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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Do ‘aprender para fazer’ ao ‘aprender fazendo’: as práticas de Educação inclusiva na escola]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[From “learning how to do” to “learning by doing”: the practices of inclusive education, at school]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The inclusion emerges as a new social paradigm which requires a flexible and functional social organization that is based on the respect for one another and on a permanent construction that makes sense for each of the socio-cultural context in which it operates. To educate, by including, is a mission of the society, in general, and the school, in particular. Learning and teaching, by including, is a challenge for everyone and, for many, a utopia. We intend, with this article, to get involved, exemplifying and reflecting, so that we can make learning and teaching, by including, an achievable utopia. We sought a project developed in the classroom, in the framework of a master’s degree in special education, and through it, but having in the background that many other projects that were developed with the same principles and concerns, we report how to take advantage of the diversity of the group and obtain academic and social gains. From the results, we can say that trying new / other role models in the classroom and at school, reflecting on the action to validate and make it ever more efficient, in a perspective to build more and better knowledge, makes teaching and learning more effective and greatly motivates the players.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Educação inclusiva]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><B>Do ‘aprender para fazer’ ao ‘aprender fazendo’: as pr&aacute;ticas de Educa&ccedil;&atilde;o inclusiva na escola</B>   </P > </p>     <p>&nbsp; </p>     <P   ><B>Isabel Sanches</B>*</P >     <P   >*Doutora em Educa&ccedil;&atilde;o. Professora Associada da Universidade Lus&oacute;fona de Humanidades e Tecnologias. Coordenadora do  N&uacute;cleo de Investiga&ccedil;&atilde;o &ldquo;Educa&ccedil;&atilde;o Inclusiva&rdquo; (CeiEF). Co-coordenadora do Mestrado em  Educa&ccedil;&atilde;o especial, dom&iacute;nio cognitivo e motor. <a href="mailto:isabelrsanches@gmail.com">isabelrsanches@gmail.com</a></P >     <P   >&nbsp;</P >     <P   ><B>Resumo</B></P >    <P >A inclus&atilde;o apresenta-se como um novo paradigma social que obriga a uma organiza&ccedil;&atilde;o social flex&iacute;vel e funcional, assente no respeito por si e pelo outro e numa constru&ccedil;&atilde;o em perman&ecirc;ncia que fa&ccedil;a sentido para cada um no contexto s&oacute;cio cultural em que se insere. Educar, incluindo, &eacute; miss&atilde;o da sociedade em geral e da escola em particular. Aprender e ensinar, incluindo, &eacute; desafio para todos e utopia para muitos. Pretendemos, com este artigo, “meter as m&atilde;os na massa”, exemplificando e refletindo, para que possamos fazer do aprender e ensinar, incluindo, uma utopia realiz&aacute;vel. Fomos buscar um trabalho de projeto desenvolvido em sala de aula, no &acirc;mbito do mestrado em Educa&ccedil;&atilde;o especial e, atrav&eacute;s dele, mas tendo como pano de fundo muitos outros que foram desenvolvidos segundo os mesmos princ&iacute;pios e preocupa&ccedil;&otilde;es, damos conta do como se pode tirar partido da diversidade do grupo e ganhar em termos acad&eacute;micos e sociais. Pelos resultados obtidos, podemos afirmar que experimentar novos/outros modelos de atua&ccedil;&atilde;o em sala de aula e na escola, refletir sobre a a&ccedil;&atilde;o, para a validar e a tornar sempre mais eficiente, numa perspetiva de constru&ccedil;&atilde;o de mais e melhor conhecimento, torna o ensino e a aprendizagem mais eficazes e motiva sobremaneira os seus intervenientes.</P >     <P   ><B>Palavras-chave:</B> Educa&ccedil;&atilde;o inclusiva; escola inclusiva; pr&aacute;ticas de Educa&ccedil;&atilde;o inclusiva; forma&ccedil;&atilde;o de professores; investiga&ccedil;&atilde;o-a&ccedil;&atilde;o.</P >     <P >&nbsp;</P >     <P ><b>From &ldquo;learning how to do&rdquo; to &ldquo;learning by doing&rdquo;: the practices of inclusive education, at school</b></P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Abstract</b></p>     <p>The inclusion emerges as a new social paradigm which requires a flexible and functional social organization that is based on the respect for one another and on a permanent construction that makes sense for each of the socio-cultural context in which it operates. To educate, by including, is a mission of the society, in general, and the school, in particular. Learning and teaching, by including, is a challenge for everyone and, for many, a utopia.   We intend, with this article, to get involved, exemplifying and reflecting, so that we can make learning and teaching, by including, an achievable utopia.   We sought a project developed in the classroom, in the framework of a master&rsquo;s degree in special education, and through it, but having in the background that many other projects that were developed with the same principles and concerns, we report how to take advantage of the diversity of the group and obtain academic and social gains.   From the results, we can say that trying new / other role models in the classroom and at school, reflecting on the action to validate and make it ever more efficient, in a perspective to build more and better knowledge, makes teaching and learning more effective and greatly motivates the players.</p>     <p><b>Keywords:</b> inclusive education, inclusive education, inclusive education practices, teacher training, research and action.</p>     <p>&nbsp;</p>     <P   ><B>Introdu&ccedil;&atilde;o</B></P >    <P >Falar de Educa&ccedil;&atilde;o inclusiva &eacute;, por si s&oacute;, falar de exclus&atilde;o, mas &eacute; um comportamento necess&aacute;rio quando se procura atingir o oposto ao que &eacute; praticado, correndo o risco de, por vezes, esse risco se tornar em dura realidade. O acesso &agrave; educa&ccedil;&atilde;o inclusiva tem de passar pela elimina&ccedil;&atilde;o de qualquer discrimina&ccedil;&atilde;o, seja ela positiva ou negativa, embora para l&aacute; chegar se tenham de percorrer muitas etapas interm&eacute;dias, por vezes bem discriminat&oacute;rias. &Eacute; apostar no contexto e no grupo, como ponto de partida e ponto de chegada, sem deixar de fora nenhum dos seus elementos e aproveitando-os como recurso para dinamizar e estimular as aprendizagens sociais e educativas. &Eacute; formar uma comunidade flex&iacute;vel que modifica o seu funcionamento, de modo a fazer sentido para cada um dos elementos que a constituem.</P >    <P >Encarada como um desafio, a operacionaliza&ccedil;&atilde;o da Educa&ccedil;&atilde;o inclusiva poder&aacute; passar pela implementa&ccedil;&atilde;o da investiga&ccedil;&atilde;o-a&ccedil;&atilde;o realizada pelo professor (Bell, 1997), envolvendo todos os intervenientes do processo educativo, numa din&acirc;mica de a&ccedil;&atilde;o/reflex&atilde;o/a&ccedil;&atilde;o, como processo de forma&ccedil;&atilde;o (auto e h&eacute;tero) e de resolu&ccedil;&atilde;o de problemas (Sanches, 2005). </P >    <P >‘Se quem quer arranja maneira’, n&atilde;o h&aacute; motivo que possa superar o querer fazer e, por isso, neste artigo s&atilde;o apresentados exemplos do que se pode fazer, aproveitando e mobilizando os recursos que se t&ecirc;m, mas principalmente congregando vontades, bons profissionais e boas pr&aacute;ticas educativas.  </P >    <P   ><B>Educa&ccedil;&atilde;o e Escola inclusivas: uma utopia realiz&aacute;vel?</B></P >    <P >Viver e aprender com os seus pares, na sua comunidade, incluindo a escola do seu ‘bairro’, &eacute; ter acesso a uma Educa&ccedil;&atilde;o inclusiva. Falar de Educa&ccedil;&atilde;o inclusiva &eacute; falar em equidade, diversidade f&iacute;sica, intelectual, &eacute;tnica, cultural ou religiosa, direitos e tamb&eacute;m deveres, e romper com as barreiras impostas pela utopia de alcan&ccedil;ar a homogeneidade, a normaliza&ccedil;&atilde;o, o ‘homem/o aluno m&eacute;dio’. &Eacute; viver e aprender com as diferen&ccedil;as e trazer para as nossas vidas o esplendor do arco-&iacute;ris com a sua harmonia, beleza e diversidade de cores. &Eacute; respeitar e ser respeitado, &eacute; amar e ser amado, &eacute;<B> ‘</B>olhar e viver<B>’</B> a diferen&ccedil;a como o direito a ser, a fazer e a estar com os outros, numa perspetiva de desenvolvimento de sociedades mais inclusivas, logo mais democr&aacute;ticas. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P >Na Educa&ccedil;&atilde;o inclusiva, o centro da aten&ccedil;&atilde;o &eacute; transformar a educa&ccedil;&atilde;o no acesso de cada um aos seus direitos: direito &agrave; educa&ccedil;&atilde;o e &agrave; igualdade de oportunidades e de participa&ccedil;&atilde;o, em comunidades educativas correspons&aacute;veis e corresponsabilizantes, em que a sua escola &eacute; capaz de se deixar desafiar para bem acolher e garantir o sucesso de todos os seus alunos, independentemente da sua cor, ra&ccedil;a, etnia, situa&ccedil;&atilde;o de defici&ecirc;ncia ou sobredota&ccedil;&atilde;o e, ainda, aqueles que n&atilde;o encontram sentido ou consideram irrelevantes as aprendizagens que a escola lhes proporciona. </P >    <P >Aceder a uma Educa&ccedil;&atilde;o inclusiva &eacute; procurar uma cidadania plena, no que ela comporta de direito e responsabilidade em estar com outros e com eles colaborar e aprender, num processo ativo de implica&ccedil;&atilde;o e de tomada de decis&otilde;es. A Educa&ccedil;&atilde;o inclusiva sup&otilde;e uma escola inclusiva, uma escola que ‘arranja maneira’ de acolher todas as crian&ccedil;as e jovens da sua comunidade, flexibiliza e adapta os seus curr&iacute;culos, n&atilde;o se limitando a reduzi-los, reestrutura as suas pr&aacute;ticas de organiza&ccedil;&atilde;o e de funcionamento, de forma a responder &agrave; diversidade dos seus estudantes, desde os mais vulner&aacute;veis aos mais dotados, apostando na mudan&ccedil;a de mentalidades e de pr&aacute;ticas, implicando, valorizando e corresponsabilizando todos os intervenientes no processo educativo. Uma escola inclusiva &eacute; uma escola em movimento, uma escola que evolui sempre, que nunca atinge o estado perfeito, como afirmam Booth, Ainscow, Black-Hawkins, Vaughan e Shaw (2000), que &eacute; capaz de gerir e tirar partido das mais-valias que comporta a diversidade dos seus alunos e colaboradores, desde os diretores aos alunos, passando pelos encarregados de educa&ccedil;&atilde;o, elementos da comunidade, funcion&aacute;rios e professores; &eacute; uma escola sem ‘grades’, aberta e dispon&iacute;vel para o di&aacute;logo e a negocia&ccedil;&atilde;o dos seus conte&uacute;dos e processos de operacionaliza&ccedil;&atilde;o, sem deixar de ter <I>autoridade</I>, <I>exig&ecirc;ncia</I> e <I>compet&ecirc;ncia; </I>&eacute; uma escola que reconhece as diferen&ccedil;as, respeita a diversidade, &eacute; flex&iacute;vel e cr&iacute;tica<I>, n&atilde;o promove a igualdade, mas a equi</I><I></I><I>dade, e tem especial preocupa&ccedil;&atilde;o na promo&ccedil;&atilde;o da participa&ccedil;&atilde;o e das aprendiza</I><I></I><I>gens dos seus alunos.