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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O fim da Guerra Fria e a unificação alemã]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[German unification in 1990 occurred at enormous diplomatic speed, through a negotiated settlement which paved the way for the future post-Cold War security order in Europe. The precondition for unification was the reinforcement of the Euro-Atlantic institutional continuity, embedding unified Germany in NATO and EU structures while strengthening Germany's special relationships with the United States and France. Amidst such a context for change the Kohl government expediently opted for unification within given institutional structures and the continuity of German foreign policy.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>O fim da Guerra Fria e a unificação alemã</b></p>      <p><b>Patrícia Daehnhardt <a href="#a1">*</a><a name="topa1"></a></b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p>A unificação alemã, em 1990, ocorreu com enorme rapidez diplomática, através de um acordo negociado que abriu caminho à  futura ordem de segurança pós-Guerra Fria na Europa. A condição prévia para a unificação foi o reforço da continuidade institucional  euro-atlântica, que permitiu à Alemanha a permanência nas estruturas da NATO e da União Europeia ao mesmo tempo que fortalecia  os seus relacionamentos especiais com os Estados Unidos e a França. Neste contexto o Governo de Helmuth Kohl optou pela unificação  rápida dentro das estruturas institucionais, as alianças existentes e a continuidade da política externa alemã.</p>      <p><i>Palavras-chave:</i> Guerra Fria, unificação alemã, política externa alemã, relações transatlânticas</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>The end of the Cold War and the German unification</b></p>      <p>German unification in 1990 occurred at enormous diplomatic speed, through a negotiated settlement which paved the way for  the future post-Cold War security order in Europe. The precondition for unification was the reinforcement of the Euro-Atlantic institutional  continuity, embedding unified Germany in NATO and EU structures while strengthening Germany's special relationships with the United States  and France. Amidst such a context for change the Kohl government expediently opted for unification within given institutional structures and  the continuity of German foreign policy.</p>      <p><i>Keywords:</i> Cold War, German unification, German foreign policy, transatlantic relations</p>       <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>O FIM DA GUERRA FRIA E O FIM DA DIVISÃO ALEMÃ</b></p>      <p>O processo de negociação internacional que antecedeu a unificação alemã e moldou    o fim da Guerra Fria foi crucial na construção da futura ordem de segurança    pós-Guerra Fria na Europa<sup><a href="#1">1</a><a name="top1"></a></sup>. Esta    nova ordem de segurança foi o resultado da transformação da estrutura de poder,    onde a Alemanha emerge como a potência central europeia<sup><a href="#2">2</a><a name="top2"></a></sup>.</p>     <p>Washington esteve na primeira linha dos que apoiaram esta mudança crucial na    Europa decidindo com isto o ritmo e a magnitude da dimensão internacional do    processo negocial da unificação alemã. A condição prévia para a unificação foi    o reforço da continuidade institucional euro-atlântica, que permitiu à Alemanha    a permanência nas estruturas da NATO e da União Europeia (UE) ao mesmo tempo    que fortalecia os seus relacionamentos especiais com os Estados Unidos e a França.    Consequentemente, enquanto que o fim da Guerra Fria trouxe o fim da bipolaridade    e a mudança estrutural pacífica na Europa na ausência de uma guerra hegemónica,    a continuidade das instituições existentes como <i>binding institutions</i> assegurava    uma transição equilibrada para o mundo do pós-Guerra Fria<sup><a href="#3">3</a><a name="top3"></a></sup>.    Por outras palavras, a fórmula para a mudança e a unificação foi a continuidade    da diplomacia multilateralista da Alemanha através das estruturas institucionais    das quais ela era membro e a consolidação da ordem liberal constitucional do    pós-1945 na NATO e na UE, instituições que, pouco depois, iniciariam processos    de alargamento<sup><a href="#4">4</a><a name="top4"></a></sup>.</p>     <p>Este artigo aborda a política da unificação alemã e levanta a questão de como  é que a liderança da República Federal da Alemanha (RFA) conduziu o processo negocial  e geriu a recuperação do estatuto de poder da Alemanha. O artigo também analisa  o papel decisivo dos Estados Unidos em apoiar a perspectiva de unificação desde  o início, o que fortaleceu a determinação do chanceler Helmut Kohl em aproveitar  a oportunidade, assim como porquê, após forte resistência inicial, a liderança  soviética aceitou que a Alemanha unificada permanecesse na NATO. Por último, o  artigo argumenta que as decisões de política externa que o Governo alemão tomou  nos meses cruciais antes de Outubro de 1990 foram escolhas que ainda condicionam  a política externa alemã vinte anos depois e que ajudam a explicar a posição da  Alemanha na presente ordem euro-atlântica.</p>      <p>Existem várias interpretações de como a Guerra Fria acabou na Europa e de como    a unificação alemã aconteceu de forma célere e sem sobressaltos<sup><a href="#5">5</a><a name="top5"></a></sup>.    Em primeiro lugar, da perspectiva estruturalista há autores que defendem o argumento    de que foi a força do Ocidente, e os Estados Unidos em particular, que forçou    a União Soviética a um recuo estratégico da política internacional como uma    das duas superpotências da ordem bipolar. Para estes autores, maioritariamente    de uma abordagem realista e neo-realista, a vitória através da força explica    as fraquezas do poder soviético e em última instância a derrota da União Soviética<sup><a href="#6">6</a><a name="top6"></a></sup>.</p>      <p>Para a perspectiva neo-realista as respostas para "a guerra e a paz [&#8230;]    encontravam-se mais na estrutura do sistema internacional do que na natureza    dos Estados individuais"<sup><a href="#7">7</a><a name="top7"></a></sup>.</p>      <p>Logo, a alteração da balança internacional de poder, no fim da Guerra Fria,    libertaria a Alemanha unificada para se lançar numa trajectória de aumento de    poder com base numa política externa mais assertiva ou mesmo mais agressiva<sup><a href="#8">8</a><a name="top8"></a></sup>.    Empiricamente, o receio de muitos líderes europeus, em 1989-1990, em aceitar    uma Alemanha unificada no Centro da Europa tinha precisamente a ver com a ansiedade    quanto a estas potenciais modificações. A dificuldade do neo-realismo em incluir    a política interna nesta análise, "talvez a mais séria falha do neo-realismo",    limita a sua capacidade em apresentar um estudo abrangente da unificação alemã,    devido ao envolvimento activo de Kohl e da sua equipa governamental nas negociações<sup><a href="#9">9</a><a name="top9"></a></sup>.</p>      <p>Em segundo lugar, a explicação liberal para o fim da Guerra Fria deriva da    atractividade do modelo liberal democrático do Ocidente e da sua capacidade    em prevalecer sobre regimes autocráticos assim como do seu objectivo de "acomodar    a União Soviética e, ao mesmo tempo, integrá-la na nova ordem de segurança europeia"<sup><a href="#10">10</a><a name="top10"></a></sup>.    