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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Portugal e a NATO: A Política colonial do Estado Novo e os Aliados (1961-1968)]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Portugal and NATO.: The colonial foreign policy of «Estado Novo» and the allies (1961-1968)]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article analyses the way Portuguese diplomacy worked trough NATO to defend the regime’s colonial policy, as well as the obstacles it faced during the 1960’s after the beginning of the armed conflict in Angola. It also emphasizes the role of Kennedy and Johnson administrations in the Atlantic Alliance and in the Portuguese foreign policy development as well as the allies’ perception on Portuguese behaviour.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Portugal e a NATO</b></p>      <p><b>A Pol&iacute;tica colonial do Estado Novo e os Aliados (1961-1968)<b><sup>[<a href="#1">1</a>]<a name="top1"></a></sup></b></b></p>      <p>Pedro Manuel Santos <sup><a href="#0">*</a><a name="top0"></a></sup></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Este artigo analisa a forma como a diplomacia    portuguesa actuou na Aliança Atlântica em defesa da política colonial do regime    e quais os obstáculos encontrados ao longo da década de 1960, logo após o eclodir    da luta armada em Angola. Destaca também o papel que as duas administrações    norte-americanas (Kennedy e Johnson) tiveram no seio da Aliança Atlântica e    qual a influência no rumo da política colonial de Portugal e as opiniões dos    restantes aliados.</p>     <p>Palavras-chave: NATO, Estado Novo, política colonial,    Estados Unidos</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Portugal and NATO. The    colonial foreign policy of «Estado Novo» and the allies (1961-1968)</b></p>     <p>This article analyses    the way Portuguese diplomacy worked trough NATO to defend the regime&#8217;s colonial    policy, as well as the obstacles it faced during the 1960&#8217;s after the beginning    of the armed conflict in Angola. It also emphasizes the role of Kennedy and    Johnson administrations in the Atlantic Alliance and in the Portuguese foreign    policy development as well as the allies&#8217; perception on Portuguese behaviour.</p>     <p>Keywords: NATO, &#8220;Estado Novo&#8221;, colonial policy,    United States</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>A posição de Portugal na NATO caracterizou-se desde a formação do Pacto, em    1949, por um anacronismo latente. Era o único aliado cujo regime nunca escondeu    a admiração pelos regimes depostos na II Guerra Mundial e cuja filosofia política    não se compaginava com a das democracias ocidentais. Foram questões de ordem    geopolítica e estratégica que ditaram o convite à adesão de Portugal<sup>[<a href="#2">2</a>]<a name="top2"></a></sup>.    As duas consequências imediatas da entrada de Portugal na NATO verificam-se    nos acordos assinados com os Estados Unidos em 1951. Em Janeiro, assinou-se    o acordo de «Auxílio Mútuo para a Defesa de Portugal e Estados Unidos da América»    e em Setembro do mesmo ano o «Acordo de Defesa entre Portugal e os Estados Unidos».    Apesar de as disposições do tratado não preverem a utilização do armamento NATO    fora da área do Atlântico Norte, Portugal consegue incluir um anexo secreto    aos acordos de 1951 que salvaguarda, ainda que ambiguamente, uma possível utilização    daquele armamento nas colónias portuguesas. Nas palavras do historiador António    Telo, a «participação portuguesa na NATO é um &quot;mal necessário&quot;, mas    que não vai alterar os conceitos de defesa existentes, pelo que se mantém a    prioridade à Península e ao império»<sup>[<a href="#3">3</a>]</sup><a name="top3"></a>.    A política colonial do Estado Novo continuaria, portanto, a ser um dos vectores    da política externa portuguesa.</p>      <p>Ao contrário do que acontecia no fórum das Nações Unidas, a política colonial portuguesa nunca foi alvo de ataques dos aliados no seio da Aliança. A NATO funcionava como um refúgio dos ataques internacionais. Salazar tentou optimizar esta situação, garantindo para Portugal apoios que pudessem contrariar os «ventos de mudança» que se adivinhavam em África.</p>      <p>Este artigo tem por objectivo mostrar a forma como a diplomacia portuguesa actuou na Aliança Atlântica em defesa da política colonial do regime e quais os obstáculos encontrados ao longo da década de 1960, logo após o eclodir da luta armada em Angola. Também se destacará o papel que as duas administrações norte-americanas (Kennedy e Johnson) tiveram no seio da Aliança Atlântica e até que ponto é que isso influenciou o rumo da política colonial de Portugal e as opiniões dos restantes aliados.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>A SOLIDARIEDADE ATLÂNTICA E AS VOTAÇÕES NA ONU </b></p>      <p>Após o início das revoltas nacionalistas em Angola, a 4 de Fevereiro e a 15    de Março de 1961, Portugal continuava a debater-se com as resoluções anticolonialistas    na ONU. Na mesma altura, a Libéria apresentava uma queixa contra a política    colonial portuguesa no Conselho de Segurança. Na sessão do Conselho do Atlântico    Norte, a 3 de Março de 1961, Portugal procura concitar o apoio atlântico para    as votações em Nova York. O objectivo português era criar um «bloco NATO» que    desse garantias de não fazer aprovar as resoluções contra a política colonial    do Estado Novo. Ante este desígnio, Averell Harriman<sup>[<a href="#4">4</a>]</sup>    <a name="top4"></a>foi claro: «seria mau promover um bloco NATO», uma vez que    não existem «blocos de países», mas sim «países individuais cada qual com o    seu ponto de vista particular». Após esta tirada, acrescentou que «Portugal    não podia contar que todos partilhassem plenamente o seu ponto de vista, tal    como os Estados Unidos não esperavam que as suas atitudes merecessem sempre    o apoio dos restantes aliados». Temendo a posição desfavorável da novel Administração    norte-americana, António de Faria, embaixador de Portugal na NATO, lança um    repto a Harriman: «Se alguma das nossas províncias ultramarinas viesse a ser    atacada e a tivéssemos de perder em face da indiferença dos nossos aliados,    seriam inevitáveis acontecimentos de maior gravidade em Portugal e nenhum Governo    poderia manter-nos na Aliança Atlântica.»<sup>[<a href="#5">5</a>]</sup><a name="top5"></a>    Estava iniciado o debate sobre a solidariedade atlântica, ou a falta dela, nas    questões referentes a assuntos de um aliado NATO.</p>      <p>O problema colonial português não passou despercebido no Conselho. O embaixador    holandês na NATO, Dirk Stikker, aconselhou António de Faria a procurar «elementos    americanos importantes e influentes capazes de melhor compreensão» da política    externa portuguesa. Era o caso de Dean Acheson, com quem Portugal «deveria entrar    em contacto e que agora presidia [a um] grupo nomeado por Kennedy para estudar    a posição americana e eventuais reformas na NATO»<sup>[<a href="#6">6</a>]<a name="top6"></a></sup>.    Por último, o embaixador aconselhava Portugal a não fazer nada que comprometesse    a segurança e defesa da Europa e que nem sequer pensasse em sair do Pacto. Esta    advertência fazia-a como amigo de Portugal. </p>      <p>Os restantes aliados sentiam que a hostilidade americana podia ser contraproducente    e a votação americana na ONU, em Março de 1961, não deixou ninguém indiferente    na NATO. No dia 20 de Março de 1961, Casardi, secretário-geral interino que    substituíra Spaak após o pedido de demissão do belga, em Fevereiro de 1961,    perguntava a Faria se Portugal estava interessado em levar a questão de Angola    a discussão no Conselho da NATO ou se preferia o embaixador português que fosse    ele a levantá-la<sup>[<a href="#7">7</a>]<a name="top7"></a></sup>. Tudo isto    porquê? Porque o embaixador italiano considerava que os Estados Unidos não tinham    respeitado as disposições contidas no parágrafo 3.