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</front><body><![CDATA[ <P    ><B>Nota Introdut&oacute;ria</B></P >     <P    >&nbsp; </P >     <P    ><B>Rui Gomes Neves, V&iacute;tor Duarte Teodoro &amp; Jo&atilde;o Pedro Soares Fernandes </B></P >     <P    >&nbsp;</P >     <P>A investiga&ccedil;&atilde;o nas m&uacute;ltiplas e interligadas &aacute;reas da Ci&ecirc;ncia, Tecnologia, Engenharia e Matem&aacute;tica (CTEM)  &eacute; fundamental para o desenvolvimento de qualquer pa&iacute;s, em particular de Portugal. Neste contexto, a educa&ccedil;&atilde;o em CTEM  &eacute; uma importante &aacute;rea de investiga&ccedil;&atilde;o e ac&ccedil;&atilde;o no &acirc;mbito das Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o  que, no momento actual de profunda crise econ&oacute;mica, social e pol&iacute;tica assume especial relev&acirc;ncia. </P>     <P>Como &eacute; amplamente reconhecido pelas respectivas comunidades profissionais, o desenvolvimento de conhecimento e cogni&ccedil;&atilde;o na CTEM envolve processos de investiga&ccedil;&atilde;o baseados em ac&ccedil;&otilde;es de modela&ccedil;&atilde;o cujas epistemologias equilibram elementos de car&aacute;cter te&oacute;rico, experimental e computacional. No entanto, a maioria dos correspondentes ambientes e curr&iacute;culos de aprendizagem continua a n&atilde;o conseguir reflectir esta gama de caracter&iacute;sticas epistemol&oacute;gicas, um problema transversal aos n&iacute;veis de ensino b&aacute;sico, secund&aacute;rio e superior. Consequentemente, o ensino nas v&aacute;rias &aacute;reas da CTEM permanece em larga medida desactualizado e frequentemente transmite aos estudantes uma sensa&ccedil;&atilde;o de afastamento em rela&ccedil;&atilde;o ao mundo real. Estes s&atilde;o factores que conduzem ao desenvolvimento de opini&otilde;es negativas e desmotivadoras sobre o ensino da CTEM, contribuindo para o aumento do insucesso escolar. </P >    <P    >De um ponto de vista te&oacute;rico, as solu&ccedil;&otilde;es para este problema devem procurar criar ambientes e curr&iacute;culos de aprendizagem estruturados em torno de metodologias pedag&oacute;gicas baseadas nos ciclos de modela&ccedil;&atilde;o da investiga&ccedil;&atilde;o. Estas metodologias devem conseguir implementar estrat&eacute;gias progressivas espec&iacute;ficas para cada &aacute;rea e cada n&iacute;vel de ensino para ajudar os estudantes a percorrer caminhos de aprendizagem significativa epistemologicamente equilibrados, atrav&eacute;s das diferentes fases cognitivas associadas aos diversos processos de modela&ccedil;&atilde;o envolvidos no desenvolvimento de conhecimento e cogni&ccedil;&atilde;o na CTEM. Ao longo de mais de 40 anos, esta perspectiva tem sido consistentemente suportada pelos resultados positivos de muitos esfor&ccedil;os de investiga&ccedil;&atilde;o nacionais e internacionais que, no contexto de v&aacute;rias &aacute;reas e n&iacute;veis de ensino, t&ecirc;m conseguido mostrar que os processos de aprendizagem melhoram significativamente quando os estudantes realizam actividades que de forma aproximada recriam o envolvimento cognitivo associado &agrave;s ac&ccedil;&otilde;es de modela&ccedil;&atilde;o dos profissionais da CTEM. Contrastando com o ensino tradicional, estas metodologias pedag&oacute;gicas mostraram-se mais capazes de motivar os estudantes para aprendizagens significativas de car&aacute;cter interactivo, explorat&oacute;rio e expressivo, e mais adequadas para promover o conhecimento performativo e resolver conflitos cognitivos gerados por cren&ccedil;as de senso comum ou ideias cient&iacute;ficas incorrectas. </P >    <P    >No seu conjunto estes esfor&ccedil;os de investiga&ccedil;&atilde;o mostram com igual clareza que os resultados positivos obtidos s&oacute; foram poss&iacute;veis com um firme e sustentado investimento, por exemplo, em docentes e investigadores, em recursos e infra-estruturas de ensino e aprendizagem, e em desenvolvimento administrativo e legislativo. Consequentemente &eacute; igualmente claro que todo o progresso e desenvolvimento que lhes est&atilde;o associados s&atilde;o incompat&iacute;veis com a imposi&ccedil;&atilde;o de estreitas vis&otilde;es economicistas baseadas em medidas de austeridade com cortes cegos no investimento, um facto ignorado com demasiada frequ&ecirc;ncia e at&eacute; periodicidade em muitos pa&iacute;ses, e mais recentemente em Portugal. &Eacute; por isso importante n&atilde;o deixar de alertar aqui para o perigo