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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A Universidade Portuguesa: o abrir do fecho de acesso - o caso dos maiores de 23 anos]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The aim of this study is describe the process of democratization of higher education in Portugal. An historical framework of the foundations and development of the Portuguese university is presented, giving particular emphasis on the changes concerning the duality power/knowledge and the historical elitism associated to higher education. This approach is complemented with an empirical analysis to of the actual situation in the Lusofona University regarding the enrollment of mature students (over 23 years old). Printed and handwritten references were considered for analysis, which allowed a detailed historical reconstruction of the Portuguese university. This secular corporate body, which in its origin has privileged the education of elites, is now experiencing a globalization and expansion of the targeted audiences, and has formally opened access to higher education to mature students (over 23 years old) in 2006. A sample of 36 mature students (32.09 ± 7.58 years old) registered on the course of Physical Education and Sports (69.4%) and Educational Sciences (30.6%) at the Lusofona University in 2010/2011 were considered. A questionnaire was applied to understand the motivations of these students for attending a university course, making part of a non-elitist, eclectic and democr atized group.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>A Universidade Portuguesa: o abrir do fecho de acesso - o caso dos maiores de 23 anos</b></p>      <p><b>The Portuguese University: the open   access-closed - the case for over 23 years</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Jos&eacute; Viegas Br&aacute;s<sup>*</sup>, Edineide Jezine<sup>**</sup>, Sofia Fonseca<sup>***</sup> & Maria Neves Gon&ccedil;alves<sup>****</sup></b></p>     <p><sup>*</sup>Professor na Universidade Lus&oacute;fona de Humanidades   e Tecnologias e investigador do CeiEF    <br>   <a href="mailto:zevibras@gmail.com">zevibras@gmail.com</a></p>     <p><sup>**</sup>Professora na Universidade Federal da Para&iacute;ba.    <br> <a href="mailto:edjezine@gmail.com">edjezine@gmail.com</a></p>     <p><sup>***</sup>Professora na Universidade Lus&oacute;fona de Humanidades e Tecnologias    <br> <a href="mailto:sofiaccfonseca@gmail.com">sofiaccfonseca@gmail.com</a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup>****</sup>Professor na Universidade Lus&oacute;fona de Humanidades e Tecnologias e investigadora do CeiEF    <br> <a href="mailto:maria.neves@netcabo.pt">maria.neves@netcabo.pt</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Resumo</b></p>     <p>Este artigo integra uma dupla preocupa&ccedil;&atilde;o. Por um lado, procedemos a um enquadramento hist&oacute;rico do processo constitutivo da universidade portuguesa. Por outro, quisemos contemplar uma dimens&atilde;o emp&iacute;rica. Para darmos seguimento &agrave;s preocupa&ccedil;&otilde;es enunciadas fizemos (i) uma an&aacute;lise documental onde explor&aacute;mos diferentes tipos de fontes (manuscritas e impressas) e (ii) aplic&aacute;mos um question&aacute;rio a uma amostra de 36 alunos maiores de 23 anos que se encontram a frequentar o Curso de Educa&ccedil;&atilde;o F&iacute;sica e Desporto (69.4%) e de Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o (30.6%) da Universidade Lus&oacute;fona no ano de 2010/2011. Para este trabalho, partimos da tese de que as universidades portuguesas, na sua origem hist&oacute;rica, eram um espa&ccedil;o para a forma&ccedil;&atilde;o das elites, e que na sociedade globalizada do conhecimento de hoje enfrentam o desafio da democratiza&ccedil;&atilde;o do acesso a novos p&uacute;blicos. A partir da reconstitui&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica desta institui&ccedil;&atilde;o secular, procura-se tamb&eacute;m demonstrar a rela&ccedil;&atilde;o entre poder/ saber. A universidade, ao constituir-se um bem p&uacute;blico, rompeu as barreiras do elitismo e veio proporcionar o "abrir do fecho de acesso", o que possibilita uma maior democratiza&ccedil;&atilde;o do ingresso no ensino superior. Em s&iacute;ntese, o texto apresenta resultados da investiga&ccedil;&atilde;o do processo de democratiza&ccedil;&atilde;o do ensino superior em Portugal..</p>     <p><b>Palavras-chave:</b> universidade; acesso; elitismo; democratiza&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>      <p><b>Abstract</b></p>     <p>The aim of this study is describe the   process of democratization of higher   education in Portugal. An historical   framework of the foundations and   development of the Portuguese university   is presented, giving particular   emphasis on the changes concerning   the duality power/knowledge and the   historical elitism associated to higher   education. This approach is complemented   with an empirical analysis to   of the actual situation in the Lusofona   University regarding the enrollment of mature students (over 23 years old).</p>     <p>  Printed and handwritten references   were considered for analysis, which   allowed a detailed historical reconstruction   of the Portuguese university.   This secular corporate body, which in   its origin has privileged the education   of elites, is now experiencing a globalization   and expansion of the targeted   audiences, and has formally opened   access to higher education to mature   students (over 23 years old) in 2006.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>  A sample of 36 mature students   (32.09 &plusmn; 7.58 years old) registered on   the course of Physical Education and   Sports (69.4%) and Educational Sciences   (30.6%) at the Lusofona University   in 2010/2011 were considered.   A questionnaire was applied to   understand the motivations of these   students for attending a university   course, making part of a non-elitist,   eclectic and democr atized group.</p>     <p> <b>Keywords:</b> university; access; elitism; democratization.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1.Introdu&ccedil;&atilde;o </b></p>     <p>O acesso &agrave;s universidades foi desde a sua funda&ccedil;&atilde;o reservado &agrave;s elites<a name="top1" id="top1"></a><a href="#1"><sup>1</sup></a>. Mas o que devemos entender por elites? S&atilde;o os que revelam mais aptid&otilde;es para conseguir o sucesso nos estudos e cumprirem cabalmente o papel social que est&aacute; destinado a quem faz este percurso? Ou as elites s&atilde;o quest&otilde;es de rela&ccedil;&atilde;o de poder? Os que frequentam a universidade s&atilde;o os mais capazes ou os que pertencem a uma classe social que lhes permite suportar estes custos? Uma quest&atilde;o de aptid&atilde;o &ndash; compet&ecirc;ncia ou uma quest&atilde;o de poder econ&oacute;mico? Tal como referem Cerdeira, Cabrito, &amp; Patroc&iacute;nio (2011, pp. 255-256): </p>     <blockquote>sendo indiscut&iacute;vel o processo de democratiza&ccedil;&atilde;o do ensino superior portugu&ecirc;s nos &uacute;ltimos 40 anos, observ&aacute;vel pelo n&uacute;mero de jovens que frequentam este subsistema educativo, pode-se no entanto questionar se esse processo resultou duma altera&ccedil;&atilde;o estrutural da composi&ccedil;&atilde;o social e econ&oacute;mica dos jovens que frequentam o ensino superior ou representa ou mant&eacute;m-se um ensino superior elitista reprodutor de desigualdades sociais? Dito