</I></P >    <P >Diferentes entendimentos se geram &agrave; volta dos conceitos Educa&ccedil;&atilde;o inclusiva e escola inclusiva (desde os diretores das escolas aos professores, encarregados de educa&ccedil;&atilde;o, funcion&aacute;rios e aos pr&oacute;prios alunos), o que conduz a pr&aacute;ticas de organiza&ccedil;&atilde;o e de funcionamento, por vezes mais excludentes do que inclusivas, debaixo do mesmo “chap&eacute;u”. </P >    <P >Educa&ccedil;&atilde;o inclusiva, hoje, &eacute; um processo, uma caminhada com avan&ccedil;os e recuos, com obst&aacute;culos a vencer, e n&atilde;o algo acabado, o ‘farol’ da participa&ccedil;&atilde;o ativa de todos, descobrindo e ativando o potencial de cada um, na constru&ccedil;&atilde;o da comunidade que &eacute; de todos e de cada um. &Eacute; olhar fundo para cada pessoa, apostando na ess&ecirc;ncia do ser e n&atilde;o nas apar&ecirc;ncias, no parecer, o que pode conduzir a graves erros de conce&ccedil;&atilde;o e de operacionaliza&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;ticas educativas. &Eacute; encontrar as melhores formas de responder &agrave; diversidade, a viver e a aprender com a diferen&ccedil;a, encarando a diferen&ccedil;a como um desafio e uma mais-valia &agrave; vida em comunidade e &agrave; resolu&ccedil;&atilde;o dos seus problemas. &Eacute; identificar e remover barreiras pessoais, sociais e educativas, numa atitude proactiva de conceber e operacionalizar pol&iacute;ticas e pr&aacute;ticas que promovam n&atilde;o s&oacute; a presen&ccedil;a de todas as crian&ccedil;as e jovens na escola, mas que apostem na sua participa&ccedil;&atilde;o ativa, envolvendo-os em aprendizagens significativas, acad&eacute;micas e sociais, que desencadeiem o seu sucesso. N&atilde;o &eacute; olhar para as crian&ccedil;as e jovens, atrav&eacute;s de testes e exames, mas envolv&ecirc;-las e avali&aacute;-las em todo o processo de constru&ccedil;&atilde;o do seu saber, numa din&acirc;mica de coopera&ccedil;&atilde;o com os seus pares. N&atilde;o &eacute; ’olhar’ para o indiv&iacute;duo, isoladamente, mas para o grupo em que se insere, numa atitude mobilizadora e cooperativa, numa perspetiva de diferencia&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica inclusiva (Sanches &amp; Teodoro, 2006), ou seja, diferenciar tarefas dentro do grupo e n&atilde;o indiv&iacute;duos.</P >    <P >Urge, portanto, uma“revolu&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica” (Kunh, 2006) e que tenha como pressuposto “uma revolu&ccedil;&atilde;o cultural” (Gardou, 2003), que consensualize conceitos e ajude a definir pr&aacute;ticas que pressuponham o desenvolvimento, a aprendizagem e o sucesso de todos, atrav&eacute;s da sua participa&ccedil;&atilde;o ativa.</P >    <P   ><B>Porqu&ecirc; incluir e estar inclu&iacute;do?</B></P >    <P >Incluir tem vindo a ser a ‘bandeira’ de educadores e t&eacute;cnicos que trabalham com crian&ccedil;as e jovens em situa&ccedil;&atilde;o de defici&ecirc;ncia ou com os considerados com necessidades educativas especiais, como, em termos educativos, s&atilde;o designados. Hoje questiona-se esta aposta porque deu origem a que os estudantes/cidad&atilde;os, que v&ecirc;m a sua participa&ccedil;&atilde;o impedida e/ou a precisar de ser melhorada (Ainscow, 2009), n&atilde;o tenham as necess&aacute;rias oportunidades. Inclus&atilde;o, hoje, significa supera&ccedil;&atilde;o da discrimina&ccedil;&atilde;o e da n&atilde;o acessibilidade a bens essenciais, entre os quais destacamos aqui a Educa&ccedil;&atilde;o, a educa&ccedil;&atilde;o inclusiva, de todos os estudantes que, por raz&otilde;es v&aacute;rias (comportamentais, defici&ecirc;ncia ou pobreza, entre outros), dela s&atilde;o exclu&iacute;dos.</P >    <P >Incluir n&atilde;o &eacute; partir da categoriza&ccedil;&atilde;o/rotulagem do indiv&iacute;duo<a href="#top1">1</a><a name="1">, mas sim da elencagem e supera&ccedil;&atilde;o das barreiras sociais e educativas que impedem o acesso &agrave;s aprendizagens e &agrave; participa&ccedil;&atilde;o na escola/comunidade. Selecionando as barreiras, e gerando e gerindo os recursos necess&aacute;rios &agrave; sua transposi&ccedil;&atilde;o, criam-se condi&ccedil;&otilde;es para que todos, e n&atilde;o s&oacute; um grupo espec&iacute;fico, possam usufruir de resposta &agrave;s suas necessidades. A perspetiva de resposta individual, a dominante na maioria dos pa&iacute;ses (Mittler, 2000), e que tenta ocultar diferentes raz&otilde;es (culturais, sociais, entre outras), tem de ser substitu&iacute;da por uma resposta coletiva, obrigando a medidas mais estruturantes e mais abrangentes. N&atilde;o ir atr&aacute;s da dete&ccedil;&atilde;o das dificuldades/d&eacute;fices, mas proactivamente, ir &agrave; procura das solu&ccedil;&otilde;es que t&ecirc;m vindo a ajudar a resolver os problemas, os desafios que se colocam &agrave;s comunidades, sociais e educativas, caracterizadas pela diversidade dos seus p&uacute;blicos, como afirma Sanches (2011), implicando e corresponsabilizando todos os intervenientes e interessados na resolu&ccedil;&atilde;o do/s problema/s.</P >    <P >Incluir n&atilde;o &eacute; partir de expetativas baixas e n&atilde;o acreditar no potencial que o indiv&iacute;duo tem para aprender com os seus pares e de participar nas atividades do seu grupo natural (talvez uma forma de arranjar desculpas), mas documentar-se adequadamente para poder ultrapassar ideias feitas sobre a ess&ecirc;ncia e os processos de aprendizagem, resultantes de investiga&ccedil;&atilde;o e reflex&atilde;o na &aacute;rea, enfocando na rela&ccedil;&atilde;o com os pares (Vigotsky, 1985). A aprendizagem desenvolvida com a coopera&ccedil;&atilde;o dos pares, mediada pelo professor, torna-a mais acess&iacute;vel e mais estimulante para novas aprendizagens porque o que hoje &eacute; feito com ajuda, como um desafio, prepara para amanh&atilde; fazermos sozinhos, interferindo na <I>zona de desenvolvimento proximal </I>e provocando avan&ccedil;os que n&atilde;o se dariam de forma espont&acirc;nea (Vigotsky, 1987). A modelagem, quando bem conduzida, &eacute; uma &oacute;tima fonte de inspira&ccedil;&atilde;o para desencadear aprendizagens e comportamentos adequados, sobretudo nos mais jovens.</P >    <P >Incluir ser&aacute;, tamb&eacute;m, ultrapassar a perspetiva do indiv&iacute;duo como &uacute;nico respons&aacute;vel pelas suas dificuldades e numa procura de resposta na compensa&ccedil;&atilde;o/reabilita&ccedil;&atilde;o, para as equacionar em fun&ccedil;&atilde;o da intera&ccedil;&atilde;o rec&iacute;proca contextos/comunidades e sujeito e apostar na altera&ccedil;&atilde;o das din&acirc;micas dos contextos ao mesmo tempo que se trabalham as din&acirc;micas individuais.</P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P >Segundo Sanches (2005), esta din&acirc;mica de procura de resposta para os desafios que a educa&ccedil;&atilde;o inclusiva ‘imp&otilde;e’ vai obrigar, necessariamente, a uma atitude de experimenta&ccedil;&atilde;o de novas pr&aacute;ticas, &agrave; reflex&atilde;o sobre elas e a melhor adequar as estrat&eacute;gias ao grupo, beneficiando, assim, todos os alunos. A mudan&ccedil;a de atitude e de metodologias em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s pr&aacute;ticas poder&aacute; ser uma componente importante para a t&atilde;o almejada mudan&ccedil;a de paradigma em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; escola. Poder&aacute; ser o contributo que a educa&ccedil;&atilde;o inclusiva pode dar &agrave; escola na perspetiva de uma escola verdadeiramente para todos e para cada um.</P >    <P >Estar inclu&iacute;do significa querer estar, estar dispon&iacute;vel para respeitar e ser respeitado, gerir os seus pr&eacute;-conceitos e compreender (n&atilde;o implica aceitar) os dos outros, mudando e fazendo mudar mentalidades, participando e n&atilde;o se autoexcluindo, tendo o<B> </B><I>direito &agrave; sua diferen&ccedil;a e o dever de respeitar a diferen&ccedil;a dos </I><I>outros</I><B>.</B> No processo de inclus&atilde;o, um processo sempre din&acirc;mico e inacabado, todos t&ecirc;m a ganhar e a perder: ganha-se em humanidade, aprendizagens e participa&ccedil;&atilde;o, perde-se em benef&iacute;cios inerentes &agrave; exclus&atilde;o que se pode consubstanciar em discrimina&ccedil;&atilde;o positiva ou negativa. Ao direito inalien&aacute;vel de ser inclu&iacute;do na sua comunidade de perten&ccedil;a (fam&iacute;lia, escola, comunidade local e alargada), como elemento constituinte da mesma, cabe o dever de contribuir para a sua din&acirc;mica, desenvolvimento e prosperidade, de acordo com o seu grau de funcionalidade, coresponsabilizando-se e implicando-se.  </P >    <P   ><B>Construindo salas de aula inclusivas</B></P >    <P >A caminhada para a Educa&ccedil;&atilde;o inclusiva, numa perspetiva de Educa&ccedil;&atilde;o para Todos (1990) e com todos, est&aacute; em marcha em muitos pa&iacute;ses, entre os quais Portugal, pois tem vindo a ser uma das ’bandeiras’ de organiza&ccedil;&otilde;es internacionais, entre elas a Unesco (1997, 2000, 2001) e a EENET (2000), bem como de autores como Booth e Black-Hawkins (2001) e Stubbs (2002), entre muitos outros. </P >    <P >Est&atilde;o neste movimento pa&iacute;ses como o Reino Unido, com as suas “escolas compreensivas”, a tradi&ccedil;&atilde;o Folkeskole na Dinamarca ou a “escola comum” nos Estados Unidos (Ainscow, 2009), entre outras. Tamb&eacute;m &agrave; &Aacute;sia, &Aacute;frica e Austr&aacute;lia podemos ir colher exemplos desse dinamismo, donde ressaltam as ideias principais: elencagem das barreiras &agrave; aprendizagem e &agrave; participa&ccedil;&atilde;o e implementa&ccedil;&atilde;o de recursos para apoiar a aprendizagem e a participa&ccedil;&atilde;o, construindo culturas, pol&iacute;ticas e pr&aacute;ticas de inclus&atilde;o. Em Portugal verificam-se exemplos mais ou menos pontuais, verdadeiros nichos de excel&ecirc;ncia, em escolas onde se desenvolvem boas pr&aacute;ticas<a href="#top2">2</a><a name="2">. </P >    <P > A sala de aula &eacute;, na escola regular, um local privilegiado para desencadear atitudes e comportamentos de inclus&atilde;o, tanto nos alunos como nos professores, desde que as intera&ccedil;&otilde;es se processem e que todos sejam envolvidos nas tarefas. Naturalmente, a classe regular propicia trocas sociais e acad&eacute;micas significativas, o que faz com que seja um local adequado para as aprendizagens, mesmo para as crian&ccedil;as e jovens com multidefici&ecirc;ncia. Dos tr&ecirc;s locais testados: Institui&ccedil;&atilde;o, Unidade especializada em multidefici&ecirc;ncia (UEM) e Classe regular, foi a classe regular que se revelou como o local com maior qualidade de ensino (Maia &amp; Ferreira, 2007), embora, como os pr&oacute;prios autores afirmam, colocar os alunos na classe regular n&atilde;o &eacute; sin&oacute;nimo de inclus&atilde;o.</P >    <P >A constru&ccedil;&atilde;o de uma sala de aula inclusiva passa por perspetivar a educa&ccedil;&atilde;o para todos e com todos, sendo o professor da classe o respons&aacute;vel pela participa&ccedil;&atilde;o e a aprendizagem de todos os alunos, gerando e gerindo as condi&ccedil;&otilde;es e os recursos necess&aacute;rios para o seu sucesso. As pr&aacute;ticas educativas dirigidas para o aluno m&eacute;dio, n&atilde;o contemplam a diversidade dos alunos de que &eacute; feita a escola de hoje, logo n&atilde;o pode continuar a ser a resposta oferecida. Mudar as pr&aacute;ticas de sala de aula, assentando no desenvolvimento dos conte&uacute;dos em pequenos projetos, realizados por pequenos grupos, mediados pelo/s professor/es, apostando na coopera&ccedil;&atilde;o e na participa&ccedil;&atilde;o ativa dos alunos nas suas aprendizagens, parece ser um caminho a seguir se queremos dar resposta e desencadear sucesso em todos, independentemente das suas carater&iacute;sticas. Passa, tamb&eacute;m, por acreditar mesmo que as crian&ccedil;as e os jovens aprendem mais e melhor com os seus pares, se devidamente orientados, do que numa rela&ccedil;&atilde;o biun&iacute;voca, adulto/crian&ccedil;a ou jovem. Passa por acreditar e experimentar para fundamentar a sua opini&atilde;o e ultrapassar o pr&eacute;-conceito de que com o m&eacute;todo tradicional os alunos aprendem mais e melhor do que com m&eacute;todos mais ativos e participativos. O mundo est&aacute; a mudar t&atilde;o depressa, por que n&atilde;o havemos de dar a hip&oacute;tese da d&uacute;vida em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; mudan&ccedil;a das nossas pr&oacute;prias pr&aacute;ticas educativas?</P >    <P >&Eacute; importante a quantidade de tempo (os professores reclamam sempre mais tempo para dar resposta aos seus alunos, principalmente os que apresentam dificuldades, como mostram relatos e estudos realizados)<a href="#top3">3</a><a name="3">, mas, sobretudo, a qualidade do tempo que se passa em processo de ensino/aprendizagem. A repeti&ccedil;&atilde;o, embora importante, n&atilde;o pode ser a &uacute;nica estrat&eacute;gia a utilizar, impondo-se a necessidade de chamar para o processo de decis&atilde;o, relativamente a conte&uacute;dos e estrat&eacute;gias de participa&ccedil;&atilde;o, aprendizagem e de avalia&ccedil;&atilde;o, os pr&oacute;prios alunos. A sala de aula tem de ser um espa&ccedil;o onde a coopera&ccedil;&atilde;o d&ecirc; lugar &agrave; competi&ccedil;&atilde;o, o trabalho em pequenos grupos se sobreponha ao trabalho individual, a parceria pedag&oacute;gica, quando poss&iacute;vel, seja desejada e n&atilde;o rejeitada.</P >    <P   ><B>“Meter as m&atilde;os na massa”: agir para refletir e refletir para agir</B></P >    <P >“Meter as m&atilde;os na massa”, significa aqui, comprometer-se com investigar para agir e agir para investigar, procurando e produzindo conhecimento, para ajudar a encontrar a resposta para um desafio/um problema, na cumplicidade pr&oacute;xima e ao mesmo tempo distanciada a que obriga a investiga&ccedil;&atilde;o-a&ccedil;&atilde;o. &Eacute; estar presente e sentir-se parte do contexto, gerando e gerindo comportamentos que mobilizem vontades, criem condi&ccedil;&otilde;es e recursos para que cada um e todos se sintam correspons&aacute;veis pelos problemas desse mesmo contexto e, por isso, se empenhem na procura de respostas individuais, mas principalmente coletivas. &Eacute; ativar as vari&aacute;veis contextuais, fazendo-as interagir (Bronfenbrenner, 1979), para uma resposta mais contextualizada, mais pertinente, mais adequada e mais oportuna.</P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P >A investiga&ccedil;&atilde;o-a&ccedil;&atilde;o, devidamente operacionalizada, &eacute; uma abordagem da investiga&ccedil;&atilde;o qualitativa que obriga &agrave; compreens&atilde;o da realidade com o objetivo de a transformar. Olhar e ver o que est&aacute; &agrave; nossa volta e questionar o que est&aacute; a acontecer &eacute; privil&eacute;gio de alguns. Sentir-se incomodado com isso e criar condi&ccedil;&otilde;es para a sua an&aacute;lise cr&iacute;tica e para uma tomada de consci&ecirc;ncia, procurando a mudan&ccedil;a, &eacute; din&acirc;mica de muito poucos. Obriga a ‘mergulhar’ na (sua) realidade, para caracterizar, observando e descrevendo, essa mesma realidade, nem sempre muito apraz&iacute;vel, fazendo destacar os pontos fortes e os pontos fracos, as expectativas e as necessidades sentidas e, assim, atacar uns e valorizar os outros. &Eacute; transformar uma situa&ccedil;&atilde;o inicial, n&atilde;o desej&aacute;vel, em situa&ccedil;&atilde;o desej&aacute;vel. Este tipo de metodologia de investiga&ccedil;&atilde;o apresenta-se com um duplo objetivo: o da investiga&ccedil;&atilde;o, para obter um maior conhecimento e o da a&ccedil;&atilde;o, para obter uma mudan&ccedil;a. O investigador envolve-se ativamente e assume-se como um agente de mudan&ccedil;a.  </P >    <P > Esta metodologia tem por base a resolu&ccedil;&atilde;o de problemas concretos que emergem nos contextos e nesses mesmos contextos e com os diretamente implicados t&ecirc;m de ser resolvidos, mediados por outros sim, resolvidos por outros, talvez nunca. A implica&ccedil;&atilde;o no processo de resolu&ccedil;&atilde;o ajuda a tomar consci&ecirc;ncia dos problemas e, muito provavelmente, a evitar a emerg&ecirc;ncia de outros porque todos s&atilde;o coautores na pesquisa. O investigador n&atilde;o &eacute; um agente externo que realiza investiga&ccedil;&atilde;o sobre pessoas, &eacute; um co-investigador com e para os interessados nos problemas pr&aacute;ticos e na melhoria da realidade, como afirmam Coutinho, Sousa, Dias, Bessa, Ferreira e Vieira (2009).</P >    <P >&Eacute;, pois, um trabalho a fazer com outros e n&atilde;o sobre os outros, cooperativamente, dado que n&atilde;o se concebe um projeto de investiga&ccedil;&atilde;o-a&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o seja fruto de uma equipa de trabalho correspons&aacute;vel e corresponsabilizante, envolvida em todo o processo e din&acirc;mica, desde a conce&ccedil;&atilde;o at&eacute; &agrave; avalia&ccedil;&atilde;o final, passando, necessariamente, pelas etapas interm&eacute;dias. As etapas interm&eacute;dias s&atilde;o elas pr&oacute;prias o cerne desta modalidade de investiga&ccedil;&atilde;o, j&aacute; que elas v&atilde;o permitindo a reflex&atilde;o/retroa&ccedil;&atilde;o do processo, a partilha e a discuss&atilde;o, aferindo, ajustando, acrescentando, retirando, enfim, melhorando passos/metodologias e produtos interm&eacute;dios, numa a&ccedil;&atilde;o inacabada e potencialmente sempre a melhorar. </P >    <P >O trabalho de projeto que vai ser apresentado neste artigo teve como metodologia principal a investiga&ccedil;&atilde;o-a&ccedil;&atilde;o, tendo como ponto de partida a observa&ccedil;&atilde;o atenta da realidade a intervencionar, bem como dos seus principais intervenientes. A sele&ccedil;&atilde;o da situa&ccedil;&atilde;o a trabalhar obedeceu a um crit&eacute;rio obrigat&oacute;rio: ser um grupo/uma turma do ensino regular (p&uacute;blico ou privado), em que a diversidade dos alunos contemplasse, necessariamente, um caso de necessidades educativas especiais, de car&aacute;cter permanente. Depois de selecionada a situa&ccedil;&atilde;o, procedeu-se a uma revis&atilde;o bibliogr&aacute;fica, para contextualizar teoricamente a/s problem&aacute;tica/s emergentes e fundamentar, em termos te&oacute;ricos, a a&ccedil;&atilde;o da&iacute; decorrente. Ao mesmo tempo, procedia-se &agrave; recolha e &agrave; an&aacute;lise de dados, usando as t&eacute;cnicas e instrumentos recomendados para este tipo de abordagem, dos quais se destacam a pesquisa documental, a entrevista, a observa&ccedil;&atilde;o naturalista e a sociometria, para al&eacute;m de outros instrumentos pontuais, adequados &agrave; respetiva situa&ccedil;&atilde;o. De entre os autores que estiveram na base da conce&ccedil;&atilde;o e aplica&ccedil;&atilde;o das t&eacute;cnicas e instrumentos, destacam-se Duffy (1997), para a pesquisa e an&aacute;lise documental; Estrela (1986), Bogdan e Biklen (1994), Bell (1997), Quivy e Campenhoudt (1998), relativamente &agrave; entrevista e