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</front><body><![CDATA[ <p><b>A fun&ccedil;&atilde;o inalien&aacute;vel   das Artes Visuais. Reflex&atilde;o a duas vozes</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Jos&eacute; B. Duarte<sup>*</sup> &amp; M.&ordf; Constan&ccedil;a Vasconcelos<sup>**</sup></b></p>     <p><sup>*</sup>Professor da Universidade Lus&oacute;fona. Investigador do CEIEF.   <a href="mailto:j.b.duarte@netcabo.pt">j.b.duarte@netcabo.pt</a></p>     <p><sup>**</sup>Professora na Universidade Lus&oacute;fona. Investigadora do CICANT.   <a href="mailto:mcpvasconcelos@gmail.com">mcpvasconcelos@gmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Este texto constitui um debate sobre a fun&ccedil;&atilde;o da arte, entre dois professores com diferente   forma&ccedil;&atilde;o de base (Maria Constan&ccedil;a Vasconcelos com forma&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica em Artes   Visuais e Jos&eacute; B. Duarte em Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o). Ambos evocam o apoio que diversas   obras de arte lhes proporcionaram em diferentes momentos da vida. E por ambos &eacute; sublinhado   como a hist&oacute;ria da express&atilde;o criativa est&aacute; ligada &agrave; hist&oacute;ria da luta pela liberdade   e pela democracia, uma luta que se insere numa vis&atilde;o da arte como fundamental recurso   ao servi&ccedil;o da aspira&ccedil;&atilde;o a um mundo mais feliz e fraterno. Os autores fazem ainda uma   reflex&atilde;o em torno da integra&ccedil;&atilde;o das artes e dos outros saberes, pois, se o objectivo final   da educa&ccedil;&atilde;o &eacute; a ativa&ccedil;&atilde;o do potencial cognitivo do aluno, ter&aacute; de haver maneiras de integra&ccedil;&atilde;o   que evitem as perspectivas compartimentalizadas existentes. Por isso, no plano   epistemol&oacute;gico, o artigo pretende constituir uma tentativa de interdisciplinaridade, algo   julgado por todos como fundamental numa universidade, mas pouco posto em pr&aacute;tica. No   final, os autores desafiam o leitor para uma pedagogia cr&iacute;tica como orienta&ccedil;&atilde;o de outros   saberes e tamb&eacute;m das artes.</p>     <blockquote> The arts construct representations of the world, which may be about   the world that is really there or about the imagined worlds that   are not present, but that might inspire human beings to create an   alternative future for themselves.   Efland (2002, p. 171)</blockquote>     <p><b> Arte como inspira&ccedil;&atilde;o para um futuro diferente</b></p>     <p><b> J.B.Duarte:</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> O ensino das artes visuais (e das outras artes&hellip;) tem sido remetido para um   plano de secundaridade nas nossas escolas. Importa refletir sobre as potencialidades   das artes visuais numa outra poss&iacute;vel integra&ccedil;&atilde;o no curr&iacute;culo. A proposta   de Efland, em ep&iacute;grafe, traz &agrave; minha consci&ecirc;ncia o efeito que alguns quadros   tiveram na vis&atilde;o-do-mundo da minha gera&ccedil;&atilde;o. Por exemplo o quadro Guernica   de Picasso. Nos anos sessenta, em tempos de greves acad&eacute;micas, em que pequenos   jornais clandestinos passavam de m&atilde;o em m&atilde;o com reflex&otilde;es sobre quest&otilde;es   acad&eacute;micas e pol&iacute;ticas, aquele quadro, em reprodu&ccedil;&otilde;es amplas nos nossos   quartos de estudante ou em pequenas reprodu&ccedil;&otilde;es guardadas em livros, era um   expoente fundamental da nossa reflex&atilde;o sobre a vida.</p>     <p> Esse quadro era um expoente da nossa contesta&ccedil;&atilde;o, pois sent&iacute;amos na pele   o grave e preocupante problema da guerra colonial - que iria roubar a alguns de   n&oacute;s quatro anos de vida - e v&iacute;amos colegas voltarem com pernas amputadas ou   sab&iacute;amos da morte de amigos em terras africanas. Naquele quadro, por sobre   figuras humanas destro&ccedil;adas, olh&aacute;vamos a met&aacute;fora do touro como s&iacute;mbolo dos   poderes ditatoriais da &eacute;poca e sent&iacute;amos que resistir-lhe de todas as maneiras   era imperativo de consci&ecirc;ncia. Esses sentimentos, expressos nos olhares e nas   meias palavras, eram depois verbalmente clarificados pelas can&ccedil;&otilde;es de Adriano:  &quot;H&aacute; sempre algu&eacute;m que resiste! H&aacute; sempre algu&eacute;m que diz n&atilde;o&quot;. Em suma,   se as palavras da can&ccedil;&atilde;o eram claras, aquele quadro era tamb&eacute;m uma <i>refer&ecirc;ncia     fundamental</i> da nossa representa&ccedil;&atilde;o da realidade. Um outro pintor profusamente   reproduzido nos nossos ambientes era Dali, cujo surrealismo era sentido de   modo existencial, como se os rel&oacute;gios com ponteiros distorcidos fossem um apelo   &agrave; nossa fuga &agrave; &quot;normaliza&ccedil;&atilde;o&quot; imposta pelo poder. E, menos numerosas, havia   tamb&eacute;m reprodu&ccedil;&otilde;es de obras de Chagal, com pares amorosos a voltejarem no   espa&ccedil;o, a lembrar-nos que, como diz Efland, era poss&iacute;vel uma alternativa&hellip;</p>     <p> <b>M.C.Vasconcelos:</b></p>     <p> A hist&oacute;ria da express&atilde;o criativa est&aacute; ligada &agrave; hist&oacute;ria pela liberdade, pois   h&aacute; uma liga&ccedil;&atilde;o entre o estado da express&atilde;o art&iacute;stica e o estado de democracia   (Pujol, E. 2009). Os ditadores sempre odiaram as artes, n&atilde;o s&oacute; porque as artes   apresentam m&uacute;ltiplas interpreta&ccedil;&otilde;es ou solu&ccedil;&otilde;es para um mesmo tema ou problema,   uma vez que projectam sempre uma vis&atilde;o individual e &uacute;nica do mundo,   como tamb&eacute;m pelo fato de n&atilde;o apresentarem apenas o que existe, mas o que   poderia ser ou que gostar&iacute;amos que fosse. Este quebrar as barreiras da realidade,   proporcionando &quot;aventuras de significado&quot;, ajuda-nos a compreender os   mist&eacute;rios da vida que a ci&ecirc;ncia n&atilde;o chega para explicar e tem muitas vezes um   car&aacute;cter revelat&oacute;rio, mostrando-nos novas dimens&otilde;es. Ao fomentar a imagina&ccedil;&atilde;o   e a criatividade as artes permitem aceitar desafios que podem melhorar as   nossas vidas. A frase de Ricoeur em Dickinson (2005) &eacute; abrangente e sint&eacute;tica:  &quot;The arts offer us models for the redescription of the world. They attach   us to others, to our history, and to ourselves by providing a tapestry rich with   threads of time, place character and even advice on what we might do with our   lives.</p>     <p> Limitar, portanto, a educa&ccedil;&atilde;o ao desenvolvimento de capacidades verbais e   matem&aacute;ticas &eacute; extremamente redutor do potencial humano, pois as artes permitem   desenvolver diferentes tipos de cogni&ccedil;&atilde;o como a teoria de Gardner das   intelig&ecirc;ncias m&uacute;ltiplas defende. Sendo as artes um fen&oacute;meno social e cultural   de car&aacute;cter universal, um subsistema da cultura e sendo as escolas, meios privilegiados   de cultura, o lugar das artes na educa&ccedil;&atilde;o, &eacute;, como se diz no t&iacute;tulo,   inalien&aacute;vel, embora tantas vezes menosprezado por incompreens&atilde;o da sua import&acirc;ncia   no desenvolvimento humano. Fowler (2001, pp. 9-13) resume muito   bem o papel das artes: ensinam a<i> pensar receptivamente</i>, desenvolvendo a sensibilidade   e consci&ecirc;ncia; <i>pensar esteticamente</i> sendo que a consci&ecirc;ncia est&eacute;tica   como modo de nos relacionarmos com o mundo permite a refer&ecirc;ncia da arte   para outros aspectos da vida; ensinam a <i>pensar criativamente</i>, pois a ambiguidade   das formas de express&atilde;o simb&oacute;lica requer um pensamento de ordem superior;   e a <i>pensar comunicativamente</i>, pois sendo todas as formas de arte, meios   de comunica&ccedil;&atilde;o, d&atilde;o acesso ao ser expressivo e comunicativo e &agrave; participa&ccedil;&atilde;o   na cria&ccedil;&atilde;o do seu pr&oacute;prio mundo. Sendo linguagens da civiliza&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s das   quais contamos as nossas vidas, s&atilde;o tamb&eacute;m formas de comunica&ccedil;&atilde;o que nos   d&atilde;o acesso &agrave; sabedoria armazenada dos tempos; assim <i>ensinam a pensar culturalmente</i>,   pois estabelecem uma rela&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica entre o indiv&iacute;duo, a heran&ccedil;a   cultural e a fam&iacute;lia humana. As funda&ccedil;&otilde;es para a paz entre pessoas dependem   da interconex&atilde;o cultural, partilhar cria&ccedil;&otilde;es art&iacute;sticas entre culturas &eacute; partilhar   os nossos valores mais profundos.