de outra forma, o ensino superior estar&aacute; a contribuir para a cria&ccedil;&atilde;o de uma nova ordem social, mais justa e equitativa ou, pelo contr&aacute;rio, reproduz as desigualdades anteriores, deslocando-as dos ensinos b&aacute;sico e secund&aacute;rio para o superior? </blockquote>     <p>Seja qual for o n&iacute;vel de liga&ccedil;&atilde;o e interdepend&ecirc;ncia que tem existido entre estes factores, hoje, nas sociedades que se guiam por um ideal mais democr&aacute;tico, a quest&atilde;o come&ccedil;a a ser perspectivada de maneira diferente. J&aacute; n&atilde;o se trata tanto de seleccionar e reproduzir o poder institu&iacute;do, mas de alargar a forma&ccedil;&atilde;o a todos os que manifestam interesse e aptid&atilde;o para isso. Como salienta Santos (2004, p. 31): &ldquo;A universidade &eacute; um bem p&uacute;blico intimamente ligado ao projecto de pa&iacute;s. O sentido pol&iacute;tico e cultural deste projecto e a sua viabilidade dependem da capacidade nacional para negociar de forma qualificada a inser&ccedil;&atilde;o da universidade nos contextos da transnacionaliza&ccedil;&atilde;o&rdquo;. </p>     <p>Trata-se de um bem cultural que deve contribuir para o benef&iacute;cio e desenvolvimento de todos, fomentando, assim, uma melhor forma&ccedil;&atilde;o e cidadania e que n&atilde;o deve ser utilizado apenas na perspectiva instrumental de trabalho. Como interroga Santos (1989, p. 38), o problema apresenta-se do seguinte modo: &ldquo;Como integrar os princ&iacute;pios de democratiza&ccedil;&atilde;o do acesso com os mecanismos de selec&ccedil;&atilde;o? Como pensar uma institui&ccedil;&atilde;o que &eacute; na sua &iacute;ndole elitista, atrav&eacute;s de princ&iacute;pios de democracia e igualdade?&rdquo; </p>     <p>O acesso &agrave; universidade aos maiores de 23 anos vem tentar repor uma oportunidade de frequentar a universidade que, por circunst&acirc;ncias variadas da vida, lhes foi negada. Esta possibilidade de acesso tem, indubitavelmente, um elevado potencial pol&iacute;tico. A forma&ccedil;&atilde;o que todos parecem prezar n&atilde;o pode ser exclusiva e determinada por uma quest&atilde;o de sorte, uma quest&atilde;o de lotaria da classe social de origem. As sociedades democr&aacute;ticas t&ecirc;m a responsabilidade moral de proporcionar a todos um maior e mais equilibrado sistema de oportunidades de acesso. N&atilde;o s&oacute; est&aacute; em quest&atilde;o um sistema mais justo como tamb&eacute;m um sistema que permita tirar partido das potencialidades dos recursos humanos do pa&iacute;s, que de outra maneira, seriam total e desnecessariamente desperdi&ccedil;adas. Nenhum pa&iacute;s &eacute; verdadeiramente democr&aacute;tico se vedar o acesso ao ensino superior a todos os que demonstrem compet&ecirc;ncias para o fazer. Nenhum pa&iacute;s &eacute; verdadeiramente rico para desperdi&ccedil;ar intelig&ecirc;ncias que podem contribuir para o desenvolvimento do pa&iacute;s.</p>     <p>Sobre as grandes transforma&ccedil;&otilde;es operadas na pol&iacute;tica educativa em Portugal, Teodoro, Galego &amp; Marques (2010, p. 662) referem o seguinte: </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>Desde os anos 1960, Portugal iniciou um processo de renegocia&ccedil;&atilde;o da sua inser&ccedil;&atilde;o no sistema mundial. A viragem da economia para o espa&ccedil;o europeu, a Revolu&ccedil;&atilde;o de Abril de 1974, o fim do ciclo do Imp&eacute;rio, o processo de integra&ccedil;&atilde;o na Comunidade Econ&oacute;mica Europeia, hoje, Uni&atilde;o Europeia, desde 1976, e, presentemente, a participa&ccedil;&atilde;o na primeira fase da Uni&atilde;o econ&oacute;mica e monet&aacute;ria, representam m&uacute;ltiplos sinais de uma inten&ccedil;&atilde;o assumida no sentido de rever a antiga posi&ccedil;&atilde;o de Portugal no sistema mundial. Essa viragem estrat&eacute;gica na situa&ccedil;&atilde;o portuguesa teve profundas implica&ccedil;&otilde;es nas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de educa&ccedil;&atilde;o. </blockquote>     <p>No entanto, como salienta Cabrito (2011, p.53), &eacute; hoje um facto que a Uni&atilde;o Europeia (UE) tem vindo a afastar-se da constru&ccedil;&atilde;o de uma Europa Social. A pol&iacute;tica seguida tem vindo a privilegiar o individual em detrimento do colectivo, o mercado em oposi&ccedil;&atilde;o ao solid&aacute;rio, o econ&oacute;mico em vez do social, questionando-se hoje os caminhos que est&atilde;o a construir a Europa. </p>     <p><b>2. A Universidade: a grande f&aacute;brica social </b></p>     <p>2.1 A funda&ccedil;&atilde;o da Universidade e a forma&ccedil;&atilde;o de elites </p>     <p>Em finais do s&eacute;culo XIII, reinava em Portugal D. Dinis. Era um rei culto, letrado que estudava as l&iacute;nguas orientais para compreender a Cabala e sustentava s&aacute;bios privativos para lhe preservarem e traduzirem os livros antigos. Foi tamb&eacute;m um prof&iacute;cuo trovador que, na sociabilidade cortes&atilde;, versejava e musicava cantigas de amor e de amigo. Fernando Pessoa dedica-lhe os seguintes versos na <I>Mensagem</I>: </p>     <blockquote>Na noite escreve um seu cantar de amigo    <br>   O plantador de naus a ha ver    <br>   E ouve um sil&ecirc;ncio m&uacute;rmur o consigo:    <br>   É o rumor dos pinhais que , como um trigo    <br> De Imp&eacute;rio, ondulam sem se poder v er (Pessoa, 1985, p. 25).</blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>J&aacute; na sua &eacute;poca, inspirara a um vate coevo umas trovas que sintetizam, ali&aacute;s, todas as esferas de ac&ccedil;&atilde;o do reinado dinisiano: &ldquo;Regeu, edificou, lavrou, venceu/honrou as musas, poetou e leu&rdquo;<a name="top2" id="top2"></a><a href="#2"><sup>2</sup></a>. </p>     <p>É este monarca que, em 1290, criou a Universidade<a name="top3" id="top3"></a><a href="#3"><sup>3</sup></a>. O diploma r&eacute;gio emitido a 1 de Mar&ccedil;o desse ano estabelecia o seguinte: &ldquo;Desejando N&oacute;s enriquecer os nossos reinos com o tesouro precioso da ci&ecirc;ncia (&hellip;), tom&aacute;mos a iniciativa de estabelecer o Estudo Geral, que n&atilde;o s&oacute; provemos com c&oacute;pia de doutores em todas as Artes mas ainda ruboramos com numerosos privil&eacute;gios&rdquo; (<I>Discursos: sess&atilde;o solene de abertura das comemora&ccedil;&otilde;es do VII centen&aacute;rio da Universidade de Coimbra, </I>1990, p.13). Cerca de quatro meses volvidos, por bula de 9 de Agosto, o papa Nicolau IV dispunha: &ldquo;Confirmamos tudo o que nesta mat&eacute;ria est&aacute; feito, e que muito nos compraz&rdquo; (ANTT, Bulas, Ma&ccedil;o 12, n.