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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A Primavera dos Povos de 1989: A transformação dos princípios fundamentais da política externa polaca]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[To examine the international situation of the second half of the eighties as a factor impacting changes in Poland we must consider three developments: US President Ronald Reagan's policies, the internal breakdown of the communist system together with Soviet leader Mikhail Gorbachev's attempts to halt this breakdown through reforms, and the Conference on Security and Cooperation in Europe. Both an omen and a symptom of world communism's crisis was the rise of Solidarity. Poland's battle to regain full sovereignty had yielded a result that would have been unthinkable just three to four years earlier, on the eve of the Central European Spring of Nations of 1989.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>A Primavera dos Povos de 1989</b></p>      <p><b>A transformação dos princípios fundamentais da política externa polaca</b></p>      <p><b>Roman Kuz´niar <a href="#a1">*</a><a name="topa1"></a></b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p>Para analisar o impacto da situação internacional da segunda metade dos anos 1980 nas transformações ocorridas na Polónia devemos  considerar três acontecimentos: as políticas do Presidente americano Ronald Reagan; o colapso interno do sistema comunista juntamente com as  tentativas do líder soviético Mikhail Gorbachev para o travar; assim como a Conferência de Segurança e Cooperação Europeia. Ao mesmo tempo, a  ascensão do movimento Solidariedade representou um prenúncio e um sintoma da crise mundial do comunismo. Deste modo, a batalha da Polónia  para recuperar a plena soberania alcançou resultados que seriam impensáveis apenas três ou quatro anos antes, nas vésperas da Primavera dos Povos  da Europa Central de 1989.</p>      <p><i>Palavras-chave:</i> Polónia, política externa, movimento Solidariedade, comunismo </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>The 1989 Spring of Nations: transforming the basics of Polish foreign policy</b></p>      <p>To examine the international situation of the second half of the eighties as a factor impacting changes in Poland we must consider  three developments: US President Ronald Reagan's policies, the internal breakdown of the communist system together with Soviet leader  Mikhail Gorbachev's attempts to halt this breakdown through reforms, and the Conference on Security and Cooperation in Europe. Both an  omen and a symptom of world communism's crisis was the rise of Solidarity. Poland's battle to regain full sovereignty had yielded a result that  would have been unthinkable just three to four years earlier, on the eve of the Central European Spring of Nations of 1989.</p>      <p><i>Keywords:</i> Poland, foreign policy, Solidarity movement, communism</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p><i>Os acontecimentos de 1989, que viriam a ter profundas repercussões, não    resultaram apenas da acção isolada de Gorbachev. Foi necessário um fenómeno    a que eu chamaria «tornar possível o impossível». O tipo de fenómeno que os    profissionais da </i>Realpolitik<i> &#8211; incluindo os da Europa de Leste    da altura &#8211; raramente conseguem antever.</i><sup><a href="#1">1</a><a name="top1"></a></sup></p>       <p align="right"><b>Tadeusz Mazowiecki</b></p>       <p>Para demonstrar de que modo as alterações internacionais estabeleceram as condições que permitiram uma transformação interna na Polónia e  tornaram possíveis os primeiros passos da nova Polónia na cena política internacional, este artigo começa com uma breve revisão das alterações no sistema  internacional.</p>     <p>Para analisar a situação internacional da segunda metade da década de 1980 como um factor de mudança na Polónia há que ter em conta  três aspectos: a linha política do Presidente norte-americano Ronald Reagan; a derrocada interna do sistema comunista, em conjunto com os esforços  do líder soviético, Mikhail Gorbachev, para travar a queda do regime através da introdução de reformas; e a Conferência de Segurança e Cooperação  Europeia (CSCE).</p>     <p>Tendo sido o primeiro presidente dos Estados Unidos a defender a derrota do    comunismo em vez da coexistência entre os dois sistemas, Reagan optou precisamente    por uma estratégia política que visava provocar a queda do bloco comunista.    E, como se viria a verificar, conseguiu transformar os seus objectivos em realidade.    Tal como nos mostram os relatórios da CIA, no início dos anos 1980 o sistema    comunista entrou em crise estrutural e em ruptura sistemática. A escolha da    estratégia adequada poderia contribuir para acelerar o seu colapso. De facto,    foi essa a estratégia seguida pelos Estados Unidos, e as suas consequências    surgiram com uma rapidez inesperada<sup><a href="#2">2</a><a name="top2"></a></sup>.    Com efeito, no final dos anos 1980 os Estados Unidos já se preocupavam em abrandar    o ritmo da queda do bloco comunista (incluindo a manutenção da estabilidade    da URSS) de modo a evitar que as convulsões da morte do regime afectassem a    segurança do bloco ocidental. A estratégia ofensiva dos Estados Unidos consistia,    por um lado, numa reacção à expansão do Bloco de Leste que se verificara nos    anos 1970 - a qual, na verdade, foi o seu canto do cisne - e, por outro, numa    tentativa de tirar partido das fragilidades que o sistema começava a revelar    no início da década de 1980.</p>     <p>Ao mesmo tempo, na Polónia, a ascensão do movimento Solidariedade representava  um prenúncio e um sintoma da crise mundial do comunismo, tal como a resposta das  autoridades comunistas polacas, que entenderem que a única forma de travar a revolta  (<i>nacional</i>, diria eu) dos operários era o recurso à força, materializado na declaração  da lei marcial em 1981.</p>      <p>Quando os comunistas fazem uso da força contra os operários  perdem toda a legitimidade. Mas não se tratou de um fenómeno exclusivamente polaco.  Influenciados pelos acontecimentos na Polónia e pelas crescentes falhas do sistema  comunista, outros começaram a procurar saídas para a crise. Uma das respostas  foi o conjunto de reformas soviéticas iniciadas por Gorbachev (a <i>perestroika</i> e  a <i>glasnost</i>), que outros estados comunistas interpretaram como um sinal. Mas -  à semelhança do que haviam previsto críticos como Zbigniew Brzezinski e Samuel  P. Huntington - acabou por se chegar à conclusão de que, na sua essência, o sistema  comunista era irreformável. Na verdade, as reformas que visavam romper com a estagnação  não faziam mais do que precipitar o seu fim. E, com efeito, a queda do sistema  comunista coincidiu com o crescimento da autonomia, que daria luga à independência,  dos estados que haviam pertencido à esfera de influência soviética.</p>      <p>Devemos ainda  ter em consideração um outro factor. O final da Guerra Fria não foi apenas moldado  pela política estratégica de Reagan em conjunto com a crise estrutural do comunismo.  Igualmente essencial foi o apoio demonstrado pelo Ocidente em relação à liberalização  do sistema comunista. Até certo ponto, os parceiros do Ocidente neste processo  eram um conjunto de líderes comunistas que desejavam uma reforma do sistema. Mas  mais importante do que isso foi a oposição democrática que começou a emergir em  meados dos anos 1970 no seio de alguns estados comunistas (os primeiros grupos  da oposição anticomunista não tinham qualquer apoio por parte do Ocidente).</p>      <p>O processo da CSCE veio criar as condições que possibilitaram tudo isso. Da    conferência resultaram os Acordos de Helsínquia, assinados pelos líderes ocidentais    e do Leste da Europa. Os acordos obrigavam os seus signatários a respeitar os    direitos humanos, o que permitia a ligação dessa vertente com outras esferas    das relações entre estados, incluindo as questões económicas e de segurança.    