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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O fenómeno da guerra no nosso século]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The researchers of international relations and strategy have been focused their analysis in the phenomenon of war for so long. We had assisted to a change in the war model, from a clausewitzian model towards an irregular, global, asymmetric and permanent model with an undefined origin. According to this we will design the evolution in the armed conflicts and characterize the main threats to our security, presenting the association between these wars and the war of our century.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>O fen&oacute;meno da guerra no nosso s&eacute;culo</b></p>        <p>Francisco Proen&ccedil;a Garcia<sup><a href="#0">*</a></sup><a name="top0"></a>    <sup><a href="#a">#</a></sup> <a name="topa"></a></p>     <p>&nbsp;</p>        <p></p>     <p>São    inúmeras as questões que têm captado a atenção de várias gerações de estudiosos    das relações internacionais e da estratégia em torno do fenómeno da guerra.    De facto evoluiu-se de um modelo essencialmente <i>clausewitziano</i> para um modelo de guerra irregular, global, assimétrica    e permanente, sem uma origem clara e que pode surgir em qualquer lugar. Iremos   traçar uma evolução das transformações ocorridas nos conflitos armados e caracterizar    as principais ameaças à segurança, procurando mostrar a ligação entre estas    e a guerra no nosso século.</p>     <p><i>Palavras-chave:</i> Carl von Clausewitz, guerra, estratégia, segurança internacional</p>     <p></p>     <p><b>The phenomenon of war    in our century</b></p>     <p>The researchers of international relations and strategy have been focused their    analysis in the phenomenon of war for so long. We had assisted to a change in    the war model, from a <i>clausewitzian</i> model towards an irregular, global,    asymmetric and permanent model with an undefined origin. According to this we    will design the evolution in the armed conflicts and characterize the main threats    to our security, presenting the association between these wars and the war of    our century.</p>     <p><i>Keywords:</i> Carl von Clausewitz, war, strategy, internacional security</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p> </p>       <p>S&atilde;o in&uacute;meras as quest&otilde;es que t&ecirc;m captado a aten&ccedil;&atilde;o      de v&aacute;rias gera&ccedil;&otilde;es de estudiosos das rela&ccedil;&otilde;es      internacionais e da estrat&eacute;gia, como por exemplo:</p>       <p> </p>       <p>&#8226; O que &eacute; e por que raz&atilde;o surge a guerra?</p>       <p>&#8226; Quais s&atilde;o as tipologias da guerra?</p>       <p>&#8226; Como se pode caracterizar a guerra na actualidade?</p>       <p>&#8226; Que modalidades de guerra tender&atilde;o a prevalecer?</p>       <p>&#8226; Qual o posicionamento da entidade Estado como estrutura pol&iacute;tica no      novo contexto internacional?</p>       <p>&#8226; O uso da for&ccedil;a nas rela&ccedil;&otilde;es internacionais ainda &eacute;      &uacute;til? </p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&#8226; Porqu&ecirc;, e por quem &eacute; a seguran&ccedil;a dos estados e das      pessoas amea&ccedil;ada?</p>       <p>&#8226; Que estrat&eacute;gias adoptar para enfrentar essas amea&ccedil;as?</p>       <p> </p>        <p>Procurando encontrar respostas a estas quest&otilde;es, articul&aacute;mos    este artigo em oito cap&iacute;tulos distintos mas inter-relacionados. Ao longo    do texto tra&ccedil;aremos uma perspectiva das transforma&ccedil;&otilde;es    ocorridas nos conflitos armados e caracterizaremos as principais amea&ccedil;as    &agrave; seguran&ccedil;a, procurando mostrar a liga&ccedil;&atilde;o entre    estas e a guerra no nosso s&eacute;culo. Caracterizaremos ainda as guerras de    alta tecnologia, findando com uma abordagem da civiliniza&ccedil;&atilde;o da    actividade militar e o importante papel desempenhado pelas empresas militares    privadas. Esta an&aacute;lise permite-nos, desde logo, verificar a profunda    evolu&ccedil;&atilde;o do fen&oacute;meno da guerra. De facto, evoluiu-se de    um modelo essencialmente clausewitziano para um modelo de guerra irregular,    global, assim&eacute;trica e permanente, sem uma origem clara e que pode surgir    em qualquer lugar.</p>     <p>&nbsp;</p>       <p><b>AS GUERRAS NO NOSSO S&Eacute;CULO &#8211; UMA PERSPECTIVA</b></p>       <p>A conjuntura internacional sofreu profundas altera&ccedil;&otilde;es ap&oacute;s      a queda do Muro de Berlim e sobretudo ap&oacute;s o 11 de Setembro. No actual      sistema internacional caracterizado pela sua complexidade, n&atilde;o linearidade,      imprevisibilidade, heterogeneidade, mutabilidade e dinamismo, a amea&ccedil;a,      que mantinha coordenadas de espa&ccedil;o e de tempo bem definidas, desapareceu,      dando lugar a um per&iacute;odo de anormal instabilidade, com uma ampla s&eacute;rie      de riscos e perigos, uns novos, outros antigos, que apenas subiram na hierarquia      das preocupa&ccedil;&otilde;es dos estados.</p>        <p>A comunidade internacional, habituada a um equil&iacute;brio pelo terror do    holocausto nuclear, foi assim for&ccedil;ada a reconhecer que para al&eacute;m    do Estado existiam outros actores que empregavam a for&ccedil;a como instrumento    nas rela&ccedil;&otilde;es internacionais, situa&ccedil;&atilde;o que apesar    de n&atilde;o ser nova influenciaria decisivamente o fen&oacute;meno da guerra    a partir da &uacute;ltima d&eacute;cada do s&eacute;culo XX.</p>        <p>Hoje a viol&ecirc;ncia global &eacute; assim&eacute;trica e permanente, n&atilde;o    tem uma origem clara e pode surgir em qualquer lugar. Para muitos, trata-se    de uma situa&ccedil;&atilde;o t&iacute;pica do mundo tendencialmente unipolar    do ponto de vista do esfor&ccedil;o militar<sup><a href="#1">1</a></sup>.<a name="top1"></a></p>       <p>A actual conjuntura internacional, onde o papel do Estado soberano est&aacute;      em crise, tamb&eacute;m se caracteriza pela flexibiliza&ccedil;&atilde;o do      conceito de fronteira e pela aceita&ccedil;&atilde;o de situa&ccedil;&otilde;es      de cidadanias m&uacute;ltiplas e de governan&ccedil;a partilhada.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>De uma maneira muito gen&eacute;rica, &eacute; comum classificar as guerras      como regulares ou convencionais e irregulares ou n&atilde;o convencionais.      Como guerras regulares consideramos os conflitos que obedecem ao modelo clausewitziano.      Nesse sentido, nas guerras irregulares ou n&atilde;o convencionais participam      outros e novos actores para al&eacute;m dos definidos por Clausewitz e n&atilde;o      envolvem for&ccedil;as armadas num campo de batalha, nem recorrem a opera&ccedil;&otilde;es      tradicionais no mar e no ar.</p>       <p>As guerras contempor&acirc;neas, acentuadamente depois de 1945, tornaram-se      cada vez menos entre estados e passaram a contemplar outros actores, infra-estatais,      que perseguem m&uacute;ltiplos e diversos objectivos, que obedecem a l&oacute;gicas      e a racionais tamb&eacute;m diferentes, verificando-se uma extrema plasticidade      dos seus actuantes, assemelhando-se muitas vezes a uma luta pela sobreviv&ecirc;ncia,      sem regras, sem objectivos claramente definidos. Os estados podem entrar em      guerra contra uma rede terrorista, uma mil&iacute;cia, um movimento independentista,      um ex&eacute;rcito rebelde ou ainda contra o crime organizado. As guerras      irregulares podem tamb&eacute;m ser travadas entre dois ou mais grupos organizados,      n&atilde;o envolvendo nenhum Estado.</p>        <p>No caso dos pa&iacute;ses menos desenvolvidos, onde s&atilde;o in&uacute;meros    os estados que jamais foram capazes de se afirmar face a outras entidades sociais,    tem-se observado que, no decorrer de confronta&ccedil;&otilde;es violentas,    a distin&ccedil;&atilde;o entre Estado, For&ccedil;as Armadas e popula&ccedil;&atilde;o    come&ccedil;ou a esbater-se antes mesmo de ter sido correctamente estabelecida<sup><a href="#2">2</a></sup>.<a name="top2"></a></p>        <p>Consideramos neste artigo duas aproxima&ccedil;&otilde;es fundamentais para    caracterizar as guerras no nosso s&eacute;culo, sejam elas regulares ou irregulares.    A primeira procura o entendimento de fen&oacute;menos como as &laquo;novas guerras&raquo;    e as &laquo;novas amea&ccedil;as&raquo;, a segunda dedica-se ao estudo das implica&ccedil;&otilde;es    das guerras-espect&aacute;culo, possibilitadas pelas for&ccedil;as da revolu&ccedil;&atilde;o    militar em curso (RMC), que t&ecirc;m por base os enormes avan&ccedil;os da    tecnologia.</p>        <p>Seja qual for a abordagem, existe consenso quanto ao facto de neste s&eacute;culo    as guerras se desenvolverem num mundo assim&eacute;trico, com fortes desequil&iacute;brios    quantitativos e qualitativos e onde surge um novo e discreto instrumento de    interven&ccedil;&atilde;o, as empresas militares privadas (EMP).</p>       <p>Na Hist&oacute;ria existiram as estruturas tribais, as estruturas feudais,      as associa&ccedil;&otilde;es religiosas, os bandos de mercen&aacute;rios ao      servi&ccedil;o de senhores da guerra, e mesmo organiza&ccedil;&otilde;es comerciais.      Muitas destas entidades n&atilde;o eram sequer pol&iacute;ticas nem detentoras      de soberania. N&atilde;o possu&iacute;am governo, for&ccedil;as armadas nem      popula&ccedil;&atilde;o (no sentido actual do termo), mas defrontavam-se em      guerras e campanhas bem organizadas.