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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Decifrar a potência Russa]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The last three years have been marked by a noticeable return of the Russian Federation in the global arena. This phenomenon has been informed by the emergence of serious disputes, impacting on international security. Moscow has been opposing the state-of-play defined by Western actors, namely by NATO. We assess the Russian power and its capacity to shape outcomes in its own most favorable terms. We conclude that several paradoxes inform this evaluation and that the European Union offers the best prospects to engage positively with the new Russia.]]></p></abstract>
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<kwd lng="en"><![CDATA[foreign policy analysis]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[  <b>Decifrar a pot&ecirc;ncia Russa </b>      <p>Sandra Dias Fernandes <sup><a href="#0">*</a><a name="top0"></a></sup></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Os últimos três anos foram marcados por um regresso    notável da Federação Russa à arena global. Esse fenómeno é influenciado por    disputas sérias, que afectam a segurança internacional. Moscovo tem concretizado    oposições à ordem definida pelos actores ocidentais, nomeadamente pela NATO.    Avaliamos o poder russo e as suas capacidades em influenciar resultados em função    das suas preferências. Concluímos acerca da existência de vários paradoxos nessa    avaliação e salientamos que a União Europeia oferece as melhores perspectivas    para encetar um relacionamento positivo com a nova Rússia.</span></p>     <p>Palavras-chave: Federação Russa, NATO, União Europeia,    política externa</span></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Decode the Russian power</span></b>  </p>     <p>The last three years have    been marked by a noticeable return of the Russian Federation in the global arena.    This phenomenon has been informed by the emergence of serious disputes, impacting    on international security. Moscow has been opposing the state-of-play defined    by Western actors, namely by NATO. We assess the Russian power and its capacity    to shape outcomes in its own most favorable terms. We conclude that several    paradoxes inform this evaluation and that the European Union offers the best    prospects to engage positively with the new Russia.</span></p>     <p>Keywords: Russian Federation,    NATO, European Union, foreign policy analysis</span></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="right"><i>En Effet, Depuis La Chute De L&#8217;empire Sovietique, Le    Pays A Connu Une Mutation Vertigineuse. A Tel Point Qu&#8217;il Est Plus Facile    De Dire Ce Qui N&#8217;a Pas Chang&eacute; Dans Ce Pays que De Faire Un R&eacute;capitulatif    De Ce Qui A Et&eacute; Transform&eacute;. Pourtant, Parmi Les Constantes De    Son Histoire Subsiste Ce D&eacute;sir Visc&eacute;ral De L&#8217;&eacute;lite    Politique De Remplir &laquo;La Mission De D&eacute;fendre L&#8217;int&eacute;r&ecirc;t    De La Russie&raquo;</i>.<SUP>[<a href="#1">1</a>]</SUP> <a name="top1"></a></p>     <p align="right">&nbsp;</p>     <p> </p>     <p align="left">A crise despoletada pelo conflito russo-georgiano de Agosto &uacute;ltimo    levanta desafios de seguran&ccedil;a s&eacute;rios porque ultrapassa as rela&ccedil;&otilde;es    bilaterias entre esses dois estados. As implica&ccedil;&otilde;es da crise t&ecirc;m    dimens&otilde;es especificamente europeias, nas quais as rela&ccedil;&otilde;es    entre os dois maiores vizinhos europeus desempenham um papel de relevo. Em particular,    a Uni&atilde;o Europeia (UE) enfrenta a necessidade premente de repensar o seu    modelo de coopera&ccedil;&atilde;o com a R&uacute;ssia. A solu&ccedil;&atilde;o    para a actual situa&ccedil;&atilde;o de crise passa por dois n&iacute;veis complementares.    Se, por um lado, a implementa&ccedil;&atilde;o do plano de paz (Plano Medvedev-Sarkozy,    de 12 de Agosto) &eacute; o gui&atilde;o para o processo negocial, por outro,    a estabiliza&ccedil;&atilde;o do C&aacute;ucaso (assim como da Ucr&acirc;nia    e da Moldova) s&oacute; pode ser alcan&ccedil;ada atrav&eacute;s de um novo    modelo de interac&ccedil;&atilde;o com o Kremlin.