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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O ensino e a aprendizagem na sala de aula numa perspectiva dialética]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In this paper it is argued, the dialectical mediation focus, the relation between teaching and learning and their effects in the classroom. This essay aims to contribute to some misconceptions about this relation are resolved and for teachers to better understand what teaching is, what learning is, what kind of relation exists between both of them and what the teacher role is about these processes, which involve philosophical bases that should be known and understood by teachers.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <P   ><B>O ensino e a aprendizagem na sala de aula numa perspectiva dial&eacute;tica</B></P>     <P>&nbsp;</P>     <P    >*<b>Jos&eacute; Luis Vieira de Almeida</b>, **<b>Teresa Maria Grubisich </b></P >     <P    >*Universidade Estadual Paulista, Campus de S&atilde;o Jos&eacute; do Rio Preto, <a href="mailto:joseluisv@terra.com.br">joseluisv@terra.com.br</a></P >     <P    >**Academia da For&ccedil;a A&eacute;rea (Brasil), <a href="mailto:teresagrub@terra.com.br">teresagrub@terra.com.br</a></P >     <P>&nbsp;</P>     <P      ><b>Resumo</b></P >     <P    >Neste texto discute-se, pelo enfoque da media&ccedil;&atilde;o dial&eacute;tica, a rela&ccedil;&atilde;o entre ensino e aprendizagem e seus efeitos na sala de aula. Com este trabalho pretende-se contribuir para que alguns equ&iacute;vocos a respeito dessa rela&ccedil;&atilde;o sejam dirimidos e para que os professores compreendam melhor o que &eacute; o ensino, o que &eacute; a aprendizagem, que tipo de rela&ccedil;&atilde;o existe entre ambos e qual &eacute; o papel do professor quanto a esses processos, que implicam bases filos&oacute;ficas que devem ser conhecidas e bem compreendidas pelos docentes. </P >    <P    ><b>Palavras-chave:</b> ensino; aprendizagem; dial&eacute;tica; media&ccedil;&atilde;o; sala de aula.</P >    <P   >&nbsp;</P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P   ><b>The teaching and the learning in the classroon on a dialetic perspective</b></P >     <P   ><b>Abstracts</b></P >     <P >   In this paper it is argued, the dialectical mediation focus, the relation between teaching and learning and their effects in the classroom. This essay aims to contribute to some misconceptions about this relation are resolved and for teachers to better understand what teaching is, what learning is, what kind of relation exists between both of them and what the teacher role is about these processes, which involve philosophical bases that should be known and understood by teachers.</P >     <P ><b>Keywords</b>: teaching; learning; dialectical; mediation; classroom.    <br> </P >     <P   >&nbsp;</P >     <P   ><B>Introdu&ccedil;&atilde;o</B></P >     <P    >A consulta a algumas bases de dados brasileiras sobre educa&ccedil;&atilde;o, como por exemplo, SciELO e SIBi-D&eacute;dalus ou ao Banco de Teses e Disserta&ccedil;&otilde;es da Coordena&ccedil;&atilde;o de Aperfei&ccedil;oamento de Pessoal de N&iacute;vel Superior (CAPES), resulta em centenas de refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas no verbete ensino–aprendizagem. A maior parte delas &eacute; encontrada em artigos, disserta&ccedil;&otilde;es ou teses que tratam da metodologia de ensino, por&eacute;m tamb&eacute;m &eacute; comum encontr&aacute;-las em textos que abordam problemas relativos &agrave; psicologia da aprendizagem ou &agrave; did&aacute;tica geral. Esses textos, quando discutem a rela&ccedil;&atilde;o ensino-aprendizagem, quase sempre o fazem na perspectiva do senso comum, ou seja, n&atilde;o explicitam o que &eacute; ensino tampouco o que &eacute; aprendizagem.