem contribuir   para uma escola diferente? Estas quest&otilde;es t&ecirc;m sido debatidas por uma equipa de   investigadores h&aacute; meia d&uacute;zia de anos, atrav&eacute;s da an&aacute;lise das atividades inclu&iacute;das   nos manuais. Por outras palavras, para alterar a metodologia transmissiva ainda   preponderante nas nossas escolas e tendo em conta o papel dos manuais na   orienta&ccedil;&atilde;o letiva, o debate sobre a atividade dos alunos propostas pelos manuais   parece-nos fundamental, pois, como postula Fabre, ´´c`est en agissant qu`on apprend`` (1999, p. 98).     <p> A media&ccedil;&atilde;o do manual entre os curr&iacute;culos oficiais e as    pr&aacute;ticas escolares &eacute; reconhecida pela <i>Lei de Bases do Sistema    Educativo</i> (1986) que o considera o primeiro dos &laquo;recursos educativos    privilegiados&raquo;. Mas sublinhe-se que esse reconhecimento&eacute; partilhado    pelos investigadores (Richaudeau, 1986; Chopin, 1992; Gerard and Roegiers, 2003)    e, como sugeri acima, a obra coordenada por Hummel e patrocinada pela Unesco,    sobre manuais usados em 3 pa&iacute;ses (EUA, RU, Singapura), conclui:´´school    textbooks determine in large measure what goes on in class`` (1988, p.14).      <p> Ora, desde 2001, em Portugal o <i>Curr&iacute;culo do Ensino B&aacute;sico</i>    prop&otilde;e o desenvolvimento de &laquo;compet&ecirc;ncias essenciais&raquo;,    subdivididas em gerais e espec&iacute;ficas, em que os conte&uacute;dos sejam    abordados &laquo;com base em situa&ccedil;&otilde;es e problemas&raquo; (ME,    2001, p.17). Para o ensino secund&aacute;rio, o documento orientador da revis&atilde;o    curricular recomenda um equil&iacute;brio entre a &laquo;aquisi&ccedil;&atilde;o    de conhecimento&raquo; e &laquo;o desenvolvimento de compet&ecirc;ncias vocacionais    e a capacidade de pensar cientificamente os problemas&raquo; (ME, 2003, p.5).      <p> Mas h&aacute; controv&eacute;rsia na literatura pedag&oacute;gica francesa e portuguesa sobre o   conceito de compet&ecirc;ncia. Crahay (2006) e Schneider-Gilot (2006) dizem que &eacute; uma   no&ccedil;&atilde;o demasiado simples, por n&atilde;o permitir aos professores a possibilidade de distinguir no&ccedil;&otilde;es relativas a conhecimento, pr&aacute;tica, atitudes, capacidades e esquemas   operativos. Pensamos que esta controv&eacute;rsia pode ser ultrapassada pela articula&ccedil;&atilde;o   de compet&ecirc;ncias com outras dimens&otilde;es da aprendizagem, como sugere Perrenoud   citado em ep&iacute;grafe. Tamb&eacute;m, referindo-se aos manuais escolares, G&eacute;rard e Roegiers   (2003) sublinham que, se a sua primeira fun&ccedil;&atilde;o &eacute; a transmiss&atilde;o de conhecimento,   a segunda &eacute; o desenvolvimento de capacidades e compet&ecirc;ncias (p.84), propondo a   situa&ccedil;&atilde;o problem&aacute;tica, a colocar sobretudo no princ&iacute;pio de um processo, como uma   maneira pertinente de desenvolver compet&ecirc;ncias, ao permitirem &laquo;explorar e mobilizar diferentes conhecimentos e pr&aacute;ticas&raquo; (p.68).     <p> De um modo mais geral, pode pensar-se que os cap&iacute;tulos dos manuais ou as   aulas devem come&ccedil;ar por situa&ccedil;&otilde;es de desafio, problem&aacute;ticas ou de algum modo   motivadoras. Trata-se da motiva&ccedil;&atilde;o por curiosidade, alargando    o conceito de <i>curiosidade epist&eacute;mica</i> de Berlyne, como a curiosidade    que emerge de uma <i>discrep&acirc;ncia entre uma situa&ccedil;&atilde;o estimulante    e o conhecimento anterior</i> de um indiv&iacute;duo: &laquo;ao despertar-se    a curiosidade epist&eacute;mica, um indiv&iacute;duo &eacute; motivado a procurar    mais informa&ccedil;&atilde;o para resolver essa discrep&acirc;ncia&raquo; (Flemming    e Levie, 1993, p.3). O projeto &laquo;Manuais escolares e atividades dos alunos&raquo;    procura avaliar ´´at&eacute; que ponto`` os manuais escolares portugueses privilegiam    uma fun&ccedil;&atilde;o expositiva ou, de modo diferente, a fazem interagir    com situa&ccedil;&otilde;es problem&aacute;ticas ou motivadoras numa ´´nova``    din&acirc;mica de aprendizagem, j&aacute; que Hummel e col.s (1988) prop&otilde;em    que os manuais devem &laquo;envolver os estudantes num processo ativo de aprendizagem&raquo;    (p.114). Num quadro te&oacute;rico mais complexo, esse envolvimento pode ser    entendido sob o conceito de <i>cognitivismo operante</i> de Minder (2007) ao    ligar as propostas da ´´did&aacute;ctica funcional`` de Clapar&egrave;de, &agrave;s    do cognitivismo e &agrave;s do behaviorismo.      <p> Neste projecto, tendo presente uma amostra representativa de disciplinas de   v&aacute;rias &aacute;reas (Portugu&ecirc;s, Hist&oacute;ria, Geografia, F&iacute;sico-qu&iacute;mica e Ci&ecirc;ncias Naturais e   esperando incluir posteriormente Ingl&ecirc;s e Matem&aacute;tica) dos 7&ordm; e 10&ordm; anos (primeiros   anos do 3&ordm; ciclo do ensino b&aacute;sico e do ensino secund&aacute;rio, n&iacute;veis de transi&ccedil;&atilde;o   entre ciclos), temos vindo a analisar os manuais que ocupem o primeiro, segundo   e quinto lugares da distribui&ccedil;&atilde;o comercial (o quinto lugar e n&atilde;o o terceiro, porque   bons manuais poder&atilde;o ser esquecidos pela promo&ccedil;&atilde;o comercial ou rejeitados pelos   docentes pela sua inova&ccedil;&atilde;o). Pretendemos avaliar de que forma as orienta&ccedil;&otilde;es   dos programas daquelas disciplinas dos dois anos mencionados e o enquadramento   te&oacute;rico que fundamenta essas orienta&ccedil;&otilde;es s&atilde;o, efectivamente, assumidas por   alguns dos manuais mais divulgados e, num segundo momento, observar como essas orienta&ccedil;&otilde;es s&atilde;o desenvolvidas nas escolas.     <p> O que est&aacute; em causa para a actual escola e, por conseguinte, tamb&eacute;m para os   manuais, &eacute; o desenvolvimento de actividades onde os alunos possam fazer mais   do que limitar-se a receber informa&ccedil;&atilde;o sobre factos, isto &eacute;, que sejam chamados   a agir, a construir o seu conhecimento, a um n&iacute;vel mais exigente, o da descoberta   ou criatividade. Fabre sublinha, justamente, &laquo;uma &ecirc;nfase sobre o    problema e n&atilde;o o teorema, sobre a inven&ccedil;&atilde;o mais do que    o j&aacute; encontrado&raquo; (1999, p. 87), podendo generalizar-se a outras    disciplinas o que este autor, na esteira de Vigostky, afirma sobre uma aprendizagem    da Matem&aacute;tica a partir de<i> situa&ccedil;&otilde;es problem&aacute;ticas</i>    (em franc&ecirc;s, ´´situations-probl&egrave;mes``):      <p>a) O aluno deve ser capaz de intervir na resolu&ccedil;&atilde;o de problemas, poder   imaginar o que o problema necessita como tipo de solu&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel (&hellip;), o   problema deve permanecer na zona de desenvolvimento pr&oacute;ximo do aluno. Nem demasiado perto nem longe demais daquilo que j&aacute; sabem. (p. 90);     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> b) Os conhecimentos dos estudantes normalmente s&atilde;o insuficientes para   resolver o problema de imediato. Isto reflecte as caracter&iacute;sticas de um   verdadeiro problema (p. 90).     <p>Fabre sublinha depois: &laquo;Todos os autores insistem em tr&ecirc;s dimens&otilde;es    da situa&ccedil;&atilde;o problem&aacute;tica: permitir aos estudantes investirem    o seu anterior conhecimento; fazer-lhes tomar consci&ecirc;ncia da insufici&ecirc;ncia    deste conhecimento, e ajud&aacute;-los a construir novos procedimentos&raquo;    (1999, p. 92). ´´Tomar consci&ecirc;ncia da insufici&ecirc;ncia do conhecimento``    faz lembrar a<i> curiosidade epist&eacute;mica</i>, acima mencionada, provocada    pela <i>discrep&acirc;ncia entre uma situa&ccedil;&atilde;o estimulante e o    conhecimento anterior</i>. Em suma, a mobiliza&ccedil;&atilde;o dos conhecimentos    pr&eacute;vios, o confronto desses conhecimentos com novas solicita&ccedil;&otilde;es    e a sua reconstru&ccedil;&atilde;o surgem como resultado do desafio lan&ccedil;ado    pelas referidas <i>situa&ccedil;&otilde;es problem&aacute;ticas</i>. Mas Fabre    acentua o que outros autores deixam impl&iacute;cito, ao definirem compet&ecirc;ncia    como capacidade de mobiliza&ccedil;&atilde;o de conhecimentos para um conjunto    de situa&ccedil;&otilde;es ou para novas situa&ccedil;&otilde;es, pois explicitamente    declara que ´´os conhecimentos dos estudantes normalmente s&atilde;o insuficientes    para resolver o problema de imediato``. Por outras palavras, na nova situa&ccedil;&atilde;o    problem&aacute;tica pode (deve?) haver aspetos inovadores que obriguem o jovem    a refletir e procurar informa&ccedil;&atilde;o. &Eacute; a ´´curiosidade epist&eacute;mica``,    mencionada acima.      <p> Com base nos quadros te&oacute;ricos mencionados sobre uma aprendizagem activa   e propiciadora da autonomia do estudante, constru&iacute;mos uma s&eacute;rie de quatro   categorias para an&aacute;lise das actividades dos manuais mais adoptados pelas escolas   portuguesas, segundo explic&aacute;mos anteriormente. As primeiras dessas categorias   s&atilde;o de<i> tipo convergente</i> com as actividades ou exposi&ccedil;&otilde;es    enunciadas pelo manual (tamb&eacute;m provavelmente pelo professor) e as &uacute;ltimas    duas, de <i>fei&ccedil;&atilde;o divergente</i>, incentivam a autonomia do estudante:     <p> 1 - Memoriza&ccedil;&atilde;o e/ou Transposi&ccedil;&atilde;o   2 - Explora&ccedil;&atilde;o e elabora&ccedil;&atilde;o de documentos (interpreta&ccedil;&atilde;o de textos, gr&aacute;ficos,   esquemas e resolu&ccedil;&atilde;o de problemas com base num modelo apresentado)   3 - Reformula&ccedil;&atilde;o (justifica&ccedil;&atilde;o, relacionamento, resumos, s&iacute;nteses, par&aacute;frases,   outras) 4 - Situa&ccedil;&otilde;es Problem&aacute;ticas/ Produ&ccedil;&atilde;o de Conhecimentos     <p> Para as diferentes categorias, exemplifiquemos com perguntas de um manual de   Hist&oacute;ria para o 7&ordm; ano. Para a categoria 1: ´´Que civiliza&ccedil;&atilde;o vais estudar nesta unidade?``   Para a categoria 2: ´´Caracteriza a economia romana a partir do documento   A``. Para a categoria 3: ´´Define os conceitos de Democracia e de Democracia Directa``.   Para a categoria 4: ´´Pesquisa as diferen&ccedil;as entre o atual regime portugu&ecirc;s e o regime de Atenas``.     <p>A equipa do projeto exp&ocirc;s noutros lugares (Duarte, J., Claudino, S., Silva, C.,   Santo, E., Carvalho, L., 2009; Claudino, 2009) os resultados da atual fase da investiga&ccedil;&atilde;o.   