</p>        <p>O mundo est&aacute; a enfrentar uma situa&ccedil;&atilde;o de neomedievalismo<sup><a href="#3">3</a><a name="top3"></a></sup>,    ou mesmo um eventual regresso ao primitivo, favorecendo o falhan&ccedil;o do    Estado e o crescimento da viol&ecirc;ncia internacional n&atilde;o estatal,    em casos extremos, privatizada<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>,    perdendo o Estado o uso exclusivo da for&ccedil;a.</p>        <p>Passou a haver uma desmilitariza&ccedil;&atilde;o da guerra, no sentido em    que os objectivos civis n&atilde;o se distinguem dos militares e a viol&ecirc;ncia    extrema &eacute; exercida contra n&atilde;o-combatentes e sobre todos os dom&iacute;nios    da vida social<sup><a href="#5">5</a><a name="top5"></a></sup>. Nestas novas    guerras usam-se profusamente crian&ccedil;as-soldados.</p>        <p>No fundo, a viol&ecirc;ncia ascendeu aos extremos a que Clausewitz<sup><a href="#6">6</a><a name="top6"></a></sup>    se referia, e o que separa a guerra da barb&aacute;rie &eacute; a exist&ecirc;ncia    do conceito da honra do guerreiro<sup><a href="#7">7</a></sup>.<a name="top7"></a></p>       <p>Tendo em considera&ccedil;&atilde;o que os actores deste tipo de conflito      s&atilde;o outros, o seu car&aacute;cter teve de evoluir: s&atilde;o guerras      irregulares, estrutural ou temporariamente assim&eacute;tricas, sem frentes,      sem campanhas, sem bases, sem uniformes, sem respeito pelos limites territoriais,      de objectivos fluidos, de combate pr&oacute;ximo, estando os combatentes misturados      com a popula&ccedil;&atilde;o que utilizam como escudo e, se necess&aacute;rio,      como moeda de troca. Os seus pontos fortes est&atilde;o na inova&ccedil;&atilde;o,      na surpresa e na imprevisibilidade, onde os fins justificam os meios, empregando      por vezes o terror; onde o estatuto de neutralidade e a distin&ccedil;&atilde;o      civil/militar desaparecem.</p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Estas guerras de hoje n&atilde;o s&atilde;o apenas mais comuns do que no passado,    mas s&atilde;o tamb&eacute;m estrategicamente mais importantes e desenvolvem-se    em teatros de opera&ccedil;&otilde;es urbanos; s&atilde;o travadas, essencialmente,    em ambiente operacional de cariz subversivo.</p>     <p>&nbsp;</p>       <p><b>A LUTA URBANA</b></p>       <p>A luta urbana n&atilde;o &eacute; uma t&eacute;cnica nova. Assim foi na Am&eacute;rica      Latina, onde no final da d&eacute;cada de 1960, o centro de gravidade da luta      subversiva passou do campo para a cidade, o que rapidamente originou uma nova      doutrina de guerrilha urbana. No Brasil destacaram-se guerrilheiros urbanos      como Carlos Lamarca e Carlos Marighella. Na selva de cimento do Uruguai, os      Tupamaros, na Argentina os Montoneros e no Peru o Sendero Luminoso. As ac&ccedil;&otilde;es      subversivas em ambiente urbano surgiram ainda, entre outros pa&iacute;ses,      na It&aacute;lia (Brigate Rosse), na Alemanha (Baader-Meinhof), em Fran&ccedil;a      (Action Directe) e no Jap&atilde;o (Nihon Sekigun).</p>        <p>Todas desafiaram a integridade pol&iacute;tica e socioecon&oacute;mica dos    seus pa&iacute;ses, criando um clima de instabilidade e de inseguran&ccedil;a    individual e colectiva<sup><a href="#8">8</a><a name="top8"></a></sup>, seguindo    um processo doutrin&aacute;rio comum de tr&ecirc;s fases t&iacute;picas da subvers&atilde;o    urbana: organiza&ccedil;&atilde;o, desordem civil e terrorismo, procurando sempre    a repress&atilde;o violenta do poder<sup><a href="#9">9</a></sup>.<a name="top9"></a></p>       <p>No fundo, o aparelho do Estado devia ser desmoralizado, parcialmente paralisado,      destruindo-se assim o mito da sua invulnerabilidade e ubiquidade.</p>        <p>As popula&ccedil;&otilde;es rurais, motivadas pela fome, pela pobreza e pelas    guerras, refugiam-se ou imigram para os grandes centros urbanos, que crescem    desreguladamente. Essas comunidades migrantes v&atilde;o instalar-se nas favelas,    bairros de lata, das cinturas suburbanas em condi&ccedil;&otilde;es sub-humanas.    Neste ambiente encontram terreno para emergir as mais diversas formas de subvers&atilde;o,    como os gangs de rua<sup><a href="#10">10</a><a name="top10"></a></sup> que    ajustam as suas t&aacute;cticas e estrat&eacute;gias, no bom reconhecimento    de que o centro do poder pol&iacute;tico-econ&oacute;mico-militar est&aacute;    na conurba&ccedil;&atilde;o, que o poder pode e deve ser atacado na sua sede    e n&atilde;o na periferia<sup><a href="#11">11</a></sup>.<a name="top11"></a></p>        <p>Tal como na guerrilha rural, nas selvas de zinco e adobe, os combatentes que    se misturam com a popula&ccedil;&atilde;o com mais facilidade conseguem a cobertura    dos media, mostrando a incapacidade do poder para a proteger<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a>.    Neste pano de fundo, a subvers&atilde;o acaba por controlar uma determinada    &aacute;rea e estabelecer formas alternativas de poder, beneficiando os seus    seguidores com a presta&ccedil;&atilde;o de alguns apoios (incluindo a distribui&ccedil;&atilde;o    de alimentos).</p>        <p>S&atilde;o bons exemplos de subvers&atilde;o urbana as actua&ccedil;&otilde;es    do Primeiro Comando da Capital no Brasil a partir de 2001, os motins urbanos    que ocorreram em Los Angeles em 1992, os movimentos urbanos, como as manifesta&ccedil;&otilde;es    e formas de &laquo;ac&ccedil;&atilde;o directa anti-hegem&oacute;nica&raquo;    da &laquo;esquerda festiva&raquo;, em 1999, em Seattle, e, mais recentemente,    em Paris em Novembro de 2005, ou ainda os levantamentos populares pr&oacute;-democracia    ocidental e liberal na Europa Central e de Leste. Todas estas actua&ccedil;&otilde;es    aproveitaram muito o sensacionalismo dos media.</p>     <p>&nbsp;</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>AS NOVAS AMEA&Ccedil;AS &Agrave; SEGURAN&Ccedil;A E A GUERRA</b></p>       <p>A guerra hoje em dia aparece-nos muito associada &agrave;s novas amea&ccedil;as      transnacionais. Assim devemos antes de mais esclarecer o que hoje se entende      por novas amea&ccedil;as, sabendo-se que reflectem numerosas altera&ccedil;&otilde;es      pol&iacute;ticas, econ&oacute;micas e sociais ocorridas no mundo desde a queda      do Muro de Berlim e sobretudo no p&oacute;s-11 de Setembro de 2001.</p>       <p>Tradicionalmente, uma amea&ccedil;a &eacute; definida como um qualquer acontecimento      ou ac&ccedil;&atilde;o (em curso ou previs&iacute;vel), de variada natureza,      proveniente de uma vontade consciente e inteligente e que impede a consecu&ccedil;&atilde;o      de determinados objectivos; no fundo, o produto de uma capacidade por uma      inten&ccedil;&atilde;o.</p>        <p>Por&eacute;m, este conceito, por n&atilde;o ser suficientemente abrangente,    apresenta hoje dif&iacute;ceis problemas quando procuramos precisar o que compreende;    al&eacute;m do mais, n&atilde;o permite a inclus&atilde;o das consideradas amea&ccedil;as    n&atilde;o tradicionais &agrave; seguran&ccedil;a como &eacute; o caso da sida.    &Eacute; f&aacute;cil observar que esta pandemia n&atilde;o &eacute; uma amea&ccedil;a    na concep&ccedil;&atilde;o cl&aacute;ssica, estruturalmente identific&aacute;vel    num produto de uma capacidade por uma inten&ccedil;&atilde;o. Por outro lado,    tamb&eacute;m n&atilde;o parece poss&iacute;vel entend&ecirc;-la como um risco,    que durante longas d&eacute;cadas se op&ocirc;s ao conceito de amea&ccedil;a,    entendido como ac&ccedil;&atilde;o n&atilde;o directamente intencional e eventualmente    sem car&aacute;cter intrinsecamente hostil<sup><a href="#13">13</a></sup>.<a name="top13"></a></p>        <p>Face &agrave; multiplicidade de conceitos sobre o assunto, neste estudo opt&aacute;mos    por adoptar a defini&ccedil;&atilde;o de amea&ccedil;a transnacional do relat&oacute;rio    das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, A More Secure World: Our Shared Responsability,    que admite uma concep&ccedil;&atilde;o bastante ampla de amea&ccedil;a, encarada    como: &laquo;Qualquer acontecimento ou processo que conduza a mortes em larga    escala ou diminua as condi&ccedil;&otilde;es de vida e ponha em causa o papel    do Estado como a unidade b&aacute;sica do sistema internacional &eacute; uma    amea&ccedil;a &agrave; seguran&ccedil;a nacional [&#8230;].&raquo;<sup><a href="#14">14</a><a name="top14"></a></sup></p>        <p>Nesta ordem de ideias, consideramos como principais amea&ccedil;as relacionadas    com a nova conflitualidade: o fracasso dos estados, o crime organizado transnacional,    o terrorismo transnacional e a pandemia da SIDA.</p>     <p>&nbsp;</p>        <p><b>O FRACASSO DO ESTADO E A SUBVERS&Atilde;O</b></p>       <p>S&atilde;o v&aacute;rios os elementos constitutivos do Estado, como o territ&oacute;rio,      o povo e o poder pol&iacute;tico soberano, competindo-lhe tradicionalmente      garantir a prossecu&ccedil;&atilde;o dos seus fins de seguran&ccedil;a, justi&ccedil;a      e bem-estar social. Na defini&ccedil;&atilde;o tradicional de Jean Bodin,      o Estado &eacute; supremo na ordem interna e independente na ordem externa,      ou seja, decide por si mesmo como ir&aacute; enfrentar os seus problemas internos      e externos, incluindo se quer ou n&atilde;o procurar a assist&ecirc;ncia de      outros e, ao faz&ecirc;-lo, limitar a sua liberdade chegando a compromissos      com eles.