Os princípios da Acta Final abriam a possibilidade de os estados ocidentais    usarem o comércio e as políticas de empréstimos para exercer pressão sobre os    governos comunistas. Esses princípios também acabaram por lançar as bases da    legitimação das actividades da oposição democrática. Questões de direitos humanos,    liberdades fundamentais e a autodeterminação nacional eram o tópico primordial    de debate e de negociação durante a CSCE. No decorrer das negociações os estados    comunistas aperceberam-se de que se não fizessem concessões naquelas áreas ver-se-iam    isolados e privados do apoio ocidental para as suas reformas económicas<sup><a href="#3">3</a><a name="top3"></a></sup>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Como hoje sabemos, o resultado cumulativo destes processos foi a derrocada    espantosamente rápida, embora relativamente pacífica, do comunismo, primeiro    nos países da Europa Central (1989) e pouco depois na União Soviética (1991).    Esses acontecimentos na Europa Central receberam a designação de "Primavera    dos Povos", embora, erradamente, alguns autores polacos lhe chamem o "Outono    dos Povos". Trata-se aqui de uma "primavera" metafórica (à semelhança do que    aconteceu com a original Primavera dos Povos, em 1848, que na verdade teve início    em Fevereiro), uma Primavera que consistia na independência renovada das nações    daquela região<sup><a href="#4">4</a><a name="top4"></a></sup>. De facto, a    Primavera de 1989 começou em Abril, com o acordo da Mesa-Redonda polaca, um    enorme triunfo para a oposição democrática, tendo dado origem a eleições parlamentares    parcialmente livres, cujos resultados foram um golpe esmagador para o Partido    Comunista no Governo.</p>      <p>A aceitação destes resultados por parte de Moscovo, inclusive com a formação    de um governo sob a liderança do não comunista Tadeusz Mazowiecki, representou    um sinal para o resto da região. Na sequência disto os eventos deram-se a uma    velocidade assombrosa. Em Novembro, a incapacidade de deter a vaga de refugiados    oriundos da Alemanha de Leste, que entravam na Alemanha Ocidental através da    Hungria e da Polónia, levaria à queda do Muro de Berlim. Ao mesmo tempo a Checoslováquia    vivia a sua Revolução de Veludo, enquanto a Hungria passava por mudanças semelhantes.    O derradeiro evento deste processo - que ganhou notoriedade devido ao derramamento    de sangue - foi o derrube da ditadura de Ceausescu na Roménia (com o ditador    e a sua mulher executados à margem da lei, tal como eles próprios tinham governado)    no final de Dezembro de 1989. E desta forma a chamada "comunidade de estados    socialistas" praticamente deixou de existir<sup><a href="#5">5</a><a name="top5"></a></sup>.</p>      <p>No entanto, enquanto a União Soviética se mantivesse  de pé, as mudanças na Europa Central não estavam garantidas; a independência destes  países era ameaçada pela existência da hegemonia do antigo bloco. Importa recordar  que o domínio de Moscovo sobre estas nações a partir de 1945 tinha motivos ideológicos  (os imperativos do comunismo), mas também geopolíticos, resultantes da <i>Realpolitik</i>  imperial da Rússia soviética.</p>      <p>Ora, os sinais vindos de Moscovo ao longo dos três  anos após 1989 eram muito inconsistentes e, na maioria dos casos, acentuavam a  incerteza relativamente à verdadeira posição da União Soviética perante a Primavera  dos Povos que se ia desenrolando do lado de fora das suas fronteiras. O <i>putsch</i>  falhado em Agosto de 1991, que pretendia travar a desintegração da União Soviética,  demonstrava que havia forças na Rússia que não aceitavam o colapso do comunismo  e a desintegração do bloco. Mas as forças centrípetas mostraram-se mais fortes.  A 12 de Dezembro de 1991, os líderes da Rússia, da Ucrânia e da Bielorrússia confirmaram  a desagregação da URSS. Isto não significava que Moscovo passava a renunciar às  suas ambições hegemónicas na região, mas deu à Polónia a margem de manobra que  lhe permitiria proceder a mudanças internas e pôr em marcha uma revisão integral  da sua política externa. Um elemento importante desta situação que teve um desenrolar  acelerado (em especial desde o ponto de vista polaco, mas que também dizia respeito  aos soviéticos) foi a reunificação da Alemanha. Os alemães queriam assegurar o  êxito desta dificílima empresa, e por isso procuraram evitar quaisquer acções  que pudessem incomodar Moscovo, para que não lhes levantassem obstáculos. Por  si só a reunificação da Alemanha vinha criar uma nova realidade geopolítica na  Europa - o que representava um importante desafio para muitos países, incluindo  a Polónia. A reunificação alemã tornou premente o estabelecimento de novas estruturas  de tratados, e, no caso da Polónia, trouxe a lume a necessidade da confirmação  da fronteira comum aos dois estados. Alguns países ocidentais assumiram posturas  muito cautelosas a respeito destas mudanças - especialmente a França, que deixou  claro que os seus interesses se centravam na manutenção da ordem internacional  preexistente, incluindo a ordem no seio da Europa, e não demonstrou qualquer entusiasmo  acerca das consequências geopolíticas da Primavera dos Povos de 1989. Tal como  o historiador polaco Andrzej Paczkowski comentou,</p>      <blockquote>       <p>"Há momentos na história em que o Espírito começa a soprar como quer&#8230;      Algo parecido aconteceu na Europa em 1989. O ímpeto polaco mostrou-se decisivo      contra as fraquezas militares do império e o crescente abandono da ideologia      marxista-leninista&#8230; Teve, então, início um longo período - que ainda      perdura - de Desconhecido, de conflitos sociais, que chegaram a um impasse,      de batalhas ou de disputas étnicas, que caíram, podres, da arca congeladora      comunista, onde tinham repousado durante décadas num estado de hibernação.      O fim de uma história tornou-se o início de uma nova história."<sup><a href="#6">6</a><a name="top6"></a></sup></p> </blockquote>     <p><b>O INÍCIO DAS TRANSFORMAÇÕES POLÍTICAS NA POLÓNIA</b></p>       <p>A era final da República Popular  da Polónia foi caracterizada pela estagnação económica, que resultou numa ruptura  do Estado, na apatia social, e na insatisfação assente num sentimento de falta  de esperança. O sistema comunista tinha perdido os seus últimos vestígios de legitimidade  em 1980-1981, durante a revolução do Solidariedade e com a lei marcial que o esmagaria.  O elemento de novidade foi o facto de os líderes comunistas polacos terem a permissão  por parte de Moscovo para encontrarem o seu próprio caminho para saírem do impasse  estrutural em que se encontravam. A existência de uma oposição democrática forte  na Polónia, que tinha sobrevivido às perseguições do início dos anos 1980 e que  conseguiria reconstruir a sua organização no final da década, proporcionou aos  governantes uma solução potencial para a crise: o diálogo com a oposição. A estratégia  dos governantes era cooptar parte da oposição, recorrendo a concessões políticas  cuidadosamente escolhidas, de modo a partilhar com ela a responsabilidade da governação  do país. Dessa forma, aqueles recuperariam para si alguma legitimidade política.  Contudo, a oposição não estava interessada em participar na governação do país,  mas sim na reforma do sistema (na verdade, naquela altura o derrube do sistema  ainda parecia uma impossibilidade).