</p>     <p>Desde 2006, a procura de um relacionamento mais construtivo tem sofrido uma    degrada&ccedil;&atilde;o not&oacute;ria. As causas encontram-se, nomeadamente,    na recupera&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica russa acoplada a uma nova assertividade    internacional, nas estrat&eacute;gias energ&eacute;ticas nacionalistas, na mudan&ccedil;a    de atitude de Bruxelas face a Moscovo ap&oacute;s o &uacute;ltimo alargamento    a Leste, em 2004, e na competi&ccedil;&atilde;o para redefinir o antigo espa&ccedil;o    sovi&eacute;tico. A quest&atilde;o &agrave; qual os europeus precisam de responder    para enfrentar os desafios colocados n&atilde;o s&oacute; pela crise georgiana,    mas tamb&eacute;m pela transforma&ccedil;&atilde;o global da R&uacute;ssia,    &eacute; a seguinte: qual &eacute; a natureza da pot&ecirc;ncia russa? A procura    da resposta poder&aacute; elucidar se ela representa uma amea&ccedil;a e a maneira    como devemos lidar com essa nova realidade.</p>     <p>Para os Estados Unidos e &agrave; escala global, os acontecimentos de 11 de    Setembro foram um marco hist&oacute;rico que cunhou o fim da era de transi&ccedil;&atilde;o    nomeada &laquo;p&oacute;s-Guerra Fria&raquo;. Do mesmo modo, o uso unilateral    da for&ccedil;a armada pelo Kremlin contra a Ge&oacute;rgia, na guerra rel&acirc;mpago    de cinco dias em Agosto de 2008, marcou uma nova fase da era p&oacute;s-bipolar    na Europa. Dois status quo foram quebrados por Moscovo. Em primeiro lugar, a    no&ccedil;&atilde;o de conflitos &laquo;gelados&raquo; j&aacute; n&atilde;o    &eacute; aplic&aacute;vel &agrave; Abc&aacute;sia e &agrave; Oss&eacute;tia    do Sul. O impasse criado pelas independ&ecirc;ncias factuais das entidades separatistas,    gozando do apoio informal dos russos, face a Tbilissi, j&aacute; n&atilde;o    &eacute; vi&aacute;vel. Ali&aacute;s, o retorno a uma situa&ccedil;&atilde;o    pr&eacute;-conflito n&atilde;o se apresenta como uma op&ccedil;&atilde;o. Pelo    contr&aacute;rio, a perda desses dois territ&oacute;rios pela Ge&oacute;rgia    parece, hoje, irrevers&iacute;vel. Em segundo lugar, a n&iacute;vel sist&eacute;mico,    o Kremlin manifestou o fim da aceita&ccedil;&atilde;o do seu estatuto e papel    na ordem p&oacute;s-bipolar. Essa mudan&ccedil;a &eacute; vis&iacute;vel desde    o in&iacute;cio do segundo mandato do Presidente Putin, em 2004. Assim, podemos    identificar uma linha de continuidade na pol&iacute;tica externa russa desde    ent&atilde;o. Propomos a seguir elementos que nos permitem decifrar a pot&ecirc;ncia    russa hodierna, em compara&ccedil;&atilde;o com a era de Ieltsine.</p>     <p>De modo geral, o sentimento de humilha&ccedil;&atilde;o caracteriza a percep&ccedil;&atilde;o    que os russos t&ecirc;m do seu relacionamento com o Ocidente, at&eacute; &agrave;    primeira lideran&ccedil;a de Putin. A fraqueza russa materializou-se na imposi&ccedil;&atilde;o    de pol&iacute;ticas econ&oacute;micas mal sucedidas. At&eacute; ao final da    d&eacute;cada de 1990, a Federa&ccedil;&atilde;o Russa teve um desempenho negativo    da sua taxa de crescimento e sofreu v&aacute;rias crises econ&oacute;micas e    financeiras. O crash do Ver&atilde;o de 1998 alimentou a frustra&ccedil;&atilde;o    em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; transi&ccedil;&atilde;o ca&oacute;tica que    visava aproximar o pa&iacute;s da economia de mercado, da democracia, e reencontrar    a sua identidade nacional, assim como um lugar de pot&ecirc;ncia mundial. </p>     <p>A humilha&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m foi alimentada pela sua irrelev&acirc;ncia    pol&iacute;tica, sendo incapaz de se opor aos alargamentos da NATO e n&atilde;o    conseguindo atrair os pa&iacute;ses do ex-espa&ccedil;o sovi&eacute;tico para    a sua &oacute;rbita de influ&ecirc;ncia. Nessa mat&eacute;ria, o bombardeamento    da S&eacute;rvia pela Alian&ccedil;a Atl&acirc;ntica em 1999, sem o aval das    Na&ccedil;&otilde;es Unidas, e contra a vontade russa, &eacute; ainda hoje um    paradigma das frustra&ccedil;&otilde;es russas durante esse per&iacute;odo.    