</p>       <p>Os conceitos que nos aparecem associados &agrave; defini&ccedil;&atilde;o      de estados fracassados s&atilde;o in&uacute;meros, bem como diversos s&atilde;o      os seus crit&eacute;rios de classifica&ccedil;&atilde;o, sejam eles indicados      por acad&eacute;micos de renome como Fukuyama ou Zartman, ou ainda institucionais      como a usaid e, no caso nacional, o documento &laquo;Nova Vis&atilde;o Estrat&eacute;gica      para a Coopera&ccedil;&atilde;o Portuguesa&raquo;.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Por&eacute;m, entendemos operacionalizar um conceito como instrumento &uacute;til.      Assim, dentro do conceito de Estado fracassado, latu censu, inserem-se tr&ecirc;s      categorias que nos aparecem de uma forma gradativa:</p>       <p> </p>        <p>&#8226; Como &laquo;Estado fraco&raquo; entendemos aquele cujos &oacute;rg&atilde;os    de soberania e as suas institui&ccedil;&otilde;es n&atilde;o conseguem exercer    a sua actividade plena em toda a extens&atilde;o do territ&oacute;rio, s&atilde;o    incapazes de garantir os servi&ccedil;os b&aacute;sicos &agrave; popula&ccedil;&atilde;o    e, perante esta, s&atilde;o tidos como ileg&iacute;timos. Muitos dos que ocupam    ou ocuparam posi&ccedil;&otilde;es de relevo na sua administra&ccedil;&atilde;o,    ou seja, a sua elite pol&iacute;tica, t&ecirc;m uma vis&atilde;o patrimonial    do Estado, transformando-se, no fundo, em gestores de &laquo;um complexo sistema    de rela&ccedil;&otilde;es sociais, que premeia o indiv&iacute;duo em fun&ccedil;&atilde;o    da lealdade, punindo os tidos por des&shy;leais ou por competidores)&raquo;<sup><a href="#15">15</a></sup>.<a name="top15"></a></p>        <p>&#8226; &laquo;Estado falhado&raquo;, e numa escala de insucesso superior,    &eacute; aquele que na ordem interna n&atilde;o tem o monop&oacute;lio da leg&iacute;tima    viol&ecirc;ncia, que Weber<sup><a href="#16">16</a></sup> <a name="top16"></a>nos    falava, ou seja, surgem outras entidades, como mil&iacute;cias, ex&eacute;rcitos    privados ou uma qualquer organiza&ccedil;&atilde;o subversiva, nas suas variadas    tipologias, que competem com o poder formal, por vezes controlando partes significativas    do territ&oacute;rio e da sua popula&ccedil;&atilde;o.</p>        <p>&#8226; O &laquo;Estado colapsado&raquo; aparece-nos no topo desta escala crescente    de inviabilidade do Estado, onde o poder formal simplesmente n&atilde;o existe,    os &oacute;rg&atilde;os de soberania e as institui&ccedil;&otilde;es num determinado    territ&oacute;rio, que no passado j&aacute; possuiu os atributos tradicionais    de um Estado, colapsaram; ou seja, no caos jur&iacute;dico, legislativo e administrativo    prevalece a lei do mais forte, surgindo ou subsistindo diversas formas de organiza&ccedil;&atilde;o    social e comunit&aacute;ria, que possuem capacidade de exercer a for&ccedil;a    e conduzir opera&ccedil;&otilde;es armadas, que competem entre si pelo controlo    de territ&oacute;rio e pelo acesso a recursos, e que controlam e exercem alguma    forma de responsabilidade social sobre as popula&ccedil;&otilde;es residentes.</p>     <p>&nbsp;</p>        <p><b>TIPOLOGIA SUBVERSIVA LUMPEN</b></p>        <p>Os movimentos lumpen s&atilde;o bandos armados ligeiramente organizados, de    estrutura informal e horizontal, que podem emergir e obter sucesso contra um    Estado fraco. A sua energia irradia da rua e n&atilde;o pelo desenvolvimento    intelectual de uma ideologia, a actua&ccedil;&atilde;o armada precede a conceptualiza&ccedil;&atilde;o    dos motivos, em vez de emergir deles, e &eacute; realizada sobretudo em &aacute;reas    rurais. A disciplina assenta na brutalidade extrema, com utiliza&ccedil;&atilde;o    profusa de estupefacientes e de bebidas alco&oacute;licas, onde o apoio da popula&ccedil;&atilde;o    surge pela mera quest&atilde;o de sobreviv&ecirc;ncia, uma vez que os elementos    das unidades lumpen sistematicamente agridem e exploram as popula&ccedil;&otilde;es;    a perten&ccedil;a ao grupo, para al&eacute;m da sobreviv&ecirc;ncia, &eacute;    uma quest&atilde;o de identidade, sendo o recrutamento for&ccedil;ado<sup><a href="#17">17</a></sup>.<a name="top17"></a>    A Frente Unida Revolucion&aacute;ria da Serra Leoa &eacute; um bom exemplo.</p>     <p>&nbsp;</p>       <p><b>TIPOLOGIA SUBVERSIVA ETNOLINGU&Iacute;STICA</b></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A base etnolingu&iacute;stica para a organiza&ccedil;&atilde;o social surge      em locais como a Som&aacute;lia e o Afeganist&atilde;o. A organiza&ccedil;&atilde;o      &eacute; definida pelos la&ccedil;os familiares das estruturas que podem ser      mobilizadas para o conflito em estruturas armadas primitivas e que s&atilde;o      capazes de efectuar pequenas ac&ccedil;&otilde;es, contudo, n&atilde;o um      combate sustentado; s&atilde;o muito id&ecirc;nticas na actua&ccedil;&atilde;o      &agrave;s for&ccedil;as lumpen, lutando sobretudo por recursos e, cada vez      mais, numa perspectiva de enriquecimento. No entanto, as lealdades assentam      na genealogia e a perten&ccedil;a n&atilde;o &eacute; uma op&ccedil;&atilde;o;      uma unidade de combate de um grupo etnolingu&iacute;stico &eacute; organizada      numa estrutura tradicional, onde as decis&otilde;es s&atilde;o delibera&ccedil;&otilde;es      dos mais velhos que desempenham um papel de relevo. A sua perenidade deve-se      &agrave; necessidade individual de sobreviv&ecirc;ncia.</p>        <p>As suas for&ccedil;as s&atilde;o a manifesta&ccedil;&atilde;o da sua cultura    e apresentam poucos vest&iacute;gios de doutrina de insurrei&ccedil;&atilde;o    ou de organiza&ccedil;&atilde;o em estado-maior, e a lideran&ccedil;a &eacute;    indicada pelos membros, de onde lhe adv&eacute;m o ascendente pelos pares e    a boa aceita&ccedil;&atilde;o pelos mais velhos, de quem dependem na angaria&ccedil;&atilde;o    de fundos e recrutamento<sup><a href="#18">18</a></sup>.<a name="top18"></a></p>     <p>&nbsp;</p>       <p><b>TIPOLOGIA SUBVERSIVA POPULAR</b></p>       <p>As for&ccedil;as populares distinguem-se das lumpen e das etnolingu&iacute;sticas      pela sua ideologia mais elaborada e pela proximidade das popula&ccedil;&otilde;es      que apoiam essa ideologia, tendendo para uma organiza&ccedil;&atilde;o armada      mais consolidada. Na forma tradicional, podemos dizer que t&ecirc;m um per&iacute;odo      pr&eacute;-insurreccional e um insurreccional. Surgem de uma organiza&ccedil;&atilde;o      em segredo que pode evoluir e conduzir opera&ccedil;&otilde;es prolongadas      no tempo. A sua estrutura &eacute; celular e tendem a adquirir uma componente      pol&iacute;tica aut&oacute;noma em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; militar.      Um exemplo &eacute; o dos movimentos independentistas, como aqueles que o      poder portugu&ecirc;s enfrentou em &Aacute;frica.</p>        <p>O fracasso do Estado pode e deve ser relacionado com as outras amea&ccedil;as    aqui referidas, pois, n&atilde;o possuindo poder, estes ficam perme&aacute;veis    a que dentro de si germinem e se desenvolvam as mais diversas formas de terrorismo    e de criminalidade organizada. Esta combina&ccedil;&atilde;o pode comprometer    ainda mais a j&aacute; de si fr&aacute;gil exist&ecirc;ncia destes pa&iacute;ses    como realidade pol&iacute;tica.</p>     <p>&nbsp;</p>       <p><b>O TERRORISMO TRANSNACIONAL</b></p>        <p>Nos Estados Unidos o entendimento do fen&oacute;meno do terrorismo ap&oacute;s    o 11 de Setembro de 2001 foi sujeito a revis&atilde;o na sequ&ecirc;ncia do    aparecimento de estrat&eacute;gias de desestabiliza&ccedil;&atilde;o globais    e mais radicais. O seu potencial foi acrescido quer pelo grau de viol&ecirc;ncia,    quer pela capacidade organizativa. Surgiram novas estrat&eacute;gias de recrutamento<sup><a href="#19">19</a><a name="top19"></a></sup>,    e deu-se a privatiza&ccedil;&atilde;o da sua actividade<sup><a href="#20">20</a><a name="top20"></a></sup>.    O fen&oacute;meno sofreu tamb&eacute;m uma altera&ccedil;&atilde;o qualitativa    e pass&aacute;mos a falar do ciberterrorismo, do bioterrorismo, do ecoterrorismo,    do terrorismo qu&iacute;mico e mesmo do nuclear.</p>        <p>O terrorismo transnacional procura atingir os pontos mais cr&iacute;ticos de    converg&ecirc;ncia entre a sociedade e o aparelho do Estado e est&aacute; mais    vocacionado para desgastar o poder que desafia, ou para promover a sua rejei&ccedil;&atilde;o,    do que para o derrubar, procurando for&ccedil;ar um comportamento repressivo,    logo comprometedor, e demonstrar a constrangedora inefic&aacute;cia da preven&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#21">21</a><a name="top21"></a></sup>.    Para al&eacute;m da espectacularidade dos efeitos das suas actua&ccedil;&otilde;es    (concep&ccedil;&atilde;o e execu&ccedil;&atilde;o dos actos materiais em si    mesmos), procura a resson&acirc;ncia publicit&aacute;ria junto da opini&atilde;o    p&uacute;blica, bem como os efeitos psicol&oacute;gicos causados nos alvos.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Hoje, a face vis&iacute;vel do terrorismo transnacional &eacute; bin Laden      e a Al-Qaida, organiza&ccedil;&atilde;o armada de estrutura adaptativa complexa,      que possui inten&ccedil;&otilde;es, objectivos, financiamento e recrutamento      globais e que &eacute; apoiada por vastas camadas populacionais que partilham      a mesma ideologia ou religi&atilde;o.