</p>     <p> Por outro lado, a import&acirc;ncia da &quot;visualidade&quot; no mundo contempor&acirc;neo &eacute;   avassaladora. Fala-se do incremento de analfabetos visuais, apelando para a   reestrutura&ccedil;&atilde;o da escola e das universidades de modo a ensinar uma &quot;gram&aacute;tica   visual&quot; (Hernandez, 2005). Esta quest&atilde;o tem produzido um dos debates mais   criativos dos &uacute;ltimos tempos como diz Hernandez (2005, p. 89):</p>     <blockquote> Un debate que ha dado lugar a programas de investigaci&oacute;n en la teoria   cr&iacute;tica contempor&aacute;nea, la filosof&iacute;a postmoderna, la teoria est&eacute;tica, la deconstrucci&oacute;n   y los estudios culturales, en torno de la &acute;visualidad&acute;, haciendo   de &eacute;l uno de los temas centrales en el pensamiento cr&iacute;tico contempor&aacute;neo.</blockquote>     <p> <b>Curr&iacute;culo: um caminho de pensamento e ac&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p> <b>J.B.Duarte:</b></p>     <p> Das condi&ccedil;&otilde;es para fazer o melhor poss&iacute;vel o percurso escolar sempre se   ocupou a pedagogia ou a educa&ccedil;&atilde;o, com conceitos como metodologia de ensino,   estrat&eacute;gia de ensino, e outros. Ali&aacute;s, na literatura pedag&oacute;gica francesa o termo   curr&iacute;culo &eacute; pouco frequente. E &eacute; curioso lembrar que &quot;curr&iacute;culo&quot; foi adoptado   entre n&oacute;s atrav&eacute;s da literatura pedag&oacute;gica de l&iacute;ngua inglesa, mas &eacute; de origem   latina (de <i>currus</i>, carro e <i>curr&iacute;culum</i> ou <i>curriculus</i>, ou seja, o percurso que um   cavaleiro com seus cavalos e carro fazem no hip&oacute;dromo). Mas &eacute; de reconhecer   que a &quot;literatura curricular&quot; trouxe preocupa&ccedil;&otilde;es que enriqueceram a reflex&atilde;o   pedag&oacute;gica. Por exemplo, a quest&atilde;o de saber quais as &quot;fontes&quot; ou perspectivas   a ter em conta ao construir um curr&iacute;culo (o saber, o aluno, a sociedade) ou de   discutir se o curr&iacute;culo pode ser <i>neutro</i>, como pretende Kelly (1980), ou se existe   uma rela&ccedil;&atilde;o do curr&iacute;culo com o(s) poder(es), como prop&otilde;e Apple (1997).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> <i>Organiza&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento Curricular</i> se chamava ou chama uma disciplina   leccionada nalgumas institui&ccedil;&otilde;es de ensino superior. Sempre senti, quando   leccionei essa disciplina, que o termo de &quot;concretiza&ccedil;&atilde;o&quot; seria prefer&iacute;vel ao   de &quot;desenvolvimento&quot;, tradu&ccedil;&atilde;o do ingl&ecirc;s <i>development</i>. Pensando nessa perspetiva   operativa, propus para uma unidade de mestrado a designa&ccedil;&atilde;o de <i>Curr&iacute;culo,     metodologia de ensino e de avalia&ccedil;&atilde;o</i>. E n&atilde;o surpreende que Rold&atilde;o, reconhecida   estudiosa desta problem&aacute;tica, conclua que curr&iacute;culo &eacute; &quot;uma passagem   vitalizadora e &uacute;til, compreendendo o processo de aprender como um caminho   esfor&ccedil;ado, mas estimulante de pensamento e ac&ccedil;&atilde;o&quot; (2004, p.14).</p>     <p> <b>M.C.Vasconcelos:</b></p>     <p> Vem no sentido do que Eisner (2002, 2005) defende, o curr&iacute;culo como um   instrumento de altera&ccedil;&atilde;o das mentes, feito para melhorar o modo como se pensa.   Quando os pol&iacute;ticos e os te&oacute;ricos da educa&ccedil;&atilde;o definem um curr&iacute;culo para o   ensino, a escola ou a disciplina, est&atilde;o a propor formas de pensar, est&atilde;o a estabelecer   uma agenda para o desenvolvimento da mente em que os professores s&atilde;o   os principais agentes de media&ccedil;&atilde;o. Aqui reside a diferen&ccedil;a entre aquilo a que se   costuma chamar curr&iacute;culo<i> in vitro</i> e curr&iacute;culo<i> in vivo</i>, ou seja, o desenvolvimento   das actividades na pr&aacute;tica. &Eacute; sempre o professor que desenha e organiza as situa&ccedil;&otilde;es   reais que promovem as experi&ecirc;ncias de aprendizagem, dependendo do   contexto escolar, das caracter&iacute;sticas dos alunos, das suas pr&oacute;prias convic&ccedil;&otilde;es   etc., mediando permanentemente interac&ccedil;&otilde;es.</p>     <p> Penso que a problem&aacute;tica que refere &eacute; muito importante porque a escola   como principal meio de socializa&ccedil;&atilde;o e o seu inerente curr&iacute;culo escolar t&ecirc;m de   acompanhar as mudan&ccedil;as que ocorrem nas sociedades dum modo reflexivo e   cr&iacute;tico e cada vez mais, dadas as condi&ccedil;&otilde;es de incerteza, mudan&ccedil;a r&aacute;pida e radical   em que vivemos hoje. Se como Hernandez (2005, p. 93) diz, pela primeira   vez na hist&oacute;ria, nos confrontamos com um ciclo de renova&ccedil;&atilde;o do conhecimento   mais curto do que o ciclo de vida do indiv&iacute;duo, &eacute; preciso pensar e incorporar   esses temas na pr&aacute;tica no sentido, sobretudo, de formar cidad&atilde;os capazes de   participar criativa e criticamente na sociedade global cada vez mais formatada   pela tecnologia e os media. As tentativas de compreens&atilde;o das mudan&ccedil;as   socioculturais e epistem&oacute;logicas que ocorrem hoje s&atilde;o fundamentais na situa&ccedil;&atilde;o   educativa. Rodriguez (2005, p.47) refere que esta situa&ccedil;&atilde;o &eacute; especialmente   evidente na &aacute;rea da Educa&ccedil;&atilde;o Art&iacute;stica porque ela se ocupa das presenta&ccedil;&otilde;es   e representa&ccedil;&otilde;es art&iacute;sticas, visuais e materiais dos mundos reais, dos mundos   poss&iacute;veis, dos mundos imagin&aacute;rios e dos olhares e interpreta&ccedil;&otilde;es.</p>     <p> <b>Arte e ci&ecirc;ncia</b></p>     <p> <b>J.B.Duarte:</b></p>     <p> Para Popper um processo comum a todas as ci&ecirc;ncias &eacute; o da <b>falsificabilidade</b>,   segundo o qual as ci&ecirc;ncias se devem submeter a observa&ccedil;&otilde;es ou experi&ecirc;ncias   o mais dif&iacute;ceis poss&iacute;vel de modo a p&ocirc;r &agrave; prova a sua validade, s&oacute; resistindo   assim algumas teorias, todavia provis&oacute;rias pois sempre amea&ccedil;adas por poss&iacute;veis   novas experi&ecirc;ncias ou novas teorias. A cr&iacute;tica entre os cientistas &eacute; algo de   fundamental em Popper no desenvolvimento da ci&ecirc;ncia ou, por outras palavras,   h&aacute; um &quot;debate&quot; atrav&eacute;s dos tempos entre cientistas e as suas teorias que d&aacute; ao   conhecimento cient&iacute;fico um car&aacute;ter de &quot;aproxima&ccedil;&atilde;o &agrave; verdade&quot;, verdade sempre   mais complexa que as teorias (1999).</p>     <p> Atualmente alguns autores ligados ao chamado pos-modernismo estabelecem   uma equival&ecirc;ncia entre todas as formas de conhecimento, chegando a   equiparar astronomia com astrologia, religi&atilde;o e arte. Poder&iacute;amos argumentar   que &eacute; errado reivindicar um estatuto cient&iacute;fico para a astrologia &agrave; semelhan&ccedil;a   da astronomia. Mas, por outro lado, &eacute; interessante como Popper assinala na ci&ecirc;ncia   momentos criativos em analogia com a cria&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica e com a pr&oacute;pria   viv&ecirc;ncia comum:</p>     <blockquote> H&aacute; um Mozart, h&aacute; um Beethoven, h&aacute; um Einstein, h&aacute; um Boltzmann. Portanto   n&oacute;s somos criativos. H&aacute; pessoas que descobriram algo de novo que com   certeza n&atilde;o ocorreu apenas por mera reuni&atilde;o de actos singulares. E que   tamb&eacute;m n&atilde;o era simplesmente inato, mas que foi realmente produzido por   essas pessoas. Ora eu digo que todos n&oacute;s somos criativos e originais. Todas   as nossas reac&ccedil;&otilde;es s&atilde;o criativas e originais e de entre muitas cria&ccedil;&otilde;es novas   &eacute; depois, por meio da selec&ccedil;&atilde;o, escolhida a melhor (Popper, 1991. p.51).</blockquote>     <p> Popper prop&otilde;e, ali&aacute;s, a criatividade como algo que est&aacute; na base da evolu&ccedil;&atilde;o   do universo e da vida mas d&aacute; um lugar fundamental &agrave; cria&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica: &quot;A vida &eacute;,   o mundo &eacute;, antes de haver vida, criativo. Mas a prova s&oacute; vem atrav&eacute;s da vida e a   prova absolutamente decisiva s&oacute; vem atrav&eacute;s de Mozart (p.59).