&ordm; 2). </p>     <p>O elenco de cadeiras da universidade dinisiana constava de Direito Can&oacute;nico, Direito Civil, Medicina, Artes, Gram&aacute;tica, Dial&eacute;ctica e Ret&oacute;rica. Segundo a bula papal, constitu&iacute;ram-se as faculdades de Artes, de Leis, de C&acirc;nones e de Medicina. </p>     <p>A necessidade da funda&ccedil;&atilde;o, em finais do s&eacute;culo XIII, de um Estudo Geral fazia sentir-se &ldquo;tanto aos estudantes que afrontavam as dificuldades de ir frequentar as Universidades de Espanha, Fran&ccedil;a e It&aacute;lia, como &agrave; realeza que precisava, nos seus conflitos com os papas e os bispos, assegurar os direitos reais&rdquo; (Braga, 1892, tomo I, p. 70). A forma&ccedil;&atilde;o das Universidades resultou, assim, da &ldquo;dissolu&ccedil;&atilde;o do regime cat&oacute;lico-feudal, evidenciando o conflito entre a autoridade real e a pontifical&rdquo; (Braga, 1892, tomo I, p. VIII). As universidades nasciam, pois, sob o impulso do esp&iacute;rito secular e individualista que marcava a emerg&ecirc;ncia da revolu&ccedil;&atilde;o ocidental - de que fala Auguste Comte (1851, tomo II, p. 509) - uma vez que foi no s&eacute;c. XIII que a raz&atilde;o humana come&ccedil;a a emancipar-se do teologismo. Quando, em 1308, D. Dinis transfere o Estudo Geral para Coimbra<a name="top4" id="top4"></a><a href="#4"><sup>4</sup></a> é com o objectivo de o libertar da ingerência do bispo de Lisboa e aproveitar o núcleo das escolas menores do Mosteiro de Santa Cruz (Ribeiro, 1871). Com a criação das universidades emerge a importância dos jurisconsultos que ombreiam, em saber e poder, com o clero. Antes da fundação das universidades, o ensino estava concentrado nas Colegiadas e Abadias, sendo, portanto, entre a classe sacerdotal que existiam os homens mais ilustrados. A aristocracia continuava a tradição medieval da ignorância como distintivo heráldico. “Mais fidalgo é, não saber ler”, podia ler-se na comédia <I>Aulegrafia</I> de Jorge Ferreira de Vasconcelos. E Spencer (1874, p. 56) regista: &ldquo;Remontando bastante longe, achamos os nobres absolutamente analfabetos, e, o que &eacute; mais ainda, cheios de desprezo pela arte de ler e de escrever&rdquo;. Com a funda&ccedil;&atilde;o das universidades, surge uma corpora&ccedil;&atilde;o de lentes que, protoganizando um novo regime intelectual, passou a orientar os esp&iacute;ritos que se iam, progressivamente, desligando da s&iacute;ntese teol&oacute;gica dominante durante a Idade M&eacute;dia (Braga, 1892, tomo I, p. VIII). </p>     <p>É, neste contexto, que os jurisconsultos aparecem como os organizadores teóricos do poder monárquico e o direito romano se torna a base autêntica dos direitos reais. E é, por este motivo, que as universidades foram aproveitadas pelos reis que precisavam de fortificar-se nos seus conselhos com a opinião de jurisconsultos, cuja notoriedade crescia com a autoridade monárquica. Foi à universidade que D. Dinis solicitou, por exemplo, pareceres sobre questões de hidráulica no rio Mondego tendo em consideração os prejuízos e as vantagens que advinham das pequenas represas que os proprietários das terras ali faziam, prejudicando a navegação. E, foi à universidade, na figura do Dr. João das Regras - legista da escola de Bolonha - que os apoiantes do Mestre de Avis recorreram para aclamarem o Mestre, rei de Portugal. E foram também os lentes da Universidade que ofereceram a D. João II os cientistas e cartógrafos que iriam impulsionar as descobertas. </p>     <p>Estes meros exemplos indiciam como a Universidade &ndash; &ldquo;uma institui&ccedil;&atilde;o velha, mas n&atilde;o envelhecida&rdquo; (Santos, 2000, p. 128) - introduziu no seu seio a ideia de investiga&ccedil;&atilde;o e de servi&ccedil;o p&uacute;blico. </p>     <p><b>3. A metamorfose da Universidade </b></p>     <p>Face &agrave; vulgariza&ccedil;&atilde;o das ci&ecirc;ncias experimentais e pr&aacute;ticas que se desenvolveram, activamente, desde os s&eacute;culos XVII e XVIII, as universidades abriram-se a esses novos estudos, agrupados sob a designa&ccedil;&atilde;o de Filosofia Natural. &Eacute;, sob os ausp&iacute;cios do Marqu&ecirc;s de Pombal, que Frei Manuel do Cen&aacute;culo &ndash; &ldquo;o c&eacute;rebro da reforma pombalina&rdquo; (<I>Discursos: sess&atilde;o solene de abertura das comemora&ccedil;&otilde;es do VII centen&aacute;rio da Universidade de Coimbra</I>, 1990, p.32) - redige o <I>Comp&ecirc;ndio hist&oacute;rico do estado da Universidade de Coimbra e do Appendix</I> onde se afirma que o objectivo &eacute; &ldquo; restaurar as ci&ecirc;ncias e as artes liberais no reino e dom&iacute;nios ultramarinos&rdquo;. Com a reforma de 28 de Agosto de 1772, o Marqu&ecirc;s de Pombal criou o observat&oacute;rio astron&oacute;mico, um museu de hist&oacute;ria natural, um gabinete de f&iacute;sica, um laborat&oacute;rio qu&iacute;mico, um teatro anat&oacute;mico, um dispensat&oacute;rio farmac&ecirc;utico e um jardim bot&acirc;nico. </p>     <p>A par desta abertura aos novos saberes emergentes na &eacute;poca setecentista, acresce que o car&aacute;cter elitista foi sempre uma nota marcante dos estudos universit&aacute;rios. A carta do Marqu&ecirc;s de Pombal ao ent&atilde;o reitor da Universidade de Coimbra, datada de 16 de Novembro de 1772, &eacute; a este respeito paradigm&aacute;tica: </p>     <blockquote>Tenho por certo que aos 200 estudantes, que j&aacute; estavam matriculados e ao igual n&uacute;mero deles que tinham feito as suas habilita&ccedil;&otilde;es, h&atilde;o-de ir acrescendo muitos outros, porque ainda o mundo n&atilde;o foi provado do uso da raz&atilde;o; quando, por&eacute;m, chegaram a 1200, creio que se estender&aacute; que s&atilde;o bastantes, porque os 4000 que at&eacute; agora se matriculavam seriam prejudiciais ao reino, faltando nele homens para as outras profiss&otilde;es n&atilde;o podendo haver lugares para todos, ficando com a sua ociosidade fazendo perturba&ccedil;&otilde;es entre os seus compatriotas (Carta cit. por Ribeiro, 1871, tomo 1, p. 381). </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>É, sem sombra de dúvida, que, desde a sua origem a Universidade foi, em Portugal, fortemente selectiva e elitista (Nunes, 1971). Sabe-se que, até à Revolução dos Cravos, as universidades eram públicas e em número reduzido: a Universidade de Coimbra, a mais antiga, fundada em 1290; a Universidade de Évora, criada em 1559, extinta em 1759 e refundada em 1973; a Universidade de Lisboa e a Universidade do Porto foram ambas criadas em 1911 com a República; por último, a Universidade Técnica de Lisboa, criada em 1930. </p>     <p>Durante a ditadura salazarista, Portugal registou um atraso no que respeita &agrave; generaliza&ccedil;&atilde;o da escola para todos e o ensino superior reflectiu, naturalmente, esse tardio desenvolvimento, associado ao prop&oacute;sito, mantido at&eacute; muito tarde, de reservar este n&iacute;vel de forma&ccedil;&atilde;o &agrave;s elites sociais e econ&oacute;micas, enquanto instrumento privilegiado de reprodu&ccedil;&atilde;o social (Teodoro, Galego, &amp; Marques, 2010, p. 661). </p>     <p><b>4. A abertura da universidade a novos p&uacute;blicos </b></p>     <p>Nos anos 70 do s&eacute;culo XX, com a reforma de Veiga Sim&atilde;o -lei n.&ordm; 5 /73 tentou-se ampliar a frequ&ecirc;ncia do ensino superior, pondo a t&oacute;nica no discurso meritocr&aacute;tico, vem refor&ccedil;ar e mobilizar as aspira&ccedil;&otilde;es de todos aqueles que pretendiam ter acesso a uma forma&ccedil;&atilde;o superior. Esta desenvolvia-se em duas vias distintas: uma realizada nas universidades, de dura&ccedil;&atilde;o longa, e que conduzia a licenciaturas e a p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o; outra realizada em institutos polit&eacute;cnicos e escolas normais superiores, de dura&ccedil;&atilde;o curta, que conduzia a bacharelatos. O plano de expans&atilde;o e diversifica&ccedil;&atilde;o do ensino superior, aprovado pelo decreto-lei n&ordm; 402/73, de 11 de Agosto, previa a cria&ccedil;&atilde;o de 3 novas universidades (Universidade Nova de Lisboa, do Minho e de Aveiro), do Instituto Universit&aacute;rio de &Eacute;vora, de Institutos Polit&eacute;cnicos (Covilh&atilde;, Vila Real, Faro, Leiria) e de Escolas Normais Superiores (Beja, Bragan&ccedil;a, Castelo Branco, Funchal, Guarda, Lisboa, Ponta Delgada, Portalegre e Viseu). O referido decreto-lei traduz, efectivamente, o alargamento da rede de