Tanto para os manuais do 7&ordm; ano como para os manuais do 10&ordm; ano, descobrimos   que, ap&oacute;s a exposi&ccedil;&atilde;o dos conte&uacute;dos, se fazem propostas de actividades   n&atilde;o muito diferentes daquelas inclu&iacute;das nos manuais anteriores &agrave; reorganiza&ccedil;&atilde;o   curricular de 2001, que, como vimos, determinou uma aprendizagem por compet&ecirc;ncias   com base no desenvolvimento de situa&ccedil;&otilde;es e problemas. Com efeito, nos   manuais analisados as quest&otilde;es limitam-se em geral a propor uma repeti&ccedil;&atilde;o da   informa&ccedil;&atilde;o contida nas p&aacute;ginas anteriores do manual, a formular rela&ccedil;&otilde;es entre   dois fen&oacute;menos j&aacute; descritos ou conceitos apresentados (nos casos menos simples)   ou a sugerir experi&ecirc;ncias cujo resultado &eacute; facilmente induzido. Em suma, os manuais   contemplam, no m&aacute;ximo, compet&ecirc;ncias demasiado simples, pois localizadas   em n&iacute;veis ´´elementares`` das taxonomias, quando muito num n&iacute;vel de ´´aplica&ccedil;&atilde;o   de conhecimentos``. Encontra-se, &eacute; certo, nos manuais uma preocupa&ccedil;&atilde;o dos autores   com o tema das compet&ecirc;ncias, com insist&ecirc;ncia at&eacute; quanto a compet&ecirc;ncias   de ´´investiga&ccedil;&atilde;o`` a desenvolver nos alunos. Mas a proposta de investiga&ccedil;&atilde;o mais   frequente nos manuais analisados &eacute; a de pesquisa na Internet, sem qualquer orienta&ccedil;&atilde;o metodol&oacute;gica.     <p> Em suma, raros problemas do tipo 4 da nossa categoriza&ccedil;&atilde;o, acima descrita,   aparecem nos manuais analisados. Ainda assim, tendo exemplificado acima situa&ccedil;&otilde;es   para o 7&ordm; ano, seguem agora, para o 10&ordm; ano, duas situa&ccedil;&otilde;es problem&aacute;ticas   que esperamos poderem contribuir para a reflex&atilde;o dos leitores. Num manual de   Geografia: ´´Sugira medidas que se podem tomar no quotidiano, tendo em conta a   estrutura do consumo da &aacute;gua (num quadro junto), para racionalizar o seu consumo   em casa e na escola``. E num manual de F&iacute;sica: ´´Projecte um escorrega para a   divers&atilde;o das crian&ccedil;as, de modo que permita que deslizem com facilidade, mas por   outro lado, que as fa&ccedil;a diminuir o valor da velocidade na parte final``. Pede-se   aqui um estudo do movimento, que engloba conceitos de for&ccedil;as e dos efeitos que   estas produzem, bem como considera&ccedil;&otilde;es energ&eacute;ticas. Deste modo procura-se   motivar o aluno apresentando novas situa&ccedil;&otilde;es problem&aacute;ticas, utilizando considera&ccedil;&otilde;es   energ&eacute;ticas (energia potencial, energia cin&eacute;tica), ao inv&eacute;s dos tradicionais   exerc&iacute;cios envolvendo apenas defini&ccedil;&otilde;es. Finalmente, e de modo mais desenvolvido,   exemplifico a seguir o que poderia ser feito num manual de Matem&aacute;tica a   prop&oacute;sito de casos de semelhan&ccedil;a de tri&acirc;ngulos. E depois apresento um manual de Ingl&ecirc;s, como exemplo interessante de concep&ccedil;&atilde;o do trabalho dos alunos.     <p><b> Das situa&ccedil;&otilde;es problem&aacute;ticas, &agrave;s compet&ecirc;ncias, aos conceitos: sem   molhar os p&eacute;s&hellip; calcular a largura de um rio </b>     <p>Sem molhar os p&eacute;s, calcular a largura de um rio - a&iacute; est&aacute;    um problema capaz de entusiasmar os jovens! Trata-se de um problema inclu&iacute;do    num manual do 8&ordm; ano, a meio de uma s&eacute;rie de outros problemas, algo    de habitual nos manuais e nas&hellip;aulas. Ali&aacute;s esse problema parece    mais complicado que um outro, tamb&eacute;m motivador, inclu&iacute;do depois,    j&aacute; que este pede que se calcule a altura de um tronco de &aacute;rvore,    cuja sombra mede 2 metros, confrontando-a com a altura de uma haste ou cabode    vassoura de 1,20 cuja sombra mede 0,40 m. Ou seja, em esquema.      <p>&nbsp;     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><img src="/img/revistas/rle/n16/n16a10f1.jpg" width="346" height="113">      
<p>&nbsp;     <p>Nas p&aacute;ginas anteriores, o manual exp&otilde;e os diferentes ´´casos    de semelhan&ccedil;a de tri&acirc;ngulos`` (proporcionalidade de dois lados    e igualdade do &acirc;ngulo por eles formado; proporcionalidade dos tr&ecirc;s    lados desses tri&acirc;ngulos; igualdade de dois &acirc;ngulos). Esta ordem    de apresenta&ccedil;&atilde;o &eacute; ali&aacute;s habitual na pedagogia corrente:    primeiro a<i> teoria</i> e depois as <i>aplica&ccedil;&otilde;es</i> ou <i>exemplos</i>.    Ora, antes de entrar nesses conceitos de modo expositivo, parece interessante    a situa&ccedil;&atilde;o problem&aacute;tica de conhecer a altura de uma &aacute;rvore&hellip;    sem ter que subir nela. Depois ser&aacute; fundamental levar os alunos a perceberem    que a sombra do tronco da &aacute;rvore aumenta mais rapidamente que a da haste    da vassoura e que esse aumento &eacute; proporcional aos respectivos tamanhos.    Admito que essa reflex&atilde;o leve a conhecer a altura do tronco da &aacute;rvore    atrav&eacute;s de uma regra de tr&ecirc;s simples. Assim, se a sombra da haste    tiver 0,40 m como vimos, a haste 1,20 e sombra da &aacute;rvore tiver 2 metros,    calcular-se-&aacute; que a altura da &aacute;rvore ser&aacute; de 6 metros.      <p> Deste modo, se concretizaria, mas em modo de <i>descoberta</i> ou <i>curiosidade    epist&eacute;mica</i>, um objetivo program&aacute;tico de ´´resolu&ccedil;&atilde;o    de problemas da vida corrente que   envolvam proporcionalidade direta`` que o manual explicitamente evoca. Mas n&atilde;o   s&oacute;. Trata-se de dois lados proporcionais entre dois &acirc;ngulos e de um tri&acirc;ngulo igual   formado por esses dois lados (que neste caso &eacute; uma &acirc;ngulo reto mas que poderia   ser agudo ou obtuso). Tal situa&ccedil;&atilde;o constitui um caso de ´´semelhan&ccedil;a de tri&acirc;ngulos``   dos programas de Matem&aacute;tica, como vimos, conceito a que, na situa&ccedil;&atilde;o aqui   descrita, se chegaria atrav&eacute;s da resolu&ccedil;&atilde;o de uma situa&ccedil;&atilde;o problem&aacute;tica extra&iacute;da da observa&ccedil;&atilde;o quotidiana.     <p> Vejamos agora o interessante desafio de tentar medir a largura de um rio sem    molhar os p&eacute;s que, por ser mais dif&iacute;cil, como disse, deveria,    no manual, vir depois do problema da &aacute;rvore.      <p>&nbsp;     <p><img src="/img/revistas/rle/n16/n16a10f2.jpg" width="270" height="179">      
<p>&nbsp;     <p>O esquema reproduz uma figura do manual mencionado, em que X significa a largura    do rio que se pretende conhecer (&hellip; sem molhar os p&eacute;s). Como se    v&ecirc;, no tri&acirc;ngulo ret&acirc;ngulo mais pequeno, desenhado ao lado    do rio, indica-se a medida dos dois catetos e no tri&acirc;ngulo maior indica-se    apenas a medida de um cateto (coincidente com a margem do rio) pois o outro    cateto desse tri&acirc;ngulo ret&acirc;ngulo constitui a largura do rio, que    se pretende descobrir. Tamb&eacute;m aqui a reflex&atilde;o sobre uma proporcionalidade    direta levar&aacute; os alunos a encontrarem a solu&ccedil;&atilde;o, atrav&eacute;s    de uma regra de tr&ecirc;s simples, sem conhecerem em pormenor a informa&ccedil;&atilde;o    te&oacute;rica das p&aacute;ginas anteriores sobre semelhan&ccedil;a de tri&acirc;ngulos.    O que ser&aacute; tanto mais acess&iacute;vel se o problema do c&aacute;lculo    da altura da &aacute;rvore preceder o da largura do rio. Um professor na aula    poderia at&eacute;, ao passar do problema da &aacute;rvore para este, convidar    os alunos a lembrarem os dois tri&acirc;ngulos imaginados na primeira situa&ccedil;&atilde;o    mas invertendo agora um deles, como &eacute; o caso do problema do rio. Esta    possibilidade de<i> transfer&ecirc;ncia para novas situa&ccedil;&otilde;es</i>    &eacute; o cerne do conceito de compet&ecirc;ncia (como acentua Perrenoud, citado    em ep&iacute;grafe). Por fim fa&ccedil;o notar que, como para o caso do tronco    da &aacute;rvore, de novo se observa que se consideram ´´semelhantes`` dois    tri&acirc;ngulos com dois lados proporcionais e em que &eacute; igual o &acirc;ngulo    formado por esses dois lados, numa articula&ccedil;&atilde;o progressiva de    situa&ccedil;&otilde;es problem&aacute;ticas iniciais com conceitos te&oacute;ricos    que surgem da tentativa de solu&ccedil;&atilde;o dessas situa&ccedil;&otilde;es.      <p> Mas vale a pena refletir na problem&aacute;tica da linguagem, j&aacute; que no Brasil &eacute; corrente   o termo de ´´congru&ecirc;ncia`` em vez do de ´´semelhan&ccedil;a de tri&acirc;ngulos``. Pergunto:   o tri&acirc;ngulo formado pela &aacute;rvore, sombra e respectiva hipotenusa    &eacute; <i>semelhante</i> ao formado pela haste da vassoura, sombra e hipotenusa?    Ent&atilde;o um n&atilde;o &eacute;<i> maior</i> que o outro? N&atilde;o seria    prefer&iacute;vel diz&ecirc;-los ´´proporcionais``? E parece mais adequado o    termo de<i> congruente</i>, preferido na cultura brasileira, como sin&oacute;nimo    de rela&ccedil;&atilde;o harmoniosa entre dois objetos. Mas o adjetivo <i>proporcional</i>    n&atilde;o seria o mais ´´realista``? Como exemplifico tamb&eacute;m noutros    momentos deste trabalho e noutro lugar (Duarte, 2002), a quest&atilde;o da linguagem    n&atilde;o &eacute; despicienda.      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O que a minha experi&ecirc;ncia com este manual me mostra (e imagino que isso    se poder&aacute; passar com muitos alunos) &eacute; que com base na curiosidade    e intui&ccedil;&atilde;o se podem constituir<i> momentos fundamentais da aprendizagem</i>    (momentos relacionados com o habitualmente chamado <i>m&eacute;todo de descoberta</i>)    e que a partir da&iacute; se pode utilizar o<i> m&eacute;todo expositivo</i>,    mas de fun&ccedil;&atilde;o dial&oacute;gica, para chegar a no&ccedil;&otilde;es    como a de tri&acirc;ngulos ´´semelhantes`` ou ´´congruentes`` ou ´´proporcionais``    e aos crit&eacute;rios de semelhan&ccedil;a. A marcha da aula de Matem&aacute;tica    n&atilde;o poderia/deveria partir da observa&ccedil;&atilde;o de problemas da    vida real para chegar aos conceitos matem&aacute;ticos? Pelo menos, na nossa    opini&atilde;o, essa din&acirc;mica deve acontecer com alguma frequ&ecirc;ncia,    para que o interesse dos alunos seja despoletado. Ora, como disse, no manual    analisado, estes problemas aparecem depois de toda a teoriza&ccedil;&atilde;o    sobre ´´casos de semelhan&ccedil;a`` de tri&acirc;ngulos. E ali&aacute;s o primeiro    problema a&iacute; inclu&iacute;do &eacute; o c&eacute;lebre problema em que    Tales de Mileto, a pedido de um fara&oacute;, calcula a altura de uma pir&acirc;mide,    um problema que, embora interessante, parece mais complicado e menos diretamente    motivador que o de descobrir a altura da &aacute;rvore&hellip; sem ter de nela    subir.      <p> Uma precau&ccedil;&atilde;o clara me foi lan&ccedil;ada por uma simp&aacute;tica    professora universit&aacute;ria de Matem&aacute;tica, que analisou este artigo,    ao afirmar que importa &laquo;despertar da curiosidade com problemas simples``,    como os que sugiro, pois &laquo;as ideias abstractas constroem-se a partir da    realidade, sobretudo em certas idades&raquo;, mas deixando impl&iacute;cito    n&atilde;o dever abusar-se de tal procedimento que deve ser um impulso para    trabalhar os conceitos inclu&iacute;dos nos programas. Em suma, a exposi&ccedil;&atilde;o    de conceitos e princ&iacute;pios ser&aacute; sempre necess&aacute;ria da parte    do professor, mas importa renovar a pedagogia com situa&ccedil;&otilde;es problem&aacute;ticas    que despertem a curiosidade dos jovens e que sirvam incentivo &agrave; tarefa    expositiva. Ou como diz Astolfi (meu mestre recentemente falecido e que aqui    homenageio), o que torna ineficaz o m&eacute;todo transmissivo n&atilde;o &eacute;    a sua inefic&aacute;cia mas a sua<i> exclusividade</i>, pois se &laquo;em certos    momentos &eacute; bom viver a experi&ecirc;ncia da maneira como se elabora,    se transforma e se enriquece o saber&raquo; (1995, p.130), isso dar&aacute;    mais sentido a outros momentos em que o saber &eacute; apresentadao de &laquo;forma    acabada&raquo;.      <p>&nbsp;      <p><b> Exemplos de outras mat&eacute;rias </b>     <p>As reflex&otilde;es anteriores levam-nos &agrave; proposta de que momentos de descoberta   funcionem em altern&acirc;ncia e em rela&ccedil;&atilde;o com momentos expositivos. Esses problemas   podem ser de origem escolar, vindos dos laborat&oacute;rios, vindos dos manuais ou   problemas extra-escola - que s&atilde;o os mais motivadores&hellip;Nas aulas de L&iacute;ngua Portuguesa   n&atilde;o ser&aacute; interessante discutir o que h&aacute; de ´´sentimental, irrealista``ou de´´an&aacute;lise social realista`` numa telenovela e da&iacute; chegar aos conceitos relacionados   com dois diferentes movimentos liter&aacute;rios, o romantismo e o realismo, consignados   nos programas? Por outro lado, nas aulas tradicionais de portugu&ecirc;s insiste-se   demasiado no texto narrativo e menos no texto argumentativo, bem necess&aacute;rio   na vida c&iacute;vica e cultural. Uma situa&ccedil;&atilde;o problem&aacute;tica consistir&aacute; em apresentar diferentes   textos e de diferentes origens com argumenta&ccedil;&otilde;es divergentes, expressas   ou impl&iacute;citas, sobre uma problem&aacute;tica (liter&aacute;ria, cultural, ou cient&iacute;fica) e estimular a realiza&ccedil;&atilde;o de um texto em que cada aluno assuma a sua pr&oacute;pria argumenta&ccedil;&atilde;o.     <p> Numa entrevista de que dou conta noutra obra (2005), perguntava um aluno   por que raz&atilde;o n&atilde;o se deveria partir da observa&ccedil;&atilde;o da Ponte 25 de Abril<sup>[<a href="#1">1</a>]<a name="top1"></a></sup> para   depois estudar os conceitos de for&ccedil;a em F&iacute;sica. Sobre essa pergunta, alguns professores   dessa disciplina responderam que isso envolveria muitas vari&aacute;veis dif&iacute;ceis de   analisar e afastadas do programa, o que obrigaria os professores a uma prepara&ccedil;&atilde;o   complexa, mas um deles respondeu que tais quest&otilde;es poderiam ser analisadas pelo   menos atrav&eacute;s de um esquema qualitativo de modo a satisfazer a curiosidade dos jovens e passar depois a quest&otilde;es mais abstratas.     <p> Ainda quanto ao ensino da F&iacute;sica, assisti mais recentemente a um di&aacute;logo de   uma professora com jovens mostrando-lhes uma moeda no fundo de um recipiente,   pedindo para se afastarem e pararem logo que as paredes em alum&iacute;nio do   recipiente n&atilde;o deixassem ver a moeda. Ao juntar &aacute;gua a pouco e pouco e estando   os jovens im&oacute;veis, num dado momento a moeda come&ccedil;ava a ver-se. Porqu&ecirc;? - perguntava   a professora. A &aacute;gua serve de lente? - perguntava um dos jovens. De algum   modo, dizia a professora. E explicava que os raios de luz, que a moeda recebe do   Sol e que nos ´´envia``, e que afinal nos fazem ver a moeda s&atilde;o&hellip; refratados pela&aacute;gua. Refratados? Qu&ecirc;? - perguntava um dos jovens. A professora pensou um pouco e sugeriu o termo ´´dobrado`` como equivalente a ´´refratado`` (ao ouvir isso,   pensei que &laquo;refratado&raquo; poderia tamb&eacute;m ser explicado a partir de &laquo;fratura&raquo;, pois   os raios luminosos s&atilde;o, neste fen&oacute;meno, de algum modo &laquo;fraturados&raquo; ou &laquo;dobrados&raquo; ao passarem pela &aacute;gua). Em conclus&atilde;o, os raios de luz permitiam neste momento   aos alunos ver a moeda pois eram &laquo;dobrados em &acirc;ngulo&raquo; pela &aacute;gua, como   dizia a professora. Em suma, uma palavra da linguagem corrente (´´dobrar``) , para   introduzir o conceito de ´´refra&ccedil;&atilde;o``, a partir de uma curiosa situa&ccedil;&atilde;o problem&aacute;tica, que os ajudar&aacute; a reter esse conceito.     <p> Robert Yin (2005) insere um interessante texto sobre uma escola japonesa (p.38).    O autor do texto ficara surpreendido com o ru&iacute;do nas salas de aula mas    essa surpresa desapareceu ao verificar, por exemplo, a introdu&ccedil;&atilde;o    do conceito de cubo. Antes de tudo o mais, o professor pediu aos alunos que    escrevessem nos cadernos di&aacute;rios o que sabiam sobre esse conceito. Depois    pediu-lhe que em grupos constru&iacute;ssem cubos em papel e outros materiais.    