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</front><body><![CDATA[ <p><b>Debate: uma nova Guerra Fria? </b></p>     <p><b>Comentário por</b></p>     <p>&nbsp;</p>        <p><b>José Pedro Teixeira Fernandes</b></p>       <p>A guerra entre a Geórgia e a      Rússia não deve ser interpretada, essencialmente, através do quadro mental      herdado da Guerra Fria. Para além das causas mais      directas do conflito, ligadas ao controlo do território da Ossétia      do Sul, impõe-se alargar a perspectiva histórica e prestar atenção a outras      dinâmicas em curso na actual política internacional, como o Kosovo e o nuclear      iraniano. Relevante é também a análise dos acontecimentos no campo da «guerra      das ideias» e na perspectiva das recentes actuações de política externa da      União Europeia.</p>        <p>&nbsp;</p>         <p><b>Alexandre Reis Rodrigues</b></p>       <p>Faz sentido perguntar se estamos      ou não sob o risco de entrar numa nova Guerra Fria.      A recente crise no Cáucaso do Sul entre a Geórgia e a Rússia deu um importante      contributo para a generalização da percepção dessa possibilidade. Concorre      também para essa mesma ideia, a postura que a Rússia tem assumido recentemente,      ao tentar contestar o actual quadro de distribuição de poder no mundo, em      parte como reacção ao «cerco» de que se considera «vítima» pelo alargamento      da nato, pelo escudo antimíssil americano, etc. No entanto, não existem evidências      suficientes, nem aliás parece possível, que possamos estar perante uma nova      Guerra Fria.</p>       <p>&nbsp;</p>        <p><b>Sandra Dias Fernandes</b></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O conflito russo-georgiano      de Agosto de 2008 enfatizou a necessidade de a UE conceber um modelo diferente      para se relacionar com Moscovo. As implicações do conflito têm dimensões especificamente      europeias, nas quais as relações UE-Rússia são uma      pedra angular. A solução para a crise georgiana situa-se a dois níveis complementares:      a implementação do plano de paz Medvedev-Sarkozy      e o repensar da cooperação com o Kremlin. Nesse sentido, coloca-se a necessidade      de operacionalizar um modelo de «cooperação selectiva» com a Rússia a fim      de criar um relacionamento mais construtivo.</p>        <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Texto completo dispon&iacute;vel apenas em PDF.</p>     <p>Full text only available in PDF format.</p>     <p>&nbsp;</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>NOTAS</b></p>      <p><b><sup>1</sup></b> Os marcos convencionais da questão do Oriente são o Tratado    de Küçük-Kaijnardja de 1774, assinado entre a Rússia e o Império Otomano, após    a derrota militar deste último (que lhe valeu, entre outras perdas territoriais,    a da península da Crimeia para a Rússia) e o Tratado de Lausana de 1923, que    regulou o fim do Estado otomano e a formação da actual Turquia.</p>      <p><b><sup>2</sup></b> Basta pensar que um Estado falhado às portas da ue será    um desastre em termos de segurança, criando uma base para a criminalidade organizada    e/ou para o islamismo radical de consequências imprevisíveis.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b><sup>3</sup></b> De facto, como censurar a Rússia e agir politicamente em    conformidade, invocando o carácter universal dos direitos humanos e da democracia?    Na lógica do actual credo relativista-dogmático, onde todas as culturas têm    igual valor, não será isso uma forma de «imperialismo cultural»? Desta forma,    não estará a ue a pretender impor ao «outro» (neste caso, à Rússia), os seus    valores particulares? O impasse político a que leva esta forma de pensar torna-se    óbvio!</p>      <!