</p>      <p>Os primeiros contactos preliminares com os  líderes do Solidariedade tiveram lugar no Verão de 1988. Nas primeiras conversações  a Igreja Católica desempenhou um papel importante: estas conversações não teriam  sido possíveis sem o envolvimento da Igreja a servir de mediador e garante da  integridade dos participantes. O primeiro reflexo público das negociações entre  as autoridades e a oposição representada pelo Solidariedade foi uma aparição televisiva  de Lech Walesa, presidente do então ilegal sindicato Solidariedade, juntamente  com o presidente do sindicato oficialmente sancionado, em Dezembro de 1988. O  seu debate perante a audiência polaca resultou numa vitória retumbante para o  vencedor do Prémio Nobel, Lech Walesa. Mas também serviu para legitimar a oposição  aos olhos da sociedade. Por isso as autoridades começaram a dar novos passos no  sentido de permitir a participação da oposição na vida pública. As condições dessa  participação seriam determinadas na Mesa-Redonda, uma invenção polaca que levou  a uma revolução sem derramamento de sangue e à transição política.</p>      <p>Depois de resolverem  algumas dificuldades relativamente ao modelo da Mesa-Redonda e à composição da  delegação da oposição, as conversações começaram no início de Fevereiro. Dois  meses mais tarde terminaram com um acordo que delineava um cenário de novas mudanças  na Polónia. Isto incluía eleições parlamentares parcialmente livres, a legalização  do sindicato Solidariedade e um aumento significativo da liberdade da comunicação  social.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Usando as palavras de um imperador romano, poderíamos dizer que a 4 de Junho    de 1989, com as eleições parlamentares, "os dados estavam lançados", e o resultado    foi um espectacular êxito para o campo do Solidariedade<sup><a href="#7">7</a><a name="top7"></a></sup>.    Mas foi só a 12 de Setembro que "se atravessou o Rubicão", quando Tadeusz Mazowiecki,    proeminente intelectual católico e oposicionista democrata, se tornou primeiro-ministro    do primeiro governo não comunista da Polónia desde a II Guerra Mundial<sup><a href="#8">8</a><a name="top8"></a></sup>.</p>     <p>O novo vice-primeiro-ministro para os Assuntos Económicos foi o economista relativamente  desconhecido Leszek Balcerowicz, um professor do Instituto de Economia de Varsóvia,  que se tornou o arquitecto de uma transformação alargada do sistema económico.  A Polónia iniciou então um período de profundas mudanças de sistema em todos os  domínios, mudanças que foram acompanhadas por crises, instabilidade política e  agitação social. A princípio, a "terapia de choque" de Balcerowicz, que visava  passar de uma economia estatal planeada e centralizada para uma economia de mercado  aberto, em simultâneo com uma reestruturação acelerada da economia, acentuou ainda  mais o declínio económico. Os cofres do Estado, já muito debilitados, e a dívida  externa privaram o Governo dos recursos necessários para criar uma rede de segurança  social durante a reforma económica, incluindo a possibilidade de travar a rápida  ascensão dos níveis de desemprego. As dificuldades que acompanharam a mudança  de sistema fizeram subir a temperatura da competição política durante os primeiros  anos da III República. Foi o preço inevitável das mudanças que restituiriam a  Polónia à Europa.</p>      <p>Contudo, aquele período de quatro anos extremamente difícil  e politicamente instável - o nascimento de uma nova república - foi suficientemente  longo para transformar completamente a política externa polaca. E isto deveu-se  ao facto de o arquitecto do novo modelo de política externa, o professor Krzysztof  Skubiszewski, ter conseguido manter a sua independência, mesmo no meio da dura  batalha política interna. Um factor adjuvante foi o consenso informal no seio  da classe política polaca acerca dos princípios fundamentais da política externa:  a orientação para a Europa e as relações com o Leste. Com efeito, embora a nível  doméstico a classe política dividida fosse incapaz de dar um verdadeiro apoio  àquele modelo de política externa, o facto é que também não lhe levantou dificuldades.  A fragilidade económica da Polónia foi um grave problema durante este período,  o que implicou limitações materiais no modo de pôr em prática a nova política  externa.</p>       <p><b>POLÍTICA EXTERNA: "O REGRESSO À EUROPA"</b></p>       <p>"O interesse nacional da Polónia requer que nos próximos anos confirmemos a    nossa soberania recuperada, que asseguremos a segurança do nosso Estado, que    apoiemos o desenvolvimento económico e civilizacional da nossa nação e da nossa    sociedade, e que reforcemos a nossa posição na cena internacional, especialmente    na Europa", disse o ministro Skubiszewski no decurso de um dos debates parlamentares    acerca do tema do interesse nacional da República Polaca<sup><a href="#9">9</a><a name="top9"></a></sup>,    que teve lugar no quarto ano de definição e materialização da soberania polaca.    Para que isto fosse possível era necessário estabelecer os novos elementos da    política externa polaca: primeiro, os seus princípios e objectivos, e depois    as suas direcções, as suas formulações e o seu novo conteúdo.</p>     <p>O assunto mais importante era a recuperação da soberania. Este tema já estava    bem presente no discurso histórico de Mazowiecki no Sejm, a 12 de Setembro de    1989: "Desejamos viver com dignidade num Estado soberano, democrático, governado    por leis." O primeiro-ministro da nova Polónia acrescentou que "as relações    internacionais baseadas na soberania e na parceria são mais estáveis do que    a ordem assente no domínio e na força", e que "as relações com a União Soviética    devem ser estruturadas com base no respeito pela soberania do nosso Estado,    sendo nós completamente livres para formarmos a nossa própria política interna".    Skubiszewski apresentou esta ideia de forma ainda mais clara na primeira aparição    internacional no desempenho das suas novas funções, num discurso na Assembleia    Geral das Nações Unidas a 25 de Setembro de 1989. Referindo-se às implicações    militares da localização geoestratégica da Polónia (e de toda a região), Skubiszewski    declarou que "é possível lidar com as consequências deste facto objectivo",    e basear a política externa polaca "nos fundamentos da soberania externa e da    independência doméstica"<sup><a href="#10">10</a><a name="top10"></a></sup>.    Isto queria dizer que o Governo devia continuar o que a sociedade polaca já    tinha começado: a transformação geopolítica da Europa de Leste. Isto representava    especificamente a rejeição da divisão da Europa em esferas de influência. "Zonas    de segurança não podem significar o mesmo que esferas de influência", realçou    o ministro polaco perante a Assembleia Geral em Nova Iorque.</p>      <p>Referindo-se ao pacto Ribbentrop-Molotov, fez um apelo a que se pusesse fim    à influência que "determinados acontecimentos passados exerceram sobre uma parte    essencial das nossas relações internacionais contemporâneas"<sup><a href="#11">11</a><a name="top11"></a></sup>.</p>     <p>O ano de 1989 foi o início das grandes mudanças, de que a Polónia foi simultaneamente    autora e beneficiária. Mas essas mudanças estavam longe de estar concluídas.    O país teria de continuar a desempenhar estes papéis por vários anos, para que    essas mudanças fossem irreversíveis. A Polónia declarou a sua vontade de trabalhar    para uma certa "visão de paz e de liberdade numa região que na época contemporânea    tem sido demasiadas vezes uma arena de conflitos, de divisões e de dominação"<sup><a href="#12">12</a><a name="top12"></a></sup>.