º, alínea <i>c</i>, do «Relatório    dos Três Sábios». Nesta alínea encontra-se a seguinte disposição: «Nenhum governo    deve adoptar uma política definitiva ou fazer declarações políticas marcantes    sobre questões importantes para a Aliança ou para um qualquer dos seus membros    sem a consulta prévia, excepto se houver impossibilidade material demonstrável.»<sup>[<a href="#8">8</a>]</sup><a name="top8"></a>    Ou seja, os Estados Unidos deviam ter consultado previamente os países membros    da Aliança. Isso dava garantia moral e jurídica ao apoio que Portugal necessitava    para discutir a questão no Conselho da NATO.</p>      <p>A 20 de Abril, numa longa exposição ao Conselho, António de Faria comunica    aos restantes parceiros a mágoa e a desilusão do seu país relativamente às votações    na ONU. Relembrou aos presentes que à questão da ONU, se Portugal administrava    algum território que se enquadrasse na definição de território não-autónomo,    o Governo português respondera sempre que não. Esses territórios eram parte    integrante da Nação, logo, qualquer interferência das Nações Unidas seria vista    como ingerência nos assuntos internos do país, o que ia contra a Carta das Nações    Unidas. As províncias ultramarinas, na óptica do Estado Novo, davam garantias    económicas e condições geoestratégicas para uma defesa contra o comunismo mundial.    Esta posição ficou atestada nas palavras do representante português: «nós recusamos    esta demissão [abandono da defesa das possessões africanas], esta traição dos    valores morais, aos quais desejamos ficar agarrados.» Segundo Faria, adoptar    posições que conduzissem a «novos Congos» era o que os Estados Unidos estavam    a fazer quando propugnavam pela autodeterminação dos povos africanos. No final    da sua exposição, o representante português lançou um apelo em nome do seu Governo    para que «os países amigos e aliados não assumam uma posição de hostilidade    para com Portugal». Caso «não lhes seja possível votar a seu favor, ao menos    que se abstenham e que os seus representantes evitem fazer declarações públicas    desfavoráveis»<sup>[<a href="#9">9</a>]</sup><a name="top9"></a>. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em suma, Portugal passava assim o ónus da questão para os seus parceiros atlânticos: a defesa do Ocidente começava com a coesão da Aliança e para tal teriam de ser os aliados a mostrar que desejavam tanto essa defesa como Portugal. Com esta declaração, António de Faria reiterava a ideia de que se os aliados não estivessem de acordo com a política ultramarina portuguesa, pelo menos deviam abster-se de a criticar publicamente sob pena de isso violar o espírito de coesão e unidade da Aliança. </p>      <p>O embaixador americano, Thomas Finletter, contraria esta visão, dizendo que    as posições recentes da administração americana tinham como propósito último    «contribuir para um Portugal mais solidamente estruturado» e «fortalecer a Aliança,    colectiva e individualmente». Este paradoxo evidente apenas se sentia na maneira    como os objectivos eram alcançados, uma vez que o princípio era o mesmo. A NATO    constituía o «fecho da abóbada da política americana, mas os americanos eram    também obrigados a tomar em consideração as outras pedras»<sup>[<a href="#10">10</a>]<a name="top10"></a></sup>.    Tornava-se claro que os Estados Unidos ampliavam o jogo da Guerra Fria a uma    escala global. O embaixador português «ataca» as declarações de Finletter com    a citação de um princípio geral da consulta entre os países da NATO apresentada    pelos Estados Unidos, no qual se diz que «o processo de consulta política requer    a aceitação do facto de que possa haver alturas em que os aliados têm que &quot;concordar    em discordar&quot;, actuando aquele com a máxima discrição, maturidade e consideração    pelos outros»<sup>[<a href="#11">11</a>]</sup><a name="top11"></a>. Ironiza    mesmo a falta de tacto dos americanos por não terem usado um princípio seu em    Nova York. Conclui a réplica com o apelo à solidariedade dos aliados, que era    o mínimo que podiam fazer.</p>      <p>De todos os parceiros, o americano era aquele que mais evidenciava afastamento face à política ultramarina de Portugal. Dentre os parceiros, aqueles que mais apoiavam Portugal pareciam ser a França, a Itália e a Bélgica. Isto indiciava que o equilíbrio de poderes na Aliança se definia entre as potências continentais europeias e a potência do outro lado do Atlântico, tendo o Reino Unido um papel de fiel da balança. Os britânicos manifestaram-se sempre prudentes e esperaram sempre para ver que consequências se retirariam da situação criada.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>O FALHANÇO DO MULTILATERALISMO</b></p>      <p>Depois de comunicada a Salazar a nova orientação política para África da Administração Kennedy, em Março de 1961, os norte-americanos procuraram reunir apoio político na Europa. Não esquecendo a solidariedade atlântica, os Estados Unidos encetaram diligências junto dos governos nacionais da França e do Reino Unido. Para esse apoio ser efectivo, os governos francês e britânico deviam fazer o mesmo que o Governo americano fizera: demarcar-se do apoio à política colonial portuguesa. A razão da abordagem a estes dois parceiros europeus não tem só que ver com a sua posição na NATO, mas também se deve ao facto de pertencerem ao Conselho de Segurança da ONU. Dado que os Estados Unidos queriam conjugar as posições destas duas organizações internacionais, seria mais fácil pôr em prática um plano de coacção política se esta se fizesse através de aliados, mormente no fórum da NATO, obtendo para isso o apoio dos países mais importantes na Aliança.</p>      <p>É de iniciativa norte-americana o encontro tripartido, em Londres, a 4 de Maio    de 1961, que marca o início do desencontro de posições dentro da Aliança. Washington    convoca a França e o Reino Unido para um encontro onde se possa concertar uma    posição comum a apresentar no próximo Conselho Ministerial da NATO, que decorreria    no dia 8 de Maio, em Oslo. O objectivo deste encontro era congregar um apoio    político que se pudesse manifestar através de <i>démarches</i> privadas da política    colonial portuguesa. Para isso, os Estados Unidos «contavam com o Reino Unido    e a França, com toda a sua experiência em matérias africanas, para melhor aconselhamento».    O Reino Unido mostrou-se prudente na decisão de condenar a política colonial    de Portugal, o seu mais antigo aliado, e a França revelou um cepticismo, senão    mesmo oposição à ideia americana de se demarcar politicamente de um aliado na    Europa<sup>[<a href="#12">12</a>]</sup><a name="top12"></a>.</p>      <p>A pretensão dos Estados Unidos centrava-se no papel que cabia à ONU na resolução    do conflito colonial na África portuguesa. Para o representante norte-americano,    a intervenção da ONU era «inevitável» caso «a situação se deteriorasse na África    portuguesa». Mas antes de se chegar a esse ponto, era necessário que a França    e o Reino Unido fizessem valer a sua influência política em Lisboa e mostrar    a Salazar a premência das reformas nas colónias. Tornava-se óbvio que os Estados    Unidos não queriam utilizar o fórum da NATO para discutir o colonialismo do    Estado Novo, pois o bloco afro-asiático na ONU estava a ser aliciado pela URSS.    Era mais fácil agora o Ocidente aproximar-se dos novos países africanos, saídos    do jugo colonial, e procurar minimizar as consequências no futuro do que confrontá-los    directamente com um apoio a um país colonialista. Isto mesmo é comunicado aos    aliados neste encontro tripartido: «Se o Ocidente tentar e falhar em manter    o assunto Angola fora da ONU, então perderemos muita da influência sobre a situação.»<sup>[<a href="#13">13</a>]<a name="top13" id="top13"></a></sup>    Como era de crer que Portugal dificilmente aguentaria uma guerra em Angola sem    o apoio dos principais aliados, era preferível aproximarem-se desses países    africanos, apoiando os movimentos nacionalistas, por forma a anteciparem-se    à URSS. Caso isto não acontecesse, os Estados Unidos preconizavam mesmo um «severo    revés» nas relações com os países africanos<sup>[<a href="#14">14</a>]</sup>.    <a name="top14"></a> </p>      <p>Quer a França quer o Reino Unido mostraram-se relutantes em aceitar uma intervenção da ONU, pois consideravam-na contrária à Carta. Para eles, os acontecimentos em Angola eram da competência interna de Portugal e «[uma intervenção da ONU em territórios portugueses]só tornaria as coisas piores». Para os Estados Unidos, esta posição só favoreceria os soviéticos, pois deixava «toda a iniciativa e acção para os países africanos. Isto, consideravam os Estados Unidos, não é uma decisão acertada». Todavia, ficou acordado por todos que por ora não se devia pressionar os portugueses no Conselho do Atlântico Norte. Ou seja, os três aliados de Portugal preferiram deixar na penumbra as resoluções deste encontro por forma a não beliscar a coesão e unidade da Aliança, já que entre eles não se conseguiu chegar a um acordo unívoco, e isso mesmo foi cumprido na cimeira da NATO, em Oslo. Neste encontro, Portugal conseguiu o benefício da dúvida na resolução dos conflitos em Angola, contando inclusivamente com o apoio militar da Aliança.</p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>O ARMAMENTO NATO E A CIMEIRA DE OSLO</b></p>      <p>A primeira prova de fogo de Franco Nogueira &#8211; que entrara para os Negócios Estrangeiros, a 4 de Maio de 1961, no seguimento da remodelação governamental após o golpe falhado de Botelho Moniz no mês anterior &#8211; deu-se em Oslo, na cimeira realizada entre os dias 8 e 10 de Maio de 1961. Era a reunião ministerial da NATO e Portugal apresentava aos aliados a concretização das diligências necessárias para a retirada temporária das suas tropas afectas à NATO. Esta cimeira foi fundamental para a execução da política externa portuguesa por duas razões. Em primeiro lugar, a nível bilateral com os Estados Unidos, Portugal confirma o novo rumo dado à política externa da Administração Kennedy, reiterada pelo secretário de Estado, Dean Rusk, num encontro ocorrido à margem da reunião com o novo ministro português. Em segundo lugar, pelo consentimento dado pelos aliados à retirada temporária do armamento NATO. Para tal foi importante a argumentação utilizada por Portugal nas suas declarações aos aliados. </p>      <p>Numa sessão anterior à Cimeira de Oslo, a 3 de Maio de 1961, António de Faria    comunicava aos aliados que o Governo português, «por razões imperiosas de ordem    nacional», se viu obrigado a alterar a sua contribuição militar e a desviar    «as escoltas oceânicas reservadas e afectas ao SACLANT» para África, bem como    algumas forças (subunidades militares) afectas ao SACEUR. Reafirmando sempre    o carácter provisório destas medidas, Faria concluiu a sua declaração destacando    «a urgência em nos defendermos contra as acções exteriores e garantir a paz    em determinadas partes do território nacional ultramarino». Houve por parte    dos aliados um consenso quanto a esta questão. Segundo o embaixador, «nenhum    representante permanente fez comentários»<sup>[<a href="#15">15</a>]</sup><a name="top15"></a>.    Estava gerado um consenso momentâneo à volta da questão ultramarina portuguesa.  </p>      <p>Dias depois, na cimeira ministerial, em Oslo, Franco Nogueira confirmou estes    dados e citou os exemplos recentes da França &#8211; na Argélia  e da Bélgica    &#8211; no Congo &#8211; para justificar por si só o uso do armamento afecto    à NATO numa situação de claro perigo de insegurança para uma nação aliada<sup>[<a href="#16">16</a>]<a name="top16"></a></sup>.    Ou seja, estando iminente a degradação de uma situação que poderia degenerar    em perigo para a segurança de um país aliado, Portugal reclamava a igualdade    de direitos dos aliados: o que se aplicava a um, devia aplicar-se a todos<sup>[<a href="#17">17</a>]</sup><a name="top17"></a>.    Nesta cimeira, Nogueira não esconde o desagrado português relativamente à ONU,    chegando ao ponto de considerar ridículo que mais de metade do financiamento    daquela organização viesse de países da NATO. Segundo o ministro, esses países    fariam melhor em aplicar essas verbas em países subdesenvolvidos da própria    Aliança para uma melhor e mais eficaz defesa do Ocidente. Mais uma vez se nota    o interesse da diplomacia portuguesa em utilizar o fórum da NATO para constituir    um bloco de defesa em Nova York. O ministro critica directamente os aliados    na NATO que não têm dado o apoio que um parceiro atlântico por natureza merece.    «Não se pode falar de solidariedade atlântica quando ataques daqueles do género    da ONU são endossados por países da nossa Aliança.»<sup>[<a href="#18">18</a>]</sup><a name="top18"></a>    Isto é, o ministro português joga emocionalmente com a questão da solidariedade    atlântica, não deixando de vincar aliás que uma Aliança sem coesão e unidade    de nada serviria ao Ocidente. Todas as fraquezas que os aliados pudessem demonstrar    seriam aproveitadas pela União Soviética. Por isso, tornava-se necessário que    todos se unissem e fossem solidários com um país aliado que se dizia vítima    de ataques de onde nunca suspeitariam que existissem.</p>      <p>Portugal desejava que a discussão sobre a questão ultramarina portuguesa fosse desviada da ONU, onde lhe eram claramente desfavoráveis as suas posições, para uma organização internacional onde tinha uma voz que era ouvida e onde sabia que podia contar com fortes apoios. Assim, o Estado Novo consegue que o Conselho do Atlântico conceda o seu aval ao apoio necessário para preservar a segurança de um aliado. Este apoio provém da habilidosa argumentação portuguesa que concita os dois maiores medos dos parceiros atlânticos: a falta de coesão numa decisão que envolve um aliado, que poderia ser aproveitada politicamente pela URSS, e a repetição de novos focos de instabilidade em África, caso não se agisse imediatamente em prol da segurança do território.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>A POSIÇÃO DOS ALIADOS NO SEIO DA NATO</b></p>      <p>Os Estados Unidos, ou melhor, a Administração Kennedy, constituíram indubitavelmente    o principal obstáculo à prossecução da política colonial portuguesa no início    da década de 1960<sup>[<a href="#19">19</a>]<a name="top19"></a></sup>. Num    relatório elaborado por Dean Acheson, a pedido de Kennedy, sobre o papel da    NATO na nova política externa norte-americana, o antigo secretário de Estado    de Truman foi peremptório: «a inoperância da ONU na resolução dos problemas    só provocaria divisões na Aliança.»<sup>[<a href="#20">20</a>]</sup><a name="top20"></a>    Para Acheson, não hostilizar um aliado num organismo internacional só beneficiará    a coesão e unidade da Aliança. A melhor maneira de resolver um problema de um    aliado é trazê-lo à discussão no Conselho do Atlântico e proceder a uma consulta    genuína entre os contendores. Essa consulta genuína «pode muito bem ser dolorosa    e áspera», mas é a única maneira de ser «coerente com os princípios de tornar    a Comunidade Atlântica um instrumento efectivo para uma acção comum»<sup>[<a href="#21">21</a>]</sup><a name="top21"></a>.