Na actualidade, existe na Europa uma equa&ccedil;&atilde;o duradoura em que    a UE &eacute; vista como uma alternativa desej&aacute;vel &agrave; Alian&ccedil;a    Atl&acirc;ntica e a Washington. As op&ccedil;&otilde;es de Moscovo foram limitadas    pela transi&ccedil;&atilde;o sofrida e a aceita&ccedil;&atilde;o da nova ordem    p&oacute;s-bipolar foi n&atilde;o s&oacute; relutante mas tamb&eacute;m transit&oacute;ria.    O status quo no qual o Kremlin orientava as suas pol&iacute;ticas &eacute; agora    posto em cheque em v&aacute;rios dom&iacute;nios<sup>[<a href="#2">2</a>]<a name="top2"></a></sup>.    O aspecto mais vis&iacute;vel &eacute; porventura a recusa da arquitectura europeia    de seguran&ccedil;a, na qual a NATO tem um papel estruturante. O facto de a    UE ter um papel cada vez mais definidor na ordem europeia e apoiar as perspectivas    europeias na &laquo;vizinhan&ccedil;a comum&raquo; tamb&eacute;m afecta Moscovo.    Esse elemento poder&aacute; igualmente alterar a geometria vari&aacute;vel na    qual os russos percepcionam a UE e a NATO, no sentido de reavaliar as suas op&ccedil;&otilde;es    europeias. Isso poder&aacute; implicar uma diminui&ccedil;&atilde;o do interesse    em cooperar com Bruxelas e favorecer uma atitude russa mais isolacionista.</p>     <p>Moscovo &eacute;, hoje, o terceiro maior parceiro comercial da UE, sendo a    Uni&atilde;o o maior parceiro da R&uacute;ssia. Em 2005, a taxa de crescimento    rondava os 6,4 por cento, contra 1,7 por cento para a UE. No mesmo ano, os estados-membros    da UE importavam 32 por cento de crude da R&uacute;ssia e 42 por cento de g&aacute;s.    O pre&ccedil;o do petr&oacute;leo em alta &eacute; um factor transversal que    tem potenciado o crescimento russo mas a descida actual lembra a fragilidade    desse trunfo. Segundo analistas, abaixo dos 70 d&oacute;lares por baril, o or&ccedil;amento    da Federa&ccedil;&atilde;o para 2009 ficar&aacute; desequilibrado. No entanto,    outros indicadores mitigam tamb&eacute;m uma avalia&ccedil;&atilde;o demasiado    positiva da performance econ&oacute;mica. </p>     <p>Os indicadores humanos s&atilde;o, por sua vez, preocupantes. A popula&ccedil;&atilde;o    russa representa 2,2 por cento da popula&ccedil;&atilde;o mundial, contra 11,3    por cento para a UE, e a taxa de fertilidade &eacute; de 1,29 por cento, contra    1,52 por cento na UE. A esperan&ccedil;a de vida para um homem &eacute; de cerca    de 59 anos, contra 76 anos na UE, e a mortalidade infantil atinge valores elevados    superiores a 10 por mil nascimentos, semelhantes &agrave;s taxas romena e b&uacute;lgara.    As causas violentas de morte atingem tamb&eacute;m valores muito mais elevados    do que na UE. As infra-estruturas de transporte precisam de ser desenvolvidas.    Este panorama sucinto evidencia os p&eacute;s de barro do gigante, produtor    de mat&eacute;rias-primas<sup>[<a href="#3">3</a>]<a name="top3"></a></sup>.    As discrep&acirc;ncias de desenvolvimento coexistem com as liga&ccedil;&otilde;es    econ&oacute;micas estreitas com a UE. Nessa mat&eacute;ria, a interdepend&ecirc;ncia    energ&eacute;tica ocupa um lugar de destaque, de facto, e na agenda de coopera&ccedil;&atilde;o    multilateral e bilateral. Em que medida a depend&ecirc;ncia europeia face aos    abastecimentos russos funciona em sentido &uacute;nico?</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A resposta a essa pergunta &eacute; elucidada pelo impacto da actual crise    financeira mundial na empresa Gazprom. As ambi&ccedil;&otilde;es desse gigante    (o maior produtor de g&aacute;s e terceira maior empresa, a n&iacute;vel mundial)    s&atilde;o proporcionais aos seus enormes lucros, sempre em crescimento. No    entanto, as suas necessidades de investimento provocam d&iacute;vidas elevadas<sup>[<a href="#4">4</a><a name="top4"></a>]</sup>.    A crise financeira veio revelar as restri&ccedil;&otilde;es sofridas, uma vez    que a Gazprom necessita de recorrer ao cr&eacute;dito para financiar investimentos.    