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> <b>M.C.Vasconcelos:</b></p>     <p> As artes s&atilde;o dom&iacute;nios criativos por excel&ecirc;ncia o que n&atilde;o quer dizer que a   criatividade n&atilde;o exista nas ci&ecirc;ncias ou em qualquer outra &aacute;rea; a criatividade   faz parte da condi&ccedil;&atilde;o humana. Uma diferen&ccedil;a importante entre as artes e   as ci&ecirc;ncias &eacute; que exatamente a regra nas artes &eacute; a celebra&ccedil;&atilde;o da diversidade,   da individualidade e da surpresa enquanto nas ci&ecirc;ncias domina a fatualiza&ccedil;&atilde;o,   linearidade, correc&ccedil;&atilde;o, ajudando-se os alunos a obter certezas, regras e generaliza&ccedil;&otilde;es   (Eisner, 2002). No entanto, a verbaliza&ccedil;&atilde;o e a quantifica&ccedil;&atilde;o s&atilde;o apenas   algumas das formas de literacia, de modos de se configurar a compreens&atilde;o humana   do mundo. S&atilde;o outras as formas de literacia em artes no sentido em que   descrevem qualidades dum mundo que n&atilde;o se pode explicar discursivamente,   mas experienciar apelando &agrave; nossa sensibilidade e contribuindo de um modo   distinto para o conhecimento e aprendizagem.</p>     <p> Ao contr&aacute;rio das ci&ecirc;ncias, nas artes o artista n&atilde;o precisa, de contar as coisas   como elas s&atilde;o, usa os materiais para criar formas que estejam de acordo apenas   com os seus prop&oacute;sitos, sem ser acusado de distorcer a realidade (Efland,   2002). A imagina&ccedil;&atilde;o tem licen&ccedil;a para voar (Eisner, 2002). Para al&eacute;m disso, como   refere Gisbert (2005), o artista move-se n&atilde;o s&oacute; entre exig&ecirc;ncias de express&atilde;ocomunica&ccedil;&atilde;o   como de inova&ccedil;&atilde;o-cria&ccedil;&atilde;o, entre o uso convencional do c&oacute;digo e   a sua inova&ccedil;&atilde;o, pois a utiliza&ccedil;&atilde;o criativa da forma de representa&ccedil;&atilde;o pl&aacute;stica   sup&otilde;e o uso dos elementos integrantes do c&oacute;digo, de modo pessoal e inovador   subvertendo-o e indo mais al&eacute;m do j&aacute; conseguido.</p>     <p> As artes s&atilde;o dom&iacute;nios mal estruturados &quot;ill structured domains&quot;, como Spiro   et al. (1987) definiram. S&atilde;o dom&iacute;nios de grande complexidade onde o conhecimento   &eacute; caracterizado pela flexibilidade, em que se juntam fragmentos de   conhecimento para responder &agrave;s necessidades de um determinado contexto.   Os dom&iacute;nios do conhecimento s&atilde;o confusos, inconsistentes no sentido em que   falta a regularidade de limites e categorias claras (Efland, 2002). Como refere   este autor, n&atilde;o h&aacute; generaliza&ccedil;&otilde;es amplas que se apliquem &agrave; maioria dos casos   como p ex. acontece com a lei da gravidade da f&iacute;sica, mas aprende-se juntando   o conhecimento de casos individuais. A aprendizagem de novo conhecimento   &eacute; dificultada pela falta de grandes generaliza&ccedil;&otilde;es. A express&atilde;o de Dewey do   prop&oacute;sito flex&iacute;vel, &quot;flexibly purposeful&quot;, que Eisner (2002) retoma, refere-se ao   lado de improvisa&ccedil;&atilde;o da intelig&ecirc;ncia que &eacute; usada nas artes. Intelig&ecirc;ncia que &eacute;   a capacidade de mudar de dire&ccedil;&atilde;o, redefinir objetivos quando op&ccedil;&otilde;es melhores   emergem no decurso de um trabalho.</p>     <p> Este prop&oacute;sito flex&iacute;vel que as artes promovem pode desenvolver formas de   pensamento e atitudes para com os problemas que emergem noutros campos.   Acompanhar a surpresa exige a capacidade de correr riscos, pois prossegui-la &eacute;   uma escolha, e &eacute; sempre um caminho incerto onde os esquemas familiares e as   t&eacute;cnicas habituais podem provar ser pouco efetivas. Uma das tarefas mais desafiadoras   das artes &eacute; a tend&ecirc;ncia para reverter rotinas e quando a arte &eacute; bem   ensinada estes prop&oacute;sitos flex&iacute;veis s&atilde;o encorajados (Eisner, 2002).</p>     <p> Convidar os alunos a usar a sua imagina&ccedil;&atilde;o para ver coisas novas &eacute; um processo   comum &agrave;s ci&ecirc;ncias e &agrave;s artes, perceber o que l&aacute; est&aacute;, mas imaginar o que   poder&aacute; ser e ent&atilde;o usar o conhecimento e compet&ecirc;ncias t&eacute;cnicas, bem como   a sensibilidade para prosseguir o que se imaginou (Eisner, 2002). Oddleifson   (1996) argumenta que o processo das artes &eacute; similar ao processo cient&iacute;fico de   descoberta, representando as artes uma medida igualmente poderosa de explorar   as rela&ccedil;&otilde;es do homem com a natureza, usando s&iacute;mbolos pr&oacute;prios enquanto   as ci&ecirc;ncias usam n&uacute;meros e palavras. Mas ambas despertam o que apelida   de &quot;craving to comprehend&quot; com as suas cont&iacute;nuas revela&ccedil;&otilde;es e interpela&ccedil;&otilde;es.   Este &quot;craving to comprehend&quot; &eacute; a for&ccedil;a motriz da aprendizagem. Trabalha-se   hoje em dia cada vez mais em paradigmas e novos modelos para ligar processos   de descoberta nas ci&ecirc;ncias e nas artes.</p>     <p> <b>Um debate intemporal nas ci&ecirc;ncias e nas artes</b></p>     <p> <b>J.B.Duarte:</b></p>     <p> Concordo com Popper sobre o debate realizado atrav&eacute;s dos tempos entre os   cientistas, que op&ocirc;s o heliocentrismo de Cop&eacute;rnico e Galileu ao geocentrismo   de Ptolomeu, levou Kepler e Newton a corrigir as propostas de Galileu, ali&aacute;s   iniciadoras da ci&ecirc;ncia tal como a concebemos hoje, e levou Eisntein a dizer que   a massa &eacute; energia e a alargar o princ&iacute;pio de Newton sobre a atra&ccedil;&atilde;o dos corpos.   Mas esse debate intemporal tamb&eacute;m acontece nas artes visuais. Pois se Plat&atilde;o   prop&ocirc;s a imita&ccedil;&atilde;o da natureza ou mimesis como fundamento da arte, com Baumgarten   no s&eacute;c. XVIII apareceu o debate sobre a altera&ccedil;&atilde;o pela arte daquilo que &eacute;   observado. Isto &eacute;, importar&aacute; &agrave; arte procurar ver para l&aacute; da superf&iacute;cie das coisas,   procurando o <i>sentido mais profundo</i> que as coisas e o mundo t&ecirc;m para os seres   humanos.</p>     <p> Essa procura do sentido mais profundo passou de uma procura de harmonia   e equil&iacute;brio por parte dos artistas inspirados pelo classicismo, &agrave;s formas mais  &quot;sonhadas&quot; do romantismo, &agrave; an&aacute;lise das contradi&ccedil;&otilde;es sociais no realismo, ao   retomar da pesquisa da vis&atilde;o pessoal pelo impressionismo e expressionismo ou   outras. O que op&otilde;e Monet a Corot ou a Courbet, o que op&otilde;e Van Gogh a C&eacute;zanne,   o que op&otilde;e Picasso cubista ao Picasso rosa &eacute; esse debate impl&iacute;cito, menos de   palavras e sobretudo concretizado pela produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica, entre os diferentes   artistas e por vezes no mesmo homem, sobre a vis&atilde;o profunda do mundo e da   vida, para l&aacute; da observa&ccedil;&atilde;o comum e superficial do mundo.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Assim, &quot;quando C&eacute;zanne desrespeita a realidade, o seu objetivo &eacute; trazer &agrave;   tona o que &eacute; permanente e est&aacute; para al&eacute;m do que &eacute; acidental e de superf&iacute;cie&quot;  (Janson, 1989, p.641). &quot;Profundamente insatisfeito com os valores da sociedade   industral&quot;, Van Gogh foi &quot;pregador laico junto de mineiros de carv&atilde;o&quot; (Janson,   1989, p.644) e &quot;este mesmo sentimento profundo pelos pobres domina os   quadros do per&iacute;odo pr&eacute;-impressionista, 1880-1885&quot; (ou seja de metade dos dez   anos da sua vida de pintor). E o mesmo Van Gogh declara em carta ao seu irm&atilde;o   o seu desejo de &quot;exagerar o essencial e deixar o &oacute;bvio no vago&quot; (p.645). Janson   conclui que em Van Gogh os quadros pintados no sul de Fran&ccedil;a (como o quadro <i>Seara de Trigo com Ciprestes</i>) mostram uma &quot;f&eacute; numa for&ccedil;a criadora a animar   todas as formas de vida&quot;.