observa&ccedil;&atilde;o; Bastin (1980) e Northway e Weld (1957), em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; sociometria; Bardin (1977), Robert e Bouillaguet (1997) e Vala (1986), no que &agrave; an&aacute;lise de conte&uacute;do diz respeito. </P >    <P >A recolha e a an&aacute;lise de dados estiveram presentes em todo o processo, destacando-se a fase inicial para caracterizar toda a situa&ccedil;&atilde;o de partida, em termos de contextos e intervenientes, e a fase final para avalia&ccedil;&atilde;o final do projeto desenvolvido, ou seja, saber at&eacute; que ponto se tinha alcan&ccedil;ado a situa&ccedil;&atilde;o desej&aacute;vel. Dessa caracteriza&ccedil;&atilde;o emergiam os pontos fortes, as &aacute;reas que iriam servir de ponto de partida para a interven&ccedil;&atilde;o, delineada em fun&ccedil;&atilde;o das expectativas e necessidades emergentes, numa perspetiva de “gerir a diferen&ccedil;a e ajudar a aprender os mais e os menos capazes”, como afirma Sanches (2005, p. 136). </P >    <P >O trabalho de interven&ccedil;&atilde;o era organizado, segundo os seguintes pressupostos:</P >     <P>&bull;<I> planifica&ccedil;&atilde;o</I> <I>para</I> <I>todo</I> <I>o</I> <I>grupo</I> <I>-</I> enfoque no desenvolvimento de compet&ecirc;ncias acad&eacute;micas e sociais, em simult&acirc;neo, e na organiza&ccedil;&atilde;o dos conte&uacute;dos em pequenos projetos;</P >     <P>&bull;<I> parceria pedag&oacute;gica - coopera&ccedil;&atilde;o entre</I> <I>professor da classe e professor de educa&ccedil;&atilde;o </I><I>especial </I>(incluem-se outros t&eacute;cnicos, se existirem, entre eles os terapeutas e os assistentes operacionais); </P >     <P>&bull;<I> aprendizagem cooperativa - </I> organiza&ccedil;&atilde;o da sala em pequenos grupos, corresponsabilizando cada um pelo sucesso do outro (auto e heteroavalia&ccedil;&atilde;o) e desenvolvendo as compet&ecirc;ncias sociais ao mesmo tempo que se aprendem os conte&uacute;dos acad&eacute;micos, tendo em conta objetivos bem determinados, m&eacute;todos de ensino/aprendizagem alternativos, um ensino flex&iacute;vel e a constitui&ccedil;&atilde;o de subgrupos; </P >     <P>&bull;<I> diferencia&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica inclusiva –</I> organiza&ccedil;&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o das tarefas ao grupo e a cada um dos elementos, tendo em conta o seu potencial emergente (aquilo que ainda n&atilde;o fazem, mas ser&atilde;o capazes de fazer);</P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>&bull;<I> grupos heterog&eacute;neos e rotativos</I> – heterogeneidade em fun&ccedil;&atilde;o do sexo, desempenho acad&eacute;mico e social, etnia, cultura, etc;</P >     <P>&bull;<I> ensino estruturado – </I>planifica&ccedil;&atilde;o, interven&ccedil;&atilde;o e avalia&ccedil;&atilde;o das atividades, partindo dos saberes j&aacute; adquiridos para os que se pretendem fazer adquirir, com refor&ccedil;os adequados e v&aacute;lidos;</P >     <P>&bull;<I> envolvimento da escola/comunidade e seus intervenientes – </I>sa&iacute;da da sala de aula para os contextos escola/comunidade, implicando, sempre que poss&iacute;vel, os seus l&iacute;deres; </P >     <P>&bull;<I> envolvimento</I> <I>das fam&iacute;lias – </I>participa&ccedil;&atilde;o ativa dos encarregados de educa&ccedil;&atilde;o, chamando-os a colaborar no projeto educativo que est&aacute; a ser desenvolvido;</P >     <P>&bull;<I> a&ccedil;&atilde;o/reflex&atilde;o/a&ccedil;&atilde;o –</I> din&acirc;mica de investigar para agir e refletir para novamente agir.</P >     <P >Os processos e os produtos eram aferidos semanalmente, em sess&otilde;es formais e/ou informais, numa din&acirc;mica de reflex&atilde;o sobre o que se fez, para se programar o que se vai fazer, delineando estrat&eacute;gias e selecionando os conte&uacute;dos acad&eacute;micos e sociais mais adequados. Uma caminhada assente na a&ccedil;&atilde;o e na reflex&atilde;o, cont&iacute;nuas e sistem&aacute;ticas.</P >    <P >Os objetivos de cada um deles, na generalidade, centravam-se no desenvolvimento de aprendizagens acad&eacute;micas e sociais de todo o grupo/turma, utilizando o ensino e a aprendizagem cooperativos, bem como a diferencia&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica inclusiva como principais estrat&eacute;gias e implicando todos os intervenientes do processo educativo (era desej&aacute;vel implicar ativamente desde o diretor &agrave; professora da classe, passando pelos encarregados de educa&ccedil;&atilde;o e assistentes operacionais e, naturalmente, os alunos do grupo/turma). Preconizava-se que o trabalho assim realizado fosse capaz de desencadear (ser&aacute; melhor ficarmo-nos por sensibilizar) de imediato, mas tamb&eacute;m a m&eacute;dio prazo uma mudan&ccedil;a nas pr&aacute;ticas de sala de aula, passando</P >     <P>&bull; do modelo tradicional de atua&ccedil;&atilde;o a um modelo democr&aacute;tico, aberto &agrave; diversidade dos alunos, </P >    <P>&bull; de uma sala de aula organizada em ‘U’ ou em carreirinhas de mesas, para uma sala organizada de acordo com as atividades a desenvolver, privilegiando a organiza&ccedil;&atilde;o em grupos de trabalho,</P >     <P>&bull; de um professor centralizador do poder e do saber, para um professor orientador das aprendizagens, que reflete sobre as suas pr&aacute;ticas, que investiga para encontrar respostas, que experimenta e que faz funcionar a sua criatividade,</P >     ]]></body>
<body><![CDATA[<P>&bull; de um professor autossuficiente, para um professor que procura os seus pares e com eles partilha viv&ecirc;ncias e saberes, apostando, sempre que poss&iacute;vel na parceria pedag&oacute;gica,</P >     <P>&bull; de um professor que procura a homogeneidade do grupo, para um professor que enfrenta a diversidade como fator para o equil&iacute;brio do seu grupo e dela tira partido, nas suas aulas,</P >     <P>&bull; de alunos dependentes do professor, para alunos implicados e corresponsabilizados na procura e apropria&ccedil;&atilde;o do saber, cooperando com os seus colegas, os que t&ecirc;m mais e os que t&ecirc;m menos sucesso acad&eacute;mico e social,</P >     <P>&bull;de encarregados de educa&ccedil;&atilde;o despreocupados, para encarregados de educa&ccedil;&atilde;o colaborantes, atentos e correspons&aacute;veis no processo educativo,</P >     <P>&bull; de diretores alheios &agrave; diversidade dos seus alunos, para diretores capazes de eliminar barreiras que est&atilde;o a impedir que se processem as aprendizagens,</P >     <P>&bull; de escolas que excluem, provocando o insucesso e o abandono dos seus alunos, para comunidades de aprendizagem em que todos se sentem correspons&aacute;veis pelos sucessos e insucessos e arranjam maneira de gerar o sucesso de todos os alunos.</P ></DL >    <P   ><B>Aprender fazendo, para criar ambientes inclusivos</B></P >    <P >Gerir o “arco-iris” que &eacute; neste momento uma sala de aula &eacute; o maior desafio que enfrentam os professores. Na mesma classe encontram-se hoje diferentes ritmos e capacidades de aprendizagem, diferentes n&iacute;veis de conhecimentos acad&eacute;micos e experienciais, diferentes culturas, diferentes formas de ver e de estar face &agrave; escola, diferentes c&oacute;digos de acesso ao saber e &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o, muitas diferen&ccedil;as para gerir ao mesmo tempo, tornando muito complicada a atua&ccedil;&atilde;o do professor. Os modelos de forma&ccedil;&atilde;o de professores tamb&eacute;m n&atilde;o t&ecirc;m integrado pr&aacute;ticas inovadoras para responder &agrave; diversidade dos alunos.</P >    <P >Nas pr&aacute;ticas educativas tradicionais, primeiro aprende-se e depois faz-se, mas os saberes que a forma&ccedil;&atilde;o transmite, por vezes, n&atilde;o t&ecirc;m muito a ver com aquilo que as pr&aacute;ticas exigem, donde a alternativa ‘aprender fazendo’ que n&atilde;o deixa de ser a estrat&eacute;gia mais utilizada na generalidade das aprendizagens. Apostando no ‘aprender fazendo’, implement&aacute;mos, no &acirc;mbito do Mestrado em Educa&ccedil;&atilde;o Especial, o desenvolvimento de um Trabalho de projeto, com apoio tutorial, em substitui&ccedil;&atilde;o da tradicional disserta&ccedil;&atilde;o. Se “n&atilde;o h&aacute; falta de conhecimentos sobre o que fazer e como fazer”, como diz Wang (1997, p. 63), ao contr&aacute;rio do que &eacute; usualmente dito, &eacute; preciso <I>querer fazer e criar a oportunidade </I><I>de fazer, </I>o que n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil de conseguir. Apostando no querer fazer e criada a oportunidade, h&aacute; que gerar e gerir as condi&ccedil;&otilde;es, os meios e os recursos, mas principalmente as vontades. A protagonista do trabalho que, muito sinteticamente, a seguir se apresenta soube e quis ir desviando as pedras do caminho e tornar poss&iacute;vel o que &agrave; partida ela pr&oacute;pria julgava imposs&iacute;vel: proporcionar aprendizagens significativas a um grupo de alunos, tendo em conta a sua diversidade, dando raz&atilde;o ao saber popular “quem quer arranja maneira, quem n&atilde;o quer arranja desculpas”. </P >    <P >Segue-se o exemplo do que se fez para criar ambientes inclusivos e, assim, dar resposta &agrave; diversidade do grupo, na Educa&ccedil;&atilde;o Pr&eacute;-escolar<a href="#top4">4</a><a name="4">.