</p>      <p>A transformação dos princípios da política externa polaca foi mais notória na  sua reorientação geopolítica fundamental. A recuperação da soberania possibilitou  o regresso da Polónia ao seu lugar na Europa. Depois de 1945 o território polaco  continuava a fazer parte da Europa, e os seus cidadãos permaneciam europeus, mas  o sistema comunista de que ela fazia parte opunha-se aos valores e princípios  da Europa. Os polacos não puderam participar na criação de um quadro institucional  para a Europa unida, e mantiveram-se fora da comunidade criada após a II Guerra  Mundial pelas nações da metade ocidental do continente. Era este o sentido do  <i>slogan</i> "regressar à Europa", que foi posto em causa por todos aqueles que não  entendiam o seu significado profundo. As mudanças de 1989, e as que se seguiriam,  tanto na política interna como na externa, eram a manifestação desse desejo de  regresso à Europa. A orientação pró-Europa tornou-se um assunto de base na política  externa após a recuperação da soberania. Claro está, a sua concretização levaria  anos a ganhar forma, mas desde o começo os líderes polacos deixaram bem claro  que o seu objectivo era devolver a Polónia à Europa e ao Ocidente, bem como fazer  dela um país europeu (ocidental) no pleno sentido da expressão. A direcção ocidental  (europeia) ocupou um lugar de destaque nos discursos oficiais do primeiro-ministro  Mazowiecki e dos seus sucessores, bem como do ministro dos Negócios Estrangeiros  e de outros políticos de destaque do lado do Solidariedade. Num plano mais formal,  isto representava a reconstrução e o reforço das relações bilaterais com os principais  estados europeus, assim como a criação de relacionamentos com as instituições  multilaterais que emergiram após a II Guerra Mundial com o objectivo de consolidar  o hemisfério ocidental. É certo que nos primeiros meses de Governo de Mazowiecki  os discursos oficiais ainda incluíam garantias de que a Polónia estava pronta  a respeitar as obrigações decorrentes das suas alianças e a cooperar com os países  do Comecon (mas não a participar no conselho propriamente dito). Contudo - como  se veria mais tarde -, essas garantias eram apenas uma aplicação prática do ditado  "o seguro morreu de velho", com o objectivo de evitar uma reacção nervosa ou uma  oposição obstinada por parte de Moscovo.</p>      <p>Pelos mesmos motivos, os objectivos do "direccionamento para o Ocidente" só    foram revelados de forma gradual à medida que a situação na Europa foi evoluindo    (evolução em que a Polónia participou activamente). Este processo de mudança    de sinais na política externa polaca é visível, por exemplo, nos sucessivos    discursos parlamentares de Skubiszewski, sobretudo no período de 1990-1992.    Em vez de falar de ânimo leve acerca da relação da Polónia com os seus vizinhos    do Bloco de Leste, o ministro dos Negócios Estrangeiros salientava que "o regresso    da Polónia à Europa" e ao mundo ocidental era uma prioridade. Deixou bem claro    que estava convencido de que só uma sólida implantação da Polónia na comunidade    do Ocidente possibilitaria a adopção de políticas eficazes em relação aos seus    vizinhos de Leste<sup><a href="#13">13</a><a name="top13"></a></sup>. O direccionamento    para Ocidente tinha também um profundo significado no âmbito da segurança. À    medida que abandonava o Bloco de Leste, a Polónia não se podia permitir a possibilidade    de vir a encontrar-se no meio de uma Europa Central instável e incerta, privada    de laços institucionais com o Ocidente.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p>"Nunca equacionámos a neutralidade. Já o deixámos bem claro no ano passado      quando começámos a desenvolver laços de forma sistemática com a Aliança do      Atlântico Norte. Isto porque estávamos cientes da real desigualdade de segurança      na Europa, que não está a nosso favor. Opusemo-nos de forma consistente à      transformação da região onde a Polónia está situada numa região-tampão, ou      numa zona cinzenta (do ponto de vista da segurança)",</p> </blockquote>     <p>escreveu Skubiszewski no início da década de 1990<sup><a href="#14">14</a><a name="top14"></a></sup>.    Mas antes que o Ocidente pudesse estender o seu guarda-chuva político até à    Polónia e a outros países da Europa Central, seria necessário "fortalecer" aquela    região através do desenvolvimento de uma cooperação íntima, a nível bilateral    e multilateral, primeiramente no domínio da segurança. Exemplo disso foi a criação    do Grupo de Visegrad (analisado mais abaixo em pormenor).</p> Os criadores dos fundamentos da nova política externa polaca tinham de respeitar  um elemento importante da legitimação do novo regime: o <i>ethos</i> do Solidariedade,  que incluía as ideias que tinham sido defendidas na Primavera dos Povos de 1989.  Tanto Mazowiecki como Skubiszewski se referiam com frequência a esses valores  e princípios na nova política externa. Durante a sua primeira aparição internacional  nas Nações Unidas em 1989, o ministro dos Negócios Estrangeiros afirmou: "Esforçar-nos-emos  por eliminar completamente a ideologia das relações internacionais, o que não  quer dizer que rejeitemos uma moralidade internacional. A ideologia e a moralidade  são duas coisas diferentes. Para nós, a moralidade e o respeito pelo indivíduo  constituem os valores mais importantes." Nesse mesmo discurso salientou a necessidade  de se respeitarem princípios fundamentais de direito internacional e anunciou  a intenção de a Polónia assinar em breve acordos significativos de direitos humanos.  Noutra ocasião fez notar a presença de certos valores intangíveis na definição  do interesse nacional da Polónia: "São a honra e o respeito. Respeito por nós  mesmos e pelos outros. [&#8230;] Isto não exclui a possibilidade de se estabelecerem  bons compromissos, que são a essência da política." E continuava: "No nosso esforço  de nos transformarmos num grande país, o nosso Estado e a nação devem respeitar  princípios de moralidade pública. Não devemos temer a moralidade, a moralidade  que vem das nossas raízes cristãs. Não podemos separar o nosso conceito de raison  <i>d'état</i> da moralidade e do respeito pelos direitos do indivíduo."<sup><a href="#15">15</a><a name="top15"></a></sup>  Realçando os valores nacionais como imponderáveis na política polaca, Skubiszewski  apontou a necessidade de "distingui-los do nacionalismo. Por outras palavras,  os valores, os conceitos e as ideias que pretendemos usar têm de ser mais matizadas  e mais definidas". Rejeitou decididamente a pompa conservadora nacional, que é  habitualmente "cómica" e que "muitos dos oradores de rua entre nós não entendem"<sup><a href="#16">16</a><a name="top16"></a></sup>.  Seria um erro, contudo, considerar que a diplomacia polaca desse período era excessivamente  idealista. Muito pelo contrário. Assentava firmemente em bases sólidas, e esforçou-se  de forma persistente para garantir não só a segurança mas também o apoio para  as suas transformações económicas e sociais do país ao longo do tempo.</p>      <p>O próprio Skubiszewski frisava esse aspecto - para ele, a força fundamental    do Estado era sempre a economia: "Um Estado economicamente fraco vê limitadas    as suas possibilidades de agir na arena internacional". As hipóteses da Polónia    residem, acima de tudo, na "eficácia económica e organizacional", e o dever    da política externa era "criar condições para que fosse possível o apoio externo    para a reconstrução e para a modernização civilizacional do país"<sup><a href="#17">17</a><a name="top17"></a></sup>.</p>     <p>A transformação dos princípios fundamentais da política externa teve lugar    em circunstâncias externas e internas pouco favoráveis, embora só pudesse ter    ocorrido, claro está, devido ao facto de o contexto internacional do país ter    mudado. A transformação sistémica interna foi acompanhada da inevitável turbulência    política. Anos mais tarde, Mazowiecki recordava que no final do seu primeiro    encontro com Gorbachev, em Moscovo, em Novembro de 1989, o Presidente russo    lhe tinha dito: "Talvez isto seja uma surpresa para si, mas espero que sejam    bem-sucedidos." No entanto, este comentário não nos dá uma imagem real da situação.    