Existe, de facto, uma grande procura nessa mat&eacute;ria, nomeadamente porque    &eacute; necess&aacute;rio honrar os volumes garantidos aos consumidores e porque    novos campos de explora&ccedil;&atilde;o devem ser desenvolvidos para esse fim.    Tecnicamente, s&atilde;o projectos dif&iacute;ceis porque se situam em zonas    polares ou siberianas. Assim, apesar de a companhia gozar do apoio governamental    e das rendas das exporta&ccedil;&otilde;es, o seu recurso ao cr&eacute;dito    tamb&eacute;m &eacute; reduzido pela crise actual. Compreende-se, desta forma,    o grande interesse russo pelo g&aacute;s azeri e a relev&acirc;ncia estrat&eacute;gica    do C&aacute;ucaso do Sul (juntamente com a &Aacute;sia Central). O recente bra&ccedil;o-de-ferro    entre Moscovo e Kiev acerca do pre&ccedil;o do g&aacute;s e do abastecimento    para a Europa, atrav&eacute;s do gasoduto Druzhba, ilustra outra faceta da rela&ccedil;&atilde;o    energ&eacute;tica com a Federa&ccedil;&atilde;o Russa. Dos locais de extra&ccedil;&atilde;o    aos pa&iacute;ses de tr&acirc;nsito, Moscovo procura reposicionar-se no espa&ccedil;o    eurasi&aacute;tico e utilizar politicamente o trunfo energ&eacute;tico na sua    rela&ccedil;&atilde;o frustrada com a Europa e o ex-espa&ccedil;o sovi&eacute;tico.</p>     <p>Um dos pilares da recupera&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica russa, isto &eacute;,    a constitui&ccedil;&atilde;o da terceira maior reserva mundial de moeda estrangeira,    est&aacute; a fraquejar. Entre Agosto e Outubro de 2008, Moscovo gastou cerca    de 50 bili&otilde;es de euros para defender o rublo<sup>[<a href="#5">5</a>]<a name="top5"></a></sup>.    A reserva tamb&eacute;m diminui porque os russos redireccionam o seu dinheiro    para o estrangeiro pelo receio da crise. Assim, apesar de o Kremlin ter ainda    a capacidade de implementar um plano de salvamento da economia nacional (200    bili&otilde;es de d&oacute;lares), contrariamente &agrave; crise de 1998, e    ainda propor &agrave; Isl&acirc;ndia quatro bili&otilde;es de euros face &agrave;    bancarrota, a sua capacidade de financiamento diminui em fun&ccedil;&atilde;o    da queda do pre&ccedil;o do petr&oacute;leo. De modo geral, a pr&oacute;pria    moderniza&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s &eacute; afectada.</p>     <p>Em rela&ccedil;&atilde;o a um aspecto mais cl&aacute;ssico da pot&ecirc;ncia    russa, isto &eacute;, a sua recupera&ccedil;&atilde;o militar, as opini&otilde;es    n&atilde;o s&atilde;o un&acirc;nimes. Para alguns, nomeadamente para Washington,    os esfor&ccedil;os russos resumem-se a meros actos simb&oacute;licos. Para outros,    como os Pa&iacute;ses B&aacute;lticos ou a Rom&eacute;nia, Moscovo melhora as    suas capacidades nesse dom&iacute;nio. Os efectivos das For&ccedil;as Armadas    s&atilde;o compostos por cerca de um milh&atilde;o de homens (dos quais 80 mil    servem nas for&ccedil;as especiais de dissuas&atilde;o), 20 milh&otilde;es de    reservistas, e cerca de 400 mil paramilitares. Entre 2007 e 2010, o or&ccedil;amento    da Defesa ir&aacute; quase duplicar<sup>[<a href="#6">6</a>]<a name="top6"></a></sup>.    A parada na Pra&ccedil;a Vermelha, a 9 de Maio de 2008, para celebrar o Dia    da Vit&oacute;ria, ilustra a vontade russa de recupera&ccedil;&atilde;o a n&iacute;vel    b&eacute;lico. Pela primeira vez desde 1990, uma demonstra&ccedil;&atilde;o    do seu arsenal estrat&eacute;gico nuclear e armamento pesado, incluindo sobrevoos    de bombardeiros, foi realizada<sup>[<a href="#7">7</a>]</sup><a name="top7"></a>.    Putin enfatizou o potencial militar crescente com vista a defender o seu povo,    o Estado e a prosperidade<sup>[<a href="#8">8</a>]<a name="top8"></a></sup>.    As vozes cr&iacute;ticas dos analistas apontam, no entanto, para os defeitos    deste ressurgimento aparente. O armamento n&atilde;o &eacute; novo mas baseia-se    em tecnologia militar antiga. &Eacute; o caso, por exemplo, do m&iacute;ssil    bal&iacute;stico intercontinental Topol-M. Apesar de a R&uacute;ssia encetar    um catch-up militar, os outros pa&iacute;ses j&aacute; est&atilde;o envolvidos    numa revolu&ccedil;&atilde;o dos assuntos militares<sup>[<a href="#9">9</a>]<a name="top9"></a></sup>,    mais adequada &agrave;s futuras amea&ccedil;as e conflitos.