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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Reforma educacional e produção de modos de ser e pensar: A experiência do Rio Grande do Sul nos anos 30 a 50 do século 20]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[An intense educational reform conducted by the state of Rio Grande do Sul, Brazil, was carried out from the second half of the 1930's on. This reform included the proposal and execution of public educational politics, its norms and intervention towards the organization of education as well as the guidance of pedagogical activities of public schools. In this context, discourses that aimed at constituting a moral, cultural, social, and hygienic discipline in the population were produced and publicized. The learning of the curriculum contents should happen with the acquisition of moral values, whose daily repetition would inform the nature of everyone and each one. The presuppositions of Catholicism and the life example of heroes, who were presented as a foundation of the direction of schools and teachers, were also enhanced. Celebrations of the National Week, the Children's Week, the Economy Week were promoted, readings were requested, libraries and cooperatives were created and campaigns related to sanitary education were done. In this sense, discourses constructed about education are not, simply, languages about education, but productive processes of the society towards which problems are classified and practices are reviewed.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[História da educação]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Reforma educacional   e produ&ccedil;&atilde;o de modos   de ser e pensar:   A experi&ecirc;ncia do Rio Grande do Sul   nos anos 30 a 50 do s&eacute;culo 20</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Claudemir de Quadros<b><sup>*</sup></b> &amp; Maria Stephanou</b><b><sup>**</sup></b></p>     <p><sup>*</sup>Universidade Federal de Santa Maria, Brasil, Editor adjunto da Revista de Hist&oacute;ria da Educa&ccedil;&atilde;o,   <a href="mailto:claudemirdequadros@gmail.com">claudemirdequadros@gmail.com</a></p>     <p><sup>**</sup>Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Brasil. Co-Editora da Revista de Hist&oacute;ria da Educa&ccedil;&atilde;o</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Resumo</p>     <p>A partir da segunda metade da d&eacute;cada de 1930, instalou-se, no Estado do Rio   Grande do Sul, Brasil, uma intensa reforma educacional conduzida pelo Estado.   Essa reforma abrangeu a proposi&ccedil;&atilde;o e execu&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas educacionais,   normatiza&ccedil;&atilde;o e interven&ccedil;&atilde;o sobre a organiza&ccedil;&atilde;o do ensino e a orienta&ccedil;&atilde;o   das atividades did&aacute;tico-pedag&oacute;gicas das escolas do sistema p&uacute;blico de ensino.   Nesse contexto, foram produzidos e postos em circula&ccedil;&atilde;o discursos que buscavam   constituir uma disciplina moral, cultural, social e higi&ecirc;nica da popula&ccedil;&atilde;o.   A aprendizagem dos conte&uacute;dos curriculares devia dar-se concomitantemente &agrave;   aquisi&ccedil;&atilde;o de valores morais, cuja repeti&ccedil;&atilde;o quotidiana informaria a natureza de   todos e de cada um. Destacam-se, tamb&eacute;m, os pressupostos da religi&atilde;o cat&oacute;lica   e o exemplo de vida dos her&oacute;is, que eram apresentados como fundamento   do trabalho da dire&ccedil;&atilde;o das escolas e dos professores. Para isso, promoveramse   comemora&ccedil;&otilde;es por ocasi&atilde;o da Semana da P&aacute;tria, da Semana da Crian&ccedil;a, da   Semana da Economia, foram prescritas leituras, instalaram-se cooperativas e   bibliotecas escolares e promoveram-se campanhas vinculadas &agrave; educa&ccedil;&atilde;o   sanit&aacute;ria. Nesse sentido, discursos constru&iacute;dos acerca da educa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o s&atilde;o,   simplesmente, linguagens sobre a educa&ccedil;&atilde;o, mas processos produtivos da sociedade   mediante os quais se classificam problemas e se mobilizam pr&aacute;ticas.</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> Hist&oacute;ria da educa&ccedil;&atilde;o; reforma educacional; produ&ccedil;&atilde;o de subjetividades.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Educational reform and production   of ways of being and thinking: the   experience of Rio Grande do Sul between   the years 1930's and 1950's</b></p>     <p>Abstract</p>     <p>An intense educational reform conducted by the   state of Rio Grande do Sul, Brazil, was carried   out from the second half of the 1930's on. This   reform included the proposal and execution   of public educational politics, its norms and   intervention towards the organization of   education as well as the guidance of pedagogical   activities of public schools. In this context,   discourses that aimed at constituting a moral,   cultural, social, and hygienic discipline in the   population were produced and publicized. The   learning of the curriculum contents should   happen with the acquisition of moral values,   whose daily repetition would inform the nature   of everyone and each one. The presuppositions   of Catholicism and the life example of heroes,   who were presented as a foundation of the   direction of schools and teachers, were also   enhanced. Celebrations of the National Week,   the Children's Week, the Economy Week were   promoted, readings were requested, libraries   and cooperatives were created and campaigns   related to sanitary education were done. In this   sense, discourses constructed about education   are not, simply, languages about education, but   productive processes of the society towards   which problems are classified and practices are   reviewed.</p>     <p> <b>Keywords: </b>History of education; educational   reform; production of subjectivities.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b>.</p>     <p>A partir da segunda metade da d&eacute;cada de 1930, instalou-se, no Rio Grande   do Sul, uma intensa reforma educacional conduzida pelo Estado, que abrangeu   a proposi&ccedil;&atilde;o e execu&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas educacionais, a normatiza&ccedil;&atilde;o e   interven&ccedil;&atilde;o sobre a organiza&ccedil;&atilde;o do ensino e a orienta&ccedil;&atilde;o das atividades did&aacute;tico-   pedag&oacute;gicas das escolas estatais. Pode-se observar as repercuss&otilde;es de tal   movimento reformador pelo menos at&eacute; os anos de 1950, quando outros movimentos   passam a ter proemin&ecirc;ncia.</p>     <p> Esse processo alcan&ccedil;ou condi&ccedil;&otilde;es de realiza&ccedil;&atilde;o a partir das formula&ccedil;&otilde;es do   discurso da nacionaliza&ccedil;&atilde;o do ensino, que sustentou o aparelhamento do Estado   para a execu&ccedil;&atilde;o de uma ampla, intensa e profunda reforma educacional,   sem precedentes na hist&oacute;ria da educa&ccedil;&atilde;o do Rio Grande do Sul. Esta reforma   foi conduzida por t&eacute;cnicos em educa&ccedil;&atilde;o vinculados ao Centro de Pesquisas e   Orienta&ccedil;&atilde;o Educacionais (CPOE/RS)<a name="top1" id="top1"></a><a href="#1"><sup>1</sup></a> - que fizeram circular discursos e mobilizaram   recursos que concorreram para a produ&ccedil;&atilde;o de modos de ser e modos de   fazer de professores, estudantes, autoridades e funcion&aacute;rios do sistema educacional   p&uacute;blico.