</p>     <p> No quadro sobre o poeta Blaise Cendras, o pintor Marc Chagal &quot;manifesta j&aacute;   as suas primeiras tentativas numa procura de ultrapassar a geometriza&ccedil;&atilde;o do   objeto tal como a concebiam os cubistas&quot;, escrevem Walther e Metzger (2008,   p.22). Os mesmos autores comentam assim o quadro Concerto de 1957: &quot;uma   barca que leva a bordo um par amoroso avan&ccedil;a num rio, enquadrado &agrave; direita   por uma cidade e &agrave; esquerda por um grupo de m&uacute;sicos (&hellip;). O conjunto assume   um movimento ascendente da direita para a esquerda (&hellip;) a um mundo superior,   povoado de m&uacute;sicos celestes&quot; (p.80). Pares amorosos, m&uacute;sicos e animais preenchem   o espa&ccedil;o da pintura de Chagal, personagens em posi&ccedil;&otilde;es diversas e at&eacute; invertidas   espacialmente, mostrando uma &quot;outra vis&atilde;o das coisas&quot; e exprimindo,   em tempo de guerra mundial e de persegui&ccedil;&otilde;es, &quot;a esperan&ccedil;a numa humanidade   fraterna e num mundo de paz&quot; (p.89).</p>     <p> Em suma, a discuss&atilde;o cr&iacute;tica das solu&ccedil;&otilde;es para os problemas e das teorias   que ditam essas experi&ecirc;ncias, proposta por Popper, como vimos, parece-me algo   de comum &agrave; ci&ecirc;ncia e &agrave; arte, embora sejam diferentes os problemas que a ci&ecirc;ncia   e arte enfrentam, mais de ordem f&iacute;sica na ci&ecirc;ncia e mais de ordem existencial   na arte. Por outro lado, o debate entre artistas &eacute; concretizado mais pela sua   produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica e menos pelas suas palavras, que em todo caso exempliquei   com a oposi&ccedil;&atilde;o expressa de Chagal ao cubismo ou por Van Gogh ao impressionismo.   Mas poderemos dizer que todos os pintores e artistas exprimem verbalmente   ou pela sua produ&ccedil;&atilde;o uma vis&atilde;o do mundo diferente da de outros, j&aacute; que   a originalidade &eacute;, entre eles, uma aspira&ccedil;&atilde;o comum. Por outro lado o car&aacute;ter de   provisoriedade e de &quot;aproxima&ccedil;&atilde;o &agrave; verdade&quot; que a epistemologia de Popper   prop&otilde;e retira &agrave; ci&ecirc;ncia a &aacute;urea de rigidez ainda divulgada por muitos autores   e aproxima-a de outras formas de conhecimento, incluindo o conhecimento art&iacute;stico.</p>     <p> <b>M.C.Vasconcelos:</b></p>     <p> Encontrei esta frase de Campbell citado por Oddleifson (1996, p. ?) que traduz   bem o caso das ci&ecirc;ncias na linha de pensamento de Popper:</p>     <blockquote>For the really great and essential fact about scientific revelation &ndash; the most   wonderful and challenging fact - is that Science does not and cannot pretend   to be true in any absolute sense. It does not pretend to be final. It is the   tentative organization of 'mere working hypothesis' that for the present   appear to take into account all the relevant facts now known.</blockquote>     <p>&Eacute; tamb&eacute;m um ponto comum entre a ci&ecirc;ncia e a arte tentar ver para al&eacute;m   do que se nos apresenta pelos sentidos. Usando a imagina&ccedil;&atilde;o e a criatividade,   tanto artistas como cientistas buscam atrav&eacute;s dos respectivos meios, muito diversos,   perceber n&atilde;o s&oacute; o que &eacute;, mas tamb&eacute;m prosseguir para o que imaginaram.</p>     <p> Na cria&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica pl&aacute;stica &eacute; poss&iacute;vel usar, de acordo com Eisner (2002),   tr&ecirc;s formas de representa&ccedil;&atilde;o que podem actuar conjuntamente numa obra: a   mimesis que j&aacute; referiu e que pode ter um grau de similitude total ou aproximativa,   como no uso de sinais gr&aacute;ficos (sinaliza&ccedil;&atilde;o) que se tornam familiares   pela sua simplifica&ccedil;&atilde;o e acess&iacute;veis a todos, comunicando o que &eacute; fundamental;   a cria&ccedil;&atilde;o da forma expressiva em que se representa n&atilde;o o que se v&ecirc;, mas o   que se sente atrav&eacute;s dos elementos estruturais da linguagem pl&aacute;stica e a que   o p&uacute;blico reage diferentemente, dependendo do seu background, pois todas as   formas possuem propriedades fisiognom&oacute;nicas, qualidades que expressam ou   evocam sentimentos ou emo&ccedil;&otilde;es; e uma terceira forma de representa&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s   de signos convencionais que s&atilde;o socialmente aceites e se referem a ideias,   objetos etc.. e por isso existe a iconologia e a iconografia das artes para estudar   os s&iacute;mbolos que t&ecirc;m significados iconogr&aacute;ficos para al&eacute;m do que aparentam.</p>     <p> Como exemplos duma excepcional representa&ccedil;&atilde;o destes tr&ecirc;s modos conjuntamente,   Eisner (2005, pp. 80-81) convoca Jasper Johns, Chagall, Joseph Cornell,   Jack Levine, Rauschenberg e Warhol. Mas deixe-me prosseguir a sua resenha   pela hist&oacute;ria da arte que ficou por Chagall. Acompanhando Pujol (2009) a   industrializa&ccedil;&atilde;o despoletou o fim do artes&atilde;o e dividiu fazedores de pensadores;   a fotografia aliviou a pintura e escultura do fardo de documenta&ccedil;&atilde;o da realidade.   O modernismo permitiu d&eacute;cadas de arte com autocontempla&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica,   definindo universalismo puramente atrav&eacute;s da forma que acabou por se tornar   repetitiva e decorativa. A condena&ccedil;&atilde;o de Duchamp da &quot;arte retiniana&quot; da arte   perceptiva em geral, com a eleva&ccedil;&atilde;o das ideias ao estado de meio primordial   levaram &agrave; desmaterializa&ccedil;&atilde;o conceptual da arte (Storr, 2005, p. 61).</p>     <p> A arte conceptual, nascida nos anos sessenta, trouxe as ideias tang&iacute;veis ou   intang&iacute;veis para o trabalho art&iacute;stico que tomaram a preced&ecirc;ncia sobre o produto   final - &quot;an idea is a machine to make art&quot; e &quot;banal ideais cannot be rescued   by beautiful execution&quot;, de Sol LeWitt, foram conceitos marcantes. Apesar do   peso desta &uacute;ltima afirma&ccedil;&atilde;o, Sol LeWitt n&atilde;o acreditava que o trabalho pudesse   existir apenas como ideia pois a banalidade pode existir na incapacidade do   artista para agir dentro das qualidades do meio escolhido (Storr, 2005, p. 63).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A arte contempor&acirc;nea pede a justifica&ccedil;&atilde;o da arte para al&eacute;m do subjectivo,   interroga com prop&oacute;sito. Assiste-se &agrave; quebra dos limites tradicionais entre Belas   Artes e Arte Popular, a um alargamento do territ&oacute;rio das artes e assistimos   ao uso pelos artistas pl&aacute;sticos de estrat&eacute;gias dos media e vemos os publicit&aacute;rios   a usar as chamadas Belas Artes para vender os seus produtos. Tanto o que   se apresenta como obra de arte como o papel social dos artistas na sociedade   contempor&acirc;nea &eacute; de grande diversidade e ecletismo. A &quot;metanarrativa&quot; da modernidade   deu origem a uma pulveriza&ccedil;&atilde;o de &quot;micronarrativas&quot;. H&aacute; uma hibridiza&ccedil;&atilde;o   de meios e propostas, nas produ&ccedil;&otilde;es culturais (filmes, fotografia, v&iacute;deos,   imagens digitais, an&uacute;ncios, net-art etc.). A introdu&ccedil;&atilde;o da chamada cultura visual   no ensino art&iacute;stico como evocam os seus promotores principais Efland, Freedman   e Stuhr (2003), configura-se indispens&aacute;vel, embora d&ecirc; os primeiros passos,   acusada ainda de indefini&ccedil;&atilde;o did&aacute;tica.</p>     <p> <b>Aprendizagem em artes visuais e integr a&ccedil;&atilde;o curricular</b></p>     <p> <b>J.B.Duarte:</b></p>     <p> Voltando a Efland (2002), este autor sugere que o conhecimento cient&iacute;fico &eacute;   guiado por uma l&oacute;gica proposicional sistem&aacute;tica, expressa em s&iacute;mbolos verbais   e matem&aacute;ticos, que permite generaliza&ccedil;&otilde;es ou leis, enquanto o conhecimento   art&iacute;stico &eacute; guiado por uma l&oacute;gica metaf&oacute;rica e narrativa, de base n&atilde;o-proposicional,   que n&atilde;o permite generaliza&ccedil;&otilde;es (p.160). Essa proposta levanta uma pergunta:   n&atilde;o h&aacute; &quot;propostas&quot; ou &quot;proposi&ccedil;&otilde;es&quot; sobre o mundo e a vida num quadro   como Guernica ou nos quadros de Chagal? Ou, por outros termos, a imag&iacute;stica   das artes visuais, apesar de ser n&atilde;o verbal e n&atilde;o usar s&iacute;mbolos matem&aacute;ticos,   n&atilde;o &eacute; tamb&eacute;m &quot;proposicional&quot;? Por outro lado, essas obras n&atilde;o permitem uma   generaliza&ccedil;&atilde;o pelo observador a outras situa&ccedil;&otilde;es por ele vividas?