Estes autores identificam a continuidade da política externa com base numa orientação    multilateralista e integracionista e enquadrada em instituições internacionais    como os dois princípios orientadores da política externa. Partiam da premissa    de que a Alemanha, voluntariamente, prosseguiria uma estratégia de autolimitação    assente no multilateralismo e na integração europeia. Pondo em causa o poder    da estrutura internacional como condicionante das acções do Estado, estes autores    argumentavam que o forte envolvimento da Alemanha em instituições internacionais    influenciava a definição dos interesses do Estado. Se durante a Guerra Fria    a RFA se tinha tornado um Estado multilateralista e europeizado não havia razão    plausível para que após a unificação esta postura devesse ser alterada<sup><a href="#11">11</a><a name="top11"></a></sup>.</p>      <p>Em terceiro lugar, estudos de orientação construtivista sugerem que a identidade    liberal que caracterizou o mundo ocidental após 1945 moldou decisivamente a    forma como acabou a Guerra Fria e facilitou a aceitação da unificação alemã    contra a fragilidade da estrutura social e política do regime soviético e a    sua hegemonia coerciva sobre a Europa de Leste<sup><a href="#12">12</a><a name="top12"></a></sup>.</p>     <p>A mudança estrutural na Europa foi a consequência do fim da rivalidade entre as  duas superpotências e a bipolaridade sistémica, o início dos movimentos de democratização  na Europa de Leste e dentro da antiga URSS e, finalmente, o fim da União Soviética.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para os países da Europa Central e Oriental isto representou uma mudança estrutural  fundamental, com novas instituições e novas alianças como os elementos definidores  de uma nova política externa, para a Europa Ocidental isto confirmou a continuação  das instituições e alianças da ordem euro-atlântica. Logo, o período de transição  foi marcado por mudanças significativas, mas também por continuidade.</p>      <p>Os Estados Unidos, a União Soviética e a RFA foram os actores mais significativos    nesta redefinição da ordem de segurança europeia. O período entre o Verão de    1989 e o Outono de 1990 demonstrou a liderança internacional das duplas Kohl    e Genscher, Bush e Baker e Gorbachev e Shevardnadze no processo negocial internacional    diplomático na criação da futura arquitectura de segurança europeia<sup><a href="#13">13</a><a name="top13"></a></sup>.</p>      <p><b>APOIO AMERICANO, RETICÊNCIAS FRANCESAS</b></p>       <p>O apoio europeu para a unificação das duas Alemanhas fora sempre ambíguo; enquanto    que o Tratado de Paris de 1954 afirmava o compromisso das potências ocidentais    presentes em território alemão em alcançar a unificação por meios pacíficos,    muitos países tinham-se instalado na retórica confortável do apoio verbal a    um cenário cada vez mais distante. "É evidente que sempre apoiámos a unificação    alemã", confessava o antigo primeiro-ministro Edward Heath, "porque sabíamos    que ela não iria acontecer"<sup><a href="#14">14</a><a name="top14"></a></sup>.</p>     <p>Margaret Thatcher, então primeira-ministra britânica, opôs-se ferozmente à    ideia de unificação por recear um revivalismo do nacionalismo alemão e uma política    externa agressiva<sup><a href="#15">15</a><a name="top15"></a></sup>. O Reino    Unido só viria a alterar a sua posição após pressão americana, passando de uma    oposição directa a um reforço do seu relacionamento com Washington como forma    de contrabalançar o inevitável acréscimo do poderio alemão.</p>     <p>Paris e Washington tinham visões quase opostas quanto à unificação alemã. A França  foi o país da Comunidade Económica Europeia que mais dificuldade teve em aceitar  a possibilidade da unificação. O Presidente Mitterrand não escondeu o seu desinteresse  em ver a Alemanha unificada assumir um papel político mais relevante no espaço  euro-atlântico já que isso seria sempre feito à custa do poder da França. Os Estados  Unidos adoptaram uma posição oposta que o Presidente George Bush defendeu quando  sugeriu, na sua visita a Mainz, na RFA, em Maio de 1989, que a RFA deveria tornar-se  o parceiro preferencial de Washington numa "Europa unida e livre", através de  uma "partnership in leadership", onde a Alemanha assumisse o papel de líder europeu  e consequentemente aliviasse o que seria a diminuição do esforço americano na  Europa.</p>      <p>Não obstante, o objectivo comum francês e americano era o de reter alguma forma    de controlo sobre as acções alemãs. Por isso a França, inicialmente reticente    e cautelosa, transformou o objectivo da unificação europeia no principal instrumento    negocial em troca da obtenção de garantias quanto ao compromisso alemão para    com a integração europeia<sup><a href="#16">16</a><a name="top16"></a></sup>.    A maioria dos autores considera que a França apenas aceitou a unificação quando    o Governo de Kohl concordou com o projecto de União Económica e Monetária (UEM)    em Maio de 1990<sup><a href="#17">17</a><a name="top17"></a></sup>.</p>     <p>Enquanto que a França aprofundava a integração europeia, os Estados Unidos    reforçavam a Aliança Atlântica. Para o Presidente Bush a unificação só poderia    ocorrer se a Alemanha unificada permanecesse membro da NATO. O medo da França    da ascensão da Alemanha a potência predominante na Europa estava ligado ao seu    papel de potência em declínio na política internacional e enquanto média potência    com pretensões a grande potência mundial e potência dominante na Europa<sup><a href="#18">18</a><a name="top18"></a></sup>.    Enquanto que na arena internacional a França actuava através do conceito de    soberania, invocando interesses nacionais franceses, aceitava a limitação da    soberania na política europeia, para lhe permitir um maior controlo sobre as    acções alemãs<sup><a href="#19">19</a><a name="top19"></a></sup>. Em contrapartida,    o apoio dos Estados Unidos à unificação e a uma Alemanha mais forte estava associado    à sua posição de potência vitoriosa na ordem pós-bipolar<sup><a href="#20">20</a><a name="top20"></a></sup>.    Washington considerava que a emergência da Alemanha como um poder estabilizador    na Europa dependia da definição dos interesses alemães e dos relacionamentos    e instituições que esta identificasse como mais conducentes à defesa desses    interesses. Os franceses tinham dificuldade em aceitar que "quando um Estado    se torna mais poderoso - como aconteceu com a Alemanha desde a unificação -    não manifeste o seu poder"<sup><a href="#21">21</a><a name="top21"></a></sup>.    A França associou por isso a sua aceitação da unificação com o aprofundamento    da integração europeia porque temia que a Alemanha se sentisse tentada a enveredar    pela unilateralidade se o motor franco-alemão não progredisse na integração    europeia. Para Paris, "a única coisa pior do que a dominação pela Alemanha dentro    da CEE seria a dominação alemã fora da CEE"<sup><a href="#22">22</a><a name="top22"></a></sup>.    Contudo, deve-se concluir que o papel da França foi paradoxalmente construtivo    já que o que motivou a sua postura política - o receio do aumento do poder da    Alemanha - acelerou o processo de integração europeia, a começar pelo Tratado    de Maastricht de Fevereiro de 1992<sup><a href="#23">23</a><a name="top23"></a></sup>.</p>      <p>A queda do Muro de Berlim a 9 de Novembro de 1989 apanhou todos de surpresa,    mas o chanceler Kohl não vacilou perante a magnitude da mudança. Demonstrou    ambição para imprimir liderança alemã ao processo. A 28 de Novembro Kohl apresentou    um plano de dez pontos sobre a política alemã (Deutschlandpolitik) ao Bundestag.    