</p>     <p> Neste artigo, quando fazemos uso da express&atilde;o <i>reforma</i> educacional nos referimos   a um <i>movimento reformador</i>, a um processo de intensas mudan&ccedil;as no   sistema educativo promovido sob a &eacute;gide do Estado, mormente no que se refere   a uma racionaliza&ccedil;&atilde;o, centraliza&ccedil;&atilde;o e controle da educa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica. Os pr&oacute;prios   atores sociais do per&iacute;odo referem-se a esse momento de reforma da educa&ccedil;&atilde;o,   que, reiteramos, n&atilde;o se assenta num ato legal exclusivo, a &quot;reforma y&quot; do ano   tal, mas num ordenamento progressivo, que pode ser caracterizado como um   movimento reformador.</p>     <p> A institui&ccedil;&atilde;o em an&aacute;lise, CPOE/RS, &oacute;rg&atilde;o de car&aacute;ter centralizador e normativo,   no per&iacute;odo de sua exist&ecirc;ncia (d&eacute;cadas de 1940 a 1960) teve uma atua&ccedil;&atilde;o decisiva   no que concerne ao sistema educativo do Rio Grande do Sul. Pode ser tomado   como epicentro (Peres, 2000) de decis&otilde;es relativas &agrave; produ&ccedil;&atilde;o e difus&atilde;o   de discursos pedag&oacute;gicos, bem como &agrave; implementa&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas educacionais   e formas de controle da educa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica no Estado. Sua &ecirc;nfase em dotar   a educa&ccedil;&atilde;o rio-grandense de bases cient&iacute;ficas e experimentais, al&eacute;m da ado&ccedil;&atilde;o   do discurso da renova&ccedil;&atilde;o educacional, permite afirmar que o CPOE/RS presidiu   um processo de reforma educacional, que n&atilde;o se consubstanciou numa &uacute;nica lei   ou decis&atilde;o administrativa nomeada e datada como tal, mas um movimento de   car&aacute;ter reformador que promoveu a implementa&ccedil;&atilde;o de mudan&ccedil;as substantivas,   podendo por isso fazer-se o uso da express&atilde;o <i>reforma</i> da educa&ccedil;&atilde;o.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Como recorte de um estudo mais amplo, busca-se, aqui, descrever as t&eacute;cnicas   e os dispositivos que foram mobilizados, ou em outras palavras, postos  em pr&aacute;tica para reformar o ensino escolar p&uacute;blico naquele contexto. S&atilde;o descritas   estrat&eacute;gias de circula&ccedil;&atilde;o de discursos, o modo como proliferavam, al&eacute;m   da indica&ccedil;&atilde;o dos recursos mobilizados para realizar os processos de reforma   educacional. Os enunciados das pr&aacute;ticas discursivas do CPOE/RS inscrevem-se   na materialidade de impressos, livros, programas, regulamentos, boletins e comunicados.   Atrav&eacute;s de seus ind&iacute;cios foi poss&iacute;vel acompanhar o curso de uma   mudan&ccedil;a efetiva, ou seja, os modos pelos quais reformas e pol&iacute;ticas educacionais   procuraram constituir sujeitos de uma cultura.</p>     <p> <b>Educa&ccedil;&atilde;o: produzir modos de ser e pensar</b></p>     <p> No contexto de um processo de reforma educacional, a forma&ccedil;&atilde;o de h&aacute;bitos   e atitudes &eacute;, reiteradamente, apontada pelos t&eacute;cnicos do CPOE/RS, seus idealizadores   e executores, como uma das principais finalidades da a&ccedil;&atilde;o educativa.   Entre outras oportunidades e eventos, destacam-se momentos privilegiados   para a sua promo&ccedil;&atilde;o, como as comemora&ccedil;&otilde;es da Semana da P&aacute;tria. Nestas ocasi&otilde;es,   cabia aos professores &quot;orientar seu trabalho, visando, a par de outros   objetivos, a exalta&ccedil;&atilde;o m&aacute;xima do sentimento c&iacute;vico&quot; (Cpoe/rs, 1947, p. 77). Isso   deveria ser feito com vista a</p>     <blockquote> ampliar a forma&ccedil;&atilde;o de h&aacute;bitos, atitudes e ideais morais, sociais e c&iacute;vicos,   despertar o senso de responsabilidade, despertar o senso de coopera&ccedil;&atilde;o e   solidariedade, ressaltar virtudes morais e c&iacute;vicas de brasileiros pelo conhecimento   de fatos hist&oacute;ricos significativos (CPOE/RS, 1947, p. 78).</blockquote>     <p>A forma&ccedil;&atilde;o de h&aacute;bitos e atitudes foi uma meta recorrente tamb&eacute;m nas atividades   propostas no &acirc;mbito da Semana da Crian&ccedil;a. Em geral, a programa&ccedil;&atilde;o   destas semanas era definida pelo Departamento Nacional da Crian&ccedil;a, vinculado   ao Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o, que estipulava, ainda, o tema para cada ano. Em   1947, por exemplo, o tema foi &quot;A crian&ccedil;a, as atividades agr&iacute;colas e a alimenta&ccedil;&atilde;o&quot;.   Buscava-se promover h&aacute;bitos sadios na alimenta&ccedil;&atilde;o. Em 1948, o mesmo   Departamento Nacional da Crian&ccedil;a solicitou que o Centro desenvolvesse, durante   a Semana da Crian&ccedil;a, a Campanha Pr&oacute;-Registro Civil de Nascimento. No   desenvolvimento destas atividades, cabia &agrave; escola, em especial, vigiar para que,   junto &agrave; aquisi&ccedil;&atilde;o de experi&ecirc;ncias, de maior dom&iacute;nio das t&eacute;cnicas instrumentais,   da consci&ecirc;ncia dos deveres c&iacute;vicos, se firmassem &quot;padr&otilde;es de comportamento   social&quot; e se valorizasse &quot;a pessoa do aluno, desenvolvendo-lhe qualidades que   propiciem uma eficiente integra&ccedil;&atilde;o social&quot; (CPOE/RS, 1949, p. 73).</p>     <p> No decorrer da d&eacute;cada de 1960, o Departamento Nacional da Crian&ccedil;a continuou   a solicitar o desenvolvimento de atividades na Semana da Crian&ccedil;a. Por&eacute;m,   mudaram os temas que eram objetos de aten&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o se insistiu explicitamente   na forma&ccedil;&atilde;o de h&aacute;bitos e atitudes, mas na coopera&ccedil;&atilde;o para o bem estar da crian&ccedil;a,   propiciando condi&ccedil;&otilde;es favor&aacute;veis ao seu desenvolvimento sadio e equilibrado   para a vida democr&aacute;tica (Cpoe/rs, 1964).</p>     <p> Neste contexto, ainda, desenvolveram-se trabalhos consoante a orienta&ccedil;&atilde;o   de outros &oacute;rg&atilde;os, como por exemplo a Caixa Econ&ocirc;mica Federal. Com seu apoio   era desenvolvida a Semana da Economia, na qual buscava-se &quot;despertar h&aacute;bitos   de economia e previs&atilde;o&quot;. Divulgou-se uma s&eacute;rie de sugest&otilde;es de atividades que   podiam ser promovidas nessa semana: composi&ccedil;&otilde;es escolares, palestras, interpreta&ccedil;&atilde;o   de gravuras, narra&ccedil;&atilde;o de hist&oacute;rias, improvisa&ccedil;&otilde;es e uso de prov&eacute;rbios:</p>     <blockquote> &quot;Evitar o desperd&iacute;cio nem sempre significa gastar menos, mas sim gastar   bem&quot;; &quot;Quem economiza com sacrif&iacute;cio age com discernimento&quot;; &quot;Um   homem prevenido vale por dois&quot;; &quot;Tempo perdido n&atilde;o se recupera&quot;; &quot;Com   perseveran&ccedil;a tudo se alcan&ccedil;a&quot;; &quot;Tempo &eacute; dinheiro&quot;; &quot;De tost&atilde;o em tost&atilde;o   faz-se um milh&atilde;o&quot;; &quot;Quem compra o que n&atilde;o pode, ende o que n&atilde;o deve&quot;<br />   (Cpoe/rs, 1953, p. 75)</blockquote>     <p> O tema h&aacute;bitos de economia foi objeto de aten&ccedil;&atilde;o at&eacute; 1957 quando, Lucinda   Maria Lorenzoni, orientadora de ensino prim&aacute;rio do CPOE/RS, prop&ocirc;s, na 1&ordf;   Jornada de Estudos de Diretores de Estabelecimentos de Ensino Secund&aacute;rio, a   inclus&atilde;o, no curr&iacute;culo das escolas secund&aacute;rias, de um programa de educa&ccedil;&atilde;o   econ&ocirc;mica, com vistas a oportunizar aprendizagens que envolvessem situa&ccedil;&otilde;es   cotidianas a fim de que os estudantes &quot;fossem melhor aparelhados para desempenhar   com acerto e efici&ecirc;ncia o seu papel como indiv&iacute;duos e como participantes   ativos da comunidade&quot; (CPOE/RS, 1957a, p. 217).