Gorbachev não estava só. No âmbito do tema das mudanças na Polónia o Presidente    russo estava "sob várias pressões" (tal como relatado por Skubiszewski) da parte    de todos aqueles que desejavam manter a posição hegemónica de Moscovo. Durante    os seus primeiros meses o Governo de Mazowiecki operava ciente do seu entorno    comunista mas também estava a par de "projectos intervencionistas vindos até    da parte de Bucareste". Por isso, o Governo concentrou-se em ir "gradualmente    criando factos e não em palavras radicais mas ocas"<sup><a href="#18">18</a><a name="top18"></a></sup>.    Quanto ao contexto doméstico da política externa neste período de transição,    dizia-se já que a volatilidade da cena política, a fragilidade das novas instituições    democráticas, e o desastre económico herdado da República Popular da Polónia    nunca poderiam constituir uma fundação sólida para a diplomacia. Embora o ministro    Skubiszewski tivesse conseguido alcançar uma posição fortalecida, graças à qual    nunca foi alvo de grandes constrangimentos por parte dos primeiros-ministros,    ainda haveria lugar para tensões e fricções: "Os governos de Olszewski foram    difíceis", comentou Skubiszewski depois de deixar o cargo. "Isto deveu-se ao    facto de ele ter permitido que os seus colaboradores, incluindo alguns ministros,    tomassem atitudes perigosas e que interferissem no domínio da política externa.    Para além disso, [&#8230;] houve atrasos e impasses sucessivos. Claro que no    nosso ministério tivemos de saber lidar com isso."<sup><a href="#19">19</a><a name="top19"></a></sup>    E aqui temos de salientar que nos primeiros anos do Governo de Skubiszewski    houve inúmeras alterações de titulares da pasta dos Negócios Estrangeiros -    uma rotação superior à de qualquer outro ministério depois de 1989. O próprio    ministro explica:</p>      <blockquote>       <p>"Quando a natureza do Estado mudou, quando deixámos de ser dependentes dos      Soviéticos, as mudanças de pessoal no ministério durante o meu mandato eram      necessárias. Para ser mais específico, as pessoas que tinham sido fiéis ao      bloco soviético, que tinham desempenhado as funções burocráticas de um Estado-satélite,      e que além disso não eram qualificadas, não tinham condições para servir a      diplomacia de um Estado independente."<sup><a href="#20">20</a><a name="top20"></a></sup></p> </blockquote>     <p>Por fim, é importante que na Polónia tenham havido, como em qualquer Estado democrático,  conflitos em torno da política externa, sobre as suas prioridades e sobre as escolhas  que foram feitas. As diferentes orientações e atitudes digladiaram-se entre si.</p>      <p>Olhando para trás já é difícil recordar a intensidade desses conflitos ou o calor  dos acesos debates. Hoje em dia muitas dessas discussões podem parecer anacrónicas  ou até exóticas. Mas na altura não havia muitos pontos de referência válidos.  Ia-se buscar a maioria dos modelos aos exemplos da II República, decididamente  datada; muitas vezes os críticos não tinham a competência ou a vontade para tentarem  pacientemente perceber quais seriam os interesses da Polónia nos finais do século  XX. Seria difícil procurar destrinçar até que ponto essas atitudes eram o resultado  da inspiração exterior e até que ponto não passavam de simples estupidez ou de  ambições pessoais mascaradas com a capa do interesse nacional. A atmosfera desse  debate e as polémicas acesas podem ser encontradas numa análise cuidadosa da imprensa  da época e dos estenogramas parlamentares que o leitor mais interessado talvez  deseje levar a cabo.</p>      <p>No entanto, as ideias e as escolhas em torno das quais os conflitos se desenrolavam    eram frequentemente importantes. Para além da orientação europeia (ocidental)    - materializada com uma paciência e uma precisão monásticas por Skubiszewski    e a sua equipa da Avenida Szucha - houve muitas outras abordagens interessantes    à política externa da república renascida. De início eram bastante fortes as    ideias nostálgicas de manutenção de relações próximas com a URSS e, mais tarde,    com a sua sucessora, a Rússia, o que realçava as supostas vantagens que poderiam    advir de relações "privilegiadas" com Moscovo e a necessidade de respeitar os    seus interesses de segurança enquanto grande potência. Era uma reacção à suposta    ditadura norte-americana sobre a Polónia ("A Polónia apenas trocou um ditador    por outro."). Também tinha bastantes defensores a abordagem ingénua e ilusória    de que a Polónia poderia tornar-se uma ponte entre o Ocidente e a Rússia, retirando    daí as respectivas vantagens. Mesmo se não prestarmos atenção às fragilidades    semânticas (as pontes são feitas para se passar por cima delas, experiência    que a Polónia já tinha vivido várias vezes na sua história) não havia qualquer    necessidade de semelhante ponte. Outra ideia popular no início era a abordagem    "centro-europeia-<i>intermarum</i>". De acordo com esta perspectiva, a Polónia poderia    desempenhar o papel de pedra-de-toque e líder da região que se estende do mar    Negro ao mar Báltico. Neste caso o problema residia no facto de a Polónia não    ter recursos para desempenhar esse papel e - mais importante ainda - nenhum    país que tivesse o mínimo de importância na região o desejaria. Algumas vozes    da direita exigiam a entrada imediata na NATO, o que em 1990-1991 era uma perfeita    ilusão, quanto mais não fosse porque a NATO não tinha o menor interesse em entabular    conversações acerca desse tópico. Ainda assim, a falta de esforços desenvolvidos    pelo Governo nesse sentido foram o pretexto para críticas cerradas ao ministro    Skubiszewski, entre outros. Alguns partidos de direita, de orientação nacional-populista,    demonstraram o seu repúdio manifesto acerca do estabelecimento de relações mais    próximas com a Alemanha. E expuseram os seus receios e preconceitos sob a forma    de acusações contra os vários governos, em especial contra o de Skubiszewski,    por "traírem os interesses nacionais". Jerzy Giedroyc e os seus apoiantes criticaram    aquilo que consideravam a orientação excessivamente europeia de Skubiszewski.    Nas suas palavras, "ninguém na Europa está à nossa espera" e "é inútil bater    à porta dos salões europeus". Argumentavam que em vez disso a Polónia devia    reconstruir os seus laços com os seus vizinhos directos a Leste<sup><a href="#21">21</a><a name="top21"></a></sup>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Perante tantas críticas e diversos tipos de pressão, Skubiszewski deu provas    de uma teimosia e uma consistência dignas de admiração. Nunca permitiu que o    desviassem da linha de acção que escolheu e que persistentemente seguiu. Como    proponente do trabalho orgânico, sentia repúdio pelos gestos ocos e pelos floreados    típicos da classe política polaca. Cada passo tinha de ser cuidadosamente preparado    e devia abrir caminho a novas possibilidades. Era excelente nos debates, embora    preferisse a calma, a reflexão e o equilíbrio. Aos insultos mordazes, e por    vezes imperdoáveis, respondia: "Aqueles que me criticam não propõem quaisquer    alternativas" (e os projectos de política externa nascidos fora do ministério    "metiam dó e eram descartados"<sup><a href="#22">22</a><a name="top22"></a></sup>).    O professor Skubiszewski não entrou no edifício ministerial da Avenida Szucha    com uma equipa escolhida por si (como foi, por exemplo, o caso da equipa de    Balcerowicz no Ministério das Finanças e no Gabinete do Conselho de Ministros).    Contudo, com relativa rapidez adquiriu um grupo de bons e leais colaboradores.    