<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>1645-7250</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Revista Lusófona de Educação]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Rev. Lusófona de Educação]]></abbrev-journal-title>
<issn>1645-7250</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Centro de Estudos e Intervenção em Educação e Formação (CeiEF)Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S1645-72502014000100001</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Editorial]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Teodoro]]></surname>
<given-names><![CDATA[António]]></given-names>
</name>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Brás]]></surname>
<given-names><![CDATA[José V.]]></given-names>
</name>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Gonçalves]]></surname>
<given-names><![CDATA[Maria Neves]]></given-names>
</name>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A">
<institution><![CDATA[,  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>03</month>
<year>2014</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>03</month>
<year>2014</year>
</pub-date>
<numero>26</numero>
<fpage>5</fpage>
<lpage>8</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1645-72502014000100001&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S1645-72502014000100001&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S1645-72502014000100001&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>EDITORIAL</b></p>      <p><b>Editorial </b></p>      <p>&nbsp;</p>     <p><b>António Teodoro</b>, <b>José V. Brás</b> &amp; <b>Maria Neves Gonçalves</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>1. Em 2014, comemora-se o 40º aniversário da Revolução Portuguesa dos   Cravos. Um acontecimento que, na sua época, ultrapassou as fronteiras nacionais,   abrindo caminho ao que o cientista político norte-americano Samuel Huntington   designou por terceira vaga de democratização. </p>     <p>A Revolução abriu um daqueles períodos raros na história das sociedades e   que Alberto Melo tão bem resumiu: “Portugal vivia (...) um período onde tudo   parece possível e ao alcance de cada um. Uma vez derrubado o fascismo - o que   tinha parecido o cúmulo do impossível - tudo o resto se tornava realizável e   todos se apressavam a resolver de uma vez para sempre os sofrimentos tradicionais   da população portuguesa” (Raiz e Utopia, 9/10, nº especial: Educar em   Portugal). A mobilização social permitida pela Revolução conduziu a que se   tivessem dado passos de gigante na afirmação dos direitos de cidadania, levando   à construção de um Estado Providência que, 40 anos depois, o Governo de maioria   PSD/CDS procura afincadamente destruir. </p>     <p>No campo específico da Educação, a Revolução trouxe uma nova centralidade   aos problemas educativos, remobilizando as aspirações de acesso aos diferentes   níveis de escolarização, amplificado no início dos anos 1970 pelo discurso   meritocrático de Veiga Simão. Mas permitiu também abrir novas frentes nos   planos da participação na gestão escolar e na reformulação das estruturas e   conteúdos de ensino. Nesse período de crise revolucionária, a educação   tornou-se, para além de um aceso palco de lutas políticas, um campo   privilegiado de legitimação da nova situação democrática, apostada em mostrar   uma radical mudança face às anteriores políticas obscurantistas do Estado Novo. </p>     <p>Em 40 anos de democracia foi possível construir um sistema de educação que   mudou, em grande medida, a face do País. Num Portugal atrasado, analfabeto e   provinciano, sem um sistema científico e com universidades ancoradas na firme   tradição da sebenta, construiu-se uma escola e uma universidade que, com todas   as críticas possíveis às opções e percursos realizados em determinados   momentos, representa uma dos maiores aquisições da democracia portuguesa e que   nos coloca em posição comparável ao que de melhor existe no espaço europeu. </p>     <p>Não admira, então, que, em tempos de radicalismo neoliberal, a escola, a   universidade e a política científica sejam instituições fortemente questionadas   por políticas reacionárias (não tenhamos medo das palavras e do seu sentido),   que pretendem recuperar privilégios que as dinâmicas instituídas com a   Revolução dos Cravos tinham permitido abolir ou limitar nestes 40 anos de   respiração democrática. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No Portugal de 2014, amplos sectores da sociedade anseiam por um novo 25 de   Abril, que remobilize e dê esperança a uma sociedade fortemente atingida por   uma política que assumiu o empobrecimento como o caminho para a resolução do   problema da dívida pública. Esperança para os jovens, na obtenção de um emprego   digno, que não os obrigue è emigração. Esperança para os idosos, com a garantia   de que o valor das suas reformas não diminuem a cada ano, permitindo-lhes viver   os últimos anos de sua vida com dignidade e segurança. </p>     <p>Na Educação, anseia-se pelo fim de um experimentalismo reacionário de um   ministro que foi buscar ao conservadorismo norte-americano dos Governos Bush a   sua filiação ideológica e algumas das suas medidas mais emblemáticas,   associadas a uma nostalgia da “qualidade” da escola elitista e obscurantista do   Portugal dos anos 1960 (vide o significativo discurso de Durão Barroso na   Escola Secundária de Camões, em Lisboa, em Abril de 2014, sobre a “qualidade”   dos liceus de então). Mas também se anseia pela manifestação de que os atores   políticos e sociais que criticam “o estado a que isto chegou” (a frase é de   Salgueiro Maia, talvez o militar que melhor personifica o sentido da Revolução   dos Cravos, numa das poucas entrevistas que deu, pouco antes de sua morte)   sejam capazes de construir uma alternativa que