Neste plano, o chanceler expôs a sua visão sobre a dimensão interna de um futuro    Estado unificado. Segundo Kohl, após a eleição de um governo democrático na    República Democrática Alemã (RDA) as duas Alemanhas deveriam criar "estruturas    confederativas entre os dois Estados na Alemanha de forma a criar uma federação"<sup><a href="#24">24</a><a name="top24"></a></sup>.    O plano de Kohl foi um plano de política interna e apesar de não ter abordado    a política externa alemã ou a dimensão internacional de um futuro processo negocial    com vista à unificação não deixou de referir a importância da integração europeia.</p>      <p>Reconhecendo que o "sucesso dos movimentos de reforma [na Polónia e na Hungria]    foi uma condição prévia para o movimento reformista na RDA", Kohl aceitava que    a unificação alemã teria que ser vista no contexto da integração europeia onde    a unificação alemã e a unificação europeia eram os dois lados da mesma medalha.    Por outras palavras, as negociações sobre a unificação alemã teriam de ter em    conta o futuro alargamento da Comunidade Europeia. "A CE não pode terminar no    [rio] Elbe", afirmava Kohl; "Ela tem que permanecer aberta ao Oriente."<sup><a href="#25">25</a><a name="top25"></a></sup></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Apesar de não ter dado conhecimento prévio do seu plano de dez pontos aos seus    aliados, Kohl podia contar com o apoio de Washington. O papel dos Estados Unidos    foi crucial. O Presidente Bush respondeu ao plano de Kohl através de um discurso    que fez na sede da NATO em Bruxelas, a 4 de Dezembro, onde afirmou que a entrada    da Alemanha unificada na NATO e o reconhecimento da fronteira polaco-alemã eram    condições prévias do apoio americano à unificação<sup><a href="#26">26</a><a name="top26"></a></sup>.    A unificação só seria aceite por Washington se a Alemanha renunciasse a pretensões    neutralistas e se se tornasse membro da NATO<sup><a href="#27">27</a><a name="top27"></a></sup>.    A estratégia da Administração Bush era tripla. Primeiro, contra a maioria dos    outros estados, apoiar de facto a unificação. Segundo, dar garantias de segurança    à União Soviética. Por último, assegurar que as tropas americanas permanecessem    como força estabilizadora na Europa. Esta estratégia confirmava os Estados Unidos    como uma potência europeia e preparou o caminho para que Moscovo aceitasse a    unificação.</p>     <p>Devido ao seu apoio imediato à Alemanha e ao seu papel como única superpotência    Washington definiu a evolução da dimensão internacional do processo negocial    desde o início. Bush e Baker acalmaram ansiedades britânicas e francesas quanto    à perspectiva de uma Alemanha unida no Centro da Europa e, mais decisivamente,    asseguraram à liderança soviética que uma Alemanha unida membro da NATO não    iria constituir uma ameaça para Moscovo<sup><a href="#28">28</a><a name="top28"></a></sup>.    A 24 de Fevereiro de 1990, Bush e Kohl reuniram-se em Camp David para acertarem    posições quanto a uma posição comum face aos seus parceiros e à URSS<sup><a href="#29">29</a><a name="top29"></a></sup>.    Acordaram que era necessário atribuir ao território da RDA um "estatuto militar    especial" numa Alemanha unificada<sup><a href="#30">30</a><a name="top30"></a></sup>.    Deste modo, apesar de importantes condicionantes internacionais com que o Governo    da Alemanha Federal se deparou entre Novembro de 1989 e o Outono de 1990, o    chanceler Kohl prosseguiu com o seu propósito de aproveitar a oportunidade para    alcançar uma unificação rápida.</p>      <p>As negociações "Dois mais Quatro", o processo diplomático que constituiu a    dimensão internacional da unificação entre os dois estados alemães e as quatro    potências aliadas, iniciaram-se a 13 de Fevereiro na sequência de uma conferência    internacional entre a NATO e o Pacto de Varsóvia quando os ministros dos Negócios    Estrangeiros das duas Alemanhas, Estados Unidos, União Soviética, Grã-Bretanha    e França anunciaram que em breve iriam discutir "os aspectos externos do estabelecimento    da unidade alemã, incluindo questões de segurança dos Estados vizinhos"<sup><a href="#31">31</a><a name="top31"></a></sup>.</p>      <p>Internamente,  na RFA, a possibilidade de uma unificação alemã rápida não foi uma questão consensual.  O Partido Social-Democrata (SPD), o segundo maior partido da RFA, mostrou-se relutante  em apoiar o Governo. O candidato a chanceler, Oskar Lafontaine, opôs-se à unificação  e à ideia de uma Alemanha unificada na NATO. Karsten Voigt e Egon Bahr, especialistas  de política externa e de segurança alemãs, foram as vozes mais críticas no seio  do SPD quanto à integração alemã na NATO como condição <i>sine qua non</i> para a unificação.  Contudo, personalidades históricas dentro do partido, como o antigo chanceler  Willy Brandt, insistiam na necessidade de uma Alemanha unificada permanecer membro  da NATO. No congresso partidário do SPD em Berlim, entre 18 e 20 de Dezembro de  1989, Brandt e o presidente do SPD, Jochen Vogel, pronunciaram-se a favor de uma  "confederação em breve" dos dois estados alemães.</p>       <p><b>A ALEMANHA UNIFICADA COMO MEMBRO</b></p>       <p>DA NATO A questão central quanto aos aspectos internacionais da unificação    alemã foi como ligar a unificação à permanência da Alemanha na Aliança Atlântica.    Tornar-se-ia a Alemanha unificada um membro de pleno direito da NATO, ou seria    atribuído um estatuto militar especial ao antigo território da RDA?<sup><a href="#32">32</a><a name="top32"></a></sup></p>     <p>Kohl e Genscher não defendiam inicialmente os mesmos objectivos quanto às modalidades    de negociação da Alemanha unificada dentro da NATO. Segundo Elbe e Kiessler,    para Genscher a questão da permanência da Alemanha unificada na NATO poderia    ser melhor abordada através de uma base negocial ampla, num contexto negocial    abrangente que incluísse as preocupações legítimas soviéticas e dos países vizinhos.    Garantir a segurança através da cooperação seria a melhor forma de assegurar    a transformação de ambas as alianças militares. Genscher defendia por isso o    reforço das estruturas de segurança entre a NATO e o Pacto de Varsóvia nas suas    transições para uma "aliança de segurança colectiva comum". O ministro dos Negócios    Estrangeiros alemão tornou a sua posição conhecida no discurso que proferiu    na Academia Protestante de Tutzing, a 31 de Janeiro, onde argumentou a favor    de uma Alemanha unificada dentro da NATO<sup><a href="#33">33</a><a name="top33"></a></sup>.</p>      <p>Mas reconhecendo que os interesses soviéticos de segurança não deveriam ser    comprometidos, Genscher considerou que "não haverá extensão do território da    NATO para leste, i.e., próximo das fronteiras da União Soviética"<sup><a href="#34">34</a><a name="top34"></a></sup>.    Genscher opunha-se assim a que "a RDA deveria ser incluída nas estruturas militares    da NATO"<sup><a href="#35">35</a><a name="top35"></a></sup>. Segundo Elbe e    Kiessler, "a fórmula de Genscher era a de que a Alemanha unificada se tornaria    um membro da NATO mas que as tropas em território da RDA não ficariam sob a    alçada das estruturas de comando da NATO"<sup><a href="#36">36</a><a name="top36"></a></sup>.