</P >    <P    >Quando entendida na perspectiva do senso comum, a rela&ccedil;&atilde;o ensino-aprendizagem &eacute; linear; assim, quando h&aacute; ensino, deve necessariamente haver aprendizagem. Ao inverso, quando n&atilde;o houve aprendizagem, n&atilde;o houve ensino. Desse modo, o ensino &eacute; subordinado &agrave; aprendizagem. Essa subordina&ccedil;&atilde;o &eacute; expressa em concep&ccedil;&otilde;es que compreendem o professor como facilitador da aprendizagem, ou ainda como mediador do conhecimento.</P >    <P    >A proposta deste artigo &eacute; discutir refer&ecirc;ncias te&oacute;ricas e metodol&oacute;gicas que possam revelar uma concep&ccedil;&atilde;o n&atilde;o linear da rela&ccedil;&atilde;o em foco, bem como criticar as concep&ccedil;&otilde;es professor facilitador e professor mediador. No artigo, ser&atilde;o discutidos, ent&atilde;o, os conceitos de media&ccedil;&atilde;o, ensino e aprendizagem.</P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   ><B>A media&ccedil;&atilde;o</B></P >    <P    >A media&ccedil;&atilde;o no campo educacional &eacute; geralmente considerada como o produto de uma rela&ccedil;&atilde;o entre dois termos distintos que, por meio dela podem ser homogeneizados. Essa homogeneiza&ccedil;&atilde;o elimina a diferen&ccedil;a entre eles e, por conseguinte, a possibilidade de conflito entre ambos. Portanto, quando se compreende a media&ccedil;&atilde;o como o resultado, como um produto, a necess&aacute;ria rela&ccedil;&atilde;o entre dois termos se reduz &agrave; sua soma, o que resulta na sua anula&ccedil;&atilde;o m&uacute;tua, levando-os ao equil&iacute;brio. Essa id&eacute;ia concebe a media&ccedil;&atilde;o como o resultado da aproxima&ccedil;&atilde;o entre dois termos que, embora distintos no in&iacute;cio, quando totalmente separados, tendem a igualar-se &agrave; medida que se aproximam um do outro.</P >    <P    >Esse modo de compreender a media&ccedil;&atilde;o pode ser encontrado, por exemplo, nas publica&ccedil;&otilde;es do Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o e Interven&ccedil;&atilde;o Educativa (CIIE), da Universidade do Porto, Portugal. Esse Centro mant&eacute;m conv&ecirc;nios com universidades brasileiras, como por exemplo, a Universidade Federal de Pernambuco, para desenvolver projetos de pesquisa. Nesses projetos, discute-se o conceito de media&ccedil;&atilde;o local, indicando que mediar implica solucionar conflitos por meio de a&ccedil;&otilde;es educativas. Assim, a media&ccedil;&atilde;o restringe-se a uma a&ccedil;&atilde;o pragm&aacute;tica, circunscrita a uma situa&ccedil;&atilde;o de conflito. Este entendimento da media&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; muito distante daquele em que ela &eacute; compreendida na situa&ccedil;&atilde;o da sala de aula. A media&ccedil;&atilde;o na sala de aula &eacute; tamb&eacute;m pragm&aacute;tica, pois pretende que o aluno aprenda de modo imediato. Nos dois casos, em que mediar &eacute; agir de modo pragm&aacute;tico, todo conflito pode ser “solucionado”, e o aluno pode “aprender”.</P >    <P    >Ao restringirmos a media&ccedil;&atilde;o a uma situa&ccedil;&atilde;o dada, seja na escola ou em outras institui&ccedil;&otilde;es sociais, eliminamos o seu car&aacute;ter dial&eacute;tico e a circunscrevemos a um produto, quando ela &eacute; um processo. Isso fica claro quando, por exemplo, o professor tenta criar uma situa&ccedil;&atilde;o em sala de aula visando facilitar a aprendizagem do aluno; situa&ccedil;&atilde;o que normalmente tenta imitar o cotidiano do estudante, para que, a partir da simula&ccedil;&atilde;o de uma experi&ecirc;ncia do dia-a-dia, a aprendizagem se viabilize. Esse simulacro do cotidiano &eacute; necessariamente restrito a uma situa&ccedil;&atilde;o, e nela o estudante manifesta-se como se tivesse aprendido, e, o que &eacute; pior, o professor acredita. Por&eacute;m, uma vez finda a simula&ccedil;&atilde;o e encerrada a aula, n&atilde;o podemos garantir que houve aprendizagem, porque o aluno reage &agrave; situa&ccedil;&atilde;o, mesmo que falsa, contudo reagir n&atilde;o &eacute; aprender. Na maioria das vezes, o professor desavisado n&atilde;o compreende que o aluno diante da situa&ccedil;&atilde;o proposta tenta reagir do modo como ele, o professor, espera, n&atilde;o se distanciando da dimens&atilde;o cotidiana da experi&ecirc;ncia. A aprendizagem, quando restrita a uma situa&ccedil;&atilde;o, torna-se um produto, assim, na aula seguinte, a situa&ccedil;&atilde;o ser&aacute; outra e o produto tamb&eacute;m ser&aacute; outro. Dessa forma, n&atilde;o h&aacute; processo e sim uma soma de produtos bem ao gosto, por exemplo, da pedagogia de projetos de Hern&aacute;ndez (1998).