</p>     <p>A lideran&ccedil;a militar russa atravessa uma diminui&ccedil;&atilde;o severa    dos seus efectivos, para al&eacute;m de problemas de corrup&ccedil;&atilde;o<sup>[<a href="#10">10</a>]<a name="top10"></a></sup>.    A recente nomea&ccedil;&atilde;o de um especialista em finan&ccedil;as para    o cargo de ministro da Defesa revela a vontade de sanar o complexo industrial    de defesa. Mais uma vez, a crise financeira mundial diminui as possibilidades    de financiar a moderniza&ccedil;&atilde;o nessa &aacute;rea. O envio do cruzeiro    lan&ccedil;a-m&iacute;sseis Pedro o Grande para efectuar exerc&iacute;cios na    Venezuela durante o Outono de 2008 &eacute; claramente simb&oacute;lico. A decis&atilde;o    &eacute; uma resposta &agrave; presen&ccedil;a de navios norte-americanos no    mar Negro para encaminhar ajuda humanit&aacute;ria aos georgianos em Agosto    de 2008. Parece-nos mais s&eacute;rio o exerc&iacute;cio militar &laquo;Estabilidade    2008&raquo;, o maior desde o colapso da Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica, que tinha    por objectivo simular um ataque a Sul e um ataque da NATO. Isto mostra n&atilde;o    s&oacute; as duas principais amea&ccedil;as identificadas pelos russos, mas    tamb&eacute;m a vontade em manter uma press&atilde;o sobre o ex-espa&ccedil;o    sovi&eacute;tico. Esta situa&ccedil;&atilde;o &eacute;, ali&aacute;s, espelhada    nas atitudes dos pa&iacute;ses b&aacute;lticos que requereram &agrave; NATO    maiores garantias ao abrigo do artigo 5.&ordm; do tratado. Em Outubro, foi aprovada    a ideia de realizar exerc&iacute;cios adicionais com esses pa&iacute;ses para    assegurar o compromisso de defesa colectiva da Alian&ccedil;a, junto dos pa&iacute;ses    vizinhos da R&uacute;ssia<sup>[<a href="#11">11</a><a name="top11"></a>]</sup>.    O contexto motivador desse pedido foi o conflito russo-georgiano do Ver&atilde;o.    Sublinhamos, aqui, que o artigo 5.&ordm;, e o alargamento da sua garantia, provocam    receios m&uacute;tuos e s&atilde;o um elemento recorrente do desentendimento    entre russos e ocidentais.</p>     <p>Duas oposi&ccedil;&otilde;es severas na &aacute;rea da defesa relembram aos    Aliados a necessidade de contar com Moscovo nos seus planos. A primeira oposi&ccedil;&atilde;o    russa visa o projecto de extens&atilde;o do sistema antim&iacute;ssil norte-americano    na Europa. O novo Presidente Obama recebeu um sinal muito claro imediatamente    ap&oacute;s a sua elei&ccedil;&atilde;o: &laquo;Creio que ser&aacute; melhor    para ele saber o que pode esperar da R&uacute;ssia caso essa decis&atilde;o    seja tomada.&raquo;<sup>[<a href="#12">12</a>]</sup><a name="top12"></a> Com    essas palavras &aacute;speras de boas-vindas, o embaixador russo em Bruxelas,    Vladimir Chizhov, relembrou as medidas &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o de    Moscovo, nomeadamente a possibilidade de instala&ccedil;&atilde;o de m&iacute;sseis    russos em Kaliningrado ou, ainda, a recusa de dialogar bilateralmente com Washington    sobre a disputa. A segunda oposi&ccedil;&atilde;o prende-se com o terceiro alargamento    da NATO, desde o fim da Guerra Fria, &agrave; Ucr&acirc;nia e &agrave; Ge&oacute;rgia.    A quest&atilde;o dividiu os Aliados na cimeira de Abril de 2008, tendo sido    poss&iacute;vel encontrar uma posi&ccedil;&atilde;o comum em Dezembro &uacute;ltimo.    Na pr&aacute;tica, o processo de alargamento &eacute; mantido, oferecendo programas    anuais de coopera&ccedil;&atilde;o em alternativa ao Membership Action Plan    (MAP). Simultaneamente, e de forma informal, o Conselho NATO-R&uacute;ssia retomou    as suas reuni&otilde;es, interrompidas pela guerra estival na Ge&oacute;rgia.    