</p>     <p> Esta reflex&atilde;o implica toda a problem&aacute;tica da distin&ccedil;&atilde;o entre &quot;generaliza&ccedil;&atilde;o   estat&iacute;stica&quot; da investiga&ccedil;&atilde;o baseada em amostragens e &quot;generaliza&ccedil;&atilde;o anal&iacute;tica&quot;  da investiga&ccedil;&atilde;o realizada a partir de situa&ccedil;&otilde;es singulares, como prop&otilde;e Yin   para os estudos de caso (2005). Ali&aacute;s, em discord&acirc;ncia de Efland, esta &uacute;ltima   generaliza&ccedil;&atilde;o &eacute; designada de &quot;natural&iacute;stica&quot; por Eisner para os estudos de caso   em artes visuais, pois &quot;the function of a case study is to learn about more than   that particular case, for a case is always a case of something (2002, p. 213). Ou   seja, um caso estudado em profundidade e mostrando claros registos do observado   pode trazer contribui&ccedil;&otilde;es generalistas a quem o vier a conhecer (Duarte,   2008). Tal como em arte o quadro <i>Guernica</i>.</p>     <p> A integra&ccedil;&atilde;o das artes no curr&iacute;culo escolar &eacute; assim uma quest&atilde;o subtil, a depender   do mais do efeito cognitivo profundo que o professor de arte for capaz   de desenvolver junto dos estudantes do que de orienta&ccedil;&otilde;es oficiais. E toda a   pedagogia atual mostra que a a&ccedil;&atilde;o do professor ter&aacute; de saber desencadear atividades a desenvolver pelos estudantes e n&atilde;o se limitar ao verbalismo. &Eacute;, em   suma, mais uma quest&atilde;o de curr&iacute;culo real que de curr&iacute;culo oficial, na distin&ccedil;&atilde;o   de Kelly (1981). Por outro lado, &eacute; pertinente a ideia de uma especificidade do   ensino das artes, como prop&otilde;e Efland, apoiando-se em Eisner e Gardner, ou seja  &quot;the idea that the arts provide unique oportunities for the development of mind   that are not available in other modalities&quot; (2002, p.157). O argumento &eacute; que  &quot;different domains of knowledge utilize different cognitive abilities for their   mastery and that such capacities are not likely to evolve if absent from the life   experience of individuals&quot;. Ou seja, tais considera&ccedil;&otilde;es s&atilde;o reflexo da proposta   de Gardner de que cada uma das &quot;intelig&ecirc;ncias m&uacute;ltiplas&quot; requer uma did&aacute;tica   adequada para se desenvolver.</p>     <p> A integra&ccedil;&atilde;o das artes no curr&iacute;culo ao lado de outras disciplinas, reivindica&ccedil;&atilde;o   expressa pela generalidade dos projetos de investiga&ccedil;&atilde;o realizados por   professores de artes, &eacute; assim uma quest&atilde;o a dirimir sobretudo no terreno da   pr&aacute;tica docente e na investiga&ccedil;&atilde;o que sobre ela se fizer. Essa pr&aacute;tica saber&aacute;   partir de situa&ccedil;&otilde;es problem&aacute;ticas trazidas para a aula pelos estudantes ou pelo   docente, provocar&aacute; debate de fundo te&oacute;rico-metodol&oacute;gico acerca do processo   de resposta &agrave; situa&ccedil;&atilde;o problem&aacute;tica. Mas essa situa&ccedil;&atilde;o problem&aacute;tica e todo o   processo consequente, ser&aacute; tanto mais integradora no curr&iacute;culo quanto mais potencial   tiver para envolver docentes de outras &aacute;reas. Por isso discordo de Efland   quando prop&otilde;e para o curr&iacute;culo a centralidade do ensino das artes (&quot;the arts   should be centrally located within the curriculum as an overlapping domain&quot;),   mas concordo em que &quot;the work of art becomes meaningful when it is seen in   the context of the culture, and the culture becomes understandable as read   through the arts&quot; (2002, p.164).</p>     <p> No esquema visual apresentado no texto, Efland coloca as artes no centro,   com as &quot;ci&ecirc;ncias f&iacute;sicas&quot; do lado esquerdo e as &quot;humanidades&quot; &agrave; direita, a &quot;hist&oacute;ria&quot;  por cima e as &quot;ci&ecirc;ncias sociais&quot; por baixo e do centro em que as artes se   situam partem liga&ccedil;&otilde;es undirecionais para as quatro outras mat&eacute;rias de estudo.   Liga&ccedil;&otilde;es unidirecionais a partir das artes &eacute; algo j&aacute; em si discut&iacute;vel. Pelo menos   que fossem bidirecionais, a sugerirem influ&ecirc;ncia m&uacute;tua entre as &aacute;reas de trabalho   escolar.</p>     <p> A disputa da &eacute;gide duma ci&ecirc;ncia sobre as outras foi frequente na hist&oacute;ria da   ci&ecirc;ncia a partir do s&eacute;c. XVIII em que Kant, com base nos <i>Princ&iacute;pios Matem&aacute;ticos     da Filosofia da Natureza</i> de Newton prop&ocirc;s que a matem&aacute;tica seria a ci&ecirc;nciabase   de todas as disciplinas (Geymonat, 1990). Este autor recorda ainda tentativas   de sobreposi&ccedil;&atilde;o por parte de algumas ci&ecirc;ncias sobre outras, a biologia   por sobre a psicologia, a f&iacute;sica por sobre a qu&iacute;mica e outros casos. Entre n&oacute;s um   conhecido soci&oacute;logo tem proposto em sucessivas obras que as ci&ecirc;ncias f&iacute;siconaturais   funcionem sob a &eacute;gide das ci&ecirc;ncias sociais. E nas nossas escolas cada   professor tende a defender a sua disciplina tal como em tempos passados um   cavaleiro defendia a &quot;sua dama&quot; (compara&ccedil;&atilde;o ouvida por mim a um professor   de matem&aacute;tica).</p>     <p> Ora cada professor deve defender sobretudo a integridade mental dos jovens   a seu cargo e, de algum modo, saber deixar envolver o seu jardim pelas   plantas do jardim vizinho, ao contr&aacute;rio do desejo da personagem C&acirc;ndido de   Voltaire, que apenas pretendia cultivar o seu jardim. Num plano epistemol&oacute;gico,   a din&acirc;mica do conhecimento n&atilde;o vive de &eacute;gides de ci&ecirc;ncia alguma, mas da   din&acirc;mica do tal debate intemporal entre as diferentes formas de conhecimento,   que mencionei acima. Concordo com Efland em que as artes constituem mapas   ou imagens que nos orientam dentro da sociedade e aqui evoco o que disse sobre <i>Guernica</i>. Mas os graves problemas da ecologia ou da necess&aacute;ria descoberta de   novas fontes de energia (situa&ccedil;&otilde;es problem&aacute;ticas a aprofundar em disciplinas   f&iacute;sico-naturais) n&atilde;o ser&atilde;o tamb&eacute;m quest&otilde;es centrais em todo o curr&iacute;culo das   nossas escolas? Quest&otilde;es que obviamente envolvem v&aacute;rias disciplinas e podem   integrar toda a imag&iacute;stica das artes.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Ali&aacute;s, quanto &agrave; integra&ccedil;&atilde;o curricular, Efland (descontando o leitor a quest&atilde;o   da centralidade acima evocada) prop&otilde;e a liga&ccedil;&atilde;o de todas as disciplinas &agrave;   experi&ecirc;ncia do estudante: &quot;We have multiple forms of cognition (propositional   and nonpropositional) but in my view these do not stand in opposition to each   other. Rather both emerge from the same common source, the basic level of experience&quot;  (2002, p.171). Efland evoca depois o f&iacute;sico David Bohm acerca de uma  &quot;ordem impl&iacute;cita&quot; (implicated order) subjacente &agrave; humanidade e que poder&aacute;   constituir uma &quot;fonte&quot; para supera&ccedil;&atilde;o do dualismo mente e corpo, pensamento   e sentimento, indiv&iacute;duos e sociedade: &quot;The construction of lifeworlds requires   access to such sources as represented and extended symbolically in thinking,   feeling and willed action. Such building is, in final analysis, &quot;an achievement of   the imagination&quot; (p.171).</p>     <p> Lembrei acima a proposta de Popper de que a criatividade &eacute; comum a todos   os homens e fundamental na ci&ecirc;ncia como na arte. A criatividade ou imagina&ccedil;&atilde;o   &eacute; tamb&eacute;m fundamental aos docentes e aos estudantes para uma integra&ccedil;&atilde;o de   todas as disciplinas numa unidade din&acirc;mica do curr&iacute;culo escolar.</p>     <p> <b>M.C.Vasconcelos:</b></p>     <p> Efland defende que se o objectivo final da educa&ccedil;&atilde;o &eacute; a activa&ccedil;&atilde;o do potencial   cognitivo do aluno, ter&aacute; de haver modos de integrar o conhecimento que   evitem as perspectivas compartimentalizadas existentes. S&atilde;o essas abordagens   integradas que favorecem a tranfer&ecirc;ncia de conhecimento. A ideia das artes no   centro do curr&iacute;culo, n&atilde;o &eacute; nova, como Efland reconhece e os argumentos usados   prendem-se com 4 dimens&otilde;es potenciadas pelas artes: flexibilidade cognitiva   (tal como na vida, na arte os julgamentos n&atilde;o s&atilde;o guiados por regras ou generaliza&ccedil;&otilde;es);   a integra&ccedil;&atilde;o do conhecimento (a interpreta&ccedil;&atilde;o de trabalhos de arte   baseia-se em conhecimentos de dom&iacute;nios colaterais, que permitem o conhecimento   do contexto); a imagina&ccedil;&atilde;o (actividade estruturante usando a met&aacute;fora e   a narrativa para estabelecer novos significados e obter representa&ccedil;&otilde;es coerentes,   e unificadas) e a est&eacute;tica (os encontros est&eacute;ticos vividos atrav&eacute;s da percep&ccedil;&atilde;o   t&ecirc;m grande valor educativo).