</P >    <P    >Como j&aacute; afirmamos, a media&ccedil;&atilde;o como rela&ccedil;&atilde;o dial&eacute;tica n&atilde;o &eacute; produto e sim processo. Esse processo implica a supera&ccedil;&atilde;o do imediato no mediato: o imediato se expressa nas sensa&ccedil;&otilde;es e necessidades pr&oacute;prias de qualquer ser vivo. Ent&atilde;o, podemos afirmar que qualquer ser vivo que sente calor, fome, sede e dor est&aacute; no plano do imediato. O ser humano se distingue dos outros seres vivos, embora tamb&eacute;m o seja, por que &eacute; capaz de ascender ao plano do mediato; isto &eacute;, ele &eacute; capaz de pensar, e esta faculdade lhe permite transformar a natureza, o que n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel aos seres vivos que est&atilde;o no plano do imediato, os quais apenas reagem ao meio natural.</P >    <P    >Consideramos o excerto de Marx (1983), transcrito a seguir, a melhor formula&ccedil;&atilde;o para compreendermos a media&ccedil;&atilde;o: “A fome &eacute; a fome, mas a fome que se satisfaz com carne cozinhada, comida com faca e garfo, n&atilde;o &eacute; a mesma fome que come a carne crua servindo-se das m&atilde;os, das unhas, dos dentes” (p. 210). De acordo com o pensamento de Marx, a fome animal est&aacute; no plano do imediato, no qual vivem todos os seres vivos; j&aacute; a fome humana &eacute; mediata, porque satisfeita com base em media&ccedil;&otilde;es como o tempero e o cozimento da carne, o uso do garfo e da faca. Al&eacute;m disso, precisamos acender o fogo e arrumar a mesa. Esclarecemos que a fome humana, quando &eacute; sentida, tamb&eacute;m &eacute; imediata, mas n&atilde;o &eacute; satisfeita nesse plano. Ainda com base na explica&ccedil;&atilde;o de Marx, pode-se reiterar que apenas os seres humanos s&atilde;o capazes de mediar.</P >    <P    >Para compreendermos a media&ccedil;&atilde;o na sala de aula, &eacute; preciso, em primeiro lugar, estabelecermos que o estudante est&aacute; sempre no plano do imediato, e o professor est&aacute;, ou deveria estar, no plano do mediato. Assim, entre eles se estabelece uma media&ccedil;&atilde;o que visa, como j&aacute; o dissemos, a supera&ccedil;&atilde;o do imediato no mediato. Em outras palavras, o estudante deve superar a sua compreens&atilde;o imediata e ascender a outra que &eacute; mediata. E isso s&oacute; pode ocorrer pela a&ccedil;&atilde;o do professor que medeia com o aluno, estabelecendo com ele uma tens&atilde;o que implica negar o seu cotidiano. Por outro lado, o aluno tentar&aacute; trazer o professor para o cotidiano vivido por ele, aluno, negando, assim, o conhecimento veiculado pelo professor. Nessa luta de contr&aacute;rios – professor e aluno, conhecimento sistematizado pela humanidade e experi&ecirc;ncia cotidiana – &eacute; que se d&aacute; a media&ccedil;&atilde;o; e ela ocorre nos dois sentidos, tanto do professor para o aluno quanto do aluno para o professor. Em outros termos, a media&ccedil;&atilde;o, na escola, &eacute; um processo que ocorre na sala de aula e promove a supera&ccedil;&atilde;o do imediato no mediato por meio de uma tens&atilde;o dial&eacute;tica entre p&oacute;los opostos. &Eacute; uma luta de contr&aacute;rios.