<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>1645-7250</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Revista Lusófona de Educação]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Rev. Lusófona de Educação]]></abbrev-journal-title>
<issn>1645-7250</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Centro de Estudos e Intervenção em Educação e Formação (CeiEF)Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S1645-72502011000300005</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Autonomia e co-responsabilidade ou o lugar da Educação de Adultos na luta pela inclusão social]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Autonomy and co-responsibility or the place of Adult Education in the fight for social inclusion]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Monteiro]]></surname>
<given-names><![CDATA[Alcides A.]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Universidade da Beira Interior Departamento de Sociologia ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Covilhã ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>00</month>
<year>2011</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>00</month>
<year>2011</year>
</pub-date>
<numero>19</numero>
<fpage>67</fpage>
<lpage>83</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1645-72502011000300005&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S1645-72502011000300005&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S1645-72502011000300005&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Como pode a Educação de Adultos contribuir para a inclusão social de grupos mais desfavorecidos? Usando o exemplo de cursos de Educação e Formação de Adultos (EFA) dirigidos a mulheres desempregadas e residentes em meio rural, o presente texto visa analisar o modo como a Educação se pode transformar num passo importante para que estes adultos vejam reforçada a sua condição de cidadania e a capacidade para participarem na determinação do seu destino. No contexto de uma sociedade do risco, a formação para a autonomia, a (auto)reflexividade e a co-responsabilidade é a resposta encontrada para atingir o objectivo da inclusão social.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[How can Adult Education contribute to the social inclusion of less favored groups? Taking in account the example of Adult Education and Training Courses directed to unemployed women living in rural areas, the present text aims at analyzing the way Education can transform itself in an important path towards the reinforcement of the citizen condition of these adults and also of their ability to actively participate in the modeling of their own destiny. Within the context of a risk society, the training with regard to the exercise of autonomy, (self)reflectivity and co-responsibility is the answer found to reach such a goal.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Sociedade do risco]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[educação de adultos]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[inclusão social]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[autonomia]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[co-responsabilidade]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[(auto)reflexividade]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[risk society]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[adult education]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[social inclusion]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[autonomy]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[co-responsibility]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[(self) reflectivity]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[  <B>Autonomia e co-responsabilidade ou o lugar da Educa&ccedil;&atilde;o de Adultos na luta pela inclus&atilde;o social</B></P >     <P>&nbsp;</P>     <P   ><B>Alcides A. Monteiro*</B></P >     <P   ><b>*</b>Doutor em Sociologia. Professor auxiliar no Departamento de Sociologia da Universidade da Beira Interior, Covilh&atilde;Director do   Mestrado em Empreendedorismo e Servi&ccedil;o Social.<a href="mailto:alcidesmonteiro@yahoo.com">alcidesmonteiro@yahoo.com</a></P >     <P>&nbsp;</P>     <P   ><B>Resumo</B></P >    <P   >Como pode a Educa&ccedil;&atilde;o de Adultos contribuir para a inclus&atilde;o social de grupos mais desfavorecidos? Usando o exemplo de cursos de Educa&ccedil;&atilde;o e Forma&ccedil;&atilde;o de Adultos (EFA) dirigidos a mulheres desempregadas e residentes em meio rural, o presente texto visa analisar o modo como a Educa&ccedil;&atilde;o se pode transformar num passo importante para que estes adultos vejam refor&ccedil;ada a sua condi&ccedil;&atilde;o de cidadania e a capacidade para participarem na determina&ccedil;&atilde;o do seu destino. No contexto de uma sociedade do risco, a forma&ccedil;&atilde;o para a autonomia, a (auto)reflexividade e a co-responsabilidade &eacute; a resposta encontrada para atingir o objectivo da inclus&atilde;o social. </P >     <P  ><B>Palavras-chave:</B> Sociedade do risco; educa&ccedil;&atilde;o de adultos; inclus&atilde;o social; autonomia; co-res</B>ponsabilidade; (auto)reflexividade. </P >     <P>&nbsp;</P>     <P  ><B>Autonomy and co-responsibility or the place of Adult Education in the fight for social inclusion</B></P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> How can Adult Education contribute to the social inclusion of less favored groups? Taking in account the example of Adult Education and Training Courses directed to unemployed women living in rural areas, the present text aims at analyzing the way Education can transform itself in an important path towards the reinforcement of the citizen condition of these adults and also of their ability to actively participate in the modeling of their own destiny. Within the context of a risk society, the training with regard to the exercise of autonomy, (self)reflectivity and co-responsibility is the answer found to reach such a goal. </p>     <p><B>Keywords:</B> risk society; adult education; social inclusion; autonomy; co-responsibility; (self) reflectivity. </p>     <p>&nbsp;</p>     <P  ><B>Introdu&ccedil;&atilde;o</B></P >    <P   >Dos discursos sobre a actualidade sobressai a ideia de que a sociedade em que vivemos &eacute;, mais do que nunca, caracterizada pelo risco e pela incerteza, mas tamb&eacute;m por uma maior liberdade individual de escolha e decis&atilde;o. Se h&aacute; quarenta anos a autonomia individual era uma utopia e um ideal que mobilizavam movimentos sociais contra os mecanismos institucionais julgados alienantes, hoje s&atilde;o as institui&ccedil;&otilde;es quem mais fala a linguagem da autonomia, em rela&ccedil;&atilde;o ao trabalho, &agrave; escola ou ao comportamento dos benefici&aacute;rios de presta&ccedil;&otilde;es sociais (Mol&eacute;nat, 2010). Esta incita&ccedil;&atilde;o &agrave; implica&ccedil;&atilde;o dos indiv&iacute;duos na sua pr&oacute;pria transforma&ccedil;&atilde;o est&aacute; no cerne do pensamento neoliberal, ao valorizar a no&ccedil;&atilde;o de responsabilidade individual como princ&iacute;pio moral e de direito que permite a cada um, liberto de constrangimentos, procurar o seu bem-estar. Mas tamb&eacute;m, em consequ&ecirc;ncia, imputando a cada indiv&iacute;duo a responsabilidade pelos seus actos e o dever de encontrar meios que permitam suplantar as adversidades. Sinteticamente, como sublinha Mellos (1999, citado por Ren&eacute;, Goyette, Bellot, Dallaire &amp; Panet-Raymond, 2001, p.129) “o indiv&iacute;duo pode e deve determinar por si s&oacute; o seu projecto de vida, sem assist&ecirc;ncia exterior, nem entrave”.</P >    <P  >O presente texto visa no entanto, numa abordagem distinta, propor a reflex&atilde;o sobre a articula&ccedil;&atilde;o entre o exerc&iacute;cio da autonomia e de uma “pragm&aacute;tica da responsabilidade”, enquanto formas de promover o refor&ccedil;o da condi&ccedil;&atilde;o de cidadania e da capacidade dos grupos sociais mais fr&aacute;geis participarem na determina&ccedil;&atilde;o do seu destino. Dito de outro modo, n&atilde;o a responsabilidade como norma ou obriga&ccedil;&atilde;o individual, mas como constru&ccedil;&atilde;o a partir de uma estrutura de interac&ccedil;&otilde;es que, conjuntamente com o refor&ccedil;o da capacidade (auto)reflexiva e de autonomia, contribuem para a inclus&atilde;o social das popula&ccedil;&otilde;es desfavorecidas e a sua condu&ccedil;&atilde;o ao pleno estatuto de cidad&atilde;os e parceiros. Reflex&atilde;o esta simultaneamente cruzada e influenciada pela avalia&ccedil;&atilde;o de uma experi&ecirc;ncia concreta, a que tem sido levada a cabo ao longo dos &uacute;ltimos dez anos pela Funda&ccedil;&atilde;o Solid&aacute;rios (organiza&ccedil;&atilde;o ligada &agrave; promo&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento local e comunit&aacute;rio) em torno da promo&ccedil;&atilde;o de cursos EFA (Educa&ccedil;&atilde;o e Forma&ccedil;&atilde;o de Adultos). No &acirc;mbito destes cursos, a concep&ccedil;&atilde;o associada &agrave; ac&ccedil;&atilde;o da Funda&ccedil;&atilde;o Solid&aacute;rios tem sido a de que, face a grupos de mulheres que abandonaram precocemente a Escola, muitas delas com idade superior a 45 anos, residentes em comunidades isoladas onde as oportunidades de emprego s&atilde;o escassas, marcadas ainda por uma situa&ccedil;&atilde;o de depend&ecirc;ncia financeira face aos maridos, o investimento no refor&ccedil;o da capacidade de agir em autonomia a partir de um exerc&iacute;cio de auto-reflex&atilde;o e de processos negociados de partilha de responsabilidades, ser&atilde;o ingredientes necess&aacute;rios para enfrentar as situa&ccedil;&otilde;es de risco e procurar novas alternativas para a sua vida.