Essas decis&otilde;es representam uma mistura de respostas acomodativas, mas    tamb&eacute;m de firmeza, face ao Kremlin. A interpreta&ccedil;&atilde;o desta    dualidade, aparentemente contradit&oacute;ria, reside na considera&ccedil;&atilde;o    de v&aacute;rios factores. Apesar de o secret&aacute;rio-geral da Alian&ccedil;a    reconhecer que n&atilde;o existe alternativa ao engagement com a R&uacute;ssia,    a NATO reiterou simultaneamente o seu apoio ao projecto antim&iacute;ssil de    Washington<sup>[<a href="#13">13</a><a name="top13"></a>]</sup>. O facto de    Moscovo ter suspenso, em final de 2007, a sua vincula&ccedil;&atilde;o ao Tratado    de Redu&ccedil;&atilde;o das For&ccedil;as Convencionais na Europa (CFE) acresce    dificuldades na procura de solu&ccedil;&otilde;es no cap&iacute;tulo do controlo    de armamentos. No teatro afeg&atilde;o, Washington necessita de um maior envolvimento    dos Aliados e dos arranjos com Moscovo, nomeadamente para o acesso ao terreno.    O fundo do problema reside na incompatibilidade de pontos de vista, em que o    Kremlin n&atilde;o reconhece legitimidade &agrave; pr&oacute;pria exist&ecirc;ncia    da NATO, e em que os Aliados nem sequer questionam a sua raison d&#8217;&ecirc;tre<sup>[<a href="#14">14</a>]</sup>.<a name="top14"></a></p>     <p>A n&iacute;vel doutrin&aacute;rio, o conceito de pol&iacute;tica externa formulado    em 2000 foi alterado de forma ad hoc durante a presid&ecirc;ncia de Putin. O    discurso de Munique, em Fevereiro de 2007, &eacute; uma refer&ecirc;ncia nesse    processo. Medvedev adoptou uma linha de continuidade, defendendo a nova postura    mais assertiva do Kremlin e rejeitando o papel da NATO na Europa. No entanto,    a sua postura tem sido, em certa medida, mais ponderada e enfatizou a moderniza&ccedil;&atilde;o    do pa&iacute;s. Em Maio &uacute;ltimo, o seu discurso em Berlim apelou &agrave;    cria&ccedil;&atilde;o de um novo pacto de seguran&ccedil;a europeu, sem no entanto    especificar o modus operandi. Desde ent&atilde;o, o Presidente multiplicou os    discursos onde acusa o unilateralismo norte-americano pela inseguran&ccedil;a    global e pela crise financeira, e sublinha a abertura russa para delinear um    novo quadro legal para um mundo multipolar. No seu discurso de Evian, a 8 de    Outubro, Medvedev sublinhou: &laquo;Hoje, a vis&atilde;o euro-atl&acirc;ntica    precisa de uma agenda positiva. Os acontecimentos no C&aacute;ucaso vieram apenas    confirmar a validade do conceito de uma nova amea&ccedil;a &agrave; seguran&ccedil;a    europeia. Isto dar-nos-&aacute; todas as possibilidades para a constru&ccedil;&atilde;o    de um sistema integrado e s&oacute;lido de seguran&ccedil;a compreensiva.&raquo;<sup>[<a href="#15">15</a>]<a name="top15"></a>    </sup> A 31 de Julho, a R&uacute;ssia adoptou formalmente, por decreto presidencial,    um novo conceito de pol&iacute;tica externa que veio clarificar os sinais de    mudan&ccedil;a percept&iacute;veis anteriormente, e acima mencionados. O conceito    tem por objectivo adaptar a Federa&ccedil;&atilde;o aos seguintes elementos:  </p>     <p> </p>     <p>&laquo;Os desenvolvimentos internacionais no campo das rela&ccedil;&otilde;es    internacionais no in&iacute;cio do s&eacute;culo XXI e o fortalecimento da R&uacute;ssia    requerem uma avalia&ccedil;&atilde;o de toda a situa&ccedil;&atilde;o em torno    da R&uacute;ssia, o repensar das prioridades da pol&iacute;tica externa russa    tendo em conta o aumento do papel do pa&iacute;s dos assuntos internacionais,    das suas grandes responsabilidades nos desenvolvimentos globais e relacionar    as op&ccedil;&otilde;es em participar na implementa&ccedil;&atilde;o de uma    agenda externa, bem como no seu desenvolvimento (it&aacute;licos nossos)<sup>[<a href="#16">16</a>]</sup>.<a name="top16"></a></p>     <p> </p>     <p>A R&uacute;ssia &eacute; um pa&iacute;s de paradoxos e n&atilde;o &eacute;,    portanto, surpreendente existir dificuldade na avalia&ccedil;&atilde;o da sua    pot&ecirc;ncia. &Eacute; necess&aacute;rio contrastar os dois elementos de peso    que conferem &agrave; R&uacute;ssia um papel importante (energia e armamento    nuclear) com os restantes indicadores estat&iacute;sticos, com o pre&ccedil;o    das mat&eacute;rias-primas, e com o impacto da actual crise financeira. Parece-nos,    no entanto, fundamental considerar os elementos acima apresentados &agrave;    luz de uma verdadeira capacidade de influ&ecirc;ncia na cena europeia e global.    