</p>     <p> As semanas da economia e os programas de educa&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica reverberaram   nas escolas do Rio Grande do Sul de forma intensa pela instala&ccedil;&atilde;o das   cooperativas escolares. Segundo os documentos do CPOE/RS, em 1964 havia   94 cooperativas em funcionamento junto a escolas, sendo 61 na capital do Estado   e 33 no interior. Tais cooperativas contavam com a orienta&ccedil;&atilde;o de t&eacute;cnicos   em educa&ccedil;&atilde;o do Setor de Cooperativismo Escolar do CPOE/RS e contabilizavam   35.660 s&oacute;cios<a name="top2" id="top2"></a><a href="#2"><sup>2</sup></a>. Para associar-se &agrave; cooperativa, o estudante depositava uma  &quot;j&oacute;ia&quot;, que podia variar entre um e cinq&uuml;enta cruzeiros. Este valor era convertido   em quotas, no geral o dobro do valor depositado, que davam direito a receber   artigos escolares.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Em 1964, foram promovidos dois cursos para forma&ccedil;&atilde;o dos professores envolvidos   com a orienta&ccedil;&atilde;o das cooperativas: Curso B&aacute;sico de Cooperativismo   Escolar e Curso de Revis&atilde;o e Aperfei&ccedil;oamento para Professores Especializados   em Cooperativismo Escolar. Tamb&eacute;m cabia &agrave;s cooperativas uma a&ccedil;&atilde;o formativa:</p>     <blockquote> foi preocupa&ccedil;&atilde;o constante a de alertar as professoras conselheiras quanto   a sua responsabilidade na forma&ccedil;&atilde;o do educando (parcela de contribui&ccedil;&atilde;o na educa&ccedil;&atilde;o integral da crian&ccedil;a e do adolescente) n&atilde;o s&oacute; no que diz   respeito &agrave; educa&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica, como e principalmente no que se refere &agrave;   educa&ccedil;&atilde;o para a vida social e democr&aacute;tica, hierarquiza&ccedil;&atilde;o de valores, etc.<br />   (CPOE/RS, 1964c, p. 2)</blockquote>     <p> Al&eacute;m das a&ccedil;&otilde;es referidas at&eacute; aqui, para a forma&ccedil;&atilde;o de h&aacute;bitos e atitudes devia   concorrer a leitura de uma &quot;boa literatura&quot;. Disto se encarregava a Comiss&atilde;o   Especial de Estudos e Classifica&ccedil;&atilde;o de Publica&ccedil;&otilde;es Peri&oacute;dicas, criada junto ao   CPOE/RS em 1955. &Agrave; Comiss&atilde;o cabia analisar e emitir pareceres sobre publica&ccedil;&otilde;es   infanto-juvenis e &quot;congregar esfor&ccedil;os no sentido repressivo da imprensa   mals&atilde; e, principalmente, na orienta&ccedil;&atilde;o dos editores no sentido do saneamento   das publica&ccedil;&otilde;es, em geral, e daquelas destinadas &agrave; inf&acirc;ncia, em particular&quot;  (Cpoe/rs, 1957a, p. 252).</p>     <p> Intentava-se o saneamento da circula&ccedil;&atilde;o de publica&ccedil;&otilde;es peri&oacute;dicas no campo   da educa&ccedil;&atilde;o. Para tanto, procedia-se a uma aprecia&ccedil;&atilde;o das revistas a partir   de dois crit&eacute;rios: o da classifica&ccedil;&atilde;o legal e o da classifica&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica, que   deveria atender aos &quot;fundamentos da educa&ccedil;&atilde;o e aos princ&iacute;pios morais da fam&iacute;lia   brasileira, na garantia de uma das suas mais marcantes tradi&ccedil;&otilde;es&quot; (CPOE/   RS, 1958b, p. 9). A an&aacute;lise pela Comiss&atilde;o envolvia os seguintes aspectos: tema   desenvolvido, ambiente, fatos mais destacados e sua for&ccedil;a de sugest&atilde;o, linguagem,   ilustra&ccedil;&atilde;o, personalidade das figuras principais, est&eacute;tica na apresenta&ccedil;&atilde;o,   higiene da leitura e adequa&ccedil;&atilde;o ao p&uacute;blico a que se destina. Al&eacute;m dos peri&oacute;dicos,   classificavam-se, tamb&eacute;m, cartilhas e livros de leitura ou informativos.</p>     <p> A classifica&ccedil;&atilde;o da literatura dispon&iacute;vel &agrave; leitura era feita pela Comiss&atilde;o com   o aux&iacute;lio de fichas. Havia fichas de an&aacute;lise de cartilhas, pelas quais as publica&ccedil;&otilde;es   eram classificadas como &oacute;tima, boa, regular e n&atilde;o-satisfat&oacute;ria. Eram analisados   os aspectos t&eacute;cnicos, ilustra&ccedil;&otilde;es, caracter&iacute;sticas do papel, exerc&iacute;cios,   instru&ccedil;&otilde;es metodol&oacute;gicas para uso do professor e &iacute;ndice. Por meio de fichas   para julgamento de livros de leitura, a comiss&atilde;o preocupava-se em analisar a   identifica&ccedil;&atilde;o, encaderna&ccedil;&atilde;o e valor pedag&oacute;gico (m&eacute;todo, assunto, ilustra&ccedil;&atilde;o,   valor moral e c&iacute;vico). Igualmente, havia fichas de avalia&ccedil;&atilde;o de livros informativos,   adaptada de &quot;Normas para la evaluaci&oacute;n de libros de lectura para la escuela   elemental da Unesco&quot;. Prestava-se aten&ccedil;&atilde;o &agrave; capa, papel, impress&atilde;o, ilustra&ccedil;&otilde;es,   conte&uacute;do, organiza&ccedil;&atilde;o e apresenta&ccedil;&atilde;o.</p>     <p> A partir das an&aacute;lises orientadas por estas fichas, foi elaborada uma &quot;Classifica&ccedil;&atilde;o   pedag&oacute;gica das publica&ccedil;&otilde;es examinadas at&eacute; 31 de outubro de 1957&quot;  (CPOE/RS, 1958). Neste &iacute;ndex, as publica&ccedil;&otilde;es foram classificadas em recomend&aacute;veis;   aceit&aacute;veis; aceit&aacute;veis com certas restri&ccedil;&otilde;es; aceit&aacute;veis com restri&ccedil;&otilde;es &agrave;   linguagem; aceit&aacute;veis a crit&eacute;rios de pais e professores; desaconselh&aacute;veis; reprov&aacute;veis;   classifica&ccedil;&atilde;o vari&aacute;vel de acordo com o conte&uacute;do de cada n&uacute;mero;   proibidas mediante portaria do juizado de menores. Foram distribu&iacute;dos 4.500   exemplares desta classifica&ccedil;&atilde;o para professores, autoridades ligadas ao servi&ccedil;o   de saneamento da literatura infanto-juvenil no Estado e no pa&iacute;s, autoridades   eclesi&aacute;sticas, conselhos municipais de educa&ccedil;&atilde;o, delegacias regionais, editoras,   imprensa e entidades de classe, de modo a &quot;alertar o maior n&uacute;mero poss&iacute;vel   de pessoas para os perigos da falsa recrea&ccedil;&atilde;o pela literatura mals&atilde;&quot; (CPOE/RS,   1958c, p. 1).</p>     <p> Outrossim, a Comiss&atilde;o, al&eacute;m de proceder &agrave; classifica&ccedil;&atilde;o das publica&ccedil;&otilde;es,   procurava posicionar-se junto &agrave;s editoras, a imprensa e a outros &oacute;rg&atilde;os do governo.   &Agrave;s editoras eram enviadas orienta&ccedil;&otilde;es para que as revistas se constitu&iacute;ssem   num &quot;ve&iacute;culo de recrea&ccedil;&atilde;o sadia&quot; (Cpoe/rs, 1958c, p. 5).</p>     <p> A vigil&acirc;ncia alcan&ccedil;ava, tamb&eacute;m, &oacute;rg&atilde;os governamentais. Em 1958 foram visitados   o secret&aacute;rio da Fazenda, o encarregado da Fiscaliza&ccedil;&atilde;o Geral e o inspetor   de Vendas e Consigna&ccedil;&otilde;es &quot;com o fim de por c&ocirc;bro &agrave; ins&iacute;dia de alguns representantes   de revistas de continuar a exp&ocirc;-las &agrave; venda&quot; (Idem, p. 4).