</p>      <p>Um outro relatório é entregue a Kennedy na mesma altura. Apresentado a 12 de    Julho de 1961, o relatório do Grupo de Trabalho Presidencial (<i>Presidential    Task Force on Portuguese Territories in Africa</i>) explanava a situação interna    das colónias portuguesas e preconizava algumas medidas a adoptar pelos Estados    Unidos a fim de se resolverem os conflitos em Angola. De acordo com o relatório,    «os portugueses não iriam restabelecer a ordem nos próximos tempos» e «as suas    tropas não conseguiriam ter sucesso em eliminar a actividade rebelde no Norte    [de Angola]», onde se verificavam com maior intensidade os ataques dos nacionalistas    da UPA<a name="top22"></a><sup>[<a href="#22">22</a>]</sup>. Este ponto era    já sinónimo de que era urgente pacificar a zona, pois o tempo corria contra    os Estados Unidos. </p>      <p>Não obstante os Estados Unidos reconhecerem que a sua «influência em Portugal    e dentro da NATO é limitada»<sup>[<a href="#23">23</a>]<a name="top23"></a></sup>,    a atitude africana devia ser acarinhada sem que se pusesse em perigo o uso da    Base das Lajes. É este o maior óbice dos Estados Unidos. Segundo as prospectivas    militares do relatório, uma oposição frontal e hostil a Portugal provocaria    graves danos políticos à coesão da Aliança Atlântica, podendo mesmo dar-se o    caso da retirada de Portugal da NATO e a perda da Base das Lajes. Esta situação    traria graves consequências para o dispositivo militar norte-americano de defesa    da Europa e do Médio Oriente. A solução deste dilema passava pela congregação    de apoios, no seio da NATO, dentre aqueles países que condenavam publicamente    o colonialismo e apoiavam a autodeterminação dos povos africanos e os países    escandinavos pareciam ser os parceiros ideais, pois tinham sido unânimes em    apoiar a resolução da ONU, que condenava a actuação portuguesa em Angola, e    a votar favoravelmente na Assembleia Geral contra a política colonial portuguesa<sup>[<a href="#24">24</a>]<a name="top24"></a></sup>.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os grandes aliados da Administração Kennedy no seio da Aliança foram os nórdicos.    Importantes sectores da política norueguesa e dinamarquesa defendiam publicamente    a saída de Portugal da NATO. Na Noruega, os jornais afirmavam que «Portugal    comprometia os seus aliados com a sua política em Angola» que «não promovia    a paz e a segurança [no continente africano]». Para os noruegueses, «a Carta    da NATO devia ser revista para tornar uma tal política incompatível com a participação    [de Portugal] na Aliança Atlântica»<sup>[<a href="#25">25</a>]</sup><a name="top25"></a>.    Os dinamarqueses, por seu turno, pronunciavam-se «em termos francamente violentos    contra a presença de Portugal na Aliança Atlântica, criticando a política seguida    por este governo tanto na ONU como na NATO». Havia mesmo nos círculos governamentais    quem defendesse a expulsão de Portugal da NATO, justificando que o «relativo    enfraquecimento militar da Aliança, resultante da exclusão de Portugal, seria    compensado pelo reforço moral que à mesma adviria de tal exclusão, dado que    a moral é mais importante do que os canhões»<sup>[<a href="#26">26</a>]</sup><a name="top26"></a>.</p>      <p>Contrariando estas posições extremadas, a Bélgica e o Reino Unido apresentaram    quase sempre uma «neutralidade benévola» no que dizia respeito à política colonial    de Salazar. Por exemplo, o embaixador belga, Spaak, era da opinião de que Portugal    devia «fazer todo o possível por liquidar o terrorismo em Angola antes da próxima    Assembleia das Nações Unidas, de maneira a poder anunciar até lá reformas sociais,    económicas e políticas nos territórios ultramarinos». Se Portugal instituísse    reformas nas suas colónias, Spaak supunha mesmo «que a maior parte dos membros    da NATO, que têm sido adversos, mudariam de atitude colocando-se ao nosso lado»<sup>[<a href="#27">27</a>]<a name="top27"></a></sup>.        <br>   O embaixador britânico, Stanley Tomlinson, afirmava não ser «provável que o    seu Governo se associasse às críticas exageradas feitas contra Portugal», por    cujas dificuldades tinha «uma profunda simpatia». Para o Reino Unido, a questão    colonial portuguesa era «delicada», uma vez que «a apreciação britânica da natureza    e do poder das forças em África divergia da apreciação feita por Portugal».    O que estava em causa não era o apoio a um aliado, mas sim o apoio a uma política    diferente da de um aliado. Quando Franco Nogueira anunciou as reformas ultramarinas,    em Setembro de 1961, o embaixador britânico afirmou que estas «seriam insuficientes    para pôr termo ao estado actual de agitação se não fossem seguidas de outras    com objectivo político». Mais uma vez se comprova a maneira subtil de como os    britânicos defendiam uma maior autonomia política para as colónias sem o afirmarem    abertamente. Esta posição ambígua do Reino Unido iria pautar toda a actuação    diplomática ao longo da década de 1960<sup>[<a href="#28">28</a>]<a name="top28"></a></sup>.</p>      <p>É um propósito egoísta e calculista que está na base do apoio francês a Portugal:    De Gaulle queria autonomizar o poder do seu país em oposição à supremacia exercida    pelos Estados Unidos no quadro da aliança e para tal usou Portugal como referência    em África e possível ponto de apoio estratégico na Europa. O apoio diplomático    francês na NATO foi visível durante toda a década de 1960. Esta união política    entre De Gaulle e Salazar, ambos defensores de estratégias e objectivos muito    próprios, prosseguiu <i>pari passu</i> durante os esforços diplomáticos portugueses    para a defesa dos seus interesses em África. Após o deflagrar dos conflitos    em Angola, quando Portugal reclamava nas reuniões do Conselho solidariedade    para com um aliado que estava a ser atacado no <i>seu território</i>, a França    expressou-lhe todo o seu apoio. Às críticas dos aliados de que Portugal praticava    um regime de opressão nas colónias, o representante francês na NATO dizia que    «era absurdo pretender» tal coisa. Portugal praticava sim um regime de «integração    multirracial». O embaixador francês relembra ao Conselho que a França apoiara    na ONU a argumentação portuguesa, pois acreditava que, «nos termos actuais da    Carta, não se podia obrigar Portugal a prestar informações sobre as suas províncias    ultramarinas»<sup>[<a href="#29">29</a>]<a name="top29"></a></sup>. Em síntese,    estes dois aliados convergiram na opinião de que algo tinha de ser feito para    se alterar o quadro político e defensivo da organização numa fase importante    da Guerra Fria. França e Portugal estiveram sempre lado a lado nas reuniões    do Conselho da NATO, reflectindo a aliança desenvolvida desde o final dos anos    de 1950. Até à queda de Salazar, a França foi indubitavelmente o grande apoio    externo das campanhas portuguesas em África<sup>[<a href="#30">30</a>]</sup><a name="top30"></a>.</p>      <p>Um outro apoio importante à política colonial do Estado Novo na década de 1960,    mas que não se manifestou abertamente na NATO, foi a República Federal da Alemanha    (RFA). Este aliado nunca mostrou um apoio militante à política externa de Portugal    nos conselhos da NATO, ao contrário da França. A actuação alemã pautava-se mesmo    pela neutralidade quando em causa estavam as críticas à política colonial de    Salazar. Face às invectivas dos parceiros no Conselho, os representantes alemães    fizeram sempre de fiel da balança, uma vez que tinham a consciência de que Portugal    era um aliado demasiado valioso para se enxovalhar diplomaticamente. O representante    alemão, Von Plenke, argumentava numa reunião do Conselho que as divergências    existentes entre os parceiros atlânticos não se deviam mostrar publicamente    para não beneficiar os adversários. Declarava mesmo que o seu país «nada faria    para criticar publicamente Portugal», atitude que se prolongaria por toda a    década de 1960<sup>[<a href="#31">31</a>]</sup><sup><a name="top31"></a></sup>.</p>      <p><i>Grosso modo</i>, estas eram as posições mais vincadas entre os aliados.    Para Portugal, a falta de solidariedade dos aliados traduzia-se na prática num    isolamento no seio da NATO. Esta ideia é confirmada por Salazar quando lhe chega    às mãos um relatório, classificado de muito secreto, dos serviços portugueses    de informação versando a política ultramarina portuguesa e a NATO. Aí ficamos    a saber que os «Estados Unidos já informaram vários países da NATO acerca da    proposta da Noruega no sentido de ser revista a permanência de Portugal como    membro daquela organização». Esta informação, sublinhada a lápis azul por Salazar,    indica o quão distante Portugal se encontrava das posições de alguns parceiros    atlânticos. Também o Reino Unido, a Dinamarca e a Holanda tinham sido informados    pelos Estados Unidos da intenção norueguesa de afastar Portugal da NATO, enquanto    que a Turquia manifestava aos próprios Estados Unidos o pesar pelo descrédito    de o Pacto «se continuar a identificar com países profundamente &quot;colonialistas&quot;»,    acentuando que é «favorável a uma revisão dos Estatutos da organização se houver    interesse em que continue como membro»<sup>[<a href="#32">32</a>]<a name="top32" id="top32"></a></sup>.  </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>A ADMINISTRAÇÃO JOHNSON E O SUAVIZAR DE POSIÇÕES</b></p>      <p>O abrandar da pressão americana sobre a política colonial de Salazar acontece    durante a Administração Johnson. Uma das suas causas foi o maior envolvimento    militar e político dos Estados Unidos no Vietname. Portugal viu nesse facto    uma excelente oportunidade para fazer vingar o seu argumento de que era preciso    combater o comunismo internacional em toda a extensão do globo. Durante os quatro    anos da Administração de Lyndon Johnson (1964-1968) &#8211; não incluindo aqui    o período subsequente à morte de Kennedy, em Novembro de 1963 &#8211; não se    registaram grandes diligências diplomáticas, se compararmos com aquelas que    se registaram durante a Administração Kennedy, para inflectir o rumo da política    externa portuguesa no que toca a África. A única tentativa digna desse nome    foi o Plano Anderson, apresentado em 1965, pelo embaixador americano em Lisboa,    George Anderson, a Salazar<sup>[<a href="#33">33</a>]</sup>. <a name="top33"></a></p>      <p>Os americanos logo depreendem que, «num futuro imediato, nenhuma probabilidade    de mudança» existia «na atitude e determinação do Governo português» relativamente    às colónias africanas. Perante este cenário, o embaixador Anderson recomendava    que os Estados Unidos não forçassem a imposição e optassem por ser «tão liberais    quanto possível na autorização de licenças de exportação para equipamento militar    destinado a Portugal, à excepção de armas letais e aviões de guerra»<sup>[<a href="#34">34</a>]</sup>.    <a name="top34"></a> Esta posição do embaixador americano foi sendo moldada    e incrementada pelas visitas oferecidas pelo Estado português às colónias africanas,    tornando-se este diplomata <i>a posteriori</i> um defensor da política colonial    de Salazar. O historiador americano David Dickson concretiza: «a entrega de    armamento continuava a aumentar e a política da Administração [Johnson] começou    a girar em torno da aceitação da persistente influência política dos portugueses»<sup>[<a href="#35">35</a>]</sup>.    <a name="top35"></a> </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Johnson não perdeu então muito tempo com a questão colonial do Estado Novo.    Em Julho de 1964, a Embaixada em Lisboa dava o mote: «parece haver pouco a ganhar    e algo a perder em pressionar muito insistentemente com uma linha de análise    que os portugueses não estão preparados para acreditar ou aceitar».<sup>[<a href="#36">36</a>]<a name="top36"></a></sup>    Recorde-se que os Acordos dos Açores tinham sido suspensos por Salazar no final    de 1962 até que a política norte-americana fosse mais favorável a Portugal.    Constatando que o regime português era impermeável à argumentação a favor da    descolonização, a Administração Johnson preferiu não desgastar mais o seu capital    político junto de Salazar, numa altura em que os Estados Unidos procuravam sensibilizar    os aliados da NATO para o problema do Vietname.</p>      <p>Esse esforço diplomático estendeu-se ao Conselho do Atlântico. A argumentação    diplomática para reclamar apoio na NATO era quase uma cópia dos argumentos utilizados    pelos portugueses no início das insurreições em Angola, em 1961. Veja-se o caso    na cimeira da NATO, em Londres, em Maio de 1965, quando Dean Rusk criticou «com    aspereza a falta de solidariedade global dos membros da Aliança que enfraquece    esta perante a ameaça global aos membros da Aliança»<sup>[<a href="#37">37</a>]<a name="top37"></a></sup>.    Ou seja, os americanos utilizavam o argumento da solidariedade dos aliados para    reclamar apoio numa altura em que, segundo eles, defendiam os interesses do    mundo livre no Sudeste Asiático. A Aliança ouvia pela segunda vez e num espaço    de quatro anos a mesma argumentação. Portugal sentia que os norte-americanos    afinavam pelo mesmo diapasão e isso não deixou de ser reclamado como uma vitória    da diplomacia salazarista. Em Portugal, transmitia-se oficialmente a ideia de    que os americanos, «tão rígidos na interpretação da letra do Pacto», procuravam    o apoio dos aliados na NATO «para as dificuldades com que se deparavam no Vietname»,    ainda que tal apoio não se concretizasse. Criticava-se mesmo a atitude dos Estados    Unidos que, agora, por necessitarem de apoio para a prossecução da sua política    no Vietname, utilizavam o «critério da solidariedade global e universal como    único meio para fazer frente com sucesso a uma ofensiva global e universal»<sup>[<a href="#38">38</a>]<a name="top38"></a></sup>.</p>      <p>Em meados de 1966, a hostilidade americana face à política colonial portuguesa    desaparecera por completo. Uma das explicações para tal comportamento pode ser    corroborada pelo relatório produzido nesse ano pelo segundo-secretário da Embaixada    em Lisboa, Everett Briggs. Neste relatório, a recomendação principal prendia-se    com o abandono de qualquer iniciativa em relação a Portugal e às suas colónias    &#8211; os Estados Unidos deviam optar pela aproximação pragmática em detrimento    da aproximação ideológica no que tocava às questões africanas. Os últimos anos    das relações luso-americanas tinham sido manchados pelo confronto ideológico    de duas posições antagónicas com prejuízo para os Estados Unidos, já que o Acordo    das Lajes não fora renovado. Segundo Briggs, «a insistência na autodeterminação    como solução prática para a África portuguesa era inútil e irrealista». A solução    passava pelo reconhecimento público das mudanças introduzidas pelos portugueses    em África, logo após as insurreições nacionalistas. Isso seria certamente valorizado    pelo Governo português e a Administração americana readquiriria o capital político    necessário para a renovação dos Acordos dos Açores. A recomendação de Briggs    inspirava-se nos resultados das tentativas pretéritas para inflectir o rumo    colonial de Salazar, desde as restrições à venda de armamento militar, passando    pela posição assumida pelos Estados Unidos nas Nações Unidas, que a nada conduziram.    Em última análise, o que os Estados Unidos deviam fazer era assegurar que Portugal    preparava as colónias para um futuro melhor, quer do ponto de vista económico    quer do ponto de vista social, sem se preocuparem «excessivamente com o desenvolvimento    político dessas áreas no presente»<sup>[<a href="#39">39</a>]</sup><a name="top39"></a>.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>A EXTENSÃO DO TRATADO AO ATLÂNTICO SUL</b></p>      <p class=MsoNormal style='text-align:justify;line-height:20.0pt;text-autospace: none'>A extensão geográfica do Pacto ao Atlântico Sul foi sempre invocada por    Portugal desde 1949. Durante as negociações para a adesão, Salazar procurou    integrar na área de defesa o Atlântico Sul, tendo em vista designadamente os    portos de Angola e o arquipélago de Cabo Verde e consequente defesa das possessões    europeias em África<sup>[<a href="#40">40</a>]<a name="top40"></a></sup>. Mas    a proposta portuguesa para a inclusão das colónias africanas na zona de aplicação    do tratado foi recusada durante as negociações. Os aliados europeus e norte-americanos    não estavam dispostos a patrocinar essa defesa do império colonial português<sup>[<a href="#41">41</a>]<a name="top41"></a></sup>.  </p>      <p>O problema dos limites geográficos do Pacto não foi exclusivo dos portugueses.    Também a França e a Bélgica se fizeram ouvir na NATO. No caso da Bélgica, a    crise no Congo levou Bruxelas a utilizar a retórica dos «interesses comuns de    segurança consagrados no Pacto na esperança de que os outros aliados, incluindo    o líder da Aliança, fosse solidário e apoiante [no restabelecimento da ordem    numa zona fora do tratado]». Tal como invocou a França durante a crise do Suez,    em 1956<sup>[<a href="#42">42</a>]<a name="top42"></a></sup>.