</P >    <P    >Esse modo de compreender a media&ccedil;&atilde;o n&atilde;o aceita a id&eacute;ia do professor mediador do conhecimento, tampouco a no&ccedil;&atilde;o de professor facilitador da aprendizagem. Essas duas acep&ccedil;&otilde;es s&atilde;o equivocadas, porque, em primeiro lugar, o professor n&atilde;o &eacute; o &uacute;nico mediador, pois o aluno tamb&eacute;m medeia, e, em segundo lugar, a media&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se estabelece com o conhecimento e sim entre o aluno e o professor. Trata-se de uma automedia&ccedil;&atilde;o no segundo sentido atribu&iacute;do por M&eacute;sz&aacute;ros; ou seja, a media&ccedil;&atilde;o entre o homem e os outros homens:</P >     <blockquote>     <P>A rela&ccedil;&atilde;o entre o homem e a natureza &eacute; ‘automediadora’ num duplo sentido. Primeiro, porque &eacute; a natureza que propicia a media&ccedil;&atilde;o entre si mesma  e o homem; segundo, porque a pr&oacute;pria atividade mediadora &eacute; apenas um atributo do homem, localizado numa parte espec&iacute;fica da natureza. Assim, na  atividade produtiva, sob o primeiro desses dois aspectos ontol&oacute;gicos a natureza faz a media&ccedil;&atilde;o entre si mesma e a natureza; e, sob o segundo  aspecto ontol&oacute;gico - em virtude do fato de ser a atividade produtiva inerentemente social - o homem faz a media&ccedil;&atilde;o ente si mesmo e os demais  homens. (M&eacute;sz&aacute;ros, 1981, p.77-78)</P> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P    >Sendo a media&ccedil;&atilde;o na sala de aula uma automedia&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o podemos abrir m&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o direta entre professor e aluno. Desse modo, n&atilde;o podemos substitu&iacute;-la por falsos mediadores, como por exemplo, a exibi&ccedil;&atilde;o de filmes quando a tem&aacute;tica n&atilde;o corresponde &agrave;quela tratada pelo professor, ou a execu&ccedil;&atilde;o aleat&oacute;rio de atividades de ensino. Os professores que se utilizam com freq&uuml;&ecirc;ncia desses recursos nutrem a esperan&ccedil;a de que essas pr&aacute;ticas sejam capazes de estabelecer media&ccedil;&otilde;es que eles, os professores, talvez n&atilde;o se sintam seguros para desenvolver. Alguns professores precisam ser lembrados de que sala de aula n&atilde;o &eacute; sala de cinema nem oficina de terapia ocupacional. </P >    <P    >Os professores que se utilizam desses artif&iacute;cios o fazem muitas vezes no intuito de facilitar a aprendizagem; por&eacute;m, sendo a rela&ccedil;&atilde;o entre o ensino e a aprendizagem uma luta de contr&aacute;rios, n&atilde;o h&aacute; como facilit&aacute;-la. Ao inverso, o professor deve dificultar a vida cotidiana do aluno inserindo nela o conhecimento, e, dessa forma, negando-a. Pois, na vida cotidiana n&atilde;o h&aacute; conhecimento e sim experi&ecirc;ncia. Desse modo, n&atilde;o h&aacute; como facilitar o que &eacute; dif&iacute;cil. Aprender &eacute; dif&iacute;cil.</P >     <blockquote>     <P>ser&aacute; sempre necess&aacute;rio que ela [crian&ccedil;a] se fatigue a fim de aprender e que se obrigue a priva&ccedil;&otilde;es e limita&ccedil;&otilde;es de movimento f&iacute;sico isto &eacute; que  se submeta a um tiroc&iacute;nio psicof&iacute;sico. Deve-se convencer a muita gente que o estudo &eacute; tamb&eacute;m um trabalho e muito fatigante com um tiroc&iacute;nio  particular pr&oacute;prio, n&atilde;o s&oacute; muscular-nervoso mas intelectual: &eacute; um processo de adapta&ccedil;&atilde;o, &eacute; um h&aacute;bito adquirido com esfor&ccedil;o, aborrecimento e  mesmo sofrimento. (Gramsci, 1985, p. 89)</P> </blockquote>     <P    >Como assinala Gramsci, a aprendizagem depende do esfor&ccedil;o pessoal de cada estudante. &Eacute; claro que o professor sempre poder&aacute; intervir, de modo direto, neste processo, auxiliando o aluno. Ele deve esfor&ccedil;ar-se para que os estudantes aprendam, mas n&atilde;o pode minimizar nem esconder as dificuldades inerentes &agrave; aprendizagem.