</p>     <p> Apoiava-se, ainda, um projeto de lei, em tramita&ccedil;&atilde;o na C&acirc;mara de Vereadores   de Porto Alegre, de autoria do vereador Jos&eacute; Zachia, do Partido Democrata   Crist&atilde;o - PDC, que propunha o fechamento da banca de jornais e revistas que   expusesse, vendesse ou distribu&iacute;sse publica&ccedil;&otilde;es &quot;imorais ou pornogr&aacute;ficas&quot; e   cobrava-se o cumprimento da lei estadual<a name="top3" id="top3"></a><a href="#3"><sup>3</sup></a> que previa a cobran&ccedil;a de uma taxa   de 80% sobre vendas e consigna&ccedil;&otilde;es de brinquedos que imitassem armas; revistas   ou publica&ccedil;&otilde;es de hist&oacute;rias, em quadrinhos em que o crime ou viol&ecirc;ncia   fossem o tra&ccedil;o preponderante, e revistas ou publica&ccedil;&otilde;es &quot;imorais&quot;, em que o   sexo ou o nu fosse o motivo central.</p>     <p> Assim, a atua&ccedil;&atilde;o da Comiss&atilde;o Especial de Estudos e Classifica&ccedil;&atilde;o de Publica&ccedil;&otilde;es   Peri&oacute;dicas leva a destacar a intensidade da normatiza&ccedil;&atilde;o operada pelo   CPOE/RS e sua for&ccedil;a de dissemina&ccedil;&atilde;o<a name="top4" id="top4"></a><a href="#4"><sup>4</sup></a>. Nos relat&oacute;rios e nos boletins do CPOE/RS, as refer&ecirc;ncias ao trabalho da Comiss&atilde;o escasseiam a partir de 1960. Mas   isso n&atilde;o significa que houve o arrefecimento do seu projeto de saneamento   moral do mercado editorial vinculado &agrave; educa&ccedil;&atilde;o e, por conseq&uuml;&ecirc;ncia, da forma&ccedil;&atilde;o   moral de todos e de cada um. Em 1962, por ocasi&atilde;o do 4&ordm; Congresso Nacional   de Professores Prim&aacute;rios, em Recife, distribuiu-se aos congressistas uma   exorta&ccedil;&atilde;o. O texto chama a aten&ccedil;&atilde;o para os efeitos perversos que a m&aacute; leitura   produzia no comportamento dos jovens. O enfrentamento disto devia ser feito   pela oferta de atividades entendidas como sadias: &quot;leituras, filmes, programas   de r&aacute;dio bons, onde eles possam ir buscar o exemplo de hero&iacute;smo, o amor &agrave;   p&aacute;tria, o respeito &agrave;s leis, ideais s&atilde;os, princ&iacute;pios de honestidade, de probidade&quot;  e pelo ensino &quot;das virtudes da modera&ccedil;&atilde;o e da paci&ecirc;ncia&quot; (Moraes, 1962, p. 5).   Finalmente, a autora faz uma exorta&ccedil;&atilde;o enf&aacute;tica ao professor prim&aacute;rio, no sentido   de que este use os meios ao seu alcance para enfrentar a &quot;m&aacute; literatura&quot;.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os enunciados de uma educa&ccedil;&atilde;o moral<a name="top5" id="top5"></a><a href="#5"><sup>5</sup></a>, aos quais cabia dedicar o m&aacute;ximo   zelo, deviam se constituir nos orientadores do trabalho da dire&ccedil;&atilde;o da escola e   dos professores com vistas a &quot;despertar e cultivar nos escolares a consci&ecirc;ncia   do dever&quot;<a name="top6" id="top6"></a><a href="#6"><sup>6</sup></a>. Em s&iacute;ntese, propugnava-se a aprendizagem dos conte&uacute;dos curriculares   concomitantemente &agrave; aquisi&ccedil;&atilde;o de valores morais, cuja repeti&ccedil;&atilde;o quotidiana   informaria a natureza de todos e cada um:</p>     <blockquote> a forma&ccedil;&atilde;o moral &eacute; o aspecto mais importante da educa&ccedil;&atilde;o, pois toda a   conduta do indiv&iacute;duo ser&aacute; pautada segundo a orienta&ccedil;&atilde;o que receber nesse   sentido. &Eacute; fator preponderante na forma&ccedil;&atilde;o moral do educando a personalidade   do educador. Por isso a seriedade do trabalho do educador, o conhecimento   da natureza psicofisiol&oacute;gica do educando, os processos did&aacute;ticos,   bem como o sistema de ensino e a pr&oacute;pria organiza&ccedil;&atilde;o da escola, influem   poderosamente na forma&ccedil;&atilde;o moral do educando. (CPOE/RS, 1955a, p. 166)</blockquote>     <p> No &acirc;mbito do CPOE/RS funcionava, ainda, subordinado ao Servi&ccedil;o de Institui&ccedil;&otilde;es   Escolares, o Setor de Bibliotecas Escolares. A este setor competia orientar   a instala&ccedil;&atilde;o e manuten&ccedil;&atilde;o das bibliotecas escolares. Para tanto, promovia cursos   para capacitar os professores bibliotec&aacute;rios (Curso B&aacute;sico de Biblioteconomia;   Curso de Educa&ccedil;&atilde;o Bibliotecon&ocirc;mica e Curso de Revis&atilde;o para Professores   Bibliotec&aacute;rios), orientava o registro das bibliotecas, a confec&ccedil;&atilde;o dos estatutos e   a elabora&ccedil;&atilde;o dos relat&oacute;rios de atividades.</p>     <p> Mensalmente, este setor emitia um boletim informativo, mimeografado, que   era distribu&iacute;do &agrave;s escolas. No boletim constavam, em especial, um calend&aacute;rio   mensal com destaque para as datas comemorativas regionais, nacionais e internacionais,   data de nascimento de personagens ilustres do m&ecirc;s, sugest&otilde;es   bibliogr&aacute;ficas para professores e estudantes e not&iacute;cias. De acordo com o artigo   2&ordm; do estatuto da biblioteca escolar, cabia-lhe</p>     <blockquote>auxiliar a escola na forma&ccedil;&atilde;o moral, intelectual e social da crian&ccedil;a; interessar   a crian&ccedil;a na vida da escola e na vida da comunidade, vivendo seus acontecimentos   mais significativos; dar aos ex-alunos e mesmo &agrave; comunidade os   elementos bibliogr&aacute;ficos que os ajudem a elevar, pouco a pouco, seu n&iacute;vel   de vida e cultura; proporcionar &agrave; crian&ccedil;a uma leitura sadia, despertando-lhe   o interesse pelos bons livros; formar o h&aacute;bito de leitura; iniciar os alunos no   uso do material bibliogr&aacute;fico, conduzindo-os &agrave; independ&ecirc;ncia e iniciativa   em seus trabalhos; fornecer material bibliogr&aacute;fico aos professores da escola   e demais leitores; colaborar com os professores na sele&ccedil;&atilde;o do material   que necessitam para suas aulas, tanto bibliogr&aacute;fico como audiovisual que   complete suas li&ccedil;&otilde;es, fazendo sua tarefa mais simples e produtiva (CPOE/RS, 1963a, p. 275).</blockquote>     <p> Dados do relat&oacute;rio do CPOE/RS de 1964, informam que havia 526 bibliotecas   escolares instaladas, para um total de 3.530 escolas estaduais do Rio Grande   do Sul, o que demonstra a mobiliza&ccedil;&atilde;o de esfor&ccedil;os, recursos p&uacute;blicos e agentes   no sentido da consecu&ccedil;&atilde;o das proposi&ccedil;&otilde;es da reforma do sistema educacional   p&uacute;blico.</p>     <p> <b>Discursos acerca da forma&ccedil;&atilde;o religiosa, sanit&aacute;ria e c&iacute;vica para a   educa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica laica</b></p>     <p> No &acirc;mbito da discursividade produzida e difundida pelo CPOE, os pressupostos   da religi&atilde;o cat&oacute;lica compareciam de forma proeminente e persistente. Mais   do que simples palavras, este modo de educa&ccedil;&atilde;o - de constitui&ccedil;&atilde;o dos sujeitos   - devia ser praticado<a name="top7" id="top7"></a><a href="#7"><sup>7</sup></a>. Assim, incumbia aos professores uma atitude de aten&ccedil;&atilde;o   cont&iacute;nua para a forma&ccedil;&atilde;o do car&aacute;ter do estudante. Destacam-se as &quot;diretrizes   para as aulas de religi&atilde;o e de valores morais&quot; e o &quot;programa de religi&atilde;o para   o curso prim&aacute;rio&quot;, elaborados no &acirc;mbito do CPOE/RS e que prescreviam que o   ensino de religi&atilde;o e dos valores morais devia se orientar pelos</p>     <blockquote> processos preconizados para as demais disciplinas; levar o aluno a vivenciar,   no lar, na escola e na sociedade, os ensinamentos recebidos mediante   a pr&aacute;tica de h&aacute;bitos condizentes com a vida crist&atilde; e de virtudes; o cumprimento   de deveres para com Deus e o pr&oacute;ximo [...]; a participa&ccedil;&atilde;o em   obras de assist&ecirc;ncia social e estimular o esp&iacute;rito de sacrif&iacute;cio por amor   em contraposi&ccedil;&atilde;o ao utilitarismo que amea&ccedil;a materializar a humanidade.   (CPOE/RS, 1958a, p. 51).</blockquote>     <p> Em 1959 foram atualizadas as &quot;diretrizes b&aacute;sicas para o ensino religioso   (Igreja Cat&oacute;lica Apost&oacute;lica Romana) nas escolas normais&quot;. Estas diretrizes preconizavam   que a finalidade da &quot;educa&ccedil;&atilde;o religiosa &eacute; formar o crist&atilde;o perfeito e   devidamente equipado para viver e agir dentro da sociedade atual em vista do   mundo sobrenatural&quot; (CPOE/RS, 1959a, p. 398). Neste sentido, organizaram-se   programas e bibliografias sobre educa&ccedil;&atilde;o religiosa, analisaram-se livros catequ&eacute;ticos,   promoveram-se reuni&otilde;es para planejamento, palestras e exposi&ccedil;&atilde;o de   material did&aacute;tico. Al&eacute;m disso, documentos do CPOE informam que foram impressas   43.771 provas para verifica&ccedil;&atilde;o do rendimento da aprendizagem do ensino   religioso<a name="top8" id="top8"></a><a href="#8"><sup>8</sup></a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> A rela&ccedil;&atilde;o do discurso religioso com a educa&ccedil;&atilde;o &eacute; forte no Rio Grande do Sul.   Destaca-se a escolha do patrono do magist&eacute;rio estadual acontecida em 1958,   escolha feita por meio de elei&ccedil;&atilde;o, coordenada pelo CPOE/RS, na qual estavam   habilitados a votar os professores estaduais. A partir de uma lista pr&eacute;via, selecionaram-   se nove candidatos, dos quais cinco vinculados &agrave; Igreja Cat&oacute;lica.   Votaram 9.420 professores<a name="top9" id="top9"></a><a href="#9"><sup>9</sup></a>. S&atilde;o Jo&atilde;o Batista de La Salle, que contara, inclusive,   com campanha desenvolvida pelo &quot;Comit&ecirc; La Salle&quot;, obteve 98,8% dos votos.</p>     <p> Pelo decreto n. 9.872, de 22 de dezembro de 1958, S&atilde;o Jo&atilde;o Batista de La   Salle foi declarado patrono do magist&eacute;rio p&uacute;blico do Rio Grande do Sul. A partir   de ent&atilde;o, a cada ano, o CPOE/RS passou a recomendar aos professores</p>     <blockquote> a aprecia&ccedil;&atilde;o da vida e obra do eminente educador, modelo de idealismo,   elevada voca&ccedil;&atilde;o para o magist&eacute;rio, paradigma de amor e respeito ao educando,   na sua preocupa&ccedil;&atilde;o constante pelo aprimoramento dos m&eacute;todos e   processos educacionais (CPOE/RS, 1959a, p. 133).</blockquote>     <p> A forma&ccedil;&atilde;o religiosa, crist&atilde; e cat&oacute;lica, amplamente difundida pelo CPOE/RS,   foi uma dimens&atilde;o importante e intensa da reforma educacional no Rio Grande   do Sul, que concorreu, de forma proeminente para a forma&ccedil;&atilde;o de subjetividades<a name="top10" id="top10"></a><a href="#10"><sup>10</sup></a>.   Na medida em que cabia &agrave; educa&ccedil;&atilde;o a forma&ccedil;&atilde;o integral do educando,   cabia-lhe n&atilde;o s&oacute; a forma&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica, intelectual, moral, social, c&iacute;vica, pol&iacute;tica,   econ&ocirc;mica, profissional e art&iacute;stica, mas tamb&eacute;m a religiosa. Em s&iacute;ntese, n&atilde;o devia   haver atividade, ensinamento ou organiza&ccedil;&atilde;o da escola que pudesse se conservar   estranha &agrave; religi&atilde;o, pois a educa&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m possu&iacute;a um sentido divino:</p>     <blockquote> Todo aquele que educa, constr&oacute;i e deve construir entremeando em suas   a&ccedil;&otilde;es educativas a argamassa s&oacute;lida da religi&atilde;o. Daqui ressalta logo a   import&acirc;ncia suprema do sentimento divino da educa&ccedil;&atilde;o, cuja sentinela   &eacute; a educa&ccedil;&atilde;o crist&atilde;, n&atilde;o s&oacute; para um dos indiv&iacute;duos, mas tamb&eacute;m para as   fam&iacute;lias, para o Estado, para a na&ccedil;&atilde;o e para toda a sociedade humana. (Silva,   s/d, p. 138)</blockquote>     <p> Para a forma&ccedil;&atilde;o das subjetividades, maneiras de ser e de fazer em rela&ccedil;&atilde;o   a si mesmo e aos outros, como projeto educativo com tal intento concorreram,   tamb&eacute;m, o desenvolvimento de diversas campanhas. Algumas foram propostas   pelo CPOE/RS e outras executadas por solicita&ccedil;&atilde;o de institui&ccedil;&otilde;es. Foram identificadas   as seguintes: Campanha para as comemora&ccedil;&otilde;es do dec&ecirc;nio da Organiza&ccedil;&atilde;o   das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, solicitada pelo Centro de Informa&ccedil;&otilde;es das Na&ccedil;&otilde;es   Unidas (Rio de Janeiro); Campanha em benef&iacute;cio dos flagelados do Nordeste;   Campanha para a forma&ccedil;&atilde;o da consci&ecirc;ncia e valor do voto; Campanha de reflorestamento;   Campanha em benef&iacute;cio da Santa Casa de Miseric&oacute;rdia; Campanha   sobre a preven&ccedil;&atilde;o de acidentes; Campanha de valoriza&ccedil;&atilde;o dos produtos do mar,   rios e lagos. Al&eacute;m destas, campanhas vinculadas &agrave; educa&ccedil;&atilde;o sanit&aacute;ria parecem   ter sido as mais proeminentes. Anotam-se a Campanha contra a hidatidose, executada   por solicita&ccedil;&atilde;o do Departamento Estadual de Sa&uacute;de; Campanha Contra   a Tuberculose, coordenada pela Liga Rio-Grandense Contra a Tuberculose e Sociedade   de Tisiologia do Rio Grande do Sul, com o objetivo de criar consci&ecirc;ncia   sanit&aacute;ria, formar e fortalecer h&aacute;bitos de higiene e promover a colabora&ccedil;&atilde;o entre   escola, lar e comunidade; Campanha Nacional Educativa contra o C&acirc;ncer; Quinzena das boas maneiras; Campanha Antialco&oacute;lica da Associa&ccedil;&atilde;o Antialco&oacute;lica do   Rio Grande do Sul.</p>     <p> Segundo Stephanou (2006), percebe-se, no Rio Grande do Sul, uma intensa   prolifera&ccedil;&atilde;o discursiva acerca de temas ligados &agrave; higiene individual e social, bem   como a circula&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es sobre doen&ccedil;as, a relev&acirc;ncia das obras de saneamento,   inclusive moral, a import&acirc;ncia da participa&ccedil;&atilde;o do povo nas campanhas   sanit&aacute;rias e, muito especialmente, uma grande aten&ccedil;&atilde;o &agrave; educa&ccedil;&atilde;o das m&atilde;es.</p>     <p> Neste contexto, como a&ccedil;&atilde;o do CPOE/RS, salientou-se o &quot;Plano de higiene   para os grupos escolares da capital&quot; e a cria&ccedil;&atilde;o de Pelot&otilde;es de Sa&uacute;de. O &quot;Plano   de higiene para os grupos escolares da capital&quot; (CPOE/RS, 1957c, p. 19), a ser   desenvolvido em 1956, possu&iacute;a uma longa lista de objetivos, dentre os quais   proporcionar aos pais, professores e estudantes conhecimentos relativos &agrave; higiene   geral, dent&aacute;ria e verminose; envolver os pais na solu&ccedil;&atilde;o dos problemas   de higiene; concorrer para a melhoria das condi&ccedil;&otilde;es de vida familiar mediante   a aprendizagem em higiene; difundir medidas profil&aacute;ticas necess&aacute;rias &agrave; sa&uacute;de.   Sugeria-se, igualmente, uma extensa bibliografia aos professores, dentre as   quais as obras Hist&oacute;ria do Jeca Tatu, de Monteiro Lobato, e Aventuras no mundo   da higiene, de &Eacute;rico Ver&iacute;ssimo.