</P >    <P   ><B>1. A “sociedade do risco”</B></P >    <P   >A sociedade actual, aquela em que vivemos, &eacute; p&oacute;s-moderna, globalizada, individualizada, mas tamb&eacute;m se caracteriza por ser a “sociedade do risco”. Unidos por tese e por obra, autores como Ulrich Beck, Anthony Giddens ou Scott Lash t&ecirc;m vindo a dar corpo &agrave; teoria de que a moderniza&ccedil;&atilde;o das sociedades (e em particular a segunda modernidade) representa um forte programa de individualiza&ccedil;&atilde;o, no contexto de uma organiza&ccedil;&atilde;o social marcada pelo peso do “risco” nas vidas de cada um dos seus cidad&atilde;os. De forma mais comum, o alerta para o aprofundamento de um “risco ambiental” (ele pr&oacute;prio objecto privilegiado de reflex&atilde;o no seio do cursos EFA promovidos pela Funda&ccedil;&atilde;o Solid&aacute;rios) tem sido mat&eacute;ria de debate aprofundado nos media e fortemente participado pela sociedade civil. Cada vez mais as pessoas adquirem consci&ecirc;ncia dos perigos ambientais decorrentes da pr&oacute;pria ac&ccedil;&atilde;o humana, as crian&ccedil;as e jovens s&atilde;o hoje, nas escolas, sensibilizadas para tal quadro de risco e a necessidade premente de tomar medidas de invers&atilde;o.</P >    <P    >A partir dos contributos de Ulrich Beck (1986), come&ccedil;ou a percepcionar-se a igual aplicabilidade de tal no&ccedil;&atilde;o ao dom&iacute;nio dos problemas sociais, caracterizando novos riscos sociais. De forma simplificada, o autor afirma que a incerteza e a precariedade se instalaram no seio da ordem social, genericamente considerada, e na vida de cada um de n&oacute;s. As mudan&ccedil;as profundas ocorridas em institui&ccedil;&otilde;es sociais basilares (fam&iacute;lia, escola, Estado, mercado, grupos e associa&ccedil;&otilde;es…) tornam os resultados das decis&otilde;es individuais, em certos dom&iacute;nios da vida quotidiana, menos previs&iacute;veis e aumentam a no&ccedil;&atilde;o de risco. Casar, fazer estudos e empregar-se, montar um neg&oacute;cio, s&atilde;o ac&ccedil;&otilde;es hoje acompanhadas de um elevado grau de incerteza quanto aos seus resultados, porque os contornos das institui&ccedil;&otilde;es que suportavam tais actos n&atilde;o s&atilde;o mais os mesmos (Hespanha &amp; Carapinheiro, 2002, p. 14). As oportunidades, amea&ccedil;as e ambival&ecirc;ncias da biografia, que antes podiam ser ultrapassadas no grupo familiar, na comunidade, no contexto de uma classe ou grupo social, com a ajuda do Estado, t&ecirc;m que ser cada vez mais percebidas, interpretadas e geridas pelos pr&oacute;prios indiv&iacute;duos.</P >    <P    >Mas, uma certa democratiza&ccedil;&atilde;o dos riscos e ambival&ecirc;ncias n&atilde;o pode fazer esquecer que os aspectos positivos e negativos do risco social associado &agrave; globaliza&ccedil;&atilde;o se continuam a repartir desigualmente pelos diferentes grupos e espa&ccedil;os sociais. A express&atilde;o “fractura social” - &iacute;cone de uma forma francesa, republicana, renovada, de pensar a quest&atilde;o da exclus&atilde;o social - &eacute; a designa&ccedil;&atilde;o forte que remete para a imagem de uma sociedade em que la&ccedil;os sociais estruturantes entraram em crise, lembrando a incapacidade dessa sociedade em integrar todos os seus membros e deixando muitos deles &agrave; deriva. A revela&ccedil;&atilde;o de que poderemos estar perante uma sociedade cada vez mais dual, composta pelos <I>in</I> e <I>out</I>, em que muitos dos que tinham um lugar social o perderam e para outros se encontra bloqueada a entrada no mundo do trabalho e em outros universos de rela&ccedil;&atilde;o social, serviu a alguns destes autores para refor&ccedil;ar convic&ccedil;&otilde;es de que a quest&atilde;o da exclus&atilde;o social interroga o conjunto da sociedade nos seus valores fundamentais e apela a muito mais do que meras medidas reparadoras que proporcionem a esses “infra-cidad&atilde;os” o acesso a direitos materiais e sociais b&aacute;sicos (Monteiro, 2004, pp. 39-49).</P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P    >Se o optimismo dos anos 60-70 poderia levar a pensar um controlo das zonas de vulnerabilidade a partir de uma forte zona de integra&ccedil;&atilde;o, hoje essa zona de integra&ccedil;&atilde;o aparece fracturada e a vulnerabilidade expande-se alimentando continuamente a zona de <I>desafilia&ccedil;&atilde;o</I> (Castel, 1995): n&atilde;o um estado de ruptura, mas o c&uacute;mulo de um processo de fragiliza&ccedil;&atilde;o dos la&ccedil;os face a dois vectores fundamentais, um eixo de integra&ccedil;&atilde;o / n&atilde;o integra&ccedil;&atilde;o pelo trabalho e um eixo de inser&ccedil;&atilde;o / n&atilde;o inser&ccedil;&atilde;o numa sociabilidade s&oacute;cio-familiar. N&atilde;o um estado de exclus&atilde;o, mas um <I>itiner&aacute;rio</I> percorrido por indiv&iacute;duos e grupos atrav&eacute;s de sucessivas fragiliza&ccedil;&otilde;es ou quebras de la&ccedil;os sociais que os ligam a inst&acirc;ncias fundamentais da socializa&ccedil;&atilde;o: o Estado, o trabalho, a fam&iacute;lia, a comunidade.</P >    <P    >Tal como os indiv&iacute;duos, tamb&eacute;m os territ&oacute;rios podem enfrentar processos de exclus&atilde;o. Uma pequena comunidade rural, relativamente afastada dos grandes centros, hoje j&aacute; n&atilde;o enfrenta apenas os problemas localmente sentidos, mas &eacute; afectada por efeitos cruzados de processos pr&oacute;ximos e processos distantes, como s&atilde;o os da desertifica&ccedil;&atilde;o e envelhecimento, do desemprego e da pobreza, ou os da toxicodepend&ecirc;ncia e inseguran&ccedil;a.</P >    <P   ><B>2. Cada um constr&oacute;i o seu destino</B></P >    <P    >Contudo, &eacute; o pr&oacute;prio Ulrich Beck que, instado a pronunciar-se sobre o presente e o futuro, reconhece um lado obscuro na individualiza&ccedil;&atilde;o e na globaliza&ccedil;&atilde;o, mas n&atilde;o pode deixar de afirmar que o vatic&iacute;nio desse mesmo futuro comporta pessimismo e optimismo (Beck &amp; Beck-Gernsheim, 2003, p. 355). A no&ccedil;&atilde;o de risco n&atilde;o deve ser apenas percepcionada como amea&ccedil;a, surgindo igualmente como oportunidade. Numa sociedade de incertezas di&aacute;rias, ao mesmo tempo profundamente destradicionalizada e atingida por crises de sentido, a t&oacute;nica recai sobre o impulso crescente – uma obriga&ccedil;&atilde;o mesmo – a que cada indiv&iacute;duo tome uma posi&ccedil;&atilde;o activa face &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es da sua exist&ecirc;ncia. A identidade individual transforma-se, progressivamente, num projecto reflexivo, de reflexividade sobre as seguran&ccedil;as do passado e as inseguran&ccedil;as do presente e do futuro, a partir da resist&ecirc;ncia, da cria&ccedil;&atilde;o de alternativas e da conquista de autonomia. </P >    <P    >J&aacute; Pierre Bourdieu, atrav&eacute;s do conceito de <I>habitus</I>, havia dado &ecirc;nfase ao modo como, movendo-se em distintos campos, cada indiv&iacute;duo &eacute; confrontado com a necessidade de engendrar respostas para si e para os outros. Constr&oacute;i-se, assim, uma certa forma de pensar o mundo, reflexo de um contexto cultural partilhado, que permite ao actor social economizar reflex&atilde;o na ac&ccedil;&atilde;o. Trata-se de uma reflexividade pragm&aacute;tica traduzida no que Bourdieu designa por “ajustamentos rotineiros das estruturas subjectivas e das estruturas objectivas” (Bourdieu, 1992, citado por Fernandes, 2009, p.156). Contudo, num cen&aacute;rio em que essas estruturas objectivas est&atilde;o fragilizadas, o Estado n&atilde;o consegue assegurar a integra&ccedil;&atilde;o cultural e social dos cidad&atilde;os e outras institui&ccedil;&otilde;es sociais como a fam&iacute;lia, a escola o mercado ou a sociedade civil emitem sinais de inseguran&ccedil;a, &eacute; exigida aos indiv&iacute;duos uma contribui&ccedil;&atilde;o mais activa, decidindo eles entre amplas gamas de op&ccedil;&atilde;o, planificando a longo prazo, adaptando-se, improvisando. As oportunidades, os perigos, as incertezas e as decis&otilde;es que antes eram geridos em grande medida no seio da associa&ccedil;&atilde;o familiar ou da comunidade rural, s&atilde;o agora fruto de gest&atilde;o individualizada. Se podemos aceitar a ideia de Jos&eacute; Machado Pais, segundo a qual os horizontes de reflexividade individual continuarem estreitamente dependentes da reflexividade inerente ao <I>habitus</I> (2007, p.29), tamb&eacute;m nos parece pertinente a concep&ccedil;&atilde;o veiculada por autores como Paul Sweetman, Lisa Adkins ou Lois McNay, de acordo com a qual os “tempos de crise” incrementam a <I>possibilidade</I> de reflexividade. Para a &uacute;ltima autora, as crises s&atilde;o sin&oacute;nimos de crescente movimento entre campos, o que pode conduzir &agrave; reflexividade (pessoal e institucional) e &agrave; mudan&ccedil;a. Assim ocorre com a entrada das mulheres no mercado de trabalho, que cria disson&acirc;ncias nessa mesma esfera, ou com a “lucidez dos exclu&iacute;dos” que pode gerar resist&ecirc;ncia e negocia&ccedil;&atilde;o (Adams, 2009).