ensino superior (Cerdeira, Cabrito &amp; Patroc&iacute;nio, 2011, p.257). &Eacute;, neste sentido, que se pode afirmar que a ac&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica de Veiga Sim&atilde;o, por representar um per&iacute;odo de mobiliza&ccedil;&atilde;o de vontades e por ter apostado no ensino como factor de desenvolvimento e moderniza&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s, correspondeu a uma &ldquo;procura optimista de educa&ccedil;&atilde;o&rdquo;, na sugestiva fraseologia de Gr&aacute;cio (1986, p. 143). </p>     <p>A Revolu&ccedil;&atilde;o de Abril de 1974, ao revogar a lei n&ordm; 5/73, abandonou algumas das medidas mais emblem&aacute;ticas de Veiga Sim&atilde;o. E, em 1975, a Secretaria de Estado do Ensino Superior e Investiga&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica apresenta as bases program&aacute;ticas para a reforma do ensino superior, bases essas que vieram a ser aprovadas em Junho desse mesmo ano, pelo Conselho da Revolu&ccedil;&atilde;o (o &oacute;rg&atilde;o de poder que, no ordenamento pol&iacute;tico deste per&iacute;odo de legalidade revolucion&aacute;ria, tinha a compet&ecirc;ncia institucional de aprova&ccedil;&atilde;o deste tipo de leis). Segundo esse documento, competia ao ensino superior cooperar &ldquo;na tarefa de democratiza&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s&rdquo; e na &ldquo; forma&ccedil;&atilde;o de uma mundivid&ecirc;ncia apta a apoiar eficaz e esclarecidamente a constru&ccedil;&atilde;o de uma sociedade socialista&rdquo; (Secretaria de Estado do Ensino Superior e Investiga&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica, 1975). O 25 de Abril de 1974, contribuiu, indubitavelmente, n&atilde;o s&oacute; para criar universidades privadas como para iniciar, simultaneamente, um movimento de democratiza&ccedil;&atilde;o do ensino superior. </p>     <p>Com os finais de novecentos e o advento do s&eacute;culo XXI, a classe intelectual e os dirigentes pol&iacute;ticos e econ&oacute;micos colocam cada vez mais o problema acerca do papel e lugar do ensino superior nas sociedades e na comunidade internacional. Alain Renaut (1997), no seu expressivo livro <I>Les r&eacute;volutions de l&rsquo;universit&eacute;</I>, apresentou o problema da moderniza&ccedil;&atilde;o da cultura e das revolu&ccedil;&otilde;es que a universidade tem vivido, da experi&ecirc;ncia de uma tentativa profissionalizante, mantendo a ideia da cidade da intelig&ecirc;ncia que deve ser a universidade moderna, renunciando a ser uma sociedade &agrave; parte, substituindo a velha ideia de autonomia pela de abertura. E a universidade voltou a dar resposta ao aumento maci&ccedil;o das clientelas estudantis pensando-se que a forma&ccedil;&atilde;o universit&aacute;ria pode ir ao encontro de necessidades econ&oacute;micas, culturais da sociedade. O diploma universit&aacute;rio ainda parece ser um meio para o &ecirc;xito profissional e individual pelo que motiva os jovens e agora os adultos a querer entrar na universidade com o desejo de alargar os seus saberes, conhecimentos e a obten&ccedil;&atilde;o de um posto de trabalho mais qualificado. Como lembra Santos (2000), o ensino e a cultura deviam ser colocados ao alcance de toda a gente o que equivalia a proceder a uma reforma social no sentido mais lato do termo, reforma essa que haveria de ter profundas repercuss&otilde;es, a longo prazo, na evolu&ccedil;&atilde;o da sociedade. Numa resposta a este desafio de aumentar o n&uacute;mero de alunos e diversificar as respectivas origens, alguns estabelecimentos de ensino superior, publicitaram, em 2006, e na sequ&ecirc;ncia de legisla&ccedil;&atilde;o adequada, uma nova forma de acesso ao ensino superior designada, genericamente, pelo Processo dos Maiores de 23. </p>     <p><b>5. O acesso &agrave; Universidade aos Maiores de 23 </b></p>     <p>O Processo dos Maiores de 23 anos facilita o acesso ao ensino superior em Portugal de indiv&iacute;duos a partir desta faixa et&aacute;ria, n&atilde;o titulares de habilita&ccedil;&atilde;o secund&aacute;ria mas que revelem compet&ecirc;ncias para a sua frequ&ecirc;ncia. A avalia&ccedil;&atilde;o das compet&ecirc;ncias mencionadas &eacute; realizada atrav&eacute;s de provas espec&iacute;ficas, conforme o Decreto-lei n&ordm; 64/2006. Este diploma prev&ecirc; assim a promo&ccedil;&atilde;o da igualdade de oportunidades no acesso a este grau de ensino, rompendo o elitismo revelado no processo hist&oacute;rico.</p>     <p>O argumento preliminar do referido Decreto sustenta a necessidade de alargamento da &aacute;rea e de recrutamento de eventuais candidatos, como a possibilidade de ingresso de maior n&uacute;mero de pessoas (<I>Di&aacute;rio da Rep&uacute;blica</I>, 2006, p. 2054). Todavia, o processo de flexibiliza&ccedil;&atilde;o do ingresso e acesso ao ensino superior situa-se no conjunto de atendimentos &agrave;s pol&iacute;ticas educativas da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia (UE), geradas pelo processo de globaliza&ccedil;&atilde;o<a name="top5" id="top5"></a><a href="#5"><sup>5</sup></a> e mundializa&ccedil;&atilde;o do capital, das quais fazem parte o princ&iacute;pio de aprendizagem ao longo da vida, defendido pela UNESCO.</p>     <p>No conjunto destas pol&iacute;ticas educacionais, a educa&ccedil;&atilde;o de pessoas adultos sofre resignifica&ccedil;&atilde;o, em suas proposi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas de pensar e fazer, englobar uma diversifica&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&otilde;es que passam a compor a conceitualiza&ccedil;&atilde;o de aprendizagem ao longo da vida, e alarga suas a&ccedil;&otilde;es, da alfabetiza&ccedil;&atilde;o &agrave; educa&ccedil;&atilde;o superior (Torres, 2011; Prestes, 2011). Segundo <I>Relat&oacute;rio Global sobre Aprendizagem e Educa&ccedil;&atilde;o de Adultos </I>(UNESCO, 2010, p. 8) &ldquo;A educa&ccedil;&atilde;o de adultos &eacute; mais importante do que nunca na era da globaliza&ccedil;&atilde;o, caracterizada por mudan&ccedil;as r&aacute;pidas, integra&ccedil;&atilde;o e avan&ccedil;os tecnol&oacute;gicos&rdquo;, constituindo-se em um novo pardigma educacional &ldquo;um marco coerente e significativo de oferta e pr&aacute;tica de educa&ccedil;&atilde;o e treinamento&rdquo; (UNESCO, 2010, p.14). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A aprendizagem, antes, restrita ao universo escolar e presa ao bin&ocirc;mio ensino-aprendizagem, se amplia a partir da multidiversidade, com variados n&iacute;veis e concep&ccedil;&otilde;es, perpassa as polaridades de &ldquo;alta cultura-cultura popular; educa&ccedil;&atilde;o-trabalho; teoria-pr&aacute;tica&rdquo;, denominadas por Santos (1989, p. 18) como tens&otilde;es que geram a crise de hegemonia da universidade, e resultando na cultura de massa. </p>     <p>Nestes termos, ao se considerar a exist&ecirc;ncia de diversos e m&uacute;ltiplos saberes em diferentes contextos, tais experi&ecirc;ncias e saberes precisam ser certificados. Ou, os sujeitos, possuidores de outros saberes, que se encontram no mundo do trabalho, precisam ser atualizados, em fun&ccedil;&atilde;o das transforma&ccedil;&otilde;es ocorridas no campo da comunica&ccedil;&atilde;o, da cultura e da vida societ&aacute;ria, que exige novas compet&ecirc;ncias, em espec&iacute;fico de pessoas adultas inseridas no mundo do trabalho, por&eacute;m distante dos processos formativos. </p>     <p>À necessidade de adultos mais ativos no trabalho, na família, na vida em comunidade e na sociedade, junta-se o