</p>     <p> Os Pelot&otilde;es de Sa&uacute;de tiveram um papel destacado na dissemina&ccedil;&atilde;o do discurso   m&eacute;dico higienista. Um Pelot&atilde;o de Sa&uacute;de era integrado por estudantes   volunt&aacute;rios, sob a orienta&ccedil;&atilde;o de um professor. Este podia dispor do aux&iacute;lio de   monitores e, sempre que poss&iacute;vel, devia haver orienta&ccedil;&atilde;o de um m&eacute;dico. As   principais preocupa&ccedil;&otilde;es dirigiram-se aos socorros de urg&ecirc;ncia, alimenta&ccedil;&atilde;o e   nutri&ccedil;&atilde;o, tuberculose, ventila&ccedil;&atilde;o, denti&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a escolar, doen&ccedil;as e higiene   de ouvidos, olhos, nariz e garganta, uso do len&ccedil;o, higiene das m&atilde;os, sono e   repouso, boa atitude do corpo, alcoolismo e suas decorr&ecirc;ncias (CPOE/RS, 1958a,   p. 65).</p>     <p> Por meio das campanhas, intentava-se mobilizar a sociedade. Jornais publicavam   not&iacute;cias sobre recrea&ccedil;&atilde;o infantil e literatura. Nas emissoras de r&aacute;dio   liam-se frases, distribu&iacute;das pelo CPOE/RS, relativas &agrave; inf&acirc;ncia. Os cinemas projetavam   frases alusivas &agrave; crian&ccedil;a e integrantes da Liga de Defesa Nacional distribu&iacute;am   cartazes de propaganda. Destacam-se, ainda, as &quot;palestras irradiadas&quot;  pelas r&aacute;dios Farroupilha, Ga&uacute;cha e Difusora, que consistiam em coment&aacute;rios de   cinco minutos de dura&ccedil;&atilde;o, nos quais abordavam-se temas relacionados com a   constitui&ccedil;&atilde;o e com cuidados para com a inf&acirc;ncia.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O exemplo de vida dos her&oacute;is constituiu outra forma de produzir pautas de   aten&ccedil;&atilde;o educativa e modos de ser e pensar dos indiv&iacute;duos. Segundo as proposi&ccedil;&otilde;es   do CPOE, em Rui Barbosa o educador poderia encontrar uma fonte de   exemplos, um &quot;modelo de virtudes no amor filial, na perseveran&ccedil;a, na dedica&ccedil;&atilde;o      ao trabalho, no respeito &agrave; liberdade, no esp&iacute;rito de justi&ccedil;a, no desassombro na   afirma&ccedil;&atilde;o de princ&iacute;pios, no devotamento &agrave; P&aacute;tria&quot; (CPOE/RS, 1949, p. 33). Liberato   Salzano Vieira da Cunha, &quot;um amigo da educa&ccedil;&atilde;o, um exemplo de virtudes&quot;, segundo   uma publica&ccedil;&atilde;o do CPOE/RS, deveria ser apresentado aos estudantes como</p>     <blockquote> homem dos nossos dias e de nosso meio que soube em sua carreira ser fiel   ao ideal de brasileiro e de crist&atilde;o; apresentai-o como filho e chefe de fam&iacute;lia   exemplar, como modelo para o estudante, para o professor, o jornalista,   o parlamentar, o administrador - pela coer&ecirc;ncia de seus atos com as suas   convic&ccedil;&otilde;es, pela beleza moral de sua vida, pela sua consagra&ccedil;&atilde;o ao trabalho   e ao bem comum, pelo seu amor &agrave; justi&ccedil;a e &agrave; verdade, pela sua f&eacute; em Deus   e pela dedica&ccedil;&atilde;o &agrave; p&aacute;tria. (CPOE/RS, 1957a, p. 77)</blockquote>     <p> Destaca-se, especialmente, o quanto a forma&ccedil;&atilde;o de h&aacute;bitos e atitudes fora   objeto de registro nos boletins escolares. Eram feitos apontamentos e registros   acerca da pontualidade, assiduidade, higiene e comportamentos em rela&ccedil;&atilde;o aos   professores e colegas.</p>     <p> Ensinar sob essas condi&ccedil;&otilde;es era, necessariamente, efetivar um tipo de educa&ccedil;&atilde;o   que produzia os indiv&iacute;duos. Neste sentido, Popkewitz (2003) aponta que   os discursos constru&iacute;dos acerca da educa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o s&atilde;o, simplesmente, linguagens   sobre a educa&ccedil;&atilde;o, mas processos produtivos da sociedade mediante os quais se   classificam problemas e se mobilizam pr&aacute;ticas.</p>     <p> Na mesma dire&ccedil;&atilde;o, Jorge Ramos do &Oacute; (2006, p. 16) relaciona o que denomina   governo da alma ou treino disciplinar da vontade com a produ&ccedil;&atilde;o de subjetividades.   Assim, a escola de massas pode ser percebida &quot;ora como uma tecnologia   humana, ora como uma tecnologia moral&quot;, o que mostra &quot;como as din&acirc;micas   de promo&ccedil;&atilde;o da subjetividade se encontram profundamente articuladas com os   objetivos de governo das popula&ccedil;&otilde;es no seu conjunto&quot;.</p>     <p><b> Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></p>     <p> Como se afirmou inicialmente procurou-se demonstrar como discursos relacionados   &agrave; reforma educacional operam na dire&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o de sujeitos de   uma cultura. Para isto, privilegiou-se um olhar acerca das pr&aacute;ticas de inscri&ccedil;&atilde;o e   forma&ccedil;&atilde;o de sujeitos de costumes, atitudes, h&aacute;bitos e de uma moral crist&atilde;, vistos   a partir de uma intersec&ccedil;&atilde;o de discursos paralelos e mesmo concorrentes - o   educativo, o econ&ocirc;mico, o religioso, o m&eacute;dico, o c&iacute;vico.</p>     <p> Se, de uma parte, o CPOE/RS disp&ocirc;s de uma relativa autonomia para propor   diretrizes pedag&oacute;gicas para a organiza&ccedil;&atilde;o do sistema educativo, na perspectiva   da reforma, por outra, tal autonomia esteve circunscrita aos saberes do campo   de conhecimento que o sustentava. Foi a partir da discursividade deste campo,      e n&atilde;o de outro, que se definiu a verdade que podia ser pensada e quem podia   ocupar o lugar de sujeito que pronunciava esta verdade.</p>     <p> O CPOE/RS pode ser visto como o lastro institucional necess&aacute;rio &agrave; formula&ccedil;&atilde;o   e difus&atilde;o do discurso da Escola Nova ou, ainda, como uma forma de institucionaliza&ccedil;&atilde;o   de um discurso que constr&oacute;i seus sujeitos de autoridade, que   recria discursivamente suas condi&ccedil;&otilde;es de emerg&ecirc;ncia, isto &eacute;, seus locais de   enuncia&ccedil;&atilde;o. Neste sentido, as a&ccedil;&otilde;es promovidas pelo CPOE/RS estiveram atravessadas   por rela&ccedil;&otilde;es entre conhecimento e poder.</p>     <p> A reforma educacional desenvolvida no contexto ga&uacute;cho constituiu um amplo   campo de pr&aacute;ticas culturais, um movimento pol&iacute;tico que concorreu para a   produ&ccedil;&atilde;o de formas espec&iacute;ficas de administra&ccedil;&atilde;o da vida social e individual e   para a constru&ccedil;&atilde;o de uma rede de significa&ccedil;&otilde;es. Nesse processo, se destacaram   os discursos pedag&oacute;gicos, m&eacute;dicos e da religi&atilde;o cat&oacute;lica, introduzidos como   tecnologias para reestrutura&ccedil;&atilde;o do modo como os indiv&iacute;duos deviam ser vistos   e definidos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> A a&ccedil;&atilde;o reformadora da educa&ccedil;&atilde;o no Rio Grande do Sul, nos anos 1930 a 1950,   de forma contundente, contou com a atua&ccedil;&atilde;o imprescind&iacute;vel do CPOE, seja em   sua formula&ccedil;&atilde;o te&oacute;rico-pol&iacute;tica, seja no &acirc;mbito da atua&ccedil;&atilde;o efetiva junto ao sistema   p&uacute;blico de ensino. No &acirc;mago de tal processo, assim definiu-se a educa&ccedil;&atilde;o:</p>     <blockquote>a educa&ccedil;&atilde;o deve constituir-se, antes de mais nada, em uma t&eacute;cnica de vida   e uma t&eacute;cnica de vida n&atilde;o ensina por defini&ccedil;&otilde;es ou por preceitos; sup&otilde;e   meios pelos quais a crian&ccedil;a se habitue a agir segundo normas que se inscrevam,   definitivamente, no seu modo de proceder. (CPOE/RS, 1959a, p. 128)</blockquote>     <p> Em s&iacute;ntese, pela educa&ccedil;&atilde;o buscou-se produzir experi&ecirc;ncias pelas quais as   pessoas pudessem se tornar sujeitos de uma cultura, sujeitos de estilos de vida   concretos. Neste aspecto, est&aacute; a contribui&ccedil;&atilde;o &iacute;mpar do CPOE/RS para a constitui&ccedil;&atilde;o   de um modo de ser da educa&ccedil;&atilde;o no Rio Grande do Sul.