Um grupo decidiu fazer um cubo de um metro c&uacute;bico, mas depressa se lamentou    da grandeza da tarefa. Logo outros se entusiasmaram, perguntando quantos alunos    caberiam dentro. O professor confirmou a dificuldade do trabalho e deu-lhes    o resto da aula para o conclu&iacute;rem, o que aconteceria s&oacute; no dia    seguinte. Aquela situa&ccedil;&atilde;o problem&aacute;tica iria levar os alunos    a, digamos,<i> verem bem</i> um cubo por dentro, a compreenderem intimamente    um dado conceito&hellip; e a compar&aacute;-lo com as primeiras no&ccedil;&otilde;es    escritas inicialmente nos seus cadernos. Lembrando-me desta leitura, perguntei    quantas faces ou lados tem um cubo a um jovem portugu&ecirc;s de 12 anos, que    hesitou, disse primeiro quatro, depois cinco. Com aquela metodologia de trabalho    pedag&oacute;gico, n&atilde;o teria hesitado...      <p> Em suma, concluamos que atrav&eacute;s de situa&ccedil;&otilde;es problem&aacute;ticas    poder&atilde;o desencadear- se processos de desenvolvimento de compet&ecirc;ncias    numa perspetiva de ´´saber em ac&ccedil;&atilde;o`` e de autonomia na procura    dos conceitos relacionados com essas e outras situa&ccedil;&otilde;es problem&aacute;ticas,    numa din&acirc;mica de transfer&ecirc;ncia para outras situa&ccedil;&otilde;es    (como prop&otilde;e Perrenoud na ep&iacute;grafe, que relembro) ou pelo menos    numa esperada <i>curiosidade pelo saber</i> face &agrave; problematiza&ccedil;&atilde;o    de situa&ccedil;&otilde;es contra as <i>d&aacute;divas</i> da pedagogia tradicionalista.    Um tema a complementar com an&aacute;lise de um manual exemplar, precedida de    uma nova reflex&atilde;o pedag&oacute;gica.      <p>&nbsp;      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b> Voltando &agrave; controv&eacute;rsia </b>     <p>Em l&iacute;ngua inglesa, uma interessante contribui&ccedil;&atilde;o para    a problem&aacute;tica de um ensino por desenvolvimento de compet&ecirc;ncias    &eacute; da corrente ligada especialmente ao ensino das l&iacute;nguas, designada    por<i> task based learning</i>, na procura de &laquo;incorporate skills directly    or indirectly into the task design&raquo; (Nunan, 1992, p.45), e logicamente    prevendo &laquo;graded activities for the four macroskills&raquo; (p.196). Aqui<i>    macroskill</i> equivale ao que na literatura francesa e portuguesa designa por    <i>compet&ecirc;ncia</i>, e, por outro lado, ´´competency`` e ´´competence``    come&ccedil;am a aparecer na literatura pedag&oacute;gica de l&iacute;ngua inglesa,    pois, como vemos, <i>skill</i> aproxima-se do conceito de<i> capacidade</i>.    Por outro lado, ainda em l&iacute;ngua inglesa, a problem&aacute;tica do trabalho    do aluno e da autoaprendizagem aparece contextualizada em campos de investiga&ccedil;&atilde;o    de designa&ccedil;&otilde;es diferentes mas de objetivos afins. Entre outros,    o j&aacute; referido ´´taskbased learning``, ou o de ´´self-instruction`` e    ´´self-assessment`` (Hummel, 1988) com &ecirc;nfase nas capacidades de resolu&ccedil;&atilde;o    de problemas e de pensamento cr&iacute;tico ou o do <i>critical teaching</i>    (Arends, 1995). Esses campos de investiga&ccedil;&atilde;o situam-se expl&iacute;cita    ou implicitamente no rasto de Dewey, com o objetivo de desenvolverem o<i> pensamento    reflexivo</i> e ajudar os alunos a adquirir compet&ecirc;ncias e processos de    pensamento produtivo.      <p>Numa vis&atilde;o prospetiva, tendo em conta os exemplos propostos e o enquadramento    te&oacute;rico aduzido, digamos com Giordan (1998) que, para que resulte a transi&ccedil;&atilde;o    para uma ´´sociedade de aprendizagem``, ser&aacute; prioridade a introdu&ccedil;&atilde;o    dos alunos numa abertura pessoal aos saberes, num dispositivo de condi&ccedil;&otilde;es    materiais e humanas de uma autoaprendizagem, a prosseguir ao longo da vida.    A metodologia da aprendizagem por situa&ccedil;&otilde;es problem&aacute;ticas    visa precisamente o desenvolvimento da<i> inven&ccedil;&atilde;o</i> e distingue-se    da solu&ccedil;&atilde;o tradicional de problemas, ou seja,&laquo;problemas    ou exerc&iacute;cios de aplica&ccedil;&atilde;o que t&ecirc;m por objectivo    accionar uma no&ccedil;&atilde;o adquirida&raquo; (Fabre, 1999, p.86). O pensamento    deste autor franc&ecirc;s coincide com o do norte-americano Arends que faz depender    a explora&ccedil;&atilde;o das situa&ccedil;&otilde;es problem&aacute;ticas,    de<i> novas tarefas do professor</i>: &laquo;ajudar os alunos a aprender a formular    quest&otilde;es e a procurar respostas e solu&ccedil;&otilde;es para a sua curiosidade&raquo;    (1995, p.396). Por isso Fabre situa o uso da situa&ccedil;&atilde;o problem&aacute;tica    entre a gest&atilde;o pedag&oacute;gica e a gest&atilde;o did&aacute;tica (p.138).      <p>&nbsp;      <p><b> Atividades diferenciadas num manual escolar </b>     <p>Vimos que uma interessante contribui&ccedil;&atilde;o para a problem&aacute;tica    do ensino por compet&ecirc;ncias &eacute; da corrente ligada ao ensino das l&iacute;nguas,    designada por <i>task based learning</i>, proposta pelo Conselho da Europa.    &Eacute; o caso de um manual de ingl&ecirc;s atualmente em utiliza&ccedil;&atilde;o    nalgumas escolas secund&aacute;rias portuguesas, que deixo em anonimato, mas    certamente conhecido de alguns leitores. Este manual insere-se numa orienta&ccedil;&atilde;o    pedag&oacute;gica que privilegia o ´´fazer`` e n&atilde;o o ´´ouvir``, pois    est&aacute; organizado segundo a metodologia de <i>task-based learning</i>,    que evoquei acima. Por isso, ao lado das atividades que pede para serem realizadas,    inclui uma breve descri&ccedil;&atilde;o de situa&ccedil;&otilde;es relacionadas    com essas atividades. E est&aacute; organizado em tarefas ´´macro`` <i>(language,    listening, speakimg, reading</i> e<i> writing</i>) e actividades ´´micro``,    que servem de percurso de compet&ecirc;ncias necess&aacute;rias para a execu&ccedil;&atilde;o    daquelas tarefas ´´macro``.      <p> Notemos ali&aacute;s que os exerc&iacute;cios de avalia&ccedil;&atilde;o previstos por este manual permitem   um percurso diferenciado escolhido por op&ccedil;&atilde;o dos alunos, e para isso um   s&iacute;mbolo indica perguntas mais acess&iacute;veis que as acompanhadas de outro s&iacute;mbolo. A   valoriza&ccedil;&atilde;o das perguntas com os dois s&iacute;mbolos &eacute; tamb&eacute;m diferente mas permite   ao aluno entre optar por tarefas mais f&aacute;ceis, mas que conhece melhor, a correr   o risco de responder a perguntas mais valorizadas mas em que pode n&atilde;o obter pontua&ccedil;&atilde;o.     <p> Vejamos um exemplo do <i>Student`s book</i>, em que se pode optar por uma    de duas tarefas. Uma <i>primeira tarefa</i> pede, num ingl&ecirc;s simples,    para se escolher de uma lista de ´´prefixos`` (un, dis, in, il, ir, im, less)    alguns desses prefixos e junt&aacute;-los a uma lista de adjectivos (<i>proper,    convenient</i>, etc). A segunda tarefa consiste em completar, num primeiro momento,    frases com palavras derivadas de outras palavras indicadas ao lado de cada frase,    e de, num segundo momento, explicar a escolha. A primeira tarefa &eacute; evidentemente    mais f&aacute;cil mas tamb&eacute;m uma tarefa de base sem a qual n&atilde;o    se poder&aacute; avan&ccedil;ar em termos de compet&ecirc;ncia lingu&iacute;stica.    No <i>Workbook</i> consolida-se esta tarefa mantendo os dois n&iacute;veis de    dificuldade.      <p> Em suma, o aluno n&atilde;o fica abandonado na obriga&ccedil;&atilde;o de    responder a perguntas de n&iacute;vel mais abstrato, tendo de recorrer apenas    &agrave; sua mem&oacute;ria, mas &eacute; convidado a compreender ou lembrar    os recursos apresentados ao lado e a saber optar por alguns de entre eles. Pode    assim, segundo as suas possibilidades,<i> executar efetivamente uma tarefa</i>    (propiciadora do desenvolvimento de compet&ecirc;ncias) e ... aprender os conceitos    em causa.      <p>&nbsp;      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b> Reflex&otilde;es conclusivas. O jovem face aos manuais e outros recursos </b>     <p>Para l&aacute; da controv&eacute;rsia do papel das compet&ecirc;ncias num ensino mais eficaz, parece   evidente que a escola tem tido uma fun&ccedil;&atilde;o demasiado verbalista e que &laquo;entre   o fazer e o conhecer, as rela&ccedil;&otilde;es s&atilde;o de natureza dial&eacute;ctica e &eacute; assim que &eacute; preciso   concretiz&aacute;-las na escola&raquo;, como sublinha Crahay (2006, p.106). Ora se o professor&eacute; um mediador indispens&aacute;vel para uma mudan&ccedil;a no ensino, o manual escolar tem   nessa media&ccedil;&atilde;o um papel relevante. Por outro lado, o manual &eacute; um &laquo;ve&iacute;culo ideol&oacute;gico   e cultural&raquo; (Choppin, 1992, p.164) ou uma forma de &laquo;tornar leg&iacute;timos&raquo; os   conhecimentos que &laquo;geralmente s&atilde;o os dos grupos dominantes&raquo; a que importar&aacute;   responder com resist&ecirc;ncia e adapta&ccedil;&atilde;o pessoal (Apple, 2002, p.14). Por isso Richaudeau   (1986) sublinha que o manual tender&aacute; a funcionar entre duas tend&ecirc;ncias,   ou seja, entre uma concep&ccedil;&atilde;o de aprendizagem indutora de repeti&ccedil;&atilde;o e imita&ccedil;&atilde;o ou, pelo contr&aacute;rio, uma concep&ccedil;&atilde;o promotora de actividades autonomizadoras.     <p> E, por isso, se muitos manuais se tornaram puzzles cujas chaves s&atilde;o    detidas pelos professores a quem cabe a sele&ccedil;&atilde;o face &agrave;s    op&ccedil;&otilde;es do mercado (Claudino, 2001), e se tendem a um formalismo    de fun&ccedil;&atilde;o meramente escolar (Duarte, 2005), Giordan prop&otilde;e    justamente que &laquo;este produto pedag&oacute;gico pode tornar-se um formid&aacute;vel    instrumento de autodidaxia se se tornar um livro de refer&ecirc;ncia&raquo;,    pois num tempo em que os alunos se perdem face &agrave; multiplicidade de informa&ccedil;&atilde;o    dos diferentes m&eacute;dia, eles &laquo;procuram livros que, por um lado, v&atilde;o    ao essencial e que, por outro, ponham os saberes numa perspetiva geral e os    interpelem de modo a fornecerem um sentido de que sentem necessidade&raquo;    (1998, p.240). Assim, o manual (de modo algo semelhante ao professor) pode tornar-se    um<i> companheiro</i> do aluno.      <p> Nessa linha de reflex&atilde;o, Gerard e Roegiers advertem (2003) e com justa    raz&atilde;o que o aluno actual, utilizador principal do manual escolar, n&atilde;o    &eacute; o mesmo de h&aacute; alguns anos atr&aacute;s, banhado por uma sociedade    de imagem, em que a utiliza&ccedil;&atilde;o do computador e de outros multim&eacute;dia    se faz mais numa l&oacute;gica de aprendizagem e de descoberta que numa l&oacute;gica    de ensino e que essa l&oacute;gica deve ser assumida pelos manuais. Concordando,    concluamos que isso constitui mais uma raz&atilde;o para adoptar uma estrat&eacute;gia    de curiosidade e de trabalho nas aulas e fora delas, com recurso aos manuais    e a outros instrumentos educativos, numa pedagogia atenta &agrave; diversidade    cultural dos jovens. Uma pedagogia de ´´curiosidade epist&eacute;mica`` ou curiosidade    pelo saber e de trabalho motivado por essa curiosidade trar&aacute; &agrave;s    nossas escolas uma outra atmosfera e organiza&ccedil;&atilde;o. E lembro Freinet:    ´´uma <i>disciplina racional</i> emana naturalmente do trabalho organizado``    (1973, p.27).      <p>&nbsp;      <p><b> Notas</b>     <p><sup><a href="#top1">1</a><a name="1"></a></sup> Para quem n&atilde;o conhece    Lisboa se explica que se trata de uma comprida ponte situada entre as duas margens    do Rio Tejo.      <p>&nbsp;     <p><b> Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b>     <p> Amado, J. S., &amp; Freire, I. P. (2002).<i> Indisciplina e Viol&ecirc;ncia    na Escola. Compreender para prevenir</i>. Porto: Edi&ccedil;&otilde;es ASA.      ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Arends (1997). <i>Aprender a ensinar</i>. Lisboa: Mc-Graw-Hill.      <p> Astolfi, J.-P. (1995). <i>L`&eacute;cole pour apprendre</i>. Paris: ESF Editeur.      <p> Choppin, A. (1992). <i>Manuels scolaires : histoire et actualit&eacute;</i>.    Paris. hachette.      <p> Claudino, S. (2001). <i>Portugal atrav&eacute;s dos manuais escolares de Geografia.    S&eacute;culo. XIX. As imagens intencionais</i>. Lisboa: Tese de Doutoramento,    Univ. de Lisboa.      <!-- ref --><p> Crahay, M. (2006). Dangers, incertitudes et incompl&eacute;tude de la logique    de la comp&eacute;tence en &eacute;ducation. <i>Revue Fran&ccedil;aise de P&eacute;dagogie</i>,    n&ordm; 154, pp.97-110.      &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000087&pid=S1645-7250201000020001000001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p> Duarte, J., Claudino, S., Silva, C., Santo, E., Carvalho, L. (2009) Podem    os manuais escolares contribuir para a melhoria da escola? <a href="http://www.ceief.ulusofona.pt/images/stories/ebook.pdf" target="_blank">http://www.ceief.ulusofona.pt/images/stories/ebook.pdf</a>    pp 578-595.      <p> Duarte, J.B. (2005). <i>A contesta&ccedil;&atilde;o escondida: cr&iacute;ticas    de jovens &agrave; escola atual</i>. S&atilde;o Paulo: Cortez Editora.      <p> Duarte, J. (2002). Da express&atilde;o pessoal aos conceitos cient&iacute;ficos    e vice-versa. In <i>O particular e o global no virar do mil&eacute;nio</i> (pp.    433-442). Lisboa: Colibri-SPCE.      <p> Fabre, M. (1999). <i>Situations-probl&egrave;mes et savoir scolaire</i>. Paris    : PUF.      <p> Fleming, M., &amp; Levie, W.H. (1993). <i>Instructional message design: Principles    from the behavioral and cognitive sciences</i> (2nd ed.). Englewood Cliffs,    NJ: Educational.      ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Freinet, C. (1973).<i> Para uma escola do povo</i>. Lisboa: Presen&ccedil;a.      <p> Gerard, F.-M. e Roegiers, X. (2003).<i> Des manuels pour apprendre - Concevoir,&eacute;valuer,    utiliser</i>. Bruxelles: De Boeck.      <p> Giordan, A. (1998). <i>Apprendre !</i> Paris: Belin.      <p> Hummel, C. (1988). <i>School textbooks and longlife education : an analysis    of schoolbooks from three countries</i>.Hamburg: Unesco.      <p> Meirieu, Ph. (2004).<i> Faire l`&eacute;cole, faire la classe</i>. Paris:    ESF.      <p> Minder, M. (2007). <i>Didactique fonctionnelle</i>. Bruxelles: De Boeck.      <p> ME (Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o) (2001). <i>Curr&iacute;culo    Nacional do Ensino B&aacute;sico - Compet&ecirc;ncias Essenciais. (Dispon&iacute;vel    em</i> <a href="http://www.dgidc.min-edu.pt" target="_blank">www.dgidc.min-edu.pt</a>, consultado    17-11-2010).      <p> ME (Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o) (2003). <i>Documento Orientador    da Revis&atilde;o Curricular do Ensino Secund&aacute;rio</i><a href="http://nautilus.fis.uc.pt/spf/DTE/pdfs/revisao_final2003.pdf" target="_blank">http//nautilus.fis.uc.pt/spf/DTE/pdfs/revisao_final2003.pdf</a>.      <p> Nunan, D. (1992).<i> Designing tasks for the communicative classroom</i>.    N.York: Cambridge University Press.      <p> Perrenoud, Ph. (2000).<i> A pedagogia diferenciada. Das inten&ccedil;&otilde;es    &agrave; ac&atilde;o</i>. Porto Alegre: Artmed.      ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Richaudeau, F. (1986). <i>Conception et production des manuels scolaires.    Guide pratique</i>. Paris: Unesco.      <p> Schneider-Gilot,M. (2006). Quand le courant p&eacute;dagogique des comp&eacute;tences    emp&ecirc;che une structuration des enseignements (&hellip;). <i>Revue Fran&ccedil;aise    de P&eacute;dagogie</i>, 154, 85-96.      <p> Souto-Gonz&aacute;lez, X. M. (1998).<i> Did&aacute;ctica de la Geograf&iacute;a    - problemas sociales y conocimiento del medio</i>. Barcelona: Ediciones del    Serbal.      <p>Yin, R. (2005). (Ed.). <i>Introducing the world of education. A case study    reader</i>. Thousand Oaks: Sage.      ]]></body><back>
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