número reduzido de estudantes europeus no sistema de ensino superior, bem como a sua fraca competitividade e atractividade. O Ano Europeu da Educação e Formação ao Longo da Vida (1996), e o documento <I>Livro branco sobre educa&ccedil;&atilde;o e forma&ccedil;&atilde;o &ndash; ensinar e aprender rumo &agrave; sociedade cognitiva </I>(Comiss&atilde;o das Comunidades Europeias, 1995), constituemse no marco de sistematiza&ccedil;&atilde;o de formula&ccedil;&atilde;o desta concep&ccedil;&atilde;o educativa em que se destaca o papel da educa&ccedil;&atilde;o e da forma&ccedil;&atilde;o para o desenvolvimento econ&oacute;mico, no acesso ao emprego, no combate ao desemprego, na promo&ccedil;&atilde;o da autonomia e capacidade profissional dos cidad&atilde;os europeus (Mendes e Lindeza, 2011). E apresentam orienta&ccedil;&otilde;es a serem desenvolvidas no contexto europeu, tais como: &ldquo;o incentivo &agrave; aquisi&ccedil;&atilde;o de novos conhecimentos, a necessidade de diversifica&ccedil;&atilde;o de m&eacute;todos, meios de forma&ccedil;&atilde;o e a multiplica&ccedil;&atilde;o de locais de forma&ccedil;&atilde;o; recomenda-se a cria&ccedil;&atilde;o de um instrumentos de acredita&ccedil;&atilde;o de compet&ecirc;ncias t&eacute;cnicas e profissionais&rdquo; (Mendes e Lindeza, 2011, p. 186). Nestes termos, processa-se o abrir do fecho do acesso ao ensino superior, a partir da ratifica&ccedil;&atilde;o dos Estados signat&aacute;rios, na Conven&ccedil;&atilde;o de Lisboa (1997 &ndash; em vigor 1999), acerca das qualifica&ccedil;&otilde;es que favorecem o acesso ao ensino superior em que passam a ter um &uacute;nico mecanismo comum o &ldquo;Comit&eacute; da Conven&ccedil;&atilde;o de Reconhecimento de Lisboa&rdquo;, a rede ENIC (European network of Information Centres) e os &ldquo;Grupos de Trabalho Tem&aacute;ticos da rede ENIC&rdquo;<a name="top6" id="top6"></a><a href="#6"><sup>6</sup></a>; e do processo de Bolonha (1999), a qual define um conjunto de proposi&ccedil;&otilde;es e a&ccedil;&otilde;es a serem seguidas pelos sistemas de ensino superior europeu. A <I>Declara&ccedil;&atilde;o de Bolonha </I>é, assim, o início de uma quebra de paradigma do modelo universitário europeu heterogêneo, tradicional, eletista, pautado na investigação para a convergência de sistemas nacionais diferentes que se voltam para a especialização, conforme assinala Rosa (2004, p. 2). </p>     <blockquote>A agenda para a constru&ccedil;&atilde;o do Espa&ccedil;o Europeu do Ensino Superior &eacute; ambivalente: apela &agrave; competi&ccedil;&atilde;o inter-institucional, por um lado, e &agrave; coopera&ccedil;&atilde;o, por outro. Nem sempre os dois apelos ser&atilde;o concili&aacute;veis nem o prosseguimento simult&acirc;neo das duas agendas ser&aacute; poss&iacute;vel; e ser&aacute; ing&eacute;nuo presumir que a agenda social &eacute; priorit&aacute;ria. </blockquote>     <p>É neste contexto, que as políticas da UE de harmonização do sistema de ensino superior europeu atingem Portugal e o conduzem a mudar os seus efetivos educacionais, a inserir-se no conjunto das sociedades do conhecimento. Assim, para o atendimento às orientações políticas e educacionais prescritas nos acordos internacionais, o Governo Português adotou programas de formação e creditação, como as <I>Novas Oportunidades</I>, ao n&iacute;vel da certifica&ccedil;&atilde;o do ensino secund&aacute;rio, que modificaram a realidade educacional do pa&iacute;s, como &eacute; demonstr&aacute;vel atrav&eacute;s dos Indicadores Sociais de 2009, apontados pelo Instituto Nacional de Estat&iacute;stica de Portugal (2010). Neste documento, a taxa de jovens na faixa et&aacute;ria de 20 a 24 anos que conclu&iacute;ram pelo menos o ensino secund&aacute;rio tem evolu&iacute;do de 47,9 em 2003 para 55,5 em 2009, o que leva Portugal ao <I>ranking </I>da certifica&ccedil;&atilde;o, como foi divulgado no Relat&oacute;rio <I>“Further measures to implement the action plan on adult learning: Updating the existing inventory on validation of non-formal and informal learning: Final report”. </I>Portugal passou a constar da lista dos cinco pa&iacute;ses com melhor classifica&ccedil;&atilde;o no que respeita ao n&iacute;vel de desenvolvimento em mat&eacute;ria de valida&ccedil;&atilde;o de aprendizagens n&atilde;o formais e informais<a name="top7" id="top7"></a><a href="#7"><sup>7</sup></a>. Neste conjunto, a taxa de reten&ccedil;&atilde;o, desist&ecirc;ncia e reprova&ccedil;&atilde;o do ensino secund&aacute;rio em Portugal sofre altera&ccedil;&otilde;es, pois no per&iacute;odo correspondente a 1999/00 era de 36,8 e passou para 19,1 no ano letivo de 2008/09<a name="top8" id="top8"></a><a href="#8"><sup>8</sup></a>. </p>     <p>No concernente ao acesso ao ensino superior, o destaque vai para o <I>Processo Maiores de 23 anos, </I>que pretende o alargamento e flexibiliza&ccedil;&atilde;o da forma&ccedil;&atilde;o superior a p&uacute;blicos n&atilde;o tradicionais. Com base no Decreto-lei n&ordm; 64/2006, j&aacute; citado, cabe a cada institui&ccedil;&atilde;o de ensino superior, fazer a notifica&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, organizar o processo seletivo e avaliativo -que n&atilde;o pode prescindir das orienta&ccedil;&otilde;es gerais do respectivo Decreto. Este normativo define os seguintes elementos de avalia&ccedil;&atilde;o: o curr&iacute;culo acad&eacute;mico e profissional; as motiva&ccedil;&otilde;es do candidato (atrav&eacute;s de entrevista); e provas te&oacute;ricas ou pr&aacute;ticas de conhecimento e compet&ecirc;ncias. Neste sentido, as institui&ccedil;&otilde;es de ensino superior possuem um papel importante de sele&ccedil;&atilde;o dos candidatos adultos em que a experi&ecirc;ncia profissional &eacute; o crit&eacute;rio de valoriza&ccedil;&atilde;o, ao mesmo tempo que contempla a execu&ccedil;&atilde;o do princ&iacute;pio de aprendizagem ao longo da vida. </p>     <p>O respectivo Decreto, ao definir como crit&eacute;rio &uacute;nico a faixa et&aacute;ria de maiores de 23 anos, especifica que se destina &ldquo;nomeadamente a estudantes que re&uacute;nam condi&ccedil;&otilde;es habilitacionais espec&iacute;ficas, alargando a respectiva &aacute;rea de recrutamento&rdquo;, todavia, cabe &agrave;s universidades definirem tais condi&ccedil;&otilde;es. Para tanto, o Decreto regula o &ldquo;direito ao acesso ao ensino superior a indiv&iacute;duos que, n&atilde;o estando habilitados com um curso secund&aacute;rio ou equivalente, fa&ccedil;am prova, especialmente adequada, de capacidade para a sua freq&uuml;&ecirc;ncia&rdquo; consagrado assim o que diz a Lei de Bases do Sistema Educativo (<I>Di&aacute;rio da Rep&uacute;blica,</I> 2006, p. 2054). Ou seja, o processo especial de acesso ao ensino superior pretende privilegiar os sujeitos adultos que n&atilde;o conclu&iacute;ram o ensino secund&aacute;rio. </p>     <p>O <I>Processo Maiores de 23 anos</I> abre, pois, as portas para incluir jovens e adultos no campo da forma&ccedil;&atilde;o e profissionaliza&ccedil;&atilde;o a partir de processo seletivo especial. Podendo, o estudante uma vez inserido no ensino superior, solicitar a certifica&ccedil;&atilde;o dos seus saberes e compet&ecirc;ncias sob a forma da equival&ecirc;ncia, a uma ou a mais unidades curriculares do curso frequentado, at&eacute; 60 cr&eacute;ditos, o que corresponde ao total das unidades curriculares de um ano lectivo integral. </p>     <p>Esta pol&iacute;tica de acesso ao ensino superior, no contexto portugu&ecirc;s, insere-se num processo de democratiza&ccedil;&atilde;o, ao promover a inclus&atilde;o de um p&uacute;blico n&atilde;o tradicional, com outros saberes, constitu&iacute;ndo assim, possibilidades de que forma&ccedil;&atilde;o e qualifica&ccedil;&atilde;o profissional venham gerar processos de equidade social e de mobilidades sociais. Neste sentido, considerando o <i>Processo Maiores de 23 anos</i>, como uma forma nova e diferente de acesso ao ensino superior, pode-se considerar o abrir do fecho, como um processo de democratiza&ccedil;&atilde;o e quebra do elitismo da educa&ccedil;&atilde;o superior em Portugal. Todavia, torna-se importante investigar os resultados deste pr ocesso, no quotidiano do fazer universit&aacute;rio.