</P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P   ><B>A Socializa&ccedil;&atilde;o e Inclus&atilde;o de Crian&ccedil;as consideradas com necessidades educativas especiais numa sala de jardim-de-inf&acirc;ncia</B></P >    <P >Segundo a autora deste trabalho de projeto, o desafio come&ccedil;ou pela cons</B>tata&ccedil;&atilde;o da n&atilde;o inclus&atilde;o de uma crian&ccedil;a considerada com perturba&ccedil;&otilde;es do espectro do autismo, no seu grupo de jardim-de-inf&acirc;ncia, pelas dificuldades que apresentava a n&iacute;vel da socializa&ccedil;&atilde;o, autonomia, comunica&ccedil;&atilde;o e linguagem. Acrescia a este facto a necessidade de desenvolver um trabalho de projeto<a href="#top5">5</a><a name="5"> que contemplasse uma situa&ccedil;&atilde;o de um grupo/turma, em que estivesse inserida uma crian&ccedil;a considerada com necessidades educativas especiais de car&aacute;cter permanente, fazendo com que nesse grupo as aprendizagens fossem significativas para todos e que a participa&ccedil;&atilde;o ativa de todos fosse uma realidade expl&iacute;cita. </P >    <P >A ‘necessidade criou o engenho’ e a caminhada come&ccedil;ou, delineando etapas, n&atilde;o for&ccedil;osamente lineares, mas justapondo-se, por vezes, complementando-se umas &agrave;s outras. Assim, o trabalho foi iniciado com uma (i) <I>contextualiza&ccedil;&atilde;o te&oacute;</I><I></I><I>rica</I> das problem&aacute;ticas desencadeadoras, como seja, as perturba&ccedil;&otilde;es do espectro do autismo, enfocando nas quest&otilde;es socioeducativas que as mesmas fazem emergir e como ultrapass&aacute;-las. Como a preocupa&ccedil;&atilde;o era a da inclus&atilde;o no grupo e com o grupo, urgia que fosse feita uma pesquisa e reflex&atilde;o te&oacute;rica sobre o conceito, as estrat&eacute;gias e as pr&aacute;ticas da Educa&ccedil;&atilde;o inclusiva, para fundamentar e legitimar as pr&aacute;ticas a desenvolver.</P >    <P >Porque n&atilde;o se pode intervir sem conhecer e compreender a situa&ccedil;&atilde;o e os seus intervenientes, foi feita uma (ii) <I>caracteriza&ccedil;&atilde;o da situa&ccedil;&atilde;o inicial</I>, utilizando as t&eacute;cnicas e instrumentos usuais na investiga&ccedil;&atilde;o qualitativa, dos quais se salientam a pesquisa e an&aacute;lise de documentos caracterizadores do contexto, do grupo e da pr&oacute;pria crian&ccedil;a (ex: Projeto educativo, Plano curricular de turma, Processo individual da crian&ccedil;a, relat&oacute;rios m&eacute;dicos, Plano educativo individual e Relat&oacute;rio t&eacute;cnico-pedag&oacute;gico); a entrevista para aceder &agrave; opini&atilde;o dos principais intervenientes do processo educativo (Educadora do grupo e Encarregada de educa&ccedil;&atilde;o), para caracterizar o contexto, o grupo e a crian&ccedil;a; a observa&ccedil;&atilde;o naturalista para dar conta da atua&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as e adultos, no seu meio natural e, assim, poder aceder a poss&iacute;veis facilitadores e inibidores da interven&ccedil;&atilde;o a realizar; a sociometria para ter acesso &agrave; rede de intera&ccedil;&otilde;es desenvolvidas no grupo, destacando a intera&ccedil;&atilde;o aluno/grupo/aluno, uma vez que a socializa&ccedil;&atilde;o era uma das &aacute;reas a intervencionar. A informa&ccedil;&atilde;o, depois de devidamente analisada, permitiu caracterizar a situa&ccedil;&atilde;o inicial em que se interveio e os contextos em que a mesma se insere: <I>contexto escolar</I> (espa&ccedil;o f&iacute;sico e log&iacute;stico, recursos humanos, din&acirc;mica educativa e respostas expl&iacute;citas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; diversidade dos alunos), <I>o grupo/turma</I> (estrutura e din&acirc;mica educativa, destacando aqui as intera&ccedil;&otilde;es sociais, as aprendizagens e os comportamentos), e os “casos” espec&iacute;ficos do grupo/turma, com destaque para o caso selecionado, no que diz respeito ao seu perfil pessoal e educacional.  </P >    <P >O contexto selecionado foi um jardim-de-inf&acirc;ncia de uma cidade do Alto Alentejo com uma educadora titular da sala, uma educadora de interven&ccedil;&atilde;o precoce, a autora deste trabalho de projeto, que estava presente na sala &agrave; 2&ordf;, e 4&ordf; feira de manh&atilde;, duas assistentes operacionais e uma animadora, para um total de dezanove crian&ccedil;as, entre os tr&ecirc;s e os cinco anos de idade. O grupo era reduzido por dele fazer parte uma crian&ccedil;a abrangida pelo Decreto-lei n&ordm; 3/2008, de 7 de Janeiro. O grupo, em termos gerais era calmo, barulhento e com dificuldades de aten&ccedil;&atilde;o e concentra&ccedil;&atilde;o, superprotegia a crian&ccedil;a “caso”, ao mesmo tempo que esta se refugiava, brincava sozinha, n&atilde;o partilhando brinquedos nem brincadeiras, gritava quando brincava, palrava cont&iacute;nua e melodiosamente e imitava os sons produzidos. A educadora titular tinha alguma dificuldade em levar a bom termo as atividades para todo o grupo, dado que a diversidade do grupo era grande, em termos et&aacute;rios e, consequentemente, a n&iacute;vel de autonomia e de concentra&ccedil;&atilde;o na tarefa. A fam&iacute;lia da crian&ccedil;a, com n&iacute;vel socioecon&oacute;mico baixo, tinha dificuldade em aceder a uma reavalia&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a, uma vez que o diagn&oacute;stico existente era question&aacute;vel, em fun&ccedil;&atilde;o do seu desempenho no jardim-de-inf&acirc;ncia.  </P >    <P >Para mudar a situa&ccedil;&atilde;o inicial, no sentido de desenvolvimento de compet&ecirc;ncias acad&eacute;micas e sociais, tendo como base as Orienta&ccedil;&otilde;es curriculares para a Educa&ccedil;&atilde;o pr&eacute;-escolar e as caracter&iacute;sticas do grupo, a educadora de interven&ccedil;&atilde;o precoce e a educadora titular, em conjunto, conceberam um (iii) <I>plano de a&ccedil;&atilde;o</I> que contemplava tr&ecirc;s &aacute;reas cruciais do desenvolvimento: socializa&ccedil;&atilde;o, autonomia e comunica&ccedil;&atilde;o, em v&aacute;rios contextos: sala de aula, jardim-de-inf&acirc;ncia (refeit&oacute;rio, casa de banho) e na fam&iacute;lia, n&atilde;o esquecendo a colabora&ccedil;&atilde;o com os outros t&eacute;cnicos/especialistas intervenientes, fora do jardim-de-inf&acirc;ncia. Este plano de a&ccedil;&atilde;o foi operacionalizado, durante cinco meses, de Fevereiro a Junho, com uma periodicidade semanal, na sala de aula. As atividades a desenvolver eram programadas para todo o grupo, tendo sempre em aten&ccedil;&atilde;o a sua diversidade et&aacute;ria, n&iacute;vel de desempenho e objetivos a atingir a n&iacute;vel das rela&ccedil;&otilde;es, da comunica&ccedil;&atilde;o e das autonomias. Apostou-se no trabalho a pares e em grupo, com auto e heteroavalia&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as e na diferencia&ccedil;&atilde;o das tarefas exigidas a cada um, tendo em conta o seu grau de desempenho e o potencial emergente, n&atilde;o deixando de as corresponsabilizar pelo seu sucesso/insucesso e o dos colegas. Eram per&iacute;odos de tempo, com atividades estruturadas, previamente planificadas e depois avaliadas, em fun&ccedil;&atilde;o do desempenho de cada uma das crian&ccedil;as, observado e registado, em tabela pr&oacute;pria, durante a realiza&ccedil;&atilde;o das v&aacute;rias tarefas das atividades, pelas educadoras e pelas assistentes operacionais, quando estas eram implicadas. As crian&ccedil;as tamb&eacute;m emitiam a sua opini&atilde;o, a n&iacute;vel oral, sobre o processo e os resultados e o seu desempenho e dos colegas. As atividades desenvolvidas fora da sala de aula obedeciam a id&ecirc;nticos procedimentos, sendo a periodicidade mais alargada. No final da semana, para as atividades de sala de aula, quinzenalmente ou com periodicidade mais alargada, nos outros contextos de interven&ccedil;&atilde;o, procedia-se &agrave; reflex&atilde;o sobre as atividades desenvolvidas, para fazer o levantamento do que correu bem ou menos bem e fazer sugest&otilde;es para o trabalho a desenvolver a seguir. Foram envolvidos os t&eacute;cnicos/especialistas que intervinham com a crian&ccedil;a: terapeuta da fala, equipa de interven&ccedil;&atilde;o precoce, monitora de hidroterapia e da sala <I>snozelen</I>. A fam&iacute;lia acompanhava de perto todo o processo, sendo informada e colaborando dando sugest&otilde;es nas reuni&otilde;es peri&oacute;dicas (especialmente programadas para esse efeito) e no trabalho a desenvolver em casa. </P >    <P >A (iv) <I>avalia&ccedil;&atilde;o global</I> do trabalho, realizada aos v&aacute;rios n&iacute;veis: o grupo e a crian&ccedil;a “caso”, a parceria pedag&oacute;gica, o contexto escolar, a fam&iacute;lia e todo o processo, aponta para o sucesso do trabalho e dos seus intervenientes. Para al&eacute;m das avalia&ccedil;&otilde;es semanais, que foram apontando para o sucesso do grupo e da crian&ccedil;a, foram aplicadas novamente t&eacute;cnicas e instrumentos de recolha e de an&aacute;lise de dados, para poder ser caracterizado o processo realizado e a situa&ccedil;&atilde;o final da interven&ccedil;&atilde;o. Para isso, foi feita uma entrevista &agrave; educadora titular e &agrave; m&atilde;e da crian&ccedil;a e foi novamente aplicado o teste sociom&eacute;trico, para verificar a altera&ccedil;&atilde;o das intera&ccedil;&otilde;es havidas e como se estruturavam. No que concerne ao <I>grupo</I>, em sala de aula, este aderiu &agrave;s atividades desenvolvidas, o que facilitou as aprendizagens. Os objetivos tra&ccedil;ados para cada sess&atilde;o foram sendo sucessivamente atingidos por cada uma das crian&ccedil;as, verificando-se um aumento de desempenho &agrave; medida que as sess&otilde;es iam decorrendo, chegando a alcan&ccedil;ar cem por cento de sucesso, nas sess&otilde;es finais. As crian&ccedil;as evolu&iacute;ram significativamente, nas v&aacute;rias &aacute;reas de conte&uacute;do das Orienta&ccedil;&otilde;es curriculares, como afirmou a educadora titular, em entrevista: “todas as crian&ccedil;as adquiriram muitas compet&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o Pr&eacute;-escolar”. Segundo o relato da educadora titular, o trabalho a pares, a aprendizagem cooperativa e a responsabiliza&ccedil;&atilde;o de todos os elementos do grupo obrigava ao envolvimento de todos nas tarefas, o que facilitou a aprendizagem. Durante o per&iacute;odo de interven&ccedil;&atilde;o foi emergindo um outro caso, para al&eacute;m do j&aacute; referenciado, com algumas dificuldades em cumprir os desempenhos que lhe eram solicitados, o qual come&ccedil;ou a ser objeto de uma maior aten&ccedil;&atilde;o/preocupa&ccedil;&atilde;o. O grupo foi-se revelando sucessivamente mais coeso, em termos relacionais, embora dividido por sexo e idades. “As raparigas mais velhas sempre preferiram as raparigas, por similaridade das brincadeiras (…) os rapazes (mais novos) rejeitavam as raparigas porque eram da opini&atilde;o que elas eram mandonas e n&atilde;o os deixavam brincar como eles queriam” (Carapeto, 2011, p. 135). 	