</p>      <p>O que importa salientar aqui é a insistência com que Portugal utilizou o argumento    da extensão geográfica do tratado. Numa altura em que o armamento já tinha sido    enviado para África, Vasco da Cunha comunicava aos seus pares que Portugal se    vira obrigado «por motivos imperiosos de ordem nacional a reduzir consideravelmente    os seus compromissos NATO». Esta decisão ponderada pelos governantes portugueses    tinha por móbil a defesa da «integridade nacional» de Portugal. O embaixador    não deixou de referir também que todo o esforço que Portugal estava a fazer    fora do tratado «tend[ia] a preservar para o mundo livre as regiões que em tempos    de guerra seriam da mais alta importância do ponto de vista estratégico»<sup>[<a href="#43">43</a>]<a name="top43"></a></sup>.    A ideia de que o Atlântico Sul devia ser guarnecido militarmente, por forma    a não permitir qualquer avanço das forças comunistas pelo flanco sul, era uma    ideia continuamente utilizada por Portugal.</p>      <p>Houve um momento na história da Aliança em que este argumento chegou a ser    considerado. Na sequência da crise dos mísseis de Cuba, em Outubro de 1962,    foi produzido um relatório (Documento MC100) pela Comissão Militar da NATO com    uma estimativa de ameaça a longo prazo. Neste documento, apontavam-se «as áreas    do oceano Atlântico como uma linha de comunicações vital para os membros da    Aliança» e alertava-se para o perigo de os soviéticos conseguirem uma supremacia    em áreas que naquele momento estavam nas mãos de aliados<sup>[<a href="#44">44</a>]<a name="top44"></a></sup>.    Era clara a referência à importância das bases portuguesas no Atlântico Sul    em caso de guerra. Depois da crise de Cuba, os altos comandos da NATO ponderavam    todas as hipóteses e Portugal aproveitou este facto para mais uma vez reivindicar    o valor estratégico das suas possessões em África. Por esta altura, o tom das    críticas dos aliados revelava-se cada vez mais fugaz e intermitente. Já não    havia a pressão diplomática que houvera logo após a irrupção nacionalista em    Angola.</p>      <p>Em 1964, Portugal expunha mais uma vez as suas reflexões estratégicas no que    diz respeito ao Atlântico Sul, relembrando que nunca impôs limites geográficos    à acção da NATO e que era em defesa dos valores ocidentais, os mesmos que os    Estados Unidos reclamavam na guerra do Vietname, que os portugueses combatiam    em África. Reclamava-se, então, uma alteração dos estatutos da Aliança que se    «deveriam inspirar nos valores» ocidentais, cuja crise de mentalidade no Ocidente    não lhes permitia ver o perigo evidente, pois «havia falta de coragem para assumir    a defesa desses valores»<sup>[<a href="#45">45</a>]<a name="top45"></a></sup>.    Esta tese foi debatida <i>ad nauseam</i> entre os aliados. Portugal concluía    que «a Aliança, tal como existia, tinha uma utilidade muito restrita», utilidade    que podia vir a ser irrisória «se o comunismo conseguisse levar avante a vasta    manobra de flanqueamento [&#8230;] através da Ásia e da África»<sup>[<a href="#46">46</a>]<a name="top46"></a></sup>.    Este acenar do perigo comunista, aliado à conjuntura do momento, começou a ganhar    alguma aceitação e permitiu mitigar os ataques à política colonial de Salazar    dentro da organização.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p><b>A INSTALAÇÃO DO IBERLANT EM 1967</b></p>      <p>A instalação do IBERLANT (Iberian Atlantic Command / Comando Ibérico do Atlântico),    em Lisboa, em Fevereiro de 1967, constituiu talvez o maior endosso político    da Aliança ao regime de Salazar após o início das guerras de África. Um ano    antes, Salazar tomara conhecimento das duras críticas de De Gaulle ao comando    militar da Aliança e à forma como aquela estava a lidar com a ameaça nuclear    soviética. No relatório entregue ao ditador, duas hipóteses são aventadas para    as objecções francesas à NATO: primeira, as ameaças que o mundo enfrentava,    em especial a Europa, e que estiveram na génese do Pacto, em 1949, eram de outra    natureza; e segunda, os aliados deviam manter as suas obrigações militares do    Pacto face à ameaça comum, mas «não são necessárias nem desejáveis a existência    de uma força integrada e uma estrutura de comando»<sup>[<a href="#47">47</a>]</sup>.    <a name="top47"></a> </p>      <p>O endurecimento militar norte-americano no Vietname viera confirmar as fragilidades da Aliança num momento crítico e De Gaulle aproveitou essa janela de oportunidade para reclamar um maior protagonismo na Europa para a França. O general queria, entre outras coisas, que o seu país tivesse um maior ascendente político nos comandos da Aliança. Um subterfúgio utilizado por De Gaulle foi o argumento da transferência do comando das bases americanas em França para os franceses.</p>      <p>Dada a impossibilidade de ver cumpridos os seus desejos, o chefe de Estado    francês informa o Conselho no dia 12 de Março de 1966 que a França se retirava    da estrutura militar da NATO, embora se mantivesse como membro da aliança política.    «Estremece[u] o mundo ocidental»<sup>[<a href="#48">48</a>]<a name="top48"></a></sup>,    nas palavras de Franco Nogueira. À primeira vista, e fazendo fé no comentário    do ministro português, Portugal vê na decisão francesa uma consequência terrível    e inevitável da evolução política da Aliança ao longo da década de 1960. Em    Junho do mesmo ano, num encontro realizado em Bruxelas, os catorze aliados voltavam    a debater o problema da França e fica decidido a transferência da sede da NATO    para a Bélgica. Para os britânicos e americanos não fazia sentido a França integrar    o quadro político da Aliança sem estar integrado no sistema de defesa militar.    A esta observação contrapuseram-se Portugal, Canadá, Itália e os países escandinavos.    Franco Nogueira confrontou mesmo os restantes aliados com a actual crise da    Aliança, dizendo que esta era «uma consequência natural da crise política» existente    na NATO e que «se traduzia na ausência de solidariedade revelada entre os aliados    em quase todos os problemas» fora do âmbito do tratado<sup>[<a href="#49">49</a>]</sup>.<a name="top49" id="top49"></a></p>      <p>Uma consequência directa para benefício português da retirada da França da estrutura militar da NATO foi a instalação do IBERLANT, em Lisboa. Quando, em 1958, a NATO decidiu criar um novo comando para o Atlântico e mar Mediterrâneo, a França e o Reino Unido disputaram entre si a sede e a chefia deste comando naval. Como não se chegou a um acordo, a criação do IBERLANT ficou adiada e passados oito anos a solução de compromisso passou pela entrega do novo comando a um almirante americano, Edwin S. Miller. Era mais uma ferroada da Aliança na ambição de De Gaulle. Os franceses tomaram esta decisão como uma afronta ao prestígio militar das suas forças. A saída da França da estrutura militar da NATO consumou-se com a retirada das forças militares francesas da RFA, a 1 de Julho de 1966, dando De Gaulle um prazo até 1 de Abril de 1967 para as forças americanas e canadianas se retirarem do território francês. </p>      <p>O comando do IBERLANT foi colocado em Lisboa<sup>[<a href="#50">50</a>]</sup><a name="top50"></a>    devido à sua posição geográfica e por via de considerações políticas relativas    às tensões no Norte de África e mar Mediterrâneo. Mesmo aqueles aliados que    sempre criticaram Portugal &#8211; os nórdicos, por exemplo &#8211;, não se    manifestaram contra esta decisão da Aliança. Nada nos é transmitido dessas embaixadas,    o que nos leva a supor que esses países distinguiram os interesses gerais dos    interesses particulares. O que estava em causa na instalação do novo comando    em Lisboa não era uma cedência particular a um aliado, que desde o início da    década se encontrava marginalizado no seio da Aliança, mas uma estratégia funcional    da própria Aliança. Em todo o caso, é justo dizer que o IBERLANT funcionou como    um paliativo para as críticas mais ferozes dos adversários de Portugal.