</p>        <p>A Al-Qaida, ou aquilo que ela representa no nosso imagin&aacute;rio, apresenta    uma maleabilidade, uma plasticidade e um oportunismo nas suas liga&ccedil;&otilde;es,    efectuando sempre alian&ccedil;as coerentes mas sobretudo convenientes, juntando    grupos que pretendem a derrota do inimigo long&iacute;nquo, o Ocidente e Israel,    com grupos que apenas pretendem a autonomia local<sup><a href="#22">22</a></sup>.<a name="top22"></a></p>        <p>Ao certo, o que podemos considerar &eacute; que actualmente aquela &laquo;organiza&ccedil;&atilde;o&raquo;    funciona cada vez mais como uma confedera&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#23">23</a></sup><a name="top23"></a>    que congrega um conjunto de redes, com uma dimens&atilde;o e estrutura vari&aacute;veis,    complexas e flex&iacute;veis, que gere e utiliza diversos centros de apoio espalhados    por aproximadamente sessenta pa&iacute;ses<sup><a href="#24">24</a></sup><a name="top24"></a>,    apoiando-se os grupos radicais mutuamente, constatando-se ainda a exist&ecirc;ncia    de uma rede de solidariedade activa que se estende da Tchetch&eacute;nia ao    Sud&atilde;o, passando pelas Filipinas, pela Som&aacute;lia, pela Mal&aacute;sia    e pela Indon&eacute;sia, e igualmente pela Europa, onde possui uma muito elevada    interoperacionalidade em dom&iacute;nios como a recolha de fundos, o recrutamento    e a aquisi&ccedil;&atilde;o de material n&atilde;o letal<sup><a href="#25">25</a></sup>.<a name="top25"></a></p>        <p>Esta estrutura, cuja traject&oacute;ria pol&iacute;tico-operacional &eacute;,    do m&eacute;dio prazo para diante, uma inc&oacute;gnita<sup><a href="#26">26</a></sup><a name="top26"></a>,    parece assim estar a evoluir para uma maior descentraliza&ccedil;&atilde;o,    num conjunto de redes de base regional<sup><a href="#27">27</a></sup><a name="top27"></a>,    formando uma &laquo;rede de redes&raquo;, demonstrando uma capacidade de actua&ccedil;&atilde;o    global, atacando inclusivamente o cora&ccedil;&atilde;o de grandes poderes,    como fez em Nova York, Madrid e Londres, conseguindo sobreviver a intensas contramedidas<sup><a href="#28">28</a><a name="top28"></a></sup>.    A sua capacidade de sobreviv&ecirc;ncia adv&eacute;m-lhe da desterritorializa&ccedil;&atilde;o,    mas em nosso entender vem-lhe sobretudo da sua capacidade de aprendizagem organizacional.</p>       <p>A fim de sustentar o terrorismo e os seus objectivos, a Al-Qaida conseguiu      construir uma complexa teia de apoios e instrumentos pol&iacute;ticos, religiosos      econ&oacute;micos e financeiros.</p>        <p>As principais fontes de apoio s&atilde;o os estados, di&aacute;sporas, guerrilhas    exteriores, refugiados, organiza&ccedil;&otilde;es religiosas e de caridade,    institui&ccedil;&otilde;es banc&aacute;rias, ONG, personalidades com fortuna    pessoal, o Zakat, o Sadaqah, e inclusive grupos de activistas de direitos humanos.    Para angariar fundos, a &laquo;organiza&ccedil;&atilde;o&raquo; mant&eacute;m-se    tamb&eacute;m associada a toda a esp&eacute;cie de actividades ligadas &agrave;s    organiza&ccedil;&otilde;es criminosas transnacionais (OCT).</p>        <p>Os motivos de apoio s&atilde;o variados. Os estados s&atilde;o mais motivados    por quest&otilde;es geopol&iacute;ticas do que por afinidades &eacute;tnicas,    ideol&oacute;gicas, ou religiosas. Em contraste, as di&aacute;sporas apoiam    sobretudo por motivos &eacute;tnicos e os refugiados s&atilde;o normalmente    motivados pelo desejo de regressar a casa e restaurar as suas vidas e da sua    na&ccedil;&atilde;o em determinado territ&oacute;rio<sup><a href="#29">29</a><a name="top29"></a></sup>.    As formas de apoio v&atilde;o do pol&iacute;tico nos fora internacionais e junto    das grandes pot&ecirc;ncias, ao simples encorajamento para a subvers&atilde;o    do poder, passando pelo tradicional apoio financeiro, material, de intelligence,    acabando no santu&aacute;rio, no treino ou mesmo em apoio militar directo.</p>       <p>Como uma organiza&ccedil;&atilde;o que se modifica e adapta constantemente,      procurando novas formas de evitar a detec&ccedil;&atilde;o ou de os seus membros      serem capturados, a Al-Qaida tem procurado a surpresa e a exposi&ccedil;&atilde;o      m&iacute;nima, recrutando operacionais oriundos n&atilde;o s&oacute; de pa&iacute;ses      mu&ccedil;ulmanos mas tamb&eacute;m de pa&iacute;ses como a Gr&atilde;-Bretanha,      a Fran&ccedil;a, a Austr&aacute;lia e os pr&oacute;prios Estados Unidos.</p>       <p>O recrutamento &eacute; efectuado essencialmente de duas formas, as quais      podemos designar por recrutamento directo e recrutamento indirecto.</p>       <p>No recrutamento directo o contacto com os elementos a recrutar &eacute; feito      directamente e incide sobretudo em jovens previamente sondados e persuadidos,      facilmente manipul&aacute;veis, sendo por isso a forma de recrutamento mais      eficaz. O recrutamento indirecto engloba todos os processos utilizados para      integrar novos membros, sem que exista uma abordagem inicial, nem contacto      ou interac&ccedil;&atilde;o directa entre a entidade recrutadora e o elemento      a recrutar. Aqui, a actua&ccedil;&atilde;o cinge-se ao campo das emo&ccedil;&otilde;es,      sendo utilizados os conhecimentos das leis da psicologia, da psicossociologia      a da psicotecnologia para influenciar cren&ccedil;as e sentimentos.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Destes processos os mais conhecidos s&atilde;o a divulga&ccedil;&atilde;o      de cassetes de v&iacute;deo, produzidas por apoiantes de bin Laden, e onde      surgem imagens do pr&oacute;prio, al&eacute;m de propaganda sobre o estado      do mundo mu&ccedil;ulmano, das causas desse estado e a solu&ccedil;&atilde;o      para o mesmo, que n&atilde;o &eacute; sen&atilde;o a &laquo;guerra sagrada&raquo;      contra os infi&eacute;is. Tamb&eacute;m a internet se tornou um novo meio      de recrutamento e treino dos novos elementos, de capta&ccedil;&atilde;o de      fundos e recursos, de divulga&ccedil;&atilde;o e reivindica&ccedil;&atilde;o      das suas ac&ccedil;&otilde;es e de comunica&ccedil;&atilde;o, tudo isto com      facilidade de acesso e a possibilidade de anonimato quase garantida, mesmo      com a intensa vigil&acirc;ncia a que esta rede est&aacute; agora sujeita.</p>        <p>Uma vez que o terrorismo transnacional tem inten&ccedil;&otilde;es, objectivos,    recrutamento e organiza&ccedil;&atilde;o globais, consideramos o fen&oacute;meno    como uma ac&ccedil;&atilde;o subversiva global.</p>     <p>&nbsp;</p>        <p><b>O CRIME ORGANIZADO TRANSNACIONAL</b></p>        <p>As oct possuem objectivos de lucro muito bem definidos, uma capacidade de planea&shy;mento    ao n&iacute;vel estrat&eacute;gico e de condu&ccedil;&atilde;o de conflitos    armados, envolvendo um inimigo ou uma rede de inimigos, socorrendo-se muitas    vezes das mais modernas tecnologias<sup><a href="#30">30</a><a name="top30"></a></sup>,    desenvolvendo a sua actividade pela cria&ccedil;&atilde;o de um ambiente subversivo,    n&atilde;o visando, por norma, a tomada t&eacute;cnica do poder.</p>        <p>Hoje, das diversas actividades a que o crime organizado transnacional se dedica,    o tr&aacute;fico de estupefacientes &eacute; uma das mais rent&aacute;veis.    Com as verbas geradas as oct adquirem um n&iacute;vel de poder que compete com    o dos estados. Exprimem-no pela capacidade de criar diversas formas de instabilidade    nos pa&iacute;ses onde operam, instabilidade de amplo espectro, da social &agrave;    econ&oacute;mica, da pol&iacute;tica &agrave; psicol&oacute;gica. Ao mesmo tempo,    tentam conquistar indirectamente o poder pol&iacute;tico pela corrup&ccedil;&atilde;o    dos seus &oacute;rg&atilde;os de soberania e dos funcion&aacute;rios. Por outro    lado, com a finalidade de intimidar o poder institu&iacute;do de forma a garantirem    completa liberdade de ac&ccedil;&atilde;o nas suas actividades criminosas, certos    grupos, como o Mara Salvatrucha, est&atilde;o dispostos a usar elevados n&iacute;veis    de viol&ecirc;ncia armada<sup><a href="#31">31</a></sup> <a name="top31"></a>e,    tal como j&aacute; acontece na Bol&iacute;via e na Col&ocirc;mbia, chegam a    administrar partes significativas de um determinado territ&oacute;rio, assumindo    para si os fins de seguran&ccedil;a, bem-estar social e por vezes at&eacute;    de administrar a justi&ccedil;a, substituindo-se plenamente ao Estado, colocando    ao mesmo tempo os conceitos tradicionais de soberania e integridade territorial    em causa.</p>       <p>As oct associadas aos conflitos armados que surgem no contexto da globaliza&ccedil;&atilde;o,      tamb&eacute;m t&ecirc;m uma dimens&atilde;o econ&oacute;mica quer na origem,      quer nas consequ&ecirc;ncias. S&atilde;o ainda indivis&iacute;veis do que      &eacute; criminal, que passa para al&eacute;m das fronteiras e envolve &shy;regi&otilde;es      inteiras, misturando numa rede econ&oacute;mica informal o saque e a pilhagem,      o tr&aacute;fico de seres humanos, de armas e narc&oacute;ticos, as contribui&ccedil;&otilde;es      de imigrantes, os &laquo;impostos&raquo; sobre assist&ecirc;ncia humanit&aacute;ria,      tudo a viver da inseguran&ccedil;a, da guerra, carecendo da continua&ccedil;&atilde;o      do conflito.</p>       <p>Foram diversas as organiza&ccedil;&otilde;es revolucion&aacute;rias que criminalizaram      as suas actividades, pondo assim um pouco &agrave; parte a vertente ideol&oacute;gica      do conflito e transformando-se em narcoguerrilhas. Por&eacute;m, este envolvimento,      que inicialmente seria apenas para o financiamento, pode ser depois o pr&oacute;prio      motor da guerra.