A guerra estival no C&aacute;ucaso n&atilde;o afectou as infra-estruturas energ&eacute;ticas    mas modificou a balan&ccedil;a de poder regional. Ao danificar os caminhos-de-ferro,    os russos provocaram uma paragem de um dia e meio na produ&ccedil;&atilde;o    da British Petroleum (BP) a fim de proteger os seus funcion&aacute;rios de um    eventual avan&ccedil;o das tropas russas. Com isso, o Kremlin provou que pode    afectar os fluxos energ&eacute;ticos, mesmo sem danificar os pipelines. Nesse    mesmo per&iacute;odo, o Azerbaij&atilde;o apelou Moscovo para preservar as suas    infra-estruturas na G&eacute;orgia<sup>[<a href="#17">17</a>]</sup><a name="top17"></a>.    No m&iacute;nimo, a R&uacute;ssia conseguiu reafirmar-se como op&ccedil;&atilde;o    para os pa&iacute;ses produtores da zona, alvo de apetites geopol&iacute;ticos    na luta pelos recursos energ&eacute;ticos. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Construir a &laquo;casa comum europeia&raquo; de Gorbachev revelou-se um ideal    algo ing&eacute;nuo no contexto dos anos de 1990, onde os termos comuns eram    de facto impostos a Moscovo pela sua posi&ccedil;&atilde;o de fragilidade. A    nova R&uacute;ssia ainda reivindica a sua perten&ccedil;a europeia e o seu papel    num continente partilhado. A lideran&ccedil;a russa actual representa as vozes    mais pr&oacute;ximas desta ideia. A alternativa pol&iacute;tica &eacute; hoje    mais nacionalista e isolacionista, em compara&ccedil;&atilde;o ao tandem Medvedev-Putin.    No xadrez das rela&ccedil;&otilde;es da R&uacute;ssia com os v&aacute;rios actores    ocidentais, as rela&ccedil;&otilde;es com a UE s&atilde;o aquelas que t&ecirc;m    oferecido menos rupturas e fric&ccedil;&otilde;es. Com Dominique David, afirmamos    que &laquo;apenas os europeus podem impor e organizar o di&aacute;logo necess&aacute;rio    com a R&uacute;ssia. Para tal, ser&aacute; necess&aacute;rio que os europeus    aceitem falar uma &uacute;nica l&iacute;ngua. E, preferencialmente, que seja    um verdadeiro idioma, pr&oacute;prio aos europeus&raquo;<sup>[<a href="#18">18</a>]<a name="top18"></a></sup>,    isto &eacute;, um discurso mais aut&oacute;nomo em rela&ccedil;&atilde;o a Washington.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p></p>     <p></p>     <!-- ref --><p>[<a href="#top1">1</a>] <a name="1"></a>FEDEROVSKI, Vladimir &#8211; Le Roman    de la Russie Insolite. Du Transsib&eacute;rien &agrave; la Volga. Paris: Editions    du Rocher, 2004, p. 203.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000037&pid=S1645-9199200900010000500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>[<a href="#top2">2</a>] <a name="2"></a>Para uma an&aacute;lise da rela&ccedil;&atilde;o    UE-R&uacute;ssia e do papel transversal da NATO, cf. FERNANDES, Sandra Dias    &#8211; Europa (In)Segura. Uni&atilde;o Europeia, R&uacute;ssia, Alian&ccedil;a    Atl&acirc;ntica: A Institucionaliza&ccedil;&atilde;o de Uma Rela&ccedil;&atilde;o    Estrat&eacute;gica. Lisboa: Principia, 2006.</p>     <p>[<a href="#top3">3</a>]<a name="3"></a> Para uma compara&ccedil;&atilde;o estat&iacute;stica    exaustiva entre a UE e a R&uacute;ssia, cf. EUROSTAT AND ROSSTAT &#8211; The    European Union and Russia. Statistical Comparison 1995-2005. Eurostat, Statistical    Books and Rosstat, 2007.</p>     <p>[<a href="#top4">4</a>]<a name="4"></a> FINANCIAL TIMES REPORTERS &#8211; &laquo;Crisis    may hit Gazprom refinancing plans&raquo;. In Financial Times, 22 de Outubro    de 2008.</p>     <p>[<a href="#top5">5</a>]<a name="5"></a> CLOVER, Charles, e BELTON, Catherine    &#8211; &laquo;Moscow moves to ward off attack on rouble&raquo;. In Financial    Times, 21 de Outubro de 2008.