</p>     <p> Falando dos paradigmas do ensino art&iacute;stico, Eisner (2002) refere tamb&eacute;m o   modelo de artes integradas com outras artes ou com disciplinas n&atilde;o art&iacute;sticas,   organizado por 4 estruturas curriculares. 1) ajudar os alunos a compreender   p.ex. um per&iacute;odo hist&oacute;rico ou uma cultura; 2) a compreens&atilde;o das diferen&ccedil;as   entre as artes pois embora todas as artes se ocupem com a cria&ccedil;&atilde;o da forma expressiva   usam meios diferentes; 3) a partir dum grande tema ou ideia explor&aacute;-lo   com trabalho de diferentes &aacute;reas, dando como exemplo o conceito de metamorfose;   4) a pr&aacute;tica da resolu&ccedil;&atilde;o de problemas desenhando o curr&iacute;culo &agrave; volta de   um tema em que se integram v&aacute;rias disciplinas.</p>     <p> No seu novo livro <i>Reimagining Schools</i>, Eisner (2005) inverte de um modo   muito interessante a quest&atilde;o t&atilde;o discutida - para que serve o ensino art&iacute;stico   ou o que se aprende em artes - para uma outra: o que &eacute; que a educa&ccedil;&atilde;o tem a   aprender com as artes. A tentativa de disciplinar as artes exigindo mais rigor   tanto na avalia&ccedil;&atilde;o como na pesquisa educativa &eacute; err&oacute;nea na sua perspectiva,   pois as artes n&atilde;o devem parecer-se com outros campos acad&eacute;micos, mas seria   relevante que outros campos olhassem para as artes quando elas s&atilde;o bem ensinadas,   pois &quot;artistry&quot; deveria ser em todos os campos o ideal regulativo, presidindo   ao modo como pensamos os meios e os fins da educa&ccedil;&atilde;o.</p>     <p> No centro do curr&iacute;culo ou n&atilde;o, o que &eacute; importante &eacute; que as artes desempenhem   nele o seu papel fundamental - desenvolver o pensamento qualitativo e   a intelig&ecirc;ncia art&iacute;stica. Com a revolu&ccedil;&atilde;o cognitiva das artes, a teoria das intelig&ecirc;ncias   m&uacute;ltiplas e investiga&ccedil;&otilde;es ligadas ao campo das artes (Gardner, Perkins,   Hetland e o Project Zero da Universidade de Harvard) colocam-se novos problemas   &agrave;s escolas, n&atilde;o no sentido de uniformizar, mas apontando para a heterogeneidade   de resultados a tal &quot;idiossincrasia produtiva&quot; que Eisner refere. Provocat&oacute;ria   e desafiadora dum certo status quo enra&iacute;zado, que negligencia o ensino   das artes e que as v&ecirc; como actividades n&atilde;o cognitivas, a teoria das intelig&ecirc;ncias   m&uacute;ltiplas refor&ccedil;a o papel das artes no curr&iacute;culo, se a escola quiser ser o lugar   de socializa&ccedil;&atilde;o e de integra&ccedil;&atilde;o. Se a mente humana tem diferentes capacidades   cognitivas e cada pessoa tem um perfil diferente, a educa&ccedil;&atilde;o deve fornecer   oportunidades de explorar e desenvolver todas essas capacidades. Como diz   Eisner, citado em Fowler (2001, p 42): &quot;School curricula would become equitable   when they provide different strokes for different folks. Equity requires   diversity. Sameness is not the same as equity&quot;.</p>     <p> <b>Conte&uacute;dos e compet&ecirc;ncias</b></p>     <p> <b>J.B.Duarte:</b></p>     <p> A criatividade e a solu&ccedil;&atilde;o de problemas s&atilde;o termos fundamentais na epistemologia   de Popper, como vimos. Face aos problemas criamos teorias e tentativas   de solu&ccedil;&atilde;o delas decorrentes para os resolver. &Eacute; aqui que encontramos   a problem&aacute;tica da aprendizagem. A pedagogia tendeu no passado a ocupar-se   de conceitos a aprender, com o professor ou com os manuais (nomes de pa&iacute;ses,   acontecimentos hist&oacute;ricos), e tamb&eacute;m de capacidades (saber ler, escrever,   calcular) que podem situar-se a v&aacute;rios n&iacute;veis de profundidade. Mas o reconhecimento   do pendor verbalista e mecanista da escola tradicional fez sentir   a necessidade de uma escola mais preocupada com a experi&ecirc;ncia sobre situa&ccedil;&otilde;es   problem&aacute;ticas, com o saber-fazer, com as compet&ecirc;ncias, e at&eacute; nos media   tornaram-se recentemente mais exigentes as vozes daqueles que exigem que a   escola desenvolva compet&ecirc;ncias para o trabalho a realizar na sociedade. Tratase   de uma problem&aacute;tica complexa que leva a ambiguidades e em que aparecem   opini&otilde;es diversas.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Desde 2001 em Portugal o curr&iacute;culo do Ensino B&aacute;sico prop&otilde;e o desenvolvimento   de &quot;compet&ecirc;ncias essenciais&quot;, gerais e espec&iacute;ficas, em que os conte&uacute;dos   sejam abordados &quot;com base em situa&ccedil;&otilde;es e problemas&quot; (p.17). Para o ensino   secund&aacute;rio, o documento orientador da revis&atilde;o curricular recomenda um equil&iacute;brio   entre a &quot;aquisi&ccedil;&atilde;o de conhecimento&quot; e &quot;o desenvolvimento de compet&ecirc;ncias   vocacionais e a capacidade de pensar cientificamente os problemas&quot; (2003,   p.5). Mas h&aacute; controv&eacute;rsia na literatura pedag&oacute;gica francesa e portuguesa sobre   o conceito de compet&ecirc;ncia. Crahay (2006) e Schneider-Gilot (2006) dizem que &eacute;   uma no&ccedil;&atilde;o demasiado simples, por n&atilde;o permitir aos professores a possibilidade   de distinguir no&ccedil;&otilde;es relativas a conhecimento, pr&aacute;tica, atitudes, capacidades e   esquemas operativos.</p>     <p> Esta controv&eacute;rsia pode ser ultrapassada pela articula&ccedil;&atilde;o de compet&ecirc;ncias   com as outras dimens&otilde;es da aprendizagem, como conte&uacute;dos e capacidades, a   partir de situa&ccedil;&otilde;es problem&aacute;ticas ou pelo menos motivadoras da curiosidade.   Digamos com Giordan (1998) que, para que resulte a transi&ccedil;&atilde;o para uma &quot;sociedade   aprendente&quot;, ser&aacute; prioridade a introdu&ccedil;&atilde;o dos alunos numa abertura   pessoal aos saberes, num dispositivo de condi&ccedil;&otilde;es materiais e humanas para   uma autoaprendizagem a prosseguir ao longo da vida.</p>     <p> A metodologia da aprendizagem por situa&ccedil;&otilde;es problem&aacute;ticas visa precisamente   o desenvolvimento da inven&ccedil;&atilde;o e distingue-se da solu&ccedil;&atilde;o tradicional de   problemas, ou seja, &quot;problemas ou exerc&iacute;cios de aplica&ccedil;&atilde;o que t&ecirc;m por objectivo accionar uma no&ccedil;&atilde;o adquirida&quot; (Fabre, 1999, p.86). O pensamento deste   autor franc&ecirc;s coincide com o do norte-americano Arends que faz depender a explora&ccedil;&atilde;o   das situa&ccedil;&otilde;es problem&aacute;ticas, de &quot;novas&quot; tarefas do professor: &quot;ajudar   os alunos a aprender a formular quest&otilde;es e a procurar respostas e solu&ccedil;&otilde;es para   a sua curiosidade&quot; (p.396). Por isso Fabre situa o uso da situa&ccedil;&atilde;o problem&aacute;tica   entre a gest&atilde;o pedag&oacute;gica e a gest&atilde;o did&aacute;tica (p.138).</p>     <p> <b>M.C.Vasconcelos:</b></p>     <p> Face &agrave;s caracteristicas da sociedade contempor&acirc;nea a aprendizagem &eacute; cada   vez mais estrat&eacute;gica em qualquer &aacute;rea de conhecimento, pondo-se cada vez   mais &ecirc;nfase nas estrat&eacute;gias para aprender a aprender e menos nos conte&uacute;dos.</p>     <p> O modelo portugu&ecirc;s, construtivista como a maioria dos modelos europeus,   coloca a literacia em artes como o grande objectivo program&aacute;tico nas suas 4   compet&ecirc;ncias essenciais: apropria&ccedil;&atilde;o das linguagens elementares das artes,   desenvolvimento da capacidade de express&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o, desenvolvimento   da criatividade e compreens&atilde;o das artes no contexto, subdivididas por sua vez   em in&uacute;meras compet&ecirc;ncias espec&iacute;ficas. Possui este documento curricular mais   recente, &quot;Compet&ecirc;ncias Essenciais&quot; (ME 2001), uma inspira&ccedil;&atilde;o do DBAE de Eisner   e do Getty Center sem, no entanto, promover a divis&atilde;o pelas disciplinas de   est&eacute;tica, hist&oacute;ria, cr&iacute;tica da arte e produ&ccedil;&atilde;o de arte como o modelo inspirador   refere. Resgata o interesse educativo da arte como experi&ecirc;ncia necess&aacute;ria para   o desenvolvimento individual e social, referindo &quot;a din&acirc;mica propiciadora da   capacidade de descoberta, da dimens&atilde;o cr&iacute;tica e participativa e da procura da   linguagem apropriada &agrave; interpreta&ccedil;&atilde;o est&eacute;tica e art&iacute;stica do mundo&quot;.