</p>     <p>5.1. Quem s&atilde;o os sujeitos Maiores de 23 anos na UHLT</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Partindo do pressuposto de que esta pol&iacute;tica se constitui em uma oportunidade   de forma&ccedil;&atilde;o a novos p&uacute;blicos, que, possivelmente, em outras condi&ccedil;&otilde;es   n&atilde;o teriam acesso ao ensino superior, torna-se imperioso compreender quais   as expectativas geradas, por interm&eacute;dio deste processo. Assim, realizou-se um   estudo explorat&oacute;rio na Universidade Lus&oacute;fona de Humanidades e Tecnologias   (ULHT) com o intuito de precisamente apreciar as motiva&ccedil;&otilde;es para este ingresso no ensino superior.</p>     <p>Esta parte da investiga&ccedil;&atilde;o foi de natureza quantitativa cujo procedimento   metodol&oacute;gico foi a aplica&ccedil;&atilde;o de um question&aacute;rio com perguntas abertas e fechadas   para uma amostra em estudo constitu&iacute;da por 36 alunos que frequentaram, no   ano lectivo de 2010-2011, dos cursos de Educa&ccedil;&atilde;o F&iacute;sica e Desporto (69%) e Ci&ecirc;ncias   da Educa&ccedil;&atilde;o (31%), todos no regime de maiores de 23 anos. Desta mostra, 56% s&atilde;o rapazes, 44% s&atilde;o raparigas, conforme demonstra o gr&aacute;fico 1.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Gr&aacute;fico 1</b></p>     <p><img src="/img/revistas/rle/n21/n21a09g1.jpg" /></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>A m&eacute;dia de idade dos sujeitos indagados &eacute; de 32.09 (&plusmn;7.58) anos, o que nos configura um p&uacute;blico adulto, que h&aacute; muito deixou os bancos escolares e que, por diversas quest&otilde;es, abandonou a esc ola ou f oi exclu&iacute;do desta.</p>     <p>Conforme se pode ver no Gr&aacute;fico 2, os dados da amostra vem-nos dizer que - ao contr&aacute;rio duma ideia generalizada - a maioria dos alunos que chega &agrave; universidade por esta via possuem o ensino secund&aacute;rio completo. Veja&ndash;se que (61%) tem o 12&ordm; ano conclu&iacute;do, embora haja uma quantidade apreci&aacute;vel de alunos Qual o seu g &eacute;nero? 174 Revista Lus&oacute;fona de Educa&ccedil;&atilde;o, 21, 2012 Revista Lus&oacute;fona de Educa&ccedil;&atilde;o (17%) que completaram apenas a escolaridade m&iacute;nima obrigat&oacute;ria (9&ordm; ano). De onde se pode inferir, que a maioria dos sujeitos que agora tem acesso ao ensino superior, poderiam ter ingressado no ensino superior em idade regular.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Gr&aacute;fico 2</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><img src="/img/revistas/rle/n21/n21a09g2.jpg" /></p>     
<p>&nbsp;</p>      <p>Outro dado relevante da nossas amostra prende-se com o tempo de interrup&ccedil;&atilde;o que medeia entre a frequ&ecirc;ncia do ensino b&aacute;sico e/ou secund&aacute;rio e a entrada na universidade. Apenas 29% fez uma interrup&ccedil;&atilde;o curta nos estudos (1 a 4 anos), sendo esta uma percentagem quase id&ecirc;ntica &agrave; dos alunos que fizeram um interregno de 15 ou mais anos (26%). Em que se pode assinalar que houve uma percentagem muito significativa de alunos que esteve afastado dos estudos durante muito tempo, como indica o Gr&aacute;fico 3.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Gr&aacute;fico 3</b></p>     <p><img src="/img/revistas/rle/n21/n21a09g3.jpg" /></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Outro dado importante a registar, &eacute; que a maioria destes alunos est&aacute; integrada no mercado de trabalho. Assim, no que se refere &agrave; experi&ecirc;ncia profissional, pode verificar-se que do total de alunos considerados, 77% est&aacute; presentemente empregado e a grande maioria (78%) afirma que existe uma estreita rela&ccedil;&atilde;o entre o curso que frequenta e a profiss&atilde;o que exerce, enquanto que os restantes 19% declaram que cur so e empr ego n&atilde;o est&atilde;o em nada relacionados.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Gr&aacute;fico 4</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><img src="/img/revistas/rle/n21/n21a09g4.jpg" /></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Esses dados s&atilde;o relevantes para a an&aacute;lise do alcan&ccedil;e dos objetivos das pol&iacute;ticas   emanadas da UE, pois o processo especial de acesso ao ensino superior, ao   oportunizar a entrada da maioria de adultos inseridos no mundo do trabalho aos   cursos superiores, favorece (i) a qualifica&ccedil;&atilde;o e/ou atualiza&ccedil;&atilde;o profissional; (ii)   a certifica&ccedil;&atilde;o das experi&ecirc;ncias; (iii) a forma&ccedil;&atilde;o que possa conduzir os sujeitos   &agrave; din&acirc;mica da sociedade da informa&ccedil;&atilde;o; e (iv) a capacidade de competitividade e inova&ccedil;&atilde;o no mercado.</p>     <p>  Neste sentido, o processo especial de acesso ao ensino superior, em Portugal,   reveste-se de grande import&acirc;ncia, ao buscar associar a dimens&atilde;o do trabalho   &agrave; da educa&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>  E no que se refere &agrave;s motiva&ccedil;&otilde;es apresentadas para o ingresso em cursos   superiores, por ordem decrescente de prefer&ecirc;ncia, assinalam: (1) progress&atilde;o na   carreira, (2) pessoal, (3) mudan&ccedil;a de &aacute;rea profissional e (4) prest&iacute;gio social, o   que vem indicar mais uma vez a rela&ccedil;&atilde;o educa&ccedil;&atilde;o e trabalho, rompendo assim   a dicotomia de dois mundos, &quot;com pouca ou nenhuma comunica&ccedil;&atilde;o entre s&iacute;: o mundo ilustrado e o mundo do tr abalho&quot; (Santos, 2004, p . 20).</p>     <p>  <b>6. Conclus&atilde;o</b></p>     <p>  Desde o in&iacute;cio da sua funda&ccedil;&atilde;o, em 1290, at&eacute; &agrave; queda do regime ditatorial   em 1974, que a Universidade portuguesa foi reservada &agrave;s elites. Contudo, hoje,   nas sociedades que se guiam por ideais democr&aacute;ticos, o ensino superior &eacute; entendido   como um bem p&uacute;blico, correlacionado com o projecto cultural e pol&iacute;tico   de um pa&iacute;s. Neste sentido, intentou-se ampliar a frequ&ecirc;ncia do ensino superior   a todos os que revelem compet&ecirc;ncia e aptid&atilde;o para isso. Com o advento do s&eacute;culo   XXI, se bem que a universidade mantenha a ideia de cidade da intelig&ecirc;ncia,   na expressiva formula&ccedil;&atilde;o de Alain Renaut (1977), ela abriu-se a clientelas que   antigamente n&atilde;o tinham acesso.