</P >    <P    >Quando compreendemos a media&ccedil;&atilde;o no seu sentido original, aquele atribu&iacute;do por Hegel (1770 - 1831) como supera&ccedil;&atilde;o do imediato no mediato, recusamos a id&eacute;ia de que &eacute; preciso reproduzir o cotidiano do aluno na sala de aula para que ele aprenda; pois, com isso, aluno e professor se igualam. Isso &eacute; falso, pois eles n&atilde;o s&atilde;o iguais e tampouco o professor pode apreender o cotidiano do aluno. Esta possibilidade seria temer&aacute;ria, porque permitiria o controle da inst&acirc;ncia singular do ser humano. Controle esse almejado pelos regimes totalit&aacute;rios como o fascismo. Ao contr&aacute;rio dessa perspectiva, o professor deve distinguir-se do aluno; nesse sentido, lembramos as palavras de Bertolt Brecht (1964) quando indagado sobre a dificuldade de compreens&atilde;o de suas pe&ccedil;as pelos oper&aacute;rios:</P >     <blockquote>     <P    >Tamb&eacute;m, ent&atilde;o, houve quem nos perguntasse:</P >    <P    >‘Ser&aacute; que o trabalhador vos entender&aacute;? </P >    <P    >[...]</P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P    >Camaradas, a forma das novas pe&ccedil;as</P >    <P    >&Eacute; nova. Mas porqu&ecirc; [sic] temer</P >    <P    >O que &eacute; novo? &Eacute; dif&iacute;cil de executar?</P >    <P    >Mas porqu&ecirc; [sic] temer o que &eacute; novo e dif&iacute;cil?</P >    <P    >Para quem &eacute; explorado e sempre desiludido</P >    <P    >Tamb&eacute;m a vida &eacute; uma constante experi&ecirc;ncia, e</P >    <P    >O ganho de uns quantos tost&otilde;es uma empresa incerta</P >    <P    >Que em parte alguma jamais se aprende.</P >    <P    >Por que raz&atilde;o temer o que &eacute; novo, em vez do que &eacute; velho?</P >    <P    >E mesmo que o vosso espectador, o trabalhador, hesite,</P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P    >Voc&ecirc;s n&atilde;o dever&atilde;o acertar o passo por ele, mas, sim adiantarem-se-lhe,</P >    <P    >Rapidamente, a passos largos,</P >    <P    >Confiando, sem reservas na sua for&ccedil;a, que surgir&aacute; enfim.</P >    <P    >                                                                     (Brecht, 1964, pp. 68-69)</P > </blockquote>     <P    >No excerto do dramaturgo alem&atilde;o, encontramos tr&ecirc;s id&eacute;ias importantes que podem ser discutidas a partir da rela&ccedil;&atilde;o ensino-aprendizagem na sala de aula. A primeira &eacute; que no cotidiano n&atilde;o se aprende e, dir&iacute;amos mais, no cotidiano experimenta-se; e a experi&ecirc;ncia cotidiana na sala de aula &eacute; a nega&ccedil;&atilde;o da aprendizagem. A segunda &eacute; que o professor n&atilde;o deve esperar que o aluno aprenda para ensinar; ao contr&aacute;rio, deve ensinar para que o aluno aprenda, e isso implica caminhar a passos largos e acreditar na possibilidade de o aluno, ao defrontar-se com o novo, aprender. Afinal confiar na capacidade de o aluno aprender &eacute;, em &uacute;ltima inst&acirc;ncia, compreend&ecirc;-lo como um ser humano e, nesse sentido, igual ao professor. A terceira id&eacute;ia oferecida no excerto de Brecht consiste no desafio proposto por este artigo aos professores: por que temer o que &eacute; novo e dif&iacute;cil? Por que raz&atilde;o temer o que &eacute; novo, em vez do que &eacute; velho? Em outras palavras, porque n&atilde;o enfrentar a dificuldade de apreender o sentido original e dial&eacute;tico da media&ccedil;&atilde;o, aplicando-o na sala de aula?</P >    <P   ><B>Ensino e aprendizagem</B></P >    <P    >Quando se compreende a rela&ccedil;&atilde;o ensino-aprendizagem na sala de aula como media&ccedil;&atilde;o, o ensino e aprendizagem s&atilde;o opostos entre si e se relacionam por meio de uma tens&atilde;o dial&eacute;tica. Desse modo, esses termos, apesar de negarem-se mutuamente, se completam, mas, como j&aacute; o dissemos, essa unidade n&atilde;o se estabelece de modo linear. </P >    <P    >Neste artigo, conceituaremos primeiro o ensino e, pela sua nega&ccedil;&atilde;o, conceituaremos aprendizagem. Sabemos da dificuldade de conceituar esses dois termos, pois de modo geral os estudiosos da &aacute;rea de educa&ccedil;&atilde;o e os professores, talvez por influ&ecirc;ncia das pedagogias contempor&acirc;neas, n&atilde;o o fazem; pois preocupam-se quase exclusivamente com o “como ensinar”, ou mais precisamente como facilitar a aprendizagem dos alunos.