</p>     <p>[<a href="#top6">6</a>]<a name="6"></a> LE MONDE &#8211; &laquo;Une institution    en pleine modernization&raquo;. [Consultado em: 16 de Dezembro de 2008]. Dispon&iacute;vel    em: <a href="http://www.lemonde.fr" target="_blank">www.lemonde.fr</a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>[<a href="#top7">7</a>] <a name="7"></a>CHIVERS, C. J. &#8211; &laquo;Russia    parades its military in an echo of Soviet days&raquo;. In The New York Times,    10 de Maio de 2008.</p>     <p>[<a href="#top8">8</a>] <a name="8"></a>&laquo;Russia wants to show to the    world its military &#8216;potential&#8217;, Putin says&raquo;. In P&uacute;blico,    5 de Junho de 2008.</p>     <p>[<a href="#top9">9</a>] <a name="9"></a>GLOTS, Alexander &#8211; &laquo;Potemkin    innovative army&raquo;. In The Moscow Times, 26 de Fevereiro de 2008.</p>     <p>[<a href="#top10">10</a>]<a name="10"></a> SHANKER, Tom &#8211; &laquo;Russia    is striving to modernize its military&raquo;. In The New York Times, 20 de Outubro    de 2008.</p>     <p>[<a href="#top11">11</a>] <a name="11"></a>SHANKER, Tom &#8211; &laquo;U. S.    militray leader stresses NATO defense for Baltics&raquo;. In The New York Times,    23 de Outubro de 2008.</p>     <p>[<a href="#top12">12</a>]<a name="12"></a> &laquo;U. S. shield fail to Sway    Kremlin&raquo;. In The Moscow Times, 13 de Novembro de 2008. Cita&ccedil;&atilde;o    original: &laquo;I believe it is best for him to know what to expect from Russia    in case this decision is taken&raquo;.</p>     <p>[<a href="#top13">13</a>]<a name="13"></a> ERLANGER, Steven &#8211; &laquo;NATO    chief defends opening to Russi.&raquo;. In The New York Times, 4 de Dezembro    de 2008.</p>     <p>[<a href="#top14">14</a>] <a name="14"></a>O secret&aacute;rio-geral da NATO    em fim de exerc&iacute;cio manifesta claramente a vis&atilde;o que salientamos    na nossa an&aacute;lise. Ele considera a actual arquitectura de seguran&ccedil;a    muito satisfat&oacute;ria e equilibrada. Cf. DE HOOP SCHEFFER, Jaap &#8211;    &laquo;Transatalntic leadership for a new era&raquo;. Address presented at the    Security and Defense Agenda, Stanhope Hotel, Brussels, 26 de Janeiro de 2009.</p>     <p>[<a href="#top15">15</a>]<a name="15"></a> Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.kremlin.ru/eng/speeches/2008/10/08/2159_type82912type82914_207457.shtml" target="_blank">http://www.kremlin.ru/eng/speeches/2008/10/08/2159_type82912type82914_207457.shtml</a></p>     <p>[<a href="#top16">16</a>]<a name="16"></a> Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.maximsnews.com/news20080731russiaforeignpolicyconcept10807311601.htm" target="_blank">http://www.maximsnews.com/news20080731russiaforeignpolicyconcept10807311601.htm</a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>[<a href="#top17">17</a>] <a name="17"></a>Entrevista com uma representante    da StatoilHydro, sediada em Baku, Azerbaij&atilde;o (Bruxelas, 29 de Setembro    de 2008).</p>     <p>[<a href="#top18">18</a>] <a name="18"></a>DAVID, Dominique &#8211; &laquo;L&#8217;Europe,    entre folie et Russie.&raquo; In Le Monde, 1 de Outubro de 2008. Traduzido de:    &laquo;Seuls les europ&eacute;ens peuvent imposer et organiser le dialogue n&eacute;cessaire    avec la Russie. Il faudrait pour cela qu&#8217;ils acceptent de parler une seule    langue. Et qu&#8217;elle soit la leur.&raquo;</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><sup><a href="#top0">*</a><a name="0"></a></sup> Docente na Secção de Ciência    Política e Relações Internacionais da Universidade do Minho e investigadora    convidada do Centre for European Policy Studies, em Bruxelas. Doutoranda no    Institut d’Etudes Politiques de Paris (Sciences Po), recebeu o Prémio Jacques    Delors 2005 e é autora de Europa (In)segura. União Europeia, Rússia, Aliança    Atlântica: A Institucionalização de Uma Relação Estratégica (2006).</p>      ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[FEDEROVSKI]]></surname>
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<source><![CDATA[Le Roman de la Russie Insolite.: Du Transsibérien à la Volga.]]></source>
<year>2004</year>
<page-range>203</page-range><publisher-loc><![CDATA[Paris ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Editions du Rocher]]></publisher-name>
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