</p>        <p>A criminaliza&ccedil;&atilde;o pode tamb&eacute;m afectar as for&ccedil;as    armadas que ou se deixam corromper entrando numa l&oacute;gica de enriquecimento    pessoal (narcocorrup&ccedil;&atilde;o), ou ent&atilde;o utilizam os fundos para    financiar as suas actividades. Esta situa&ccedil;&atilde;o acaba por prolongar    os conflitos, uma vez que a elimina&ccedil;&atilde;o das narcoguerrilhas provocaria    tamb&eacute;m o desaparecimento de uma boa fonte de rendimentos dos poderes    institu&iacute;dos<sup><a href="#32">32</a></sup>.<a name="top32"></a></p>     <p>&nbsp;</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>A SIDA</b></p>        <p>A infec&ccedil;&atilde;o por HIV/SIDA representa uma pandemia global, da qual    se conhecem casos em todos os continentes. Desde 1981 j&aacute; provocou a morte    de aproximadamente 22 milh&otilde;es de pessoas, deixando 13 milh&otilde;es    de crian&ccedil;as &oacute;rf&atilde;s, provocou mais baixas do que qualquer    conflito armado ocorrido no s&eacute;culo XX, incluindo qualquer uma das Grandes    Guerras, e a tend&ecirc;ncia &eacute; para o agravar da situa&ccedil;&atilde;o.    Actualmente, h&aacute; cerca de 40 milh&otilde;es de portadores do v&iacute;rus,    ou seja, HIV positivos.</p>       <p>Podemos comparar a sua progress&atilde;o &agrave; das divis&otilde;es Panzer      do general Guderian, com a Blietzkrieg. Simplesmente, agora esta progress&atilde;o      &eacute; profundamente marcada por um car&aacute;cter distintivo e &uacute;nico,      na hist&oacute;ria da humanidade quer pela extens&atilde;o da sua propaga&ccedil;&atilde;o,      quer na morte que consigo transporta. A progress&atilde;o &eacute; cont&iacute;nua,      global, sem escolher ra&ccedil;a nem credo, latitude nem longitude, nem condi&ccedil;&atilde;o      social. O seu poder de destrui&ccedil;&atilde;o estende-se a toda a comunidade.      No epicentro do fen&oacute;meno encontramos o continente africano.</p>        <p>A SIDA afecta o Estado como um todo, corroendo, &agrave; medida que alastra,    as bases da sociedade, o indiv&iacute;duo, a fam&iacute;lia e a pr&oacute;pria    comunidade. A doen&ccedil;a est&aacute; a devastar os postos de trabalho ocupados    pelos membros mais produtivos da sociedade. A sua progress&atilde;o faz-se sentir    nas &aacute;reas governamental, econ&oacute;mica e de desenvolvimento social,    com a agravante de que estes elementos mais produtivos, das classes m&eacute;dia    e alta, dificilmente s&atilde;o substitu&iacute;dos.</p>       <p>O fen&oacute;meno tamb&eacute;m incrementa as necessidades or&ccedil;amentais      e as taxas de apoio social, desencorajando o investimento estrangeiro. A for&ccedil;a      de trabalho fica assim reduzida, o que provoca a queda em flecha dos ganhos,      sobretudo nos pa&iacute;ses mais debilitados ou em desenvolvimento. No final      do s&eacute;culo XX, a Central Intelligence Agency previa que os efeitos desta      pandemia tivessem um impacto na economia africana que conduzisse a uma redu&ccedil;&atilde;o      do PIB em cerca de 20 por cento, apenas numa d&eacute;cada (at&eacute; &agrave;      data, estes dados ainda n&atilde;o foram confirmados). No fundo, o impacto      &eacute; global e funciona como desestabilizador social, securit&aacute;rio      e econ&oacute;mico.</p>        <p>Dos pa&iacute;ses africanos com maior incid&ecirc;ncia de SIDA mais de metade    est&aacute; envolvida em conflitos armados. As estat&iacute;sticas tamb&eacute;m    s&atilde;o claras no que diz respeito aos militares contaminados com o HIV.    S&atilde;o aproximadamente cinco vezes superiores aos civis e em per&iacute;odos    de guerra este valor cresce para cinquenta vezes mais. A situa&ccedil;&atilde;o    &eacute; de tal maneira grave que muitas vezes as for&ccedil;as armadas s&atilde;o    mesmo o principal grupo de contaminados. Trata-se, sem d&uacute;vida, de uma    situa&ccedil;&atilde;o que leva a que, nalguns casos, seja esta a principal    causa de baixas. Al&eacute;m do mais, como a SIDA n&atilde;o escolhe postos,    h&aacute; consequ&ecirc;ncias importantes nas cadeias de comando, na capacidade    das For&ccedil;as e mesmo na sua coes&atilde;o. Os motivos para esta elevada    incid&ecirc;ncia s&atilde;o diversos: desde raz&otilde;es que se prendem com    a idade biol&oacute;gica, ao distanciamento das companheiras(os) sexuais e finalmente    uma cultura do risco instalada em muitas for&ccedil;as armadas pelo mundo fora.</p>       <p>Temos que notar que os comandos em pa&iacute;ses onde a taxa de infec&ccedil;&atilde;o      &eacute; significativa j&aacute; est&atilde;o preocupados com a capacidade      de projec&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;a. O enfraquecimento da institui&ccedil;&atilde;o      militar propicia mecanismos de desestabiliza&ccedil;&atilde;o interna e de      debilidade que aumentam a probabilidade de vir a ocorrer um ataque externo.      Verifica-se que a multiplica&ccedil;&atilde;o de contingentes de militares      infectados com HIV inviabiliza a participa&ccedil;&atilde;o de muitos pa&iacute;ses      em opera&ccedil;&otilde;es de paz.</p>       <p>Deve observar-se, por outro lado, que a SIDA &eacute; crescentemente utilizada      como uma poderosa arma de guerra. Os raptos e os genoc&iacute;dios combinam-se      desde sempre em muitos conflitos. Todavia, o facto relevante &eacute; a sua      associa&ccedil;&atilde;o, recente, ao cont&aacute;gio do v&iacute;rus da SIDA:      &eacute; poss&iacute;vel que a transmiss&atilde;o de SIDA possa corresponder      a uma pr&aacute;tica de genoc&iacute;dio, na medida em que parece estar presente      o elemento de intencionalidade na passagem do v&iacute;rus para a popula&ccedil;&atilde;o.      Ter&aacute; sido isto que se passou no Ruanda e presentemente no Congo, onde      mais de 500 mil mulheres foram desta forma infectadas com SIDA.</p>        <p>Os conflitos armados provocam ainda um mar de refugiados que habitam em campos    onde, normalmente, a mis&eacute;ria &eacute; grande e os cuidados profil&aacute;cticos    decrescem.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>A GUERRA DAS FOR&Ccedil;AS DA REVOLU&Ccedil;&Atilde;O MILITAR EM CURSO</b></p>        <p>As guerras t&iacute;picas das sociedades de terceira vaga t&ecirc;m por base      as for&ccedil;as da RMC e est&atilde;o ligadas sobretudo aos grandes poderes.      Por&eacute;m, as for&ccedil;as da RMC na sua formula&ccedil;&atilde;o mais      profunda est&atilde;o associadas exclusivamente &#8211; actualmente e nos tempos      mais pr&oacute;ximos &#8211; &agrave;s capacidades do poder militar dos Estados      Unidos.</p>        <p>H&aacute; uma tend&ecirc;ncia, que erradamente se generalizou, que caracteriza    as guerras feitas por for&ccedil;as RMC apenas pela alta tecnologia, nomeadamente    a tecnologia ligada &agrave; informa&ccedil;&atilde;o. Na verdade, se apenas    estiverem ligadas &agrave; tecnologia, podemos considerar que s&atilde;o guerras    de for&ccedil;as p&oacute;s-modernas, mas n&atilde;o s&atilde;o RMC. As for&ccedil;as    RMC actuais apresentam as seguintes caracter&iacute;sticas<sup><a href="#33">33</a></sup>:<a name="top33"></a></p>       <p> </p>       <p>&#8226; uso de tecnologia da sociedade da informa&ccedil;&atilde;o;</p>       <p>&#8226; utiliza&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o;</p>       <p>&#8226; novas t&aacute;cticas e composi&ccedil;&atilde;o org&acirc;nica das unidades;</p>        <p>&#8226; necessidade essencial de conter a viol&ecirc;ncia dentro de limites    pol&iacute;ticos, &eacute;ticos e estrat&eacute;gicos aceit&aacute;veis pela    comunidade internacional;</p>       <p>&#8226; papel dos media e da opini&atilde;o p&uacute;blica;</p>       <p>&#8226; civiliniza&ccedil;&atilde;o;</p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&#8226; e sobretudo pelo modelo de organiza&ccedil;&atilde;o das tecnologias    existentes e j&aacute; dispon&iacute;veis mesmo no mercado civil, e a partir    das quais &eacute; poss&iacute;vel criar novas e diferentes capacidades num    sistema de sistemas.</p>       <p> </p>        <p>A ordem de batalha nas guerras centradas e em rede, de alta tecnologia, desenvolve-se    em volta do conceito de &laquo;dom&iacute;nio r&aacute;pido&raquo;, de opera&ccedil;&otilde;es    de reconnaissance, intelligence, surveillance and target aquisition (RISTA)    e dos <sub>4</sub>S (scan, swarm, strike, scatter), com profusa utiliza&ccedil;&atilde;o    de armas inteligentes, de elevada precis&atilde;o, selectivas. O novo campo    de batalha est&aacute; dominado por um sistema de sistemas, com base na command    and control warfare (C<sub>2</sub>W), constituindo uma quinta dimens&atilde;o da guerra,    onde a manobra informacional se sobrep&otilde;e e por vezes substitui a manobra    do terreno.</p>       <p>Face &agrave; esmagadora superioridade tecnol&oacute;gica e a opera&ccedil;&otilde;es      baseadas nos efeitos, as baixas tendem a ser zero, ou a aproximar-se do zero,      pelo menos de um dos lados. O objectivo j&aacute; n&atilde;o &eacute; aniquilar,      mas imobilizar, controlar, alterar e moldar o seu comportamento de forma a      criar um novo ambiente pol&iacute;tico com perdas controladas, mesmo para      o inimigo, evitando reac&ccedil;&otilde;es negativas da opini&atilde;o p&uacute;blica.      &Eacute; por esta raz&atilde;o que Edward Luttwak definiu este fen&oacute;meno      como guerra p&oacute;s-her&oacute;ica; a for&ccedil;a pode ser empregue sem      o risco de perda de vidas.