Entre eles incluíam-se alguns que já tinham trabalhado anteriormente nos Negócios    Estrangeiros, que consistiam essencialmente em pessoas com percursos diversificados    (mas que eram em primeiro lugar académicos e intelectuais, incluindo antigos    oposicionistas democráticos). Todos partilhavam dos seus pontos de vista e constituíam    um sólido apoio para a execução das suas medidas políticas ("Estou muito grato    aos meus colaboradores. Sem eles pouco teria conseguido fazer"). A reputação    internacional de Skubiszewski (antes de 1989 ele era um dos mais proeminentes    especialistas em direito internacional), a sua integridade enquanto pessoa,    a sua rara capacidade para ouvir e debater ideias, a sua identidade marcadamente    europeia (ocidental) e a abordagem intelectual que perfilhava (enraizada no    cristianismo) deram-lhe a possibilidade de ser o arquitecto de uma política    externa que ia de encontro às necessidades da República renascida.</p>      <p><b>A QUESTÃO DAS FRONTEIRAS E AS TROPAS RUSSAS</b></p>       <p>Dois aspectos eram essenciais para  a independência e para a soberania da nova Polónia durante os seus primeiros meses  de existência. O primeiro foi o problema das suas fronteiras com a Alemanha reunificada,  e o segundo foi a retirada das tropas soviéticas do seu território. A questão  da fronteira veio a lume depois da queda do Muro de Berlim, aquando do início  das conversações "2 + 4" (os dois estados alemães e quatro grandes potências),  que visavam definir as condições para a reunificação da Alemanha.</p>      <p>O problema para a Polónia não consistia propriamente na inviolabilidade das    suas fronteiras ocidentais. Ninguém no seu perfeito juízo, na Alemanha ou em    qualquer outro lugar, esperaria que a queda da Cortina de Ferro alterasse essas    fronteiras. Mas o que foi um choque para a opinião pública polaca, incluindo    os políticos do Solidariedade, que durante anos tinham estado envolvidos no    processo de reconciliação polaco-alemã, foi a total ausência de referências    às fronteiras da Alemanha com a Polónia (ou com os seus outros vizinhos) no    programa de dez pontos para a reunificação da Alemanha apresentado pelo chanceler    Helmut Kohl no Bundestag a 28 de Novembro de 1989. A reacção de Varsóvia foi    quase instantânea. A 7 de Dezembro, Skubiszewski fez um longo discurso perante    o Parlamento polaco exprimindo a posição polaca acerca desta questão. Numa breve    revisão da difícil história das relações da Polónia com o seu vizinho a oeste,    declarou: "No entanto, a história não é nem pode ser um factor decisivo na formação    da realidade dos nossos dias. A Europa está a mudar. Não negamos essas mudanças;    desejamo-las; somos seus co-criadores. Mas é nosso dever preservar o interesse    nacional&#8230;". O cerne da sua apresentação era a asserção de que "o reconhecimento    incondicional da fronteira ocidental da Polónia é um pré-requisito cardeal para    a reconciliação polaco-alemã", assim como para a reunificação da Alemanha, que    era uma componente do processo de reunificação da Europa. Esta declaração sem    quaisquer ambiguidades recebeu o apoio de toda a classe política polaca e tornou-se    a base dos esforços polacos para obter o apoio das quatro grandes potências    que, dentro de pouco tempo e sem grande entusiasmo, se ocupariam deste assunto.    A primeira a manifestar o seu apoio foi a França, que não escondia os seus próprios    receios decorrentes da reunificação da Alemanha, com a consequência inevitável    de alterar o equilíbrio de poderes europeu com desvantagens para Paris. O apoio    francês na questão da fronteira polaco-alemã foi conseguido através de uma extraordinária    visita a Paris de uma pouco habitual delegação polaca constituída pelo Presidente    Jaruzelski, pelo primeiro-ministro Mazowiecki e pelo ministro Skubiszewski,    a 10 de Março de 1990. Recorrendo ao slogan "Nada sobre nós sem nós", a diplomacia    polaca também conseguiu incluir a Polónia na fase das conversações "2 + 4" em    que se debateu o assunto das fronteiras da nova Alemanha reunificada. Entretanto,    a Polónia havia já conseguido o apoio incondicional dos Estados Unidos relativamente    à sua posição acerca das fronteiras<sup><a href="#23">23</a><a name="top23"></a></sup>.    Moscovo e Londres assumiriam posturas semelhantes. Desta forma, todas as grandes    potências estavam de acordo que a fronteira Óder-Neisse pertencesse aos "aspectos    exteriores da reunificação da Alemanha, juntamente com questões de segurança    dos seus estados vizinhos"<sup><a href="#24">24</a><a name="top24"></a></sup>.    Devido a preocupações de ordem interna (as eleições parlamentares), o chanceler    Kohl tinha evitado esta questão durante vários meses, o que causou preocupações    em Varsóvia e levou a que se empreendessem diversas manobras político-diplomáticas.    Mas entretanto Helmut Kohl aceitara a posição da Polónia, que contava já com    o apoio das quatro grandes potências<sup><a href="#25">25</a><a name="top25"></a></sup>.</p>     <p>A partir desse ponto o processo evoluiu de forma rápida e sem problemas. A 13  e 14 de Novembro de 1990 tiveram lugar conversações breves - que não mereceram  sequer a designação de "negociações" - acerca da proposta de Varsóvia, que culminaram  com os dois ministros dos Negócios Estrangeiros a assinar um tratado que confirmava  as fronteiras polaco-alemãs existentes. Na opinião do professor Jan Barcz (um  dos participantes nas conversações), o que era importante não era tanto a confirmação  das fronteiras existentes, mas sim a declaração de ambos os estados segundo a  qual essas fronteiras eram "invioláveis agora e no futuro", juntamente com o compromisso  mútuo de respeitar incondicionalmente a soberania e a integridade territorial  um do outro.</p>      <p>A tarefa homóloga a Leste era qualitativamente mais difícil. No plano formal    e legal tratava-se de dissolver o Pacto de Varsóvia e de fazer sair as tropas    russo-soviéticas da Polónia. Durante a primeira metade de 1989 essa hipótese    era inimaginável para os participantes da Mesa-Redonda. O contexto internacional    excluía até a discussão dessa possibilidade. Esta ideia era confirmada pelas    declarações públicas do primeiro-ministro Mazowiecki e do ministro Skubiszewski    no Outono de 1989 e na primeira metade de 1990. Ambos davam garantias a Moscovo    acerca das suas intenções de respeitar as obrigações decorrentes das alianças    bilaterais e multilaterais da Polónia, embora não deixassem de exprimir a esperança    de que num futuro não muito longínquo os blocos militares deixassem de constituir    a base da segurança europeia. Esta abordagem era fortemente justificada pela    ordem internacional existente e pela situação interna da Polónia, pela ausência    de sinais por parte de Moscovo ou do Ocidente de que seria possível alguma mudança    no sistema de alianças, e pelo facto de a situação alemã (especialmente na sua    vertente polaca) estar ainda por resolver. Até certo ponto era um jogo de adiamentos,    que incluía a resistência às sugestões de renegociação do Pacto de Varsóvia    (modificar o Pacto significaria reconhecer a sua manutenção, coisa que os polacos    queriam evitar)<sup><a href="#26">26</a><a name="top26"></a></sup>. Este estado    de coisas começou a modificar-se na segunda metade de 1990. A resolução do problema    alemão, a demissão de Jaruzelski (juntamente com a saída dos ministros da Defesa    e da Administração Interna, ambos pertencentes ao regime anterior), a vitória    de Walesa nas eleições presidenciais, e especialmente a contínua desintegração    da União Soviética (que levava Moscovo a concentrar-se mais na tentativa de    preservar a URSS do que na manutenção do bloco de influência soviética) contribuíram    no seu conjunto para criar a possibilidade de liquidação das ferramentas institucionais    usadas pelos soviéticos para controlar os seus estados-satélites. Em todos os    outros estados do Pacto de Varsóvia tinham chegado ao poder forças não comunistas.    