</p>      <p>Kohl e Genscher concordavam que uma Alemanha  unificada neutra no Centro da Europa constituiria um potencial de instabilidade  maior do que uma Alemanha unificada institucionalmente integrada nas estruturas  de segurança na ordem do pós-Guerra Fria.</p>      <p>A posição do chanceler foi mais directa. Num discurso perante o Bundestag a    15 de Fevereiro de 1990 Kohl afirmou que uma Alemanha unificada "deveria permanecer    no seio da Aliança Ocidental"<sup><a href="#37">37</a><a name="top37"></a></sup>.    Contudo, "nenhuma unidade nem equipamento da Aliança seriam atribuídos ao presente    território da RDA"<sup><a href="#38">38</a><a name="top38"></a></sup>. Para    Kohl, o futuro estatuto de segurança da RDA seria negociado apenas depois das    eleições legislativas na RDA, a 18 de Março, e através de consulta com os quatro    poderes presentes na Alemanha. Segundo Elbe e Kiessler, existiram planos tanto    na chancelaria como no Ministério da Defesa para que a RDA fosse integrada nas    estruturas militares da NATO<sup><a href="#39">39</a><a name="top39"></a></sup>.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O papel da União Soviética foi o de uma potência em declínio, cuja liderança    tinha a consciência da fraqueza negocial e da debilidade estrutural que afectava    a sua posição internacional ao mesmo tempo que mantinha a ilusão de que poderia    ainda determinar o curso das revoluções democráticas em curso na Europa Central    e Oriental e que poderia condicionar o resultado do processo negocial da unificação    alemã. Sob a liderança de Mikhail Gorbachev a URSS tinha adoptado o "novo pensamento"    na política externa segundo o qual cada nação tinha direito à autodeterminação    quanto ao seu sistema político<sup><a href="#40">40</a><a name="top40"></a></sup>.    Este princípio foi proclamado em Junho de 1989 quando Gorbachev visitou Kohl    em Bona e, numa declaração conjunta, ambos reconheciam a todos os estados na    Europa o direito de escolherem livremente o seu sistema político.</p>     <p>A aceitação de liberdade interna, contudo, não significava a possibilidade    de alteração das alianças militares: o Pacto de Varsóvia continuaria a ser o    principal instrumento da política externa soviética. Na prática, contudo, o    comunicado final da reunião dos países membros do Pacto de Varsóvia em Bucareste,    a 7 de Julho, ao estipular que "qualquer ingerência nos assuntos internos e    qualquer tentativa de limitar a soberania dos Estados é inaceitável", representava    o fim da doutrina Brejnev<sup><a href="#41">41</a><a name="top41"></a></sup>.    Isto galvanizou os movimentos de reforma na Europa Central e Oriental na sua    luta pela liberdade.</p>     <p>Quanto à possibilidade de unificação alemã a União Soviética encontrava-se    numa posição mais desconfortável porque tinha mais a perder. Por isso a estratégia    foi adiar o processo o mais possível para garantir um resultado favorável a    Moscovo. Após a cimeira americano-soviética em Malta, em Dezembro de 1989, Gorbachev    declarou que o fim da existência de dois estados alemães levaria à desestabilização    da Europa. Contudo, a margem de manobra era já muito reduzida. A visita de Kohl    e Genscher a Moscovo a 10 de Fevereiro produziu o "resultado histórico", nas    palavras de Kohl, do consentimento soviético quanto à unificação. Para Gorbachev    "os próprios alemães devem fazer a sua escolha. Os alemães da RFA e da RDA têm    que saber qual é o caminho que querem seguir"<sup><a href="#42">42</a><a name="top42"></a></sup>.</p>      <p>Gorbachev e Shevardnadze estavam dispostos a negociar todos os aspectos da    unificação com uma excepção crucial: a permanência da Alemanha na NATO não poderia    ser estendida a todo o território unificado. Em primeiro lugar, uma adesão plena    representaria uma derrota estrutural para Moscovo e uma alteração considerável    da balança de poder europeia. Em segundo lugar, uma NATO alargada à Alemanha    unificada impulsionaria o alargamento da NATO na Europa Central e Oriental,    ao qual Moscovo se opunha veemente. Por último, tendo em conta as alterações    que isto acarretaria na estrutura de segurança europeia, a liderança soviética    carecia de apoio doméstico<sup><a href="#43">43</a><a name="top43"></a></sup>.</p>      <p>Quando Gorbachev se encontrou com o secretário de Estado americano, James Baker,    em Moscovo, entre 7 e 10 de Fevereiro, o objectivo foi o de assegurar um estatuto    militar neutral para as duas Alemanhas. Quando três meses depois foi novamente    a Moscovo, entre 16 e 19 de Maio, Baker apresentou "nove garantias" a Gorbachev<sup><a href="#44">44</a><a name="top44"></a></sup>.    Uma dessas garantias era a de que forças da NATO não seriam colocadas no antigo    território da RDA durante um período de transição e enquanto houvesse tropas    soviéticas nesse território. Nesses nove pontos não houve qualquer referência    a um futuro alargamento da NATO para países da Europa Central e Oriental. Houve    meramente a sugestão da parte de Baker de atribuir à URSS um papel importante    na CSCE, instituição que seria revitalizada e cuja estrutura seria negociada    numa conferência até finais de 1990<sup><a href="#45">45</a><a name="top45"></a></sup>.    Para além disso foi sugerido a assinatura de um tratado CFE sobre a limitação    de forças convencionais na Europa.</p>     <p>Em finais da Primavera de 1990 a margem de manobra política da liderança soviética    já tinha diminuído consideravelmente. Em vez de forçarem o Governo alemão a    escolher entre a unidade e a permanência na NATO, no final de Junho, Gorbachev    e Shevardnadze deixaram de exercer pressão sobre o Governo de Kohl. Nas semanas    que antecederam a importante reunião no Cáucaso, onde os soviéticos finalmente    aceitaram a Alemanha unificada como membro da NATO, Washington indicou que poderia    vir a concordar com a soberania plena alemã juntamente com os seus aliados ocidentais    caso Moscovo decidisse não cooperar<sup><a href="#46">46</a><a name="top46"></a></sup>.    Isto teria implicado o fim dos direitos das potências aliadas na Alemanha, assim    como o falhanço diplomático das negociações entre Moscovo e o Ocidente. Na cimeira    da NATO em Londres, em 5 e 6 de Julho, os membros da NATO apresentaram a sua    posição quanto a uma rápida unificação alemã e a inclusão do país na Aliança    como já não sendo uma posição negociável<sup><a href="#47">47</a><a name="top47"></a></sup>.</p>      <p>O acordo com a URSS quanto aos aspectos externos da unificação, incluindo a    permanência da Alemanha na NATO, foi finalmente assinado aquando da visita de    Kohl e de Genscher ao Cáucaso entre 14 e 17 de Julho de 1990<sup><a href="#48">48</a><a name="top48"></a></sup>.</p>      <p>A mudança da posição soviética explica-se, primeiro,  pelas despesas militares exorbitantes e pela sobreextensão imperial que marcou  o império soviético em finais da década de 1980. Em segundo lugar, um contínuo  veto à adesão da Alemanha unificada à NATO corresponderia a um bloqueio de Moscovo  à unificação alemã, o que danificaria o clima negocial internacional pacífico  necessário para que Gorbachev prosseguisse com a sua nova política externa e o  seu objectivo de reformar o socialismo soviético. Em terceiro lugar, a União Soviética  esperava que o Governo alemão contribuísse financeiramente para a retirada das  tropas soviéticas do solo da RDA; logo, sairia prejudicada financeiramente se  não pudesse aceitar o crédito e a assistência financeira que Bona estava disposta  a conceder. Por último, o papel dos Estados Unidos foi mais uma vez decisivo em  forçar a concordância soviética para mudanças na arquitectura de segurança europeia.  