</p>       <p>As novas tecnologias e a digitaliza&ccedil;&atilde;o das unidades ditam novas      doutrinas estrat&eacute;gicas, t&aacute;cticas e organizacionais. A tend&ecirc;ncia      &eacute; para a robotiza&ccedil;&atilde;o do campo de batalha de uma forma      progressiva.</p>        <p>As for&ccedil;as RMC empregam muito a guerra de informa&ccedil;&atilde;o, o    vector moderno da guerra psicol&oacute;gica e da subvers&atilde;o tradicionais<sup><a href="#34">34</a><a name="top34"></a></sup>.    No actual ambiente operacional (e no futuro), o mais importante &eacute; (e    continuar&aacute; previsivelmente a ser) o dom&iacute;nio da informa&ccedil;&atilde;o,    mais precisamente, o acesso, o controlo e o respectivo processamento com o objectivo    de obter a sua transforma&ccedil;&atilde;o em conhecimento e depois partilh&aacute;-lo    em tempo &uacute;til.</p>        <p>Em breve, a psicotecnologia disponibilizar&aacute; novos instrumentos capazes    de influenciar os &laquo;cora&ccedil;&otilde;es e as mentes&raquo;, o que incrementar&aacute;    ainda mais o papel da guerra psicol&oacute;gica e dos guerreiros da informa&ccedil;&atilde;o    que nas suas opera&ccedil;&otilde;es psicol&oacute;gicas e de informa&ccedil;&atilde;o    aprendem a implantar falsas realidades e a induzir movimentos psicoculturais    e pol&iacute;ticos, em prol de determinados interesses nacionais, criando uma    realidade virtual quando a realidade efectiva contradiz os imperativos estrat&eacute;gicos    de momento. No fundo, uma verdadeira guerra de representa&ccedil;&otilde;es,    na express&atilde;o de Alexandre del Valle<sup><a href="#35">35</a></sup>.<a name="top35"></a></p>       <p>Nesta ordem de ideias, um outro elemento a ter em considera&ccedil;&atilde;o      nas guerras da actua&shy;lidade &eacute; a presen&ccedil;a e a actua&ccedil;&atilde;o      dos media. Hoje, estes ajudam os guerreiros da informa&ccedil;&atilde;o a      gerir as diversas percep&ccedil;&otilde;es que as popula&ccedil;&otilde;es      t&ecirc;m da situa&ccedil;&atilde;o. H&aacute; uma realidade percebida/constru&iacute;da,      diferente da realidade efectiva.</p>        <p>Ao n&iacute;vel estrat&eacute;gico a guerra de informa&ccedil;&atilde;o implica    um dom&iacute;nio do ciberespa&ccedil;o, uma vez que os ciberataques n&atilde;o    podem ser descurados, com as suas bombas l&oacute;gicas, v&iacute;rus e cavalos    de Tr&oacute;ia. Esta diferente forma de guerra implica uma pol&iacute;tica    de seguran&ccedil;a e defesa para o ciberespa&ccedil;o, pois este imp&ocirc;s    uma nova dimens&atilde;o geopol&iacute;tica, a do pr&oacute;prio ciberespa&ccedil;o<sup><a href="#36">36</a></sup>.<a name="top36"></a></p>        <p>Nas guerras das for&ccedil;as RMC a supremacia dos meios e sistemas de comunica&ccedil;&otilde;es    &eacute; um factor imperioso. Na maior parte dos casos o espa&ccedil;o tende    a ser entendido como a quarta dimens&atilde;o da guerra. Quem tiver capacidade    para dominar o espa&ccedil;o dominar&aacute; o mundo. Com a coloca&ccedil;&atilde;o    de sistemas de armas de interven&ccedil;&atilde;o global o espa&ccedil;o ser&aacute;    militarizado<sup><a href="#37">37</a><a name="top37"></a></sup>, criando uma    nova forma de dissuas&atilde;o. Estes conceitos implicam um outro, um conceito    geopol&iacute;tico para o espa&ccedil;o.</p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Com a civiliniza&ccedil;&atilde;o a distin&ccedil;&atilde;o entre civil e militar    ficar&aacute; esbatida, uma vez que j&aacute; n&atilde;o s&atilde;o apenas as    for&ccedil;as armadas que entram em combate, mas as comunidades pol&iacute;ticas    que elas servem. Assim, este fen&oacute;meno de interpenetra&ccedil;&atilde;o    &eacute; indicador de um novo tipo de for&ccedil;as armadas. Estas tendem a    ser profissionais, com efectivos substancialmente mais reduzidos, com uma maior    liga&ccedil;&atilde;o aos meios universit&aacute;rios e centros de investiga&ccedil;&atilde;o,    a integrarem mais mulheres e minorias e, em certa medida, tende-se para uma    privatiza&ccedil;&atilde;o da actividade militar<sup><a href="#38">38</a></sup>.<a name="top38"></a></p>        <p>As guerras com for&ccedil;as RMC s&atilde;o tamb&eacute;m guerras distantes.    O poder que est&aacute; na defensiva &eacute; castigado e muito limitado na    sua resposta. Muitas vezes sente-se mesmo impotente<sup><a href="#39">39</a></sup><a name="top39"></a>.    Tamb&eacute;m distante no comando e controlo, onde os media e a informa&ccedil;&atilde;o    sobre a guerra desempenham um papel primordial. Podemos dizer que &eacute;,    em certo sentido, uma guerra subversiva feita pelos grandes poderes na era da    informa&ccedil;&atilde;o.</p>        <p>Nas guerras RMC a dura&ccedil;&atilde;o em termos de uma ac&ccedil;&atilde;o    militar intensa &eacute; muito curta, e &eacute; importante que assim seja,    sobretudo por raz&otilde;es de opini&atilde;o p&uacute;blica e de interesse    pol&iacute;tico<sup><a href="#40">40</a></sup>,<a name="top40"></a> o que n&atilde;o    quer dizer que no per&iacute;odo posterior &agrave; ac&ccedil;&atilde;o militar    decisiva, tipicamente de estabiliza&ccedil;&atilde;o, a presen&ccedil;a militar    n&atilde;o se arraste por v&aacute;rios anos, j&aacute; que actua em ambiente    subversivo.</p>       <p>Ap&oacute;s revisitarmos Clausewitz, consideramos que a sua trindade permanece      em parte v&aacute;lida e actualizada, no sentido em que, apesar de os actores      envolvidos na guerra poderem ser outros, a viol&ecirc;ncia original, a lei      das probabilidades e do acaso, bem como a liga&ccedil;&atilde;o ao fen&oacute;meno      pol&iacute;tico, persistem.</p>       <p>Uma das mais importantes implica&ccedil;&otilde;es desta mudan&ccedil;a qualitativa      do conceito de guerra &eacute; a altera&ccedil;&atilde;o dos la&ccedil;os      funcionais entre o poder pol&iacute;tico e o aparelho militar. A envolvente      pol&iacute;tica perpassa agora verticalmente todos os n&iacute;veis de actua&ccedil;&atilde;o      militar: a estrutura de comando militar nos diversos n&iacute;veis de responsabilidade      preocupa-se principalmente com a actua&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica. Mesmo      ao n&iacute;vel t&aacute;ctico, um comandante de uma pequena for&ccedil;a      desempenha esse papel no seu contacto com a popula&ccedil;&atilde;o e com      as autoridades locais.</p>       <p>As guerras que envolvam a grande pot&ecirc;ncia sozinha ou em coliga&ccedil;&atilde;o,      sejam elas regulares ou irregulares, ser&atilde;o sempre efectuadas por for&ccedil;as      RMC. Na actual guerra no Iraque, a interven&ccedil;&atilde;o da coliga&ccedil;&atilde;o      internacional pautou-se pela superioridade tecnol&oacute;gica, pela supremacia      a&eacute;rea, com dom&iacute;nio do espa&ccedil;o, pelo uso de armas inteligentes      e tamb&eacute;m por uma intensa guerra de informa&ccedil;&atilde;o, num cen&aacute;rio      t&iacute;pico de guerra regular.</p>       <p>A for&ccedil;a RMC da coliga&ccedil;&atilde;o, com combates sucessivos e      assim&eacute;tricos, vergou a vontade de combater iraquiana e a opera&ccedil;&atilde;o      militar foi uma nova Blitzkrieg. Por&eacute;m, ap&oacute;s a ocupa&ccedil;&atilde;o      militar, houve uma transforma&ccedil;&atilde;o da natureza do conflito armado,      deixando de obedecer ao modelo clausewitziano; al&eacute;m dos estados, passou      a envolver outros actores. Conforme a circunst&acirc;ncia, qualificamos os      seus elementos como bandidos, terroristas, guerrilheiros, mercen&aacute;rios      ou mil&iacute;cias. Estes n&atilde;o representam um Estado e n&atilde;o obedecem      a um governo.</p>       <p>As opera&ccedil;&otilde;es militares de estabiliza&ccedil;&atilde;o, apesar      de feitas por for&ccedil;as RMC, fazem-se agora num ambiente de cariz subversivo,      de combate pr&oacute;ximo, onde n&atilde;o existe uma estrat&eacute;gia e      uma t&aacute;ctica bem definidas, sendo os objectivos fluidos, onde a inova&ccedil;&atilde;o      impera e a surpresa/imprevisibilidade s&atilde;o as suas principais caracter&iacute;sticas.      O emprego do terror &eacute; frequente, desaparecendo a distin&ccedil;&atilde;o      civil/militar, estando os combatentes misturados com a popula&ccedil;&atilde;o      que desempenha aqui um papel fundamental de apoio de retaguarda log&iacute;stico,      em informa&ccedil;&otilde;es e ao mesmo tempo como fonte de recrutamento.      Por outro lado, tamb&eacute;m &eacute; o alvo principal e a maior v&iacute;tima.</p>       <p>Em ambientes operacionais destes &eacute; normal a generaliza&ccedil;&atilde;o      da viola&ccedil;&atilde;o do direito aplic&aacute;vel aos conflitos armados      (internacionais e n&atilde;o internacionais), bem como do regime de protec&ccedil;&atilde;o      dos direitos humanos.</p>        <p>No Iraque devemos ter presente a velha premissa de que as guerras de cariz    subversivo n&atilde;o se ganham com ac&ccedil;&atilde;o militar, mas perdem-se    pela inac&ccedil;&atilde;o militar.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>       <p><b>A CIVILINIZA&Ccedil;&Atilde;O E AS EMPRESAS MILITARES PRIVADAS</b></p>        <p>Nesta nova conflitualidade devemos ter em considera&ccedil;&atilde;o o novo    paradigma que surge com a altera&ccedil;&atilde;o significativa na estrutura    das for&ccedil;as armadas e no emergir da civiliniza&ccedil;&atilde;o, onde    assumem grande relev&acirc;ncia as modernas empresas militares privadas (EMP)    que prestam servi&ccedil;os e tarefas de natureza militar.