</p>     <p> Do ponto de vista metodol&oacute;gico prop&otilde;e-se a organiza&ccedil;&atilde;o de projecto educativo   em unidades de trabalho que valorizam processos e produtos em que se   inserem, de forma sistem&aacute;tica, as compet&ecirc;ncias e os conte&uacute;dos nelas implicados.   Refere-se tamb&eacute;m que os temas a tratar devem ser relevantes, actuais e   orientados para uma vis&atilde;o de escola aberta ao patrim&oacute;nio art&iacute;stico e natural e   fala-se de coopera&ccedil;&atilde;o, e participa&ccedil;&atilde;o em trabalhos colectivos. Este modelo curricular   incorpora de certo modo a vis&atilde;o de Efland do curr&iacute;culo com a met&aacute;fora   da cidade ou da rede, ou rizom&aacute;tico, para dom&iacute;nios mal estruturados como o das   artes, ao contr&aacute;rio do curr&iacute;culo em espiral de Bruner para dom&iacute;nios bem estruturados.   Significa a possibilidade de diferentes percursos a partir de diferentes   pontos de partida ou de chegada que ao cruzarem-se fortalecem aprendizagens.</p>     <p> Por conseguinte, este programa est&aacute; aberto a operacionaliza&ccedil;&otilde;es muito   diversificadas, quer nas tem&aacute;ticas a definir pelos grupos disciplinares e seus   professores quer na articula&ccedil;&atilde;o de compet&ecirc;ncias e conte&uacute;dos ao longo das experi&ecirc;ncias   de aprendizagem, quer ainda nas actividades propostas para a sua   consecu&ccedil;&atilde;o. Ir ao encontro dos interesses dos alunos, promover a conex&atilde;o entre   o contexto social real e a escola atrav&eacute;s da escolha de temas de relev&acirc;ncia sociocultural, facilitar a integra&ccedil;&atilde;o de conhecimentos atrav&eacute;s da interdisciplinaridade,   alargar o territ&oacute;rio da arte &agrave;s produ&ccedil;&otilde;es culturais de hoje, fomentando o   entendimento da cultura visual que nos rodeia e a compreens&atilde;o do conceito de   pluralidade est&eacute;tica numa sociedade multicultural, parecem caminhos promissores   na educa&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica da contemporaneidade.</p>     <p> <b>A pedagogia cr&iacute;tica nas artes visuais</b></p>     <p> <b>J.B.Duarte:</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Dilm&eacute; e outros (1999) afirmam que os professores de artes visuais devem   desenvolver &quot;uma &quot;serie de fun&ccedil;&otilde;es&quot; (p.81): o dom&iacute;nio do gesto, a representa&ccedil;&atilde;o   simb&oacute;lica, as t&eacute;cnicas, as recria&ccedil;&otilde;es, a observa&ccedil;&atilde;o e a mem&oacute;ria visual. Poder&iacute;amos   substituir fun&ccedil;&otilde;es por &laquo; compet&ecirc;ncias &raquo; ou capacidades para mobilizar   recursos, j&aacute; que compet&ecirc;ncia, nos termos mais completos de Boterf (cit. por   Gerard &amp; Roegiers, 2003, p.60) &eacute;:</p>     <blockquote> un savoir agir, c'est-&agrave;-dire, un savoir int&eacute;grer, mobiliser et transf&eacute;rer un   ensemble de ressources (connaissances, savoirs, aptitudes, raisonnements,   etc.) dans un contexte donn&eacute; pour faire face aux diff&eacute;rents probl&egrave;mes rencontr&eacute;s   ou pour r&eacute;aliser une t&acirc;che.</blockquote>     <p> Compet&ecirc;ncia &eacute; assim a capacidade de mobiliza&ccedil;&atilde;o de recursos (conhecimentos,   aptid&otilde;es) para novas situa&ccedil;&otilde;es. Quanto &agrave;quelas seis &quot;fun&ccedil;&otilde;es&quot;, poder&iacute;amos   orden&aacute;-las em dois grupos de compet&ecirc;ncias, duas compet&ecirc;ncias de base, comuns   a todo o curr&iacute;culo:</p>     <p> - a observa&ccedil;&atilde;o,</p>     <p> - a mem&oacute;ria visual.</p>     <p> E um segundo grupo de compet&ecirc;ncias, parcialmente comuns a outras disciplinas,   mas desenvolvidas de modo espec&iacute;fico no ensino das artes:</p>     <p> - o dom&iacute;nio do gesto (a motricidade fina, a motricidade ampla)</p>     <p> - as t&eacute;cnicas (bidimensionais, como o desenho a pintura; tridimensionais,   como a escultura, a modelagem, estruturas de diferentes materiais; as novas tecnologias)</p>     <p> - as recria&ccedil;&otilde;es (reformula&ccedil;&otilde;es a n&iacute;vel formal ou tem&aacute;tico a partir de um modelo)</p>     <p> - a experimenta&ccedil;&atilde;o que os autores mencionam numa primeira lista, a partir da   qual &quot;&eacute; poss&iacute;vel transgredir os limites, inventar novas formas&quot; (p.81)</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> - a representa&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica (descritiva, narrativa e expressiva, comum tamb&eacute;m   a disciplinas de letras e outras),</p>     <p> - a reflex&atilde;o sobre os processos (compet&ecirc;ncia fundamental que n&atilde;o consta daquela   lista).</p>     <p> Essa necess&aacute;ria compet&ecirc;ncia de reflex&atilde;o cr&iacute;tica aparece sob outros termos   em diferentes autores como naqueles que se situam numa &quot;did&aacute;tica da suspeita&quot;  (L&oacute;pez-Bosch, M., 2005). Dois princ&iacute;pios s&atilde;o importantes segundo essa &quot;did&aacute;ctica   de la sospecha&quot; em termos castelhanos:</p>     <p> - saber analizar el grueso entramado de im&aacute;genes que nos rodean, especialmente   las que nos llegan bajo la etiqueta de informaci&oacute;n (&hellip;);</p>     <p> - saber construir productos visuales que alertan a los dem&aacute;s sobre esta manipulaci&oacute;n   (&hellip;).</p>     <p> Acho interessante a proposta mas desnecess&aacute;ria tal designa&ccedil;&atilde;o, face &agrave;s propostas   da pedagogia cr&iacute;tica, no rasto de Freire, Lacan e outros, de uma procura de   desenvolvimento da consci&ecirc;ncia cr&iacute;tica face aos discursos predominantes. Como   escrevem Morrow e Torres (1997, p. 382):</p>     <blockquote> os pedagogos cr&iacute;ticos mostram que a cultura assente em &quot;discursos m&uacute;ltiplos&quot;  (habitados por diferentes vozes) em sociedades multiculturais,   multirraciais ou multilingu&iacute;sticas, nunca &eacute; despolitizada (&hellip;) essa cultura &eacute;   campo de luta, a linguagem, a cultura e educa&ccedil;&atilde;o deveriam incluir sempre   a pluralidade dos valores, as vozes e as inten&ccedil;&otilde;es dos sujeitos.</blockquote>     <p> Em suma, a <i>reflex&atilde;o cr&iacute;tica</i> &eacute; uma compet&ecirc;ncia inalien&aacute;vel da escola, em conex&atilde;o   com todo o processo da aprendizagem. Nas palavras de Gardner (1990,   2008, p.49):</p>     <blockquote> students learn effectively when they are engaged by reach and meaningful   projects; when their artistic learning is anchored in artistic production; when   there is an easy commerce among the various forms of knowing, including   intuitive, craft, symbolic, and notational forms; and when students have   ample opportunity to reflect on their progress.</blockquote>     <p> A perspetiva do autor engloba por outros termos as v&aacute;rias dimens&otilde;es acima   mencionadas, acrescida da dimens&atilde;o de projeto, em que as v&aacute;rias compet&ecirc;ncias   s&atilde;o postas &agrave; prova e tamb&eacute;m a de saber trabalhar em coopera&ccedil;&atilde;o com outras   pessoas. Viver e trabalhar em coopera&ccedil;&atilde;o &eacute; uma aprendizagem essencial ao desenvolvimento   pessoal de cada indiv&iacute;duo e ao desenvolvimento de uma sociedade   mais harmoniosa. Mas a capacidade cr&iacute;tica de cada homem e mulher face   &agrave; sua pr&oacute;pria viv&ecirc;ncia e &agrave; m&uacute;ltipla informa&ccedil;&atilde;o envolvente &eacute; a condi&ccedil;&atilde;o <i>sine qua     non</i> ao progresso material e social da humanidade. Nesse processo, as artes   visuais, em conex&atilde;o com outras formas de conhecimento, t&ecirc;m uma fun&ccedil;&atilde;o inalien&aacute;vel,   na procura de <i>futuros alternativos</i> (como prop&otilde;e Efland em ep&iacute;grafe).