Assim, Moscovo já não tinha parceiros para manter relacionamentos políticos    ao estilo de antigamente, coisa de que o Kremlin se terá apercebido provavelmente    mais cedo do que os líderes ocidentais. As tentativas de Moscovo no Verão de    1990 no sentido de manter - em níveis mínimos - a função de coordenação do Pacto    de Varsóvia falharam redondamente. Três países da Europa Central decidiram tirar    partido desta situação; embora ainda não estivessem prontos para criar o Grupo    de Visegrad, moldaram a direcção e os tempos das mudanças na região. O trabalho    conjunto que iniciaram no final do Outono de 1990 rapidamente deu resultados.    Logo a 24 de Fevereiro de 1991 o comité de aconselhamento político do Pacto    de Varsóvia (agora composto por chefes de Estado e já não por líderes de partidos    comunistas) encontrou-se em Budapeste e decidiu liquidar o Pacto no espaço de    alguns meses, e dissolveu as suas estruturas militares ainda mais cedo (em finais    de Março). Os protocolos da dissolução final do Pacto de Varsóvia foram assinados    pelos seus estados-membros em Praga a 1 de Julho de 1991. O acordo de dissolução    do "igualmente defunto" Comecon tinha sido assinado alguns dias antes, a 28    de Junho.</p>      <p>A expulsão das tropas russo-soviéticas revelar-se-ia uma tarefa mais árdua.  As negociações acerca deste assunto foram sem dúvida as mais difíceis que os diplomatas  polacos tiveram de enfrentar durante os primeiros anos da III República. Provavelmente  ainda permanecem como as mais difíceis negociações desde que a Polónia recuperou  a sua plena soberania. Tal como no caso da dissolução do Pacto de Varsóvia, iniciativas  mais sérias acerca desta questão tiveram de esperar pelo Outono de 1990. É mais  fácil anular um tratado - quando ambas as partes estão de acordo - do que fazer  retirar um exército. Esta não é apenas uma tarefa política; é também um desafio  logístico, organizacional e financeiro. E leva tempo. Aqui, o que importava era  não só o contexto político da Rússia em mudança mas também o problema simultâneo  de fazer retirar forças soviéticas de uma Alemanha já reunificada (estas tropas  deviam deixar o território da antiga Alemanha de Leste em finais de 1994). A Alemanha  pode pagar a Moscovo uma "contribuição" fabulosa para facilitar a saída das tropas.  Mesmo que Varsóvia tivesse os fundos para pagar uma "contribuição" semelhante,  os polacos não achavam que deviam pagar pela retirada de forças de quase-ocupação.  Para além disso, se por motivos políticos Moscovo tratava a Alemanha como um parceiro,  continuava a encarar a Polónia mais como um Estado vassalo.</p>      <p>Em Setembro de 1990  o ministro polaco dos Negócios Estrangeiros enviou ao Governo soviético dois memorandos  relativos a conversações sobre a retirada das tropas soviéticas, sobre outras  questões resultantes da sua estada em território da República e sobre a travessia  de tropas soviéticas pela Polónia vindas da Alemanha. As primeiras trocas de impressões  revelaram graves desacordos acerca de todas as questões importantes.</p>      <p>A Polónia  exigia a retirada de todas as tropas até ao final de 1991, reparações por danos  ecológicos que elas causassem, pagamento pela sua estada após 1989, e que as tropas  vindas da Alemanha regressassem por via marítima. Moscovo pretendia manter as  tropas na Polónia durante todo o ano de 1994. A total falta de vontade dos soviéticos  de respeitar os interesses polacos causou várias crises e incidentes durante as  conversações assim como no decurso da retirada das tropas da Alemanha e, mais  tarde, da Polónia.</p>      <p>Isto começou em Janeiro de 1991 com a aparatosa "crise dos  comboios", quando a Polónia decidiu impedir a passagem de tropas soviéticas provenientes  da Alemanha.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Depois da crise, Moscovo levou um pouco mais a sério a posição da  Polónia nas negociações para a retirada das tropas, mas ainda assim mostrava-se  relutante em assumir compromissos. Embora se tenham tornado possíveis algumas  concessões relativas às datas da retirada, Moscovo manteve-se firme nas suas exigências  materiais. Astutamente, os soviéticos propuseram que as instalações e materiais  deixados pelo Exército soviético pudessem ser usados por novas companhias polaco-soviéticas  conjuntas. Dizia a experiência que este tipo de empresas não só poria em prática  negócios semilegais mas também serviria como disfarce para actividades de espionagem.  Após a crise de Agosto em Moscovo as negociações avançaram a ritmo acelerado.  A 26 de Outubro de 1991 os negociadores conseguiram chegar a um acordo inicial  sobre a retirada das tropas, mas aquele não englobava as questões financeiras.  Apesar de tudo, as tropas já tinham começado a retirar em 1990 de forma ordeira  e gradual, mas este processo foi perturbado pela ruptura da União Soviética (12  de Dezembro), e pela sua substituição pela Rússia como sucessor legal e político.  Como resultado da derrocada da URSS, juntamente com a partida de Gorbachev, cuja  influência já decaíra drasticamente, o pensamento e a linguagem política russos  foram imediatamente dominados pela escola da <i>Realpolitik</i>.</p>      <p>De forma característica, os interesses e objectivos que moldaram a política    externa soviética eram agora apresentados sob a rubrica dos "interesses de segurança    justificáveis" da nova "Rússia democrática". Isto resultou numa pressão russa    para rever os parágrafos sobre os quais já se tinha chegado a acordo, acrescentando    cláusulas e emendas que afectavam negativamente os interesses de segurança polacos.    Varsóvia foi oferecendo resistência até ao dia anterior ao da assinatura, durante    a visita do Presidente polaco Lech Walesa a Moscovo. O próprio Walesa teve um    papel importante neste domínio, uma vez que conseguiu chegar a acordo com Boris    Ieltsin (que na altura manifestou uma grande amizade para com a Polónia). O    acordo, assinado a 22 de Maio de 1992, previa a retirada de todas as unidades    soviéticas de combate até 15 de Novembro de 1992 e a retirada das restantes    tropas até ao final de 1993. Na realidade o prazo final foi mais do que cumprido.    O último soldado russo deixou o solo polaco a 16 de Setembro de 1993 (no dia    anterior ao aniversário do ataque soviético em 1939)<sup><a href="#27">27</a><a name="top27"></a></sup>.</p>  </p>Para a soberania externa da Polónia este facto teve um significado  fundamental, e não só no plano simbólico. A Polónia tinha recuperado a liberdade  de manobra na sua política de segurança; especialmente no contexto da já anunciada  intenção de se candidatar a ser membro da Aliança Atlântica. A batalha polaca  para recuperar a plena soberania e para ver reconhecidas a sua integridade territorial  e a inviolabilidade das suas fronteiras tinha dado frutos que seriam impensáveis  apenas três ou quatro anos antes, nas vésperas da Primavera dos Povos da Europa  Central de 1989.</p>       <p><b>TRADUÇÃO DE JORGE GARCIA </b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>NOTAS</b></p>      <p><sup><a href="#top1">1</a><a name="1"></a></sup> MAZOWIECKI, Tadeusz - "Making    the impossible possible". In <i>Rzeczpospolita</i>, 6 de Novembro de 2004.</p>      <p><sup><a href="#top2">2</a><a name="2"></a></sup> Tratou-se de uma combinação    de medidas militares (um incremento radical na corrida ao armamento), económicas    (o embargo e outras restrições nas relações económicas com a União Soviética),    e ideológicas (uma ofensiva ideológica, simbolizada pela descrição da URSS como    o Império do Mal). Para aprofundar o tema, cf. KUZ´NIAR, Roman - <i>Politics and    Power</i>. Varsóvia, 2005, vol. V.</p>      <!