</P >    <P ><B>Relativamente &agrave; <I>crian&ccedil;a “caso</I>”,</B></P >    <P >est&aacute; perfeitamente inclu&iacute;da no grupo, participa em todas as actividades em que as restantes crian&ccedil;as participam, consegue fazer jogos, praticar o jogo simb&oacute;lico, brincar, fazer desenhos com os colegas e n&atilde;o paralelamente a estes, como t&iacute;nhamos observado inicialmente. Tem uma boa rela&ccedil;&atilde;o com os adultos e comunica com eles por puro prazer ou para satisfazer as suas necessidades (Carapeto, 2011, p. 134).</P >    <P >&Eacute; testemunho da m&atilde;e, em entrevista, no final do ano letivo: ” Eu observo todos os dias quando a vou deixar na escola, os colegas v&ecirc;m busc&aacute;-la e ela j&aacute; n&atilde;o lhes bate, vai com eles fazer um jogo, um desenho ou simplesmente brincar”.</P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P >Tamb&eacute;m a educadora titular, em entrevista, se refere ao antes e depois da seguinte maneira: </P >    <P >Em Setembro, quando a menina chegou ao jardim-de-inf&acirc;ncia vinha, como costumamos dizer, “em bruto”, n&atilde;o se relacionava com os pares, pouco se relacionava com os adultos, batia nos colegas e hoje, ap&oacute;s um ano letivo de trabalho temos uma crian&ccedil;a que estabelece uma boa intera&ccedil;&atilde;o com os pares e com os adultos, brinca com os colegas e n&atilde;o em paralelo, como era h&aacute;bito, comunica com pares e adultos, &eacute; empenhada em realizar as tarefas que lhe propomos (…) a nossa C., como carinhosamente lhe chamamos, &eacute; outra menina.</P >    <P >Para fazer daquela sala de aula uma sala inclusiva, a a&ccedil;&atilde;o tinha de passar, for&ccedil;osamente, pela implica&ccedil;&atilde;o ativa da educadora da sala, em <I>parceria pedag&oacute;gica</I> com a educadora de interven&ccedil;&atilde;o precoce, a autora do trabalho de projeto. Para que tal acontecesse foi preciso “fazer um namoro” com a colega, procurando convenc&ecirc;-la das vantagens que tal parceria traria para ela como profissional e para as crian&ccedil;as. Esta parceria resultou mesmo. Vejamos o que nos diz a educadora titular, na entrevista final (de destacar que usa, no discurso, a primeira pessoa do plural, dando conta da cumplicidade que se desenvolveu entre ambas): “Proporcion&aacute;mos as mais variadas atividades para que as experi&ecirc;ncias fossem o mais enriquecedoras poss&iacute;vel e lhes permitissem fazer muitas aprendizagens”; “sempre houve a preocupa&ccedil;&atilde;o de planificarmos para o grupo e isso resultou, tanto para ela como para os colegas. Foi um ganho partilhado por todos”. Testemunha, na primeira pessoa, que aprendeu, fazendo, e que essa experi&ecirc;ncia vai continuar, qui&ccedil;&aacute;, mudar as suas pr&aacute;ticas: “Eu penso que todo o trabalho a pares, a aprendizagem cooperativa e outras estrat&eacute;gias que introduziste e que eu aprendi a utilizar contribu&iacute;ram para que as aprendizagens fossem consolidadas”; “tive a preocupa&ccedil;&atilde;o, e tamb&eacute;m com a tua colabora&ccedil;&atilde;o, de proporcionar a todos um sem n&uacute;mero de atividades nas v&aacute;rias &aacute;reas”; “ utilizei novas estrat&eacute;gias com a tua indica&ccedil;&atilde;o que considerei serem adequadas para o seu caso e penso que resultou; “as estrat&eacute;gias resultaram de tal forma que penso, para o pr&oacute;ximo ano letivo, continuar a utiliz&aacute;-las porque foram muito importantes para todo o grupo”.</P >    <P >O envolvimento da <I>fam&iacute;lia</I>, principalmente a m&atilde;e, foi outra das estrat&eacute;gias utilizadas e outro dos contributos importantes para o sucesso da situa&ccedil;&atilde;o que temos vindo a expor. Reuni&otilde;es formais e informais com a m&atilde;e, os v&aacute;rios domic&iacute;lios realizados e at&eacute; atividades desenvolvidas com as crian&ccedil;as, com a participa&ccedil;&atilde;o das m&atilde;es, ajudaram todo o processo: “foi muito importante ter participado naquela atividade com a filha porque sentiu que esta se sentia muito ‘inchada’ [termo usado pela m&atilde;e] e tal como as outras crian&ccedil;as tinham a m&atilde;e junto de si, o que acontece poucas vezes” (Carapeto, 2011, p. 139) .</P >    <P >&Eacute; importante que as atividades saiam, por vezes da sala de aula, envolvendo o contexto escolar e a pr&oacute;pria comunidade, para partilhar, dar e receber contributos que possam dar corpo a projetos alargados. Aconteceu com este trabalho projeto, ao desenvolver atividades com as m&atilde;es das crian&ccedil;as e ao participar nas atividades conjuntas do jardim-de-inf&acirc;ncia, o que se revelou motivador e gratificante, para uns e para outros.  </P >    <P >O mais dif&iacute;cil, neste processo, segundo relata a autora do projeto, foi a falta de articula&ccedil;&atilde;o entre as equipas m&eacute;dicas que acompanham a crian&ccedil;a, a escola e a equipa de interven&ccedil;&atilde;o precoce. De qualquer modo, depois de demoradas e insistentes dilig&ecirc;ncias, foi poss&iacute;vel encaminhar a crian&ccedil;a para uma consulta para fazer despistes auditivos, tendo-se verificado uma perda de audi&ccedil;&atilde;o de 60%, tendo-se avan&ccedil;ado para a coloca&ccedil;&atilde;o de pr&oacute;teses. Questionou-se o diagn&oacute;stico de perturba&ccedil;&atilde;o do espectro do autismo, tendo sido pedida uma reavalia&ccedil;&atilde;o.</P >    <P   ><B>Considera&ccedil;&otilde;es finais</B></P >    <P >Diremos, em jeito de reflex&atilde;o final, que a Educa&ccedil;&atilde;o inclusiva, como uma quest&atilde;o de direito, de cidadania, &eacute; uma caminhada que ainda mal come&ccedil;ou e que evoluir&aacute;, num sentido ou no outro, de acordo com o sentido do nosso investimento, ningu&eacute;m ficando de fora. Temos uma cultura de exclus&atilde;o e puni&ccedil;&atilde;o (Foucault, 2003)<a href="#top6">6</a><a name="6">, o que dificulta, mas n&atilde;o impossibilita uma revolu&ccedil;&atilde;o cultural (Gardou, 2003), no sentido da inclus&atilde;o. </P >    <P >A escola n&atilde;o foi concebida para incluir, mas sim para selecionar e formar os que ela pr&oacute;pria, de acordo com os seus objetivos, assentes no paradigma pol&iacute;tico-social vigente, considera os melhores. Para isso ajudou a formar mentalidades e concebeu estrat&eacute;gias mais ou menos eficazes, para cumprir a sua “miss&atilde;o”, criando uma atua&ccedil;&atilde;o que privilegia o trabalho individual e, decorrente deste, uma competi&ccedil;&atilde;o nem sempre saud&aacute;vel. </P >    <P >Mudar &eacute; poss&iacute;vel, derrubar pr&eacute;-conceitos e cren&ccedil;as tamb&eacute;m, mas &eacute; preciso lutar contra a corrente, com os inconvenientes que isso acarreta. Fazer da escola local de sucesso para todos vai continuar a ser a utopia que nos vai conduzir e guiar nesta caminhada.</P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P >De acordo com o trabalho que temos vindo a desenvolver e que, muito resumidamente, est&aacute; expresso no exemplo que acima expusemos, podemos afirmar que a forma&ccedil;&atilde;o de professores para uma educa&ccedil;&atilde;o inclusiva, ou seja, uma educa&ccedil;&atilde;o para todos e com todos, tem de ser feita em intera&ccedil;&atilde;o estreita com os contextos educativos, partindo da compreens&atilde;o dos problemas reais para a resolu&ccedil;&atilde;o dos mesmos, com os diretamente interessados na sua resolu&ccedil;&atilde;o, sem excluir, naturalmente, a coopera&ccedil;&atilde;o com outros, exteriores &agrave; situa&ccedil;&atilde;o e ao pr&oacute;prio contexto. </P >    <P >A estrat&eacute;gia pode passar pela implementa&ccedil;&atilde;o da investiga&ccedil;&atilde;o-a&ccedil;&atilde;o nos processos de forma&ccedil;&atilde;o, a qual preconiza a mudan&ccedil;a da situa&ccedil;&atilde;o inicial do contexto em que se atua, o desenvolvimento dos intervenientes implicados, tornando-os mais atentos ao seu fazer e ao dos outros, mais reflexivos, mais cooperantes e empenhados, mais solid&aacute;rios e mais eficientes. Esta abordagem de investiga&ccedil;&atilde;o obriga a uma experimenta&ccedil;&atilde;o reflexiva, suportada por saber j&aacute; constru&iacute;do, mas preocupada tamb&eacute;m com a constru&ccedil;&atilde;o de novos/outros saberes. A Educa&ccedil;&atilde;o inclusiva, porque se prop&otilde;e trabalhar com a diversidade dos p&uacute;blicos, confronta-se com situa&ccedil;&otilde;es sempre diferentes que n&atilde;o permitem a utiliza&ccedil;&atilde;o de receitas pr&eacute;-fabricadas. “Cada caso &eacute; um caso”, como &eacute; h&aacute;bito dizer-se e, por isso, cada situa&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica &eacute; &uacute;nica e a necessitar, tamb&eacute;m, de uma resposta &uacute;nica, donde a necessidade de experimentar novas/outras metodologias e refletir sobre elas e a necessidade de formar professores investigadores das suas pr&aacute;ticas, como afirma Sanches (2011, pp. 128-129):</P >    <P >Investigar as pr&aacute;ticas, segundo Bru (2002), &eacute; agir sobre elas, dentro do princ&iacute;pio <I>agir para conhecer, conhecer para agir</I>, o que obriga a que o investigador esteja por dentro dessas mesmas pr&aacute;ticas, com uma vis&atilde;o de cidadania de si mesmo e da pr&oacute;pria ci&ecirc;ncia, numa implica&ccedil;&atilde;o continuada de que &eacute; exemplo a investiga&ccedil;&atilde;o-a&ccedil;&atilde;o. Esta forma de interesse pelas pr&aacute;ticas, apreendendo-as numa forte proximidade participativa, conduz &agrave; sua transforma&ccedil;&atilde;o.