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b> Refer&ecirc;ncias Bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <!-- ref --><p> CPOE/RS (1947). <i>Boletim do Centro de Pesquisas e Orienta&ccedil;&atilde;o Educacionais - ano de 1947</i>. Porto   Alegre: Livraria do Globo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000078&pid=S1645-7250201100020000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p> CPOE/RS (1949). <i>Boletim do Centro de Pesquisas e Orienta&ccedil;&atilde;o Educacionais - anos de 1948-1949</i>. Porto Alegre: Livraria Selbach.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000080&pid=S1645-7250201100020000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p> CPOE/RS (1951). <i>Boletim do Centro de Pesquisas e Orienta&ccedil;&atilde;o Educacionais - anos de 1950-1951</i>. Porto Alegre: Livraria Selbach.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000082&pid=S1645-7250201100020000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p> CPOE/RS (1953).<i> Boletim do Centro de Pesquisas e Orienta&ccedil;&atilde;o Educacionais - anos de 1952-1953</i>. Porto Alegre: Livraria Selbach.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000084&pid=S1645-7250201100020000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p> CPOE/RS (1955). <i>Boletim do Centro de Pesquisas e Orienta&ccedil;&atilde;o Educacionais - anos de 1954-1955</i>. Porto Alegre: Livraria Selbach.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000086&pid=S1645-7250201100020000700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p> CPOE/RS (1957a). <i>Boletim do Centro de Pesquisas e Orienta&ccedil;&atilde;o Educacionais - anos de 1956-1957</i>. Porto Alegre: Imprensa Oficial.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000088&pid=S1645-7250201100020000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p> CPOE/RS (1958a). <i>Boletim do Centro de Pesquisas e Orienta&ccedil;&atilde;o Educacionais - ano de 1958</i>. Porto   Alegre: Imprensa Oficial.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000090&pid=S1645-7250201100020000700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p> CPOE/RS (1958b). <i>Classifica&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica das publica&ccedil;&otilde;es examinadas at&eacute; 31 de outubro de   1957</i>. Porto Alegre: Imprensa Oficial.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000092&pid=S1645-7250201100020000700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p> CPOE/RS (1959). <i>Boletim do Centro de Pesquisas e Orienta&ccedil;&atilde;o Educacionais - ano de 1959</i>. Porto   Alegre: Imprensa Oficial.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000094&pid=S1645-7250201100020000700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p> CPOE/RS (1963). <i>Boletim do Centro de Pesquisas e Orienta&ccedil;&atilde;o Educacionais - anos de 1961-1962</i>. Porto Alegre: Imprensa Oficial.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000096&pid=S1645-7250201100020000700010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p> CPOE/RS (1964a). <i>Boletim do Centro de Pesquisas e Orienta&ccedil;&atilde;o Educacionais e de Execu&ccedil;&atilde;o Especializada   - volume II - orienta&ccedil;&atilde;o - anos de 1963-1964</i>. Porto Alegre: Imprensa Oficial.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000098&pid=S1645-7250201100020000700011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p> CPOE/RS (1957). <i>Relat&oacute;rio do ano de 1957</i>. Porto Alegre: CPOE/RS.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000100&pid=S1645-7250201100020000700012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p> CPOE/RS (1958). <i>Relat&oacute;rio do ano de 1958</i>. Porto Alegre: CPOE/RS.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000102&pid=S1645-7250201100020000700013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p> CPOE/RS (1964). <i>Relat&oacute;rio do ano de 1964</i>. Porto Alegre: CPOE/RS.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000104&pid=S1645-7250201100020000700014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p> Moraes, Y. R. (1962). Exorta&ccedil;&atilde;o.<i> Revista do Ensino/RS</i>, 81, 4-5.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000106&pid=S1645-7250201100020000700015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p> Negromonte, &Aacute;. (1950).<i> A pedagogia do catecismo</i>. Rio de Janeiro: Jos&eacute; Olympio.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000108&pid=S1645-7250201100020000700016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p> &Oacute;, J. R. do (2006). Poder-saber-querer: os terrenos disciplinares da alma e do autogoverno no   primeiro mapa das ci&ecirc;ncias da educa&ccedil;&atilde;o (1879-1911). <i>Revista Brasileira de Hist&oacute;ria da Educa&ccedil;&atilde;o</i>,   12, 11-30.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000110&pid=S1645-7250201100020000700017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p> Peres, E. T. (2000). <i>Aprendendo formas de pensar, de sentir e de agir</i>: a escola como oficina da   vida - discursos pedag&oacute;gicos e pr&aacute;ticas escolares da escola p&uacute;blica prim&aacute;ria ga&uacute;cha (1909-1959). Tese de doutorado, Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Educa&ccedil;&atilde;o, Universidade Federal de   Minas Gerais, Belo Horizonte.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000112&pid=S1645-7250201100020000700018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p> Popkewitz, T. S. (2003). La producci&oacute;n de raz&oacute;n y poder: historia del curr&iacute;culum y tradiciones   intelectuales. In T S Popkewitz; B M Franklin; M A Pereyra (Org). <i>Historia cultural y educaci&oacute;n</i>:   ensayos cr&iacute;ticos sobre conocimiento y escolarizaci&oacute;n (pp. 146-184). Barcelona: Pomares.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000114&pid=S1645-7250201100020000700019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Quadros, C. (2006)<i> Reforma, ci&ecirc;ncia e profissionaliza&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o</i>: o Centro de Pesquisas e   Orienta&ccedil;&atilde;o Educacionais do Rio Grande do Sul (1937-1971). Tese de doutorado, Programa de   P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Educa&ccedil;&atilde;o, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000116&pid=S1645-7250201100020000700020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p> Silva, M. C. R. da. [s/d]. Curso de orienta&ccedil;&atilde;o educacional: panoramas pedag&oacute;gicos da educa&ccedil;&atilde;o   prim&aacute;ria. S&atilde;o Paulo: Pontes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000118&pid=S1645-7250201100020000700021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p> Stephanou, M. (2006). Discursos m&eacute;dicos, educa&ccedil;&atilde;o e ci&ecirc;ncia: escola e escolares sob exame. <i>Revista Trabalho, Educa&ccedil;&atilde;o e Sa&uacute;de</i>, 1, 33-64.