-- ref --><p><sup><a href="#top3">3</a><a name="3"></a></sup> KUZ´NIAR, Roman - "Human rights".    In <i>Law, Institutions, and International Relations</i>. Varsóvia, 2004, vol. VIII    (sobre o processo da CSCE).&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000070&pid=S1645-9199200900030000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><sup><a href="#top4">4</a><a name="4"></a></sup> A designação "Outono dos Povos"    omitiria o papel da Polónia neste processo, uma vez que a sua Mesa-Redonda e    as eleições tiveram lugar na Primavera de 1989. Cf. artigo de M. Howard na <i>Foreign    Affairs</i> (1990) - "Springtime of Nations, for a metaphorical use of the latter    term to describe the events of 1989".</p>      <p><sup><a href="#top5">5</a><a name="5"></a></sup> KUZ´NIAR, Roman - "From the    Spring of Nations to the Great Transformation". In <i>Polityka Polska</i>. N.º 1, 1991;    PACZKOWSKI, A. - "The Autumn of Nations'89: the end and beginning of history".    In <i>Tygodnik-Powszechny</i>, 24 de Outubro de 2004.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top6">6</a><a name="6"></a></sup> Cf., por exemplo, HAJNICZ,    Artur - <i>The Twists and Turns of Polish Foreign Policy, 1939-1991</i>. Varsóvia,    2006, p. 62.</p>      <p><sup><a href="#top7">7</a><a name="7"></a></sup> Os candidatos do Solidariedade    ganharam todos os 161 assentos do Sejm pelos quais puderam concorrer (contra    candidatos oficialmente apartidários apoiados pelos governantes), assim como    99 dos cem lugares do Senado (em eleições livres).</p>      <p><sup><a href="#top8">8</a><a name="8"></a></sup> Este Governo incluía representantes    do Partido Comunista (que controlavam os ministérios da Administração Interna    e da Defesa), assim como representantes do Partido dos Camponeses e do "Partido    Democrático" patrocinado pelo Governo. Tal como Adam Michnik tinha sugerido    com o seu <i>slogan</i> "O vosso presidente, o nosso governo", o Presidente (eleito    anteriormente pela Assembleia Nacional) foi Wojciech Jaruzelski, que já tinha    sido primeiro-ministro e secretário-geral do Partido Comunista.</p>      <p><sup><a href="#top9">9</a><a name="9"></a></sup> SKUBISZEWSKI, Krzysztof -    "Raison d'être of the Polish Republic". In <i>Polityka Polska</i>, 21 de Janeiro de    1993, p. 301.</p>      <p><sup><a href="#top10">10</a><a name="10"></a></sup> <i>Ibidem</i>, p. 21.</p>      <p><sup><a href="#top11">11</a><a name="11"></a></sup> <i>Ibidem</i>, pp. 16 e 21. Tadeusz    Mazowiecki exprimiu o assunto de forma semelhante ao dirigir-se ao Sejm no dia    12 de Setembro de 1989, supracitado.</p>      <p><sup><a href="#top12">12</a><a name="12"></a></sup> SKUBISZEWSKI, Krzysztof    - "Raison d'être of the Polish Republic".</p>      <p><sup><a href="#top13">13</a><a name="13"></a></sup> Desta forma, o ministro    Skubiszewski rejeitou o paradigma da política externa polaca de Giedroyc. Giedroyc    teria dado a prioridade à política em relação ao Leste, defendendo que "quanto    mais importância tivermos na Europa Ocidental maior será o nosso papel a desempenhar    no Leste". A falha óbvia deste pensamento era: se a Rússia impedisse a Polónia    de desempenhar um papel importante no Leste europeu (a sua esfera de influência),    a Polónia não teria qualquer hipótese de ocupar uma posição de destaque na comunidade    europeia.</p>      <p><sup><a href="#top14">14</a><a name="14"></a></sup> SKUBISZEWSKI, Krzysztof    - "Polish foreign policy in 1991". In <i>Yearbook of Polish Foreign Policy 1991</i>.    Varsóvia, 1993, p. 16.</p>      <p><sup><a href="#top15">15</a><a name="15"></a></sup> SKUBISZEWSKI, Krzysztof    - "Raison d'être of the Polish Republic".</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top16">16</a><a name="16"></a></sup> "Foreign policy - some    fundamental questions". Entrevista com Krzysztof Skubiszewski para o <i>Polityka</i>,    17 de Outubro de 1992 (com Krzysztof Mroziewicz e Wiesaw Wadyka).</p>      <p><sup><a href="#top17">17</a><a name="17"></a></sup> Cf., entre outros, SKUBISZEWSKI,    Krzysztof - "Polish foreign policy in 1991"; SKUBISZEWSKI, Krzysztof - "Raison    d'etre of the Polish Republic". Dirigindo-se ao Sejm, no dia 7 de Setembro de    1990, o ministro Skubiszewski admitiu que "Dada a nossa actual situação económica,    de tempos a tempos, na nossa política externa, somos obrigados a evitar várias    coisas por ainda sermos economicamente tão fracos".</p>      <p><sup><a href="#top18">18</a><a name="18"></a></sup> "We built the polish foreign    policy from scratch", entrevista com Krzysztof Skubiszewski para o <i>Tygodnik    Powszechny</i>, 11 de Abril de 1994 (com W. Beres, K. Brunetka e A. Romanowski);    MAZOWIECKI, Tadeusz - "Making the impossible possible".</p>      <p><sup><a href="#top19">19</a><a name="19"></a></sup> "We built the polish foreign    policy from scratch".</p>      <p><sup><a href="#top20">20</a><a name="20"></a></sup> <i>Ibidem</i>. O ministro Skubiszewski    foi duramente criticado por essas mudanças, não só por representantes do regime    cessante, que desta forma perdiam a sua influência na política externa, como    por aqueles que não tinham recebido cargos de destaque, ou missões lucrativas    ao serviço dos Negócios Estrangeiros, de acordo com o que achavam merecer.</p>      <p><sup><a href="#top21">21</a><a name="21"></a></sup> Cf., entre outros, KUZ´NIAR,    Roman - "A new Polish foreign policy". In <i>Sprawy Midzynarodowe</i>. 1991, p. 10;    STACHURA, J. - "Political parties and Polish foreign policy". In <i>Yearbook of    Polish Foreign Policy 1992</i>. Varsóvia, 1994.</p>      <p><sup><a href="#top22">22</a><a name="22"></a></sup> Cf. entrevista para o <i>Polityka</i>   supracitada.</p>      <p><sup><a href="#top23">23</a><a name="23"></a></sup> O apoio norte-americano    foi o resultado do encontro do ministro Skubiszewski com o secretário de Estado    norte-americano James Baker, durante a conferência para a assinatura do Tratado    sobre o Regime Céu Aberto, em Otava em 12 e 13 de Fevereiro de 1990.</p>      <p><sup><a href="#top24">24</a><a name="24"></a></sup> De acordo com as palavras    do comunicado emitido no final da Conferência de Otava.</p>      <p><sup><a href="#top25">25</a><a name="25"></a></sup> Cf. também a excelente    colecção de documentos acerca deste assunto da fronteira polaco-alemã: BORODZIEJ,    Wlodzmierz (ed.) - "Poland and German reunification, 1989-1991". In <i>Diplomatic    Documents</i>. Varsóvia, 2006. E também o volume de M. Tomali.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top26">26</a><a name="26"></a></sup> Cf. discurso do ministro    Skubiszewski no Senado polaco a 7 de Setembro de 1990.</p>      <p><sup><a href="#top27">27</a><a name="27"></a></sup> Acerca das negociações    sobre a retirada das tropas soviéticas da Polónia, cf., sobretudo, KOSTRZEWA-ZORBAS,    G. - "The Russian troops' withdrawal from Poland". In GOLDMAN, A. E. (ed.) -    <i>The Diplomatic Record 1992-1993</i>. Boulder, 1995; MENKISZAK, M. - "Bad neighbourhood:    the security issue in relations between Poland and the Soviet Union/Russia,    1989-2000". In KUZ´NIAR, Roman (ed.) - <i>Polish Security Policy 1989-2000</i>. Varsóvia,    2001.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><a href="#topa1">*</a><a name="a1"></a> Doutor em Ciência Política (1981) pela    Universidade de Varsóvia, onde é director da Secção de Estudos Estratégicos    e de Segurança. É editor da <i>Revista Diplomática Polaca</i> desde 2001. Entre    2005 e 2007 foi presidente do Instituto Polaco de Relações Internacionais.</p>       ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[KUZ´NIAR]]></surname>
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<year>2004</year>
<volume>VIII</volume>
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