</P >    <P >A investiga&ccedil;&atilde;o-a&ccedil;&atilde;o, usada como estrat&eacute;gia formativa de professores, facilita a sua forma&ccedil;&atilde;o reflexiva, promove uma atitude investigativa e a sua pr&oacute;pria emancipa&ccedil;&atilde;o. </P >    <P >Uma outra reflex&atilde;o que decorre do trabalho desenvolvido tem a ver com o trabalho na sala de aula e com a experi&ecirc;ncia de trabalhar diferentes n&iacute;veis de aprendizagem e at&eacute; diferentes estilos de aprendizagem, fazendo com que todos participem e aprendam, construindo classes verdadeiramente inclusivas (Ainscow, 2009). O ensino, centrando-se no professor e no trabalho individual do aluno, n&atilde;o pode dar resposta &agrave; diversidade dos alunos, n&atilde;o pode passar por falar e agir para todos como se de um se tratasse. N&atilde;o pode ser esta a resposta, nem esta pode passar pelo pr&eacute;-conceito de que as aprendizagens escolares t&ecirc;m de ser unicamente intermediadas pelo professor. Tamb&eacute;m n&atilde;o pode passar, sistematicamente, por abrir o manual na p&aacute;gina x e fazer a respetiva ficha ou o professor cansar-se a “debitar mat&eacute;ria”, quando ela &eacute; t&atilde;o mais interessante nas in&uacute;meras fontes aonde facilmente se pode ir buscar. Onde se situa a aprendizagem por pequenos projetos, atrav&eacute;s dos pares e com os pares, com pequenas pesquisas com os alunos como intervenientes ativos no seu pr&oacute;prio processo de aprendizagem? Onde est&aacute; a explora&ccedil;&atilde;o (sadia) da capacidade que as crian&ccedil;as e os jovens t&ecirc;m de se mobilizarem, de cooperarem em fun&ccedil;&atilde;o de um objetivo? N&atilde;o &eacute; nada de novo o que estamos a dizer, novo s&oacute; o fazer disto um pouco da nossa realidade educativa. Tem de come&ccedil;ar, for&ccedil;osamente, por acreditar e <B>que<B>rer</B> que o ato educativo seja diferente, melhor e motivador, pela reorganiza&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o f&iacute;sico da sala de aula, pela partilha do “poder”, por acreditar e apos</B>tar nas capacidades reveladas e emergentes dos alunos, por nos desafiarmos, acreditando que somos capazes de fazer mais do que aquilo que j&aacute; fizemos. Passa por um ensino e uma aprendizagem em coopera&ccedil;&atilde;o, num discurso horizontal, mediado pelo professor, ou seja, uma aprendizagem cooperativa, em que o professor da classe e os pr&oacute;prios alunos se sentem correspons&aacute;veis pela aprendizagem e a participa&ccedil;&atilde;o ativa de todos os alunos da classe, permitindo, ao mesmo tempo, uma diferencia&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica inclusiva. A aprendizagem cooperativa, nas suas diferentes modalidades, e a diferencia&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica inclusiva, se bem utilizadas e usadas sistematicamente, poder&atilde;o ser a resposta para a constru&ccedil;&atilde;o de classes/turmas verdadeiramente inclusivas, segundo Sanches (2011) e Silva (2011).</P >    <P >Foram estes alguns dos ingredientes que ous&aacute;mos experimentar nos trabalhos desenvolvidos e que tornaram as aprendizagens mais motivadoras, mais desafiantes, mais cooperativas e mais compensadoras para professores e alunos. A nossa aposta, dentro da sala de aula, tamb&eacute;m passou por um trabalho cuidado e sistem&aacute;tico de observar, analisar e compreender a din&acirc;mica da participa&ccedil;&atilde;o, do ensino/aprendizagem e da rela&ccedil;&atilde;o, para planificar, intervir e avaliar de acordo com as necessidades e os objetivos que nos prop&uacute;nhamos, em termos acad&eacute;micos e sociais, para cada sess&atilde;o. A diversifica&ccedil;&atilde;o de materiais, de estrat&eacute;gias e de propostas de trabalho ajudavam a criar <I>suspense</I>, a motivar e a desejar o momento seguinte. A avalia&ccedil;&atilde;o final da sess&atilde;o, com avalia&ccedil;&atilde;o das aprendizagens dos alunos, nessa sess&atilde;o, ajudava a levantar os pontos fracos e os fortes e a delinear sugest&otilde;es para um novo momento. Assim, podemos dizer, que o processo de aprendizagem pode ser motivador e motivar, mas &eacute; preciso trabalhar para que isso aconte&ccedil;a, sendo exigentes connosco e com os outros. Os alunos agradecem e sabem retribuir &agrave; sua maneira, com pequenos gestos ou palavras que nos enchem a alma.</P >    <P >O trabalho com o aluno considerado com necessidades educativas especiais, individualmente, para desenvolver compet&ecirc;ncias e saberes, ainda n&atilde;o adquiridos, tamb&eacute;m tem/pode ter lugar, mas n&atilde;o para ser feito dentro da sala de aula, face a todo o grupo. H&aacute; que encontrar o espa&ccedil;o e o tempo mais adequados a essa situa&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o passando por retirar o aluno da sala de aula, impedindo-o, assim, de uma socializa&ccedil;&atilde;o das aprendizagens com os seus pares. H&aacute; que pensar no aluno e no efeito estigmatizador que podem causar as nossas pr&aacute;ticas, apesar das “boas inten&ccedil;&otilde;es” que lhe est&atilde;o subjacentes.</P >    <P >Apesar de, por vezes, parecer imposs&iacute;vel, a parceria pedag&oacute;gica entre professor de educa&ccedil;&atilde;o especial e professor da turma conseguiu-se e foi extremamente &uacute;til ao desenvolvimento de uma sala mais inclusiva. Essa parceria, quando levada a s&eacute;rio, &eacute; uma mais-valia para todos (professores e alunos), conforme os testemunhos acima descritos. Parrilha e Daniel (2003), citados por Rodrigues e Lima-Rodrigues (2011, p. 103), “encontraram resultados muito positivos a partir de grupos de professores que criam la&ccedil;os de trabalho e que, assim, conseguem resolver muitos dos problemas reais que, sozinhos, n&atilde;o conseguiriam enfrentar”. Na mesma linha, Mota e Sanches (2009) salientam que a coopera&ccedil;&atilde;o entre professor titular de turma e professor de educa&ccedil;&atilde;o especial, para al&eacute;m de beneficiar o desempenho acad&eacute;mico de professores e alunos envolvidos, ajuda a inclus&atilde;o dos alunos considerados com necessidades educativas especiais. </P >    <P >A coopera&ccedil;&atilde;o entre professores ajuda &agrave; reflex&atilde;o, ao questionamento das suas pr&aacute;ticas, a uma melhor compreens&atilde;o do erro seu e dos outros, ao desafio de procurar respostas para situa&ccedil;&otilde;es novas, usando estrat&eacute;gias diferentes e diversificadas, porque se sentem acompanhados e, ent&atilde;o, os erros e sucessos s&atilde;o conjuntos.</P >    <P >Outra das apostas que contribuiu para o sucesso, neste e em outros trabalhos de projeto, desenvolvidos na mesma linha de a&ccedil;&atilde;o, no &acirc;mbito do mestrado, &eacute; o trabalhar com a fam&iacute;lia/os pais/encarregados de educa&ccedil;&atilde;o, implicando-os ativamente no processo educativo dos seus filhos.Dunst (1985)defende as rela&ccedil;&otilde;es de parceria entre pais e profissionais, no sentido de impulsionar e consolidar as intera&ccedil;&otilde;es entre pais e crian&ccedil;as, trocando informa&ccedil;&otilde;es, ao n&iacute;vel da educa&ccedil;&atilde;o e do desenvolvimento, e procurando estrat&eacute;gias adequadas a cada crian&ccedil;a. Segundo Cordeiro e Sanches (2005), as perspetivas transacional e ecol&oacute;gica (Sameroff &amp; Chandler, 1975; Bronfenbrenner, 1979) v&ecirc;m alterar o foco da interven&ccedil;&atilde;o, antes centrado na problem&aacute;tica da crian&ccedil;a e na interven&ccedil;&atilde;o dos t&eacute;cnicos, numa interven&ccedil;&atilde;o mais direcionada para o fortalecimento das capacidades da fam&iacute;lia e para o seu envolvimento. </P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P >Seguindo a peugada de Bronfenbrenner, atr&aacute;s citado, entre outros, a nossa a&ccedil;&atilde;o tem reca&iacute;do, tamb&eacute;m, na dinamiza&ccedil;&atilde;o dos contextos em que se inserem as situa&ccedil;&otilde;es educativas selecionadas para a interven&ccedil;&atilde;o, numa perspetiva de fazer interagir contextos e intervenientes. Esta implica&ccedil;&atilde;o tem vindo a ajudar a criar outras din&acirc;micas de intera&ccedil;&atilde;o e a criar ambientes mais favor&aacute;veis ao trabalho com a diversidade dos p&uacute;blicos.</P >    <P >A perspetiva da nossa atua&ccedil;&atilde;o n&atilde;o foi isolar vari&aacute;veis, para as testar, mas sim junt&aacute;-las de forma a complementarem-se para a resolu&ccedil;&atilde;o efetiva da situa&ccedil;&atilde;o problem&aacute;tica selecionada e, de certa forma, produzir conhecimento, atrav&eacute;s da experimenta&ccedil;&atilde;o.</P >    <P >Est&aacute; a faltar, em muitos dos casos trabalhados, a mobiliza&ccedil;&atilde;o da gest&atilde;o das escolas de forma ativa e participativa. Por vezes, limita-se a autorizar o projeto que o professor x quer desenvolver, noutros cria alguns obst&aacute;culos. A a&ccedil;&atilde;o tem de ser de todos e a corresponsabiliza&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m. </P >    <P >Acrescentaremos que, em alguns casos, esta din&acirc;mica &eacute; vista como uma esp&eacute;cie de “revolu&ccedil;&atilde;o”, geradora de medos e constrangimentos que t&ecirc;m de ser geridos com cautela e com muita oportunidade, e muito trabalho, para que possam ser ultrapassados. Afinal os que passam pela experi&ecirc;ncia valorizam-na e, em alguns casos, ficam f&atilde;s. Torna-se necess&aacute;rio incorporar o paradigma da Educa&ccedil;&atilde;o inclusiva no fazer educativo, com a experimenta&ccedil;&atilde;o e reflex&atilde;o de boas pr&aacute;ticas, de forma continuada e consistente. Se &eacute; certo que “a necessidade cria o engenho”, tamb&eacute;m “quem quer arranja maneira, quem n&atilde;o quer arranja desculpas”.</P >      <P >&nbsp;</P >     <P ><B>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</B></P >    <P >Ainscow, M. (2009). Tornar a Educa&ccedil;&atilde;o Inclusiva: como esta tarefa deve ser conceituada. In O. F&aacute;vero, W. Ferreira, T. Ireland &amp; D. Barreiros, <I>Tornar a Educa&ccedil;&atilde;o inclusiva</I> (pp. 11-21). Bras&iacute;lia: Unesco.</P >    <P >Bardin, L. (1977). <I>L’analyse de contenu.</I> Paris: PUF.</P >    <P >Bastin, G. (1980). <I>As t&eacute;cnicas sociom&eacute;tricas.</I> Lisboa: Moraes Editora.</P >    <P >Bell, J. (1997). <I>Como realizar um projecto de investiga&ccedil;&atilde;o.</I> Lisboa: Gradiva.</P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P >Bogdan, R. &amp; Biklen, S. (1994). <I>Investiga&ccedil;&atilde;o qualitativa em educa&ccedil;&atilde;o. Uma introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; teoria e aos m&eacute;todos.</I> Porto: Porto Editora.