que constitui a implementa&ccedil;&atilde;o deste tipo de pol&iacute;ticas no &acirc;mbito particular da Educa&ccedil;&atilde;o em CTEM. Coniventes com os interesses econ&oacute;mico-financeiros tantas vezes respons&aacute;veis pelo despesismo excessivo e corrupto, estas pol&iacute;ticas acabam por nada mais conseguir que uma regress&atilde;o no desenvolvimento, destruindo muito do que foi bem constru&iacute;do e dificultando severamente a descoberta de novo conhecimento. </P >    <P    >Neste dossier tem&aacute;tico da <I>Revista Lus&oacute;fona de Educa&ccedil;&atilde;o</I>, editado em colabora&ccedil;&atilde;o com a Unidade de Investiga&ccedil;&atilde;o Educa&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento (UIED) da Faculdade de Ci&ecirc;ncias e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (FCT/ UNL), procur&aacute;mos reunir um conjunto de artigos sobre problem&aacute;ticas que actualmente est&atilde;o em aberto no &acirc;mbito da Educa&ccedil;&atilde;o em CTEM, perspectivando os desafios futuros &agrave; luz da an&aacute;lise do conhecimento acumulado no passado. Iniciamos o n&uacute;mero com um ensaio de Jorge Valadares sobre o percurso evolutivo do ensino da F&iacute;sica nas escolas secund&aacute;rias portuguesas ao longo do s&eacute;culo XX. Neste trabalho, Jorge Valadares analisa caracter&iacute;sticas fundamentais das duas principais fases deste percurso que s&atilde;o demarcadas pela revolu&ccedil;&atilde;o de 25 de Abril de 1974. No segundo artigo Rui Neves e V&iacute;tor Teodoro discutem os principais aspectos de uma estrat&eacute;gia de modela&ccedil;&atilde;o interactiva que visa o desenvolvimento de curr&iacute;culos e ambientes de aprendizagem que integrem em equil&iacute;brio epistemol&oacute;gico-cognitivo os tr&ecirc;s principais pilares da CTEM, teoria, experimenta&ccedil;&atilde;o e computa&ccedil;&atilde;o. Neste trabalho, apresentam-se exemplos ilustrativos no &acirc;mbito da F&iacute;sica criados no ambiente Modellus, e tamb&eacute;m resultados das ac&ccedil;&otilde;es de implementa&ccedil;&atilde;o desta estrat&eacute;gia de modela&ccedil;&atilde;o interactiva em v&aacute;rios cursos universit&aacute;rios. No terceiro artigo Paulo Carvalho, Wolfgang Christian e Mario Belloni apresentam dois outros projectos de produ&ccedil;&atilde;o de materiais para ensino interactivo com computadores (Physlets e Open Source Physics) que s&atilde;o acess&iacute;veis atrav&eacute;s da Internet e podem ser utilizados por estudantes e professores portugueses. No quarto artigo Dores Ferreira, Pedro Palhares e Jorge Silva discutem a import&acirc;ncia dos jogos como factores de motiva&ccedil;&atilde;o das aprendizagens na Matem&aacute;tica. Neste trabalho apresentam-se os resultados de um estudo realizado com alunos do 1.&ordm; ciclo do ensino b&aacute;sico sobre o efeito do Jogo do Sem&aacute;foro na capacidade de identifica&ccedil;&atilde;o de padr&otilde;es matem&aacute;ticos e na classifica&ccedil;&atilde;o obtida pelos estudantes nas provas de aferi&ccedil;&atilde;o de Matem&aacute;tica. No quinto artigo, Richard Rose apresenta um estudo onde compara factores de motiva&ccedil;&atilde;o salariais e n&atilde;o-salariais, como o respeito profissional, a seguran&ccedil;a do posto de trabalho ou um ambiente de trabalho positivo, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; capacidade que t&ecirc;m para atrair, reter e inspirar professores de CTEM de alta qualidade. No sexto artigo, Ana Souza e Daisi Chapani discutem as contribui&ccedil;&otilde;es da teoria cr&iacute;tica de Paulo Freire para a forma&ccedil;&atilde;o de professores de Ci&ecirc;ncias Naturais, analisando os conceitos e pressupostos desta teoria que podem oferecer instrumentos quer para a cr&iacute;tica aos atuais modelos de forma&ccedil;&atilde;o docente, quer para as necess&aacute;rias mudan&ccedil;as que se imp&otilde;em nos anos introdut&oacute;rios do ensino das Ci&ecirc;ncias Naturais. Terminamos este dossier tem&aacute;tico com um s&eacute;timo artigo onde Susana Fernandes e Ana Concei&ccedil;&atilde;o apresentam dados relativos a licenciados em Matem&aacute;tica que frequentam um Mestrado em Ensino e discutem, com base num teste diagn&oacute;stico elaborado para aferir os conhecimentos dos mestrandos, os diferentes tipos de erros cometidos na &aacute;rea de pr&eacute;-c&aacute;lculo exemplificando as fragilidades cient&iacute;ficas existentes. </P >     ]]></body>
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