</P >    <P    >Importante para a nossa argumenta&ccedil;&atilde;o &eacute; igualmente a ideia de que a gest&atilde;o activa dos percursos individuais n&atilde;o deixa de ser feita no seio de comunidades onde se estabelecem la&ccedil;os interpessoais, mas com a distin&ccedil;&atilde;o fundamental de que s&atilde;o cada vez mais la&ccedil;os de significado e n&atilde;o de perten&ccedil;a. At&eacute; porque os temas do desencanto do mundo e da perda de sentido fazem acompanhar-se de uma crescente abertura comunicacional (Fernandes, 2009). Emancipado dos grupos de perten&ccedil;a originais que sobre ele se impunham, o indiv&iacute;duo assume hoje a liberdade de escolher com quem se relacionar e o momento em que essa interac&ccedil;&atilde;o se processa. Dir-se-ia mesmo um <I>zapping identit&aacute;rio</I>, na medida em que o projecto reflexivo que orienta o indiv&iacute;duo na constru&ccedil;&atilde;o da sua identidade, o conduz ao estabelecimento de rela&ccedil;&otilde;es limitadas no tempo, em fun&ccedil;&atilde;o de interesses e necessidades espec&iacute;ficos, logo abandonadas quando outros desafios se imp&otilde;em. Como consequ&ecirc;ncia, as novas comunidades em constru&ccedil;&atilde;o – grupos de auto-ajuda, agrupamentos de bairro, sistemas de troca local, redes de troca de saberes, associa&ccedil;&otilde;es de moradores, de consumidores ou de servi&ccedil;os, f&oacute;runs de debate<I> </I>na Internet - s&atilde;o elas pr&oacute;prias “comunidades reflexivas”, de significados partilhados. Citando Scott Lash, Beck, Giddens e Lash (2000, p. 157), </P >    <P    > Estas comunidades s&atilde;o reflexivas na medida em que: primeiro, uma pessoa n&atilde;o nasce ou &eacute; ‘lan&ccedil;ado’ nestas comunidades, ‘lan&ccedil;a-se’ a si mesma; segundo, elas podem estar amplamente estendidas atrav&eacute;s de um espa&ccedil;o ‘abstracto’, e qui&ccedil;&aacute; tamb&eacute;m atrav&eacute;s do tempo; terceiro, elas, conscientemente, colam-se muito mais ao problema da sua pr&oacute;pria cria&ccedil;&atilde;o e constante reinven&ccedil;&atilde;o do que as comunidades tradicionais; quarto, as suas ‘ferramentas’ e os seus produtos n&atilde;o tendem a ser materiais, mas sim abstractos e culturais.</P >    <P    >Por fim, o contexto particular da exclus&atilde;o e desfavorecimento sociais torna particularmente relevante ainda uma outra faceta desta reflex&atilde;o / debate, a da distribui&ccedil;&atilde;o desigual das capacidades de cada indiv&iacute;duo para responder aos novos desafios da “sociedade p&oacute;s-tradicional”, por sua vez associada a quest&otilde;es de poder e de estratifica&ccedil;&atilde;o. Se definirmos reflexividade como, entre outras dimens&otilde;es, o exerc&iacute;cio individual de uma “automonitoriza&ccedil;&atilde;o respons&aacute;vel”, seguindo a denomina&ccedil;&atilde;o adoptada pelo autor acima citado, em que cada indiv&iacute;duo &eacute; impulsionado para uma posi&ccedil;&atilde;o activa de escolha e decis&atilde;o sobre a constru&ccedil;&atilde;o da sua traject&oacute;ria pessoal, &eacute; for&ccedil;oso reconhecer que os recursos que viabilizam essa capacidade se encontram na nossa sociedade desigualmente distribu&iacute;dos. &Eacute; o pr&oacute;prio Giddens quem o reconhece (1997, p.115): </P >    <P   > a democracia, dial&oacute;gica ou outra, tem os seus limites, limites esses que dizem sobretudo respeito &agrave; influ&ecirc;ncia inoportuna da desigualdade. O di&aacute;logo n&atilde;o depende da igualdade material, mas pressup&otilde;e que n&atilde;o s&atilde;o usados recursos diferenciados para impedir que seja dada voz a determinadas opini&otilde;es ou para o dr&aacute;stico desvirtuamento das condi&ccedil;&otilde;es de interc&acirc;mbio dial&oacute;gico. Um dos pontos fortes da cr&iacute;tica de esquerda &agrave; democracia liberal tem sido h&aacute; muito a exig&ecirc;ncia de que a democracia seja articulada com programas de igualiza&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica.</P >    <P    >O autor toca aqui o argumento que faz depender de condi&ccedil;&otilde;es materiais o acesso &agrave; democracia e &agrave; participa&ccedil;&atilde;o na coisa p&uacute;blica. Em nosso entender, contudo, uma an&aacute;lise destes mecanismos de desigualdade e da ultrapassagem dos seus limites passa por uma invers&atilde;o dos termos da argumenta&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o se trata tanto de recursos materiais, mas de contextos psicol&oacute;gicos, culturais, simb&oacute;licos e relacionais (confian&ccedil;a, aus&ecirc;ncia de coac&ccedil;&atilde;o, acesso ao saber e aos meios que o disseminam, identifica&ccedil;&atilde;o de direitos e possibilidades, acesso &agrave;s redes de rela&ccedil;&otilde;es e colectivos que fundam a consolida&ccedil;&atilde;o de determinadas identidades) que permitem a cada indiv&iacute;duo conhecer e mover-se na amplitude das escolhas que se lhe oferecem. Para que a expans&atilde;o da reflexividade e, por consequ&ecirc;ncia, da autonomia do indiv&iacute;duo seja um facto e um contributo para uma nova democracia, &eacute; necess&aacute;rio que a pr&oacute;pria reflexividade se democratize e se torne uma capacidade acess&iacute;vel a todos (Monteiro, 2008). O acto de discurso ou di&aacute;logo surge como uma das formas privilegiadas dessa democratiza&ccedil;&atilde;o ou “alimenta&ccedil;&atilde;o” da capacidade reflexiva, explorando as potencialidades de uma racionalidade comunicativa e de expans&atilde;o da import&acirc;ncia da esfera p&uacute;blica. Foi precisamente esse um dos desafios principais assumidos pela Funda&ccedil;&atilde;o Solid&aacute;rios em torno da promo&ccedil;&atilde;o de cursos EFA (Educa&ccedil;&atilde;o e Forma&ccedil;&atilde;o de Adultos).</P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   ><B>3. Cursos EFA, primeira abordagem: “aprender com autonomia”</B></P >    <P    >“As mulheres s&atilde;o um dos grupos desfavorecidos no que respeita &agrave; integra&ccedil;&atilde;o s&oacute;cio-profissional, e marginal no que se refere ao papel activo na sociedade” (Solid&aacute;rios, 2003b, p.8). Reportando-se &agrave; sociedade alem&atilde;, mas numa leitura que facilmente se pode estender a outras sociedades europeias ocidentais, Beck-Gernsheim (p.117) comparou a situa&ccedil;&atilde;o das mulheres &agrave; pergunta, perante um copo com metade de l&iacute;quido, se o mesmo est&aacute; meio cheio ou meio vazio. Se, por um lado, os movimentos feministas recordam a persist&ecirc;ncia de desigualdades fundamentais entre homens e mulheres, por outro s&atilde;o ineg&aacute;veis as mudan&ccedil;as significativas ocorridas na sua vida, em dom&iacute;nios como a fam&iacute;lia, a educa&ccedil;&atilde;o, o trabalho ou a participa&ccedil;&atilde;o na vida p&uacute;blica. “Gera&ccedil;&otilde;es de mulheres em mudan&ccedil;a”, reivindicam hoje uma maior liberdade para a viver “a sua pr&oacute;pria vida”, mas continuam a debater-se com uma integra&ccedil;&atilde;o incompleta no mundo do trabalho ou com maiores obst&aacute;culos &agrave; interven&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e c&iacute;vica.</P >    <P    >A este contexto junta-se ainda a particular situa&ccedil;&atilde;o das mulheres a quem a Funda&ccedil;&atilde;o Solid&aacute;rios tem vindo a dirigir a sua ac&ccedil;&atilde;o formativa: oriundas de pequenas comunidades rurais do concelho de Sever do Vouga, distrito de Aveiro, muito isoladas devido &agrave; escassez de transportes e sentindo um elevado decl&iacute;nio populacional, trata-se de grupos de mulheres com uma m&eacute;dia de idades superior a 30 anos e portadoras, &agrave; partida, de uma escolaridade ao n&iacute;vel do ensino b&aacute;sico. Geralmente casadas, dependem financeiramente dos maridos (alguns deles ausentes por emigra&ccedil;&atilde;o), circunscrevendo o seu papel principal &agrave; gest&atilde;o da casa e ao trabalho nos campos da fam&iacute;lia, num cen&aacute;rio onde o desemprego, a sua idade e baixa qualifica&ccedil;&atilde;o dificultam qualquer alternativa em termos profissionais. Do seu discurso pessoal ressalta a desvaloriza&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria imagem e da imagem da comunidade.</P >    <P    >Como afirma Jos&eacute; Br&aacute;s, um dos respons&aacute;veis da Funda&ccedil;&atilde;o Solid&aacute;rios, “ser cidad&atilde;o, capacitar-se para aprender e empreender, &eacute; um caminho”. Um caminho que, na concep&ccedil;&atilde;o patrocinada por esta organiza&ccedil;&atilde;o, toma como uma das metas o “desenvolvimento de compet&ecirc;ncias transversais que valorizam e (re)colocam o papel das mulheres, enquanto cidad&atilde;s respons&aacute;veis e activas no processo de decis&atilde;o relativo ao seu desenvolvimento e ao desenvolvimento das suas comunidades”<a href="#top1">1</a><a name="1">. Por sua vez, o cumprimento desta meta passa por:</P >      <P>&bull; Desenvolver a autonomia, a auto-estima e a auto-afirma&ccedil;&atilde;o positiva•	Revis&atilde;o dos pap&eacute;is da mulher</P>     <P>&bull; Desenvolver as compet&ecirc;ncias de tomada de decis&otilde;es, negocia&ccedil;&atilde;o e motiva&ccedil;&atilde;o em grupo&bull;	Desenvolver o empreendorismo das formandas&bull;	Desenvolver as compet&ecirc;ncias de aprender a aprender&bull;	Melhorar o relacionamento interpessoal com os outros: na fam&iacute;lia, na comunidade, na sociedade (Solid&aacute;rios, 2003&ordf;, p.6).</P>      <P>&bull; Entre 2000 e 2010, a Solid&aacute;rios implementou seis cursos EFA<a href="#top2">2</a><a name="2">, o primeiro deles permitindo a obten&ccedil;&atilde;o do 1&ordm; Ciclo e os restantes dirigidos &agrave; obten&ccedil;&atilde;o do 2&ordm; Ciclo do Ensino B&aacute;sico, com as correspondentes qualifica&ccedil;&otilde;es de profissionais de n&iacute;vel 1 ou 2 em &aacute;reas como a jardinagem, a agricultura biol&oacute;gica ou os cuidados pessoais. Entre os diferentes cursos manteve-se est&aacute;vel a &aacute;rea geogr&aacute;fica de abrang&ecirc;ncia, assim como o facto de os grupos-alvo serem mulheres em situa&ccedil;&atilde;o de desemprego. Mas manteve-se, sobretudo, a aposta em alguns valores como fundamentais &agrave; forma&ccedil;&atilde;o destas mulheres. Falamos concretamente do incentivo a percursos de aprendizagem e forma&ccedil;&atilde;o pautados pelos princ&iacute;pios da (auto)reflexividade e autonomia.</P >     <P  >Ensaiado desde o primeiro curso, um dos tra&ccedil;os distintivos da ac&ccedil;&atilde;o empreendida pela equipa pedag&oacute;gica tem passado precisamente pela aceita&ccedil;&atilde;o e valoriza&ccedil;&atilde;o da dimens&atilde;o “reflex&atilde;o” como central &agrave; ac&ccedil;&atilde;o / interven&ccedil;&atilde;o formativa que desenvolve. Em todo o processo de constru&ccedil;&atilde;o, implementa&ccedil;&atilde;o e revis&atilde;o do plano de forma&ccedil;&atilde;o, procurou seguir-se uma metodologia onde a permanente interroga&ccedil;&atilde;o e desafio s&atilde;o as vias para uma constante revis&atilde;o das op&ccedil;&otilde;es tomadas e o desencadeamento de novas possibilidades. Sucessivas auto-avalia&ccedil;&otilde;es conferem a todos os planos de interven&ccedil;&atilde;o um car&aacute;cter provis&oacute;rio. Uma reflex&atilde;o (“<I>thinking from a distance</I>”) que, real&ccedil;a-se, implica n&atilde;o s&oacute; um acto cognitivo ou cerebral, mas tamb&eacute;m intui&ccedil;&otilde;es e emo&ccedil;&otilde;es.