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> <b>M.C.Vasconcelos:</b></p>     <p> O fato das artes serem dom&iacute;nios complexos e pouco estruturados no sentido<br />   de Spiro e de Efland, referidos anteriormente, n&atilde;o implica abordar o seu ensino<br />   de modo amb&iacute;guo, impreciso ou demag&oacute;gico. Em termos gen&eacute;ricos:</p>     <blockquote> Planificar y gestionar la Educaci&oacute;n Art&iacute;stica supone estructurarla en un   sentido relativamente objetivo, de modo que permita informar claramente   de sus prop&oacute;sitos instructivos, pr&aacute;cticos y l&uacute;dicos; significa establecer, del   modo m&aacute;s preciso posible, las conexiones y diferencias con las otras disciplinas   en el contexto de la educaci&oacute;n general y adecuarse a sus prop&oacute;sitos   desde una perspectiva cultural amplia.(&hellip;) Supone establecer su conciencia   epistemol&oacute;gica, su conocimiento base en el contexto del conocimiento   general (Gisbert 2005, p. 25).</blockquote>     <p> Mais uma vez socorro-me de Eisner (2002) que, depois de apresentar diversos   modelos ou vis&otilde;es de ensino art&iacute;stico refere que qualquer que seja o modelo   ou paradigma usado, o ensino das artes deve focar o que &eacute; verdadeiramente   distinto, caracter&iacute;stico e &uacute;nico nas artes. S&atilde;o cinco princ&iacute;pios que tento resumir   aqui. 1) tornar vis&iacute;veis aspectos do mundo como as suas qualidades expressivas,   do modo &uacute;nico que as artes prop&otilde;em; 2) acentuar o desenvolvimento da intelig&ecirc;ncia   art&iacute;stica, pois a reflex&atilde;o inteligente &eacute; uma condi&ccedil;&atilde;o fundamental para   fazer arte; 3) ajudar os alunos a criar imagens visuais satisfat&oacute;rias, ensinando   a ver e responder &agrave;s artes e outras formas visuais, aprendendo a experienciar   os factores est&eacute;ticos nas imagens e compreender a sua rela&ccedil;&atilde;o com a cultura   de que s&atilde;o parte; 4) reconhecer o que &eacute; pessoal e distinto e mesmo &uacute;nico neles   pr&oacute;prios e no seu trabalho &ndash; a cria&ccedil;&atilde;o duma vis&atilde;o pessoal; 5) desenvolver esfor&ccedil;os   especiais no sentido dos alunos adquirirem formas de experi&ecirc;ncia est&eacute;tica   no seu quotidiano - um quadro de refer&ecirc;ncia est&eacute;tico.</p>     <p> Considerando que a educa&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica deve ser continuamente repensada   e reinventada, h&aacute; aspectos como compreens&atilde;o, comunica&ccedil;&atilde;o, resolu&ccedil;&atilde;o de problemas   e pensamento cr&iacute;tico que s&atilde;o compet&ecirc;ncias comuns &agrave;s artes e outras   disciplinas e com elas se devem articular. Defendo cada vez mais o ensino art&iacute;stico   no contexto de tem&aacute;ticas sociais com projetos educativos de arte e produ&ccedil;&otilde;es   culturais, em que se definem situa&ccedil;&otilde;es, quest&otilde;es e problemas, focando a   produ&ccedil;&atilde;o e aprecia&ccedil;&atilde;o de arte e que promovem a integra&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria e identit&aacute;ria   a par da subjectividade individual. Por exemplo, &quot;Issues Based Approach&quot;  de Gaudelius e Speirs (2005) permite agir dentro do mundo que nos cerca e, ao   mesmo tempo, olhar para dentro de n&oacute;s pr&oacute;prios, quando os temas intersectam   as nossas vidas. Para al&eacute;m disso, como recordam Gaudelius e Speirs (2005), muitos   artistas contempor&acirc;neos lidam com temas sociais como conte&uacute;do priorit&aacute;rio   das suas obras e criam arte no sentido de promover mudan&ccedil;as sociais.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <b>Refer&ecirc;ncias Bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <!-- ref --><p> Apple, M. W. (1997). <i>Os Professores e o Curr&iacute;culo: Abordagens Sociol&oacute;gicas</i>, Lisboa: Educa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000110&pid=S1645-7250201100020001200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p> Arends, R. (1995). <i>Aprender a Ensinar</i>. Lisboa: Mc Graw Hill.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000112&pid=S1645-7250201100020001200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p> Crahay, M. (2006). Dangers, incertitudes et incompl&eacute;tude de la logique de la comp&eacute;tence en   &eacute;ducation. <i>Revue Fran&ccedil;aise de P&eacute;dagogie</i>, 154, 7-110.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000114&pid=S1645-7250201100020001200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p> Dilm&eacute;, D, Forrellad, M., Gratac&oacute;s, R. e Oliver, M. (1999). Educa&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica: artes pl&aacute;sticas. In Zabala   A. (Org.). <i>Como trabalhar os conte&uacute;dos procedimentais em aula</i> (pp.79-106). Porto Alegre:   Artmed.</p>     <p> Dickinson, D. (2005)<i> Learning Through the Arts</i> [Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.newhorizons.org/strategies/arts/dickinson_lrnarts.htm" target="_blank">http://www.newhorizons.org/strategies/arts/dickinson_lrnarts.htm</a>, consultado em 7 de janeiro de 2011].</p>     <!-- ref --><p> Duarte, J. B. (2008). Estudo de casos em educa&ccedil;&atilde;o. Investiga&ccedil;&atilde;o em profundidade com   recursos reduzidos e outro modo de generaliza&ccedil;&atilde;o.<i> Revista Lus&oacute;fona de Educa&ccedil;&atilde;o</i>, 11, 113-132&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000118&pid=S1645-7250201100020001200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p> Efland, A. (2002). <i>Art and Cognition. Integrating the Visual Arts in the Curriculum</i>. New York:   Columbia University&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000119&pid=S1645-7250201100020001200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p> Eisner, E.W. (2002). <i>The Arts and the Creation of Mind</i>. New Haven &amp; London: Yale University   Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000120&pid=S1645-7250201100020001200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p> Eisner, E. W. (2005). <i>Reimagining Schools</i>. London &amp; New York: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000122&pid=S1645-7250201100020001200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p> Fabre, M. (1999). <i>Situations-probl&egrave;mes et Savoir Scolaire</i>. Paris : PUF.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000124&pid=S1645-7250201100020001200008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p> Fowler, C. (2001).<i> Strong Arts Strong Schools</i>. New York: Oxford University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000126&pid=S1645-7250201100020001200009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p> Gaudelius, I. &amp; Speirs P. (2002) <i>Contemporary Issues in Art Education</i>. New Jersey: Prentice Hall.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000128&pid=S1645-7250201100020001200010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p> Gardner, H. (1983). <i>Frames of Mind: The Theory of Multiple Inteligences</i>. New York: Basic Books.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000130&pid=S1645-7250201100020001200011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p> Gardner, H. (1990, 2008). <i>Art Education and Human Development</i>. Los Angeles: Getty Publications&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000132&pid=S1645-7250201100020001200012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p> Gerard, F. M. et Roegiers, X. (2003). <i>Des manuels pour apprendre &ndash; Concevoir, &eacute;valuer, utiliser</i>.   Bruxelles: De Boeck.</p>     <!-- ref --><p> Geymonat, L. (1990). <i>Elementos de Filosofia da Ci&ecirc;ncia</i>. Lisboa: Gradiva.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000134&pid=S1645-7250201100020001200014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p> Giordan, A. (1998). <i>Apprendre ! </i>Paris: Belin&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000136&pid=S1645-7250201100020001200015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p> Gisbert, J. C. (2005). Estructura del Conocimiento Art&iacute;stico. In Viadel, R. M. (ed) <i>Investigaci&oacute;n   en Educaci&oacute;n Art&iacute;stica: Temas, M&eacute;todos y T&eacute;cnicas de Indagaci&oacute;n Sobre el Aprendizaje y la Ense&ntilde;anza   de las Artes y Culturas Visuales</i> (pp. 19-42). Granada: Universidad de Granada y Universidad   de Sevilla</p>     <p> Hernandez, F. (2005) La Investigati&oacute;n sobre la Cultura Visual: Una Proposta para Repensar la   Educaci&oacute;n de las Artes Visuales. In Viadel, R. M. 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