</p>        <p>A privatiza&ccedil;&atilde;o do conflito e o uso de mercen&aacute;rios n&atilde;o    s&atilde;o um fen&oacute;meno novo. Por&eacute;m, hoje o contexto &eacute; substancialmente    diferente e as corporate warriors, na express&atilde;o de Singer<sup><a href="#41">41</a></sup><a name="top41"></a>,    t&ecirc;m um enquadramento jur&iacute;dico distinto dos mercen&aacute;rios tradicionais.</p>       <p>Podemos considerar como elementos de diferencialidade das emp em rela&ccedil;&atilde;o      aos mercen&aacute;rios: a sua estrutura organizacional com directores e accionistas;      serem legalmente registadas, prestarem contas ao fisco e &agrave; seguran&ccedil;a      social; visarem o lucro a longo prazo; operarem em v&aacute;rios teatros e      para v&aacute;rios clientes ao mesmo tempo; ou seja, s&atilde;o organiza&ccedil;&otilde;es      privadas de natureza comercial, cujo objecto &eacute; o fornecimento de um      largo espectro de servi&ccedil;os de natureza militar e de seguran&ccedil;a      a entidades nacionais e n&atilde;o nacionais, apresentando-se assim como alternativa      aos servi&ccedil;os tradicionalmente consagrados &agrave;s for&ccedil;as armadas      dos estados.</p>        <p>As modernas emp emergem a partir de 1967, ano em que foi criada a Watch Guard    International, uma companhia que empregava antigo pessoal do Special Air Service    brit&acirc;nico para treinar militares no exterior. Depois, a partir dos anos    de 1970, destaca-se em &Aacute;frica a Executive Outcomes, com grande envolvimento    nas guerras civis de Angola e da Serra Leoa. Com o esboroar do antigo imp&eacute;rio    sovi&eacute;tico e a sequente redefini&ccedil;&atilde;o dos dispositivos militares,    ficaram dispon&iacute;veis in&uacute;meros homens e material, que com iniciativa    se organizaram e criaram diversas empresas que passaram a estar activas e a    desempenhar um papel diferenciador em zonas de conflito ou de transi&ccedil;&atilde;o,    um pouco por todo o planeta. A partir dos anos de 1990 o termo emp come&ccedil;a    a ser vulgarizado no l&eacute;xico militar.</p>       <p>Com a guerra nos Balc&atilde;s a actividade sofre um grande incremento mas      o grande boom vem com o actual conflito no Iraque. A actua&ccedil;&atilde;o      destas empresas &eacute; hoje global, estando contabilizadas mais de 150 companhias      que funcionam em mais de 50 pa&iacute;ses nos diversos continentes, sendo      no entanto os seus principais teatros de interven&ccedil;&atilde;o o Afeganist&atilde;o      e o Iraque. Neste territ&oacute;rio, onde s&atilde;o o segundo maior contingente      da coliga&ccedil;&atilde;o, estimam-se mais de 45 mil funcion&aacute;rios.    </p>       <p>As emp vendem os seus servi&ccedil;os a multinacionais, ong, organiza&ccedil;&otilde;es      internacionais como as Na&ccedil;&otilde;es Unidas, contando como principais      clientes os estados. Em termos financeiros, e s&oacute; para ficarmos com      uma pequena ideia dos montantes envolvidos, estima-se que o rendimento desta      ind&uacute;stria atinja o valor anual de 202 mil milh&otilde;es de d&oacute;lares      em 2010.</p>        <p>S&atilde;o in&uacute;meras as justifica&ccedil;&otilde;es que levam os estados    a contratar estas empresas. Nos estados considerados fracos, o recurso a este    tipo de empresas prende-se sobretudo com a incapacidade de dar resposta &agrave;s    necessidades b&aacute;sicas de seguran&ccedil;a das popula&ccedil;&otilde;es,    ao passo que no mundo p&oacute;s-moderno esse recurso apresenta-se mais como    uma consequ&ecirc;ncia de considerandos economicistas, sociais e pol&iacute;ticos<sup><a href="#42">42</a></sup>.<a name="top42"></a></p>        <p>O crescimento destas empresas e a diversifica&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os    por si prestados n&atilde;o foi no entanto acompanhado pela regulamenta&ccedil;&atilde;o    internacional espec&iacute;fica. Apesar desta n&atilde;o existir, n&atilde;o    podemos considerar que haja um vazio legal, pois h&aacute; um conjunto de legisla&ccedil;&atilde;o    nacional e internacional que directa ou indirectamente cobre esta actividade.    Normalmente as emp devem operar de acordo com o enquadramento legal do pa&iacute;s    objecto do contrato e a n&iacute;vel internacional lembramos, entre outros,    o direito internacional humanit&aacute;rio e diversa legisla&ccedil;&atilde;o    sobre mercen&aacute;rios. Por&eacute;m equacionam-se v&aacute;rios problemas,    como a aplica&ccedil;&atilde;o directa da legisla&ccedil;&atilde;o sobre mercen&aacute;rios,    e muitas vezes os estados que contratam esta presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os    t&ecirc;m um sistema judicial debilitado, o que os impede de efectuar o controlo    destas empresas. No Iraque, por exemplo, est&atilde;o protegidas contra a responsabilidade    criminal, como foi no caso dram&aacute;tico da pris&atilde;o de Abu Ghraib,    onde os abusos foram cometidos quer por profissionais das emp, quer por militares,    mas apenas os militares foram responsabilizados pelos seus actos.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em Mar&ccedil;o de 2007, os Estados Unidos deram um passo significativo para      contrariar esta situa&ccedil;&atilde;o, tendo sido aprovada legisla&ccedil;&atilde;o      que coloca as emp sob a al&ccedil;ada da lei e dos tribunais militares. Anteriormente,      esta modalidade aplicava-se apenas em situa&ccedil;&otilde;es em que o Congresso      tivesse declarado formalmente guerra; com a altera&ccedil;&atilde;o agora      introduzida, a lei passa a contemplar opera&ccedil;&otilde;es de conting&ecirc;ncia,      onde se incluem as realizadas no Iraque e no Afeganist&atilde;o.</p>        <p>Estas iniciativas s&atilde;o o indicador de esperan&ccedil;a na regulamenta&ccedil;&atilde;o;    no entanto, ficam ainda a faltar os mecanismos de controlo e inspec&ccedil;&atilde;o    a n&iacute;vel internacional, uma vez que enquanto a regulamenta&ccedil;&atilde;o    e fiscaliza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o forem eficientes, receamos que este    tipo de empresas n&atilde;o possam ou n&atilde;o queiram entender, na mira do    lucro, a &laquo;natureza complexa dos interesses nacionais e aceitem participar    num jogo em que a sua posi&ccedil;&atilde;o, sem ser claramente oposta aos interesses    do seu pa&iacute;s, tamb&eacute;m n&atilde;o possa considerar-se favor&aacute;vel&raquo;<sup><a href="#43">43</a><a name="top43"></a></sup>,    subsistindo assim o perigo real de existir um poder militar armado n&atilde;o    residente na legitimidade do Estado.</p>        <p>Esta nova realidade complexa e ainda mal estudada carece de regulamenta&ccedil;&atilde;o    e fiscaliza&ccedil;&atilde;o e merece o nosso acompanhamento, tanto acad&eacute;mico    como de cidad&atilde;os interessados no assunto.</p>     <p>&nbsp;</p>       <p><b>UMA CONCLUS&Atilde;O</b></p>       <p>Apesar das incertezas t&iacute;picas que o futuro nos reserva, a guerra continuar&aacute;      a ser uma quest&atilde;o de poder e, no actual s&eacute;culo, cremos que continuaremos      a assistir a guerras provocadas pela altera&ccedil;&atilde;o de rela&ccedil;&otilde;es      de for&ccedil;as entre actores n&atilde;o estatais e os estados, guerras irregulares      e em ambiente subversivo, sem regras, sem princ&iacute;pios, sem frente ou      retaguarda, onde os objectivos s&atilde;o fluidos, na boa compreens&atilde;o      que a &uacute;nica legitimidade &eacute; a do seu exerc&iacute;cio. Guerras      que no fundo n&atilde;o s&atilde;o t&atilde;o novas assim. Por outro lado,      assistiremos &agrave;s guerras-espect&aacute;culo, t&iacute;picas das sociedades      de terceira vaga e que t&ecirc;m por base as for&ccedil;as RMC, com um novo      tipo de for&ccedil;as armadas, de alta tecnologia, com profusa utiliza&ccedil;&atilde;o      do espa&ccedil;o como a quarta dimens&atilde;o da guerra. Nestas novas guerras      (regulares ou irregulares) emergem ainda as empresas militares privadas, que      acabam por vir enfatizar a utiliza&ccedil;&atilde;o do termo civiliniza&ccedil;&atilde;o.</p>        <p>A &uacute;nica certeza que temos quanto &agrave;s guerras deste s&eacute;culo    que agora se inicia &eacute; que o factor diferen&ccedil;a/surpresa &eacute;    permanente, como permanentes s&atilde;o o fluir da Hist&oacute;ria e a diversidade    dos cen&aacute;rios e dos homens, pelo que a guerra &eacute; uma constante hist&oacute;rica    que persistir&aacute;.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>       <p> </p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>NOTAS</b></p>        <p><a href="#top0">*</a> <a name="0"></a>O presente texto corresponde a uma vers&atilde;o    resumida da li&ccedil;&atilde;o de encerramento apresentada pelo autor nas provas    de agrega&ccedil;&atilde;o em Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais no Instituto    de Estudos Pol&iacute;ticos da Universidade Cat&oacute;lica Portuguesa.</p>     <p>&nbsp;</p>        <!-- ref --><p><a href="#top1">1</a> <a name="1"></a>Telo, Ant&oacute;nio &#8211; &laquo;Reflex&otilde;es    sobre a revolu&ccedil;&atilde;o militar em curso&raquo;. In Na&ccedil;&atilde;o    e Defesa. Vol. 103, 2.&ordf; s&eacute;rie, Outono-Inverno de 2002, pp. 211-249.