</P >    <P    >A id&eacute;ia principal que informa o nosso conceito de ensino &eacute; a de que ele expressa a rela&ccedil;&atilde;o que o professor estabelece com o conhecimento produzido e sistematizado pela humanidade. Assim, o ensino constitui-se de tr&ecirc;s atividades distintas a serem desenvolvidas pelo professor.</P >    <P    >A primeira consiste em, diante de um tema, selecionar o que deve ser apresentado aos alunos; por exemplo, no tema “Revolu&ccedil;&atilde;o Francesa”, pr&oacute;prio da Hist&oacute;ria, selecionar o que &eacute; mais importante ensinar aos alunos da 5&ordf; s&eacute;rie (nomenclatura brasileira). J&aacute; o professor do 1&ordm; ano do Ensino M&eacute;dio deve defrontar-se com a mesma pergunta; a mesma situa&ccedil;&atilde;o se coloca ao professor universit&aacute;rio encarregado de abord&aacute;-lo. Dessa forma, o docente deve preocupar-se em compatibilizar a sele&ccedil;&atilde;o do conhecimento a ser ensinado com a possibilidade de aprendizagem dos alunos. Nos dias de hoje, &eacute; bastante comum que a sele&ccedil;&atilde;o seja abrangente; e isso pode levar os professores a apresentarem aos seus alunos informa&ccedil;&otilde;es sup&eacute;rfluas, que,  quando confundidas com conhecimento, n&atilde;o lhes permitem fazer as s&iacute;nteses necess&aacute;rias para a supera&ccedil;&atilde;o do cotidiano, produzindo neles uma “erudi&ccedil;&atilde;o balofa” que pode ao contr&aacute;rio encerr&aacute;-los na vida cotidiana. Esse equ&iacute;voco ocorre, por exemplo, quando o professor de Hist&oacute;ria, ao abordar a Revolu&ccedil;&atilde;o francesa, preocupa-se com detalhes da vida privada de Maria Antonieta ou com a moda ditada por Lu&iacute;s XV. Ainda exemplificando, o mesmo pode ocorrer com o professor de Literatura que exp&otilde;e aos alunos os per&iacute;odos liter&aacute;rios e seus principais expoentes sem apresentar as rela&ccedil;&otilde;es entre os autores, bem como entre os per&iacute;odos liter&aacute;rios, ocultando assim a historicidade inerente &agrave; literatura. A erudi&ccedil;&atilde;o balofa pode tamb&eacute;m estar presente nas disciplinas ligadas &agrave;s ci&ecirc;ncias naturais; ela tem levado os professores a acreditar que quanto maior a quantidade de informa&ccedil;&otilde;es mais os alunos sabem.</P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P    >A segunda atividade desenvolvida pelo professor &eacute; a organiza&ccedil;&atilde;o, ou seja, diante da sele&ccedil;&atilde;o feita a partir de um tema &eacute; preciso organizar esta sele&ccedil;&atilde;o para apresent&aacute;-la aos alunos. Desde o momento em que fazemos a sele&ccedil;&atilde;o j&aacute; n&atilde;o podemos falar mais em temas; devemos preocupar-nos com os conceitos que os constituem. Agora o que o professor deve fazer &eacute; organizar os conceitos e as rela&ccedil;&otilde;es entre eles. Esse processo, de acordo com Lefebvre (1983), implica dois movimentos: a retrospec&ccedil;&atilde;o e a prospec&ccedil;&atilde;o.</P >    <P    >A retrospec&ccedil;&atilde;o permite que o estudante compreenda o processo de forma&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento do conceito abordado e a prospec&ccedil;&atilde;o possibilita o entendimento do estado atual do conceito a partir das rela&ccedil;&otilde;es que o conceito estudado estabelece com outros, tanto com aqueles que o corroboram quanto com os que a ele se op&otilde;em. A prospec&ccedil;&atilde;o do conceito permite o estabelecimento de rela&ccedil;&otilde;es interdisciplinares, a que temos chamado de interdisciplinaridade conceitual para distingui-la daquela que &eacute; corrente na escola, a interdisciplinaridade tem&aacute;tica. N&atilde;o podemos ensinar por meio do tema, devemos faz&ecirc;-lo por meio do conceito. Evitamos o uso da express&atilde;o conte&uacute;do de ensino em virtude da sua imprecis&atilde;o. Pois