</P >    <P    >Por sua vez, se a equipa pedag&oacute;gica incorpora os conceitos de reflexividade, mas tamb&eacute;m o de risco, directamente na sua forma de agir (redefini&ccedil;&atilde;o constante, reac&ccedil;&atilde;o, provoca&ccedil;&atilde;o, di&aacute;logo, negocia&ccedil;&atilde;o com as formandas…), tem procurado igualmente prolongar tais f&oacute;rmulas para o exerc&iacute;cio directo com as formandas. Tal &eacute; a inten&ccedil;&atilde;o expressa: </P >    <P    > Esta orienta&ccedil;&atilde;o para o formando e em fun&ccedil;&atilde;o do formando, pensamos ser o combust&iacute;vel que vai mantendo acesa a chama da motiva&ccedil;&atilde;o, (…) Pensamos desta forma, indo ao encontro ao mundo das formandas, aos seus desejos e necessidades, ‘obrigando-as’ a tomar parte activa nos processos de decis&atilde;o, ter ‘constru&iacute;do’ uma esp&eacute;cie de ant&iacute;doto contra o desinteresse, tornando as formandas cada vez mais comprometidas com o seu percurso de forma&ccedil;&atilde;o. Nomeadamente quando, a meio do percurso, decidimos fazer aquilo que n&oacute;s denominamos de <I>contratualiza&ccedil;&atilde;o das compet&ecirc;ncias</I>, as formandas tornaram-se muito mais afirmativas, uma vez que reflectiram, reconhecendo aquilo que j&aacute; sabiam, e muito mais participativas e empenhadas, uma vez que foram elas que decidiram e que disseram quais as compet&ecirc;ncias que queriam ainda desenvolver (Solid&aacute;rios, 2003&ordf;, p.10).</P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P    >O momento de “contratualiza&ccedil;&atilde;o das compet&ecirc;ncias” foi reconhecido por todas as partes como uma das apostas-chave no percurso para atingir tais objectivos. Sobre ele se far&atilde;o considera&ccedil;&otilde;es mais detalhadas num trecho posterior<a href="#top3">3</a><a name="3">. Contudo, outros investimentos formativos contribu&iacute;ram em id&ecirc;ntica direc&ccedil;&atilde;o. Dos mencion&aacute;veis, sublinha-se o modo como os exerc&iacute;cios de avalia&ccedil;&atilde;o das formandas se inscreveram numa l&oacute;gica pela qual delas se exigia a necessidade de reflex&atilde;o sobre quadros de ac&ccedil;&atilde;o alternativos e de tomada de decis&otilde;es em conson&acirc;ncia. Concretamente, a avalia&ccedil;&atilde;o das compet&ecirc;ncias na &aacute;rea educativa e na &aacute;rea profissionalizante procurou, sempre que poss&iacute;vel, ser concretizada atrav&eacute;s da “simula&ccedil;&atilde;o de situa&ccedil;&otilde;es de vida”, obrigando cada formanda a reflectir e a tomar decis&otilde;es de natureza pessoal perante a diversidade de op&ccedil;&otilde;es ao dispor e as tarefas a executar em consequ&ecirc;ncia. Citam-se dois exemplos</P >     <P>&bull;   Caso 1:     <P    >As formandas s&atilde;o convidadas a imaginar-se jardineiras por conta pr&oacute;pria, recebendo pedidos de instala&ccedil;&atilde;o de relvados para tr&ecirc;s clientes diferentes, cada um formalizando um tipo concreto de pedido e disponibilizando condi&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas. Em alternativa, as formandas poderiam optar por trabalhar temporariamente por conta de outrem, na circunst&acirc;ncia para uma empresa de jardinagem. Todas as tarefas a executar posteriormente decorrem deste primeiro quadro de decis&atilde;o e sucedem-se como se de um “jogo de pista” se tratasse.</P >    <P>&bull;   Caso 2:       <P>   Situa&ccedil;&atilde;o apresentada: “Soube, atrav&eacute;s de uma amiga sua, que uma Funda&ccedil;&atilde;o abriu concurso para dois lugares: um para jardineiro(a) em regime de trabalhador por conta de outrem e outro para prestador(a) de servi&ccedil;os de jardinagem em regime de contrata&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os. Para se candidatar, ter&aacute; que realizar um conjunto de tarefas de forma a evidenciar as suas compet&ecirc;ncias como jardineira, e s&oacute; ent&atilde;o poder&aacute; formalizar a sua candidatura”. Mais uma vez, cada formanda &eacute; solicitada a mobilizar compet&ecirc;ncias e a tomar decis&otilde;es tendo em vista o sucesso da sua candidatura. O exerc&iacute;cio envolve ainda conhecimentos de “jardinagem”, “linguagem e comunica&ccedil;&atilde;o”, “matem&aacute;tica” e “tecnologias de informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o”.</P >    <P    >Reflex&atilde;o sobre a natureza do problema colocado e o quadro de alternativas que se oferecem, ac&ccedil;&atilde;o aut&oacute;noma sobre as decis&otilde;es a tomar e as vias de resolu&ccedil;&atilde;o a percorrer, s&atilde;o crit&eacute;rios em permanente evid&ecirc;ncia nestes exerc&iacute;cios avaliativos ou em outros momentos da din&acirc;mica de forma&ccedil;&atilde;o, como por exemplo a elabora&ccedil;&atilde;o e uso de portfolios reflexivos. </P >    <P    >O <I>portfolio</I> reflexivo tem sido usado como suporte para a auto-aprendizagem e auto-avalia&ccedil;&atilde;o das formandas sobre o seu percurso de aprendizagem, ao inv&eacute;s da sua utiliza&ccedil;&atilde;o enquanto “portfolio de compet&ecirc;ncias” (An&iacute;bal et al, 2008, p.153) ou instrumento de avalia&ccedil;&atilde;o e valida&ccedil;&atilde;o formal do percurso formativo e das compet&ecirc;ncias adquiridas. Para a sua constru&ccedil;&atilde;o tem sido seguida uma estrat&eacute;gia que valoriza o percurso de aprendizagem, assim como a rela&ccedil;&atilde;o pr&oacute;xima com o projecto pessoal e profissional<a href="#top4">4</a><a name="4">. Num primeiro momento, as formandas s&atilde;o convidadas a reflectir e a escrever a sua hist&oacute;ria de vida, com particular &ecirc;nfase sobre as aprendizagens mais significativas decorrentes dessa experi&ecirc;ncia de vida, em diferentes dom&iacute;nios (social, familiar, acad&eacute;mico, vocacional). Ilustrando-as, os textos devem ser acompanhados de certificados, fotografias, c&oacute;pias de contratos de trabalho, etc.. Esta ser&aacute; a primeira etapa da constru&ccedil;&atilde;o do <I>portfolio</I>. Posteriormente, mais ou menos a meio do curso, as mesmas formandas s&atilde;o confrontadas com a necessidade de preparar o per&iacute;odo p&oacute;s-forma&ccedil;&atilde;o e, em consequ&ecirc;ncia, &eacute;-lhes pedido que desenhem um projecto pessoal e vocacional, mas tamb&eacute;m antecipem o seu contributo para o futuro da comunidade em que vivem. Tal exerc&iacute;cio requer de cada uma delas uma reflex&atilde;o comparativa sobre a sua situa&ccedil;&atilde;o ao in&iacute;cio do curso e as perspectivas vividas no momento em que escreve, para al&eacute;m do tra&ccedil;ar de expectativas e aspira&ccedil;&otilde;es para o futuro. Na fase final do curso EFA, as mesmas formandas s&atilde;o convidadas a olhar para a sua hist&oacute;ria de vida, a (re)escrev&ecirc;-la outra vez e a partilh&aacute;-la numa sess&atilde;o p&uacute;blica com as colegas, Equipa Pedag&oacute;gica, fam&iacute;lia, representantes institucionais e outros agentes locais. </P >    <P    >Como resultado, o <I>portfolio</I> reflexivo revela-se um importante espa&ccedil;o para a criatividade e para a auto-narrativa. Por outro lado, oferece potencialidades enquanto espa&ccedil;o de “troca de impress&otilde;es e emo&ccedil;&otilde;es” entre a propriet&aacute;ria do <I>portf&oacute;lio</I> e outros interlocutores (colegas, Equipa Pedag&oacute;gica, familia e restante comunidade). Por outras palavras, transforma-se numa constru&ccedil;&atilde;o conjunta e num objecto de interac&ccedil;&atilde;o.</P >    <P   ><B>5. A “automonitoriza&ccedil;&atilde;o respons&aacute;vel”</B></P >    <P   >Retornamos neste ponto &agrave; obra de Beck, Giddens e Lash (2000, pp.128-129) para da&iacute; recuperar uma outra ideia-chave enunciada pelo terceiro dos autores, a de que, se os direitos de cidadania pr&oacute;prios da modernidade simples se concentravam na defesa da igualdade perante a lei, na garantia dos direitos pol&iacute;ticos e sociais de que o Estado-Provid&ecirc;ncia seria o principal garante, na modernidade reflexiva transformaram-se essencialmente no direito de acesso &agrave;s estruturas de informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o. De igual modo, se as obriga&ccedil;&otilde;es de cidadania iam, principalmente, para o Estado-na&ccedil;&atilde;o, elas v&atilde;o hoje para o Eu, para a “automonitoriza&ccedil;&atilde;o respons&aacute;vel”. Desta forma, e com esta express&atilde;o, o autor faz real&ccedil;ar a import&acirc;ncia que a ideia de “responsabilidade” adquire no contexto da nova ordem social.</P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P    >N&atilde;o &eacute;, no entanto, isenta de pol&eacute;mica a concep&ccedil;&atilde;o do princ&iacute;pio da responsabilidade, desde logo pela diversidade de interpreta&ccedil;&otilde;es a que se propicia o uso deste conceito. Com efeito, ao primeiro olhar esta concep&ccedil;&atilde;o surge alinhada com a vis&atilde;o neoliberal dos modos de governan&ccedil;a, que associa “responsabilidade” a “imputabilidade” (<I>responsability vs accountability</I>) e, por consequ&ecirc;ncia, a uma no&ccedil;&atilde;o de direito que coloca t&oacute;nica na vis&atilde;o autorit&aacute;ria, de resposta de cada indiv&iacute;duo pelos seus actos. Perante a afirma&ccedil;&atilde;o do princ&iacute;pio absoluto da liberdade individual, e a consequente retrac&ccedil;&atilde;o da interven&ccedil;&atilde;o do Estado-Provid&ecirc;ncia (nomeadamente ao n&iacute;vel das pol&iacute;ticas e programas sociais), o indiv&iacute;duo torna-se o principal respons&aacute;vel pelo seu bem-estar e, do mesmo modo, imput&aacute;vel por uma eventual m&aacute; gest&atilde;o dos riscos e uma insuficiente auto-vigil&acirc;ncia. Por outras palavras, associa-se o princ&iacute;pio da responsabilidade &agrave;s no&ccedil;&otilde;es mais vulgares de papel e obriga&ccedil;&atilde;o.