permita acreditar de novo no   valor emancipador da educação e no retomar do sentido da felicidade humana como   o fim principal da ação educativa. </p>     <p>2. Para além do dossier temático, Perspetivas e Desafios no Ensino das Artes   Visuais, este número apresenta ao leitor artigos outros sobre problemáticas   diversas: educação comparada, políticas educativas, profissionalização docente   e a metodologia do <i>Focus Group</i>. </p>     <p>Em <i>Critique et utopie, ou une pédagogie de la possibilité dans la   construction de politiques d’éducation démocratiques</i>, António Teodoro   reflecte sobre as mudanças profundas que estão a atravessar as sociedades   contemporâneas onde o espaço-tempo nacional tem vindo a perder,   progressivamente, relevância, desde os anos 70 do século XX, em detrimento dos   espaços-tempos globais e locais. Esta mudança levou à crise do contrato social   nacional - qui foi a base de desenvolvimento moderno dos estados centrais - que   se traduziu em bem estar económico e social, em segurança e identidade   colectiva. Ancorado nos conceitos de Habermas, Beck e Boaventura de Sousa   Santos, o autor apresenta uma proposta de um programa político educativo capaz   de promover políticas progressivas de paz, justiça social e liberdade, por   outras palavras, capaz de construir um outro mundo possível, propiciador de uma   acção humana transformadora e mobilizador de esperança. </p>     <p>No artigo, <i>Le rôle de l’enseignant en éducation civique au collège en   Chine et en France. Une approche compréhensive en éducation comparée</i>,   Elisabeth Regnault e Qin Jie-ying apresentam uma comparação da educação cívica   em França e na China, sublinhando que existem duas abordagens na educação   comparada: uma abordagem pragmática e uma abordagem compreensiva. Os autores   optam pela segunda por considerarem que esta é mais pertinente, uma vez que não   só releva os factos educativos como também torna inteligíveis os processos que   se desenvolvem nas comunidades humanas. Os autores trazem à colação, como   exemplo desta ultima abordagem, a pedagogia de Montessori na China. </p>     <p>César Tello e Maria de Almeida, no artigo <i>Políticas educativas e   profissionalização docente na América Latina</i>, brindam-nos com um trabalho   onde apresentam os resultados parciais de uma pesquisa que analisa os   significados discursivos sobre a profissionalização docente na América Latina.   É interessante analisar o debate sobre as continuidades e rupturas da política   de educação no período de 1990-2012 na América Latina em relação à questão   docente. Os autores optaram por utilizar, metodologicamente, a análise textual   segundo Rolland Paulston, com base em catorze documentos do Banco Mundial (BM),   do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e do Programa de Promoção da   Reforma Educativa na América Latina e Caribe (PREAL) de modo longitudinal desde   1990 até 2012. Estudaram os programas que atualmente se desenvolvem em seis   países selecionados para este estudo: Peru, Chile, México, Brasil, Colômbia e   Equador. Fazendo a apreciação dos resultados, os autores constataram que,   apesar das mudanças de leis educativas, os mandatos do neoliberalismo continuam   presentes nos projetos de políticas educativas no que concerne à   profissionalização docente. </p>     <p>Por sua vez, Isabel Soares Silva, Ana Luísa Veloso e José Bernardo Keating,   em <i>Focus group</i>:<i> considerações teóricas e metodológicas</i>, analisam   esta metodologia de pesquisa. Verificaram que a sua utilização tem vindo a   alargar o seu campo de aplicação a diferentes disciplinas e com diversas   finalidades, como é o caso, por exemplo, na investigação da educação para a   saúde. Os autores apresentam as principais potencialidades e limitações do <i>focus     group</i> face a outras técnicas de recolha de dados. Por outro lado, descrevem   as principais fases conducentes ao seu processo de implementação,   designadamente planeamento, preparação, condução, análise dos dados e   divulgação dos resultados. A partir da experiência de aplicação desta   metodologia, os autores fazem ainda uma apreciação das principais dificuldades   e vantagens ao nível das diversas fases do processo de aplicação. </p>     <p>Na rubrica Recensões, são apresentadas duas obras que têm como eixo   semântico aglutinador as histórias de vida, uma área de investigação cada vez   mais em voga, pela sua importância para a historiografia de rastrear a memória,   recompilar vozes e testemunhos do passado. José Viegas Brás e Maria Neves   Gonçalves analisam criticamente a obra, recentemente publicada, <i>Rebelo de     Bettencourt: Raízes de Basalto</i>. A autora, Anabela Mimoso, dá a conhecer ao   público a figura de Rebelo Bettencourt, um autor micaelense multifacetado   (contista reputado, crítico literário e teatral, ensaísta, jornalista e poeta),   de quem Ferreira de Castro dizia: «A crónica, o pequeno ensaio em estilo   nervoso e sugestivo, encontrou em Rebelo de Bettencourt - um açoriano que   merece da sua terra mais do que um nome numa futura rua… - um cultor cintilante».   Teresa González Pérez recenseia a obra de Maria Mar del Pozo Andrés, intitulada <i>Justa Freire o la pasión de educar. Biografía de una maestra atrapada en la     historia de España (1896-1965)</i>. </p>     <p>No cumprimento de uma das rubricas da política editorial da Revista Lusófona   da Educação, divulgam-se, neste número, alguns resumos de Dissertações do   Mestrado de Ensino das Artes Visuais no 3º ciclo do Ensino Básico e Ensino   Secundário defendidas na Escola de Comunicação, Arquitectura, Artes e   Tecnologias da Informação, na Universidade Lusófona de Humanidades e   Tecnologias. </p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Lisboa, Abril de 2014 </i></p>      ]]></body>
</article>