</p>     <p>  O processo de globaliza&ccedil;&atilde;o e mundializa&ccedil;&atilde;o do capital, decorrente das pol&iacute;ticas   educativas da Uni&atilde;o Europeia, bem como o princ&iacute;pio de aprendizagem   ao longo da vida, defendido pela UNESCO, flexibilizaram o ingresso ao ensino   superior. O Decreto-lei n&ordm; 64/2006 criou uma nova realidade, possibilitando o acesso &agrave; universidade aos adultos que est&atilde;o no mercado de trabalho e que j&aacute; capitalizaram experi&ecirc;ncias de aprendizagem do mundo laboral. Este processo veio valorizar conhecimentos e compet&ecirc;ncias que foram adquiridos por vias n&atilde;o escolares de aprendizagem. </p>     <p>No sentido de perceber esta nova realidade tent&aacute;mos indagar as motiva&ccedil;&otilde;es dos estudantes que frequentam os cursos de Educa&ccedil;&atilde;o F&iacute;sica e Desporto (69%) e Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o (31%) da Universidade Lus&oacute;fona de Humanidades e Tecnologias (Lisboa), todos no regime de maiores de 23 anos. Do estudo realizado, verific&aacute;mos que as motiva&ccedil;&otilde;es se centraram fundamentalmente em torno da progress&atilde;o na carreira, do desenvolvimento pessoal, da mudan&ccedil;a da &aacute;rea pro-fissional e do prest&iacute;gio social. Isto quer dizer que os estudantes projectam uma utilidade social nos estudos que v&ecirc;m realizar na Universidade. </p>     <p>Este estudo explorat&oacute;rio mostra-nos que estamos ainda no in&iacute;cio duma experi&ecirc;ncia que precisa de ser mais investigada e discutida. No entanto, estamos em crer que come&ccedil;ou um novo abrir de um fecho que vedava o acesso a pessoas com compet&ecirc;ncias igualmente importantes mas que foram adquiridas por processos que, at&eacute; ao momento presente, n&atilde;o eram considerados leg&iacute;timos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias Bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <!-- ref --><p>Braga, T. (1892-1902). <I>Hist&oacute;ria da Universidade de Coimbra nas suas rela&ccedil;&otilde;es com a instru&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica portuguesa </I>(4 vols)<I>.</I> Lisboa: Tip. da Academia Real das Ci&ecirc;ncias<I>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000105&pid=S1645-7250201200020000900001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </I></p>     <!-- ref --><p>Cabrito, B. (2011). Financiamento e privatiza&ccedil;&atilde;o do ensino superior em Portugal: entre a Revolu&ccedil;&atilde;o de Abril e a Declara&ccedil;&atilde;o de Bolonha. In Cabrito, B., &amp; Jacob, V. (orgs.). <I>Pol&iacute;ticas de financiamento e acesso da educa&ccedil;&atilde;o superior no Brasil e em Portugal</I>. (pp.45-59). Lisboa: Educa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000107&pid=S1645-7250201200020000900002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p><I>Cancioneiro d&rsquo;el-rei D. Dinis</I> (ed.1847). Paris- Aillaud. </p>     <!-- ref --><p>Cerdeira, L., Cabrito B., &amp; Patroc&iacute;nio, T. (2011). Equidade, acessibilidade e elitiza&ccedil;&atilde;o do ensino superior. O caso portugu&ecirc;s<I>. </I>In Cabrito, B., &amp; Jacob, V. (orgs.). <I>Pol&iacute;ticas de financiamento e aces-so da educa&ccedil;&atilde;o superior no Brasil e em Portugal</I>. (pp. 255-273). Lisboa: Educa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000110&pid=S1645-7250201200020000900004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <p>Comte, A. (1851).<I> Syst&egrave;me de politique positive ou traite de Sociologie, instituant la religion de l&rsquo;humanit&eacute;</I>. Paris: Librairie Scientifique Industrieller de L.Mathias. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Dale, R. (2004). Globaliza&ccedil;&atilde;o e educa&ccedil;&atilde;o: demonstrando a exist&ecirc;ncia de uma &laquo;Cultura Educacional Mundial Comum&raquo; ou localizando uma &laquo;Agenda Globalmente Estruturada para a Educa&ccedil;&atilde;o&raquo;?<I> Educa&ccedil;&atilde;o e Sociedade, </I>87 (XXV), 423-460.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000113&pid=S1645-7250201200020000900006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Dale, R. (2008). Construir a Europa atrav&eacute;s de um Espa&ccedil;o Europeu de Educa&ccedil;&atilde;o. <I>Revista Lus&oacute;fona de Educa&ccedil;&atilde;o</I>, 11, 13-30.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000115&pid=S1645-7250201200020000900007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <p><I>Declara&ccedil;&atilde;o de Bolonha. </I>Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.aauab.pt/bolonha/declaracaobolonha.pdf" target="_blank">http://www.aauab.pt/bolonha/declaracaobolonha.pdf</a>, consultado em 18-02-2012]. </p>     <p><I>Discursos: sess&atilde;o solene de abertura das comemora&ccedil;&otilde;es do VII centen&aacute;rio da Universidade de Coimbra</I>. Coimbra: Servi&ccedil;o de Documenta&ccedil;&atilde;o e Publica&ccedil;&otilde;es da Universidade. </p>     <p><I>Educa&ccedil;&atilde;o em N&uacute;meros &ndash; Portugal 2010 </I>(GEPE, 2010). Dispon&iacute;vel em  <a href="http://www.gepe.min-edu.pt/np4/?newsId=520&fileName=GEPE_Setembro.pdf" target="_blank">http://www.gepe.min-edu.pt/np4/?newsId=520&amp;fileName=GEPE_Setembro.pdf</a>, </I>consultado em 18-02-2012]. </p>     <!-- ref --><p>Gr&aacute;cio, S. (1986). <I>Pol&iacute;tica Educativa como Tecnologia Social. As reformas do Ensino T&eacute;cnico de 1948 e 1983</I>. Lisboa: Livros Horizonte.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000120&pid=S1645-7250201200020000900008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Jezine, E.; Chaves, V. L. J. &amp; Gil. B. (2011). O acesso ao ensino superior no contexto da globaliza&ccedil;&atilde;o. Os casos do Brasil e de Portugal. <I>Revista Lus&oacute;fona de Educa&ccedil;&atilde;o</I>, 18, 57-79.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000122&pid=S1645-7250201200020000900009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Mendes, M. &amp; Lindeza, Paula. (2011). A constru&ccedil;&atilde;o s&oacute;cio-hist&oacute;rica da educa&ccedil;&atilde;o de adultos. Da educa&ccedil;&atilde;o permanente &agrave; aprendizagem ao longo da vida. In Teodoro, A. &amp; Jezine, E. (orgs<I>.</I>)<I>. Movimentos Sociais e Educa&ccedil;&atilde;o de Adultos na Ibero-Am&eacute;rica</I>. (pp. 167-198). Bras&iacute;lia: Liber Livros.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000124&pid=S1645-7250201200020000900010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Nunes. A. S. (1971). <I>A situa&ccedil;&atilde;o universit&aacute;ria portuguesa</I>. Lisboa: Livros Horizonte.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000126&pid=S1645-7250201200020000900011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->  </p>     <!-- ref --><p>Pessoa, F. (ed. 1985). <I>Mensagem</I>. Lisboa: Cl&aacute;ssica Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000128&pid=S1645-7250201200020000900012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>Prestes, E. M. T. (2011). A rela&ccedil;&atilde;o entre educa&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento na Am&eacute;rica latina e Caribe, o discurso da VI Confitea. In Teodoro, A. &amp; Jezine, E. (orgs<I>.). Movimentos Sociais e Educa&ccedil;&atilde;o de Adultos na Ibero-Am&eacute;rica</I>. (pp. 241- 253). Bras&iacute;lia: Liber Livros. </p>     <p><I>Relat&oacute;rio Global sobre Aprendizagem e Educa&ccedil;&atilde;o de Adultos. </I>Dispon&iacute;vel em <a href="http://unesdoc.unesco.org/images/0018/001886/188644por.pdf" target="_blank">http://unesdoc.unesco.org/images/0018/001886/188644por.pdf</a>, consultado em 18-02-2012. </p>     <P>Renaut,  A. (1997). <I>Les r&eacute;volutions de l&rsquo;universit&eacute;</I>. Paris: Editions du Seuil.