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>CONCLUSÕES</b></p>      <p>Portugal beneficiou a todos os níveis do estatuto de parceiro atlântico. A maior vantagem foi a utilização de armamento afecto às operações militares da NATO nas repressões das revoltas nacionalistas, ocorridas no início da década de 1960. Salazar confundiu as contas dos aliados enviando para África armamento destinado aos planos defensivos da Aliança, bem como equipamento considerado «obsoleto». Da parte dos aliados, poucos se mostraram empenhados em escrutinar de perto essa situação. Sem essa tolerância, o País teria sentido muito mais dificuldades em prosseguir com a guerra no ultramar.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para além do contínuo fornecimento de armamento NATO, a política colonial de    Salazar conseguiu aguentar-se em África sobretudo graças aos apoios bilaterais    de países aliados, cuja plataforma de entendimento foi o fórum da Aliança. Corroborando    as palavras de António Costa Pinto, «a condição de membro da Aliança Atlântica    pode ter sido irrelevante e incómoda para os restantes parceiros, mas foi um    poderoso instrumento de estabilidade da Ditadura portuguesa, oferecendo-lhe    um escudo protector na sua derradeira aventura colonial»<sup>[<a href="#51">51</a>]</sup>.    <a name="top51"></a> </p>      <p>As oportunidades de contacto e consulta oferecidas pela NATO permitiram a Portugal fortalecer as relações bilaterais entre aqueles aliados que partilhavam o seu ponto de vista acerca do ultramar e quiseram aproveitar esse apoio para interesse próprio, como foi o caso da França do general De Gaulle. Contrariamente à Administração Kennedy, os parceiros atlânticos nunca tentaram influenciar o rumo da política colonial do Estado Novo através da Aliança. Com Johnson no poder, essa intenção foi-se esvaindo ao longo da década e as últimas diligências visando uma inflexão da política ultramarina de Lisboa revestiram-se de um carácter mais discreto e bilateral.</p>      <p>Um aspecto que nunca chegou a ser equacionado por Salazar ao longo da década    de 1960 foi a possível saída de Portugal da Aliança. Havia, no entanto, a convicção    de que a organização devia cumprir o que estava consignado &#8211; defender    o Ocidente da ameaça comunista nem que para isso fosse necessário combater em    África. A tentativa de defesa de Portugal em África traduziu-se desde o início    do Pacto no desejo de estender o tratado ao Atlântico Sul. Christopher Coker    também defende esta ideia: «Longe do desejo da retirada da NATO e dos seus compromissos    políticos e militares, Portugal desejava estendê-los.»<sup>[<a href="#52">52</a>]</sup><a name="top52"></a>    Como é sabido, Portugal nunca foi capaz de persuadir os seus aliados da bondade    dos seus argumentos e a NATO &#8211; prudentemente &#8211; soube manter-se afastada    dos seus conflitos em África.</p>      <p>&nbsp;</p>        <p>&nbsp;</p>        <p><a name="1"></a>[<a href="#top1">1</a>]</a> Este artigo é uma versão resumida    da tese de mestrado em História das Relações Internacionais apresentada e defendida    no ISCTE a 8 de Janeiro de 2008.</p>        <!-- ref --><p><a name="2"></a>[<a href="#top2">2</a>] Cf. TEIXEIRA, Nuno Severiano &#8211;    «Da neutralidade ao alinhamento: Portugal na fundação do Pacto do Atlântico».    In <i>Análise Social</i>. Vol. XXVIII, N.º 120, 1993.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000079&pid=S1645-9199200900010000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><a name="3"></a>[<a href="#top3">3</a>] TELO, António José (org.) &#8211; <i>Portugal    e a NATO: O Reencontro da Tradição Atlântica. </i>Lisboa: Edições Cosmos, 1996,    p. 89.</p>        <p><a name="4"></a>[<a href="#top4">4</a>] Averell Harriman fora nomeado por Kennedy,    em Janeiro de 1961, embaixador itinerante (<i>ambassador at large</i>) e era    assim o diplomata que tinha a incumbência de <i>preparar o terreno</i> para    a aplicação das políticas externas norte-americanas. O encontro com António    de Faria deu-se no dia 3 de Março de 1961, aquando da visita do americano à    sede do Conselho do Atlântico, em Paris.</p>        <p><a name="5"></a>[<a href="#top5">5</a>] Telegrama n.º 39, 4 de Março de 1961,    transcrito em TELO, António José (org.) &#8211; <i>Portugal e a NATO: O Reencontro    da Tradição Atlântica</i>, pp. 279-280.</p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="6"></a>[<a href="#top6">6</a>] Telegrama n.º 51, de 14 Março de 1961,    transcrito em TELO, António José (org.) &#8211; <i>Portugal e a NATO: O Reencontro    da Tradição Atlântica</i>,, pp. 283-284.</p>     <p><a name="7"></a>[<a href="#top7">7</a>] Aerograma n.º 1653, de 20 Março de    1961, transcrito em TELO, António José (org.) &#8211; <i>Portugal e a NATO:    O Reencontro da Tradição Atlântica</i>,, pp. 286-287.</p>        <p><a name="8"></a>[<a href="#top8">8</a>] In «Relatório dos Três Sábios sobre    a Cooperação Não-Militar na NATO», Documento da NATO C-M(56)127(Revisto), de    10 de Janeiro de 1957. Disponível em: <a href="http://www.nato.int/archives/committee_of_three/CT.pdf" target="_blank">http://www.nato.int/archives/committee_of_three/CT.pdf</a>.</p>        <p><a name="9"></a>[<a href="#top9">9</a>] <i>Declaração feita pelo Representante    Permanente de Portugal na Audiência Privada do Conselho a 20 de Abril de 1961</i>.    AHD &#8211; MNE, Arquivo DELNATO, processo 1421, maço 110.</p>        <p><a name="10"></a>[<a href="#top10">10</a>] <i>Ibidem</i>.</p>        <p><a name="11"></a>[<a href="#top11">11</a>] Aerograma n.º 1702, 26 de Abril    de 1961. AHD &#8211; MNE, Arquivo DELNATO, processo 1421, maço 116.</p>       <p><a name="12"></a>[<a href="#top12">12</a>] PRO/FO 371/153445 (documento gentilmente    cedido por Pedro Faria).</p>       <p><a name="13"></a>[<a href="#top13">13</a>] Tripartite May 4, Entry 3093, Box    1. (Documento gentilmente cedido pelo Prof. Luís Nuno Rodrigues).</p>        <p><a name="14"></a>[<a href="#top14">14</a>] «Our relations with the rest of    Africa would have suffered a severe setback». Cf. <i>Ibidem</i>.</p>       <p><a name="15"></a>[<a href="#top15">15</a>] Aerograma n.º 1718, 18 de Maio de    1961. AHD &#8211; MNE, Arquivo DELNATO, processo 3350, maço 63.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="16"></a>[<a href="#top16">16</a>] Para uma perspectiva global do impacto    da independência do Congo Belga, em Junho de 1960, e a posição da diplomacia    portuguesa relativamente à mesma, cf. subcapítulo «A independência do Congo    Belga (1960) e as suas repercussões na política externa portuguesa». In SANTOS,    Pedro &#8211; <i>Portugal e a NATO: Diplomacia em Tempo de Guerra (1961-1968)</i>.    Texto policopiado. Lisboa, 2007, pp. 31-38.</p>        <p><a name="17"></a>[<a href="#top17">17</a>] Cf. COKER, Christopher &#8211; «The    Western Alliance and Africa 1949-81». In <i>Africa Affairs</i>. Vol. 81, N.º    324, Julho de 1982, p. 324.</p>        <p><a name="18"></a>[<a href="#top18">18</a>] Declaração de Franco Nogueira, na    reunião de Oslo, a 8 de Maio de 1961. AHD &#8211; MNE, Arquivo DELNATO, processo    1000, maço 76.</p>        <p>[<a href="#top19">19</a>]<a name="19"></a> Luís Nuno Rodrigues documentou bastante    bem o choque entre a Administração Kennedy e Salazar no início da década de    1960. Cf. RODRIGUES, Luís Nuno &#8211; <i>Kennedy-Salazar: A Crise de Uma Aliança.    As Relações Luso-Americanas entre 1961 e 1963. </i>Lisboa: Editorial Notícias,    2002.</p>        <p><a name="20"></a>[<a href="#top20">20</a>] Diz Acheson que os Estados Unidos    «devem reconhecer que formalizar a posição em votos terá pouca influência na    resolução actual dos problemas discutidos, e criará divisões no seio da Aliança    que pode limitar a capacidade em resolver esses problemas» («A review of North    Atlantic problems for the future, by Dean Acheson, March 1961». JFKL, NSF, caixa    20 (documento gentilmente cedido pelo Prof. Luís Nuno Rodrigues).