</P >    <P    >Em contraste, outros autores transportam a leitura deste princ&iacute;pio para um dom&iacute;nio mais &eacute;tico e moral. &Eacute; o caso de Hans Jonas que, num racioc&iacute;nio por alguns considerado particularmente interessante ao operar a distin&ccedil;&atilde;o entre responsabilidade retrospectiva e responsabilidade prospectiva (Charbonneau &amp; Est&egrave;be, 2001), inscreve o apelo &agrave; responsabilidade nas gera&ccedil;&otilde;es presentes sobre a futuro a legar &agrave;s gera&ccedil;&otilde;es vindouras. Na sua obra <I>Das Prinzip Verantwor</I><I></I><I>tung</I>, publicada originalmente em 1979<a href="#top5">5</a><a name="5">, aborda de forma particular a quest&atilde;o dos riscos ambientais e das consequ&ecirc;ncias das inova&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas em curso, para advogar que uma certa “heur&iacute;stica do medo” dever&aacute; ser base instrutiva e mobilizadora de auto-limita&ccedil;&atilde;o e responsabilidade sobre os poss&iacute;veis efeitos futuros do crescimento. <I>Pouvoir ablige</I> – no sentido estrito da obriga&ccedil;&atilde;o moral – e o objecto pr&oacute;prio de uma nova concep&ccedil;&atilde;o da responsabilidade &eacute; a possibilidade de uma perpetua&ccedil;&atilde;o da humanidade no futuro (S&egrave;ve, 1990, pp.73-74).</P >    <P    >Mas &eacute; nosso entendimento que a leitura do conceito de responsabilidade, e do princ&iacute;pio que sustenta, n&atilde;o fica completa sem uma outra abordagem, aquela que n&atilde;o se situa exclusivamente sobre perspectivas individualistas e no&ccedil;&otilde;es de direito ou &eacute;ticas, mas que abre espa&ccedil;o a uma leitura mais relacional da ideia de responsabilidade e onde a no&ccedil;&atilde;o de la&ccedil;o social n&atilde;o &eacute; estranha. Podemos encontr&aacute;-la traduzida como pr&aacute;tica concreta, entre outros, na constru&ccedil;&atilde;o de parcerias em contextos de interven&ccedil;&atilde;o social e de promo&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento local. Naturalmente, n&atilde;o naqueles processos de negocia&ccedil;&atilde;o em que uma das partes (em muitas circunst&acirc;ncias, o Estado) determina as regras, distribui os pap&eacute;is e apela as outras &agrave; participa&ccedil;&atilde;o, ao “dever c&iacute;vico de participar”. Mas, sim, quando a parceria configura uma congrega&ccedil;&atilde;o de esfor&ccedil;os entre parceiros que mant&ecirc;m entre si uma independ&ecirc;ncia e especificidade para al&eacute;m da consensualiza&ccedil;&atilde;o de esfor&ccedil;os em torno de um prop&oacute;sito concreto, constru&iacute;do em comum e a para o qual procuram conjugar meios de ac&ccedil;&atilde;o.</P >    <P    >Nesta, como em outras estruturas de interac&ccedil;&atilde;o (por exemplo, nas actuais modalidades de rela&ccedil;&atilde;o entre pais e filhos), o quadro de responsabilidade n&atilde;o &eacute; definido em absoluto <I>a priori</I>, mas vai-se revelando gradualmente como fruto do pr&oacute;prio processo de interpela&ccedil;&atilde;o m&uacute;tua entre actores: que rela&ccedil;&otilde;es de poder est&atilde;o em jogo, como se negoceiam as tarefas, quais as regras em constru&ccedil;&atilde;o, que modalidades de comunica&ccedil;&atilde;o s&atilde;o utilizadas, como evoluem as pr&aacute;ticas ao longo do tempo, qual o peso da parte afectiva e do sentimento de obriga&ccedil;&atilde;o? (Charbonneau et Est&egrave;be, 2001, p.8). Tratando-se de processos de interdepend&ecirc;ncia, est&aacute; a em jogo o que Michel M&eacute;tayer denomina de “pr&aacute;ticas de interpela&ccedil;&atilde;o” (2001, pp. 23-26). Ou, para se ser mais preciso, de “pr&aacute;ticas de m&uacute;tua interpela&ccedil;&atilde;o”, dado tratarem-se de sequ&ecirc;ncias de trocas em que as fun&ccedil;&otilde;es de quem interpela (questiona ou pede) e de quem responde (pelos seus actos) se v&atilde;o intercambiando. Aquele que imputa uma responsabilidade a outrem tem tamb&eacute;m, por sua vez, “contas a prestar” em fun&ccedil;&atilde;o de compromissos que assumiu e que se sente mais ou menos obrigado a cumprir. </P >    <P    >Para finalizar, importa referir que esta abordagem relacional, pragm&aacute;tica ou solid&aacute;ria, da responsabilidade n&atilde;o exclui as anteriores abordagens. Pelo contr&aacute;rio, integra-se com elas. Baseada no contributo de v&aacute;rios fil&oacute;sofos (Derrida, Blanchot ou Levinas), St&eacute;phanie Gaudet (2001, pp.79-81) enuncia a decomposi&ccedil;&atilde;o do conceito de responsabilidade em tr&ecirc;s modalidades, que s&atilde;o os tr&ecirc;s movimentos de resposta: responder <I>por</I> si, responder <I>ao</I> outro, responder <I>perante</I> as institui&ccedil;&otilde;es. “Responder por si” configura, por excel&ecirc;ncia, a responsabilidade de cada sujeito se individualizar, de ser ele mesmo, em suma, de desenvolver uma reflexividade que marca o que para cada um &eacute; mais ou menos importante. Por sua vez, a “resposta ao outro” &eacute;, segundo Derrida, Blanchot e Levinas, a modalidade primeira, dado o conceito de responsabilidade se colocar primordialmente em termos de la&ccedil;o de interdepend&ecirc;ncia (Gaudet 2001, p.80). Desde logo nos in&iacute;cios da vida adulta, mas tamb&eacute;m nos compromissos amorosos ou profissionais, o assumir desses compromissos para com os pr&oacute;ximos &eacute; uma unidade forte na traject&oacute;ria de cada sujeito. Se as duas primeiras modalidades pertencem sobretudo &agrave; esfera privada, existe ainda uma outra responsabilidade que liga o indiv&iacute;duo &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es. “Responder perante as institui&ccedil;&otilde;es” est&aacute; no centro do exerc&iacute;cio de cidadania, posicionando o indiv&iacute;duo perante as institui&ccedil;&otilde;es que definem a sociedade &agrave; qual pertence.</P >    <P    >Ora, num contexto societal complexo como se configura o da modernidade avan&ccedil;ada, ser respons&aacute;vel por si constr&oacute;i-se e solidifica-se na articula&ccedil;&atilde;o reticular com outros, na resposta ao outro e &agrave;s suas interpela&ccedil;&otilde;es. De igual modo, o la&ccedil;o de responsabilidade que nos liga a outrem est&aacute; intimamente ligado ao dom&iacute;nio da reflexividade e &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de uma identidade pessoal. Ou ainda, contra o discurso da apatia, v&aacute;rios estudos demonstram a rela&ccedil;&atilde;o estreita entre a constru&ccedil;&atilde;o de projectos individuais, os empenhamentos pr&oacute;ximos e o empenhamento c&iacute;vico, comprometendo-se com responsabilidades prospectivas (a luta pela defesa do ambiente e o futuro do planeta, recorde-se, ela pr&oacute;pria objecto de aten&ccedil;&atilde;o especial no seio do cursos EFA orientados pela Funda&ccedil;&atilde;o Solid&aacute;rios). S&oacute; que, porventura, de uma forma mais desinstitucionalizada, mais flex&iacute;vel, mais localizada no tempo e com prop&oacute;sitos muito concretos (Monteiro, 2004).</P >    <P   ><B>6. Cursos EFA, segunda abordagem: a co-responsabiliza&ccedil;&atilde;o pelo futuro</B></P >    <P    >Na &uacute;ltima d&eacute;cada do s&eacute;c. XX e primeira do presente s&eacute;culo, t&ecirc;m-se vindo a refor&ccedil;ar os esfor&ccedil;os no sentido de contrapor &agrave;s pol&iacute;ticas individualizadas de inser&ccedil;&atilde;o uma concep&ccedil;&atilde;o mais colectiva da responsabilidade pelas vulnerabilidades sociais. No contexto de programas e medidas que t&ecirc;m procurado incorporar tais princ&iacute;pios, a responsabilidade face aos problemas sociais desloca-se para o n&iacute;vel do local, ao mesmo tempo que, pouco a pouco, se incrementa a valoriza&ccedil;&atilde;o da concerta&ccedil;&atilde;o e da parceria entre os diferentes actores envolvidos. Como fazem quest&atilde;o de salientar Jean-Fran&ccedil;ois Ren&eacute; e outros (2001, pp.125-139) descrevendo o caso concreto da experi&ecirc;ncia canadiana de inser&ccedil;&atilde;o profissional de jovens, num espa&ccedil;o de “governa&ccedil;&atilde;o territorializada” tra&ccedil;am-se pr&aacute;ticas de “configura&ccedil;&atilde;o partenarial” entre Estado e organiza&ccedil;&otilde;es comunit&aacute;rias “...visando a constru&ccedil;&atilde;o de uma rede de interven&ccedil;&atilde;o em torno dos jovens em dificuldade”.