Na perspectiva de Kohl o apoio soviético era necessário, mas a pressão americana  foi decisiva. A Alemanha seria unificada e tornar-se-ia um membro soberano da  NATO; em troca, renunciaria ao direito de possuir armas nucleares, uma disposição  que acalmava os soviéticos e os franceses.</p>      <p>O Tratado quanto ao Acordo Final com respeito à Alemanha foi finalmente assinado,    em Moscovo, a 12 de Setembro de 1990<sup><a href="#49">49</a><a name="top49"></a></sup>.    O seu artigo 5.º estipulava que até à conclusão da retirada das forças soviéticas    do antigo território da RDA, em finais de 1994, "apenas unidades de defesa territorial    alemãs que não estão integradas nas estruturas da Aliança às quais as forças    armadas alemãs no resto do território alemão estão atribuídas serão estacionadas    nesse território como forças armadas da Alemanha unificada"<sup><a href="#50">50</a><a name="top50"></a></sup>.    Forças armadas estrangeiras e armas nucleares e os sistemas de lançamento não    seriam colocados nessa parte da Alemanha. Depois da retirada das forças soviéticas    do território da ex-RDA e de Berlim as forças militares alemãs integradas na    estrutura de comando da NATO poderiam ser colocadas na totalidade do território    alemão, mas não ser portadoras de armas nucleares. A 1 de Outubro de 1990, as    quatro potências aliadas (Estados Unidos, União Soviética, França e Reino Unido),    signatárias do Acordo de Potsdam de 1945 e como tal signatárias do tratado de    12 de Setembro de 1990, suspenderam os seus poderes e responsabilidades quadripartidos    em relação a Berlim e à Alemanha<sup><a href="#51">51</a><a name="top51"></a></sup>.</p>     <p><b>A CONTINUIDADE DA POLÍTICA EXTERNA NA ALEMANHA PÓS-UNIFICADA</b></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>É um paradoxo da política externa alemã que a unificação e o reposicionamento    da Alemanha como potência central europeia não levou, até 1998, a uma diplomacia    mais assertiva, menos multilateralista e menos europeísta. Perante a potencial    redefinição da política externa o Governo de Kohl optou pela continuidade dos    compromissos de aliança, pelo aprofundamento da integração europeia e pelo tradicional    multilateralismo<sup><a href="#52">52</a><a name="top52"></a></sup>. Kohl promoveu    o aprofundamento do núcleo duro da UE, através de uma forte relação franco-alemã,    e iniciou o alargamento institucional ao Leste europeu, com os seus parceiros    europeus, ao mesmo tempo que não deixava de fortalecer a relação bilateral entre    a Alemanha e os Estados Unidos. Neste sentido, Kohl seguiu uma estratégia verdadeiramente    euro-atlântica, interligando a integração europeia à relação transatlântica.    Nesta estratégia a via europeísta era a pedra angular já que Kohl acreditava    que a unificação europeia era a melhor resposta à nova posição da Alemanha unificada.</p>         <p>Por outras palavras, a ênfase que o chanceler deu à integração europeia como    uma questão de guerra ou de paz na Europa, e o seu contínuo compromisso com    a parceria franco-alemã e a aliança americano-alemã serviu para deliberadamente    evitar a mudança dos parâmetros da política externa do seu país. "O eixo da    orientação da nossa política externa não mudou", afirmava Kohl. "Para a Alemanha    unificada as parcerias atlântica e europeia continuam a ser de significado existencial.    Após a unificação a Alemanha inteira é agora - como a velha República Federal    - espiritual e politicamente parte do Ocidente"<sup><a href="#53">53</a><a name="top53"></a></sup>.    Isto correspondia à convicção de Kohl de que testar a robustez das alianças    num novo contexto estrutural internacional danificaria a integração europeia,    a Aliança Atlântica e a própria Alemanha. Por último, Kohl foi <i>bismarckiano</i>    ao considerar que a melhor forma de garantir a mudança crucial provocada pela    unificação era a de manter os eixos da política externa alemã inalteráveis e    evitar assim um desequilíbrio na política europeia e transatlântica.</p>         <p>Contudo, a Alemanha foi um participante activo na transformação da arquitectura    de segurança na Europa, tornando-se um dos principais apoiantes da integração    da Polónia, República Checa e Hungria na NATO. O ministro da Defesa alemão,    Volker Rühe, promoveu o alargamento da NATO aos países de Visegrado desde a    Primavera de 1993<sup><a href="#54">54</a><a name="top54"></a></sup>.</p>         <p>O apoio alemão manteve-se apesar da contínua oposição por parte da Rússia<sup><a href="#55">55</a><a name="top55"></a></sup>.    Para o então ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Evgueni Primakov, o alargamento    da NATO "foi possivelmente o maior erro desde o fim da Guerra Fria"<sup><a href="#56">56</a><a name="top56"></a></sup>.    Na tentativa de acomodar os interesses de todas as partes envolvidas através    de relações altamente personalizadas, Kohl deu um impulso decisivo na redefinição    da relação entre a NATO e a Rússia, em 1997, aquando da assinatura do Acto NATO-Rússia    sobre Relações Mútuas, Cooperação e Segurança em 27 de Maio.</p>           <p><b>VINTE ANOS DEPOIS</b></p>        <p>A história demonstrou que "não há interesse central alemão que possa ser alcançado    sem a cooperação com outros estados", como ficou demonstrado pelo caminho que    levou à unificação alemã<sup><a href="#57">57</a><a name="top57"></a></sup>.    As negociações diplomáticas servem de exemplo de uma diplomacia internacional    dinâmica e liderança política com visão onde as questões críticas foram quase    todas clarificadas por contactos pessoais antes que os governos tomassem as    decisões. O que é de sublinhar é como a liderança soviética acabou por aceitar    a unificação através de um processo rápido, dentro das alianças existentes e    sem receber muito em troca já que da perspectiva da elite política uma Alemanha    unificada no seio da NATO representava uma mudança significativa na balança    de poder europeia e transatlântica, em detrimento da posição soviética. Por    outro lado, a posição norte-americana foi crucial. Como afirmou recentemente    Robert Hutchings,</p>     <blockquote>       <p>"tendo em conta o que poderia ter corrido mal, parece evidente que os Estados      Unidos estavam certos em atribuir tamanha prioridade ao seu papel de líder,      certos em dar o seu apoio total à unificação, certos em opor-se às tentativas      britânicas, francesas e soviéticas de descarrilar ou atrasar o processo, e      certos em insistir que a Alemanha fosse soberana desde o momento da unificação,      com as suas relações de aliança intactas e sem novas restrições."</p> </blockquote>     <p>E os alemães estavam certos, continua Hutchings, "não apenas em forçar uma    unificação rápida internamente, mas também em acelerar o projecto europeu para    que o seu país recém-unificado encontrasse um lugar seguro no seio de uma Europa    mais unida e uma comunidade transatlântica continuamente forte"<sup><a href="#58">58</a><a name="top58"></a></sup>.</p>      <p>Ao contrário do que se passou na primeira metade do século  XX e de forma menos acentuada durante a Guerra Fria, uma Alemanha unificada no  Centro da Europa já não é hoje vista como ameaça à estabilidade do espaço euro-atlântico.