ela pode remeter a um conceito, a uma atividade de ensino, ou a um tema. Quando a organiza&ccedil;&atilde;o do ensino &eacute; baseada nos processos de retrospec&ccedil;&atilde;o e prospec&ccedil;&atilde;o de conceitos, o fundamental s&atilde;o as rela&ccedil;&otilde;es que se estabelecem nos dois processos. No primeiro, elas dizem respeito ao desenvolvimento do conceito, &agrave; oposi&ccedil;&atilde;o entre a sua origem e o estado atual, no segundo, elas tratam dos v&iacute;nculos entre conceitos. Assim, podemos afirmar que ensinar &eacute; fazer rela&ccedil;&otilde;es. Por isso, ensinar &eacute; t&atilde;o dif&iacute;cil quanto aprender.</P >    <P    >A terceira tarefa do professor &eacute; transmitir aos alunos aquilo que foi previamente selecionado e organizado. Dessa forma, a transmiss&atilde;o &eacute; a &uacute;nica etapa do processo de ensino que ocorre efetivamente na sala de aula. Em que pese o preconceito sobre a palavra transmiss&atilde;o, n&atilde;o abrimos m&atilde;o dela, porque &eacute; isso o que o professor faz na sala de aula. &Eacute; na transmiss&atilde;o do conhecimento que ocorrem as media&ccedil;&otilde;es entre professores e alunos. </P >    <P    >Se o ensino &eacute; a rela&ccedil;&atilde;o que o professor estabelece com o conhecimento, a aprendizagem ao contr&aacute;rio &eacute; a rela&ccedil;&atilde;o que o estudante estabelece com o conhecimento e, portanto, &eacute; nela que a media&ccedil;&atilde;o se efetiva: pela supera&ccedil;&atilde;o do imediato no mediato.</P >    <P    >N&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel discutir a aprendizagem como fizemos com o ensino, porque ela &eacute; de cunho singular e, dessa forma, ocorre de modo diverso em cada estudante. A discuss&atilde;o da aprendizagem na perspectiva deste texto, ou seja, em oposi&ccedil;&atilde;o ao ensino, ainda deve ser elaborada e, certamente, n&atilde;o poder&aacute; s&ecirc;-lo pela psicologia, mas sim pela filosofia. A &uacute;nica possibilidade, ainda que remota no &acirc;mbito da psicologia, estaria no desenvolvimento do pensamento de Vigotski, desde que compreendido numa perspectiva filos&oacute;fica, pois a psicologia como ci&ecirc;ncia tem por objeto o comportamento, e aprender n&atilde;o &eacute; o mesmo que comportar-se, em que pese o esfor&ccedil;o das pedagogias contempor&acirc;neas em desenvolver esta associa&ccedil;&atilde;o. Do nosso ponto de vista, o que a psicologia, no seu estado atual, pode fazer &eacute; controlar a aprendizagem, o que &eacute; diferente de compreend&ecirc;-la.</P >    <P    >Quando a rela&ccedil;&atilde;o ensino-aprendizagem &eacute; tomada na perspectiva da media&ccedil;&atilde;o no seu sentido original, ao mesmo tempo em que n&atilde;o h&aacute; uma rela&ccedil;&atilde;o direta entre ensino e aprendizagem, n&atilde;o h&aacute; tamb&eacute;m uma desvincula&ccedil;&atilde;o desses dois processos. Ou seja, para haver aprendizagem, necessariamente deve haver ensino. Por&eacute;m, eles n&atilde;o ocorrem de modo simult&acirc;neo. Dessa forma, o professor pode desenvolver o ensino – selecionar, organizar e transmitir o conhecimento – e o aluno pode n&atilde;o aprender. Para que o aluno aprenda, ele precisa desenvolver a sua s&iacute;ntese singular do conhecimento transmitido, e isso se d&aacute; pelo confronto, por meio da nega&ccedil;&atilde;o m&uacute;tua, desse conhecimento com a vida cotidiana do aluno. Como cada aluno tem um cotidiano, e o conhecimento &eacute; aprendido por meio da s&iacute;ntese j&aacute; explicitada, o conhecimento n&atilde;o pode ser aprendido igualmente por todos os alunos, embora aquele transmitido pelo professor seja &uacute;nico. Assim, a rela&ccedil;&atilde;o ensino-aprendizagem na perspectiva aqui apresentada expressa o v&iacute;nculo dial&eacute;tico entre unidade e diversidade. Por isso, o conhecimento transmitido pelo professor pode ser uno e aquele aprendido pelo aluno pode ser diverso. A unidade e a diversidade s&atilde;o opostos que se completam, o que &eacute; pr&oacute;prio do humano.