</P >    <P    >Um dos pontos de inova&ccedil;&atilde;o que a Funda&ccedil;&atilde;o Solid&aacute;rios introduz ao n&iacute;vel dos cursos EFA, passa, em contraste, pelo facto de estas parcerias n&atilde;o se constitu&iacute;rem a partir de uma malha institucional que potencia “uma rede de interven&ccedil;&atilde;o <I>em torno de</I>”, mas pela aposta numa “parceria <I>com</I>” as mulheres. S&oacute; poss&iacute;vel pelo investimento em torno de compet&ecirc;ncias que potenciaram o <I>empowerment</I> destas formandas (reflexividade e autonomia de decis&atilde;o; capacidade de identifica&ccedil;&atilde;o de problemas, estrat&eacute;gias e recursos mobiliz&aacute;veis; capacidade negocial; compreens&atilde;o das l&oacute;gicas de concerta&ccedil;&atilde;o e trabalho em equipa), reuniram-se por esta via condi&ccedil;&otilde;es para uma resposta capaz das formandas aos desafios decorrentes do envolvimento numa pr&aacute;tica de parceria. O esfor&ccedil;o de inser&ccedil;&atilde;o tra&ccedil;a-se na jun&ccedil;&atilde;o entre responsabilidades individualmente assumidas e quadros de responsabilidade colectivamente partilhados. Num tal contexto, a parceria funciona como um catalizador das responsabilidades. </P >    <P    >Em termos concretos, iniciativas como a “contratualiza&ccedil;&atilde;o de compet&ecirc;ncias” ou a apresenta&ccedil;&atilde;o de um “projecto social e profissional” associado ao portf&oacute;lio reflexivo, s&atilde;o entendidas como vias para fazer ir mais longe o empenhamento respons&aacute;vel das formandas no tra&ccedil;ar do seu pr&oacute;prio destino, assumido no seio da equipa pedag&oacute;gica como um dos objectivos primordiais a atingir. Descrevendo sinteticamente o processo de “contratualiza&ccedil;&atilde;o de compet&ecirc;ncias” (Monteiro, 2008), este visa o reconhecimento pelas formandas das compet&ecirc;ncias j&aacute; detidas e a tomada a consciencializa&ccedil;&atilde;o acerca das que elas julgam precisar ou querem vir a desenvolver at&eacute; ao final do percurso de forma&ccedil;&atilde;o<a href="#top6">6</a><a name="6">. O procedimento inicia-se pela apresenta&ccedil;&atilde;o, por parte de uma mediadora, de um documento sumariando “situa&ccedil;&otilde;es de vida” e compet&ecirc;ncias a elas associadas (“ocupa&ccedil;&atilde;o profissional”, “Eu”, “Eu e os outros”), a partir do qual cada mulher reflecte e identifica compet&ecirc;ncias j&aacute; possu&iacute;das e outras a adquirir. Em entrevista pessoal com a mediadora &eacute;, na base da auto-an&aacute;lise desenvolvida, clarificado um percurso individualizado de forma&ccedil;&atilde;o. Finalmente, o documento “O meu percurso de forma&ccedil;&atilde;o”, no qual designam as compet&ecirc;ncias que pretendem vir a adquirir at&eacute; ao final do curso, &eacute; publicamente partilhado com as outras formandas, a equipa pedag&oacute;gica e alguns representantes institucionais.</P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P    >Todo este processo implica um significativo esfor&ccedil;o de auto-reflex&atilde;o e auto-determina&ccedil;&atilde;o por parte de cada uma das mulheres, na defini&ccedil;&atilde;o de um percurso individualizado de forma&ccedil;&atilde;o que a equipa pedag&oacute;gica se compromete em parceria a respeitar e a implementar. Mas, de forma igualmente clara, &eacute; por esta via estabelecido um patamar de co-responsabiliza&ccedil;&atilde;o, pelo qual se negociam metas concretas e se assumem em conjunto compromissos para as atingir. </P >    <P   ><B>Notas finais: sucessos e limites da ac&ccedil;&atilde;o educativa</B></P >    <P    >Na sua obra mais recente, <I>La soci&eacute;t&eacute; du malaise</I>, Alain Ehrenberg explora aquelas que considera serem duas significa&ccedil;&otilde;es sociais para o conceito de autonomia: a autonomia como condi&ccedil;&atilde;o e a autonomia como aspira&ccedil;&atilde;o. A primeira das mesmas, apoiada na heran&ccedil;a puritana da cultura americana, encara o indiv&iacute;duo como um sujeito que se auto-governa e deve ser livre nas suas escolhas e na prossecu&ccedil;&atilde;o da sua realiza&ccedil;&atilde;o pessoal. Remete para a capacidade do indiv&iacute;duo para gerir as condi&ccedil;&otilde;es da sua independ&ecirc;ncia, entender as oportunidades, mobilizar o seu potencial e entrar em competi&ccedil;&atilde;o como em coopera&ccedil;&atilde;o. A segunda, a da autonomia como aspira&ccedil;&atilde;o, identifica-se sobretudo com o ideal republicano franc&ecirc;s e &eacute; sobretudo uma reivindica&ccedil;&atilde;o de emancipa&ccedil;&atilde;o. Nesse sentido, invoca sobretudo o lado pol&iacute;tico da autonomia, ou seja, faz depender a autonomia da ac&ccedil;&atilde;o do Estado e da capacidade deste para gerir uma <I>igualdade </I><I>de protec&ccedil;&atilde;o </I>a todos os cidad&atilde;os.</P >    <P    >Pelas raz&otilde;es j&aacute; invocadas ao longo do presente texto, compreende-se facilmente que a nova ordem social em vigor, marcada pelo risco, pela individualiza&ccedil;&atilde;o dos percursos de vida, pelos ideais de competi&ccedil;&atilde;o e coopera&ccedil;&atilde;o, assim como pela generaliza&ccedil;&atilde;o dos pr&oacute;prios valores da autonomia, afasta cada vez mais o conceito de autonomia do seu &uacute;nico significado enquanto aspira&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, para o estabelecer como condi&ccedil;&atilde;o de vida e, mesmo, de sobreviv&ecirc;ncia social: “A autonomia tornou-se a nossa condi&ccedil;&atilde;o, mas &agrave; autonomia-independ&ecirc;ncia veio juntar-se a a autonomia-competi&ccedil;&atilde;o” (Ehrenberg, 2010, p.36). Pelo que se torna amplamente pertinente a quest&atilde;o colocada por Robert Castel, gerada ela pr&oacute;pria a prop&oacute;sito de uma an&aacute;lise cr&iacute;tica da obra de Ehrenberg: “quais s&atilde;o as condi&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias para que a autonomia possa vir a ser verdadeiramente uma autonomia como condi&ccedil;&atilde;o?” (2010, p.10). </P >    <P    >A resposta avan&ccedil;ada por Castel &eacute; de que o indiv&iacute;duo precisa de protec&ccedil;&otilde;es para salvaguardar a sua independ&ecirc;ncia e o exerc&iacute;cio da autonomia, em particular aqueles que carecem de um m&iacute;nimo de recursos e de direitos para poderem ser independentes de facto. Sob pena de &agrave; fragiliza&ccedil;&atilde;o dos la&ccedil;os sociais e ao espectro da exclus&atilde;o se somar um abandono do indiv&iacute;duo &agrave; sua sorte, numa sociedade cada vez mais competitiva e gestion&aacute;ria. Nesse sentido, a defesa do direito, da igualdade de protec&ccedil;&atilde;o e do papel regulador do Estado continuam a ser condi&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias para “fazer sociedade”. Uma resposta com a qual Ehrenberg genericamente concorda, mas &agrave; qual acrescenta uma outra dimens&atilde;o: a de que a natureza das desigualdades de hoje implica uma responsabilidade pessoal na medida em que, nas economias do conhecimento, a igualdade de oportunidades depende das pr&oacute;prias capacidades relacionais e cognitivas do indiv&iacute;duo, na linha do que j&aacute; haviam afirmado Amartya Sen e Esping-Andersen. Esta situa&ccedil;&atilde;o implica o desenvolvimento de “pr&aacute;ticas consistindo em ajudar os sujeitos a ajudarem-se a si pr&oacute;prios”, devolvendo-lhes o poder de agirem e tomarem decis&otilde;es sobre o seu pr&oacute;prio futuro. Ou, por outras palavras, promovendo o <I>empowerment</I> dos desfavorecidos.</P >    <P    >Olhando para a experi&ecirc;ncia desenvolvida pela Funda&ccedil;&atilde;o Solid&aacute;rios no quadro da dinamiza&ccedil;&atilde;o de cursos de Educa&ccedil;&atilde;o e Forma&ccedil;&atilde;o de Adultos, a principal conclus&atilde;o que da&iacute; se extrai &eacute; a de que esta organiza&ccedil;&atilde;o tem procurado interpretar a autonomia como uma “condi&ccedil;&atilde;o” necess&aacute;ria &agrave; vida daqueles que sofrem a experi&ecirc;ncia de uma n&atilde;o plena inclus&atilde;o na sociedade portuguesa. E, para tal, faz uso da Educa&ccedil;&atilde;o como via para promover essa inclus&atilde;o social e “preparar as formandas para a vida, de modo a que se tornem aut&oacute;nomas e se adaptem aos v&aacute;rios contextos”. Responsabilidade individual pela determina&ccedil;&atilde;o do seu pr&oacute;prio percurso de forma&ccedil;&atilde;o e pelo estabelecimento de metas de vida, co-responsabilidade (em parceria, entre formandas e equipa pedag&oacute;gica) pela garantia de procedimentos adequados &agrave; consecu&ccedil;&atilde;o de tais metas, foram princ&iacute;pios (a par dos j&aacute; invocados, autonomia e auto-reflex&atilde;o) em que os intervenientes nestas iniciativas de Educa&ccedil;&atilde;o e Forma&ccedil;&atilde;o investiram particularmente, e sobre os quais todas as avalia&ccedil;&otilde;es reconhecem terem sido atingidos resultados inovadores. </P >    <P    >Contudo, existe no seio da Funda&ccedil;&atilde;o Solid&aacute;rios a permanente no&ccedil;&atilde;o de que o ensaiado &eacute; sempre provis&oacute;rio e de que cada p&uacute;blico, cada situa&ccedil;&atilde;o de exclus&atilde;o, exige novas experimenta&ccedil;&otilde;es e sucessivas avalia&ccedil;&otilde;es cr&iacute;ticas. Ainda que sempre pautadas pelos valores que conferem &agrave; Educa&ccedil;&atilde;o um car&aacute;cter emancipat&oacute;rio. Ou, como nos lembra Lic&iacute;nio Lima, a concep&ccedil;&atilde;o de uma educa&ccedil;&atilde;o permanente caracterizada pelo diagn&oacute;stico cr&iacute;tico do mundo social, a compreens&atilde;o dos obst&aacute;culos e imagina&ccedil;&atilde;o das possibilidades de transforma&ccedil;&atilde;o ”dificilmente poder&aacute; deixar de reconhecer, humildemente, a despropor&ccedil;&atilde;o entre a grandeza dos seus objectivos e a limita&ccedil;&atilde;o dos seus meios e capacidades.” (2010, p. 51).</P >    <P   >&nbsp;</P >     <P   ><B>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</B></P >     <!-- ref --><P    >Adams, M. (2006). Hybridizing Habitus and Reflexivity: Towards an Understanding of Contemporary Identity? <I>Sociology, 40 (3)</I>, 511-528.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000072&pid=S1645-7250201100030000500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P >    <!-- ref --><P    >An&iacute;bal, A., Tou&ccedil;as, H., Dornellas, L., Morgadinho, P., Seoane, P. &amp; Ver&iacute;ssimo, V. (2008). Vidas Reconhecidas<I>: </I>o Projecto de Educa&ccedil;&atilde;o  e Forma&ccedil;&atilde;o de Adultos da C&acirc;mara Municipal de Lisboa. <I>Revista Lus&oacute;fona de Educa&ccedil;&atilde;o, 11, </I>149-159.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000074&pid=S1645-7250201100030000500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P >    <!-- ref --><P    >Beck, U. (1986). <I>Risk Society. Towards a New Modernity</I>. London: Sage.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000076&pid=S1645-7250201100030000500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P >    <!-- ref --><P    >Beck, U. &amp; Beck-Gernsheim, E. (2003). <I>La individualizaci&oacute;n. </I>Barcelona: Paid&oacute;s.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000078&pid=S1645-7250201100030000500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P >    <!