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A unificação da Alemanha a 3 de Outubro de 1990 e o colapso da União Soviética  a 25 de Dezembro de 1991 marcaram o fim da Guerra Fria e a transição para uma  nova arquitectura de segurança na Europa e na ordem euro-atlântica. Como foi afirmado  no início do artigo, o processo de negociação internacional que marcou a unificação  alemã foi crucial na construção da futura ordem de segurança pós-Guerra Fria na  Europa.</p>      <p>Para o espaço euro-atlântico representou a consolidação da ordem liberal  constitucional; para a Europa, reflectiu o compromisso franco-alemão renovado  para com a unificação europeia; para a Rússia pós-soviética iniciou o processo  de redefinição do seu estatuto de poder.</p>      <p>Durante a década de 1990, marcada pela transição assim como pela continuidade,    a Rússia pós-soviética entrou num período de desorientação na sua política externa,    a Alemanha afirmou a sua nova posição como potência central europeia e os Estados    Unidos entraram numa nova era de política pós-atlântica. A Alemanha afirmou-se    como grande potência europeia através da continuidade das suas políticas multilateralistas    nas instituições europeias e transatlânticas de que faz parte, e do seu poder    normativo<sup><a href="#59">59</a><a name="top59"></a></sup>.</p>     <p>Vinte anos depois, contudo, a Alemanha, a Rússia e os Estados Unidos permanecem  as três principais potências da área euro-atlântica e a Alemanha o actor que mais  teria a perder com uma mudança deste quadro de segurança institucionalizado em  1990. </p>       <p>&nbsp;</p>      <p><b>NOTAS</b></p>      <p><sup><a href="#top1">1</a><a name="1"></a></sup> Agradeço a Pierre Hassner,    Vesselin Dimitrov e Carlos Gaspar, assim como aos investigadores do IPRI, os    comentários a versões anteriores do artigo.</p>      <p><sup><a href="#top2">2</a><a name="2"></a></sup> SCHWARZ, Hans-Peter - <i>Die    Zentralmacht Europas. Deutschlands Rückkehr auf die Weltbühne</i>. Berlim: Siedler    Verlag, 1994.</p>      <p><sup><a href="#top3">3</a><a name="3"></a></sup> IKENBERRY, G. John - <i>After    Victory: Institutions, Strategic Restraint, and the Rebuilding of Order after    Major Wars</i>. Princeton: Princeton University Press, 2001.</p>      <p><sup><a href="#top4">4</a><a name="4"></a></sup> G. John Ikenberry desenvolveu    o conceito de "ordem constitucional" no seu livro <i>After Victory: Institutions,    Strategic Restraint, and the Rebuilding of Order after Major Wars</i>. Ikenberry    define ordens constitucionais como "ordens políticas organizadas em redor de    instituições legais e políticas que operam para atribuir direitos e limitar    o exercício do poder. [&#8230;] Os riscos da competição política são reduzidos    pela criação de processos de participação e decisão institucionalizados que    especificam regras, direitos e limites aos governantes" (p. 29).</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top5">5</a><a name="5"></a></sup> BOZO, Frédéric, REY, Marie-Pierre,    LUDLOW, N. Piers, e NUTI, Leopoldo (eds.) - <i>Europe and the End of the Cold War:    A Reappraisal</i>. Routledge, 2008; BROOKS, Stephen, e WOHLFORTH William C. - "Clarifying    the end of Cold War debate". In <i>Cold War History</i>. Vol. 7, N.º 3, 2007, pp. 447-454;    DAVIS, James W., e WOHLFORTH William C. - "German unification". In HERRMANN,    Richard K., e LEBOW, Richard Ned (eds.) - <i>Ending the Cold War: Interpretations,    Causation, and the Study of International Relations</i>. Nova York: Palgrave Macmillan,    2004; GADDIS, John Lewis - <i>The United States and the End of the Cold War</i>. Oxford:    Oxford University Press, 1992; HOGAN, Michael J. (ed.) - <i>The End of the Cold    War: Its Meaning and Implications</i>. Cambridge, UK: Cambridge University Press,    1992; LEBOW, Richard N., e RISSE-KAPPEN, Thomas (eds.) - <i>International Relations    Theory and the End of the Cold War</i>. Nova York: Columbia University Press, 1995;    WOHLFORTH, William C. - "Realism and the end of the Cold War". In <i>International    Security</i>. Vol. 19, N.º 3, 1994, pp. 91-129; BROOKS, Stephen Brooks, e WOHLFORTH    William C. - "Power, globalization and the end of the Cold War". In <i>International    Security</i>. Vol. 25, N.º 3, 2000-2001, pp. 5-53; ENGLISH, Robert - "Power, ideas    and new evidence on the Cold War's end: a reply to Brooks and Wohlforth". In    <i>International Security</i>. Vol. 26, N.º 4, 2002, pp. 70-92.</p>      <p><sup><a href="#top6">6</a><a name="6"></a></sup> WALTZ, Kenneth - "The emerging    structure of international politic". In <i>International Security</i>. Vol. 18, N.º    2, 1993, pp. 44-79; BARING, Arnulf (ed.) - <i>Germany's New Position in Europe:    Problems and Perspectives</i>. Oxford: Berg, 1994; HACKE, Christian - <i>Weltmacht    wider Willen: Die Aussenpolitik der Bundesrepublik Deutschland</i>. Frankfurt am    Main: Ullstein, 1993; SCHWARZ, Hans-Peter - <i>Die Zentralmacht Europas. Deutschlands    Rückkehr auf die Weltbühne</i>.</p>      <p><sup><a href="#top7">7</a><a name="7"></a></sup> MEARSHEIMER, John - "Back    to the future: instability in Europe after the Cold War". In <i>International    Security</i>. Vol. 5, N.º 56, 1990, p. 9.</p>      <p><sup><a href="#top8">8</a><a name="8"></a></sup> HYDE-PRICE, Adrian - "'Normative'    power Europe: a realist critique". In <i>Journal of European Public Policy</i>. Vol.    13, N.º 2, Março de 2006, pp. 217-234.</p>      <p><sup><a href="#top9">9</a><a name="9"></a></sup> HOFFMANN, Stanley - <i>The European    Sisyphus</i>. São Francisco: Westview Press, 1995, p. 283.</p>      <p><sup><a href="#top10">10</a><a name="10"></a></sup> RISSE, Thomas - "The Cold    War's endgame and German unification". In <i>International Security</i>. Vol. 21,    4, Primavera de 1997. pp. 159-185.</p>      <p><sup><a href="#top11">11</a><a name="11"></a></sup> IKENBERRY; G. John - <i>After    Victory: Institutions, Strategic Restraint, and the Rebuilding of Order after    Major Wars</i>; LEBOW, Richard Ned - "The long peace, the end of the Cold War, and    the failure of realism". In <i>International Organization</i>. Vol. 48, N.º 2, 1994,    pp. 249-277; JANNING, Josef - "A German Europe - a european Germany? On the    debate over Germany's foreign policy". In <i>International Affairs</i>. Vol. 72, N.º    1, 1996, 33-41; MAULL, Hanns - "Germany and Japan: the new civilian powers".    In <i>Foreign Affairs</i>. Vol. 69, N.º 5, 1990, pp. 91-106; RISSE, Thomas - "The Cold    War's endgame and German unification", pp. 159-185.</p>      <p><sup><a href="#top12">12</a><a name="12"></a></sup> KATZENSTEIN, Peter (ed.)    - <i>The Culture of National Security. Norms and Identity in World Politics</i>. Nova    York: Columbia University Press, 1996. RUGGIE, John G. - <i>Constructing the World    Polity. Essays on International Institutionalization</i>. Londres: Routledge, 1998;    WENDT, Alexander - "Identity and structural change in international politics".    In LAPID, Yosef, e KRATOCHWIL, Friedrich (eds.) - <i>The Return of Culture and    Identity in IR Theory</i>. Boulder: Lynne Rienner, 1996; FORSBERG, Thomas - "Economic    incentives, ideas, and the end of the Cold War: Gorbachev and German unification".    In <i>Journal of Cold War Studies</i>. Vol. 7, N.º 2, 2005, pp. 142-164.