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000166&pid=S1645-9199200900020000800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><a href="#top2">2</a> <a name="2"></a>Olsen, Gorm &#8211; &laquo;Neo-Medievalism    in Africa: Whither government-to-government relations between Africa and the    European Union&raquo;. In Civil Wars. Vol. 6, N.&ordm; 2, 2003, pp. 94-120.</p>        <p><a href="#top3">3</a><a name="3"></a> Berzins, Chris, e Cullen, Patrick &#8211;    &laquo;Terrorism and neo-medievalism&raquo;. In Civil Wars. Vol. 6, N.&ordm;    2, 2003, pp. 8-32.</p>        <p><a href="#top4">4</a> <a name="4"></a>Kaldor, Mary &#8211; New and Old Wars:    Organized Violence in a Global Era. Stanford University Press, 2001, pp. 91-96.</p>        <p><a href="#top5">5</a><a name="5"></a> Munkler, Herfried &#8211; &laquo;The    wars of the 21st century&raquo;. In IRRC. Vol. 85, N.&ordm; 849, 2003, p. 18.</p>        <p><a href="#top6">6</a><a name="6"></a> Clausewitz, Carl Von &#8211; Da Guerra.    Lisboa: Perspectivas e Realidades, 1976, p. 75.</p>        <p><a href="#top7">7</a> <a name="7"></a>Ignatieff, Michael &#8211; The Warrior&iacute;s    Honor: Etnic War and the Modern Conscience. Londres: Chatto and Windus, 1998,    p. 157.</p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top8">8</a> <a name="8"></a>Manwaring, Max &#8211; Street Gangs:    The New Urban Insurgency. Carlisle: US Army War College, 2005, p. 29.</p>        <p><a href="#top9">9</a> <a name="9"></a>Laqueur, Walter &#8211; Guerrilla. A    Historical and Critical Study. Londres: Westview Press, 1984, p. 377.</p>        <p><a href="#top10">10</a> <a name="10"></a>Manwaring, Max &#8211; Street Gangs:    The New Urban Insurgency.</p>        <p><a href="#top11">11</a><a name="11"></a> Ibidem, p. 344.</p>        <p><a href="#top12">12</a> <a name="12"></a>Taw, Jennifer, e hoffman, Bruce &#8211;    The Urbanization of Insurgency. Santa Monica: Rand Corporation, 2005, p. 15.</p>        <p><a href="#top13">13</a> <a name="13"></a>Nogueira, Jos&eacute; Manuel Freire    (coord.) &#8211; Pensar a Seguran&ccedil;a e Defesa. Lisboa: IDN/ Edi&ccedil;&otilde;es    Cosmos, 2005, p. 73.</p>        <p><a href="#top14">14</a> <a name="14"></a>Na&ccedil;&otilde;es Unidas &#8211;    A More Secure World: Our Shared Responsibility &#8211; Report of the High-level    Panel on Threats, Challenges and Change, 2004, p. 12. Dispon&iacute;vel em:    <a href="http://www.un.org/Pubs/chronicle/2004/issue4/0404p77.html" target="_blank">http://www.un.org/Pubs/chronicle/2004/issue4/0404p77.html</a>.</p>        <p><a href="#top15">15</a> <a name="15"></a>N&oacute;brega, &Aacute;lvaro &#8211;    A Luta pelo Poder na Guin&eacute;-Bissau. Lisboa: Instituto Superior de Ci&ecirc;ncias    Sociais e Pol&iacute;ticas, 2003, p. 181.</p>        <p><a href="#top16">16</a> <a name="16"></a>Cf. Weber, Max &#8211; From Max Weber:    Essays in Sociology. Nova York: Oxford University Press, 1976.</p>        <p><a href="#top17">17</a> <a name="17"></a>Mackinlay, John &#8211; Globalisation    and Insurgency. Adelphi Paper 352. Oxford: Oxford University Press, 2002, pp.    44-54.</p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top18">18</a><a name="18"></a> Ibidem, pp. 54-66.</p>        <p><a href="#top19">19</a> <a name="19"></a>Romana, Heitor &#8211; &laquo;O novo    modelo do terrorismo isl&acirc;mico: desafios &agrave; an&aacute;lise em informa&ccedil;&otilde;es    estrat&eacute;gicas&raquo;. In Moreira, Adriano (coord.) &#8211; Informa&ccedil;&otilde;es    e Seguran&ccedil;a: Livro em Honra do General Pedro Cardoso. Lisboa: Editora    Pref&aacute;cio, 2004, p. 258.</p>        <p><a href="#top20">20</a><a name="20"></a> Singer, Peter &#8211; Corporate Warriors    &#8211; The Rise of the Privatized Military Industry. Nova York: Cornell University    Press, 2003, p. 52.</p>        <p><a href="#top21">21</a><a name="21"></a> Monteiro, Amaro &#8211; &laquo;Sobre    a distin&ccedil;&atilde;o entre guerrilha e terrorismo&raquo;. Comunica&ccedil;&atilde;o    apresentada no &acirc;mbito do semin&aacute;rio &laquo;Terrorismo: O Combate    Nacional e Transnacional&raquo;, realizado no Convento da Arr&aacute;bida, 4    e 5 de Julho de 2002.</p>        <p><a href="#top22">22</a> <a name="22"></a>Zuhur, Sharifa &#8211; A Hundred Osamas:    Islamist Threats and the Future of Counter-Insurgency. Carlisle: Strategic Studies    Institute, 2005, p. 10.</p>        <p><a href="#top23">23</a><a name="23"></a> Brissard, J. C. &#8211; Terrorism    Financing. Nova York: United Nations, 2002, p. 7.</p>        <p><a href="#top24">24</a><a name="24"></a> Phillips, James &#8211; The Evolving    al Qaeda Threat. Washington: The Heritage Foundation, 2006, p. 1.</p>        <p><a href="#top25">25</a> <a name="25"></a>Romana, Heitor &#8211; &laquo;O novo    modelo do terrorismo isl&acirc;mico: desafios &agrave; an&aacute;lise em informa&ccedil;&otilde;es    estrat&eacute;gicas&raquo;, p. 260.</p>        <p><a href="#top26">26</a> <a name="26"></a>Boniface, Pascal &#8211; Guerras do    Amanh&atilde;. Lisboa: Editorial Inqu&eacute;rito, 2002, p. 20.</p>        <p><a href="#top27">27</a> <a name="27"></a>Singer, Peter &#8211; &laquo;The war    on terrorism: the big picture&raquo;. In Parameters. Carlisle: U.S. Army War    College, Ver&atilde;o de 2004, p. 145.</p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top28">28</a> <a name="28"></a>Mackinlay, John &#8211; Globalisation    and Insurgency. Adelphi Paper 352. Oxford: Oxford University Press, 2002, p.    79.</p>        <p><a href="#top29">29</a> <a name="29"></a>Byman, Daniel (et al.) &#8211; Trends    in Outside Support for Insurgent Movements. Santa Monica: Rand Corporation,    2001, p. 55.</p>        <!-- ref --><p><a href="#top30">30</a><a name="30"></a> Metz, Steven &#8211; Armed Conflict    in the 21st Century: The Information Revolution and Post-Modern Warfare. Carlisle:    US Army War College, 2000, pp. 56 e 57; Carri&ccedil;o, Manuel &#8211; &laquo;Os    novos desafios pol&iacute;tico-militares dos conflitos assim&eacute;tricos&raquo;.    In Revista Militar. N.&ordm; 8-9, Agosto-Setembro de 2002, p. 622.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000195&pid=S1645-9199200900020000800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><a href="#top31">31</a> <a name="31"></a>Santos, Loureiro dos &#8211; Convuls&otilde;es    &#8211; Ano III da Guerra ao Terrorismo. Lisboa: Europa-Am&eacute;rica, 2004,    pp. 91 e 92.</p>        <p><a href="#top32">32</a><a name="32"></a> Labrousse, Alain &#8211; &laquo;Territoires    et r&eacute;seaux: l'exemple de la drogue&raquo;. In Jean, -Fran&ccedil;ois,    e Rufin, Jean-Christophe (coord.) &#8211; Economies des Guerres Civiles. Paris:    Hachette, 1996, pp. 467- 494.</p>        <p><a href="#top33">33</a> <a name="33"></a>Garcia, Francisco Proen&ccedil;a &#8211;    &laquo;A transforma&ccedil;&atilde;o dos conflitos armados e as for&ccedil;as    da revolu&ccedil;&atilde;o nos assuntos militares&raquo;. In Revista Militar.    Lisboa: Novembro de 2005, pp. 1299-1307; Telo, Ant&oacute;nio &#8211; &laquo;Reflex&otilde;es    sobre a revolu&ccedil;&atilde;o militar em curso&raquo;.</p>        <p><a href="#top34">34</a><a name="34"></a> Valle, Alexandre del &#8211; Guerras    contra a Europa: B&oacute;snia, Kosovo, Chechenia. Lisboa: Hugin, 2001, p. 208.</p>        <p><a href="#top35">35</a><a name="35"></a> Ibidem.</p>        <p><a href="#top36">36</a> <a name="36"></a>Adams, James &#8211; The Next World    War: The Warriors and Weapons of the New Battlefields in Cyberspace. Londres:    Hutchinson, 1993.</p>        <p><a href="#top37">37</a> <a name="37"></a>Boniface, Pascal &#8211; Guerras do    Amanh&atilde;, p. 122.</p>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top38">38</a> <a name="38"></a>Moskos, Charles, C., Williams, John    Allen, e Segal, David &#8211; The Post-Modern Military: Armed Forces after the    Cold War. Nova York: Oxford University Press, 2000.</p>        <p><a href="#top39">39</a> <a name="39"></a>Telo, Ant&oacute;nio &#8211; &laquo;Reflex&otilde;es    sobre a revolu&ccedil;&atilde;o militar em curso&raquo;, p. 222.</p>        <p><a href="#top40">40</a> <a name="40"></a>Ibidem, p. 227.</p>        <p><a href="#top41">41</a> <a name="41"></a>Singer, Peter &#8211; Corporate Warriors    &#8211; The Rise of the Privatized Military Industry. Nova York: Cornell University    Press, 2003.</p>        <!-- ref --><p><a href="#top42">42</a> <a name="42"></a>O&iacute;brien, Kevin &#8211; Leash    the Dogs of War. Santa Monica: Rand Corporation, 2002. [Consultado em: 5 de    Junho de 2006]. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.rand.org/commentary/022002FT.html" target="_blank">http://www.rand.org/commentary/022002FT.html</a>;    Vaz, Mira &#8211; &laquo;As empresas militares privadas vieram para ficar?&raquo;.    In Revista Militar. Agosto-Setembro de 2005, pp. 819-833.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000207&pid=S1645-9199200900020000800003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><a href="#top43">43</a><a name="43"></a> Vaz, Mira &#8211; &laquo;As empresas    militares privadas vieram para ficar?&raquo;.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#topa">#</a> <a name="a"></a>Tenente-coronel. Conselheiro militar    na Delega&ccedil;&atilde;o Portuguesa junto da NATO.</p>      ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[Telo]]></surname>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Reflexões sobre a revolução militar em curso]]></article-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Os novos desafios político-militares dos conflitos assimétricos]]></article-title>
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