</P >    <P >Booth, T. &amp; Black-Hawkins, K. (2001). <I>Developing learning and participation in countries of the south-the role of the index for inclusion</I>. [Dispon&iacute;vel em <a href="http://unesdoc.unesco.org/images/0014/001471/147140eo.pdf" target="_blank">http://unesdoc.unesco.org/images/0014/001471/147140eo.pdf</a>, consultado em 07/ 09/2011].</P >    <P >Booth, T., Ainscow, M., Black-Hawkins, K., Vaughan, M. &amp; Shaw, L. (2000). <I>Index for inclusion: developing learning and participation in schools.</I> Bristol: Center for Studies on Inclusive Education.</P >    <P >Bronfenbrenner, U. (1979). <I>The ecology of human development: experiments by nature and design.</I> Cambridge: University Press.</P >    <P >Carapeto, M. (2011). <I>A socializa&ccedil;&atilde;o e inclus&atilde;o de crian&ccedil;as consideradas com necessidades educativas especiais numa sala de jardim de inf&acirc;ncia.</I> Trabalho de projecto desenvolvido no &acirc;mbito do Mestrado em Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o - Educa&ccedil;&atilde;o especial: Dom&iacute;nio Cognitivo e Motor. Lisboa: Universidade Lus&oacute;fona de Humanidades e Tecnologias.</P >    <!-- ref --><P >Cordeiro, M. &amp; Sanches, I. (2005). Pr&aacute;ticas de educa&ccedil;&atilde;o inclusiva: o envolvimento da fam&iacute;lia em interven&ccedil;&atilde;o precoce. <I>Cadernos de Educa&ccedil;&atilde;o de Inf&acirc;ncia, 75</I> , 14-22.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000118&pid=S1645-7250201100030000900001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P >    <!-- ref --><P >Coutinho, C., Sousa, A., Dias, A., Bessa, F., Ferreira, M. &amp; Vieira, S. (2009). Investiga&ccedil;&atilde;o-a&ccedil;&atilde;o: metodologia preferencial nas pr&aacute;ticas educativas. <I>Revista de Psicologia, Educa&ccedil;&atilde;o e Cultura, </I>2 (XIII) , 455-479.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000120&pid=S1645-7250201100030000900002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P >    <P >Duffy, B. (1997). An&aacute;lise de dados documentais. In J. Bell, <I>Como realizar um projecto de investiga&ccedil;&atilde;o</I> (pp. 90-98). Lisboa: Gradiva.</P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P >Dunst, C. (1985). <I>Early intervention in USA. Theory and pratice.</I> New YorK.</P >    <P >EENET. (2000). <I>Overcoming resource barriers: the challenge of implementing inclusive education in rural areas</I>.  [Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.eenet.org.uk/theory_pratice/bonn_1.shtml" target="_blank">http://www.eenet.org.uk/theory_pratice/bonn_1.shtml</a>, consultado em 07/09/2011].</P >    <P >Estrela, A. (1986). <I>Teoria e pr&aacute;tica de observa&ccedil;&atilde;o de classes. Uma estrat&eacute;gia de forma&ccedil;&atilde;o de professores.</I> Lisboa: INIC.</P >    <P >Foucault, M. (2003). <I>Surveiller et Punir.</I> Paris: Tel Gallimard.</P >    <!-- ref --><P >Gardou, C. (2003). Inclus&atilde;o escolar das crian&ccedil;as e adolescentes em situa&ccedil;&atilde;o de handicap: uma revolu&ccedil;&atilde;o cultural necess&aacute;ria ou do homo sapiens ao homo socians. <I>Revista Lus&oacute;fona de Edu</I><I></I><I>ca&ccedil;&atilde;o</I> <I>, 02</I>, 53-66.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000127&pid=S1645-7250201100030000900003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P >    <P >Giroux, H. (1987). <I>Os professores como intelectuais - rumo a uma pedagogia cr&iacute;tica da aprendizagem.</I> Porto Alegre: Art Med.</P >    <P >Kunh, T. (2006). <I>A estrutura das revolu&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas.</I> S&atilde;o Paulo: Editora Perspectiva.</P >    <P >Maia, A. &amp; Ferreira, M. (2007). An&aacute;lise ecocomportamental do ensino de alunos com multidefici&ecirc;ncia, do 1&ordm; ciclo do ensino b&aacute;sico, nos contextos classe regular, unidade especializada em multidefici&ecirc;ncia e institui&ccedil;&atilde;o. In D. Rodrigues, <I>Investiga&ccedil;&atilde;o em Educa&ccedil;&atilde;o inclusiva</I> (pp. 23-45). Cruz Quebrada: F&oacute;rum de estudos de educa&ccedil;&atilde;o inclusiva, Faculdade de Motricidade Humana.</P >    <P >Mittler, P. (2000). <I>Working towards inclusive education.</I> Londres: Fulton.</P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P >Mota, A. &amp; Sanches, I. (2009). Cooperar para incluir. Formas de coopera&ccedil;&atilde;o entre o docente de educa&ccedil;&atilde;o especial e o docente titular de turma, no 1&ordm; ciclo do ensino b&aacute;sico. In A. Estrela, <I>Actas do XVI Col&oacute;quio da AFIRSE/AIPELF, Tutoria e media&ccedil;&atilde;o. Novos desafios &agrave; investiga&ccedil;&atilde;o </I><I>educacional.</I> (pp. 1-18). Lisboa: Faculdade de Psicologia e Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o, Universidade de Lisboa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000133&pid=S1645-7250201100030000900004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P >    <P >Northway, M. &amp; Weld, L. (1957). <I>Testes sociom&eacute;tricos.</I> Lisboa: Livros Horizonte.</P >    <P >Quivy, R. &amp; Campenhoudt, L. V. (1998). <I>Manual de investiga&ccedil;&atilde;o em Ci&ecirc;ncias sociais.</I> Lisboa: Gradiva.</P >    <P >Robert, A. &amp; Bouillaguet, A. (1997). <I>L’ analyse de contenu.</I> Paris: PUF.</P >    <P >Rodrigues, D. &amp; Rodrigues, L. L. (2011). Forma&ccedil;&atilde;o de professores e inclus&atilde;o: como se reformam os reformadores? In D. Rodrigues, <I>Educa&ccedil;&atilde;o Inclusiva. Dos conceitos &agrave;s pr&aacute;ticas de forma&ccedil;&atilde;o</I> (pp. 89-108). Lisboa: Instituto Piaget.</P >    <!-- ref --><P >Sanches, I. (2005). Compreender, agir, mudar e incluir. Da investiga&ccedil;&atilde;o-ac&ccedil;&atilde;o &agrave; educa&ccedil;&atilde;o inclusiva . <I>Revista Lus&oacute;fona de Educa&ccedil;&atilde;o, 05</I> , 127-142.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000139&pid=S1645-7250201100030000900005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P >    <P >Sanches, I. (2011). <I>Em busca de indicadores de educa&ccedil;&atilde;o inclusiva: a “voz” dos professores de apoio sobre o que pensam, o que fazem e o que gostariam de fazer.</I> Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es Universit&aacute;rias Lus&oacute;fonas.</P >    <!-- ref --><P >Sanches, I. &amp; Teodoro, A. (2006). Da integra&ccedil;&atilde;o &agrave; inclus&atilde;o escolar: cruzando perspectivas e conceitos. <I>Revista Lus&oacute;fona de Educa&ccedil;&atilde;o, 08</I> , 63-83.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000142&pid=S1645-7250201100030000900006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></P >    <P >Santos, &Aacute;., Bessa, A., Pereira, D., Mineiro, J., Dinis, L. &amp; Silveira, T. (2009). <I>Escolas de Futuro - 130 Boas Pr&aacute;ticas de Escolas Portuguesas.</I> Porto: Porto Editora.</P >    <P >Silva, M. O. (2011). <I>Gest&atilde;o das aprendizagens na sala de aula inclusiva.</I> Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es Universit&aacute;rias Lus&oacute;fonas.</P >    <P >Stubbs, S. (2002). <I>Opportunities and challenges in inclusive education.</I> Unesco.</P >    <P >Unesco. (1997). <I>First steps: stories on inclusion in early chilhood education</I>. [Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.eric.ed" target="_blank">http://www.eric.ed</a>., consultado em 07/09/2011].</P >    <P >Unesco. (2001). <I>Including the excluded: meeting diversity in education</I>.[Dispon&iacute;vel em <a href="http://unesdoc.unesco.org/images/0012/001231/123165ev.pdf" target="_blank">http://unesdoc.unesco.org/images/0012/001231/123165ev.pdf</a>, consultado em 07/ 09/2011].</P >    <P >Unesco. (2000). <I>Making it happen: examples of good pratice in special needs education and community based programmes</I>.[Dispon&iacute;vel em <a href="http://collections.infocollections.org/ukedu/uk/d/Js1448e/" target="_blank">http://collections.infocollections.org/ukedu/uk/d/Js1448e/</a>, consultado em 07/ 09/2011].</P >    <P >Vala, J. (1986). A an&aacute;lise de conte&uacute;do. In A. S. Silva &amp; J. M. Pinto, <I>Metodologia das Ci&ecirc;ncias Sociais</I> (pp. 101-128). Porto: Edi&ccedil;&otilde;es Afrontamento.</P >    <P >Vigotsky, L. (1985). Le probl&egrave;me de l’enseignement et du d&eacute;veloppement &agrave; l’ &acirc;ge scolaire. In B. Schneuwly, &amp; J. Bronckart, <I>Vigotsky aujourd’hui.</I> Neuch&acirc;tel: Delachaux e Niestl&eacute;.</P >    <P >Vigotsky, L. (1987). <I>Pensamento e Linguagem.</I> S&atilde;o Paulo: Martins Fontes.</P >    ]]></body>
<body><![CDATA[<P >Wang, M. (1997). Atendendo alunos com necessidades educativas especiais. In M. Ainscow, G. Porter, &amp; M. Wang, <I>Caminhos para as escolas inclusivas.</I> Lisboa: Instituto de Inova&ccedil;&atilde;o Educacional.</P >    <P >&nbsp;</P >     <P   ><B>Notas</B></P >    <P ><a href="#1">1</a><a name="top1">Parece perpetuar a ideia de que estudantes 'precisam' de ser segregados <I>por causa </I>da sua defici&ecirc;ncia ou dificuldade (Ainscow, 2009).</P >    <P ><a href="#2">2</a><a name="top2">Ver, a t&iacute;tulo de exemplo, os trabalhos desenvolvidos a n&iacute;vel do mestrado em educa&ccedil;&atilde;o especial, na Universidade Lus&oacute;fona de Humanidades e Tecnologias e, ainda, a investiga&ccedil;&atilde;o realizada no &acirc;mbito das Escolas de Futuro, dada a conhecer por Santos, Bessa, Pereira, Mineiro, Dinis e Silveira (2009). </P >    <P ><a href="#3">3</a><a name="top3">Ver Sanches (2011), onde est&aacute; bem patente a necessidade de ter sempre mais tempo e menos alunos, privilegiando a rela&ccedil;&atilde;o biun&iacute;voca e quase nunca a necessidade de mudar os modos de estar e de fazer.</P >    <P ><a href="#4">4</a><a name="top4">Trabalho de projeto desenvolvido no &acirc;mbito do Mestrado em Educa&ccedil;&atilde;o especial, por Maria Madalena Carapeto, orientado por Isabel Sanches, na Universidade Lus&oacute;fona de Humanidades e Tecnologias.</P >    <P ><a href="#5">5</a><a name="top5">Exig&ecirc;ncia do Mestrado em Educa&ccedil;&atilde;o especial.</P >    <P ><a href="#6">6</a><a name="top6">1&ordf; edi&ccedil;&atilde;o, 1975</P >      ]]></body><back>
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