</p>      <p><sup><a href="#top13">13</a><a name="13"></a></sup> Bibliografia sobre o processo    de unificação alemã: JAEGER, Wolfgang - <i>Die Uberwindung der Teilung. Der innerdeutsche    Prozess der Vereinigung 1989/90</i>. Estugarda: Deutsche Verlags-Anstalt, 1998;    KAISER, Karl - <i>Deutschlands Vereinigung. Die internationalen Aspekte</i>. Bergisch    Gladbach: Gustav Lubbe Verlag, 1991; POND, Elizabeth - <i>Beyond the Wall: Germany's    Road to Unification</i>. Washington DC: Brookings, 1993; SZABO, Stephen - <i>The Diplomacy    of German Unification</i>. Nova York: St. Martin's Press, 1992; KOHL, Helmut - <i>Ich    wollte Deutschlands Einheit</i>; TELTSCHIK, Horst - <i>329 Tage: Innenansichten der    Einigung</i>. Berlim: Siedler, 1991.</p>      <p><sup><a href="#top14">14</a><a name="14"></a></sup> Citado em <i>Der Spiegel</i>,    39/1989, 25 de Setembro de 1989, pp. 16-17.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top15">15</a><a name="15"></a></sup> ASH, Timothy Garton - "The    Chequers Affair". In <i>New York Review of Books</i>, 27 de Setembro de 1990. In JAMES,    Harold, e STONE, Marla (eds.) - <i>When the Wall Came Down. Reactions to German    Unification</i>. Londres: Routledge, 1992, pp. 242-246. Para uma crítica feroz cf.    O'BRIEN, Conor Cruise - "Beware, the Reich is reviving". In <i>Times</i>, 31 de Outubro    de 1989. In JAMES, Harold, e STONE, Marla (eds.) - <i>When the Wall came down.    Reactions to German Unification</i>, pp. 221-223.</p>      <p><sup><a href="#top16">16</a><a name="16"></a></sup> BOZO, Frédéric - "France,    German unification, and European integration", e LÉVESQUE, Jacques - "German    unification between the Superpowers in the name of Europe's future: Soviet,    French, and British Qualms about Kohl's rush to German unification". In BOZO,    F. <i>et al. - Europe and the End of the Cold War: A Reappraisal</i>. Londres: Routledge,    2008.</p>      <p><sup><a href="#top17">17</a><a name="17"></a></sup> No Conselho Europeu de    Estrasburgo de 8 de Dezembro de 1989 os chefes de Estado e de Governo da CEE    decidiram, contra a voz do Reino Unido, a realização de uma CIG para a criação    da UEM.</p>      <p><sup><a href="#top18">18</a><a name="18"></a></sup> HOFFMANN, Stanley - "France.    Two obsessions for one country". In PASTOR, Robert A. (ed.) - <i>A Century's Journey:    How the Great Powers Shape the World</i>, 1999, pp. 63-89.</p>      <p><sup><a href="#top19">19</a><a name="19"></a></sup> SAUDER, Axel - <i>Souveränität    und Integration. Französische und deutsche Konzeptionen europäischer Sicherheit    nach dem Ende des Kalten Krieges (1990-1993)</i>. Baden-Baden: Nomos, 1995, p. 36.</p>      <p><sup><a href="#top20">20</a><a name="20"></a></sup> HUTCHINGS, Robert - <i>American    Diplomacy and the End of the Cold War: An Insider's Account of U.S. Policy in    Europe, 1989-1992</i>. Baltimore: Johns Hopkins University Press, 1997, cf. cap.    3 sobre a diplomacia da reunificação alemã. Hutchings foi director para Assuntos    Europeus no Conselho de Segurança Nacional americano entre 1989 e 1992.</p>      <p><sup><a href="#top21">21</a><a name="21"></a></sup> FRIEND, Julius - <i>Unequal    Partners: French-German Relations, 1989-2000</i>. Londres: Praeger, 2001, p. 57.</p>      <p><sup><a href="#top22">22</a><a name="22"></a></sup> POND, Elizabeth - <i>The Rebirth    of Europe</i>. Washington DC: Brookings Institution Press, 1999, p. 42. Cf. também    BOZO, Frédéric - "Mitterrand's France, the end of the Cold War, and German unification:    a reappraisal". In <i>Cold War History</i>. Vol. 7, N.º 4, 2007, pp. 455-478; HUTCHINGS,    Robert - <i>American Diplomacy and the End of the Cold War</i>: An Insider's Account    of U.S. Policy in Europe, 1989-1992.</p>      <p><sup><a href="#top23">23</a><a name="23"></a></sup> É este um dos argumentos    recentes de Frédéric Bozo. Analisando a política europeia da França em 1989-1990,    Bozo conclui que a diplomacia francesa marcou decisivamente a integração europeia,    enquanto que nunca tentou atrasar ou mesmo impedir o processo de unificação    alemã. BOZO, Frédéric - "Mitterrand's France, the end of the Cold War, and German    unification: a reappraisal", pp. 455-478.</p>      <p><sup><a href="#top24">24</a><a name="24"></a></sup> ELBE, Frank, e KIESSLER,    Richard - <i>A Round Table with Sharp Corners: The Diplomatic Path to German Unity</i>.    Baden-Baden: Nomos, 1996, p. 224.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top25">25</a><a name="25"></a></sup> Kohl, citado em ELBE, Frank,    e KIESSLER, Richard - <i>A Round Table with Sharp Corners: The Diplomatic Path    to German Unity</i>, p. 224.</p>      <p><sup><a href="#top26">26</a><a name="26"></a></sup> No seu plano de dez pontos    Kohl não fez referência à fronteira existente entre a RDA e a Polónia. O chanceler    argumentava que só a Alemanha unificada poderia assinar um tratado com a Polónia    sobre a fronteira conjunta. Num discurso perante o Bundestag, em 8 de Março    de 1990, afirmou que a questão fronteiriça ficaria resolvida num tratado bilateral    entre o Governo polaco e o Governo da Alemanha unificada, o que viria a acontecer    no tratado assinado em 14 de Novembro de 1990.</p>      <p><sup><a href="#top27">27</a><a name="27"></a></sup> HUTCHINGS, Robert L. -    "The US, German unification and European integration". In BOZO, F. <i>et al. -    Europe and the End of the Cold War: A Reappraisal</i>. Routledge, 2008.</p>      <p><sup><a href="#top28">28</a><a name="28"></a></sup> ADOMEIT, Hannes - "Gorbachev's    consent to united Germany's membership in NATO'. In BOZO, Frédéric <i>et al. -    Europe and the End of the Cold War: A Reappraisal</i>; ADOMEIT, Hannes - "Gorbachev's    consent to unified Germany's membership in NATO". In <i>SWP Working Paper</i>, FG 5    2006/11, Novembro de 2006.</p>      <p><sup><a href="#top29">29</a><a name="29"></a></sup> ZELIKOW, Philip, e RICE,    Condoleezza - <i>Germany Unified and Europe Transformed: A Study in Statecraft</i>.    Cambridge, Mas: Harvard University Press, 1995, pp. 232-233. Zelikow e Rice    1996: 232-233.</p>      <p><sup><a href="#top30">30</a><a name="30"></a></sup> ELBE, Frank, e KIESSLER,    Richard - <i>A Round Table with Sharp Corners: The Diplomatic Path to German Unity</i>,    p. 80.</p>      <p><sup><a href="#top31">31</a><a name="31"></a></sup> <i>Ididem</i>, p. 76.</p>      <p><sup><a href="#top32">32</a><a name="32"></a></sup> Sobre a dissolução da RDA,    cf. MAIER, Charles - <i>Dissolution: The Crisis of Communism and the End of East    Germany</i>. Princeton, NJ: Princeton University Press, 1997.</p>      <p><sup><a href="#top33">33</a><a name="33"></a></sup> GENSCHER, Hans-Dietrich    - <i>Erinnerungen</i>. Berlim: Siedler, 1995.</p>      <p><sup><a href="#top34">34</a><a name="34"></a></sup> Discurso de Hans-Dietrich    Genscher sobre "A unidade alemã no contexto europeu".</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top35">35</a><a name="35"></a></sup> ELBE, Frank, e KIESSLER,    Richard - <i>A Round Table with Sharp Corners: The Diplomatic Path to German Unity</i>,    p 79.</p>      <p><sup><a href="#top36">36</a><a name="36"></a></sup> <i>Ibidem</i>.</p>      <p><sup><a href="#top37">37</a><a name="37"></a></sup> <i>Ibidem</i>, p. 83.</p>      <p><sup><a href="#top38">38</a><a name="38"></a></sup> <i>Ibidem</i>, p. 80.</p>      <p><sup><a href="#top39">39</a><a name="39"></a></sup> <i>Ibidem</i>, p. 82.</p>      <p><sup><a href="#top40">40</a><a name="40"></a></sup> Archie Brown cedo argumentou    que o papel de Gorbachev foi decisivo no fim da Guerra Fria. BROWN, Archie -    <i>The Gorbachev Factor</i>. Oxford: Oxford University Press, 1996; BROWN, Archie -    "Perestroika and the end of the Cold War". In <i>Cold War History</i>. Vol. 7, N.º    1, 2007, pp. 1-17.