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><P>Ribeiro, J. S. (1871-1914). <I>Hist&oacute;ria dos estabelecimentos cient&iacute;ficos liter&aacute;rios e art&iacute;sticos de Portugal nos sucessivos reinados da monarquia</I>. Lisboa. Academia Real das ci&ecirc;ncias.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000133&pid=S1645-7250201200020000900015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><P>Rosa, R. N. (2004). <I>Os caminhos de Bolonha</I>. Dispon&iacute;vel em info/rui/processo_bolonha.html, consultado em 10-05-2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000135&pid=S1645-7250201200020000900016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><P>Santos, B. Sousa (2004). Da ideia de universidade &agrave; universidade de ideias. <I>Revista Cr&iacute;tica de Ci&ecirc;ncias Sociais,</I> 27/28, 11-62.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000137&pid=S1645-7250201200020000900017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><P>Santos, M. H. C. dos (2000). <I>Textos e pretextos</I>. Lisboa: Sociedade Portuguesa de Estudos do S&eacute;culo XVIII.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000139&pid=S1645-7250201200020000900018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Spencer, H. (1874). <I>Introduction &agrave; la Science Sociale</I>. Paris: Germes Bailli&egrave;re.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000140&pid=S1645-7250201200020000900019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><P>Teodoro, A., Galego, C. &amp; Marques, F. (2010). Do fim dos eleitos ao processo de Bolonha: as pol&iacute;ticas de educa&ccedil;&atilde;o superior em Portugal (1970-2008). <I>Ensino em Re-Vista</I>, 17, 659-691.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000142&pid=S1645-7250201200020000900020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>     <!-- ref --><p>Torres, C. A. (2011). Dan&ccedil;ando no conv&eacute;s do Titanic: a educa&ccedil;&atilde;o de adultos, o Estado-Na&ccedil;&atilde;o e os novos movimentos sociais. In Teodoro, A. &amp; Jezine, E. (orgs<I>.). Movimentos Sociais e Educa&ccedil;&atilde;o de Adultos na Ibero-Am&eacute;rica</I>. (pp. 33-56). Bras&iacute;lia: Liber Livros.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000144&pid=S1645-7250201200020000900021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Vasconcelos, J. F. de (1619). <I>Com&eacute;dia Aulegrafia</I>. Lisboa: Pedro Craesbeeck.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000145&pid=S1645-7250201200020000900022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p>&nbsp;</p>     <p><b>Legisla&ccedil;&atilde;o Referenciada</b></p>     <p>  Diploma r&eacute;gio de 1 de Mar&ccedil;o de 1290</p>     <p>  Bula papal de 9 de Agosto de 1290, do papa Nicolau IV (ANTT)</p>     <p>  Diploma r&eacute;gio de 28 de Agosto de 1772</p>     <p>  Lei n&ordm; 5/73, de 25 de Setembro</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>  Decreto-lei n&ordm; 402/73, de 11 de Agosto</p>     <p>  Decreto-lei n&ordm; 64/2006, de 21 de Mar&ccedil;o</p>      <p>&nbsp;</p>     <p><b>Notas</b></p>     <p><a name="1"></a><a href="#top1"><sup>1</sup></a> O texto resulta da investiga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica realizada no &acirc;mbito do projeto <I>Globaliza&ccedil;&atilde;o, Reforma Educacional e Pol&iacute;ticas de Ensino Superior: equidade, democratiza&ccedil;&atilde;o do acesso e Inclus&atilde;o social no Brasil e em Portugal</I>, que comp&otilde;e a Coopera&ccedil;&atilde;o Internacional Conv&ecirc;nio CAPES/ GRICES, do qual participam a Universidade Lus&oacute;fona de Humanidades e Tecnol&oacute;gias &ndash; Portugal, a Universidade de Val&ecirc;ncia &ndash; Espanha, a Universidade Federal da Para&iacute;ba &ndash; Brasil e a Universidade Federal do Rio Grande do Norte - Brasil. </p>     <p><a name="2"></a><a href="#top2"><sup>2</sup></a> <I>Cancioneiro d&rsquo;el-rei D. Dinis</I> (ed.1847). Paris: Aillaud. </p>     <p><a name="3"></a><a href="#top3"><sup>3</sup></a> “O nome de Universidade empregou-se na primitiva acepção como designando a colectividade dos mestres e estudantes <I>Universitas magistrum et scholarium</I>. E da&iacute; o car&aacute;cter social que tomou esta corpora&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica. O nome de Universidade veio a prevalecer sobre a designa&ccedil;&atilde;o de Estudo Geral que significa mais a reuni&atilde;o das disciplinas pedag&oacute;gicas&rdquo; (Braga, 1892, tomo I, p. 65). </p>     <p><a name="4"></a><a href="#top4"><sup>4</sup></a> A Universidade volta a Lisboa em 1338. Regressa em 1354 a Coimbra e retorna &agrave; capital em 1377. Foi em 1537, no reinado de D. Jo&atilde;o III que se fixou definitivamente em Coimbra (Braga, 1892, tomo I, p. 73). </p>     <p><a name="5"></a><a href="#top5"><sup>5</sup></a> A globaliza&ccedil;&atilde;o &eacute; entendida como um fen&ocirc;meno multifacetado com dimens&otilde;es que atinge as rela&ccedil;&otilde;es sociais, econ&ocirc;micas, pol&iacute;ticas, culturais, religiosas e jur&iacute;dicas interligadas em sua complexidade (Santos, 2002; Dale, 2004). </p>     <p><a name="6"></a><a href="#top6"><sup>6</sup></a> A Rede ENIC &eacute; uma rede europeia de centros nacionais de informa&ccedil;&atilde;o sobre reconhecimento e mobilidade acad&eacute;mica, criada pelo Conselho da Europa e pela UNESCO, como forma de implementar a Conven&ccedil;&atilde;o de Lisboa e de desenvolver pol&iacute;ticas e pr&aacute;ticas para o reconhecimento de qualifica&ccedil;&otilde;es. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.uc.pt/ge3s/pasta_guia_ge3s/out_org_int/" target="_blank">http://www.uc.pt/ge3s/pasta_guia_ge3s/out_org_int/</a>, consultado em 28-06-2011. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="7"></a><a href="#top7"><sup>7</sup></a> O relat&oacute;rio refere-se ao Sistema Nacional de Reconhecimento, Valida&ccedil;&atilde;o e  Certifica&ccedil;&atilde;o de Compet&ecirc;ncias criado, em Portugal, em 2001, em aten&ccedil;&atilde;o ao cumprimento do objetivo do aumento do  n&iacute;vel de qualifica&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o portuguesa at&eacute; ao 12.&ordm; ano de escolaridade. Dispon&iacute;vel em  <a href="http://www.cedefop.europa.eu/EN/bibliographies/18212.aspx" target="_blank">http://www.cedefop.europa.eu/EN/bibliographies/18212.aspx</a>, consultado em 15-10-2011. </p>     <p><a name="8"></a><a href="#top8"><sup>8</sup></a> Cf. <I>Educa&ccedil;&atilde;o em N&uacute;meros &ndash; Portugal 2010 </I>(GEPE, 2010).</p>       ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[Braga]]></surname>
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<source><![CDATA[História da Universidade de Coimbra nas suas relações com a instrução pública portuguesa]]></source>
<year>1892</year>
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<publisher-name><![CDATA[Tip. da Academia Real das Ciências]]></publisher-name>
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<surname><![CDATA[Cabrito]]></surname>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Financiamento e privatização do ensino superior em Portugal: entre a Revolução de Abril e a Declaração de Bolonha]]></article-title>
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<surname><![CDATA[Cabrito]]></surname>
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<surname><![CDATA[Jacob]]></surname>
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<source><![CDATA[Políticas de financiamento e acesso da educação superior no Brasil e em Portugal]]></source>
<year>2011</year>
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