</p>      <p><a name="21"></a>[<a href="#top21">21</a>] <i>Ibidem</i>.</p>        <p><a name="22"></a>[<a href="#top22">22</a>] «Presidential task force on Portuguese    territories in Africa», 12 de Julho de 1961. NA. SDCF, 1960-1963, caixa 1816    (documento gentilmente cedido pelo Prof. Luís Nuno Rodrigues).</p>       <p><a name="23"></a>[<a href="#top23">23</a>] <i>Ibidem</i>.</p>      <p><a name="24"></a>[<a href="#top24">24</a>] Cf. «Presidential task force on    Portuguese territories in Africa», pp. 82, 12 de Julho 1962. Ibidem.</p>        <p><a name="25"></a>[<a href="#top25">25</a>] Ofício PA/121, de 13 de Junho de    1961, da Embaixada de Portugal em Oslo. AHD &#8211; MNE, Arquivo DELNATO, processo    1421, maço 110.</p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="26"></a>[<a href="#top26">26</a>] Ofício n.º 70, de 15 de Junho 1961,    da Embaixada de Portugal em Copenhaga. AHD &#8211; MNE, Arquivo DELNATO, processo    1421, maço 110.</p>        <p><a name="27"></a>[<a href="#top27">27</a>] Ofício do Ministério dos Negócios    Estrangeiros enviado ao suplente Magalhães Cruz, levando ao conhecimento da    delegação o conteúdo da conversa entre Spaak e o embaixador português em Bruxelas.    AHD &#8211; MNE, Arquivo DELNATO, processo 1421, maço 110.</p>        <p><a name="28"></a>[<a href="#top28">28</a>] A posição britânica na década de    1960 face à política colonial do Estado Novo pode ser consultada em OLIVEIRA,    Pedro Aires &#8211; <i>Os Despojos da Aliança, A Grã-Bretanha e a Questão Colonial    Portuguesa, 1945-1975</i>. Lisboa: Edições Tinta-da-China, 2007, pp. 217-352.</p>       <p><a name="29"></a>[<a href="#top29">29</a>] Aerograma Ostensivo n.º 2015, 16    de Novembro de 1961. AHD &#8211; MNE, Arquivo DELNATO, processo 1421, maço 111.</p>        <p><a name="30"></a>[<a href="#top30">30</a>] Para uma melhor compreensão das    relações luso-francesas durante a década de 1960, cf. MARCOS, Daniel &#8211;    <i>Salazar e De Gaulle: A França e a Questão Colonial Portuguesa (1958-1968)</i>.    Lisboa: Colecção Biblioteca Diplomática do MNE &#8211; Série D, Ministério dos    Negócios Estrangeiros, 2007.</p>       <p><a name="31"></a>[<a href="#top31">31</a>] O apoio germânico à política colonial    de Salazar durante a década de 1960 encontra-se bem fundamentado no trabalho    de FONSECA, Ana Mónica &#8211; <i>A Força das Armas: O Apoio da República Federal    da Alemanha ao Estado Novo (1958-1968)</i>. Lisboa: Colecção Biblioteca Diplomática    do MNE &#8211; Série D, Ministério dos Negócios Estrangeiros, 2007, p. 114.</p>        <p><a name="32"></a>[<a href="#top32">32</a>] Informação n.º 1.605/61 &#8211;    GU, Muito Secreto, AOS/CO/NE &#8211; 21 &#8211; 3, pasta 1, fl. 1.</p>        <p><a name="33"></a>[<a href="#top33">33</a>] Luís Nuno Rodrigues explana os contornos    do «Plano Anderson» no seu trabalho. Cf. RODRIGUES, Luís Nuno &#8211; <i>Kennedy-Salazar:    A Crise de Uma Aliança. As Relações Luso-Americanas entre 1961 e 1963</i>, pp.    309-310.</p>        <p><a name="34"></a>[<a href="#top34">34</a>] RODRIGUES, Luís Nuno &#8211; <i>Kennedy-Salazar:    A Crise de Uma Aliança. </i><i>As Relações Luso-Americanas entre 1961 e 1963</i>,    p. 310.</p>        <p><a name="35"></a>[<a href="#top35">35</a>] DICKSON, David A. &#8211; «US foreign    policy towards Southern and Central Africa: the Kennedy and Johnson years».    In <i>Presidential Studies Quarterly</i>. Vol. XXIII, N.º 2, Primavera de 1993,    p. 308.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="36"></a>[<a href="#top36">36</a>] Relatório de Frank Devine citado    em RODRIGUES, Luís Nuno &#8211; <i>Kennedy-Salazar: A Crise de Uma Aliança.    </i><i>As Relações Luso-Americanas entre 1961 e 1963</i>, pp. 307-309.</p>        <p><a name="37"></a>[<a href="#top37">37</a>] NOGUEIRA, Franco &#8211; <i>Salazar.    Vol. VI. O Ú</i><i>ltimo Combate (1965-1970). </i>Porto: Livraria Civilização,    1985, p. 42.</p>        <p><a name="38"></a>[<a href="#top38">38</a>] Estas críticas eram oficialmente    veiculadas pelo Governo de Salazar. In <i>Separata do Boletim de Informações    n.º 25</i>, do Estado-Maior do Exército, Fevereiro de 1968. AHD &#8211; MNE,    Embaixada em Washington, processo 15,40, maço 373.</p>        <p><a name="39"></a>[<a href="#top39">39</a>] RODRIGUES, Luís Nuno &#8211; <i>Kennedy-Salazar:    A Crise de Uma Aliança. </i><i>As Relações Luso-Americanas entre 1961 e 1963</i>,    pp. 311-312.</p>        <p><a name="40"></a>[<a href="#top40">40</a>] «Choosing to rule its colonies on    the basis of coercion, Lisbon tried to win support for its contention that NATO´s    southern flank could well be turned if the Soviet Union were ever to gain access    to the vast strategic area stretching from the Azores to Cape Verde with its    airfield on Sal and from Guinea to Angola with the natural harbours along its    1800 km coastline.» In COKER, Christopher &#8211; «The Western Alliance and    Africa 1949-81». In <i>Africa Affairs</i>. Vol. 81, N.º 324, Jul. De 1982, p.    324.</p>        <p><a name="41"></a>[<a href="#top41">41</a>] Cf. PINTO, António Costa &#8211;    <i>O Fim do Império. A Cena Internacional, a Guerra Colonial e a Descolonização,    1961-1975</i>, Lisboa: Livros Horizonte, 2001, pp. 14-15.</p>       <p><a name="42"></a>[<a href="#top42">42</a>] STUART, Douglas T., e TOW, William    &#8211; <i>The Limits of Alliance. NATO Out-of-Area Problems Since 1949</i>.    Baltimore: The Johns Hopkins University Press, 1990, p. 4. Estes autores também    analisam o caso português em África (cf.pp. 305-311).</p>       <p><a name="43"></a>[<a href="#top43">43</a>] Aerograma n.º 2024, anexo A, enviado    por Vasco da Cunha, 28 de Novembro de 1961. AHD &#8211; MNE, Arquivo DELNATO,    processo 3321, maço 63.</p>        <p><a name="44"></a>[<a href="#top44">44</a>] O documento mencionado está inserto    no relatório apresentado na reunião do Secretariado de Defesa, a 8 de Maio de    1963. AHD &#8211; MNE, Arquivo DELNATO, processo 1300, maço 93.</p>       <p><a name="45"></a>[<a href="#top45">45</a>] Memorial da reunião em Otava, 12    a 19 de Setembro de 1964. AOS/CO/NE &#8211; 21 &#8211; 3, pasta 3, fls. 3-18.</p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="46"></a>[<a href="#top46">46</a>] MIRANDA, Bonifácio de &#8211; «O    futuro da NATO em face da &quot;descolonização&quot;». Separata da revista <i>Ultramar</i>.    Lisboa, N.º 17, Vol. V (N.º1), 1964, p. 10.</p>        <p><a name="47"></a>[<a href="#top47">47</a>] AOS/CO/NE &#8211; 17 &#8211; 2,    pasta 27.</p>       <p><a name="48"></a>[<a href="#top48">48</a>] NOGUEIRA, Franco &#8211; <i>Salazar.    Vol. VI. O Último Combate (1965-1970)</i>, p. 129.</p>        <p><a name="49"></a>[<a href="#top49">49</a>] Ofício do Ministério dos Negócios    Estrangeiros, PA/3/66, 18 de Julho de 1966. AHD &#8211; MNE, Arquivo Embaixada    em Washington, processo 15,40, maço 373.</p>       <p><a name="50"></a>[<a href="#top50">50</a>] O comando ficou instalado em São    Pedro de Penaferrim, no concelho de Sintra, e foi inaugurado em Fevereiro de    1967.</p>        <p><a name="51"></a>[<a href="#top51">51</a>] PINTO, António Costa &#8211; <i>O    Fim do Império. A Cena Internacional, a Guerra Colonial e a Descolonização,    1961-1975</i>, p. 27.</p>          <p><a name="52"></a>[<a href="#top52">52</a>] COKER, Christopher &#8211; <i>NATO,    the Warsaw Pact and Africa</i>. Londres: MacMillan, 1985, p. 53.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><sup><a href="#top0">*</a><a name="0"></a></sup> Licenciado em Filosofia pela    FCSH – UNL e mestre em História das Relações Internacionais, pelo iscte, com    a tese «Portugal e a NATO: Diplomacia em Tempo de Guerra (1961-1968)».</p>      ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[TEIXEIRA]]></surname>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Da neutralidade ao alinhamento: Portugal na fundação do Pacto do Atlântico]]></article-title>
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