</p>      <p><sup><a href="#top41">41</a><a name="41"></a></sup> A doutrina Brejnev foi    a doutrina da soberania limitada que a URSS adoptou na década de 1960 e que    legitimou a intervenção militar do Pacto de Varsóvia na Checoslováquia em 1968,    pondo termo ao movimento reformista checoslovaco no período conhecido como a    "Primavera de Praga".</p>      <p><sup><a href="#top42">42</a><a name="42"></a></sup> KOHL, Helmut - <i>Ich wollte    Deutschlands Einheit</i>, p. 272.</p>      <p><sup><a href="#top43">43</a><a name="43"></a></sup> Embora Gorbachev gozasse    de apoio público considerável no mundo ocidental pela sua agenda reformista    na política externa, a sua base de apoio interna era frágil. Contudo, após meses    de críticas internas Gorbachev conseguiu consolidar a sua posição no 28.º congresso    do PCUS, em inícios de Julho de 1990, permitindo-lhe, pouco depois, conceder    publicamente o seu aval à unificação alemã, no encontro entre Gorbachev, Shevardnadze,    Kohl e Genscher no Cáucaso.</p>      <p><sup><a href="#top44">44</a><a name="44"></a></sup> BAKER, James A. - <i>The Politics    of Diplomacy: Revolution, War and Peace, 1989-1992</i>. Nova York: Putnam, 1995.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top45">45</a><a name="45"></a></sup> O que aconteceu em Dezembro    de 1990, em Paris, conferência que transformou a CSCE em OSCE.</p>      <p><sup><a href="#top46">46</a><a name="46"></a></sup> ZELIKOW, Philip, e RICE,    Condoleezza - <i>Germany Unified and Europe Transformed: A Study in Statecraft</i>,    pp. 300-301.</p>      <p><sup><a href="#top47">47</a><a name="47"></a></sup> Para uma descrição detalhada    ver ZELIKOW, Philip, e RICE, Condoleezza - <i>Germany Unified and Europe Transformed:    A Study in Statecraft</i>, pp. 303-327. ZELIKOW e RICE 1996: 303-327.</p>      <p><sup><a href="#top48">48</a><a name="48"></a></sup> Cf. KUSTERS, Hanns Jurgen    - "The Kohl-Gorbachev meetings in Moscow and in the Caucasus, 1990". In <i>Cold    War History</i>. Vol. 2, N.º 2, 2002.</p>      <p><sup><a href="#top49">49</a><a name="49"></a></sup> <i>Treaty on the Final    Settlement with respect to Germany</i>, 12 de Setembro de 1990. Disponível em:    <a href="http://usa.usembassy.de/etexts/2plusfour8994e.htm" target="_blank">http://usa.usembassy.de/etexts/2plusfour8994e.htm</a>.    A unificação alemã ocorreu de acordo com o artigo 23.º da Lei Fundamental e    não segundo o artigo 146.º. Em discussão estava a modalidade de como a unificação    deveria ocorrer: segundo o artigo 23.º, a República Democrática Alemã juntar-se-ia    à RFA, sem alteração da Lei Fundamental existente e através da adopção dos compromissos    institucionais como os Acordos de Paris de 1954 e a permanência na NATO. Em    contrapartida, segundo o artigo 146.º, a unificação teria ocorrido através da    criação de uma nova entidade estatal e de uma nova constituição.</p>      <p><sup><a href="#top50">50</a><a name="50"></a></sup> <i>Treaty on the Final Settlement    with respect to Germany</i>, 12 de Setembro de 1990.</p>      <p><sup><a href="#top51">51</a><a name="51"></a></sup> <i>The Unification of Germany    in 1990</i>. Bona: Press and Information Office of the Federal Government, 1991,    p. 131.      <p><sup><a href="#top52">52</a><a name="52"></a></sup> BULMER, S. C. Jeffery,    e PATERSON, W. - <i>Germany's European Diplomacy: Shaping the Regional Milieu</i>.    Manchester: Manchester University Press, 2000.</p>      <p><sup><a href="#top53">53</a><a name="53"></a></sup> KOHL, Helmut - <i>Discurso    Proferido no Dia da Unificação</i>, a 3 de Outubro de 1997 em Estugarda.</p>      <p><sup><a href="#top54">54</a><a name="54"></a></sup> RÜHE, Volker - "Europe    and the Alliance: key factors for peace and stability". In <i>NATO Review</i>. Vol.    41, N.º 3, 1993, pp. 12-15; RÜHE, Volker - "Shaping Euro-Atlantic policies:    a grand strategy for a new era". In <i>Survival</i>. Vol. 35, N.º 2, 1993, pp. 129-137.    Cf. também "Ewiger Frieden", <i>Der Spiegel</i>. N.º 40, 3 de Outubro de 1994, pp.    36-37. O argumento segundo o qual a Alemanha desempenhou um papel crucial, juntamente    com os Estados Unidos, no alargamento da NATO logo no início da década de 1990    foi feito por TEWES, Henning - <i>Germany, Civilian Power, and the New Europe:    Enlarging NATO and the European Union</i>. Nova York: Palgrave, 2002; e ARORA, Chaya    - <i>Germany's Civilian Power Diplomacy</i>. Nova York: Palgrave Macmillan, 2006.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top55">55</a><a name="55"></a></sup> Nos últimos anos surgiu    uma controvérsia sobre a posição dos países ocidentais durante as negociações    para a unificação alemã acerca do eventual alargamento da NATO para o Leste    europeu. A Rússia tem repetidamente afirmado que durante 1990 teriam sido dadas    garantias aos líderes soviéticos de que a NATO não se alargaria para o Leste    europeu, respeitando assim os objectivos soviéticos. Os Estados Unidos, a Grã-Bretanha,    a França e a Alemanha negam que tal questão tivesse sequer estado na mesa de    negociações e afirmam que o que se negociou foi meramente o estatuto da Alemanha    unificada no seio da NATO, tendo ficado estipulado pelo Tratado de 12 de Setembro    de 1990 que ao território da antiga RDA seria atribuído um "estatuto militar    especial" onde não seriam colocadas forças da NATO enquanto as tropas soviéticas    não tivessem retirado. Cf. KRAMER, Mark - "The myth of a no-NATO enlargement    pledge to Russia". In <i>The Washington Quarterly</i>. Vol. 32, N.º 2, Abril de 2009,    pp. 39-61; e MASTNY, Vojtech - "Eastern Europe and the early prospects for EC/EU    and NATO membership". In <i>Cold War History</i>. Vol. 9, N.º 2, Maio de 2009, pp.    203-221.</p>      <p><sup><a href="#top56">56</a><a name="56"></a></sup> Citado por GÜNSCHE, Karl-Ludwig    - "Wie sich Russland die Nato-Osterweiterung vorstellt". In <i>Die Welt</i>, 1 de Abril    de 1997.</p>      <p><sup><a href="#top57">57</a><a name="57"></a></sup> KAISER, Karl - <i>Deutschlands    aussenpolitische Verantwortung in einer interdependenten Welt</i>. Estugarda: Robert    Bosch Stiftung, 2000, p. 28.</p>      <p><sup><a href="#top58">58</a><a name="58"></a></sup> HUTCHINGS, Robert - <i>Brussels    Forum</i>, Maio de 2009. Disponível em: <a href="http://www.gmfus.org/brusselsforum/2009/publications2009.html" target="_blank">http://www.gmfus.org/brusselsforum/2009/publications2009.html</a></p>      <!-- ref --><p><sup><a href="#top59">59</a><a name="59"></a></sup> DAEHNHARDT, Patrícia -    "De Kohl a Merkel: a gradual afirmação da Alemanha como grande potência euro-atlântica".    In <i>Relações Internacionais</i>. Lisboa: IPRI - UNL, N.º 14, 2007.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000127&pid=S1645-9199200900030000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>      <p><a href="#topa1">*</a><a name="a1"></a> Doutorada em Relações Internacionais    pela London School of Economics and Political Science. Professora em Relações    Internacionais da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais na Universidade Lusíada.    Investigadora do IPRI – UNL.</p>      ]]></body><back>
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<surname><![CDATA[DAEHNHARDT]]></surname>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[De Kohl a Merkel: a gradual afirmação da Alemanha como grande potência euro-atlântica]]></article-title>
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<year>2007</year>
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