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000120&pid=S1645-7250201100020000700022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> <b>Notas</b></p>     <p> <a name="1" id="1"></a><a href="#top1"><sup>1</sup></a> O Centro de Pesquisas e Orienta&ccedil;&atilde;o Educacionais - CPOE/RS - foi criado em 1943, por transforma&ccedil;&atilde;o   da Sec&ccedil;&atilde;o T&eacute;cnica da Diretoria Geral de Instru&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica. A sua instala&ccedil;&atilde;o aconteceu   nos marcos da reforma educacional em curso no Rio Grande do Sul, empreendida pelo   Estado com o intuito de construir e assumir, de forma efetiva, o controle organizacional do   sistema educativo. Para tanto, buscou-se estabelecer pol&iacute;ticas, disciplinar, monitorar, avaliar   e dirigir os modos pelos quais a reforma foi constitu&iacute;da. As atribui&ccedil;&otilde;es do Centro Universit&aacute;rio   Franciscano envolviam a realiza&ccedil;&atilde;o de estudos de car&aacute;ter objetivo sobre a crian&ccedil;a nos   aspectos que interv&ecirc;m no processo educativo: biol&oacute;gico, psicol&oacute;gico, sociol&oacute;gico, pedag&oacute;gico;   sobre a aprendizagem: princ&iacute;pios e leis, instrumentos e processos, conte&uacute;do e efici&ecirc;ncia;   e relativos ao meio escolar: disciplina, institui&ccedil;&otilde;es, recrea&ccedil;&otilde;es, rela&ccedil;&otilde;es com o meio social.   Eram suas atribui&ccedil;&otilde;es, ainda, executar atividades de orienta&ccedil;&atilde;o ao magist&eacute;rio, por meio de   cursos e reuni&otilde;es; visitar as unidades escolares; dirigir ensaios pedag&oacute;gicos; responder a   consultas de ordem t&eacute;cnica; elaborar programas, planos, comunicados, circulares e instru&ccedil;&otilde;es;   manter uma biblioteca central de obras pedag&oacute;gicas e escolares; organizar o conte&uacute;do   pedag&oacute;gico do Boletim de Educa&ccedil;&atilde;o da Secretaria da Educa&ccedil;&atilde;o e Cultura; indicar livros did&aacute;ticos e obras para as bibliotecas escolares; e, finalmente, elaborar medidas para organiza&ccedil;&atilde;o   das classes; promover orienta&ccedil;&atilde;o educacional e controlar o rendimento escolar. Esse Centro   funcionou at&eacute; 1971.</p>     <p> <a name="2" id="2"></a><a href="#top2"><sup>2</sup></a> Cpoe/rs (1964).</p>     <p> <a name="3" id="3"></a><a href="#top3"><sup>3</sup></a> Lei n. 2.220, de 17 de dezembro de 1953, de autoria do deputado C&acirc;ndido Norberto dos   Santos, do Partido Socialista Brasileiro - PSB. Foi alterada pela lei n. 2.341, de 28 de janeiro   de 1954.</p>     <p> <a name="4" id="4"></a><a href="#top4"><sup>4</sup></a> O trabalho desenvolvido pela Comiss&atilde;o Especial de Estudos e Classifica&ccedil;&atilde;o de Publica&ccedil;&otilde;es   Peri&oacute;dicas n&atilde;o &eacute; um exemplo isolado. Em 1936 havia sido criada, no Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o e   Sa&uacute;de do Brasil, a Comiss&atilde;o Nacional de Literatura Infantil - CNLI. Cabia-lhe organizar projetos   de bibliotecas infantis, promover o desenvolvimento de uma boa literatura para crian&ccedil;as   e jovens e incentivar a leitura de obras educativas, especialmente aquelas que concorressem   para a forma&ccedil;&atilde;o de h&aacute;bitos e valores.</p>     <p> <a name="5" id="5"></a><a href="#top5"><sup>5</sup></a> A educa&ccedil;&atilde;o moral devia se constituir em objeto de preocupa&ccedil;&atilde;o constante dos educadores.   Para tanto, devia promover a &quot;cria&ccedil;&atilde;o ou renova&ccedil;&atilde;o de bibliotecas escolares; divulga&ccedil;&atilde;o de   bons jornais e revistas; proje&ccedil;&atilde;o de filmes de fundo construtivo; fomento e cria&ccedil;&atilde;o de clubes   escolares nos quais sejam programados e executados c&oacute;digos de bons costumes; promo&ccedil;&atilde;o   de campanhas que concorram para a eleva&ccedil;&atilde;o de h&aacute;bitos morais da comunidade em que esteja   localizada a escola&quot; (Cpoe/rs, 1953, p. 57-58).</p>     <p> <a name="6" id="6"></a><a href="#top6"><sup>6</sup></a> Cpoe/rs, Comunicado n. 2, 1&ordm;/4/1940.</p>     <p> <a name="7" id="7"></a><a href="#top7"><sup>7</sup></a> &quot;A informa&ccedil;&atilde;o da consci&ecirc;ncia moral n&atilde;o se realizar&aacute; apenas pelo conhecimento das leis que   devem regrar a conduta humana [...], mas pela pr&aacute;tica dessa moral, pela viv&ecirc;ncia de situa&ccedil;&otilde;es   que levem o educando a adquirir h&aacute;bitos de julgamento, a discernir o bem do mal&quot; (Cpoe/rs,   1951a, p. 73).</p>     <p> <a name="8" id="8"></a><a href="#top8"><sup>8</sup></a> O discurso religioso atravessa fortemente o campo educacional. Neste contexto, representantes   da Igreja Cat&oacute;lica elaboraram e apresentaram manuais para orientar o trabalho do ensino   religioso junto &agrave;s escolas. Um deles &eacute; A pedagogia do catecismo, do padre &Aacute;lvaro Negromonte   (1950). Atento aos enunciados da Escola Nova, o padre Negromonte afirma a necessidade de   se abandonar os antigos modos de ensinar: &quot;h&aacute; quem n&atilde;o saiba ensinar catecismo, sen&atilde;o por   perguntas e respostas. E pior: ainda existe quem reduza o ensino religioso &agrave; cansativa e ineficiente   memoriza&ccedil;&atilde;o que exige o texto palavra por palavra, sem se preocupar da compreens&atilde;o,   das convic&ccedil;&otilde;es, da transforma&ccedil;&atilde;o do princ&iacute;pio em norma para a vida crist&atilde;.&quot; (Idem, p. 63).   Para ensinar religi&atilde;o de forma eficiente, moderna, era imprescind&iacute;vel observar a psicologia   da crian&ccedil;a, bem como lan&ccedil;ar m&atilde;o de meios que concorressem para promover a aprendizagem,   dentre eles, leituras, dramatiza&ccedil;&otilde;es, jogos e excurs&otilde;es. Com a aprendizagem da religi&atilde;o   buscava-se, &quot;acima de tudo, formar h&aacute;bitos crist&atilde;os. Por h&aacute;bitos crist&atilde;os, entendam-se os   grandes deveres da vida crist&atilde;&quot; (Idem, p. 29).</p>     <p> <a name="9" id="9"></a><a href="#top9"><sup>9</sup></a> Pelos dados apresentados na documenta&ccedil;&atilde;o consultada, havia 12.244 professores estaduais   em 1958. Participaram da elei&ccedil;&atilde;o, portanto, 76,9% dos integrantes do magist&eacute;rio estadual.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> <a name="10" id="10"></a><a href="#top10"><sup>10</sup></a> Jorge Ramos do &Oacute; aponta que a escola moderna de massas &eacute; fruto da combina&ccedil;&atilde;o entre   o modo crist&atilde;o de organiza&ccedil;&atilde;o da conduta pessoal e as formas de governo desencadeadas   pela burocracia estatal. Neste sentido, defende que a &quot;sedimenta&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica de um discurso   coerente quer sobre o estatuto cient&iacute;fico da pedagogia quer sobre os fins do ato educativo   moderno deve ser entendida no quadro geral da seculariza&ccedil;&atilde;o da moral e da expans&atilde;o do   princ&iacute;pio pol&iacute;tico do self-government. [...] O grosso das pol&ecirc;micas e disputas que estiveram   na base da afirma&ccedil;&atilde;o da escola p&uacute;blica pode ser historicamente percebido como express&atilde;o   direta das lutas pelo monop&oacute;lio do governo da alma. Tratou-se, sobretudo, nelas do problema   da reformula&ccedil;&atilde;o da moral&quot; (2006, p. 13).</p>      ]]></body><back>
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