-- ref --><p><b><sup>4</sup></b> Por exemplo, entre outros, LUCAS, Edward – «The New Cold    War: How the Kremlin menaces both Russia and West», Nova York: MacMillan, 2008.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000024&pid=S1645-9199200800030000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><b><sup>5</sup></b> KISSINGER, Henry A., e SHULTZ, George P. – «Finding common    ground». In International Herald Tribune, 1 de Outubro de 2008.</p>      <p><b><sup>6</sup></b> BESSEMERTNYKH, Alexander, COLLINS, James, et alii – «A    time for restraint and reflection». In International Herald Tribune, 27 de Setembro    de 2008. (Carta conjunta de um grupo de ex-embaixadores russos e americanos    em Washington e Moscovo, respectivamente).</p>      <p><b><sup>7</sup></b> Cf. LUDLOW, Peter – «The eu and the Georgian crisis. The    making of the French Presidency». In Eurocomment. Briefing Note, vol. 6, n.º    3, Setembro de 2008.</p>      <p><b><sup>8</sup></b> CONSEIL DE L’UNION EUROPÉENNE – Communiqué de presse. Session    extraordinaire. Affaires générales et relations extérieures (12453/08). Bruxelas,    13 de Agosto de 2008; PRÉSIDENCE FRANÇAISE DE L’UE – Results of the discussions    between the European Union and the russian Federation of Russia. [Consultado    em: 11 de Setembro de 2008]. Disponível em: <a href="http://www.ue2008.fr" target="_blank">http://www.ue2008.fr</a>.</p>      <p><b><sup>9</sup></b> INTERFAX – Russia Expects Resolution of Differences in    Interpretation Of Medvedev-Sarkozy Plan. [Consultado em: 9 de Setembro de 2008].    Disponível em: <a href="http://www.cdi.org/russia/johnson/2008-165-8.cfm" target="_blank">http://www.cdi.org/russia/johnson/2008-165-8.cfm</a>.    FEDYASHIN, Andrey – Russia, NATO Dvided on Georgian Peace Settlement. [Consultado    em: 18 de Setembro de 2008]. Disponível em: <a href="http://en.ria.ru/analysis/20080918/116931025.html" target="_blank">http://en.ria.ru/analysis/20080918/116931025.html</a>.</p>      <p><b><sup>10</sup></b> O problema do não respeito do espírito dos princípios    subscritos por Moscovo é alvo de consenso nos círculos bruxelenses. Esse argumento    foi sublinhado repetidamente na reunião extraordinária da Delegação do Comité    de Cooperação Parlamentar ue-Rússia, a 16 de Outubro de 2008, no Parlamento    Europeu, em Bruxelas.</p>      <p><b><sup>11</sup></b> MEDVEDEV, Dmitry – Speech at Meeting with German Political,    Parliamentary and Civic Leaders, Berlin, 5 June. [Consultado em: 7 de Junho    de 2008]. Disponível em: <a href="http://www.kremlin.ru/eng/speeches/2008/06/05/2203_type82912type82914type84779_202153.shtml" target="_blank">http://www.kremlin.ru/eng/speeches/2008/06/05/2203_type82912type82914type84779_202153.shtml</a>.</p>      <p><b><sup>12</sup></b> CONSEIL EUROPÉEN – Conseil européen extraordinaire de    Bruxelles. Conclusions de la Présidence. Bruxelas, 1 de Setembro de 2008.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b><sup>13</sup></b> As partes não se sentaram de facto à mesa plenária prevista    pela manhã, nem durante a sessão informal de trabalho prevista para a tarde.    Os russos declinaram com antecedência a sua presença de manhã, e os georgianos    declinaram para a tarde. O âmago do problema reside no estatuto atribuído às    entidades na mesa negocial. Os representantes ossetas e abcasis deixaram a reunião    da tarde, a meio, para marcar o seu descontentamento com o facto de não poderem    assistir à reunião plenária enquanto estados. Uma fonte diplomática em Bruxelas    comentou as exigências escritas formuladas por Sukhumi e Tskhinvali, a seguir    ao incidente, como totalmente inaceitáveis para as negociações e como dificuldades    acrescidas ao processo de Genebra.</p>       ]]></body><back>
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