-- ref --><P    >Beck, U., Giddens, A. &amp; Lash, S. (2000). <I>Moderniza&ccedil;&atilde;o Reflexiva – Pol&iacute;tica, Tradi&ccedil;&atilde;o e Est&eacute;tica no Mundo Moderno</I>. Oeiras: Celta.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000080&pid=S1645-7250201100030000500005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P >    <!-- ref --><P    >Castel, R. (1995). <I>Les m&eacute;tamorphoses de la question sociale. Une chronique du salariat. </I>Paris&nbsp;: Fayard.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000082&pid=S1645-7250201100030000500006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P >      <P>Castel, R. (2010). L’autonomie, aspiration ou condition&nbsp;? <I>La Vie des id&eacute;es</I>,  [Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.laviedesidees.fr/L-autonomie-aspiration-ou.html" target="_blank">http://www.laviedesidees.fr/L-autonomie-aspiration-ou.html</a>, consultado em 03/01/2011].</P>      <!-- ref --><P    >Charbonneau, J. &amp; Est&egrave;be, P. (2001). Entre l’engagement et l’obligation: l’appel &agrave; la responsabilit&eacute; &agrave; l’ordre du jour. <I>Lien Social et Politiques</I>, <I>46</I>, 5-15.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000085&pid=S1645-7250201100030000500008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P >    <!-- ref --><P    >Ehrenberg, A. (2010). France – &Eacute;tats-Unis&nbsp;: deux conceptions de l’autonomie. <I>Sciences Humaines, 220 (Novembre)</I>, 34-36.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000087&pid=S1645-7250201100030000500009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P >    <!-- ref --><P    >Fernandes, A. T. (2009). <I>Recomposi&ccedil;&atilde;o Social e Abordagens Te&oacute;ricas</I>. Porto&nbsp;: Afrontamento.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000089&pid=S1645-7250201100030000500010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P >    <!-- ref --><P    >Gaudet, S. (2001). La responsabilit&eacute; dans les d&eacute;buts de l’&acirc;ge adulte. <I>Lien Social et Politiques</I>, <I>46</I>, 71-83.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000091&pid=S1645-7250201100030000500011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P    >Giddens, A. (1997). <I>Para Al&eacute;m da Esquerda e da Direita</I>. Oeiras: Celta.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000093&pid=S1645-7250201100030000500012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P >    <!-- ref --><P    >Hespanha, P. &amp; Carapinheiro, G. (orgs) (2002). <I>Risco social e incerteza – pode o Estado Social recuar mais</I>. Porto: Edi&ccedil;&otilde;es Afrontamento.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000095&pid=S1645-7250201100030000500013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P >    <!-- ref --><P    >Jonas, H. (1990). <I>Le principe responsabilit&eacute;: une &eacute;thique pour la civilisation technologique</I>. Paris: &eacute;ditions du Cerf.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000097&pid=S1645-7250201100030000500014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P >    <!-- ref --><P    >Lima, L. (2010). A educa&ccedil;&atilde;o faz tudo&nbsp;? Cr&iacute;tica ao pedagogismo na &laquo;&nbsp;sociedade da aprendizagem&nbsp;&raquo;. <I>Revista Lus&oacute;fona de Educa&ccedil;&atilde;o, 15, </I>41-54.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000099&pid=S1645-7250201100030000500015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P >    <!-- ref --><P    >M&eacute;tayer, M. (2001). Vers une pragmatique de la responsabilit&eacute; morale. <I>Lien Social et Politiques, 46</I>, 19-30.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000101&pid=S1645-7250201100030000500016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P    >Mol&eacute;nat, X. (2010). De l’id&eacute;al &agrave; la norme. <I>Sciences Humaines, 220 (Novembre)</I>, 31-33.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000103&pid=S1645-7250201100030000500017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P >    <!-- ref --><P    >Monteiro, A. (2004). <I>Associativismo e Novos La&ccedil;os Sociais</I>. Coimbra: Quarteto.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000105&pid=S1645-7250201100030000500018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P >    <!-- ref --><P    >Monteiro, A. (2008). Adult learning towards an autonomous and active citizenship: the example of an adult education and training plan based on a ‘pragmatics of responsibility’. In A. Fragoso, E. Kurantowicz e E. Lucio-Villegas (eds). <I>Local in Global – Adult Learning and Community </I><I>Development</I> (pp.144-156). Wroclaw: Wydawnictwo Naukowe.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000107&pid=S1645-7250201100030000500019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P >    <!-- ref --><P    >Monteiro, A., Gomes, I. &amp; Herculano, D. (2010). The Reflective Learning Portfolio as a Transformative Tool for Local Development. In E. Lucio-Villegas (ed). <I>Transforming / Researching Com</I><I></I><I>munities</I> (pp. 49-61). El Masnou: di&aacute;logos.red.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000109&pid=S1645-7250201100030000500020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P >    <!-- ref --><P    >Pais, J.M. (2007). Cotidiano e Reflexividade. <I>Educ. Soc., vol. 28, n&ordm; 98 (jan/abr)</I>, 23-46.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000111&pid=S1645-7250201100030000500021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P    >Ren&eacute;, J-F., Goyette, M., Bellot, C., Dallaire, N &amp; Panet-Raymond, J. (2001). L’insertion socioprofessionnelle des jeunes: le prisme du partenariat comme catalyseur de la responsabilit&eacute;. <I>Lien </I><I>Social et Politiques</I>, <I>46</I>, 125-139.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000113&pid=S1645-7250201100030000500022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P >    <!-- ref --><P    >S&agrave;ve, B. (1990). Hans Jonas et l’&eacute;thique de la responsabilit&eacute;. <I>Esprit, 10</I>, 72-87.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000115&pid=S1645-7250201100030000500023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P >    <!-- ref --><P    >Solid&aacute;rios (2003a). <I>(Des)envolver Compet&ecirc;ncias – Que compet&ecirc;ncias adquirir?</I>. Oliveira do Bairro: Funda&ccedil;&atilde;o Solid&aacute;rios (policopiado).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000117&pid=S1645-7250201100030000500024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P >    <!-- ref --><P    >Solid&aacute;rios (2003b). <I>(Des)envolver Compet&ecirc;ncias – Roteiro Aprender com Autonomia</I>. Oliveira do Bairro: Funda&ccedil;&atilde;o Solid&aacute;rios (policopiado).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000119&pid=S1645-7250201100030000500025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P >     <P    >&nbsp;</P >     <P    ><B>Notas</B></P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P    ><a href="#1">1</a><a name="top1">Cita&ccedil;&atilde;o retirada do folheto de apresenta&ccedil;&atilde;o da Sess&atilde;o Final do curso &ldquo;(Des)envolver Compet&ecirc;ncias&rdquo;.</P >     <P    ><a href="#2">2</a><a name="top2">&ldquo;Os cursos EFA preparam cidad&atilde;os com idade igual ou superior a 18 anos, que abandonaram  prematuramente o Sistema de Ensino, n&atilde;o qualificados ou sem qualifica&ccedil;&atilde;o adequada e que n&atilde;o tenham conclu&iacute;do a  escolaridade b&aacute;sica de 4, 6 ou 9 anos, permitindo a obten&ccedil;&atilde;o dos 1.&ordm;, 2.&ordm; ou 3.&ordm; Ciclo do Ensino B&aacute;sico,  associados a uma qualifica&ccedil;&atilde;o profissional de n&iacute;veis 1 ou 2, numa &oacute;ptica de dupla certifica&ccedil;&atilde;o escolar e  profissional.&rdquo; (<a href="http://www.iefp.pt/Formacao_Profissional/Mod_EFA.htm" target="_blank">http://www.iefp.pt/Formacao_Profissional/Mod_EFA.htm</a>).</P >     <P    ><a href="#3">3</a><a name="top3"><I>Vide</I> ponto 6 deste texto.</P >     <P    ><a href="#4">4</a><a name="top4"><I>Vide</I> Monteiro, Gomes e Herculano, 2010, onde se produz uma an&aacute;lise mais pormenorizada do uso deste instrumento pela Funda&ccedil;&atilde;o Solid&aacute;rios.</P >     <P    ><a href="#5">5</a><a name="top5"> Tradu&ccedil;&atilde;o francesa: Jonas, H. (1990). <I>Le principe responsabilit&eacute;: une &eacute;thique pour la civilisation </I><I>technologique</I>. Paris: &eacute;ditions du Cerf.</P >     <P    ><a href="#6">6</a><a name="top6">Para um melhor conhecimento dos procedimentos desenvolvidos, consultar os documentos &ldquo;(Des)envolver Compet&ecirc;ncias &ndash; que compet&ecirc;ncias adquirir&hellip;&rdquo; e &ldquo;(Des)envolver Compet&ecirc;ncias &ndash; Roteiro Aprender com Autonomia&rdquo;, editados pela Funda&ccedil;&atilde;o Solid&aacute;rios. </P >        ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Adams]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Hybridizing Habitus and Reflexivity: Towards an Understanding of Contemporary Identity?]]></article-title>
<source><![CDATA[Sociology]]></source>
<year>2006</year>
<volume>40</volume>
<numero>3</numero>
<issue>3</issue>
<page-range>511-528</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Aníbal]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Touças]]></surname>
<given-names><![CDATA[H.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Dornellas]]></surname>
<given-names><![CDATA[L.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Morgadinho]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Seoane]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Veríssimo]]></surname>
<given-names><![CDATA[V.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Vidas Reconhecidas: o Projecto de Educação e Formação de Adultos da Câmara Municipal de Lisboa]]></article-title>