</P >    <P   ><B>Conclus&atilde;o</B></P >    <P    >Este artigo pretende contribuir para que os professores compreendam o seu fazer. E ao mesmo tempo, superem a concep&ccedil;&atilde;o err&ocirc;nea de que para que haja ensino deve haver simultaneamente a aprendizagem. Isso s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel de modo fugaz, quando o ensino se circunscreve ao cotidiano do aluno e a aprendizagem resulta na mudan&ccedil;a de comportamento. Para difundir essa concep&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o faltam construtivistas que leram apenas as orelhas dos livros de Piaget, ou s&oacute;cio-construtivistas que associam Piaget a Vigotski, ignorando que os dois autores filiam-se a correntes filos&oacute;ficas diferentes e que, por isso, n&atilde;o podem ser associados. Al&eacute;m disso, os s&oacute;cio-construtivistas, dentre os quais est&atilde;o os respons&aacute;veis pela elabora&ccedil;&atilde;o dos Par&acirc;metros Curriculares Nacionais Brasileiros, ignoram que Piaget discutiu as rela&ccedil;&otilde;es sociais e que Vigotski trabalhou os problemas relativos ao conhecimento. Esses equ&iacute;vocos patrocinados por organismos oficiais, como o Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o do Brasil tanto nas gest&otilde;es Cardoso como Lula da Silva, levam os professores &agrave; frustra&ccedil;&atilde;o profissional, uma vez que n&atilde;o s&atilde;o capazes de fazer com que seus alunos aprendam de forma imediata e muito menos podem controlar o seu comportamento. </P >    <P    >Esta discuss&atilde;o, ainda que inicial, pretende mostrar aos professores que a rela&ccedil;&atilde;o ensino-aprendizagem &eacute; um processo que demanda tempo e dedica&ccedil;&atilde;o, mas que, sobretudo, precisa ser compreendido na sua totalidade e em bases filos&oacute;ficas coerentes. Sem esse exerc&iacute;cio de compreens&atilde;o dos fundamentos da rela&ccedil;&atilde;o ensino-aprendizagem, o esfor&ccedil;o dos professores se transforma em frustra&ccedil;&atilde;o profissional e desgaste pessoal. </P >    <P    >&nbsp;</P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P    ><B>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</B></P >     <!-- ref --><P    >	Brecht, B. (1964). <I>Estudos sobre teatro.</I> Portugal: Portug&aacute;lia Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000074&pid=S1645-7250201100010000500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P >    <!-- ref --><P    >Gramsci, A. (1985). <I>Os intelectuais e a organiza&ccedil;&atilde;o da cultura. </I>S&atilde;o Paulo: Civiliza&ccedil;&atilde;o Brasileira.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000076&pid=S1645-7250201100010000500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P >    <!-- ref --><P    >Hern&aacute;ndez, F. (1998). <I>A organiza&ccedil;&atilde;o do curr&iacute;culo por projetos de trabalho. </I>Porto Alegre: Artes M&eacute;dicas.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000078&pid=S1645-7250201100010000500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P >    <!-- ref --><P    >Lefebvre, H. (1983).<I> La presencia y la ausencia</I>. Cidade do M&eacute;xico: Fondo Nacional de Cultura.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000080&pid=S1645-7250201100010000500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P >    <!-- ref --><P    >Marx, K. (1983). <I>Contribui&ccedil;&atilde;o &agrave; cr&iacute;tica da economia pol&iacute;tica</I>. S&atilde;o Paulo: Martins Fontes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000082&pid=S1645-7250201100010000500005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P >    <!-- ref --><P    >Mesz&aacute;ros, I. (1981). <I>Marx: a teoria da aliena&ccedil;&atilde;o. </I>Rio de Janeiro: Zahar.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000084&pid=S1645-7250201100010000500006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P >      ]]></body><back>
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