<source><![CDATA[Revista Lusófona de Educação]]></source>
<year>2008</year>
<numero>11</numero>
<issue>11</issue>
<page-range>149-159</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Beck]]></surname>
<given-names><![CDATA[U.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Risk Society: Towards a New Modernity]]></source>
<year>1986</year>
<publisher-loc><![CDATA[London ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Sage]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Beck]]></surname>
<given-names><![CDATA[U.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Beck-Gernsheim]]></surname>
<given-names><![CDATA[E.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[La individualización]]></source>
<year>2003</year>
<publisher-loc><![CDATA[Barcelona ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Paidós]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Beck]]></surname>
<given-names><![CDATA[U.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Giddens]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Lash]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Modernização Reflexiva: Política, Tradição e Estética no Mundo Moderno]]></source>
<year>2000</year>
<publisher-loc><![CDATA[Oeiras ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Celta]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Castel]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Les métamorphoses de la question sociale: Une chronique du salariat]]></source>
<year>1995</year>
<publisher-loc><![CDATA[Paris ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Fayard]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Castel]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="fr"><![CDATA[L’autonomie, aspiration ou condition ?]]></article-title>
<source><![CDATA[La Vie des idées]]></source>
<year>2010</year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Charbonneau]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Estèbe]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="fr"><![CDATA[Entre l’engagement et l’obligation: l’appel à la responsabilité à l’ordre du jour]]></article-title>
<source><![CDATA[Lien Social et Politiques]]></source>
<year>2001</year>
<numero>46</numero>
<issue>46</issue>
<page-range>5-15</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Ehrenberg]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="fr"><![CDATA[France - États-Unis: deux conceptions de l’autonomie]]></article-title>
<source><![CDATA[Sciences Humaines]]></source>
<year>2010</year>
<numero>220</numero>
<issue>220</issue>
<page-range>34-36</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Fernandes]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. T.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Recomposição Social e Abordagens Teóricas]]></source>
<year>2009</year>
<publisher-loc><![CDATA[Porto ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Afrontamento]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Gaudet]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="fr"><![CDATA[La responsabilité dans les débuts de l’âge adulte]]></article-title>
<source><![CDATA[Lien Social et Politiques]]></source>
<year>2001</year>
<numero>46</numero>
<issue>46</issue>
<page-range>71-83</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B12">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Giddens]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Para Além da Esquerda e da Direita]]></source>
<year>1997</year>
<publisher-loc><![CDATA[Oeiras ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Celta]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B13">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Hespanha]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Carapinheiro]]></surname>
<given-names><![CDATA[G.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Risco social e incerteza: - pode o Estado Social recuar mais]]></source>
<year>2002</year>
<publisher-loc><![CDATA[Porto ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Edições Afrontamento]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B14">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Jonas]]></surname>
<given-names><![CDATA[H.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Le principe responsabilité: une éthique pour la civilisation technologique]]></source>
<year>1990</year>
<publisher-loc><![CDATA[Paris ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[éditions du Cerf]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B15">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Lima]]></surname>
<given-names><![CDATA[L.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A educação faz tudo ? Crítica ao pedagogismo na «sociedade da aprendizagem»]]></article-title>
<source><![CDATA[Revista Lusófona de Educação]]></source>
<year>2010</year>
<numero>15</numero>
<issue>15</issue>
<page-range>41-54</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B16">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Métayer]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="fr"><![CDATA[Vers une pragmatique de la responsabilité morale]]></article-title>
<source><![CDATA[Lien Social et Politiques]]></source>
<year>2001</year>
<numero>46</numero>
<issue>46</issue>
<page-range>19-30</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B17">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Molénat]]></surname>
<given-names><![CDATA[X.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="fr"><![CDATA[De l’idéal à la norme]]></article-title>
<source><![CDATA[Sciences Humaines]]></source>
<year>2010</year>
<numero>220</numero>
<issue>220</issue>
<page-range>31-33</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B18">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Monteiro]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Associativismo e Novos Laços Sociais]]></source>
<year>2004</year>
<publisher-loc><![CDATA[Coimbra ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Quarteto]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B19">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Monteiro]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Adult learning towards an autonomous and active citizenship: the example of an adult education and training plan based on a ‘pragmatics of responsibility’]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Fragoso]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Kurantowicz]]></surname>
<given-names><![CDATA[E.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Lucio-Villegas]]></surname>
<given-names><![CDATA[E.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Local in Global: Adult Learning and Community Development]]></source>
<year>2008</year>
<page-range>144-156</page-range><publisher-loc><![CDATA[Wroclaw ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Wydawnictwo Naukowe]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B20">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Monteiro]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Gomes]]></surname>
<given-names><![CDATA[I.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Herculano]]></surname>
<given-names><![CDATA[D.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The Reflective Learning Portfolio as a Transformative Tool for Local Development]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Lucio-Villegas]]></surname>
<given-names><![CDATA[E.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Transforming / Researching Communities]]></source>
<year>2010</year>
<page-range>49-61</page-range><publisher-loc><![CDATA[El Masnou ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[diálogos.red]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B21">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Pais]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Cotidiano e Reflexividade]]></article-title>
<source><![CDATA[Educ. Soc.]]></source>
<year>2007</year>
<volume>28</volume>
<numero>98</numero>
<issue>98</issue>
<page-range>23-46</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B22">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[René]]></surname>
<given-names><![CDATA[J-F.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Goyette]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Bellot]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Dallaire]]></surname>
<given-names><![CDATA[N]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Panet-Raymond]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="fr"><![CDATA[L’insertion socioprofessionnelle des jeunes: le prisme du partenariat comme catalyseur de la responsabilité]]></article-title>
<source><![CDATA[Lien Social et Politiques]]></source>
<year>2001</year>
<numero>46</numero>
<issue>46</issue>
<page-range>125-139</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B23">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Sàve]]></surname>
<given-names><![CDATA[B.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="fr"><![CDATA[Hans Jonas et l’éthique de la responsabilité]]></article-title>
<source><![CDATA[Esprit]]></source>
<year>1990</year>
<numero>10</numero>
<issue>10</issue>
<page-range>72-87</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B24">
<nlm-citation citation-type="book">
<collab>Solidários</collab>
<source><![CDATA[(Des)envolver Competências: Que competências adquirir?]]></source>
<year>2003</year>
<publisher-loc><![CDATA[Oliveira do Bairro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Fundação Solidários]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B25">
<nlm-citation citation-type="book">
<collab>Solidários</collab>
<source><![CDATA[(Des)envolver Competências: Roteiro Aprender com Autonomia]]></source>
<year>2003</year>
<publisher-loc><![CDATA[Oliveira do Bairro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Fundação Solidários]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
